Canal norte-americano cria álbuns de jazz com I.A.
Os músicos e conjuntos são ficcionais. A arte da capa apresenta uma estética vintage e desgastada. E os artistas inventados recebem nomes como “Miles” ou “Coleman” para evocar figuras lendárias do jazz. Esse é o método utilizado pelo canal Red Note Jazz, tema da coluna do jornalista e crítico musical João Marcos Coelho. Em apenas sete meses, desde novembro de 2025, a “gravadora” lançou mais de 2 mil álbuns digitais gerados por Inteligência Artificial.
A trapaça foi revelada pelo escritor e crítico de jazz norte americano Ted Gioia, como aponta João Marcos Coelho na coluna desta quarta-feira (17). Um dos exemplos, diz ele, é matador: “até as capas originais são pirateadas: a do álbum Harlem in low light, com o Jackie Donaldson Trio, da Red Note, copia a de um álbum do Dave Brubeck Quartet de 1955, intitulado Jazz red hot and cool”.
Na descrição no canal, Harlem in low light é definido como “um estudo conceitual unificado de conjunto, focado na contenção tonal e na proporção interna. A obra é moldada por meio de direção artística humana deliberada, com a inteligência artificial empregada estritamente como instrumento formal de análise e geração”.