#351 | STF, GILMAR MENDES, CPI DO CRIME ORGANIZADO E BANCO MASTER: O QUE ESTÃO ESCONDENDO?
O senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, vem ao Market Makers para explicar por que o crime no Brasil já não pode mais ser tratado apenas como caso de polícia. Neste episódio, ele detalha a atuação das facções, a relação entre lavagem de dinheiro, corrupção, mercado financeiro e instituições, além dos desdobramentos explosivos do relatório da CPI.Ao lado de Thiago Salomão e Leopoldo Rosa, Alessandro Vieira fala sobre os bastidores da CPI, a rejeição do relatório, o embate com ministros do STF, o papel do Senado, a infiltração do crime organizado na economia formal e os gargalos do Estado brasileiro no combate às facções. A conversa também passa por PCC, sistema prisional, Banco Master, CVM, inteligência, segurança pública e os riscos institucionais que podem afetar todo o país.Mais do que uma entrevista sobre política, este é um episódio sobre poder, incentivos, crime, mercado e democracia. Se você quer entender como crime organizado, justiça, Congresso e eleições 2026 se conectam, este papo é obrigatório.Este episódio faz parte da nossa cobertura especial das eleições de 2026 e conta com o apoio dos nossos parceiros Money Times, Seu Dinheiro e Bastidores do Poder, ampliando o alcance das discussões e levando esse debate para ainda mais brasileiros.📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -STF, GILMAR MENDES, CPI DO CRIME ORGANIZADO E BANCO MASTER: O QUE ESTÃO ESCONDENDO? | MMakers #351Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers) e Leopoldo Rosa (Head de Conteúdo do Market Makers)Convidado: Alessandro Vieira (Senador e Relator da CPI do Crime Organizado)#ALESSANDROVIEIRA #CPI #CRIMEORGANIZADO #GILMARMENDES #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO
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O senador está num momento em rota de colisão com um dos grandes nomes do Supremo Tribunal Federal, que é o ministro Gilmar Mendes. Essa reação meio patética do ministro Gilmar Mendes de ameaçar, ofender, num papel que caberia para um cara da quinta série que está com raivinha de um colega. Não sou colega do Gilmar, sou senador da República e ele é ministro do Supremo. Ele tem que ter uma postura que, infelizmente, por algum motivo ele não tem mais.
Nosso convidado de hoje tem 51 anos, é gaúcho, de passo fundo, hoje filiado ao MDB, mas fez carreira como delegado. Um cara que está muito em evidência, não só pelo trabalho como senador, mas também com a CPI, que a gente está vendo um noticiário deveras agitado. Está com a gente hoje o senador Alessandro Vieira, do MDB. Senador, bem-vindo ao Market Makers.
Há uma crítica em relação ao relatório final da CPI do Crime Organizado, porque ele não teve pedidos de indiciamento de organizações ou personagens ligados ao crime organizado, ou pelo menos aquilo que a gente considera no Brasil mais popularmente como crime organizado. Por quê?
Não tem crime organizado em nenhum lugar do mundo sem lavagem de dinheiro e sem corrupção. Há décadas a polícia sobe morro, troca tiro, aprende gente, aprende droga. Eu preciso enfrentar de verdade o crime organizado onde ele tem sua força, que é na infiltração pela corrupção, na lavagem de dinheiro. Não vai ser uma coisa rápida, nem vai ser uma coisa suave. Mas acho que chegou a hora, porque ou bem é uma democracia, uma república, e todo mundo é igual diante da lei.
Ou não é e a gente rasga a fantasia e entende que temos uma casta, uma elite que não pode ser investigada. Pô, quero entrar na política, quero participar e tal. Você converse bem com a família para entender o tamanho do jogo que você está entrando. Isso aqui você vai entrar e a sua vida pessoal acabou. Eu espero que assim, teve CPI, tem confusão com ministro, tem campanha eleitoral. Eu espero que nesse caldo todo a gente consiga sair com algumas coisas mais concretas, mais eficientes.
Se você for escutar as propostas dos candidatos que lideram a corrida presidencial, é um zero. É nada. Aquela frase que é super antiga, né? Que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente, né? Hoje nós temos ministros que se enxergam com o poder absoluto. Isso é incompatível com a democracia e com a república.
Sim, sim, sim, começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Eu sou Thiago Salomão, fundador e CEO dessa super empresa que hoje já fala com mais de 7 milhões de pessoas todos os meses com o nosso podcast. Temos as nossas newsletters, temos a revista digital The Report, temos uma série de conteúdos para chegar em cada vez mais pessoas e nesse ano de 2026 estamos também comprometidos não só a falar com as grandes mentes do mercado financeiro, mas também...
com o mundo político. E se vamos falar de política, tem que estar ao meu lado, Leopoldo Rosa, vulgo Lepo, que está me ajudando e muito nesse projeto Eleições 2026 do Market Makers. Tudo bom, Lepo?
Tudo bem, Solomão? Preparado? Pô, prepara, com você ao meu lado, tudo fica mais fácil. Ah, digo mesmo, muito obrigado. Bom, Leopoldo, nosso convidado, você quer apresentar o nosso querido senador? O pessoal já viu na Thumb ali, mas o cara que está muito em evidência, não só pelo trabalho como senador, mas também com a CPI, que a gente está vendo o Noticiaru.
deveras agitado, né? Pois é, nosso convidado de hoje tem 51 anos, é gaúcho de passo fundo, mas fez carreira em outro estado do Brasil, ele vai contar pra gente. É o seu primeiro mandato como senador, hoje filiado ao MDB, mas fez carreira como delegado, o que o credenciou certamente a ser o relator da CPI do Crime Organizado. Tá com a gente hoje o senador Alessandro Vieira, do MDB. Senador, bem-vindo ao Market Makers.
muito obrigado por estar aqui, é um nome que já estava sendo pedido há um bom tempo e agora com a evidência que está certamente vai ser um papo muito bom, lembrando que a cobertura Eleições 2026 do Market Makers não é feita só por nós aqui do podcast, é um projeto feito a várias mãos então agradecer aos nossos parceiros do Seu Dinheiro e do Money Times que estão fazendo uma cobertura super legal junto conosco, assim como a turma da Bastidores do Poder, uma produtora de conteúdo dona de um baita perfil no Instagram não deixei, não deixei, não deixei não deixei, não deixei não deixei, não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei não deixei
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A leitura da AWZ nesse aspecto é muito simples, é mais do que discutir comissão ou FII, mas discutir o que está em jogo, como a estrutura dessas operações, como ela está organizada, como ela se organiza dentro das empresas. É aí que ele se posiciona como uma das principais infraestruturas do Brasil para esse setor.
com áreas dedicadas à contabilidade, partnership, compliance, tecnologia, M&A, e tem uma vertical de Wealth Services focada na fundação e aceleração de novas consultorias. Na prática, isso significa entrar dentro da operação para estruturar o modelo de negócio, organizar o dia a dia, implementar a tecnologia e apoiar decisões estratégicas de crescimento, captação e de M&A.
Então, se você quer conhecer mais o trabalho da AWZ, vai ter um link na descrição do vídeo ou da plataforma de podcast. E você também pode ouvir o episódio que a gente fez com o Felipe, um dos fundadores da AWZ, que deu uma aula aqui sobre investimentos no marketing. Lepo, cara, eu acho que a pergunta principal você já trouxe ali na apresentação, mas gostaria que você já desse o ponto a pé.
com o assunto que todo mundo está esperando o senador falar. É isso, senador. Mais uma vez, bem-vindo. O senador está, num momento, em rota de colisão com um dos grandes nomes do Supremo Tribunal Federal, que é o ministro Gilmar Mendes. O senador incluiu o ministro no relatório final da CPI do crime organizado. O ministro reagiu, dizendo que ia entrar como ação contra o senhor. E o que eu queria saber é...
São duas perguntas em uma. A primeira é por que foi importante na sua visão o ministro Gilmar Mendes estar neste relatório e como é que foi sua reação ao receber esse contra-golpe vindo do ministro.
Bom, a gente fez o trabalho na CPI do Crime Organizado, fazendo um retrato, uma radiografia completa das facções, milícias, rotas de entrada de armas e drogas, rota de saída do Brasil, os vários pontos de deficiência que o Estado tem no combate ao crime. E nesse meio de caminho, até porque eu sou um profissional de segurança pública, como você falou, são 25 anos como delegado de polícia.
a gente atacou muito dois eixos que são fundamentais para o crime organizado, que são lavagem de dinheiro e corrupção. Não tem crime organizado em nenhum lugar do mundo sem lavagem de dinheiro e sem corrupção. E nesse caminho a gente encontra o caso Márcio. O caso Márcio estoura na mídia, estoura nas investigações.
E a gente percebe muito rapidamente ali um imenso duto de lavagem, o caso do Master. Ele é muito didático na forma como ele aconteceu, a estruturação de fundos para lavagem, a conexão Master-REAG com o REAG utilizando fundos para lavagem de recursos do PCC, ou supostamente do PCC.
e numa outra ponta você tendo fundos também fazendo a contratação ou a transferência de recursos para várias figuras públicas, dentre eles ministros da Suprema Corte, familiares de ministros da Suprema Corte. Todo esse processo, claro, é um colegiado, é o Congresso, então a comissão foi aprovando requerimentos nesse sentido, e ao final disso tudo, apesar das dificuldades, dos bloqueios, quer dizer, o ministro Gilmar entra no circuito para vedar quebras de sigilo que a gente tinha aprovado.
a gente encontra fatos que para a gente são suficientes para fazer iniciamentos pelo chamado crime de responsabilidade. É uma coisa muito importante porque as pessoas não entendem isso. Crime comum é aquele que a gente está acostumado, código penal, homicídio, estupro, tráfico, enfim. Esses têm uma legislação específica e exigem um conjunto provatório mais robusto.
E os crimes de responsabilidade, apesar do nome, não são exatamente crimes. Eles são previstos em uma legislação específica, a 1079, e ela trata de infrações que são político-administrativas. O caso, por exemplo, da Dilma foi cassada por crime de responsabilidade. Fernando Collor foi cassado por crime de responsabilidade.
Na nossa história, nunca teve apuração de crime de responsabilidade de ministro. A gente tipificou a conduta de Alexandre de Moraes, de Astófolio e Gilmar Mendes por crimes de responsabilidade, assim como o Procurador-Geral da República. O PGR é mais fácil, foi omissão, pura e simples. E tem um tipo lá previsto na lei que trata de crime de responsabilidade que fala da omissão. Então, claramente, na nossa visão, tem uma omissão do Dr. Paulo Gonê. Tipificamos ali e sugerimos o indiciamento.
Os outros dois ministros, Alexandre e Toffoli, por conta da vinculação clara deles com valores altíssimos. Então a família do Alexandre é contratada pelo Master. E aí, preâmbulo, sabemos hoje que o Master era uma organização criminosa. Não era uma instituição financeira normal, tradicional, ela foi toda estruturada para lucros ilícitos. Está muito claro isso. Lavagem, fraude com fundos, corrupção.
Alexandre tem o contrato da família, através do escritório da família, 80 milhões de reais pagos, 129 contratados, nenhuma contraprestação que aparentemente corresponda a esse valor tão alto. Mesmo no mercado da advocacia em Brasília, que é super inflacionado, mais inflacionado que São Paulo, 80 milhões de reais, 3,6 milhões de reais por mês, é muito dinheiro.
E o Dias Toffoli, a contratação de recursos que estão ali entre 15 e 35, mas não teve a quebra deferida, a gente ficou no meio desse caminho, no famoso resort Itayayá, que ele por muitos anos negou ser parceiro ou proprietário, mas que no meio desse processo ele reconhece, ele confessa ser sócio oculto.
Ele recebeu através de uma transação de fundos, que era muito método que o Vorcaro utilizava, sempre transferência entre fundos para tentar mascarar beneficiários finais. Esse tipo de conduta, aliada ao fato de você ter benesses, caronas de jatinho, isso tudo configura na nossa visão o crime de responsabilidade.
E por fim, Gilmar Mendes. Onde é que Gilmar entra nisso? Quando a comissão quebra o sigilo do fundo Maridit, que é o fundo da família Toffoli, o Gilmar defere um pedido da empresa para suspender a quebra de sigilo. O conteúdo da decisão a gente não pode discutir, mas a forma como ela aconteceu, aí a gente pode. Como é que ela acontece?
O ministro Gilmar Mendes recebe uma petição direta da empresa, endereçada para ele, alegando uma prevenção, que é uma coisa que tem no direito, que diz que o juiz que recebeu a primeira causa continua decidindo aquela causa. Só que ele não tinha causa nenhuma na mão dele. Quem tinha causa era o outro ministro, André Mendonça. Ele faz uma decisão baseada num processo que estava arquivado há três anos.
E aí com base no processo arquivado há três anos, ele diz não, tem esse processo arquivado há três anos, a prevenção é minha, vou despachar. Ali ele concede uma Bias Corpus para a pessoa jurídica, quem é do direito sabe que não existe. E bloqueia a quebra do sigilo da Marit e depois em seguida a CPI quebra mais um fundo, quebra o sigilo do fundo Arlin, que era o fundo que era utilizado pelo Borcar e seu grupo para fazer pagamentos para autoridades.
e teria sido esse fundo que pagou o fundo da família Toffoli, mas também pagou outras autoridades, segundo listas que surgiram em mensagem de texto. O Gilmar também aí defere uma liminar, bloqueando a quebra. Essa ação do Gilmar não conteu das decisões, mas a forma como ele chega no processo nos parece absolutamente irregular, e isso motiva a sugestão de iniciamento.
Aí você fala da reação do Gilmar, a reação do Gilmar acontece antes do indiciamento, a gente já começa a receber recados, ameaçadores do Supremo. Ela acontece durante a votação, quer dizer, os senadores votaram com ministros em plena sessão, ameaçando, o Toffoli ameaçou de cassação de mandato, ineligibilidade, o Gilmar ameaçando de processo criminal, e aí tem a votação, o governo faz uma intervenção na CPI, tira dois senadores, coloca dois senadores.
e conseguem uma reprovação do relatório por 6 a 4. Os dois senadores do PT que entraram para votar contra, nunca participaram da CPI, não leram nenhuma página, não assistiram nenhum depoimento, nada, mas votaram de acordo com a orientação do governo contra o relatório. O ministro Gilmar está um pouco longo, mas a história realmente é cabeluda. O ministro Gilmar cumpre o prometido. Ele faz uma representação ao Procurador-Joural da República me acusando de abuso de autoridade, porque eu teria feito...
a sugestão de iniciamento no meu voto na CPI. Já respondi, me antecipei ao Paulo Gomes, o Gomes não me intimou, não tomou nenhuma providência, mas eu fiz questão de responder de imediato, para não deixar isso dormindo em alguma gaveta, e respondi com base nas decisões da jurisprudência do próprio Gilmar.
O Gilmar, em várias decisões ao longo da sua carreira como ministro, reconheceu que esse tipo de coisa não é abuso de autoridade, é exercício do mandato. Porque se numa democracia um parlamentar, na hora de votar, for constrangido, impedido, ameaçado, acabou a democracia.
Então, a gente está vivendo um momento conturbado, o ministro Gilmar continua na mesma pegada, agora fazendo declarações com ofensas, agressões, que a gente vai avaliar a repercussão jurídica. Ele insinua, será que ele recebeu dinheiro do crime organizado? Será que ele é miliciano? Será que ele é isso? Será que ele é aquilo?
num papel que caberia para um cara da quinta série que está com raivinha de um colega. Não sou colega do Gilmar, sou senador da República e ele é ministro do Supremo. Ele tem que ter uma postura que, infelizmente, por algum motivo ele não tem mais. Esse é o estado atual de coisas. Em termos concretos do que a gente produziu na CPI. Aquilo que é sugestão legislativa, então a gente está propondo leis para reforçar o controle do mercado, a transparência do mercado, especialmente essa questão de beneficiar o final dos fundos.
A gente sugeriu um reforço institucional, orçamentário para o Banco Central, CVM, Receita, para que todo mundo seja melhor equipado para atuar. A gente sugeriu que se discutisse o formato de integração entre CVM e Banco Central, que alguns países estão adotando já no mundo.
E outras medidas de combate à lavagem, combate à corrupção, combate a máfias específicas, como a máfia do combustível. Isso ele vai conseguir fazer andar, mas a parte específica dos ministros, iniciamento, essa foi para arquivo e fica pendente de um outro momento político para discussão. Salomão, vou emendar mal.
Próxima pergunta. A gente vai entrar mais a fundo na CPI, senador, mas eu queria que o senhor avaliasse onde o senhor acha que essa história vai chegar. Pelo seguinte, o senador colocou no relatório três ministros, o Supremo Tribunal Federal e o PGR.
Um ministro do Supremo reagiu pedindo que o senhor fosse indiciado por abuso de autoridade. E quem vai julgar o pedido é o PGR, que também está no seu relatório. Então o senhor está sendo acusado e será julgado por duas pessoas que o senhor, de alguma maneira, acusa ou aponta no seu relatório.
Quando o senhor tomou a atitude inicial de fazer esse apontamento, onde o senhor achava que poderia chegar em termos de fazer justiça, de acordo com a sua apuração e a apuração da CPI? E onde o senhor acha que é possível chegar agora?
A gente teve já reações concretas com relação a isso. Você tem essa reação meio patética do ministro Gilmar Mendes de ameaçar, ofender, tentar processar, mas isso não tem base jurídica nenhuma. Eu não tenho como avançar. Por mais que exista um interesse pessoal dele, eu não consigo enxergar isso avançando. Nós ainda somos uma democracia com vários problemas, mas ainda somos.
Mas ao mesmo tempo a gente teve reconhecimentos por parte de ministros, como o próprio presidente da corte, o ministro Fachin, reconhecendo que existe um problema que tem que ser tratado. Nós tivemos uma proposta concreta por parte do ministro Flávio Dino, de uma série de reformas no judiciário, inclusive se aproximando daquilo que se imagina ser um código de ética.
Temos a proposta do Código de Ética dentro do Supremo avançando, quer dizer, você criou um clima de tentar identificar e, para usar uma expressão muito popular, o bode foi colocado na sala. Ele pegou o bode e não colocou só na sala, ele colocou em cima da mesa. E as pessoas agora têm que lidar com o bode. O Gilmar, o Toffoli estão tentando lidar à base de ameaça.
Os outros estão tentando lidar a base em soluções institucionais. Realmente, justiça sem credibilidade não é justiça. Tem que resgatar isso. A população está, as pesquisas variam, 55%, 75% reprovando a conduta dos ministros. Isso é muito perigoso para a democracia.
Porque uma democracia pressupõe que você, num litígio comercial, pessoal, tanto faz, tenha a quem recorrer e confie nessa resposta da justiça. Quando você perde essa confiança, você perde um eixo da democracia. Então, acho que a gente conseguiu esse avanço.
Com relação à conduta específica, ministro Alexandre, ministro Toffoli, ministro Dilma, a gente vai ter que aguardar o andar das coisas, porque na seara do crime comum só tem uma pessoa no arranjo constitucional que pode fazer alguma coisa, o PGR. Ninguém mais pode. Então digamos que o Daniel Vorcaro faça uma delação que aponte fatos relevantes com relação aos dois ministros. Quem pode dar o pontapé na responsabilização é apenas o PGR. Se ele não fizer isso, não tem o que fazer e não tem para onde recorrer.
Por outro lado, no crime de responsabilidade, isso sai da esfera do judiciário e vai para a esfera do legislativo, do Senado. No caso do crime de responsabilidade, apuração, processamento, julgamento é feito pelo Senado. Então tem um espaço para resolver esses problemas que são ligados a condutas pessoais, individualizadas, de ministros. Não tem nada a ver com a justiça, não tem nada a ver com a democracia, são pessoas que estão ocupando cargos importantes.
E como qualquer pessoa, podem cometer erros, podem cometer crimes eventualmente, e precisam ter sua conduta apurada e escrutinada. Então acho que quem está avançando nesse processo não vai ser uma coisa rápida, nem vai ser uma coisa suave. Vai ser traumático, porque nunca aconteceu em 200 anos de Senado, mas acho que chegou a hora, porque ou bem é uma democracia, é uma república e todo mundo é igual diante da lei, ou não é e a gente rasga a fantasia e entende que temos uma casta, uma elite que não pode ser investigada.
Deixa eu fazer uma pergunta em cima disso. Na verdade, duas perguntas. Primeiro, quero dar os parabéns. Acho que a gente tem repercutido alguns episódios aqui no Market Makers de desafios a algo que a sociedade como um todo não se sente representada com o que está acontecendo, mas também não sabe como se revoltar ou o que fazer.
E a gente está vendo uma atitude, de fato, e você demonstra muita segurança no que você está falando, muita serenidade, mas eu tenho uma curiosidade, porque em determinado momento você falou que se a gente se sentir ameaçado, coagido, aí é sinal que a democracia acabou.
Você, de certa forma, com essas respostas, se sentiu ameaçado, coagido? E já emendando outra pergunta, a gente trouxe recentemente aqui o Felipe Recondo, que tem vários livros sobre o STF e, se eu não me engano, são 130 anos de instituição, mas é bem antiga a instituição STF e as coisas lá demoram mais para acontecer.
Mas pelo que a gente está acompanhando dessa CPI, talvez aí pode ser aquele sentimento de quem está muito próximo do evento acontecendo, mas talvez seja o grande teste na história que a gente vai ver do que o STF, o quanto ele está preparado para mudar ou se atualizar.
É assim que você encara também, você vê pelo histórico do STF que esse é o grande momento. Então, duas perguntas em uma. O quanto esse evento é coagido e o quanto esse evento é, talvez, fundamental para o futuro da história do STF.
Sem dúvida, com relação à ameaça, ela é muito clara. Ela é vocalizada em sessão do Supremo. Você tem ministros fazendo não só manifestações agressivas, ofensivas, mas ameaças diretas, ameaças de processar. O outro vai à ameaça de cassação de mandato, inelegibilidade, quer dizer, esse cara não pode concorrer na próxima eleição.
E assim, eles estão falando de um senador honesto. Você não tem nenhuma acusação de nada. Você tem um voto, uma opinião técnica em cima de fatos. Os fatos eles não negam, isso que é engraçado. Eles não conseguem negar nenhum dos fatos. Não negam o contrato, não negam caronas de jatinho, não negam relacionamentos. Eles atacam o mensageiro. Eles não conseguem atacar a mensagem, atacam o mensageiro. Então sim, é ameaçado, sem dúvida. Mas isso não vai ser motivo para deixar de fazer o que a gente tem que fazer.
Com relação a esse momento histórico de mudança, sem dúvida, porque você vê no primeiro momento dessa tragédia, desse escândalo, a primeira reação interna do Supremo é tentar abafar. Então, quando a Polícia Federal apresenta um relatório referente à conduta do diastófolio, o diastófolio era o relator do caso, eles superam o diastófolio e apresentam diretamente do presidente um relatório, 200 páginas, ele dizia, olha, esse cara tem esses problemas todos aqui, não dá para ele ser relator, porque ele tem envolvimento.
E o Supremo se reúne, uma reunião interna fechada, ela acaba vazando o áudio, mas enfim, ela é fechada. E eles decidem assim, dizem, olha, o Dias Toffoli está devolvendo a relatoria. Ele não é impedido, ele não é suspeito, ele não fez nada de errado. Vamos fazer inclusive uma notinha elogiando o Dias Toffoli, mas ele está devolvendo a relatoria. Isso não tem previsão legal nenhuma.
Não existe no direito essa possibilidade de um juiz devolver uma relatoria. Ou ele é impedido ou ele é suspeito. Porque senão você vai ter loteria de juízo. Você vai dizer, não, esse caso eu julgo, aquele caso eu não quero, não gosto. Não pode ser assim. Então a primeira reação deles é para dentro. Eles dizem, vamos abafar aqui, sai Toffoli, está tudo bem, está tudo tranquilo. Conforme os fatos vão ganhando publicidade, vão avançando, aí a coisa vai se agravando, o Toffoli passa a se declarar impedido ou suspeito.
E a gente passa a ter essas repercussões todas. Então, a gente percebe que uma fração do Supremo, relevante, entende que tem, sim, que fazer uma reforma. Que tem que cortar na carne e corrigir condutas. O que a gente não sabe ainda é se essa parcela vai ser majoritária ou não.
A gente começa o ano com manifestações públicas de ministros, como o ministro Alexandre, contrários à ideia de um código de ética. Veja, é um código de ética. E ele contrário, de Astófoli contrário. A narrativa é, não precisamos de código de ética porque nós não temos problemas éticos aqui.
E é a coisa que os fatos mostram que não é verdade. Tem problema sério. Ou alguém vai achar normal um ministro da Corte de carona de jatinho com o dono de bete. Não tem como. Olha, eu sou ministro, eu decido as coisas no topo da justiça brasileira e vou dar um rolê aí na Europa, bancado, por um dono de bete. Está errado. Obviamente está errado. Qualquer brasileiro acha que está errado.
E os ministros começam a ter que moldar a sua conduta para encontrar um ponto de equilíbrio. O quanto a gente vai avançar, do ponto de vista de se tornar uma democracia, uma república madura, a gente não tem hoje como antecipar. O que eu posso antecipar é que muito claramente essa hoje é uma pauta nacional.
Os brasileiros entenderam que isso é importante. Os brasileiros começam a entender cada vez mais as repercussões disso. Porque esses caras estão no topo da pirâmide da justiça e eles decidem coisas que são, desde voto, liberdade de expressão, presidente preso, no caso do Bolsonaro, por um golpe de Estado ou tentativa de golpe que seja. Eles decidem as principais questões financeiras e tributárias do Brasil numa concentração de poder que é imensa.
E eles cada vez mais, um grupo deles, tenta fazer deste poder uma barreira intransponível, uma garantia de impunidades. Olha, você não pode me questionar, você não pode discutir. Então o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, faz uma crítica satírica e o Gilmar pede para incluir ele no inquérito do Alexandre de Moraes, que é um inquérito, também na minha visão ilegal, que tramita há sete anos.
Que é o inquérito das fake news. Chamado inquérito das fake news. E aí tem um negócio legal para quem não é, porque quem não é nem da política nem do direito, às vezes não acompanha as coisas. O nome é legal, no inquérito das fake news, mas ele não foi criado para combater fake news. Ele é criado lá em 19 de fevereiro, março de 19, ele é criado porque um grupo da Receita Federal fazia apurações e cruzamentos de dados e encontrou movimentações incompatíveis de esposas de ministros, a esposa do ministro Toffoli e a esposa do ministro Gilmar.
Dias Toffoli é o presidente da corte, ele cria de ofício um inquérito, escolhe o Alexandre de Moraes de ofício também, ele não faz sorteio, ele pega o xandão, você pega, pega, bota na mão do Alexandre de Moraes, e o Alexandre começa, o primeiro ato dele, perseguir e desfazer o grupo da Receita Federal, que estava fazendo as apurações, e censurar a revista, que foi a revista Cruzoé, que foi quem deu a notícia.
O que eu faço? Eu sou senador da República, nesse mesmo período eu entro no Senado, nunca fui político na vida, não tinha nem militância, nada disso. Eu entro lá em fevereiro. Em fevereiro eu peço a CPI da TOGA, que é para investigar a conduta de ministros. Em abril de 19 eu peço o impeachment do Toffoli e do Alexandre por conta deste inquérito.
Porque a PGR da época, que era Raquel Dóis, dizia esse inquérito é ilegal. Vocês estão fazendo inquérito sem o Ministério Público, está errado. Vocês estão inventando um foro privilegiado para quem não tem foro. A revista não tem foro, os caras da Receita não têm foro. Como é que eu estou puxando isso para dentro do Supremo?
Não acontece nada. Você tem um acordão ali envolvendo um monte de gente interessada em resolver os seus processos na justiça. E os caras continuam com o seu inquérito. Esse inquérito, que até hoje funciona, já serviu para uma imensidão de coisas. E serve para esse tipo de coisa aí. Está em 2026. E o Gilmar diz, olha, o ex-governador de Minas fez um videozinho, um desenho animado, satítico, não gostei. Bota no seu inquérito, Alexandre, como sendo fake news, ataque à democracia, coisa que o vale.
Não sei como é que o Alexandre despachou, mas imagino que ele vai incluir, sim, o Zema como um dos investigados no inquérito interminável. Isso está errado. Não há base jurídica para esse tipo de coisa. E isso vai fragilizando cada vez mais. Até um certo ponto, foi uma ferramenta de força do Supremo, mas agora virou o contrário.
É uma ferramenta de desmoralização do Supremo. Porque eles estão fazendo coisas que a legislação não prevê, nunca previu. Então, esse é o estado de coisas do Brasil de hoje e que a gente tem que enfrentar se a gente acredita que o Brasil pode ser, e eu acredito que ele deve ser uma república democrática de verdade.
Vou fazer uma pergunta que talvez seja a pergunta de um milhão de dólares. Como a gente resolve essa equação, senador? A gente tem de um lado alguns políticos dentro da Câmara e do Senado que estão com diversos processos correndo, alguns legítimos, outros questionáveis, enfim, não é o mérito.
E a gente tem uma corte que, segundo o seu relato, usa esses processos como forma de pressionar e se blindar. A gente tem, de um lado, a corte, obviamente, errada, se pega nessa atitude, mas a gente tem, do outro lado, um congresso que se deixa pegar muitas vezes porque não está também dentro da lisura das funções. Como que eu equilibro essa equação? Como é que resolve esse problema?
é como se resolve as coisas na democracia, pelo voto. A depuração verdadeira vem pelo voto. Não tem uma solução mágica, não tem uma lei que eu possa aprovar para dizer que o juiz não pode pegar carona de jatinho com o investigado. Não precisa porque isso já é lei. Olha, o deputado, o senador não pode ter financiamento legal, não pode ter envolvimento com bandidagem, não pode desviar dinheiro de emenda. Já tem lei que diz isso. Então quem vai resolver isso?
Por um lado, as investigações e a transparência disso. Por outro, muito importante, a imprensa, dando transparência para isso, dando visibilidade para isso. Mas no final do dia, eleitou. Porque o eleitor, a cada dois anos, é chamado para votar. E ele tem a possibilidade de, pelo voto, fazer essa limpeza.
A gente tem feito um trabalho muito forte de esclarecimento para o cidadão nesse sentido. Olha, cara, você gosta da direita, escolhe um de direita, gosta da esquerda, de esquerda. Não faz a menor diferença em Brasília. O que faz diferença é qualificação e honestidade. Pouque-se o cara.
tem qualificação, ele consegue resolver problemas graves. E o Brasil tem problemas graves. Sem qualificação é impossível. Você não vai, por exemplo, fazer uma revisão do nosso mercado financeiro sem o mínimo de qualificação para entender o que está acontecendo. Você não vai mexer no tributário, na segurança pública sem o mínimo de qualificação. E sem a parte da honestidade, sem ser aquilo que a gente chama de ficha limpa, como é que você vai fazer uma mudança estrutural? Porque você chegou lá com o seu rabinho preso, o cara vai puxar o rabo.
É instantâneo. E aí começa uma troca de favores, conchavos e parcerias que vão deixando o eleitor, o interesse público, no último lugar da fila e atendendo interesses pessoais. Então acho que é muito isso. A gente vai ter uma eleição que é muito importante esse ano, não só porque escolhe presidente da República, mas porque a gente escolhe dois senadores. Então dois terços do Senado serão renovados. Essa é uma eleição chave para o Brasil, porque essas pessoas são eleitas e vão passar oito anos ali.
Então quando você elege uma pessoa bem intencionada, qualificada, ela vai ter oito anos para fazer um trabalho em benefício do Brasil, do seu respectivo estado. Se você escolher um cara que não presta, uma mulher que não presta, que já chega lá com processo, que já chega lá com histórico negativo, esse cara vai passar oito anos lá fazendo coisa ruim.
E é muito tempo. Então, acho que essa é a chave, é o voto. Não tem solução mágica, a gente não vai reformar o Brasil através da justiça. Eu vejo o judiciário brasileiro, por essa fragilidade que você aponta corretamente do legislativo, a má qualidade dos representantes, o judiciário se agigantou. Ele começa a resolver tudo. Então, o Congresso não vota a legislação de combate à homofobia.
O Supremo vai lá e faz uma interpretação e cria um tipo penal, sem aprovação no Congresso. Aí depois isso vai sendo expandido para outras coisas. Você vai discutir descriminalização do uso de entorpecentes, sem passar pelo Legislativo, porque o Legislativo não fez a discussão. Uma série de coisas, emendas parlamentares, transparência de emendas parlamentares. Hoje o regramento é todo ele feito com base nas decisões da Justiça.
fragilidade e erros do legislativo, mas só resolvo isso votando em gente melhor. Com a turma que está lá, muita gente boa, muita gente que quer fazer coisas legais, mas com a turma que está lá, o resultado é esse que nós temos. Não adianta tapar o sol com a peneira, não vai mudar com a mesma turma.
Agora, é um desafio muito grande porque campanha é uma coisa selvagem, hoje a desinformação é muito grande, você tem uma mobilização emocional muito elevada, isso tudo é estudado, hoje você tem ciência estudando isso detalhadamente, isso dificulta o processo, mas, de novo, democracia é lenta, democracia é imperfeita, mas é melhor do que todas as outras alternativas.
Então a gente tem que persistir nesse processo de ir melhorando. Quando eu entrei na polícia, o chefe de polícia que me recebeu, ele usou uma imagem que serve perfeitamente para esse caso. Ele dizia, olha, como se fosse um copo meio cheio com água suja. Você tem que ficar jogando água limpa nele. E tem que continuar jogando água limpa, porque ele vai continuar limpando. Se você parar de botar água limpa, ele vai sujar de novo. É mais ou menos a política. A gente tem que trazer gente nova para a política.
não tem incentivo, o ambiente é extremamente hostil, mas é onde você consegue fazer coisas grandes em benefício do seu país, é na política, não vai ser em outro lugar não. E aí cada vez mais tentar atrair gente boa para essa batalha. Não é fácil, mas é o único caminho.
Trazer uma estatística aqui que o Felipe Nunes, no nosso último episódio do Eleições 2026, ele trouxe sobre eleição para senador. É a estatística que a pesquisa Quest mostrou. Ah, é verdade. Só 22% dos brasileiros sabem que vão votar em senador. E só 6% sabem que vão votar em dois senadores.
Mas, 66% sabem que o senador pode derrubar o ministro da STF. Então, acho que tem um... A gente espera que esse gap se feche, pelo menos desses 6 para os 66, até a proximidade da eleição.
Mas você também percebe que, apesar do desengajamento com o voto, que é meio normal, a gente aqui, por dever do nosso trabalho, tem que acompanhar as eleições, mas a gente sabe que o brasileiro, de maneira geral, só começa a acompanhar mesmo mais perto da decisão, de fato. Mas só de ver que dois terços dos brasileiros entendem o poder que um senador pode ter, já mostra um certo engajamento que a gente não via em outras ocasiões.
Senador, queria saber como é que você avalia até essa sua experiência como senador, já que a gente está falando dessa importância de escolher um senador, mas para você como é que foi esse fechamento de mandato? Acredito que você vai buscar a reeleição, mas como é que você interpreta não só o seu trabalho, mas essa experiência nesses oito anos?
É um desafio muito grande, os incentivos não são positivos, mas ao mesmo tempo você gera impacto de alta relevância. E aí você pegando só o meu mandato especificamente, você vai ter desde na pandemia seu relator do auxílio emergencial.
Então, no auxílio emergencial, a gente recebe aquele relatório vindo da Câmara dos Deputados, ele atingia, ele atendia 20 milhões de brasileiros. A gente aprovou uma PEC com atendimento a 70 milhões de brasileiros. A GV fez um estudo, e uma universidade fora do Brasil, agora não me recordo o nome, também fez um estudo, a gente estima em 700 mil vidas-salvas.
porque as pessoas tiveram recursos suficientes para não ter que se expor. Então, isso é um tamanho do que você pode fazer. O problema é agora, mais recentemente, o ECA Digital, que é a legislação de proteção em crianças e adolescentes no ambiente digital, que é uma referência global hoje. É um projeto de minha autoria. Então, essas coisas de alto impacto são importantes, porque, às vezes, o cidadão não sabe exatamente o que um senador pode fazer, o que um legislador pode fazer. Eu divido sempre em três coisas. Ele tem que representar seu Estado, então ele tem que trazer recursos para o Estado. E você tem muito recurso para trazer para o Estado.
No meu caso, o senador trabalha bastante. Eu vou completar esse ano alguma coisa em torno de um bilhão e cem milhões de reais levados para o meu Estado. É muita coisa. É muita coisa em qualquer lugar. Imagine Sergipe, que é o menor Estado da Federação. Você tem que fazer lei. Então, já mostrei algumas das várias coisas que a gente fez em termos de legislação. Pacote anti-feminicídio, um monte de coisa que a gente fez de legislação. E tem um trabalho que é o mais incomum, que é o de fiscalizar.
que é muito importante porque tem uma série de coisas que só quem pode fazer é o parlamentar. E a gente conseguiu ao longo desses anos, através do Tribunal de Contas da União, através de assinamentos da Justiça, bloquear bilhões de reais que seriam desviados ou poderiam ser desviados. Então isso é o cenário completo do que um parlamentar pode fazer explorando o máximo do seu poder.
Então vale muito a pena. Agora, na esfera pessoal, você não tem vida pessoal mais, você não tem privacidade. Se a sua conduta é uma conduta disruptiva como é a minha, você passa a sofrer ameaças de quem faz parte do sistema e não quer perder. Então, em Alagoas tem até hoje um cofre lá fechado, com 3, 4, 5 milhões de reais, que uma operação da Federal pegou após acionamento nosso e que ninguém pôde buscar, porque para ir buscar tem que dizer que estava no meio do bolo. Então está lá guardadinho. Eu acho que quem é o dono daquilo ali deve ter muita raiva.
Eu teria raiva se alguém pegasse 3 milhões meus e deixasse no copo sem eu poder pegar mais. Mas se você não faz isso, se alguém... Alguém tem que ocupar esse papel. E é através da política, democraticamente, falando com as pessoas, didaticamente explicando, olha, isso aqui você pode. Eu vejo muita gente, como você verbalizou bem aí, essa agonia que a gente tem, mas como é que eu resolvo?
E é muito fácil enganar hoje com a internet. É muito fácil. O cara fala assim, não, deixa comigo aqui que um cabo e um soldado a gente resolve a STF. Não resolve.
Não, eu vou cancelar, mudar a composição. Não, não é assim. É uma democracia. Você vai ter que construir voto. Vai ter que convencer pessoas que têm interesses antagônicos. Fechar uma bela composição para poder aprovar qualquer coisa. Agora, o lado bom é esse. A gente mostrou várias vezes que dá para fazer. Várias vezes ao longo de oito anos. Eu sou testemunha de ver colegas fazendo, eu mesmo participando e fazendo, construções políticas que funcionaram. E salvaram vidas e que ajudaram as pessoas.
Então a política vale a pena. Mas toda vez que alguém me procura, e é muito comum, pô, quero entrar na política, quero participar e tal, eu indico primeiro que vá buscar algum caminho de qualificação, de instrução, enfim. No meu caso, eu que nunca fui político, eu achei na internet o RenovaBR, que estava surgindo naquele ano.
e que tem uma proposta de escola de formação. Me ajudou muitíssimo. Porque você tem contato com gente qualificada de várias áreas. Então essa é a primeira coisa que eu sugiro. E a segunda coisa é que você converse bem com a família para entender o tamanho do jogo que você está entrando. Isso aqui você vai entrar e a sua vida pessoal acabou.
você vai ter uma exposição permanente vai ser essa sua vida e se você quer mudar as coisas pior ainda porque a exposição vai ser muito mais agressiva vai ter mais gente trabalhando contra você mas acho que pelo menos para mim eu durmo tranquilo toda noite porque eu sei que estou fazendo o meu melhor e acho que é isso que a pessoa que quer um Brasil melhor tem que fazer, fazer o seu melhor na sua área não precisa entrar na política diretamente não pode apoiar um candidato
pode fazer um gesto, porque assim é muito isso. As pessoas querem fazer as coisas boas, mas acho que só clicando no zap da família está fazendo alguma coisa, está fazendo nada. Está só extravasando o seu estresse. Mas você encontra a partida. Acha alguém bom, apoia-se alguém. Aí sim você está fazendo alguma coisa para mover esse moinho que está travado aí no Brasil há séculos.
E só antes, Lepo, o senador, quando eu perguntei sobre reeleição, você só fez isso com a cabeça, mas para quem está ouvindo... Sou pré-candidato à reeleição do MDB em Sergipe, só para deixar claro. Muito legal. Senador, a gente estava falando, antes de começar, que o senhor tem 25 anos de atuação como delegado de polícia. Pegando carona aí na pergunta do Salomão, qual profissão é mais difícil? São duas profissões de risco, né? Senador da República e delegado de polícia.
Senador não era para ser, o pessoal dizia que o senador ia para o céu sem morrer e tal. Não, veja, é muito mais complicado o Senado, porque as ferramentas que você tem que usar no Senado são muito diversas. Então, essa coisa de construir consenso, construir processo colaborativo, convencer um grupo de pessoas que têm interesses absolutamente diversos, partidos diferentes, ideologias diferentes, lidas diferentes.
para que você for a maioria e aprova alguma coisa, então é muito mais difícil. O delegado de polícia vai cumprir a lei. Simples. Você vai cumprindo a lei, você encontra o cara que está descumprindo a lei, você vai lá fazer o inquérito, vai prender e tal. São desafios diferentes, mas que têm algumas características que para mim serviram de ponto de encontro, que é essa coisa de ter coragem para fazer diferente. Para fazer igual a todo mundo não vale a pena.
Nossos colegas do Money Times, Salomão, mandaram aqui a pergunta deles. Senador, é uma pergunta que eu acho que o senhor já deve ter respondido bastante, mas há uma crítica em relação ao relatório final da CPI do Crime Organizado porque ele não teve pedidos de indiciamento de organizações ou personagens ligados ao crime organizado, ou pelo menos aquilo que a gente considera no Brasil mais popularmente como crime organizado, tráfico.
PCC, Comando Vermelho, entre outras facções. Por quê? A gente faz um relatório, o relatório tem mais ou menos 220 páginas. Dessas, acho que 15 são dedicadas aos ministros. O restante todo, ao diagnóstico do crime organizado. Identifica as 88 facções que atuam no Brasil, distribui elas geograficamente, explica quais são as atividades que eles estão ocupando cada vez mais.
Alguns números são interessantes porque a gente imagina que o grande foco deles é o tráfico de entorpecentes. O tráfico de entorpecentes na fatia, vamos dizer assim, do PIB, do crime organizado do Brasil, hoje representa uma fatia menor. A maior parte já é a ocupação de mercados legais, mas baseando em atividade ilegal. Então, cigarro, bebida, defensivos agrícolas, garimpo, isso tudo está sendo abduzido pelo crime organizado.
E para a gente foi muito importante fazer esse diagnóstico e tentar subverter uma compreensão que é popular, é enraizada no brasileiro, de que criminoso, crime organizado é só aquele pobre armado numa favela. Aquele cara pobre armado numa favela é um sintoma.
Ele é a ponta daquilo ali. E o Brasil já combate essa ponta há décadas. Há décadas a polícia sobe morro, troca tiro, prende gente, aprende droga. E o crime só faz crescer. Por quê? Porque a gente precisa ter uma compreensão um pouquinho mais ampla e subir o andar.
Eu preciso enfrentar de verdade o crime organizado onde ele tem sua força, que é na infiltração pela corrupção e na lavagem de dinheiro. Lavagem de dinheiro que vem se modernizando muito rapidamente e o Brasil está muito longe de fazer qualquer capacidade de fiscalização. Então, há anos atrás, vamos dizer, há 10 anos atrás, era doleiro.
Era transferência de dólar, dólar cabo, aquelas coisas antigas e tal. Nada disso mais existe. Hoje você vai ter estruturação de fundos, você vai ter criptomoedas. Muito fortemente rodando nisso. Essa infiltração, essa proximidade é que me parece ser o ponto mais importante.
A gente poderia ter feito o indiciamento do Marcola, que é o grande líder do PCC. Poderia servir para quê? Qual seria a utilidade disso? É um cara que está condenado a 400 anos de cadeia, está preso há, sei lá, 20 anos. Continua comandando o PCC. O PCC só cresceu. Então, a escolha que a gente fez foi mostrar, olha, este caminho aqui não funciona. E o que falta? Falta vontade política para resolver. Porque com vontade política, é claro que o Estado é maior do que o crime.
O Brasil ainda não virou um narco-estado, aquilo que tecnicamente a gente chama de mexicanização. Não. A gente tem estados onde a contaminação já chegou nesse nível, no caso do estado do Rio de Janeiro.
Tanto que para o Estado do Rio de Janeiro a sugestão do relatório é uma intervenção na segurança pública de longa duração, uma intervenção federal. Porque a gente não consegue identificar no Estado do Rio de Janeiro condições para a reação. Porque o Estado teve cinco governadores presos. Que você teve neste ano o presidente da Assembleia Legislativa, que era um dos favoritos da governo, indiciado como líder do braço político do Comando Vermelho.
onde você tem relatórios apontando que 30, 36, 34, 40 deputados estaduais recebem mesada do bicho, do crime organizado. Então lá a infiltração já está no patamar insustentável.
No resto do Brasil, não. No resto do Brasil, a situação é um pouco mais confortável e você consegue reagir sem necessidade de uma intervenção, de uma medida mais drástica. Mas sem investir dinheiro e sem liderança política, não tem. Então, como é que eu vou ter funcionando bem um país onde o meu órgão de inteligência, com base nele que eu tenho que tomar decisões, eu sou presidente da República, eu sou ministro, ele só tem 20% do quadro preenchido. É o caso da BIM.
onde eu tenho uma demanda da Polícia Federal de dizer, eu preciso estruturar meus laboratórios e meus núcleos de ação integrada. Isso custa mais ou menos um bilhão e meio. E você não tem orçamento para isso. Receita não tem pessoal. Coaf não tem pessoal. Banco Central não tem pessoal. CVM é um escândalo. CVM sucateada totalmente. A CVM, vocês acompanham muito mais do que eu, a explosão do mercado. O mercado cresceu intensamente.
E a CVM está lá presa na estrutura de, sei lá, década de 80 do século passado. Isso não tem condições. Então, é isso que o relatório teve como seu ponto central. Até porque, aí falando como técnico mesmo, para eu poder indiciar alguém por corrupção, vou pegar um exemplo concreto. Eu pego o caso Master, relação com o BRB, Banco Regional do Brasil. Eu encontro fatos. Esses fatos todos estão no relatório. Eu digo, olha, tem uma relação aqui que é complexa.
tecnicamente ninguém jamais recomendaria essa operação, mas eles tentaram de toda forma fazer essa operação, e em paralelo o escritório do governador Ibanez vendia créditos e precatórios para o Master e recebia valores muito significativos. Eu posso dizer que é corrupção? Não posso dizer. Eu posso dizer que tem que ser investigado.
Tem que ser investigado, porque muito claramente eu tenho aqui uma série de indícios que apontam, mas não dá para pegar e colocar taxativamente como sendo. Isso desapontou muita gente, muita gente queria que você botasse lá um carimbo, como às vezes irresponsavelmente se faz em CPI. A gente não fez isso.
Foi uma escolha técnica. E teria aprovação do colegiado, não fosse interferência do governo que trocou os senadores. Isso foi sendo conversado, não foi aleatório. Então, Rio de Janeiro, o ministro Alexandre Moraes não permitiu que a gente ouvisse o TH Jorge, nem que tivesse acesso à documentação.
Como é que eu vou iniciar os caras? Eu vou dizer que os caras cometeram um crime sem ouvir o cara e sem ter papel nenhum que me aponte isso. Eu vou dizer, olha, tem uma coisa ali muito séria. A gente relaciona, acho que mais de uma dúzia, de pessoas politicamente expostas, relevantes, que receberam valores significativos do Banco Mastro.
Mas a gente faz um parágrafo seguinte dizendo esse fato isoladamente não permite indicar que há cometimento de crime. Mas são fatos relevantes. Alguém receber 14 milhões, 10 milhões, 20 milhões e você fica sem entender o que esse cara recebeu esse dinheiro todo. O que ele fez. Então tem muita informação ali que daria em sejo a avanços de investigação, mas que não cabia na CPI fazer. Essa foi a nossa escolha técnica. O colegiado entendeu diferente. O colegiado entendeu não. O relatório não pode ser aprovado e foi rejeitado por 6 a 4.
Deixa eu só trazer uma pitadinha de informações. Quando o senador falou sobre o sucateamento da CVM, que a CVM ficou parada no tempo, na verdade é até pior, porque ela diminuiu no tempo. Então eu até peguei os dados de uma coluna que o Gustavo Pires, sócio da XP, escreveu no finalzinho de 2024. Se jogarem no Google Gustavo Pires, CVM, pipeline, que foi lá onde saiu na coluna do valor.
Só para ter uma ideia, ele vai mostrando como o mercado de capitais cresceu no Brasil, em número de ofertas, empresas, produtos, só que a CVM teve, no final de 24, tinha 285 analistas ou inspetores ativos, o que era um número 23% menor do que 10 anos anteriores. Ou seja, mesmo com todo o crescimento do mercado, a CVM era um quarto do tamanho, quer dizer, tinha diminuído em um quarto o seu tamanho. E o orçamento também tinha caído pela metade, enfim.
Eu não vou lembrar agora, mas teve um gestor que me falou isso quando a gente fez a The Report especial de Banco Master, que defendeu que uma das ações para inibir esse tipo de atuação seria fortalecer a CVM que vinha descateada já há bastante tempo. E o ponto, o fortalecimento, em 2024 o orçamento foi de...
32 milhões de reais. Então, assim, não é que a gente está falando que tem que fazer um investimento milionário. 32 milhões de reais, a gente está falando de menos de 3 milhões por mês. Eles arrecadam acima de 1 bilhão e 200 por ano. Eles arrecadam para o Estado alguma coisa em torno de 1 bilhão e 200. Ou seja, o reinvestimento disso é... Seria muito óbvio, exatamente.
Agora, é uma pergunta com caráter um pouco mais de curiosidade ou não, mas nesse dia que a gente grava, dias atrás, saiu uma reportagem no Wall Street Journal, o título em inglês, com o perdão do meu...
How a Brazilian Prison Gang Became a Global Cocaine Power. Contando a história do PCC. Como uma gangue está na prisão, se tornou um dos mais poderosos produtores de cocaína no mundo. Isso mesmo. E quando uma história dessa vai para um jornal de alcance global?
O que isso significa? Isso dá uma certa esperança no sentido de, como você disse, você usou várias vezes o termo traumático. Essa mudança vai ser traumática. Não tem como fazer uma mudança suave nisso. Mas quando começa a ficar aos olhos do mundo, literalmente do mundo todo, essa mudança começa a ficar mais próxima de acontecer?
Eu acho que a gente vai ter essa pauta muito presente nas eleições, mas o preocupante é que as respostas, as soluções apresentadas, elas são muito distantes daquilo que os técnicos defendem. Porque o que os técnicos defendem não é midiático, é muito arroz com feijão, é investimento, é mais policial na rua, é mais tecnologia embarcada, é você ter vontade política para enfrentar as coisas onde elas estão. Então eu não posso permitir que um líder faccionado continue comandando o seu grupo de dentro do presídio.
Mas para enfrentar isso, eu tenho que fazer um investimento muito significativo no sistema prisional. Eu estou falando aí de alguns bilhões. Porque você tem um déficit de vagas imenso, mais ou menos 200 mil vagas que faltam. Pessoas que deveriam estar presas, deveriam estar no fechado e que estão soltas porque não tem vaga.
Não é condenação nova, é gente que já está condenado. Então, é brincar de enxugar gelo quando você diz, olha, vou combater o crime no Rio de Janeiro, tem 16 mil presos que deveriam estar presos, não estão presos, estão solos, porque não tem vaga, mas eu vou subir o morro aqui, vou ter um confronto, vão morrer 100 pessoas e eu estou resolvendo alguma coisa. Eu não estou resolvendo nada, nada. E você tem notícias que são alarmantes de infiltração do crime.
no comando dos presídios. Então a gente tem que enfrentar isso de forma muito aberta, muito objetiva. Como é que o PCC se transformou nisso que ele é hoje? O PCC surge lá, aqui no estado de São Paulo, é uma gangue de base carcerária, todas as facções relevantes do Brasil são de base prisional, todas, todas.
Você tem duas delas de alcance nacional, Comando Vermelho e IPCC. Uma que está crescendo já pode ser considerada nacional, que é o terceiro comando público, também com base no Rio de Janeiro. E as facções do Rio de Janeiro são diferentes da facção paulista. A facção paulista se dedica muito ao atacado. O foco deles é um foco quase que empresarial. É uma gestão focada em lucros. E trocar tiro na rua não dá lucro. Então, é um outro viés. Muita infiltração pela corrupção.
um acesso a ferramentas de lavagem de dinheiro mais robustas e essa integração com players criminosos do mundo todo, especialmente a Inha Dragheta, que é uma das máfias italianas mais relevantes, e outras máfias de menor porte ali na Europa. Eles fazem esse duto do Brasil, o Brasil não produz a droga, nem a cocaína, nem a maconha.
mas a gente serve como duto de transmissão disso para a Europa, onde o valor é muito mais alto. Então, essa é a grande jogada do PCC. O Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro, eles fazem também a droga, mas mais focados no varejo. Esse é o negócio deles. Então, eles brigam mais por território.
E a partir do momento que você tem essa confluência de tráfico e milícia no Rio de Janeiro, eles estão exportando isso para os estados, eles começam a fazer a exploração do território. E aí muito parecido com a máfia italiana lá do passado, que é aquela coisa, você vai pagar uma taxa de segurança para tudo, para água, para gás, para internet, para tudo. Esse é um modelo que está sendo exportado para alguns estados, o Ceará vem enfrentando problemas muito sérios.
dessa modalidade, que é uma modalidade muito violenta, de tomada de território violenta, de submissão das pessoas, do comércio, da política pela violência. O PCC não faz esse tipo de jogo em regra. O PCC é um jogo muito mais financeiro, muito maior. Por isso, hoje, a maior facção, sem dúvida, que nós temos aqui, a gente está falando de mais ou menos 40 mil faccionados.
e colaboradores espalhados pelo planeta todo, que é o que a matéria do Wall Street Journal aponta. Dá para enfrentar isso? Dá. A gente sabe por onde entra a droga, a gente sabe como eles estão lavando esse dinheiro, e a gente sabe por onde a droga sai. Mas eu preciso fazer um investimento maciço para fechar esses dutos. Porque o criminoso vai sair migrando. Mas eles estão migrando muito rapidamente para fraudes digitais. Porque fraude digital dá um rio de dinheiro.
Uma das últimas coisas que eu fiz como delegado de polícia foi atuar como delegado de crimes cibernéticos. Naquela época eu nem falava muito nisso, a gente estava lá em 2013, sei lá, por aí. E dava aulas disso no Ministério da Justiça de combate a crime financeiro e cibernético. E já naquela época você percebeu essa migração. O que era uma coisa de seronatários, de hackers, foi migrando para um braço de facção.
onde a facção diz, olha, vou pegar esse grupo aqui porque ele vai me dar muito mais dinheiro que o cara que estoura banco. Novo cangaço, crime violento, terrível, domina território, confronto com a polícia. Se ele render num ano bruto, 180, 160 milhões, é muita coisa. Os golpes online passam da casa do bilhão.
Pena, muito menor. Chance de ser preso, mínima. De morrer em confronto, zero. E o criminoso vai migrando. Então a gente precisa fechar alguns dutos do crime no Brasil. É muito possível fazer isso. Aumentar o custo deles de logística, aumentar o risco deles.
porque daí ele vai tangendo esses caras para longe de onde eles estão hoje, que é uma posição de muito domínio. Hoje mais de 20% da população brasileira vive sob domínio do crime. Isso tem que ser enfrentado. Agora não vai ser com factóide, com papinho de campanha, com meme de internet.
Tem que ser com planejamento e investimento. O Brasil precisa do ministério dedicado para isso. Na eleição passada, os dois candidatos de segundo turno prometeram o ministério e não cumpriram. O Lula ganhou e não cumpriu. O Bolsonaro não fez isso quando foi presidente. Porque ele precisa dedicar a gente, equipe, orçamento, para cuidar dessa questão e trabalhar de forma muito profissional. Olha, isso aqui os técnicos sabem. As pessoas sabem o que acontece. Para onde é que entra, para onde é que sai. Por que eu não fecho? Por que eu não consigo fechar o Porto de Santos? De forma mais consistente.
Porque não é uma coisa assim, um desafio intransponível. Se você disser, vou fechar as fronteiras do Brasil, vou dizer, é impossível. Agora, um porto ser devidamente policiado, qualificadamente policiado, sendo que a gente já sabe as estratégias que o tráfico usa, é muita infiltração de corrupção e muita falta de vontade política.
Lepo, deixa eu só, perdão, fazer alguns comentários sobre isso. Primeiro, a matéria do Oster Journal mostra um pouco do... O senador falou que o PCC é mais o... É como se fosse o B2B, não o B2C, né? Porque o PCC atua como fornecedor, comprando a Bolívia e a máfia distribui na Europa.
Compra da Bolívia por 2 a 3 mil dólares vende a algo próximo de 30 mil euros. Então você bota aí um... Tem uma boa margem aí na atuação. Só um parêntese que é muito doido. A gente está aqui discutindo o PCC.
Como uma empresa, né? A gente naturalizou isso porque, de fato, é o que se tem, né? Mas é muito louco porque, de fato, essa discussão deve haver entre os criminosos, inclusive, de margem, de expansão de mercado, etc. Mas o comportamento humano...
Ele reflete isso até onde o senador estava falando sobre qual é a maneira mais rentável e até mais segura. Tal qual o investimento tem o risco retorno, o crime organizado encontra uma forma...
menos letal, com uma margem maior, um risco menor de ser preso. Então, o risco retorno dessa operação acaba sendo muito melhor. Enfim, são aqueles incentivos que acabam movendo os seres humanos de uma maneira até bem darwinista mesmo.
Mas quando você falou da falta de presídios, eu lembrei do Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, quando veio aqui. Ele foi um dos episódios mais legais sobre segurança que a gente fez aqui. Bom, ele fez muito lá no Estado do Espírito Santo e ele falou um pouco sobre essa falta de presídios. Até perguntei, mas o que precisa? Qual é o problema burocrático para construir presídio?
Em tese não tem grandes barreiras. A grande barreira, de fato, é algo político mesmo, no sentido de você virar para a sua população e falar vou construir um presídio aqui porque precisa, aí vai vir, pô, mas presídio, podia estar construindo uma escola e tudo mais. Mas ainda tem aquela, no imaginário, mais presídio seria ruim, mas na verdade a gente precisa fechar esse déficit.
que no fundo a população quer que o crime não aconteça, né? Mas como ele acontece, você não tem muito... É quase como uma casa pegando fogo, né? Primeiro vão apagar o incêndio, depois a gente vê como fazer pra outras casas não pegarem fogo. Mas é uma pergunta, puxando, fiz todo esse gancho aqui das sinapses que fazem aqui dos podcasts.
Quem que são as pessoas tecnicamente preparadas para falar sobre isso, para ajudar o Brasil nisso? Porque o que eu sinto conversando com você, já veio aqui Rodrigo Pimentel, já veio aqui o juiz do Espírito Santo também.
mas eu não enxergo tanta gente tecnicamente gabaritada para falar com essa propriedade, para falar com fatos. Aquela coisa que tudo deveria... Todas as ideias políticas e econômicas têm que ser baseadas em... Eu estou falando isso, não é um achismo meu. Eu vi que isso deu certo em outro lugar, tem aqui uma relação de investimento e o retorno que vai ter.
Existem pessoas tecnicamente capacitadas no Brasil para conseguir ou isso ainda também é um ativo escasso? Não, nós temos muita gente boa. Você tem gente boa dentro da segurança pública, policiais, você tem juízes, promotores, procuradores, peritos. E você tem também na academia, você tem muita universidade, muito pesquisador estudando aqui em São Paulo, Rio de Janeiro, tem muita gente boa estudando.
O fenômeno do crime é muito estudado, não tem muito segredo. A coisa que falta é a vontade política. E você falou do Espírito Santo, o Espírito Santo é um case extraordinário. Porque o Espírito Santo já foi o que é hoje o Rio de Janeiro. O Espírito Santo era um caos completo. O Espírito Santo é o berço do Esquadrão da Morte, da Escuderia Lecoque. O Espírito Santo tinha políticos de alto gabarito envolvidos no crime, presos e tudo mais.
Eles conseguiram fazer gestões seguidas, então, Paulo Artung, depois Casa Grande, eles fazem uma gestão com metas, com planejamento, e eles começam a atacar os problemas.
inclusive presídio. Então o Espírito Santo é um dos poucos estados no Brasil onde você não tem separação por facção. Porque na maior parte dos estados é o preso que faz sua própria gestão. Quando você entra no sistema, você tem a pergunta você é faccionado de algum lugar? O cara diz, eu sou o comando vermelho, sei lá o que sou. E você já vai para uma ala específica só desse grupo. Quer dizer, eu reforço o pertencimento, eu reforço a gestão, eles fazem a gestão do presídio. Na maior parte do Brasil roda assim.
Alguns poucos, Goiás, Espírito Santo, não aceitam esse formato. A distribuição dos presos é de acordo com o interesse do Estado. Beniculosidade, aquelas coisas todas. Mas eles, quando pegaram isso lá atrás, a gente está falando de algo como 15 anos atrás, eles tinham falta de presídios, eram masmorras, tinha presídio de lata em container. Quer dizer, todo o aparato era montado para não funcionar.
porque essa é uma parte da gestão que os governantes em regra não querem olhar é uma parte feia é uma parte que não dá voto, dá um trabalho imenso só que quando você consegue resolver esse pedaço da equação você abre todo o resto de oportunidades então meu estado de Sergipe já foi o terceiro mais violento do Brasil
Um planejamento consistente, investimento público. Hoje ele é o mais seguro do Nordeste. É um dos três estados com a melhor percepção da população com relação à segurança. 75% da população de Sergipe sente segura, respeita e gosta do trabalho da polícia.
e vem derrubando indicadores de forma muito consistente. Em paralelo com isso que acontece, turismo aumenta, investimentos aumentam, porque qualquer empresa séria, quando vai fazer sua decisão de investimento, esse é um ponto que você coloca. Qual é o meu custo logístico com segurança? O custo logístico hoje, você investir no Rio de Janeiro, é muito maior do que é em outros estados. Porque você tem que lidar com questões como roubo de carga.
insegurança de servidores de alta qualificação, um monte de coisa. Então, acho que estudar esses casos onde funcionou, e a gente tentou fazer esse balanço na CPI. Só que num dado momento, a gente foi perdendo o controle do ritmo porque um pedaço a justiça não permitia que avançasse.
E no outro pedaço você percebeu os políticos com medo, os governadores com medo de comparecer, de chegar lá e prestar contas. Porque é muito fácil enganar a população maquiando dados aqui, fazendo coisas midiáticas. E lá, como o trabalho estava sendo muito técnico, esse tipo de mascaramento não ia funcionar. Então teve governador que não foi. Então, Cláudio Castro. Cláudio Castro remarcou três vezes e não foi. A última vez ele teve dor nas costas e não foi.
que era no último dia, inclusive, e essa é a última etiva da gente, uma etiva muito importante, porque o Rio de Janeiro é meio que um reflexo daquilo que a gente pode se transformar como país. Se a gente não estancar essa sangria, o Brasil vai virar um Rio de Janeiro, só que sem as praias. A gente vai ter só o lado ruim do Rio de Janeiro. Desorganização, um tumulto total na parte econômica e a política completamente abduzida pelo crime. Então, acho que a CPI deu esses alertas todos e deu a receita do que tem que fazer para resolver.
baseado na opinião dos técnicos. Então, algumas coisas muito simples desarticulam essa invasão do mercado de combustíveis. Não são mudanças muito drásticas, mas mudanças que deem mais transparência. Mudanças no mercado financeiro, em termos de regulamentação, que não vão impactar na eficiência dos negócios também. Eu tenho que ter clareza do beneficiário final. Eu não posso ter uma cadeia de fundos que não me permita saber quem é o dono, no final das contas, daquele recurso.
E hoje, quando a gente demanda da CVM, ou demanda do Banco Central, não raro a resposta é a gente não sabe exatamente onde é que acaba essa cadeia, porque não tem integração de dados suficiente. Então, há muita coisa para fazer, mas todos os problemas do Brasil têm solução, que já foi testada dentro do Brasil ou fora, a maior parte delas dentro do Brasil, que pode ser implementada, que tem custo definido.
e que depende apenas, era uma das sugestões que estava lá no nosso relatório, era que o governo federal encaminhasse um PLN, que é um projeto específico para a suplementação orçamentária, no valor de alguma coisa como 1.400, para que a Polícia Federal pudesse completar o seu investimento de parque tecnológico.
e pudesse garantir o funcionamento das FICO, que são as forças integradas, que estão espalhadas já no Brasil, no nível e na quantidade que se demanda racionalmente. Criar estruturas nas nossas duas tríplices fronteiras, lá em Foz e lá em cima no Amazonas.
porque são eixos de entrada de droga e de negócios criminosos. Então, eu tenho que ter equipe lá, eu tenho que ter estrutura lá, eu tenho que ter tecnologia lá embarcada. Tudo isso está mensurado, se sabe quanto custa, só que é muito mais fácil fazer um discurso do tipo vamos chamar todo mundo de terrorista que melhora?
que é uma das grandes bobagens que está rodando hoje, mas tem uma grande aderência, porque o povo está com medo. E o cara pensa, mas se virar terrorista vai ser melhor. Se virar terrorista, reduz a pena. Hoje no Brasil, o faccionado, a gente passou esse ano um projeto de lei, o chamado pacote de antifacção, da lei antifacção, hoje um faccionado pode pegar uma cadeia de 80 anos, facilmente. Se for terrorista, de 13 a 20, se não estou enganado.
Quer dizer, não faz nem sentido nesse viés. E vocês que são no mercado, tem noção disso? Se o Brasil passa a ser um país que reconhece abrigar organizações terroristas, ele vai estar sujeito a políticas de retaliação financeiras, creditícias. Então, não faz sentido nenhum. Mas para vender, para voto, é show de bola. Porque é um remédio mágico. Parece um remédio mágico. É igual bandido bom, bandido morto. É remédio mágico. Não cura. Eu acho que é essa...
Talvez seja uma das questões mais complicadas que a gente vê, Salomão, acontecerem no debate de segurança pública, porque quando o senador fala do exemplo do Espírito Santo, não há um exemplo de policiamento ostensivo, de ações ostensivas, de uma operação como aquela do Rio de Janeiro. Ele é um exemplo de planejamento, execução e resultado.
e por outro lado as pessoas tem uma sede de ver isso melhorar rápido, porque parece que esse processo de planejamento execução e resultado, ele é mais longo do que o bandido bom e bandido morto, claro será que não existe um talvez um misto dessas duas, de uma coisa mais ostensiva e de uma coisa mais planejada que pudesse tornar o Brasil um lugar mais seguro?
você vai ter um pedaço da ação que vai ser ostensiva, vai ser de confronto. O crime não vai devolver o território, você vai ter que tomar de volta. Mas você pode tomar de volta com inteligência e planejamento, e aí menos letalidade, ou você pode tomar de volta nesse confronto constante. Então a operação lá, a operação contenção, que teve 120, 130 mortos, 5 policiais mortos, 15, 17 policiais feridos gravemente. Ela não foi uma operação bem planejada. Ela não teve resultado praticamente nenhum.
Porque aqueles soldados que morreram ali, eles são substituídos no dia seguinte. Os fuzis que foram perdidos, a droga foi perdida, também é substituída assim com curtíssimo espaço de tempo. Se você olha, alguns meses depois, teve uma operação em uma outra favela do Rio, acho que foi na Maré, da unidade de cães, etc., que aprendeu, se eu não estiver enganado, 10 ou 15 vezes mais droga do que a contenção conseguiu aprender. Não deu um tiro.
não matou ninguém, não teve nenhuma criança morta, não tirou o teu trocado ali, e o resultado chegou. Então existem formas de atuar. As UPPs, que foi uma política implantada, acho que era o governo do Sérgio Cabral, funcionando de uma forma bastante efetiva durante cerca de um ano, talvez dois anos. E aí vem a política e desmonta.
Porque aquele tipo de ação exige investimento contínuo. Tropa nova contratada, formada e instalada no território. Que os serviços de assistência, de educação, de saúde, cheguem na favela e urbanizem aquele ambiente. Só que o político quer resultado. E aí ele começa a fazer, não fazer o PP aqui, ali, lá, lá, e não tem investimento adequado, pega o policial antigo mesmo, bota lá, não teve a formação para esse tipo de policiamento, mas bota lá, desmoraliza o sistema, destrói.
Então, levar essa consciência para o cidadão dizer, olha, não tem remédio mágico, demora, mas você vai perceber os resultados. Não é uma coisa que você vai fazer um investimento e vai ter que esperar daqui a cinco anos para ter um resultado, não.
Você começou a fazer investimento correto, você vai ver rapidamente resultados e progressivos. Mas sem ter vontade política, o que fez o Espírito Santo? Vontade política. O cara assumir esse ônibus e dizer, eu vou resolver isso daqui, eu vou pegar não sei quantos milhões e vou reformar o meu sistema prisional.
é dinheiro que podia estar fazendo obras urbanísticas que dão muito mais voto, mas eu vou botar aqui, porque resolvendo esse pedaço, eu vou estrangular o comando das facções, porque eu vou tirar o contato deles. Então, assim, existe uma série de medidas que geram um efeito. Se eu começar a asfixiar com mais eficiência lavagem de dinheiro, essa recuperação da perda de drogas já fica mais difícil. Porque o cara vai perder o ativo dele que ele está vendendo.
ele vai perder o acervo que ele tem guardado para poder recompor. Então você começa a gerar mais dificuldade para o cara. O Brasil, antigamente, já trazia essa droga refinada, o Brasil hoje está refinando aqui dentro. O estado de São Paulo tem laboratório de refino instalado, Mato Grosso tem. E isso é muito ruim, porque cada vez mais vai dificultando o trabalho da polícia.
aumentando a margem de lucros criminosos sem um combate efetivo. Eu espero que, assim, teve CPI, tem confusão com ministro, tem campanha eleitoral, eu espero que nesse caldo todo a gente consiga sair com algumas coisas mais concretas, mais eficientes. Mas não está dado, não está garantido. Se você for escutar as propostas dos candidatos que lideram a corrida presidencial, é um zero. É nada.
Nem o Lula tem, nem o Flávio Bolsonaro tem nenhuma proposta real para nada.
É um contra o outro. É uma disputa de rejeições. Isso é muito ruim para o nosso tamanho, com o potencial que tem. A gente precisa discutir projetos, um país que se respeite, que combata crime organizado, que estimule o livre mercado, que consiga avançar. E a gente tem tudo para fazer, menos a qualificação do tomador de decisão. E aí quem trabalha com vocês, mercado, empresas, se o tomador de decisão não tem qualidade, não tem investimento, se sustente.
Lep, vou fazer minha última aqui, se você tiver mais, pode fazer depois. Estou só controlando o horário do senador que ele tem em voo. A gente falou agora sobre o caso do Espírito Santo. Mas não foi só vontade política no Espírito Santo. Teve um alinhamento também da sociedade, principalmente empresários. Então, como a gente está aqui num podcast onde falamos com o mercado financeiro, nossa audiência, grandes tomadores de decisão, grandes empresários.
Como você vê a participação, ou como poderia ser a participação também desse lado importante da sociedade? Quando eu falo desse lado, a gente aqui fala com milhões de pessoas. Também o que poderia ser feito mais na comunicação? O que grandes empresários, grandes investidores poderiam fazer? Pensando que não dá para depender só dos políticos. Primeiro porque a gente sabe que são objetivos diferentes e também...
Não é só isso que resolveu o estado do Espírito Santo, por exemplo. Você tem que encontrar... Eu não acredito em solução sem liderança. Acho que a liderança é fundamental para você solucionar qualquer coisa. Mas quando você tem um alinhamento de quem está na liderança política com os líderes do mercado, do setor industrial, do agro, da educação, você tende a apresentar excelentes resultados. E se você vai olhar num espectro... Vamos pegar o Rio de Janeiro, que é o nosso pior caso, talvez.
Você teve esse alinhamento em vários momentos. Só que a liderança política jogou fora a oportunidade. E aí você vai desestimulando as pessoas, que as pessoas começam a achar que não tem jeito, ou que é preciso uma solução disruptiva, mágica e tudo mais.
É a persistência. Democracia é um processo lento, porque democracia pressupõe que eu vá formando maioria. Então eu preciso que a maioria dos brasileiros, pelo menos, entenda. Se eu conseguir que a maioria dos brasileiros que são tomadores de decisão entenda o tamanho do problema, e entenda, olha, existem várias soluções já de prateleira, estão prontas, é só ativar. É só eu colocar isso para cá. Então, particularmente mercado financeiro, não tenho a menor dúvida. A regulamentação efetiva virá por demanda do mercado.
Porque se não tiver reglamentação efetiva, o mercado vai ser cada vez mais penalizado pelos mouse players. Cada vez mais. Essa atuação do Márcia, ela gerou um prejuízo para o Brasil todo. Porque parece ser um crime que não tem vítima. Porque a gente fala assim, crime financeiro. Parece que ninguém perdeu nada. O mercado é uma coisa etérea. Não. O sistema está tendo que bancar aí 50, 60 bilhões de fundo garantidor. Esse dinheiro sai de algum canto.
Ele podia estar circulando na economia positivamente. Você tem que tirar ele da economia positivamente e jogar para tapa-buraco. As pessoas que não tiveram os seus investimentos cobertos pelo FGC, esses caíram no prejuízo total.
Eu fui no dentista, o dentista disse, olha, perdi um monte de dinheiro, a minha esposa tinha investimento lá, a parte que está garantida, 250 mil, cobriu, mas o investimento era muito maior. Vou recuperar como, senador? Dificilmente você vai recuperar. Porque esses caras jogaram esse dinheiro, fizeram um smurfing dele, está tudo espalhado em laranjas, em criptomoedas e tal, muito difícil que retorne esse dinheiro.
Então, o mercado, como proteção, vai começar a exigir mais regulamentação. Não é regulamentação que trave o mercado, é regulamentação que faça o saneamento do negócio. E aí os bons players vão continuar jogando, e quem tem uma ideia inovadora, dá um salto na frente, o mercado vai atrás, isso tudo é do jogo, do capitalismo virtuoso.
Mas não é o que a gente vê no Brasil. O Brasil passou por um processo de aceleração, da bancarização. O brasileiro começou a olhar para o mercado como investidor. O número cresceu muitíssimo, mas a gente não fez regulamentação adequada.
numa compreensão tola de que o mercado sozinho se regulamenta. Ele não se regulamenta sozinho. Ele precisa do Estado atuando em parceria, ouvindo os bons players, construindo soluções. De novo, não vai inventar roda. Você tem modelos no mundo inteiro que funcionam melhor, pior.
que reagiram a crises de credibilidade anteriores. Você teve várias crises, na Europa, nos Estados Unidos. Então, você tem já um trabalho feito ali que nos permite dizer, dá para a gente fazer. E hoje a gente vê lá no Senado, a CAI, que é a nossa Comissão de Ações Econômicas, está fazendo um trabalho muito consistente nessa pegada.
conversando com o mercado, conversando com as autoridades para construir uma nova regulamentação. E isso vai sanear. Então acho que é nesse ponto que o empresário, enfim, o investidor, atua bastante dentro do segmento dele. Fora do segmento dele, pensando em democracia, em voto, em campanha.
É aquilo que eu falei, acho que no começo dessa conversa. Cara, escolhe alguém que seja afinado com você ideologicamente. Se é de esquerda, parabéns. Se é de direita, muito bom. Não interessa ideologia. Eu preciso de gente honesta e capacitada. E que seja estimulada a entrar nesse negócio. Porque é muito difícil. Política é um negócio complicado. É um moedor de reputações.
Os incentivos são todos negativos. Vamos dizer que um cara, hoje, um garoto, alguém de mercado experiente, resolveu dizer, vou entrar na política, vou me candidatar, quero dar minha contribuição para o Brasil. Ele vai concorrer com quem já está nos cargos, que manipula hoje um orçamento milionário. Como eu falei, eu já levei para o meu Estado mais de um bilhão de reais. Esse um bilhão de reais virou obra, virou serviço, virou atendimento. Isso é um capital político. Quem está entrando agora não tem isso.
Uma parcela, infelizmente grande, dos colegas parlamentares, desse monte de dinheiro, pratica corrupção e desvia. Vou usar um exemplo dos últimos que foram condenados pelo Supremo por desvio de emendas parlamentares. Existe uma tabela que cobrava 25% de desvio. Então, se eu levei R$ 1,1 bilhão, eu estou falando de mais de R$ 250 milhões.
que eu poderia ter roubado e que alguns caras roubam e que usam esse dinheiro para ter uma vantagem competitiva na eleição. Então, as pessoas que estão defendendo o Brasil melhor, elas têm que entender essa dinâmica e têm que ajudar.
E às vezes a ajuda é a mais simples do mundo. É abrir um espaço para a pessoa falar. É incentivar esse cara para dizer não, cara, a gente está contigo, a gente vai lhe ajudar, vamos lá, porque é importante para o Brasil. Nenhum país evoluiu como sociedade, como economia, sem ter lideranças de qualidade. Nenhum. Nenhum. Tanto faz o perfil de direita ou de esquerda. Lideranças de qualidade, governos de qualidade e resultados sociais e econômicos positivos.
A liderança desqualificada não tem como entregar isso. É impossível. Você imagina a gestão de um país como o Brasil, a demanda que é, ela é imensa. E os caras às vezes não sabem montar uma equipe, não têm a menor ideia do que é importante e do que não é, não entendem nada de geopolítica, que hoje é um componente econômico cada vez mais volátil, e são jogados ali para...
ganharam a eleição, às vezes prometendo coisas que não tem a menor capacidade de cumprir, mas conseguiram os votos. E aí o que vai acontecer quando sentar lá na cadeira? A gente já testou modelos assim, algumas vezes. A gente testou gente assim de direita, a gente tentou gente assim de esquerda, e os resultados foram péssimos para isso. Vamos ver se a gente consegue melhorar naquela lógica do copo, vai ter que encher de água limpa progressivamente. Ele não vai magicamente ser lavado e vai ficar todo limpinho, não. A gente vai ter que ir progressivamente fazendo essa manhã.
Podemos ir para o ping-pong, Léo? Vamos para o ping-pong. Então, já agradecer. Só quem gostou desse papo aí, já deixa o joinha, se inscreve no canal. Agora aquela parte...
que a gente sempre faz as mesmas perguntas, então parece que é mais fácil, viu, Senador? Vamos lá. Bom, a gente quer saber de livros, músicas, convidados e a maior gentileza que foi feita na sua vida. Para começar com os livros, a gente sempre fala um livro de mercado, mas como você não é do mercado, pode ser um livro técnico. Então, um livro da sua área de especialidade e um livro tema livre. Quais são as suas recomendações de leitura?
Cara, tem... Eu gosto muito de biografias, né? Acho que biografias ajudam muito se você, enfim, quer ter exemplos e parâmetros. E aí tem um pessoal que é de mercado e tal, que é o Sonho Grande, né? Que faz meio que uma biografiazinha ali do Lema, do Pélez e do Cipira. É um livro que pra mim sempre foi muito interessante, uma leitura leve, rápida. E tem a biografia do JK.
JK? JK, tem uma do Lira Neto, se não estou enganado. Muito boa, é uma edição já antiga. E você vê um cara que teve liderança suficiente para fazer um troço inimaginável, que é construir uma cidade do nada, no meio do nada, em cinco anos, e botar de pé e estar lá até hoje. Acho que esse tipo de coisa, para mim, sempre foi importante na minha construção como persona, esse tipo de literatura. Mas já li muito hoje em dia, o tempo não me permite ler tanto.
Mas acho que é uma coisa fundamental. Você vê o que já aconteceu no mundo e ajuda a ter ferramentas para lidar com o que vai acontecer. Estou procurando aqui. A biografia... Eu encontrei uma aqui. J.K. O Presidente de Bossa Nova. É essa? Acho que é Lira Neto ou é o autor. Deixa eu ver. O autor não aparece aqui. Lira Neto é um baita autor de biografias. Isso. Ele tem várias biografias. Getúlio. Vou procurar então aqui, porque acho que não é essa. Mas, bom...
Então já falou seus dois livros. A gente também pergunta um livro para não ler. Você tem uma recomendação de não leitura? Caramba.
Não vai ser bem livro não, né? Mas assim, influência de especialista em coisa nenhuma que fala com propriedade sobre qualquer assunto, eu recomendo não assistir. Acho que é menos um livro e mais um produto de comunicação, né? A gente tem hoje muita gente falando sobre qualquer assunto sem nenhum conhecimento. E o prejuízo disso é imenso, porque hoje você tem o especialista competindo com o maluco da esquina. E isso gera problemas sociais gravíssimos, a gente está vendo aí. Então acho que é mais isso. Cuidado com o que você está assistindo.
Uma música e por que essa música? Cara, não sei, meu gosto é bem variado para músicas. Eu não saberia agora marcar uma específica que tenha conduzido minha vida assim tanto. Ah, pode ser então uma que você ouviu recentemente, alguma que você... Cara...
Olha, eu gosto muito de rock, então, acho que ainda do Chico Sainz, da São Zumbi, né? Olha lá, que maravilha. Aí você tem aquelas maguitão, aquelas músicas dele são... Ele tem uma frase que é muito importante, um passo à frente e você já não está no mesmo lugar. A gente tem que começar a fazer isso, dar passos à frente. Mas eu estou parado há muito tempo no mesmo lugar. Chegou a haver um show do Chico Sainz? Sim, sim. Que inveja. É, dei essa sorte.
eu tenho eu eu divido as pessoas pela aqui tem o o dia Ramon ali atrás que é um dos que eu não consegui ver um show na também não e mexica o que maravilha é um convidado você gostaria de ver aqui contando a história dele para gente no Market Makers
Cara, tem muita gente boa, não sei exatamente quem vocês já ouviram. Mas acho que nessa pegada de segurança pública e gestão, acho que o Paulo Artung é um cara que tem muito a contribuir. Governador do Espírito Santo, senador, é um cara que traz muita coisa de...
vida real, soluções reais para problemas reais e com aquele teste efetivo, funcionou. Então, o cara aqui, valeu ver. Ele já veio, mas eu adoraria trazer ele de novo como candidato, porque eu queria ver, pô, vamos ter dois senadores esse ano, não é possível que ele não vai querer se candidatar. Seria muito bom pra gente. É, seria, com certeza. E por último, a gente gosta de ouvir qual a maior gentileza que já foi feita na sua vida.
Eu sou muito grato, por incrível que pareça, delegado de polícia, senador nesse contexto de conflito, a gente recebe muito a gentileza. É impressionante como o brasileiro é carente de representação, então ele retribui isso com muita atenção, muito carinho.
É raro o dia em que eu não vou estar recebendo uma oração de alguém que nunca me viu pessoalmente, mas que faz questão de mandar uma mensagem de apoio. Isso fortalece muito, ajuda muito. Isso se repete centenas de vezes, todo dia, graças a Deus. Então, acho que é por aí. Essas pessoas todas que não me viram em Sergipe, confiaram em mim, no Brasil estão me conhecendo, e que tiram um pedacinho do seu tempo para mandar uma mensagem de carinho, de apoio, isso aí é importante demais.
Maravilha. Quer incluir alguma no pingue-pongue aí, Lepo? Posso incluir uma polêmica? Ixi, lá vai. Eu joguei só por educação. Vai lá, então, pergunta. O ministro do Supremo.
Um bom ministro? Acho que a ministra Carmen Lúcia é uma boa ministra. Não é a única. Você tem bons ministros no Supremo. O problema todo é que... Aquela frase que é super antiga, que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Hoje nós temos ministros que se enxergam com o poder absoluto. Isso é incompatível com a democracia e com a república.
Não gostei da pergunta. Vou testar mais o seu freestyle. Mandou bem. Senador, obrigado por ter participado. Espero que você tenha gostado. Boa sorte nesse... todo esse processo que está passando. Sucesso nas eleições. A gente torce por pessoas que fazem o bem pelo Brasil e a gente percebe aqui claramente pessoa muito bem intencionada. Obrigado por compartilhar seu tempo com a gente. Obrigado demais. Espaço super qualificado. Foi um prazer. Valeu. Muito bom.
Obrigado mais uma vez. Você abrilhanta essa bancada. Continue assim. Continue assim. Eu sinto mais brilhante nessa bancada. Você que viu até o final, joinha no vídeo, se inscreve no canal. Lembrando, toda terça, quinta e domingo, 18 horas, eu e um parceiro vai estar aqui do meu lado, sempre com alguém muito mais inteligente do que nós, do outro lado da bancada, compartilhando conhecimento. Até a próxima e tchau.