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O colapso ambiental já começou? - MILO e MILA - PODCAST 3 IRMÃOS #934

19 de março de 20261h35min
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Assuntos15
  • Mudancas ClimaticasAumento de temperatura global · Eventos climáticos extremos · Impacto econômico das mudanças climáticas · Projeções futuras de aquecimento · Limites planetários
  • Esquerdomachismo EmpreendedorismoAgronegócio predatório · Subsídios para grandes produtores · Destruição do Cerrado · Isenção fiscal de exportações · Comparação com agricultura familiar
  • Exemplos históricos de mudança coletivaErradicação da varíola · Proteção da camada de ozônio · Conservação de baleias · Decisões globais bem-sucedidas · Mobilização internacional
  • Política, liderança e mudança sistêmicaPapel dos líderes · Estruturas de poder · Representatividade política · Interesses econômicos versus bem comum · Lobbying agrícola
  • Desenvolvimento sustentável versus desenvolvimento predatórioConflito entre exploração e conservação · Interesse de populações locais · Projetos de infraestrutura danosos · Concessões de rios · Impacto ambiental não calculado
  • Necessidade de transformação social e econômicaMudança de prioridades · Investimento em educação e cultura · Distribuição de recursos · Políticas redistributivas · Sistema que funcione para maioria
  • Interações ecológicas e biodiversidadeRedes tróficas · Importância das interações entre espécies · Perda de biodiversidade · Equilíbrio ecológico · Cascata de extinções
  • Determinismo BiológicoConstrução social versus biologia · Competição versus cooperação humana · Escravidão como fenômeno histórico · Justificativa biológica para desigualdades · Capacidade humana de escolha
  • Evolucao HumanaDefinição de evolução em biologia · Mudança versus melhoria · Pressão seletiva · Características adaptativas · Conceitos equivocados sobre progresso
  • CosmologiaCondições atmosféricas ideais · Adaptação ao ambiente · Impossibilidade de colonização espacial · Pressão atmosférica · Evolução de 4 bilhões de anos
  • Mobilidade social e meritocraciaExceções versus regra · André Souza como exemplo complexo · Impacto de estrutura de apoio · Replicabilidade de sucesso · Determinismo social
  • Ecossistema PantanalUnicidade do bioma · Degradação do Pantanal · Recuperação limitada · Perda permanente de características · Importância para a humanidade
  • Pluralismo e DiversidadeRespeito a diferentes visões · Objetivos comuns · Superação de polarização · Consensos possíveis · Importância da conversa
  • Segurança e SaúdeAcesso à água encanada · Qualidade de vida básica · Infraestrutura deficiente · Direito humano fundamental · Desenvolvimento precário
  • Propagação de mensagens falaciosas sobre riquezaInfluenciadores e cursos predatórios · Promessas vazias de enriquecimento · Controle de narrativa · Educação versus propaganda · Ocupação de espaços ideológicos
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Podcast Três Irmãos na área, quem fala com vocês mais uma vez, Rodrigo Chorró, do meu lado, meu brother, meu irmão, Roberto Andrade, filho e borracha, na mesa operando nosso diretor, Pedro Henrique. E aí, Robertinho, como é que você tá? Tudo bem? Fala aí, meus irmãos, beleza? Fala aí, meu irmão, muito bem. Pô, que satisfação, né? Mais um episódio, no último que a gente fez, quase se converteu ao vivo, hein, velho? Será? Eu tentei. Tentei. Eu tentei com força. Hoje a gente vai continuar, vamos continuar.

É a bordinha. Daqui a pouco vai descendo um pouquinho mais. É um trabalho longo. Você lembra quando você viu aquele primeiro serzinho vivo? Ele perdeu a fumarola ali e é onde ele chegou hoje. É quase esse tempo que gasta a minha conversão. 4 bilhões de anos é muita coisa. A gente tem uns aninhos só. Não são 6 mil anos. Parou, parou. O cara falou de fumarola, começou bem pra caramba. Começou trazendo... Você fica, caramba, tá chique o negócio.

é foda. Bom, você já vira aí, né? Mil e mil aqui na nossa casa mais uma vez. Valeu demais. O pessoal pediu muito e tem que vir todo mês aqui. É bom demais começar com você. Hoje eu trouxe um presente. Eu ia trazer só pra você. A gente vai falar de um livro, mas eu trouxe... A gente ia trazer o livro, mas não ficou pronto. Mas hoje eu trouxe um presente pra você. E eu trouxe pra você também, mas é que tem mais a sua cara. Então a gente tem...

Eu trouxe um pin aqui pra você. É bonito o negócio. Não, é bonito. Não, é bem feito. Que é fofinho.

Fofinhos e antifascistas, olha aqui. Olha só, velho. Porque você é um fofinho e antifascista. Não que você não seja antifascista, mas é que você não é fofinho. Entendi. É mais sobre isso. É mais sobre fofinhos e antifascistas. É mais sobre... Esse aqui é tipo aquelas coleções que vocês fazem? Isso. Saiu junto com alguma coleção de vocês? Esse especificamente, a gente tem uma loja chamada Blá Blá Lojinha, que a gente tem as nossas camisetas.

e a gente faz para evento, porque a gente está publicando o livro agora e a gente vai participar, por exemplo, da Bienal do livro e a gente vai levar o PIN para vender lá na Bienal. Então está aí para a gente sustentar os nossos projetos que a gente fala que são projetos independentes. É a nossa mascote. É a nossa mascote. Então a gente escolheu a Saruê e aí está aí. Pô, eu não ia tocar nesse assunto, mas já que você deu um brochinho antifascista, vou dar uma polemizada só um pouquinho. Por favor, estamos aqui para isso. Depois a gente vai para a teia da vida.

Não sei se você viu, depois que o Boulos esteve aqui no Três Irmãos, teve um web comunista que falou na internet que a social-democracia é a moderada do fascismo. E aí? Cara, eu discordo um pouco. Eu acho que é uma resposta. Tem toda essa história de que você tem esse mundo novo surgindo principalmente na Europa em resposta aos avanços feitos na União Soviética. Historicamente faz sentido.

um pouquinho grande demais. Acho que a gente pintar esse mundo muito no branco e no preto, muito nos extremos, é um pouquinho de ingenuidade na minha visão como biólogo. Não sou historiador, sou biólogo, estudo um pouquinho da área, estou falando só do meu ponto de vista. Acho que o mundo tem muito mais graus de cinza e muito mais coisas intermediárias do que a gente tende a pintar muitas vezes. Então, dizer que é fascista, o lado mais brando, eu acho um pouquinho demais.

em disputa como qualquer outro espaço em disputa, e é um espaço em disputa em que as conquistas sociais são importantes e tendem a não ser tão fascista assim, pelo menos na minha opinião. Mas o que você vê? A gente tem uma filha que mora na Finlândia, que é um estado de bem-estar social, é o exemplo que todo mundo fala dos países nórdicos. Lá eles estão na mesma disputa que a gente. Então eles elegeram um presidente, um primeiro-ministro de extrema-direita contra a imigração, só que a própria sociedade

em pouquíssimo tempo, viu que não ia dar certo e esse cara saiu como era esperado democraticamente. Se isso vai se sustentar ao longo do tempo, não sei como dizer, mas não funcionou. E uma coisa que eu acho que é bem legal que aconteceu é que o reitor da universidade onde ela estuda foi ao Congresso apresentar os dados para mostrar que o cara estava errado. Então você tem essa disputa dentro desses países também. Então eu não vejo tão branco e preto esse mundo dessa divisão de ou você é fascista

Você é antifascista ou você é de esquerda, extrema esquerda ou não. Acho que a gente tem um espaço de disputa, como em todos os lugares. E como acontece também nos países de extrema esquerda. Então vamos falar a União Soviética. Cara, tinha gente ali dentro que era de direita, tinha ali dentro... Tinha liberal. Tinha liberal, tinha tudo dentro da União Soviética. Dentro do partido você tinha disputas também. E aí você falar, ah não, você não concorda comigo.

Eu nem vi esse caso específico. Mas você não concorda comigo, portanto, fascista.

grande demais no mundo em que a gente tem fascista de verdade. Então, isso pra mim é o grande problema. Primeiro, que existe. E quando você generaliza isso, se todo mundo é, ninguém é. Exato. Mas o problema maior que eu ainda continuo achando que é um... Porque o mundo polarizou demais. Não o mundo, de forma geral, mas aqui extremamente, aqui está extremamente polarizado. E quando você vira e crava um alcunha desse em algum tipo de pessoa, automaticamente você coloca um alvo nas costas. Porque tem maluco aí.

E ele fala assim, esse cara é fascista, esse aqui é. Você está falando para a galera, vamos acabar com isso aqui. E tem maluco que não entende o que é acabar. Para ele ir arrancar a cabeça da pessoa. E tem um ponto assim, existem fascistas de verdade. Tem gente que acha que essas pessoas são um problema sério para a sociedade. Tem o cara que acha que tal grupo de pessoas não tem que existir. Tem cara que acha que... E assim por diante.

Concordando contigo, acho que a gente tem que tomar esse cuidado. E ainda mais no mundo em que você tem, indiscutivelmente,

que isso hoje é indiscutível. Você tem um presidente dos Estados Unidos fascista, que fala que as pessoas têm que morrer, que está prendendo pessoas que nunca cometeram crimes nenhum. Esse cara, ele é fascista, ele está levando o país dele para um discurso extremamente fascista. Esse eu tenho que apontar. Agora, dizer que todo americano é fascista não é verdade. Todo morador dos Estados Unidos é fascista, isso está longe de ser verdade.

Não é verdade. Inclusive porque a gente conhece pessoas que estão internamente combatendo o fascismo.

o que está acontecendo lá dentro. Generalizar nesse sentido é muito perigoso e eu concordo. Agora, dizer que esses países, principalmente os exemplos, a Finlândia, a Noruega, a Dinamarca, essas sociais democracias, são de direita. Isso também é indiscutível. A Noruega hoje tem o seu desenvolvimento todo baseado na venda de petróleo, apesar de dizer que não usa petróleo dentro da Noruega. Tá bom? Ah, eu sou um país limpo porque eu não uso petróleo. Mas vendo petróleo,

para outros países usarem. Faz investimento na bolsa, quer dizer, está fazendo a ação do capitalismo brutal para... Para dizer que não é. Então, acho que tem todas essas camadas que a gente pode discutir. Agora, colocar o carimbo fascista em todo mundo, eu acho meio complicado. Eu acho que é um pouco demais quando você tem essa discussão. E aí também afasta. Ah, eu sou fascista, então eu não quero falar com você. Beleza. Você está me definindo assim?

Então, não tem nem conversa. Por isso que é bom conversar com o Biola. Então, agora entenda.

Mas é verdade, porque biólogo nunca afirma nada com certeza. Não existe a certeza com o biólogo. Não existe, não existe. O biólogo é sempre a pessoa que vai questionar e sempre a pessoa que vai ficar com o pé atrás, talvez até por parte do ceticismo também, e tentar avaliar, tipo, não, vamos questionar mais. E aí a hora que alguém fala assim, essa é a verdade, o biólogo é o cara que fala assim, opa, se você está falando que é verdade, então está errado, vamos questionar mais ainda. É isso. Falar com o biólogo é bom demais.

E aí, puxando, que é o que eu ia falar, você acha que hoje, no mundo do jeito que a gente está, e a gente está evoluindo... Não, pode usar a palavra, pode usar, não tem problema. Essa palavra é um problema, inclusive. A evolução é onde os mais adaptados vão seguir e os menos adaptados vão talvez ficar parados no caminho. Você acha que a gente tem que continuar evoluindo ou é a hora de colaborar para todo mundo seguir junto? Não, eu acho que a gente tem que separar os conceitos e agora vamos entrar em biologia. Tem que tomar um cuidado.

Tem que tomar um cuidado com definição. Então, quando a gente fala de evolução, e a gente pode falar de evolução do ponto de vista biológico, evolução é a mudança de frequência de característica de uma geração para outra. Por isso que eu falei para você que a palavra é ruim. Porque sempre que a gente pensa em evolução, você pensa, eu penso também, eu estou pensando em melhora. Ah, então a minha vida evoluiu, quer dizer que a minha vida melhorou.

Então, antes eu tinha uma dificuldade, agora eu não tenho mais essa dificuldade.

fundamental, o meu pai foi o primeiro a fazer faculdade na família, eu fiz faculdade, mestrado e doutorado, a minha filha está estudando fora, a família evoluiu. Essa é uma da definição de evolução, mas para a biologia, evolução não envolve melhora. Para a biologia, evolução é mudança. Então, era de um jeito numa geração, virou de outro jeito na geração seguinte, evoluiu. Só mudou. E aí, essa é a questão da definição, como a gente define as coisas, certo? Então, esse aspecto da

é desse jeito. Então, a gente não tem como parar a evolução. A evolução está acontecendo. Mas evolui para a perpetuação da espécie. Então, daí a gente não necessariamente... Então, você vai continuar sobrevivendo, você melhorou. Então, do ponto de vista da biologia, não é nem para a perpetuação da espécie. Até a palavra evolução, em outros contextos, nem sempre é melhor. É, também. Se você falar assim, como a doença evoluiu? Ela pode ter piorado. Como foi a sua evolução na escola? Não significa uma melhora ou uma piora.

você foi mudando. Então, a palavra evolução, ainda mais na mente do biólogo, ela é muito ligada à ideia de mudança. Como que as coisas mudaram? Como que as coisas foram mudando ao longo do tempo? No caso específico da biologia, a gente está vendo as características dos organismos. Se essas características mudaram, como mudaram, por que mudaram, quais as influências para essa mudança. Em outros contextos, e aí a gente pode

até falar assim, talvez a melhor palavra não seja evolução, é melhora mesmo, se você quer se referir a algo que melhorou e não mais evolução. Mas falando de espécies, assim, e voltando aqui para o que a gente vive, a competição entre as espécies também faz a gente faz evolução acontecer e é sobre isso. Por que eu te falo isso? Porque hoje a gente percebe e aí você fala de um governo fascista, de outros que acabam tendo que se proteger para caso eventualmente aconteça alguma

coisa e eles estarem prontos. Essa competição entre espécies, a mesma espécie competindo entre si, também fazem alguma forma com que a evolução aconteça. São mudanças. Perfeito. Então faz, você tem toda razão, é uma das pressões seletivas. Mas a gente tem que dar um passo atrás. Você falou de perpetuação da espécie. É que a gente coloca na cabeça que Darwin estava certo. E ele estava. Só que ele estava em parte certo. E eu vou explicar para vocês porquê. Darwin é o primeiro cara que vai descrever

um mecanismo de evolução. Então evolução é mudança. E Darwin vai falar o seguinte, não é o mais adaptado, é quem se reproduz melhor. Então quem deixa mais descendentes para a geração seguinte é quem vai ter aquela característica que vai passar para frente. Isso é seleção natural. Então às vezes assim, eu sou o leão maior, eu como mais, por comer mais eu sou mais saudável e deixo mais descendentes para a geração seguinte. Eu sou a girafa que tem o pescoço um pouquinho maior, consigo alcançar plantas mais altas,

como mais, deixo mais descendentes para a geração seguinte e assim por diante. Esse é um dos mecanismos de evolução. Tem outro mecanismo chamado mutação. Por isso que eu falei que não necessariamente evolução envolve passar descendentes para frente. Porque às vezes eu tenho uma mutação que vai produzir um gene que vai descolar o lobo da orelha. Então tem gente que tem o lobo descolado, tem gente que tem o lobo colado. Isso é determinado por um gene.

Isso não faz diferença para a sua sobrevivência a princípio. E é evolução também, certo?

que a gente tem que tomar no que você está falando, e acho que esse é o principal cuidado, é um negócio chamado de determinismo biológico. E aí essa é a parte mais importante quando a gente estuda biologia, que tem muito biólogo que tem esse problema para entender essa história de determinismo biológico. Que é misturar coisas que são de biologia com coisas que não são de biologia. E coisas que acontecem na sociedade que não são explicadas pela biologia. Então, muitas coisas que a gente vê acontecendo na nossa interação,

Construção social. Baseada na biologia. Eu sou um ser biológico. Eu preciso do meu cérebro. Para construir essa sociedade que a gente vive. Mas as decisões que a gente toma. Elas não tem essa base biológica. Que você está me perguntando. Então a sociedade é do jeito que é. Porque nós somos animais competitivos. Não necessariamente. A sociedade é do jeito que é. Por causa de um histórico. Que veio sendo construído. Por sociedades que tinham determinadas características. E que a gente vê.

resultados nessas sociedades até hoje. E eu vou te dar um exemplo bem prático e fácil de entender, que é a escravidão. As pessoas foram escravizadas por uma razão política, militar e econômica, não biológica. E é esse o cuidado que a gente tem que tomar, porque por muito tempo a escravidão foi justificada pela religião, e daí depois quando a religião não conseguia justificar mais, pela biologia. Então eu falo, pessoas pretas foram escravizadas porque eram biologicamente inferiores a pessoas brancas.

Tem racismo que existe assim até hoje. Só que a hora que a gente vai ver a biologia das pessoas, ela não funciona desse jeito. Então essa explicação não explica o fenômeno social. O fenômeno social escravidão é explicado pela história da Europa, pela história do continente africano, por como esses processos de interação aconteceram de maneira social e não biológica. Então não tem uma explicação biológica para a escravidão. A explicação é meramente social.

o cuidado que a gente tem que tomar é esse. Então, assim, a escolha do vamos guerrear ou vamos ser parceiro é uma escolha social. É uma escolha que a gente pode tomar. A gente como sociedade pode olhar e falar assim, cara, não quero brigar com você mais. Vou viajar com você? Você é bolsonarista, eu sou petista, vamos deixar isso de lado e vamos curtir a viagem? Ah, mas, cara, vamos curtir a viagem, vamos aproveitar. Isso é uma escolha, eu posso fazer essa escolha.

Posso fazer uma escolha consciente disso. A gente pode até tentar fazer essas extrapolações, mas elas sempre vão falhar em algum ponto.

falar de competição biológica como uma pressão seletiva, a gente pode falar das tensões sociais que existem e tentar justificar isso, mas sempre ainda tem um viés que a biologia, quando a gente fala só de biologia, ela não consegue fazer. Porque a gente vai olhar para os outros organismos sem ser o outro organismo. Mas quando a gente olha para a gente, nossa, a gente entende tão bem a gente.

Acho que essa é a mágica das ciências humanas, das ciências sociais. É pensar além do que a gente consegue enxergar como biólogo. Que é eu falar, tá bom, isso aconteceu, isso não se justifica mais. Isso foi horrível. Mas como que a gente parte agora para melhor? Como que a gente agora pode falar em uma evolução nesse sentido de melhora? Que dá para melhorar, dá para minimizar tensões. Nessa hora, então, pensando nisso que você acabou de falar,

É que a gente teria que começar a entender a ecologia para despreocupados. E como é que é o título do livro? Agora é teia da vida para... Curiosos e despreocupados? Não, não é para despreocupados. A gente esqueceu. Não sabe o nome do livro. Já vejo. Já vejo. Já vejo a capa aqui. Meu Deus do céu. Como pode? A gente se preocupa tanto com miolo.

Mas o miolo é que é o interessante, porque nessa hora, o que a gente começa a entender? Distraídos e preocupados. Distraídos e preocupados, é isso. Distraídos e preocupados. Nessa hora a gente começa a entender que a gente fica preocupado com algumas coisas que realmente são importantes. Tudo que a gente falou aqui faz parte da vida, de forma geral. Mas que a gente tem que se preocupar, por exemplo, com o nosso mundo, que é o único que realmente funciona em toda a galáxia, não é isso? E a gente não se preocupa com isso.

Esse é o ponto mais importante, que é para deixar claro para quem está assistindo. Pensa que a gente destruiu a Terra, que a gente vai continuar aquecendo o planeta. Então vamos continuar queima no petróleo, vamos continuar usando água, que daqui 50 anos o planeta vai estar 2 graus mais quente do que ele está hoje, a chuva vai piorar, tudo vai piorar, o calor vai aumentar. Mesmo nessa situação catastrófica, não vai existir nenhum lugar no universo

para os organismos que vivem aqui melhor do que aqui. Então Marte é infinitamente pior do que a Terra com dois graus a mais. A Lua é infinitamente... A Lua que é aqui do lado, que é a mesma coisa, é infinitamente pior para os organismos que vivem aqui do que Marte jamais vai ser. Mesmo que a gente passar por uma guerra atômica... Mesmo que a gente passar por uma guerra... Soltar várias orgivas nucleares do mundo...

aqui do que Marte jamais vai ser. Pode ter um apocalipse zumbi aqui. Aqui é melhor. Aqui é melhor. Por uma razão muito simples. Porque os organismos que vivem nesse planeta por 4,3 bilhões de anos evoluíram para viver aqui. Então assim, a gente estava conversando isso com um amigo nosso outro dia que ele nunca tinha pensado nisso. Acho que vocês também nunca pensaram. Vocês têm noção que existe um peso muito grande em cima de vocês nesse momento?

chamado atmosfera, que existe uma coluna de ar gigantesca apertando o seu corpo nesse instante agora? Não. Você não consegue perceber isso? Consegue? Não. Não, você evoluiu aqui. O seu corpo, ele evoluiu para viver exatamente com essa coluna de ar em cima de você. Se você tira ar de cima, é pior. Se você colocar ar em cima, é pior também. Ou água, né? Se a gente for para baixo d'água, por que a gente tem que fazer todas as despressurizações?

pressurizações para conseguir viver. Exatamente. Então, não existe outro planeta. Então, a gente... Primeira coisa que... Eu acho que até antes, esse é um planeta muito propício para a vida. Por isso que a vida floriu aqui. E depois é isso que o Emílio está falando. Foram tantos e tantos e tantos anos para a gente chegar nesse ponto que é ótimo para a gente, que está em equilíbrio para a gente. Eu acho que esse é o fator mais importante. As pessoas ficam muito preocupadas,

e falar assim, o planeta Terra, a vida. Não, acho que a questão agora é a nossa vida. A gente chegou nesse momento em que a Terra e todo o ecossistema, todos os ecossistemas que existem na Terra, eles são bons para a gente agora. Antes não era bom. No futuro a gente também não sabe, porque a gente está em um equilíbrio muito legal para o tipo de vida que a gente tem, com essa temperatura, com essa umidade,

E essas variações que a gente se acostumou, mudar um pouquinho isso, já fica bem ruim. E tem uma outra característica disso que a Camila está falando, que acho que é o mais bonito, que a gente fica emocionado mesmo de ver, de entender, fica arrepiado como biólogo. E acho que é isso que a gente está tentando fazer no nosso trabalho, com os nossos livros, com a nossa estrutura, que é. Então a gente está falando de fatores físicos, estamos falando de temperatura, de umidade, de um monte de coisas que são importantes para a nossa sobrevivência. Mas o que é mais bonito da vida,

é que a vida evoluiu de uma maneira, desde a primeira célula até hoje, em que as interações que acontecem entre os organismos são tão importantes quanto a presença dos organismos. O que isso quer dizer para a gente? Quer dizer que não é só o nome árvore e humano que importa, é como árvore e humano interagem. E que sem essas interações, que são extremamente intrincadas, que são interações de competição, como você estava dizendo,

de predação, um bicho matando o outro. Cara, mas um bicho tá matando o outro, tá? Mas esse equilíbrio que bilhões de anos criaram é o que faz a vida ser tão diversa, tão mágica e tão sustentável quanto a gente vê hoje. E aí é muito triste a gente imaginar que a ação de uma espécie, que é a nossa espécie, e a gente volta pro papo que a gente tava tendo, capaz de ter esse papo que a gente tava tendo aqui. Da gente olhar e falar assim, cara, e se a gente parasse? E se a gente olhasse e falasse assim, ó...

Não precisa mais queimar petróleo. Vamos diminuir as coisas, vamos causar menos impacto? Porque a gente é consciente nesse ponto. A gente deveria ser consciente nesse ponto. Esse é o passo, ir além, né? Esse é o passo, sair só da biologia e pensar e falar assim, cara, nós somos talvez uma das poucas espécies do planeta, se não a única, capaz de fazer essa pausa. Você não vai ver o leão parando na savana e falando, ah, talvez eu não vou matar aquela zebra. Mas a gente consegue fazer isso.

a gente queima carvão? Isso. Por que a gente queima petróleo? Por que a gente... De onde veio essa ideia toda? Sim. E por que ela continua existindo? E aí o que eu acho mais interessante é a gente olhar para isso e falar assim, tá, e por que parar de fazer isso é importante? Porque uma das coisas mais tristes que está acontecendo é que a gente está perdendo essa informação dessas interações. As interações estão deixando de existir. As espécies estão desaparecendo. E quando a gente vai falar sobre

trabalho, a gente tá falando, cara, olha como isso é foda. Olha como isso é lindo. Olha como isso é mágico. Olha como essas interações que acontecem no nosso planeta são incríveis e frágeis. E a nossa atitude no planeta tá causando esse problema que a gente tá vendo. Será que a gente não tá se colocando demais no protagonismo da história? A ponto de, tipo, remar contra maré? Será que a natureza não espera isso da gente? Tipo assim, a natureza criou o ser humano

A natureza precisa evoluir, ela precisa mudar. Sim. E aí, tipo, ó, vou colocar esse bichinho aqui, que ele vai destruir tudo, vai comer tudo, e eu vou voltar e vou voltar mais forte ainda. Então, você tá dando uma intencionalidade que não existe, mas... Mas eu fico pensando assim, vou fingir que essa intencionalidade existe. E aí a gente deveria assumir um outro protagonismo, de falar, não, cara, eu quero ficar aqui. Aqui tá bom. Por que que eu vou me deixar levar por isso? Não é?

Eu concordo 100%. Eu quero ficar aqui. O que eu tenho que fazer para continuar aqui? E uma coisa, até tive umas críticas num outro podcast, nos comentários lá, que assim, gente, a gente já sabe qual é o problema. Não é muito mais fácil quando a gente sabe qual é o problema? Sim, é buscar a solução. E que o problema a gente consegue controlar? Imagina assim, se o problema fosse vai vir um meteoro que nem aquele que matou os dinossauros. O que você faz? Armagedon,

o cara furar com a broca o meteoro. É muito mais difícil. Eu sei qual é o problema. O problema é a gente queimando petróleo, desmatando e aumentando a temperatura do planeta. Eu sei que isso esbarra num monte de outras questões muito mais complexas do que só falar olha só, ela está achando que sabe qual é a resposta. É que essa resposta existe, ela é verdadeira. Mas a gente vai esbarrar num monte

questões de desenvolvimento, de economias, de poderes. Eu sei que é aí que o negócio fica enroscado. Mas a gente sabe a resposta. E tem um ponto que eu queria falar que eu acho que você tem toda razão. A gente não tem protagonismo nenhum. Zero protagonismo. A gente não vai deixar nem registro fóssil. A gente vai viver tão pouco tempo no planeta. A humanidade está em 100 mil anos de história. 200 mil anos de história. Então, realmente, para a história da vida, para a história da natureza, a gente é irrelevante. Não vai ter fóssil da humanidade?

Muito pouco provável. Muito pouco provável. Sério? Cara, a gente vai ficar um tempo muito pequeno de tempo no planeta. As múmia aí, mano. Não, já nem. Não vai ter um crânio meu cinco daqui de milhões de anos. Não, vai nada. Ele é cabeça dura. O dele vai ficar. Só tem 500 anos. Talvez daqui 6 mil anos você ache alguma coisa. E aí acho que isso é uma coisa que ao mesmo tempo é ruim e boa. Ruim em que sentido que eu estou dizendo? Porque o cuidado que a gente tem que tomar

com o que você falou, eu sei que você foi pra provocar, é que aí a gente é fatalista. Ah, então tá bom, então foda-se. Isso é uma postura, eu não tô dizendo que você foi isso, eu tô falando. Ah, a gente vai viver pouco tempo no planeta, não tem mais volta, cada um pega o seu carro e queima combustível e faz o que quiser e acabou, e a gente é fatalista. A gente deu uma palestra na USP há um tempo e isso é uma possibilidade. Tá bom, dane-se. Acabou, vou viver minha vida, vou comer meu churrasco,

tudo bem. Isso é uma postura possível, mas a outra postura possível é a gente falar não. Não, a gente vai se organizar de tal maneira em que a gente vai fazer ou vai tentar fazer algum tipo de mudança. Como a gente vai fazer isso? Eu e a Camila, a gente produz conteúdo. Como a gente vai fazer isso? A gente vai fazer política. E política não no sentido partidário, eu vou me organizar socialmente para resolver o problema. E a gente recebeu a Samia, Samia Bonfim, deputada federal, e a Samia falou uma coisa que a Erundina falou para ela, que acho que

Isso é a coisa mais... Que foi um aprendizado da Samia e que pegou demais em mim na Camila. A gente tem uma semana que está falando disso. A Samia estava conversando com a Erundina sobre leis que são difíceis de votar. Então tem algumas leis que são complexas e que favorecem um pouco, não favorecem outro. Tem umas que são muito simples. Você fala, não, isso aqui é sim, isso aqui é não, com certeza. Mas tem umas que ainda são meio enroscadas.

Isso. E aí ela chegou para a Erundina com esse problema e falou para a Erundina assim,

deputada, a senhora é política a vida inteira. Eu sou muito fã da Erundina. Como que a senhora resolve esse problema? Ela fala assim, não, você tem razão. Tem alguns casos que são difíceis. E aí a Erundina vira para ela e fala assim, eu sempre penso assim, qual decisão minha não vai prejudicar quem é pobre? E por que eu estou falando isso em relação ao mundo que a gente está vivendo hoje? É porque quando você pega os dados de quem vai ser afetado pelas mudanças que o mundo está sendo causados hoje, quem sempre vai ser afetado

populações que já são vulneráveis. E aí a gente, como humano, voltando lá no comecinho da conversa que você fez, cara, eu posso olhar pro outro humano e falar que isso não é justo. E aí eu posso lutar pra que isso não aconteça com o outro humano. Então, vamos ser bem egoísta? Cara, dane-se o mico leão dourado. Caguei pra capivara de não sei da onde. Dane-se a anta. Tá tudo tranquilo. Biólogo não pode falar isso. Não, mas vamos pensar. Essa é uma ideia muito maior.

É uma ideia muito maior. Então assim, cara, então dane-se. Eu não estou preocupado com a Amazônia. Caguei para a Amazônia. Legal, a Amazônia é longe pra caramba. Nem sei o que tem lá. Nunca fui, nunca vi. Sou sudestino. A vida inteira fiquei em São Paulo. Tá bom. Só que se a Amazônia acabar, o juiz de fora vai acabar. Igual está acontecendo essa semana. Ah, mas tem uma relação das coisas? Tem. 54 pessoas morreram. O número de ontem, mais 12 desaparecidos. Porque está chovendo tanto.

Primeiro lugar, seca, quem mora em Minas e em São Paulo, oito meses não chove, uma gota de água, e depois de uma semana chove o que era para ter chovido o ano inteiro. Isso é consequência da mudança climática. Mil pessoas sem casa, 54 pessoas morreram até ontem, 12 pessoas desaparecidas até agora. A Camila estava vindo para cá agora, vendo que Paulínia, lá onde a gente mora em Trinidad de São Paulo, bairros alagados, porque em um dia choveu mais do que choveu no ano inteiro.

em Ubatuba, litoral de São Paulo. Deslizamento em Ubatuba. Paraty. Paraty. Alagada. Deslizamento em Paraty. Então tá bom. Então vamos falar de gente. Então tá bom. Então eu posso olhar e falar que o mundo tem que mudar porque eu acho que o outro macaquinho pelado, como eu gosto de dizer, igual eu, vai sofrer e eu acho isso injusto. E aí a gente volta pra você que você tava falando de evolução. Então tá bom. Então vamos nós como sociedade tomar decisões que vão beneficiar a sociedade. Beleza.

um caminho que a gente pode tomar também. Talvez esse, em termos evolutivos biológicos, seja a nossa melhor característica para a sobrevivência da espécie. Porque a evolução não é sobre isso, mas, nesse caso, a gente pode até aplicar. Se essa é a característica que a gente precisa, ser inteligente o suficiente, esperto o suficiente, perceptivo o suficiente, para entender que é a gente que está causando o problema, que a gente tem como

ter isso, ou pelo menos parar. É isso. Então, hoje o homem é o fator determinante das mudanças. Isso. É o homem. É. Mas quando a gente fala de homem, a gente não fala de um animal comum. Quando você fala do leão, quando você fala, sei lá, de um molusco, eles agem por instinto e cada um faz praticamente a mesma coisa que o outro faz. Perfeito. Quando a gente fala de homem, a gente fala de uma grande quantidade de pessoas fazendo o desejo de um só.

A gente tem líderes, e esses líderes, até quando você fala de um político que vai fazer uma lei ou não, essa galera é que determina o que toda manada vai fazer. O caminho, toda manada vai passar. A gente não seguia pelo sol, fala assim, Didi, vamos caminhar aqui. O sol está do outro lado e alguém vira para você e fala assim, mano, é ali que você vai. Então não é o homem que vai mudar o mundo, são os pequenos líderes que a gente tem ali. E eu não sei se eles estão dispostos a isso.

No individual, a gente não é diferente do leão. No individual, a gente é muito instintivo ainda. A gente está preocupado com o nosso dia a dia ali. Boleto para pagar, ir no mercado. A gente está preocupado com o básico. Acordar, comer, cagar, transar e morrer. Isso é só que é sobreviver. Mais um dia para transar mais um dia. É a mesma coisa que o leão quer. Exatamente a mesma coisa. Com estruturas diferentes, é a mesma coisa que o leão quer. Mas também tem a razão de como a sociedade,

estão organizados. Como os nossos bichos estão organizados. E aí, assim, eu só vou te dar um exemplo pra gente perceber que a gente também não é tão especial assim. Sabe o que é um cachalote? Demais. O cachalote é um dos meus bichos favoritos. Enorme. Cabeçando a quadrada. Sabe que eles são democráticos? Em que sentido? Cachalotes nadam em grandes manadas, que são mamíferos. E aí eles decidem pra onde eles vão nadar democraticamente. Eles combinam, eles falam entre eles e eles combinam democraticamente.

Ou, elefantes, você tem uma matriarca que ela determina para onde o bando vai. A única diferença que eu vejo, de verdade, não é nem tanto nessa organização social que você está falando. Porque em chimpanzés você tem isso. É a nossa capacidade de nos organizar para mudar o mundo em que a gente vive. Eu acho que o nosso passinho além de saída do instinto é ser contra-intuitivo. É falar assim,

eu quero mais, mais, mais, mais, mais, mais riqueza, mais poder aquisitivo, mais... E agora a gente vai ter que ser contra-intuitivo e falar, não, pera, a gente vai ter que ir para um outro caminho. Sim, a gente pode olhar para esse caminho e achar que esse caminho não está certo. É um caminho... Isso diferencia. Talvez mais cooperativo, mais solidário, mais... Mas, assim, eu acho que a nossa mágica é conseguir fazer esse passo contra-intuitivo

o nosso umbiguinho. E talvez até, como sociedade, olhando só para o nosso umbiguinho, que é o que importa agora. De como que a gente vai manter esse lugar aqui bom para a gente por mais tempo. Mas concordo. E voltando ao que você estava falando, então tá bom. Então você tem o líder. Você tem alternativas. Você pode escolher outro líder. Que tenha um outro caminho. Você pode se organizar por outros caminhos. Você pode escolher um conjunto de líderes. Um líder que escute a maioria. Um líder que escute a maioria.

Porque isso é uma outra coisa que... Porque isso é uma coisa que também a gente tem que tomar cuidado com esse determinismo, como se esse fosse o único modelo que existe. Então tá bom, eu vou escolher um líder que vai tomar decisão. A gente já não vive numa sociedade assim, em que você tem esse cara que toma decisão e todo mundo segue. Então a gente tem uma estrutura que está desenhada para evitar isso. Mas por que isso não acontece?

Porque essa estrutura é de certa maneira manipulada para que um caminho seja determinado.

Falando do Brasil especificamente. Como que funcionam os nossos poderes para evitar isso que você falou? Você tem o presidente da república. Ele não é o todo poderoso. Ele tem outros poderes que estão ali para contrabalancear ele. Mas na hora que você vai ver a realidade, não necessariamente isso que acontece. Parece que está todo mundo jogando o jogo junto. Dando um exemplo fácil de entender para quem está assistindo. Bancada do agro no Brasil. A bancada do agro no Brasil representa de maneira desproporcional

um modelo de agro. Então você vai falar assim, pô Emílio, mas existe o cara do agro? Ele tem que estar representado? Tem, eu concordo plenamente, mas a representação dele é muito maior do que a minha. Ah, por que que isso acontece? Porque esses caras financiam a campanha de deputados, senadores, presidentes da república, governadores e assim por diante. Então a gente tem uma estrutura hoje que leva a sociedade na direção de poucos interesses.

A gente precisa discutir, talvez, como que a gente vai desenhar uma sociedade que o interesse da maioria

realmente seja representado. Ah, então tem que ter metade de mulheres no Congresso Nacional? Acho que sim. Metade da população são mulheres. Então, como que a gente vai fazer para isso que acontecer? A gente vai criar uma regra? Eu não tenho a solução para isso. Mas a gente vai criar uma regra? Metade das cadeiras vão ser ocupadas por mulheres, metade das cadeiras não... Sei lá o que vai acontecer. Como que a gente vai desenhar isso?

Mas a gente precisa mudar a direção que a gente está indo. E aí, por razões simples. Porque a gente está sofrendo

essas pessoas. Então, na hora que você pega, e aí não é só no Brasil, é a decisão global. O Trump entra no governo dos Estados Unidos e fala, vamos queimar petróleo? Sim. Vamos queimar, vamos aumentar a queima de petróleo, vou cortar o investimento em outro tipo de energia e vou queimar petróleo. Eles já são o país que mais polui no mundo e vão aumentar esse consumo de petróleo. Então, é complexo e, de novo, tem interesses por trás e não são interesses da maioria.

Então, voltando ao que a gente estava falando antes, quem sofre é sempre quem está na outra ponta do rolê.

Então quem está sofrendo com as enchentes, com os deslizamentos no Brasil hoje, não são as pessoas que têm casas em bons lugares. São as pessoas que constroem suas casas nas encostas, em lugares que não poderiam construir. Não, mas por que constrói? Porque só tem lá para construir. Ah, mas como que o Estado lida com isso? Não lida com isso. Aí a hora que acontece o desastre, aí você vai ver essa semana agora um monte de discussão. Ah, o que vai fazer? Não pode construir na encosta, tal, tal, tal, tal.

Até a próxima chuva. Então tá. Então a gente não pode ser uma sociedade que age desse jeito. Então como que a gente vai se organizar? Quem que a gente vai eleger? Ou mesmo a gente como sociedade. Como a gente vai se organizar pra falar assim. Então tá bom. Não pode. Aí você vai falar pra mim assim. Aí Miriam. Não pode morar gente na encosta. Vai fazer o que? Constrói casa pras pessoas em outros lugares. É porque a culpa não é da pessoa que não tinha pra onde ir.

E escolheu. Escolheu né. Que acabou ficando ali. Exato. Então não é. Eu não vou culpar o coitado que perdeu a casa. Então tá bom.

a gente como sociedade vai fazer o quê? Vai construir casa em outros lugares. Ah, mas você quer que a prefeitura construa a casa para o cara? Não, ele não tem casa para morar. Ele já não tinha antes. Ele já mora na encosta, num lugar que não pode. Então qual sociedade que a gente quer para organizar essas coisas? Você acha que é difícil a pessoa escolher de que lado ela está? Para mim, não. Não, para mim também não. Para mim, não.

Mas eu acho que... Eu fico me perguntando assim, porque para mim é tão claro. Igual você falou assim, para mim não. Para mim não. É muito claro, mas tem gente que tipo assim,

Não, mano. É cada um por si. Eu fiz o meu. Eu fui leviano. Eu falei de mim, mas eu posso te falar do que eu vejo das pessoas. Eu acho que a gente vive num mundo de propaganda muito, muito, muito, muito, muito forte que vem de um modelo de sociedade individualista que você tem que conquistar as coisas sozinhas e que a pessoa merece o que ela teve. E eu acho que isso não é ao acaso. Acho que isso é proposital. Então, é um vídeo gravado. É uma pirâmide.

É uma pirâmide, não. Só quem está no topo ali, está todo mundo... E ele está no topo e o topo controla o discurso. Então, eu vou dar um exemplo aqui que a gente estava falando antes. Pablo Marçal, por exemplo. O Pablo Marçal, ele te vende uma coisa que eu e você, você e a Camila nunca vamos vender. Ele te fala assim, se você fizer isso, você vai ficar rico. E isso não é verdade. Ele sabe que não é verdade. Só que a hora que você não fica rico,

só tem um culpado. Você. Que é você. Eu te ensinei. É muito fácil eu te vender isso. Então, na hora que você vai comprar um curso do blá-blá, por exemplo, em nenhum momento do curso eu vou falar assim, Rodrigão, você vai ficar rico. Eu vou pegar um livro de ecologia, que é o que a gente vai estar falando aqui hoje, e vou falar assim, ó, leia isso aqui para entender o mundo um pouquinho melhor. E o que eu vou fazer com isso? Nada.

Você vai entender o mundo um pouquinho melhor. Tá, mas por que isso é importante? Cara, porque o mundo é legal pra cacete. Porque entender o mundo é legal

só. Ah, mas se eu ler o livro da Camila e do Reinaldo José Lopes, eu vou ficar rico? Não, não vai. Talvez intelectualmente. Intelectualmente com certeza, mas financeiramente não, porque essa promessa não existe. O que pode ser feito pra libertar essa pessoa que foi presa nessa amarra ideológica? A gente tem que mostrar pra essa pessoa, pelo menos é o que a gente acredita, é o que a gente faz todo dia, que existe um mundo diferente do que é o que é vendido pra ela. A gente tem que ocupar os

E ocupar os espaços não é ocupar o espaço da internet. É um trabalho de formiguinha mesmo. É um trabalho de formiguinha mesmo. É um trabalho de educação das pessoas. Então, assim, você vai... Uma coisa que eu odeio que as pessoas falem, assim, como que você é pobre de direita? A direita foi até a favela. A direita foi até a comunidade. A direita abraçou esse cara. A direita ofereceu uma alternativa para ele. Na minha visão, uma alternativa falha, uma alternativa que é mentirosa, muitas vezes... Mas foi. Mas foi. E a esquerda está lá. Isso é a minha visão.

Emílio, biólogo, está lá no seu altar falando, eu estou avisando para vocês. Não, vai lá na comunidade. Vai lá falar para o cara. Vai lá para o cara mostrar para ele que se ele se organizar, ele vai conseguir levar uma vida melhor para as pessoas. E que ele sozinho vai continuar na favela. Tem um amigo... E assim, gente, eu não estou sendo determinista. A sociedade é determinista. Tem um amigo meu muito bom chamado André Souza. O André Souza hoje trabalha num cargo no Facebook que ele deve ganhar dinheiro,

do que todo mundo aqui junto. Não, eu tenho certeza disso. Não há dúvida. Ele é diretor, trabalha com o Mark Zuckerberg. Ele é um cara foda. E ele era da favela em Belo Horizonte. Então ele morava numa favela em Belo Horizonte. E aí ele estava na favela e ele olhou e falou assim, como que eu faço para ir embora do Brasil que eu não aguento mais viver na favela? Fez um curso do Pablo Marçal. Cara, isso. Fez o curso do Pablo Marçal e foi embora.

Ficou milionário. Ficou milionário e estava lá no Facebook. E aí ele descobriu o seguinte. Ele descobriu que existia um programa no Brasil chamado Ciências Sem Fronteiras.

Caramba. No ensino médio ele descobre que tem esse programa. E aí ele faz o seguinte, ele fala, então eu tenho que entrar na faculdade, entrar no Ciências Sem Fronteiras para eu poder ir para os Estados Unidos lavar prato. Esse era o plano dele. Aí ele pega e fala, qual que é o curso mais fácil para entrar na UFMG naquela época? Eu não sei como é hoje. Psicologia. Então ele pegou, estudou, entrou em psicologia na UFMG, foi fazer psicologia, entrou no Ciências Sem Fronteiras e foi para os Estados Unidos lavar prato. E um detalhe, não é um curso fácil. Não, nem um pouco.

ideia de ser fácil de entrar é que ele era menos concorrido. Exato. Muito obrigado por me corrigir. E isso muda. Isso muda todo ano. Vai fazer física. Tem muita vaga. Você vai entrar fácil, mas com o curso... Física de materiais. Caralho, mano. Entra fácil. Sobra vaga. Quero ver ele sair. E aí ele vai pros Estados Unidos. E aí ele conhece uma pesquisadora lá, faz um sucesso dentro da pesquisa, volta pro Brasil, vira um pesquisador incrível, é contratado numa empresa americana,

a Big Techs vem e rouba ele. Ele é o caso perfeito de sucesso dentro do capitalismo. Ele conseguiu fazer o que todo mundo vende que dá pra fazer. Concorda ou não? Ele saiu da favela e hoje ele é um profissional que as empresas brigam por ele. As Big Techs brigam por ele literalmente. Pergunta pra ele o que ele acha de meritocracia. Não existe meritocracia pra ele. Sabe por quê? Porque dos 10 amigos dele, do grupo,

morreram de tiro da polícia. Não existe meritocracia. Porque quem nasce da favela, morre na favela. Ele não é exemplo de nada. E quem fala isso não é o Emílio. Quem fala isso é o André. Ele não é exemplo. Ele fala, eu não sou exemplo de nada. Os meus amigos morreram. E aí tem uma outra coisa que eu vou falar. Naquelas condições, a exceção não é replicável. Exato. Tem que mudar as condições pra isso ser replicável. Porque se você pega 10 amigos

de classe média de Paulina e compara com os 10 amigos dele, por mais que o André tenha ido lá pra cima, a nossa média é melhor. E aí o André me falou uma frase uma vez que é pra mim a mais marcante. Você fala assim, meu, ele tem sucesso, mas ele trabalha pro Zuckerberg. Imagina se ele tivesse estrutura. Imagina onde o André teria chegado se ele não tivesse na comunidade. Se a escola que ele estudou quando ele era criança fosse boa. Se ele não tivesse passado necessidade

era criança. Era 10 vezes melhor que o Zuckerberg. Talvez. Não sei, não dá pra saber. Não dá pra saber. Talvez o estímulo que fez ele pular, não é uma lógica idiota, mas é tipo assim, o estímulo que fez ele pular foi a necessidade de tivesse... Às vezes se ele tivesse uma vida de classe média igual eu tenho, ele ia pensar, lavar prata nos Estados Unidos? Não vou. Eu vou fazer esse curso me ferrando aqui pra formar, não vou. Exato, não vou.

E é só lembrar das nossas alunas quando tava lá no meio da graduação, engravidava. Aí chegava pra gente e falava, Emílio,

Camila, e agora? O que eu faço? É porque a gente engravidou no meio da graduação e éramos professores, né? Como que foi a história de vocês? Eu falo, nossa história não é exemplo, ela não é replicável. Porque no nosso caso, nenhuma, né? No nosso caso, assim, como que a Camila fez a graduação, fez o mestrado, fez o doutorado, ter engravidado no meio da graduação? Porque eu tinha uma rede de suporte incrível,

Essa aluna, por exemplo, foi expulsa de casa. Chegou pro pai, falou, tô grávido. O pai falou, então tá bom, tchau. Aí não dá pra comparar. O destino da Camila, o destino desse bebê é incomparável com o que aconteceu com a nossa filha, por exemplo. Então, se a gente não ocupa esse espaço, o André vira o exemplo ruim. Por quê? Porque daí o Pablo, ou quem quer que seja, vai lá pra comunidade e fala assim, ó, mano, ele conseguiu. Olha ele aqui, ó.

E aí qual que é o trabalho do André? Ele volta pra comunidade pra ensinar a molecada, faz curso de graça,

gasta o tempo dele, gasta o dinheiro dele, gasta a energia dele para tentar mudar a vida das pessoas, mas em nenhum momento vendendo a ideia, a vida dele como uma referência de faça o que eu fiz e você vai estar no Facebook, onde quer que seja, ganhando esse dinheiro. Então acho que a gente tem que ocupar espaço, a gente precisa mostrar para as pessoas que existe uma vida diferente, a gente precisa mostrar para as pessoas que individualmente a gente não vai chegar em lugar nenhum, nenhum, a gente vai ficar, o que a ciência mostra? Então tá bom, você e a Camila, vocês estão dando mão de opinião,

O que a ciência mostra? É que no capitalismo não existe mudança de classe social. Não existe. Se você for pegar números grandes, se você pegar o André, ele mudou de classe social. Ele mudou a vida do pai dele, mudou a vida da mãe dele. Tem outro amigo nosso, Marco Gomes. Mesma coisa, saiu da periferia, de Brasília. Mudou a vida dos pais, mudou. A vida dos pais dele é outra, por causa do trabalho dele. Mas se você pega a média, onde você nasceu é onde você vai ficar o resto da vida.

você vai continuar pobre o resto da vida. Se você nasceu classe média, você vai ficar com classe média o resto da vida. Não existe ascensão social para as pessoas mais ricas do mundo. Quem é rico sempre foi rico, em média. Tem exceção? Claro que tem. Mas falando de grandes números, bilionários vêm de famílias ricas. Pessoas de classe média continuam classe média. O meu pai, pai da Camila a mesma coisa, talvez o pai de vocês, meu pai me treinou para ser trabalhador.

A vida inteira, meu pai trabalhou a vida dele inteira, os pais da Camila trabalharam a vida dele inteira

Para a gente ter um bom estudo, para virar trabalhador, entrar numa firma e trabalhar igual ele o resto da vida. E eu não estou dizendo que isso é ruim. Eu estou dizendo que isso não permite que a gente mude de classe social, porque isso não existe no mundo que a gente vive hoje. Dentro da nossa realidade, esse era o caminho. Eles estavam certos. Lógico. A gente não está nem questionando isso. Não. É isso que a gente tinha que fazer mesmo, que era o melhor que a gente podia.

É isso. Então, se organizar, acho que é o caminho, e estar nesses espaços, acho que é o caminho. Então, e aí pensando nessa percepção que a gente acabou de receber de vocês,

é muito difícil mudar e praticamente impossível. E aí pensando de forma geral, assim, aí falando também de biologia nível mundo, né? O que o homem vem fazendo? É possível mudar ou a gente já chegou numa situação de não retorno? A gente tem como consertar isso? Eu falo assim, tanto na estrutura social como biologicamente, pra gente não continuar, sabe, evoluindo dois graus, um grau de aumento de temperatura. Eu acho que tem, a gente tem...

A gente tem várias projeções também, né? É, tem vários caminhos. Não só exemplos,

mas vários modelos e várias projeções do que vem acontecendo com os dados que a gente já tem até hoje. Então, antes era uma coisa perto dos 2 graus, que é até 2 graus, se a gente aumentar, ainda dá, mas chegou em 2 graus, aí já degringolou. Outras projeções já estão... Por isso que a gente queria manter em 1,5. E média, acho que diária, de vez em quando a gente bate nesse...

bateu no 1,5 e voltou. Então, de verdade, a gente não bateu lá no 1,5. Mas tem outras projeções que não estão falando mais em 2 graus, estão falando em 1,7. E tem um trabalho recente que eu li, que ele está falando bem dessa parte econômica, do impacto das mudanças climáticas. E um dos questionamentos dele é ele falar assim, olha, eu acho que a gente estava olhando para o problema sempre de um jeito,

superficial, do jeito errado. A gente estava olhando localmente. Então, cada país ia lá e falava, olha, com isso aqui, com essas projeções de clima, essas possíveis mudanças e eventos extremos, a gente vai ter um problema econômico dessa grandiosidade. O outro país, o outro país era muito regional, era muito localizado. E eles falaram, vamos agora fazer uma modelagem para ver o todo. O planeta,

todo. E aí a gente começa a ficar mais assustado, porque a projeção deles não é mais a de 2 graus, é a de 1.7. Se a gente chegar a 1.7, já... Mas ele deu o pé do perigo. E ele vai falar assim, perdas gigantescas de PIB. Num PIB mundial. E aí, por que ele vai falando desses problemas? Quando a gente começa a ter muitos eventos extremos em diferentes lugares, a gente não tem pra onde correr.

Então, se eu tive um problema em um país e esse país agora precisa de um suporte, ele teve lá problema com a sua economia, as plantações acabaram, ele tem de onde pegar em outros lugares. Mas se todos os lugares estão passando por problemas, de onde a gente vai tirar? É a história de cobertura curta. Se um lado está ruim, você tampa de cama, beleza. Só que se tiver, você vai destampar e vai... A outra coisa é que isso,

eventos extremos ocorrendo em diferentes lugares, eles vão atrapalhar comunicação, transporte, tudo. Então, às vezes não teve o problema no local de produção, mas por onde vai passar essa produção até chegar em outro lugar? Então, são várias coisas que começam a degringolar porque está acontecendo em todo lugar. Então, hoje a gente está falando aqui de um Brasil passando por problemas em Minas, no estado de São Paulo, na região sul.

A gente vai começar a falar dos problemas. O ano passado foi na mesma época, não foi? Na Bahia, na região Nordeste, depois região Norte. Para onde a gente corre? É muita gente agora pedindo ajuda num país só. Que infraestrutura a gente tem agora para fazer esse socorro? Em tantos lugares. Quando é um lugar só, a gente já tem dificuldade. Já tem que mobilizar muita coisa para fazer esse socorro. E agora? Então, quando a gente começa a olhar para o todo e essas projeções,

Então, voltando, qual que é o limite? Dá para voltar? Dá para salvar ainda a ideia de que sim? E o cuidado que a gente tem que tomar é que a gente pensa muito em fim, voltando ao ponto que a gente estava falando antes, fim da humanidade. Não vai ter fim da humanidade. A humanidade, a gente é um bicho ruim, a gente vai viver ainda muito tempo. Vai ter um fim, mas ele está longe. E não é esse evento agora. Mas quem está sofrendo, volta para o ponto de onde o cobertura

e aí a gente tem exemplos, então a gente faz tudo isso e aí a gente participou do Nerdcast há um tempo e aí a galera assim nossa, saí deprimido do Nerdcast porque é um papo pesado pra gente ter, mas tem uma coisa que é legal que a gente tem exemplos em que nós olhamos pra um problema nós mundo, não nós um pedacinho, nós mundo olhamos pra um problema e resolvemos esse problema e tem alguns, mas um que eu gosto muito é o exemplo da varíola a varíola é a doença que mais matou

humanos na história. Dependendo do local que você está falando, você está falando de 90% de taxa de mortalidade em bebês. Então imagina que chega um vírus, igual o Covid. Covid, a gente falou de 1,5% de taxa de mortalidade, vocês viram a merda que deu. Imagina se chega um vírus que mata 90% dos bebês. Morre todo mundo. Acaba uma geração na hora que a varíola chega. Por isso que a gente está assustado com o Nipah, né? Nem vamos falar que é o Nipah vírus, mas depois a gente fala. Eu não vi falar do Nipah.

É o que dá os caramba. Esse é M-pox. Esse é M-pox, que é um tipo de varíola também. E aí o que acontece? Você tem, ao longo da história, a varíola tem 15 mil anos de descrição. Você tem documentos na China falando, cara, chegou uma doença aqui, bolinha em todo mundo, morreu a cidade inteira. Por 15 mil anos, quando a varíola chegava, ela acabava com uma cidade. Tem trabalhos que mostram que uma das razões para o fim do Império Romano,

exemplo, é uma infecção por varíola que matou uma galera. Então era assim, chega a varíola, acabou com a cidade e demora 50, 60, 200 anos pra recuperar. No final do século XIX, a gente começa a fazer as primeiras vacinas. E a primeira vacina é uma vacina pra varíola. Então o cara pega varíola de vaca, passa num moleque, sem brincadeira, o menino tá passando na rua e opa, vem cá. E é bem legal assim, porque ele começou a estudar essa varíola da vaca e ele via que as ordenhadeiras

depois que elas tinham essa varíola bovina, ou não tinham a varíola humana, mesmo entrando em contato com doentes, ou elas tinham uma versão mais branda. Ele falou, opa, tem alguma coisa aqui. Aí ele pega e infecta a criança com aquilo, e depois ele infecta a criança com varíola e a criança não fica doente. E aí a gente já tinha alguns testes, a gente começa a desenvolver essa tecnologia, e aí lá na década de 50 surge...

que fala da variolação, que ficou famoso. Na verdade, vários outros lugares do mundo aqui, esse é do mundo ocidental, que a gente tem mais relatos. Mas vários outros lugares do mundo já faziam a variolação, que é isso de inocular a pessoa com pus. A China já fazia? A Índia já fazia? Os caras já faziam antes? Ele pega o pus? Nesse primeiro ele pega o pus da vaca, ele pega a pústula da vaca, aquela bolinha que forma, aí ele pega o pus dela e infecta.

uma criança. Esse é o primeiro experimento. E aí, essa criança fica com febre, depois passa, então ela tem uma varíola mais leve, que é a varíola da vaca, e aí ela cria anticorpos que protegem ela da varíola humana. Então ele começa a descobrir, e aí você já tem em outros lugares, fazendo a mesma coisa. Aí depois a gente descobre vírus, aí depois a gente descobre as vacinas que a gente usa até hoje. Por que esse exemplo é legal?

Chegar na década de 50, o mundo faz uma reunião e fala, precisamos acabar com a varíola.

E como que você acaba com a varíola? Vacinando o mundo inteiro. Literalmente o mundo inteiro. Ah, então isso quer dizer que eu vou ter que pegar um barco, subir um rio na Amazônia e vacinar o cara que está lá na Amazônia? É. Ah, isso quer dizer que eu vou ter que ir para todos os países do mundo vacinar o mundo inteiro? É, é exatamente isso. E em 79 acaba a vacinação no mundo porque a varíola acabou. E isso é uma decisão coletiva. O mundo olhou.

E falou, a pior doença da história precisa acabar. A gente sabe acabar com ela. Só que isso vai precisar de um esforço de todo mundo. Mundial. Mundial. Lembra que a gente estava falando da década de 70? Estou falando de União Soviética, por exemplo. Verdade. Estou falando de Estados Unidos e União Soviética no auge da Guerra Fria. E aí esses caras olharam e falaram que isso era importante o suficiente para que todo mundo tomasse uma decisão coletiva e vacinasse o mundo inteiro. Então tá bom.

é isso. Vacinou-se o mundo inteiro e hoje ninguém toma vacina pra varíola. Não precisa mais. Não existe mais varíola no mundo. Eu não tomei vacina. Eu sou de 80 e eu não tomei vacina pra varíola. Eu sou de 79 e também não tomei. A irmã dela tomou. Então o que você fez? Você deve ter tomado. Então a gente fez um esforço mundial. A gente tomou uma decisão mundial pra resolver o problema. E aí o vírus depois evoluiu e veio a

Não, porque a hemipox é outro vírus de outro animal. É um vírus de macaco. Que não é só de macaco. A gente tem que tomar esse cuidado. É parecido com a varíola. Mas não é a varíola. Não é a nossa varíola. É que tem grupos de vírus que causam essas doenças em diferentes organismos. A nossa era muito mortal pra gente. A da vaca dava problema na pobre da vaca. Mas pra gente ela era mais branda. A hemipox também.

parecido com o da nossa varíola, mas não é a nossa. Então ela tem uma mortalidade muito menor na gente. Pode acontecer, mas é mais comum você ficar doente e ter as bolinhas. Mas ela não é tão mortal quanto a nossa varíola. E aí de novo, é um esforço coletivo. Outro exemplo muito interessante é buraco na camada de ozônio. A gente nunca mais falou de buraco na camada de ozônio. Por quê? Porque a gente resolveu o problema. E o que tinha está se reconstruindo. Está fechando. Isso é bom para caramba.

um esforço mundial também. Então, qual que é o problema? O problema é aerosol. Spray. Spray e geladeira, principalmente, na época. Então, tá bom. A gente tem uma tecnologia que está causando um problema. Spray e geladeira. Então, tá bom. Como que você faz para não ter? Proíbe. Ah, então tá. E geladeira? Tá. Existe essa outra geladeira aqui que não causa esse problema. Então, tá bom. Então, não pode mais fazer a outra geladeira.

Isso é uma decisão mundial. Ninguém mais faz. Ah, mas era um problema na camada de ozônio que ninguém via. Ah, era... Porque tem esses...

É igual o gás do efeito estufa. Ninguém vê o gás do efeito estufa. A gente não consegue ver. Você fala assim, mas quando você está em uma poluição maior, você vê que aquilo lá é... Mas o buraco na camada de ozônio também, porque aumentava a quantidade de UV. Você não via o buraco, mas você sentia o efeito. Tem uns buracos só naturais. Tem, tem. O buraco na camada de ozônio, principalmente nos polos, inclusive ele aumenta e diminui.

Mas ele estava aumentando demais com as nossas ações e isso estava começando a virar perigoso. E de novo, década de 80.

mundial. Senta todo mundo, faz uma reunião e fala, cara, vai dar merda. Pô, se a gente tem esses exemplos, e aí a gente poderia falar de dezenas de exemplos. Se a gente tem esses exemplos, é muito conformista a gente falar assim, ah, não tem solução. Cara, tem solução. A gente tava vindo pra cá agora. Tem aquele trem que eles construíram. Vocês foram pra China. A solução é, vamos construir transporte público de qualidade pra todo mundo.

Elétrico de preferência. Elétrico de preferência. Mete trem pra tudo quanto é lugar. E aí o que você faz?

Cara, você não pode ter carro mais. Acabou. Acabou. Ah, não, mas eu gostaria de ter carro. Cara, não. Você não vai ter a geladeira que fura a camada de ozônio. Você vai tomar vacina para varíodo. Você não pode ter carro mais. Ah, mas isso é extremista demais. O mundo está sofrendo com ações individuais. Vamos coletivamente tomar decisão. Então, existem exemplos disso? Não só na China. Vou dar um exemplo capitalista. Vai para a gente não ficar muito socialista na história.

da minha team em 2007. E eu fui pra Paris em 2007. E aí, o centro de Paris, um caos, uma zona, uma bagunça, trânsito pra tudo quanto é lado, um dos lugares mais poluídos do mundo. Nisso que você falou de você sentir o ar pesado de poluição. A gente viajou com a nossa galera do 3 Elementos em 2024 pra Inglaterra, e aí eu fui viajar com a Camila pra Paris. Ela não conhecia, a gente foi. Você vai pro centro de Paris hoje e não é poluído mais. Aí você fala, cacete, o que os caras fizeram? Não tem estacionamento

no centro de Paris. Tem pedágio para entrar de carro no centro de Paris. Ah, mas Paris é capitalista. Tá bom. Mas isso é a coisa certa. Não tem. Mas o que o cara fez? Ele pegou todos os estacionamentos que tinha e falou, não pode ter estacionamento aqui mais. Não pode. Ah, por quê? Porque é uma lei. Tem uma lei que diz que não pode ter. Ah, por quê? Por causa do trânsito e por causa da poluição. Ah, mas eu quero ter o meu carro.

Bom para ti. Tá bom. Não vai ter onde estacionar mais aqui. E aí, você olha para os mapas de calor de Paris,

A temperatura mudou no centro de Paris porque não pode ter estacionamento mais. Ah, mas é uma decisão impopular. A população reclamou na época que ele fez. Reclamou? Beleza. Pode reclamar, reclama aí. Não tem mais. Aí você vai falar, é extremo? É. Coisas extremas exigem reações extremas. Perfeito. Você estava falando, acho que até foi a Camila, falando que a gente começou a mudar um pouco a percepção sobre os problemas que a gente tem no mundo,

olhava em outro e assim a gente via alguns problemas e não via de forma geral. E que hoje a gente tem uma visão realmente mundial onde a gente consegue fazer previsões e aí sim globalizar para que decisões coletivas mudem realmente o mundo para o caminho que a gente precisa estar. Outro ponto é, tudo é interligado. Ações que acontecem na China vão refletir lá nos Estados Unidos e o que acontece lá em Vladivostok vai refletir em vários outros lugares.

Mas existem lugares que são mais importantes nessas decisões, que realmente vão fazer o impacto ser maior ou menor. O Brasil é o lugar mais importante do mundo para preservação? É uma pergunta... A Camila que começou a fazer isso, mas é uma pergunta que tem camadas. O Brasil é o país mais diverso do mundo. Então o Brasil é o país que tem mais espécies praticamente de qualquer coisa que você imaginar. Só que tem um outro aspecto, que é o aspecto que também pegando o que você falou. Só que o que acontece aqui,

é resultado de um impacto de coisas que acontecem em outros lugares do mundo. Então, a gente pode falar assim, preservação de espécies. Preservar o Brasil é fundamental. E a gente já destruiu grande parte do Brasil. Então, o Cerrado Brasileiro do Centro-Oeste, esquece. Não sei se eu fiz essa pergunta para vocês. Você conhece o Pantanal? Não. Conhece o Pantanal? Você que está assistindo conhece o Pantanal? Se você não conhece, você tem 10 anos.

Está acabando. Acabou. Acabou. Vai virar Cerrado. Mas assim, acabou em que sentido?

Vai ficar parecido com o resto do Cerrado. O Pantanal só existia no Brasil. Não existe nada em nenhum lugar do mundo igual ao Pantanal. Isso quer dizer que você vai contar para os seus netos que você foi para um lugar que ele não pode ir mais. E não é porque ele não pode ir fisicamente, é porque não existe mais. E talvez no futuro o Pantanal ia secar. Isso. A grande questão é que a gente está acelerando muito.

tempo das espécies se adaptarem. Porque toda vez que a gente passou por grandes mudanças na história do planeta, a gente teve extinções em massa. O que a gente está vendo agora é que com essas mudanças tão abruptas que a gente está causando, tá bom, no nosso tempo de vida não é tão abrupto, mas no tempo de vida da evolução é abrupto. As espécies não têm tempo de se ajustar, não têm tempo de fugir, não têm tempo de

E quando a gente fala que está tudo interligado, é tudo mesmo. Então, às vezes, a gente não está falando, se o cara acender uma fogueira, uma fogueira lá do outro lado, vai ter um impacto aqui. Não é isso. Mas quando a gente começa a falar de mortalidade altíssima de alguns animais numa região, que talvez o cocô desse bicho era importante para nutrir as águas de uma região, para melhorar o zooplâncto fitoplâncto,

que daí vai nutrir os peixes, que vão ser importantes para... Entende como tudo está... Às vezes não é só uma questão climática, é de distribuição desses nutrientes, que vão passar de um local para o outro via correntes marítimas. Sim. E preservar esses sistemas é importante por isso. Porque o exemplo que a Camila Deus fez é baleia. Então a gente tem dado disso. Acho que é um bom exemplo por isso. E outro exemplo de que a humanidade tomou uma decisão e resolveu o problema.

caçava baleia para... Eu vou dar um exemplo de que petróleo é bom. Olha só que reviravolta. A gente caçava baleia. Então, se você volta para o final do século XIX, o mundo inteiro caçava baleia. E praticamente todas as espécies de baleia do mundo entraram em processo de extinção. Por que a gente caçava baleia? Principalmente para iluminar via pública na Europa. Então, baleias acumulam uma grande quantidade de gordura. O óleo era produzido dessa maneira. A carne também era consumida, mas esse não era o principal mercado.

e aí o óleo de baleia era usado para iluminação de via pública, para iluminação de ruas. Só que é extração da mais burra possível. Bichos são limitados, você vai matar todos os bichos. E aí o que aconteceu foi que dois fenômenos. O primeiro é a substituição de óleo de baleia por petróleo para iluminar a rua. Então você começa a ter combustível de origem fóssil, mas para iluminar a rua. E a segunda coisa é uma proibição de caça do mundo inteiro. O mundo inteiro toma a decisão de parar de caçar.

Por que isso afeta ecossistemas? Porque a gente sabe hoje que baleias consomem grandes quantidades de comida e que o cocô dela alimenta ecossistemas inteiros. Então a gente tem evidências de lugares em que as baleias foram retiradas que o ecossistema mudou completamente por essa retirada. Não dá para... Vamos pensar assim. Eu sei que a natureza, de forma geral, ela se reconstrói. Se você deixar ela sozinha, ela vai se equilibrando ali. Às vezes até rápido. E rapidamente.

Mas o que eu ia perguntar é, por exemplo, quando a gente vê a dimensão de crescimento da China e ela investe hoje em fontes de energia limpa, por exemplo, várias coisas. Outro ponto é que ela construiu, por exemplo, a maior reserva de água ali para fazer uma usina. A maior hidrelétrica do mundo. Isso. E é uma coisa realmente gigantesca. Com isso ela acabou todo um ecossistema ali. É possível ser reconstruído? Será que isso ou isso vai impactar daqui a um tempo?

Porra, que merda que foi essa? Eu vou terminar de responder aquela outra história.

A primeira é, você falou de quem são os players dessas questões ambientais que a gente está vivendo. Então o Brasil tem um papel muito importante. Inclusive porque o Brasil é um dos 10 países que mais polui no mundo. Então a gente é relevante. Mas tem dois jogadores que são muito fortes. E que se a gente conseguisse convencer esses dois caras de que a questão climática é importante, a gente já daria uma boa freada em tudo. Estados Unidos e China.

E o resto do mundo acompanharia. E o resto do mundo acompanharia porque não tem jeito. Você tem esses dois caras puxando a corda,

vai todo mundo na esteira. Não tem jeito. É super importante a gente dizer que todo mundo fala assim, ah, vocês passam pano pra China. Não, a China hoje é o país que mais polui no mundo. O que os biólogos chineses falam sobre isso? São muito sérios em relação a isso. Eles falam e os dados deles, a gente sabe que a China é o país que mais polui do mundo porque os biólogos chineses produzem essa informação. E nesse ponto, parece que os biólogos chineses produzem essa informação e o governo chinês está

Cagando com a opinião deles. Não necessariamente. Porque você acabou de dizer que a China é o país que mais investe em tecnologia verde do mundo. E isso é uma resposta do governo chinês à ciência. Verdade. O Xi Jinping assume ali com a ideia de mudar muito essa questão ambiental. Mas a gente vê coisas que acontecem na China que jamais aconteceriam no Brasil. E aí chega nesse exemplo que você deu. Imagina você fazer um escada rolante no pico da bandeira. Não. Vou fazer um escada rolante e coloco lá em cima. Não existe.

construir um hotel em cima das cataratas do Iguaçu. Não existe. E lá na China os caras fazem isso. E aí esse é o ponto. Então a construção da usina hidrelétrica na China é um dos maiores crimes ambientais já feitos na história. Do mesmo jeito que a construção de Itaipu é um dos maiores crimes ambientais já feitos na história. Não sei, eu não vou passar pano não, mas são tempos diferentes. E aí esse é o ponto. Itaipu não existiria hoje.

Não é justificado, não. Errado é errado, mas a informação era outra. Você tem toda a razão. Itaipu não existiria hoje. Então essa é a primeira resposta. A segunda é, vamos lá, a China resolve destruir a barragem. É uma possibilidade. Para voltar ao que era antes, respondendo a sua pergunta. Sim, sim, sim. Nunca volta ao que era antes. Volta a ter árvore, volta a ter natureza, volta a ter bicho, volta a ser outra coisa. Mas o que era antes não existe mais.

assim, ah, você queimou o Pantanal. Isso aconteceu. Queimou 80% do Pantanal. Se você for no Pantanal hoje, é verde de novo. Tá, mas não é o que era antes. A diversidade diminuiu, o tamanho das árvores diminuiu, o solo é outro, o rio é outro, tudo é outro. Então... Foi criado um novo ecossistema. Foi criado um novo ambiente completamente diferente do que era antes. E aí, para nós biólogos, não faz sentido falar é melhor, é pior, é...

Não, é diferente. Não existe essa gradação de valor. Então, ah, se a humanidade desaparecer,

O cerrado vai voltar a ser o que era cerrado? Não. Ah, mas ele vai ser alguma outra coisa? Vai, não vai ter soja lá para sempre. Uma hora vai ter outras espécies vivendo naquele lugar. Agora, voltar ao que era não existe. Isso os dados mostram. A gente tem alguns trabalhos muito bonitinhos de ecologia que o cara causa dano de propósito. Então o cara pega um pedaço de cerrado e bota fogo para ver o que acontece. Controlado, e aí ele consegue perceber que volta, mas não volta nunca ao que era antes. Certo? E aí a China tem esse papel por quê?

Porque a China, todo mundo fala assim, a China é o país que mais polui no mundo. E a China mais polui no mundo por duas razões básicas. Primeiro é 1,5 bilhões de habitantes, sei lá, 1,2, 1,3. E a segunda razão é que tudo é feito na China. Então eles são a fábrica do mundo. Sim, sim. Mas eu fico pensando assim, igual por exemplo o Milo. Lá na China os caras falam que isso é importante para dar uma qualidade de vida para as pessoas. E aí você vê isso realmente refletindo na sociedade.

90% das famílias têm casa própria. Todo esse investimento que é feito criando novas infraestruturas, gerando emprego, os caras vão construir uma ponte aqui, atravessando uma península aqui. Os caras fazem, geram emprego pra caramba e isso reflete na sociedade. Hoje no Brasil, eles falam que é fundamental fazer isso no Brasil

das pessoas, dar casa melhor, dar dignidade para as pessoas. Mas, inclusive, alguns políticos no Brasil hoje falam que várias ONGs acabam atrapalhando esse projeto no Brasil. Ah, não pode explorar terras raras, não pode explorar o petróleo da margem equatorial, não pode fazer nada disso aí, isso por um plano estrangeiro e que,

impede o desenvolvimento do país. O que você acha disso? Ai, que pergunta difícil! Eu acho... É assim, toda vez que a gente tenta falar em desenvolvimento sustentável, eu acho que a gente vai esbarrar num monte dessas questões de até onde a gente pode ir e como que a gente consegue ainda beneficiar as populações, principalmente as populações locais. E aí a gente vem com interesses externos, não necessariamente os interesses da população local. E aí,

Eu acho que a gente enfrenta grandes problemas. Quando a gente vai ver as populações locais, elas querem proteger as áreas. Elas, em geral, entendem melhor como fazer um extrativismo que não é tão predatório. A grande questão, quando a gente fala desse tipo de desenvolvimento em áreas de proteção, é nesse sentido de um extrativismo predatório que vai levar riquezas e recursos para lugares que não são de interesse dessas populações.

populações locais. Então, como que a gente estrutura isso? E a nossa legislação, antes de virar quase uma peneira, a nossa legislação ambiental é belíssima nesse sentido, para a proteção dessas áreas, que são áreas que a gente entendeu como as áreas mais importantes para serem protegidas. Isso não significa que a gente não tem que olhar para as outras áreas. Mas essas, quando você está falando de quais são as áreas principais, a gente já meio que demarcou,

quais são essas áreas importantes para serem protegidas. E não só áreas que a gente vai falar assim, grandes áreas de mata. Às vezes a gente está falando de uma matinha do lado de um rio. Lembra que a gente estava falando de mata ciliar? Por que a gente tem que proteger tanto a vegetação no entorno de corpos d'água? Porque senão depois o próprio corpo d'água se desintegra sem essa estruturação. Mas eu acho que a grande questão,

fala em melhorar as condições das pessoas, é também entender quais são as necessidades daquele local. E não só desses grandes, como vocês estavam falando, grandes players que estão vindo com interesses outros para tirar tudo de lá, porque é isso que acontece em geral. Vai para uma região e fala, não, eu vou trazer emprego, eu vou trazer agora moradia, vou trazer... Não, eles vão, tiram tudo que eles podem,

em um local com N tipo de extrativismo. Seja desmatamento, seja desmontando morros pra fazer extensão mineral. Então, você sabe o que eu acho que acontece aqui? Eu gosto de pensar muito igual o Emílio falou logo atrás. Eu sempre gosto de pensar no que tá mais fodido. Sim. E, tipo, nessa hora eu sou até um pouco filho da puta, porque talvez eu não

consigo olhar pras plantas, não consigo olhar pros animais. Eu quero olhar pro que tá mais escudido pro ser humano. Mas eu acho que é possível. Tipo assim, eu não quero ver uma criança sem casa. Eu também não. Eu não quero ver uma família sem casa. Eu não quero ver uma pessoa isolada que quer sair de um lugar, quer chegar num grande centro, quer ter um carro, quer poder... Não, precisa de saúde, precisa de educação, não tem como chegar, ué.

Quer poder ir pra escola, pra universidade. Então, mas aí tem um ponto importante, e aí vamos voltar. Então, assim, beleza. Então a gente vai estabelecer

agradecer, nós quatro aqui, que a gente tem um problema. O problema que a gente tem é que metade da população brasileira não tem água encanada. O problema que a gente tem é que tem pessoas no Brasil passando fome. Que a gente tem pessoas que não têm saúde, não têm educação, não têm cultura. Então a gente precisa desenvolver o país para resolver esse problema. Certo? É esse ponto que a gente está e essa comparação que a gente faz com a China.

Temos que levar saneamento básico. Não há dúvida. Não há dúvida. A pessoa tem que abrir a torneira e tomar água. Não tem que tomar água de garrafa. Tem que ter uma água boa o suficiente

abrir a torneira, escovar os dentes e tomar água. Isso é ponto pacífico de nós quatro, não é? E acho que é ponto pacífico de todo mundo. Então quando você fala de alguém de esquerda ou de direita, vamos pegar as pessoas que não são calhordas, tá? A gente vê que o país precisa se desenvolver por caminhos que são diferentes. O ponto que eu quero chegar é o seguinte, então tá, a gente tem que desenvolver o Brasil. A grande questão é o que a gente entende por desenvolvimento e disso que a Camila falou e o que a gente entende de melhora. Então vamos falar sobre desenvolvimento, vamos falar sobre Brasil.

passando por essa situação agora. O modelo de governo que a gente tem hoje, eu não vou nem falar de governos passados, eu vou falar de hoje, e principalmente Lula 1, Lula 2, de uma 1 e de uma 2,5, é um modelo que se baseia muito no crescimento do agro como uma justificativa de desenvolvimento de país. Vou dar um exemplo agora, vou fazer uma crítica agora. O plano safra para grandes produtores em 2024, ou 2025, agora eu não lembro, 25, foi de 500 bilhões

milhões de reais. Então, o grande produtor, o grande latifundiário do Brasil, o cara que tem centenas de quilômetros de fazenda, ele recebe um empréstimo do governo a juros muito baixos, que nós quatro não conseguimos, nem quem está assistindo consegue, para plantar o que ele quiser no Brasil e exportar essa produção. Porque quem planta soja no Brasil exporta essa produção. E a gente tem hoje 3 milhões de propriedades rurais sem acesso a crédito nenhum, que seria fundamental para o

a população, que é a agricultura familiar. E aqui eu não estou falando que o grande agro não alimenta parte da nossa comida vende lá, mas a agricultura familiar é muito importante na alimentação do brasileiro. E o mais importante dessa história é quando esse cara vai exportar soja por causa de uma lei chamada Lei Candir, ele não paga imposto. Certo? Ele exporta sem imposto. Então o cara pega. Eles pegam. São poucas famílias. Eu falo eles, porque se a gente for fazer um levantamento, 50 famílias pegam esse dinheiro todo. Eles pegam 500 bilhões a juros baixos,

exportam sem pagar imposto e se der merda tem seguro que o governo cobre o que ele perdeu, beleza? Um desses produtores, um, um desses produtores, um dos maiores produtores de soja do Brasil, ele é o maior comprador de máquinas daquela John Deere, aquelas máquinas verdes do mundo, tá? Então ele é o maior comprador do mundo. Esse cara, deu uma entrevista na Veja, ele tem oito funcionários. Oito funcionários.

duas máquinas novas e ia mandar dois funcionários embora. Ele não sabe o que tem. Você consegue entender isso? Ele tem oito funcionários. Ele é bilionário. Ele falou que ele estava comprando máquinas mais modernas para mandar dois caras embora. Esses dois caras não fazem diferença nenhuma na vida desse cara. Esse cara não tem só oito funcionários. Não, mas ele está falando. Eu estou falando funcionários diretos cuidando da fazenda. Porque daí você vai falar assim, não, mas tem transporte. Vamos falar

desse cara, desses funcionários, que ele contrata diretamente para cuidar dessas máquinas. Que ele assina a carteira. Ele tem oito. Oito funcionários para cuidar da fazenda. Quando a gente fala de desenvolvimento, a gente está falando de escolha que a gente está fazendo. Então, o Brasil tem que se desenvolver. Mas por que a gente tem que se desenvolver no agro-predatório? O Brasil tem que se desenvolver. Mas o agro-Brasil não é o melhor do mundo? Melhor no quê? Em produtividade de soja é. E manter o ecossistema,

de poluição de tudo. Do que você está falando? Do agro do Brasil. O agro do Brasil destruiu o Cerrado Brasileiro. O Cerrado Brasileiro não existe mais. Deixa eu te contar. Se fosse qualquer outro tipo de água, teria destruído muito mais. Não, mas isso é um si que a gente não sabe. A gente tem a realidade. A realidade é que o Cerrado Brasileiro não existe mais. A realidade é que o agro brasileiro destruiu a Mata Atlântica no estado de São Paulo.

E ele não tem hoje... Tá. Erros antigos é o que a gente falou da usina aqui. Da usina que foi construída hoje.

da China, por exemplo, que todo mundo já sabe o impacto, e de uma outra usina que foi construída aqui, em uma época a gente não entende totalmente a consequência disso. Hoje o agro, ele mais conserva do que ele destrói. Então vamos... Então vamos pegar e vamos parar de conservação. Então beleza, o agro do Brasil é o que mais conserva no mundo hoje. Beleza, vamos admitir que isso é verdade, não estou dizendo que não é,

E de verdade, não estou sendo hipócrita. Vamos falar de grana. O agro do Brasil é o que mais acumula renda no mundo. A gente pode falar isso? Não sei, mas vamos partir que sim. Então vamos partir do princípio de que o agro brasileiro recebe 500 bilhões de reais e não paga imposto de exportação. Isso é justo? Não, aí você já tem que falar com a justiça. Não, eu estou fazendo uma pergunta para você. Porque é o seguinte, de verdade.

para mim, já falei isso outras vezes também, que fala assim, esse negócio do agro que é justo ou não é justo, é que meio que o agro dá certo aqui, não dá? Mas o que que dá certo? Olha a linha de alsocínio, eu vou te responder exatamente o que você perguntou. E ele dá certo por quê? Porque ele consegue um patrocinador, um dinheiro barato e assim ele consegue produzir, vender e ter lucro. E não pagar imposto. E não pagar imposto.

O que eu quero é que se isso deu certo para ele, que isso seja feito para todos os outros. Para indústria e para o comércio.

pra você também. Pra mim também. E o cara que quer abrir uma indústria, esse cara tem que ter o mesmo benefício. Opa, você vai gerar empregos, vamos pensar em industrializar aqui, você vai criar recursos ou você vai fazer uma startup. Posso te dar um outro exemplo? Vamos dar essa grana pra esse cara que ele também merece. Mas aí não tem pra todo mundo. Só que aí não tem pra todo mundo. É um bolo só. Mas você entendeu? Eu não quero que tire do agro.

Eu quero que outras pessoas tenham a mesma forma. É um bolo só onde um grupo tá pegando mais.

Então eu vou te dar um exemplo. Entendi, mas você entendeu o erro pra mim não. Nem tá lá quem tá pegando. Não, não é nem quem tá pegando. Eu entendi. Tem que ter pra todo mundo mesmo. Então eu vou ser liberal agora. A culpa não tem quem tá pegando, tem quem tá distribuindo. O negócio é em quem tá distribuindo. Então eu vou te apresentar o Emílio Liberal, certo? Já fui liberal. Vou te apresentar o Emílio Liberal, real. E eu não tô te sacaneando, eu tô sendo muito sério.

Pra cada real investido em cultura, o retorno é 10 vezes maior do que investimento.

agro. Em emprego, em renda, em dinheiro, em tudo. Então a gente deveria parar de dar 500 bilhões... Estou sendo liberal. Vamos falar de eficiência econômica. Ou vamos mudar a pergunta. Então vamos investir em indústria. Indústria para o agro. Vamos falar assim, nós, governo brasileiro, impedimos a compra de máquina da John Deere. Eu não posso comprar a máquina dos Estados Unidos mais. Tem que fazer da Vibras feita aqui, no Brasil. Feita aqui no Brasil. Por quê? Porque isso vai gerar mais...

Não pode vender o café mais. Só cápsula agora. Só pode vender cápsula. Isso gera desenvolvimento. Colocar dinheiro. Só vender não tem como você trabalhar isso ainda, porque o cara tem o café. Você fala, não pode vender o café, é só cápsula, então ele vai perder o café. Não, não, mas daí você faz plano. O governo faz estoque, o governo compra. Eu concordo com você. Você faz plano para 10 anos. Não, não, mas... É, porque ele nem sabe o que ele quer dizer.

Não, eu estou falando, mas é um plano que você pode fazer. O meu ponto é, então tá bom.

A solução é industrializar a produção de café. Beleza, qual que é o plano do governo brasileiro? Daqui a 10 anos não pode mais vender café em grã. Não pode. O que tem que fazer? Ao invés de eu colocar 500 bi em soja, eu vou colocar 500 bi em indústria, porque daqui a 10 anos eu fico autônomo em fazer cápsula e aí eu vou industrializar o Brasil. E essa fábrica vai ser em tal lugar. Ela vai ser aqui. Não vai ser em São Paulo. Ah, por quê? Porque São Paulo não precisa. Vai ser em tal lugar.

E a gente vai fazer estudo de impacto ambiental, e a gente vai construir estrada, a gente vai fazer isso, a gente vai levar em consideração a ecologia, a gente vai pensar na água, a gente vai fazer esse tipo de desenvolvimento. A minha crítica ao agro é que hoje eu dou 500 bi de reais para o cara plantar soja, ele exporta e a gente não ganha nada de imposto. Cara, desculpa, esse modelo não funciona. O problema não é de quem está recebendo, é de quem está distribuindo. Então tá bom, a gente tem que mudar a regra. Exato.

Então vamos dar a regra. Esse é o ponto. Vamos passar para o resto. Aí dá a volta. Quem tem 200 deputados para votar nos interesses dele? E aí você concorda? Não concordo. Mas você entende que minha percepção não é de quem está sendo favorecido. Eu quero que todo mundo seja. Mas é que quem está sendo favorecido manipula o sistema. Isso não é justo. Pode ser também. Não deveria ser justo. E aí você tem uma cobrança. Tudo bem que você tem uma representatividade ali dentro que é maior e tudo mais.

a maioria suprema. E aí você ainda tem um outro fator, que é quem realmente distribui o dinheiro. Não, tudo bem. Isso eu concordo contigo. O problema não é... Tem que ter ação popular. Não fui eu que entrei lá falando assim, eu vou defender a minoria, eu vou defender... Não fui eu que falei isso. Se eu falar, você pode ter certeza que eu vou tentar com todas as minhas forças. Concordo plenamente contigo. Então assim, jogar a culpa em um e outro também eu acho que não é o...

Mas daí assim, esse é o ponto que a gente sempre traz. O maior problema que a gente tem

individualizar o problema. O problema não é individual, o problema é sistêmico. Então eu tenho um problema do sistema. O sistema é desenhado pra favorecer uma quantidade muito pequena de pessoas a partir do trabalho da maioria das pessoas. Então a dificuldade que a gente tem, e aí voltando ao desenvolvimento, tem que desenvolver o Brasil? Tem pra caralho. Tem que resolver o problema do saneamento? Pá cacete. O caminho que a gente tem hoje vai resolver esse problema? Não. Não. De novo, os dados mostram isso. Não é o Emílio que

tá falando. A gente tem... Quanto tempo desse sistema funcionando resolveu o problema das pessoas? Não resolveu. Então eu vou te dar um exemplo que tá acontecendo agora e a gente precisa ir embora que a gente deu a nossa hora. Que é o seguinte. A gente tem que vir mais tempo. Já tá atrasado. Já tá atrasado. Eu vou te dar um exemplo que tá acontecendo agora. Eu ia falar de Darwin agora. Privatização do Tapajós. Você viu que tá acontecendo isso?

Cara, os caras tão privatizando um rio pra transportar soja e minério. Eles tão privatizando a maior

bacia hidrográfica do mundo pra transportar soja e minério pra um grupo muito pequeno de pessoas. Olhar isso e achar que esse é o caminho do desenvolvimento, na minha visão de mundo, é horrível. Eu tô vendendo um rio. E aí tem um monte de gente falando assim, não, não é, é concessão. Tá, é concessão por 50 anos. Daqui 50 anos eu tô morto. Vocês conhecem aquela região? Isso é pegar uma área que não deveria, aí eu vou ter que discordar de você,

plantinha importa, aí o rio importa. É. Porque daí vem esses caras com essa ideia total predatória, vai acabar com o rio e vai impactar horrores. Eu ia falar só sobre isso, porque assim, a gente não faz, né? Tipo assim, ah, não pode, porque vai e estraga o ambiente, a gente tem um monte de gente que influência. Cara, a gente não faz e sabe o que acontece? Isso é feito ilegalmente. Também, concordo com você. Isso pra mim é a pior situação, entendeu?

Porque a gente não faz e isso acontece do mesmo jeito. Mineração. Só que é ilegal.

E aí você fala, não paga imposto. Porra, o outro não está pagando, está prejudicando muito mais. Eu acho que assim, se a gente também focasse a visão onde realmente tem impactos da mesma dimensão do agro, só que sem benefício nenhum, ainda com muito mais, que é trabalho escravo, que é com dinheiro ilegal. Porra, aquilo lá é merda. Aquilo lá é merda que ninguém fala. Vai misturar droga, vai misturar PCC. Aí é uma merda. Vocês conhecem essa região do Tapajó? A gente não conhece.

rio pra transformar ele em navegável. Acabou. Eles querem dragar o rio. Eles querem dragar o rio pra transformar ele em mais navegável pra navio de soja maior. Cara, isso... É assim, ó. É tão sério que é incalculável o impacto. Se você perguntar pro especialista o que vai acontecer se dragar o rio, não sei. E o governo retrocedeu, né? É, retrocedeu por enquanto. Mas foi bom. Foi bom. Mas, cara, de novo, a gente é de esquerda. O governo Lula é um governo de centro-esquerda. E esse é um projeto apoiado pelo governo Lula.

Então, cara, a gente tem que... Não, é a mesma coisa, por exemplo, de Belo Monte, que é um negócio que também não deveria existir, feito pelo governo Dilma. Então tem problema em todos os lugares, porque essa pressão está acontecendo em todos os lugares. Milo e Milo, obrigado. É isso, é o que eu aprendi. Eu sempre aprendo com Milo, foi foda, mas é o seguinte, a gente está num momento em que a gente tem mais colaborado que tentar predar um com o outro. O livro fala muito sobre isso, se chegou nesse momento ou não.

acho que é interessante a galera tentar entender o que está acontecendo e o livro vai explicar muita coisa do futuro. O livro já está disponível na nossa campanha do Catarse. Então, como que funciona? Nós somos um projeto independente de produção de conteúdo, igual vocês. Então, a gente tem nossos patrocinadores, que a gente gosta muito, mas a gente também precisa do apoio da comunidade para tirar um livro do papel. Então, a gente está fazendo uma pré-venda no Catarse.

O link está aqui embaixo, eu acredito. Claro, o link está aí, galera. Não é do nosso livro, eu só sou produtor.

maravilhosa Mila Massuda, com um jornalista incrível que se chama Reinaldo José Lopes, que escreveram esse livro e ilustrado pelo espetacular Pedro Matalo, que é um amigo nosso que é um ilustrador incrível. Com o Pedro que fez aqui os desenhos. Isso. Bonito, né? Cara, é incrível. E divertido o livro. Tá gostoso de ler, né? Pra mim que sou o cara mais... Não, mas incrível, incrível, sabe? Divertido, informativo. Eu acho que é um livro pra você se apaixonar pelo que eu sou apaixonada, que é a ecologia, que é a vida,

que é essa natureza, interações. Eu espero que todo mundo que leia o livro saia de lá apaixonado pela biologia. Essa é a ideia. De novo, é um projeto independente que a gente está viabilizando no nosso bolso, com doação, não doação, mas com participação de gente que acredita muito. Então o Reinaldo e o Pedro entram como sócios do projeto, porque são projetos difíceis, caros de fazer. E aí, quem quiser apoiar, clica no link aqui embaixo, o livro está à venda. E apoia,

porque eu tenho certeza que quem comprar vai gostar bastante. Eu vou te falar, apesar de que eu não leio muito, ainda não terminei, li pra caramba. E por que eu li tanto? Cara, você começa a ler e é aquele negócio que você não vai parando. Você fala assim, eu vou ler mais uma página e não vou dormir. Cara, e não dá pra você parar. É muito louco esse livro. Foi um dos melhores que eu já li na minha vida. De verdade, de verdade. De verdade. Curti demais. Curti muito.

Não, mas eu não sou de ler não, eu só li porque o livro é muito bom. O livro é muito bom, senão eu não leio. E só uma coisa que a gente tava falando antes, que acho que é super importante, a gente tava falando em off. E aí falando pra você, a gente não precisa concordar em tudo não. E acho que essa é a parte mais importante. Isso não quer dizer que a gente tem que ter dois ladismos e aceitar o que todo mundo fala. A gente tem objetivos em comum e a gente tem que se encontrar nos objetivos em comum.

Então, qual que é o nosso objetivo? Nosso objetivo é que as pessoas tenham vidas melhores. Esse tem que ser o nosso objetivo.

A gente vê caminhos diferentes. Então tá bom. Então a gente tem que sentar na mesa e conversar como que a gente melhora a vida da maioria das pessoas. E não da minoria. E nesse ponto, eu tenho certeza que a gente concorda. Em tudo quase. Só que eu tenho que discordar também. Não, mas acho que esse é o ponto mais importante das conversas. E aí, por que eu quero falar isso pra gente terminar o nosso papo? Porque tem algumas coisas que a gente não pode abrir mão.

Algumas coisas básicas. Mas na maioria das vezes a gente concorda em quase tudo.

Tem que melhorar a vida de todo mundo. As pessoas que sofrem mais têm que ser favorecidas em relação às outras pessoas. E a gente tem que achar um meio termo que favoreça todo mundo, sem que a gente acabe com o mundo no processo. E existe essa possibilidade. Tem esse caminho. Certo? Quem quiser encontrar vocês, redes sociais, canais... Tem Blá Blá Logia, principalmente. Biologia em Meia Hora, um podcast no Spotify, no YouTube também, mas mais no Spotify.

E eu, Camilinha e Carlos Duas estamos no Três Elementes, que é o nosso podcast também. Certo? Sensacional. Boa.

Bom, comentem aí o que vocês acharam do episódio, se inscrevam no canal e até a próxima. Valeu, valeu. Flui. Flui.