ALINE CÂMARA - TRAUMAS RELIGIOSOS - PODCAST 3 IRMÃOS #925
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Zoeira com a minha cara. Podcast Três Irmãos da Área. Quem fala com vocês mais uma vez, Rodrigo Tchó. Do meu lado, meu brother, meu irmão, Roberto Andrade, filho Borracha, na mesa operando nosso diretor Pedro Henrique. E aí, Robertinho, tudo bem? Fala aí, meus irmãos. Qual que é o motivo da nossa risada? A gente tá num tapa muito bacana. Segunda-feira à noite, a gente vai fazer um baita de um episódio. Um convidado que a galera já pedia há muito tempo, a gente consegue estar com esse convidado aqui. Pô, a gente tá feliz.
Exatamente. Esse é o motivo. E por isso eu vou agradecer hoje aqui na nossa casa. Todo mundo pediu ali em câmera com a gente. Muito obrigada a vocês pelo convite. Obrigada, Robertinho. Obrigada, Rodrigão. Tô feliz demais de estar aqui. A gente tá tentando marcar já faz tempo, né? Finalmente deu certo. Tô feliz. Muito obrigada pelo espaço. E tu é de participar de podcast? Não cheguei a olhar isso aí. Vai muito já? Como é que é? Eu participei do LendaCast com o Dani. E agora eu vou
Estou participando hoje aqui com vocês. Amanhã eu estou lá na TV Cultura Litoral. E do Breno Altma. É, Breno Altma à noite. Isso. E o Tiago Santinelli também. A gente vai fazer uma gravação na quarta-feira. E esses outros eu não consegui participar. Mas tem outros também para poder participar. Mas vai ser agora para abril. Será que isso vai dar certo com o Breno lá? Você já conhece o Breno há muito tempo? Não. Não? Não. Eu sigo o Breno. Conheço. Admiro muito. Ele é muito intelectual. Ele é comunista.
A gente vai conversar amanhã. Então, o Breno você já conhece, mas quem que é a Aline? Quem que é essa pessoa que chega aqui agora? O que que ela faz? De onde ela surgiu? Quais são as motivações? Depois eu quero saber algumas outras coisas, mas só pra galera que tá acompanhando, quem não te conhece já entendeu um pouquinho da sua história. Vamos lá. A Aline cresceu numa das cidades mais pobres do Rio de Janeiro, que é Belfort Roxo. Passei por extrema pobreza.
normal, pai, mãe, irmãos. E a gente cresceu num bairro onde só existia a opção de ser cristão, ser religioso. Não tinha opção de você ter uma outra religião. Quando tinha, que era um terreiro que tinha na esquina da minha casa, a minha mãe proibia a gente até de passar na calçada, não podia. E olha que minha mãe, ela era aquela católica não praticante. Entendi, nem era caroca. Como é que é a sala? Coroca? Ela só dizia que era
católica, mas era católica não protestante, mas ela tinha esse preconceito, como todos os outros vizinhos ali também. E aí, com sete anos de idade, eu comecei a frequentar a Igreja Católica, e foi muito pouco tempo ali que eu tava frequentando, sozinha com os meus amiguinhos, fazendo catecismo, porque minha avó se converteu à Igreja Universal. E aí ela começou a me levar pra Igreja Universal, e a outra avó, no mesmo período, se converteu também à Igreja Batista, e essa avó que morava mais perto. Só que essa da Igreja Universal, ela tocava o terror.
tempo com ela. Eu chamo essa avó até de mãe. Porque minha mãe me teve muito jovem. Minha mãe tinha 16 anos. E a minha avó me criou até uma certa idade. Então eu chamo essa minha avó até hoje de mãe também. E essa avó começou a dizer pra mim que se eu não me convertesse que eu queimaria no fogo do inferno. E aí ela contou o inferno com detalhes pra mim. Eu fiquei extremamente apavorada. Imagino uma criança de 7 anos de idade ouvindo sobre o inferno. Então o que é um inferno pra uma pessoa de 7 anos? É uma realidade.
mágica. Se você falar pra ela que o inferno é um local de fogo, de sofrimento e que seus pais, se não se converterem, eles vão pra aquele inferno sofrer eternamente, tipo, eternamente quanto? Pra sempre. Não vai acabar nunca. Você vai tentar morrer e não vai conseguir. Era assim que ela me contava. Esse era o inferno da sua avó. Esse era o inferno da minha avó, da Igreja Universal. Tinha um capetinha com tridente e tudo mais. Tinha um capeta e você tentava morrer e várias vezes ficava ali no lago de fogo queimando, queimando e não ia conseguir morrer. Ia só sofrer eternamente.
Imagina isso na cabeça da criança de 7 anos de idade. Eu não tive mais tranquilidade na mente porque eu ficava o tempo inteiro achando que eu ia para o inferno ou os meus pais que não eram convertidos iam para o inferno. Meus pais não eram religiosos. Meus pais bebiam, fumavam e eu ficava desesperada. Não dormia à noite. Comecei a ter medo de que alguma coisa puxasse o meu pé. Fiquei naquele pavor e comecei a frequentar a igreja com muita frequência. Falei, não, vou deixar, vou me converter. Preciso me converter.
Quando eu posso ir lá na frente e aceitar Jesus, que é aquele gesto simbólico pra quem faz parte da igreja protestante, é assim, né? Na igreja católica, não sei se funciona assim, acredito que não, mas na igreja protestante, você tem que fazer um gesto de levantar as mãos e ir lá na frente pra poder mostrar pra todo mundo que você se converteu a Jesus. E eu era louca pra fazer isso. Só que aí minha mãe segurou um tempo que ela falou, você é muito pequena ainda pra isso.
Quando fiz nove anos de idade, já tava com uma certa idade, né, ali pra poder fazer isso, minha mãe perguntou,
minha mãe tava visitando a igreja comigo, né? E eu falei assim, eu quero ir lá na frente, mãe. E ela falou, você tem certeza disso? Eu disse, tenho. Eu preciso me batizar. Porque eu morria de medo de morrer e não ser batizada. Até rolou um sacanagem da sua mãe, né? Devia ter deixado com sete anos. Você ficou sofrendo dois anos. Fiquei sofrendo ainda dois anos porque eu queria me converter porque eu tava com esse medo do inferno.
E a minha outra avó que levava a gente, né? Pra igreja, da igreja batista. E aí com nove anos eu me converti.
E comecei a seguir ali, frequentar, eu era muito assídua na igreja, ia de segunda a segunda, minha avó era nova convertida, então minha avó vivia em todos os cultos, participava de tudo e eu estava com ela o tempo inteiro. E aí comecei a crescer, a desenvolver, a ter interesse por meninos e tive interesse também por menina. Nesse momento, eu tinha 12 anos de idade, quando eu comecei a ter interesse por menina, que era uma amiga minha, eu já tinha aprendido que aquilo era errado, que era pecado.
o inferno, eu senti a atração, meu corpo respondeu aquilo, eu fiquei em desespero. Eu falei, não, não posso, não posso sentir isso, não posso pensar nisso. E relacionado a isso também, teve questão de masturbação, e isso é muito natural nessa idade, tanto para menina quanto para meninos. Eu passei por tudo isso, e eu me culpava o tempo inteiro, eu chorava o tempo inteiro, eu pedia perdão a Deus o tempo inteiro, eu lia a Bíblia, estudava a Bíblia, e estava ali de segunda a segunda na igreja,
E pedia perdão por causa dos meus pensamentos, das coisas que eu sentia, das coisas que eu pensava. Pois bem, até... E na Bíblia estava falando isso, que você não podia ter sentimentos? Tem isso na Bíblia? A gente ouve dos pastores, né? A gente ouve. Mas é claro que a questão da homossexualidade está sim na Bíblia, né? E fala para a gente negar os nossos desejos também, nossos desejos carnais. Isso tudo está lá. E aí existe, obviamente, uma interpretação do líder religioso da sua igreja, que você vai ouvir, você vai...
criança. Você ainda não tem esse discernimento do que é de fato real, do que não é, né? Pelo menos até ali os 12 anos de idade, tudo que é falado pra você, você leva como verdade absoluta. A sua mente mágica, a mente mágica da criança, ela leva tudo aquilo ali como real. É por isso que as igrejas, elas usam tanto as crianças pra doutriná-las, né? Porque quanto mais cedo você doutrina a criança, a mente da criança, maior a chance dessa criança permanecer ali dentro, acreditando em tudo aquilo, acreditando que existe inferno,
acreditando que existe pecado, ela se sente culpada, e aí ela não precisa de uma vigilância externa, porque ela já tem essa vigilância interna na mente dela. E foi o que aconteceu comigo. Mas, como eu lia muito a Bíblia, eu questionava muito sobre muitas coisas. Eu ficava tentando entender o que era aquela história de Jó. Como assim Deus estava competindo lá com o diabo? E coloca o cara que era fiel, o cara mais honesto que existia, e pune aquele cara daquele jeito para competir com o satanás.
E só que assim, eu tinha aquele questionamento. Mas eu não falava sobre isso. Porque isso também é ensinado que é pecado. Você não pode questionar a Bíblia. Você não pode questionar a Deus. Você não pode questionar o líder religioso. Mas aquilo ficava na minha mente, sabe? O tempo inteiro. E eu não compreendia o mal que aquilo estava me fazendo. Só entendia que a vida era assim mesmo. Era aquilo mesmo. Eu tinha aprendido dessa forma. E é assim que é. Minha mãe se converteu. E aí as coisas se tornaram ainda pior.
porque minha mãe nova convertida, a minha mãe não me permitia fazer absolutamente nada fora do padrão religioso. Eu tinha que me vestir de acordo, é claro que eu era da Igreja Batista, então não tinha essa questão de usar coque, vestidão, não tinha isso, né? Eu era da Igreja Batista, mas tinha que usar bermudão, tinha que usar vestido até o joelho, não podia me vestir como uma adolescente comum, né? Era sempre aquela menina com a blusinha de manga, né? Até porque eu participava de muitas coisas dentro da igreja.
Era líder de teatro, líder dos jovens, dançava na coreografia, eu pregava. Eu era aquela atuante mesmo. Muito ativa na igreja. E minha mãe começou a cobrar agora sobre isso, porque ela agora era convertida. Meu pai não se converteu. Meu pai foi se converter pouco antes de morrer. Mas a minha mãe, agora convertida, começou a me cobrar cada vez mais. E aquilo já não me fazia mais bem, porque eu olhava pros meus amiguinhos, minhas amiguinhas, todo mundo curtindo a vida, aproveitando a vida.
vida, saindo, indo pra festas, indo pra shows, começando a viver, né, experiências de namoro, porque na igreja é assim, e acho até importante abrir um parêntese aqui, relacionado a essa questão de namoro, né, na igreja, que eles falam que você precisa esperar, esperar, você tem que ser virgem, precisa se casar virgem, porque senão é pecado, se você transar antes do casamento, e tinha muito essa questão ali, então até por isso minha mãe também cobrava muito, né, em relação a
Não me deixava namorar, não me deixava ficar com ninguém. E eu me sentia muito presa em relação àquilo. Só que nesse mesmo período, eu comecei a namorar em casa. Com 12 anos de idade. Eu namorei um menino de 17. Só que antes desse menino de 17, que futuramente veio a ser meu marido, o meu pastor tinha dito pra eu namorar um rapaz que era do Ministério de Louvor lá, que ele tinha 26 anos de idade. Era um adulto. E ele tinha uma aparência de homem mais velho. Ele parecia ter uns 35.
O meu pastor, com 12 anos de idade, ele disse assim para mim, o que você acha do... O nome dele era Carlos. O que você acha do Carlos? Ele está interessado em você. Então, você percebia que dentro da igreja, isso era uma coisa muito comum, muito natural. Meninas jovens, crianças ainda, namorando com homens mais velhos. Isso acontece sim dentro da igreja, inclusive da igreja batista, que o pessoal fala que é mais light, que é mais tranquila, mas isso acontece também.
era uma igreja mais tradicional, então essas coisas que acontecem nas outras igrejas, assembleia, pentecostal, acontecia ali também. A igreja batista era tida como se fosse uma igreja da parede preta para aquela época, como se ela fosse mais moderninha, mas não tinha nada de moderninha, tinha as mesmas regras que as outras tinham, tinha as mesmas repressões, tinha essas mesmas concessões, nesse caso, por exemplo, de falar que um homem mais velho podia namorar uma menina mais jovem,
para se casar logo, quanto mais cedo melhor, para que a menina não perca a virgindade antes do casamento. E da sua parte, ficou entendida essas intenções já naquele momento? Ou só depois você parou para... Às vezes, eu tenho memórias que depois, quando eu me tornei adulto, que eu... Pô, mano, aquilo lá que rolou comigo ali foi uma puta sacanagem. Na época, eu não tinha sacado. Não, também não. Eu também não saquei naquela época, não. Eu só achava muito estranho. Eu olhava com nojo, com o olhar de nojo.
hoje o sábio pra ele, porque assim, eu era uma criança, né? Um homem de 26 anos de idade pra mim, eu falei, não, não tem cabimento isso. Mas depois acabei namorando em casa com outro rapaz de 17, tava um pouco mais equivalente ali, apesar de eu ser uma criança. Opa, de 26 pra 17, melhorou muito, mas ainda também tava bem longe de 12 anos. Eu era uma criança, né? Mas namorei, comecei a namorar em casa, por causa dessa pressão, já pra um namoro já pra casar, né? Porque tinha que casar virgem. Então, se eu quisesse fazer sexo,
que casar, já me preparando pro casamento me casei com 19 anos de idade com essa mesma pessoa, a gente foi, voltou foi, voltou, mas eu acabei casando com ele virgem ainda e segurei até o casamento mas é de opinião, hein é, de opinião, sim, sempre fui muito ali porque eu tinha muito medo, eu tinha medo de ir pro inferno e fora isso, não tem só esse tipo de pressão de que você vai pro inferno existe a pressão também na sociedade de que se você é uma menina, se você é uma mulher
você perde a virgindade antes do casamento, nenhum homem vai querer te assumir. Você perde o seu valor. Você perde o seu valor. Você já não é mais uma mulher de valor. E aí, as pessoas... Então, o que eles diziam também é que os homens já olham com outro olhar. Você é só uma mulher pra ser usada. Você não é uma mulher pra se casar. Os homens não querem se casar com uma mulher que não tem a virgindade preservada. E o homem é o contrário, né?
Se ele não tem uma experiência sexual antes de casar, é como se ele não fosse homem.
também. Exato. Qual é essa cobrança em cima do homem? Exatamente, pro homem tem esse tipo de cobrança, esse tipo de pressão, né? Mas pra mulher é assim que funciona e foi assim que funcionou pra mim. Mas essa cobrança é da sociedade, né? Igreja não tinha essa cobrança, ele tinha que casar virgem também, não? Óbvio, óbvio. Essa cobrança é da sociedade, porque a nossa sociedade ela tem uma base moral que vem da religião cristã, né?
Por isso que a gente pensa dessa forma. Por isso que a sociedade fala isso. Isso que a gente precisa entender. E aí eu vou chegar nesse ponto. Mas nesse período eu acabei me casando ali com 19 anos,
muito jovem, tive a minha primeira filha, mas quando eu me casei, foi meio que uma libertação ali da casa dos meus pais, né, primeiro que eu, como eu disse, eu era muito, muito pobre, né, vivia numa extrema pobreza, e então eu usava a igreja meio que como um refúgio, os meus pais brigavam muito em casa também, por causa dessas dificuldades, então a igreja virou um refúgio pra mim, eu frequentava porque eu não queria estar dentro de casa, então eu passava de segunda a segunda,
fazendo várias coisas dentro da igreja, me dedicando ali à obra da igreja, porque eu também queria passar o mínimo de tempo dentro da minha casa. Então, usava como um certo refúgio, sendo que esse meu refúgio estava me custando muito caro, estava custando a minha própria vida. Eu não vivi essa parte minha da adolescência, até ali da minha juventude. Casei sem ter vivido praticamente nada que um adolescente, um jovem gostaria de viver, que muitos vivem.
depois que eu casei, me deu a oportunidade de refletir sobre todas aquelas questões que antes eu tinha medo porque eu vivia na casa dos meus pais e que eu sabia que se eu pisasse na bola, eu não poderia sair de casa, né? Eles não me permitiriam e eles iam me prender ainda mais. Só que aí agora é o caso. Então agora eu começo a pensar de forma um pouco mais livre sobre tudo aquilo que eu questionava antes. Por que não pode se masturbar? Qual é o pecado que tem em tocar no próprio corpo?
e transaram antes do casamento. E se eu me caso com alguém e depois o sexo é ruim e depois eu não posso me separar porque o casamento tem que ser para sempre? E eu comecei a trazer todas essas questões, as questões bíblicas, aqueles versículos das duas ursas que atacam 42 crianças e matam. E aí outras coisas também. Eu comecei a questionar de forma mais crítica e perdendo o medo aos poucos. É claro que eu ainda tinha muito medo.
é ensinado a sentir medo de questionar. Eu sentia medo de que Deus me castigasse a qualquer momento. Eu tinha mais medo de Deus do que do diabo. Essa que era a verdade. Porque eu sempre aprendi que Deus me castigaria até por aquilo que eu tava pensando. Até pelo que eu tô olhando, se eu olhar pra alguém e desejar, eu tô pecando. Então, é óbvio que eu fico morrendo de medo desse Deus, né? E eu ficava o tempo inteiro, Deus me perdoa assim, eu me perdoa, perdoa, perdoa. E eu vivia uma vida assim. Mas aí, nessa época,
eu já comecei a questionar com mais profundidade. E o meu casamento já não estava funcionando, não estava funcionando, dando certo. Me separei. Quando eu me separei, eu tive coragem de sair da igreja. Quando eu saio da igreja, aí sim, eu tenho coragem agora de ler livros fora daquela bolha religiosa. Porque a gente também é incentivado a ler só livros que são da igreja, né? Só livros religiosos. Eu lia vários livros, mas eram todos livros escritos por cristãos.
Eu comecei a ter coragem de ler. Só que eu comecei com livros de autoajuda. Mas já era uma coisa nova. Uma coisa diferente. Eu só lia livros religiosos. E agora estava lendo um pouco fora da caixa. E aquilo já começou a me trazer muitas novas informações. Apesar de que esses livros de autoajuda. A maioria tem um viés religioso. Mas já era algo diferente daquilo que eu sempre li. Que era obedeça. Se sacrifique. Siga aqui os mandamentos.
tudo o que a gente vai aprendendo, e esses livros vão reforçando essas mesmas ideias. E aí comecei a ler coisas novas, coisas diferentes, e depois fui para a filosofia, comecei a estudar sobre filosofia. Eu fiz faculdade de publicidade e marketing, na publicidade e marketing a gente aprende sobre neuromarketing, e aí eu comecei a me interessar mais por pessoas, para entender o comportamento das pessoas, e através disso foi quando eu conheci a psicologia também. E aí estou estudando filosofia, estudo psicologia,
Aí pronto, aí a mente começa a se expandir, começa a ter um pensamento crítico de que isso aqui não pode ter existido, isso aqui não pode ter acontecido. Não, como assim a gente veio do homem de barro, a mulher da costela? Isso não faz nenhum sentido. Você acreditava nisso na época? Acreditava, aprendi dessa forma. Adão e Eva, até a cidade você acreditou em Adão e Eva? Acreditava, sim, fui condicionada desde muito cedo. Na Arca de Noé também você acreditava? Na Arca de Noé, é. Aí isso não existe, não?
Existe, Robertinho? É possível que isso exista? Que a Terra tinha 6 mil anos também? Que a Terra tinha 6 mil anos. Eu acreditava em tudo isso, no burro falante, na cobra falante. Eu acreditava. Até os meus 20, 23 anos de idade, mais ou menos, eu ainda acreditava em tudo isso. Só que aí comecei a ter um pensamento mais crítico a respeito daquilo e falei, não é possível que essas coisas existam. E é claro que vai ter o outro lado que vai dizer que, olha, existem provas.
Mas a gente sabe que muitas dessas provas são fabricadas pela própria igreja católica. Para que corrobore com essas ideias. E aí a gente vai para o estudo da história, de fato a história das religiões, para a sociologia, para a psicologia social. Você vai estudando mais. Eu fui fazendo isso porque eu queria compreender melhor como era todo esse ecossistema. Mas a igreja católica não fala que tem prova de Adão e Eva. Não diz isso. Não. O que eles dizem?
Eles falam que é uma parada mitológica do Velho Testamento. Existem alguns que são mais fundamentalistas, que seguem a risca e dizem que existiu. E outros dizem que não. Dentro da Igreja Católica, você já viu o padre falar? Não, eu não tenho tanto conhecimento de dentro da Igreja Católica, mas é mesmo a Bíblia que é usada. É diferente um pouquinho. A leitura e a interpretação é um pouco diferente.
que você tem que pegar a Bíblia de um jeito literal na Igreja Católica. Pelo menos nesse ponto os padres são mais honestos. E a Igreja Católica aponta e fala que na Igreja não é só a Bíblia que vale. Além da Bíblia que vale o nosso magistrado, a nossa tradição e a Igreja. É esse tripé para orientar os católicos que estão ali.
O padre não acredita em Adão e Eva, não acredita em Arca de Noé. Mas se não existiu Adão e Eva, então ele também não acredita em plano da salvação. Eu já conversei com muito padre que acredita na ciência, que fala que a origem da vida veio da fumarola, essa parada toda. E até uma explicação científica que eles dão, e isso aí saiu há pouco tempo, é que todos os homens vieram de um primeiro ancestral, que seria um homem e uma mulher. Tem até o nome.
me foge o nome agora que eles deram e aí sim teria talvez uma explicação científica para um escrito bíblico que teve primeiro um casal mesmo
Todo mundo originou de um homem ou mulher. Não foi bem isso. Não foi bem isso. Não foi bem isso que aconteceu. Hoje, entendendo o processo de evolução, tudo o que aconteceu, não foi bem isso. Mas a gente entende que a igreja tenta trazer sempre para ela essa ideia da criação que veio de um homem, de uma mulher. É claro que eles vão tentar sempre corroborar de alguma forma com as mesmas narrativas.
história de Adão e Eva cai, mesmo que seja contada dessa forma, se essa história cai, cai o plano da salvação. Pra que que Jesus vem, então? Se não houve o primeiro pecado, né? Então, desmonta toda a narrativa. Então, a narrativa, ela precisa continuar, mesmo que seja de uma forma científica, ou talvez pseudo-científica. E aí, foi tudo isso que acabou acontecendo. Comecei a ter aquele pensamento mais crítico, e comecei a estudar, estudar.
Não foi o estudo da Bíblia que me tornou ateia, né? Como a maioria dos ateus costumam dizer,
dizer, ah, foi eu estudar a Bíblia que me tornou ateia. Não foi, na época eu tinha muito medo desses questionamentos, olhava para aquilo e falava, gente, isso aqui não é possível, isso aqui não é possível, mas não me tornou ateia, me tornou questionadora a respeito daquilo ali, se realmente tinha acontecido ou não, se algumas histórias eram reais e outras eram verdadeiras, foi isso que aconteceu. O que me tornou ateia foi a filosofia, foi o estudo de, fora da bolha religiosa, foi entender sobre as coisas, né?
entende sobre como a vida surgiu, sobre como o mundo surgiu. Quando você vê que todas aquelas histórias não fazem sentido lógico, pelo menos hoje não faz mais, né? Hoje a gente está em 2026. A gente, é claro que isso foi há um tempo atrás, né? Foi há cinco anos atrás, quando eu me tornei ateia. Mas hoje, em 2026, tem coisas que já não cabem mais. Essas crenças que a gente teve é porque não tínhamos resposta. Por exemplo,
Não se tinha resposta para o que era o trovão, não se tinha resposta para o que era um furacão, um tsunami, um eclipse. Imagina os nossos antepassados, o homem primitivo olhando para o eclipse e ele sem compreender aquilo, o que ele vai achar que é? Ele vai dizer que é algo sobrenatural de algum tipo de Deus, como existem vários outros deuses e não só o Deus cristão. É claro que eles vão atribuir isso a Deus, a Espírito, e quando a pessoa morre, o que acontece com ela?
pós-morte, a nossa mente precisa de explicação. A gente precisa preencher essas lacunas. O nosso cérebro detesta ficar com lacunas sem respostas. Então, a gente vai criando essas explicações e essas explicações fizeram sentido lá no passado, mas hoje a gente está na era da informação. A gente está na era do conhecimento. Hoje a gente pega um celular, abre um chat GPT, abre uma IA, qualquer uma que seja, até o próprio Google, e você pode tirar ali
suas dúvidas. Você não precisa somente acreditar, né? Então, todo esse processo que aconteceu, eu não entendi ainda que eu tinha trauma religioso. Eu achei que a minha vida não foi bacana, eu deixei de viver muitas coisas, eu me sentia... Tinha aquele sentimento de perda, né? Quanta coisa eu deixei de viver lá atrás. Parei de frequentar a igreja por muito tempo, continuava acreditando que Jesus era um cara legal, que Jesus era top,
que a filosofia dele era muito bacana. Você acredita que ele existiu? Não. Não? Não. Nem como o homem. O homem Jesus, que não estou falando do homem que ressuscitou, não, mas o homem Jesus. Mas o que acontece? As pessoas ficam falando assim, ah, porque a filosofia de Jesus é linda, vamos seguir a filosofia de Jesus, amor, perdão, compaixão. Porém, de onde você conhece a história de Jesus? O que você conhece sobre Jesus, ou até a existência
do homem Jesus, que não está na Bíblia. E a gente sabe que tudo que foi escrito a respeito de Jesus, não foi escrito por ele, foi escrito por outras pessoas, 50 anos depois da sua morte. Então, tudo que se sabe sobre Jesus, está na Bíblia. Inclusive, essa filosofia que algumas pessoas dizem seguir, filosofia de Cristo. E aí, querem dizer que, ah, não, o Jesus bíblico, eu não acredito que ele tenha existido, que ele não tenha feito milagre, mas eu acredito no Jesus homem, né, e que agora estão chamando
até Jesus de comunista. Então, eu acredito nesse Jesus. Mas de onde você conhece esse Jesus comunista? De onde você conhece esse Jesus aí da sua filosofia? Não é da Bíblia? Então, assim... Não só da Bíblia, né? Tem achados arqueológicos, coisas do tipo, imagens que retratam, né? Sei lá. Eu fui na Turquia. Lá na Turquia tem igrejas pequenas, né? Datadas 300 anos depois de Cristo. E ali você vê imagens.
ali de um Jesus, com a mãe do lado, coisa do tipo. É fácil, foi na casa da mãe dele. É, foi na casa de Mário. Eu não sei se recente eu vi também uma matéria, a ciência, eles conseguiram provar que naquele dia, onde fala que Jesus foi crucificado, que realmente teve um eclipse, que o sol ficou, o eclipse durou tanto tempo,
igual é relatado ali na Bíblia. Eu nunca li essa parte da Bíblia, não sou um leitor da Bíblia, mas eu vi essa matéria. Inclusive, eu acho que foi o Sacani que postou isso aí. Realmente, eles viram que naquele dia aconteceu um eclipse igualzinho. Está retratado, está descrito ali na Bíblia. Então, o eclipse é uma coisa que pode acontecer de fato. Agora, o evento cruz, da forma como eles retratam, a gente sabe que se houve um homem chamado Jesus que foi crucificado, esse homem era um homem subversivo.
Ele foi crucificado. A morte de cruz não era para qualquer pessoa. Era a pior morte que existia na época. E não tinha toda essa parafernália. As pessoas ali em volta. E chorando. E o homem arrastando a cruz. Já se sabe que isso não aconteceu. Isso não foi possível acontecer. Então, tudo que é retratado ali na Bíblia. É passível de questionamento. Porque se uma coisa a gente pode questionar. E a gente trata como mitológico. Por que não?
todas as outras também. Se a gente sabe que a Bíblia é um livro que foi escrito para controle e poder, por que a gente pega parte da Bíblia e fala, não, isso aqui eu quero acreditar, e o resto não, o resto eu jogo fora, o resto é mitologia, o resto, não, isso aqui não presta. Entende? Então, assim, eu acho que a gente pode fazer esse questionamento e ver realmente se de fato aquilo é real ou não, porque se um livro for escrito para manipulação, e a gente sabe que o cristianismo,
ele surgiu lá como uma seita, e depois Constantino transforma numa religião e política. O cristianismo não nasce como algo para paz, amor, compaixão, ajudar os pobres. O cristianismo surge como poder. Ela é a Bíblia, né? Como sistema político, né? A Bíblia é um livro, então, de manipulação e, vamos pensar, domesticação das pessoas, ou é de verdade um livro de libertação?
Por que eu te pergunto isso? Porque a interpretação que foi passada, e aí você fala de Constantino, que foi quem realmente fez essas coisas tomarem o formato que tem hoje, talvez a manipulação esteja na versão que foi entregue por cada um. Até porque a gente entende que tem várias religiões católicas e cada uma meio que coloca sua vertente na leitura da Bíblia. A Bíblia como fator original não é que você é o filho de Deus? Isso não seria talvez o tema principal da Bíblia?
E se você é o filho de Deus e sendo Deus a entidade ou o ser mais poderoso do mundo, você não te tornaria também filho da pessoa mais poderosa? Ou seja, você não precisa de nenhuma marra, nada vai te segurar. Não seria isso que teria que ser a principal percepção da Bíblia? Interpretação, sim, das pessoas na Bíblia. A Bíblia em si talvez fosse a arma mais forte que a gente possa ter. Imagina aqui, se eu sou filho de Deus, meu irmão. Pode te dar liberdade, sim. É, eu sou filho de Deus, eu não preciso de ninguém.
Você não vai me dominar nunca Antes fosse Antes fosse Você pega a Bíblia E você vê genocídio Você vê misoginia Você vê machismo Você vê perseguição a outras religiões Porque o próprio Jesus Fala que ele é o único caminho verdade e vida Ninguém vai a ele Se não for através dele Ninguém vai ao pai se não for através dele Ele fala pra você Negar a você mesmo
Negue-se a si mesmo. Ele fala que veio trazer a espada para trazer a divisão entre a família. E você consegue enxergar isso como libertação? Isso não é uma libertação. Isso é uma prisão. A Bíblia surge como controle dos corpos, das mentes. Ela ensina você a dar o dízimo. Ah, tá bom, o dízimo naquela época era para você dar alimentos e tudo mais. Tudo bem, era para dar alimentos, ok. Só que isso não foi só alimentos.
época foi alimentos e os alimentos inclusive eram usados como moeda de troca. Começa por aí. Não era algo que você estava dando alimentos porque você estava servindo aos outros. Não, você estava como se você estivesse pagando impostos. E no decorrer da história cristã, o que a gente vê é inquisição, é perseguição, é guerra, cruzadas. O que a gente vê é isso, genocídios atrás de genocídios. E aí a gente está falando de uma
um livro que é chamado de Palavra de Deus, um livro sagrado, e que as pessoas cometem atrocidades em nome dele. E aí, se a gente pegar, por exemplo, uma tabela periódica, você está falando que é questão de interpretação, mas se a gente pegar uma tabela periódica e a gente levar ela para a China, para a Ásia, para a África, para qualquer lugar, quando as pessoas pegarem a tabela periódica, elas vão interpretar de uma forma só. Por que a Bíblia é passível de tantas interpretações?
Por que cada um faz a sua própria interpretação, se ela é Palavra de Deus e ela veio para libertar?
Por que algumas pessoas conseguem compreender a Bíblia e outras não? A gente vive num país onde 29% da população é analfabeta funcional. Dessas 29%, 12% elas têm ensino superior. E as pessoas não sabem o que as palavras significam. As pessoas não sabem interpretar um texto. Se a gente falar com um pouquinho mais de complexidade aqui, muitas pessoas não vão saber interpretar. Muitas pessoas vão dizer, inclusive, que eu sou a favor do extermínio dos cristãos,
Alguns vídeos meus e falam isso. Quando eu estou falando da religião. Eu não falo da fé individual. As pessoas podem ter a fé individual. E eu não tenho absolutamente nada contra isso. Nem devo ter. Porque isso é pessoal. Só que a gente está falando de uma religião. Que não é sobre fé pessoal. É uma religião de imposição. E de pregar o evangelho a toda criatura. Logo no começo do livro de Gênesis. Já diz lá que inclusive. Quando diz lá no versículo. Lá em Gênesis. Que Deus manda o homem.
dominar sobre toda criatura que inclusive a teologia de domínio usa esse versículo pra hoje tá implementando essa teologia de domínio né desde 1970 então deveria um livro sagrado que é pra libertação ter diversas interpretações deveria um livro sagrado ter 33.800 denominações cada uma com a sua interpretação a bel prazer e aí a gente vê que é claro né hoje tem os pastores que se dizem progressistas que não são progressistas
pastores reformistas, que pegam ali, fazem um malabarismo para que a Bíblia caiba na atualidade. Isso aconteceu em diversos momentos da nossa história. O que o cristianismo não quer é morrer. Ele não quer acabar. Ele não quer acabar. Então, o que vai acontecendo? Vai acontecendo essas reformas. Aí eu pego, vou fazendo ali as minhas interpretações, embora esteja escrito justamente. Está escrito aqui. Os fundamentalistas, eles seguem, de fato, o que está escrito na Bíblia. Essa é a verdade. Mas não cabe mais na nossa era.
mais. A gente precisa superar essas ideias. E aí vem os pastores reformistas e fazem ali um malabarismo pra poder interpretar de uma outra forma. Mas continuam ainda usando o mesmo livro que aprisiona as pessoas. Qual que você acha que é pior? Um pastor reformista ou um pastor fundamentalista? Sem dúvidas o fundamentalista. Sem sombra de dúvidas o fundamentalista. O reformista, ao contrário, né? Será que o reformista não tá passando um pano ali pra dar uma continuidade na religião? É isso, exatamente.
Fundamentalistas, pessoas já não teriam se desligado da religião? Possivelmente. Você trouxe um ponto, inclusive. Qual que é pior, então? Quer refletir de novo? Pode ser. Pode ser pior. Pode ser tão ruim quanto, vamos dizer assim. É tão ruim quanto, porque continua ainda perpetuando a mesma narrativa bíblica. Continua falando de salvação, de céu, de... Pastor Henrique Vieira é tão bonzinho. Gostei. Não, mas eu não tenho absolutamente nada contra. Mas o que eu vejo é o seguinte.
tem uma, eu acho que é a Lulana Del Rey, tem uma pastora que ela é lésbica, inclusive casada com uma mulher. E esses dias eu tava assistindo um vídeo dela, onde ela tava falando sobre fornicação. Ela tem uma igreja que é reformista, fala que tá tudo bem, Deus ama os homossexuais, os transexuais, mas ao mesmo tempo ela tava falando que fornicação é pecado. Então assim, você entende? A dissonância cognitiva que é, porque tá usando o mesmo livro,
O mesmo livro com todas aquelas histórias fundamentalistas do negue-se a si mesmo, aquelas histórias de que a mulher deve se submeter ao homem. Então, como é que você quer fazer uma reforma falando que a filosofia de Jesus é linda, é paixão, é amor, é perdão? Você vai pegar três folhas, rasga o restante da Bíblia e pega três folhinhas ali e carrega aquelas folhas ali e diz que, olha, isso aqui é a filosofia de Jesus que a gente quer seguir. Eu, sinceramente, já conversei até com um amigo que é um pastor reformista,
E eu falei para ele, por que você continua usando a Bíblia? É tão melhor a sua filosofia? O que você ensina para as pessoas que frequentam a sua igreja? É tão mais suave? Por que ainda usa a mesma Bíblia? Que ensina as pessoas a se negarem. A negarem os seus desejos. A se sentirem culpadas. A carregarem medo. Esses são os venenos da religião. E foi quando eu encontrei a... O que ele te respondeu quando você perguntou isso para ele? Que as pessoas precisam ainda do cristianismo.
que as pessoas precisam, e não precisam, e eu estou aqui justamente para mostrar isso, que a gente não precisa mais de religião, fé é uma coisa, religião é outra, seguir religião, seguir igreja, continuar dando dízimo, dando dinheiro para pastor, dando dinheiro para pastor, é outra coisa diferente, até a fé, eu acho que a fé é muito mal usada, porque uma vez que eu te ensino que você deve ter fé sobre alguma coisa, sem ter provas sobre aquilo,
coisa pra você, tenha fé. Como, por exemplo, posso dizer pra você que existe um chip na vacina. Não tome vacina porque tem chip lá. Não tome vacina porque você vai virar um jacaré. Tenha fé. Então, eu tô te ensinando a acreditar, sem ter prova alguma. Então, até a fé acaba sendo prejudicial, mas é como eu digo, né? Isso é algo individual. Mas eu quero mostrar pras pessoas que existe sim um caminho que você não precisa ter religião.
Você não precisa ter fé pra ser uma pessoa boa, pra ser uma pessoa moral, pra você ter felicidade na sua vida.
pra ter consolo na sua vida. Você tem outras formas de ter isso? Esse caminho vai ser melhor ou pior? Infinitamente melhor. Infinitamente melhor. Tá alguém aqui que passou 23 anos dentro do sistema religioso e hoje eu tô fora, tem o quê? 14, 15 anos fora do sistema religioso. Não tenho crença em Deus. Não tenho crença em espírito, alma, vida após morte. Absolutamente nada disso. E vivo uma vida infinitamente melhor, com muito mais verdade.
Hoje eu tenho autonomia para escolher, para tomar a decisão, para entender sobre mim mesma, para me autoconhecer, sem precisar me julgar o tempo todo, sem precisar me negar o tempo todo, negar os meus desejos. As pessoas estão preparadas para abraçar essa responsabilidade? A gente tem mais de 400 mil pessoas que estão prontas. Estou muito feliz, inclusive, de conhecer as pessoas chegando, porque quando eu comecei esse trabalho, eu realmente falei, olha, vai ser difícil. As pessoas têm muita dificuldade de lidar com pessoas que se dizem ateias.
que você é ateu, automaticamente já tem aquela rejeição, né? Mas eu fiz questão de chegar na rede social já dizendo, eu sou ateia. Mas tua família, teu pai, tua mãe, seus avós, essas ideias caberiam nesse momento? Você acha que a tua família estaria preparada pra essa libertação? Eu gostaria, gostaria de libertá-los, mas meus familiares, eles são religiosos, eu falo sobre isso abertamente pra eles. A minha mãe me acompanha no Facebook,
Mas o que acontece? Tem pessoas que elas realmente se fecham pro conhecimento completamente. E não é uma questão de imposição. Eu falo pra quem quer ouvir. Eu falo pra quem não quer mais viver com religião, mas ainda se sente prisioneiro desse sistema, porque disseram pra ela que sem religião ela é uma pessoa triste, infeliz, que ela é um nada, que ela é um ninguém, e que ela vai sofrer nessa vida. Eu falo pra essas pessoas que não querem mais saber. Quem quer religião, tá tudo bem, pode seguir, não tem problema.
Não é uma questão de imposição. Não é religião ali em câmara. Não é. Eu só quero mostrar que existe uma opção de vida. Onde você é feliz. Eu sou casada. Eu tenho meus três filhos. Meus três filhos são ateus. Crescem sem religião. Minha filha agora está com 20 anos. Trabalha. Tem a própria vida dela já. Mora sozinha. Tenho maior orgulho. Ela está me assistindo. Te amo filha. A outra filha também de 17 anos. O meu filho de 10 anos. São ateus também. E são crianças excepcionais.
meus filhos não, mas são crianças excepcionais, cheio de empatia. Por que uma pessoa que estudou a vida inteira, virou um ateu e de repente ela se converte de novo e passa a ser uma crente? Por que que isso acontece? Já se perguntou? Sei lá, se amanhã eu virar pra você e falar assim, o Antônio Miranda é crente agora. Por que que isso acontece com ele? Eu conheço pessoas que aconteceu isso. Então, existe um condicionamento, como a gente estava conversando um pouquinho antes de começar o programa,
Existe o condicionamento, porque nós somos seres que precisamos de convívio, a gente precisa desse convívio social, a gente quer ser aceito pelas pessoas, a gente detesta sofrer rejeição. E quando você se torna ateu, automaticamente você tem que aprender a lidar com isso. E se você resolver falar sobre isso, você vai ter que aprender a lidar com a rejeição das pessoas, porque infelizmente a gente vive num país extremamente religioso e a gente ainda sofre esse tipo de preconceito em todos os lugares.
não aguenta o rojão, não aguenta lidar com isso. E são muitos outros questionamentos. E não é só sobre isso. Existe o conhecimento mais específico de você compreender o que é a religião de fato. Quantas pessoas têm acesso à história da religião para entender como o cristianismo foi construído? Quantas pessoas sabem disso? Tem gente que realmente são intelectuais, tem muito conhecimento, mas não tem conhecimento ainda a respeito da religião. Não é porque você é um intelectual que você vai ter conhecimento sobre tudo.
conhecimento sobre tudo. Mas a gente tem conhecimentos mais específicos que fazem com que a gente realmente entenda que aquilo ali não é possível que exista. Então a gente acaba se tornando ateu. E aí tem pessoas que vão dizer que são ateias, mas são simplesmente pessoas sem religião. São pessoas que não frequentam religião nenhuma. E aí elas falam, não, sou ateu, sou ateu. Mas ela não sabe nem o que significa ateísmo de fato.
Você falou que você tem três filhos e que eles são bacana pra caramba, que hoje você é feliz.
que você vive bem. Quais são os termos que você classifica, que você usaria para falar assim, meus filhos são bons porque eles fazem isso? Meus filhos têm compaixão pelas pessoas, eles têm muita empatia, eles não julgam as outras pessoas por quem elas são. Eu sei muito bem disso, porque eu cresci nesse meio. A gente aprende na igreja a olhar para os outros e colocar um rótulo. Você é um homossexual, logo eu não devo andar com você.
Se você pertence a umbanda, um candomblé, eu não posso andar com você, você não é uma boa pessoa. Se você é um ateu, eu não posso andar com você, você é filho das trevas. E as trevas não se misturam com a luz. Então, o cristão, ele está sempre se colocando acima de todos os outros. Ele é a luz, ele é o alecrim dourado. E que ele não pode se misturar com o resto, com os ralés. E os ralés são sempre aqueles que pensam de forma diferente.
É a menina que é livre e a outra menina que é cristã não pode andar com ela, porque ela vai se misturar.
quem se mistura com o porco farelo come, porque aquela menina é uma menina livre e tem uma vida, talvez, sexual mais livre, ou se veste de uma forma diferente. Logo, aquela menina vai influenciar você aqui, minha filha, então você não pode andar com ela. Você não pode andar com homossexual, senão você pode se tornar um homossexual. Se você é de direita, você não pode andar com esquerda, porque geralmente o cristão é de direita.
Mas você não pode andar com esquerdista, porque senão você vai ser influenciado por ele e acaba causando toda essa segregação
nossa sociedade, né? Então, quando a gente fala de problemas estruturais, a gente fala justamente disso, né? Porque a religião, ela ensina sobre essas divisões. E aí, as pessoas que vivem dentro da religião, acabam, a criança que é ensinada ali dentro, ela já cresce com esse sentimento de superioridade, que ela é diferenciada, que ela é escolhida, que ela é luz, e o resto é trevas. Então, é esse ponto que eu mais vejo ali nos meus filhos, sabe?
E eu admiro, porque eu vejo que eles são pessoas que têm compaixão com os outros, são muito crianças e adolescentes, a minha filha já adulta, são muito amorosos com os outros, têm muito respeito pelas pessoas, independente de rótulo, independente de quem elas são, da idade, de cor, independente de qualquer coisa. Então, eu entendo isso como algo bom, bom, não só para mim como mãe,
todo. E essa é a minha ideia de tratar essa questão do trauma religioso. Porque o trauma religioso, ele não é só individual. Você não vive isso só individualmente. Você vive isso de forma coletiva. Entende? Desde a nossa colonização, é que a gente vive esse trauma coletivo. E, voltando ao ponto dos problemas estruturais, quando a gente fala de misoginia, de machismo, de racismo, de escravidão, que a gente ainda vive isso nos dias de hoje, quando a gente vê a homogênea
homofobia, tudo isso que são problemas estruturais, a gente percebe que veio da religião. A religião, ela vem sustentando isso, ela vem fundamentando essas ideias e reforçando essas ideias na nossa mente, que até pessoas que não têm religião, pessoas de outras religiões, elas continuam reproduzindo essas mesmas coisas, porque as religiões foram secretizadas, né? Todas as religiões aqui no nosso país, por mais que você seja um bandista, candomblesista, que você seja budista,
Você vai acreditar na figura de Jesus, você vai acreditar em Deus, no Deus cristão. Você vai fazer isso porque as religiões aqui foram sincretizadas para continuarem existindo. Então, esses problemas estruturais a gente só resolve superando toda essa colonização que foi feita na nossa mente, que foi feita na nossa sociedade. A gente precisa parar de repetir essas ideias que vieram da religião. Mas primeiro a gente precisa se tornar consciente. Primeiro precisa se tornar consciente. De onde veio isso?
Por que que eu penso como eu penso sobre uma pessoa negra? Por que que quando um negro chega perto de mim num ponto de ônibus, eu fico com medo? Por que que eu me sinto assim? Eu me sinto inseguro com isso. Por que que a mulher, né, ela entende o machismo do homem como não, o homem é assim mesmo, isso é coisa de homem. Por que que o homem também entende que é coisa de homem quando ele grita com uma mulher? Quando ele se desfaz de uma mulher? Por que que ele entende que isso é assim mesmo?
estão circulando na nossa sociedade e a gente nunca parou para se questionar. Tá bom, o problema é estrutural, mas de onde vem isso? Você acha que um homem, isso é só para eu entender mesmo, um homem ateu, por exemplo, ele não gritaria com uma mulher? Não, absolutamente. Não, não tem nada a ver você ser ateu e você não ser machista. Como eu estou falando, é um problema estrutural. Inclusive, quem se torna ateu veio também da religião cristã. Se não veio, veio de pais religiosos. A gente aprende isso na nossa sociedade,
Você ter religião ou não. Você pode ser um ateu. Pode ser machista. Você pode ser ateu. Você pode ser homofóbico. Você pode ser ateu. Você pode ser uma pessoa má. Porque você é ateu. Não tem a ver com a religião. Não tem a ver com a religião. Você ser bom ou mal. Mas tem a ver com a religião. Você ser uma pessoa boa. E fazer coisas ruins. Porque quando você entende. Que o outro. É o seu inimigo. Ou que ele merece menos amor. Porque ele é homossexual. Ou porque ele é transexual. Ou porque você é ateu. Você merece menos amor.
Amor, você não merece atenção. Eu posso desejar pra você que você tenha câncer porque você não acredita no meu Deus. Eu posso desejar que você morra porque você tá falando da religião, da minha religião. Você tá me ofendendo moralmente. Eles se sentem ofendidos moralmente. Então você acaba desejando o mal pra aquela pessoa, mesmo você sendo uma pessoa boa. Você deseja que essa pessoa morra, que ela tenha um câncer. Você pode desejar.
Você pode, inclusive, fazer o mal pra outra pessoa porque você tá se sentindo moralmente ofendido porque a religião te ensina a se sentir dessa forma, né?
sentir dessa forma. Você olha para o Deus da Bíblia, o Deus da Bíblia é punitivo, é vingativo. Ele olha para os outros reis. A história da Bíblia é sempre assim. O rei que adorava ele era prosperidade, era coisa linda. E aí quando vinha um outro rei que assumia e que adorava outros deuses, aí era só miséria, era destruição, era punição, castigo e por aí vai.
Esse é o Deus do Velho Testamento. Esse é o Deus do Velho Testamento, mas a Bíblia não é uma só? A palavra de Deus muda ou não muda? Eles falam que Jesus veio pra trazer a nova lei, né? Que aí a lei tá baseada no Novo Testamento. Era o que existia antes. Nem tô falando o que eu acredito, tô falando o que as pessoas falam, né? Jesus é a nova lei. É uma lei que existia, que aí tem várias atrocidades que aconteceram ali mesmo. E Jesus vem pra mudar esse caminho, pra mudar esse entendimento,
isso em perdão, para transformar isso em aceitação. Jesus andou com todo tipo de pessoa, ele esteve com todos os lugares. Jesus não esteve com os ricos, com os héteros, ele não esteve isso. Mesmo o Evangelho não querendo andar, mas Jesus andou. Mas aí são as pessoas, e de novo, é sobre um livro sobre as pessoas, que são boas ou amas. Mas aí eu volto naquele ponto, no Novo Testamento Jesus também manda você negar a si mesmo. No Novo Testamento também diz ali quem vai entrar no céu e quem não vai. Inclusive,
eu até, se existisse um céu, eu não entraria, eu sou apóstata. Então, tem essa escolha. Aí você vai pra Apocalipse e vê todas aquelas atrocidades também acontecendo em Apocalipse. Então, assim, você vai pegar três folhas, né? Negar a si mesmo, né? Chamar você pra coletividade, assim, tirar você da individualidade. Ó, nega a si mesmo e participe da sociedade. Nega a si mesmo e vamos desejar o bem pra todos, ter uma vida social boa com todos.
dividir com todos, que é o que ele ensinou. Será que não é isso o pedido de negar a si mesmo? Que bom se fosse, né? Se fosse isso, de fato, seria algo muito... Não é isso? Muito bom. Negar a si mesmo é você negar os seus próprios desejos. Pelo menos é assim que tem sido usado esse versículo, né? Negue-se a si mesmo. Porque você precisa... Se você quer ir para o céu, se você quer ser salvo, você precisa negar quem você de fato é.
identidade, negar aquilo que você sente. É sobre isso, né? O negar a si mesmo não é sobre o que você sente.
todo mundo? Ou é lá tem um nega a si mesmo? Se você é assim, ou é nega a si mesmo, todo mundo tem que negar a si mesmo? Você precisa se negar, negar o desejo da tua carne. Você sente atração, desejo. Se você for um cara solteiro, por exemplo, você tem que negar a você mesmo. Negar a sua sexualidade. No Novo Testamento também está falando que os homossexuais também vão ser condenados ou não. Está escrito lá também. Eu não sou bom de Bíblia também não. Sim, mas está escrito também. Não é só no Velho.
No Novo Testamento também tem sobre as mulheres se calarem. Lá em Timóteo fala sobre as mulheres se manterem caladas nas igrejas. Então, assim, o Novo Testamento, ele continua ainda mantendo. É aquilo que a gente está falando, né? Sobre a reforma que vai fazendo. E a Bíblia do Antigo Testamento, ela serviu para um período. Depois, ela já não servia mais. Então, eles tiveram que fazer algumas adaptações. E aí, surgiu Jesus, o cara legal, para poder tornar aquilo um pouco mais suave. Mas continua a mesma coisa. Continua as mesmas condenações.
continuam as mesmas cobranças em diversos textos. Aí você vai falar, ah, não, mas aí foi Paulo. E aí as pessoas começam a fazer todos esses malabarismos. É o novo evangelho ou não é? E aí vai pegar aquilo que serve, igual um salve-service, né? Vai pegar ali uma parte ali, não, isso aqui eu quero, isso aqui eu não quero, isso aqui eu quero, isso aqui eu não quero. E aí que está o grande problema. Porque se você continua usando esse mesmo livro, vai ter gente que vai pegar a coisa boa e vai usar aquela coisa boa, mas também vai pegar um pouco da ruim.
Quero passar pano pra ninguém, mas os padres falam que isso é culpa de Lutero. Toda essa merda aconteceu porque Lutero falou que cada um pode pegar a Bíblia e ler do jeito que entender. E já a igreja católica tem as suas interpretações. Ele continuaria fundamentalista. E aí é isso. O que a gente precisa, na verdade, é superar essa ideia da Bíblia ser um livro sagrado.
Olha, realmente tem a Bíblia aqui. Tem os escritos da Bíblia. Mas é um livro mitológico. Viva a sua própria filosofia. Quer amar? Quer ter compaixão? Quer perdoar as pessoas? Maravilhoso. A gente vai viver muito melhor de fato. Olhar para as outras pessoas como seres humanos. E não pelo rótulo dela. Não pela cor dela. Não pela orientação sexual. Vamos olhar para as pessoas como elas são. E eu acho que quando a gente conseguir superar essas ideias. Dessas crenças religiosas. É quando a gente de fato vai viver isso.
essa mais difícil para você largar dela? Mais difícil para mim? De todas. A Aline da igreja, a Aline religiosa. A hora que você começa a estudar filosofia, eu tenho certeza que teve uma ali que você abandonou por último. Qual que você abandonou por último? A mais difícil para mim foi a ideia da monogamia. A ideia da monogamia, do casamento institucional, da ideia do outro como propriedade. A gente aprende também sobre isso. A igreja vem fomentando isso.
nasce da igreja, mas a igreja vem sustentando isso e transforma isso em algo sagrado. E aí, claro que a gente internaliza essa ideia de você ser casado apenas com uma pessoa e que você não pode desejar outras pessoas, você não pode se relacionar com outras pessoas. E por mais que hoje eu viva uma relação não monogâmica, mas que eu escolho meu marido e ele me escolha, isso é uma coisa consciente e não por obrigação, que é completamente diferente.
Essa monogamia tem tudo a ver com religião, assim? Tem. A igreja, os conservadores, o que eles defendem? A ideia da família, homem, mulher e filhos. É porque eu acho que é mais uma parada de relação, assim, sabe? Tipo um contrato que você tem com a tua esposa, com o teu marido, né? De, ó, eu tô com você, mas eu gosto tanto de você que eu não quero dividir você com outra pessoa. Então eu não aceito uma terceira pessoa no relacionamento.
tudo bem pra você, a gente segue junto. Isso. E aí vai. E daí você tem uma relação monogâmica. Mas outras pessoas, ó, eu não vejo problema. Eu sinto mais prazer de ver uma terceira, uma quarta pessoa na relação. Eu acho. Vamos fazer um trisal, vamos fazer um poliamor. E aí os caras... Mas todos que eu vi, todos que eu vi, eu já vi alguns testes, assim, tudo deu BO, viu? É mesmo? Tudo dá BO. Tudo dá treta. Tudo dá treta.
Caralho, você ter uma terceira, uma quarta pessoa na relação, dá treta demais. Até por isso que o relacionamento monogâmico dá mais certo. Eu imagino que pode ser uma... E é só uma análise minha, tá? Eu que imagino que pode ser. Sem estudo nenhum. É alguma coisa mais instintiva. Tipo, animal mesmo, sabe? Se você pegar, existem espécies de animais que se relacionam com várias... Por exemplo, um macho com várias fêmeas.
o casal é sempre o mesmo meio que eternamente. Agora, sim, o ponto seria esse. O ser humano como animal, ele é poliamor, ele é aberto ou ele é o tipo de animal que se relaciona somente um casal por muito tempo? Mas a construção social, né? Esse é o ponto, porque você pode ser construído para viver dos dois jeitos, mas o ser humano como essência é o quê? Não, a monogamia é uma construção social,
Existem seres monogâmicos e existem seres não monogâmicos. Nas sociedades antigas aqui, os indígenas, antes da nossa colonização, as sociedades viviam relações múltiplas. Mas isso é social. Não é porque ele nasceu e está na essência dele. É social. Ele nasceu no meio onde ele tem várias mulheres ou a mulher tem vários esposos e o filho é da tribo. O filho não é de um pai. É o jeito de ficar mais forte.
Não, mas era algo que acontecia naturalmente, assim como em outras sociedades também. Existiam casais monogâmicos e existiam casais não monogâmicos. É muito mais natural a não monogamia do que a monogamia. Esse é o ponto. É, é muito mais natural a não monogamia, tanto que a maioria das pessoas se casam e vão acabar traindo. Quando você está traindo, você é não monogâmico. Só tem uma pessoa ali que está sendo monogâmica. Até onde se sabe, né?
Porque pode ser que os dois também estejam sendo não monogâmicos. Chifrudo. Chifrudo.
É, são pessoas não monogâmicas se forçando por causa da construção social monogâmica. E aí, essas pessoas vão viver, obviamente, infelizes. Elas querem viver uma vida mais livre, só que a sociedade condena esse tipo de relação. Se você vive uma não monogamia, os outros vão chamar, ah, você é maior corno, você é um chifrudo, você é um otário. Principalmente pro homem, né? O homem que é mais machista, ele não aceita que a mulher dele se deixe.
Ele, tudo bem. Tá tudo bem, ele vai adorar a ideia de ter mais uma mulher, duas, três, quatro.
Mas a mulher dele não pode se deitar com outros homens, né? Numa grande maioria. Então, é por causa dessa construção social, né? Essa ideia de propriedade, de que o outro é meu, ela vem dessa construção. E a igreja vem pra reforçar tudo isso e sacralizar o matrimônio, né? Ela faz ali como se fosse uma bênção de Deus. Essa aqui, ó, Deus instituiu a família e as pessoas vão reproduzindo isso, fomentando, passando isso de pai pra filho, né?
assim, mas ao mesmo tempo, você quer atrair a sua, você trai a sua mulher, porque você sente desejo por outras pessoas, por outras mulheres, ou por homens, ou por trans, né? Você sente desejo. E aí, você não entende por que que você é assim, você começa a se culpar. Mas sentir o desejo não é traição, é? Não, absolutamente. Não tem traição no desejo, no olhar, nada disso. Mas pode ser que você chegue a atrair, né? E nem ficar com outra pessoa a traição. Se tiver acordado. Ah, não, tá, tá, tá. Se você tiver de acordo, não tem.
Você pode sentir desejo. A não ser que também está no acordo que você não pode sentir desejo. E aí você sente. Mas aí é uma coisa que está na sua cabeça. Você entende que loucura que é? Você sentiu desejo e aí está no acordo. E eu falo assim, eu não. Eu não senti não. Mas eu estava olhando porque eu estava curioso. Você precisa negar a você mesmo. Você precisa negar. Você sente, você quer, mas você não pode. Porque vai ter o julgamento das outras pessoas.
E fora que você também acaba criando esse olhar sobre os outros. Você tem um amigo que tem um relacionamento aberto.
com alguém, e você já olha com outro olhar, faz isso aí é malandrinho. É, entendeu? E aí, por aí vai, né? E tem aquele julgamento daquelas pessoas, aí você já não quer andar, se você tem um relacionamento monogâmico, você não quer ter amizade com aquele casal que é não monogâmico, porque você sente medo que aqueles dois ali dêem em cima da sua mulher, pegue a sua mulher e por aí vai, né? Não tem isso. Ah, não sei. Mas é isso que vai acontecer, porque já tem esse julgamento, né? Já tem esse pré-julgamento
pessoas. O que você trouxe positivo da sua vida cristã? O que foi bom na igreja? Então, esses dias eu estava até falando sobre isso. O que eu sentia que era muito bom era a comunidade. Ter ali aquelas pessoas sempre perguntando se estava tudo bem. E aquilo era muito bacana. Aquela reunião. Minha casa vivia sempre cheia de amigos. Só que assim que eu saí, eu morri pra eles. Acabou. Não existia mais. E olha que eu nem era testemunho de Jeová. Eu sei que testemunho de Jeová é muito pior nesse sentido.
Mas aconteceu a mesma coisa pra mim quando eu era da Batista. As pessoas viraram completamente as costas pra mim. E eu sentia muita falta disso. E falava, essa foi a melhor coisa que eu passei ali na igreja, foi a melhor coisa que eu tive lá. Mas depois que eu comecei a entender sobre os traumas que eu tinha vivido, porque existe o trauma que você vive dentro da religião, que é culpa, medo, que você vai carregando aquilo ao longo da sua vida.
Você vai tendo toque religioso, que você fica o tempo todo pedindo perdão, né? Aquela escrupulosidade de você se sentir errado o tempo inteiro.
Você está pedindo perdão a Deus. E aí você fica com ansiedade. Você fica com depressão. Desenvolve outras doenças também. E eu passei por tudo isso. Mas tem também depois que você sai da igreja. Que é esse momento em que você é rejeitado. Muitas vezes até pela sua família. Porque a sua família quer que você volte lá. Ela ama você pela sua crença. E não por quem você é. Seus amigos amam você pela sua crença. E não por quem você é.
Calma aí. Eu agora saí da igreja. Eu não presto mais? Sim. Porque você agora virou.
o joio. Você está afastado do trigo. Mas a sua família te rejeitou? Ou você acha que é um medo de ficar igual você? São as duas coisas. Tem a punição, porque quando eu faço isso com você, você... Tá vendo? Eu falei que você ia sofrer quando você saísse da igreja. E aí, realmente, você se sente isolado, você fica ali sem sentido da vida. O seu sentido da vida foi completamente roubado. As pessoas falam que você encontra sentido dentro da igreja.
Igreja, né? O sentido da vida lá. Mas não é verdade. Na verdade, você tem o seu sentido sequestrado. Eles te ensinam que você precisa trabalhar pra igreja gratuitamente, fazer todos aqueles serviços ali pra eles gratuitamente, dar o seu dízimo, orar, jejuar, não sei o quê, que lá no pós-vida você vai ter a sua recompensa. Você não tem o sentido da sua vida própria. Você não tá criando o seu próprio sentido. Você tá seguindo o sentido que criaram pra você, né?
Então, quando eles falam que você vai sair da igreja, você vai ficar sem sentido pra sua vida,
sua vida vai ser vazia, sua vida vai ser triste. E aí, quando eles fazem isso, de fato, é claro que você vai se sentir assim, triste, vazio, porque você perdeu o sentido da sua vida. Você perdeu as pessoas que você chamava de irmãos, de amigos. Claro que você vai ficar triste. Então, de certa forma, é também uma punição. Mas a igreja também ensina que você não deve andar na roda dos escarnecedores. E os escarnecedores são as pessoas que não são ali do seu grupo, da sua bolha. E aí você não deve andar. Você foi rejeitada pela família?
Inicialmente, quando eu me tornei até aí, eu criei o meu posicionamento nas redes sociais, houve um enfrentamento ali da minha mãe, principalmente. Meu pai é morto desde 2017, até então eu não tinha esse posicionamento ainda. Estava fora da igreja, meu pai ficava insistindo para que eu voltasse, mas eu falei, não pai, eu não vou voltar, não quero, não faz mais sentido para mim, não gosto, não me sentia bem, não me sentia bem mais na igreja.
pai depois que morreu, um pouco depois aí eu comecei esse posicionamento na internet aí sim, teve ali meus irmãos, né, minha família deixou de me seguir e eles não me seguem, de fato, né, só quem me segue hoje é a minha mãe pelo Facebook minha mãe sempre chorava, todos os dias minha mãe me ligava chorando, porque ela falou assim, o que você tá falando? você cresceu na igreja e tudo mais e o meu outro irmão também que é muito religioso, mas o outro mais novo nem tanto e ele ainda me segue, mas hoje a gente se dá super
bem, não tem rejeição, não tem... Ela aceitou a sua escolha. É, a minha mãe basicamente aceitou. Ela ainda manda pra mim. Mas esse assunto não é debate. Todo dia de mãe ela manda. Minha filha, Deus te abençoe. Deus te abençoe. Ela ainda faz isso. Mas é assim, é o que eu sempre falo pras pessoas. A gente precisa se posicionar muito bem, porque nós temos uma vida individual dos nossos pais. A gente não é uma extensão deles. A gente segue a nossa própria vida. E a gente não é obrigado a ficar agradando os nossos pais pra vida inteira.
Até porque não existe isso. Não tem como. Uma hora a gente vai desagradar. Uma hora nossos pais vão se decepcionar com a gente. Então não é justo que a gente abra a mão da nossa vida. Das nossas escolhas. Para agradar os nossos pais. E eu deixei isso muito claro para ela. Mãe eu te amo. Eu continuo sendo a mesma pessoa de sempre. A mesma filha. A mesma mãe. Que sempre cuidou dos filhos. Sempre trabalhou. E eu sou a mesma pessoa. Só que eu só não acredito mais no seu Deus. E ela chorou a beça. Você cresceu.
na igreja, você era líder, você era isso e aquilo. Pois é, mas foi uma coisa lá do passado. Fez parte da minha vida, mas não faz mais parte. E aí, levou um certo tempo, né, pra ela poder aceitar, pra assimilar isso, mas hoje ela até que aceita bem. Ela ainda tenta me converter, manda mensagem pra mim, áudio com música, vídeos de ex-ateus, manda pra mim, mas, assim, não tem conflito, sabe, entre a gente. Eu também não fico
tentando desconvertê-la. Se um dos seus filhos, sei lá, for tocado por Deus e quiser seguir esse caminho, o que você vai fazer? É, tocado por Deus não vai porque Deus não existe. Mas pode ser que eles queiram seguir. Inclusive, o pai da minha filha, ele é cristão e esses dias ele até levou a minha filha para a igreja do Silas Malafaia. Caralho, você ficou irado. Não, mas assim, eu não briguei, sabe? Porque ele é cristão.
filha, nós somos separados, mas ele é cristão. E ele levou. E o que eu disse à minha filha é o seguinte, que minha filha é ateia. Meus filhos são ateus. Eles não acreditam e detestam o ambiente de igreja. Não é porque eles não puderam ir. Eles foram, porque minha mãe é cristã. Minha mãe levava quando era pequeno. O pai da minha filha levava também. Mas eles não suportam o ambiente de igreja. Porque eles falam, gente, as pessoas ficam conversando com nada.
E assim, eles não assimilam aquilo como algo natural, sabe? Eles veem aquilo como realmente algo que não
isso é eles, eles não gostam. E aí ele levou, e eu falei, falei pra minha filha, filha, olha só, você não é obrigada a ir, você não tem obrigação, você tá com 17 anos, você não é obrigada. Ah, não, mãe, mas como assim eu vou desrespeitar, desobedecer? Não é sobre desobedecer, é sobre respeito, você já falou pra ele que você não acredita, que você não gosta, e ele tá te forçando a isso, né? E eu já conversei com ele também a respeito disso, mas ainda meio que ele é militar, é bolsonarista, é cristão,
Então, é uma situação bastante complexa, né? Mas ainda bem que é raramente ele faz isso. E minha filha não, não, não quer. A mais velha, então, a mais velha, vive compartilhando os meus vídeos pra todo mundo, pra quem quiser ouvir. É super ateia também, ativista. E o mais novinho também é ativista. Onde chega na escola, ele chega assim, qualquer oportunidade, ele... Oi, tudo bem? Meu nome é João Pedro, eu sou ateu. É assim que ele se apresenta pra todo mundo.
sente envergonhado disso em nenhum momento, apesar de que na escola dele, uma vez a professora quis envergonhá-lo, dizendo que você não acredita em Deus, então quem botou a água dentro do coco? E falou isso na frente de todo mundo dentro da escola. Olha que absurdo. Imagina uma criança ter que responder uma questão dessa. Enfim, aí quando chegou em casa, eu mostrei pra ele, é assim, ó, filho, que a água fica dentro do coco e tal. Aí eu falei, da próxima vez você
Responde, porque ele não é só... Meus filhos não são só ateus porque eu influenciei eles a serem ateus no sentido de que não levei para a igreja e disse, não, vocês são ateus. Não. Eu sempre incentivo a leitura. Meus filhos leem muitos livros, desde pequenininhos. A gente ensina eles a ler muito, estudar muito. E aí meu filho gosta de astronomia. Meu filho gosta de... Astrologia, perdão. Astrologia? Astronomia, né? Astronomia.
Astronomia, tá certo. Astronomia. Ele gosta de ciência. Ele segue os canais de...
de ciência. Ele adora tudo sobre isso. Ele já leu o livro de Darwin para crianças. Enfim, todos esses livros científicos sobre física infantis, ele tem lá, ele lê. A minha filha também é uma leitora, assim, assídua, adora ler livros. E isso faz toda a diferença, porque você não está criando filhos só sem religião ou só doutrinando a não acreditar em algo sem eles terem nada como base. Eles têm base. Eles têm fundamento. Eles têm conhecimento.
de outras coisas, sabe? E quando a criança era doutrinada dentro da igreja, ela é ensinada a só ler um livro, só ler a Bíblia, só seguir aquelas regras ali como se fosse verdade absoluta e universal. E não é, né? Então, eu acho que isso faz total diferença até na criação humanista que a gente dá para os nossos filhos. De eles olharem para as outras pessoas e perceberem que são pessoas iguais a eles. Não existe diferença. Não existe diferença de raça, de etnia, de orientação sexual, de nada
disso. A hora que você falou que o pai de sua filha levou ela na igreja do Silas Malafaia, na mesma hora eu já vi na cabeça assim, deve ser bolsonarista. Será por que eu pensei isso? Ele é militar ainda. Militar, né? É meio paia, né? Desculpa, eu sei. O Bertinho vai achar mó ruim de eu ter falado isso. É porque assim, eu pensei isso. Olha que merda.
movimento, assim, é um movimento político, religioso? É isso que tá acontecendo no Brasil? É isso que tá acontecendo. A gente tá vivendo essa teologia de domínio, né? Você pensou também? Não. Não? Não, assim, não. Sobre isso, não. Eu falo do Silas Malafa, eu pensei, porra, engrupiu, né? Engrupiu, né? Eu pensei nessa, mas não associei com mais nada. Podia ser qualquer outra, né? Mas do Silas Malafa. Eu pensei nisso, pensei, porra.
Foi exatamente o que eu pensei na hora. Você pensou? Nessa eu pensei. Irmão, você acha que a igreja tinha que ser regulamentada?
implementado no país? Eu não mexo na fé das pessoas aí, fica para vocês aí. Deixa para vocês aí, compra essa briga aí. Compra essa briga aí para mim. A gente precisa comprar essa briga, todos nós precisamos comprar essa briga, as igrejas precisam ser regulamentadas e fiscalizadas. Regulamentada em que termo? Em que sentido? Em que sentido de que eles não podem cometer crimes sem serem punidos, eles não podem cometer crimes de homofobia dentro das igrejas, eles não podem cometer crime de estelionatos, eles não podem cometer abusos, isso passaria
impune. Mas eles têm liberdade para cometer crime de homofobia? Não, não tem. A gente precisa de punições mais rígidas, de uma fiscalização para saber o que está sendo dito ali dentro das igrejas. Vocês não acham? Mas aí eu entendo o que você está falando. Eu sou super a favor de qualquer, nesse sentido, qualquer tipo de repreensão. Mas isso não é, vamos pensar, isso não é exclusivo de uma igreja. Isso é exclusivo às vezes de grupos. Mas a gente está falando de uma instituição. Todo tipo de grupo.
A gente está falando de uma instituição que já cometeu todos os tipos de atrocidades durante séculos, começando por aqui. E que também fez muitas coisas boas. Eu digo assim, a igreja, vamos pensar, católica, foi quem fez, por exemplo, as primeiras creches, as escolas. São bons atos. Mas a troco de quê? A troco de que eles fizeram isso e por que eles fizeram isso? Como a gente estava falando aqui no começo, a igreja surge como Estado.
ela é próprio Estado, ela é política. Então, se ela constrói hospitais, escolas, faculdades, ela não faz isso porque ela é boazinha, porque ela quer ajudar os mais humildes. Ela fez isso porque ela precisava de médicos, ela precisava de pessoas que estudassem para poder continuar ali herdando o conhecimento que eles, inclusive, eles determinavam que as pessoas deveriam estudar teologia. As pessoas falam muito assim, ah, mas os cientistas cristãos que contribuíram para a descoberta do Big Bang, não sei o quê,
primeiro que naquela época você não podia se dizer não cristão se você quisesse ser um cientista você não podia de jeito nenhum e você tinha que estudar teologia para você continuar estudando também os estudos científicos então essa ideia de que a religião ela casa bem ali com a ciência não casa ela sempre perseguiu os cientistas sempre perseguiu matou queimou né e quem não se convertia ao cristianismo não podia continuar suas pesquisas quando não era morto era preso então não podia mais continuar
suas pesquisas de livros eram queimados e tudo mais. Então, a ciência existiu apesar da igreja. As escolas, os hospitais existiram apesar da igreja. A gente está falando de uma instituição que se tem dado, que eles têm aí 3 trilhões, 3 trilhões de dólares de patrimônio, de riqueza, a igreja católica. Então, a gente está falando de 3 trilhões e isso é o que se tem, o que se sabe, porque pode ser muito mais do que isso.
instituição que não paga impostos. Que poderia acabar com a fome no mundo, com muito menos do que isso. E aí eles constroem algumas escolas, algumas creches e tratar isso como algo que é um mérito, é uma coisa incrível. A gente sabe que não é uma coisa incrível, até porque existe uma doutrinação para que aquelas pessoas estejam recebendo tudo que elas vão receber. Se ela recebe ajuda de um lado, mas do outro lado ela recebe também a culpa,
recebe o medo, ela recebe a vergonha, ela recebe dependência desse Deus, ela acredita que se ela não fizer bondade, ela vai para o inferno, que se ela cometer qualquer tipo de pecado, ela pode também ir para o inferno, vai para o céu e por aí vai. Então, assim, existem muitos prejuízos. Existem estudos que falam que a religião faz bem para algumas pessoas, mas existem estudos também que mostram os malefícios que podem superar muito mais do que os benefícios que a religião pode causar à vida das pessoas.
principalmente as religiões mais fundamentalistas, as igrejas mais fundamentalistas, porque elas ensinam sobre culpa, sobre medo, sobre vergonha, você precisa sentir vergonha de quem você é, você precisa se humilhar, você é pobre, miserável, pecador, você é um nada, você não presta por natureza, você já nasceu assim. Então, quem vive com todo esse peso, não vive bem, não vive feliz, não adianta, gente. Isso é psicológico, isso é da psicologia, se você vive carregando todas essas coisas dentro de você,
ser feliz. E aí a igreja, ela dá com uma mão, né? Uma coisa boa e com a outra mão ela dá esse presente também pras pessoas. Engraçado, né? Eu tava conversando com um biólogo essa semana e eu tava contando pra gente que nada volta a ser o que era. As coisas mudam, mas não volta a ser o que era. Eu sei que às vezes alguns ateus têm a vontade que o mundo voltasse a ser o que era antes de ter religião. Mas isso é impossível.
Se a religião acaba hoje, o que pode acontecer é o mundo mudar. E será que não mudaria para algo muito pior? Por exemplo, eu estou pensando aqui no Papa. Principalmente nos últimos Papas que a gente teve. Que foram homens bons. Que foram homens que direcionaram a população católica. A gente tem esse algum. A gente tem o novo Papa agora que fez a Dilex T. Que é um chamado para cuidar dos mais pobres.
O Papa Francisco tem várias falas dele, né? Falando que não acusaria uma mulher que fez aborto, né? Falando que a igreja tem que aceitar os gays. Tudo isso, assim, foi falado pelos últimos papas, né? Imagina se hoje a gente acaba com esse homem. Ó, o Papa não pode existir. Não vai voltar a ser o que era antes. Vai mudar. Será que não pode mudar pra algo mais radical? É porque a gente sempre tem essa mente binária, né?
nada ter essa mente binária. É preto, é branco, é escuridão, é luz. A gente é ensinado dessa forma. Se não for isso, é isso. Se o Papa morrer, vai se tornar algo catastrófico. E aí eles sempre dão um exemplo, a maioria das pessoas dão um exemplo do islamismo tomar conta da sociedade. Pode ser muito pior e tudo mais. Mas não tem só essas opções. Hoje a gente, quem convive mais com ateus, sabe que quando a gente se torna ateu, a gente volta a ser ateu,
costumo dizer, né, que a gente nasce ateu, que a gente volta a ser ateu, a gente se torna pessoas muito mais racionais, muito mais conscientes, a gente vive pela lógica, a gente vive através da nossa consciência, e a nossa sociedade, ela se desenvolveu com essa moralidade que veio da nossa evolução, né, a gente precisava cooperar uns com os outros, a gente nunca precisou de religião para saber que fazer o mal para o outro fazia mal para o coletivo, a gente foi aprendendo isso ao longo da nossa evolução.
vive sem religião e a gente se desfaz de todas essas crenças que são tóxicas para a nossa sociedade, para a gente também, né? A forma como a gente se enxerga, isso também acaba fazendo mal para os outros. Se eu me enxergo como alguém falho, pecador, alguém que não é merecedora de nada, que eu mereço todo o castigo do mundo porque eu sou uma pessoa horrível, se eu me enxergo dessa forma, é claro que eu vou exalar isso também para o meu próximo. Eu não vou passar a ser bondosa com as outras pessoas,
comigo mesma. Então, quando a gente tem essa consciência, traz essa lógica, essa racionalidade, a gente aprende também a se enxergar com um olhar de mais compaixão, a gente se entende como ser completo, a gente se olha e fala, não tem nada de errado comigo. Você acredita que a mudança sempre vai ser para algo positivo? Sempre para algo melhor? Eu prefiro acreditar que a gente vai mudar para algo melhor. Eu acho que uma sociedade, a gente já tem exemplos disso, a gente não precisa só filosofar aqui, mas a gente já tem
de outras sociedades que têm menos pessoas religiosas e que são sociedades com menos violência, com muito mais cooperatividade, como a própria China, que vocês estiveram lá. É uma sociedade que tem uma maioria de ateus. Eles vivem até uma filosofia, mas é filosofia. E, gente, se a gente parar para analisar, vamos esquecer as religiões abrahâmicas, o islamismo, o judaísmo e o cristianismo. Todos eles vêm da mesma matriz.
Tem o mesmo Deus, que inclusive estão em guerra agora. Os três deuses, né? Então, a gente tem outras religiões. Tem o próprio budismo. Tem qualquer outra religião. Pensa em qualquer outra. Espiritismo, religiões de matriz africana, várias outras. Qual delas você vê fazendo guerras em nome da religião? Qual delas você vê perseguindo pessoas por causa da religião em nome da religião? Tem alguma coisa errada. A gente precisa olhar pra isso.
errada com uma religião que está sempre reproduzindo guerra, perseguição, que está sempre reproduzindo preconceito com as outras pessoas, racismo. A própria Bíblia apoiou a escravidão. Tem alguma coisa de errado com uma igreja, com uma religião que abusa de crianças sistematicamente? Mais de 440 mil casos. Mas isso não é religião, isso é o homem. Mas a religião é feita por quem? Porque os que estão fora da religião também fazem. Não, mas quantos casos você ouve fora da religião? Porque se você joga
por exemplo, uma religião que abusa de crianças, você esquece de uma galera que não está na religião que está fazendo, entendeu? É que são coisas que são terríveis e não dá para se associar isso a uma coisa direta. Sim, só que isso é sistemático. É uma coisa muito maior. Sim, mas é sistemático, Robertinho. O problema é que é sistemático.
Eu estou falando aqui, esses casos foram datados em 2013, 440 mil casos dentro da Igreja Católica lá na França, 330 mil casos na Espanha, mais de 800 mil casos espalhados pelo mundo. E fora que a gente sabe que aqui no Brasil não existe uma pesquisa para que eles possam contabilizar, mas a gente todos os dias vê pastores abusando de crianças, matando crianças e feminicídio aumentando.
cristão, mas que é extremamente violento. Tem pedófilo pra caralho. Tem muito pedófilo. Não tô defendendo, não. O que eu falei é o seguinte, é uma coisa muito importante pra gente pensar assim, vamos começar a olhar nesse sentido. A visão tem que ser ampla. Se tem qualquer coisa nesse significado, você não pode passar pano pra ninguém e tem que ser severamente punido. Ele é pastor? Pau nele. Ele é... Pau nele. Ele é instrutor? Não dá pra se realizar isso, não.
Entendeu? Ah, eu acho que talvez o erro maior seja em algumas pessoas por estarem próximas ou vestirem uma camisa parecida, querer defender uma parte, uma entidade ou outra. Nesse ponto, de verdade, o certo é certo, é errado, é errado. Sim, absolutamente. Independente de religião, crença, raça, cor, é errado, é errado para todo mundo. Absolutamente, mas a questão é que se fosse uma outra instituição, você acha que essas portas ainda estariam abertas? Se fosse uma instituição ateísta, por exemplo, que tivesse, que fosse,
Um ou dois casos de abuso. Estava tudo na fogueira. Já tinha fechado essas instituições. Ou, no mínimo, regulamentação e fiscalização. Deveria ter. Vou contar aqui um caso para vocês da minha igreja. Tinha duas pessoas da minha igreja que eram ex-presidiários. E esses dois ex-presidiários contavam o testemunho deles lá na igreja. Um era ex-assassino e o outro era ex-sequestrador. E eles eram irmãos lá que cantavam, que pregavam,
crianças. Não existe nem essa questão de antecedentes criminais para que alguém possa se tornar pastor. Não existe nenhum tipo de regra para que alguém seja pastor. Ele só abre uma portinha dentro de casa e pronto. E aí é um pedófilo, é um assassino. Quantos e quantos casos a gente vê aí de bandidos que abriram igrejas e agora são pastores e estão lidando com pessoas, estão lidando com crianças e não existe nenhum tipo de fiscalização sobre isso. Entende? Se fosse qualquer
instituição, se fosse uma igreja de matriz africana e que isso acontecesse, se acontecesse um, dois, três casos, vou colocar um pouquinho mais, vamos dizer que eles acobertaram assim como as igrejas acobertam, vamos dizer que acobertaram e aí surgiu cinco casos, cinco casos, o que vai acontecer? Vai ter um linchamento desse terreiro, vai ter um linchamento desse pai de santo, no mínimo, e eles vão acabar com aquele terreno, aqui não vai funcionar mais.
Gente, a gente está vivendo num país que é, ele não é institucionalmente teocrático ainda,
mas a gente vive meio que uma teocracia aqui. Eu tenho um amigo, ele é muito religioso, muito, e ele fala sempre que a salvação é individual. Você acredita que é isso mesmo ou dá para o grupo agir para salvar? É salvar de quê? Vai salvar de quê? Do trauma, talvez, para você a salvação é essa. Sim, mas aí é isso. Para o que você acredita, no caso, é o que eu queria saber. Não tem essa questão de salvação pós-vida,
pós-morte, não existe isso. Isso é uma criação também da igreja para controlar a gente aqui enquanto em vida, para que as pessoas possam seguir ali sempre a igreja, acreditar que precisa ir para a igreja para buscar esse tipo de salvação. Mas é claro que a gente se salvar individualmente, superar os nossos traumas e nos tornarmos pessoas melhores para a gente viver na coletividade, é claro que isso vai ser algo individual, mas que dá para a gente trabalhar essas questões também, mostrando para as pessoas, trazendo consciência.
tem a nossa consciência, a nossa razão suprimida ali pela igreja desde muito cedo. A gente não pode pensar, não pode questionar, a gente não pode buscar nada fora da bolha, você tem que pensar de acordo com aquilo que eles mandam você pensar. Se você pensar fora disso, você se torna um rebelde dentro da igreja. Você é rebelde, olha, Deus vai te castigar, essa coisa do inimigo. Então a gente suprime o tempo todo o nosso questionamento e por isso a gente acaba se tornando pessoas que acabam aceitando todo tipo de criação
de invenção, e a gente não questiona, principalmente se vier de uma autoridade. Tem esse sistema também, que é hierárquico, que quando a gente olha para alguém que está em posição de autoridade, a gente olha para aquela pessoa e, bom, se ele é uma autoridade, se ele é um professor, se ele é um pastor, se ele é alguém que está em posição de autoridade, logo eu devo acreditar naquilo que ele está falando. E a gente não pensa sobre aquilo, a gente fica só, não, se foi ele que disse, então logo eu acredito.
a gente precisa resgatar esse pensamento crítico, a gente precisa analisar aquilo que a gente tá ouvindo, filtrar o que a gente tá ouvindo, o que a gente tá assistindo na internet. Quantas fake news estão sendo reproduzidas aí, né? Agora, ano de eleição, as pessoas estão usando IA pra criar... Outro dia eu tava vendo um vídeo de pessoas subindo pelas paredes como se fossem demônios, e o pessoal compartilhando, falando, olha, tá vendo?
Satanás existe. Então, assim, é daí pra pior, é daí pra pior, e as pessoas vão acreditando nessas fake news, por quê?
tem pensamento crítico, não olha para aquilo e fala, o que será que é isso? Esses dias eu arrumei, arrumei não, quem arrumou comigo foi ele, o Caio Fábio arrumou uma treta comigo, falando, porque a gente estava falando sobre espírito, alma, né, e eu estava trazendo uma definição ali científica sobre aquilo, né, que a gente sempre foi condicionado a acreditar que tudo aquilo que a gente não tem resposta são espíritos, né, ou então que a gente tem uma alma que vai ficar no pós-vida e tudo mais, mas a gente foi condicionado a isso porque a gente realmente não tinha respostas lá,
Hoje, a ciência traz algumas respostas, né? Tem a pareidolia, que quando a gente imagina ver desenhos nas nuvens, né? Da mesma forma que a gente vê aqueles desenhos nas nuvens, às vezes a gente olha para uma imagem na parede e a gente vê a imagem de um monstro, né? Que parece um satanás, aquele satanás que a gente fantasiou sempre na nossa mente. Tem a glossalalia, né? Quando as pessoas falam em língua. Tem todo um condicionamento social.
rodopiando, que estão falando em línguas, mas claro que você também quer pertencer àquele grupo e você acaba repetindo. E aí ele acabou depois fazendo um vídeo lá, falando que a vida de quem não acredita é muito triste. Tadinha. Ela é muito traumatizada. Tadinha. Ele disse isso na descrição e no vídeo ele falou que tadinha. Sinto até uma certa vergonha alheia, porque ele quis dizer que espíritos existem sim, tudo mais.
E entende, a gente não precisa mais hoje acreditar, a gente tem respostas, mas as pessoas ainda querem dizer, não, eu não quero, não quero saber, eu só quero acreditar. E aí é quando a gente vê esse monte de gente aí da extrema direita reproduzindo um monte de fake news, acreditando em fake news, essas pessoas que não lutam por nenhuma causa realmente real, estão sempre lutando contra o inimigo que foi,
criado pela igreja, né? Então você não acredita nem nesse bem, mas também no mal você também não acredita. Não, obviamente que não. Espíritos malignos, você atravessa um cemitério meia-noite sem problema nenhum, fica no escuro de boassa, casa assombrada também, zero, zero. Pessoa endemoniada, pessoa com
olivirana, aquelas coisas, não. Não, a gente sempre vai buscar uma lógica para aquilo. Tem uma resposta científica para isso. É, o que pode estar acontecendo com ela? Será que ela não está com algum tipo de problema ali? O que está acontecendo com essa pessoa? Ela pode ter transtorno bipolar, ela pode ter esquizofrenia. Oi? Está com um encosto lá dentro dela? Lógico que isso é um problema. Não, está encostado dentro dela. Ela pode ter esquizofrenia, ela pode ter um transtorno bipolar. Pode ser alguma coisa nesse sentido. E a gente vai trazendo para a raciocínio
personalidade? Por que a gente sempre tem que atribuir a seres mágicos, seres espirituais que estão tomando? Porque, para pra pensar, se você estiver no candomblé, eu nunca fui, tá? Mas eu já vi alguns vídeos. Se você estiver no candomblé, as pessoas têm um tipo de comportamento, né? Elas vão incorporar aqueles espíritos daquela religião. Se ela tá dentro da igreja preentecostal, elas vão incorporar aquele espírito que elas estão acostumadas a ver ali dentro. Então, percebe que existe um padrão? Elas nunca
incorporar o espírito da outra religião dentro da igreja e dentro do terreiro lá. E se você pega o cara que estava lá dentro da sua igreja, lá recebendo o, sei lá, o sete cordas, sei lá, um trem que tem lá. Você levar ele para outra religião e ele chegar lá na outra religião e incorporar o outro bicho que está lá. É porque assim, dentro da igreja, isso pode até dizer que acontece. Sabe por quê? Porque a igreja fala o tempo inteiro da pomba gira, que ela é o demônio.
E aí fala o Tranca Rua, ele é o demônio. A igreja trata como o demônio. Então, quando alguém incorpora, eles já chamam por esse nome. Eles dizem, ah, isso aqui é Pomba Gira, isso aqui é o Tranca Rua. A igreja faz isso. Agora, eu acho que dentro do terreiro, eles não vão incorporar Jesus Cristo, né? Ou o Espírito Santo. Não vão, né? Eu acredito que não. Eu não sei porque eu não estava lá. Mas, geralmente, é isso que acontece.
que a pessoa tá vivendo. É esse tipo de manifestação que vai ter. E aí existe uma explicação lógica pra essas coisas. Só que a gente foi condicionado a sempre atribuir aquilo que a gente não tem resposta a algo sobrenatural. Ah, isso que é... Não, foi Deus. É Deus. Se a gente não tem resposta. Só que hoje a gente tem. Aí é que tá. E aí, pra gente não ser enganado e acreditar que a vacina pode te transformar num jacaré ou que ela tem chip, você precisa cultivar o seu pensamento
crítico, porque se você acredita nisso, nesse tipo de coisa que é verdade, mesmo você tendo provas ali, tendo dados porque hoje o que a gente está vivendo é isso, as pessoas elas veem a prova ali na mão dela e estão dizendo, oh não a terra é plana, não importa se tem foto da terra que ela é redonda e que não importa ela quer dizer que a terra é plana eles são negacionistas e eles se orgulham disso, então se a gente continua negando mesmo quando a gente já tem uma certa
consciência, né? E eu falo muito isso pros meus seguidores, né? Você já tem uma certa consciência aqui comigo, porque eu não tô dizendo o que você deve pensar, mas como você deve pensar. Deve pensar com pensamento crítico, analisa as coisas, não atribui tudo ao sobrenatural. Porque não adianta você só sair da igreja. Você saiu da igreja, você pode ter se tornado ateu, mas você continua ainda condicionado às mesmas crenças. E isso vai continuar te prejudicando, isso vai continuar te fazendo mal. Esse grupo poderia ser os ateus místicos? É, tem muito ateus místicos.
Tem muitos. Vários. Tem ateus que acreditam em Jesus. Tem ateu que acredita em pós-vida, reencarnação. Não, ateu que acredita em Jesus, ele não é ateu. Tem, tem. Não, não tem como. Não, ele não é ateu. Pois é, exatamente o que eu digo. Não, ele não é ateu. Mas ateu místico tem. É, mas ele é um ateu que lê muitos livros. Talvez ele lê a Bíblia. Não, mas a maioria dos ateus leem a Bíblia. Então. A maioria dos ateus. Mas é porque ele só não tem mais evidências.
da existência de... O ateu que lê a Bíblia é o ateu militante. O ateu militante, ele é a Bíblia. Você concorda com isso? É, a maioria sim. O que é militante, o ateu que é ateu mesmo, ele não liga muito. Ele nem liga, não está militando, não quer convencer ninguém e tal. Você tem essa parada? Você quer uma bandeira sua de convencer as pessoas? Então, o que eu quero fazer aqui, o meu trabalho... Você é uma ateia militante. Eu sou uma ateia militante, mas o que eu quero, na verdade, é mostrar para as pessoas que existe uma opção
sem religião. E existe uma opção muito boa, como eu estava dizendo. Muito boa, que é você não acreditar, não precisa acreditar. Existem várias formas da gente encontrar sentido na nossa própria vida. E se ela falar, não, Aline, eu sei que tem essa opção, mas eu quero ficar aqui. Está tudo certo. Eu trato todo mundo igual. Não tem essa... Não existe isso, né? Não ia ter uma tiradinha, um deboche, alguma coisa assim. Depende. Porque eu já entrei em grupos de ateus. Você sabe que rola, né? Às vezes o cara entra lá,
eu acredito. Todo mundo está debochando o cara. Não tem um respeito mútuo nesse ponto. Hoje, o que eu faço, como eu sempre digo, eu não bato na porta de ninguém. Eu não obrigo ninguém a ouvir o que eu tenho para dizer. Eu tenho um perfil aberto e quem quer me seguir, me segue e ouve aquilo que eu tenho para dizer. É obrigado a concordar com tudo? Absolutamente que não. Mas também se discordar, discorde com respeito. Assim, a gente consegue ter uma conversa
dura, né, a gente consegue ele trazer ideias, agora discordar sem respeito, aí não, então é o que eu sempre falo pra eles, gente, é, pra mim, uma vida sem fé nenhuma, sem religião nenhuma, é muito superior a uma vida com fé, pra mim, pode ser que você queira isso também pra você, e pode ser que não, e tá tudo bem, o importante é você não ser mais guiado por essas ideias, por essas crenças, e isso te causar mal, é você enxergar o outro, olhar pro outro e achar que ele é um pobre
Coitado, porque ele não tem a mesma fé que a sua. É você não querer impor ao outro. Só de você já não fazer isso, já tá maravilhoso. Esse papo é legal, assim. É bacana o jeito que você tá falando. Eu até vou citar nomes aqui, porque são pessoas que eu gosto. São críticas, mas eu gosto delas. Até eu tava falando com o Albertinho recente. Vendo um vídeo do Jason, você sabe quem que é o Jason. E do Antônio Miranda, né? E eles sentaram com um cara que é crente e tal. E tava conversando com um cara e tal. E é legal.
trocar esse tipo de ideia. É massa. Independente do que você acredita, do que a gente acredita, é massa e é importante. A gente tem que dialogar. O diálogo sempre prevalece. Agora, os dois conversando com o crente, cara, é deboche atrás de deboche, assim, velho. E aí é foda. E você olha assim, eu até comentei com o Albertinho, falei, mano, nossa, cara, mas isso aqui mais afasta do que aproxima as pessoas. Porque aí eu já conheço vários evangélicos que não aceitariam sentar na mesa com eles pra conversar,
por conta do deboche. Então, assim, é um ateu militante que mais atrapalha vocês do que ajuda vocês. É, eu acho que cada um tem o seu estilo, né? Tem uns ateus que são mais militantes, são despregadores realmente da Bíblia, do Evangelho, né? E eu acho que também é um papel importante, sabe? Eu acho que a gente recebeu muita imposição durante muitos anos, são muitos séculos de imposição de uma só religião.
não é, eles não são respeitosos com a gente, eles não são respeitosos com os ateus, eles não são respeitosos com outras religiões, eles não são respeitosos com pessoas que têm uma orientação sexual diferente, muito pelo contrário, eles são impositivos, você é pecador, você precisa do meu Deus, você precisa se arrepender, sempre foi assim. E eu acho que tá existindo, agora que tá acontecendo, é uma virada, né, nessa história aí.
Os ateus, eles estão dizendo, olha, eu tenho o direito também de existir, e agora eu também vou dizer a você que uma vida sem o seu Deus,
é muito melhor, e eu acho que isso está acontecendo, eu acho que cada um tem o seu estilo, tem aqueles que são bem mais brandos, e aí eu também não concordo, porque essa brandice, essa condescendência, não cabe, principalmente no momento que a gente está vivendo hoje, dessa dominação dos neopentecostais, então não cabe essa condescendência hoje, mas por outro lado também, eu gosto de trazer as pessoas, porque o meu trabalho é principalmente para aqueles que acabaram de sair da religião, você saiu da religião, e você está
perdido, você não entende muitas coisas ainda, não sabe exatamente o que você está sentindo, está se sentindo culpado porque largou a igreja, sentido da vida, propósito, ainda está com muito medo de ser castigado por Deus, que aconteça alguma coisa com a sua família ou com você mesmo, então eu faço esse espaço de acolhimento, eu tenho um espaço chamado Comunidade Despertar, onde eu acolho essas pessoas que acabaram de sair da religião e estão passando por esse processo, a gente faz ali um processo
onde as pessoas vão usando ferramentas terapêuticas e também de conhecimento, de pensamento crítico. E a gente vai fazendo esse trabalho. Então, o meu estilo acaba sendo um pouco mais brando nesse sentido, de não atacar as pessoas, porque eu entendo, eu já estive do lado de lá. E eu sei exatamente como é, eu sei o que elas estão sentindo. Você acredita que os sionistas vêm usando os neopentecostais, assim, como militantes? Os sionistas vêm usando? Sim, sim, sim.
Esses movimentos neopentecostais, os caras estão com bandeira de Israel, coisa do tipo, coisa que nunca rolou. Nunca rolou, que são religiões bem opostas. O judaísmo nem gosta dos cristãos. Nem gosta, nem gosta. Tem vídeo aí que você vai lá visitar Jerusalém e os caras cospem em você quando você vai lá. Mas mesmo assim, hoje tem uma militância neopentecostal trabalhando a favor desses caras. Você enxerga isso também?
é que tudo que vai contra eles é inimigo. E o que vai a favor, eles abraçam, não importa o que eles façam. Eles podem matar crianças, eles podem ser abusadores, não importa, eles vão abraçar aquelas pessoas, aquela moral relativa da igreja. E, nesse caso dos sionistas, é a mesma coisa. Eles acham que veio da mesma raiz o Israel da Bíblia, o Deus de Abraão, e aí eles abraçam.
abraçam os sionistas como se fossem parte deles também. E é claro que esse movimento neopentecostal reforça isso, né? Mas será que eles podem usar esses neopentecostais contra os islamistas agora? Claro, é claro. Não é isso que eles têm feito? Eles são inimigos, né? São inimigos de Deus, do Deus de Abraão. E eles acabam agindo sempre ali como se eles fossem, de fato, inimigos a serem combatidos. Inclusive, é engraçado isso, né?
As pessoas vivem realmente numa bolha paralela. Eu espero que aqui tenha as duas bolhas. Porque o que eu estava vendo de notícia lá do outro lado, que a minha sogra é bolsonarista, e aí ela estava mandando vídeo para o meu parceiro, e aí ela mandou um vídeo lá dizendo que os palestinos tinham matado as crianças, os iranianos mataram aquelas crianças na escola. E eu falei assim, como assim? Como assim? É esse tipo de propagação de mentira,
de fake news que é propagado lá do lado deles. Então, entende? Eles fomentam ódio através de mentiras, através de fake news. E, realmente, eles vivem numa bolha que eles não veem o que tá acontecendo. Não veem o que tá acontecendo. A minha sogra, ela é louca por cachorro. Ela é apaixonada. Ela gosta mais de cachorro do que de ser humano. E ela viu aquele caso do cachorro... Ela não viu aquele caso do cachorro-orelha. Aquela comoção gigantesca na internet.
A minha sogra não viu um vídeo na bolha dela sobre o caso do orelha. E eu falei assim, como assim?
Eles não falam sobre isso. Se for do lado deles, eles passam pano, né? Eles não mostram os crimes que são cometidos do lado de lá. E é por isso que as pessoas ficam alienadas, completamente alienadas, achando que, não, aqui o meu lado é das pessoas boas, das pessoas corretas, não são corruptas. O outro lado, não. O outro lado é que não presta. E você acha que tem uma tentativa desse... É uma cegueira, só apontando coletiva. Tem dos dois lados. Tem também, tem dos dois lados.
é esse. Quando você entra dentro da bolha, você olha lá, o meu é santo, o meu não roubo, o meu não faz isso, o meu não passa a mão. A bolha é cruel. Eu queria voltar um pouquinho. Embora na esquerda o que eu percebo é o seguinte. Vai passar a mão. Não, não. Porque tem muitos, eu vejo que tem muitos intelectuais do lado de cá. Então assim, eu percebo que do lado de cá é claro que tem sim aquelas pessoas que são mais, não,
não tem nada de errado com o governo, ele não fez nada de errado. Mas também tem as pessoas que são muito críticas. Eu vivo nesse meio, né? E são críticas, sim. Elas apontam os defeitos, apontam os erros e elas mostram ali. Isso aqui errou, isso aqui acertou, isso aqui não, isso aqui não concordo. Então, elas têm mais facilidade. Até porque, quando a gente olha para o outro lado, lá, para a extrema-direita, a gente vê que eles têm um voto ideológico, né? Eles trouxeram essa ideia religiosa do cristianismo para dentro da política.
Dorothy Solid, ela chama isso de cristofascismo, né? E aí mistura essas ideias do fascismo junto com o cristianismo e os neopentecostais aproveitam de tudo isso que está acontecendo e inserem isso agora dentro desse movimento. E aí é por isso que a gente vê o que está acontecendo nos dias de hoje. As pessoas, elas não se importam mais com a verdade, elas não se importam mais se a pessoa, ela cometeu de fato o crime ou não, né?
aconteceu do INSS. Vários pastores envolvidos. E eles... E o Lula? Eles só querem saber disso. Não importa. O voto deles é ideológico. E isso vem ali sendo alimentado, reforçado por esses pastores neopentecostais que fazem esse tipo de meio que lavagem cerebral mesmo na mente das pessoas. Você acha que esses pastores também estão tendo uma tentativa de sequestrar a ciência para eles? Estou te perguntando isso pelo seguinte motivo. Saiu agora
agora o estudo dessa polilaminina, né? E aí o pessoal já, ó, formato de cruz, ó, é Deus que mandou, tal. E todas as religiões, a maioria dessas religiões, né? Falando, ó, isso aqui é Deus que estão mandando pra gente, tal. E aí, o que que tu fala? Sempre foi assim, né? Eles sempre quiseram sequestrar tudo, né? Se algo de bom acontece, foi Deus. Se algo de ruim acontece, foi porque Deus permitiu. Deus nunca perde, né? Inclusive na ciência.
Falar da teologia de domínio e a gente sabe exatamente por que tudo isso está acontecendo. Eles têm a ideia de dominar as sete montanhas da sociedade, ali é política, eles têm a ideia de dominar a educação, a família, esses centros principais, o entretenimento, a nossa cultura, a segurança, por isso que a gente vê hoje igrejas cheias de militares, PMs, até a força militar realmente do exército lá dentro.
Toda essa dominação acontecendo e agora na esfera científica também, trazendo isso aqui para eles, olha, Deus, é Deus quem fez e tudo mais, tirando o mérito humano. E a gente vê que tudo isso tem a ver com essa teologia de domínio que está em curso mais do que nunca atualmente. E é por isso que a gente precisa olhar para isso com mais seriedade, sabe? A gente precisa parar de olhar com condescendência, porque isso é muito grave. A teologia de domínio, o que é? Eles querem?
substituir a nossa Constituição pela lei bíblica. E a gente sabe muito bem o que pode acontecer depois disso, a partir disso. Quando a gente se torna um Estado teocêntrico, a nossa existência que está em risco. Isso aqui não é um papo para poder aterrorizar as pessoas. Não tem a ver com isso, não. Isso já vem acontecendo desde... Você está fazendo comigo igual a igreja fez com você, tá? Isso vem desde 1970. Isso já vem acontecendo há muitos anos e a gente não percebeu. Mas você acha que a gente tem que continuar sendo um Estado laico?
a gente tem que passar a ser um Estado ateu? Eu acho que a gente precisa ser um Estado soberano. Um Estado soberano. Um Estado que esteja acima da religião. Não tem que ter mais espaço pra outras religiões. Não tem que ter mais... Estado laico seria isso. Então, Estado laico é justamente não ter interferência nenhuma. Zero. De qualquer religião. O que a gente vê hoje, que sempre foi o nosso Estado laico, é que primeiro que o Estado laico não foi criado por ateus. Ele foi criado por religiosos. Pela igreja.
proteger do Estado. Então, a gente percebe que na nossa Constituição existem várias leis que protegem a igreja, inclusive de ela não pagar os impostos que ela deveria pagar. Educação religiosa nas escolas tem na nossa Constituição, que ela tem o direito de dar educação. Então, a gente percebe que a Constituição privilegia o cristianismo, uma só religião. E isso dentro de um Estado laico. E agora, o que estão tentando fazer,
Estado laico, é abrir para mais outras religiões. Sendo que essas outras religiões, se elas entrarem ali no Congresso, por exemplo, elas vão ser minorias. Porque a gente tem uma maioria de cristãos. Então, sempre, todos os espaços vão ser tomados por muito mais cristãos do que qualquer outra religião. Então, não é abrir espaço para outras religiões. É dizer, aqui não entra religião. Aqui dentro do Congresso, não. No Estado, não.
Não pode haver interferência alguma de religião, de crença, de nada. Porque a gente sabe que
as leis que eles querem pautar, que eles já estão pautando, é tudo com base em Bíblia, na crença própria deles, não ao aborto, não ao direito dos homossexuais, ideologia de gênero, eles inventam nomes, eles criam coisas para poder combater lá dentro em nome da religião cristã. Então a gente precisa de um Estado soberano, a gente tem que parar de pedir o Estado laico, se for nesse sentido, e começar a pedir por um Estado soberano, que esteja acima da igreja, que não
haja mais nenhuma, nenhuma, zero interferência religiosa. Vamos ver o superchat? Vamos lá. Podemos? Pode ser? Vamos lá. Já dá um like aí, já dá um like, compartilha aí, galera. Agora vocês vão participar diretamente, então se quiserem participar aqui é a oportunidade. Agradecer os novos membros do canal, isso é legal. Quando vem a galera dos ateus aqui, ó, Bertinho, chove de membro. Sério? Porra, vem tudo aí. Eu falo, vamos trazer os ateus, vamos trazer os ateus. Você fala, pra quê? Pra quê? Pô, os caras é membro aí.
Esse é o Deus dinheiro falando alto na mãozinha do menino. Não sei mentir. A história oficial mandou aqui. A Aline é coerente e inteligente. Pergunta o que ela acha do Deus seletivo. Que uns ele salva e outros podem orar. Pedir, suplicar e não são ouvidos. Pois é, né? Esse Deus seletivo é porque eu não trato Deus no campo da existência.
ou não existência, né? Eu não trato Deus, Deus não existe. E pronto, né? Mas se a gente for olhar nesse sentido, é claro que é um Deus seletivo. Ele vai escolher salvar, às vezes, um adulto com câncer e não vai escolher a criancinha lá com câncer, né? Enfim, um vai morrer, o outro não. Qual é essa seleção? Qual o critério que ele usa, né? Pra salvar? Enfim. Mas você conseguiu, assim, se libertar a ponto de, tipo, sei lá, se aconteceu uma merda muito grande com você,
e tomara que não, você não vai recorrer a alguma coisa espiritual, alguma coisa assim, tipo, ah, Deus me salva, pô, me dá mais uma chance, coisa do tipo, assim, sabe? Eu acho que é algo que é natural do ser humano, assim, sabe? O ser humano também precisa, é como se fosse um sentido a mais dele. Ele precisa acreditar em algo pra algum momento de dificuldade, aquilo lá dá mais força pra ele pra passar por essa dificuldade.
ateu, você teria essa crença? Teria. Provavelmente sim, porque igual a gente tava falando, os ateus místicos. Não, eu vou te falar por quê. Não é a crença, não é a crença. Aí entra um outro fator pra mim que é muito assim, que tem que ser visto. Ele não pode ser esquecido. Que a crença é tipo assim, ah, eu vou, eu tô doente, tal, tô na bed, Jesus, me salve. O outro cara que tá em um outro lugar ia falar assim, sei lá, Buda, me ajude. E uma pessoa que tá lá no meio da floresta, que não teve
doutrinação teoricamente, ele vai pensar assim, sol, me salve. Porque a fé não tem a ver com isso. A fé, eu acho que ela é meio inerente ao ser humano. O ser humano sempre vai acreditar em alguma coisa além, sabe? Que existe uma coisa maior. Entende o que eu tô falando? Não é sobre um ser específico. A fé de acreditar assim, nossa, é
É, pensamento positivo. Meu pensamento é positivo. DNA religioso. Então, o sequenço da religião. Entendeu? O pensamento positivo vai fazer. DNA religioso. É do ser humano pensar em alguma coisa maior que, de alguma forma, contribui para aquele... A gente não nasce com a crença, nenhuma crença religiosa de que existe algo maior. A gente não nasce assim. A gente aprende sobre isso. A gente realmente precisa acreditar. Isso faz parte de nós, seres humanos.
e nada sobrenatural, nada religioso ou místico. Não é sobre isso. A gente precisa acreditar, porque se alguém dissesse para você, vamos pensar aqui nos nossos antepassados, olha, ali do outro lado da porta tem um rio. Esse rio está cheio de piranhas, um peixe de piranha. E aí, não vá nadar lá, porque senão você pode morrer. Eu preciso acreditar naquilo. Ou eu posso ir lá, me jogar e ser comido pelas piranhas.
em alguma coisa. E isso é o acreditar e isso faz parte da gente, de fato. Preciso acreditar em alguma coisa. Nesse sentido. Em alguns momentos tem que ter fé. Não, mas não tem a ver a fé ensinada. Não pula desse barranco aqui não, que você vai morrer. Mas lá atrás você precisava de fé. E hoje você precisa de fé? Não, porque você sabe que se você se jogar do barranco você vai morrer. Você já sabe disso. Então essa é a diferença. Lá atrás a gente realmente precisava. Você foi ensinada.
É a mesma coisa da fé da religião. Exatamente. Então não é inerente. Ela é ensinada. A fé é ensinada. Você aprendeu a ter fé em alguma coisa. Entende? Isso não é inerente. Mesmo muitas vezes sem acreditar. Não, mas você foi ensinado. Você ouviu alguém dizendo. Você cresceu com alguém falando. Mas a religião é isso também. Às vezes o cara nunca foi na igreja e aprendeu. Tipo assim, nunca foi na igreja. Deus salva. É isso. Mas não é inerente. Você já ouviu alguém falando sobre isso.
Você vai usar. Você vai usar. É inerente. Você vai usar isso em qualquer situação. Já está com você. Já é do ser humano. A gente acredita nisso. Porque a gente vive num país extremamente religioso. 85% são cristãos. E quando você é cristão, é de outra religião. A gente tem um percentual muito pequeno de ateus hoje aqui no país. Então é claro que a gente vai aprender sobre fé. Não estou discordando que religião vai usar a fé. O que eu estou discordando é que a fé sempre vai estar na gente. Se o político chegar aqui e falar que vai fazer uma coisa,
saber que é mentira que você acredita. Você sempre vai ter fé em alguma coisa. Você vai acreditar mesmo sem saber. Tem a ver com acreditar isso. A fé é acreditar em alguma coisa que você não sabe. Isso é real. Não, mas aí você está acreditando em coisas sobrenaturais, coisas místicas, não é sobre isso. Você está esperando algo de fora, algo místico. Não, é sobre uma fé, uma fé, uma acreditação em algo que você precisa acreditar.
Eu preciso acreditar, eu estou com um companheiro, com uma companheira e eu preciso acreditar que aquela pessoa é fiel a mim, senão eu vou viver. Você vai ter fé.
Acreditar. Preciso acreditar. Não preciso ter fé nela. Fé é quando tem a ver com espiritualidade, né? Com místico, com sobrenatural. O acreditar, ele é intrínseco. O acreditar é inerente. O acreditar. A fé é diferente. A fé, ela é ensinada. A gente acredita em várias coisas, né? E hoje a gente não precisa mais só acreditar. A gente pode saber. Tem coisa que a gente vai precisar acreditar. Quer dizer que muita coisa que eu acredito é porque eu tenho fé.
Tipo assim, não tem nada a ver. Pode ser que você tenha fé. Pode ser que você tenha fé.
Eu acho que você tem fé, né? Você é religioso, né? Sou. Então. Mas sou. Então, você tem fé. Sim. Então, mas você aprendeu sobre ela. Ela não é inerente. O acreditar é... A gente tem crenças sobre muitas coisas, mas eu estou falando da coisa mística, coisa espiritual, sobrenatural, a coisa que vem de fora, do alto, universal. Sabe quando as pessoas falam assim, eu acredito que se eu for uma pessoa que emanar uma boa energia,
universo vai me trazer coisas boas de volta. Isso é uma fé. É um tipo de fé. Só que sem o rótulo cristão, religioso cristão. Mas é um tipo de fé. Mas a fé, vamos pensar, e aí pro lado espiritual, né? A fé, ela não é só ensinada. A fé, você pode sentir. Você pode sentir alguma coisa. Mas aí você vai aprender a sentir de onde? Se você não cresce num ambiente onde não é religioso, por exemplo, os meus filhos não tem nada de fé. Eles acreditam em algumas coisas, mas nada de fé, nada relacionado
sobrenatural, nada relacionado a isso. Porque eles cresceram num ambiente ateu. Eles não aprenderam sobre isso, sobre ter fé. Eles até ouviram falar, mas como eles ouvem muito mais sobre o que é fé e o que é acreditar, eu sempre faço essa diferenciação entre ter esperança e você ter fé. Porque a esperança, ela te coloca em ação. Mesmo que você esteja ali acreditando naquilo e você não tenha certeza, isso te coloca em ação. A fé, ela te deixa paralisado. Você está esperando que algo de fora
Resolva ali a sua condição, a sua situação. Entende? Uma te coloca em ação. E a outra te coloca paralisado. Te deixa paralisado. Aceitando. Muitas vezes ali justificando até o fato de você não ter conseguido alguma coisa. Ou não ter feito alguma coisa. Porque você teve fé. Mas aí a culpa é sua. Que teve uma fé muito pequena. Mas você nem se colocou em ação. Entende? Você conhece o Soldado Milagre? Não. Deixa eu apresentar ele depois. É. Ele venceu através da fé. O Soldado Milagre esteve aqui no Três Irmãos.
Ele é a pura fé. Depois de ter tomado cinco tiros na cabeça, tinha tiro de bala dum-dum. Dos cinco, acho que três ainda estão alojados na cabeça dele. Ele perdeu 40% do cérebro dele. Segurou na mão. O cérebro dele caiu na mão dele. Ele olhou para o cérebro dele. Lembra de tudo. Ficou alguns meses depois em coma com o pessoal orando. E aí estava aqui normal.
fazendo faculdade tem o raio x tem tudo inclusive eu postei na comunidade mas isso foi atribuído a Deus eu não queria atribuir a Deus não mas é difícil atribuir outra coisa assim porque se sentir na cabeça o cara perder 40% do cérebro e tá aqui conversando com a gente igual a gente tá conversando com você a história dele é maior do que isso a história dele é maior do que isso mas não cai naquela ideia do Deus seletivo porque que uma criança então que tá sofrendo com câncer por exemplo
que tem 5 anos de idade, está com câncer cerebral. E os médicos já desenganaram. Que Deus é seletivo? Ele merecia viver mais do que a criança de 5 anos. O meu pai morreu de câncer de fígado. E teve uma comoção gigantesca na igreja de jejum, de oração. Eu já não acreditava mais. Mas houve uma comoção na igreja, todo mundo fazendo jejum, orações pelo meu pai. Meu pai morreu. Depois minha avó, meu avô, meu tio também morreu de câncer. E agora meu priminho de 5 anos está com câncer cerebral.
Deus deixou? E o outro rapaz que tomou cinco tiros, ele sobreviveu porque Deus quis? Ou isso só são coisas aleatórias que de fato vão acontecer? Algumas pessoas vão sobreviver a uma queda de avião, outras não. Um avião cai, morre 250 pessoas e uma sobrevive. Foi Deus quem salvou a vida daquela pessoa? O que ela tem de tão especial para que ela fosse salva e as outras 250 não? Então assim, a gente só precisa parar e refletir.
tipo de Deus egoísta seria esse se ele salvasse a vida de uma pessoa e das outras não. As outras podem morrer, podem sofrer. É porque não se trata de Deus. Eu só queria refletir que tem coisas que o ser humano não compreende ainda. Que eu não entendo. Você não entende. A humanidade não consegue entender. Em um possível momento a gente pode aprender e entender. E hoje a gente
muito mais não sabe do que a gente sabe. A gente sabe muito pouco sobre a gente. A gente sabe muito mais do que a gente sabia anteriormente, né? Ah, sim, sim. Mas ainda é muito pouco. Por exemplo, sei lá, eu acredito que tá todo mundo ligado, sabe? Eu acredito nisso, que tá todo mundo ligado, assim, né? Que o que eu faço impacta na sua vida, impacta na vida do Robertinho. E o que a gente faz impacta no mundo. Eu acredito nisso. Ah, tem como?
explicar isso? Não, não tem como explicar. Mas não tem nada de místico nisso. Tem a ver com comportamento. Isso é psicológico. Se eu sou uma pessoa educada com o Robertinho e eu dou um sorriso pro Robertinho, eu vou melhorar o dia do Robertinho. Se eu for uma escrota com ele, eu vou piorar o dia dele. Ele vai ficar mal com aquilo e aí ele vai te tratar mal também. E a gente acaba que vai passando isso de um para o outro. Não, o que ele tá falando que é interligado é em nível muito maior.
É tipo, interligado até com a Terra que chega lá no Sol com vibrações hipersônicas. É nível muito maior.
É uma parada que inclusive o Nicolelis também que teve aqui acredita na mesma coisa. Que aí agora o Robertinho fica... Lembrou, lembrou, né? É sobre isso. Não é, tipo... Eu acho que... Não é sobre interação. Não é sobre interação. É uma coisa muito além. Tem muita coisa que a gente não consegue explicar ainda, velho. Não consegue. Mas isso aí... Mas com qual base ele fala disso? Ah, ele tem estudos. Esse cara é um dos maiores cientistas do mundo aí. Não, não, não. A parada é meio sem... Assim, eu não lembro.
muito do dia que a gente trocou ideia. É porque é o seguinte, ele, por exemplo, o Starlink, o Neuralink do Elon Musk, é tipo um projeto inicial que ele criou. E depois meio que raptaram o processo e tal e patenteou o nome de outra pessoa. Mas ele é o cara que consegue pegar impulsos eletromagnéticos, por exemplo, e fazer isso funcionar de forma organizada. Como ele consegue ter essa percepção, essa análise de impulsos eletromagnéticos, por exemplo, em escala
micro, micro perfeita, ele enxergou em alguns momentos reações, como a Cabeleira fala, sabe? De interações não diretas, de um sorriso ou alguma coisa assim, mas interligações, sei lá, em nível quântico. É o Robertinho que está falando, tá? Ou seja, todo mundo está interligado, todo mundo fica interligado em alguma circunstância, que eu não sei de precisar. Mas é algo nesse sentido, entendeu? Eu entendo isso como um processo psicológico e que o que a gente faz aqui,
interferir na vida de outras pessoas, que é uma reação em cadeia que vai acontecendo. Mas você concorda que a gente tem muito mais a aprender da humanidade do que a gente já sabe? Com certeza. Isso aí você concorda? Sem sombra de dúvidas. A gente abansou muito mais... E a gente nem é obrigado a saber sobre tudo. Nem é obrigado. E é claro que a gente está falando de provas que existem até aqui. Existe até aqui. Pode ser que haja provas de outras coisas futuramente. Pode ser que haja.
Inclusive, esse é o papel da ciência também, né? Esse é o papel da ciência, óbvio. Mas até aqui não existe. A gente não pode tratar como algo que é existente, existe, eu tenho certeza. Por quê? Porque eu sinto. Não, sentir não é prova. Sentir não passa pelo processo de prova, né? De que de fato existe o fato só de eu sentir. Eu posso sentir muitas coisas, mas isso não prova absolutamente nada. Então, pode ser que age, mas a gente trabalha sempre com a gente não precisar acreditar com fatos.
Vamos tentar o que tem já de fato sobre isso. Tem isso, isso e isso. Bom, então eu vou me apegar àquilo que já tem como comprovação. E não só acreditar, porque senão a gente cai mesmo naquela ideia de que a gente acaba acreditando em qualquer coisa. Qualquer coisa que dizem para a gente. E muitas vezes essas coisas acabam prejudicando. Igual essa ideia dos espíritos obsessores. Tem gente que fica falando sobre isso, sobre espíritos obsessores, que você vai para o carnaval, que você vai...
pegar a energia ali daquela pessoa por causa daquele espírito obsessor e aquilo vai te prejudicar e que vai fazer mal pra você. E as pessoas realmente acreditam naquilo e deixam de ir pra um carnaval, brincar um carnaval que gostam. Às vezes deixa de fazer sexo com outra pessoa porque falaram que o sexo acaba atraindo esses espíritos e não sei o que. Então são coisas que vão prejudicar você porque você tá acreditando. Tinha um redpill aí que falava no canal dele que se transasse com uma mulher que tinha tatuagem, sei lá, na bunda, abria um portal pro inferno.
Fora a misoginia, né? É foda pra caralho. Fora a misoginia que ele tá falando. Muito louco. Entendeu? Então é isso. E as pessoas vão ouvindo aquilo e vão acreditando. Por quê? Só basta acreditar. Porque eu tô dizendo que é. Tô dizendo que é. Não, gente, calma. Passou pelos processos ali de científicos, né? Pra poder ter uma prova de que realmente existe ou não. Porque, assim, eu entendo. Eu posso ter fé naquilo que eu quiser. Posso acreditar em unicórnio.
Posso acreditar em duendes. Eu posso acreditar naquilo que eu quiser. É individual.
Eu tenho total direito. Mas quando a gente acredita em qualquer coisa, a gente pode acabar acreditando em coisas que vão fazer mal pra gente ou podem também fazer mal pra outras pessoas. Mas você acredita nisso? Tipo assim, sei lá, eu falo pra Aline, tem um cara ali, vai fazer um trabalho aí pra você, vai colocar um olho gordo em você e tal, e daqui pra frente sua vida só vai andar pra trás. Eu não acredito que isso aconteça. Mas tem pessoas que se você falar isso pra
elas, elas acreditam e o fato delas acreditarem é muito louco que a vida da pessoa começa a dar errado em várias coisas, aí ela começa é por conta daquilo, é por conta daquilo, é por conta daquilo e aí mexe na cabeça da pessoa e fica muito pior e a gente não consegue explicar 100% o porquê mas você concorda que isso acontece? É, isso acontece principalmente porque a pessoa, ela realmente acreditou naquilo e absorveu aquilo pra vida dela, né? Acontece nada disso não, acontece
nada. É que aí você pensa assim, nossa, tô amarrado, tropecei. É, isso aí, é o viés de confirmação. É o viés de confirmação. Tudo que acontecer, às vezes a pessoa falou assim, ó, vou fazer uma amarração pra tua vida. Beleza, a pessoa fez. Se passaram três anos, aí você teve câncer. Olha, foi aquela amarração que fizeram pra minha vida. Ah, minha mãe me largou. Tava uma bosta. Tava uma bosta. É, o casamento já tava uma merda. Acontece nada ali.
Não tem nada. Acontece nada. Minha esposa, minha esposa pagou um cartomante. A cartomante falou pra ela que eu tava traindo ela. Ela ficou com esse
na cabeça. Quase que ela descobre alguma coisa. Não, velho. Faz comigo não, Bertinho. Aí você me arrebenta, velho. Aí você me arrebenta. Eu tô falando um trem certo. Não, mas não tinha nada pra descobrir o quê? Porque a mulher falou, aí deu nela o estímulo. Deu nela, foi, procurou, procurou, procurou. Se tivesse, achava, achava, falava assim, bem que a mulher me falou. Bem que a mulher me falou. Acontece porra nenhuma, não tem isso não. Só que aí você entende que se ela tivesse achado,
Porque aí a mulher falou que tinha, ela foi lá e esmiuçou o trem, pôs detetive, sensor dentro do celular, olhou no computador, fez tudo. Não teve. Opa, a mulher errou, talvez, deixou fazer outra consulta com ela que eu não falei o nome dele direito. Aí, beleza. Mas você entende que se acha, ela fala assim, olha lá, ó, foi por isso. Exatamente, isso se chama viés de confirmação. E aí a pessoa vai procurando, e aí às vezes acontece realmente isso. A pessoa falou que você tá sendo traída,
casamento, porque você quer descobrir. E esse é o outro ponto. E aí o seu casamento foi destruído. Teu marido mudou, obviamente a sua mulher mudou, porque você tá em cima dela, dele ali o tempo todo. Aí você mudou com ela. Ah, realmente bem que a cartomante disse, né, que meu casamento ia ser destruído, que não sei o quê. E aí pronto, aí você vai acreditar que aquilo era realmente verdade. Ou então a pessoa... E você pode perceber que são sempre coisas assim que eles soltam, que pode caber em qualquer situação da tua vida.
É, alguém da tua família vai morrer. Alguém vai ter uma doença. Sua mãe vai morrer. Sempre vai ser alguma coisa assim que pode ser que aconteça na sua vida. E se de fato calhar de acontecer, você vai acreditar que aquilo realmente era real. Ó, o Ricardo Pedroso mandou aqui. Essa moça é corajosa e inteligente. Incrível. O Arthur123 mandou um superchat também. Obrigado, Arthur. Valeu, Arthur. O André Kilik mandou. Membro do Três de Mãos há oito meses.
Aline, o que você acha das pregações em presídios e de traficantes crentes? Você acha que a isenção de impostos nas igrejas lava o dinheiro do crime? Olha, esse é forte, hein? O que eu acho das pregações nos presídios, eles estão doutrinando, né? Mais pessoas ainda lá dentro, né? Por isso que a gente tá vendo, pelo menos lá no Rio de Janeiro, tem lá os traficantes lá que são de Israel, traficantes de Israel, tem o nome da facção lá. O Peixão era, né?
Eu assisti um vídeo de um pastor que estava abençoando as armas, as drogas lá. Então, assim, a gente vê que existe uma dominação, inclusive, nesses setores dos presidiários, do tráfico de drogas. Existe uma dominação para que todos eles estejam do lado. Imagina se eles têm uma facção, os pastores têm uma facção do lado deles, uma facção armada. Então, tem todos esses setores.
Você acha que a isenção de impostos nas igrejas lava o dinheiro do crime? Ah, isso aí eu não sei dizer, mas pode ser que aconteça. Não posso afirmar. Não posso. Mas o que a gente já sabe é que existe muito envolvimento com corrupção. A igreja sempre teve envolvimento com corrupção. Ah, teve um BO nessa Lagoinha aí agora, não teve? Do Borcaro lá, teve um BO grande. E isso daí já é recorrente nas igrejas.
Só que sempre acaba passando batido. Acaba passando. Eu acho que igrejas grandes, igual a igreja do Silas Malapai, tinha que ter uma prestação de contas para o país. Tem que ter. Uma igreja igual a do Edir Macedo, que é a maior multinacional do nosso país. É uma igreja, velho. A maior empresa multinacional que a gente tem é uma igreja. Então, já que a gente tem uma multinacional tão poderosa, vamos olhar o que está acontecendo nessa multinacional. Não é?
Não, Robert, não adianta você me olhar com essa cara, não, velho. Isso é soberania nacional, velho. Existe uma estimativa de que eles arrecadaram mais de um trilhão e meio às igrejas evangélicas. Ah, isso não é verdade. Eu acho que isso é muito mais. Eu também não acredito que seja verdade. Eu acho que é muito mais do que isso. Existe uma estimativa. Agora, imagina, tudo isso sem pagar um centavo. Eles têm rádio, eles têm TV, eles têm livraria, eles têm dinheiro de tudo quanto é canto.
E eles não pagam. O povo te manda muito relato, assim, no seu Instagram, falando de como tomar dinheiro deles, tudo. Eles chegam em você? Ó, Aline, eu tinha uma casa, o pastor me tomou, coisa desse tipo, assim, chega. Tem muita gente lá contando esses tipos de depoimento que passaram a vida inteira pagando dízimo, oferta. E tem as outras campanhas que eles acabam fazendo também dentro da igreja, né? E aí a pessoa vira pra mim e fala assim, depois que eu saí da igreja, a vida começou a sobrar, começou a sobrar dinheiro pra mim. Eu comecei a prosperar agora, de fato.
É só isso que é. Você está enriquecendo um monte de pastores. A pessoa fica dando dízimo, oferta ali. Já entendeu que aquilo ali não vai te trazer nada de volta. Mas o que eles ensinam nessa teologia da prosperidade é que você precisa pagar para você receber. Você precisa pagar o seu dízimo, a sua oferta. Você tem que dar. Quanto mais dinheiro você dá, mais vai ter retorno para você, para a sua vida. Se você não dá, é porque você tem pouca fé.
E se você não prospera, também porque você tem pouca fé. E fica sempre um jogo desequilibrado ali.
Porque você vai doando, doando. O pastor vai enriquecendo, ficando cada vez mais milionário, bilionário. Enquanto você vai ficando cada vez mais pobre e culpado. Se sentindo culpado porque você não enriquece por causa... Por culpa sua. Porque você está com pouca fé. Mas você já ouviu o contrário também, né? Olha, eu comecei a dar muito dízimo e depois minha vida prosperou. Não. Não ouço isso, não. Nossa, que é isso. É o que eu mais escuto. Nossa, é o que eu mais escuto. Que é isso.
O cara tava na pitimba, pitimba, pegou o pouquinho que tinha, multiplicou, multiplicou, multiplicou. E de Macedo. Multiplicou e o cara tá bem. E eu até entendo o porquê disso aí. Eu entendo. Porque o talento não é igreja, começa a pagar o dízimo ali e tal. E aí, de repente, o pastor fala, ó, todo mundo, vamos comprar do negócio esse cara. Esse cara é contador. Então vamos usar a contabilidade desse cara.
A maçonaria, acaba a igreja e leva 100 pra lá. Porra, fatura. Você é maçonaria? Maçonaria que é assim, né? Que funciona assim, né? Não vai indicando o outro ali pra poder comprar no negócio. É, mais ou menos assim. Mas enfim, o que eu mais vejo e o que a gente sabe que mais acontece é que as pessoas saem de lá muito mais pobres do que entraram. É isso, né? Você tem que pagar ali o pedágio todo mês. Você tem que separar ali o dinheiro pro seu pastor enriquecer.
E acontecia isso na minha própria igreja. Meu pastor, como eu falei pra vocês, eu passava tanta necessidade
Minha mãe cozinhava às vezes em latinha de sardinha com álcool. Porque não tinha gás para cozinhar. E ela pegava o quilo de alimento que os membros da igreja levavam para a igreja. Porque a igreja não fazia nenhum aporte ali para poder comprar alimento para dar para os membros. E aí o pastor estava ganhando 15 mil reais. Num bairro extremamente pobre. A minha igreja ficava na beira de um valão. Só que o pastor recebia todos os meses entre tudo ali. Salário, casa, viagens, faculdade dele, da esposa, de todo mundo.
por volta dos 15 mil reais. E aí minha mãe foi pedir uma vez o gás na igreja. Eles não deram o gás. Por isso que a igreja não podia dar o gás. Minha mãe cozinhando numa latinha de sardinha. E todas as vezes que ia lá pra buscar o quilo de alimento, era sempre fubá, sal, macarrão. E era isso. Era aquele basicão, porque eram os membros que doavam. Os membros eram muito pobres. Mas a igreja não pegava o dinheiro. Toma aqui. Sua mãe dava alguma contribuição? Dava.
Eu dava contribuição de... Às vezes eu tirava um real. Eu trocava lá. Em vez dela ir lá e comprar o arroz entre ela... Era assim. Eu trabalho desde os 10 anos de idade. Então, às vezes eu fazia bordado. Ganhava, tipo, 15 reais. Um monte de bordado que eu fazia. Eu tirava um real e cinquenta e dava meu dízimo. Minha mãe ganhava, às vezes, pegava cinquenta reais. Minha mãe tirava lá cinco reais e dava o dízimo dela. E ela ficava com vergonha.
Porque ela achava que era pouco. Aí queria dar mais. Porque eu tinha vergonha. Ela achava que era pouca fé. E aí queria dar mais. Então, assim.
E isso acontecia não era só com ela, era com quase todo mundo ali. E aí você vai ver casos de pessoas que realmente prosperaram. Ela não prosperou porque ela deu dízimo. Ela prosperou porque ela já ia prosperar independente dela dar dízimo ou não. O que ela estava fazendo acabou funcionando, dando certo. Mas vai ver. 99% dos outros que deram dízimo, isso não vai acontecer. É a mesma coisa do viés de confirmação. O Lucas Pinheiro mandou aqui. No século XIX e XX surgiu o socialismo, nazismo e o conscientodinismo.
britânico. Eram movimentos ateístas e dizimavam milhões. E o caso Epstein? Um grupo totalmente ateísta que cometeram atrocidades. Até onde eu sei, o Trump não é ateísta não, né? Ele se diz cristão. E todas essas atrocidades que eles costumam atribuir aos ateístas, eles não fizeram por causa do ateísmo. Eles fizeram por uma ideologia. Ninguém matava em nome do ateísmo. Olha, você é cristão, você vai morrer
ateu, vira ateu ou você vai morrer. Não, era uma ideologia que eles estavam seguindo e houveram essas mortes. Sim, sim. Inclusive tem gente que liga o caso Epstein com agentes do Mossad também, tem muita parada assim. Não tem sentido nenhum. O Thiago ACS1 pediu pra mim ler respeitando as vírgulas aqui do Superchat. Vamos lá. Aline, você conhece Carl Jung, psiquiatra famoso que disse não creio em Deus.
Eu acho que ele escreveu Eu sou Deus. Existe uma forma de ler a Bíblia positivamente contextualizada? Tipo Jó e Eclesiastes? Injustiças cósmicas? Não acontecem com crentes e ateus? Tem tantos livros pra se ler no mundo, né? Mais de 200 milhões de livros, tantas fontes de informação. Pra que ler a Bíblia, né? Eu acho que assim, a gente estudar a Bíblia até pra poder ter uma noção, principalmente a gente que trabalha, que fala sobre isso, né?
Eu acho que até vale, mas tem tantas outras fontes de informação para você ler e cultivar o teu pensamento crítico, para ter informação de qualidade, não só ler um livro que é cheio de mitologias. Então, eu acho que ler de forma positiva. A maioria não vai conseguir ler. A Bíblia é um livro extremamente difícil. É extremamente difícil. Pouquíssimas pessoas conseguem ler, interpretar, pegar o livro original, até porque a gente sabe que houveram diversas adaptações nesse livro que é dito hoje.
que é a Bíblia, mas não é a original. Então, por quê? Para quê? Para que se ler de forma positiva? Como você vai ler de forma positiva se você não vai saber interpretar o que está sendo dito ali? Porque o que você vai ler é o que é. Não tem como interpretar de outra forma. Quem interpreta de outra forma, quem usa exegese, hermenêutica, eles leem a Bíblia original. Eles têm acesso a isso. Agora, quem tem a Bíblia normal que você tem, que todo mundo tem, vai ler exatamente o que está escrito ali.
Gusto Godz mandou que diversas religiões eram apenas maneiras mitológicas de entender fenômenos da vida e da natureza. Outras religiões, como o cristianismo, passam a ter teor moral e de dominação. O Zach Pipo, 3530, que é membro do Três Irmãos, Aline, eu adoro o seu trabalho. Eu já fui evangélico e hoje sou umbandista. Entendo perfeitamente o que você transmite. Não pare, o seu trabalho é muito importante.
Obrigada. Luiz Fernando, canal Cashon. Aline, explica para nós sobre a aposta de Pascal. Quer explicar? Sabe qual que é? Sei qual que é, mas a aposta de Pascal, as pessoas ficam tentando sempre... É melhor acreditar do que não acreditar. É do que não acreditar, mas você percebe o quanto que isso é vazio, é vago. É melhor você acreditar, porque se for verdade,
você vai ser salvo. Senão você não perdeu nada. É, você não perdeu nada. Mas você perde sim, você perde toda a sua vida. Você vive uma vida cheia de culpa, cheia de medo, cheia de vergonha por ser quem você é. Você perde a sua identidade. Você tem que abrir mão dos seus prazeres, das coisas que você gostaria de fazer em nome dessa ideia. E aí, é claro que você perdeu. Você perdeu toda a sua vida. E se você dá dízimo, você ainda vai perder teu dinheiro também. A minha amiga Michele tá aqui. Ela tem o canal As Traba da Vida.
Falou que amo a Aline, sou um ateísta que só combate a fé caso ela queira virar lei ou haja como controle de vidas, de vida alheia. A Aline defende uma sociedade secular onde decisões pela religião sejam proibidas? Decisões pela religião, sim, sem sombra de dúvidas. A religião não tem que tomar decisão secular, decisão coletiva. A fé deveria ser individual.
religiões. Todos podem ter religiões, assim como acontece na China. Todos podem ter suas religiões. O que não pode é as religiões cometerem crimes que já são previstos por leis, como homofobia, como racismo, como todos os outros que a gente já citou aqui. Ela não pode, não poderia, não deveria fazer isso. E a religião tem que se submeter sempre ao Estado. Nunca ao contrário. Nunca, nunca. A religião nunca deve interferir em regras coletivas,
coletivas no nosso estado. Eu te contei a nossa experiência lá na China, onde eu fui comprar a Bíblia na libraria. Não. Não? Fui comprar uma Bíblia na libraria lá. Fui numa libraria bem grande lá em Xi'an. E a hora que eu perguntei pra atendente lá, ó, onde que é o setor de Bíblias aqui? Ela falou assim, Bíblia só na igreja. Não tinha Bíblia na libraria. O Bertinho acha isso intolerância, não foi, Bertinho? 100%. Por que intolerância? Ah, é um livro? Ué, mas é um
um livro específico de uma religião. É um livro. Por que não ser vendido na igreja? Não, não tem problema ser vendido na igreja. Até porque eles lá, o livro lá, a Bíblia,
ela passa por um refinamento, não pode ser dito o que eles dizem na Bíblia chinesa, eles não podem dizer o que eles dizem aqui, que é para controle, para dominação, que causa preconceito, discriminação, eu acho que nada mais do que justo, porque como a China, ela tenta sempre, ela regulamenta a igreja lá, ela fiscaliza as igrejas, inclusive nesse sentido, para que eles não cometam crimes e não manipulem as pessoas, para que eles não,
cometam crimes de extorsão, nada disso. Então, quando a Bíblia é vendida dentro daquela igreja, é porque ali eles conseguem ter o controle. Imagina um país com mais de 1 bilhão e 400 pessoas, se isso é vendido livremente, a Bíblia pode ser vendida nas livrarias espalhadas por lá, se eles vão conseguir ter o controle que eles têm hoje, sendo vendida dentro das igrejas. Não. Quem já comprava na igreja, compra. Não, mas na livraria seria o mesmo controle. Não, mas eu acho que... Quem for usar, vai lá na...
Por lá. Como é que eles vão ter controle sobre isso? Não sei nem quantas igrejas. Mas eu acho que tem mais a ver com controle mesmo. Porque lá, senão, como o pessoal fala assim, existe perseguição a cristãos na China. Não é perseguição a cristãos. Eles prendem pessoas que tentam infringir as leis. Eles tentam criar seitas. Entenda a seita. Quando eles pegam a Bíblia que é imposta aqui,
no ocidente e tentam levar pra lá e aí sim, realmente eles vão pra cadeia porque eles estão infringindo a lei não é porque eles estão sendo perseguidos os cristãos podem ter fé, podem ter tudo mas precisa ser regulamentado precisa ser fiscalizado e a Bíblia não pode dizer qualquer coisa pras pessoas, como é dito aqui livremente e a gente sabe o mal que isso causa na nossa coletividade isso causa segregação, isso causa preconceito, isso causa tantas coisas ruins na nossa sociedade, por coisas que são ditas ali na Bíblia que poderia
Ou ser reescrita, né? Já que está passando por esse processo de reforma. Que passasse tudo ali, né? Por reforma. Então, para que as pessoas pudessem olhar aquilo como uma filosofia só. Apenas. Olha, gente. Existe aqui a Bíblia, mas é uma filosofia. Se você quiser seguir, você segue assim como uma filosofia estoica. Assim como uma filosofia de Nietzsche. Entendeu? Você escolhe. É uma filosofia. Aí depois o Tiago e outras pessoas acabaram indo na igreja. E lá eles conseguiram comprar a Bíblia. E andar com a Bíblia lá.
debaixo do braço. Não deu nada, sabe? Não deu nada. Do mesmo jeito que na mesquita você encontrava lá o Corão pra você comprar. Na sinagoga você encontrava o Torá pra você comprar. Mas era no templo religioso. Na livraria o Estado preferia que não fosse vendido isso lá. Acredito seja pelo controle mesmo. Muita gente fala do povo uigur também.
que a China acabou perseguindo, criou campos de concentração. A gente conversou com algumas pessoas de lá sobre isso. O pessoal falava que era uma região onde o Islã era muito forte e começou a ter alguns movimentos ali meio separatistas. E aí sim, o governo foi lá e atuou naquela região, fazendo uma reabilitação dessas pessoas. O Robertinho falou, acabou com a brincadeira. Aqui não.
e todo mundo unido e resolveu. Mas não tem campo de concentração. Acho que é certo. O que eles chamam de campo de concentração são centros de reabilitação. Lá eles vão para um local onde eles aprendem sobre a Constituição chinesa e eles vão aprendendo, eles vão sendo educados. Olha só, é isso aqui que está dizendo. Você vai ser solto, mas você vai ter que aprender aqui sobre nossas leis. E é isso. É isso que eles chamam de campo de concentração. Educadamente. Educadamente.
Acredito que sim, né? Eu também não sei. Eu nem sabia que era isso. Imagina. Aprendeu, né? Aprendeu. Aprendeu. Aprendeu. Pode sair. O Thiago mandou o último aqui. Falou. Carl Jung. Não sei se é Jung. Carl Jung, né? Disse. Eu não preciso acreditar. Eu sei. Mas e aí? A Aline conhece esse psiquiatra? Conheço. A gente conhece, né? A gente estuda sobre ele. Mas qual seria a pergunta? Você conhece. Você conhece.
Tem algo a contribuir para vocês? Existem muitas divergências ali. É claro que a gente precisa entender esses psicanalistas, psiquiatros, psicólogos lá do passado, assim como Freud, que eles tinham as limitações para a época deles. E aí algumas interpretações que eles faziam eram de acordo com a época que eles viveram. E aí houveram várias atualizações. Então, assim, tem muita coisa do que a Young fala que já não cabe mais hoje, porque a gente tem,
outros conhecimentos, assim como Freud também. E é isso, né? A ciência vai sempre se atualizando. A única coisa que permanece a mesma é a Bíblia, né? A Bíblia que não muda, não evolui, não altera. Milagre de Deus. Boa. Aline, obrigado. Eu que agradeço. Que prazer. Que papo gostoso. Vem mais vezes. Obrigado. A galera que quiser te acompanhar aqui, que é o caminho mais fácil, é o Instagram, rede social, o que que é? Oficial Aline Câmara, lá no Instagram e Aline Câmara Desperta aqui no YouTube. Ah,
Você tem o YouTube também? Tenho. Se você quiser deixar em collab, aí o pessoal que for se inscrever no Três Irmãos pode se inscrever também no canal da Aline. É isso aí. É muito importante a galera que assiste. Vai lá, se inscreve. A gente já falou, pô, não custa nada. Não é dízimo isso. Você não está cobrando nada do cara para se inscrever. É só ir lá. É gratuito. É gratuito. Não precisa pagar o dízimo para ser... Aí sim, se você quiser ser membro, aí você pode pagar o dízimo para a gente. A gente agradece. Mas é que o pastor ainda entrega conteúdo de relevância.
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