Eslen Delanogare - PODCAST 3 IRMÃOS #935
✅ Envie sua mensagem no LIVEPIX https://3irmaos.in/pix❤️ SEJA MEMBRO do canal e COLABORE para que possamos fazer programas CADA VEZ MELHORES https://3irmaos.in/membro ✅ INSCREVA-SE em nossos OUTROS CANAIS no YouTube:Canal de Cortes Oficial - https://www.youtube.com/@cortespodcast3irmaosoficialCanal Lixeira - https://www.youtube.com/@podcast3irmaoslixeiraVale a Pena Ver de Novo - https://www.youtube.com/@3Irm%C3%A3ospdc ‼️ Faça parte do DISCORD do 3 Irmãos - https://3irmaos.in/discord ➡️ SIGA o Podcast 3 Irmãos nas Redes Sociais:Instagram - https://www.instagram.com/podcast3irmaos/Tiktok - https://www.tiktok.com/@podcast3irmaosTwitter (X) - https://twitter.com/podcast3irmaosTwitch - https://3irmaos.in/twitchInsta de Cortes - https://www.instagram.com/3irmaoscortes/Threads - https://3irmaos.in/threadsFacebook - https://www.facebook.com/Podcast3irmaos/Canais WhatsApp - https://3irmaos.in/zap | https://3irmaos.in/zap2Novidades e posts EXCLUSIVOS no canal "Família 3 Irmãos" do Insta - https://3irmaos.in/instacanal 🎧 OUÇA o Podcast 3 Irmãos no seu agregador de podcasts favorito!Spotify - https://3irmaos.in/spotifyApple Podcasts - https://3irmaos.in/appleAmazon Music - https://3irmaos.in/amazonmusicDeezer - https://3irmaos.in/deezer ➡️ Demais LINKS e CONTATO COMERCIAL em https://3irmaos.in/links_________________________________________________ GURUJA✨ PARCEIROS DO PODCAST 3 IRMÃOS ✴️ GURUJA CONCURSOSDomine os concursos Fiscais e de Controle com quem mais aprova no Brasil! Acesse o site https://guruja.link/pd3irmaosInstagram: https://3irmaos.in/instaguruja____________________________________________________ INSTITUTO OLIVER✴️ INSTITUTO OLIVER - Escola Preparatória para Carreiras Policiais:📖 Curso SUPERIOR RECONHECIDO PELO MEC, à distância (EAD) e em apenas 3 meses! - https://3irmaos.in/oliver-superior🎓 Conquiste seu DIPLOMA do ENSINO FUNDAMENTAL ou MÉDIO em 6 meses e à distância (EAD) - https://3irmaos.in/oliver-supletivo________________________________________________________SOLDIERSA Soldiers Nutrition entrega qualidade, performance e o melhor custo-benefício em suplementos🔥 Mais força. Mais energia. Mais resultado.Garanta agora 👉 https://3irmaos.in/soldiers________________________________________________________ALPHA CO✴️ Conheça as camisetas, bermudas e ROUPAS de treino TECNOLÓGICAS da ALPHA CO e faça parte da nossa alcateia!Acesse nosso link https://3irmaos.in/alphacouse o cupom "3IRMAOS" para ganhar 10% off! #usealphaco ________________________________________________________TOPWAY Use o cupom 3IRMAOS e garanta 25% de desconto nos melhores produtos alimentícios saudáveis.👉 Aproveite agora e cuide da sua performance!https://3irmaos.in/topway________________________________________________________ ✴️ Conheça e experimente os cafés da VEROO CAFÉS ESPECIAIS ☕ café de verdade, de gente pra gente!Acesse pelo link do 3 Irmãos em https://3irmaos.in/veroo use o cupom "3IRMAOS" e receba DESCONTOS e BRINDES EXCLUSIVOS!__________________ ✴️ Futuristic Games & Magazine - Loja especializada em Games e Brinquedos!Conheça as novidades e faça sua encomenda, com envio para todo o Brasil, no https://3irmaos.in/insta-futuristic__________________ ✴️ WN Telecom - Internet Ultra Fibra Ótica (FTTH) e muito mais!Conheça em https://3irmaos.in/wntelecom e acompanhe as novidades no https://3irmaos.in/insta-wntelecom__________________ ✴️ Taiwan Hotel - Sua melhor estadia em Ribeirão Preto!Faça sua reserva pelo site https://3irmaos.in/taiwanhotel e acompanhe as novidades no https://3irmaos.in/insta-taiwan-hotel______________________✴️ Participe da BATALHA DE CORTES do Podcast 3 Irmãos!https://3irmaos.in/batalha__________________________________ ➡️ SAIBA MAIS SOBRE O CONVIDADO:https://www.instagram.com/eslen.delanogare/
- Regulação de saúde e profissõesProjeto de Lei em Brasília · Diferença entre psicólogo, médico e terapeuta · Definição técnica de psicoterapia · Riscos de atendimento por profissionais não qualificados · Atuação do Conselho Federal de Psicologia · Audiência com senadora Mara Gabrili
- Redes Sociais e Saúde Mental de AdolescentesConsumo de redes sociais no Brasil · Impacto em meninas versus meninos · Pressão estética e autoimagem · Padrões de beleza e corpo perfeito · Tempo de exposição versus sintomas de ansiedade · Hiperproteção no mundo digital versus desprotção no mundo real
- Psicologia e Comportamento HumanoEficácia comparativa de abordagens terapêuticas · Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · Terapia de Aceitação e Compromisso para dor crônica · Terapia Comportamental Dialética para Borderline · Pilares da prática baseada em evidências · Influência da pedagogia francesa na psicologia brasileira
- Neuroplasticidade e aprendizadoFortalecimento de sinapses neurais · Criação de novas conexões neurais · Aprendizado de músicos e atletas · Hipertrofia neuronal através da prática · Cérebro de taxistas de Londres · Prevenção de doenças neurodegenerativas · Impacto do consumo de conteúdo curto
- Filosofia e PensamentoEngajamento subjetivo em atividade de valor objetiva · Maximização do bem-estar para a maioria · Altruísmo efetivo · Peter Singer e fome, riqueza e moralidade · Experimento da criança no lago · Doações eficientes baseadas em evidências · Instituições The Life You Can Save
- Saúde MentalCritérios diagnósticos de depressão maior · Anedonia e humor deprimido · Estresse crônico como fator de risco · Impacto da pandemia na saúde mental · Ativação comportamental como tratamento · Manifestação em crianças e jovens
- Trauma e ComportamentoEstresse crônico versus estresse agudo · Trauma infantil e negligência · Pesquisa com crianças órfãs na Romênia · Efeitos neurobiológicos do abuso · Desenvolvimento cerebral prejudicado · Impacto do sistema límbico e controle emocional
- Luz natural e ciclo circadianoNúcleo superquiasmático · Ciclo de 24 horas · Exposição à luz natural pela manhã · Regulação do sono · Experimentos em cavernas · Jet lag e ajuste de fusos horários
- Motivação e Bem-estar PessoalMotivação versus disciplina · Motivo para ação · Fisiologia como base para atividade · Encontrar propósito na vida · Transição de carreira · Importância de corpo minimamente saudável
- Propósito SocialExperimento da carteira perdida · Desigualdade versus pobreza como fator de risco · Violência no Brasil · Segurança pública e saúde mental · Relatório de Felicidade Global · Diferenças entre países desenvolvidos
- Dopamina e VícioMito: dopamina gera prazer · Dopamina gera motivação e expectativa · Experimentos com ratos · Vias de dopamina cerebrais · Desejo versus satisfação
- Relacionamentos FamiliaresImpacto da privação afetiva · Apego materno e paterno · Custos financeiros de criar filhos · Redução de natalidade global · Dedicação de tempo e interesse parental · Estrutura familiar necessária
- Educação especialNervosismo de vergência · Dificuldade de modulação dopaminérgica · Adaptação ao mundo · Especificidade de diagnóstico · Abordagem psicológica especializada
- Narcolepsia e Doenças RarasFalta de estudos em doenças raras · Dificuldade de pesquisa com poucos casos · Impacto no retorno financeiro de pesquisa · Sofrimento sem resposta científica · Medicação para manter acordado
Podcast Três Irmãos na área, quem fala com vocês mais uma vez, Rodrigo Tchorro, na minha frente, meu brother, meu irmão, Roberto Andrade, filho, o Borracha, na mesa operando, nosso diretor, Pedro Henrique. E aí, Robertinho, boa tarde, tudo bem? Fala aí, meus irmãos, beleza? Fala aí, meu irmão, muitíssimo bem, pô. Hoje era pra ser um almoço, né, almoço dos irmãos e tal, mas a gente tá abrindo aqui pra receber um convidado, que a gente tava falando nos bastidores, tava nas nossas listas aí, desde quando esse podcast nasceu, 2020.
21 aí, a gente queria muito conversar com ele. É assim, talvez o nosso convidado não saiba o que é o almoço. O almoço é um momento que a gente senta aqui, troca ideia com os nossos inscritos aqui. Um momento bem íntimo mesmo, mas que pra mim a essência continua a mesma, sabe? É um cara que eu tenho tanta admiração, que ele fala de um jeito tão profundo com a gente, que é como se eu já fosse amigo desse cara também, sabe? Se eu acompanhasse ele diariamente ali, se ele já fizesse parte da minha mesa. E assim, pra mim é um almoço com um convidado mega especial.
negócio pra você, Albertinho. Eu vou tentar tomar um cuidado pra não fazer esse episódio virar uma consulta, viu? Porque eu te conheço e depois você vai falar, pô, tá se consultando, tá se consultando. Eu vou tentar. Vou tentar. Não sei se eu vou conseguir. Mas hoje você tem liberdade. Cara, hoje é o dia pra isso, viu? Tem que aproveitar. Eslen Delanogari. Obrigado, irmão. Obrigado, galera. Obrigado pelo convite. Uma pena não ser presencial. Adoraria conhecer vocês, mas como eu tava falando, depois que minha filha
eu travei um pouco as viagens, tô viajando muito menos, mas acho que a gente vai conseguir trocar um papo legal aqui pela internet mesmo assim. Todas as posições de vocês, se vocês quiserem conversar, tô aqui. É, depois que rola a primeira vez, assim, a gente tem costume de ficar mineirinho um pouco folgado, sabe? Aí a gente quer marcar o segundo, o terceiro. Quem sabe a hora que você comprar a poste, não sei se você vai comprar a poste mesmo, a gente cola em floripa aí. Boa.
Pô, Wesley, eu tava vendo, cara, hoje faz, na verdade, semana que vem, vai fazer um ano, que você teve em Brasília, né, negociando ali um projeto de lei pra que tratamentos psicoterápicos fossem realizados somente por psicólogos e médicos, né? Isso. Como que outros profissionais realizam esse tratamento psicoterápico? Profissionais que não são psicólogos e nem médicos.
no Brasil a terapia não é regulamentada, então se você quiser se intitular um terapeuta e começar a atender pacientes, você pode. Você talvez não possa se intitular psicoterapeuta, assim como você não pode se intitular um fisioterapeuta. Mas o terapeuta, sem o início da palavra, você pode se intitular porque não é regulamentado e na prática você vai fazer algo muito parecido com o que faz um psicoterapeuta. E o cidadão comum, ele não vai ter ferramentas
para diferenciar o que é um terapeuta e um psicoterapeuta. Todo mundo acha que terapeuta são todos parecidos, fazem a mesma coisa. Mas existe uma diferença gigantesca entre um terapeuta, a principal dessas diferenças é que o terapeuta não é formado em psicologia, e dentro dos próprios psicoterapeutas que são formados em psicologia, também existe uma diferença gigantesca na forma com que eles atuam. Alguns atuam com umas escolas, outros atuam com outras escolas.
A gente foi para Brasília, eu e o pessoal da Associação Brasileira de Psicologia Baseada em Evidências, a BPBE, para fazer uma articulação junto com os deputados. A gente havia mandado e-mail para vários deles lá, e no dia a gente bateu no gabinete outros vários, para tentar pautar. Primeiro a gente quis, na verdade, frear um projeto que estava sendo levado para frente e encabeçado pelo Conselho Federal de Psicologia, porque o Conselho Federal de Psicologia é a autarquia,
que teoricamente está dentro do Congresso Nacional para fazer o trabalho que a gente foi lá fazer. Você vai perguntar por que vocês queriam articular o travamento dos trabalhos desse relatório do CFP. Porque era um projeto ruim, basicamente era isso. O projeto era um projeto mais político e menos prático. Na prática ia continuar algo muito parecido, porque a definição de psicoterapia do projeto deles era uma definição pobre. Então daria para a pessoa dizer que estava fazendo outra coisa que não aquilo.
não era uma definição muito precisa conceitualmente. Então nós da BPBE, a gente refez a definição de psicoterapia, bombardeamos o Instagram da senadora Mara Gabrilli, que na época era a senadora que estava como relatora do projeto. A senadora, certamente, ou o gabinete dela, viu que existia uma movimentação de psicólogos que não estavam representados pelo CFP, porque a nossa argumentação foi, trava o projeto CFP, trava o projeto CFP.
Então, foram desde os terapeutas que não são formados dar as suas opiniões, até o Conselho Federal de Psicologia, até nós da BPBE dar a nossa opinião também. Esse projeto, ele até agora não andou, e em paralelo a isso, a gente está articulando o andamento do nosso projeto, que é um projeto mais exclusivo e que, de fato, com um conceito muito mais amarrado, impede, com pena de multa, outras pessoas de praticarem o serviço que psicoterapeutas e psiquiatras ou médicos, em geral,
fornecer. Então é um projeto que ele é muito mais fechado e a escrita dele é uma escrita muito mais amarrada. E aí você sabe, melhor que eu imagino, por você serem um podcast que acho que entrevista muita gente da política, que uma coisa é você falar o que o projeto vai fazer, outra coisa é o que está no projeto e o que é eficiente, o que na prática vai acontecer. Então era meio que isso, eles estavam andando com uma parada em época de eleição para o Conselho Federal de Psicologia, dizendo que estavam, porque essa é uma demanda gigantesca da classe de psicóloga,
acho que todos os profissionais que eu conheço querem essa regulamentação, e o CFP estava andando com uma pauta, dizendo que estava defendendo os interesses da classe de psicólogos, quando na verdade a gente veio a público e leu o projeto e fez um escrutínio do projeto denunciando o Conselho Federal de Psicologia, mostrando que eles não estavam andando com a pauta que eles diziam que estavam andando. E aí a gente foi fazer o nosso trabalho independente lá.
teatras, suas profissões, suas formações, ou realmente existe uma preocupação com o paciente nessa situação também? Assim, o argumento que muita gente contra essa lei dá, principalmente o que foi feito naquela audiência que a senadora Mara Gabrilli chamou e os terapeutas que não querem que essa regulamentação passe, é que nós estamos tentando fazer reserva de mercado. Boa, agora só vocês podem atender, só vocês podem clinicar, etc.
a gente não pode, né, etc. O nosso contra-argumento são principalmente dois. O primeiro é que, bom, se então não é regulamentado, a gente não vai pagar mais a anuidade do Conselho Federal de Psicologia, porque a gente paga para ter um registro. Por que eu vou pagar e eu estou submetido às sanções éticas do Conselho se o outro cara que não paga e não é formado pode fazer a mesma coisa que eu? É até melhor ele nem participar do CFP, né?
Exato, eu não vou ter... Não tem vantagem nenhuma. Exatamente. E o segundo argumento,
que o principal, Rodrigo, é que você conseguir trabalhar um caso de um transtorno depressivo, um caso de um paciente com TDAH, um caso de um paciente com bipolaridade, sem ter uma instrução técnica para tal, não só é uma, digamos assim, uma omissão com o paciente, mas você pode fazer mal para o paciente. Tem condutas dentro da psicoterapia que elas podem causar maleficência, pode piorar o quadro
do paciente. Que tipo de maleficência? Você pode me dar exemplos? Por exemplo, se você está atendendo um paciente com transtorno bipolar e você sabe zero sobre como manejar um quadro de transtorno bipolar, especialmente as necessidades de organização de rotina, uma boa conversa com um médico psiquiatra e o transtorno bipolar precisa de medicamento e você tentar fazer de uma forma destrambelhada, você pode causar um nível,
você pode causar um aumento de estresse nesse paciente que vai aumentar a ciclagem de humor dele. E quando você aumenta a ciclagem de humor e isso começa a acontecer de forma crônica, virando para hipomania, mania e depois voltando para depressão e assim sucessivamente, o quadro fica muito mais difícil de tratar a longo prazo e você perde uma janela de tratamento muito boa. Principalmente se o paciente abriu esse quadro muito cedo. Aponte-se algo irreversível? Irreversível é um pouco difícil de dizer,
feito no tratamento, mas você perdeu uma baita janela de oportunidade que não vai existir mais. Então, meio que o paciente, ele, por ter caído na mão de um sujeito que se intitula terapeuta, e às vezes o paciente não sabe a diferença nenhuma, e não tem que saber, né? A gente tem que ter mecanismos de regulamentação para garantir ao paciente um bom atendimento. Ele perde um custo de oportunidade, não só de dinheiro, que ele vai ter que pagar para esse serviço, mas principalmente um custo de oportunidade de um bom atendimento. Então,
Vamos pensar na aprovação concreta da lei e na funcionalidade de forma correta, porque a gente sabe que às vezes é aprovada, mas não segue. Outros profissionais, então, ficariam proibidos de exercer qualquer tipo de terapia? É algo parecido com o que ocorre com os advogados. É porque o que eu imagino é o seguinte, uma terapia menor, ela não tem importância, ela não serve para nada. O que eu quero entender?
se o cara que é atendido por uma terapia e não, por exemplo, por um especialista mesmo, um psicólogo, um psiquiatra, se tem algum efeito benéfico. Tipo assim, realmente, se for um caso de menor intensidade, se compensa ele passar ali ou não. Se não, o caminho é sempre o mesmo. Tipo, se tem terapeuta bom, assim... Eu entendi a pergunta. Existe, por exemplo, sei lá, um médico do esporte e um...
O que treina lá dentro da academia? Um personal trainer. São coisas diferentes, mas é meio que um completa o trabalho do outro. Você começa num personal melhor e depois você vai para um médico de esporte para ter o melhor resultado possível. Eu queria entender se um terapeuta consegue de alguma forma melhorar o terreno ou deixar ele mais limpo para que o profissional realmente haja. Esse exemplo que você deu, os dois têm formações acadêmicas também.
A gente tem que lembrar isso. O personal tem que ter ali a formação. Eu compreendi a pergunta. Eu compreendi a sua pergunta.
A questão é que hoje é muito claro para a ciência que existem psicoterapias mais eficientes que outras psicoterapias. Ponto. Isso é bastante claro. No Brasil, isso não é tão claro e é motivo de bastante polêmica, motivo pelo qual eu já fui bastante xingado e cancelado nesse meio de saúde mental, porque a gente teve uma influência muito grande da literatura acadêmica francesa,
trouxe para dentro da psicologia e da pedagogia também, de outras áreas de humanas, um relativismo muito grande epistemológico, dizendo que não, os saberes diferentes têm igual importância ou igual validade. Quando você olha à luz dos métodos científicos que testam e validam e retestam e falseiam e etc, você consegue concluir que existem psicoterapias para determinados transtornos que têm uma eficiência, uma eficácia muito maior, ou seja, você tem
melhora maior do paciente em menos consultas do que outras psicoterapias. Aí eu te devolvo uma pergunta. Por que que o sujeito vai ter acesso a um tratamento pior se existe um mais eficiente? Não faz sentido nenhum, né? É por isso que a gente precisa regulamentar. Por que que ele vai num cara que tem treinamento nenhum, às vezes usa religião, nada contra religião, mas a gente não coloca isso no meio de um tratamento. Às vezes usa viéses políticos, às vezes usa viéses pessoais. Deu certo pra ele o negócio, pô, eu
sou Wesley, eu vi no interior de uma cidade de 2 mil habitantes, ganhei uma grana gigantesca fazendo podcast, indo pra internet, estudando bastante e tal, eu vou atender o meu paciente que tá lá no interior, não sei o que, eu vou falar pra ele, cara, tu tem que se virar, cara, deu certo pra mim, vai dar certo pra você. Não, claro que não. Eu sei que eu contei com sorte, tive um pouco de mérito, mas teve um engembramento social muito perfeito que eu tava preparado no momento exato e aproveitei essa oportunidade. Eu não posso falar isso pra ele, mas se eu sou um cara destreinado,
E às vezes não é de forma, isso é bastante importante pontuar, às vezes o cara que é, digamos que charlatão ou mal intencionado, seria de forma intencional, mas meio que charlatão está fazendo algo que não, longe dos guias de boa prática clínica, ele não faz de forma intencional, ele apenas é ignorante ao resto, ignorante não no sentido de burro, ignorante no sentido de ignorar uma literatura gigantesca da ciência que mostra que para você tratar um transtorno de ansiedade social,
tratar uma depressão com cargas melancólicas ou com cargas de inatividade comportamental, existem tratamentos mais eficientes do que outros, ponto final. Existe uma porcentagem dos pacientes que hoje no Brasil, a gente sabe que problema de saúde mental é um caso, é realmente um grande problema no nosso país hoje. Existe uma porcentagem dos pacientes que procuram profissionais qualificados,
e pacientes que não procuram por esses profissionais e acabam caindo em mãos erradas. Antes de eu responder, deixa eu só fazer uma pergunta pra vocês. A minha internet tá boa, né? Tá, tá. Tá beleza, não tá, Pedrão? Tá beleza, beleza, normal, normal. Qualquer coisa me avisem que eu troco a rede aqui, se caso tiver... Até completando, eu te perguntei isso porque, assim, eu tenho a impressão, por exemplo, aqui na minha cidade. É uma cidade de 130 mil habitantes, uma cidade pequena. Eu acho que as pessoas que têm problema de saúde mental...
a grande maioria acaba procurando profissionais não qualificados para atender elas. É que, na verdade, o grosso da população não tem condições de conseguir... Não é nem condições financeiras, mas condições de critérios para conseguir identificar um profissional bom ou ruim na psicologia. Como é que ele vai saber qual é o profissional adequado? Vou te dar um exemplo. Você, Rodrigão, tem problema de dor, dor crônica. Você tem dor há muito tempo.
E você, pô, dor crônica, cara, é um negócio horrível, assim, as pessoas tendem a deprimir, você não dorme bem, tá toda hora doendo, doendo, doendo, é uma coisa bem complicada. Dentro das psicoterapias hoje, existe uma forma de psicoterapia que é a que mais funciona para dor crônica, chama terapia de aceitação e compromisso. Esse é o nome da terapia. Se o Robertinho tem transtorno de personalidade borderline, que é um transtorno de personalidade, existe uma terapia específica que é muito boa para esse transtorno, é a melhor de todas.
chamada de terapia comportamental dialética. Então, hoje, cara, a ciência evoluiu tanto na área da psicologia que a gente tem um arsenal de práticas psicoterapêuticas que algumas são melhores do que outras para determinados quadros psicológicos. Infelizmente, no Brasil, e isso tem levantamento do próprio Conselho Federal de Psicologia por meio de uma consulta com 20, 30 mil profissionais, que é uma abordagem, é uma amostragem significativa dos profissionais da psicologia,
muito pouco essas abordagens. A grande parte das graduações de psicologia ainda estão no modelo, de novo, muito influenciado pela França, um modelo psicanalítico, psicodinâmico, que fica muito distante dessas evidências que a gente tem mais atuais para tratar esses transtornos psiquiátricos. E o que a gente tem, na prática, é uma formação gigantesca de profissionais da psicologia que desconhecem essas técnicas. Às vezes desconhecem e não querem, às vezes desconhecem e continuam atendendo
excelente boa vontade para fazer um amparo do paciente, ajudar o paciente, e às vezes conhecem essas técnicas, só que como estudaram tanto tempo dentro das escolas psicanalíticas, e de certa forma tem uma mistura com viéses políticos e paixões com autores, que entra num contexto de um viés, que a gente chama de viés de custo afundado. Basicamente é o quê? Pô, eu estudei tanto tempo isso daqui, as pessoas já me conhecem,
a cidade, por ser dessa abordagem, eu não vou mudar agora, mesmo tendo melhores evidências. Tem que ser muito corajoso para conseguir mudar. Então, o que na prática se resulta é que muitos profissionais, talvez aí da sua cidade, se seguir as estatísticas, se formaram estudando uma coisa que funciona menos do que outras que existem hoje. Você fala das escolas, elas são, por exemplo, a francesa é bem famosa, e no tratamento,
O fator cultural tem que importância? Porque, vamos pensar, a relação de tratamento para uma pessoa que tem uma condição financeira, de sobrevivência, é diferente. Claro. Como é essa intervenção aqui para a gente? Vamos voltar ao cenário onde o Rodrigão tem dor crônica e o Robertinho tem transtorno de personalidade borderline. Quase se acertou, hein? Acho que acertou os dois. Perceba que você tem dois tratamentos diferentes.
tratamento melhor pra cada uma das patologias, né? Mas e se eu vou tentar, por exemplo, e se eu for tentar fazer a terapia comportamental e dialética, que é pra borderline, é o padrão ouro pra borderline no Robertinho, e o Robertinho fora analfabeto. Ele não sabe escrever. Precisa ler? Fator cultural. Você precisa escrever uns cartõezinhos de enfrentamento. Caraca. Como é que eu vou? Pô, mas daí eu entro num dilema. É a melhor terapia. Mas o Robertinho não sabe ler. E agora? O que eu faço? Eu dou uma
uma pior para ele, a segunda do ranking, dessas discussões surgiu uma coisa que a gente importou da medicina para a psicologia maravilhosa, chamada prática baseada em evidências. O homem sugere que você só vai se pautar em evidências, o nome é bem ruim, tá? Mas, na verdade, a prática baseada em evidências, também chamada de PBR, ela se organiza num tripé. E agora eu começo a responder a sua pergunta,
O tripé é o seguinte. Para atender um paciente, eu preciso dar a melhor evidência disponível, eu preciso saber o que eu estou fazendo e eu preciso levar em consideração o contexto cultural desse paciente, a subjetividade dele. Então, se o Robertinho não sabe ler e a terapia implica saber ler, eu já não estou respeitando esse pilar aqui. Então, eu vou para a segunda opção. Eu preciso tentar o máximo possível integrar esses três pilares. E eu tenho que saber fazer. Vou dar um exemplo.
Eu sei qual que é o tratamento padrão ouro, a cirurgia padrão ouro pra, sei lá, pra você resolver um problema na sua traqueia. Porque eu consigo olhar a literatura científica. Eu fui treinado pra ler literatura científica. Só que eu não sei fazer cirurgia. Então eu feri um dos pilares. Você tem que saber a melhor evidência, saber fazer aquela prática e considerar as particularidades do paciente. Um belo exemplo que um amigo meu, Léo Costa, dá, e acho que é um exemplo muito bom pra esse podcast aqui, é um exemplo que envolve o Lula.
O Lula teve um problema na garganta que ele teve que tratar. Eu não lembro exatamente o que foi, tá? Um dos tratamentos, que era o padrão ouro, envolvia uma cirurgia, mas existia um risco de um efeito colateral ficar sem falar não sei quanto tempo, ou às vezes até de forma permanente. O cara é um político. Você tem que levar isso em consideração, mesmo sendo a melhor abordagem. Então você dá a segunda melhor, sei lá, manipulação, não sei daí qual que é a segunda melhor. Vocês compreendem a importância da cultura?
uma quebra, uma objeção comum à galera da PBE, que o pessoal fala que não, o PBE é muito mecanicista, trata o paciente de uma forma muito fria. Não, um dos pilares da PBE é levar em consideração a sua subjetividade. Então, quando chega um paciente para mim, eu tenho que saber identificar o que ele tem, levantar os objetivos do tratamento, ter todo esse arsenal de técnicas dominadas e ver qual dessas técnicas mais vai se encaixar com o que aquele paciente
a técnica que ele mais gosta, a intervenção que ele mais curte, que mais motiva ele, e à luz disso eu tento sempre laçar esses três pilares para fazer uma intervenção mais eficaz. Falando de soluções, cara, eu sempre quis saber isso. E eu esperei até hoje para perguntar, porque já passaram outras pessoas aqui dessa área. O tratamento psicológico, ele é feito por mim mesmo? Você só me direciona e eu estou me cuidando ou não?
Existe uma intervenção direta que você é que faz, é colocado, vamos falar assim, essa é travada ali dentro, não por mim, mas por você. Boa, excelente pergunta. Então, na escola... Tá bom, tá bom, Bertinho. Se você for um profissional, por exemplo, da psicanálise, uma das premissas desse tratamento é chamada de livre associação. Então a ideia é deixar o paciente falar bastante, porque ele vai nessa livre associação manifestar,
etc, e em algum momento isso vai acabar gerando nele um insight que ele vai resolver algum problema. Então é uma postura mais distante, mais mediadora, digamos assim, do profissional que está ali atendendo o paciente. Nas terapias que eu acabei de citar aqui, que são essas terapias cognitivos comportamentais que envolvem todas essas outras, o terapeuta tem um papel muito ativo, muito ativo. Então ele conversa muito, ele fala durante a sessão, ele te explica o que está acontecendo no seu comportamento, ele te dá dever de casa.
Você tem ansiedade social. Então, a gente vai criar uma hierarquia de exposição e, a partir de agora, você vai começar a se expor, porque a gente combinou na terapia que você vai se expor. A gente desenhou esses objetivos e entendeu que isso é importante. Então, é um trabalho compartilhado. O terapeuta e o paciente compartilham objetivos em comum e, eventualmente, o paciente, se ele quiser reajustar esses objetivos, falar, pô, não estou tão seguro com isso, quero ir mais devagar, não tem problema. Por isso que é importante você ter aquele terceiro pilar que eu comentei,
com as preferências do paciente. Se você impor de cima para baixo a sua intervenção, o paciente pode ser que espane, ele sai fora porque não está sendo legal. Agora, se você tem um bom vínculo, um atendimento bastante humano e você formula e deixa sempre aberto o espaço para o paciente para reorganizar os objetivos, vocês, em conjunto, vão avançando na construção do tratamento. Então, é uma coisa compartilhada entre os dois e, claro, sempre com o objetivo de ter um fim. Diferente
do universo, de novo, psicodinâmico, psicanalítico, nas TCCs, que tem objetivos, a gente vai alcançando conforme vai tendo remissão de sintomas, a gente espaça as terapias, deixa você mais com uma autonomia, claro que aí depende do caso, mas o objetivo é sempre terminar e dar alta. É um tratamento, você vem, a gente tenta resolver o que está te prejudicando e depois você vai viver a sua vida. Aí o que está te prejudicando pode ser qualquer coisa, pode ser que vocês querem mudar de cidade, não sabem se mudam e isso está incomodando,
uma depressão severa que precisa de tratamento em conjunto com o psiquiatra. Mas tem início, meio e fim, claro que às vezes vai demorar mais no meio, mais no início, mais no fim, e aí demora mais de uma forma global, mas a ideia não é ficar ali com você oito anos, dez anos, cinco anos. Tem alguns tratamentos, acho que o melhor exemplo é fobia social, tratamentos de alguma fobia específica, eu atendi muito na pandemia pessoas com fobia de agulha, porque elas precisavam tomar injeção e até então nunca tiveram tanto problema,
precisavam tomar a vacina. Cara, são tratamentos que em geral demoram 12, 18 sessões e você resolve o problema. De agulha? O cara ficava chorando só de ver. Dá pra tirar em 12? Você acha que tem gente com depressão e não sabe? Claro, lógico. Assim como tem alcoolistas, pessoas com problemas com álcool e não sabem. Eu fico pensando assim, depois da pandemia,
Eu mudei bastante, assim, sabe? Eu, Rodrigo. Eu não consigo sair de casa, me esforço, mas não consigo e tal. Fiquei dentro de casa mesmo. Ah, é porque você é preguiçoso. Mas, cara, me incomoda. Eu queria sair de casa mais, sabe? Queria voltar a ter a rotina que eu tinha antes da pandemia. Não consigo estabelecê-la de novo. E, às vezes, eu fico me perguntando, assim, ah, eu tô bem.
e não sei? Por isso que eu não consigo sair de casa? Por isso que eu não consigo voltar ao normal? Será que é uma depressão? É. Só quem vai conseguir te responder isso é um clínico, depois de avaliar. Não tem como saber aqui, porque a gente não sabe o que está acontecendo, mas o diagnóstico de transtorno depressivo, primeiro que tem vários tipos de depressão, mas o mais comum que a gente chama de depressão, o nome técnico é transtorno depressivo maior, tem uma série de critérios. Se você cumprir X número daqueles critérios,
e tiver a obrigatoriedade de um ou dois presentes no seu dia a dia, pode ser que você seja enquadrado como um paciente com depressão. Agora, claro, você pode ter, não estou dizendo que você tem, tá? Estou dizendo que você tem critérios e aí tem que avaliar. A gente não tem um exame de sangue, que você vai lá e mede como a diabetes, então tem que ser um clínico, uma entrevista clínica falando com você e te avaliando. Mas sim, tem um monte de gente com depressão, tem um monte de gente com transtornos de ansiedade que não sabem, assim como tem um monte de gente com alcoolismo,
tem gente com insônia, tem um monte de gente com vários problemas que não sabem porque nunca foram avaliar. Acho que o grande, se eu pudesse te dar uma dica, o grande critério que você deve usar para ver se vale a pena procurar ajuda ou não, é se isso está te incomodando. Se isso está te incomodando, talvez valha a pena você ver. É verdade. O cabeleira, em especial, depois da pandemia, ele perdeu muito, assim, do quanto eu convivo com ele, o interesse na vida social, sabe? Tipo assim,
Ele não tem mais essa participação de interagir com pessoas, sabe? De mudar de ambientes. Ele ficou... E era um cara extremamente ativo, sabe? Que gostava de festa, de estar no meio da galera. Isso realmente nele meio que se apagou. Tem diferença, por exemplo, se... Ele já é uma consulta mais minha mesmo. Sempre que eu vou no médico ou em alguma coisa, minha esposa ou minha mãe viram e falam assim, eu vou com você, Robertinho. Você não vai falar nada. Levar alguém junto ajuda?
em algum momento atrapalha? O que é levar alguém para falar, por exemplo, do problema dele? Vamos imaginar, eu convivo muito com ele. É positivo eu chegar aí e falar do problema dele para você de alguma forma? Pode falar, mas em geral, claro que o psicólogo, o psiquiatra acho que não vai impedir no primeiro momento, mas não é incomum, embora não seja tão comum, mas não é incomum o profissional chamar alguém, um familiar, algum próximo do paciente para ouvir um relato de terceiro, né?
Porque também quando as pessoas que convivem próximo a você identificam que você teve uma mudança de comportamento, isso é um sinal vermelho, digamos assim, que de fato está acontecendo alguma coisa. Então não é incomum, isso é bastante, aí sim é bem mais comum em crianças. Crianças às vezes têm uma dificuldade de verbalizar, tem uma dificuldade de explicar o que está acontecendo, e aí sim o profissional da psiquiatria, da psicologia, tende a conversar bastante com os pais, até mesmo com professores de escola muitas vezes, para tentar fazer um levantamento dos...
dos comportamentos para fechar o não diagnóstico. Mas o da criança, precisa citar a criança aí, o da criança...
Eu já ouvi dizer que a criança não tem problema psicológico, que é sempre um reflexo do que os pais são, do lugar que ele vive. Tem, o transtorno de déficit de atenção e imperatividade, por exemplo. Não tem nada a ver com o ambiente que ele vive? Não, tem a ver com o ambiente. É que tem alguns transtornos que são muito mais genéticos do que outros, né? O autismo, por exemplo. O autismo tem uma carga genética muito forte, então o ambiente, digamos assim, vai influenciar mais na...
manifestação dos sintomas de forma mais grave e cedo do que necessariamente na instauração do transtorno. Entendeu? Agora, já o transtorno depressivo, maior depressão, que a gente chama, ela tem um componente ambiental, tem importância genética também, mas o ambiente é muito, muito pesado na abertura do quadro de depressão. Por quê? Porque a gente já sabe, segundo os avanços aí da ciência nos últimos 30 anos, 40 anos,
é que o estresse crônico, aquele indivíduo estressado cronicamente, não é a pessoa que fica pistola do nada e depois fica de boa, mas aquela pessoa que está sempre um pouco estressada, às vezes ela nem manifesta, mas senta ansiosa, preocupada, algo de ruim vai acontecer, e aí fica ruminando erros que aconteceram no passado, ou fica muito preocupado com o futuro. Esse estresse basal, um pouco mais elevado, que fica sempre ali vazando, entre aspas, aquele estresse,
segundo o que a gente tem hoje de evidência, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de depressão. Talvez o único fator de risco mais relevante, cara, seja o estresse agudo, que também é uma forma de estresse, que é o quê? Um trauma sexual, um abuso, você ser assaltado e ser espancado na rua, sei lá, qualquer um trauma muito grave, especialmente na infância, a infância é um período muito vulnerável,
Então, traumas na infância, negligência, abuso, abandono, abuso sexual, abuso físico, abuso emocional, tendem a aumentar muito o risco de desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na idade adulta. Tem um caso que ocorreu, a gente não pode, em laboratório, fazer experimentos, alguns experimentos. Então, o que ocorre, porque é antiético, né? Então, o que ocorre é que os cientistas ficam de olho no que está acontecendo no mundo
em determinadas tragédias, assim, os cientistas correm lá para investigar o que está acontecendo, porque eles meio que aproveitam a tragédia para investigar as consequências. Um dos caras que fez isso de forma muito bonita, a pesquisa, no caso, é bonita, não o que aconteceu, foi um cara chamado Charles Nelson, que é um pesquisador de Harvard. Ele foi para a Romênia. A Romênia teve um ditador, um ditador comunista, eu não me lembro o nome, Nicolai alguma coisa, não lembro o sobrenome dele, não sei pronunciar, que ele proibiu métodos anticoncepcionais.
podia tomar pílulas, mulheres, e não podia usar camisinha, e não podia ter a pílula do dia seguinte, porque ele queria aumentar a base populacional. E aí, como ele tinha bastante poder, ele fez isso de forma arbitrária. O que aconteceu foi que um monte de gente começou a ter filho, e não tinha lugar pra botar esses filhos, então eles mandavam essas crianças pra um orfanato. E nesse orfanato, não tinha uma boa condição de tratamento nessas crianças, e basicamente as crianças cresceram sem qualquer tipo de apoio emocional, amparo emocional, cuidado emocional.
Tem um pouco no Google, se você pesquisar, você vai aparecer. O que aconteceu? O Charles Nelson foi para lá e fez um trabalho gigantesco, publicado nas melhores revistas científicas do mundo, investigando o cérebro dessas crianças, o humor dessas crianças, que sofreram, relembrando muitos traumas, abandono e tal. E, cara, o que ele viu foi uma coisa bizarra. Ele viu que o cérebro dessas crianças era menor comparado a crianças saudáveis da mesma idade. Fisicamente, o cérebro não cresceu,
tanto fisicamente mesmo, a parte física do cérebro era menor. Essas crianças tinham uma região do cérebro que era o sistema límbico, que é envolvido com processamento de perigo, muito mais robusta do que a região pré-frontal, que é envolvida com controle emocional. E essas crianças, além de ter uma inundação de ansiedade e depressão, elas tinham um perfil semelhante a autismo. Então, olha o tamanho do problema que pode gerar num organismo falta de afinidade.
Feto na infância, cara. Olha o tamanho da naba, né? Então, em geral, a gente hoje compreende que estresse crônico e estresse agudo é que o agudo é um estresse que, digamos assim, é um pouco mais difícil de acontecer com muita gente, embora tenha uma população muito grande que sofre estresse agudo, abuso, estupro, etc. Mas o estresse crônico é mais prevalente. Pô, estresse crônico, cara, você pode ser um contador e você está estressado.
você está em casa de boa no sábado, tranquilo, parece que você tem uma cobra no seu lado, você está ansioso, está nervoso, está com uma sensação de perigo iminente e não tem nada acontecendo. Esse estresse é um alvo muito grande dos cientistas para tentar identificar como amenizar ele e qual é o problema que ele causa no cérebro. E hoje a gente sabe, e aí tem uma série de mecanismos neurobiológicos, de vias de neurônios e cortisol e etc, que se vocês uma hora tiverem interesse a gente pode entrar, que explicam isso,
Mas a gente sabe que esse estresse é o principal fator de risco para desenvolvimento de depressão. Ou, às vezes, Rodrigão, nem necessariamente você preencher os critérios de depressão, mas você ter uma queda no seu humor. Você pode ter um humor mais deprimido sem ter o transtorno depressivo. Lembrando que o transtorno depressivo você tem uma série de critérios e aí você tem que preencher um número X daqueles critérios. Vou dar um exemplo arbitrário.
tem. E aí você vai preenchendo, você vê se é nível 1, nível 2, nível 3. Eu ia te perguntar isso. Quais são esses critérios aí na depressão? Você puder me falar alguns? O humor deprimido é um deles e a anedonia é outro. Esses são os principais. Então você tem que ter um desses dois. O humor deprimido é uma baixa do seu humor e a anedonia é a incapacidade de sentir prazer. Então você pode ter pessoas... Tem que ter um desses dois, obrigatório, tá?
E aí tem mais uma série de outros. Só que aí os outros podem ter excesso de sono ou insônia.
Muita fome é sempre mais difícil. São extremos, né? Um desses dois é obrigatório. Mas a incapacidade de sentir prazer, ela tem que existir, cara? Não, ela não necessariamente precisa ter um dos dois. Você pode ter um cara com humor deprimido que sente prazer com algumas coisas, mas o humor dele é deprimido. E você pode ter um cara que não tem humor deprimido, normal, mas não sente prazer. E aí tem uma série de outros. Só que veja que é meio que uma armadilha, né?
Esses critérios estão em um livro chamado DSM. O DSM é um livro que a definição dele é que ele é o menos pior que a gente conseguiu construir. Isso não significa que ele é bom, ele é o menos pior. Ele tem uma série de falhas. Uma das falhas do DSM é... Beleza, digamos que você tem 10 critérios para um transtorno. Você tem que preencher 5 para o cara estar no transtorno. E se ele tem 4 critérios? Ele não tem transtorno? Então ele não está sofrendo? Depende. Ele está sofrendo.
Tem quatro ali. Não é o... Dependendo do nível, você pode encaixar ele na depressão mesmo com três. Ou mesmo que você não encaixar, tem que tratar esse cara, pô. Você vai falar, não, vai embora daqui que você faltou um critério. Não, claro que não. O cara tá em sofrimento. Lógico, né? Então, o que ocorre com o estresse? Às vezes, o estresse pode fazer você bater quatro sintomas. Você não abriu o último. Agora, porque você não tem o rótulo de uma pessoa com depressão, significa que você não sofre? Não.
não. Você precisa de atendimento e de ajuda. Essa é uma das limitações desse manual diagnóstico. Por isso que é o menos pior que a gente tem. Tem uma série de outras limitações. Mas o que ocorreu na pandemia, com muita gente, foi que o fato de terem ficado muito em casa e inibiram muito fatores protetores para a saúde mental, luz natural, socialização, ar livre, exercício físico, etc. Às vezes uma pessoa que tinha um ou dois critérios, por exemplo, ela evoluiu
para 4, às vezes o que tinha 4 evoluiu para 6, então a pessoa às vezes era, tinha um Q ali de dias meio ruins, mas pô, saia com os amigos, final de semana, dava uma levantada, fazia exercício, aí na pandemia, buf, fechou. E essa pessoa começou a avançar um pouco. Se é uma pessoa que depois que saiu essas restrições, ela não tentou dar um gás e voltar no seu ambiente normal, às vezes porque virou home office o trabalho, então ela não tinha tanto mais estímulo para sair, começou a ficar mais em casa, pode ser que ela entrou num trilho,
ali que não foi muito favorável pro tratamento, pro caso dela, né? Inclusive, um dos tratamentos mais eficientes pra depressão é chamado de ativação comportamental. Como o próprio nome diz, é você fazer coisas, você se colocar nas situações que você precisa se colocar, fazer exercício, às vezes o paciente tá com uma depressão tão severa que o acordo dele com o terapeuta é escovar o dente, é botar o tênis e ficar em casa, só isso.
Lavar o dente, lavar a louça. É só o que ele tem que fazer. Porque ao fazer isso, você sente um pouco mais de recompensa de que você fez alguma coisa e você se sente mais útil. Então, o comportamento gera consequências e essas consequências te afetam. E quanto mais inativo comportamentalmente você fica, mais em casa, mais sem sair, mais sem fazer as coisas, você está se privando das consequências positivas desses comportamentos sobre você. E aí você começa a empobrecer o seu repertório. Eu vou falar, Rodrigo,
Eu tenho esse problema também, cara. Eu, se me deixar, eu não saio de casa pra nada. Eu tenho que me forçar. Ah, tu é atleta, você é corredor, lutador de Gil. Mas eu tenho que me forçar. Pra eventos sociais... Isso já faz parte da sua rotina. Não é um prazer seu, né? Você consegue ter prazer em lutar jiu-jitsu, você consegue ter prazer em correr, assim. Eu acho que quando faz parte da sua rotina, meio que vira automático, sabe? Não é uma parada... Você não tem um inconsciente que você fala assim, ah,
Eu vou pro jiu-jitsu aí e falo, não Wesley, fica aqui, é melhor. Fica quietinho aí. Vou corrigir, você tá correto, vou corrigir. Pra eventos sociais eu sou assim, vou corrigir. Eu só tenho que ir no aniversário de alguém, no churrasco da galera, eu tenho que me forçar aí. Pra mim eu não iria. E isso também é um problema, porque você tem que ter amigos, né cara? Você tem que construir. É importante você ter amigos, amizades. Sabendo que é importante pra mim, eu me forço aí. Geralmente quando eu vou, eu gosto. A recompensa vem.
Mas e no dia a dia, por exemplo, no jiu-jitsu, numa corrida, por exemplo, academia? Eu sou um cara que eu sempre gostei de esporte, né? Não de esporte tradicional, mas de combate. Eu sempre gostei, sabe? Fiz isso praticamente a vida inteira. Comecei lá com uns 10 anos brincando disso e sempre tive em contato com a galera que treina. Mas antigamente eu tinha esse prazer inerente, sabe? Eu custava esperar o momento de ir pra lá.
esse momento. Eu tenho essa preguiça, sabe? Quando eu vou pra um treino, por exemplo, eu saio de lá e falo, nossa, isso é bom pra caramba. É bom demais. É um prazer, mas eu não vou. Pois é. Eu tenho que me treinar novamente. Se for sair, às vezes combinar com um amigo, fazer a matrícula, criar alguma coisa que condicione você a ir lá. Fazer um desafio a você mesmo, eu vou fazer tantos treinos em tanto tempo e na menor
da melhor forma possível que funcionar para você organizando o seu ambiente para que isso seja mais fácil de fazer. Mas é muito triste, cara, porque a gente vive num país que é muito problemático para a nossa saúde mental. E a pandemia, ela impulsionou isso com as pessoas vivendo muito mais dentro das redes sociais. A gente é o país, salvo engano, o terceiro que mais consome rede social no mundo.
hoje basicamente estão sendo pautadas por ou discursos de ódio e etc, ou extremos políticos. E muitas vezes a pessoa que ela era de boa, digamos, daqueles dez critérios, ela tinha, sei lá, um ou dois, ela começa a entrar naquele nevoeiro e vai, cara, e aí é tribos, nós versus eles, e você começa a escalar, escalar, escalar, e aquilo começa a te prejudicar e você não percebe. Por conta do estresse, no caso. A hora que você falou do cara da Romênia, eu fiquei pensando nisso, assim,
conhece os efeitos que essas redes sociais vão causar na vida das crianças hoje do Brasil, né? Será que pode acontecer a mesma coisa que aconteceu com as crianças da România? Cara, a gente já tem algumas evidências. Tem um pesquisador norte-americano chamado Jonathan Haidt, ele escreveu um livro intitulado A Geração Ansiosa. Ele fez um compilado de milhares de artigos científicos publicados, ele é um baita pesquisador, ele pesquisou muito sobre psicologia moral,
No início da carreira dele, ele publicou um livro muito foda chamado A Mente Moralista, que ele mostra que os conservadores tendem a ter um tipo de perfil psicológico, progressista ou outros. É um livro fantástico que ele publicou. E aí hoje ele se debruça mais sobre esse universo de efeitos de rede social na saúde mental, porque ele percebeu o tamanho do problema. Basicamente, nesse livro, o que ele conclui é que os pais estão hiperprotegendo as crianças do mundo real
protegendo no mundo digital. Como o pai vê a criança em casa, no quarto, segura, ele acha que está tudo ok, ela está na internet. Só que o que os dados estão apontando, e existe, sendo honesto intelectualmente aqui, uma grande discussão sobre a causalidade, existe com relação óbvia, mas a causalidade ainda é discutível, embora eu seja da opinião que é causal, de que as redes sociais causam problema na saúde mental dos jovens, em especial meninas.
é muito claro quanto maior o tempo seu de rede social, maior tende a ser o seu humor, pior tende a ser o seu humor, mais impulsivo você fica, mais agressivo você fica. E se você plota num gráfico, quando isso começou? Começou quando existiu, não necessariamente as redes sociais, olha que louco, mas existiu a rede social no nosso bolso, nos telefones, não no computador. Se a gente entrasse na rede social no computador, só talvez não seria tão problemático.
O problema é que em qualquer lugar a gente está na rede social a todo tempo. Por que meninas? Eu ia perguntar, as meninas, elas são mais suscetíveis? Os dados apontam que elas são mais prejudicadas. É tipo o poder de concentração, elas conseguem se concentrar mais? Não, eu acho provavelmente pelo conteúdo, acho que elas são mais atacadas, elas se comparam mais, tem a questão da beleza e do corpo. O homem muitas vezes não fica pirando nessas coisas.
elas ficam muito, são mais vulneráveis nesse sentido, não necessariamente porque elas usam mais ou menos. É o ambiente mais nocivo para mulheres, rede social. Eu acho que vocês concordam, né, cara? É complicado. Não, sim. E principalmente quando você fala da... Vamos pensar na teoria da perfeição, do corpo perfeito, do cabelo maravilhoso. Acho que a mulher em si é mais vaidosa do que o homem. Ela tem uma preocupação maior do que o homem com a beleza, com a aparência. O homem em si geralmente não é tão...
um cobrado também, né, no termo de beleza. Mulher geralmente sofre uma cobrança da sociedade, da mulher que tá do lado dela. Eles até falam, mulher não se arruma pra sair com o marido, ela se arruma pra sair com a amiga que vai olhar a roupa dela e vai comentar, né. É, e o Brasil, cara, a gente não pode esquecer que é um país muito violento. Se você botar aí o mapa mundi da violência, o Brasil é sempre muito pintadinho, né. É bem violento.
A gente tem, acho que em números absolutos, a maior taxa de homicídio do mundo, mais do que China,
e Índia, que são países bem maiores, em números relativos a 100 mil habitantes, que você consegue fazer melhor a média, a organização ali, a comparação entre países, a gente também mata muito, a gente se mata muito, né? E isso transforma, claro, né, cara, se pra nós aqui, homens, o cara sai num estádio de futebol e você já tem que ficar meio espiado, você vai ter uma briga e vão enfiar um cabo de vassoura no anos um do outro, igual fizeram ano passado numa briga num estádio,
No trânsito também, você tem medo, o cara buzinou, eu pelo menos, eu sou muito avesso à violência, não gosto de violência. E a gente vive num país, infelizmente, muito violento, e isso é especialmente problemático pra mulheres, e todo mundo concorda com isso, né? Isso se transforma, isso ocorre também na rede social, né, cara? Por isso que elas são mais atingidas. E de pai pra pai, assim, velho, como que tu vai fazer com a Ava?
Não vai deixar ela usar redes sociais, assim? Boa! A partir de que idade que você vai deixar ela ter um celular?
O que você pensa sobre isso? Boa. Bom, essa é uma preocupação muito grande minha, porque você tem que fazer de uma forma que ela não fique no ostracismo no grupo dela, né? Todo mundo na rede social, na escolinha, falando o que estavam fazendo na internet e ela não tem ideia do que está acontecendo. Ela não pode ser excluída desse mundo, né? É, e estressa ela, né? Mas, ao mesmo tempo, tem que ter uma conversa muito clara sobre os limites do que está acontecendo ali dentro. Eu, se eu puder, no meu mundo perfeito,
14, 16 anos. Parece que já tem estudos aí, né? Alguns países estão, inclusive, implantando leis normativas sobre isso, né? O Jonathan Hyde, que é o autor desse livro que eu comentei, que fez todo esse levantamento, ele diz que tem que proibir pra rede social pra pessoas até os 16 anos. Ele é muito categórico. Tem que proibir. Não pode deixar cessar. Proibido. Não pode. Ah, mas não sei o que. Não pode. Com 16 anos tem alguma mudança?
Eu falo assim, porque depois dos 25 parece que você forma totalmente o corte. É, 22.
2, 25. Seria isso, né? É, que 16 anos passou um pouco mais de repertório, né, cara? Já brincou bastante, porque veja, eu falei que... Não tem nada hormonal relacionado, não. É a parte da infância que já acabou mesmo. É, a questão é o seguinte. Lembra que eu falei que a tese do autor é que a gente hiperprotege as crianças no mundo real e hipoprotege na internet? A gente focou só na hipoproteção online. Mas tem um outro lado, cara. Hoje a gente protege muito as crianças no mundo real. Tempo todo, tempo todo.
Porque o país é violento, primeiro ponto, a não ser que você more em um condomínio e a criança possa brincar sem você ficar se preocupando, mas não dá mais pra jogar bola na rua igual a gente fazia quando era moleque. Mas o autor, cara, ele chega ao ponto de falar que esses parquinhos de criança com escorregador de plástico e tal tem que voltar a ser de ferro. Olha que louco. E não é um maluco, cara. Tem que queimar um pouco. O mais louco é que não é um maluco.
Deixa ralar o dedo ali. Ele diz que não, as crianças têm que se machucar um pouquinho mais, cair,
sabe, ralar o joelho, porque isso é importante, elas têm que se estressar no sentido de um estresse ótimo, não um estresse muito grande, mas pra criar mais repertório. Se não, chega ao ponto de você ter um filho com 15, 20 anos, que se você largar no centro de São Paulo, ele vira um morador de rua, porque ele não vai saber voltar embora. Não sabe voltar pra casa, né? Não sabe perguntar, não sabe desenrolar, não sabe se virar, entendeu?
Isso é muito problemático. Pais resolvendo problemas básicos, né? Um problema comiguinho,
Não pode ter um problema com o professor que tá lá também. É hiperproteção mesmo, total. Pô, você falou uma parada do sol aí, que o sol é extremamente importante também. A luz do dia a dia, que tanto tem essa importância. Na hora que você falou, eu assustei um pouco, porque acho que deve ter uns 15 dias que eu não vejo a luz do sol, velho. Caramba, cara. Não, deixa eu só te falar um outro problema. Não é os 15 dias que eu não vejo a luz do sol. É o tanto que eu já tava ruim de memória, que deve ter uns 3 anos.
Perdeu até a noção de quanto tempo passou. Não sai da caverna. Não, mas eu tomo vitamina D, velho, pra repor tudo isso aí. Não, na verdade, ô Rodrigão, quando eu digo que é importante a luz, não é nem necessariamente o sol. Por exemplo, aqui hoje tá nublado, mas tem luz natural, né? A luz que não seja emitida por lâmpadas. O que ocorre? Dentro do seu cérebro tem um núcleo chamado núcleo supraquiasmático. Esse núcleo, basicamente, ele tem uma série de...
ele tem os genes dentro das células desse núcleo, e os genes produzem o RNA, que vai produzir uma proteína, e essa proteína vai se acumulando dentro desse núcleo, e quando ela se acumula de uma forma tão grande, ela inibe a produção dela mesma. Isso ocorre num ciclo de aproximadamente 24 horas, que a gente chama de ciclo circadiano. Ela começa a produzir e para de produzir num ciclo de 24 horas. O que é o relojoeiro? Quem é o relojoeiro que dá o start na produção dessas proteínas?
A luz natural. Se você acorda oito da manhã, por exemplo, e você abre a sua casa meio-dia, você deu o sinal para o seu cérebro começar a produzir tudo isso meio-dia. E por isso que às vezes você chega à noite, você está cansado, exausto, mas você está sem sono, porque a produção desse ciclo começou muito tarde. Tem vários experimentos muito massa que os caras levavam sujeitos para cavernas, que você não tem luz natural, e deixavam eles lá sem TV, sem nada que ditasse o horário para eles,
lá 20 dias, 30 dias, o que acontecia? Eles continuavam vivendo num ciclo de 24 horas, dormindo 8 horas e ficando acordado no mesmo tempo normal, só que eles saíram de lá acordando 2 da manhã e saíram torto. É o que ocorre no jet lag, quando a gente vai viajar para outros lugares, a gente muda o fuso. A melhor forma de você ajustar o seu ciclo circadiano é por meio da exposição à luz. Por isso que quando você acorda, a melhor coisa que você tem a fazer
pegar luz natural, não precisa ser sol, pegar sol no olho, não precisa, pode ser um dia nublado, 15, 20 minutos tomando um café de frente para a janela, já é uma coisa excepcional para a regulação do seu ciclo circadiano. Se você tem problema de insônia, transtorno de insônia, etc, e tem um tratamento específico para isso, cujo um dos braços do tratamento é exposição à luz de manhã, além de você ter toda uma necessidade de ter um acúmulo de som,
um acúmulo de falta de sono, que a gente chama de sleep pressure, pressão do sono, que é deixar você com bastante sono, junto com o ciclo circadiano, pra você voltar a dormir muito bem. Mas pro humor, de uma maneira geral, é muito importante que você se exponha à luz natural. Às vezes, pela rotina que a gente tem, acorda, deixa tudo trancado, deixa tudo fechado em casa, não se expõe à luz natural, isso é bastante prejudicial pro nosso humor.
Caralho, esses caras que trampam à noite, assim, e dormem durante o dia, estão... É um problema.
Inclusive por isso que eles recebem mais, por isso, né? Tem um adicional de insalubridade. Que é justamente, tipo assim, eu vou arrebentar a tua saúde e vou te pagar um pouquinho mais aqui. Mas não tem uma parada, e isso aí, tinha um estudo, parece que comprovou isso, que é tipo, a galera que nasceu, mas que gosta de ficar acordado à noite e dormir de dia, não é uma coisa natural, então? Cara, até onde a gente sabe, nós somos animais diurnos.
Por isso a gente não exerce o público. A gente é animal diurno. Tem algumas pessoas que naturalmente,
é dormir um pouco mais tarde, mas aí o mais tarde é 11 da noite, meia-noite, não é 3 da manhã. E tendem a acordar um pouco mais tarde, 7, 8, 8 e meia. E tem pessoas assim como eu que são mais matutinas. Eu durmo 9 da noite, 8 e meia. Às vezes eu vou dormir às 8 da noite. Oi? Cido pra caramba, mano. O que é isso aí? 8 e meia, cara. Ontem eu fui dormir às 8. Porra, tu não aproveita a noite, mano. Não, e quer ir pra festa aonde? Festa o que? Quer ir nos vasinhos à tarde. Mas daí tem que ter almoço.
O pessoal tem que explorar mais o almoço. A instituição almoço ainda sobrevive nesse país aqui. Se um dia for ditador aqui no Wesley em Quistão, vai ser proibido festa à noite. Todo mundo, o ciclo circadiano regulado. Eu vou te falar, eu sempre fui o cara da festa da noite, tá ligado? E é meu hábito. Então você fala assim, o que a gente vai fazer? Eu penso assim, num sábado, né? O que a gente vai fazer sábado? Eu penso assim, pô, vou numa festa à noite, né?
É o que eu imagino na minha cabeça. E eu conheci um amigo, cara, e é muito legal.
Porque eles são bem festivos. Eles gostam de festa pra caramba, sabe? Mas a festa deles começa sempre, tipo, 8 horas da manhã. Eles acordam, tomam um café e... Não, agora vamos começar a festa. Esse é o grupo correto. Eles estão certos. Cara, e eles vão à tarde... Os amigos estão certíssimos. Cara, eles conseguem fazer uma festa enorme de muito tempo. Sei lá, vai até 7, 8 horas da noite. 10 horas de festa. Exato. E aí vai dormir todo mundo quebrado.
No dia, eles acordam 5 horas da manhã pra fazer caminhada. É isso aí. Muito louco.
Carnaval, cara, eu escolhi o Carnaval de BH, porque o Carnaval de BH, vocês devem saber, é assim, ele começa de manhã, né? Ah, eu não sabia. É, o Carnaval de BH começa às 5h30 da manhã. Começa às 5h30 da manhã, aí dá 4h da tarde e tu fala, meu Deus, tô perdido no tempo, porque tu acha que já é de madrugada, porque já passou tanto tempo, aí tu vai embora e dorme 7h da noite. Correto? Essas pessoas merecem ganhar isenção do Imposto de Renda, elas estão certas.
Eu acho que não, isenção do Imposto de Renda não, eles têm isenção, questão do Agri já tem isenção de exportação.
Não, mas a luz natural, cara, é uma coisa tão simples e que tem um efeito tão positivo na vida das pessoas que é importante espalhar isso o máximo possível aí, porque é algo relativamente fácil de fazer e não tem custo nenhum. Que legal. O pessoal até do chat tá comentando, falou, pô, simples demais pra resolver um grande problema, assim, né? Você tava falando que eu ia voltar um pouquinho, assim, a gente foi caminhando pra um outro lado. Quando a gente tava falando dos problemas,
por exemplo, a depressão e tudo. Existe, por exemplo, eu sou um cara que tem uma boa... O cabeleiro também é uma boa tolerância à dor. Eu já vi o cabeleiro em estados em que está quebrado. Tipo assim, quebrar literalmente, quebrou o pé. E ele fica aí três dias com o pé quebrado, aquele negócio enxado, você não manda, vamos no médico. Ah, mãe, eu vou lá e resolvo isso. Você percebe que ele tem uma dor crônica, mas ele tolera e resiste.
Ele é um cara que tem uma boa tolerância à dor. Falando de problemas psicológicos,
da mente mesmo, que são mentais ali, existe gente com uma tolerância maior a esse tipo de problema? E gente que é menos tolerante, que é mais fraco? Existe, existe. Cara, existem até pessoas que, e elas são estudadas cientificamente, que sofrem traumas na infância, por exemplo, estupro, abusos, e não abrem nenhum transtorno mental. É uma mente forte mesmo, né? Vamos tratar assim.
forte, mas ela foi uma pessoa que teve a sorte de nascer com um conjunto de genética que aumenta a resiliência dela a estressores e provavelmente ela vive num ambiente que permitiu que ela tivesse ferramentas pra se reajustar e conseguir seguir ali, né? A questão é que a genética a gente não controla e quando tentaram controlar foi um
na Segunda Guerra, né? A genética a gente não controla. O que a gente controla é o ambiente, cara. Então, o que nós deveríamos fazer como sociedade é tentar se organizar de forma a ter uma rotina social que seja menos estressante possível para o máximo de pessoas possível. O relatório de felicidade global, acho que é uma parceria da OMS com alguma universidade que eu não vou lembrar, talvez o Oxford, não lembro agora, de 2025, apontou que,
os dois países mais felizes do mundo e são sempre os mesmos né a marca Suécia
etc. O principal fator responsável pela felicidade desses países, segundo esse relatório, um relatório gigantesco de sei lá quantas páginas, 300, 400 páginas, o principal fator de felicidade nesses países é confiança social. Você viver numa sociedade que você pode confiar no seu colega civil, isso é muito importante. Imagina a gente viver numa sociedade sabendo que se a minha filha voltando da escola
se perder, ou sei lá o que, criança andando na rua, alguém vai ajudar e você tem uma razoável certeza que alguém vai ajudar. Isso não dá até um quentinho no coração pra quem é pai aí? Não dá um negocinho e fala, cara, que delícia. Aqui não, cara. Aqui você tem que tomar todos os cuidados do mundo, porque senão sequestram a tua criança, sei lá, sei lá, quando roubam ela, vão roubar o celular, sei lá o que. Então, nesse contexto de...
Porque pensa assim, a gente não consegue transformar as pessoas em mais resilientes ao estresse.
Algumas vão nascer geneticamente mais resilientes ao estresse, outras menos resilientes. O curso da vida dessas pessoas pode torná-las, aquela que nasceu mais resiliente, de acordo com o que ela for vivendo, ela pode diminuir a resiliência, e aquela que nasceu pouco resiliente, de acordo com o que ela for vivendo, ela pode começar a ficar mais cascuda. Pode acontecer. Mas o ideal, como a gente não consegue intervir individualmente em cada sujeito, porque a gente não tem ferramentas suficientes para isso, seria um recurso gigantesco,
que gera estresse na galera, como confiança social, como pobreza. E saiu um estudo recentemente mostrando que, olha que louco, não é a desigualdade. Bem polêmico o estudo. Parece não ser a desigualdade que causa problema em saúde mental, mas a pobreza. Países desiguais não têm tanto problema em saúde mental relacionado à desigualdade. Mas, enfim, talvez o tráfico urbano, a poluição visual, a poluição sonora, a burocracia excessiva,
um trem lotado, talvez aumentar o número de trens, eu não sei, cara, melhorar o plano diretor das cidades, criar um ambiente menos estressogênico pra que a gente dê a possibilidade daquela pessoa que tem um nível ali não tão bom de resiliência geneticamente falando, o ambiente seja um ambiente que não vai trucidar a saúde mental dela. A gente não tem isso, né, cara? Eu ouvi falar que países socialistas, isso é resolvido. É, não sei, aí eu não tenho os dados pra apontar. Eu tive na China, eu tive a impressão,
que lá esse problema estava sendo superado, sabe? Se você faz uma... Primeiro, ter confiança, né? Confiança social é muito importante. Eu não sei como é que é na China. A última vez que eu vi os dados, por incrível que pareça, a China não estava tão bem, cara. Tem um experimento que foi publicado na Science gigantesco. Eu até não sei explicar o porquê que a China não foi tão bem. Vou ter que reler isso para olhar. Basicamente, o que eles fizeram? Os pesquisadores viajaram ao mundo,
e eles deixavam, talvez até você possa me responder o que aconteceu com a China, porque ela marcou que a confiança social é menor que a do Brasil, inclusive, e o Brasil foi bem ruim na posição. Mas olha o experimento específico, pode ser que o experimento tenha sido um experimento de uma forma errada de medir, né? Pode ser. O que eles fizeram? Eles pegaram uma carteira, uma carteira com algum dinheiro, cerca de 70 dólares no equivalente de cada dinheiro de países, um documento oficial com foto,
várias instituições de acho que 20 ou 22 mil cidades, eu acho. E você lembra quando foi feito isso? Foi, não vou lembrar o ano, cara. Não vou lembrar o ano. Mas é 2013, 2015, é recente. E eles pegaram essa carteira, o cara perdeu essa carteira de propósito numa instituição. Então podia ser um banco, podia ser uma escola, podia ser uma delegacia, alguma instituição pública. E ele perdeu, deixou a carteira e tinha o número de telefone dele,
de compra de supermercado. E aí eles fizeram um cálculo, eles plotaram um gráfico de quais países ligavam para o cara. Quanto tempo que a carteira apareceu? A China foi um dos piores. O Brasil foi muito ruim também. Os países que mais se deram bem foram lá, Dinamarca, Suíça, não sei o que, foram os que mais ligavam para devolver a carteira. Deve ter feito uma mostragem grande, não deve ter sido só um lugar pontual ali. Deve ter colocado várias carteiras ali em vários lugares.
meu uma vez, ele deu a hipótese de que a galera tinha muito receio, foi a hipótese dele, não tá no estudo isso, tá? Que o pessoal tinha receio de acharem que o cara roubou a carteira e ser muito punido. Sim. Talvez por isso ele não ligou tanto pra devolver. Sei lá, deixou onde achou, não sei. É, eu já ouvi falar que a punição lá é severa. Imagina você, você acha uma carteira, você vai ligar. E se o cara achar que você roubou a carteira e você é sem laca, não sei. E o que eu vi lá, isso aí é presencial, né?
saía, a gente tava com a turma, acho que eu já tava em um lugar. Tinha um celular no chão, tipo, na entrada de um shopping, alguma coisinha, sabe? Um centro comercial. Tinha um celular no chão, uns dois passaram, enquanto a gente passava, apontou, tipo, assim, um celular no chão, tipo, é seu. Mas ninguém pegou. Mas ninguém tirou ele do chão. Tá, tá. Entendeu? Pode ser que o fato da carteira ficar lá por muito tempo, não sei, né?
É que ninguém põe a mão nem pra saber de quem que é. É, eu conversei com um universitário lá, um cara da universitária,
da Universidade de Pequim, e ele falou que no alojamento dele, um certo dia, pegaram um Danone na geladeira que era de um cara. E o cara foi lá e reclamou, falou, quem pegou meu Danone? Não achou quem era. No outro dia, né, o responsável pelo alojamento chamou esse estudante e falou, ó, se você quiser a gente vai olhar nas câmeras pra ver quem pegou o Danone e a gente vai expulsar ele da universidade. Caramba. Aí o cara falou assim, que? Como assim, velho? Não precisa expulsar o cara por conta de um Danone.
Deixa quieto. E aí seguiu. O cara me contou essa história falando o quanto é sério lá dentro da universidade. Essa questão de roubo, de drogas, que não entra droga, esse tipo de coisa. Outra coisa que aconteceu com a gente, e isso aconteceu no nosso grupo, o Thiago Santinelli estava com a gente na viagem. A esposa dele largou o celular num barzinho que a gente estava à noite. E aí a hora que ela foi na mesa, o celular não estava lá mais.
O celular foi devolvido aqui no Brasil. Ela já tava no Brasil quando o celular voltou pra cá. Uma pessoa ligou pro celular, a pessoa que atendeu falou, esse celular não é meu. Aí ele falou assim, eu sei que não é seu. Esse celular é meu, tal, lá em tal lugar, eu preciso do endereço pra ir buscar. Ela falou, não, não precisa do meu endereço não, eu vou mandar pra você. Não vem aqui não. Não apareceu, mas devolveu. E aí ela pegou e mandou no endereço lá na China e esse celular foi encaminhado pro Brasil depois.
Mas uma coisa que interessa, acho que o Cabileira falou assim, que percebeu lá e parece que eles estão resolvendo esse problema, é que do que eu percebi, realmente, a diferença social lá não é um problema. Você vê uma diferença social gritante em vários, sabe, a todo momento e em todo lugar. Você vê o multimilionário e o cara lá varrendo o chão com a vossourinha piaçava. Você vê uma diferença social bem grande lá, bem exposta.
Só que o que você não vê, por exemplo, é a pobreza extrema lá. Você não tem morador de rua.
E aí sim, você percebe que lá eles têm uma convivência melhor, mesmo tendo uma diferença social exacerbada, mas que não tem o pior das situações, que é o cara que passa fome ali na rua, sabe? E segurança, né? Opa, segurança tem. Você andar na rua ali, tranquilo, de madrugada, e não acontecer nada com você. Então, realmente, o fator decisivo não é a diferença social, eu imagino. Só pra dizer que eu abri o estudo aqui,
Ele foi publicado em 2019 e a China foi o último. Foi o pior país nessa questão de honestidade. Aí, realmente, eu acho que os autores até discutem um pouco. Parece ser influência desse medo de punição. Pode ser. Depois me manda esse estudo aí no WhatsApp que eu vou colocar pra comunidade do canal. Wesley, assim, você que é um pesquisador profundo no cérebro humano,
mais produtivo, mais eficiente, mais forte? É, é possível sim. É que assim, eu vou precisar fazer uma explicação um pouco mais longa agora, tá? O tempo é seu. O nosso cérebro, cara, ele tem mais ou menos 86 bilhões de neurônios. Neurônios são células do cérebro, tem uma série de outras células no cérebro, mas o neurônio a gente estuda bastante porque ele é a unidade funcional do cérebro que libera neurotransmissores, libera hormônios, etc.
86 bilhões, cara, com B. Então é muito neurônio. Inclusive foi uma pesquisadora brasileira que contou esses neurônios no cérebro. Susana Herculano, uma grande pesquisadora brasileira, que era professora da UFRJ na época. Um grande achado aí da literatura nacional, da ciência nacional. Esses neurônios, eles conversam por meio de sinapses. E eu vou chegar na resposta da sua pergunta, tá, Rodrigo? Esses neurônios conversam por meio de sinapses. Sinapses são pontos,
que os neurônios quase se encostam, eles não tocam fisicamente, mas eles ficam muito próximos. Então, imagina que esse braço aqui é o neurônio, esse braço aqui é o neurônio, e esse neurônio aqui libera, nessa fenda entre os dois neurônios, neurotransmissores, que a gente chama de dopamina, noradrenalina, acetilcolina, todos os neurotransmissores aí que vocês já ouviram falar. Se esse neurônio aqui, ele é muito estimulado, se você usa ele muito, lembra que são 86 bilhões, né? Eu estou só fazendo uma representação simples aqui.
e ele conversa muito com esse, essa conexão entre os dois neurônios, essa sinapse, ela começa a ficar mais forte. O que significa mais forte? Esse neurônio aqui, ele vai precisar fazer um estímulo menor para já ligar esse neurônio aqui, que vai aqui atrás, disparar, conversar com outro neurônio, conversar com outro neurônio, e assim o nosso cérebro processa informações e faz a gente ouvir, sentir, falar, processar memória, sentir emoções e tal. Esse processo de fortalecimento,
de atividade de um neurônico ou outro, a gente chama de neuroplasticidade. Neuroplasticidade é conforme você experiencia as coisas, o seu cérebro começa a mudar estruturalmente. Uma das mudanças é a força de conexão entre uma sinapse que já existe. E outra mudança, prestem atenção agora aqui, que essa é a mais incrível de todas, eu começo a suar no suvaco falando sobre isso, tanto que eu gosto.
usar muito esses neurônios, cara, ele começa a criar uma nova conexão. É como se surgisse um bracinho novo aqui, físico mesmo, físico, uma nova, tipo um mutantezinho nascendo aqui, se conectando com esse neurônio. Fica tão forte a conexão que nascem novas ramificações se conectando com esse aqui. Se você for olhar o cérebro de um músico, o córtex auditivo do músico, os neurônios do córtex auditivo do músico, que
o som, eles são muito mais complexos. É como se fossem árvores com mais galhos. Os neurônios são mais arborizados. Eles têm mais conexões do que uma pessoa que não é música. Por quê? Porque ele usou muito essa região. Se você vê o córtex motor de um nadador ou de um atleta olímpico, ele também é mais arborizado. Ele treinou muito essa região. Se você vê o hipocampo, que é uma região que armazena memórias, principalmente memória espacial de lugares,
Dos taxistas de Londres, que eles precisavam passar numa prova para ser taxista de Londres e envolvia decorar uma série de ruas porque não se usava GPS, os neurônios do hipocampo desses taxistas são mais robustos. Isso foi um artigo publicado na revista Cell, que mostrou que é uma das melhores revistas do mundo da ciência. Os caras foram lá e avaliaram os neurônios dos taxistas de Londres antes e depois da prova. Aqueles que foram aprovados tiveram essa mudança estrutural. O que eu quero dizer com isso? Conforme você experiencia coisas no mundo,
de coisas no mundo, o seu cérebro começa a alterar fisicamente o padrão das conexões, fazendo com que ele fique mais eficiente em fazer aquilo. Então aqui eu já respondo a sua pergunta. Sim, você pode treinar o seu cérebro em ser mais eficiente. É isso que um músico faz, é isso que um malabarista faz. Quando você pega duas bolinhas de papel e começa a fazer malabarismo e começa a plotar num gráfico, quanto tempo demorou, quantos segundos demoraram pra você deixar as bolinhas caírem?
Você vai perceber que com o passar do tempo que você for treinando, vai demorar mais.
mais para elas caírem, porque você está melhorando. Esse fato de você demorar um segundo para derrubar a bolinha no início e depois ficar dez minutos fazendo malabares, essa diferença entre o ponto A e o ponto B, no gráfico, a gente chama de aprendizado. Você aprendeu o padrão motor de fazer malabares. Isso só ocorreu porque o fundamento neurobiológico desse aprendizado foi a neuroclassicidade. Os neurônios espaciais, de onde está, a gente chama de propriocepção, é você saber onde estão os membros do seu corpo,
olhar, né? Você sabe onde é que estão mais ou menos. Isso aqui foi trabalhado no treino que você foi fazendo e com o tempo você começou a fazer bem. Quem aí fez academia já sabe que na primeira vez que você faz supino, tudo errado, o ferro vai pra lá, vai pra cá. Com o tempo você aprende a equilibrar. Andar de bicicleta a mesma coisa? Dirigir a mesma coisa? Ler a mesma coisa? Então você consegue sim aumentar a eficiência de trabalho do seu cérebro de uma forma muito parecida com aquela que a gente faz com os nossos músculos.
e você dê o estímulo certo. Ficar o dia todo rolando... Não estou falando para você agora, tá, Rodrigão? Mas ficar o dia todo rolando Reels, a galera que fica muito tempo na internet, e esse é um outro problema apontado, você só consome conteúdo curto, fácil, rápido, e depois você precisa ler um livro um pouco mais denso, você vai ter mais... É como se o seu cérebro estivesse nas áreas responsáveis por sustentar a atenção com conteúdo mais denso, é como se ele estivesse atrofiado. Seria o equivalente a você ficar muito tempo
treinar peito ou perna e depois ir lá e voltar e tentar treinar. Você não vai conseguir, porque você ficou só parado em casa, sem treinar aquele músculo. Quando você precisar treinar, vai ser mais difícil. Então, sim, o nosso cérebro consegue fazer isso. É uma coisa muito linda, porque envolve uma mudança física do cérebro. E quem demonstrou essa mudança foi um cara chamado Eric Kandel, que foi laureado com o Prêmio Nobel no ano 2000, justamente por essas descobertas. Ele mostrou que a aquisição de uma memória,
O termo correto é long-term potentiation, ou potenciação de longa duração, envolve a síntese proteica ao nível de criar novas conexões no cérebro. Ele foi laureado com o Nobel por isso. Isso explica também o porquê que pessoas ativas intelectualmente na idade avançada, elas são mais protegidas contra doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.
resolvendo o problema, ativo cognitivamente, você tem uma chance muito menor de desenvolver doença de Alzheimer, porque a doença de Alzheimer, ela vai, entre aspas, atacar mais, entre aspas, não o vírus e tal, mas ela vai se desenvolver mais em cérebros, entre aspas, preguiçosos. É o equivalente físico do corpo de, por exemplo, doenças que envolvem sarcopenia, aquela pessoa mais velha que não faz musculação, o risco de musculação,
o senso científico da área da educação física, musculação é o santo graal para pessoas mais velhas. Depois dos 35, 40 anos, tem que fazer alguma coisa de musculação, porque há uma perda natural da sua massa muscular. É natural, você não está fazendo nada errado. É natural perder massa muscular. E uma das principais causas de morte em idosos é a queda. O idoso fica com o tempo com tão pouca massa muscular, cara, que ele não tem musculação.
no anterior do ombro para botar a mão na frente e se proteger, não ficar com a cara no chão, quebra dente, quebra bacia. É preciso fazer. A musculação do cérebro é leitura, aprendizado, porque você, assim como no músculo você hipertrofia suas fibras e cria mais massa, no seu cérebro você literalmente cria novas ramificações de neurônios por meio do aprendizado. Só que na academia, para você ter uma hipertrofia,
você tem que ter uma carga mais elevada, porque senão você não consegue criar os músculos. Então você tem que estar aumentando carga e repetição. E hoje, por exemplo, a gente tem muito acesso à informação. Você tem informação, parece que você tem conhecimento o tempo todo, mas você não consegue ter uma densidade nesse conhecimento, porque a maioria das pessoas está no celular, sei lá. Eu lembro que eu entrei na universidade em 2005. Quando eu entrei na universidade,
Eu tinha criado o hábito. Eu tava lendo mais ou menos um livro por semana. Era o que eu tinha de leitura nessa época. Depois eu saí da universidade. Fui empreender e tal. Me passei da leitura. Hoje, cara, eu fico assim... Nossa, eu fico muito revoltado. Eu não consigo ler um livro, sabe? Eu vou pegar uma página ali. Eu fico meia hora na página. Isso me irrita. Eu não consigo absorver aquilo ali. Aí eu largo de lado e falo...
livro não, sabe? Porque eu acredito que é de tanto conteúdo de internet, ou não sei, talvez vários outros fatores. Às vezes eu acho que eu tô ficando mais burro também. É, cara, talvez você não tá tão motivado a aprender mais, né? Porque você fica consumindo muito conteúdo, recebendo muita informação do podcast. Talvez o teu veículo de aprendizado mudou. Agora é um veículo auditivo. Você escuta muito entrevistados aí por três, quatro horas falando de temas
complexos, história, política. Cara, se eu estivesse no seu lugar, a última coisa que eu ia querer quando chegar em casa era ler um livro. Tá maluco? Acabei de ler um livro na minha frente, um audiolivro, o cara ficou quatro horas falando sobre isso. Mas e se for ler comentário? Ler comentário é igual rolar. Ah, não, cara, eu não leio comentário é muito grande. Se ler comentário, eu não leio. Não, mas a questão é que eu fico um pouco irritado com isso, assim, porque eu sinto que eu tenho a necessidade de ler esses livros, né? De melhorar, né? Eu quero, eu tenho vontade, né, de fazer isso.
Talvez é começar a forçar mais no hábito, na rotina. Você mesmo fala que a rotina é que te dá uma dopamina, não é? Não tem uma coisa meio que sinérgica ali. Uma coisa leva a outra. Tem um conjunto. Tem um conjunto, não é? Claro, você ter uma rotina, ter horários fixos de alimentação, dormir em horários programados, fazer exercício físico, se alimentar relativamente bem. Tudo isso prepara o seu corpo para gerar um estado.
favorável a você ter mais atenção, não tá irritado, não tá estressado. Então, claro, tudo anda junto, mas o principal fator, cara, isso é importante, porque eu tenho uma frase que eu falo que eu sou muito mal interpretado, porque quase todo mundo fala o inverso, né? Eu digo que a motivação importa mais que a disciplina. E todo mundo diz o contrário, né? Tem até as estampas de camisa, 99% disciplina, 1% motivação. Neurocientificamente isso não faz sentido nenhum. Tá errado. Ponto final. O que importa mais
é motivação. E o que é motivação? É um motivo para a sua ação. Às vezes falta para você, Rodrigo, um motivo para dar motivo para ler. Talvez se você encontrar esse motivo, a chave vire. Sei lá, talvez se eu ler mais livros de política, eu vou ser o melhor host. Talvez se eu for viajar para a China e eu ler um livrão da história da China, eu vou experimentar melhor a viagem, vou aprender mais sobre a viagem. Foi o que eu fiz para Roma agora. Eu fui para Roma e li a história de Roma antes de... O meu motivo
para leitura é que eu quero sempre me interar mais das coisas para ensinar os meus alunos, educar minha filha, então eu tenho bons motivos para ler. O que importa mais, cara, é a motivação. Só que motivação, quando a gente fala assim, parece um papo de coach, né, porque a galera fala, ah, motivação parece que é aplaudir o sol, agradecer as árvores, não. Motivação é ter um motivo para a ação, cara, eu tenho certeza que se a sua família estivesse passando fome, você teria um belo motivo, não é estar feliz,
O mesmo puto, você teria um belo motivo para fazer alguma coisa e resolver o problema. É um motivo para a ação. Tem muita gente que para de fumar um vício de 30, 40 anos porque teve filho. É um motivo. Parou, não quero que fume. Então é um motivo para a minha ação de parar de fumar. Não foi a disciplina. Você tem que encontrar um motivo para a ação. Inclusive, cara, olha que louco. Recentemente eu li um ensaio, está até aqui, da Susan Wolff, que é uma filósofa, sobre o sentido da vida.
E é muito louco, porque para os filósofos, pelo menos nesse sentido da filosofia,
pelo menos para a vertente de filosofia analítica, que é uma vertente principalmente da Inglaterra e tal, que tenta ser mais racional e tenta ter um rigor argumentativo maior e ter uma clareza conceitual melhor. Para essa galera, o sentido da vida já foi resolvido. Qual é o sentido da vida? Pois é. Quando eu descobri isso, eu mandei mensagem para um amigo meu, filósofo, e falei, por que vocês não falavam para nós, cara? Qual é? É que a resposta é uma resposta que não é o que a gente espera que seja.
O sentido da vida e papapá. O sentido da vida para essa galera, e já parece ter sido um debate esgotado para eles, para essa vertente específica, o sentido da vida é você ter engajamento subjetivo numa atividade de valor objetiva. O que significa isso? Tem que ter os dois. A vida só tem sentido ser e somente ser você se engajar subjetivamente numa atividade de valor. O que significa isso? Vou explicar.
Essa atividade pode ser traficante, você gosta de ser traficante, você curte ser traficante. Tua vida talvez não tenha tanto sentido, não seja uma vida significativa. Agora, o mesmo acontece se você, sei lá, se você for bombeiro, é uma entrega de valor muito grande ser bombeiro, um médico ou um professor. Mas se você não gosta daquilo ali, talvez tua vida não tenha tanto sentido. Agora, se você faz uma parada que você gosta, tem envolvimento subjetivo, e aquilo traz valor de alguma maneira para a sociedade,
você encontrou o sentido da sua vida. É uma resposta meio broxante, porque aí você vai ter que procurar o teu sentido. A gente não consegue dar uma fórmula pra todo mundo. Só que o que aconteceu depois disso, o debate é empírico. Como que a gente se engaja numa atividade? Como é que eu me motivo a me engajar em algo? E qual atividade vai ser essa? Como é que eu acho essa atividade? Aí entra toda a psicologia, as neurociências, etc, etc. Pra você, por exemplo, ter uma vontade
de fazer alguma coisa, sabe, ter aquela gana de fazer algo, você vai ter que encontrar a sua motivação para isso e você vai ter que ter um corpo minimamente adequado em dia, adequado não, mas em dia, em termos de fisiologia mesmo, para que isso se sustente. Lembre-se, os seus pensamentos, as suas emoções, etc. Vem do seu corpo, são produtos da atividade de células no seu cérebro. Se você que está aí assistindo não tem um corpo que pelo menos você tenta
pelo num linear saudável mínimo, mesmo você tendo o sentido da vida para você, você gosta de ser advogado e é uma atividade de valor para a sociedade, você gosta de ser um caixa de supermercado e é uma atividade de valor para a sociedade, mesmo nesse cenário, se você tiver, digamos que mal fisiologicamente, vai ser muito difícil sustentar esse fluxo, esse flow de atividade. É por isso que sempre que a gente fala,
Pelo menos sempre que eu falo de atividade, motivação, disciplina, cara, a disciplina e todo esse resto, ela é a pontinha do iceberg, sabe? A grande bolota, importante mesmo, é você saber o que você curte fazer, o que você gosta de fazer, e essa atividade tem que ter algum valor para a sociedade. Ponto. Talvez se você goste muito de cortar a grama com uma tesoura,
árvore. Cara, você pode gostar muito de fazer isso, mas talvez não seja uma atividade de muito valor para a sociedade. Não sei se tua vida vai ter tanto sentido. Você tem que encontrar uma parada que você curta e que você agregue valor de alguma forma. A questão é, nós vivemos tão no automatismo, a gente tem uma via canônica tão definida, ensino fundamental, infantil fundamental, médio, cursinho, vestibular, aí você entra numa empresa, você vira júnior, não sei o que, pleno A, pleno não sei o que,
quando você vê, quando você resolveu a parada ali, você tá com 60 anos, 65, 55 anos com a saúde destruída, e você nem parou pra pensar se aquela parada que você gosta, alguns vão... Outra coisa bizarra, a gente escolher a graduação com 17 anos, 18, a gente nem sabe quem é com 17 anos, cara. Com 17 anos o cara nem sabe direito que gosta, que quer fazer, tá ligado? Aí depois você se descobre lá com 27, você escolheu o curso errado, mas aí tem que fazer uma transição de carreira, mas aí como é que eu vou fazer uma transição de carreira se eu investir tanto
tempo estou pagando meu FIES, sabe? Eu acho que a galera tinha que parar um pouco, pensar na parada, o que gosta, o que vai agregar, se precisar mudar de rota, mudar, porque é isso que no final vai manter essa chama acesa. Mas isso é uma construção de 1900. Quando você pega a galera lá, o método de ensino, vamos pensar assim, o currículo das escolas até hoje, ele é praticamente o mesmo que o meu avô fez. Então, tipo assim, quando a galera vivia até 40 anos, você pensar que você
começar aos 20 e poucos como um profissional, fazia sentido, sabe? Você ia ter metade da sua vida ali na sua formação e depois a outra metade pra concluir como um profissional, que você vivia até 40, 50 anos, né? Hoje, você pega uma galera que vai viver até 80, talvez até 100 na próxima geração e ela ainda tá tendo que fazer a decisão aos 17, que é como se ela fosse viver só mais, como se ela já estivesse na metade da vida dela, o que não é uma realidade mais, entendeu? Mas aí entra um outro problema, tá?
O que você faz com alguém, vamos pensar aí, dos 16 até 30 anos? Que é um problema, que a gente fala que é essa nova geração, sabe? Que não se decide, que também não tem, sei lá, anseios, não tem desejos. Porque quando você é jovem, tudo é vibrante. Você quer muita coisa, você quer experimentar as coisas. Depois de um tempo, não. É meio natural você perder o entusiasmo. E aí você cai num dilema cruel que talvez nem a filosofia vá.
decifrar novamente. Falando de neuroplasticidade, a hora que você estava falando aí, que você falou que um neurônio se conecta com outro ali, é a sinapse muito louca. Quando a gente fala de super habilidades de uma pessoa que tem, por exemplo, eles falam um QI maior, como que funciona? Eles já vêm com vários bracinhos interligados ali, já que parece que eles se comunicam muito mais intensamente? Boa. Acho que o paradigma, não sei se ainda é aceito, faz tempo que eu não estudo isso, tá?
uma besteira aqui e peço que os neuropsicólogos aí me corrigem. Eu acho que o paradigma das inteligências
Você já deve ter ouvido falar das múltiplas inteligências, né? Pois é, parece que esse não é uma boa forma de definir inteligência. Acho que hoje o mais bem aceito é a inteligência fluida e a inteligência cristalizada. Você já ouviu falar disso? Parece que já, mas me dá... Inteligência fluida é basicamente a capacidade que você tem de resolver problemas novos, sem ter tido um contato prévio com aquilo.
cristalizada é o quanto de conhecimento você acumulou durante a sua vida. Então, a tendência é que, durante a sua vida, a inteligência cristalizada aumente, porque você vai ter mais contato com coisas, né? E a fluida decaia, porque o seu cérebro vai, inevitavelmente, começar a funcionar um pouco menos durante a velhice. Se você sempre se manteve ativo, ele vai demorar mais, digamos assim, para ter uma decaída. E se você se manteve muito sedentário cognitivamente, ele vai decair mais cedo. O cara que tem altas habilidades, né?
Provavelmente, confesso que é uma área que eu não me... Autismo, cara, e altas habilidades, eu não me meto muito, porque é um universo, outro universo. Lucelmo Lacerda, é o cara. É, Lucelmo no autismo, ele vai muito bem. Acho que foi até ele que falou sobre isso com a gente mesmo. É, é um universo muito grande. Mas eu suporia que essas pessoas vêm ali com uma estrutura de conexão em algumas regiões específicas do cérebro
uma inteligência fluida melhor, e com isso permite que elas adquiram mais conhecimento cristalizado, talvez. Mas não sei, não é uma área que eu domino, cara. Wesley, a gente falou de neuroplasticidade, neurotransmissores, hormônios, todas as variações que pode formar uma pessoa e uma personalidade. Com tudo isso aí, você acredita em livre-arbítrio? Não, não acredito.
Não acredito. É. Pois é. A gente foi predestinado. Cara, que assim, esse é um tema que eu falei, acho que no podcast do Fermento, sem groselha, eu acho, né? E viralizou um monte de corte. A galera me cancelou. Principalmente o pessoal religioso, né? Sério, mano? Não, não, não. Não tem problema. Cara, o Rodrigo, pode perguntar alguma coisa. Não, agora é a hora dele explicar o que a galera não entendeu. Não, eu ligo zero, cara. Pode me perguntar qualquer coisa.
Super tranquilo. Já passou essa fase que eu tinha medo de... Tô cagando. O que acontece? Quando você entende como que o cérebro funciona, fica um pouco difícil você encontrar no cérebro aonde que o livre-arbítrio está. Por quê? As decisões que você toma hoje, elas são produto do que aconteceu ontem com você, ontem, da sua cultura, das suas experiências passadas, do nível de açúcar que você tem no sangue,
sangue, do nível de glicose, do nível de cortisol que você tem, da sua neuroplasticidade dos últimos meses. Tudo isso faz com que você tome a decisão que você está tomando nesse exato momento. Eu não sei no cérebro aonde que estaria o arbítrio, onde é que ele habita. Eu nunca vi alguém demonstrar. Porque para ter livre-arbítrio, você teria que ter um neurônio que dispara um potencial de ação, ou seja, ele entre aspas liga,
sido influenciado por outros neurônios que, em última análise, foram influenciadas pela genética e pelo ambiente. Qual que é esse neurônio que primeiro disparou? E quem fez ele disparar? Teria que ser o arbítrio, né? O seu eu, talvez. Não, não sei. A gente não tem essa evidência. A gente tem evidências do inverso. A gente tem evidências que você toma consciência do que decidiu milissegundos depois do seu cérebro já ter decidido.
E aí tem uma série de críticos a esse estudo famoso que foi publicado, do apertar o botão,
botão, eles dizem, mas isso é só apertar um botão. Eles viram que existiu um aumento do potencial de atividade dos neurônios olhados por EEG num trabalho, num experimento específico que envolvia escolher apertar um dos botões, antes do cara verbalizar que escolheu aquele botão. Aí a galera fala, pô, mas isso é um experimento muito pobre e tal, mas eles refizeram isso com o cara pulando de bug jump. Se isso é uma decisão... Porque eles falam, não, a decisão de apertar um botão é uma coisa muito simples, isso não...
Então, um botão não é importante. Então, pode ser que o cérebro tenha decidido no automático e tal. Beleza, eles levaram um cara a pular de bungee jumping no capacete de eletrodos e viram que ocorre a mesma coisa. Além disso, a gente tem um monte de evidências fragmentadas mostrando que, cara, se você pega uma sala e você deixa com odor ruim, as pessoas tendem a ter mais opiniões conservadoras sobre casamento homossexual. Juízes dos Estados Unidos tendem a ser mais punitivistas quando estão com fome.
Se você botar um par de olho, se você bota um gosto ruim na sua boca, enquanto você toma uma decisão moral, você tende a ter uma decisão mais severa, porque o seu cérebro meio que mistura o gosto ruim da boca com a decisão moral ser pior. O que a gente mais sabe é que parece que o nosso cérebro é influenciado por um milhão de eventos que a gente não consegue predizer, mas que ocorrem.
previsão do tempo, a gente não sabe o que vai acontecer na previsão do tempo daqui a um ano na cidade de Florianópolis, no bairro da UFSC, mas os fatores que vão determinar se vai chover, tá sol e etc, eles já existem, a gente só não consegue calcular, mas não vai ter um fator novo, são fatores que já existem e que vão trabalhar durante esse período para que isso aconteça. A gente ser imprevisível, o nosso comportamento é imprevisível, eu não nego isso,
Mas ser imprevisível não significa que não seja determinado. De novo, a ação do clima é imprevisível, mas ele é determinado. Inclusive, quanto mais próximos estamos do dia, melhor os cálculos dos computadores conseguem ser e mais precisas as previsões são. E também eu perguntaria para os defensores do livre-arbítrio, se nós temos livre-arbítrio, por que um cara com depressão não deixa de ter depressão? Por que um cara que sofre por um término de namoro,
não para de sofrer? Por que que o cara que fuma, cara? Porra, a vida é um inferno do cara. O cara botou um catéter no coração, depois um... Que é um negócio pior que esse. Por que que ele não usa o livre-arbítrio dele e fala, vou parar de fumar? Aí você fala, pô, mas tem gente que para. Ok, essa pessoa teve uma história de vida que permitiu que ela tivesse um nível de consciência via genética, e aí tem uma série de... É que são tantas variáveis que é muito difícil você explicar o porquê que um para e um não para. Fato é que se existisse
livre-arbítrio, todos paradinho. Todos tomam a decisão ali de parar. Alguns conseguem, outros não. Mas acho que parte de uma decisão. Então, mas o livre-arbítrio, eu entendo e a gente já falou sobre isso aqui, que ninguém, na verdade, fez uma escolha absoluta. A escolha é sempre fundamentada com uma base moral, religiosa, enfim. Existe uma influência, ou seja,
Na verdade, você não escolheu o que você queria. Você foi direcionado para essa escolha. O que, teoricamente, impede o livre-arbítrio. O livre-arbítrio seria uma escolha sem interferência nenhuma. Eu acho que o grupo de pessoas mais comum hoje são os que você está caracterizando. A gente chama eles de compatibilistas. Você tem livre-arbítrio, mas não nega que é influenciado por outros fatores. Mas o outro ponto é, por diversas vezes, e eu vou falar por mim,
Eu tinha uma escolha que, pela minha moral, pela minha conduta, por tudo, e a minha escolha era óbvia. Tipo assim, não, isso aqui que eu tenho que fazer. E mesmo assim, eu fui contra a minha intuição e segui um outro caminho. Isso não seria o livre-arbítrio? Entende que eu fui contra todas as percepções, contra tudo que eu queria. Eu fui contra mim mesmo. Mas às vezes o fato de... Mas se você foi contra você mesmo, quem que tomou essa decisão? Uai, o anjo indo malar que começa a minha casa.
Você entende? Porque pra mim a escolha era essa. Eu vi e falei assim, mano, eu vou me fuder. Eu vou me fuder e vou fazer essa merda. A sua decisão de ir contra a sua decisão é porque você em algum momento no passado fez isso ou porque você não fez isso e se ferrou e agora vai decidir fazer isso. Entende? Você pode mudar de opinião, você pode ter opiniões contraditórias, você pode se arrepender de algo que você decidiu e voltar atrás
mesmo assim, isso não necessariamente implica na existência do livre-arbítrio. Hoje, eu acho que pouca gente defende o livre-arbítrio puro. Acho que a grande parte das pessoas defende que a gente tem algum arbítrio, mas as nossas... É muito difícil um cara defender que a cultura e os hormônios, etc., não influenciam o comportamento. Quase não existe mais. E existe a galera que, que é o meu caso, que acha que não existe livre-arbítrio. Entendi. É tipo assim, é porque existe uma coisa que a gente, às vezes,
coloca na equação, que seria o subconsciente, que são arquivos que estão ali dentro que a gente nem sabe que existem. Mas é que o subconsciente tem neurônios do seu cérebro. Então, influenciando as suas decisões. Mas daí quem que ligou esses neurônios? O fato de agir por instinto não seria livre-arbítrio. Mas o instinto é... É mais ainda. A questão é, se existe livre-arbítrio, aonde que ele está? Quem dispara o primeiro neurônio que influenciou toda a
a cascata de comportamento, porque todos os neurônios que a gente tem são influenciados por nível de açúcar no sangue, nível de neurotransmissores, atividade genética, interação com o ambiente, história passada, todas as informações que você teve e os aprendizados. Essa é a minha grande pergunta. Onde está o agente que causou o comportamento que não seja um agente ambiental e não seja influenciado com genética e hormônios em neurotransmissores? Cadê o arbítrio? Como é que ele estimula a cascata de neurotransmissores?
Transmissores para eu pegar essa xícara e decidir tomar um café. Matamos o livre-arbítrio. É. Mas, cara, esse é um assunto... É muito doido, muito doido falar sobre isso. Quando você parte para essa parte de entendimento da mente humana, das escolhas ou não, enfim, dos sofrimentos que a pessoa tem ou não, você cai naquele mundo de que, quanto mais você sabe, realmente é o mínimo que você pode ter, porque é tão grande, tão vasto,
O conhecimento meio que é isso, né? Quanto mais você tem de conhecimento, mais você percebe que você não sabe nada. Sim. E isso de alguma forma te deixa mais ansioso pra querer alguma coisa? Ou você começa em um momento a pensar assim, mano, eu só vou fazer mais um pouco porque eu nunca vou saber tudo? Cara, eu já fiquei mais ansioso. Até uma época meio deprê, assim, sabe? Dei meu doutorado, daí eu fiquei meio, puta, cara, o que eu vou fazer?
Consegui me aposentar financeiramente, porque eu guardei todo o dinheiro que eu ganhei na minha vida. Eu morava num apartamento de 3 mil reais o aluguel, ganhando muita grana com as minhas aulas e palestras. E fui investindo, investindo, investindo. Acho que vocês sabem que aí no Brasil é bonde. O Brasil, historicamente, teve ótimos governos para pessoas com dinheiro. Tratam muito bem isso. Até hoje é assim. Você consegue viver bem de renda. Vende bastante o investimento na renda fixa e tal.
tempo pra estudar. E aí eu gerei um... Eu fiquei meio... Eu sei que é meio estranho falar isso, né? Parece que o cara é, sei lá, folgado demais, mas eu fiquei meio perdido, assim. Pô, o que eu faço, cara? Onde é que eu vou? Pra que lado eu vou agora? Até que eu descobri um livro chamado Tribos Morais, do Joshua Green, que é um livro fantástico, que explica todo o cenário político mundial, brasileiro especialmente. Depois a gente pode conversar mais, se vocês tiverem interesse, acho que vale a pena. É um assunto bem legal que eu não falei em lugar nenhum.
E dentro desses tribos morais, o autor apresentou uma ideia chamada de utilitarismo, que é uma vertente da ética, da filosofia ética e filosofia moral, que tenta explicar como nós deveríamos viver. Basicamente é isso que eles tentam fazer. Utilitarismo, eu fui atrás de novos livros dessa vertente, aí eu descobri que começou no século XIX, na Inglaterra, com o Jeremy Bentham, depois veio o John Stuart Mill, que influenciou bastante o utilitarismo, depois vieram uma série de outros autores, Sidgwick.
Dá pra ver, dá pra ver. Essa aqui? Aham, aham. Ah, legal. Essa pilha aqui é tudo livro de... Sobre utilitarismo. E aí eu descobri, utilitarismo, basicamente, cara, ele... O objetivo do utilitarismo é você gerar o máximo de bem-estar possível na sociedade para o máximo de pessoas possíveis. Então, o comportamento, ele é correto na medida em que ele aumenta o bem-estar do máximo de pessoas possíveis. E é muito louco. Eu vou falar isso aqui pela primeira vez, cara.
meio que abrir aqui uma intimidade minha, tá? Eu não acredito em Deus, não. Eu não tenho religião. E por muito tempo eu invejei muito as pessoas que acreditam em Deus. E eu não tenho religião, cara, mas não tenho nada contra religião, tá? O meu pai é meio que um ajudante de padre, acho que ministro, alguma coisa assim da igreja. Eu comprei uma casa dele no lado da igreja. Ele é diálogo, né? Não, é o que ajuda a celebrar a missa.
Não, é ministro, ministro. Não, ele pode fazer casamento e pode ver lá a galera. Então é diálogo, é diálogo. É, rapaz, é.
Já é uma responsa lá em cima. Ele fez faculdade, três anos do bagulho e tal. E a vida dele é essa, cara. A vida do meu pai é igreja. Aí eu falei, não, vou comprar uma casa no lado de uma igreja pra você. Pra você não precisar nem pegar carro pra ir pra tua igreja. Agora eu levei ele pro Vaticano, cara. Ele viu o papo, chorou um monte. Ficou facilizão. Foi a viagem da vida dele. Então eu não tenho nada contra a religião, só pra deixar claro, tá?
Mas eu sempre me invejei assim, cara. Falei, pô, parece que a galera tem algo que eu não tenho, cara.
um sistema de regras, um jeito de viver, uma coisa que pauta eles. Eu nunca tive, sempre ficou essa bola, esse espaço na minha vida. Nunca foi problema para mim, fui levando. Mas quando eu descobri a filosofia utilitarista, meio que preencheu esse espaço. Agora, de certa forma, eu sei o que eu devo fazer para ter uma vida moralmente correta. Muita gente usa religião como bússola moral. Eu, no caso, encontrei essa bússola moral no utilitarismo. Depois a gente pode falar mais de utilitarismo, se vocês quiserem.
Vamos falar demais. E a partir disso, eu comecei a estudar bastante filosofia, filosofia analítica especificamente, tem essa divisão entre analítica e continental, aqui no Brasil a gente estuda mais filosofia continental, então esses autores, além de talvez o Joe Stuart Mill e o Jeremy Bentham, seja o que a gente mais conhece, mas tem uma série de outros que foram até mais importantes que a gente não conhece tanto. E isso, respondendo a sua pergunta, Robertinho, isso meio que tirou aquela ansiedade, falei, pô, eu não sabia mais o que estudar de neurociência, cara, tinha muita coisa para estudar, mas eu não tinha tanto interesse mais,
mais porque eu já tinha compreendido mais ou menos como funciona o cérebro para onde que eu vou agora aí na psicologia me sentia meio perdido também é aí eu caí na utilitarismo e ele meio que me deu um norte sabe E aí hoje eu hoje meio que eu tenho uma missão mais clara na minha vida assim que é tentar ajudar o máximo de pessoas eu já vinha um pouco fazendo isso mas agora tá claro o porquê tá mais claro o motivo para a ação tá mais para até reativei meu canal do YouTube
tempo atrás pra voltar a produzir conteúdo no meu canal mesmo, só tava fazendo podcast, postando corte, porque me veio mais essa vontade de ajudar as pessoas. Então foi basicamente isso. Então, utilitarismo é conseguir ajudar o máximo de pessoas, mas isso não tem a ver com o governo, isso tem a ver com pessoas. Também tem a ver com o governo. O governo deveria tomar decisões utilitaristas. 100%? Qual que é a função do Estado, basicamente? A gente tem pessoas com interesses infinitos e recursos finitos.
O Estado, teoricamente, deveria fazer uma mediação razoável disso. Então, se a gente tem um milhão de reais e a gente sabe que alocar esse um milhão de reais numa escola, provavelmente vai aumentar mais o bem-estar do mundo do que dá iPhone para juiz. Aonde vocês acham que o Estado deveria alocar esse dinheiro? Na escola, com certeza. Entendeu? A lógica é mais ou menos essa. O utilitarismo começou com o Jeremy Bentham, que foi um cara que era muito
amigo do pai do John Stuart Mill. Vocês devem conhecer muito o Stuart Mill pela sua defesa da liberdade, os caras devem citar muito aí, né? Mas o John Stuart Mill foi um grande filósofo utilitarista e isso permitiu, como o Jeremy Bentham conhecia o pai dele, ele desde cedo teve contato com o utilitarismo, ele refinou a teoria original do Jeremy Bentham e depois veio um outro grande filósofo chamado Sidgwick, Henry Sidgwick, até eu comprei a biografia dele pra ler,
Henry Sidgwick. Porra, você lê que você é uma bíblia, hein, mano? Esse cara aqui, ele foi realmente o grande acadêmico utilitarista, quase ninguém conhece. Na época do Mill, o Mill já escreveu um tratado sobre a sujeição das mulheres, dizendo que ele não queria registrar a mulher dele como propriedade, como se registrava na época, porque pra ele não tinha sentido nenhum. E o Henry Sidgwick foi o primeiro cara a criar um curso pra mulheres, se não me engano, na Universidade de Oxford, que na época não aceitava
mulheres. Então, o utilitarismo, cara, ele parte de um pressuposto de que o bem-estar de todo mundo pesa igual e nós temos que tomar decisões públicas e privadas que levem em consideração a igualdade do bem-estar de todos. Então, o bem-estar de uma pessoa não vale mais do que o bem-estar de outra pessoa, independentemente da cor, do sexo, do estado socioeconômico e etc. E a partir disso, as nossas decisões públicas e privadas deveriam ser
de aumentar o bem-estar do máximo das pessoas que vão ser afetadas por o nosso comportamento. Mas ele sempre favorece o bem-estar da maioria, no caso. Sempre. Sempre pela maioria. É, por exemplo, se você... Aí vem as objeções, né? Vou dar um exemplo. Se você... Você deve estar pensando, pô, então se a gente espancar em praça pública com chicote uma pessoa para outras mil pessoas receberem 20 mil reais, será que isso seria uma decisão utilitarista? Porque mais pessoas,
vão se beneficiar, em troca de uma só. A resposta dos autores é que não, porque se você espancar uma pessoa em praça pública, isso vai gerar um temor social tão grande que vai piorar o bem-estar da sociedade, na verdade. E como que é definido essa questão do que é bom pra sociedade? As pessoas querem ser felizes. A resposta do utilitarista é simples. As pessoas querem ter prazeres, serem felizes, conseguir
conseguir realizar as suas preferências e não querem sentir dor. O objetivo é sempre a busca pela felicidade, respeitando o que é bom para a maioria. Isso, e não causando dor. Eu entendo uma parte da visão do cabeleiro que está tendo e onde ele quer chegar. E talvez o ponto principal seja esse. É porque quando a gente fala o bem para a maioria da sociedade, é porque a gente enxerga a sociedade como uma entidade só, um único ser, sem divisões.
sociedade, em tese, ele teria que ser uma sociedade só, sem diferenças. Isso seria uma sociedade perfeita, sem essas distinções, que é o que você falou, sem diferença de cor, raça, classe social. É o bem para uma sociedade em comum. Então, esse é o bem. O que é bom para um pode ser bom para todos. Esse seria, não é? Lembra-se da regra máxima. Os interesses de cada pessoa contam iguais. Então, se você tem
uma pessoa que não faz parte do que chama, não é pra maioria da sociedade, é pra maioria dos envolvidos naquela decisão. Entendo. E considerando que essa decisão não vai causar um medo generalizado em todo mundo. Um exemplo é o da praça pública, mas podemos ter outro, sei lá. Então eu vou agora tomar uma decisão que a gente vai extinguir um grupo de pessoas só porque existem dez dessas pessoas, pra as outras ficarem felizes. Não, se você extinguir um grupo de pessoas, todos os outros não vão ter garantia alguma que não vão extinguir aquele outro grupo. Pode ser o próximo grupo. O próximo menor
grupo pode ser o próximo a ser eliminado. Exato, e gera um pânico na sociedade inteira. Então o utilitarista parte de um princípio que você tem que buscar o aumento de felicidade global do máximo de pessoas possíveis sem causar esse medo. Se você tomar uma decisão dessa magnitude, dessas proporções, você vai causar um medo social geral. E aí a única última coisa que você está fazendo é aumentar o bem-estar da sociedade. É uma filosofia bacana, mas por que você acha que ela tirou de você esse desconforto
você tinha com a religião, por não acreditar em Deus, por não participar de algo. Era meio que preencher um vazio, porque eu sempre agi de acordo com as minhas inclinações morais, mas eu nunca tive uma pessoa que me explicasse o porquê. Algo pra chamar de seu, né? É, tipo alguma coisa que fechasse na minha cabeça a ideia. Porque, veja que interessante, eu, olhando pra trás, cara, muitas das minhas decisões foram decisões utilitaristas.
eu nunca sabia, eu nunca soube que eram utilitaristas. E aí quando eu descobri que eram, eu fui mais atrás e isso me permitiu abrir um leque maior de possibilidades. Vou dar um exemplo. Eu sempre doei pontualmente, doei dinheiro para instituições, principalmente para instituições envolvidas em cuidar animais de rua, cachorro, gato, tal, maltratados na rua. Quando eu li um artigo de um filósofo utilitarista, que é meio que entendido como o John Stuart Mill do nosso tempo, está vivo ainda, chama Peter Singer,
Vou tirar meu gato daqui, pessoal, desculpa. Beleza, beleza. Eu vi ele participando aí já. O Peter Singer é um filósofo utilitarista que publicou um artigo em 1975, 1973, que chama Fome, Riqueza e Moralidade. E basicamente nesse artigo ele argumenta que você conseguir diminuir a dor do mundo sem sacrificar algo de importância relevante,
fazê-lo, você está tendo uma decisão imoral. Você está sendo imoral. E aí ele dá um exemplo, ele faz um experimento mental da criança e do lago. Digamos que o Rodrigão está indo gravar o podcast e ele passa por um lago e tem uma criança se afogando. Mas você está usando uma roupa de 300 reais. Ou foi ali na beca no dia do podcast. Você pularia no lago salvar a criança mesmo que envolvesse destruir a tua roupa. Acredito que todo mundo faria isso.
Mas por que você não doa 300 reais para uma instituição que pode comprar um mosquito?
inteiro e impedir a disseminação de malária numa escola em algum país da África. Porque as pessoas não estão em contato direto com essa situação. Mas a vida dessas pessoas não vale menos por isso. Claro, com certeza. É um viés cognitivo que impede a gente de doar nessa circunstância. O argumento do autor é muito claro. Ele fala que se você tem grana e não sobrando, e não doa pra salvar vidas, você tá sendo imoral. Ponto.
Mesmo crianças distantes que você não conhece, etc. Seria o equivalente para ele de você não doar para as crianças, seria o equivalente para o autor de você passar pela criança do lago, chegar no seu trabalho e falar, eu vi uma criança afogando, mas não pulei para não estragar meu terno. Tenho certeza que todo mundo abominaria você. Mas ninguém abomina você por você não doar os 300 reais. Então, isso, cara, me mexeu muito comigo.
Eu falei, cara, eu consigo diminuir a dor do mundo sem me prejudicar. Isso não significa que eu doei todo o meu dinheiro.
Não significa que eu dou quantidades estratosféricas. Porque para você ser um bom utilitarista, você tem que ser um utilitarista que dure no tempo. É muito melhor você doar 30 reais hoje do que você doar 3 mil reais hoje e nunca mais doar. É muito melhor você doar 30 reais hoje e ficar doando por 50 anos do que você doar mil reais hoje e nunca mais doar. Não existe um utilitarismo perfeito no seu estilo de vida. Você não vai fazer um cálculo de cada decisão,
o maior benefício, a consequência dessa decisão para a sociedade, esse cálculo não é feito no dia a dia. O utilitarismo, ter uma vida ética é muito parecido com fazer dieta. Você não vai conseguir fazer a dieta perfeita, mas isso não significa que você vai esculhambar sempre. Então, essa lógica de pensar mudou muito na minha cabeça. Eu percebo que eu sou uma pessoa muito mais positiva para a sociedade hoje, depois que eu tive contato com essa filosofia.
Conheceu outros utilitaristas? Oi? Conheceu outros utilitaristas? Só um. Só um só? Aqui no Brasil? É, meu amigo Vitor. Se classifica sim, né? Porque existem vários que são, igual você falou, que já são... É, que não sabe, exatamente. E nem sabe que são. É o cara que tem depressão, nem sabe que tem. É o cara que tem insônia, não sabe. Você acha que dá? Você acha que dá? Não, eu tenho certeza que dá. Mas você tem a intenção, por exemplo, de ensinar isso para outras pessoas? Talvez para os filhos? Sim.
Fiz aula já para a minha comunidade também. E aí tem várias objeções que são levantadas. Uma delas é, pô, mas eu vou doar, os caras vão roubar meu dinheiro na Zong e tal. E esse cara, o Peter Singer, ele criou um instituto chamado The Life You Can Save, A Vida Que Você Pode Salvar, que parte de um pressuposto do que ele chama de altruísmo eficaz. É você entender como você pode utilizar um dólar da melhor maneira possível para aumentar o máximo de bem-estar possível. Então, por exemplo, eu dou para uma instituição da África que dá marmita,
numa escola para crianças carentes. E a gente sabe que nutrição nessa idade é muito importante para o desenvolvimento do cérebro, só que elas não chegam lá e dão a marmita, porque tem evidências científicas e eles partem do pressuposto, eles partem de evidências para fazer o altruísmo, não é de qualquer maneira, e eles viram, eles coletaram evidências mostrando que se a família não tem uma coparticipação mínima que seja, eles não levam tanto em consideração as doações. Então o que eles fizeram lá?
a marmita, o dinheiro para a criança, e eles botam o dinheiro numa pulseirinha, é bem engraçado, a criança usa uma pulseirinha de borracha, daí eles carregam a grana na pulseirinha, a criança só pode pagar comprando a marmita, não pode gastar em outra coisa.
Mas a família tem que colocar um pouquinho que seja, mesmo a família sendo muito miserável, mesmo que seja um centavo, para doer um pouquinho na família, porque eles viram que assim eles valorizam muito mais uma adesão muito maior a esse plano de alimentação. Então a criança recebe dinheiro na pulseira, porque eles também viram, através de evidências, que isso cria uma noção de finanças pessoais para a criança desde pequeno. Em vez de você dar a marmita para ela de qualquer jeito, ela tem que ver ali o dinheiro descansado,
diminuindo, ela tem noção, daí tem pratos um pouquinho mais caros e um pouquinho mais baratos, todos são muito baratos, mas alguns com diferença de valor para a criança deliberar se hoje ela vai comer o mais caro ou ela vai preferir o mais barato. Então esse altruísmo, que chamo de altruísmo eficaz, é uma das formas da gente fazer doações de forma eficiente. Diferente de você doar para um grupo que às vezes piora o bem-estar da sociedade.
E eu fiz aulas respondendo a sua pergunta, fiz aulas sobre isso, deixei a instituição, a aula ainda acho que não foi ao ar, mas deixei a instituição lá para os meus
alunos que quiserem também fazer uma doação. E eu fiquei muito feliz, porque quando eu expliquei isso nos meus stories, primeiro que um monte de gente acho que zoou, né, o cara doar e tal, acho que não é uma coisa muito, sei lá, normal, mas muita gente, cara, falando, pô, eu queria doar um pouco mais e me dar uma instituição aí que eu possa confiar em fazer as doações e tal. Enfim, foi isso, minha história com a filosofia utilitarista. Mas eu conheci naquele livro Tribos Morais, foi o primeiro contato,
tive depois, eu fui atrás dos caras. Bacana, cara. O pessoal perguntou de novo o nome do livro aí, do livro que você tá lendo agora. Pode mostrar de novo o livro que você tá lendo agora? Esse aqui não vale a pena ler, cara. É biografia do Cid. Biografia não vale a pena. É, leio o Tribos Moraes. E o cara fez trem pra caramba. Esse aí teve uma vida ativa, porque o livro dessa grossura. O cara fez história realmente. Ou é assim, quando na universidade você trabalhou com camundongos, né? Sim.
Já ouviu daquela pesquisa Universo 25, já ouviu falar? Que o cara faz uma sociedade com ratos e dá alimentos em abundância pra eles. Eu não sei se isso é verdade ou não. Qual que é a parada? Universo 25. Ele cria uma sociedade de ratos comandongos, né? E aí ele dá alimento em abundância, dá água em abundância, vida boa pra eles lá e a sociedade vai crescendo, crescendo, crescendo, crescendo.
que começa, sabe, declinar. Eles têm tudo ali disponível e tipo, ah, de repente o rato tá comendo filhote e aí a sociedade só vai diminuindo, diminuindo, diminuindo e morrendo. Olha só. É, eu queria só perguntar. Não, nunca... Mas a gente tá, né, cara? No mundo a gente tá com uma previsão de declínio populacional, né? Por conta do fato de a gente tá tendo pouco filho, né?
A gente está tendo muito pouco filho. Tirando países da África, principalmente no norte da África, são países muçulmanos que têm bastante filho. E países do Oriente Médio, o resto do mundo, acho que não está tendo filho suficiente para repor o casal. A gente precisa de 2.1, né? Precisa de 2.1 filho por casal para repor o casal, os dois, e mais um, em média, para os casais que decidem não ter filhos, ou se o filho morre. A gente reverteu. Não reverteu, não.
Eles retiraram a lei do filho único, né? Porque tinha a lei do filho único, mas ainda é um problema lá. É, o que eu ia falar é que ela reverteu a lei que tinha, né? Porque ela tinha a lei de um filho. Não era uma lei, né? Era um incentivo pra você só poder ter um filho lá. E ela reverteu isso. Agora, ela dá o estímulo pra você ter vários. Porque ela também não tá tendo efetividade nisso aí, né? É porque é cultural, né, cara? Virou cultural, tem pouco filho. E aí é difícil você ter uma pressão governamental,
que mexe numa parada que é cultural. É, mas conversando com as pessoas de lá, isso é muito interessante, assim, o governo tem tentado fazer algo, mas ele não consegue ter efetividade, sabe? Por exemplo, ah, ele pegou e falou, vou reduzir a idade do casamento. Antes tinha que casar, podia só partir de 21, ele colocou partir dos 18 anos, pode casar. Mudou alguma coisa? Não, não mudou nada, né? Aí ele pegou e subiu o preço dos preservativos. Você tá lá em
uma camisinha, é 70, 80 reais uma camisinha. Caro pra caralho, né? Resolveu alguma coisa? Não, não resolveu. O pessoal começou a ter mais IST lá, rolando, assim, e lá é liberado o aborto, né? Eu conversei com um cara lá que se relacionou com a menina e ele... a menina que ele se relacionou já tinha feito 4 abortos já, que era só chegar no hospital, pedir pra fazer e tira na hora lá, sabe? E falando com a população, a população fala, cara, o problema é que a vida é cara.
A gente precisa ter uma vida mais barata, né? Por exemplo, escola lá é gratuita, mas a população pede que a creche também seja gratuita, que a creche é uma parte muito cara da educação, né? E o governo não consegue reverter isso aí. Não é isso, né, cara? O tempo, que você tem que ter energia pra um filho, tem coisas que... É difícil o governo conseguir mexer mesmo tendo muito poder. Se é cultural não ter e parece que é assim no mundo todo, vai ser difícil. A Itália acho que tá em 1.1 por...
casal, o Japão também. Então, a tendência é ter uma diminuição geral, assim, da população. E você que tá muito rico, você planeja ter uns 5, 6 filhos? Ah, eu penso em ter uns 10, 12 já pra repor da galera aí que não tá querendo tempo. Pessoal do chá aí. Não, mano, é sério. Tipo assim, eu tenho 3 e o Robertinho tem 3, né? Cara, se eu tivesse muita grana, velho, muita grana, eu tinha uns 8 aí, fácil, velho.
trouxe e tasse também, lógico, né? Mas fácil. Não, mas é assim, eu acho que o que pega... Lógico que, porra, é o fator financeiro. É fundamental pra você criar da estrutura. Você sabe que, pô, pra um menino aqui, não é tão difícil você colocar um moleque aí no mundo. É até um prazer. Você vai ali, porra, nasceu um molequinho. Isso foi um prazer. Mas a estrutura pra você dar pra ele tudo que ele precisa pra ele ser um cidadão de bem e ter futuro, isso é muito caro. E além de caro, tem o ponto
principal, que é o que você falou, é a demanda de tempo, de interesse, que você tem que dedicar pra ele, porque, pô, vou pagar tudo pro meu filho ali, beleza, mas e a relação, sabe, paterno, amor, porque tem estudos que mostram que crianças cresceram sem amparo materno, paterno, cara, não é só alimentação e escola. Não, tá louco. É o afetivo que você tem que ter com elas, e isso é foda. É, a mulher também, né, cara, a mulher às vezes quer trabalhar, fazer as paradas dela, fazer os correm, e quando vai ter filho lá pelos
38, 35 já é mais difícil. Também tem uma questão cultural, né? Difícil, cara. Não sei como é que isso vai ser resolvido, não. Boa. Pô, velho. Obrigado. Tem superchat aí? Podemos ler o superchat? Lógico. Fica à vontade, hein? Tá, faz a pergunta enquanto eu separo aqui. Tem LivePix aqui também. Boa. Wesley, beleza? E aí? Eu não sei se você já estudou sobre isso, mas eu queria te fazer uma pergunta por causa de um amigo meu. Ele tem uma doença rara que chama
Inclusive, é o Robertinho que tem essa doença. Tem algum estudo, por exemplo, ele foi no médico, o médico deu um remédio pra falar assim, ó, fica acordado, né? Pra não dar problema. Mas ele não tem um tratamento? Você sabe se isso a longo prazo ele pode ter algum problema? Como ele não tem um sono profundo e tal? Cara, eu nunca estudei narcolepsia de forma profunda.
devendo essa resposta. Robertinho foi mal aí, cara, mas eu preferi não falar bobagem aqui. Mas, assim, pra galera entender, a narcolepsia é uma doença, eles tratam ela como uma doença do sono. Tem mesmo narcolepsia? Sim, é uma doença rara. E descobriu aqui no podcast, conversando com o neuro aqui na mesa aqui, falou, vai lá que eu quero olhar você. E a resposta que você deu não é diferente da resposta de vários especialistas. Eu falo de um neurologista mesmo,
alguém que lida diretamente com o caso, porque por ser uma doença rara, não existem estudos, você não tem espécimes para que seja aprofundada algum tipo de tratamento, sabe? É o que você falou. Quando tem uma situação de estresse, numa guerra, por exemplo, alguém com capacidade vai lá e faz um estudo bacana, porque você tem uma grande quantidade de pessoas para que você consiga fazer um resultado final sobre isso. No caso dessa doença, como é realmente rara, você não consegue grupo de estudo para isso.
quase que resposta nenhuma pra ela. Não é que você não estudou profundamente, é que nem existem estudos, sabe, robustos pra que alguém se debruce sobre eles. É, e você não encontra por aí, né? Não acha, é, não acha. Por aí, transtorno de insônia, os clássicos. Esse tem, porque tem muita gente que vive e aí vai um fator também que é triste, enfim, mas é real, tá? É um grupo pequeno, é uma doença rara, então é um grupo pequeno de pessoas, entendeu?
Não tem interesse, por exemplo, da industrial farmacêutica investir em pesquisa, em estudos sobre isso, porque não vai dar retorno. Meio que isso é geral para qualquer doença rara. Quem tem uma doença rara, às vezes de um grau de sofrimento muito maior do que o meu, vai viver com essa doença e com sofrimento, porque financeiramente não compensa alguém investir tempo para isso. Mas valeu, hein, Pedro. Obrigado, hein. Foi boa. Vai, né, que não custa, né.
Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu gostaria muito que tivesse uma parte destinada aos neurodivergentes no reservatório de dopamina para que a gente pudesse aprender a conviver com isso. Eu fui diagnosticado com superdotação e com PDAH. E eu sinto que é como se eu fosse um canhoto, só que do cérebro, do comportamento. O mundo inteiro é voltado para um tipo de pessoa. Então como é que eu lido com isso se eu tenho essas vontades de me matar e não consigo fazer nada do que eu quero porque eu não consigo modular o mundo para se adaptar para mim? Como que eu lido com isso?
Como eu disse, neurodivergência não é uma área que eu estudei. Autismo e neurodivergência são áreas bem complexas, é uma literatura muito particular, diferente de você estudar transtorno de ansiedade, transtornos depressivos, que tem uma sobreposição muito grande, até mesmo na neurobiologia desses transtornos, os neurodivergentes, superdotação, autosabilidades e autismo é uma área totalmente além do que eu já estudei.
é você buscar ajuda especializada. Pra quem não sabe, eu tenho uma clínica com 110 psicólogos, quatro psiquiatras, nutricionistas, e eu sei que tem uma galera ali que a especialidade é atender pessoas com neurodivergência. Então, talvez você pesquisar, tá lá no link da minha bio, Clínica BeHealth, você pode clicar lá. Mas a gente vai andar com isso no RD, já é um pedido há bastante tempo que a galera tem, a gente vai encontrar alguma pessoa pra fazer esse
módulo sim, com certeza. Por enquanto eu tenho podcast, acho que tem dois episódios do meu podcast sobre altas habilidades, neurodivergência, talvez já possa ser um caminho lá pra você. Boa. Eu só queria saber uma coisa, tipo assim, ele falou da neurociência de forma geral, né, que ele não se encaixa. Como que você vê o futuro da neurociência aí, tipo assim, pra educação? Ela vai interferir na educação de forma direta? Neurodivergência você fala? Não, da neurociência mesmo, dos estudos que tem,
entender como que o cérebro funciona. Vai mudar a educação? Porque a gente falou da educação também, que ela não muda, sabe? O cara com 17 anos tem que decidir, enfim. Caminha alguma coisa pra mudar na educação? Ou entrar, de alguma forma, os estudos que vocês têm na educação? Cara, como eu disse, acho que vocês lembram da explicação que eu fiz sobre as abordagens da maioria dos profissionais de psicologia do Brasil serem abordagens que não têm tanto respaldo científico, né? Na educação,
Eu acho que isso é umas três vezes pior. Cara, na educação brasileira, o Lucel não pode falar muito disso pra vocês também. Te perguntei pra fazer esse cara neurodivergente, entendeu? A gente teria, com a neurociência talvez, capacidade de entender melhor dentro da educação. Tem boas intervenções psicopedagógicas, não só pra ele, mas pra indisciplina na escola, pra chegar no horário, etc. Métodos de ensino, só que, de novo, como a
Pedagogia, psicologia, ciências humanas em geral foi muito influenciada por autores que desprezavam, e talvez essa seja a palavra correta, os achados científicos, achavam que eram coisas do capitalismo, que eram coisas autoritárias, que eram instituições que queriam colocar sujeitos à margem da sociedade, impondo uma verdade superior, etc, etc. A gente importou muito esse modo de pensar e isso acabou se proliferando dentro dos cursos de pedagogia.
pedagogia, psicologia e outros cursos das ciências humanas, impedindo que a gente criasse ferramentas ou adotasse as ferramentas internacionais, não só na área da saúde mental, como na área da educação também. E o mais louco e triste é que existem essas ferramentas, cara. A gente sabe, por exemplo, o método de alfabetização usado no Brasil é o método mais ineficaz que a gente tem, que é o método global. O mais eficiente é o método fônico.
A gente não utiliza. E quando você pergunta o porquê que isso aconteceu lá no passado, é sempre esses discursos de que,
o método global faz a criança enxergar o mundo de uma forma mais holística e o método fônico é muito robô e não sei o que, não é, cara, as várias e várias e várias e várias e meta-análise de meta-análise que são estudos, uma meta-análise é uma análise de vários estudos aí tem uma meta-análise das meta-análises com um consenso científico gigantesco mostrando que o método fônico é tipo três vezes melhor que o global e a gente usa o método errado por conta dessas influências que a gente teve lá no passado
decretos até interiais do Dom Pedro II, que gostava muito dos acadêmicos da França, e que hoje se perpetuam até agora. E é uma pena, cara, se vocês chamarem o Lucelmo pra falar de educação, vocês vão ver, tá muito do buraco. Na verdade, a pedagogia no Brasil, ela foi colocada num pedestal e santificada, né, ninguém pode criticar. Me permite aqui, Rodrigo, pra não ser injusto. E aí tem uma outra questão, cara, que é como é que o professor vai ser motivado,
um salário muitas vezes parcelado em alguns estados. Sabe, o aluno, se o professor bate o pé com ele, ele fura o pneu do carro do professor em algumas escolas públicas. Fura a barreira do professor, mano. Então, salário baixo. Sabe, cara, aí a aprovação automática, que eu acho que eu vi até uma vez debatendo, a galera debatendo, acho que era o Jones debatendo com alguém. A aprovação automática é uma baita ideia, uma bela ideia.
Só que no Brasil foi implementada de forma muito errada, porque a gente não tem estrutura para implementar.
Faz sentido você no contraturno ter ciclos para um aluno refazer uma disciplina em vez de fazer perder o ano todo. Faz sentido. Só que no Brasil a gente não tem essa estrutura, cara, porque no contraturno o aluno está trabalhando. Você só faz a progressão continuada, né? E você não treinou os professores para fazer isso, cara, e você não tem essa estrutura toda, não. Inclusive tem artigo científico publicado por pesquisadores brasileiros com análises do Brasil,
mostrando que a aprovação automática do Brasil não funciona. Não funciona. Então, cara, a gente, o problema da educação, acho que seria legal um dia a gente fazer um podcast, vou me convidar aqui, eu e o Celmo, cara. Fechado, então. Baita papo. Tu topa? Topa? Sobre educação. Eu topo. Sobre educação. Então fechou, então. Cara, eu acho que seria um baita papo, porque é um debate que não está sendo feito. Ninguém fala sobre educação.
Mas, já passou aquela época da reforma do ensino médio, que era uma pauta de todo mundo. É muito pouco falado sobre educação.
e acho que é um dos maiores buracos que a gente tá metido, cara. É muito difícil mesmo. E você tocou num ponto importantíssimo. Outra coisa que o Brasil é recorde é no afastamento de professores por questão de saúde mental, né, cara? Todo dia eu acho que mais de 100 professores no estado de São Paulo são afastados da escola por questão de saúde mental, cara. Eu acho que bate o da polícia, sabe? Você vê a situação da polícia que o país é violento e tudo mais. Eu acho que tem mais afastamento de professor do que o de policial.
da Gogeta era um problemão, muitos professores são vítimas, não estou culpando eles, assim como muitos profissionais da psicologia são vítimas de um sistema que ensinou eles errado, ensinou mal, negligenciou muitos achados que a gente tem hoje, sabe? Então, pô... Vou falar com o Luciano hoje, hein? Nossa! Põe o outro live pix aí, Pedrão.
lembra das coisas depois que leio porque isso acontece. Perdão a ignorante.
Espero que tenha sido legal. Foi foda pra caralho, velho. Foi muito foda. Tem algum mito sobre a dopamina aí que a gente sabia que tem que ser desmistificado? Cara, quando eu comecei a falar em 2021 de dopamina, a galera achava muito que dopamina gera prazer. Sim. Mas hoje a gente já sabe, acho que boa parte da internet sabe disso por minha causa, a dopamina gera, na verdade, motivação, não gera prazer. É que a motivação às vezes é prazerosa, mas você pode...
Se você pega um rato, por exemplo, e você depleto os neurônios dopaminérgicos do rato, ele não tem dopamina nas vias principais ali. E você dá uma comida açucarada ou uma água, uma bebida açucarada ou uma água para esse rato, ele vai preferir mais a bebida açucarada, indicando que ele sente prazer, mesmo sem dopamina. Agora, se você bota a bebida açucarada a um palmo dele, ele não caminha para buscar a bebida açucarada. Então ele não tem motivação para ir lá buscar.
expectativa do que necessariamente você sentir prazer. Acho que esse é um grande mito que a galera... Caraca. Quiser te seguir? Redes sociais? Eslen.delanogari no Instagram e no YouTube. Agora voltei a produzir conteúdo no meu canal principal. Eslen Delanogari e o meu podcast, Eslen Podcast. Pô, cara, no canal principal estão muito massa os reacts, viu, velho? Muito massa mesmo. Parabéns. Eu vi um react que você fez do Luigi, um da Senhorita Bira. Muito massa mesmo, cara.
Se quiser fazer react do Três Irmãos, tá autorizado. A gente não dá strike. Não dá strike, que é... Nosso conteúdo é público e liberado pra todos. Agradecer o parceiro desse canal também, que é a Coruja Concursos. Se você tem um interesse em emprestar um concurso, mudar de vida, ganhar um bom salário aí, receita federal, receita estadual. É, meu irmão, dá uma estabilidade boa demais, até porque
Os caras têm os melhores professores dentro da plataforma. Acompanham passo a passo aí até você passar, Albertinho. Guruja Concursos. Cara, e olha aqui, só para você entender. A gente falou aqui sobre dificuldades, depressão, capacidade de crescimento, sinergia dos neurônios ali. Cara, tem gente que ganha uma grana e hoje está optando por prestar um concurso público. Precisa também ter qualidade de vida, sabe? É o que a gente falou. Estabilidade, né, Albertinho?
tranquilidade no meio que você convive, isso te dá uma dopamina do caramba, mano. Você tem motivação pra acordar e lá trabalhar. A guru já é a melhor ferramenta pra isso. Sem dúvida. Ézinho, obrigado mais uma vez, irmão. Foi foda pra caralho. Valeu, galera. Obrigado pelo convite. Valeu demais. Comenta aí o que vocês acharam, dá o like e até amanhã com o Mauro Matosinho. Vixe, o cara que carregava o povo lá do PCC, do Banco Master, do INSS. Vários políticos.
Domingo tem também? Domingo tem também. Domingo, Thiago Santinelli, aqui no Três Irmãos. Verdade, domingo, Thiago Santinelli, à tarde, aqui no Três Irmãos. Você falou da igreja lá? É. É, ele mesmo. Valeu, Wesley, brigadão. Valeu, galera. Valeu, galera. Fui.