Episódios de Market Makers

#338 | O QUE A FILOSOFIA ENSINA SOBRE DINHEIRO, SUCESSO E PROPÓSITO

24 de março de 20261h42min
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Você pode ganhar dinheiro, ter sucesso… e ainda assim sentir que algo está faltando.Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão conversa com o filósofo Guilherme Freire sobre um tema que quase ninguém no mercado financeiro tem coragem de discutir: Por que o dinheiro não resolve a sua vida?A conversa vai muito além de investimentos. Vamos falar sobre:-A crise de propósito da elite financeira-Por que o Brasil vive uma crise moral (e não só econômica)-Como o sucesso pode enfraquecer você e sua família-O perigo de criar filhos sem dificuldade-O que a filosofia ensina sobre disciplina, autocontrole e decisõesSe você investe, empreende ou busca crescer na vida, esse episódio pode mudar completamente a forma como você enxerga dinheiro, sucesso e propósito.📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - - O QUE A FILOSOFIA ENSINA SOBRE DINHEIRO, SUCESSO E PROPÓSITO | Market Makers #338Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador e analista do Market makers)Convidado: Guilherme Freire (Professor e Mestre em Filosofia)#FILOSOFIA #PROPÓSITO #DINHEIRO #BRASIL #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Assuntos14
  • Eleições Rio de JaneiroBrasil vive crise moral, não só econômica · Materialismo, hedonismo e relativismo na sociedade · Corrupção política como reflexo da sociedade · Falta de liderança com virtude · Sistema político oligárquico
  • Virtude e excelência moralEducação baseada em dificuldade e sacrifício · Forjação de caráter através de adversidade · Problemas de criar filhos sem dificuldade · Vício vs virtude · Educação para virtudes, não conforto
  • Dinheiro e espiritualidadePor que dinheiro não preenche a vida · Diferença entre desejos superficiais e profundos · Dinheiro como meio, não fim · Vazio existencial após sucesso financeiro · Satisfação material vs espiritual
  • Passagem de Riqueza Entre GeraçõesFalência empresarial na geração 2 e 3 · Filhos mimados sem virtude · Educação do filho de empreendedor bem-sucedido · Paradoxo: facilidade gera fraqueza · Necessidade de manter dificuldade artificial
  • Filosofia Política e Formas de GovernoRepública vs democracia (conceito clássico) · Governo por mérito e virtude · Problemas do iluminismo e liberalismo · Radicalização: socialismo e progressismo · Solução conservadora baseada na tradição clássica
  • Educação ClássicaGrandes clássicos da humanidade na educação · Filosofia clássica aplicada à liderança · Exemplos históricos: Alexandre, Aristóteles, Mentoria · Educação ideológica vs educação de qualidade · Restauração da educação brasileira
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeConversão do apresentador à fé católica · Filosofia aponta para religião · Caminho de salvação espiritual · Fé como complemento à filosofia · Crescimento espiritual na crise
  • Relacionamentos FamiliaresAmizade por interesse vs amizade verdadeira · Dificuldade de fazer amigos genuínos na idade adulta · Amigos que querem seu crescimento · Ausência de amigos na elite financeira · Amizade baseada em virtude comum
  • Tecnologia e SuperficialidadeRedes sociais como fonte de cansaço · Desentoxicação digital necessária · Conteúdo profundo vs conteúdo viral · Inteligência artificial e seus riscos · Importância de ler livros longos e densos
  • Propósito Empresarial e LiderançaEmpresa como ferramenta de transformação · Responsabilidade do líder · Excelência em gestão · Restauração de empresas em crise · Exemplo do líder influencia toda a organização
  • Soluções práticas para problemas nacionaisControle de segurança pública · Reforma administrativa e corte de cargos inúteis · Desfavelização de centros urbanos · Reforma educacional completa · Redução de impostos para empreendedores · Investimento em indústria nacional
  • Autossabotagem e disciplinaControle emocional em decisões financeiras · Virtude da fortaleza em crises de mercado · Prudência na tomada de decisão · Paciência em investimentos de longo prazo · Hábitos que fortalecem a mente
  • Decisões de Investimento e PadrõesReconhecimento de padrões em investimentos · Intuição informada vs intuição pura · Sabedoria prática acumulada · Sorte prolongada como indicador de competência · Prudência na tomada de decisão
  • Filosofia e PensamentoInvestimento em ativos reais vs consumo · Produção vs consumo · Empreendedorismo como ativo · Necessidades artificiais como passivo · Riqueza verdadeira
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Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Sou Thiago Salomão, um dos fundadores dessa super empresa, que hoje é podcast, é plataforma de curso, é fundo de ações, é revista digital, newsletter, enfim, tem um monte de coisa aqui no Market Makers. Agradecer aos mais de 7 milhões de espectadores e ouvintes que todo mês transitam nesse podcast que a gente tem muito prazer em fazer. Meu nome é Thiago Salomão, como eu já disse,

fundador dessa bagaça. A gente sempre gosta de falar de mercado financeiro, mas hoje a gente vai ter um papo um pouco mais profundo, um pouco mais introspectivo, um pouco mais sobre a vida, aquela pergunta que o Antônio Abujan retenizou no Provocações, o que é a vida? Enfim, vamos falar muito sobre a vida com um convidado que eu vou fazer a apresentação breve dele aqui, mas super conhecido, não só nas redes, no YouTube, mas também pelo mercado financeiro. Já me falou que tem muita gente do mercado financeiro,

que passa pelos cursos dele. O Guilherme Freire está aqui conosco. Mas antes de apresentá-lo, só lembrar, o Market Makers está na campanha para ajudar 750 milhões de pessoas que não têm acesso à água potável. Então, a gente embarcou nessa campanha do Mamba Water. Cada latinha de água dessa vendida, a Mamba Water vai levar um litro de água potável para comunidades que não têm acesso. Então, ajude a fechar esse gap. É só entrar lá, mambawater.com.br. Já é uma campanha que a gente abraçou.

todos os nossos convidados e nós estamos hidratados pela Mamba Water, que é uma bela água. Hoje está sem água com gás aqui, viu, produção? Tudo bem, a gente bebe só água sem gás, não tem problema. E, bom, e se você quer, aqui não é um patrocínio, né, isso aqui é um apoio do Market Makers, mas se você quer colocar a sua empresa para aparecer aqui no Market Makers, falar com a nossa audiência de mais de 7 milhões de pessoas, você pode mandar um e-mail para

com o Igor, que vai estar ansiosíssimo para receber sua mensagem e falar sobre propostas comerciais para você aparecer aqui e expor a sua marca junto à nossa super audiência. Bom, vamos lá. Hoje o Market Makers vai receber alguém que provavelmente vai te fazer questionar tudo o que você acha que sabe sobre dinheiro, sucesso e propósito. Porque nos últimos anos a gente já conversou aqui com nomes como Luiz Stuberger, Daniel Goldberg, Sérgio Real, Rui Alves, Pedro Cerise,

pergunta que ninguém na Faria Lima faz. Por que você quer o que você quer? Nosso convidado hoje é filósofo, escritor e um dos pensadores mais lúcidos da nova geração, que é o Guilherme Freire. Ele fala sobre virtudes, sobre a busca por sentido, sobre como o homem moderno perdeu a capacidade de pensar antes de agir. E, sinceramente, eu acho que essa conversa é essencial para quem investe, para quem empreende e para quem, no fundo, está tentando entender o que faz tudo isso valer a pena. Guilherme Freire é professor e mestre em filosofia,

Ele é chamado pelo Mosteiro de São Bento e pela PUC São Paulo, é fundador de projetos de formação como o Filosofia do Zero, o Em Busca da Verdade e a editora EBV, além de já ter atuado em funções públicas e também em empresas de mídia e educação. Ao longo dos últimos anos, ele construiu uma audiência falando de filosofia, história, literatura, religião, educação e crítica cultural, sempre tentando traduzir temas complexos para a linguagem da vida real.

seguidores no Instagram, se você ainda não segue, nem está inscrito, vai lá, já corrija esse erro, que é um cara nota mil e que tem muito a nos ensinar hoje, falar com a nossa audiência, porque como a gente sabe, o investidor, ele não é só investidor quando está investindo, ele é investidor o tempo todo da vida, então você se tornar uma pessoa melhor vai também te ajudar a se tornar um investidor melhor. Guilherme Freire, bem-vindo, não vou falar bem-vindo a Faria Lima,

Faria Lima, mas bem-vindo a esse lado da Avenida Cidade Jardim. Muito obrigado, Salomão. Uma alegria estar aqui. Eu tenho alunos, né? Pessoas que trabalham comigo que são fãs aqui do podcast. Ah, que legal, mano. E de fato, aqui o Em Busca da Verdade, que é a empresa que eu formei de formação de empresários, né? É aqui na rua. Então, na verdade, eu só andei reto aqui algumas quadras e cheguei aqui. Então, é uma alegria estar aqui.

Um caminho linear. Sim, um caminho linear. E vou lá tomar um café um dia desse pra gente conversar. Boa. Vou começar o papo com aquela pergunta que eu já fiz, né?

você quer o que você quer. Você interage com tanta gente da Faria Lima. Eu te pergunto, o que o pessoal da Faria Lima quer? O que o investidor, o cara que trabalha aqui nessa frenesia aqui, o que ele quer? Bom, muitas pessoas querem cada uma coisa. Tem vontades das mais variadas. Mas eu acho que quando você pergunta qual a vontade da pessoa, você tem que fazer uma separação entre duas coisas diferentes. Uma delas é aquilo que a pessoa quer de maneira superficial, que ela vai na hora falar eu quero isso, eu quero aquilo e tal.

E os desejos mais profundos que a pessoa vai ter dentro da alma dela, dentro da mente dela. Aquilo que, de imediato, ela vai falar não necessariamente é o que ela tem por trás das máscaras. E se você perguntar para as pessoas, quando alguém fala você vai trabalhar com o mercado financeiro, numa camada muito superficial, a pessoa vai falar que ela quer ganhar dinheiro. Foi o mercado financeiro porque eu vi que era uma forma de ganhar um bom dinheiro.

E é isso. Acho que esse é um clássico, aliás. Tem a cena daquele filme A Procura da Felicidade,

E aí o cara olha um cara com um carrão e fala assim, pô, o que você faz da vida? Eu trabalho com o mercado financeiro. E aí ele olha e fala, pronto, é isso que eu quero fazer, agora eu vou ralar e fazer parte disso. Só que dinheiro também é uma coisa multinível. Se você vai aprofundando essa questão e olhando as pessoas, dinheiro não consegue sanar o coração de nenhuma pessoa. Até porque dinheiro é um meio. E, na verdade, dinheiro é usado para algo. Aliás, uma das coisas incríveis que você aprende quando você estuda economia

quando você estuda qualquer coisa, é que na verdade, sei lá, lição um de quem vai investir. Você precisa ter mais ativos do que passivos na sua vida. E na verdade, quando você olha para coisas que são ativos ou você olha para empresas, uma empresa envolve um esforço muito grande e uma virtude muito grande das pessoas envolvidas. Você precisa de pessoas dando sangue para fazer aquela empresa, a liderança tem que dar o sangue pelos liderados. E quando você compra uma ação, você está dando um voto de confiança,

apostando em pessoas concretas por trás daquela ação, que estão, de fato, colocando aquele esforço imenso. E as pessoas que estão analisando aquelas ações estão, na verdade, sacrificando. E têm uma jornada inteira buscando conhecimento e querendo encontrar a verdade, em certa medida. Então, é muito curioso, porque qualquer trabalho já ensina para os homens uma certa noção de serviço e de entrega por outras pessoas. Você não consegue trabalhar 100%, e você, claro, quer desenvolver você mesmo,

desenvolver sua vida financeira e ganhar dinheiro e tal. Mas a pergunta do dinheiro imediatamente aparece é, para que eu vou usar esse dinheiro? O que esse dinheiro vai servir na minha vida? E depois você não pode só viver pelo dinheiro, porque afinal você quer melhorar no seu trabalho, você quer buscar excelência, você quer buscar tantas outras coisas. Então, quando você é uma pessoa do mercado financeiro, ela já aprendeu duas coisas na vida dela.

Uma, que há a necessidade que eu trabalho, que empresas nas quais as pessoas têm maior sacrifício

virtude, entrega e esforços, geral e competência, vão retornar mais. Isso é algo evidente. Isso já situa a pessoa quase que obrigatoriamente na realidade. E depois várias pessoas, na verdade, já aprenderam que dinheiro não preenche a vida completamente, porque muitas delas já ganharam dinheiro. Aliás, esse aluno, muito comum entre os meus alunos, por exemplo, lá no Em Busca da Verdade, é a pessoa que é muito bem sucedida e ela pensa, e agora?

O que eu faço com a minha vida? Posso só trazer uma provocação sobre isso? Eu não lembro quem foi o ator que falou isso, mas teve,

Teve algum ator americano que teve algum problema de depressão e ele usou uma frase mais ou menos como, dê a um homem um saco de dinheiro e você vai descobrir quais os problemas que ele tem. Que basicamente é isso, quando a pessoa percebe que o dinheiro não preenche aquilo que ele buscava. O mercado financeiro é um ambiente onde as pessoas, se tiverem competência, sorte e dedicação, o fator sorte eu acredito muito na importância disso, elas podem ganhar dinheiro muito rapidamente. Mas diferente de um médico,

que está lá salvando vidas, o mercado financeiro às vezes tem uma certa artificialidade ou talvez a falta de tangibilidade torna um... O que eu estou fazendo aqui? O que eu estou fazendo? Eu estou comprando e vendendo uma coisa melhor que os outros? Eu estou estruturando um derivativo de um... Às vezes gera aquele esvaziamento do será que eu mereço isso tudo? Enfim, como é que resolve isso aí? Quando a pessoa...

Eu acho muito curioso, geralmente, quando você fala que o dinheiro não é a solução dos problemas, ninguém que não tem dinheiro fala isso, né? Porque geralmente é um problema... Não é que o dinheiro... Veja, na verdade, é muito bom que as pessoas ganhem dinheiro, que elas trabalhem e que elas melhorem a condição financeira delas. Isso, em primeiro lugar, é uma coisa boa. Assim como tecnologia é uma coisa boa, que tenha um avanço tecnológico, que nós possamos...

Estejamos aqui fazendo um podcast com microfone, que seja transmitido para as pessoas, é uma coisa boa.

uma contrapartida de coisas boas. Prosperidade financeira vai gerar uma certa fraqueza. Assim como tecnologia zero uma certa fraqueza. Por quê? Conforme você vai tendo mais dinheiro, você vai tendo mais facilidades. E com mais facilidades você já não tem aquela mesmo grau de dificuldade que você tinha antes. Se eu agora tenho um Google Maps, um Waze, eu não preciso decorar o caminho da cidade, eu não preciso saber todos os mapas de cabeça.

Se a pessoa usa IA, tem coisas que ela não vai e abre o livro para ler, ela não lê o livro inteiro.

ela só pega o resumo. E aí tem um problema que a história que é falada há 3 mil anos. Homens fortes fazem tempos fáceis. Tempos fáceis fazem homens fracos. Homens fracos fazem tempos difíceis e tempos difíceis fazem homens fortes. Isso é clichê. Isso tem 3 mil anos, mas isso é inescapável. E aí existe um paradoxo da vida que gera muito desse problema que é a pessoa vai prosperando na vida e aí vem a crise de sentido. E vem também um enfraquecimento que é loucura, parece paradoxal. E aliás tem outro paradoxo também da vida financeira que é o seguinte.

Em geral, ganhar dinheiro, claro, pensando de uma maneira honesta, envolvendo trabalho, envolvendo sacrifício da pessoa, forja virtude. Porque você tem que, sei lá, gerir um time, você tem que acordar cedo, você tem que bater meta. Eu fui visitar a casa de um amigo meu que é empreendedor, e ele estava... Ele, na verdade, é um cara muito bem-cedido, e aí ele estava só com uma colchão, porque ele estava de mudança, e ele estava dormindo num colchão no meio do chão.

E eu falei, pô, finalmente você está com casa de empreendedor mesmo, né? E, obviamente, a coisa da pessoa dormir em caixas,

ficar demais naquela fase do heroísmo da empresa. Só que uma empresa, então, ela vai sendo forjada, as pessoas vão crescendo nas virtudes, e aí você vai vendo outros problemas, começa a aparecer na hora de educar a próxima geração, por exemplo, porque o cara vai se cercando de pessoas de extrema competência e vai sendo forjado. E aí o filho dele, isso já era falado desde a República de Platão, o filho pensa assim, papai era incrível, construiu um império, mas tem uma coisa mais fácil do que ganhar dinheiro, que é gastar dinheiro. E gastar dinheiro é muito mais fácil que ganhar dinheiro,

dinheiro e aí você vai vendo como muitas vezes gastar dinheiro traz vícios. E se ganhar dinheiro trouxe virtudes para a pessoa, virtude é todo o hábito que leva a pessoa para o bem. E vício é todo o hábito que afasta a pessoa do bem. Na hora que a pessoa vai gastar o dinheiro, aí vem os trilhões de vícios que podem acontecer e a pessoa vai se cercando do que Aristóteles chamava de necessidades artificiais. Coisas 100% inúteis que não estão forjando ela e que vão consumir da vida dela.

E olha que louco, ela deixou de ser aquele cara que estava lá produzindo e crescendo

coisas e agora ele é só um consumidor em larga escala. Então ele tem, sei lá, um barco de ouro, sei lá porque tantas pessoas lá em Dubai compram isso, entendeu? Que horror. E basicamente ela deixou de ter uma influência gigantesca que ela tinha como empreendedor, como tantas outras coisas. E agora o cara é, sei lá, um aposentado de 30 anos, entendeu? Ele tem a minha idade, está pescando um jacaré na Flórida. E ele basicamente, qual é o propósito da vida dele?

Depois na hora de formar a próxima geração, a próxima geração foi educada no conforto, tudo era dado,

tudo era dado de presente. E a pior coisa que você pode fazer para uma criança é mimá-la. E aí a grande maioria das empresas vão afundar na geração 2 e 3. Então já é o apocalipse. Você não tem a passagem da virtude de uma geração para outra. Existe solução para isso? E assim, eu faço a pergunta porque um dos meus melhores amigos que a vida me deu, ele teve uma origem de classe média, assim como eu, mas ele cresceu em... Ele é carioca.

eu cresci aqui em São Paulo, a vida nos encontrou, e hoje estamos numa... Nós certamente vamos dar uma condição de vida melhor para os nossos filhos do que nossos pais nos deram. E eu já brinquei com ele algumas vezes, falei, cara, como não tornar nossos filhos uma geração onde tem mais vícios que virtudes? Sim, uma geração frouxa, uma geração fraca, em que tudo é o floco de neve completo, qualquer coisa,

É, porque eu não vou poder privar ele das coisas que eu não tive, ou eu consigo... Na verdade, o pior raciocínio que você pode ter para o seu filho é deixa eu dar para ele tudo que eu não tive no meu crescimento, deixa ele não passar as dificuldades que eu passei. Na verdade, o melhor é você fazer ele passar mais dificuldades que você passou. Mais dificuldade ainda? Sim, claro. Agora, existe um conceito na educação que envolve dificuldade artificial.

Quer dizer, sim, ele não precisava agora pegar um ônibus ou fazer uma outra coisa que, sei lá, às vezes você fez isso porque era

Obrigado. No entanto, e aí vem um dos temas fundamentais. Educação de verdade e a forja nas virtudes envolve sacrifício. E isso não dá para fugir disso. Não tem como forjar uma pessoa sem sacrifício. Então, se a pessoa senta e perfeito, eu acho que tem muitas coisas maravilhosas em analisar a realidade, em julgar corretamente empresas, em apostar. Tem riscos, tem várias coisas envolvidas no mercado financeiro que são incríveis. Eu sou fascinado.

apaixonado por isso. Fora as áreas individuais, sei lá, do private equity, que é o empreendimento monárquico empresarial épico de você comprar uma empresa e ter que reformar toda ela e botar ela adiante. Eu tenho uma aula que eu comparo com o Justiniano, o imperador que retornou ao Império Romano pós-queda com private equity. Eu brinco porque o Justiniano era um homem de private equity. Então tem tantas coisas que são maravilhosas envolvendo isso.

No entanto, se você está sentado lá o dia inteiro e você fala, putz, aqui eu estou vivendo no meio da taxa de administração, se o negócio não...

performa também azar, mas tem mais uma viagem de esqui e você começa a cercar a sua vida de hábitos que são improdutivos e necessidades artificiais, de falsas amizades, de coisas 100% inúteis. E aí você olha para a sua vida e fala, cara, isso aqui não tem propósito algum, não vai para canto nenhum. Um dos temas centrais é que faltou uma educação para as virtudes, uma educação de sacrifício real. E isso é a mesma coisa para as crianças.

Quando a criança não é exigida e quando ela não desenvolve um espírito de serviço, de amor ao próximo, porque o verdadeiro amor envolve sacrifício,

O Sócrates falava, Platão tem o texto que ele fala que o verdadeiro amor, o Sócrates é o personagem do Platão ali que foi o mestre dele. O verdadeiro amor anda descalço, porque envolve sacrifício. Platão foi campeão de luta, porque se você não aguenta pancada, é muito difícil crescer numa vida de virtudes. Do mesmo modo, se o seu filho não chega até a exaustão física, se ele não tem que esfregar um chão, se ele não tem que estudar matemática com uma dificuldade maior,

do que o esperado pela escola, se ele não tem que ler livros difíceis, e todas essas coisas, não é que você precisa ser, está passando necessidade financeira para fazer com seu filho. Minha filha estava lá, jogando campeonato de xadrez de novo, ela ganhou o primeiro agora, disputou dois, ganhou o primeiro agora, e cadeira de plástico, e visita ela, e aí perde, e aí quando perde tem aquela crise, esse agora não perdeu nenhuma partida, mas na

Na anterior, ela tinha perdido a primeira, já o olho lacrimejando. Eu falei, filho, aqui não é assim. Você enxuga a lágrima, volta lá, bota um sorriso no rosto. As crianças, é muito bom quando elas lavam uma louça, esfregam o chão, correm até a exaustão, leem os livros, disputam campeonatos que desafiam elas. Aprendem que a vida é serviço. Quando elas têm que ir na missa, por exemplo, elas olham e falam, tem algo maior do que você.

Você não é o centro do cosmos. Fala o grande clássico da filosofia política, do Bertrand de Juvenel,

forma do líder ser accountable, dele ser em última instância, prestar conta, ser responsável, ter um grupo de excelência em volta dele, que é o que na filosofia clássica é chamado uma aristocracia, não gente em perucada francesa, mas o grupo dos melhores. E mais importante do que tudo é reconhecer, é temer pela sua alma. Entender que a sua alma tem um propósito eterno e que ele teme genuinamente por ela. Isso faz do líder responsável na hora, porque ele não tem nem a opção de não ser responsável se ele teme pela alma dele, porque tem algo maior do que ele.

Então, para o homem moderno hoje, muito dessa crise de propósito é, falta um propósito sobrenatural e falta uma vida de sacrifício e virtudes. E também faltam amizades focadas na virtude, porque Aristóteles fala muito isso. Aristóteles fala da amizade por interesse, que beleza, o cara que está lá. Amizade por prazer, que isso aqui me faz feliz. No entanto, a amizade verdadeira, vai dizer Aristóteles, ela acontece quando você tem dois homens maduros, que é esse homem que abraçou essa vida em busca das virtudes, em busca do crescimento.

E esses dois homens, um quer que o outro se desenvolva. Então, eu não estou lá meramente por interesse, mas eu quero que você melhore, que você aprenda, que você leia os livros, que você rale, que você trabalhe melhor, que você aprenda algo. Quando as pessoas, portanto, amam as mesmas coisas e elas conseguem engrandecer a vida das outras com aspirações mais elevadas, aí você tem verdadeira amizade. Só que você não tem propósito espiritual, você não tem sacrifício, você não tem uma forja de virtudes,

a sua vida começa a ficar completamente vazia, porque você sente em cima de uma pilha de dinheiro, mais ou menos como no Hobbit, do Tolkien, o Smog, que é o dragão, sente em cima do dinheiro. Ele não cria empresa com o dinheiro, ele não investe o dinheiro em algo que vai mudar a vida das pessoas, ele não investe o dinheiro em coisas que vão fortalecer as virtudes dele, ele sente em cima. É puro e absoluto acúmulo, sem propósito.

Então, na verdade, o dinheiro tem que trabalhar para desenvolver as pessoas. Esse é o propósito, em grande parte. E na filosofia, na economia escolástica,

tem um conceito que é a destinação final dos bens. Não é só o termo de como você ganha dinheiro, que beleza, é uma arte fundamental. O Aristóteles chamava de crematística, a arte de ganhar dinheiro. Não é só como você cuida do dinheiro ou gere ele, que é a economia, na visão clássica, mas é, beleza, gerir a atividade, sobrou um dinheiro, o que eu faço com esse dinheiro? Para onde eu vou destinar esse dinheiro? Isso é o que é chamado de destinação final dos bens. E aí as Sagradas Escrituras falam muito bem,

aliás, onde está o seu coração, ali está o seu tesouro. Quanto mais altas aspirações da pessoa, melhor vai ser o uso desse patrimônio. Então, não é que riqueza é um problema, e não é que a pessoa melhorar a condição de vida dela, não é um problema, aliás, é um problema, aliás, é uma solução. Resolve problemas materiais concretos na vida da pessoa. É que agora, com essa prosperidade, aparece uma série de perguntas, aparece uma série de questões.

Agora, como é que você vai continuar a forjar o caminho das virtudes? Quando que você vai procurar um propósito maior?

quando você vai pegar esse dinheiro e procurar um legado mesmo, não só sentar em cima dele. Caramba, que profundo. Deixa eu trazer só uma provocação. Teve algo que você falou sobre a amizade e eu lembrei de uma entrevista que eu vi. É um cara que está até bem conhecido agora, que é o... Eu não lembro se é Michel ou Miguel. Miguel Alcoforado, que é o que escreveu o livro sobre os ricos. Deixa eu dar um Google aqui.

Mas ele falou sobre amizade, o Marcelo Taz estava entrevistando ele, e ele falou sobre... Ele é um grande estudioso sobre as pessoas ricas, e ele falou, não, o rico não tem amigos. Ele tem, na verdade, contatos por interesse. Então, é uma pessoa que ele tem um determinado interesse. E eu fiquei junto com isso, eu fiquei pensando sobre a dificuldade da gente fazer amigos depois de determinada idade. Porque, a partir de uma determinada idade,

torna um pouco menos genuína e mais um interesse do tipo ah, nossos filhos estão na mesma escola, a gente torce pro mesmo time e não é aquela coisa tão pueril como era na época da escola, por exemplo. Enfim, como nutrir novas... Eu queria que você falasse um pouco dessas duas coisas, né? Rico tem amigo e como nutrir novas amizades, buscar pessoas que estão ali lutando por você depois de uma certa idade. E o nome dele, desculpa, que vai

vir algum dia no podcast, Michel Alcoforado. Olha, super ricos podem ter amigos, o problema é que a gente está vivendo uma sociedade de extrema ilusão, vaidade, as pessoas elas estão mais preocupadas com a aparência do que com a realidade. Então isso gera uma série de deformações, né? Porque aí você tem uma... é tudo pra rede social, é tudo pra inglês ver, é tudo, ah, não, essa escola aqui é porque é da status, e aí eu tenho um grupo das famílias por status, etc. Isso vai criando, na verdade,

uma deformação em relação à realidade. Eu amo, na filosofia, a ideia de que você tem que estar conectado com a realidade sempre. E eu brinco que Deus tem duas formas de falar com o homem, que é o triângulo e o peso. Porque o peso, se você não tem força, ele não levanta. Ele não está nem aí para os seus sentimentos. Ele não vai olhar para você e falar, nossa, eu discordo, eu concordo. Ele não tem nada disso. O peso, ele ou levanta ou não levanta. E do mesmo modo, o triângulo, a soma dos ângulos dele é 180 graus,

anos do plano reto. Você pode tentar contorcer, você pode tentar bater a cabeça, você pode tentar girar de várias maneiras. No plano reto é sempre 180. É assim que o triângulo funciona. É universal. Isso é muito bonito porque, no fundo, Deus está ligado a tudo que é conhecimento universal. Quando nós olhamos para tudo aquilo que é universal e não aquilo que é particular, você olha para coisas que têm permanência no tempo. Não coisas que vão esvair amanhã, mas coisas que daqui a 500 anos vão ser verdadeiras. Daqui a mil anos vão ser

Tem muitas aulas que eu dou, sei lá, eu mostro o ciclo de uma empresa segundo a filosofia de Aristóteles. Aquela filosofia tem 2.200 anos. Só que ela descreve o que está acontecendo com uma empresa hoje. Você vê a queda, a ascensão e queda da empresa igualzinho Aristóteles teria descrito a ascensão e queda de qualquer organização. E quando você olha para a amizade e para os hábitos da vida, você tem que forjar a amizade em cima daqueles hábitos que você não consegue falsificar. Por exemplo, quando você senta com uma...

quando você tem uma luta de jiu-jitsu. Você pode até entrar numa academia de jiu-jitsu e falar assim, ó, me identifico como faixa preta, eu me sinto um faixa preta. Você pode falar. Você pode até vestir a faixa, imagina, o cara bota a faixa e tal. Só que as pessoas vão descobrir que você não é uma faixa preta em mais ou menos cinco segundos e você vai apanhar feio, porque você não consegue mascarar a realidade. Por isso que, aliás, eu amo luta.

Eu entrei no jiu-jitsu por causa da filosofia, acho que é um caso bastante louco, né? Inclusive o Fábio Gurgel, que é nosso...

Eu ia falar isso, porque quem conhece o Fábio Gurgel sabe que não tem loucura nenhuma nisso. É, o Fábio Gurgel é meu aluno e professor, né? Ele é meu professor de jiu-jitsu e meu aluno do Em Busca da Verdade. O Fábio Gurgel também falou de você. A gente tem um podcast aqui sobre esportes. Sim. E ele participou, só que a gente falou muito pouco de esportes, porque a gente falou de filosofia, falou da vida, do estoicismo e tudo mais.

E acho que ele citou você, verdade. É, o Fábio foi meu aluno da primeira turma do Em Busca da Verdade. Que Em Busca da Verdade já foi criado para formar líderes na educação clássica. Que legal.

E uma das inspirações é essa, porque o Steve Jobs, uma vez perguntaram para ele, se você pudesse ter uma coisa da inteligência artificial, o que você gostaria? E ele falou, se eu pudesse ter uma coisa da IA, eu queria a mentoria que Aristóteles deu para Alexandre o Grande. Porque você tem um dos maiores pensadores da história, formando um dos maiores líderes da história. E a gente faz até uma imersão, chamada Alexandre, em homenagem a essa mentoria.

E o Fábio foi aluno da primeira turma do Em Busca da Verdade, e eu entrei no jiu-jitsu na Aliança.

E foi incrível, porque ele entrou na filosofia por causa do jiu-jitsu, ele aprendeu a disciplina mental e a busca das virtudes no jiu-jitsu, ali lutando na prática. E eu estudei nos grandes autores e falei, meu Deus, todos os grandes filósofos lutavam e eu preciso entrar nessa. E eu pesquisei lá Melhor Academia e Treino Aliança. Então foi bem engraçado, porque nós simultaneamente entramos na jornada por dois lados opostos. Mas é incrível. E você vê a sinergia gigantesca entre as coisas.

eu acho que a vida empresarial é uma escola disso, porque se você tem uma meta, se você tem que bater a meta, se você tem um saldo no final do mês e você tem que virar e tem que gerar resultado, isso forja a pessoa. De outro lado, se você estuda coisas densas e complexas de maneira objetiva, matemática é incrível, metafísica, filosofia clássico, os grandes clássicos da filosofia são maravilhosos, você começa a forçar a si próprio

fora da zona de conforto. Você já não tem mais, você não tem muito como enganar as pessoas. Aí que está o ponto. Você pode querer enganar os outros. Mas se você levanta um peso, você levantou. Aquilo é real. Se você tem um filho, a criança nasceu. Ela é real. Ela não é fingimento. Tem uma criança que você vai cuidar. Educar uma criança forja demais a pessoa. Educar de verdade. Falar, cara, eu vou cuidar do meu filho. Meu filho vai aprender essas coisas.

Forja demais. Porque, afinal, educar o filho é forjar ele nas virtudes. Então, o mesmo processo que você tem que fazer com a criança, que é o mesmo processo que você tem

guiar uma equipe é o processo que você tem que fazer com você mesmo, porque se você não educa o seu filho na dificuldade, ele não vai ser bem formado. Acho que muita coisa eu aprendi sendo pai, aliás. Muitas coisas. E do mesmo modo, se você confessa, aqueles pecados foram confessados, está em estado de graça, é real. Tudo que é real forja a pessoa, porque você não pode iludir, você não pode enganar. Você não pode fingir uma luta de jiu-jitsu, você não pode fingir que você é pai, você pode até fingir, mas vai ser ridículo. Você não pode fingir que você está em harmonia com Deus.

essas coisas que você não pode enganar, que você não pode iludir outras pessoas ao seu redor com elas, essas coisas são as mais importantes da vida, com certeza. São coisas que você não consegue mascarar. Deixa eu trazer uma pergunta aqui que também surgiu. Eu vou acabar indo e voltando, porque você está trazendo muito conteúdo aqui. Está sensacional esse papo. Quem está gostando já, aliás, já deixa o joinha no vídeo, se inscreve no canal. A gente vive hoje no Brasil a iminência de uma crise econômica.

Mas não quero falar sobre economia com você, porque recentemente um dos maiores investidores do Brasil, que são os sócios da Dynamo, uma gestora carioca, ele participou de uma entrevista, é muito raro eles aparecerem publicamente, ele participou de uma entrevista e falou assim para o entrevistador, o Brasil tem uma crise econômica, mas eu acho que o grande problema do Brasil hoje, na verdade, é uma crise moral.

tudo que está acontecendo, envolvendo política, judiciário e tudo mais, mas ao mesmo tempo ele lembra que isso é um reflexo da sociedade. O que a gente está vendo ali em cima é um reflexo do que está embaixo. Talvez a gente se choca com o que estamos vendo, mas é o que está refletindo ali. Um olhar mais filosófico sobre isso, um pouco do que você está falando. O Brasil de fato está numa crise moral e se estamos,

Tem alguma... Como você vê uma saída? Ah, 100%. Nós estamos 100% de uma crise moral. Aliás, eu não acho que o Brasil começou a dar errado agora. Acho que, meu Deus do céu, o sistema está funcionando desde 1889, desde que a gente proclamou a república. Pensa que a gente é um imperador super erudito, conhecia vários idiomas. A Precisa Isabel era uma mulher incrível e, basicamente, uma oligarquia de oitava categoria, com aquela ideologia escravista Z do positivismo, tomou conta do Brasil.

realmente atrasou o Brasil, impediu o desenvolvimento industrial do Brasil e outras coisas. Então, assim, não é que o sistema está funcionando faz um tempo, tá? Eu acho que não está funcionando faz muito tempo. Mas ainda, eu acho sim que deve ter uma série de crises e elas são decorrentes, sim, da moral. Aliás, eu, na verdade, quando estava na época do colegial, me apaixonei primeiro por economia, antes de me apaixonar por filosofia.

E eu comecei a estudar na época Mises e outros autores, e aí eu comecei a entrar em ciclos econômicos,

E durante toda a minha fase colegial, o tema que eu estudava era só economia. Depois eu fui trabalhar com desenvolvimento econômico e outras coisas e tal. E aí quando eu cheguei por volta dos 20 e poucos, teve um momento que caiu uma ficha para mim. Não é que eles estão zoando a economia porque eles têm ideias erradas econômicas. Aliás, tem coisas que eles fazem sabendo que são erradas. É que, na verdade, eles querem zoar a economia mesmo.

Querem zoar não no sentido de que o cara chegou lá e falou agora deixa eu destruir a economia. Mas eles fazem coisas.

faz coisas que é por interesse próprio, que não tem a menor sanidade quando você olha o todo. E isso é, na verdade, uma decorrência da crise moral. E a crise moral a gente pode colocar de maneira muito simples. Tem três nomes, aliás. Para isso, nós temos uma sociedade amplamente materialista, hedonista e relativista. O que eu quero dizer com isso? Materialista, porque nós não pensamos no espiritual, nós pensamos meramente no imediato e imaterial. Hedonista, porque ela pensa no prazer como centro da ética

como dever, como preenchimento da alma, como a plenitude da alma. E relativista, porque todo mundo fala, não, cada um tem os seus valores, você tem os seus valores e eu tenho os meus. E quando você não tem valores universais, isso gera apatia. Ninguém liga para nada. Porque se você tem os seus valores e eu tenho os meus, se uma coisa é boa para você e para mim não é boa, então cada um na sua. Isso gera uma apatia tremenda e ninguém quer resolver nada.

E mais ainda, o relativismo gera cisão entre as pessoas, porque você tem valores muito dispersos,

as pessoas começam a brigar entre si e elas não têm categorias mentais para mediar esses valores. O materialismo faz as pessoas curto prazistas e aí como a mentalidade curto prazista isso já enseja a inflação, porque a preferência temporal é essa, eu quero agora, vou consumir agora, então é consumo imediato, zero savings, zero investimento. O Brasil, aliás, poucas pessoas relativamente investem no Brasil na economia total. A cabeça é muito mais dívida, curto prazo,

imprime dinheiro, torra tudo. E isso não aumenta a produtividade real, não aumenta a indústria real, não aumenta uma série de coisas que precisariam viver no mundo real. Isso vai gerando infinitas crises econômicas, ou, na verdade, no mínimo, estagna a economia do Brasil. A gente se torna eternamente medíocre. Exatamente. Você estagna a economia porque, para que a economia desse um salto muito maior, você precisaria, de fato, ter uma dinâmica muito melhor. Não só de educação, que é um tema gigantesco.

super resetar a educação no Brasil, uma falência totalmente ideológica, ninguém aprende as hard skills que tinha que aprender e etc. Mas você tem um problema muito grande que você não tem uma cultura de longo prazo. Você tem uma cultura de curtíssimo prazo. E essa cultura de curtíssimo prazo, sei lá, o Singapura, por exemplo, incrível, eu sou o maior fã do Lee Kuan Yew, pessoa fascinante, e ele pegou muita população ansiosa e botou todo mundo pra trabalhar.

No Brasil tem muita população que não tá trabalhando, que poderia trabalhar, é tipo 33

da população brasileira. É muita gente. Você tem uma quantidade muito grande de pessoas que é emprego informal, é bico, subemprego, você tem mais desemprego, tem mais não sei o quê. E aí você tem, claro, pessoas, por óbvio, que o cara às vezes tem o benefício do governo, mas não tem a contrapartida do trabalho, da produtividade, não sei o quê. Então você tem uma população que vai ficando economicamente estagnada. Depois, por óbvio, você tem outras pessoas que vivem do trabalho. Então, meramente,

de outras, e aí você vai criando uma dinâmica em que a classe política rouba, a burocracia é sufocante, e aí cria um negócio de dane. Se é um caminhão tombado, cada um pega o seu, e se eu puder ir para casa arrancando a vantagem do meu lado, eu levei vantagem. Então, é um pouco ovo e a galinha, porque o problema econômico ajuda a criar, o fato de ter um sistema economicamente corrupto, priorizando o curto prazo, ajuda a criar corrupção,

fato de ter uma população corrompida do ponto de vista moral ajuda a criar esse sistema econômico. Posso trazer só mais um ponto, eu lembrei de algo que o Rui Alves, eu não lembro se o Rui falou isso aqui no nosso podcast ou se ele falou lá no próprio canal que ele tem lá na Quineia, a gestora que ele trabalha, eles fazem um conteúdo espetacular, aliás, fica a dica aí de olharem lá o canal da Quineia no YouTube, mas ele falou algo sobre a quantidade

pessoas que recebem algum cheque do governo. Hoje, eu não sei se o número é exato, ninguém nunca mais... Já ouvi várias pessoas muito mais inteligentes que trouxeram um dado como quase 100 milhões de pessoas recebem alguma contrapartida do governo, seja uma aposentadoria, BPC, um Vale Gás, um Bolsa Família, alguma coisa. E o Rui, ele trouxe uma reflexão que é quase como o que a gente... Qual vai ser o saldo disso como sociedade?

O que teremos para o futuro quando praticamente metade da população recebe um benefício do governo? Sem uma contrapartida ou sem um plano de desmame, do tipo passado, quando não houver mais a necessidade, a gente retira. Enfim, qual o recado que a gente passa para as gerações futuras se metade da população está recebendo um benefício? É 100% negativo, porque o ponto todo do Brasil é,

virando uma cultura de deixa tentar levar vantagem. Isso seja na iniciativa privada, seja no governo. Ah, eu ganho dinheiro do governo, então eu não preciso fazer isso. Claro que nas empresas tem muita gente encostada. Eu não sei estimar a quantidade de fake jobs que tem nas empresas, mas tem bastante. Viraliza na internet aqueles memes da pessoa que chega, pega um café, volta, senta na mesa. Claro que o Elon Musk demitiu dois terços do Twitter e o Twitter continuou rodando igual.

que é bastante chocante. Quando você tem a mentalidade oligárquica, para usar o termo de Aristóteles, você tem uma cabeça de eu quero poder, mas eu não quero responsabilidade. E do mesmo modo, e aí quando você tem formas de governo que apontam para isso, isso vai gerando esse efeito. Você vai dando, na verdade, para as pessoas sem cobrar sacrifício. Porque a própria liderança não se sacrifica pelo bem comum. E aí isso vai gerando um sistema 100% vicioso. Tem como interromper o ciclo vicioso? Com certeza.

Certeza. Sempre tem como resolver os problemas, tá? A ideia também de que os problemas não têm solução também é uma ideia corrompida. É uma ideia que expressa muito mais uma fraqueza do que qualquer outra coisa. O Brasil é grande demais, não tem solução. Imagina, a China teve, com os defeitos todos que tem, a China teve um dos maiores crescimentos econômicos da história humana. E a China fez, aliás, o Charlie Munger falou para fazer isso, por sinal, e fez a mesma coisa que eu estou falando para fazer, que é estudar o Singapur. Vai lá, ovo liconil,

o Deng Xiaoping foi lá visitar o Lee Kuan Yew. E o Lee Kuan Yew era um homem à direita, e o Deng Xiaoping era um cara que vinha do Partido Comunista, e apontaram e falaram, poxa, você está fazendo uma série de ideias, né? Desfavelização, liberar a economia, combate ao crime, que são ideias de direita. O Lee Kuan Yew é um cara da direita, e você é do Partido Comunista, o Deng Xiaoping. Por que você está fazendo isso? E o Deng Xiaoping falou, se o gato é preto ou é branco, o que me interessa? Eu quero saber se ele come o rato. E essa mentalidade pragmática...

que é bastante correto, aliás, acho que o Dan Shopping fez certo em fazer isso, estava certo em fazer isso, o Brasil tinha que ter uma liderança capaz de guiar o país para uma restauração dos valores. E isso é necessário para que o país cresça. E essa restauração dos valores começa pela educação, porque se não mudar a liderança, não muda nada. Vai ficar sempre esse problema infinito. E eu, pelo menos, tenho por experiência que quando você começa a mudar a sua vida, você começa a botar a sua vida em ordem. Você fala assim, olha, agora eu vou, na verdade,

minha dieta, eu vou começar a entrar numa vida de exercícios, eu vou aqui, vou lutar jiu-jitsu, vou treinar, vou fazer tantas coisas, vou parar de consumir lixo industrial como comida básica, as pessoas têm queda de testosterona porque consomem todo tipo de porcaria, hoje todo açúcar, óleo de soja, literalmente tem um meme da pessoa tá sojada, sabe que a testosterona média dos homens tá baixando 1% todo ano, um homem de hoje tem 50% de espermatozoides de um homem dos anos 60,

em grande parte é a alimentação e a queda, portanto, então o cara melhora a alimentação, ele melhora a dieta, ele começa a hidratar melhor e tal, começa a fazer uma vida de exercício. Se ele agora começa a trilhar um caminho de, calma lá, deixa eu me sacrificar, deixa eu começar a ter hábitos que vão fortalecer a minha mente, eu vou ler esses grandes livros, eu vou começar agora a mergulhar nisso e ele depois restaura a vida espiritual dele e fala, não, deixa eu me reconciliar com Deus, deixa eu ter uma vida agora em paz completa. Se ele está bem corpo, mente, espírito e ele começa a restaurar

a vida dele, ele pode começar a restaurar a família. Se a família dele está restaurada, agora meus filhos vão fazer esportes até exaustão, meus filhos vão estudar matemática de verdade, meus filhos vão honrar pai e mãe, eles vão sacrificar pelos outros, eles vão ter outra atitude em relação ao trabalho, eles não vão olhar para a empresa e falar eu sou o herdeirinho mimado e eu vou sugar tudo que os meus antepassados construíram, mas eu na verdade vou servir o reino, vou me sacrificar por ele porque eu sirvo algo maior do que eu mesmo. Aliás, formação de sucessores

eu sempre faço essa pergunta, clássica pergunta. O que o avô de vocês faria? Todo mundo trava, assim, é maravilhoso. O que o avô de vocês faria? Teve uma pessoa muito sincera e ajudou demais na formação que falou, meu avô jogaria um chinelo na minha cabeça. E aí eu falei, poxa, essa é a resposta maravilhosa para começar a resolver a empresa. E aí quando você começa a restaurar a sua família, o processo de restaurar uma família, que é botar a família em ordem, é muito parecido com o processo de restaurar uma empresa. Porque numa empresa você vai olhar e falar, calma lá,

não está entregando e está ganhando alto, vamos caçar os fat cats aqui, sócio, diretor, o que quer que seja, o cara simplesmente está sugando a empresa, abre a planilha do Excel, olha o gargalo, faz aquela rotina do Gordon Ramsay, que o Eric Jacquin fez a versão brasileira, que abriu o freezer, e você começa a restaurar ordem e autoridade, como os bons e velhos romanos fariam em qualquer organização na sua empresa. Você agora, quando olha para um país, é muito mais fácil entender como restaurar um país.

Por exemplo, se você falasse assim, olha, educação do Brasil, imediatamente vai falar corta ideologia, volta a estudar linguagem, os grandes clássicos, virtude, matemática profunda, volta para a tenda de limonada e para as lições morais e para de ensinar, sei lá, que a melhor coisa do mundo foi a Revolução Russa. Corta isso, isso é loucura, está tudo muito louco, nós estamos literalmente ensinando as piores coisas para as crianças, reseta isso.

e contrata pessoas agora que vão ensinar bem. Para quem nunca fez isso numa empresa, para quem não chegou lá que nem o Elon Musk, fez a restauração da empresa e falou que lá era todo mundo fora, agora tem esses chineses aqui, programadores, eles vão assumir no lugar. Pode parecer muito louco isso no Estado, mas foi isso que o Singapura fez e é isso que, na verdade, todos os países que deram certo fizeram. Eles tiraram as pessoas improdutivas e botaram pessoas de alta competência.

E quando você junta pessoas de alta capacidade do projeto Manhattan ou qualquer coisa, você começa a entregar coisas inimagináveis. Então, isso tinha que ser feito no país.

Agora, as pessoas muitas vezes não sabem fazer isso na empresa porque elas não fazem isso na família. Elas não sabem fazer isso na família porque elas não fazem na própria vida. Então, o problema é, quando você conecta desse modo, fica meio evidente como a educação pessoal e a crise dos valores individuais impactam na política. É porque, na verdade, é um efeito cadeia completo. Vou trazer um testemunho. Quem sou eu na fila do pão, né?

Mas quando eu criei o Market Makers, confesso que eu não era das pessoas mais disciplinadas em...

vários aspectos da vida. Sim. Alimentação, o sono. Sim. E a partir do momento que você começa a perceber que, pô, eu saí de sócio de uma grande empresa como a XP, mas eu me tornei o fundador e principal executivo de uma empresa que hoje tem aí seus 10, 12 funcionários, mas são 10, 12 famílias que circundam nisso, né?

e pessoas que esperam algo de você que estão ali acreditando no que você está trazendo então isso naturalmente me trouxe um certo senso de eu nem digo maturidade mas uma exigência de você precisa ser mais responsável e bem ou mal isso me ajudou a desenvolver muitos hábitos que antes eu não tinha até eu acredito muito que o exemplo arrasta e pô é difícil você querer cobrar alguém se você não está dando exemplo

Aliás, você nem vai se sentir na obrigação de cobrar alguém porque nem você acredita nisso. Afinal, nem você prega isso que você está fazendo. Com certeza. Cara, muito profundo. Agora, eu já estava gostando do papo, já gosto de você, mas você citou Charlie Munger. Que sensacional. A gente aqui é muito fã do Charlie Munger. Nos deixou recentemente. Novinho, só 99 anos, mas estava lúcido demais ainda. E é incrível. Quanto mais você lê Charlie Munger, mais você vê conexões...

Com os ensinamentos do passado, com as missões da Bíblia. Eu até fui procurar o que você estava falando. Você nunca fez nenhum conteúdo sobre o Charlie Munger no seu canal, né? Não, nunca fiz. Eu acho que eu nunca nem citei ele. Eu acho que só me ocorreu, sei lá, ouvir o podcast de investimentos. Eu falei, eu vou citar esse caso. Cara, eu acho que tem muito a ver, assim. Fica a dica aí um dia que você fizer algum vídeo sobre o Charlie Munger.

Não, com certeza. Mas é muito comum. Mas é que isso, na verdade, é o que a gente faz todo dia no Em Busca da Verdade. Porque o que a gente faz basicamente no Em Busca da Verdade é...

pegar a filosofia clássica e aplicar nos dias de hoje nas empresas. É isso que a gente faz. Então, eu fico circulando as empresas, dando informação sobre isso e até em outros países. Acabei de voltar dos Estados Unidos, da formação numa empresa lá. E, na verdade, o que acontece é, por exemplo, se você olhar o que aconteceu na Apple com o retorno do Steve Jobs. O Steve Jobs citou o Alexandre como exemplo para ele. Mas você consegue ver os paralelos muito grandes. O que o Steve Jobs fez quando ele volta na Apple? Ele monta uma aristocracia.

de excelência em volta dele. Lá na época, ele chamava antes dos piratas. Ele agora monta esse grupo que ele fala que é um grupo de até 30 pessoas, que é o grupo de excelência dele. Ele começa a cortar todas as coisas que não tem uma visão unificada. Ele dá um caminho coerente, ele seta os valores, ele bota até um board fake, que o board agora é meio que, ó, board, valeu. Se você não concorda comigo, tchau. Ele vira um monarca mesmo, de fato, da empresa.

E ele restaura uma série de virtudes que eram da fundação da empresa. Bom, se você olhar,

Alexandre fez, Alexandre resolveu 200 anos de crise na Grécia, porque Alexandre foi mentorado por esse gênio da filosofia que é Aristóteles, e a base da formação dele é uma formação, uma ética de virtudes e uma filosofia política muito profunda, e Alexandre resolveu a briga interna da Grécia, conquistou a Pérsia, que é quase como o México invadir os Estados Unidos e ganhar a guerra, é uma loucura, e 300 anos depois da morte de Alexandre, tinham moedas

gregas na Índia. E esse mesmo Alexandre, que mudou toda a história, espalhou a medicina pelo mundo e Alexandria vai ter a maior biblioteca do mundo antigo. O primeiro zoológico veio dos animais que ele ia coletando os lugares que Aristóteles organizou as classificações da biologia em Aristóteles e ele espalhou a medicina, a cultura e tal. Esse Alexandre, quando abriram um baú que tinha os maiores tesouros da Grécia, da Pérsia, que tinha sido conquistado, ele distribuiu

ouro, pegou uma cópia da Elíada comentada por Aristóteles e falou, esse é o meu maior tesouro, pode colocar isso aqui. Ou seja, ele valorizava o conhecimento acima de todas as coisas. Esse processo de restaurar a ordem, procurando virtude, que Platão tinha sido preso defendendo a ideia do rei filósofo, do fundador que busca a verdade, se Sócrates foi morto defendendo, não essa ideia exatamente ainda, mas uma versão dela, se Platão depois foi preso defendendo a mesma

coisa, agora com Aristóteles, isso mudou o paradigma político de toda a história grega. E ajudou a forjar o Ocidente, porque quando foram fazer o Império Romano, eles se basearam nesse Império do Alexandre. E você vê a mesma coisa na... A história da restauração da Apple é o mesmo processo. Assim como no Império Romano, se você olhar o que Júlio César fez lá, é muito parecido com o que, sei lá, o Elon Musk fez na Tesla. E você vai ver esse mesmo processo acontecendo várias vezes.

E esse... O Henry Ford, outro empresário que eu achei incrível e tal. Então, na verdade, a gente dá aula sobre isso

o tempo todo, mostrando esse paralelo. Só de ter esse paralelo, acho que você já aprende, você pega talvez um dos grandes casos de sucesso do capitalismo moderno e um dos grandes casos de sucesso da história, e você consegue conectar os dois. Exatamente. Não, isso é fundamental, porque toda a fundação de Buscar a Verdade veio daí. Eu, na verdade, ficava aflito porque eu falava, a formação empresarial é muito técnica, muito focada só em aspectos do dia a dia. E a formação, o pessoal que fala de filosofia é muito abstracto,

eles estão toda hora discutindo coisas muito interessantes, mas que nunca entram na vida concreta da pessoa. E eu ficava aflito com aquilo. Falei, mas ninguém nunca vai juntar as pontes. E, ao mesmo tempo, eu ficava aflito com uma outra coisa. O Brasil passa por uma crise educacional e política gigantesca e tem uma crise de liderança. E foi daí que eu falei, calma, por que a gente não começa a formar os líderes na educação clássica?

Aliás, todos os maiores líderes da história foram formados a partir dos grandes clássicos. Esse é um segredo até mal escondido.

E aí você vai vendo várias pessoas defendendo isso. Você trouxe para um assunto que eu queria perguntar, mas a conversa acabou indo para o outro lado. Que bom que você lembrou. O Brasil já teve um líder, de fato, que você fala, poxa, esse cara poderia nos conduzir? Ah, já teve vários. O Brasil teve grandes reis, grandes líderes. Dom Manuel foi o primeiro rei do Brasil, uma figura incrível. Filipe II foi rei do Brasil, uma figura incrível, um dos maiores líderes da história. Dom Pedro II foi um líder incrível. O Brasil teve vários.

Mas do século XX pra frente. Ah não, mas aí o sistema não funciona. É muito pouco. O problema é que o sistema é ruim mesmo. Não funciona. É oligarquia pura. Não consegue selecionar líderes em números. Puros números. E aí tem gente que vai, ah meu Deus, não pode falar isso. Mas em puros números, os três primeiros governos militares foram os melhores. Em termos de crescimento econômico, segurança e tal. Fora os três primeiros, que foi o Castelo Branco, a Silva e até o Médici, depois já começou a desandar

Na época do Geisel já começou a cair. Mas se você excetuar esses três governos numericamente falando, que ali de fato é o auge do milagre econômico, o Brasil estava crescendo 10% ao ano, em geral o Brasil teve muita dificuldade. Por exemplo, Juscelino Kubitschek, que é muito lembrado, gerou uma dívida gigantesca. Mas aí o problema é o sistema de incentivos também. O sistema de incentivos é para o capital político e não para o governo de longo prazo. Então é natural que isso dificulte,

bastante o país. E aí os líderes têm que atuar meio no subnível do governo, a revelia do governo. Então o empresário tem que jogar contra tudo e contra todos. Mas isso é um problema pós-proclamação da República, porque as oligarquias tomaram conta do país. E esse problema que falam, ah, vem desde as capitanias. Não, na verdade, literalmente o coronel faz referência aos cargos colocados pela República. Ele veio de um sistema muito artificial que foi colocado no Brasil. Mas o bom quando você estuda outros casos é que tem países

que saíram de sistemas muito ruins e passaram a ter sistemas bons. O que o Charlie Munger falava dos Estados Unidos, que ele enxergava de maneira bem parecida, a despeito do quanto as pessoas amam os Estados Unidos no Brasil, muitas vezes tem uma idolatria, mas ele na verdade viu o sistema como desfuncional e pessoas muito boas produzindo a partir daí. Ele falava que tinham que aprender com o Singapura, porque o Singapura saiu de um país que era muita favela, que era o caos, que foi rejeitado pela Malásia, para basicamente uma monarquia empresarial que voou,

que é esse sucesso da história. Ele viu a China fazendo isso, que ele citava, e ele falava, por que nos Estados Unidos a gente não faz a mesma coisa? Aliás, ele falava que se votasse uma lei falando que os deputados não podiam ser reeleitos se eles não resolvessem o déficit, o déficit estava resolvido. Super eu defendo isso, defendo até muito mais, aliás, que tal os deputados nunca mais serem instituídos se a economia não performa X, sabe por que não?

Deus do céu, tem tantas leis que poderiam ser feitas. Os romanos antigos eram 37

anos de carreira por mérito pra selecionar os líderes e se você falhasse em algum momento da carreira, acabava com sua carreira completamente. Continua, desculpa. Você basicamente tem que... O conceito de república de Aristóteles é um governo de mérito e honra subordinado às virtudes. E se você tem um governo destruído nesse aspecto, que é só lobby, jogo de interesse, Aristóteles chama de democracia. Então democracia, para os antigos, é o oposto de uma república. Porque se você não tem uma subordinação

mérito, a virtude, a honra, uma série de coisas, você tem só um sistema funcional de lobbies, que é o que a gente tem. Eu acho que você trouxe muita coisa aqui, baseado na história, baseado em estudos. Então eu queria propor uma provocação aqui. Eu nem sei se você vai conseguir responder essa pergunta. Mas vamos pegar uma folha em branco aqui do Brasil. Contra a Altidel, refaz aí o Brasil, pensando nas leis. Pô, você com tantas referências aí,

você foi citando, o que você faria para o Brasil para corrigir os problemas que o Brasil tem e a gente parar de falar que a gente não tem líder, que é nosso problema estrutural? Primeiro, controle de segurança, Alá Bukele, começaria daí. O El Salvador saiu do país mais violento do mundo para mais seguro do que o Canadá em três anos. Basicamente, tolerância zero, full time. Inclusive, traria as pessoas do El Salvador no Brasil, por que não?

Desenharia. Vamos falar, mas El Salvador é pequeno. Faz a mesma coisa que a China

fez quando copiou o Singapura. Desenha El Salvador no Brasil, que tem vários. O Rio de Janeiro, se eu não me engano, o município do Rio, é mais ou menos do tamanho do país do El Salvador. Desenha isso e começa a aplicar as políticas de segurança. Coincidência ou não, talvez seja o lugar que mais precisa. Exatamente. Começa a aplicar full time. Controle do crime é um primeiro ponto. Depois, isso aqui a gente está supondo que é um governo novo, né?

As entravas do governo anterior não existem mais, né? Isso. Depois você vai começar a destituir

todas as funções públicas que não têm uma funcionalidade clara. Absolutamente todas. Se você não consegue justificar 100% o quanto aquele serviço é essencial, destituído. Isso já vai salvar tremendamente as pessoas. Depois, a população que recebe benefícios do governo, mas que são homens adultos em boa capacidade para trabalhar, eles vão ser movidos ao esforço de construir a indústria nacional. Então, nossa,

vamos produzir os carros nacionais, e o Gurgel ressuscita do Brasil, estava lá, do carro elétrico ali nos anos 80, né? Meu Deus do céu. A indústria nacional, por que não fazer um Corolla brasileiro? Tem muita coisa fascinante para ser trabalhada, e aqui no Brasil tem as terras raras agora, tem tanta coisa fascinante para falar. Então, eu moveria a população adulta ociosa do Brasil para a indústria nacional. Você falou assim, olha, você ganhou benefício do governo, mas aí eu estou convocando você a trabalhar.

e construir alguma coisa a partir desse benefício. Então isso é fundamental. Depois, desfavelização, as pessoas têm que morar em casas dignas e de alto nível. Então você tem vários cases na história, o próprio Singapura, Paris, as renovações do Ausman. Nós temos muitos cases de desfavelização, você simplesmente pega o que era favela e transforma em moradias dignas, em coisas incríveis. Agora com todo o dinheiro da corrupção e dos cargos inúteis e do destino de verme inútil

cortado, você basicamente não é que falta, sobra dinheiro para fazer isso. Se você olhar os números do quanto custa para se favelizar um quilômetro, sei lá, quadrado versus o que a gente gasta, o Raulo, que é a máquina pública, você vai descobrir que o dinheiro tem. É só estar sendo mal alocado. Então, a desfavelização dos centros no Rio de Janeiro e de alguns grandes polos do Brasil seria simbolicamente muito poderosa. Restauração dos centros de cidades clássicas e tal.

mudança da educação, mudar o sistema de incentivos da educação, com certeza eu faria, tiraria muitos dos professores que tem hoje, especialmente na parte das humanidades, acho que precisa de um reset razoável, e faria novos concursos com outro sistema de educação, olha, as pessoas vão aprender empreendedorismo, vão aprender mais exatas, vão aprender os grandes clássicos da humanidade, e o ensino vai ser desideologizado, chega de uma pancada de doutrinação,

que existem hoje, isso vai ser cortado do país. Eu acho que com essas mudanças, e é pouca coisa, é muita coisa, obviamente, do ponto de vista o trabalho que daria, mas não são tantas medidas, o Brasil é uma potência gigante, porque imagina, o Brasil tem autonomia energética, que coisa incrível. A gente fez um episódio recente com o Chris Garman, diretor da Eurasia, ele falou, cara, olha o que está acontecendo no mundo. O mundo precisa de energia, o mundo precisa de alimento, o mundo precisa de minerais,

as terras raras. O Brasil tem tudo isso. E tem num alto nível. Não é que tem alimento. Não, é um alimento saudável, seguro. A gente tem uma oportunidade. E eu criaria vários... O modelo Ita Embraer é incrível. E eu faria isso à base da educação. Aliás, nas comunidades que fossem sendo desfavelizadas, eu investiria muito em educação militar. Acho que é uma das melhores soluções. Porque eu assisti tropa de elite, amei. E eu lembro que eu comentei com um colega meu na época,

da minha geração, quem não passou pelo negócio, e não foi no cinema ver Tropa de Elite. Impossível. Nossa audiência, com certeza, já ouviu. Toda, e claro, Matias, aliás, eu botaria uma foto do Matias nas novas escolas, e aí um cara comentou comigo, é, de onde eu venho é polícia ou é bandido, então a gente não tem muito como fazer essa escolha, eu já sei como escolher. Então, as escolas militares seriam incríveis, entendeu? Eu até falei pra ele, se é polícia ou bandido, é bom que é fácil de escolher o lado. E, sem dúvida,

escolas militares seria fundamental, acho que é importante, fora escolas pra pessoas de alta capacidade, esses institutos de engenharia de ponta. Eu acho que focando nisso, não tem muito erro, na verdade, entendeu? Ah, e baixaria impostos daí com o dinheiro cortado da corrupção. Uma vez eu conheci um cara que trabalhava com Bolsa Família, que ele tinha dois Rolex na mão. E ele chegou pra mim e falou, não, eu trabalho com Bolsa Família, sou um dos gestores aqui do Bolsa Família, e daí o cara tinha dois Rolex na mesma mão, assim. Pera, ele trabalha com Bolsa Família? Bolsa Família, e ele tinha dois Rolex.

governo. Imagino que o salário do governo seja alto, só de começar a pegar muitas das pessoas. Algumas das pessoas que eu aposentaria, eu daria uma bicicleta. Faria igual o governo chinês fez com... Eu não faria, ah, vamos perseguir. Não, eu acho que não. Veja, algumas, claro que tem pessoas que têm que ser presas por corrupção e outras coisas, sem dúvida. Mas outras tantas pessoas são muito improdutivas. O governo chinês deu para o imperador, quando fizeram a Revolução

uma bicicleta e mandaram ele para casa. Eu super, algumas pessoas do governo dariam uma bicicleta e falei, olha, volta para casa, está aqui a bicicleta, vai com Deus, vai em paz, só você não tem mais nada a ver com o governo. E isso já traria um dinheiro razoável, a máquina brasileira é bem cara, está bem cara mesmo, a Previdência super não é viável do jeito que está, é uma conta, é um rombo gigantesco e tal, a reforma da Previdência faria 100 mil vezes mais intensa do que foi feita.

E, basicamente, só de você mexer nessas coisas, o que aconteceria é que o Brasil não tem como dar errado isso. É quase impossível. O Brasil com crime controlado... Ah, sim. E aí eu farei uma redução de impostos. É, você falou que eu baixaria impostos. É, eu baixaria impostos. Em especial, impostos para você empreender no Brasil. Eu acho que o mais... Porque eu não tenho tanto problema com algumas tarifas, se bem utilizadas. Eu acho que em alguns casos, o Trump exagerou na dose ou fez mal.

Mas eu sem dúvida faria... Porque se você tem um setor não essencial que quer entrar no Brasil, eu não acho que isso deveria ser tão fácil. Não acho que é chega aqui e engole o meu mercado. Muitos se dão mal por desorganização mesmo. E não é que eu sou anti-multinacionais, mas eu acho que você tem que privilegiar a política econômica para favorecer quem quer criar um empreendimento no seu país. E isso tinha que ter barreira quase zero. Guilherme, o que você sente dando essa resposta? Tudo isso que você falou.

Eu sinto que a gente tem muito trabalho para ser feito, né? Eu diria de uma maneira mais... Você se sente um otimista? Um iludido? Enfim, qual a sensação de você ver um caminho para uma solução, mas que parece muito longe da nossa realidade hoje? Eu trabalho para isso, né? Você sabe que... Eu acho que eu não penso nem de maneira otimista, nem pessimista. Eu tento trabalhar para que as pessoas entendam esses caminhos. Certo. Uma pessoa uma vez assistiu uma live minha,

um grande fã do Senhor dos Anéis. Aliás, eu tenho uma meta de falar do Senhor dos Anéis em todos os conteúdos que eu posso. Tem que ser falado. Você vai me julgar se eu falar que eu não assisti ainda? Super assista. Faça isso. Teve agora, recentemente, passaram todos os filmes no cinema. Eu quase fui com o meu cunhado. Faça isso com você mesmo. Por favor, se dê esse presente. Estou gostando tanto desse papo que é impossível não querer assistir.

Assista a trilogia do Senhor dos Anéis e depois eu tenho várias análises no meu canal. Super assista elas. Legal. Não, vou assistir. Tolkien, aliás, era um homem muito religioso, muito profundo.

e um grande conhecedor da história. Então assiste Senhor dos Anéis. A todos assistem, quem não assistiu. Mas então... Agora, obviamente, as pessoas às vezes não entendem porque elas pensam que é só sobre elfos e orques e tal. E elas não enxergam a metáfora mais profunda. E até vão falar Ah, eu tô querendo gostar de metáfora, mas o simbolismo é muito forte. Mas enfim. Uma pessoa chegou pra mim e falou Eu gosto do conteúdo do Guilherme porque ora parece que o mundo tá perdido e vai desabar.

E ora parece que é um punhado de homens corajosos para restaurar tudo. E eu acho que tudo é um pouco assim.

Eu enxergo toda empresa um pouco assim, na verdade. Normalmente a empresa tem um caos crescente e aí tem um grupo de pessoas que falam, vamos botar ordem nesse negócio, vamos fazer a coisa funcionar, vamos dar o sangue por isso. Eu enxergo muita história assim, muitas vezes era um caos e tudo uma desgraça e aparecia aquele cara que botava a bola no chão e falava assim, olha, agora a gente vai ter que fazer isso aqui dar certo, entendeu?

Não dá mais para viver no caos, sabe? E eu acho que essa é um pouco a natureza das coisas. Tem uma entropia, as coisas vão decair,

ficando caóticas. E você tem que trabalhar pra ter uma liderança que vai lá e vai restaurar as coisas. O Brasil passa por um renascimento espiritual muito grande. Eu lembro quando eu voltei a me envolver com qualquer questão ligada à igreja, quando eu me converti. As igrejas eram vazias. Agora são cheias. Tem um terço do Frei Gilson com milhões de pessoas às quatro da manhã ao vivo. Isso não existia. Essa coisa de vida intelectual era muito alia às pessoas.

Isso não era uma coisa que circulava. Agora é uma coisa que eu encontro nos lugares as pessoas falando de vida intelectual mesmo.

Empreendedorismo e investimentos eram um tema muito de nicho no Brasil. Agora já é um tema bem mais mainstream do que era no passado. E, na verdade, esses temas políticos poucas pessoas tinham a consciência que tem hoje. Então, eu acho que a crise piorou, só que em outro aspecto muitas pessoas despertaram. Então, você é otimista ou pessimista em relação a isso? Olha, eu trabalho para que essa onda crescente de pessoas que vão despertando cresça até um ponto disso que a gente falou aí ser possível e que apareçam líderes dispostos a sacrificar para que isso aconteça.

escola de liderança, também para que o Brasil fosse restaurado. Agora, isso vai acontecer no meu lifetime, isso vai acontecer em um curto tempo, eu acho que não cabe a mim, para estar outra frase do Senhor dos Anéis, não nos cabe saber o resultado de tudo, mas é fazer o melhor com o tempo que nos foi dado. Se Deus me deu um chamado de vida intelectual, é para que as pessoas despertem para coisas que são verdadeiras e que podem melhorar a vida delas. O quanto elas vão

responder o chamado é uma vocação individual de cada um. Se eu falo para você, olha, é uma viagem a menos de esqui no ano, só que você vai ler agora tantos livros clássicos. Você vai começar a ler Platão, Aristóteles. Eu posso falar isso. Se você vai seguir ou não, é um tema seu. Se eu falo para você, olha, corta coisas materiais dos seus filhos. Bota só coisas que exigem eles. Se ele tem que disputar um torneio de xadrez, se ele tem que lutar jiu-jitsu, se ele tem que ralar, isso não é um ganho só. Ele não está lá colecionando 38 Mickey's Mouses.

ele está tendo que ralar, mesmo que ele esteja, sei lá, no tênis lá, beat tênis não, porque beat tênis, pelo amor de Deus, nada contra o pessoal que joga, tem gente que fica brava quando eu critico o beat tênis, mas eu sou fã do tênis muito mais que o beat tênis, por um motivo... Exatamente, um pouquinho é um termo bastante, e o tênis... É que muita gente joga beat tênis. É um lazer, mas para efeitos do que eu estou falando, não é tão eficaz, não por mal, mas que eu estou falando, quanto maior o grau de exigência, melhor.

tem uma beleza incrível que a margem é pequena. Isso, para mim, é o que mais forja no tênis. Fora o cara correr, é o fato da margem ser pequena. A diferença entre a vitória e a derrota é muito próxima. E isso gera frustração. E o fato de gerar frustração é uma coisa boa. Então, eu acho que se mais pessoas vão despertando para o caminho das virtudes, para o caminho do sacrifício, para tantas coisas assim, eu acho que isso que a gente está falando vai ficando um pouco mais real. Certamente,

mais real hoje que quando eu comecei a dar aula. Agora, o quanto a gente está distante do Brasil ser restaurado, o quanto o Brasil está distante de se despertar, eu acho que a gente está bem distante. Eu não sou ingênuo também de achar que a gente está próximo. Sabe que você falando disso, hoje, no dia que estamos gravando, eu não sei qual dia vai ao ar esse episódio, mas eu toda segunda publico uma newsletter para a nossa base de...

As pessoas que recebem gratuitamente, aliás, quem quiser receber nossa newsletter, deve ter um link aqui na descrição. Se não, pede ali para mim nas redes sociais.

Eu escrevi sobre... É pênalti, mas quem que bate? Porque no nosso campeonato de futebol que a gente está jogando no mercado financeiro, a gente ganhou o jogo e teve um pênalti no jogo e eu bati. E eu contei o que foram os seis segundos na minha cabeça entre o juiz apitar e eu ter que bater o pênalti. Porque em tese o pênalti talvez seja a coisa mais fácil de você... A maneira mais fácil de você marcar um gol no futebol, né? Porque a bola está parada, você tem tempo para ajustar o corpo, se posicionar, não tem marcação.

é uma distância relativamente tranquila para você tirar a bola do alcance do goleiro, mas por ser tão fácil, ele mexe muito também com, caramba, é tão fácil que se eu errar... É, a pressão é sua. E aí começa aquele exercício do você se auto-sabotando, do caramba, se eu errar, ferrou, está 1x0 para o adversário, eles vão ganhar. Eu escrevi um pouco sobre isso, que eu até termino falando, seria muito legal se todo mundo passasse pela...

Pela pressão de ter que bater um pênalti num jogo decisivo. Porque eu até fiz um paralelo com uma ação que a gente tem na carteira, que depois que saiu o resultado dela, a ação estava caindo 15%. E ali era como se fosse uma bola na marca do pênalti. E a gente ali tem que decidir. O que a gente vai fazer? A gente vai comprar mais ação? A gente vai vender? A gente vai deixar andar? Não, agora a gente está num momento de pressão e tem que tomar uma decisão.

E um dos maiores problemas do mercado financeiro é a impulsividade. Porque a virtude é autocontrole.

o homem maduro, o homem que controla suas paixões, vai dizer Aristóteles. Se você não tem o estômago de segurar a coisa na baixa, é aí que você se dá mal. Exato. Tem até uma pergunta sobre isso que eu tinha separado aqui. Disciplina, prudência e autocontrole. São três coisas que todo investidor deveria ter. Diz que tem, mas pouca gente consegue praticar. É porque se você não cultiva isso na vida cotidiana, na hora do investimento você não tem aquilo.

tradição filosófica, pode nos ensinar sobre isso? Ah, infinito. Isso aí seria um podcast à parte ainda, daria para falar. Vou deixar até grifado aqui, segunda vez que você vier, a gente vai falar só disso aqui. É uma longa jornada, é isso, mas basicamente tem toda uma explicação do porquê as virtudes cardeais, que são as virtudes centrais, impactam uma empresa ou mudam a vida delas. Mas assim, se o investidor,

Bom, disciplina está relativa àquilo que eles chamam da virtude da fortaleza. É você aguentar pancado. E muitas vezes, é claro que é famosíssima aquela cena do... A grande aposta, né? Que tem lá o Michael Burris, o cara gritando na porta dele, ligando o fone e dane-se, né? Eu vou segurar. É que muitas das melhores decisões envolvem a virtude da fortaleza. Sim. Você está convicto,

E aqui tem que ser racional a decisão, você tem que estar bastante intelectualmente convicto dela. Você segura contra tudo e contra todos e você aguenta a pancada porque você entende que aquela decisão é verdadeira. Você fala, vai ter uma crise, tem uma bolha imobiliária, você segura a bolha imobiliária. É que o mercado é muito cruel nisso, porque a diferença entre a convicção e a teimosia é o resultado do investimento.

virtude, que é a virtude da prudência. Prudência. E aí a prudência, ela envolve sabedoria. Então, por exemplo, quando você olha o xadrez, um grande mestre de xadrez, ele faz uma série de jogadas rápidas, ele, por exemplo, o Magnus Carlsen, talvez o melhor jogador de história do xadrez, ou pelo menos um dos melhores, e ele é um monstro do fim de jogo, e ele acabou de ganhar um campeonato de blitz. Ele ganha, simplesmente, jogos muito rápidos. Então, a jogada, entre aspas, impulsiva, ele decide melhor, ele joga

melhor do que a pessoa ordinária. Aí você fala assim, mas como que a jogada é impulsiva? É porque ele já viu aqueles padrões infinitas vezes. Ele simplesmente sabe. Então, por exemplo, quando você faz uma jogada rápida, se você não pensa e joga, a chance de você errar a jogada é alta. Só como ele já viu aqueles padrões 500 mil vezes, o chute dele é correto. É tão louco no nível dele, porque ele normalmente chuta o que o computador chutaria, o que o computador faz. Então ele literalmente

é muito hábil enxutar uma coisa que o computador faria igual. Quando você olha prudência, tomada de decisão, para nós, às vezes, soa como uma coisa muito mística, quase que bruxaria, joga para cima e acho que existe sorte, existe, sei lá, se a pessoa comprou ações da Apple no comecinho, foi dormir e acordou no outro dia, beleza, ela ganhou muito dinheiro, existe o elemento da sorte, eu não acho que acaso é inexistente. Só que eu costumo brincar na empresa que,

sorte prolongada, né? E azar prolongado já começa a virar padrão. Você começa a entender porque tem gente que... Eu brinquei, o cara, ele deu muita sorte com isso. Eu brinco, ele dá muita sorte com muita frequência, né? Não sei se você reparou que ele acerta com muita frequência. Esse elemento de acertar com muita frequência, ele tem a ver com a virtude da prudência. E a virtude da prudência envolve sabedoria prática, que é a sabedoria acumulada.

É quando você internaliza tantos padrões, e você conhece tanto, você tem tanta profundidade naqueles padrões,

de tomar decisão, você toma a decisão conhecendo o fluxo desses padrões e a sua chance de acertar aumenta brutalmente. Existe o acaso, sei lá, que é uma bomba no negócio e aí muda o setor. Só que a pessoa que tem uma alta capacidade de reconhecimento de padrões e que tanto de vida prática quanto de bagagem intelectual, ela acerta com muito maior frequência do que a pessoa que não faz isso. Porque ela segue a sabedoria do que foi testado ao longo

muitos anos. Tem um cara que talvez seja um dos caras mais sensacionais que eu já conversei na vida e veio aqui no podcast ano passado, Martim Escobar. É um boliviano que hoje é o chairman global da General Atlantic. É o primeiro não-americano a ocupar essa cadeira. E quando ele veio aqui, eu tava até procurando, quando você falou da intuição, pra ver o termo exato, ele fala da intuição informada. Porque ele acredita muito na intuição, mas é que, na verdade, não é uma

per se. É uma... De tanto você treinar seu cérebro... Mas isso é o que Aristóteles chama da virtude da prudência. É isso. É que você decide baseado num repertório gigantesco. Isso. E aí o cérebro já tá... Só que quem não tem repertório decide mal. Exato. E aí na hora de tomar uma decisão erra, porque pensa no que os outros vão pensar, no que o vizinho vai fazer. Aí decide mal. Absurdo, né? É um papo... Putz, eu vou até rever esse papo com o Martin Scobar, que sempre...

E você tava falando de xadrez, eu tava lembrando, a gente entrevistou aqui um grande nome do xadrez,

que está no mercado financeiro, que é o Giovanni Vescovi. Eu não participei desse papo, estava viajando na época, mas é um cara espetacular também. Mandar um abraço aí para Giovanni. Eu não sou do xadrez, eu aprendi agora as regras porque a minha filha está disputando o campeonato, eu estou entrando de tabela no xadrez para seguir minha filha. Curiosidade que eu fiquei, como é que é a reação quando ela ganhou o campeonato? O pessoal aplaude, tem uma vibração do... Tem um pouco, não é jogo de futebol. Não é jogo de futebol, é um meio nerd.

A turma é nerd pra caramba, assim, no xadrez é normal. Quantos anos ela tem? Minha filha tem sete. Sete anos já ganhou o campeonato de xadrez. Pô, que legal. Ela ganhou o campeonato sub-8. Que legal, que legal. Parabéns, parabéns. Voltando à pauta, deixa eu até abrir aqui. Tinha separado uma pergunta aqui pra fazer. Ah, é isso aqui. Pô, no começo você tava falando sobre como o avanço da tecnologia é bom, né? A gente tá aqui gravando podcast com os microfones super tecnológicos. Mas essa tal tecnologia também nos dá acesso

há tanta coisa ruim, há tanta coisa... A gente já fez um episódio aqui sobre o bombardeio dopaminóico que a gente recebe das redes sociais. Guilherme, como se manter profundo numa sociedade que quase que nos empurra para a superficialidade? Pega tudo que é rede social e começa a cortar o que não é conteúdo. Ajuda demais. Corta tudo que não é conteúdo. Não é conteúdo, você corta. Lima. Ah, mas conteúdo é mais chato do que um monte de coisa. Ótimo.

Então é por isso que isso já vai te fazer um bem gigantesco. Depois começa a limitar tempo de redes e livro físico, correr no parque, desintoxicação digital. Olha, eu praticamente como o que eu consumo nas redes sociais é conteúdo, conteúdo denso muitas vezes. Me faz muito pouco mal, viu? Porque na verdade eu nem consigo ficar tanto tempo na rede social porque é conteúdo denso, você cansa, não é? Não é assim. E aí livro físico, e aí você começa a correr no parque, aí você começa a olhar e falar assim, caramba, a meditação.

Oração. Sim, sim. Eu medito. E é interessante, né? Porque a leitura da Bíblia é meditada, inclusive. E aí, só de você começar a fazer isso, o caos começa a se dissipar na sua vida. E a sua vida que parece horrível, você está bem hidratado. Você está meditando. Você está em harmonia com Deus. E você só tem conteúdo na rede social. A sua vida dá um salto de qualidade tão insano que as pessoas não entendem o tamanho do salto. Eu estava dando uma formação para jovens esses dias.

Porque os meus alunos é engraçado, né? A orbita entre os donos de empresa, que é muito trabalho em busca da verdade, e na internet chega muita gente jovem buscando bons conselhos. Então tem esses dois extremos, assim, né? Muita gente 40, 50, 60 é o padrão dos alunos do Em Busca da Verdade, né? Tem por aí. Mas desculpa, a sua audiência, ela é bem dividida entre jovens e adultos? A minha audiência é bem dividida em geral. É, porque a nossa, ela é predominantemente 45 mais.

público mais novo, mas a gente tem mais gente com mais de 60 anos. Toda a minha comunicação para empresários é nessa faixa etária. O Em Busca da Verdade, todos os alunos são dessa faixa etária. Por que é assim? Porque normalmente a pessoa que é empresária e bem-sucedida e tem dinheiro para investir e fazer outras coisas é a pessoa mais velha. Isso é estatisticamente verdadeiro. Só que eu tenho outro trabalho também, quando você comenta cultura em geral e melhora pessoal, atrai também os jovens, bem jovens, tipo de 20 anos. Minha audiência,

ela é, na verdade, dividida mais ou menos em três. Um terço é da minha geração, geração milênio. Desculpa, quantos anos você tem? Eu tenho 34 anos. Então, um terço é dessa faixa dos 30. Um terço é dessa faixa dos 40 e tanto, 50. E um terço é da geração Z, até 25. Então, é bem dividido em três. Mas 66% é 30 para cima. De qualquer maneira, tem esse público dos jovens.

jovens. E uma coisa, ainda mais jovens que querem virar líderes e querem ter esse trabalho de destaque e tal. E uma coisa engraçada, um dos jovens mandou e falou assim, não, é que eu fico muito cansado e aí eu caio nos vícios, na pornografia, no açúcar, no jogo. Aí eu falei, você já cogitou que é a pornografia, o açúcar e o jogo que estão te deixando cansado e não o contrário? Não é que você está cansado e está compensando com isso, é que isso está sendo a fonte do seu cansaço. E eu acho que isso acontece com muitas pessoas. Não é que o cara está achando

cansado, ele está repousando, sendo imerso na tecnologia, na rede social. Na verdade, o que está acontecendo aqui é que a rede social está cansando ele e ele não está enxergando isso. Então, se ele troca essa relação e fala, cara, deixa eu me desintoxicar um pouco disso daqui e voltar um pouco para a realidade, a própria relação da pessoa com a rede social melhora. Então, eu acho que aqui é um termo de inversão de papéis, entendeu?

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Pô, muitas vezes até... Sabe, foi uma conversa com um investidor que é assinante nosso, que a gente fez um relatório, a gente tem nossas empresas que a gente investe, se eu não me engano é um relatório sobre Mills, uma empresa que a gente gosta, que a gente tem um relatório de 30 páginas sobre ela. E eu falei, poxa, eu estava ali querendo que a gente montasse um relatório que coubesse num print de celular ali para o cara poder ler em um minuto e tal, não sei o quê. Aí esse assinante olhou para mim com uma cara de dúvida e falou,

por quê? E sabe, aquele porquê ecoou tanto na minha cabeça, eu falei, você tem razão. Por que eu estou querendo... Ele até continuou, falou, cara, a gente fica nessa ânsia de querer resumir tudo para querer entregar do tamanho que a pessoa quer. Cara, mas é que às vezes um relatório de 30 páginas tem que ter 30 páginas. E por que não fazer ele de formato longo? Porque para o cara entender um investimento, que ele vai colocar o dinheiro...

Ele tem que ler 30 páginas. Exato. Não, eu concordo. Eu considero o que eu faço na rede social

assim, conteúdo denso eu acho bom o que eu consumo é conteúdo denso também eu não tenho eu não acho que vai se fazer bem pra minha vida eu prefiro consumir um podcast de duas horas que eu vou ouvindo no carro e eu vou diluindo, nem que eu tenho que diluir ele pela semana toda do que ficar ouvindo, do que assistir um um Reels estúpido em grandes quantidades. Sabe que um tempo, ainda acontece não com a mesma frequência do passado mas quando eu falava que nosso podcast tinha uma duração

de duas, três horas, dependendo do convidado. Aí eu falo, nossa, mas quem perde tanto tempo ouvindo isso? Eu falo, nossa, muito pelo contrário. Quanto mais longo o nosso podcast, mais as pessoas assistem. A gente tem a percepção de que quando o podcast fica curto, o cara que vai ouvir já pensa, esse aí não ficou profundo. Nem vou perder meu tempo ouvindo, deu só uma hora de papo. Então, felizmente, a gente tem conseguido atrair um pouco desses...

É, o Lex Friedman foi, o Jeff Bezos foi no Lex Friedman. E aí ele perguntou, ah, não,

a Amazon entrega rápido. Chega uma hora que o Jeff Bezos falou assim, não, não, Lex, eu assisto seu podcast porque é longo. Eu assisto porque é lento e longo. E é engraçado isso, né? Quer dizer, as pessoas também têm sede de conteúdo profundo. Eu acho que tinha que apostar nisso. Sim, sim. Eu, sem dúvida, toda hora aposto na razão das pessoas, na capacidade delas de melhorar. Acho que tem os seus malefícios, mas apostar na capacidade intelectual das pessoas,

No entanto, é muito melhor. É muito melhor apostar que as pessoas que estão ouvindo, elas têm plena capacidade de seguir e de absorver conteúdos profundos. Mesmo que elas sofram no processo. É muito melhor do que nivelar por baixo. Nivelar por baixo é o problema do mundo atual. Exatamente. Melhor você tentar incentivar a pessoa a ouvir algo mais profundo do que desestimular a pessoa. E está em todas as esferas. As empresas, na...

Na educação a gente está nivelando para o baixo. Deixa eu trazer uma pergunta. Isso surgiu até quando você falou da sua conversão. O que a religião te ajudou a enxergar que a filosofia sozinha não resolvia? Sim. É claro que tem uma sinergia entre as duas coisas. Acho que muito da filosofia aponta para a religião e vice-versa. Eu acho que são muito complementares as duas coisas. Mas com certeza a religião me ajudou a enxergar o caminho de salvação da alma.

destino eterno e um propósito. A filosofia já aponta para um propósito maior. A filosofia tem demonstrações da existência de Deus, mas a filosofia não tem um caminho tão claro de como você se conecta com esse Deus, ou como você conhece esse Deus. Deus, na filosofia, a filosofia aponta toda hora para Deus. Se você lê a filosofia de Aristóteles, de Platão, dos antigos romanos, o que que seja, ela sempre aponta para Deus. Mas, na religião, você tem um caminho prático

concreto de como se conectar com esse Deus e um caminho pra salvar sua alma. É a pergunta de São Pedro, né? Ele fala, pra onde nós vamos? Só você tem o caminho da salvação. E essa pergunta é fundamental pra mim. Quer dizer, no limite, conhecer muito lógica não vai salvar minha alma. E é por isso que é necessário apontar pra algo maior. E eu acho que tudo que acontece no mundo, sei lá, quando você tem um amigo meu que ele olhou a ilha do Epstein e ele falou, ah,

entendi, o demônio existe. E se o demônio existe, Deus existe. E eu entendo o que ele quer dizer. É porque você vai entender muito melhor o mundo como uma batalha espiritual do que de forma plenamente materialista. Se você olha do mundo de maneira materialista, você vai entender algumas coisas. Mas quando você fala, caramba, não, existe o mal, mas existe a redenção dos homens e existe a eternidade, simplesmente você entende muito melhor a realidade do que você entendia antes.

E as coisas da fé, elas funcionam na prática, elas funcionam na vida e elas apontam para verdades eternas

profundas. Então, ela sem dúvida melhora a vida de qualquer pessoa que entra numa jornada de fé de verdade e vai ter a sua vida melhor. Eu sem dúvida não esperava encontrar isso. Quando eu comecei a me interessar pela fé católica, eu não vou dizer que eu era ateu, mas eu era completamente indiferente à religião. Eu não ligava. Eu não tinha como um tópico de dúvida. Eu realmente era completamente indiferente.

quando eu comecei a estudar Estóteles, São Tomás de Aquino, e eu falei assim, caramba, Deus existe, e Dostoiévski, e tantos autores incríveis, eu comecei a ler e falei, caramba, os grandes autores da história são cristãos aqui no Ocidente, da Divina Comédia, tantos outros, e foi um choque para mim quando eu falei, caramba, Deus existe. Só que eu levei adiante essa pesquisa e tudo mais, e aí fui parar na questão se Cristo era Deus, e depois, claro, se eu tinha fundado uma igreja, e terminei me convertendo sozinho,

Eu não conhecia ninguém que frequentasse, por exemplo, uma missa quando eu me converti. Foi uma jornada sempre intelectual. E depois eu comecei a ver, calma, isso aqui funciona na prática. E aquilo me apaixonou também mais ainda. Então, eu acho que a parte da fé é uma parte... Eu não sou teólogo, eu não sou pregador, eu não tenho... Eu sou um professor de filosofia. A minha vida é dedicada à filosofia. É a minha vocação. Mas eu entendo que a verdade naturalmente... Aristóteles fala no livro...

Lambda da Metafísica, que Deus é inteligência e ele é o centro do bem e da beleza. E ele move o mundo por amor. Então a filosofia já aponta para Deus de uma maneira muito substancial. E eu entendo que se você percebe a necessidade desse caminho de virtudes, você vai entender que ele aponta para algum lugar. E isso vai trazendo a pergunta da fé de maneira quase que inevitável. Eu acho que até que é uma jornada muito comum. Eu vejo muitos alunos e eu passei por ela.

Você entende problemas da economia, porque você pensa em coisas materiais, em primeiro lugar. É natural, você tem que pagar suas contas, você tem que resolver a sua vida financeira. Depois você começa a olhar e falar, cara, mas tem uma crise política, a sociedade tem uma crise moral. E se tem uma crise moral, você começa a se perguntar, cara, mas qual é a origem dessa moral e para onde ela aponta? E aí você entra nas perguntas da religião.

Então, eu acho que o pipeline, economia, liberdade econômica, a necessidade de valores na política para a religião é um pipeline bastante curto.

comum e correto. E eu passei por ele, sem dúvida. Muito bom, muito bom. Pegando um pouco desse gancho, a gente já falou um pouco sobre a sociedade atual. Mas em que momento que a gente está nessa busca por um entendimento do ser humano além do indivíduo, da busca pelo prazer imediato? Você acha que pela sua interação

com não só a sua chegada à religião ou sua interação com várias pessoas que têm buscado mais por esse conhecimento? Você acha que a gente está num ponto de inflexão onde as pessoas de fato estão buscando cada vez mais isso ou a gente ainda está numa sociedade onde se perpetua e continua maior aquele senso imediatista, pouco profundo? Eu acho que quanto mais o carro bate na parede, mais as pessoas vão voltando para a religião, natural. Foi uma história de não ter ateu em queda

de avião e a crise da sociedade vai continuar sendo o maior motor de conversões. E a sociedade não vai parar de ter crise e as pessoas não vão parar de se converter. E isso é inevitável. E quando eu fiz essa previsão anos atrás, parecia muito mais louco do que é hoje e só vai aumentar. Ah, mas vai ter polarização política. Só vai aumentar, não vai diminuir. Você chegou até no ponto que eu ia falar. Nisso aí, Guilherme, hoje qualquer coisa que você vai falar no Brasil acaba caindo em esquerda ou direita. Você acha que isso, de certa forma,

também tem um lado, quase como quem entende hoje melhor o poder da cultura. Você acha que tem um espectro político que entende mais ou isso independe da posição política? Eu gosto de brincar que eu não compacto com nada a esquerda do Carlos Magno. E aí as pessoas obviamente não sabem o que pensar disso, porque elas falam, caramba, eu não entendi nada do que ele falou. Então explica, por favor. Eu acho que assim, menos do que o Carlos Magno não resolve os nossos problemas.

o problema dessa crise política atual, que nós vivemos num mundo forjado muito no pós-Revolução Francesa. E a Revolução Francesa já foi uma tragédia muito grande, foi crise econômica, desordem política, bagunça, as pessoas morriam na rua. E ela só foi resolvida depois que Napoleão, na verdade, deu um golpe e estabeleceu a monarquia. A real é que a Revolução Francesa fracassou em todos os aspectos. No entanto, esse tipo de ideologia que veio desse liberalismo antigo,

ela tem ramificações. O liberalismo, a ideia central dele era que você teria uma espécie de igualitarismo, uma liberdade dissociada da virtude, e a história iria progredindo em relação à ordem mais igualitária e justa, de maneira quase que mágica. Essa ideia liberal tem dois filhos muito claros, que é o socialismo e o progressismo.

do liberalismo. Se todos são iguais, por que as pessoas não são iguais em propriedade privada? Porque John Locke falava, todo mundo é igual em tudo, menos propriedade privada. E aí Rousseau, muito corretamente, falou, ué, mas se todo mundo é igual em tudo, menos propriedade privada... Detalhe, a visão clássica, pré-iluminista, era que os homens não eram iguais. Então essa discussão nem existia. Não havia ideia de, ah, os homens são iguais.

Ninguém estava nem aí para tentar argumentar que os homens eram iguais, porque os homens são manifestamente desiguais. Isso é uma obsessão muito moderna, muito pós-época revolucionária. E aí Rousseau fala,

não, se os homens são iguais em tudo, porque eles não são iguais em propriedade privada. E aí começa a ideia de que a primeira cerca começou a desigualdade. Se a desigualdade econômica é um problema, aí entra com o Marx e fala, então vamos tomar os meios de produção aqui na marra e gerar essa igualdade. Bom, essa ideia do marxismo, então, é uma radicalização a partir do igualitarismo Lockeano. Aliás, uma coisa do Locke é que ele falava que os juízes iam ser os novos árbitros morais no lugar

religião e que a sociedade ia ser governada por juízes. Então a gente já vive na sociedade secular relativista governada por juízes do Locke 100%. De outro lado, os que não eram para quem não era palatável a revolução armada, etc., começaram a radicalizar a ideia igualitarista falando não, não, não. É que todos são iguais mesmo, no nível até biológico. E isso é o progressismo. Então o progressismo é um derivado

natural do liberalismo, para chegar no ponto que é igualitarismo, é nível, tipo, homens e mulheres são iguais, e aí vai a coisa por um caminho que chega quase à dissolução da identidade individual para afirmar o igualitarismo. Progressismo e marxismo e liberalismo, que o liberalismo é o pai dessas duas ideologias, são praticamente a tríade das ideologias modernas. Então todo mundo está vivendo em algum tipo de ideologia revolucionária quase que por definição. O problema de você falar a sua direita é que muitas vezes

a pessoa imagina a direita pós-revolução francesa e, portanto, imagina a direita dentro desse arquétipo. E aí você já está dentro do jogo criado pela própria revolução. E aí você não resolve os problemas. E, na verdade, a posição que eu defenderia é estar à direita de tudo isso. A direita, inclusive da direita, no sentido de que ela está fora desse espectro. E eu defenderia você olhar para o mundo clássico e sair fora do mundo iluminista e chegar na conclusão de que o progressismo iluminista, socialista e tal, fracassaram retumbantemente.

Eles são um fracasso completo. Eles não são uma coisa que se você... Tem um cara que brincou uma vez que os conservadores são os esquerdistas hoje em dia com limite de velocidade. Fala, não, não. Continua indo para aí, mas só devagar. Fala, não, não. Eu acho que não está no caminho certo. Eu acho que o caminho revolucionário deu errado. Então você vira o carro 180 graus. Nesse sentido, eu defendo você voltar para uma concepção muito mais clássica de religião, autoridade, família e etc.

popular, isso é uma posição conservadora, no sentido de que está defendendo valores e tal. Mas, na verdade, se você olhar de maneira filosófica, não é a direita moderna exatamente, porque é uma concepção clássica de filosofia política e, portanto, anterior ao iluminismo. E, portanto, eu não jogo o jogo da política contemporânea. Não sei se ficou claro esse ponto, porque é complexo, é uma longa... Ficou complexo, mas é o complexo bom, é aquele complexo que a gente vai querer buscar saber mais.

isso aqui daria uma aula completa do porquê eu veria isso, mas sim, acho que de maneira muito popular é uma visão conservadora, mas é um pouco mais complexo do que isso. Guilherme, eu quero já chegar no nosso ping-pong, que a gente está com o horário hoje, mas antes eu tenho uma pergunta para te fazer. Com base no que você falou aqui nessa conversa, pensando que a gente tem uma audiência que você conhece bem, são investidores, empresários, empreendedores,

De tudo que foi dito aqui, o que você gostaria muito que as pessoas levassem no coração? Além de assistir a Senhor dos Anéis, qual a outra mensagem de tudo que você falou que é fundamental que as pessoas levem para o coração? Eu acho que abraçar uma jornada de busca das virtudes e procurar um propósito mais profundo para a vida vai mudar a sua vida individual, familiar e empresarial. Eu acho que essa é a mensagem central. Excelente, muito bom.

agora, mas já agradeço. Se surgiu alguma pergunta aqui, eu vou até fechar aqui meu roteiro, pra já nem olhar pra ele e não me distrair, porque pode surgir alguma coisa no Ping Pong. Eu já te brifei antes de começar o papo, a gente quer saber de livros, música, convidado, a maior gentileza que foi feita na sua vida. Eu vou começar com os livros. Só lembrando, minha querida audiência, todos os livros da biblioteca do Market Makers estão na nossa lista da biblioteca, tem um link aí na descrição do YouTube ou do Spotify.

mais de 330 episódios, são dois livros por episódio, então faz as contas aí, tem livro pra caramba aí. Primeiro, eu falo um livro de mercado, mas seria um livro técnico? Pode ser um livro de filosofia, um livro mais da sua especialidade. Ah, claro, deixa eu ver. Ideias têm consequências, Richard Weaver. Inclusive, o nome já é só ótimo para o mercado, ideias têm consequências. Ideias têm consequências. Richard Weaver, W-E-A-V-E-R.

É, boa. Nunca tinha sido recomendado esse, legal. Um livro tema livre? Confissões, Santo Agostinho. Ah, esse aí já foi, legal. E um livro para não ler? Você tem um livro para não ler? Um livro para não ler? É, a gente brinca que é o livro para morrer antes de ler. Ah, sei lá, as pessoas não deveriam ler, sei lá, o Manifesto Comunista. Ah, que dó. Esse, aliás, é um panfletinho, né? Nem acho que as pessoas não deveriam ler o Manifesto Comunista, mas na verdade eu só estou falando como um livro que é ruim mesmo.

Uma música e por que essa música? Uma música, Jesus Alegria dos Homens, do Bach, porque foi a música que o Steve Jobs olhou e falou, viveu a vida inteira de maneira secular, daí ele ouviu essa música e falou, não, Deus deve existir, qualquer coisa do gênero. Ele olhou e falou, entendi agora o que é Deus. Então, fazendo uma referência aí ao Steve Jobs que a gente citou durante a conversa. Aliás, eu achei o ponto mais interessante, Alexandre o Grande e Steve Jobs.

É fundamental. A gente tem uma imersão em busca da verdade sobre isso. Já fica a dica. Aliás, se alguém for buscar algum dos cursos do Guilherme Freire, veio pelo Market Makers, dá um toque lá nele. Não ganharemos nada com isso, mas ficaremos gratos de saber que levamos novos alunos ali ao professor Guilherme Freire. Um convidado que você gostaria de ver sentado no seu lugar trocando uma ideia com a gente. Interessante. Um convidado que eu...

Mas aqui é brasileiro ou geral? Geral, geral. De preferência vivo, pra ficar mais fácil a entrevista. Jordan Peterson. Jordan Peterson. Pô, isso aí é possível, hein? Isso aí ia dar um papo da hora mesmo. E por último, mas não menos importante, aliás, pra mim a mais importante, qual foi a maior gentileza que já fizeram na vida de Guilherme Freire? A maior gentileza que fizeram na minha vida? Uma pergunta bem interessante. A minha esposa que resolveu casar comigo é uma gentileza bastante grande. Ah, fofo. O nome da esposa?

Ontem teve uma gentileza incrível. A minha filha... Não, mas só desculpa o nome da esposa. Minha esposa é Ana Clara. Ana Clara. Ontem tem uma gentileza incrível, tá? Não vou falar se é a maior que eu já vi na minha vida, mas a minha filha, né? Eu passei mal ontem. Na verdade, eu não fui no campeonato de xadrez de ontem com a minha filha, né? E aí a minha filha, segunda mais velha, ela ficou desenhando medalhas. Porque ela falou, a gente vai fazer um campeonato de xadrez aqui em casa e o papai vai participar da entrega das medalhas. E ela fez uma medalha com o meu nome. Então, maravilhosa.

Essa não é a maior gentileza da minha vida, mas é uma gentileza que eu colocaria aqui no ranking. Que maravilhoso. Muito bom. O paizão e professor Guilherme Freire abrindo o coração. Cara, obrigado. Que papo da hora. Espero que você tenha gostado, porque vou querer te ver aqui mais vezes. Foi a minha alegria. Ótimo. Bom, suas redes sociais, o canal no YouTube, eu sei que é Guilherme Freire. O Instagram é GuilhermeFCLFreire. GuilhermeFCLFreire. Sigam lá.

incrível, adorei tê-lo. Vou assistir Senhores Anéis e vou vê-lo às suas análises. Você que gostou desse episódio, deixa o joinha no vídeo, se inscreve no canal. Lembrando, Market Makers não é só um podcast, temos nossa comunidade de investidores, nosso fundo de ações, o Market Makers Academy, com cursos de diversas formas para investidores, empreendedores e cursos de maneira geral. Temos nossa revista digital, enfim, tem coisa pra caramba no Market Makers que só cresce e quer crescer ainda mais e conta com as

sua ajuda. Toda terça, quinta e domingo, 18 horas, eu estou aqui com alguém mais inteligente do que eu, do outro lado da bancada. Até a próxima e tchau!

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