Episódios de Market Makers

#348 | A VERDADE SOBRE LULA x FLÁVIO BOLSONARO QUE NINGUÉM TE CONTA

16 de abril de 20262h2min
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A eleição de 2026 parece simples à primeira vista: um país dividido, dois polos fortes e um cenário já conhecido. Mas segundo Felipe Nunes, a realidade é muito mais complexa — e perigosa para quem está interpretando errado. Neste episódio do Market Makers, você vai entender por que a eleição “começa empatada”, quem realmente decide o jogo e quais sinais o mercado ainda não está enxergando.Ao longo da conversa, mergulhamos no comportamento do eleitor brasileiro, na evolução da polarização e nas mudanças silenciosas que estão acontecendo no país. O Brasil ficou mais à direita? O crescimento dos evangélicos muda o jogo? Por que os dados econômicos não batem com a sensação das pessoas? E principalmente: por que tanta gente está errando ao analisar pesquisas eleitorais — inclusive profissionais do mercado?Mais do que política, esse episódio é sobre entender o Brasil real. Um país que não é mais o da Faria Lima nem o da bolha das redes sociais. Um país onde 30% dos eleitores são independentes, onde a percepção importa mais que os dados e onde o Senado pode ter mais impacto do que a própria eleição presidencial. Se você investe, empreende ou simplesmente quer entender para onde o Brasil está indo, esse episódio é obrigatório.Neste episódio, você vai aprender:-Por que a eleição de 2026 começa “empatada”-Quem são os 30% que realmente decidem o resultado-Como funcionam as pesquisas eleitorais (de verdade)-O erro mais comum ao interpretar dados políticos-O impacto dos evangélicos e da nova cultura brasileira-Por que o Brasil está mais conservador — e o que isso significa-A diferença entre o Brasil real e o Brasil da bolha-O papel decisivo do Senado e do Congresso em 2026E agora quero saber de você: você acha que a eleição de 2026 já está decidida… ou estamos todos olhando para o lugar errado?Este episódio faz parte da nossa cobertura especial das eleições de 2026 e conta com o apoio dos nossos parceiros Money Times, Seu Dinheiro e Bastidores do Poder, ampliando o alcance das discussões e levando esse debate para ainda mais brasileiros.📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -A VERDADE SOBRE LULA x FLÁVIO BOLSONARO QUE NINGUÉM TE CONTA | Market Makers #348Apresentadores: Thiago Salomão (Apresentador do Market makers) e Leopoldo Rosa (Head de Conteúdo do Market Makers)Convidado: Felipe Nunes (CEO da Quaest)#ELEIÇÕES #QUAEST #FELIPENUNES #BOLSADEVALORES #INVESTIMENTOS #MERCADOFINANCEIRO #MARKETMAKERS #THIAGOSALOMÃO

Participantes neste episódio2
J

João Landau

HostGestor e sócio da Vista Capital
A

Alessandro Vieira

ConvidadoSenador
Assuntos4
  • EleiçõesPolarização política · Candidaturas de Flávio Bolsonaro e Lula · Impacto dos evangélicos · Voto de protesto · Importância do Senado
  • Atuação de Lucia na políticaMétodos de pesquisa · Desejabilidade social · Impacto das pesquisas no comportamento do eleitor
  • Mudanças sociais no BrasilTransição demográfica · Crescimento do conservadorismo · Mudanças culturais
  • Desafios da governabilidadePoder do Congresso · Eleições para o Senado
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O sistema eleitoral brasileiro é confuso para as pessoas. Primeiro, eu pergunto para os brasileiros. Você sabia que vai votar para o Senado esse ano?

22% dizem que sim. Só 22%. Por isso que é importante saber ler a pesquisa, que o voto de senador esse ano vai ser muito importante. Sabe quantos por cento não votou para senador em 2018? Sabe, Salomão? Não. 57% não votaram para nenhum senador em 2018.

Caramba, mais gente não votou do que votou. Ou seja, o Senado que está aí foi eleito por 43% dos brasileiros. Olha só, nosso convidado de hoje, então, é cientista político e é um grande entendedor num dos temas que mais geram polêmica em época de eleição, que são as pesquisas eleitorais. Felipe Nunes, diretor da Coaest. Felipe, bem-vindo ao Market Makers. Nós estamos extremamente cansados. Olha só o que eu vou contar. Seis a cada sete brasileiros.

tem mais de um trabalho para conseguir ter uma renda que ele considere digna para dar conta de suas despesas mensais. Isso está produzindo um cansaço na sociedade brasileira, porque você sabe que a gente está vendo essa crise. O brasileiro não confia em nada, só 6% confiam nos outros. Isso para a economia é horrível.

Paralelo a isso, o que está acontecendo lá no sistema de Brasília? O Congresso está ficando cada vez mais forte, o presidente ficando mais fraco. Embora os brasileiros ainda não tenham se atinado para isso, a gente continua falando muito de eleição presidencial e nada de eleição para o Congresso. E por que isso é um problema para concluir?

Porque duas semanas depois, você vota para deputado, Salomão, você se esqueceu em quem você votou. Todas as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, independente de institutos, apontam um empate técnico entre lulismo e bolsonarismo no primeiro turno e uma polarização ainda maior do que em 2022, independente do candidato. Enfim, a gente está ainda em abril.

Mas dá para dizer que o cenário já está definido ali, o Lula versus Bolsonaro? Deixa eu explicar uma coisa que é importante aqui. Recomendo a todo analista ou interessado em política a tomar cuidado com conclusões apressadas.

Eu já vi a Rosiana Sarney ser presidente da República. Eu já vi a Marina Silva no segundo turno. Então assim, veja bem. Nós vivenciamos e adoramos vivenciar as relações de afeto. E nos baseamos exatamente por isso numa dinâmica que é o voto porque eu gosto do cara. Se deixasse a gente ficaria aqui mais duas horas. Não falando nada ainda.

Sim, sim, sim, está começando mais um Market Maker. Seja bem-vindo ao podcast da família investidora brasileira. Eu sou Thiago Salomão, CEO e fundador dessa empresa que é podcast, é newsletter, é comunidade de investidores, é fundo de ação, é Market Makers Academy, nossa prateleira de cursos, é The Report, nossa revista mensal, digital, que é conduzida por este que está ao meu lado na bancada.

E se Leopoldo Rosalino, vulgo Lepo, está aqui do meu lado, certamente vamos falar de eleições 2026, nosso projeto do Market Makers, que o Lepo está tocando muito bem, assim como toca já a The Report. Está preparado, Lepo, para mais um papo?

Sempre preparado e sempre tenso ao mesmo tempo. É isso, a tensão é o que nos mantém ligados a não fazer besteira, embora isso nem sempre aconteça, porque besteira acontece o tempo todo. Mas bom, nosso convidado é um convidado que a gente já queria trazer há muito tempo, vou até mostrar aqui o livro dele, que quem não tem esse livro está desatualizado em 2026. Brasil no Espelho, acho que é um guia para entender o Brasil e os brasileiros.

O Felipe Nunes é um cara que vem ganhando muita relevância. Olha, o que tem de gente no mercado financeiro, está até falando para o Felipe os nomes de pessoas que me mandaram WhatsApp, falando, poxa cara, você tem que trazer ele para o podcast. A gente estava tentando, mas a agenda concorrida finalmente deu certo. Vamos falar de eleições, vamos falar de pesquisas. Acho que o Leopoldo até trouxe umas reflexões legais sobre o...

a formação, qual o melhor tipo de pesquisa a ser feita, mas a gente quer saber também até onde o Felipe pode dar um pouco de opinião sobre o cenário que está se desenhando nessas eleições de 2026. Lembrando, esse projeto é um projeto que a gente está fazendo a várias mãos, então agradeço muito aos portais Seu Dinheiro e Money Times, portais de economia e mercados que são parceiros nossos do Market Makers, assim como o Bastidores do Poder.

que está fazendo um baita perfil lá no Instagram, um conteúdo muito legal. Então, pode seguir esses perfis que eles estão fazendo a cobertura junto com a gente aqui do Market Makers.

E lembrando, obviamente, se você é uma empresa que quer apoiar essa iniciativa de uma cobertura eleitoral, que realmente ouve o mercado e o que ele quer para o Brasil, manda um e-mail para comercial.com.br e entenda como você pode ser nosso parceiro e aliar sua marca à nossa cobertura. Lembrando, Market Makers, mais de 7 milhões de pessoas que nos assistem todos os meses. Bom, quer apresentar nosso convidado, Lé? Vamos lá. O pessoal guarda o tostão da sua voz.

Bora! Olha só, nosso convidado de hoje então é cientista político e é um grande entendedor de um dos temas que mais geram polêmica em época de eleição, que são as pesquisas eleitorais. Felipe Nunes, diretor da QAEST. Felipe, bem-vindo ao Market Makers. Muito obrigado pelo convite, se você está nervoso, imagina eu que estou do lado de cá. Vocês dois têm fama desse negócio, né?

mas já tinha um tempo que eu queria vir aqui, estou muito feliz que a gente conseguiu fazer essa agenda dar certo, é claro, eu não sabia que você tinha o livro. Ah, lógico que eu tinha, né? Mas pode dar mais um aqui. Sou mineiro, né? Mineiro acha que é sempre, né? Vai, vai, vai, que ele nem sabe que eu escrevi o livro. Mas tem aqui um para cada um, eu vou assinar, autografar.

Se você já tem o seu, você dá pra alguém, mas o seu vai estar assinado e o seu também. Maravilha, eu vou deixar aqui. Vou autografar ao vivo aqui no final do nosso podcast pra todo mundo ver que é verdade. Vai estar assinado. Vai autografar com a minha caneta verde, inclusive. Aí tá vendo? Verde, inclusive a capa do livro é verde, porque não pode ser nem azul, nem pode ser vermelho pra não dar problema, né? Então é verde.

Ah não, pensei que não podia ser azul, não sei se você é atleticano O que é isso rapaz, não sou só atleticano como sou super atleticano Ah maravilha Meu filho chama Galo pra você ter ideia, por conta do Atlético Eduardo Galo, é verdade Mentira Então falando sério, promessa de Libertadores De 2013, o Galo ganhou a Libertadores No pênalti do Vitor eu prometi Falei ó, se a bola não entrar o menino pode chamar Galo E aí virou Eduardo Galo, nasceu nos Estados Unidos quando eu fazia doutorado, lá não tem problema Então

Fizendo tranquilo e tal. Acha que eu sou pouco ou muito atleticano? Não, maravilhoso. Você me deu uma grande ideia. Você deu umas ideias agora. Se Dona Fernanda tiver um menino, vai nascer, sei lá. Ela pode escolher o primeiro nome. Vai ser João Porco. Maravilha. Maravilhoso. João Porco e Salomão ia ser maravilhoso. É um belo nome, viu? Pelo sotaque já deu pra ver que ele é de Belo Horizonte, assim como a Coaeste, fundada em 2016.

Ele é PhD em ciência política e mestre em estatística pela Universidade da Califórnia. Foi lá onde nasceu o Eduardo Galo? Exatamente. Fazia lá o mestrado em estatística, o doutorado em ciência política e o Eduardo Galo nasceu americano. Eu tenho um gringo lá em casa.

Que história da hora, sensacional Bom, isso até me lembrou O próximo episódio do Sports Market Makers Nosso podcast de esportes vai ser com o CFO do Galo Olha aí Arruma dinheiro lá com ele Nós estamos precisando de dinheiro para colocar no time Bom, vamos lá, eu vou começar Eu queria abrir com uma pergunta Mas o pessoal do Money Times Que são nossos parceiros, eles mandaram uma pergunta Que é tão interessante Para um pontapé dessa conversa Que eu já vou abrir com ela E aí

A pergunta é a seguinte, Felipe. Todas as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, independente de institutos, apontam um empate técnico entre lulismo e bolsonarismo no primeiro turno e uma polarização ainda maior do que em 2022, independente do candidato. Pela sua experiência, o que pode mudar esse cenário até outubro? São campanhas nas ruas, são redes sociais, crescimento de algum candidato, enfim. A gente está ainda em abril...

Mas dá para dizer que o cenário já está definido ali, o Lula versus Bolsonaro? Vamos lá, deixa eu explicar uma coisa que é importante aqui para quem acompanha, inclusive, o trabalho que a Quest faz. Em 2023, eu publiquei um livro com o jornalista Thomas Trauman chamado Biografia do Abismo. O livro tem algumas reflexões importantes, acho que a mais relevante delas é que...

O Brasil hoje tem um eleitorado calcificado. O que é essa calcificação? É um processo em que o padrão de comportamento eleitoral está se estabilizando. O Brasil era muito visto, principalmente pelos americanos, de fora para dentro, como um país sem dinâmica partidária, sem dinâmica política. E o que eu e o Thomas fazemos no livro é mostrar que não. De um tempo para cá, o nível de comportamento, de voto...

lulista e antilulista, ele foi consolidando um padrão que, no fundo, vai dando previsibilidade para o resultado. Quando a gente analisa, por exemplo, como é que os paulistas votam numa eleição em relação a outra, os maranhenses, os capixabas, os mineiros, a gente vai vendo que a correlação do voto vai aumentando a cada eleição. Por que isso é importante? Porque, basicamente, é como se a gente começasse uma eleição nesse cenário de calcificação, num clássico...

jogado um a um. O clássico sempre começa empatado. O bolsonarismo, que hoje representa a força mais importante antilulista ou antipetista, e o Lula e os seus aliados, que representam a força mais importante do lado da esquerda, eles sempre começam ali com 35, 34, 33, um terço ou um pouco mais de força política. Então o que a gente está vendo agora nas pesquisas, não só na Quest, mas em outros institutos, é exatamente esse padrão de calcificação.

Bastou o Bolsonaro dizer, o escolhido herdeiro vai ser o Flávio, que rapidamente houve uma migração de votos muito forte na direção do Flávio. Ele já está ali no patamar desses 35 que são considerados bolsonaristas ou de direita. O Lula já domina hegemonicamente a esquerda e o lulismo. O jogo fica empatado. Muito bem. O ingênuo que olha para o jogo diz assim, então a eleição acabou.

agora já empatou, vai ficar empatado até o fim, olha só eu já estou há alguns anos fazendo análise política a Quest faz 10 anos esse ano

Toda eleição no Brasil a gente tem grandes novidades e grandes surpresas. E eu recomendo a todo analista ou interessado em política a tomar cuidado com conclusões apressadas. Eu já vi a Rosiana Sarney ser presidente da República, antes da hora. Eu já vi a Marina Silva no segundo turno.

Eu já vi o Alckmin favoritíssimo para chegar no segundo turno com o Lula. Para não citar o próprio Lula, que era favoritaço em 94 até chegar ao plano real. Para não citar o Brizola, que era o nome da esquerda forte em 89. Então assim, veja bem.

A calcificação ajuda a organizar o sistema político e o sistema de preferências de opiniões das pessoas. Mas ela sofre de um nível de instabilidade que é a incerteza do afeto. O Brasil continua sendo um país, como o Sérgio Buarque de Holanda gosta de chamar, um país de homens cordiais. E a cordialidade brasileira que eu estou citando aqui não é a cordialidade do gente boa, não. O que ele chama de cordialidade é nós...

vivenciamos e adoramos vivenciar as relações de afeto. E nos baseamos exatamente por isso numa dinâmica que é eu voto porque eu gosto do cara, gosto do candidato. Ou seja...

Daqui até outubro, eu acho que muita coisa ainda pode acontecer. Você tem a possibilidade do governo se recuperar, você tem a possibilidade do Flávio sofrer com rejeição aguda, você tem a possibilidade de um outsider se mobilizar. Tudo isso vai depender das condições da disputa, do noticiário, das novidades que a gente vai ter. E como eu disse, toda eleição tem sempre uma novidade.

Então, está polarizado. É uma eleição duríssima. Eu acho que ela não é fácil para ninguém. Mas eu não aposto que está resolvida, não. É uma eleição que a gente ainda vai ter surpresa. Caramba.

Muito nessa linha, fazendo uma reflexão de eleições passadas. Duas eleições, à exceção da de 2022, as anteriores, foram marcadas por imponderáveis. A eleição de 2014, com a morte do Eduardo Campos, que alçou a Marina ao primeiro lugar e depois ela derreteu e nem chegou no segundo turno. Vamos lembrar, três semanas antes do primeiro turno, a discussão era se a Marina levava no primeiro turno ou se ela ia para o segundo turno. Três semanas ela ficou em terceiro.

E aí em 18, a facada que coloca o Bolsonaro e faz ele ter um espaço que ele não tinha, que é o espaço de televisão. Isso, muita gente me pergunta isso. Felipe, você acha que a facada é decisiva? Eu tenho certeza que foi. A gente tem trackings na Quest 2018. A primeira semana da campanha do Bolsonaro, ele derrete um ponto por dia.

No tracking, pum, pum, vai caindo, caindo, caindo, caindo. De repente vem a facada naquele 7 de setembro, em Juiz de Fora, você vê como é que mineiro gosta de resolver a eleição, até essas coisas, né, as jovens lá. Mas fora a brincadeira, o Bolsonaro volta e passa a ter uma força gigantesca de visibilidade pública, que ele não tinha na campanha. E aí vira o jogo. Então essas coisas acontecem. Agora um dos registros do livro é justamente que o brasileiro está cansado de polarização. Existe um cansaço na polarização. Então...

Como que essa informação conversa com a pesquisa que diz que a eleição está bastante polarizada entre Lula e Bolsonaro? Essa pergunta é muito importante, Léo, pelo segundo. Eu gosto de diferenciar os tipos de polarização que existem no mundo. A começar pela polarização partidária.

que não tem problema nenhum. Aliás, ela é saudável na democracia. É bom que a gente tenha polarização partidária. Porque a polarização partidária simplesmente delimita, de maneira mais clara do que num cenário de não polarização, quais são as diferenças de opinião e divergências ideológicas que existem entre os grupos. A polarização ideológica partidária é necessária para a democracia, para que haja governo e oposição. Durante muitos anos nós vivemos essa polarização numa boa.

Essa polarização partidária no Brasil durou até 2006. A partir de 2006, a gente passou a ter o que eu chamo de polarização social. Foi a partir de 2006 que a gente começou a ver a distância entre ricos e pobres votando diferente, homens e mulheres começaram a votar diferente, nordeste e sul começaram a votar diferente. Ali que a coisa fica realmente social.

mas, de novo, é do jogo. Você tem regiões com interesse diferente, você tem grupos políticos com interesse diferente, e está tudo bem. Só que, a partir de 2018, a polarização deixou de ser ideológica ou social e passou a ser afetiva. Ou seja, a gente passou a viver um cenário em que a polarização não é mais de adversário político.

É de inimigo. Eu passo a olhar para o outro do mesmo jeito que o palmeirense aí da frente olha para o corintiano. É inimigo. É torcida organizada contra torcida organizada. Eu não tolero a existência do outro. Então virou violento. Quando vira violento, a coisa fica séria.

Por que é necessário fazer essa distinção para responder a sua pergunta? Porque o que a gente está observando é que a polarização continua sendo eleitoral. Ou seja, durante os processos eleitorais, as torcidas se inflamam de novo como se estivessem em um clássico porque não querem ver o outro lado ganhar o jogo.

Seu time pode até não estar jogando bem. Seu time pode não estar com a escalação perfeita. Mas você não tira a camisa do time num clássico. Você quer ver ele ganhar de qualquer jeito do Corinthians se você for palmeirense. Mesmo time tendo pior. Ou vice-versa.

Isso constrói um processo que às vezes dá a impressão de que nós brasileiros somos polarizados em tudo, e isso não é verdade. E o Brasil no espelho é uma demonstração clara disso. Na vida real, o Brasil é um povo de fé, é um povo de família, é um povo individualista, um povo empreendedor. Isso nos unifica, isso não nos separa, isso não nos polariza.

A nossa cultura, por exemplo, o amor dos brasileiros pela música brasileira, não tem polarização nenhuma. A polarização tem no gosto musical. Você tem um lado que gosta mais de MPB, o outro lado gosta mais de sertanejo. Mas em ouvir música brasileira é unânime. Você tem polarização na religiosidade, como ela é vivenciada. Você tem os evangélicos e os católicos. Cada um vota de um jeito. Mas os dois são unidos pela ideia de fé.

Um povo muito de fé, o povo brasileiro. Então, o que o livro faz é mostrar o seguinte.

Nós preferimos...

viver como sempre vivemos, sem uma polarização afetiva. A ideia de que você tem que ficar brigando o tempo todo, que você está jogando o clássico o tempo todo, você imagina se todo jogo do Campeonato Brasileiro fosse Corinthians e Palmeiras. A gente está gravando no dia seguinte de um Palmeiras e Corinthians que foi uma batalha campal, dois cartões vermelhos. Então, você imagina se todo jogo brasileiro, é isso, o brasileiro não aguenta viver um clássico toda rodada.

Na eleição ele topa, mas no resto da vida não. Então esse cansaço da polarização é fruto desse cansaço de viver um clássico a cada semana, que é como a eleição está acontecendo. Esse é o sentimento que a gente apura nas pesquisas. Só que quando tem um clássico para jogar...

Aí as pessoas se comportam como num clássico. Cada um veste sua camisa. Um é azul, outro é preto. Um é vermelho, outro é tricolor. Depende do estado. Um é azul, outro é preto e branco. E você quer ganhar de qualquer jeito. E você quer ganhar, sabe por quê?

Porque hoje existe uma dinâmica que é eu, mais importante do que aprender com a realidade, eu quero provar que eu estou certo. Provar que eu estou certo é que me faz querer ganhar a qualquer custo. E isso aumenta o nível de violência, o nível de intolerância. E aí na eleição a coisa se polariza. Porque você imagina quanto tempo as pessoas ficam defendendo porque votaram em A ou em B.

Você dizer depois que está errado, você dizer depois que se arrependeu do seu voto, é super custoso numa sociedade vivendo um clássico. Você prefere dizer, não, eu tenho meu time, você tem seu time, independentemente se eu acertei ou errei no time que eu escolhi. E o time segue.

O livro O Brasil no Espelho é uma demonstração clara de que como sociedade nós temos muita coisa que unifica, mas na hora do jogo, na hora da partida, da eleição, a gente se comporta de novo com medo do outro time ganhar e aí a gente se polariza.

Eu tenho umas perguntas sobre o livro, mas antes, para me ater ao assunto principal que o investidor está bem afim de saber, que é pegar alguns insights sobre a eleição. Você falou de religião.

Acho que foi ano passado que a gestora Maracet fez uma carta sobre... Muito bacana o estudo dele. Eu gosto muito. A gente repercutiu nas nossas redes sociais. Eu repercuti nas minhas redes sociais. Trouxe o Bruno Coutinho aqui. Isso, eu assisti. Pra fazer o episódio. Belíssima entrevista. Um baita papo. O cara anota mil.

Mas queria saber sua opinião. Qual foi a conclusão daquela carta? Evangelicos tendem a votar mais em político de direita. Então, isso pode ser algo ruim para o Lula, tendo em vista que os evangélicos estão crescendo na sociedade e devem votar no opositor ao Lula, no adversário.

E pensando que já foi uma eleição tão apertada em 2022, e tudo isso pode jogar contra o Lula. Quase como, pô, tudo mais constante, que é talvez a frase que é impossível usar num ano de eleição, mas tudo mais constante e o Lula perderia a eleição. Olhando menos para 2026 e mais para o futuro, é uma tendência que de fato vem para ficar? O Brasil...

pelo crescimento dos evangélicos, pelo crescimento até desse espírito empreendedor, vai ser um país mais de direita na hora de votar? O Jaro Nicolau, professor de ciência política, escreveu um livro, O Brasil Dobrou à Direita.

Agora ele está publicando um livro sobre a divisão do Brasil. Acho que vai ser super interessante acompanhar a forma como ele está vendo essa evolução. Essa dobrada direita é fruto, na minha avaliação, de três padrões que são muito claros no Brasil. A transição demográfica, que está trazendo mais envelhecimento.

A transição informacional, que está fragmentando os mecanismos de comunicação e os meios informacionais, e a transição religiosa, que fez de fato o Brasil ter hoje aproximadamente 30% de evangélicos na sua população adulta. Esses três elementos, Salomão, são indicadores de uma visão...

que de fato fez o Brasil ficar mais à direita na média. E aí você deve estar se perguntando, mas professor, como é que pode o Brasil estar mais à direita, o Brasil ser um país conservador, com o Lula ganhando tantas eleições no país? O Lula já ganhou três sozinho, mas duas indicando alguém. O Brasil de direita, um Brasil conservador que vota no PT?

É que é necessário fazer aqui uma distinção importante, que é o Lula, na minha avaliação, nunca foi um candidato de esquerda quando ganhou eleição. O Lula perde eleição como candidato de esquerda, mas ganha eleição quando ele modera.

a sua avaliação. Então, quando ele faz a carta ao povo brasileiro em 2002, traz o Zé Alencar pra ser seu vice, de novo, repete, depois faz uma aliança com o MDB pra levar a Dilma à presidência, e agora, em 2022, traz o Alckmin, todas as vezes que o Lula larga a mão, digamos assim, do PT, pra ser um candidato mais moderado, ele tem competitividade. O Alckmin e a Simone Tebet, que tinha também um apoio... Claro, e depois a Tebet, no segundo turno.

estou falando ainda antes mas por que isso é importante? Você tem razão mas por que isso é importante? Onde é que está a relevância dessa análise que a gente está fazendo? É que o Lula é visto pela sociedade quando ele disputa eleição como um candidato conservador

O Lula não é visto como um candidato progressista. As posições tradicionais do Lula, em relação à mulher, em relação a várias pautas, eram pautas da economia. Eu quero dar salário para a pessoa. Não tinha discussão woke no discurso do Lula quando ele vence a eleição. Então, esse Brasil que virou a direita e está ficando mais a direita...

eu concordo com o Bruno, Paulo, a turma da Mar, um dos elementos que provocou isso foi o crescimento dos evangélicos, em especial dos neopentecostais. O que eu tive a oportunidade de falar isso com o Bruno, a gente conversou sobre essa carta até antes deles publicarem em uma reunião que a gente teve.

me sinto meio assim, quase que um parecerista com eles ali, da conversa, adoro ir lá na Mar conversar, aprendo muito, é que quando eles fazem a previsão de que a taxa de igrejas evangélicas seria um bom indicador do número de evangélicos,

você acaba não considerando a fragmentação, porque não é uma igreja a mais, você aumenta o número de convertidos. Isso tem um desconto ali, porque você fragmenta mais o mercado. Então, isso acabou diminuindo o número de evangélicos na sociedade em relação à previsão que estava feita dado o método que eles inventaram, que eu repito, é excelente.

Mas tem essa ponderação. Por isso não dá para dizer que a eleição está resolvida contra o Lula. Mas já dá para dizer que neste cenário de transição demográfica, transição religiosa e transição informacional, o Lula tem mais desvantagem do que vantagem.

Sabe que, só pra não deixar passar, tava até checando aqui, teve um episódio semanas atrás no Café com Quineia, mandou um abraço pra turma da Quineia Investimentos. Rapaz, sabe, me convidaram pra... Eu tenho que ir lá também, viu? Pô, eu tenho que ir, então você, o Rui Alves, vai ser um papo bom. Eu preciso ir lá, eu vou lá, viu? Me chamaram, eu ainda não consegui organizar a agenda. Eu prometo que vou. Tá aqui feito publicamente o compromisso.

O último episódio foi com o Bruno Garchagen. O Garchagen. E eles fizeram um papo muito sobre a história do Brasil.

E a conclusão que até o Rui, conversando com o Bruno, que eles chegaram, é se o Brasil nunca deixou de ser um país com presidente populista. Porque se você parar para pensar, eles fazem um paralelo entre Lula e Bolsonaro e o que a gente teve com Getúlio Vargas. E aí, quando você vai esticando um pouco mais a linha do tempo do Brasil...

Você percebe que soluços como o que a gente viu em 2016, o mesmo ano que a sua empresa nasceu, foi também o ano que, pelo menos para nós no mercado, foi um dos melhores anos que a gente viu na política brasileira, onde a gente andou com várias reformas, o governo Michel Temer com toda aquela equipe econômica maravilhosa, mas você vê que aquilo foi quase que um lapso no meio de um país estruturalmente populista.

embora as pesquisas e a sociedade tenham mudado muito, você consegue fazer uma análise mais estrutural? O povo brasileiro tipicamente é isso. É que para a gente, vamos lá, e aí tem uma questão aqui que eu acho que é super importante, que dialoga com o livro, Salomão, que é o seguinte, tem um importante cientista político

chamado Ronald Inglehart, ele mostra para a gente como é que valores conservadores ou progressistas são construídos na sociedade. E o argumento dele é muito interessante. Ele diz o seguinte, quando um indivíduo vive sua primeira infância,

em momentos de escassez, em situações de escassez, em situações de violência, em processo de instabilidade, ele tende, na vida adulta, a virar mais conservador. Porque ele aprende a ter medo, ele aprende a se preocupar com o entorno. A vida dele é mais perigosa, então ele fica um indivíduo mais conservador.

Ao contrário de pessoas que vivem situações de mais instabilidade, bonança, segurança, essas pessoas tendem a ficar mais progressistas na vida adulta, porque na cabeça delas o básico já está resolvido, que é a questão da sobrevivência, seja econômica, física e tal, e isso depois projeta a possibilidade de experimentar mais.

outro tipo de mundo. Por que isso é importante? Porque se você olhar para a história brasileira, você tem momentos exatamente de mais abundância e momentos de crise. E os momentos de crise acabam sendo, em alguma medida, vivenciados pelas pessoas que votam dez anos depois para governos, digamos assim, um pouco mais conservadores ou de direita.

Em contraposição, momentos que a sociedade viveu abundância econômica, social, segurança, as pessoas tenderam a votar mais numa experiência mais à esquerda, progressista. É muito interessante ver isso. Então, acho que estruturalmente, exatamente essas ondas cíclicas do Brasil, por conta da dinâmica das commodities, da influência do petróleo na nossa economia lá atrás.

A história da ditadura militar, depois da redemocratização com tanta inflação, tudo isso...

dá para perceber com clareza quando é que o ciclo seguinte vai se transformar num ciclo mais à direita ou mais à esquerda. Então, acho que o primeiro estrutural é isso. Mas tem algo que a gente não consegue escapar, que é essa necessidade de ter um salvador da pátria, um indivíduo que vai, de alguma maneira, carregar o peso, o fardo de salvar o Brasil.

Isso vem da nossa história colonial, desde o momento em que a gente se viu governados, independentes de Portugal, mas com um imperador que, de alguma maneira, centralizava a tomada de decisões. Dom Pedro estava aí para isso.

É dali que vem o sistema presidencial. Por que o Brasil é uma democracia presidencialista? Porque a gente adora votar no presidente que vai ser o salvador da pátria, que vai prometer tudo e que vai salvar o Brasil. E isso é óbvio. Dialogando com o Sérgio Buarque de Holanda, e eu faço isso lá no livro,

É claro que essa dinâmica de afeto, de identidade, faz a gente acreditar que vai surgir alguém que vai salvar o país. Você mistura isso com o catolicismo, que era fortíssimo, agora está perdendo força, mas sempre foi muito forte. Você entende, você encontra essa identidade de ter alguém que vai prometer mundos e fundos e que, no fundo, vai salvar a pátria. O que está mudando? Porque isso que eu estou te contando é a estrutura brasileira.

De Dom Pedro a Lula, Bolsonaro, é isso aí. O que está mudando? Essa conversa que a gente estava tendo aqui. A identidade protestante, evangélica, está mudando esse jogo. Porque você está saindo da identidade católica e não para uma identidade mais da teoria da prosperidade. Em que você agora é um indivíduo que para ir para o céu tem que dar certo na terra. E para dar certo na terra tem que ter sucesso, tem que ser um homem de bem, tem que prosperar, tem que empreender, tem que se virar.

Isso é super diferente da cultura católica do passado. Isso é um elemento. O segundo, nós estamos extremamente cansados. Seis, olha só o que eu vou contar. Seis a cada sete brasileiros.

tem mais de um trabalho para conseguir ter uma renda que ele considere digna para dar conta de suas despesas mensais. Isso está produzindo um cansaço na sociedade brasileira que está fazendo uma mudança de padrão mental que é super interessante, que é não quero ter patrão, quero empreender.

Eu, que eu não posso contar com ninguém, uma sociedade que está esgarçada do ponto de vista da confiança pública, só posso contar comigo, então eu vou empreender. Não quero trabalhar para ninguém. Porque se eu trabalhar para alguém, eu vou ganhar um salário ruim, eu prefiro ganhar um pouco a mais, mas controlar meu próprio tempo. Isso tudo está mudando a mentalidade do país. Isso está mudando o perfil e o padrão.

Paralelo a isso, o que está acontecendo lá no sistema de Brasília? O Congresso está ficando cada vez mais forte, o presidente ficando mais fraco, e no fundo as eleições que importam, eu diria, são as eleições para o Congresso. Porque o poder está se mudando para lá, embora os brasileiros ainda não tenham se atinado para isso. A gente continua falando muito de eleição presidencial e nada de eleição para o Congresso. E por que isso é um problema para concluir?

Porque duas semanas depois que você vota para deputado, Salomão, você se esqueceu em quem você votou. E como você já se esqueceu duas semanas depois em quem você votou, eu te pergunto, como é que você vai cobrar e vai exigir que as decisões tomadas em Brasília sejam aderentes aos seus interesses se você não sabe nem quem é o seu representante? É muito louco isso.

eu vejo um processo de mudança silencioso nessa estrutura tradicional que você citou do salvador da pátria, desse presidente que está mais ligado aos interesses da sociedade, para um modelo em que o Congresso, os partidos, vão voltar a ter muita força. É como se a gente já vivesse uma dinâmica quase parlamentarista.

semipresidencial, porque o Congresso passou a ter muita força. E nós, brasileiros, se quisermos entender para onde vai o futuro do país, vamos ter que começar a prestar atenção no que o Senado vai fazer, no que a Câmara vai fazer.

Eu acho muito louco que nessa análise temporal do Brasil, onde a gente busca o nosso Messias para nos salvar, foi bem a não escolha de um Messias que, pelo menos para mim, do que eu vi, foi o melhor governo que a gente conseguiu ver, pelo menos em termos de avanço, de reformas. Agora, olha que curioso. É o pior presidente de popularidade da história. Só para deixar claro. Eu adoro brincar com meus amigos do mercado financeiro. Se vocês fossem bons de eleger presidente, vocês...

já tinham elegido um monte aí. Pô, o Temer, que é visto, inclusive, pela Toma do Mercado, como o melhor nas pesquisas, é a pior popularidade de todas. A gente vê muito isso, né? Até eu brinco que a gente aqui na Faria Lima tem a missão de reescrever os livros de história a favor do Temer, porque esse cara vai ser lembrado sempre por isso.

Ele outro dia até disse, não sei se vocês viram a entrevista, ele falou, ó, eu fui um presidente muito impopular, mas eu sou um ex-presidente popularíssimo. Achei engraçadíssimo ele reconhecer a popularidade do momento. A gente trouxe aqui ano passado o Henrique Meirelles, e a audiência foi absurda, de boa.

E todo mundo falava, nossa, imagina esse cara presidente. Mas, meu, qual é a chance de ter um Meirelles presidente num ambiente como esse, né? Que acaba sendo mais... Meirelles que me deu a honra de escrever ali um dos comentários na quarta capa do livro. Mas essa busca por um Messias... Pô...

Dá pra fazer um exercício fácil aí, né? Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, quantos desses nomes todos que falam, não, ele vai virar presidente. Daqui a pouco, né, vamos botar um treinador de futebol pra virar presidente. Mas aí tem um treinador bom, né? Porque, vou te falar um negócio. Eu tenho uma boa indicação. Quem você indicaria? Isso é óbvio, né? Abel Ferreira, né? Lógico. Tá explicado esse palmeiro. Eu queria que o Abel fosse demitido. Eu queria que o Abel fosse demitido do Palmeiras.

Você e o Brasil todo. Pra treinar o galo, pô. Ia ser maravilhoso. Bom, Lepo, desculpa aí, quer trazer alguma? Queria. Você tava falando agora, essa pergunta me veio agora enquanto eu te ouvia. Essa busca por alguém que vai salvar o Brasil não é nova.

mas eu me questiono e aí te questiono salvar de que? porque a impressão que a gente tem às vezes é que a gente se acostumou a dizer que o Brasil está em crise, precisa ser salvo precisa melhorar mas quando você pergunta pras pessoas de que?

Essa resposta parece menos palpável do que ela deveria ser. Então, quais são as preocupações hoje do brasileiro que fazem haver essa busca por esse salvador? Olha, se vocês toparem, a gente faz depois uma conversa só sobre essa pergunta. Porque essa pergunta, Lepo, eu acho estruturante do dilema brasileiro. Porque...

A verdade é que a gente se enxerga como vira-lata, continua se enxergando como vira-lata, apesar de, com todos os problemas, hoje a gente continua tendo desigualdade, você continua tendo desafio com a violência, a corrupção, aparece aí como um enorme problema. Mas o Brasil tem muitos avanços. Se você pegar os dados brasileiros dos últimos 50 anos...

em saneamento básico, em universalização de educação, em saúde pública, tem muito avanço. Avanço que foram construídos por diferentes governos, por diferentes reformas, por diferentes ações políticas, pela própria sociedade. O Brasil hoje é um país, por exemplo, que se reconhece como empreendedor muito mais do que no passado. Tem mudanças importantes, mas a gente não consegue sair desse dilema do virar lá. É muito interessante isso.

Quando a gente faz pesquisa perguntando sobre a autoestima dos brasileiros, eles dizem, tenho muito orgulho de ser brasileiro.

Aí a gente fala, mas orgulho de quê? Aí eles respondem, quase que na música do Jorge Benjor. Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. É disso que o brasileiro tem orgulho. O Deus é brasileiro, ele está sempre olhando para a gente, as coisas vão dar certo, a gente tem muita fé, o Brasil é bonito, o Rio de Janeiro, a floresta, as cachoeiras, as praias. Mas quando a gente vai perguntar, e o povo?

O povo, a gente não valoriza tanto. Esse povo vira lata, esse povo que tem que dar jeitinho. As pessoas no Brasil continuam fazendo um esforço enorme de reconhecer suas potencialidades e valorizando demais seus defeitos. Então é como se esse salvador da pátria tivesse que vir como um estrangeiro.

Ele tinha que ser diferente do povo brasileiro para salvar o Brasil. Isso gera, por isso que eu disse, dilemas e paradoxos muito curiosos. Porque numa democracia, o que vai acontecer é o inverso.

O salvador da paz já tem que virar do povo. Se a gente vê o povo como um problema, o que virar daí também não representará essa salvação. E a gente fica rodando, rodando, rodando, girando em ciclos buscando esse salvador, como se fosse possível criar um salvador.

como estrangeiro que pousa aqui. E não é assim. Eu acho que tem um esforço que a gente tem que fazer de entender as potencialidades brasileiras. Eu vejo muitas potencialidades. Eu, como disse, morei nos Estados Unidos e fiz questão de voltar ao Brasil. Fui professor em San Diego, na Universidade da Califórnia.

Mas eu senti a necessidade de voltar, porque se a nossa elite cultural, intelectual, não voltar para cá para construir novos contratos, novos pactos, quando é que a gente vai ter um país do jeito que a gente quer? Se a gente deixa só para o outro resolver? A gente tem que assumir um pouco dessa responsabilidade. Eu vejo a sociedade civil brasileira...

se engajando, empresários engajando, ter uma cidade civil querendo debater o país. As redes deram muita voz para muita gente. Tem lá a turma que fala bobagem, mas dar voz para muita gente também ajuda a ver que o Brasil é diverso, heterogêneo. E eu realmente acho que a gente tem que parar de buscar o Salvador e começar a construir consensos.

E é isso que está fazendo falta ainda na eleição de 26. Se eu puder dar uma opinião, eu geralmente não dou muita porque meu trabalho é fazer pesquisa, mas tem uma que é eu estou torcendo para que a gente tenha um debate sobre projetos no Brasil. Qual é a visão de mundo do futuro de um próximo governo do PT, de um próximo governo do PL, de um próximo governo do... Qual é o projeto?

Quais são as alternativas que a sociedade vai ter que discutir? Nós não estamos discutindo isso e a polarização atrapalha nesse sentido. Porque fica time de um lado, time de outro. No fundo, eu só estou votando pelo meu time. Eu não estou votando pela proposta, pela construção de uma saída, de uma solução. E isso eu acho muito perigoso.

E essa polarização afetiva que você falou antes. Porque aí eu fico debatendo sobre o candidato em si e não sobre o que está no entorno, o que ele pensa. Claro. Até porque vamos lá. Nós já vivenciamos governos do PT e já vivenciamos governos Bolsonaro. Tivemos uma maior, outra menor. Mas a gente já viu como é o governo de um ou outro. Você falou o governo Temer, teve lá o Fernando Henrique, teve Dil. Você tem ali diferentes. Gente, vocês já pensaram?

Uma vez eu ouvi isso numa qualitativa, isso mexeu comigo. O cara disse assim pra mim, professor, eu já votei no coronel bonitão, no professor da USP, no sindicalista que entende de pobreza e fome, já votamos na mulher da ditadura, já votamos no capitão.

E no fundo, as coisas parecem não ter saído do lugar, na opinião desse cidadão que estava no grupo. Mas se você parar para pensar, são estilos de personalidades com histórias políticas completamente diferentes. O Brasil já testou muita coisa. Está vendo como é que a gente é criativo, até na dinâmica política? Nós estamos tentando. Então vamos um pouquinho para cá, vamos um pouquinho para lá, um cara mais para lá. Nós estamos tentando.

mas a gente continua achando que a saída não é construir consensos brasileiros, é achar um salvador que, com diferentes perfis, vai agora solucionar. Agora o que a gente precisa é um capitão. Não, agora o que a gente precisa é uma pessoa do povo. Não, agora o que a gente precisa... E eu acho que não é isso. O desafio que está colocado é a gente pensar na agenda que o Brasil precisa.

Quais são os temas que nós precisamos superar? Isso não está bem resolvido e por isso que a sua pergunta é ótima. Salvar a gente do quê? Da falta de agenda, eu diria, nesse momento. E até a ideia de a gente criar esse projeto Eleições é justamente poder discutir um pouco do Brasil. Porque a gente tem visto alguns eventos, o Lula está ali muito mais defendendo o seu legado ali.

O Flávio foi escolhido pelo pai, mas ainda também não trouxe uma agenda muito clara e não sei nem o quanto isso é estratégico até, porque talvez ele já colocar isso agora, em abril, talvez deixe ele muita evidência. Não sei se foi ele mesmo que fez esse paralelo, mas quando Jair Bolsonaro veio para ser candidato,

Ele teve que colocar o Paulo Guedes logo na frente, como o posto de piranga, para falar, mercado, eu não sou um maluco aqui, tem um cara aqui que vai fazer as coisas que tem que ser feitas. Já o Flávio, talvez ele está numa pauta diferente, porque ele tem que mostrar que muita gente ainda não conhece o Flávio. Salomão, para você ter ideia, nas pesquisas qualitativas que a gente faz, quando a gente fala do Flávio Bolsonaro, as pessoas ainda confundem ele com o Eduardo Bolsonaro.

Às vezes com... Quem é? É muito interessante. As pessoas sabem que ele é o filho, mas não sabem qual filho. E, portanto, não sabem quem ele é. Porque se você não sabe qual deles... Entendeu? É muito interessante perceber que o Lula é muito conhecido. As pessoas dizem, o Lula já sei o que vai fazer. De bom ou de ruim?

O Flávio é o contrário, as pessoas não têm ideia do que ele vai fazer. E ainda assim ele está crescendo nas pesquisas. Quer dizer, de dezembro agora até o mês passado, quando a gente publicou a nossa última pesquisa, ele crescia gradualmente. Vamos ver agora como é que vai ficar essa próxima rodada. Mas ele cresceu no quê?

No antipetismo, no antilulismo, no cansaço da continuidade. Não tanto pelo perfil, pelos atributos e pelo que ele é. Qual é, na minha opinião, o grande desafio do Flávio? E depois posso falar o grande desafio do Lula e dos outros nomes. Mas no caso do Flávio, o grande desafio é ele parecer mais moderado do que a família dele. Esse, para mim, é a chave da eleição do Flávio. Se ele convencer o eleitor independente...

de que ele é mais moderado do que o irmão, o pai, não sei o quê, ele vai ter vantagem eleitoral. Quando você diz eleitor independente, é aquele que está naquela meiuca lá, que não é nem o cara que já vai votar no Lula. Então, o que aconteceu? Então, rapidinho, só faz essa digressão, mas é importante para quem está assistindo. Eu divido o Brasil em cinco grupos.

Eu pergunto para os eleitores. Quem você é? Se você estivesse andando na rua e alguém te chamasse assim, ô fulano, ô bolsonarista, você ia ficar feliz com isso ou não? Se alguém chama, ô, você é um esquerdista, você ia ficar feliz ou não? Eu dou para a pessoa a oportunidade dela se identificar numa caixinha e dou cinco opções para ela. Você é lulista. Você é de esquerda, não lulista. Você é independente.

Você é de direita, mas não gosta de ser chamado de bolsonarista, ou você é bolsonarista? Então a pessoa pode se identificar ali em cada um desses grupos. Hoje, 30% aproximadamente dos brasileiros se dizem independentes. Eles não são nem esquerda, nem são direita, nem são Lula, nem são Bolsonaro. Esses são os eleitores que vão definir a eleição. Eles é que têm que ser conquistados na eleição desse ano.

E para eles, se o Flávio for visto como mais moderado do que o pai, o Flávio vai conseguir conquistar o coração dessa turma. Se não, vai ser difícil. No caso do Lula, o desafio é um pouco diferente. O Lula teria que ser capaz de convencer o independente de que a agenda que ele tem para entregar...

num próximo governo, é uma agenda que é melhor do que essa, porque esse eleitor está insatisfeito com o governo, sua maioria. O Lula teria que mostrar, ó, o outro é radical demais e eu tenho uma agenda positiva para mostrar. O Caiado é o contrário. O Caiado tem que mostrar para os independentes que ele é um candidato que consegue quebrar, de fato, essa polarização.

mas ganhando à direita, porque a esquerda não tem espaço para crescimento. O Zema tem chance de superar essa barreira de primeiro turno se ele conseguir mostrar para esses independentes que ele é um outsider que deu certo. Ele é o cara fora da política, mas que conseguiu governar, fazer as coisas acontecerem. Para citar quatro exemplos, agora tem Augusto Cury, nós estamos testando ele na pesquisa, vamos ver o que vai acontecer.

Tem o Renan Santos, que fala muito para a juventude, mas é visto pelo eleitor independente como radical demais.

É curioso. Nas pesquisas, o Renan é visto como mais jovem do que de fato ele é. Ele tem um perfil que parece radicalizado. E aí ele parece muito jovenzinho. Um líder estudantil da direita. Exatamente. Sabe que a primeira vez que ele veio aqui, não sei se foi a primeira ou a segunda, quando ele veio com o Kim Kataguiri. Foi a primeira.

O Kim é bem mais novo que ele. E aí o Kim ficava chamando ele tiozão. Eu falei, mas tiozão? Quantos anos o Renan... Aí foi ali o choque. Eu falei, caramba, o Renan é bem mais... Não diria que ele era tão... Então, por exemplo, se o Flávio tem que mostrar que é moderado, o Renan teria que mostrar que, na verdade, é mais experiente pessoalmente do que...

de fato parece ser. Então, cada candidato tem um desafio hoje pra construir essa conexão que a gente tá falando aqui, eu repito, mas o foco é o eleitor independente, porque os outros lados não vão se desmobilizar tão facilmente de Lula e Flávio, pelo menos nos próximos meses é o que as pesquisas parecem apontar.

É, tem que ver qual vai ser a surpresa que vai acontecer nessa eleição. Mas o ponto que eu ia comentar sobre os planos do Brasil, a gente consegue identificar projetos para o Brasil nas conversas com os que estão fora da polarização. Quando o Renan Santos veio aqui, a gente teve um papo bem profundo sobre o Brasil.

O Ratinho Júnior. O Ratinho Júnior teve um papo muito bom. Não vai ser nem candidato mais, mas enfim. O Romeu Zema na primeira vez dele também. Até porque teve o que mostrar ali em Minas Gerais. Então fica aquela coisa de quem tá falando sobre o Brasil...

É quem tem menos espaço. Eu, como cientista político e pesquisador, torço para que vocês consigam trazer aqui todos os pré-candidatos ou candidatos, porque eu acho que o primeiro papel que vocês fazem de questionamento e deixar a gente livre para falar, eu estou aqui no papel de pesquisador, mas os candidatos terem oportunidade de falar é super importante.

importante. Às vezes os formatos são muito rígidos, entrevistas muito curtinhas e tal, e numa situação como essa aqui, a gente tem a oportunidade de adensar um pouco, a conversa fica talvez mais abrangente e possa ser a oportunidade que falta para conversar com esses caras sobre o Brasil. Porque é bem o que a gente quer ouvir. A gente aqui discute muito sobre os problemas do Brasil. E já trouxe muita gente aqui para falar, até no último episódio eu comentei isso.

Quando o Marcos Lisboa aparece aqui, o pessoal, nossa, mas de novo ele vai reclamar do Brasil? Pô, mas é que os problemas não foram resolvidos ainda. Então alguém tem que ficar mostrando que, enquanto está lá todo mundo discutindo, né? Coisas mais de rede social ou quem vai, o 0,5% a mais para um ou para outro, tem gente discutindo o Brasil de fato, né? Sim. Então fica muito difícil isso.

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quanto você acha que a pesquisa influencia no resultado final da eleição? Existe ainda aquela discussão sobre o voto útil? Então, eu não vou votar no Caiado, porque eu vi que o Caiado não tem ali chance de chegar no segundo turno, então eu vou dar um voto já no Flávio ou no Lula, porque é o que vai.

O voto estratégico, como a gente chama na ciência política, existe. As pessoas tomam decisões a partir de seus interesses e preferências. Você percebe que um candidato que você odeia tem chance de ter um desempenho melhor, às vezes você troca o seu preferido por um outro nome para não deixar que aquele que você não gosta de jeito nenhum tenha chance de vencer. Isso acontece. Agora, quanto às pesquisas ajudam a tomar essa decisão,

A literatura, quando faz experimentos, estuda o efeito da pesquisa sobre o comportamento, o que ela está encontrando hoje em dia é meio o contrário. É curioso isso.

Pessoas estão tão polarizadas e estão vivendo um fenômeno que a gente chama na psicologia política de viés de confirmação, que na verdade o que elas fazem é, quando o resultado da pesquisa dá aquilo que elas gostariam que acontecesse, ou seja, que tem a ver com a preferência dela, aí ela diz, nossa, a pesquisa aí está vendo? A pesquisa está mostrando tal. Quando ela mostra o contrário, aí a pessoa bate na pesquisa. Eu mesmo brinco.

que uma semana, quando o Lula crescia nas pesquisas, eu era chamado de petista. Quando o Bolsonaro crescia nas pesquisas, eu era chamado de bolsonarista. O que, para mim, é a melhor demonstração de que a gente está fazendo um trabalho correto, rigoroso, técnico. Porque, para mim, eu trato pesquisa como termômetro. Eu não quero saber como é que está a febre. Eu só tenho que acertar como é que está a febre naquele momento. A febre está alta, está baixa, está média. Esse é meu trabalho.

Se está alto ou baixo, é problema da sociedade. Então, a evidência que a gente tem é que as pesquisas, na verdade, estão conseguindo capturar o clima da eleição, a febre da eleição, já que a coisa está quente, mas elas não necessariamente impactam tanto a opinião.

no sentido de fazer a pessoa ah, eu quero vencer, eu quero ganhar e tal. Eu acho que o que está acontecendo hoje é quase o inverso. Vou provar que a pesquisa está errada, então vou lá votar, sabe? Vou provar que eu que estou certo. As pessoas estão muito interessadas em provar que estão certas. Isso está fazendo muita diferença. Tá aí. Eu queria saber o que mudou no Felipe Nunes é o que mudou.

Pré e pós-livro. E até... Quando a gente vai fazer uma pesquisa dessa, a gente já tem meio que o H0 na cabeça, né? A hipótese de se dar. Tem que ter. E foi de fato o que você esperava? Tem muita coisa aí que é diferente. Vamos lá. Primeira coisa, o trabalho do pesquisador...

ele tem dois elementos que são super necessários. Você tem que saber ter hipóteses falseáveis. Então, você não pode ter uma hipótese que vai se confirmar necessariamente. Ela tem que ser possível de ser falseada.

Mas uma vez falseada a hipótese, você tem que ser capaz de fazer o update do seu HD ou do seu software em relação a como é que você interpreta o mundo. Esses dois movimentos têm que andar junto. O pesquisador que não tem hipótese não formula e não entende o mecanismo da sociedade. Então, obviamente, tinha uma série de hipóteses, por isso fizemos a pesquisa nos termos que fizemos. É bom deixar claro, Brasil no Espelho é uma pesquisa contratada pela TV Globo, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil

A Globo faz muita pesquisa, eles têm um programa que chama Sintonia com a Sociedade, é uma empresa que produz muito conteúdo, então é sempre bom saber como a sociedade está pensando. Esse estudo foi encomendado nesses termos, vamos entender o Brasil, vamos fazer um update do Brasil. E ali eu tinha um monte de hipóteses. Quando a gente foi analisar os resultados, muita coisa me surpreendeu, e surpreendeu muita gente. Por exemplo, o Brasil é o país do carnaval, do samba?

Eu adoro samba, sou fã de samba, adoro carnaval. No livro, na pesquisa, a gente mostra que não. O carnaval agora só é a festa favorita de mineiros, cariocas e capixabas. No nordeste do Brasil, o forró e o São João é que são as festas favoritas. No Pará e no Amapá, o Sírio de Nazaré é a grande festa para eles. E no resto do Brasil? Vocês sabem qual é a festa que os brasileiros...

Tem como mais favorita? Natal. Natal Luz de Gramado. Natal Luz de Gramado. É a festa favorita que os brasileiros gostariam. Do sul do Brasil, de São Paulo, do centro-oeste, do Acre. De onde vem isso? A gente foi aprofundar. Primeiro, descobrimos que, de fato, na Embratur, é o destino mais procurado no ano. A turma quer ir lá para Gramado para ver o Natal. Dois.

é visto pelos brasileiros como um sinal de status social. Porque a galera não tem dinheiro para ir para a Europa, para passar frio. Então vai passar frio lá no sul, em Gramado, bota ali uma roupa mais arrumadinha, vai tomar um vinho. E querendo ou não, isso parece que você está ali vivendo um outro status social. E terceiro, é a chance que você tem de ver neve, mesmo que seja artificial. Tem um certo glamour em torno disso para essa galera. Então, perceber que o Brasil não é essa bolha,

Ali da Faria Lima, ou da Vila Madalena, ou de Genópolis, ou a Bolha do Leblon. Foi muito importante. Isso me surpreendeu muito. Outro dado importante foi o da música. E ela estava tão na cara da gente, quer dizer, não é o samba que é a música mais ouvida do Brasil. É o sertanejo. Aí eu te pergunto, Lepo, toda festa, quando anima mesmo, qual é a música que todo mundo canta?

Evidências. Se toda festa no Brasil a gente canta o hino nacional que é evidências, é óbvio que não podia ser o país do samba. Tem uma revolução acontecendo e a gente não estava vendo. E o livro foi capaz de mostrar isso. Então, embora eu tivesse algumas hipóteses, eu rapidamente atualizei meu software quando fiz a pesquisa e comecei a perceber e olhar para o Brasil de outro jeito.

porque de fato tinha um Brasil para ser visto. Eu te dou o segundo elemento que vai te surpreender vocês, eu acho. Se não é mais o samba, que é a primeira música, é o sertanejo, qual é a segunda música mais ouvida no Brasil? Tipo de música? Eu chutaria o funk. Eu também, é. Olha para você ver como vocês vivem numa bolha.

Música gospel. A segunda música mais ouvida no Brasil. É a música religiosa. É esse fenômeno neopentecostal. Gente, olhar para o Brasil desse jeito muda completamente a perspectiva. Você sai do estereótipo dessa foto internacional que a gente falava no começo, do samba, do carnaval, e vai ver um outro país que está surgindo em que, por exemplo, o agro ganha uma força enorme nesse Brasil.

Esse centro-oeste expandido, como a gente fala, para o interior de Minas, para o interior da Bahia, para o interior de São Paulo, para o sul do Brasil, ele está chegando não só como uma força econômica, uma força cultural. Cultural, exatamente. E olhar, então, nesses termos foi super importante para identificar que tinha uma mudança acontecendo e não era uma mudança só de consumo, mas era uma mudança que vinha a partir de uma dinâmica cultural que também está mudando o país.

Isso não é só um insight político. De jeito nenhum. Hábitos de consumo, empresas, quais mercados você vai endereçar, enfim. É uma mudança de paradigma muito interessante. O livro tem muitos insights iguais a esse, justamente porque...

Fazia tanto tempo que a gente não fazia um diagnóstico desse nível, desse tamanho, e eu sempre sou muito grato à TV Globo, sempre que posso agradeço publicamente, porque a gente conseguiu fazer uma amostra de 10 mil casos. Isso é um negócio espetacular. Você entrevistar 10 mil brasileiros numa amostra representativa te permite olhar de um jeito que, normalmente, a pesquisa de 2 mil que a gente faz para a eleição não permite esse aprofundamento.

Aqui a gente consegue fazer isso, e por isso tantas surpresas como essa que eu estava comentando com você.

E aí, o que mudou na sua vida? O Felipe Nunes, pô, lá tirou as suas certificações, um super professor e tudo mais, mas aí, pô, dá pra... Não sei se já chegou ao status de best-seller, mas a quantidade de pessoas que já... Você acredita que já chegou, Sô? Então tá maravilhoso. É um negócio bacana. E eu espero que depois aqui desse programa venda ainda mais, porque eu sou professor vivo de vender livro também. Então, galera, vamos comprar de novo o livro. Mostra aí o Brasil no Espelho. Tem que ver, livro é bom pra...

A gente no final vai indicar um monte de livro aqui, então é bom já esse indicar de uma vez. Tem um negócio que mudou muito significativamente. Eu sou mesmo pesquisador, professor, PhD, mestre, papapá. Mas eu nasci em contagem.

Contagem é uma cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. O que mudou em mim depois desse livro foi a necessidade de nunca perder a conexão que eu nunca deixei de ter, mas depois desse livro me aguçou ainda mais com esse Brasil de verdade, esse Brasil profundo, que não é o Brasil que está nas universidades, que não é o Brasil da elite, não é o Brasil da Faria Lima, a gente chama o Brasil profundo.

Esse Brasil profundo que o Guimarães Rosa retratou bem lá no sertão, a gente não pode perder conexão com isso. Então eu passei a dar ainda mais valor a ouvir as pessoas. Porque elas estão dizendo, veja você, toda festa termina com evidências. Como é que a gente achava que era o país do samba? Sabe, está tão na cara da gente, mas hoje em dia a gente está mais preocupado em falar do que em ouvir.

E um pesquisador tem por obrigação ouvir mais que falar. Então, eu sempre tive essa escuta muito aguçada, eu fui muito bem treinado por grandes professores, pesquisadores, que sempre me instigaram a ouvir, mas depois desse livro eu falei como é importante a gente estar atento ao que está acontecendo, ouvir o que está se dando na sociedade brasileira e furar a bolha.

porque um dos capítulos finais do livro é uma síntese do Brasil eu pego todos os valores todas as atitudes brasileiras e utilizo um modelo estatístico baesiano de clusterização para agrupar pessoas que pensam parecido e separar pessoas que pensam diferente e eu cheguei em nove bolhas fazendo isso

São as nove tribos, como se fosse um Globo Repórter, o que comem, o que bebem, onde vivem. É muito interessante ver como essas nove bolhas funcionam. E sabe o que é importante? Mais importante do que saber que existem nove bolhas? É saber que cada um de nós vive em uma delas.

E quando você descobre qual é a sua bolha, você passa a diminuir o viés de olhar para o mundo a partir daquela bolha. Então, a reflexão que eu trago do Brasil no Espelho e a provocação que eu faço para as pessoas é reconheçam a sua bolha para que vocês evitem o viés de morar nessa bolha e possam ter mais disposição para ouvir, conversar, entender o que está acontecendo na bolha do lado. Mas você que ouve tanto o Brasil,

Você acha que o brasileiro quer sair da bolha? A bolha não é um lugar quentinho que todo mundo concorda com você? Rapaz, eu ia dizer isso exato. Esse é o problema. Esse é o problema. E não é Brasil. Agora eu vou falar do mundo. Nós estamos vivendo uma época muito narcisista, cara.

Está todo mundo querendo confirmar seus vieses. Está todo mundo querendo estar certo. Por que a eleição é da polarização se o Brasil tem tanta unidade? Porque eu quero mostrar, eu quero provar para o outro que aquilo que eu te falei na mesa do bar estava certo. Mais do que aprender com o outro, eu quero ensinar para o outro. E numa dinâmica de algoritmo que te entrega conteúdo o tempo todo que confirma seu viés, é muito mais difícil produzir diálogo.

Então, por isso o Brasil no Espelho é uma provocação para você ter consciência de que você mora numa bolha, que é muito mais gostoso estar numa bolha, mas é perigoso, porque você fica limitado. Eu vou te contar um exemplo. No capítulo 11 do livro, eu faço um teste com os 10 mil brasileiros. Um teste com o Enem. Eu faço quatro perguntinhas básicas. Economia brasileira no ano passado, cresceu, ficou do mesmo tamanho ou diminuiu?

Número de homicídios no Brasil no ano passado. Cresceu, diminuiu ou ficou do mesmo tamanho? Quantas pessoas morreram de covid durante a pandemia? E a taxa de desemprego no Brasil está mais ou menos em que patamar? Quatro perguntas com múltipla escolha para 10 mil pessoas. Sabe quantos brasileiros acertaram nenhuma ou erraram todas as perguntas?

43% erraram todas as perguntas. Tudo. Você vai falar, pô, que dado triste, né? Pior é a segunda pergunta que eu vou te contar agora. A segunda pergunta que eu fiz foi, quantas perguntas você acha que acertou? Das quatro que você respondeu. Sabe o que eu descobri? 63% de nós achamos que sabemos mais do que sabemos. O nome disso é a ilusão do conhecimento.

Uma sociedade que tem ilusão do conhecimento vai para o embate público tendo certeza que está certo. E, portanto, querendo convencer o outro de que você está certo. Nesse cenário, Léopo, não tem diálogo, cara.

não tem aprendizado, eu não sento aqui e escuto esse podcast em casa, como deve ter milhões de pessoas assistindo agora, pra falar, deixa eu aprender. Não, eu já acho que aquele professor ali tem viés, ah lá, tá vendo aqui, aí já pensa aquilo, e ao invés de ouvir, porque é claro que eu posso estar errado, em muita coisa que eu tô dizendo aqui, não sei mais que ninguém, não, apenas trago ferramentas técnicas e rigorosas pra tentar contribuir com o debate público, mas eu não sou o rei da verdade, não, tô aqui apenas dividindo com vocês o que eu tô aprendendo.

E tenho certeza que vou aprender muito ainda porque eu devo ter muita coisa errada. Mas não é essa a postura que as pessoas têm no embate público. A postura que as pessoas têm é eu estou certo, você está errado e acabou. E aí a ilusão do conhecimento detona a gente. Então é muito importante que a gente reconheça as nove bolhas brasileiras.

que a gente saiba que mora numa bolha e que esse narcisismo social amplificado pelas redes faz com que a gente queira ser ainda mais correto, né? Por que é a brincadeira do Brasil no espelho? Porque narciso acha feio que não é espelho no Brasil.

E o espelho é o mecanismo, você vai ver, você está muito jovem, daqui a pouco você vai ficar velho, você vai ver. Você olha para o espelho, você vai ver ruga, você vai ver falta de cabelo. O espelho não mente para a gente. Então, por isso que é o Brasil no espelho. É uma forma de dizer, gente, vamos olhar para a gente, tem diversidade, tem lugares que vocês não estão reconhecendo nesse país. E tem bolhas que não estão permitindo que haja o diálogo que precisa haver.

Aqui a gente teve um exemplo legal. Eu senti na pele, pelo menos. Me conta. Sete meses atrás, episódio 257 do Market Makers, eu recebi aqui... 257? É, recebi aqui José Dirceu. Olha aí, rapaz. Olha. Você foi cancelado. Foram três dias entre a gravação e a publicação. Foram os três dias mais longos da minha vida, porque...

Eu posei numa foto com o Zé Dirceu, abraçado, sorri ao lado dele, como faço com todos os convidados quando vêm aqui. E essas 72 horas, minha vida foi um inferno. Porque era isso. Era, pô, como é que você vai ouvir uma pessoa que é um guerrilheiro, que se pudesse ele te metralhava na parede? E eu falei, cara, mas assim, a gente já ouviu aqui tanta gente do mercado, tanta gente que pensa...

como nós pensamos, com as ideias de mercado, e a gente tem a oportunidade de ouvir o que o nosso inimigo, o que o nosso adversário está pensando. Know your enemy. Vai lá e veja o que ele está pensando e o fato dele ter topado é super interessante, porque também tem isso. Muita gente não topa essa conversa, porque fala eu vou lá me expor, vai ser ruim. Porque você pode ter certeza, só tem uma coisa que eu tenho certeza.

Você sofreu a mesma coisa que ele sofreu. É, mas eu acho que ele é um pouco mais cascudo. Não, ele pode até estar mais cascudo que você, pra reação das coisas. Mas você pode ter certeza que na bolha dele, criticaram. Como é que você vai lá naquele pessoal do mercado? Aquele pessoal é inimigo e tal. Porque esse é o elemento que eu sofro o tempo todo. Eu falo.

Para mim, a teoria da ferradura, os dois extremos, eles, de alguma maneira, são parecidos no comportamento. Mas sabe que a repercussão foi... Assim, obviamente incomoda, mas eu sabia que isso acaba sendo até um filtro. Uma pessoa que não está preparada para ouvir uma opinião diferente. Então, talvez ela não está preparada. O mercado financeiro, todo dia é isso. A gente está comprando...

uma empresa ou investindo numa ação, se você está comprando algo, alguém está vendendo. Então, alguém tem uma opinião diferente da sua. Pode ser que tenha um outro horizonte, mas é uma opinião diferente. O episódio, teve aqui, eu estou vendo, teve 138 mil visualizações no YouTube, mais no Spotify, deve ter ido muito bem. Mas o mais legal foi ver que as pessoas que me xingaram nas redes sociais, você vê lá no Stories, fica o histórico lá.

Aí o cara xingou a foto, aí depois que o episódio foi ao ar, preciso me retratar, Salomão. Realmente o episódio ficou muito bom. Não concordo com o cara, mas foi bom ouvir o que ele tinha a dizer. É isso, pô. Então assim... Mas Salomão... E acho que responde várias coisas que você trouxe aqui. Vocês têm que fazer isso, cara, muito. Não, mas mostra que tem uma parcela da população que não aguenta mais viver esse Palmeiras e Corinthians o tempo todo. Sim. Então ela não quer viver num mundo polarizado o tempo todo.

Ela pode ter convicção, não tem problema ter opinião e achar que o mundo é melhor de um jeito. Mas você impedir o diálogo é muito perigoso, cara. Porque se você impede o diálogo, você acaba com a dinâmica democrática que o mercado defende. E foi bom porque a gente abriu a porteira com o Zé Dirceu, aí depois a gente trouxe o Rafael Fonteles, governador do Piauí, que é do PT. Tôs recentemente a Tava Tamaral. E assim, depois que eu trouxe o Dirceu, ninguém mais... Ninguém mais recusa, né?

Mas foi bem mais sutil. Assim como a gente trouxe também o Eduardo Bolsonaro, trouxemos vários candidatos de direita, enfim. Muito bom que vocês façam isso sempre. Isso só cresce o trabalho de vocês e pra mim só dá mais um selo de credibilidade e confiança que a gente precisa. Quer dizer, num mundo em que a gente não confia em ninguém, você sabe que a gente tá vendo essa crise, né?

No livro eu mostro, o brasileiro não confia em nada, só 6% confiam nos outros. Isso para a economia é horrível. Todos os estudos de economia política mostram. Sociedades com baixo nível de confiança interpessoal não conseguem atingir altos padrões de desenvolvimento econômico, porque a transação econômica é, antes de tudo, um ato de confiança.

Você tem que confiar que o cara vai te entregar aquilo que você está comprando. Se você não tem confiança nisso, a coisa não acontece. Não é à toa que os contratos no Brasil são desse tamanho. A gente não confia em nada e fica colocando cláusulas. Se você, se você, se você. Isso é muito ruim para a nossa economia. Warren Buffett tem uma frase sobre isso.

Ele falava que quando ele ia assinar um contrato que tinha 15 páginas, ele pensava por que ele não tem 16 páginas? Acho que alguma coisa está faltando. Essa falta de confiança. Quando você tem que ficar explicando, botando muito e se, tem um problema. E aí eu acho que a única maneira da gente romper isso é conversando. E vocês podendo trazer gente aqui que pensa diferente. Tem que trazer da direita, tem que trazer da esquerda, do centro, tem que trazer gente que não gosta de política. Tem que fazer o todo. Deixa eu até aproveitar. Como é que você circula?

meios, né? Eu acho que o mercado financeiro te demanda demais. Graças a Deus, tem que pagar minhas contas. É, então... Tenho três filhos, sou. Não, mas como é que funciona essa... Pô, 2016, o mercado financeiro tava vivendo uma lua de mel ali com o cenário político, aí veio 2018, Bolsonaro eleito, aí veio 2022, né? O Lula foi eleito, a gente...

ver o que aconteceu da relação de mercado e, enfim, ficou uma coisa um pouco mais tensa, né? As próprias declarações do Lula e do Haddad ao longo desses quatro anos. Mas e você, como é que você identifica o, dentro das nove bolhas?

Qual bolha que está a galera do mercado financeiro? Como é que é esse público? Eu vou te contar uma coisa muito interessante, cara. Eu tenho muito... Graças a Deus, tenho muitos clientes no mercado. E eu tenho muita alegria de ter conquistado isso. Hoje eu tenho uma parceria com a Genial Investimentos. Vai fazer agora cinco anos que a gente está junto.

publicamos as pesquisas, faço análise, tem uma série de produtos que a gente faz junto com eles. E o número de clientes é grande. A gente atende, para a minha alegria, eu diria assim, quase todo mundo no mercado. Eu circulo muito. E sabe o que eu descobri, Salomão? Tem mais diversidade do que parece, cara.

Eu boto fé. Eu vejo muito isso. É que talvez no microfone não é tão diverso. Acho que o cara, quando está aqui no podcast, ele tenta ser mais... Mas, cara, olha só. Na eleição de 22, eu vi muita gente defendendo abertamente no mercado votar no Lula, porque não tolerava as posições que o Bolsonaro tinha sobre a pandemia, especialmente.

Eu vi muita gente bolsonarista convicto, que é o melhor, tem que reeleger, o PT não pode voltar. E eu vi muita gente também, cara, preocupado com o que vai acontecer, porque não conseguia ver benefício em um dos lados, tinha que tomar uma decisão. Então, assim, honestamente, é claro, a gente faz pesquisa com o mercado.

quando eu peço os agentes, a turma analista do mercado para se auto-identificarem, tem mais gente direita do que gente esquerda. Tem mais gente direita do que gente centro. Na visão de mundo. Porque a gente faz uma pesquisa trimestral em que a gente pergunta quem é você e tal. Fazemos uma amostra representativa super bacana. É um projeto que eu gosto muito. E tem mais gente direita do que de esquerda. Tem mais gente direita do que de centro.

Mas não é que não tem ninguém de esquerda ou que não tem ninguém de centro. Não é uma coisa...

É curioso isso. Tem diversidade de valores, de identidades políticas, mas a maioria acaba tendo uma visão política mais à direita. O que não quer dizer, porque isso é importante também, há uma confusão grande, ah, todo mundo de direita bolsonarista. Não é verdade, não. Tem muita gente de direita crítica ao bolsonarismo no mercado financeiro. Tanto que eu brinco...

Eu nunca vi tanta gente torcendo pro Tarcísio romper com o bolsonarismo e ser candidato naquele período do final do ano passado acabou não acontecendo. Ele acabou optando por um outro caminho. Mas eu vi no mercado a turma doida pra se livrar do Bolsonaro. Tinha uma turma que...

Tem bolsonarista, mas tinha uma galera que queria ver uma alternativa. A gente aqui... É ruim que envelheceu mal, né? Mas fomos o primeiro canal, pelo menos, a lançar o Tarcísio Trade. Porque numa reunião fechada com os nossos assinantes... O que é Tarcísio Trade? Então, é que numa reunião fechada com os nossos assinantes...

A gente trouxe o pessoal da Trust Investimentos. O pessoal lá do Rio, Bruno Garcia, absurdo, um dos caras mais geniais aí do mercado. Adoro ele também. Inteligentíssimo. E eles estavam tendo uma conversa com investidores institucionais e tudo mais, e aí eles falaram, pô, a gente estava batendo um papo sobre essa conversa, que eles estavam apresentando o que eles chamavam do trade Tarcísio, que era, pô, o Tarcísio deve sair como candidato em 2026, isso aí a gente está falando em 2024.

ele deve ser candidato em 2026, ele é o cara, olha aqui o currículo dele, olha aqui o que ele já fez como político, olha aqui. Ele vai ganhar do Lula, vai levar o Brasil ao céu. Aquela ilusão que a Faria Lima e o Leblon viveu por um bom tempo. E aí a gente transformou isso numa peça de conteúdo. A gente disparou nas nossas newsletters. Isso aí foi capa da nossa revista. Foi uma repercussão absurda.

E lá, desde 2024, a gente falava disso, que embalou os sonhos da Faria Lima ao longo de 2025. Eu lembro de um evento do Bradesco. Estava o Paulo Artung e o Tarcísio no palco. E o Paulo Artung mesmo falou, ó, aguardem até abril, que, sabe, quase que falando, daqui a pouco ele vai sair como candidato.

Isso ano passado, né? Aqueles devaneios que o mercado teve. Bom, a gente está vendo que... Quando você falou outsider, eu até pensei no Tarcísio, tá? Quando você falou que pode ter um outsider aí em 2026, quem sabe? Não, mas agora não dá mais. Agora não dá mais, né? Porque acabou o perdão. É a janelinha. Já saiu.

4 de abril era o limite, agora acabou. Então agora o sonho acabou mesmo, né? Então o sonho já está enterrado. O sonho de vocês foi para o ano. Não, mas pode ser... O Tarcísio, a gente até deixava claro, né? O Tarcísio era muito mais um personagem... É, a personificação dessa... Representava essas novas lideranças de direita que estão surgindo. Pode ser Tarcísio, o Zema, o Ráting Jr., enfim, esses... Que até traz um pouco mais de esperança, talvez não para 2026, mas com certeza para 2030. A gente deve ter alguns nomes...

mais arejados, pelo menos nas ideias econômicas e políticas. Mas antes tem 26, viu? Nós vamos ter que enfrentar a eleição de 26. Vamos ver o que vai acontecer. Pra você é boa essa época? Trabalha bastante? É aquilo. As pessoas me perguntam. Professor, é bom esse nível de incerteza? É ótimo. Porque quanto mais incerteza há no mundo, mais as pessoas precisam de ferramentas como as que eu tenho na minha empresa pra tentar encontrar padrão.

Porque qual que é o meu trabalho? É separar o ruído dos sinais. Encontrar sinais e mostrar para as pessoas, do ponto de vista analítico, o que está acontecendo. Eu fui, para dar um exemplo, o primeiro é dizer, tem um problema de affordability no Brasil. O que é isso? O PIB cresce no Brasil nos últimos quatro anos, cresce.

A inflação está controlada, o desemprego é menor dos últimos oito anos. Mas quando você faz pesquisa, as pessoas falam que a economia vai mal, que a inflação, os preços dos alimentos principalmente estão subindo e o desemprego está complicado.

Como é que explica, Salomão? Os dados reais da economia não combinam com os dados das percepções. O que está acontecendo? Aí eu falei, vamos estudar esse negócio e descobrimos que tem um delta de affordability. O que está acontecendo? Quando você pergunta para o entrevistado, sua renda aumentou mais do que o custo de vida?

Sua renda aumentou, mas ficou no mesmo nível que o custo de vida? Sua renda aumentou, mas o custo de vida aumentou mais? Ou sua renda não aumentou, o custo de vida ultrapassou? Sabe o que a gente descobre, doutor? 12% só dos brasileiros.

a renda aumentou mais que o custo de vida. Em todos os outros, a renda aumentou, mas o custo de vida aumentou tanto quanto ou mais. Aí você fala, mas não é possível. Quando a gente olha para a estatística oficial, teve aumento de renda real. Aí a gente foi dar um segundo nível. Sabe o que a gente descobriu? Isso faz um tempo. Quer dizer, agora está todo mundo falando disso, mas nós fomos os primeiros a mostrar. Endividamento, alta do preço, de patamar de preço e BET. BET.

As famílias, os homens principalmente, estão jogando escondido das mulheres. O dinheiro está indo embora, ninguém sabe muito bem para onde. Eles não assumem que estão jogando. As dívidas estão comendo, porque você tem aí um fenômeno, né? O juro alto muito tempo, essa coisa toda. Você pega o cartão de crédito para pagar o cheque especial, você pega o cheque especial para pagar o consignado, não sei o que, e vai fazendo ali uma história. E isso está consumindo o custo de vida das pessoas. E ninguém está percebendo.

porque o IPCA, de alguma maneira, não está vendo isso. Então, o nosso trabalho, o meu trabalho na Quest, e acho que é por isso que a gente tem conseguido crescer a empresa e atender tanta gente no mercado, é justamente o de separar os ruídos e falar, gente, tem um sinal claro aqui, a economia não está funcionando como preditor de voto do governo Lula, porque tem um desafio de affordability, as pessoas não estão conseguindo...

bancar, afford o custo de vida que elas têm. Então isso é um detalhe, por exemplo, que a gente tem o trabalho de fazer. Então quando tem incerteza a gente vende pesquisa. Isso pra mim é bom. Eu tava até puxando aqui eu dei uma entrevista recente, tava pegando uns dados do Serasa.

que o último número de fevereiro de 2026, 81 milhões e 400 mil brasileiros inadimplentes no Brasil. Isso, meu caro, é basicamente 70% da população adulta. É um absurdo, cara. Ou seja, a população economicamente ativa brasileira, 70% dela aproximadamente endividada. Alguma dívida ou...

É muita coisa. E essa coisa do endividamento, desse affordability, ele é das pessoas físicas, mas ele também acontece nas empresas. Eu estava fazendo uma pesquisa para uma newsletter que eu estava escrevendo, falando sobre o agro. Como que o agro, ao mesmo tempo, foi o grande fator de crescimento do PIB e é o segmento da economia que tem o maior número de empresas em recuperação judicial. Olha só.

Porque, de fato, houve um crescimento muito grande nas exportações, nas vendas para o mercado interno, etc. Mas, ao mesmo tempo, cresceu muito o custo de se manter uma empresa no segmento por dificuldades com fertilizantes, com insumos, etc. Então, quer dizer, o custo cresceu muito. Então, embora a receita também tenha crescido, o custo cresceu demais. Isso acontece na casa da gente e acontece nas empresas também. Então, se o salário aumentou, aumentou. Mas quanto custa o pão na padaria? Aumentou mais do que o seu salário.

E a gente vai... Bom, acho que esse fenômeno das... É muita coisa que entra de uma maneira que a gente não sabe explicar. A gente vê entrando dentro da sociedade e não sabe como isso vai sair. Mas uma sociedade extremamente endividada. Estava falando isso muito com amigos que não são do mercado financeiro, mas tem um viés mais de esquerda.

que eles estavam falando sobre essa diferença entre a foto e o filme. Sim. Por que a foto parece tão bonita, desemprego abaixo e tudo mais, só que a sensação não é bonita, né? A sensação não passa aquela impressão de que a gente está vivendo os melhores tempos do Brasil. Não, nem de longe. E aí entra até dois pontos que acho que são muito delicados para o governo de esquerda falar.

que são os pontos que afetam muito a sociedade hoje em dia, que está na segurança e até corrupção. Não digo que esquerda é corrupta, mas o governo do PT teve muito envolvimento com isso. Nas pesquisas, só para te dar o dado, que eu acho que referendo a isso que você está dizendo, hoje as duas maiores preocupações dos brasileiros são segurança pública e corrupção. A última pesquisa da Quest mostrou isso.

As pessoas estão preocupadas com isso. E quando a gente pergunta, quem é, que tipo de governo teria mais capacidade de lidar com o tema da segurança pública? Governo de direita, na opinião dos brasileiros. Então não é senso comum. As pessoas estão dizendo isso.

E a outra questão é da corrupção. Qual é o tipo de governo que acabou tendo mais escândalos de corrupção? As pessoas dizem, os governos de esquerda. Então, de fato, e aqui eu não estou fazendo julgamento de valor, se é melhor, se é pior, até porque não é esse o meu papel, se é assim mesmo ou não, mas na percepção pública ficou a impressão de que os governos de esquerda têm mais associação a essa questão da corrupção. Isso virou um dado concreto da sociedade.

Lepo, posso sanar uma curiosidade? Pode, claro. É isso mesmo. Então, antes de você fazer a pergunta, eu esqueci de dar esse recado no começo do episódio. Gente, estamos sendo hidratados só com águas da Mamba Water agora. Lembrando, isso não é um patrocínio, é um apoio do Market Makers, porque cada lata vendida dessa, eles vão levar um litro de água potável para comunidades sem acesso. São mais de 700 milhões de pessoas no mundo que não têm acesso à água potável, e Mamba Water está aí para fechar esse gap.

Gostou? Quer ajudar? Vai lá em mambawater.com.br e seja mambalizado também. Vai lá, Lepo. Bom, tem a pergunta do nosso parceiro Bastidores do Poder, e aí eu vou emendar na pergunta deles uma pergunta minha. Opa! Quando é assim é que o bicho pega, viu, Salomão? É um combo. Ele diluía a pergunta difícil. Não, a pergunta deles é como funciona o mercado de pesquisas eleitorais, né? Quem que financia... Opa! Aí...

Quem financia as pesquisas no Brasil e o que o financiador espera? Então, quando a Quest é contratada por uma empresa para produzir uma pesquisa, especialmente essas de cunha eleitoral, o que esse financiador espera? Como é que esse mercado se organiza e por que ele se organiza?

Essa era a pergunta difícil? A difícil vem daqui a pouquinho. Então tá, essa é a parte 1. Não, porque eu acho super importante num canal com tanta credibilidade como o que vocês têm, e que é visto por tanta gente, circula tanto, esse é o tipo de pergunta que eu acho fundamental. Porque eu acho que dá a oportunidade da gente ser aquilo que eu acho que é importante, que é ser transparente.

Eu acho que o grande desafio do trabalho de pesquisa é transparência. Porque quando você é transparente com o método que você utiliza, com o financiamento que você tem, e, claro, com o conjunto de resultados...

você no fundo está dizendo para a sociedade, olha, estou aqui para passar pelo escrutínio público. Olhem, avaliem o meu trabalho, porque está aqui quem paga, como eu faço e está aqui o resultado. Então as pessoas têm total capacidade de avaliar o que eu estou fazendo. Como é que funciona?

institutos de pesquisa a Quest inclusive nem é eu nem gosto de me chamar instituto de pesquisa eu me considero mais uma house de inteligência de dados do que propriamente o instituto porque a gente trabalha com muita tecnologia eu tenho uma série de plataformas, ferramentas a gente tem algoritmos que a gente criou

E a gente utiliza toda essa inteligência de dados para empresas que a gente atende, governos e tal. Então, a gente é mesmo uma house. Mas no que tange a pesquisa eleitoral especificamente, você tem basicamente dois modelos.

Você tem um modelo que é gente que contrata pesquisa para fazer análise estratégica, e, portanto, essas pesquisas não são publicadas, que é o que mais acontece com pesquisas qualitativas, com monitoramento de rede social, mas também com pesquisa quanti. Então, são pessoas que estão interessadas em saber o que vai acontecer.

contratam a pesquisa, mas é para eles, então isso não ganha visibilidade pública. A maior parte das pesquisas, ninguém toma conhecimento, é só quem tem ali acesso a elas, que é um contrato de não publicação, mas ele funciona para a estratégia do negócio.

É diferente do mercado de publicação. E aqui eu quero aproveitar para dizer assim, eu acho fundamental que a gente tenha sempre clareza sobre quem paga as pesquisas. Eu não publico pesquisa que não seja contratada por alguém, eu não publico pesquisa que não tenha nota fiscal, que não tenha contratante, cujo valor não seja declarado. Por quê?

porque eu acho que é direito de quem está lendo o meu relatório saber quem é que está pagando por aquele trabalho não porque isso afete o meu resultado porque não afeta

Óbvio que não. Mas porque isso explicita o seguinte, esse é um trabalho que tem um custo. Eu não faço isso aqui de graça. É meu trabalho. E custa caro fazer o que eu faço, porque a gente chegou e quer ter um nível de excelência. Então, no meu caso, quem financia o trabalho de pesquisa da Quest é a Genial Investimentos. E o que a Genial ganha com isso? Visibilidade.

então além dela financiar o trabalho ela quando aparece com o nome pesquisa Genial Quest ela fica mais conhecida, ela consegue com isso atrair visibilidade comercial e pra minha alegria o nosso trabalho ganhou tanta credibilidade nos últimos anos, eu falo isso com muito orgulho porque é difícil fazer o que a gente faz que a Genial cresceu muito depois também desse trabalho que a gente começou a fazer com eles lá em 2021 então E aí

Que bacana, quer dizer, funciona. Eles me dão a oportunidade de fazer um trabalho...

totalmente rigoroso, transparente. É muito legal ver assim, a Genial nunca envolveu em absolutamente nada do trabalho técnico da pesquisa, porque o interesse deles é que eles tenham, junto com o nosso nome ali, visibilidade pública. É isso que eles ganham com isso. Eles ganham marca, a marca aparece mais. E os clientes institucionais dele depois passam a ter análises políticas que eu faço.

para vários dos clientes que a gente atende junto, Quest e Genial. Claro, a partir de análises aí, às vezes a gente constrói indicadores, faz uma avaliação um pouco mais cuidadosa, chama a atenção do investidor, das casas de investimento, das corretoras, tesourarias, fala, olha que interessante o comportamento das mulheres aqui, olha como os evangélicos estão. E aí tem uma análise mais cuidadosa. Então tem um ganho que é de marca, por isso que é publicado.

E tem um ganho que é de análise, que acontece depois que a pesquisa é publicada. Já que falou tanto da Genial, mandar um abraço para toda a turma da Genial. Inclusive nosso fundo de ações, o Market Makers FIA, está lá na plataforma da Genial. E muita gente lá que acompanha nosso trabalho, enfim, o Motinha, toda a galera ali da Genial é muito parceira nossa. Deixar aqui nosso abraço e agradecimento.

Segunda parte da minha pergunta. Agora vem. A expectativa gerada é uma meta. Pelo amor de Deus. Na hora que você faz isso, você banha a música. Eu vou contar um brevíssimo caos pra justificar a minha curiosidade. Mas fica tranquilo, aqui não tem problema não. Pode perguntar o que você quiser, não tem estranho não. Em 2017, eu tava trabalhando na construção de um projeto de rádio, e a gente fez uma pesquisa. E aí a pesquisa deu que as pessoas queriam ter um jornal só de boas notícias.

E esse jornal foi colocado no ar. Um jornal só de boas notícias. Ele durou dois meses, deu nenhuma audiência. Porque você colocava no ar um jornal de boas notícias às sete da manhã e um outro na concorrente com trânsito de São Paulo e a violência, a vida correndo, as pessoas iam ouvir o outro jornal. Isso era um projeto de rádio? Era um projeto de rádio. O Leopoldo tem cara de novinho, mas já trabalhou muito. Quantas eleições tem aí no currículo?

De 2012 pra cá, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 7. É, vai pra oitava eleição. É isso. É novinho, mas andou em muita estrada de chão. É novinho, mas o quilometragem já tá rodado. As minhas entradas não mentem.

E a minha pergunta é a seguinte, como que na hora de fazer uma pesquisa se desconta o que as pessoas respondem e o que elas realmente querem? Porque o que a gente entendeu nesse caso foi, as pessoas responderam que queriam um jornal de boas notícias, mas na verdade elas criam um mundo de boas notícias. Quando elas se deparam com um mundo de notícias controversas, elas não vão ficar alienadas ouvindo um jornal de boas notícias.

Não vale para qualquer outra pesquisa. Como é que a gente desconta o que as pessoas, elas respondem na pesquisa versus a vontade que elas realmente têm? Olha, não tem nada de difícil nessa pergunta. E, de novo, eu te agradeço por ter feito, porque eu sei que é a dúvida de muita gente. E eu sempre digo que o meu trabalho na Quest, além de ser um trabalho de fazer pesquisa, é de divulgar e analisar pesquisa.

porque a coisa mais comum que eu encontrei quando cheguei nesse mercado, quando voltei dos Estados Unidos e fundei junto com a Renata, que é minha esposa, minha sócia, é a pessoa que realmente faz a coisa acontecer, quando a gente fundou a Quest, o que eu percebi é que tinha muita pesquisa, mas tinha pouca análise de pesquisa.

E ler os números, ler as tendências, não é a mesma coisa de ter o resultado. E esse é um feedback que eu recebo muito dos meus clientes. Fala, Felipe, é fundamental ter o número da Quest, ter os grupos, os monitoramentos de rede. A gente tem, por exemplo, ferramenta que monitora grupo de WhatsApp, Telegram.

a gente tem ferramenta que monitora o desempenho de podcasts, vídeos, a gente tem inteligência artificial para fazer lá agentes sintéticos, um monte de coisa. Os resultados são super importantes, mas quando a gente junta o resultado com a análise do time da Quest, a gente começa a ter os insights.

isso que você acabou de falar tem um nome na literatura. Chama social desirability. Desejabilidade social. As pessoas, diante de outras pessoas, respondem aquilo que elas acham que é correto responder. Não necessariamente o que elas pensam de verdade. Então, o trabalho da gente, Lepo, não é só fazer pergunta. Porque hoje tem um monte de gente que joga pergunta aí, faz uma enquete, acha que está com pesquisa. Não, cara.

O trabalho de pesquisa é um trabalho duríssimo, porque você tem que extrair da pessoa aquela informação que vai determinar a atitude e o comportamento dela. Se você só extrai a pergunta socialmente desejável, você não aprende nada com ela. Então, não é arte, mas é ciência de fazer pergunta.

Você tem uma ciência por trás de como você retira das pessoas a informação que você deseja. Vou te dar um exemplo que é muito bom e que a audiência que gosta de pesquisa vai entender o que eu estou dizendo. Tem uma pesquisa famosíssima feita pela Leucho Ars, que perguntava assim, você é racista? 95% falavam que não. Aí a segunda pergunta era, você conhece alguém racista?

96% dizia que sim. Ou seja, amigo, ou 5% são conhecidos por 96% ou tá todo mundo mentindo. Porque não tem jeito. A conta não fecha. Certo? É dali que surgiu a necessidade de, pra estudar racismo...

Você criar tecnologia de pergunta. Por exemplo, a gente hoje na Quest, para estudar temas polêmicos como esse, a gente não pergunta se você é racista. A gente te dá uma lista de uma bateria e diz assim, dessa lista aqui, quantas dessas ações você faz? E lá tem uma delas, é a atitude racista. Para outra metade da amostra, a gente dá a mesma lista, sem o racismo, como opção.

Qual que é o segredo? Quando você compara metade da amostra, que tinha dez opções, com a outra metade da amostra, que só tinha nove opções, se o número de respostas que a pessoa deu aqui for maior do que o número de respostas que deu na outra amostra, você pode saber que é alguém dizendo que tem uma atitude racista. Sem ela ter que dizer, se estima pela diferença de média.

Então, é preciso construir técnica para resolver essa dinâmica da desejabilidade social. A gente reconhece que isso existe e é por isso que a ciência de survey evoluiu muito no mundo. Muito. E a gente faz um monte de experimentos na Quest para lidar com essas questões. Vou contar aqui agora uma história que eu acho que pode contar, porque já passou. E ela é muito relevante para essa eleição.

quando a gente fazia pesquisa na Quest sobre intenção de voto, eu colocava lá o nome dos candidatos. Lula, Flávio. Então, o nome, o partido. E a gente mostra, porque a nossa pesquisa é feita no tablet, domiciliar, presencial. Então, eu faço a pergunta. Se a eleição fosse hoje e as opções fossem essas, em quem você votaria? E eu entrego o tablet para a pessoa e ela marca.

Ok? Por que que eu faço isso? Pra não ter desejabilidade social. Pro cara não ficar julgando. Ih, se eu falar com ele que eu vou votar no fulano, ele vai achar que eu... Então pra tirar a desejabilidade social, você põe o tablet e a pessoa que responde sem você olhar.

mas o Ratinho aparecia com 7%, 8%. Eu achava aquilo esquisito, porque eu falava de cara, os outros aparecem com muito medo. Tem alguma coisa. Muito bem, sabe o que a gente fez? A gente fez um experimento e a gente, metade da amostra respondia o nome dos candidatos. A outra metade respondia a foto dos candidatos. Então eu colocava a foto do Lula, a foto do Flávio, a foto do Ratinho.

adivinha o que acontecia quando eu comparava o desempenho do ratinho no nome e o desempenho do ratinho na imagem ele caia pela metade aí a gente então fazia a pergunta olha, quem é esse ratinho que você está votando? metade do voto era o recall do pai, não era do filho

Olha o perigo de você interpretar um resultado de pesquisa sem você estar entendendo o mecanismo que está por trás das pessoas. Porque tinha muita gente que estava dizendo, não, é o Ratinho, mas achava que era o pai que conhecia, o apresentador de televisão. Então, o cuidado que a gente tem que ter com a informação é fundamental para quê? Para limpar a informação. Então, o que a gente começou a fazer nos questionários, depois que a gente fez isso lá atrás? Vamos colocar sempre, como é uma imagem,

No tablet, vamos colocar sempre foto e nome, compartilho, porque aí o eleitor sabe exatamente o que ele está escolhendo. E nós vamos para a eleição de 2026 com essa tecnologia nova que a Quest desenvolveu, em que você, no fundo, responde como se estivesse vendo uma urna eletrônica. Eu te entrego aqui a urna, está lá a foto dos caras.

Claro que uma urna não é assim, porque na urna você vota o número, né? Mas na pesquisa você pode ver a foto, o nome, o partido que você escolhe. Então, cara, é um trabalho hercúleo, seríssimo, técnico, que dá um mega trabalho. É caro fazer o que a gente faz. Porque você tem que ter... Cara, a gente tem no time da Quest hoje, pelo menos oito PHDs que a gente trouxe dos Estados Unidos.

Uma meninada super bem treinada. Tenho um orgulho do time que a gente montou. Gente especialista em survey, gente especialista em quality. E que vão ajudando a gente a o quê? A pautar esse tipo de conversa. Porque você tem toda a razão. Se eu te perguntar, o que você fez hoje de manhã, Lepo? Me diz aí. Eu acordei, preparei meu café, tomei café e vim pra cá. Tá vendo? Tá aqui, gente, sem escovar o dente.

Ué, eu te perguntei, você botou do auge da sua cabeça o que você achou que era importante pra mim. Mas o que eu queria mesmo era saber se você usou a pasta de dente e tal, tal, tal. Se eu não te perguntar direito isso, você vai ter problema. Eu vivi isso quando comecei a fazer questionário de pergunta de rejeição. Eu tenho uma preferência, não tô dizendo que o outro jeito é errado, mas eu tenho uma preferência de fazer pesquisa de rejeição de um jeito, que é o seguinte.

Eu pergunto assim, tá aqui três refrigerantes. Pode falar marca aqui no podcast ou tem problema? Então tem a água mamba, tem a água, sei lá, samba e tem a água caramba. Beleza?

Qual que você não bebe de jeito nenhum? Não, eu a samba. Beleza, então você não bebe a samba. E daí as pessoas estimam que você beberia a outra. Não necessariamente. Eu só te dei uma opção de resposta e você me deu a que você não beberia de jeito nenhum. É a primeira. Mas será que você beberia as outras duas? Eu falei, não gente, não é assim que a gente vai estudar rejeição. Rejeição a gente pergunta assim, você tomaria água, mamba?

Sim ou não? Você tomaria água samba? Você tomaria? As pessoas têm que ter a mesma oportunidade de responder se beberiam cada uma delas. E a rejeição à água...

à marca ou ao candidato é um resultado da análise que você faz da resposta. Porque se você falar comigo não, não, não, amigo, você não bebe nenhuma delas. Na eleição você não vai votar. Você é o cara que abstém. Se você fala não, não, sim, você já definiu seu voto.

Se você fala sim, sim, sim, qualquer um pode chegar aqui, arrumar seu voto, dar um jeito de não ser. Se você fala sim, sim, não, você está disputando os dois. Olha o volume de informação que você tem quando você dá a oportunidade do cara responder as três entrevistados. Se você faz só a pergunta do uma...

você tira conclusões equivocadas. Então, é muito importante isso que você disse. Eu levo muito a sério esse trabalho. Tenho muito orgulho do time que a gente conseguiu construir ao longo desses 10 anos, porque é gente muito CDF, muito nerd, muito séria, muito... Sabe, que leva muito a sério esse negócio de fazer perguntas. Ainda mais agora.

que a gente é levado a sério, agora é conhecido por tanta gente importante no mercado e fora do mercado. Então a responsabilidade da gente só aumenta. Quando a gente faz reunião na Quest, eu sempre digo a frase do tio Ben, grandes poderes exigem grandes responsabilidades. E é isso que a gente tenta fazer todo dia que acorda quando vai colocar as pesquisas na rua.

eu falar em frase, quando você fez a pergunta, Lepo, eu ia procurar aquela frase que ficou famosa pelo Henry Ford, que falava, se tivesse me perguntado o que as pessoas queriam, elas iam pedir cavalos mais rápidos. Só que aí isso vai virar outra pauta, mas descobri que essa frase não foi dita por Henry Ford. Na verdade, essa frase foi adaptada num discurso de três minutos.

Depois eu te mando o texto aqui, um cara escreveu. Você não sabia. O cara pegou toda a referência de onde foi extraída essa frase, aí qual foi a primeira vez que essa frase foi usada. A internet é maravilhosa, né? Enfim, vou te mandar depois. Ah, manda sim. Mas é isso mesmo, quer dizer, você tem que saber ler a pesquisa.

E principalmente pesquisa de mercado. Porque as pessoas conhecem muito o trabalho da Quest por essa dinâmica eleitoral, mas a gente atende grandes marcas no Brasil, graças a Deus, tem uns ótimos clientes, grandes clientes. Sempre que tem crise, a turma vem pra saber com a Quest, pra fazer pesquisa, é bacana. As pesquisas de produto, de mercado. E cara, se você não souber ler pesquisa de mercado, você comete erros absurdos.

Você pega o descritivo, toma como verdade e começa a colocar no ar e lançar produto naquilo que as pessoas estão dizendo que querem. As pessoas não são assim. A pesquisa de mercado é muito importante para sentir o humor, sacar a dor, o sentimento que a pessoa está ali. E aí você constrói produtos novos que vão surfar aquela onda da dor, do sentimento e tal. Mas dificilmente a pessoa tem convicção de alguma coisa.

Eu prefiro usar pesquisa para pré-testar boas ideias. E não para inibir ideias. Então, você tem uma boa ideia? Vamos pré-testar para ver como ela funciona? É daí que você tira grandes sacadas, porque você fala, pô, não tinha pensado nisso, que legal. Isso aí funciona, a pesquisa de mercado para isso funciona muito. No mesmo caso, clientes. Políticos.

pô, mais importante do que você fazer uma pesquisa pra dizer o político que ele tem que falar é o político dizer o que ele pensa e você testar o que ele pensa. E aí você descobre que tem gente com boas ideias por aí. E aí você potencializa as ideias dele. Os marqueteiros pegam essas pesquisas e constroem os candidatos.

Eu tenho mais uma pergunta, não sei se você tem mais, Lepo. Eu queria saber, você falou sobre a importância das eleições para deputados, e a gente vai ter também agora para senador nesse ano. Você até fez a brincadeira do, pô, daqui duas semanas, duas semanas depois da eleição, você nem lembra o nome do deputado, então como é que você vai cobrar achando que tudo está na mão do presidente?

O que as pesquisas conseguem nos trazer sobre deputados e também agora sobre senadores, já que esse ano a gente vai ter uma eleição com dois senadores? Sobre deputado a gente sabe muito pouco em pesquisa de opinião, porque o sistema eleitoral brasileiro...

ele não é um sistema que favorece o que a gente chama na política de accountability. É muito difícil você identificar a responsabilidade naquelas pessoas que você está votando.

porque o mecanismo do voto é muito confuso. Você vota no Salomão, mas aí ele está no mesmo partido do Lepo, e, na verdade, eu estou ajudando a eleger o Lepo mesmo não tendo votado nele. Só que o Lepo é pastor evangélico, ou se é um comunista. Então, você vota no comunista, mas elege o pastor ou vice-versa. Ou vota no pastor e elege o comunista. Então, o sistema eleitoral brasileiro é confuso para as pessoas. Então, as pesquisas de opinião têm muita dificuldade de lidar com isso. Agora, para o Senado é outra história, amigo.

Eu vou te contar três evidências que vão te explicar tudo o que está acontecendo no Brasil nesse momento. Primeiro, eu pergunto para os brasileiros. Você sabia que vai votar para o Senado esse ano? 22% dizem que sim. Só 22%. Aí eu faço uma segunda pergunta. Você sabia que vai ter que votar para dois senadores esse ano? 6% sabem que tem que votar para dois senadores.

Aí eu faço uma terceira pergunta. Você sabia que o senador é que pode votar o impeachment do ministro supremo? 66% sabem. Ou seja, as pessoas podem não saber que vão votar pro Senado, não sabem que tem dois votos, mas sabem que o Senado é que mexe com o Supremo. Então, diferentemente o信 mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak mak

do que acontece historicamente, que as pessoas se interessam pouquíssimo pelo Senado, é o último voto, é um voto irrelevante, eu acho que as pesquisas estão sugerindo, por isso que é importante saber ler a pesquisa, que o voto de senador esse ano vai ser muito importante. Haverá um voto de protesto.

contra o Supremo Tribunal Federal por conta desse sentimento contrário ao que os brasileiros chamam de exagero do poder do STF. E o Senado, as pessoas sabem que é no Senado que elas podem mudar esse jogo. Então, ao longo dos anos, a abstenção eleitoral para o Senado é gigantesca. Olha que doideira isso.

20% aproximadamente dos brasileiros não votam para presidente. Sabe quantos porcento não votou para senador em 2018, Léo? Sabe, Salomão? Não. 57% não votaram para nenhum senador em 2018. Caramba, mais gente não votou do que votou. Ou seja, o Senado que está aí foi eleito por 43% dos brasileiros. Esse ano eu aposto com vocês que esse número vai ser diferente.

Talvez até os partidos estejam percebendo esse movimento, porque você olha o nível dos candidatos que está se colocando para o Senado é um nível elevadíssimo. Aqui em São Paulo, Guilherme Derriti, Simone Tebet, Marina Silva, quer dizer, ex-secretário, ex-ministro, políticos de mais projeção. Não, mudou completamente o interesse e a relevância. Então, assim...

Diferentemente do que a gente viveu no passado, eu aposto, olhando para as minhas pesquisas, que a eleição do Senado vai ser uma eleição muito diferente da que a gente está acostumada, como voto de protesto contra o Supremo. Isso vai dar uma vantagem para a direita no Senado, que eu acho que pode ser bastante relevante. Interessantíssimo. E até pensando na... não sei o quanto isso pode influenciar na escolha do presidente, mas havendo um presidente de esquerda...

Não sei o quanto isso pode ser, mas não sei o quanto isso pode ser, mas não sei o quanto isso pode ser.

com o Senado ainda mais à direita, e um Congresso que já tem ali uma centro-direita, pode ficar ainda mais difícil até a governabilidade do governo. Do governo de esquerda. Claro, e aí, quer dizer, a gente está discutindo muita eleição e pouca governabilidade. Isso, obviamente, tem também impacto. Eu acho que no processo eleitoral essa agenda ainda vai aparecer. O saldo da conversa que o José Dirceu...

Teve muita coisa diferente que ele falou, mas a visão dele era o PT foi mal, ganhou a eleição presidencial, mas foi mal no restante. Então, o foco de 2026 seria retomar Câmara e Senado. Salomão, eu diria mais do que isso. É a primeira vez que os partidos políticos brasileiros estão se organizando para ganhar o Congresso Nacional.

A eleição presidencial hoje desperta menos interesse nos partidos do que a eleição para deputado. É a avaliação que eu faço olhando para o quadro. O PL está preocupadíssimo com a sua bancada. O PSD quer fazer de todo jeito um monte de gente. O PT sabe que tem que fazer deputado, senador. Para dar exemplo aqui de três partidos, um mais de centro, um de direita e um de esquerda. Os partidos já entenderam.

que como o financiamento público vem do número de deputados que você tem na Câmara dos Deputados, ganhar a Câmara é fundamental. Isso vai ser muito, eu acho assim, vai marcar uma inflexão nas estratégias dos partidos políticos. E vai ser muito importante. Leandro, tem mais alguma?

Se deixasse, a gente ficaria aqui mais duas horas. Não falamos nada ainda. Não falamos nada. Mas a ilusão do conhecimento... Eu fui anotando várias coisas aqui que podem virar o eleitor calcificado. Gostei dessas. E montando meu mapa mental ali pra depois escrever uma newsletter.

Felipe, pô, que da hora o papo vamos lá pro ping pong parabéns pelo seu trabalho parabéns pelo trabalho no livro na quest agora o ping pong a gente vai perguntar saber seus livros favoritos música, convidado e a maior gentileza que foi feita na sua vida

Só lembrando, galera, todos os livros recomendados, esse é o episódio já perdi as contas. É, quase 350. Então são os dois livros por episódio. Tem mais de mil livros lá na nossa biblioteca. Tem um link aí na descrição. Aliás, tá nos meus planos aí pra 2026, talvez 2027, a gente montar a biblioteca física. Pô, a ideia é incrível, maravilha. O problema é, precisamos primeiro achar um espaço pra isso.

E aí colocando os livros, eu queria colocar na ordem de recomendação. Seria massa. Essa é bem legal. Porque aqui tem vários livros que já foram recomendados, mas não é nem uma fração do que já veio. Mas vamos lá. Primeiro, a gente sempre pergunta o livro de mercado, mas aí no caso seria um livro técnico, um livro da sua área de atuação. Qual a sua recomendação de livro técnico?

Olha só, tem... Para quem gosta de pesquisa, para quem faz pesquisa de opinião, gosta de entender de pesquisa de opinião, tem um livro super bacana, que é Polling at the Crossover, que é um livro em inglês que explica os grandes desafios das pesquisas de opinião. Mas em português, acho que tem um livro importantíssimo, que é esse livro do Jair Nicolau, chamado O Brasil Dobrou a Direita.

que é, para mim, super relevante, porque ele antecipou, lá em 2018, essa mudança que a gente está vendo até aqui. Acho que esse é um livro técnico importante de ciência política. Da hora.

E um livro tema livre? Grande Sertão Veredas. Grande Sertão Veredas. Quem não conhece as aventuras de Riobaldo precisa conhecer, porque isso revela demais as minhas queridas Minas Gerais e a nossa forma de ver o mundo. Afinal de contas, o que a vida quer da gente é coragem. Acho que esse é um livro importante para esses momentos de tanta instabilidade que a gente vive. Muito bom, muito bom. E um livro para não ler? Então, você me falou... Olha só.

Até um livro ruim é melhor que você leia, sabia? É mesmo? É pelo seguinte, tem um achado de pesquisa que eu adoro, que é quando a gente ensina as crianças a ler na infância, elas se tornam adultos mais críticos sobre a realidade. Elas caem menos em desinformação, elas são capazes de circular melhor em bolhas diferentes.

Elas têm capacidade de escrever melhor e elas têm mais capacidade de enfrentar a ilusão do conhecimento. Então, Salomão, eu acho que eu mudaria a sua pergunta e é melhor ler sempre.

Até precisa descobrir que livro você gostou ou não gostou. Mas passou por essa experiência de leitura. Pegando um gancho na sua resposta, eu acho que você precisa ter um senso crítico muito aguçado, uma quantidade muito grande de livros lidos para poder identificar um livro que você não gostou. Então leiam. Eu confesso que eu não saberia recomendar um livro para não ler, porque boa parte dos livros que eu tentei ler e não consegui, eu já colocaria na pilha do...

Não leia, porque não me pegou, mas talvez eu li na época errada. Isso. Deixa eu te contar, eu li 100 anos de solidão, primeira vez, eu era, sei lá, estava... Cara, sei lá, eu devia ter uns 17 anos. Eu não entendi nada. Nada. Foi uma experiência horrível. Gabriel Garcia Marques, um clássico, maravilhoso, não entendi nada.

Com 37 anos eu fui ler de novo. Uma edição, porque os nomes são todos iguais, né? Bom dia lá. Bom dia. Aí a edição ajudava a identificar quem era o filho, quem era o pai. Eu entendi tudo, a metáfora toda. Então, às vezes você não tá preparado pro livro, entendeu? Você assistiu a série do Netflix? Que é espetacular.

Eu nunca vi um negócio tão bem feito pra um trem tão difícil como aquele livro. É maravilhoso. Recomendo aí. Não sei se tem recomendação de série, mas essa é uma ótima série. Não, essa aí vale a pena. Eu brinco pros meus amigos roqueiros, eu brinco que essa parte da leitura é que nem o Foo Fighters na minha vida. Eu nunca gostei de Foo Fighters até no momento que eu estava preparado pra ouvir Foo Fighters. É isso. Eu era jovem demais pra ouvir Foo Fighters.

e sua bateria não tão rápida. Hoje eu sou um grande fã do Foo Fighters. Tá vendo? Então tá, gostei. Ótima resposta do Não Leia. Gostei muito. E uma música? Uma música é porque... Eu escuto todo dia uma música. Evidências. Não, brincadeira. Adoro evidências.

Quem cultiva a semente do amor segue frente e não se apavora. Se na vida encontrar de sabor, vai saber esperar a sua hora. Às vezes a felicidade demora a chegar, é por isso que a gente não pode deixar de... Agora, meu Deus. Sonhar. Sonhar. Isso aí. Como é que é? Sonhar. A vida é um guerreiro, não pode sofrer. Ninguém vai poder atrasar quem nasceu para vencer. É dia de sol, mas o tempo pode fechar. É...

A chuva só vem quando tem que molhar. Na vida é preciso aprender. Se colhe o bem que plantar. É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar. Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé. Deixa essa tristeza ir embora. Acho essa música fundamental pra quem tem o desafio diário de levantar, colocar de pé, deixar os críticos de lado, os detratores e seguir em frente, acreditando no que você tá fazendo.

Tá escrito. É a minha música, assim, guia. E eu recomendo pra todo mundo que eu posso. Porque é uma música que faz bem pro outro. Você tá mal, tá com problema. Cara, erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé. Sabe? Acho essa atitude muito brasileira e necessária. E é um samba brasileiro. Feito, assim, no coração do Brasil. Afinal, o Brasil é o país do samba, né?

Você vê que eu gosto de samba. Então fica essa dica aí. Não, muito boa a dica, tá notado. Eu achei que eu sabia a letra até melhor do que eu cantei aqui, errei umas coisinhas. Eu escuto todo dia. É legal que essa música, o pessoal vai ter uma percepção diferente, né? Porque geralmente o pessoal ouve o podcast no player acelerado, né? E aí vai começar a ouvir você cantando, vai estar ainda mais acelerado. Um convidado que você gostaria de ver aqui no seu lugar, contando a história pra gente.

Olha só, eu citei aqui o professor Jair Nicolau, eu acho ele um homem espetacular. Pô, legal. Pra vocês conversarem sobre esse Brasil que dobrou à direita, ele vai lançar um livro agora, acabou de me contar. Opa, então vai ter até um livro. Chamado Brasil Dividido. É um cara que eu admiro muito, respeito muito, aprendi muito com ele. E é geralmente uma pessoa que tá muito sintonizada com política. Então ele é uma pessoa que eu adoraria que vocês pudessem entrevistar.

Já manda aquele zap pra ele ali e fala, Jair, os meninos do Market Maker vão querer falar com você. Ótimo.

E pra fechar, por último, mas não menos importante, aliás, se quiser colocar alguma pergunta aí no ping-pong, Lepo, pode deixar a energia te contagiar. Mas qual a maior gentileza que foi feita na sua vida, Felipe Nunes? Deixa eu te falar. Primeira coisa, eu me considero um cara de sorte.

Muita gente gentil passou pela minha vida e passa pela minha vida. Eu desejo a todo mundo que eles possam ter a sorte que eu dei de ter encontrado tanta gente na minha vida gentil. Muita gente gentil. Muita. Tenho muita sorte. Mas para o Felipe Nunes, acadêmico...

A maior gentileza que já aconteceu comigo foi a gentileza da crítica sincera. Deixa eu te contar, a gente vive num mundo muito hipócrita, cara. Você encontrar alguém do outro lado que é capaz de olhar pra você e dizer isso aqui tá ruim, mas não tá falando isso porque quer ser o mal. É porque sabe que você é capaz de fazer melhor.

E eu tive um orientador na minha vida, o Mike Thies, que foi o meu orientador de doutorado, que nunca titubeou em dizer quando eu estava errado e quando eu fazia algo que não estava à altura do que eu podia entregar.

Então eu acho que a maior gentileza que a gente pode fazer a alguém no mundo que eu vivo é uma crítica sincera. Não uma crítica sacana, que tem muito, não uma crítica só para subir em cima do outro, para se mostrar melhor que o outro, mas a crítica sincera hoje é muito gentil.

Ela realmente faz a gente melhorar, aprimorar, voltar para casa e falar, peraí, eu posso fazer diferente, eu posso fazer melhor. E eu acho que a gente está precisando disso. Nós vivemos uma cultura da bajulação, de falar bem do outro de qualquer jeito, só para se agradar ao outro.

E eu acho que isso é ruim para a nossa cultura. A crítica sincera faz bem. E quando você sabe ouvir a crítica sincera, você vai para casa e volta com o produto. E quando não sabe, aprende a ouvir. Aprende com aquilo. Porque tem que aprender. Claro. O Orival Santana, quando veio aqui, o que ele falou? Que a sociedade hoje não está aguentando mais a dor. Ela é pouco tolerante à dor. Estamos intolerantes à dor. Intolerante a ouvir. Mas é mesmo. Isso cria casca. Isso é o que nos faz chegar além.

O que vai ter de gente batendo nas nossas costas? Falaram, bom trabalho. A gente aqui mesmo, teve um cara até engraçado no Twitter, que ele fez uma crítica a um podcast e eu respondi. Aí ele, Salomão, você sempre... Como é que ele falou? Eu sempre elogio o seu podcast e você nunca responde. Agora a crítica você veio aqui responder. Eu falei, mas é lógico, porque elogio...

A gente recebe o tempo todo, fico feliz, mas não me vislumbro. Agora, quando vem uma crítica, eu falo, pô, obrigado. Ou melhorar nisso. Ou explicar. Eu acho que é fundamental a gente estar aberto. Eu acho esse tema, assim, muito importante pra gente terminar essa conversa. Porque, de fato, cara, eu recebo, é muito engraçado, eu recebo muita... Felipe, você viu? A pessoa tal falou mal do seu trabalho. Como se fosse uma coisa impossível, cara. As pessoas não têm que concordar comigo.

É natural que alguém diga, olha, isso aqui não tá bom. Mas tem uma frase que eu tenho usado muito e recomendo pra você. Não lembro quem foi o autor, foi um treinador da NFL. Ele falou, nunca ouça a crítica de quem você jamais pedir um conselho. Porque como a gente tá muito exposto, vai vir um monte de gênio, às vezes falar algo pra gente, mas porra, será que eu pediria um conselho pra esse cara?

Então talvez a crítica dele não seja tão relevante. Isso é importante, mas é que às vezes vem crítica relevante. Vem, lógico. E você precisa aprender a ouvir a crítica. Dizer que não está bom. Gente, eu já melhorei muita coisa na Quest ouvindo crítica de Twitter, sabia? Você jamais vai melhorar ouvindo só a Elogio. Então.

entendeu? Agora, tem gente que é sacana, aí de fato é isso quem eu não pediria conselho eu também não quero saber das críticas, mas tem gente que de fato gosta do trabalho, admira e fala ó, pô, esse gráfico aqui tá difícil de ler melhora ele, a gente trabalha eu acho que a gentileza da crítica real sincera, ela é necessária e ela me fez muito bem então eu considero essa uma gentileza importante, embora eu poderia elencar milhares de pessoas gentis que passaram na minha vida eu acho que eu acho que eu acho que eu acho

me ajudaram a ser melhor, porque eu vou te falar, crítica é bom, mas também ser elogiado e ser motivado a melhorar e seguir em frente também faz toda a diferença. Não dá pra ficar só tomando porrada e achar que... O áudio que eu encaminhei hoje de manhã de um assinante que a gente recebeu, começamos a semana sete da manhã recebendo um áudio maravilhoso de um cara acho que do interior do Rio Grande do Sul, ele falou, caramba, antes eu me informava lendo jornal e tudo mais, hoje cara...

Vocês dão tudo para a gente de mão beijada. Olha o quão bem vocês fazem para a vida das pessoas. Que legal. Foi muito legal. Você começa a semana. De deixar o coração quentinho. Que legal. Parabéns. Da hora. Muito bom. Bom, você pode trazer outras histórias nas suas próximas vindas, porque queremos você aqui de novo no Market Maker. Vai ser um prazer. Obrigado pela sua primeira vinda aqui. Vou deixar aqui para quem gosta de política.

Brasil no Espelho, o livro que eu publiquei no ano passado, e Biografia do Abismo, que é o primeiro livro que eu fiz com Thomas Trauma. Pô, vocês não trouxeram o Thomas ainda? Ah, eu não indiquei ele. Ele já foi no Café com Quineia. Ah, não é possível. Tem que fazer essa troca aí. Tem que vir aqui, Thomas, pelo amor de Deus. Obrigado, viu? Valeu. Prazerão mesmo, foi ótimo.

muito bom como sempre você que viu até o final, joinha no vídeo se inscreve no canal, estamos crescendo e queremos crescer cada vez mais e toda terça, quinta e domingo 18 horas, eu e o Leopoldo ou um outro parceiro do Market Makers estamos aqui com alguém muito mais inteligente do que nós do outro lado da bancada até a próxima e tchau

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