Episódios de Market Makers

#363 | A VERDADE POR TRÁS DA PESQUISA QUE DERRUBOU FLÁVIO BOLSONARO

20 de maio de 20261h44min
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A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada hoje (19 de maio) colocou a disputa presidencial de 2026 no centro da crise política do dia: Lula abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno, enquanto a pré-campanha de Flávio acionou o TSE contra a pesquisa da AtlasIntel.Portanto, hoje no Market Makers, Thiago Salomão e Leopoldo Rosa vão receber, com exclusividade, Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, para entender o que os dados mostram, como a pesquisa foi feita e qual pode ser o impacto eleitoral do caso envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master e o filme Dark Horse.00:00 - Apresentação e patrocinadores03:30 - Quem é Andrei Roman e o histórico de acertos da Atlas Intel06:00 - Os números: Flávio cai 5 pontos na primeira pesquisa pós-áudio10:30 - Metodologia da Atlas: como o áudio foi testado sem contaminar a pesquisa15:50 - A reação dos bolsonaristas ao áudio — e o piso de 23%20:00 - A contradição fatal: anticorrupção no olho do furacão da corrupção25:00 - Esse escândalo chega até outubro? Por que esse fato é diferente30:00 - A matemática do segundo turno: 25% cristalizados e a fragmentação da oposição36:00 - Zema, Caiado, Renan — quem consegue tirar o Flávio da disputa?43:00 - O maior erro da oposição: por que não lançaram o Tarcísio?48:00 - O paradoxo de 2026: Lula deveria perder — mas a oposição o salva54:00 - Outsiders: Joaquim Barbosa, Renan Santos e o espaço para um terceiro nome01:09:00 - Lula ou Hadad? O número que muda o cálculo da esquerda01:15:00 - Eleitor tímido: por que a pesquisa digital acertou Trump e o Datafolha erra01:22:00 - Ping-pong: a história do romeno que veio ao Brasil por García MárquezE você, o que acha: essa pesquisa mostra uma mudança real na eleição ou apenas o impacto imediato de uma notícia? Mande suas perguntas no chat.Este episódio faz parte da nossa cobertura especial das eleições de 2026 e conta com o apoio dos nossos parceiros Money Times, Seu Dinheiro e Bastidores do Poder, ampliando o alcance das discussões e levando esse debate para ainda mais brasileiros.COPIE A CARTEIRA DO SALOMÃO (GRATUITAMENTE): https://lp.mmakers.com.br/cas01-pe-de-meia-do-salomao?xpromo=MI-CARTEIRASALOMAO-YT-20260512-DESCRICAONOVACARTEIRADOSALOMAO-MM-XAbra sua Conta Internacional na Nomad e ganhe até U$50 de cashback com o código de convidado MMAKERS50: https://link.nomadglobal.com/wIQT/MMAKERS50 (Leia os avisos legais: nomadglobal.com/legal)📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://mmakers.com.br/biblioteca-market-makers/?xprmo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -CEO DA ATLASINTEL EXPLICA PESQUISA QUE IRRITOU A CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO | Market Makers #363Apresentadores: Thiago Salomão (CEO do Market Makers) e Leopoldo Rosalino (COO do Market Makers)Convidado: Andrei Roman (Fundador da Atlas Intel)#ELEIÇÕES2026 #ATLASINTEL #PESQUISAELEITORAL #FLÁVIOBOLSONARO #MARKETMAKERS

Assuntos2
  • Possíveis consequências para ZemaDivulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg · Flávio Bolsonaro · Lula · TSE · Andrei Roman · Atlas Intel · Daniel Vorcaro · Banco Master · Filme Dark Horse · Metodologia da pesquisa · Reação dos bolsonaristas · Piso de 23% · Corrupção · Áudio de Flávio Bolsonaro · Repasse de dinheiro · Orçamento do filme · Ação no TSE · Eleições 2026
  • Cenário Eleitoral 2026Disputa presidencial de 2026 · Cenário de segundo turno · Fragmentação da oposição · Zema · Caiado · Renan Santos · Tarcísio · Lula · Haddad · Joaquim Barbosa · Outsiders · Eleitor tímido · Voto envergonhado · Candidato com base cristalizada · Candidato com maior chance de vencer Lula · Nordeste · Governos regionais · Bolsa Família · Fenômeno Ciro Gomes · Eduardo Leite · Augusto Cury · Luciano Huck · Pablo Marçal · Classe C · Renan · Gustavo Petro · Bukele · STF · Ratinho Júnior · Janja · Rubio · AOC · Democratas · Republicanos · Lulismo · Erica Hilton · Samara Martins · Clivagem geracional · Inteligência artificial · Populismo · Redes sociais · Senado · Copa do Mundo · Novo (partido) · Reforma fiscal do Haddad · Tarcísio Trade · Segurança pública em São Paulo · Legado político · Projeto moral · Combate à corrupção · Desigualdade social · Pobreza
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Sim, sim, sim, tá começando mais um Market Makers. Aliás, não podemos mais começar o episódio ao vivo com sim, sim, sim. Você assusta as pessoas. Porque tá todo mundo com a tela de descanso que nem tá a minha aqui. Aí vem um abobado aí gritando sim, sim, sim. A pessoa dá um pulo ali. A pessoa tá ali no escritório fazendo um relatório importante.

Pois é, desculpa galera, tá começando mais um episódio ao vivo. Eu sou o Thiago Salomão, fundador do Market Makers, ao meu lado Leopoldo Rosa, o Lepo. Eu posso, vai ser o Lepo agora, né? Cara, as pessoas estão... Já estão te chamando de Lepo? Eu tenho três fãs que me reconheceram e me chamaram de Lepo. Ah, legal. Então o Lepo Rosa tá aqui com a gente. Uma das cabeças pensantes aí por trás do projeto Eleições Market Makers, que a gente tá fazendo...

muitos braços, né? Agradecer a cobertura que a gente está fazendo junto com o seu dinheiro, com o Money Times, com o Bastidores no Poder, que estão fazendo a cobertura de todas as entrevistas que estamos tendo com vários políticos e também com analistas. E hoje a gente está com uma pessoa, olha, o timing...

O momento mais oportuno possível para o Andrei Romã estar aqui. Ele é o CEO da Atlas Intel. A gente já aguardava ele porque hoje seria divulgada a primeira pesquisa pós-áudios de Flávio Bolsonaro. E bom, essa pesquisa deu o que falar. A gente vai trazer aqui um pouco... O assunto ficou mais quente do que já era. A gente até agradece o Andrei por estar aqui porque acredito que ele teve um dia...

Deveras agitado, não só pela repercussão midiática, mas até jurídica dessa pesquisa. Mas vocês vão estar cientes disso tudo aqui. Mas antes, só lembrando, não existe almoço grátis, também não existe podcast grátis, Leopoldo. O programa de hoje tem o apoio da Nômade, a plataforma que simplifica a vida de quem entendeu que estratégia global não é mais um luxo, mas uma necessidade.

Com a Nomad, você dolariza seu patrimônio de forma segura, sem burocracia, garantindo o poder de compra para suas viagens internacionais, indo muito além do turismo. Em um único app, você tem acesso direto ao mercado de capitais americano, podendo diversificar seu patrimônio e construir uma reserva de valor em moeda forte. Aí vocês estão vendo aqui na tela, desse lado, um QR Code.

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E aproveitando, já que estamos aqui falando de coisas pagas e não pagas, sabe que jornalista nada mais é do que um fofoqueiro que recebe para fazer o seu trabalho. É mesmo, Lefo? E aí eu tenho uma fofoca a seu respeito que eu quero contar para a nossa audiência.

Você vai abrir a carteira. Eu vou abrir a carteira. Mas não é que você vai dar dinheiro para todo mundo. Explica o que é abrir a carteira do Salomão. Bom, além de podcaster e fundador dessa empresa, eu também sou investidor, tenho minha carteira pessoal. E eu vou fazer uma mudança, aliás, estou fazendo uma mudança estrutural na minha carteira pessoal de investimentos.

Isso tudo vai ser revelado no dia 27 de maio. Dia 27 de maio. Quarta-feira não, amanhã. Quarta-feira seguinte. Exatamente às 18h. Às 18h. E lá eu vou mostrar como vai ficar a minha nova carteira de investimentos. Então, se você não quer perder isso, aliás...

isso eu vou abrir para todo mundo, é totalmente de graça, inclusive vocês não só vão saber o que eu estou fazendo com a minha carteira pessoal, mas também vão poder replicar a minha carteira, caso vocês gostem da estratégia, isso tudo de graça, totalmente automatizado, não custa nada a live, não custa nada automatizar.

Então, se você não quer perder essa live que a gente vai fazer, vai ter um link aí na descrição. Vai ter um QR Code também na tela. Mais um QR Code ali. Agora está desse lado aqui. Está na frente do Leopoldo. Então, é só apontar o seu celular para lá. Ou então clicar, deixa lá seu melhor e-mail. Você não vai perder esse evento, onde eu vou falar da minha carteira pessoal de investimentos. Soube que eu vou te entrevistar. Pretendo fazer perguntas comprometedoras. Legal. Eu adoro se entrevistar.

Leopoldo, quer apresentar o nosso convidado? Bora lá, nosso convidado de hoje está no olho do furacão, né? O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro está contestando os resultados da última pesquisa Atlas Intel que apontou queda nas intenções de votos dele e foi ao TSE pedindo a suspensão da divulgação da pesquisa. Nosso convidado, o Salomão já falou, é o cientista político Andrei Roman, CEO da Atlas Intel. Andrei, muito bem-vindo a Faria Lima e ao Market Makers.

Tudo bom, gente? Prazer estar aqui com vocês, Thiago Leopoldo. Muito bom, muito bom. Só, acho que legal trazer, né? O Atlas Intel foi eleito o instituto mais preciso das eleições presidenciais dos Estados Unidos, tanto em 2020 quanto em 2024. Teve um erro médio de 2,2 pontos percentuais em 2020. Em 2024 foi o único instituto a apontar vantagem de Trump em Michigan e em Koskinen, ao longo da corrida, acertando o placar.

Do colégio eleitoral com 100% de precisão. E foi um dos únicos, se não o único instituto no mundo a acertar a vitória do Trump com essa precisão, né Andrei? Sim, tivemos o menor erro e mesmo assim a gente não escapa as críticas. Mas crítica é sinal que o pessoal está olhando o seu trabalho, Andrei.

Bom, a gente também acertou melhor que a média dos institutos a votação do Jair Bolsonaro no primeiro turno da última eleição presidencial, como também em nove de onze estados onde pesquisas atlas foram divulgadas no primeiro turno, os resultados para senadores e governadores. A maioria das vezes porque outras pesquisas subestimavam na época a direita. Então é bom lembrar um pouco disso. Boa. Bom.

Pesquisa que saiu hoje mostrou o seguinte, Saloma, eram 46,6% de votos para o Lula na pesquisa de abril. E agora em maio subiu 0,4% para 47%. O senador Flávio Bolsonaro tinha 39,7%, caiu para 34,3%. Uma queda de quase 5 pontos percentuais.

Essa queda acontece, essa pesquisa foi feita, foi a primeira pesquisa feita depois do caso dos áudios do Flávio Bolsonaro com o Vorcaro. A pesquisa da Coaeste, que até o Felipe Nunes esteve com a gente, foi feita no intermédio. Então ela pegou muita gente que não sabia ainda do caso. Nesse caso da Atlas, todo mundo já sabia. E inclusive tem perguntas sobre isso no combo da pesquisa.

Primeiro eu queria saber por que você acha que houve essa reação por parte do Flávio e do PL? Como é que isso te pegou? Já tinha acontecido antes de um candidato questionar de maneira tão... A beleza de fazer episódio ao vivo é esse, né? A gente está realmente no momento que isso está sentindo na sua pele, né? Gente, não posso dizer que estou completamente surpreso. Porque, em geral, a gente vê candidatos tentarem fazer quando os resultados de uma pesquisa...

não agrada, é tentar minimizar e, se possível, descredibilizar os resultados daquela pesquisa. Políticos no mundo todo tendem a fazer isso. E é isso que a gente está percebendo neste momento também. É uma pesquisa difícil para o Flávio Bolsonaro.

Porque mostra um cenário de segundo turno já muito diferente de pesquisas anteriores. E talvez irreversível a partir da gravidade do áudio que foi revelado.

e de novas revelações. Por exemplo, hoje, a revelação do encontro que ele teve depois com o Orcaro, enquanto ele já estava em prisão domiciliar. Então, são fatos que incomodam.

É muito difícil para um adversário de direita, no meu entender, ser realmente competitivo ao seu máximo potencial eleitoral contra o Lula, quando a principal vulnerabilidade do Lula, historicamente sabemos, depois do Mensalão e depois do Lava Jato, vem sendo a pauta da corrupção, o mínimo que se esperaria de um candidato competitivo da direita.

Seria uma boa competência em termos de capitalizar acima deste tema. Pois bem, é difícil aproveitar o discurso anticorrupção contra o Lula quando você está no olho do furacão com envolvimento no maior escândalo recente de corrupção e talvez uma das maiores fraudes do sistema financeiro. E não são, eu diria, os fatos...

aqui, eles são bastante relevantes para entender também, para correlacionar com os resultados da pesquisa. Se fosse apenas a pesquisa, Flávio caiu cinco pontos, talvez ele se recupera, né? Mas acredito eu que faz sentido a gente se atentar um pouco aos fatos que levaram para essa queda. Se trata de...

um repasse bastante substancial de dinheiro, que foi inicialmente negado pelo candidato. Na manhã, o Dianker falou que foi pedir dinheiro privado para um filme privado, e ele estava negando que recebeu qualquer tipo de apoio para este projeto. E depois se retratou.

E os valores também são difíceis de entender, sinceramente. Eu levantei hoje, dados a respeito, os filmes mais famosos do cinema brasileiro recente não tiveram nem por perto um orçamento tão grande quanto este filme. De fato, filmes americanos...

Os últimos 20 vencedores de Oscar, como melhor filme nos Estados Unidos, pelo que o Grock me falou, pelo menos, quando eu fiz a pergunta, 15 tiveram um orçamento menor que este filme. Então, é um pouco difícil entender o porquê deste orçamento tal grande e se, efetivamente, este dinheiro foi integralmente para o filme.

muitas pessoas estão se deparando com essas dúvidas. E isso não vai ser uma descredibilização de uma pesquisa da Atlas, que não procede, inclusive, mas não vai ser a partir dessas suspeitas levantadas sobre a nossa pesquisa, que é esses desafios e explicações que a campanha do Flávio Bolsonaro terá que formular, que isso tudo vai desaparecer. A minha impressão é que é...

essa pressão, esse desgaste, ele está apenas a começar. Bom, tem muita coisa da pesquisa que a gente gostaria de falar, tiveram até notícias novas, queria saber um pouco da sua percepção, mas acho que vale nesse momento, até para colocar todo mundo no mesmo nível da conversa, explicar...

um pouco da metodologia da Atlas, até porque foi o questionamento, né, que o questionário induziria a respostas negativas, né, mas seria legal explicar o que que foi esse ponto de questionamento que passa por dentro da metodologia. Assim, eu já vi que ontem, passou um tempo do Twitter respondendo muita gente já, mas acho que seria legal colocar pra toda a nossa audiência aqui, pra estar ciente.

Acho que o ponto de maior confusão em relação a essa pesquisa é que Atlas, além de coletar o questionário estruturado quantitativo, com perguntas sobre intenção de voto, aprovação presidencial, a posição sobre temas importantes, inclusive sobre este tema do escândalo,

do áudio enviado pelo Flávio Bolsonaro para o Vorcaro. Numa parte complementar da pesquisa, a gente redirecionou uma subamostra da coleta principal.

para responder enquanto estávamos assistindo ou escutando o áudio, como estávamos reagindo a este conteúdo no tempo real. Existe uma escala de avaliação, onde cada respondente poderia dizer quanto está gostando, avaliando de maneira positiva ou negativa aquele conteúdo. Por que a gente quis fazer isso?

Porque é interessante entender, enquanto o Flávio Bolsonaro fala, se existe algum elemento específico da mensagem dele que melhora ou piora a avaliação das pessoas. Também é interessante entender, tudo bem, muita gente pode dizer que aprova ou desaprova o conteúdo, mas qual que é o nível de intensidade disso, numa escala?

com a intensidade de rejeição ou de aprovação do conteúdo. Como que, por exemplo, evangélicos e católicos reagem à mensagem no tempo real quando ele, por exemplo, fala sobre Deus no final. Existe alguma diferença? Então, são elementos de discurso que apenas podem ser interpretados, avaliados.

a partir dessa metodologia de pesquisa, porque aí você realmente escuta o Flávio Bolsonaro falar e o respondente tem a oportunidade de se manifestar a respeito. É algo que a gente geralmente usa para propagandas comerciais, então publicidade, pode ser publicidade comercial, às vezes a gente usa também essa ferramenta para fazer alguma análise de uma mensagem de cunho político, propaganda eleitoral, quem venceu um debate.

E neste caso, me pareceu, dada a importância deste conteúdo, pareceu interessante também fazer esse teste. Mas é importante ressaltar que o áudio não foi escutado pelos respondentes da pesquisa antes de eles preencherem os resultados sobre a intenção de voto, sobre basicamente todas as perguntas que foram incorporadas dentro da pesquisa. Uma parte adicional, complementar.

que busca trazer nuances, basicamente, para o resultado da coleta principal. O argumento, a teoria da conspiração que surgiu, é que Atlas, de alguma forma, enviesou a coleta, tendo os respondentes da pesquisa escutarem antes de responderem, de preencherem o questionário da pesquisa, este áudio.

O que simplesmente não aconteceu. O áudio foi basicamente testado depois desta coleta. Então não teve nenhum tipo de viés, até porque a gente sabe o que a gente está fazendo. A gente não colocaria nenhum tipo de informação que pudesse levar para algum viés ou algum engano. Os nossos respondentes, a gente deu as devidas explicações e continuarão.

oferecendo essas explicações agora, entendo, para o TSE no contexto dessa ação formulada pela campanha do Flávio Bolsonaro. Bom, só a minha opinião sobre isso também, obviamente, é totalmente um chute, porque nem...

Nem disso eu faço parte, mas se fosse o áudio, você responder logo após o áudio, certamente a diferença não seria de 5 pontos. Porque eu acho que o impacto... Talvez fosse bem maior, né? Eu acho que até seria motivo para corrigir. Eu não sei. De fato, uma parte interessante da análise é que os eleitores do Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2022, que é um dos cruzamentos que a gente usa para analisar estes dados,

reagiram de forma positiva às falas do Flávio Bolsonaro. Ou seja, quando ele pede o dinheiro e diz que é para o projeto do filme do pai dele. A reação não é uniformemente positiva.

mas também não é negativa dentro deste segmento. É uma reação levemente positiva. Então, o enquadramento que o Flávio Bolsonaro buscou dar depois de que ele estava pedindo dinheiro privado para um time privado, pelo menos neste segmento de eleitores que votaram no Jair Bolsonaro,

É um argumento que foi acolhido. Isso se reflete tanto nesse teste, quanto também na pesquisa de intenção de voto. Antes de ali, perdeu apenas 5 pontos. Ele retém mais de 85% dos seus eleitores da rodada passada da pesquisa.

Dá para concluir então que ele tem uma base de eleitores muito cristalizada, que é difícil de perder? Porque não dá para ouvir esse áudio achar que é uma coisa levemente positiva. Eu até acreditaria ser algo neutro, mas levemente positivo. É o que eu ia falar. Eu acho que quando se questiona o resultado da pesquisa, eu acho que questionar, as pessoas estão livres para questionar, e o Andrei está aqui se explicando. Mas parece que se ignora um pouco...

O tamanho disso, né? Porque pode se provar alguma coisa ou não, mas de saída tem um impacto, né? De acordo com o Flávio, de acordo com o irmão dele, Eduardo, com os principais líderes do PL, não tem nada de errado no áudio. Pelo contrário, é um projeto bonito, né?

sobre o ex-presidente, um ex-presidente que foi perseguido, que foi injustiçado. Então, esse enquadramento é um enquadramento que representa a opinião pública de uma parte substancial da sociedade brasileira hoje. Ao mesmo tempo...

não é um consenso, eu diria mesmo dentro da direita não me parece com consenso. Então, quando eu digo levemente positivo, é que tem mais gente que tende a concordar com a tese do que tende a discordar. Mas não é um tema exatamente fácil, né? E há divergência. E quanto mais também surgem novos elementos, que colocam em dúvida os argumentos apresentados, ...

parece ser mais difícil sustentar as afirmações que foram feitas inicialmente. Mas, por enquanto, a reação dentro da base bolsonarista é uma reação que é...

simpática aos argumentos que foram apresentados pelo Flávio Bolsonaro. Essa é uma realidade de hoje. Pode ser que, aos poucos, isso acabe se erodindo mais. Por que poderia se erodir mais? Bom, principalmente se o Flávio não é mais visto como um candidato tal forte.

quanto era antes deste escândalo. Um dos grandes atraentes do Flávio antes deste escândalo é que ele, por exemplo, aparecia com chances reais de vencer a eleição. Em empate técnico ou acima, numericamente, do Lula, em muitas pesquisas. Eu acredito que isso acontecia mais por conta do Lula do que por conta dele. Então existe, depois deste terceiro mandato do Lula, um certo...

Cansaço do lulismo. Temos um governo que não conseguiu emplacar marcas novas de grande popularidade, que não tem campeões de popularidade em termos de ministros ou em termos de governadores aliados. As ideias são antigas, não foi feita uma revisão do programa político.

Então, o país, de fato, se fosse apenas para decidir se Lula merece ou não merece continuar sendo presidente, tem uma pequena maioria, não diria que é uma maioria contundente, tem uma maioria de uns 53%, 54% que eu preferia algo novo, preferia um projeto mais fresco. Já tivemos Lula há suficiente tempo, vamos ver alguma outra...

Será que não temos nada mais relevante para os nossos tempos, para atualizar um pouco as políticas públicas e as ideias para o país de acordo com as mudanças que aconteceram de fato dentro da sociedade ao longo das últimas duas décadas? Isso seria um pensamento sobre a eleição em um abstrato.

Quando o Flávio aparece como um candidato deste campo, que deseja uma mudança, e apenas herda parte da rejeição do pai dele,

Apenas pelo sobrenome Bolsonaro, ele herda boa parte da regição, mas não completamente. Tem pessoas que gostariam de dar para ele o benefício da dúvida. E nisso o enxergam como mais pragmático, mais moderado. Então ele herda a maior parte da regição do Jair, mas não completamente.

Quando ele aparece dessa forma, meio abstrata, Flávio é o candidato da oposição e da mudança, vamos olhar para ele, ele basicamente empata com o Lula, apenas desse atributo de ser a oposição e a possível mudança.

A questão que a gente já observava um pouco nas pesquisas, mesmo antes deste episódio, é que quanto mais ele aparece, em geral, a reação na margem não tendia a ser uma reação tal positiva. Por quê?

Bom, algumas questões relacionadas a carisma, Jair Bolsonaro, de fato, tem uma carisma muito maior para engajar o eleitorado mais militante, convence mais em termos de autenticidade. Então tem alguns elementos de estilo.

E depois tem elementos, fatos problemáticos para o Flávio. O fato anterior bastante problemático para o Flávio foi a votação do Messias no Senado, quando ele protagonizou o que foi bastante aparente, pelo menos isso foi a cobertura de mídia. Não sei se existiu ou não existiu, mas foi interpretado pela mídia de maneira bastante ampla.

uma aliança entre ele e o Alexandre de Moraes para barrarem o Messias, justamente por conta de...

possíveis interesses em relação às investigações sobre o Banco Master, onde o Alexandre de Moraes já estava envolvido em uma controvérsia por conta do contrato da mulher dele e agora o Flávio Bolsonaro também está envolvido em uma grande controvérsia por conta desses valores que solicitou e tem recebido para este projeto do FIAD. Então essa possível aliança...

entre duas personagens antagônicas, o algôs do seu pai, o Alexandre de Moraes, numa aliança com o Flávio Bolsonaro, isso foi percebido por uma parte do eleitor, uma parte pequena, mas causou um certo desgaste marginal, tinha causado um certo desgaste marginal já antes da revelação do áudio. ...

neste contexto o áudio e aí realmente martela uma percepção sobre o Flávio Bolsonaro, que eu acredito que será bastante difícil de se esquecer ao longo dessa campanha. Então, é algo tão marcante que provavelmente vai perseguir a campanha do Flávio se ele for continuar como candidato até o final.

Antes de você fazer a pergunta, Lepo, só pedir para a galera aqui, deixar seu like no vídeo para os mais de 400 espectadores que estão vendo. E quem quiser mandar a pergunta, pode usar o superchat, que para variar, temos uma... Acho que a gente deve ser um dos canais com audiência mais plural, de gente mandando aqui entre o Flávio22 e o Lula26.

quer dizer, o Lula26 tem um Renan Santos em todo lugar que mandou um super chat enfim, até elogiando que é a pesquisa Atlas que mostra o Renan super bem ali enfim mandar um agradecimento a todo mundo que está vendo essa pluralidade deixa o seu like pra levar isso aí pra mais gente

Ah, e inclusive se você não segue o canal, porque muita gente nos assiste, mas não segue o canal. Isso aí é um absurdo. Isso é um absurdo. Por favor, siga o canal para você ser notificado de novos vídeos, lives e etc. André, eu queria... Como que a gente consegue medir se um fato tem força o bastante para chegar até a eleição?

Por que eu pergunto isso? No caso do Lula, ele teve uma melhora quando teve ali aquela briga com o Trump, a coisa das tarifas e tal, as pesquisas apontavam uma recuperação talvez calcada nesse sentimento de nacionalismo. A gente viu que isso derreteu, não vai chegar até outubro muito provavelmente. Até porque a situação com o Trump já mudou muito. Não, não, a ser que ele receba mais ajuda do Trump no processo. É isso. A não ser que o Trump ajude mais e gere fatos novos. Nunca descartaria também.

Esse fato com o Flávio, como que a gente consegue saber que ele é um fato decisivo e definitivo? Quer dizer, isso vai chegar até outubro ou é algo que vai se diluir ao longo da campanha? A minha impressão é que se trata de fato de um fato muito relevante a partir da saliência do tema corrupção no Brasil. É uma saliência que...

construída historicamente, por conta de grandes escândalos que dominaram a pauta de eleições passadas. Então, Mensalão, Lava Jato, tudo isso criou um forte sentimento antipetista no país. É muito importante, portanto, sendo o candidato da oposição, conseguir mobilizar este sentimento.

Se o candidato da oposição tem um grande problema em relação a esse tema, isso passa a ser talvez a principal estratégia defensiva do governo, a principal maneira de desconstruir o seu adversário. Então, ainda mais tendo no caso do Flávio, uma figura que é relativamente pouco conhecida em comparação com o pai dele, as pessoas estão descobrindo o Flávio Bolsonaro.

Agora, as acusações do passado, a rachadinha, a humanação em Brasília, são questões relativamente pouco conhecidas e talvez de uma importância que parecia menor.

porque são o tipo de acusações que talvez afetam uma parte muito grande da classe política. Mas o que a gente tem, neste caso do Vorcaro, é o símbolo de um dos maiores escândalos de corrupção recentes, envolvido em uma transação, em um apoio financeiro muito expressivo.

Por conta disso, tanto dessa saliência do tema corrupção, como também por conta de uma associação tão nítida, por conta desse áudio, por conta desse encontro.

é algo que provavelmente vai perseguir o Flávio Bolsonaro, porque a campanha adversária para todo o possível, eventualmente, para prejudicá-lo com essas acusações. E os elementos efetivos, os fatos que foram revelados, me parecem bastante graves.

Eu... fizeram um comentário aqui no chat. Aliás, dois que eu vou trazer aqui como pergunta. É que veio como um superchat. O Renan Santos em todo lugar... O nome é a página, tá? Não é o Renan Santos. É só uma página apoiando. Só que a mais amas pesquisadora no Brasil hoje em dia é o Renan Santos.

E aí ele falou... Os bolsonaristas estão achando que na pesquisa a pessoa podia voltar e alterar o voto após ouvir o áudio. Era possível fazer isso? Não. Já ficou respondido que não. O questionário é submetido. Legal. A pessoa é redirecionada para o áudio. Uma vez que o questionário foi submetido, não pode voltar para ele.

Mas aí o Lavínio comentou aqui, eu não sei se essa informação está aí na sua pauta na época, ele falou assim, 23% acharam que melhorou ou levemente melhorou a imagem do Flávio. Esse é o piso forte do bolsonarismo.

Para eles qualquer coisa melhora. Só melhora. Até fatos negativos se tornam políticos. É o radicalismo político. Aconteceria a mesma coisa com o Lula também. Um fato muito negativo sobre o Lula. O Nicolás Maduro falou algo extraordinário sobre o Lula. Bom, no Brasil o Nicolás Maduro tem uma impopularidade absurda, mas para um segmento bastante expressivo do eleitorado petista.

eles vão dizer que qualquer coisa, mesmo uma acusação, mesmo um fato que pode ser visto como algo bastante negativo, eles ainda vão defender, que é aquilo que deixa eles ainda mais entusiasmados para defenderem aquele líder. Mas a minha pergunta, Andrei, é caráter mais matemático mesmo, porque se 23% é um piso ali para o Flávio.

E, assim, mesmo que isso tudo esteja acontecendo, ele ainda está no segundo turno, pensando que esse aí é praticamente a base eleitoral dele, que não vai, assim, não importa o que aconteça. É uma tese, é uma possibilidade para esta eleição. É possível que isso aconteça. Se ele fique, ele...

tenha uma resistência a desistir, que o partido acabe calculando que, de fato, a sua permanência é o melhor desfecho por algum cálculo político interno. E se ele efetivamente não desistir, talvez seja o cenário base. Acredito que se o Flávio Bolsonaro não desistir, a maior chance é de ele, sim, chegar no segundo turno.

por conta dessa solidez da base identitária. Há um percentual expressivo no Brasil de pessoas que se auto-identificam como bolsonaristas. É mais ou menos 25% do eleitorado. Mais ou menos é o que você precisa para estar no segundo turno, quando toda outra oposição ao Lula está fragmentada entre muitos candidatos menores.

Isso é uma tese, uma tese bastante plausível sobre esta eleição. Mas outras teses também existem, outros cenários existem. Por exemplo, um cenário onde mesmo essas pessoas que apoiam o Flávio Bolsonaro hoje acabam se preocupando bastante sobre a inviabilidade dele no segundo turno, sobre o fato de que ele perderia de lavada a eleição.

E aí eles podem estar começando a procurar alternativas que tenham mais chances. Se eles acham essa alternativa como uma chance maior, então seria um incentivo bastante forte para uma...

migração é massa. Acontece que hoje, pelo menos, não há esse candidato, óbvio, que teria um desempenho muito melhor que o Flávio Bolsonaro no segundo turno. Até porque a gente vê nas pesquisas... Zema tem isso hoje nas pesquisas.

O Caiado não tem isso nas pesquisas, o Renan tem muito menos, porque ele é bastante desconhecido. Então, a tese do vota em mim porque eu consigo derrotar o Lula e o Flávio não consegue, por enquanto, nenhum dos candidatos que está ali colocado consegue articular com o MUN.

expressivo poder de convencimento. É que é só porque eu fiquei justamente com essa conclusão, eu até anotei aqui, quando você estava falando que antes de todo esse escândalo, o Flávio tinha chances de ganhar do Lula, como as pesquisas mostravam.

muito mais pelo Lula do que o Flávio. Ou seja, tudo isso que está acontecendo com o Flávio não melhora a rejeição do Lula. Então, se algum outro candidato mostrar, ó, eu tenho mais chance de ganhar do Lula no segundo turno... Talvez até dificulte este processo, porque captura a atenção da mídia, do eleitorado, para temas que não têm a ver com o Lula.

Então está se falando menos sobre o desenrola 2.0, está se falando menos sobre a situação econômica. Basicamente meio que paralisa, cristaliza as opiniões já vigentes sobre o governo.

E apenas muda o foco para debater todos os podres do campo opositor, mas não ajuda a melhorar muito a situação do Lula. Isso, dependendo do desfecho, principalmente se for surgir uma alternativa ao Flávio, isso pode, de alguma maneira, voltar a ferir as chances do Lula eventualmente. Se o Flávio for realmente ser substituído por um outro nome.

por escolha dele ou pelas circunstâncias.

Agora é interessante também discutir o seguinte ponto sobre essa eleição, porque me parece um dos mais interessantes. Relacionado ao que eu tinha falado anteriormente, sobre como existe um desejo de mudança, e o Lula, num contexto de uma eleição normal, onde a oposição colocasse o candidato mais forte que estivesse disponível, ele teria uma chance consideravelmente maior de perder a eleição do que de ganhar. Como que a gente sabe disso?

Principalmente por dinâmicas regionais. Se a gente olha o Nordeste, a aprovação do governo hoje, a intenção de voto no Lula, a situação dos governos regionais, tudo indica a crer que o desempenho do Lula deveria piorar bastante em relação ao histórico recente. Lula na eleição passada ganhou o Nordeste com uma margem de 40 pontos, 70 a 30.

Numa situação de inércia em relação aos dados de hoje, ele provavelmente não teria um desempenho melhor de 60 a 40 desta vez. Então ele perderia 10 pontos em uma região que representa mais ou menos 27% do eleitorado.

E esta queda muito pronunciada no Nordeste, por conta da situação da violência, por conta do mau desempenho dos governadores desta região, que não são mais o Camilo Santana, o Rui Costa, o Ceará na banha no passado.

também uma saliência melhor, uma relevância melhor de programas sociais como Bolsa Família, que ninguém no Nordeste tem mais medo de que poderiam sofrer com o governo de direita, depois do aumento tão expressivo que o Bolsonaro deu no último ano de governo dele. Então tudo isso aponta para uma erosão estrutural na base lulista, algo que dificilmente poderia ser compensado no Sudeste,

no contexto de um governo que não tem aprovação majoritária. A aprovação do governo hoje não é tal mão assim, mas ela não é majoritária. É muito interessante, então, observar que a gente está numa situação paradoxal. Estruturalmente, o Lula deveria perder essa eleição.

mas você não ganha ou não perde nunca uma eleição, é um abstrato. A figura do seu adversário também importa alguma coisa. E nisso, eu acho que a decisão de preterir o Tarcísio foi até hoje talvez o maior erro que foi cometido pela oposição neste processo. O Tarcísio hoje não estaria na situação que o Flávio Bolsonaro está.

pelos seus atributos e também, provavelmente, pela falta de envolvimento em questões de controvérsia tão abundante quanto as que envolvem o nome do Flávio.

Chegou uma pergunta legal aqui de superchat. Eu vi. Já da Hermiane. Não existe no segundo turno um voto envergonhado do bolsonarista em outros candidatos? Declaram branco e nulo na ausência do Flávio, mas em um segundo turno real votariam em qualquer um contra o Lula.

Acredito que sim. Acredito que é, por conta disso, o desempenho de outros candidatos que são vistos como menos plausíveis neste instante, ele é sistematicamente subestimado. Você colocava um nome comum, não é mais candidato, mas você colocava um nome comum, por exemplo, Eduardo Leite, no cenário de segundo turno.

E ele aparecia com um desempenho bastante fraco. Mas estruturalmente, o Eduardo Leite pegaria provavelmente todos os eleitores bolsonaristas, votariam contra o Lula, e ainda conseguiria pegar uma boa parte de um centro moderado e mais progressista.

Então, de fato, o Leite é estruturalmente um candidato, ou seria um candidato, muito viável num cenário de segundo turno. Por que isso não aparece na pesquisa? Porque as pessoas, quando se deparam com um cenário que não parece plausível,

não querem se pronunciar realmente sobre aquele cenário. Eles vão migrar com uma facilidade maior para essa categoria branco ou nu. Também por conta disso que essas análises sobre viabilidade de candidatos, ou força de candidatos no segundo turno, elas sempre são um pouco arriscadas. Quando...

existe essa percepção de que um cenário é muito mais plausível, muito mais provável do que os outros. Mas se a gente for observar, aos poucos, os candidatos alternativos estão subindo no cenário de segundo turno. E isso talvez tenha um pouco a ver com a percepção de que não necessariamente Flávio seria a única opção.

parece o segundo turno, então, o fortalecimento do Zema, do Caiado, o fato de eles chegarem em patamares próximos ao Flávio indica que, de alguma maneira, o eleitorado já está...

não migrando ainda para eles, porque a força do Flávio no primeiro turno, no cenário de primeiro turno, se mantém, mas eles estão começando a mapear um pouco um plano alternativo. Se você conseguir ver também quando a gente tira o nome do Flávio, o Zema, por exemplo, acaba subindo bastante. Ele aparece nessa circunstância como o segundo colocado.

Tem um negócio que eu cobri algumas eleições como jornalista ao longo da carreira, tem um negócio que a gente convencionou chamar de 2002 para cá de fenômeno Ciro Gomes, que é o candidato que em toda eleição ele aparece como vencendo todo mundo no segundo turno, mas ele nunca consegue chegar no segundo turno.

Você acha que isso pode acontecer esse ano? Quer dizer, a gente vai chegar num ponto em que a gente vai ver o Zema poderia vencer o Lula, o Renan poderia vencer o Lula, mas no fim, quem vai para o segundo turno, não é nenhum deles, acaba sendo o Flávio, por causa dessa base cristalizada que a gente falou agora há pouco.

Sim, é possível. Eu não diria que seria tão fácil nem para o Zema, nem para o Renan Santos vencer no segundo turno, por fatores que a gente poderia discutir. Eu olharia com mais atenção para nomes que nem estão hoje tão visíveis. Por exemplo, Joaquim Barbosa, na hipótese de um escândalo de corrupção também afetando o Lula, algo que está se especulando bastante, revelações relacionadas.

a Ululinha, por exemplo, o escândalo do INSS, se houver uma implosão também do lado da esquerda, pela frente, acredito que existirá uma certa demanda social, um clamor, né, por algo novo, diferente, que briga um pouco com os dois lados. E isso, na figura de alguém como o Joaquim Barbosa,

uma espécie de lutador anti-corrupção, com a credibilidade que ele construiu durante o período que ele foi ministro do STF. Eu acho que ele poderia surpreender, não tem nenhuma base política efetivamente, não tem um partido, mas ele tem uma figura bastante interessante num contexto que se colocaria desta maneira.

Nada mais Brasil para fechar um 2026 com um ex-ministro da CF virando presidente. No momento que todo mundo sabe o nome dos 11 ministros. Há uma politização muito forte de todos os temas relacionados ao STF. Então, antes deste escândalo do Flávio, talvez a principal falta em debate no país, muito a desrespeito à eleição.

era a atuação do STF em diversos escândalos, a postura de alguns dos ministros, decisões que foram tomadas. Há um desgaste do STF muito forte, mas 60% não confia hoje em dia nas decisões e na imparcialidade dos ministros do STF. O caso Master fez essa preocupação.

subir ainda mais. Então, provavelmente, essa politização da atuação do Supremo, que é percebida pela população e o desejo de fazer alguma coisa a respeito, para não continuar desta forma, talvez poderia ajudar uma figura como a do Joaquim Barbosa.

E aí falando de outsider, o Joaquim Barbosa seria um outsider. Num momento... O Renan é outro tipo de outsider também, ele merece um pouco de atenção. Então, eu queria saber um pouco sobre o Renan, porque o Renan até tem uma proximidade...

grande aqui, ele já veio várias vezes no Market Makers. Na semana passada, quando saiu o áudio, a notícia do Intercept, revelando os áudios, a gente fez uma live aqui extraordinária. O Renan entrou no meio da live ali, falou. Então, assim, a gente já tem ouvido muito sobre ele. Eu queria falar um pouco desse fenômeno, Renan. Mas antes eu queria explorar só um pouquinho do Outsider. Até eu não sei o quanto suas pesquisas já absorveram isso, ou até pela sua experiência, se tem algo a trazer sobre...

Um nome completamente fora do tabuleiro, como o Joaquim Barbosa, como o Augusto Cury, que foi dito recentemente. Vez e outra aparece um Luciano Huck, né? Que fala, enfim. Tem algum Pablo Marçal no radar, né? É, ou um wannabe Pablo Marçal. É isso, é isso. Mas alguém que não está nem perto desses nomes que a gente está vendo, mas num momento de tanta fragilidade.

moral mesmo, de nem esquerda nem direita conseguem representar a sociedade em termos de moralidade, em termos de combate à corrupção, algum nome, isso fortalece ainda mais a chance de algum nome, mesmo que não seja um Joaquim Barbosa, pode ser até um outro nome mais aleatório.

Acredito que estruturalmente o espaço existe. Existe por conta de um certo cansaço e uma desmobilização dos dois lados. Do lado da esquerda, Lula continua como líder hegemônico, mas não existe mais o mesmo entusiasmo do passado em relação ao programa político. Não é mais o Lula dos grandes níveis de popularidade dos primeiros dois governos.

e também não é mais o Lula que foi perseguido, injustiçado, condenado, num processo em que seus simpatizantes acreditavam que foi injusto. Então a possibilidade do Lula de mobilizar os seus eleitores hoje, a partir do que foi este governo Lula 3, eu entendo que é muito mais limitado. Existe também uma emergência de uma esquerda mais identitária em termos de valores.

com a qual Lula não comunica tanto. Então, líderes como, por exemplo, Erica Hilton.

Tem muito pouco a ver, né, Erica Hilton com o projeto Lula, sendo que é alguém como Erica Hilton, que hoje em dia realmente representa a esquerda realmente militante e engajada. Existe, por exemplo, uma pesquisa recente da Atlas, quando a gente incluiu a Samara Martins, de repente uma candidata bem pouco conhecida, mas que logrou pontuar dois pontos, principalmente a partir de engajamento digital.

Isso então revela um certo desejo de mudança e de algo mais fresco do lado da esquerda, não apenas do lado da direita. O lado da direita é bastante nítido que o Renan encapsula este desejo de renovação.

de renovação das ideias, renovação de postura, uma maior autenticidade, juventude, algo que esteja em sintonia com as aspirações dos jovens, porque é igual aconteceu com o Biden nos Estados Unidos, que eventualmente a campanha dele colapsou por conta da idade, essa é a realidade da situação que aconteceu com o Biden. Você tem um contexto brasileiro hoje?

dois líderes bastante velhos disputando seus territórios. O Lula e o Bolsonaro, para o público mais jovem, abaixo de 30 anos, não conseguem um engajamento tão forte. Então, eu diria que a partir dessa...

Clivagem geracional, onde os jovens cada vez mais sentem que a sociedade evoluiu, os desafios que nos afetam são outros. Vivamos na era da inteligência artificial, as relações no mercado de trabalho estarão completamente outras a partir das mudanças que estão acontecendo agora em termos de tecnologia daqui a cinco anos, nem daqui a dez ou vinte, mas daqui a cinco anos.

Não sei se teremos mais motoristas de Uber, talvez teremos carros que chegam e vão embora a partir de um autopiloto. É o tipo de mudança tecnológica que aflige bastante o público mais jovem. Ele já está começando a pensar um pouco a respeito. Então, o discurso...

de polarização entre Bolsonaro e Lula, me parece que já foi mais relevante para o país do que é hoje. Esse desgaste do Bolsonaro, e dos filhos dele, faz com que a principal âncora de sustentação dos dois lados é apenas a existência.

do adversário, e não tanto o sentimento de grande entusiasmo em relação aos líderes em si, mas apenas não serem o outro. Sendo que tudo isso também tem um prazo de validade.

A questão do outsider, no entanto, é que você só consegue ter o outsider quando ele aparece. Uma coisa é você ter esse potencial abstrato, outra coisa é você ter alguém que consegue efetivamente construir aquele espaço.

Por exemplo, Luciano Huck não é o Pablo Marçal. São propostas completamente diferentes. Um espaço abstrato para um outsider pode ser muito propício para alguém como Pablo Marçal, mas completamente inútil para alguém como Luciano Huck. Por quê? Porque talvez o perfil demográfico, o tipo de discurso que atraiu os simpatizantes do Marçal é completamente oposto.

ao projeto político, aos valores, às ideias, ao perfil que o Luciano tem. Eu diria que dentro dessa reconfiguração continua da classe C no Brasil, a classe C é o...

lugar em termos socioeconômicos, o segmento onde o Bolsonaro efetivamente conseguiu se solidificar ao longo da última década. Ele começou como um candidato clássico de direita, com um apoio muito mais forte entre os mais ricos e os mais educados, como os antigos líderes tucanos, e durante o seu tempo em governo, a partir de fatores que eu diria que são culturais.

Uma certa projeção de masculinidade, um discurso conservador para o campo, um discurso muito mais direcionado para setores populares, mais focado em liberdade econômica, mas também bastante irreverente e pouco correto em termos.

o que atrairia os eleitores mais educados, ele acabou perdendo um pouco da base mais educada e mais rica da sociedade e acabou migrando a sua base de sustentação para a classe C. Pode ser que o Flávio Bolsonaro não seja, de fato, o candidato mais popular para essa classe C.

Isso abre, então, de novo, o espaço para alguém chegar e explorar esse segmento. Se o Lula, se foi dentro desse segmento que o Lula perdeu com mais facilidade seus simpatizantes, pode ser que isso se repita com o Flávio, que então...

tenhamos um potencial para um candidato que realmente entenda quais são as aflições, as esperanças, o desejo de mudança que essa classe média baixa do Brasil tem.

É uma classe social que não está realmente ancorada no lulismo, porque não depende de programas sociais mais, pelo menos. Talvez dependeu no passado, mas não depende mais. Enxerga o Estado como um limitante em termos de caminho para a prosperidade. Porque paga impostos, passa por burocracia e recebe pouca ajuda.

E se depara com todos os problemas que a classe média baixa no Brasil se depara. Violência, infraestrutura deficitária em diversos aspectos e juros altos. Então, uma dificuldade bastante grande quando você é empreendedor de lidar com um país que tem a maior taxa real de juros.

do mundo. Então, para este segmento, eu acredito que tem bastante espaço, né, de construir um espaço alternativo, mas não é qualquer nome, qualquer pessoa, não é o Luciano Huck necessariamente que é a pessoa adequada para explorar isso. O que é interessante para o Renan é que ele, justamente neste segmento que ele está conseguindo ancorar o seu discurso, mas não é o que ele está conseguindo.

com grande predominância no público jovem. Então ele conseguiu muito bem ancorar os eleitores até 24 anos, mas ele enfrentou uma nítida resistência entre os eleitores mais velhos. Ele é visto como um expoente da sua geração.

Mas pelas gerações mais velhas, ele é visto como um candidato muito jovem e inexperiente. Então ele teria que trabalhar essa percepção para provavelmente melhorar o seu desempenho. O que é curioso porque ele está, em termos de idade, ele está mais próximo das outras gerações do que da geração. Então, eu estava pensando sobre isso. Ele tem 42 anos. A gente tem quase a mesma idade.

Olha, chegou um superchat muito bom aqui. Ah, então puxa aí, Lé, pô. Posso? Porque se a gente gosta de trabalhar de graça, imagina o pessoal pagando para mandar pergunta, pô. Não, uma das melhores perguntas de superchat...

Da história deste episódio. Mas eu imagino que seja Matheus Leal. Andrei, pesquisas online não criam um viés de seleção para pessoas mais engajadas politicamente? Além disso, estar disposto a responder 48 perguntas também diz algo a respeito do respondente. Como a Atlas trata essas coisas? Claro. Existe um viés de seleção em qualquer pesquisa que tem uma taxa baixa de resposta.

Então, se você for fazer uma pesquisa telefônica, se você for fazer uma pesquisa digital, a taxa de resposta não costuma ultrapassar os 5%. Você não pode assumir que os 5% das pessoas que respondem à pesquisa são representativos dos 95% que não respondem. De fato, é mais razoável assumir.

que eles não são nada representativos, porque se quase todo mundo não quer responder, alguma coisa muito especial devia explicar o porquê das 5% das pessoas quererem participar do estudo. Sendo que é possível entender qual é o nível de super ou sub-representação sistemática de demografias específicas dentro das amostras que a gente coleta.

e tratar esse tipo de viés. De fato, é nisso que o nosso trabalho é concentrado a maioria das vezes, é entender justamente essas probabilidades diferenciais de inclusão na amostra, e como melhor calibrar em função dessas probabilidades. Efetivamente, a gente vai olhar o perfil da amostra que a gente coletou, vai comparar com o perfil da população como um todo, vai entender quais foram os públicos subrepresentados.

e vai buscar a partir de uma boa estimação de pesos individuais para cada respondente, ajustar o perfil da amostra ao perfil da população que estudamos.

Às vezes, no entanto, você ter eleitores um pouco mais mobilizados que a média pode ser algo positivo. Principalmente seria o caso de um país como Colômbia, onde o voto não é obrigatório, apenas mais ou menos metade da população vota. Uma pesquisa presencial na Colômbia provavelmente vai superrepresentar eleitores que não vão participar na eleição.

enquanto uma pesquisa digital vai apenas operar com a base de um voto de opinião cristalizado. Quem não vai votar, talvez não responda à pesquisa digital, é isso? Então, às vezes, você ter essa metodologia digital, de fato, chega a representar melhor o eleitorado que efetivamente participa do processo político.

Cada vez mais o Brasil está também evoluindo para isso, porque a gente vê as taxas de comparecimento estão em queda. E o fenômeno de mobilização eleitoral é uma realidade. No segundo turno da eleição passada, o Bolsonaro conseguiu uma grande mobilização adicional de eleitores. Ele tinha um déficit de votos de 5%, elas rolamam no primeiro turno.

Em qualquer pesquisa retrospectiva, a gente vê que a maioria dos eleitores do Ciro e da Simone Tebet declararam que votaram mais no Lula que no Bolsonaro. Então, a partir desses dados, você esperaria que a distância entre o... a diferença entre o Lula e o Bolsonaro aumentaria para mais de 5 pontos. Não foi isso que aconteceu. A diferença foi reduzida de 5 para 2 pontos. O que explica isso é efetivamente um padrão de comparecimento diferente no segundo turno.

Em relação ao primeiro, basicamente o medo do Lula vencer, fez com que eleitores que não necessariamente queriam o Bolsonaro, uma continuidade do Bolsonaro, não amavam o Bolsonaro, mas que detestavam muito mais a ideia de um retorno do Lula, participarem no processo político. E foi a partir do acúmulo adicional desses eleitores que o Bolsonaro chegou a ser mais competitivo no segundo turno.

Então, essa questão da mobilização acaba sendo bastante importante e muitas vezes é mais fácil, eu diria, lidar com esse tipo de eleitor ou com esse fenômeno no contexto de uma amostra digital que é no contexto de uma amostra presencial, na minha opinião.

Também existem, no contexto das pesquisas presenciais, às vezes, principalmente por conta de polarização política, efeitos de interação humana, onde as pessoas escondem as suas verdadeiras preferências ou opiniões. Um teste disso talvez vai ser a próxima pesquisa da Datafolha, sobre o Flávio Bolsonaro.

O Flávio Bolsonaro atacou muito a pesquisa Atlas. Estou muito curioso para ver com a pesquisa da Ataforia que tem entrevistadores humanos, onde as pessoas vão ter que olhar nos olhos de uma outra pessoa e dizer que não vira nada de errado no áudio, no que aconteceu. Eu acredito que, logicamente, você esperaria um resultado pior para o Flávio Bolsonaro.

Não porque a pesquisa da data folha fosse retratar melhor a realidade, mas porque esse fator vergonha pode impactá-lo negativamente nesta pesquisa. Então provavelmente, se essa hipótese procede, o Flávio provavelmente vai ter um desempenho pior no data folha e aí ele terá que olhar para os números da Atlas com um pouco mais de carinho.

E acho que é isso que eu mais gosto desses papos que a gente está fazendo sobre eleições, porque as pesquisas são muito mais do que os números ali. Você tem que entender a metodologia por trás. Isso aí que você falou sobre a metodologia do Zatafolha, é muito curioso porque ela pode de fato retratar um número bem pior por causa do constrangimento do olho no olho.

Mas não necessariamente essa pessoa constrangida não vai votar no Flávio. Exato. Então talvez ela possa... Ela vai ter vergonha de dizer que vai votar e vergonha de dizer que acha normal. Mas chega lá na urna e vai votar. É só ela e a urna. Um dos fatores que contribuíram para um desempenho muito bom...

das pesquisas Atlas no mundo todo nos últimos anos, eu acredito que é esse. Então, quando a gente olha para os Estados Unidos, por que as pesquisas em geral subestimaram o resultado do Trump? As que tinham entrevistador, principalmente por coleta telefônica. A hipótese que foi formulada foi a hipótese do eleitor tímido, o eleitor que não quer declarar sua verdadeira preferência para uma outra pessoa.

Posso puxar uma pergunta um pouco fora do radar? Eu vi um comentário aqui no chat e aí eu já lembrei de uma pessoa que a gente vai entrevistar. Eu não vou falar o nome dela, embora esteja na pergunta, porque dá aquela zicada e a pessoa tem um problema de agenda. Mas eu vi que vocês fizeram um cenário onde o Haddad entraria como candidato no lugar do Lula.

Parecia um cenário factível num contexto onde o Lula tinha chance muito grande de perder a eleição. Agora que ele de repente vira favorito, não sei. Mas acompanha o meu raciocínio. Vê se faz sentido. O Lula talvez deixaria de concorrer caso ele não visse que poderia ganhar. Eu vou perder, não vou manchar minha biografia.

Mas ao mesmo tempo o Lula não tem um sucessor. Em 2030 ele não vai estar aqui, porque já vai ter duas eleições e alguém vai ter que sucedê-lo. Ora, se o cenário ficou relativamente mais forte para a esquerda, não vou falar mais fácil, mas essas pedras no caminho do Flávio deixariam o candidato de esquerda mais competitivo?

Se o Haddad entrasse nesse cenário, talvez poderia até fazer sentido pegando um adversário mais fraco. E eu junto isso tudo porque ontem teve aquele momento, o Lula no palco, lá no evento. Qual cidade que era? Você sabe, era em Brasília? Não, foi aqui em São Paulo. Foi aqui em São Paulo? Foi. Bom, estava o Lula e o Haddad num evento e o Lula soltou a frase do salto alto do Haddad. O Haddad quer ter saltos mais altos. Saltos mais altos. E eu não posso ainda falar o que é. Ou não posso falar o quê?

jogou aquela coisa que a gente até, ontem a gente tava numa live com o Thomas Trauman, ele até falou assim não acho que tem nada aí né, você tá em cima de um palco segurando o microfone com um monte de gente olhando a gente aqui, sentado no ar condicionado falando umas besteiras assim ao vivo imagina alguém ali

Mas eu fiquei com aquilo na cabeça. Poxa, qual seria um salto mais alto para o Haddad que não seja concorrer ao governo do maior estado do Brasil, em termos de PIB, estado de São Paulo? Seria o quê? Então, como você vê nesse cenário uma possível candidatura do Haddad, uma possível não candidatura do Lula? Você acha que agora que ficou mais fraco o Flávio, é mais provável que seja o Lula? Ou uma troca poderia fazer sentido agora?

É uma pergunta muito boa, porque se a eleição fosse ainda bastante competitiva e a percepção fosse de que o Lula ganha com mais facilidade do que o Haddad, mas o Haddad estaria em dificuldade de vencer, isso constitui uma razão bastante forte para que o Lula não desista.

Mas se o Lula, de fato, está cansado, quer fazer outra coisa nos próximos anos e quer curtir um pouco a sua aposentadoria, e entende que o Haddad seria uma opção segura em termos de vencer a eleição e de também continuar o legado dele, talvez a tese desta opção sobe na medida em que as chances do Flávio caem.

E um pouco disso também, o que a pesquisa que a gente divulgou hoje retrata. É pela primeira vez que a gente tem uma vantagem considerável de cinco pontos, se não me engano, tanto do Haddad quanto do Alphine, que são os dois nomes que a gente testa como nomes alternativos.

Em relação ao Lula hoje. E então, dependendo do que o Lula quer fazer, né? Mais assim, em termos de como ele quer passar, né? Este próximo capítulo da vida dele. Talvez isso poderia impactar a decisão que ele vai tomar.

O Thomas Trauman ontem, ele quase respondeu isso, mas ele trocou o Lula por Janja. O que a Janja vai querer? Ela vai deixar de ser a primeira dama. A Janja foi vista visitando um apartamento no Flamengo, mês passado. Quem foi? A Janja foi vista visitando um apartamento...

no Rio de Janeiro. Flagrada, né? Então, quem sabe o que passa pela cabeça da Janja. Percebe como o jornalismo e a fofoca se cruzam? De repente, isso que poderia ser só um paparazzi que fotografou ali a Janja, é um fato político. Importantíssimo pro Brasil.

Não, de fato, essas coisas... É, porque importa. São sinalizações pequenas que podem levar para algum lugar. Eu estava debatendo, a partir da nossa última prisão nos Estados Unidos, possíveis candidatos a presidente na próxima eleição presidencial, né? Do lado dos democratas e dos republicanos.

Com mais chances do lado dos republicanos, hoje aparece o Rubio, muito em decorrência de sucessos na política internacional, na geopolítica, a Venezuela principalmente, na extração do Maduro.

E um caminho para uma transição democrática, que não se sabe se efetivamente vai acontecer, mas de qualquer forma a Venezuela melhorou muito depois que o Maduro foi embora e o país ficou de novo, de alguma forma, dentro da esfera de influência dos Estados Unidos. A situação da economia melhorou demais. E do lado dos democratas temos a AOC, Alessandro Cássio Cortés.

Então, dois latinos que estão liderando nossa última pesquisa nos Estados Unidos. Mas, tendo a oportunidade de estar nos Estados Unidos por uma semana e conversar com pessoas que entendem melhor dos bastidores dos dois lados, o que soube é que nem o Rubio, nem a EOC, neste momento, estão pensando com muita seriedade em termos de concorrer.

por motivos diferentes. Mas essa é uma decisão, no final, das mais pessoais. Não é fácil você assumir uma campanha eleitoral. E no caso do Lula...

Dada a idade, também a importância de ele proteger o seu legado, há muitos outros fatores que provavelmente estão estruturando a cabeça dele. Também se ele pensa que poderia haver uma transição com alguma facilidade para um sucessor, e isso está garantido hoje, por que não fazer isso já em vez de arriscar dar esse passo daqui a quatro anos? Até lá, quem sabe...

como a situação do mundo poderá evoluir e a situação política do lado dele. É engraçado, né, ouvindo o Andrei falar agora, pensando como a gente trata a questão do ser candidato ou não ser candidato de maneira política, né, um xadrez. Então é um xadrez político, entra o fulano, sai o fulano, mas volta e meia surgem alguns fatos que mostram como isso é uma decisão muito pessoal e que muitas vezes é a coisa que a pessoa vai discutir na reunião de família, né.

O Luciano Huck e a Angélica, em várias oportunidades, falaram na televisão sobre essa coisa dele querer ser candidato e não. Ah, porque eu discuti com a Angélica, ela não estava animada para ser primeira-dama, a gente entendeu que os impactos de repente não iam ser legais. Agora, recentemente, a gente viu a desistência do Ratinho Júnior, que teve aqui, inclusive, como pré-pré-candidato, e acabou desistindo e, segundo, se colocaram na imprensa muito por causa do...

de questões familiares, da família dele. Então é uma decisão que passa por todos esses lugares. Não é se candidatar um emprego comum, vou ali, entrego um currículo. Acho que também a tecnologia mudou um pouco a arte de fazer política.

e um pouco o atraente dos candidatos que realmente engajam. Estamos cada vez mais vivendo numa época de influenciadores. As pessoas que ocupam as telas das pessoas são pessoas que compartilham tudo.

sobre a vida pessoal. Como eles acordam, o que eles vestem, onde que eles vão comer, o que eles cozinham, a vida da família, o pet. Basicamente toda a vida exposta nas redes sociais. Isso também mudou muito, no meu entender, a ligação que as pessoas têm com líderes políticos. Cada vez mais os políticos estão aprendendo a se comportar desta forma também.

E algo que existia no passado, que era um pouco mais essa elegância da postura, do preparo, da experiência, uma certa distância, de fato, entre o líder e o povo. Às vezes isso, de fato, atraía. Uma pessoa tem que ser realmente preparada para liderar.

cada vez mais isso está evoluindo para alguém que consiga emocionar. Emocionar a partir de um sentimento de, nossa, eu me sinto confortável na presença dessa pessoa. Eu gosto de ver, assistir essa pessoa no meu dia a dia, no meu feed de mídia social.

É uma mudança muito grande. E cada vez mais temos experimentos de lideranças que eu diria que são populistas, mas um populismo meio que reempacotado pela dinâmica das redes sociais.

E nisso tudo a ideologia acaba fazendo uma diferença menor do que poderia aparecer. O Gustavo Petro na Colômbia e o Bukele no Salvador, eles têm programas políticos muito opostos.

Se você olhar como eles dialogam com seus públicos, como eles mobilizam, como eles emocionam, o tipo de conteúdo que eles postam, o estilo de fazer política dos dois, apesar das diferenças programáticas muito fortes, ele convergeu. E isso coloca, de fato, em dificuldade quem?

candidatos em geral mais relacionados, mais associados ao establishment político. Há grandes partidos, a estrutura partidária, porque no Brasil a gente se referiria mais como central. Então o central no Brasil ainda consegue eleger um monte de deputado, mas para cargo majoritário, cada vez mais, eles têm um desafio enorme.

Isso está se vendo, por exemplo, na dinâmica sobre o Senado Provavelmente nos resultados que a gente vai ver nas eleições para o Senado Neste próximo ciclo e implicações importantíssimas a partir disso Como, por exemplo, a situação dos ministros do STF Cada vez mais perseguidos pelo Senado

Eu só ia fazer um comentário sobre o quanto que a gente aqui está levando tão a sério essa discussão sobre eleições e tudo mais, mas também tem que se levar em conta que até ontem eu acho que a grande preocupação da maioria dos brasileiros é se o Neymar ia para a Copa ou não. E passado isso talvez as pessoas vão olhar um pouquinho mais, mas antes tem a Copa do Mundo.

Então, eu acho que os tomadores de decisão do país talvez já estejam olhando para isso. Quantos deputados eu vou ter? Quantos senadores eu vou eleger? É um pouco o que transcende aquela decisão familiar. Será que eu quero ser candidato? Cada partido ali tem o seu objetivo.

ali, né? Pô, vamos lá, né? O Zema, por mais que ele não vença, se ele tiver uma expressiva votação, é muito importante ali, até pra sobrevivência do Novo e consolidação de uma marca que ainda luta pra ter o seu protagonismo e conseguir se cristalizar na sociedade, né? Porque até hoje o Novo ainda tem suas dinâmicas internas.

Mas no final do dia, quem vai resolver a eleição é boa parte da população que nem está olhando para isso ainda. Enfim, fiz todo esse preâmbulo até para saber se um ponto que pode jogar a favor do Flávio é isso ter acontecido cedo demais.

Tem muitas especulações em relação a isso, muitas pessoas que dizem que com certeza esse áudio não foi vazado pela campanha do Lula, porque se eles fossem fazer algo assim faria muito mais tarde, porque o efeito seria muito mais devastador e difícil de ajustar.

Não sei o que dizer a respeito. Me parece que, neste caso, a situação é tão grave que não faz tanta diferença quando aconteceu. Simplesmente aconteceu e o dano me parece que será difícil de consertar, mesmo tendo tempo.

o que poderia consertar com mais facilidade é problemas do outro lado. Caso aconteça algo muito pior do outro lado. Acontece alguma coisa relacionada ao Lulínia, por exemplo. Isso ajudaria pelo menos a equilibrar o desgaste dos dois lados. Mas a capabilidade do Flávio simplesmente a partir de campanha fazer desaparecer o assunto do outro lado.

Sinceramente, eu não vejo com muita clareza como isso aconteceria. A gente falando sobre essa coisa do populismo, desses candidatos mais midiáticos, mais influencers, tem uma preocupação que sempre me acomete quando a gente fala desse assunto, que é, nós falamos agora do Joaquim Barbosa.

Um cara que tem uma trajetória consolidada para o brasileiro, quer dizer, tem um currículo que o precede, foi ministro do Supremo, julgou um caso importantíssimo que foi o Mensalão. E talvez se a gente simulasse ele numa pesquisa, ele teria ali já alguma pontuação. Mas ninguém sabe qual é o projeto do Joaquim Barbosa para o país. Como a gente não sabe o projeto do Luciano Huck para o país. A gente...

na verdade, está votando em biografias. E a gente está aqui discutindo, não se a escala 6x1 é um bom projeto e vai impactar na eleição ou não, se vai ter passe livre de ônibus ou não. A gente está discutindo pessoas. Então, qual é o risco de a gente ficar votando e discutindo apenas biografias e ficha criminal dos candidatos e não estar discutindo país?

Eu discordo um pouco. Eu acho que se o Joaquim Barbosa fosse realmente decolar, não é apenas por conta da biografia, mas por conta de uma promessa de limpar o país no que diz respeito ter uma corrupção.

Ele chega com um projeto, a biografia chega com um projeto com uma credibilidade acima de algo que de fato é um grande tema. A gente tiver corrupção do lado da esquerda, a gente tiver corrupção do lado da direita, quem que vai arrumar isso daí? Isso pode ser um projeto para o país. E então você poderia ter um candidato que se apresenta com a biografia correta para o projeto correto.

também discordo um pouco de que, no caso do Lula e do Bolsonaro, não tem projeto além das biografias e ficha criminal. Nos dois casos tem projeto. O Lula veio com um projeto de combater a desigualdade social e a pobreza, que continua sendo o projeto principal.

Ele talvez não foi atualizado da maneira que deveria, ele não foi traduzido em novas marcas, ele não foi traduzido em propostas mais relevantes para a emergente classe C. Então faltou um pouco de dinamismo.

e talvez ambição em termos de manter a relevância disso. Mas o projeto ainda está lá, da forma meio envelhecida, que ele tem o projeto continuo ao mesmo. E do lado do Bolsonaro, eu diria a mesma coisa. O projeto falta uma certa atualização dos conceitos e da linha retórica.

Algo que era mais fácil, talvez, para o Jair Bolsonaro articular que para o Flávio. Esse é um outro desafio que o Flávio tem, né? De ter essa clareza em termos de qual que é o projeto dele. Mas o projeto em linhas gerais, ele é um projeto moral. É um projeto ancorado em valores, né? Valor da religião, da família, né? E de uma certa retidão de valores.

E uma agenda econômica talvez um pouco mais livre e focada em meritocracia e liberdade individual. Então, esses projetos existem. Você pegar o Renan Santos, ele tem um projeto também. Você pegar o Caiado, eu acho que ele tem um projeto também.

O problema não é tanto que os projetos não estão colocados com tanta clareza. Talvez uma questão é que para este projeto, que de fato totalize as ambições, falta uma credibilidade clara de uma liderança atual.

Então, para o Lula, por exemplo, como que fica o tema credibilidade em termos de continuar esse projeto da prosperidade para o brasileiro comum, quando o brasileiro comum não sente prosperidade, a prosperidade de fato chegou ao longo dos últimos quatro anos. Então é mais quatro anos de uma prosperidade que nunca chega.

Esse é um problema, eu diria. Os avanços em termos desse sonho que o Lula propôs não foram suficientes para justificar um grande entusiasmo para continuar isso pela frente. E no caso do Bolsonaro, como fica a justificação do projeto moral?

quando o candidato parece ter algumas vulnerabilidades de cor de moral bastante evidentes. Existem contradições entre o que você diz que é o seu projeto e o que você conseguiu entregar. Se você não conseguir entregar o que você diz que é o seu projeto...

estou com um pé atrás em termos de apoiar o seu projeto, então vou buscar outros projetos e outros candidatos críveis que possam me atrair. A grande sorte do Lula e do Bolsonaro é esse dualismo, eu realmente desgosto do outro.

E eu acho que o grande desafio cada vez mais que eles têm é essa certa fragilização, fraqueza, em termos de ser grandes expoentes dos seus próprios sonhos, dos seus próprios projetos. Eu tenho duas perguntas.

durante o papo você falou que o maior erro da oposição foi não ter escolhido o Tarcísio pois é faz sentido agora sempre fez mas lá atrás como é que ficaria o Tarcísio

Porque até o pouco do que o Leopoldo falou, o Leopoldo falou, da biografia e tudo. A biografia do Tarcísio sempre foi a do lealdade ao capitão. E ele saindo como um candidato que não era o candidato... Menos quando ele defendeu a reforma fiscal do Haddad. É, mas o ponto aí é que ele poderia virar vidraça dos dois lados. Claro.

Assim, eu não estou aqui falando que o Tarcísio deveria sair, porque como uma pessoa do mercado financeiro, eu adoraria que fosse o Tarcísio. Eu queria... A gente por muito tempo falou aqui do Tarcísio Trade, o que aconteceria com o Brasil, com cara desse como presidente. Mas, olhando em retrospectiva, fica muito mais fácil analisar, mas você realmente acha que daria para o Tarcísio ter entrado?

E ser o candidato... O Tarcísio seria um candidato melhor para presidente do que para governador na situação de hoje. Por quê? Porque o governo ali em São Paulo...

Não tem uma má aprovação, mas também não tem uma das melhores aprovações. Tem alguns temas que ele não conseguiu encaminhar tão bem, por exemplo, tem uma segurança pública. Também é um governo que carece de marcas realmente sólidas. Então, no contexto do Estado de São Paulo, ele vai vencer a eleição mais por questões estruturais, que é uma rejeição à agenda de esquerda, do que por conta de uma grande popularidade, em termos que ele conseguiu entregar neste mandato.

A nível nacional, as pessoas não prestariam tanta atenção à situação de São Paulo. A situação de São Paulo está relativamente confortável, não tem, como falei, tantas conquistas evidentes, mas no quanto de uma eleição nacional, essas não são mais as pautas.

no contexto de uma eleição nacional, ele é um líder que é visto como humilde, trabalhador, honesto, um bom comunicador, uma pessoa em sintonia com as aspirações da classe C. Então tem muitos elementos estruturais positivos que deixariam o Tarcísio como a figura ideal para se opor a um projeto de continuidade do Lula. Sem dúvida.

Minha outra pergunta é mais de curiosidade mesmo. Como é que um romeno veio parar no Brasil? Acho que seria legal contar que você nasceu na Romênia e migrou para os Estados Unidos. Mas como é que foi?

Sua trajetória de vida. Ah, gente, eu passei por muitos lugares. Eu morei nos Estados Unidos, eu viajei para a China. O meu primeiro emprego foi na Índia. Eu sempre tive uma mente muito curiosa e quis conhecer...

lugares diferentes, ia estudar coisas diferentes. Cheguei aqui a partir de um acidente. Eu poderia escolher um lugar para estudar no meu terceiro ano de faculdade, já nos Estados Unidos. E eu pensei assim, qual seria um lugar...

Difícil para que eu pudesse realmente conhecer depois de me formar, passar um bom tempo lá, mas que eu teria uma grande curiosidade de entender melhor. E eu pensei na América Latina, eu gostava muito de literatura latino-americana, Garcia Marques, Vargas Llosa, então o realismo mágico desses autores me de certa forma...

me atrair. Tem uma coisa semelhante, porque assim, você pensa Romênia, Brasil, o que tem em comum? Mas tem algumas coisas em comum. Somos, em termos culturais, muito ancorados em algumas ideias do mundo ocidental. E sempre conseguimos entregar versões imperfeitas destes ideais.

Então, na Romênia e no Brasil, você olha para a Alemanha como um sonho de sociedade que funciona. Democracia que funciona, tudo arrumado. E olha para isso com algum tipo de fascínio.

Mas ao mesmo tempo que faz a Romênia um lugar muito interessante, o Brasil muito interessante também, é justamente que você não chega a ser exatamente aquele ideal, o tal, o perfeitinho. E tem uma certa beleza da imperfeição e do caos também. Uma certa liberdade humana em sociedades que não tem uma aplicação perfeita de todas as regras para tudo.

Então, acho que isso fez com que, quando eu cheguei no Brasil, eu senti algo que era, ao mesmo tempo, familiar, né? Por conta dessas regras que acabam não funcionando exatamente como as pessoas desejariam, necessariamente. Mas imperfeita também de um jeito totalmente surpreendente, diferente do país onde eu nasci.

Eu sempre me senti muito confortável no Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, de como eu me sentiria na Alemanha, eu me sinto muito bem em casa aqui.

E você falava português? Eu aprendi com 21 anos. Eu morei na casa de uma família, numa favela de Fortaleza. Hoje em dia é muito perigosa, Pirambu. E eu ganhei uma família de coração. Eu ganhei um irmão de coração também. Que hoje trabalha na Atlas. Inclusive ele fez entrevista na CNN hoje. Olha só, quem é? Falando sobre o Igor Sampaio.

Conheci. Desde o ano passado ele se juntou ao nosso time. Que legal. Tinha 7 anos quando eu cheguei. E hoje ele tem 26. Legal. Eu, enquanto você comentava nossos assuntos aqui, eu fiquei pensando muito sobre isso.

Caramba, praticamente a gente não percebe que você não foi inicialmente alfabetizado em português, porque a tua fluência no idioma é perfeita, né? Acho que isso tem algo a ver também. Eu aprendi português com grande facilidade, uma língua que, de alguma forma, na minha cabeça, deu certo desde o início. Eu gosto muito de português.

Essa experiência de ter vivido em tantos países, quando você olha nesse contexto global, a gente fala muito sobre as diferenças entre um país e outro, então Índia para o Brasil, Estados Unidos para a Romênia. O que você encontra de pontos de convergência...

do que nós estamos vivendo hoje como sociedade. Quer dizer, tem pontos que a gente está vivendo no Brasil e a gente acha que é só aqui, e na verdade o mundo inteiro ou boa parte do mundo está vivendo também, apesar das diferenças culturais e de anseios e de patamar financeiro dessas sociedades.

Existe algo em comum no mundo todo, que é uma certa relativização das regras de conduta moral. Uma boa parte da população brasileira hoje é evangélica e passou por um processo de conversão da religião católica para a religião evangélica.

Mas o aumento desse fenômeno já me parece que estagnou. E mesmo dentro da parcela evangélica hoje, a tendência atual me parece cada vez mais ser uma tendência de certa relativização de normas morais. E isso abre muita angústia a nível pessoal. Em termos de decisões de vida, em termos de o que é significativo, em termos de relações familiares.

De repente as pessoas têm muito mais liberdade individual, porque as regras sociais, morais, religiosas, as ancoram menos. E você esperaria que essa liberdade individual maior seria, nossa, incrível, porque as pessoas de fato podem seguir os sonhos que elas têm. Sendo que algo que aflige muito as pessoas a nível individual é a indecisão.

e a incapacidade de trilhar um caminho óbvio. Cada vez mais temos questões de saúde mental relacionadas a essa perpétua instabilidade, seja relações de família, relações profissionais, por conta de mudanças no mercado de trabalho e por falta de uma âncora moral.

clara como consequência dessa erosão da relevância da religião, eu diria. Acho que isso está afetando o mundo todo, talvez menos as sociedades realmente fundamentalistas islâmicas. Sendo que mesmo lá está acontecendo. E eu acho que isso é um ponto comum de crise de consciência do homem moderno.

Lepo, podemos ir para o ping pong? Vamos. Porque, aliás, você quer responder o seu celular? Porque eu estou vendo que ele está tocando incessantemente. É Colômbia, não sei se vocês sabem, mas não é apenas o Flávio Bolsonaro que está perseguindo. Quem está mais difícil aí? Está o Flávio ou na Colômbia?

Eu não sei, vamos ver. Eu diria que é Colômbia. Se precisar responder... Tá, então vamos para o pingue-pongue. Galera que estiver aí no superchat, é só deixar bem claro, a gente já falou, até vi alguém comentando...

Fizeram perguntas que já foram respondidas no começo da live, depois assiste de novo, foi um papo de altíssimo nível. E só lembrando também, dia 27 de maio eu vou abrir a minha carteira pessoal para mostrar uma mudança estrutural que eu estou fazendo. É totalmente de graça o vídeo que eu vou fazer mostrando isso, por que eu estou fazendo isso, e também de graça a forma como você pode copiar a carteira. Tem o QR Code aí na tela, é só você apontar o celular ali, ou então clicar no link na descrição do vídeo.

Deixa seu melhor e-mail lá e no dia 27 estaremos nessa live para fazer esse super anúncio. Antes de terminar e ir para o ping pong, posso só ressaltar um comentário. Uma pessoa falou assim, boa noite Salomão, já que o Market Maker está sendo apoiado pela Nômade, traz a Paula Zogbi para uma entrevista. Pô, grande Paulinha, palestrina como a gente, um beijo grande, pô, seria legal. Mas eu também não sei se fica muito, né, viesado. A Nômade está aqui, é estrategista-chefe da Nômade, mas...

Paulinha seria muito bem-vinda. Beijo grande para ela e toda a equipe da Nomad. E, bom, deixa sempre o recado aí para usar o cupom do Market Makers para abrir sua conta da Nomad.

Nosso pingue-pongue é muito fácil. A gente gosta de saber os livros, uma música que marca a sua vida, um convidado que você gostaria de ver aqui e a maior gentileza que fizeram na sua vida. Vamos começar pelos livros? A gente gosta de ouvir um livro técnico, mais da sua área, e um livro tema livre. Um livro tema livre?

que me marcou muito, e acho que também é muito relevante por uns tempos, é 1984 de Orwell. Acho que você pensa em tudo que é essa rivalidade Estados Unidos com a China, a falta de privacidade que domina nos nossos tempos por conta de grandes empresas de tecnologia que tem acesso a todos os dados. Não é o caso da Atlas, a gente tem todos os dados de vocês, mas...

É um livro que realmente é muito importante para pensar o futuro da humanidade. Eu vou dar uma dica. Cada vez mais relevante. Era relevante no passado, estava cada vez mais relevante. Eu reli esse livro ano passado em audiolivro. Então, para quem ainda não aderiu ao audiolivro, esse é um livro que, pelo menos na Audible, foi o melhor narrador de audiolivro. O cara, ele...

Tava realmente, assim, deve ter ganho muito dinheiro pra fazer aquele áudio de livro, porque foi uma narração perfeita, assim. O livro é muito impactante. A leitura é impactante, o áudio de livro também foi impactante. Então, fica a dica aí pra quem ainda não aderiu ao áudio de livro. Que legal. Não, eu tô preferindo o Vargas Llosa. Se for em ler alguma coisa mais, assim, romântica, Vargas Llosa seria... Algum que você gosta mais?

Acabei de ler Travessuras da Larinha Amada. Não sei como isso. Travessuras da Menina Amada. Nossa, que excelente livro. Sobre uma obsessão romântica que persegue uma pessoa ao longo da vida. É impossível você não se identificar com a aflição dessa pessoa e não sentir simpatia pelas situações dramáticas que o personagem passa.

Agora um livro mais técnico, qual que você recomendaria? Um livro que eu acho muito relevante para discutir política no Brasil ainda é Bom Governo nos Trópicos, de uma americana chamada Judith Sandler.

parou no Ceará no início do governo do Tasso Gereissat e assistiu de perto como você conseguir reformar a máquina pública de um Estado, que tem um monte de problemas, que tem déficit fiscal, que tem...

funcionários que são pagos mas não aparecem para trabalhar, que têm problemas sociais dramáticas, desde mortalidade infantil até saneamento. E é uma história sobre como você pode, no contexto de uma política que tem muitas amarras históricas,

que tem muitos desafios em termos de como você construir alianças, como ainda assim você conseguir ser uma grande liderança e ter um grande impacto positivo na vida de gerações seguidas, não apenas das pessoas que estão sob a sua gestão naquele momento, mas construir um legado político que pendura em tempo. Acho que a Ceará hoje é ainda um dos estados de melhor desenvolvimento.

nordeste, que mais cresce no Brasil, por conta de um legado sistêmico que foi estabelecido pelo Taço de Jura e Sete. A gente está falando demais sobre bolsonarismo e lulismo, na minha opinião, e muito pouco sobre essas experiências institucionais que existiram no Brasil, e que talvez para que a sociedade possa evoluir na direção que todo mundo espera, deveriam receber uma atenção maior.

Muito bom, anotei aqui já, para quem não pegou, é o Bom Governo nos Trópicos, uma visão crítica de Judith Tendler. Achei aqui na Amazon para quem quiser comprar. Uma música, e por que essa música?

A música da Revolução Romena acho que é Winds of Change. Quando eu tenho as primeiras memórias, assim, na minha infância, minha mãe me escondeu num armário durante a Revolução Romena. Meu pai não estava em casa. Estava numa multidão que defendia a televisão romena.

das forças do regime, basicamente. Foi a primeira revolução televisada da história. Basicamente, os revolucionários tomaram a TV e depois começaram, a partir disso, a transmitir a mensagem para toda a população. Era muito importante preservar aquele local. Era muito importante fazer com que o regime não pudesse tomar a televisão, porque aí acabaria a revolução. Enquanto meu pai estava nessa multidão...

Eu estava escondido em casa com a minha mãe, ou até hoje, é a primeira memória de vida que eu tenho. Então, quando eu penso na Revolução Romena, é um episódio marcante e você inevitavelmente escuta essa música. É uma música associada àquele momento. Ways of Changes, Klaus... Essa é a queda do Muro de Berlim.

Tá, então já deixei separado aqui. Hoje em dia o que eu mais escuto é rock psicodélico, tipo, tem nem fala. Coisas que eu acho que tem algum significado, mas também não me aprofundo tanto, porque eu preciso estar produtivo na minha rotina de trabalho mesmo. É isso. Boa.

Muito bom, muito bom Está profundo isso Um convidado que você gostaria de ver aqui no Market Makers Eu penso que um tema Dos mais relevantes Talvez o tema mais relevante dos nossos tempos Talvez não seja a política, mas a inteligência artificial Então Eu acho que vocês poderiam convidar Alguém Deste espaço Se eu pudesse convidar alguém Para falar sobre isso, seria uma

colega minha, que é uma colega de faculdade, chamada Amira Murat, que foi a CTO da OpenAI, e que em algum momento assumiu a presidência da empresa, quando tentaram tirar o Sam Altman.

por conta de uma briga em termos da transformação ou não da fundação em uma empresa por uns dois, três dias a Mirah virou a CEO da OpenAI e depois perdeu a briga por conta da Microsoft então teria a pergunta sobre o futuro da nossa civilização por conta da inteligência artificial

Pô, legal que foi sua colega, você pode mandar um WhatsApp. Hoje ela está num negócio muito mais... Muito maior do que a Atlas. Se eu não tenho tempo, imagina a Mira. Os bilhões que ela tem sobre gestão. É, imagina. Só estou... Vai que, né? A última do Ping Pong, caso o Lepo tenha alguma para incluir, mas qual é a maior gentileza que fizeram na sua vida?

Eu acho que a maior gentileza que fizeram na minha vida foi justamente essa família que eu recebi aqui no Brasil. Não apenas a família que me recebeu em Fortaleza em 2006 e que eu acabei me integrando como parte da família deles, mas a família de funcionários da Atlas hoje em dia, de amigos que eu tenho no Rio de Janeiro.

Sabe, quando você chega de fora, num país tão diferente, no início você se sente muito estranho e gringo. E eu não me sinto mais assim. Eu me sinto muito bem acolhido. E eu acho que isso é, de fato, a maior gentileza que recebi até hoje. Que da hora. Muito bom. Legal.

Papo incrível. Podemos fechar, Lepo? Vamos fechar? Então tá. Quero agradecer demais. Sei que foi um dia muito importante, muito difícil, mas parabéns pelo seu trabalho. Acho que é chover no molhado falar que o seu trabalho... Vocês nem sabem, mas eu cheguei de avião desde a Cidade do México. Embarquei ontem, 5 da tarde. Aí eu chego no Brasil, aí estoura.

o escândalo da pesquisa Atlas espero que você consiga descansar um pouco mas bom, é o preço do sucesso também você está tendo uma repercussão muito grande parabéns pelo trabalho, espero que você possa voltar aqui Portas Market Makers estarão sendo abertos para você muito obrigado a vocês obrigado Andrei

Salomão, obrigado mais uma vez, hein? Que isso, eu que agradeço o seu trabalho inteiro aqui, amanhã se prepara que tem papo importante de manhã. Amanhã é importantíssimo. Vocês que viram até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal, são mais de 7 milhões de pessoas que nos veem todos os meses e queremos falar com ainda mais pessoas, fazer a melhor cobertura de eleições desse Brasilzão. Toda terça, quinta e domingo, 18 horas, nós estamos desse lado, sempre com alguém muito mais inteligente que nós, do outro lado, compartilhando conhecimento com a gente. Até a próxima e tchau!

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