URÂNIO, ORMUZ E PETRÓLEO EM CRISE | O IRÃ VAI SE TORNAR UMA POTÊNCIA NUCLEAR? | Os Economistas 220
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O Brasil saiu do conflito no Oriente Médio com o cofre cheio.Enquanto o mundo acompanhava em pânico a escalada da guerra no Irã, o petróleo disparando para US$ 150 e o estreito de Ormuz no centro do tabuleiro, o Brasil fazia algo que ninguém esperava: o real se valorizou, o dólar caiu para R$ 4,92 e mais de R$ 63 bilhões em fluxo estrangeiro entraram na bolsa só até abril. Mais que o dobro de todo o ano passado.Coincidência? Longe disso.Neste episódio 220 d'Os Economistas, recebemos Ruy Alves, da Kinea Investimentos, para destrinchar por que o Brasil se tornou o grande beneficiário geopolítico do choque de petróleo, o que muda na sua carteira a partir de agora e quais setores devem capturar a maior parte desse fluxo nos próximos meses.Discutimos:. Por que o Brasil é o emergente que mais ganha com o choque de termos de troca. Onde o petróleo deve se estabilizar no médio prazo (e a tese de US$ 70 estrutural). O efeito segunda ordem em alumínio, fertilizantes e cadeias agrícolas. A nova escassez do mundo: capacidade computacional, energia e data centers. Por que tokens são o novo petróleo digital. O que o ciclo de corte da Selic abre para utilities, distribuição de combustíveis e small caps.
O risco do Brent superar US$ 150 e o que isso faria com o BRL. Como o IPCA de 4,56% pode surpreender pra baixo se o real seguir forte. O cenário do Fed com Kevin Warsh e a sucessão de Powell. Onde estão as melhores oportunidades em juros globais (Suécia, Nova Zelândia, yuan)SIGA O PESSOAL: Ricardo Figueiredo: @ricardo.fiisEvandro Medeiros: @oevandromedeirosOtávio Magalhães / Guepardo: @guepardoinvestimentos
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Muito boa tarde, senhoras e senhores. Todos bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio do Podcast Os Economistas. Para você que não me conhece, eu sou o Ricardo Figueiredo, sou sócio do Grupo Primo, especialista em fundos imobiliários, divido bancada com o meu amigo e também sócio aqui no Grupo, Felipe Arraes. Um prazer, pessoal. Para quem não me conhece, sou o Felipe Arraes, também sou sócio aqui do Grupo Primo, encarregado pela análise de investimentos internacionais da FinClas.
E hoje temos aqui um assunto muito bom para falar, né, Henrique? Pô, o pessoal já viu...
Natambi, nosso convidado. Nosso convidado não é surpresa, já esteve conosco outras vezes, sempre nos brindando com papo de altíssimo nível, sempre aula. O papo de hoje será com Rui Alves, mas antes de apresentar Rui Alves para quem ainda não o conhece, preciso deixar um recado importantíssimo para você e eu quero te fazer uma pergunta super honesta, se você já parou para pensar, porque tanta gente deseja trabalhar com o mercado financeiro. Né?
Não é só por glamour, é porque é um dos pouquíssimos setores no Brasil em que você ainda consegue entrar sem necessariamente ser apadrinhado, sem ser herança, sem sobrenome conhecido e ainda assim ter uma progressão de carreira, conseguir multiplicar sua renda.
Bem, se você quiser aproveitar isso para a sua vida profissional, a hora da virada é agora. No Grupo Primo a gente vai apadrinhar nessa jornada. O nome do nosso projeto é A Nova Carreira. São dois dias em São Paulo com mais de 6 mil pessoas querendo a mesma coisa que você entrar no mercado financeiro de verdade, construir carreira. A gente está falando de uma turma que já está aqui conosco, aproveitou isso em outras edições.
E já tem remuneração em dois dígitos, esperando os 15, 20 mil, 30 mil. Já tem uma galera que bateu os 50 mil por mês. É, estou sabendo, estou sabendo. Nesses dois dias, você vai sair com clareza de qual área do mercado financeiro faz sentido para você, como é que as pessoas fizeram esta progressão, porque não é do dia para a noite que você chega nessa remuneração, mas como é que essas pessoas fizeram essa progressão para chegar nessa remuneração, em um plano concreto.
Nesses dois dias, a gente está falando de uma sexta e um sábado. Então, já na segunda-feira, você já vai poder iniciar esse projeto. Olha quem vai estar no palco, dividindo experiência com você. Tiago Negro, fundador do Grupo Primo, maior educador financeiro do Brasil, Bruno Perini.
do Você Mais Rico, um dos investidores mais influentes do Brasil, Gustavo Cerbasi, quem não conhece Gustavo Cerbasi, autor de mais de 16 livros, mais de 3 milhões de exemplares vendidos, e mais uma galera super vitoriosa no mercado. Tá certo? 18 e 19 de setembro, ginásio do Ibirapuera. A gente vai lá também, né? A gente vai estar prestigiando o evento. Vamos estar lá, conversando com a galera. Link tá na descrição, o QR Code na tela, não vacila, condição super especial nesse lote.
que está inaugurado. Espero você na nova carreira. Vamos lá agora. Vamos aqui apresentar o nosso convidado, que não é a primeira vez que está conosco, como você falou, sempre uma aula. A gente fica até ansioso para trazer o Rui de novo para conversar com a gente. Mas para quem não conhece Rui ainda, deixa eu apresentar. Rui Alves, sócio da Quineia e gestor das estratégias de multimercados. Antes disso, construiu o grande parte da sua carreira em Londres.
Retornou ao Brasil para atuar na JGP. Possui mestrado em finanças pela London Business School.
além de especializações em finanças pela LBS e pelo INSEAD. Rui também foi professor de finanças do IBIMEC e hoje é um dos rostos mais conhecidos da Quineia, sempre gerando conteúdo, Quineia Insights, participando ativamente das cartas. Um prazer recebê-lo aqui conosco novamente, Rui. Prazer enorme estar aqui com vocês, adoro o grupo de vocês e adoro o vibe de estar aqui no Alphaville com vocês.
Legal, e te chamamos para falar de um assunto interessante, polêmico, né? Com idas e vindas, esse assunto do conflito geopolítico no Oriente Médio, parece aquela coisa de festa junina, né? É mentira, abriu, fechou, olha a cobra. E as pessoas ficam com muita ansiedade, a gente percebe isso pelas perguntas dos nossos assinantes.
Então, para colocar a bola ao centro e a gente introduzir, eu vou fazer uma relação com a analogia que vocês trouxeram na carta de vocês, com o filme A Chegada, sobre aquela moça que tenta interpretar a linguagem dos alienígenas. Então, eu queria introduzir para você trazer o conflito para a mesa, falar um pouquinho sobre o que está acontecendo, o que a gente pode esperar. Vamos introduzir o assunto, porque tem muitos vieses para a gente abordar ao longo do nosso papo aqui, Rui.
Eu acho interessante, eu tenho aquela coisa do Scott Fitzgerald, eu venho aqui normalmente não para dizer algo, mas quando tem algo a dizer, várias vezes a gente diz, ah Rui vem conversar, eu não tenho nada a dizer nesse momento, mas agora eu acho que tem alguma coisa interessante a ser dita, justamente pelo que você falou da ansiedade, as pessoas estão ansiosas com essa guerra.
não só investidores, mas pessoas estão ansiosas, eu acho que deveriam estar sim, eu acho que tem muita coisa em jogo na mesa, a gente vai discutir por quê. E eu queria trazer um pouco do contexto histórico, de como a gente chegou até aqui, porque para entender o que vai acontecer com essa guerra...
que não é uma guerra, na verdade é um conflito. Não é uma guerra, é um conflito. Essa guerra é um capítulo de um livro grande. Se você não leu o começo do livro e chegou na metade do livro e tenta entender o que está acontecendo no capítulo 16, você não viu a introdução. Então você tem que ver a série original para entender como é que esses personagens chegaram até aqui e por que é tão complicada essa situação no momento.
Deixa eu contar essa história, porque é uma história nuclear, no final das contas. A gente está vivendo esse conflito por questões nucleares, que são questões até maiores do que os Estados Unidos, o Irã e Israel propriamente dito. Mas a coisa interessante é o seguinte, a gente fez essa guerra, a guerra sempre é a maneira de você atingir um objetivo por meio militar, você pode atingir pela diplomacia, mas você vai atingir por meio militar, e a gente começou esse processo... Obrigado.
depois da Segunda Guerra Mundial. Teve a Segunda Guerra Mundial e depois da Segunda Guerra Mundial o mundo foi dividido ali entre União Soviética e Estados Unidos e o Irã caiu para o lado de cá.
O Irã era um regime que, na verdade, tinha suporte norte-americano. E dentro desse suporte norte-americano, existia ali no governo norte-americano, na época, uma proposta que se chamava Átomos pela Paz. E Átomos pela Paz, Atomos for Peace, e Átomos pela Paz era um processo que os Estados Unidos exportavam tecnologia nuclear para outros países. E o Irã foi um país beneficiado pela proposta norte-americana nos anos 50.
de receber a tecnologia nuclear para fazer a primeira usina nuclear deles. Naquela época, a intenção energética. Era uma intenção energética para o Irã. Mas quando você tem acesso a essa tecnologia, você treina pessoas nessa tecnologia.
você começa a se introduzir a fatos como enriquecimento de urânio, lidar com urânio, uma indústria, uma usina nuclear, para quem não sabe, dependendo do desenho dela, ela vai acabar gerando muito plutônio. Plutônio, você pode fazer armas nucleares também. Então, mesmo que você não tenha o urânio enriquecido, o plutônio pode ser usado para bomba nuclear. Lembra as bombas do Japão? A primeira era de urânio, mas a segunda era de plutônio. A de Nagasaki era de plutônio.
Então você começa a se familiarizar com a energia nuclear e vê só como é a vida. A gente hoje tem essa guerra e no capítulo 1 a guerra, na verdade, ela nasce da tecnologia americana sendo transferida para o Irã.
O que acontece depois, essa parte da história que a maioria das pessoas conhece, é que o regime do Shah cai. Vale dizer, não era um regime popular, um regime sustentado pelo Ocidente, mas foi um regime que se tornou extremamente impopular no Irã e caiu com a Revolução Islâmica.
do Khomeini. E aí você deixa o Irã passar a ser inimigo. E passando a ser inimigo já com uma capacidade nuclear instalada dentro do Irã. Isso na década de 70, ali? Isso foi em 79. A primeira crise do petróleo em 73, a segunda crise do petróleo em 79, foi gerada pela Revolução Islâmica do Irã, que logo depois culminou na Guerra Irã e Iraque. A gente passou um tempo difícil no Oriente Médio. Teve a Revolução Islâmica da Al-Sadr-Russeí, pensou assim, o Irã está fraco, vou invadir o Irã.
Então você teve a Revolução Islâmica, a Guerra Irã-Iraque, foi um período difícil ali no Estreito de Hormuz, aquele período no Golfo Pérsico inteiro foi muito difícil.
Mas daí, olha só, do lado do Irã, a gente já sabe hoje, tem o Paquistão, que está negociando o acordo de paz. Tem o mediador. O mediador do acordo de paz. E o Paquistão, ele logicamente tem a Índia do lado e que quer se tornar, queria se tornar uma potência nuclear. Mas o Paquistão também busca a bomba nuclear.
E buscando como é que o Paquistão consegue a bomba nuclear dele. Essa história por si já é uma história interessantíssima. Existia uma pessoa que trabalhava em energia nuclear na Europa.
e migra de volta para o Paquistão. É o Khan. E esse cara, ele começa, faz de uma maneira extremamente inteligente, ele começa a importar materiais para o Paquistão, em que pode ser usado com várias finalidades, mas uma das coisas que você pode usar esse material todo é para fazer centrífugas nucleares, as famosas centrífugas que a gente discute até hoje no Irã.
Você tem o problema lá de Fordot, das centrífugas, dos bombardeios das centrífugas. Essas centrífugas foram uma tecnologia desenvolvida pelo Paquistão e que gradualmente essa tecnologia permeou o Irã, o país que faz a fronteira dos países islâmicos, então permeou a tecnologia. O Irã começou a ter centrífugas dentro dele.
E chegou a um ponto que o Irã tinha muito urânio e muita centrífuga. Isso a gente está falando do século XXI. O Ocidente acorda para o fato que o Irã está cheio de centrífuga e cheio de urânio. Leva muito tempo para você enriquecer urânio do zero para alguma coisa útil, por exemplo, uma usina nuclear, 3%, uma coisa assim.
Mas o Ocidente acorda e diz assim, cara, se eu deixar esses caras soltos, eu estou falando do começo do século XXI, estou falando de 2010, 2012, se eu deixar esses caras soltos, esses caras vão chegar gradualmente numa bomba nuclear.
e eu tenho que sentar e eu tenho que conversar com esses caras. E, na verdade, ali começa a relação dos Estados Unidos, enquanto tentando cercear o Irã de conseguir uma bomba atômica, e a situação atual. O que você tem nessa situação? Você chega depois de anos de negociação, isso não é um processo simples, você fala na chegada da nossa carta,
Está ali no blog da Quineia, a gente fala muito isso, você tem que interpretar a linguagem dos alienígenas. Para não deixar virar um conflito desnecessário por falta de comunicação, que é a analogia que vocês usam. Exatamente, que é a analogia da chegada. Na chegada, os chineses queriam atacar as naves alienígenas porque não conseguiam se comunicar com as naves alienígenas.
Então, é aquela frase máxima do Klaus Evich, que se tornou muito popular agora nos meios, mas do On War, que diz a guerra é a diplomacia por outros meios. Então, deu-se uma chance à diplomacia. Eu vou sentar e vou negociar diplomaticamente com o Irã o quanto que o Irã pode enriquecer e o quanto que o Irã pode ter de urânio. Esse acordo se chamou GCPOA, que foi celebrado em 2015.
como pelo presidente Obama, ainda no cargo. E nesse acordo o Irã só podia enriquecer urânio abaixo de 4%. Deixa eu falar esses números que são importantes. Para fazer alguma coisa com uma usina nuclear, você não precisa de muito mais. Você não precisa de mais do que isso. Nada interessante acontece depois disso.
Mas para fazer uma bomba nuclear, você precisa de 90% de enriquecimento. É um gap grande. O que você usa para fins pacíficos e o que você usa para o fim militar. Então eu disse para o Irã assim, você pode enriquecer contando que seja para níveis de fins pacíficos.
e você pode manter um estoque de urânio enriquecível pequeno. As duas limitações são dadas ao Irã. Acontece que o Irã começa a seguir esse protocolo de centrífugas, enriquecimento, quantidade de urânio, mas, ao mesmo tempo, o Irã vai desenvolvendo um programa de mísseis balísticos não desprezíveis. A gente vive nessa guerra um programa de mísseis balísticos não desprezíveis. E eu vou discutir com vocês e vou apresentar para vocês logo.
Por que que míssel sempre vem junto com urânio? Existe uma razão em que quem desenvolve urânio quer desenvolver míssel, a gente vai entender logo, logo.
Então, o que acontece? Chega em 2018, o presidente Trump chega ao poder, o primeiro mandato do presidente Trump, ele olha para aquele acordo e diz assim, olha, eu não estou satisfeito com esse acordo. Não estou satisfeito com esse acordo porque você tem um programa de míssil balístico que está descontrolado e você tem um programa de enriquecimento aqui que eu não gosto. Ele pode a qualquer momento não ser supervisionado corretamente e gerar uma situação de enriquecimento que vai dar problema. Então, eu vou rasgar esse acordo.
Eu vou botar sanções pesadas e vou rasgar esse acordo. Bom, se você rasgou o acordo, eu acho que o que acontece depois disso é razoavelmente fácil de entender. Se eu estou sancionado e você rasgou o acordo comigo, eu vou começar a enriquecer o dano loucamente. Eu estou sem acordo. E você está me sancionando, eu vou buscar. Tipo assim, coloca do lado do alienígena. Sim, perfeito.
O Irã, ele olha para um lado, olha para o outro e diz assim, cara, tem esses caras aqui do lado do Paquistão, eles também são islâmicos, eles têm um inimigo dele natural, que é a Índia. Cara, mas não é que ninguém ataca esses caras, né? Ninguém invadiu esses caras, né? Aí ele olha para a Coreia do Norte e diz assim, tem o cara ali da Coreia do Norte também, um páreo no meio. Ninguém mexe com eles também. Ninguém mexe com esse cara.
Para mim, todo ano vem alguém bombardear, vem alguém botar sanção. Aí o meu vizinho aqui, que é o Iraque, os caras passaram por cima de tudo. O Afeganistão, que é do outro lado aqui, os caras também.
Tem uma razão que ninguém mexe com o Paquistão, e é logicamente fato que o Paquistão tem uma bomba atômica. Em qualquer conflito, qualquer negociação, você tem que tentar entender o que está do lado, o que está na cabeça das duas pessoas, dos dois lados.
porque todo mundo sempre acha que está do lado certo. Eu não conheci nunca ninguém, nunca num debate que eu tive, numa negociação que eu tive, eu nunca conheci um cara do outro lado que dissesse assim para mim, não, Rui, eu estou do lado errado dessa negociação, você está certo. Não, é sempre, você tem que tentar chegar num lugar comum, porque as duas pessoas sempre pensam que estão do lado certo. Eu dou aquele exemplo do filme do Tarantino, eu já dei esse exemplo algumas vezes.
em que o personagem principal, que era feito pelo Christopher Waltz, que fazia um nazista, quem não viu esse filme em Glorios, Bastardos em Glorios tem que ver esse filme, um dos melhores filmes do Tarantino, um dos melhores filmes já feitos, com Brad Pitt e o Christopher Waltz, em que entrevistam ele depois do filme, e dizem assim, você fez um nazista, um cara mau, de onde você tirou essa maldade toda para interpretar esse cara? Daí ele disse assim, eu nunca pensei que eu era um cara mau.
Depois que você vê no filme, você até entende o discurso dele. Eu achava que eu era o cara que estava fazendo o trabalho de um oficial militar alemão. E aquele era o meu trabalho naquele momento. Você vê, até o nazista, na cabeça dele, até o ator que estava fazendo, pensava naquele momento que estava do lado certo da história. É o que eu sempre brinco. Todo mundo pensa assim, se eu estivesse na Alemanha naquela hora, eu não era o nazista, eu era a Óbhica Schindler.
Eu ia salvar Anne Frank. Não, não. O sistema faz você pensar que você está certo, mesmo você estando errado. Então você tem que pensar dos dois lados o que cada lado está querendo nessa negociação. No Irã, ele está querendo uma coisa óbvia, ele está querendo defesa. Ele está criando uma situação em que ele possa perpetuar a situação de poder que ele tem naquele momento.
Então o Irã começa a enriquecer, enriquecer o urânio. E chegou ao ponto, foi aí que a gente vem para o ponto de 2024, 2025, que foi o conflito do ano passado, em que o Irã, percebe-se que o Irã enriqueceu a 60%. Eu falei que 90% era bomba.
60% ele tinha 400 quilos de urânio 400 quilos de urânio a 90% você pode fazer de 10 a 20 bombas é bastante bomba aí num momento a gente tem que fazer alguma coisa com relação a isso
E falhando a via diplomática, você foi lá e bombardeou Natan, Fordomo, bombardeou os centros de produção de urânio, de enriquecimento de urânio do Irã. Como consequência, ninguém sabe onde está esse urânio. É verdade que ninguém sabe onde está esse urânio hoje.
Você bombardeou, você não sabe se foi retirado de lá, quando foi retirado de lá, para onde foi levado, em que lugares do país esse urânio está, ninguém sabe nesse momento. E, logicamente, você pensa do lado do Irã, você tem que pensar que você está lidando com pessoas inteligentes. Aliás, um dos principais problemas que a gente teve nesse conflito inteiro é achar que os iranianos são menos inteligentes que a gente. E talvez, até o que a gente tenha visto nessa negociação recentemente, é que a gente está lidando com pessoas extremamente inteligentes do outro lado.
nunca subestime o seu inimigo, nunca, jamais. E talvez a gente tenha subestimado, o Ocidente tenha subestimado a capacidade do Irã. Então, olha só, você faz aquele bombardeio naquele momento e você volta novamente para a mesa de negociação.
Em 2026, você tinha o seguinte dilema de Klausiewicz. Eu volto para uma guerra ou eu negocio para tirar esse urânio de lá ou para diluir aquele urânio. E aí a gente vai ficar o dito pelo não dito, que a gente nunca vai saber exatamente o que estava sendo negociado. A gente nunca vai saber os detalhes. Nunca vai saber o que aconteceu dentro da sala fechada na negociação. Mas a gente sabe da consequência. A gente começou um conflito.
Uma guerra, um ataque. Vamos chamar aquilo de um capítulo novo, que foi uma nova batalha em que a gente lutou com o Irã nos últimos 60 dias.
É impossível você pensar essa batalha desconectada de um contexto que vem desde a Revolução Islâmica de 1979, de um mundo que se tornou um mundo nuclear, com novos parceiros nucleares, Índia, Paquistão, além dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. Mas você teve Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel não assume, mas todo mundo assume que Israel também é uma potência nuclear.
então não dá para tirar desse contexto quais são as questões que estão aqui e é importante a gente considerar isso porque a gente não sabe como é que se desenvolve a partir daqui, mas se a gente souber as condições iniciais as condições iniciais e como controlar elas daqui por diante a gente pode ter uma ideia de como essa negociação vai se desenvolver se na negociação de pouco tempo a gente ainda vai passar
Eu acho que há alguns anos negociando com o Irã exatamente onde a gente quer chegar nesse processo. Não estou dizendo que a gente vai estar em batalha, estou dizendo que a gente vai passar muito tempo negociando essa situação, porque não se tornou uma situação trivial. Faustevitz, voltando a ele, diz assim, a guerra é a continuação da diplomacia para outros meios. Para você fazer uma guerra, você tem que ter objetivos de guerra. Você tem que saber exatamente o que você está objetivando naquela guerra.
E eu acho que qualquer Estado que seja, ele tem uma coisa chamada o Estado Profundo, Deep State. O Trump chegou lá agora. O Rubio chegou lá no poder como secretário de Estado agora. O Hegset, que é o...
O secretário de guerra dos Estados Unidos chegou ali agora, mas tem gente no Pentágono, tem gente no exército americano que está ali há 30, 40 anos e vai dizer para você assim, olha, eu já estou aqui há 30, 40 anos. Eu sei que você acabou de chegar. Eu sei o que você está querendo fazer. Deixa eu mostrar para você o que dá e o que não dá para fazer. Da mesma maneira, quando você troca o presidente do Banco Central brasileiro, chega o Galípolo. O Galípolo nunca foi presidente do Banco Central. Você vai chegar ali.
Você precisa de um deep state, você precisa da pessoa que está ali trabalhando no Banco Central, funcionário de carreira, de 20, 30 anos, quando você diz assim, eu estava pensando em fazer assim, ele diz assim, presidente, deixa eu te dizer, eu já tive aqui o Tom Bini, o Roberto Campos Neto, eu já tive diversas pessoas aqui, eles também tentaram isso, mas deixa eu te dizer o que deu errado, o que deu certo, o que eu acho que dá para fazer, o que eu acho que dá para fazer.
A decisão final é sua, a democracia, os representantes eleitos, o que eu acho que é uma democracia,
Trump é o representante eleito da população, ele determina seus secretários, eles têm o poder final, a palavra final, como representantes eleitos, mas o Deep State vai te dizer o que é possível e o que não é possível ser feito. Então, dentro dessa negociação, entrando na guerra dos Estados Unidos, eu tenho certeza que alguém do Deep State chegou para o presidente norte-americano e disse assim, olha, qual é o seu objetivo de guerra e eu te digo o que é possível fazer, o que não é possível fazer.
Então, assume-se que o objetivo de guerra era você dissuadir o Irã de se tornar uma potência nuclear. Assume-se que seja isso. Mas como outros objetivos de guerra, para você atingir esse objetivo final, você diz assim, eu quero uma troca de governo, eu quero limitar a capacidade balística do Irã. Já já eu vou dizer porquê, porque é tão importante limitar essa capacidade balística. E eu gostaria de, dentro de uma mudança de governo e tirar o Irã do caminho nuclear,
depois, com o novo governo, reintegrar o Irã dos moldes da sociedade do Golfo. Vamos colocar dessa maneira. O que foi mal pensado? Isso tudo falando com conhecimento de causa a posteriori. A priori, famoso de obra pronta. Não estou aqui dizendo nenhuma supervisão, simplesmente um dinheiro de obra pronta. Porque eu, pessoalmente, imaginava, antes, quando começou o primeiro ataque, que existia um plano para a Ormuz.
Existia um plano para manter o Hormuz aberto. Eu pensei, a tecnologia moderna, com o sistema EGES, o sistema de defesa. Se Israel consegue manter um domo seguro sobre o seu território, eu imaginei que, de alguma maneira, a tecnologia... Porque todo mundo já estudou Hormuz e sabia. As pessoas fazem jogos de guerra.
Em jogos de guerra, você faz simulações de como essa guerra termina normalmente. E a guerra do Irã sempre terminava com o Irã, fechando o muxo. Se as pessoas, assumindo que eu estou falando com um deep state racional, se você começou esse conflito, você tem alguma solução para o mundo. E vendeu-se o plano do comboio, vendeu-se o plano da defesa anti-mísseis. A verdade é que não havia um plano muito bem definido.
E como você não conseguiu decapitar o regime que era a ideia inicial, tem coisas, eu digo, essa profissão é uma profissão de eternos estudos. Você nunca consegue, você está aprendendo a cada dia. Eu acho engraçado as pessoas dizem assim, ah, Rui, você mudou de opinião disso. Sim, sim, eu estudei alguma coisa a mais que eu não sabia anteriormente. E isso me forçou a enfrentar novos desafios. E eu complementei as visões que eu tinha anteriormente.
E uma coisa, olhando essa guerra, que ficou patente, é que não existem limitações do que uma força convencional, militar, de uma democracia, consegue fazer no mundo atual.
Nos anos 80, você teve a guerra da Iraque, você teve a famosa guerra dos navios petroleiros, em que vários petroleiros foram afundados no Golfo Pérsico e eles foram escoltados por navios. Se você estudar durante a guerra, a gente tinha navio afundado, a gente tinha navio de guerra que levava torpedo. A gente tinha diversos petroleiros afundados nessa época. O mundo aceitava isso nessa época.
Ver um petroleiro pegando fogo, afundando no Golfo Péssico, ver um navio de guerra americano receber um torpedo, eram coisas que o mundo daquela época aceitava. Como na Segunda Guerra Mundial, a gente aceitou jogar lança-chamas contra japoneses. A gente queimava pessoas. O mundo mudou. Então, hoje, do jeito que a sociedade ocidental se desenvolveu, eu acho que existem limitações, foi provado nessa guerra, do que uma força convencional.
de guerra, mesmo sendo a melhor força do mundo, mesmo tendo sido capaz de total dominância aérea, mesmo sendo capaz de total dominância naval, mesmo do ponto de vista de alvos militares ser completamente dominante, de exercer o seu objetivo final de guerra, que era mudar o governo, limitar o balístico.
limitar o urânio. Isso não quer dizer o quanto de força se tem. O que quer dizer que a força que você tem não é suficiente para atingir, nesse momento, o seu objetivo de guerra. Então, você se encontra... Como é que você se encontrou no final das contas? Você se encontrou e você vai estudar mais, eu estudei mais durante esse período, o seguinte fato, você teve zero sucesso. Zero, quando eu digo zero, é conjunto vazio.
A gente tem aviação no mundo desde a Primeira Guerra Mundial, militar. A gente tem zero situações no mundo em que você conseguiu mudar um regime via ataque aéreo. Simplesmente bombardeando o país. Se é zero, é muito difícil pensar que essa seria a primeira vez. Então, não foi. A segunda coisa, essa a gente foi mais esperto.
Tendo não entendido o primeiro momento, mas no segundo momento, a gente foi bem mais esperto, já em abril, e foi quando ele colocou as sanções, o bloqueio. A gente foi estudar rapidamente, a inteligência artificial ajuda muito no momento, e disse assim, vem cá, já teve algum caso de sanção econômica que fez alguém mudar o destino de uma guerra sem que você tenha que usar a força militar? A gente achou um exemplo, que foi a Índia quando limitou o Nepal. O Nepal precisa... Vai...
A Índia teve acesso econômico ao Nepal e quando a Índia fez sanções ao Nepal, realmente ela conseguiu mudar o destino, diplomaticamente, via sanções, mudar o destino dos objetivos dela, diplomáticos, naquele momento.
O resto dos exemplos todos, você fazia a intervenção econômica. Você tentava limitar economicamente o país. Mas o que você acabava caindo era num fato que depois de um, dois anos, ou você intervinha militarmente, ou esquece, não funcionava. Só a pressão econômica não fazia com que aquele regime mudasse. A gente viu situações em Nigéria, por exemplo, uma província queria se separar.
Aí você fazia a sanção econômica, mas só quando você entrava realmente com tropas no chão, você conseguia mudar aquele destino. Então, a gente foi analisando a situação, e disse, olha, essa sanção econômica não vai funcionar do jeito que estão pensando. Você não vai conseguir mudar o destino dessa guerra, pelo menos não no prazo que você espera, quando o prazo que espera até o mundo ter uma recessão global, fazendo isso sob o ponto de vista econômico.
E aí você, eu acho que é uma pergunta que todo mundo tem, isso a gente entendeu também. A gente falhou em entender no primeiro momento que o ataque aéreo não ia ser suficiente para mudar diplomaticamente essa guerra. Isso a gente não entendeu imediatamente. Mas duas coisas a gente entendeu rapidamente, que não ia ter tropas no chão nesse primeiro momento.
Porque todo mundo dizia, vai tomar carga a Ireland, vai entrar, não vai ter. Isso, o trabalho de professores como o Richard PayPal, como o John Meshimer, que a gente estudou, a gente dizia, não tem, lembra, guerra é você tentar mudar uma via diplomática pela força. Não tem como você, nem que você coloque, lembra só, para você mudar o destino da guerra do Golfo,
da guerra do Iraque, foram de 500 mil a 1 milhão de pessoas. Afeganistão foram números semelhantes que você estava colocando ali. Você não ia fazer isso com 2 mil marines, 5 mil marines, não tem como. E a sociedade mudou também. Você não... A gente quando teve desembarques anfíbios, por exemplo...
em Iwo Jima, que é a Segunda Guerra Mundial, porque a gente não teve nada, teve alguns desembarques na Coreia, alguns pequenos depois disso, mas a gente não fez nada em massa em você invadir um país de forma anfíbia desde Iwo Jima, com resistência ali local, desde Iwo Jima, e todo mundo lembra também outro famoso que é o dia D.
é a pessoa que as imagens da praia de Omaha assim se pensar no resgate soldado Ryan é o que você tem que pensar porque quando as pessoas pensam em guerra hoje em dia se pensa em guerra em guerra nas estrelas né chega uma míssil guiado né laser e destruiu ali
Mas não, você fazer uma invasão com tropas é basicamente você fazer o resgate do soldado Ryan. Bota na televisão, bota ali, você vai ver gente explodindo. Não é uma cena em que uma democracia ocidental, principalmente numa guerra que não começou provocada...
pelo inimigo, mas começou com a nossa iniciativa, nossa iniciativa que eu digo socialidade ocidental você vê pessoas jovens explodindo não é uma cena que uma democracia ocidental, moderna tende a conviver com morreram 13 pessoas na última contagem que eu vi morreu 13 americanos e já causou muito problema morrer 13 americanos nessa guerra
Então, a gente viu o seguinte, não ia ter tropa no chão. Ia ser muito custoso. E o terreno do Irã, a dificuldade anfíbia, ia custar 200 bilhões. Essa guerra deve ter custado 30 bilhões de dólares. Até agora ia custar 200 bilhões de dólares.
Ia custar um comprometimento de mais de um ano para você fazer isso tudo. E o resultado era completamente incerto. Aquela parte do Iraque é um país muito menor e é uma plaguice. Você entra ali, Rio Tigres e Eufrates, já estudou aquilo. Lugar muito mais tranquilo. O Irã é...
É uma serra, é um inferno. Então, a gente disse, não vai ter tropas no chão. Agora, o teu inimigo está fazendo a mesma coisa. O teu inimigo sabe, duas coisas que ele sabe. Nunca teve mudança de governo somente com ataque aéreo. Então, eles vão atacar a gente aéreo, mas a história mostra que eles não vão conseguir mudar o governo.
Segunda coisa, tropas no chão. Eles perceberam que não iam ter tropas no chão, pela mesma razão que a gente percebeu que não ia ter tropas no chão. E agora você fez o bloqueio.
e aí a gente disse o seguinte a gente fez um estudo com diversos a gente até apresentou ontem na live de economia e mercado disse cara, não vai funcionar no tempo que se espera funcionar e agora você tem a situação de que se não funciona pelos meios militares bombardear a gente já viu que não funciona tropas no chão a sociedade não quer pagar o custo a sociedade americana não quer pagar o custo
O Sherlock Holmes tem aquela frase maravilhosa. Quando você tira o que é impossível, o que resta é a verdade, por mais improvável que seja. Essa frase é maravilhosa. Quando você tira o impossível, a resposta está no que sobra, por mais improvável que seja. Então, se o impossível é que você não vai mudar o governo por bombardeio.
E o impossível é que a sociedade não permite que você coloque tropas no chão, onde é que está a verdade? A única verdade que tem no momento é você negociar isso de alguma maneira. Eu achei curioso, enquanto a gente gravava o programa aqui, ontem você teve uma troca de tiros no Golfo. Daí perguntaram para o presidente Trump, o que foi isso? Irã mandar mísseis?
para os Estados Unidos, para os navios americanos, atacando os navios americanos, foi uma palmadinha de amor. Foi um love tap. Você diz assim, o cara é louco de falar isso? Não, é o que ele consegue falar no momento, é o que dá para ser feito no momento.
As duas partes chegam a um ponto que diz assim, se eu não consigo, eu, o Irã, não tenho poderio militar para virar a situação a meu favor. Não consigo tirar esse bloqueio da minha frente. Eu, os Estados Unidos, não tenho meios físicos pela via militar de dobrar o Irã para fazer aquilo que eu faça o que eu quero, que eu não consigo fazer diplomaticamente. A única saída é você sentar e conversar.
Você pode demorar mais para chegar num acordo, mas a única saída é você dar que conversar. É a mesma coisa se estivesse no Big Brother, entendeu? Só existe um mundo, só existe um estreito de Hormuz, e se você brigou com o cara da casa, em algum momento você vai ter que sentar e reconciliar, porque não tem como sair da casa, não tem como sair o petróleo, que não seja passar por aquele estreito no momento.
Aí vamos dizer como é que essa negociação vai se dar. Aí as notícias vão sair nos próximos dias, você vai ver o podcast gravado depois. As notícias vão sair no próximo dia. Mas eu acho que as notícias vão ter que entrar dentro de um envelope. E esse envelope tem duas partes.
A primeira parte é a parte física dessa guerra. É, eu fechei o Estreito de Hormuz. E as pessoas perguntam assim, Rui, como é que vai fechar o Estreito de Hormuz? O que quer dizer? É que quer dizer basicamente que se você passar, você vai ter um míssel ou um drone. E o custo de você tomar esse risco, você não vai querer. Você recebe um paycheck, um pagamento, uma folha de pagamento, para você levar um navio pelo mar. Você não leva uma folha de pagamento.
um petroleiro para você levar um míssel na cabeça. Não está na sua descrição da sua função levar míssel na cabeça. Então, não anda. Então, uma discussão é, você tem um estreito no momento em que você não tem uma solução militar para abrir aquele estreito. Então, você diz o seguinte, o que o outro lado quer? O outro lado quer que não tenha esse bloqueio, logicamente.
E o outro lado quer alguma coisa a mais. E o que é essa alguma coisa a mais? Ele já viu que se eu deixar a situação do jeito que está, no que vem eles voltam e fazem a mesma coisa comigo. Porque se você fez uma vez e você diz que não vai fazer mais, putz, cara, é tipo assim.
Mas se faz a segunda e você diz que não vai fazer mais, eu sou idiota se eu acreditar nisso. Eu sou completamente idiota. Exatamente, aquela frase máxima do inglês. Então, se eu acreditar da segunda vez, a culpa é minha de ter acreditado. Então, o Irã não quer acreditar que ele não vai ser atacado novamente se ele não fizer alguma coisa que garanta a segurança dele. E para garantir a segurança dele, não é à toa que o Abbas foi para a Oman. O Abbas é o ministro das relações exteriores.
Ele foi para a Oman, porque é o país que fica do outro lado do estreito. Então, ele quer garantir que, com o país que fica do outro lado do estreito, ele consegue gerenciar aquele estreito, consegue manter pressão sobre aquele estreito. Ele foi para a Rússia.
Os lugares que ele escolheu, Oman, Rússia, por razões óbvias, se ele quer um garantidor da segurança dele, ele tem que pensar na Rússia, ele tem que pensar na China. E daí ele vai aonde mais? Para a Paquistão, porque é um país que faz fronteira terrestre com ele, mas tem um porto aberto em que, na verdade, do porto você pode passar por terra e suprir o Irã. O Irã está tendo que suprir comida e outras necessidades por terra.
Você tem um bloqueio no momento que não permite exportação de petróleo, mas também tem dificuldade de trânsito de mercadoria e comida para o Irã, por exemplo. Então ele precisa da Rússia para suprir comida ali, suprir grãos ali por cima. Precisa de Islamabad, por cima do Paquistão. E precisa de Oman para garantir o outro lado do Golfo. E a China, que na verdade é quem importa o petróleo deles, e a conta bancária do Irã.
fisicamente e teoricamente está dentro da China. É a China que financia o Irã nesse momento por compra de petróleo e é quem daria o crédito para o Irã nesse momento. Então, tudo foi pensado nesse sentido. O que o Irã quer? Me dá uma garantia. Isso a gente vai ver como essa negociação vai desenvolver. Por isso que o Irã disse assim, não vamos falar do Irã nesse momento.
a gente vai falar de terminar essa guerra. O que é terminar essa guerra? Ele quer que aqueles porta-aviões saiam de lá. Ele quer que aqueles... Porque tem mais de 50 mil soldados envolvidos naquela infraestrutura de suprir essa guerra no momento. Ele quer que aqueles 50 mil soldados saiam de lá.
Você não quereria do outro lado? Lógico, você quereria. Você acabou de ser atacado duas vezes, você quereria. Então ele quer uma negociação em que eu abra o estreito e ao mesmo tempo a gente negocie como é que eu não vou ser mais atacado. Isso pra mim é o ponto número um. E nada aqui é trivial. A gente já, talvez quando a gente esteja falando aqui, sai aí um novo acordo, nova negociação com o Irã. Tem dúvida nenhuma que vai sair ou que o Irã vai negar, vai pedir outros pontos. Mas é verdade que a gente já esteve aqui antes.
naquela negociação de Lamabá. E o estreito já começou a ser aberto antes, já tinha tido uma tentativa de abertura antes do bloqueio. Então, você começar a abrir esse estreito é um processo, você pode ir e vir várias vezes nesse processo. A verdade é que nem eu, nem você, nem ninguém, uma vez esse estreito começando a ser aberto, vai confiar que ele não vai ser fechado de novo amanhã.
Porque a gente já viu o que pode acontecer. A gente já viu que é fácil de fazer. A gente já viu que, gostemos ou não, a gente tem uma força local no momento que dita se passa navio ali ou se não passa navio ali. Então, isso é uma parte da negociação. Estreito versus segurança. Eu vou chamar de segurança.
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Eu tenho uma capacidade nuclear, eu tenho esse urânio 60%. De urânio 60% para 90% é poucas semanas. Parece que não é linear o esforço para você sair de zero para 90%. Na verdade, para você sair de zero para 3% é um sofrimento. Chegar a 60% é menos difícil, chegar a 90% é um pulinho. É poucas semanas.
O que não quer dizer que você tenha uma ogiva nuclear. O que quer dizer é que você tem urânio. E aí você vai ter que fazer o artefato nuclear. E aí, talvez um ano, dois anos, depende de quão preparado você já está para fazê-lo. Mas não é uma década para você fazê-lo.
Você fazer um teste nuclear, vai. Dois anos, vai. Um ano, dois anos. Tem gente que diz seis meses. Depende, aí é incerto. Mas isso não quer dizer que você consiga botar uma arma nuclear na topo de uma ogiva. E que essa ogiva você consiga lançar ela com toda a trepidação, com toda a incerteza, com toda a parte física de você acoplar essa ogiva no topo de um míssil.
e mandar esse míssel na direção certa, com a qualidade certa, porque uma ogiva nuclear para ser trigada é questão de milissegundos, que tudo tem que funcionar certinho para aquilo disparar e funcionar da maneira que você espera que funcione. Então aí, sei lá, 2030 e alguma coisa. Então esse é o cronograma que é o medo do ocidente no momento. Então você vai negociar isso contra sanções. Quer dizer, você quer ser um...
párea global e nunca mais está inserido na sociedade global de novo via sanções, isso eu consigo fazer, isso não é uma questão simplesmente militar, isso não é uma questão de força militar, é uma questão que eu vou te manter fora da sociedade global, posso pelo menos te bloquear durante todo esse período ou você quer ser parte dessa comunidade global e negociar esse urânio comigo isso é o que está em jogo no momento e o que que a gente vai ter que negociar? as duas partes vão ser espertas nisso né
O Irã vai dizer assim, olha, eu não quero negociar o urânio agora não, eu quero só negociar isso aqui. O Estados Unidos vai dizer assim, se eu negociar a abertura de Ormuz e tirar as forças, nada me garante que você vai querer negociar o urânio. E o Irã não vai querer negociar o urânio, eu acredito, de uma vez só, vai ter que ser com tagotos. Eu tiro um pouco do meu urânio daqui, eu faço uma diluição, mas eu mantenho as minhas centrífugas.
Aí eu digo para você, porque houve uma fase que a discussão, talvez volte para isso. O Irã não quer...
enriquecer por cinco anos, mas os Estados Unidos não quer que ele enriqueça por 20 anos. Aí cada um acredita na mentira que quer, entendeu? Cinco, vinte anos, daqui a dois anos o presidente não é mais o mesmo, aí cada um acredita na mentira que quer, quando você está falando de cinco, vinte anos, eu não consigo imaginar, mês que vem, cinco, vinte anos, cada um acredita na mentira que quer. Mas o jogo do Irã é eu quero manter a capacidade de eu chegar na algifa.
E o jogo dos Estados Unidos é eu quero dissuadir o máximo o Irã de que chegue nesse ponto. E a gente está tentando isso desde 2015. A negociação de CPOA daquele acordo de 2015 começou muito antes. Então a gente está quase 20 anos nesse jogo com o Irã. Por isso que eu digo que o Sinaguer é um jogo nuclear.
em que eu digo para o Irã, sim, não, sim, não, sim, não, tentando convergir ele para o ponto em que ele esteja o mais distante possível dessa capacidade nuclear. Por que o presidente Trump, em 2018, rasgou o DCPOA e disse assim, eu quero atacar essa capacidade balística do Irã? Essa é a parte mais interessante. Eu acho que a parte...
que é a parte não contada. Por que os mísseis são tão importantes na cabeça do Trump? Não é porque os mísseis batem nos Emirados Árabes, não é porque os mísseis chegam até Lávive. O problema basicamente é o seguinte, deixa eu contar essa história, porque essa história não contada, e talvez seja a história mais interessante, talvez seja a coisa que o pessoal de casa mais tenha que pensar sobre
a sociedade moderna, políticos e como influenciar, principalmente se é americano, se você tem um outro passaporte de um país que tem, seja uma potência nuclear, como é que você deve pensar sobre isso? Se você começa com um problema balístico, vamos pensar na parte nuclear aqui. Se você faz um teste nuclear, vamos supor que o Irã, vamos supor que eu estou falando aqui com você agora, teve um teste nuclear. O Irã explodiu uma bomba de urânio.
chegou a 90%, ele escondeu de você que ainda tinha as centrífugas. Nesses dois meses de guerra, ele enriqueceu o urânio de 60 para 90, pode ter acontecido. E aí, ele fez um teste nuclear. Você consegue medir isso basicamente por sismógrafo ali. Você teve um terremoto e você diz, olha, eu fiz um teste nuclear aqui. É uma assinatura clara de teste nuclear. Você imagina a situação do mundo nesse momento. Vamos começar a imaginar.
Agora vamos fazer um trabalho de imaginação. Eu fiz um teste nuclear e o mundo tremeu.
O problema que acontece é o seguinte, e aí você vai atacar o Ira agora? Se eu tenho uma bomba, eu faço um segundo teste nuclear só para provar que eu tenho mais de uma. Aí você diz assim, cara, não dá mais para invadir esse cara. O problema que você tem é que isso é um caminho sem volta. Por isso que é tão importante, porque é um caminho sem volta. Deixa eu contar como é que esse caminho continua. Se você tem uma bomba nuclear...
você vai querer ter uma bomba termonuclear. Lógico, é questão de tempo. O que é a diferença de uma bomba nuclear e uma bomba termonuclear? A bomba nuclear é uma bomba de fissão, é uma bomba de Hiroshima. Muito destruição, mas razoavelmente limitada em termos da capacidade de destruição maior de um país inteiro.
a bomba termo nuclear aí você tá falando de fatores que vão a 10 50 100 vezes né você tá falando você sai de 50 quilotons para megaton para 10 megatons para coisas que realmente podem aniquilar para tirar Nova York inteira do mapa numa numa bomba só né
inclusive a maior bomba que já foi feita foi a Tzar Bomba que era uma bomba que podia chegar a 100 megatons mas eles só testaram uma ilha perdida ali, quase do Polo Norte e eles só fizeram com metade do potencial pra não dar uma besteira muito grande porque nem eles sabiam o que é exatamente o efeito de uma bomba desse poder então você vai ter uma bomba termonuclear poxa, agora eu tenho uma bomba termonuclear uma termonuclear é um problema sério
aí se você tem uma bomba até nuclear e ninguém vai mexer com você você vai querer ter um míssel intercontinental balístico lógico, é o caminho da Coreia do Norte porque a Coreia do Norte fica mandando míssel, testando míssel o tempo todo mandando ali por cima do Japão e a Coreia do Norte é o único país que não avisa de testes nucleares lançamento de míssel porque os Estados Unidos tem um sistema de satélites no mundo que em um segundo um segundo
que você disparou um míssil. Em um segundo, em qualquer lugar do planeta, os Estados Unidos sabem que você disparou um míssil. E em poucos minutos, rapidamente, ele sabe que o míssil está indo para o continente, para os Estados Unidos continental, está indo na direção dos Estados Unidos, vai bater nos Estados Unidos, não sabe ainda onde. Mais ou menos ali, uns 10 minutos, ele vai saber em que lugar dos Estados Unidos esse míssil vai bater.
E o problema é que esse míssel anda a 24 mil quilômetros por hora. Até o avião anda a 900, tá? 24 mil quilômetros. É assim, Mach 20, Mach 25. É velocidade que a gente só acostuma com foguete, tá? Não existe essa velocidade. A gente nem sabe dizer direito ou perceber direito que a velocidade é essa. Mas é uma questão de chegar do Irã nos Estados Unidos em questão de... 30 minutos. Meu Deus do céu. 25 a 30 minutos.
Então imagina que você é o presidente dos Estados Unidos e se você não sabe onde o presidente dos Estados Unidos for, ele vai com o carinha do lado que tem uma maleta. E a maleta desse cara é o menu nuclear. É o cardápio. Quer dizer, é o cardápio. Se você tiver... A regra é o seguinte, o Reagan... Ninguém sabia disso. O Reagan revelou isso.
Se os Estados Unidos souber que o míssel foi disparado e que ele está indo na direção dos Estados Unidos, o presidente tem 10 minutos para dar uma resposta.
10 minutos, acabou aqui, olha só agora aqui, mediria 55, 1 e 5 tem que ter uma resposta, não de se a gente vai responder, é como a gente vai responder, aí chegou o cara com o menino, diz assim, presidente, temos submarinos nucleares, aí tem o Minuteman, o Minuteman é o cara que está ali naquele silo nuclear, que hoje já está montadinho, já está pronta, né,
E o Minuteman é o cara que depois da ordem do presidente, em um minuto, tem um centro, dá mesmo tempo que tem o Centcom, que é o centro da guerra agora, tem o Stratcom, que é o centro que cuida dessa questão nuclear. Então, se o presidente decidir lançar, e dizem, isso ninguém sabe, é secreto, mas dizem que se uma ogiva for na direção dos Estados Unidos, os Estados Unidos responde com 70, 80 ogivas de volta. Nossa.
E são ogivas termonucleares. São dessas de 1 a 10 megaton. É coisa grande. É um megaton que você está falando dessas ogivas para cima. Então, o presidente tem... Imagina que foi uma hora da manhã. Acorde o Trump ali. Trump, presidente, presidente, acorda aí. O cara com 80 anos de idade. Acorda aí. O que houve aí? Querido, o negócio é o seguinte. Saiu um míssil aqui da Coreia do Norte. Que tem, né?
Saiu um míssel ali da Coreia do Norte, está vindo bater na costa oeste dos Estados Unidos e esse míssel vai bater em 20 minutos. A gente tem aí 10 minutinhos para decidir o que fazer da vida. E o cara vai pegar aquele dossiê e vai responder com 70, 80 ogivas nucleares. Aí eu vou dizer por que esse negócio é tão sério, porque eu não sei se as pessoas, todo mundo sabe disso. A gente ainda tem 12 mil ogivas nucleares.
Estou falando que uma ogiva dessas destrói Nova York. Acho que tem 12 mil delas. 12 mil. Mais ou menos ali, em grosso modo, está 5 mil estão com os Estados Unidos, 5 mil está com a Rússia, a Rússia tem mais que os Estados Unidos. Mas em número, né? E quase mil estão com a China, e as outras estão distribuídas entre Reino Unido, França, Índia, Paquistão, Israel. Mas são 12 mil ogivas. 12 mil ogivas.
Se uma ogiva destrói uma cidade, você não precisa de 12 mil para nada, a não ser ser um completo niilista com relação ao mundo. A coisa interessante é o seguinte, se você responder com 70 mísseis, pega um mapa mundo, um globo, e olha, bota o hemisfério norte assim e olha, os Estados Unidos e a Coreia do Norte, se os Estados Unidos for responder. Os mísseis para passar de volta para chegar na Coreia do Norte, tem que passar para o centro da Rússia.
Agora você imagina o camarada ali, às três horas da manhã, vamos supor que tenha sido isso, o cara vai e sacode o puto ali, presidente, presidente, o que houve? Não, não, o negócio é o seguinte, tem 70 mísseis que foram lançadas nos Estados Unidos, a gente não sabe onde vão parar, porque eu acredito que a Rússia não tenha a sofisticação americana, mas estão passando por cima do território russo. Você imagina se a Rússia resolve responder de alguma maneira.
Por que eu estou fazendo isso de exemplo? Porque se você faz isso, se você consegue uma guerra e uma resposta desse tipo, as estimativas são que você mata 5 bilhões de pessoas. Nossa senhora. Deixa eu repetir, 5 bilhões.
Foi, Rússia retalhou. Estados Unidos, né? A China não vai ver míssel indo pra tudo quanto é lado sem fazer alguma coisa. Se você tiver só a Rússia e os Estados Unidos, você ainda achar. Só a Rússia e os Estados Unidos, você mata 5 bilhões de pessoas. Por que você mata 5 bilhões de pessoas? Não é nem as bombas batendo. É porque isso gera fogo depois. Você queima muita coisa, porque pega fogo. A coisa mais horrível da bomba de Hiroshima é o fogo.
É porque tudo pega fogo ao mesmo tempo. É tanta temperatura numa área tão grande.
que toda aquela área pega fogo. Imagina aquele fogo subindo, como se tivesse vários vulcões entrando em erupção no mundo inteiro. Então você gera o inverno nuclear, esse inverno nuclear acaba com a agricultura, acaba com a cadeira imitar, você perde grande parte da população.
O que eu estou dizendo não é ficção científica, eu estou dizendo que a gente tem hoje, eu cresci nesse mundo. A diferença só é que a gente parou de falar dele, mas ele existe da mesma maneira que ele existia na minha infância, quando a gente ainda tinha a cortina de ferro e a guerra União Soviética, a potencial de guerra soviética dos Estados Unidos. Por isso, o Trump não é maluco, e nem a Europa, quando diz assim, eu não quero de jeito nenhum que o Irã seja uma potência nuclear.
Porque a gente não está falando do risco do Irã causar um problema ali no Oriente Médio, com o marmo nuclear. A gente está falando do risco de que se você chegar num ICBM e aparecer um milista, um maluco, mas numa ditadura é muito mais fácil aparecer um maluco, concorda comigo, do que numa... Se você fale um Estado, se um Estado entra em falência institucional, é muito mais fácil aparecer um maluco do que numa democracia estável.
E se um maluco desses manda um míssil na direção dos Estados Unidos, você pode vir a trigar toda essa sequência de eventos. Então, evitar que você tenha... Outra coisa, a bomba nuclear tem uma questão interessante. Qual é a questão interessante? Ela faz o país que tem a bomba mais seguro, se sentir mais seguro.
mas faz todos os outros países ao redor se sentirem muito mais inseguros. Se imagina você sentado ali em Bahrein, no Qatar, olhando do outro lado, dá para ver o Irã. Quem foi a Dubai, se você olhar para o outro lado do mar, você vê o Irã.
você está ali do outro lado e diz assim, esse cara tem bomba nuclear e eu não tenho e esse cara não é o cara mais estável do mundo, né? Deve dar uma sensação de insegurança, imagina os Emirados Árabes Unidos que está recebendo míssel e drone todo dia sabe, esse cara manda míssel e drone pra mim todo dia, imagina se esse cara for uma potência nuclear e apareceu um nilista ali
vai todo mundo querer se armar. Ah, vai todo mundo querer se armar. Ainda mais agora que as pessoas viram que os Estados Unidos não são tão confiáveis em relação ao que eles podem fazer no Golfo do que parecia anteriormente. Ah, eu vou querer a bomba também. A Arábia Saudita vai querer a bomba.
E você vai dizer não para eles, se o Irã tem a bomba, a Arábia Saudita agora tem a bomba. Depois, os Estados Unidos vão querer ter a bomba. Isso vira uma reação em cadeia. Você vai ter vários países com a bomba na região. Então, impedir que você comece... Imagina se a Argentina tivesse a bomba.
Aventina e Chile têm a bomba. Você não acha que o Brasil não ia pensar em algum momento assim? Cara, esses caras aqui de baixo são gente boa, a gente gosta deles, tranquilo. Mas, cara, eles têm a bomba. Vai que aparece aí um governante meio maluco aí. Será que não tem que ter a bomba também? Logicamente, o Brasil ia pensar em ter a bomba se os vizinhos tivessem a bomba. Ainda mais. Venezuela tem a bomba. Vamos lá. O Brasil não vai querer ter a bomba? Aquele regime instável do jeito que é? Talvez sim.
Talvez sim. Como é que o Brasil vai entrar numa relação diplomática com a Venezuela, num conflito, por exemplo, de fronteira, sabendo que a Venezuela tem a bomba e o Brasil não tem a bomba? Então, essas coisas são muito. Você permitir proliferação nuclear em fronteiras e regiões estáveis, principalmente do planeta, é muito difícil. Por isso que a luta para manter o Irã fora da fronteira nuclear é tão séria como ela é. E talvez a gente tenha que pagar um custo econômico, que é o que eu vou falar agora.
a gente tem que pagar um custo econômico não trivial para passar por esse processo. E talvez a falsa sensação de que a gente passou por esse conflito sem resolver um iranuclear venha novamente, como voltou agora, a gente pensou que tinha resolvido em 2015 e não resolveu, em 2025 não resolveu, agora estamos em 2026, o mercado está querendo celebrar o S&P e tudo mais, porque vai terminar a guerra, não existe isso. O que quer que seja decidido nas próximas semanas vai ser um processo de idas e vindas,
e que não vai ser um processo trivial, porque não é trivial no momento o que está acontecendo. Quais são os efeitos econômicos? Isso tudo. É importante pensar. A gente foi para o passado e foi analisar todas as situações em que você tivesse um evento dessa magnitude. Você desculpou.
o petróleo na magnitude foi disruptado agora. A gente foi para 1973, que foi a primeira crise do petróleo. 1979, que foi a Revolução Islâmica. 1991, que foi a Guerra do Golfo. 2022, 2023, que foi a Ucrânia, onde o petróleo subiu muito. E duas coisas chamaram muita atenção. Primeiro, as coisas demoram mais tempo para se resolver do que você pensa no primeiro momento.
Algum desses conflitos foram seis meses, algum desses conflitos ficaram dois, três anos para serem resolvidos. Tem esse gráfico na carta de vocês. Tem esse gráfico na carta. Demora bastante tempo para resolver quando começa um problema dessa magnitude. Então, pode ser que fique bastante tempo. Acho que vai passar período de esperança e desespero. Aqui a gente pode estar conversando agora, saiu a notícia, o Irã aceitou conversar. Vocês, pô, eles aceitaram conversar, maravilhoso. E não, cara, tem...
aceitou, mas não é bem assim, prometeu abriu, mas não abriu da maneira que disse que abriu. A gente vai ter várias idas e vindas dessa natureza. Mas se você ficar seis meses nesse processo, bom, já está dois. Já está contratado para ser pelo menos três, vamos dizer, vai estar contratado. Porque só para religar a produção, só para o Irã realmente permitir tirar as minas, permitir que esses navios realmente trafeguem, é normalizar aquilo ali, a cara de três meses, já perdeu um bilhão de barris de petróleo.
Se você ficar seis meses nesse processo, que parece muito tempo, mas como eu disse, a gente já contratou três meses nisso, a estimativa por crises anteriores é que você perca 2% do PIB global, anualizado. Não estou dizendo que... Porque se você bater em seis meses, você começa a rodar perdendo 2% do PIB anualizado.
Aí o pessoal disse, mas até agora não aconteceu nada. Por que eu vou perder 2% do PIB analisado se até agora nada aconteceu? É porque é exponencial isso. A gente tem 9 bilhões de barris de petróleo de estoque. A gente produz 100 por dia. A gente tem 9 bilhões de barris. O que está contratado até agora vai comer 1 bilhão de barris. Então, ele vai ter 8. O problema é que esse petróleo não está...
igualmente dividido no mundo. Seca primeiro na Austrália, seca depois na Coreia, vai secando ali na Ásia, seca na Europa, como já secou o querosíno de aviação, a Lufthansa já está cortando o voo. E para chegar aqui para a gente, demora muito mais, porque a gente é exportador de petróleo, a gente tem um conforto muito maior com relação à situação. Vou explicar porquê.
do que a Ásia, do que a Europa. Nós somos um dos poucos países que deve crescer produção marginalmente comparado com vários outros do mundo. Nossa, a gente cresce mais do que todo mundo combinado. Isso é importante pra caramba. Então isso aí nos coloca na produção privilegiada. O Brasil hoje, a expectativa de produção, de crescimento de produção do Brasil é maior que todo o mundo combinado.
Isso é bem relevante. Extremamente. Então o Brasil fica numa situação realmente confortável. Mas o que eu quero dizer é o seguinte, esses 2%, eles não são iguais no mundo. O que acontece é que provavelmente quando você chega num lugar como a Coreia, você deve perder anualizado 4% do PIB quase. Por quê? A Coreia é importadora. São as quatro características, talvez. A Coreia é importadora de petróleo.
A Coreia é um país manufatureiro, fabrica muito.
Ele tem uma indústria de petroquímica, ele tem uma indústria de uma refinaria grande. Ele tem, grande parte do PIB é focado em manufatura. É um país, esse tipo de país, por consequência, o setor de serviços é menor no PIB. O consumo em relação ao PIB é menor. A China, por exemplo, é bem menor. A Ásia tende a ter consumo menor em relação ao PIB do que, por exemplo, nos Estados Unidos.
então essa combinação de fatores eu sou manufatureiro ou não sou manufatureiro eu sou uma economia aberta ou uma economia fechada uma economia aberta que troca com o mundo vai sofrer muito mais porque ela importa petróleo para exportar transformar bens internamente com aquela energia e exportar de volta se eu não tenho energia eu não vou conseguir exportar de volta então eu sou aberto ou sou fechado ao mundo eu sou manufatureiro ou não, eu importo ou exporto petróleo, eu tenho um consumo interno grande ou não tá
Tudo isso, esses quatro fatores juntos, determinam quem perde mais nesse processo se você mantiver esse processo em andamento. Eu volto a dizer, não se iludam se aparecer notícias de um lado, para o outro. Já teve tanta notícia falsa, já tem um informante famoso aí, que até foi, até brincaram com ele na internet, ele já assinou cinco dos zero acordos de paz que foram assinados até agora.
já teve mais cinco promessas de acordo de paz, e eu não tenho dúvida que a gente vai ter mais promessas de acordo de paz que vão ser assinados e talvez não sejam cumpridos no decorrer desse processo
Então, quando eu olho para a Coreia, que é manufatureira, aberta, importadora de petróleo, você tende a perder muito em relação ao PIB. Aí você pega os Estados Unidos do outro lado, se você usa economia fechada, é uma economia exportadora de petróleo, é uma economia que o serviço é muito grande e que a manufatura é pequena em relação à economia. Ali você perde 0,7%. É muito mais tranquilo. Você vai te perguntar, o S&P está fazendo new highs.
a nova parte da tecnologia, lógico, está indo super bem, está até acelerando um pouco demais no momento, e o fato de que os Estados Unidos é muito mais defendido. Brasil, mesma coisa, economia super fechada, uma economia exportadora de petróleo, uma economia que a parte de manufatura é pequena em relação ao percentual de serviço, vai perder muito menos PIB do que a Europa e a Ásia. Você parou onde está o problema, se você chegasse de Marte, eu falei dos alienígenas.
Se fosse um alienígena e pousasse na Terra, eu ia dizer, mostra esse planeta aí. E cara, eu entendi o problema desse planeta. O problema é que todo mundo nesse planeta mora na direita dessa linha aqui de Granite. Todo mundo mora pro lado de cá. China, Índia, a população está toda aqui. E todos os commodities estão pro lado de lá dessa linha. Quem tem commodities está do lado de quem tem cobre, quem tem petróleo. Esse pessoal tende a estar mais pro lado de cá.
que a gente chama o oeste de Suez. E o pessoal que importa, que está do lado de lá. Então, a Eurásia, ela tende a sofrer muito mais com esse tipo de choque do que a gente aqui nas Américas. As Américas, na verdade, sempre que comodidade sobe, você quer comprar país americano, moeda americana.
Você quer estar do lado de cá do mundo. Quando a economia é mais ricardiana, troca mais com o mundo, você quer comprar os caras de lá, porque esses caras são os caras que realmente são especialistas em comércio internacional. Então a gente chegou nessa conta. A gente disse, olha, a gente não sabe quanto tempo vai durar, mas foi uma coisa que a gente ficou esperto pra caramba, porque o Soros diz essa coisa. A frase do Soros é, investimento você é pago,
por perceber a realidade, entender a realidade antes que as pessoas percebam. Isso a gente nessa guerra ficou razoavelmente mais esperto em trabalhar com a realidade na frente do que a gente trabalhou no começo desse conflito. Eu sempre digo, investimento você não vai acertar tudo. Ah, claro que não. Lógico que não. Mas quando você erra, você estopa. Quando você erra, você para. Você diz, eu errei, não estou entendendo o que está acontecendo, deixa eu parar aqui.
mas ao longo do tempo, o que você tem que ser capaz de fazer é entender a realidade antes que outras pessoas entendam a natureza dessa realidade. Então, eu não sei como esse processo tem o seu desfecho, eu não sei como esse filme termina, mas eu sei mais ou menos, que é o que eu estou passando aqui, a característica desse personagem, os primeiros...
15 e 16 capítulos que sejam dessa história. A gente está com o Irã desde 2010 para o 15 e 16, 2026 que a gente está agora. E se você sabe, se ler o livro todo até agora, você tem mais ou menos uma ideia da dificuldade. A dificuldade está garantia física para o Irã versus ormuz e bloqueio e nuclear versus essas sanções.
Porque é até curioso, vai ter uma coisa muito curiosa que vai ser a pergunta disso tudo. Será que o Irã pode se tornar um novo centro de poder? Porque certamente a intenção do IRGC...
da ditadura iraniana é se tornar um novo centro de poder. Eu acho que nem eles sabiam que eles tinham tanto poder. Desde que o samba é samba, desde que a gente descobriu que o petróleo é importante, o que a gente faz é intervir de uma maneira ou de outra no Oriente Médio, sociedade ocidental, Reino Unido, Estados Unidos, de maneira, a França também, muitas situações, de maneira que não permitir que se crie uma hegemonia, um país domine aquela região.
ou que alguém tenha um poder hegemônico naquela região que me cause problemas. Eu faço pensar. Se aquela região é responsável por tanto do petróleo global, se eu deixar um país ter um poder hegemônico naquela região, eu estou com problemas sérios. Basta ver o que aconteceu agora com o Estreio de Ambos. Eu ainda estou com um problema sério. A gente já tem um problema sério. Então a gente lutou por séculos.
para que não criasse uma hegemonia ali. E num movimento em que talvez os objetivos de guerra não tenham sido bem medidos, a gente permitiu até o momento que você tenha uma hegemonia ali, porque ele está controlando a saída de Hormuz. Você diz assim, mas no futuro a gente vai fazer pipelines, no futuro a gente vai... Mesmo assim, estou falando de uma década, e mesmo assim todas essas pipelines vão estar no alcance dos mísseis deles.
Então, se você quiser parar o processo, ele para, é só mandar um missile na pipeline. Vai fazer o que? A prova de missile? Não vai dar. Então, você criou, de alguma maneira, um poder hegemônico ali. E vai ser difícil de você tirá-lo. Eu argumentaria que a maior esperança, esperança que eu digo assim, eu me lembro assim, quando eu fui para Israel, em 1997, foi a primeira vez que fui para Israel. E eu me lembro que eu cheguei em Eilat, que é no sul de Israel, ali no Mar Vermelho.
E eu estava com um amigo israelense e ele olhou para mim e disse assim, Rui, está vendo aquele, olha, ele apontou para o horizonte assim, ele disse assim, está vendo aquele país ali, você está vendo aquelas montanhas? Eu digo, aquilo ali era Arábia Saudita. Em 1997, se apontar para Arábia Saudita e dizer que aquilo era Arábia Saudita, para um israelense, era dizer assim, cara, o inimigo está ali.
Esse cara, eu me lembro de sentir medo, eu senti uma sensação ruim, que aquela era a Arábia Saudita. Hoje em dia, a Arábia Saudita é parte do GCC. Hoje em dia, a Arábia Saudita, Abraham Zaccor, é um aliado, de uma maneira ou de outra, é um aliado. Ele está do nosso lado, do lado ocidental, vamos colocar dessa maneira. A melhor coisa, a principal coisa a se fazer com o Irã é, de alguma maneira, integrar o Irã.
Porque o Bastiat, que era um economista francês, já faz maravilhosa. Quando bens não cruzarem fronteiras, exércitos cruzarão. Se você não integra um país na comunidade através do comércio, você vai acabar causando uma guerra.
Então, a gente, de alguma maneira, a sociedade global vai ter de uma maneira ou de outra incorporar o Irã na sociedade internacional. Porque o custo de não incorporar o Irã, de alguma maneira, você pensa assim, mas é uma ditadura, todos os países do Golfo são, todos eles são. Ah, mas eles não são ditaduras ruins como o Irã.
depende de como você trabalha isso os alienígenas são ameaça momentaneamente não são você quer ver uma coisa que mais me chamou a atenção nessa guerra tem momentos que eu olho assim e que eu digo assim, caramba que coisa impressionante quem não viu, veja os vídeos de Lego
que foram feitos, você já viu esse vídeo de Lego, que foram feitos pelo Irã? Então, tipo assim, veja isso, tá? Tem uns vídeos de Lego que rodam na internet, que eu pesquisei que ainda estava fazendo, parece que são jovens no Irã que estão fazendo esses vídeos, né? Esses vídeos estão sendo feitos com inteligência artificial, e esses vídeos estão fazendo, basicamente, paródia com o Trump e com os Estados Unidos, mas de um jeito extremamente inteligente. Extremamente inteligente, com hip-hop.
E usando cultura ocidental. O que eu quero dizer é o seguinte, me impressionou, e não sei, eu nunca estive no Irã, não tive esse prazer de eu quero conhecer outras culturas, eu quero estar com outras culturas. Mas eu fiquei impressionado o quão ocidentalizado esses jovens são. E o quanto, na verdade, eles mesmos nos vídeos falam, o quanto eles admiram, eles dizem assim, a gente está contra os seus governantes. Da mesma maneira que a gente não fala a mesma coisa, a gente não está contra o Irã, a gente está contra os governantes, eles falam a mesma coisa, a gente admira a cultura americana.
O jovem chinês admira enormemente a cultura norte-americana. E como nós, brasileiros, admiramos as venture capital, a tecnologia, a pujança, a transformação da comunidade. Eles estão contra os nossos governantes. Então, se a gente conseguiu mudar o GCC, que são os países do Golfo, né? Catar, Arábia Saudita, Bahrein, se a gente conseguiu botar essas pessoas, vamos chamar, do lado ocidental,
A única saída é você começar a trazer esse país para dentro da comunidade. E uma vez que o comércio exista, gradualmente o que você tem como exemplo global é que o país se entrega na comunidade global. Uma das melhores coisas que talvez tenha acontecido com a China
foi a gente ter travado a China dentro do comércio global e ter que ser um participante ativo desse comércio global e ser um participante ativo desse comércio global tem que ser um participante que joga pelas regras da comunidade global e volto a dizer né mais que as pessoas vejam a China como ameaça a China a última guerra dela em 1979 desde lá eu perdi a conta do número de países que o ambiente invadiu de uma maneira ou de outra
A China não tem se provado uma potência belicosa, mas certamente é uma potência que quer respeito. Mas esses são os números que a gente tem do ponto de vista econômico, esses são os riscos que a gente tem numa questão nuclear. E quando voltar a Sherlock Holmes, quando você tira o impossível, a resposta está dentro do possível. O possível é você negociar...
segurança por comércio e o possível é você negociar sanção por urânio. E a gente vai ver onde isso vai chegar. A última coisa que a gente deveria estar pensando que é o que, cara, em vídeos como esse, eu tenho certeza, vai ter 500 comentários é ficar dizendo o Estados Unidos ganhou, o Irã ganhou, o cara é melhor, o Trump é bom, o Trump é ruim, o Irã que é poderoso, viva a Rússia, a China é ruim. Eu vi esse tipo de comentário e digo aqui é...
isso é relevante, isso aqui não é torcida. Só que a gente colocar fatos da mesa e dizer assim, como a sociedade global, como a comunidade global pode transitar na direção de resultados que sejam melhores para essa comunidade global. É isso que a gente está buscando aqui no momento.
Eu não estou aqui, I couldn't care less, eu não poderia me preocupar menos em torcer para o Trump ou não torcer para o Trump. Aliás, os principais problemas que eu tenho em comunicação é convencer as pessoas que eu não me importo se é direita ou esquerda, se é Trump ou se é Biden, se é o que quer que seja, eu quero resultados em que, como um cidadão, sejam melhores soluções para o mundo.
Agora, essa negociação, gente, tem vários pedaços dessa negociação que vão ser super difíceis. Por exemplo.
Lidar com o Irã forte. Vamos supor que a gente integre o Irã. Vamos supor que a gente chegue à conclusão. O Irã diz assim, olha só, eu te dou minha capacidade nuclear. Não tem problema não. Só enriqueço 3%. Esse urânio enriquecido eu vou diluir. Eu montei algum enriquecimento interno, mas você pode mandar seus inspetores aqui. Você vai ver que está tudo certinho. E agora, tira essas sanções. Eu quero ser parte dessa comunidade.
Eu quero dinheiro. Basicamente dizer que quero dinheiro. Porque o IRGC é uma máfia de uma maneira ou de outra.
Aquilo ali tomou conta do país e dizem que 50% do dinheiro do petróleo transita em benefício do IRGC, quer dizer, seja dinheiro no bolso ou seja armas. Criação de mísseis e pela quantidade de armas que apareceu no Irã, você pode imaginar que era um bom, nem eu podia imaginar a quantidade de mísseis que saíram da gaveta ali.
Então, poder é tentador, mas dinheiro também é tentador. Aliás, uma coisa que eu sempre prometi para mim na vida, e vou continuar cumprindo, é nunca me aproximar do poder, jamais. Porque eu vejo pessoas se aproximarem do poder e nunca saírem do poder. Ou nunca quererem sair do poder, deve ser uma delícia. Graças a Deus eu não o tenho. Mas eu percebo que, desde os tempos bíblicos, poder e dinheiro movem as pessoas.
Então, se você prometer dinheiro suficiente ali, será que o mundo vai saber ou vai querer lidar com o Irã forte? Vai querer correr o risco do Irã? Imagina o Irã exportando 3 milhões de barris de petróleo sem sanção e se integrando na comunidade global. Como é que Israel vai se sentir com relação a isso? Com seguro, com seguro, Israel vai se sentir em relação a isso. Então, é uma negociação muito difícil, porque existe lobby de todos os lados aqui.
Não vai ser uma negociação. Não se iludam com as primeiras notícias. Não se desesperem nas primeiras notícias, quando saírem, se forem ruins. Também não se iludam. Não sejam nem Cassandra, nem Poliana. Esse é o capítulo 16 de um livro que talvez seja Guerra e Paz. Para quem já leu Guerra e Paz, ou Os Irmãos Karamazov, você vai ter um livro longo.
Um livro grande para ser lido. Eu não acho que a gente está nem perto do último capítulo. Se você está na liderança de uma grande empresa, sabe. Quando a operação cresce, os desafios também crescem. Mais volume, mais canais, mais decisões em tempo real. É aí que entra o Mercado Pago. A mesma tecnologia de soluções de pagamentos do Mercado Livre, pronta para ajudar grandes empresas a vender com mais segurança.
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E você, no papel de gestão, sabendo que o negócio é difícil, e você acabou de dizer, vão ter muitos outros capítulos, é incerto, a gente não sabe qual é o leverage de cada parte, se vai voltar, se citou Israel, que a gente acabou não falando muito, mas que está envolvido, e você fala muito sobre a questão de ter claramente na cabeça qual é o objetivo de guerra, pode ser que o objetivo de Israel possa se diferir do americano, em certa medida, mas você como gestor, que lida diante dessa incerteza, beleza?
que no final das contas você está comprando, está otimista, dá para ter algum tipo de otimista, dá para pensar em ganhar dinheiro, investimentos, como que a gente investe num mundo esquisito como esse? O que a gente faz nisso é da mesma maneira, depois você tira todo o que não dá para ser feito, a resposta está dentro daquilo que resta. Então, o que a gente tem feito de uma maneira odiosa?
eu acho que dentro dos Estados Unidos tecnologia tem sido uma coisa bem ortogonal, uma coisa ortogonal coisa que não fala com essa tendência então, bom, quem acompanha a gente na Quinez sabe que inteligência artificial é uma coisa que a gente dedicou bastante tempo de análise, dedicou bastante tempo de entendimento
e a gente investiu pesado em inteligência artificial nos últimos anos. É uma área que a gente considera bem ortogonal esse processo. Basta ver os vídeos de Lego do Irã que foram feitos com... Veja esse vídeo de Lego que você vai ficar impressionado, absolutamente impressionado com a sofisticação, a qualidade e o entendimento que essas pessoas têm da nossa sociedade ou da sociedade norte-americana.
É impressionante. O geral de sofisticação que você vai ver ali. Então, a inteligência artificial a gente tem mantido. Uma área que eu acho que está abrindo oportunidade com a questão da guerra, porque as áreas estão sofrendo com a questão da guerra, é a parte de aerospace, é a parte de turbina de avião, que é uma área que a gente gosta muito. Só tem três empresas no mundo que fazem isso de modo decente e a demanda é imensa em relação à capacidade de oferta.
é uma empresa tem ganhado capacidade de preço né e também a própria Embraer a gente gosta muito eu sei que hoje teve resultado resultado não foi bom mas assim é um resultado bom que não é bom para mim é a oportunidade de compra e tem sido empresa fantástica a trajetória que a gente tem investido a gente tem encontrado bons investimentos
e mantido esse bom investimento na carteira. Por exemplo, baixa renda no Brasil também tem sofrido, porque a inflação brasileira subiu, então, Minha Casa Minha Vida, esse tipo de... como cura e como direcional, são coisas que a gente tem mantido no portfólio.
A gente recentemente reduziu um pouco a parte de semicondutor, que é uma parte que deu um bom retorno para a gente em abril. Mas tem coisas ali que estão saindo um pouco de linha. A gente teve 17 pregões em sequência, o SOX, o índice de semicondutores. Estão ficando meio, tipo assim, virou prata. Algumas coisas ali viraram prata no momento.
é porque tipo assim a coisa mais saudável para qualquer investimento é quando você chama de rale de alocação ali de alocação ali de alocação eu percebo que é bom é gratuitamente se você percebe também da se coloca um pouco mais de dinheiro o dinheiro vai acumulando a coisa vai subindo de maneira comportada de maneira mantendo mesmo mantendo a volatilidade do ativo mas mas indo para cima vamos colocar dessa maneira
Só que o que não acontece de maneira saudável, é eu acordar de manhã e disse assim, cara, você quer saber essa empresa de memória aí? Está treinando a conta? 100? Eu quero 110. Bida 110 e me dá aí. Eu quero 110. Me dá 110. Daí você compra 110. Daí outro dia o cara acorda de manhã, o cara comprou 110, eu quero 120. Me dá 120. Daí o outro cara comprou 120, me dá 130. Porque tem empresas que estão subindo 10% ao dia.
no momento, e daí quando você olha em uma semana a empresa subiu 50%, igualzinha prata, a prata foi muito assim, eu sempre digo, ralis em que o tamanho da barra vai aumentando, a barra é aquele gráfico de candle, de velas, aí você tem uma velinha assim, as velinhas são todas assim, daqui a pouco as velas começam a ficar cada vez maiores, porque as pessoas vão comprando com cada vez mais raiva e com cada vez mais agressividade.
raiva porque eu perdi o dia de ontem nossa eu perdi e subiu 10%, então eu vou cobrar com raiva eu vou levar o ralho do ódio essas coisas são meio complicadas porque quem já viveu o suficiente de investimento sabe que no fundo a gente praticamente não sabe o valor de nada a gente tem uma boa ideia de que o valor está num certo
um certo intervalo que o valor é mais pra cima do que a gente entende isso, o valor disso aqui é mais pra cima do que pra baixo, a gente não sabe quanto vale muito bem não mas sabe que vale mais pra cima do que pra baixo embora a gente não saiba o valor exato
Então, dentro dessa humildade, quando as pessoas que não sabem o valor de alguma coisa, que eu sei que não sabem, ela sabe que eu não sei, eu sei que ela não sabe. Quando as pessoas começam a comprar a 10% ao dia alguma coisa, alguma coisa está errada, porque ela não sabe. Então, ela não pode ter essa agressividade. Você tem que ter o respeito da dúvida do investimento.
Então a gente reduziu a área de semicondutores, porque eu estava muito agressivo, nada errado, eu sou um hedge fund, nada errado, eu sou um multimercado, eu posso estar fora do mercado, meu trabalho é pegar a simetria, mas ficou um pouco agressivo, mas o processo todo de inteligência artificial é um processo ainda muito...
está muito no começo ainda. Os modelos, eu sempre digo, os modelos nunca vão ficar piores do que eles que são hoje. Eles vão ficar muito melhores. E hoje eles já causam, do jeito que são, um efeito econômico imenso. Eu vou dar um exemplo. Ontem que eu dei na live, não sei se vocês viram, o Marco me ligou de manhã e disse assim, Rui, a gente precisa... Nossa, tem um memorando de entendimento, cara.
Putz, a gente não botou isso na live, tem que botar na live, não sei o que lá, vou botar fora o dia inteiro, dá para cuidar disso. Perfeito. Saí do WhatsApp, ditei para o chat GPT o slide que eu queria. Quem veio a live ali, veio a live, está gravado. Eu ditei para o chat GPT o que eu queria, o primeiro slide da live ali, quando eu começo a falar. Ele fez sem um erro.
Eu digo, cria o prompt, ele fez sem um erro, em cinco minutos eu mandei para o economista e para a equipe, eu digo, bota. Eu digo, bota no primeiro slide. Não precisava nem de nada, nada, a gente só cortou o topo e a parte de baixo para poder botar no formato da quineia e colocou lá. É uma coisa que, cinco minutos, se eu pedisse para um analista, a qualidade do slide, vê só a qualidade desse slide. A qualidade do slide é tão boa.
E se eu pedisse para um analista fazer aquilo, eu tenho certeza que ia gastar pelo menos 3, 4 horas. Para ficar no mesmo nível de qualidade. Para ficar no mesmo nível daquilo ali. Tinha mapinha, tinha tudo, cara. Era impressionante. Então hoje ela já é boa o suficiente. Ela já é excelente.
E ela vai ficar melhor daqui. Eu só sei que ela vai ficar melhor e melhor. Agora, eu acho que uma coisa interessante da inteligência artificial é que agora já está ficando claro que você vai ter vencedor e perdedor. Antes, todo mundo estava ali no mesmo barco. Todo mundo estava vendo golfinho pulado no mesmo lado do navio. Agora, eu acho que vai ter real diferenciação. Eu argumentaria que Amazon e Google vai ter um disco útil.
são hoje já diferentes de Microsoft, de Oracle, de SoftBank. Eu acho que as coisas estão começando a se diferenciar. Os resultados é publicado semana passada, né? Já mostraram uma diferenciação ali. O que eu acho interessante, cara, que a gente falou de escrever um paper chamado Velocidade Máxima, você não assina os canais da Kinei, assina o blog da Kinei ali porque tem a carta e tem o Kinei Insight e tem no nosso canal do YouTube todos os vídeos que a gente grava com essas questões importantes, relevantes, né?
A gente escreveu em velocidade máxima, a gente escreveu em seis meses atrás, o seguinte, a pessoa física nunca vai pagar por isso, o custo disso tudo.
vai ter que ser o meio corporativo. A gente tem 100 trilhões, 110 trilhões de GDP no mundo, de PIB no mundo, e esses 110 trilhões de PIB corporativo é que vão ter que pagar esse custo todo. Não vai ser minha filha fazendo trabalho de colégio dela usando chat IPT. Essa parte que eu sou na live eu achei espetacular. Daqui a pouco ela vai ficar sem tokens. Vai ficar sem tokens, eu tenho certeza. Daqui a pouco vai ali, ó, empty, né?
No tokens, no tokens, né? Porque o papai comprou todos os tokens da Claude e ela ficou sem tokens, né?
Mas porque quando o valor sobe, porque, olha só, a gente está passando por coisas, meu pai sempre dizia assim, diz para mim até hoje, filho, toma cuidado com o que você considera normal, porque isso vai determinar boa parte da sua vida. A gente está falando de um trilhão de investimento? Ah, normal! Um trilhão de investimento? O que é um trilhão?
bota aí, bota um trilhão aí vai dizer assim 3% do PIB dos Estados Unidos quase metade do PIB do Brasil que a gente está colocando no chão, é quase metade do PIB do Brasil entendeu? inteligência artificial de poucas empresas envolvidas nesse processo aí a gente achou normal
Não, não é normal. Deixa eu dizer, isso não é normal. Porque é muito dinheiro, muito rápido. Então, você vai ter, naturalmente, gente que vai ganhar e gente vai perder. A gente falou assim, a pessoa física nunca vai pagar por isso. No máximo, olha só, Netflix é uma coisa que o pessoal adora.
adora Netflix, entendeu? Binge watch ali, parava uma série pá, oito horas de série ali no bairro do cobertor no sábado tá? As pessoas não pagam pra Netflix no agregado global nem perto, nem sonhando o que seria necessário pra banca. E olha só, quando escreveu velocidade máxima, não vou lembrar eu acho que era 500 bi naquela hora que era o capex total, não tava indo pra um tri, tá? Era 500 bi E aí
E a gente estimou que precisava de 700 bi de receita para bancar aquele capex todo. Para ter o ROIC, que seria o ROIC esperado. Pelo menos 700 bi de receita. Considerando a depreciação, custo, imposto e tal, 700 bi. Se a gente está falando de um tri, a gente precisa de um tri e meio. Só de receita. Hoje a gente tem...
Antropic no final do ano pode chegar a 80 bi vai, uma coisa assim Chat EPT está um pouco mais longe sei lá, você pode chegar no final do ano vamos ser bem otimistas Antropic 100, Chat EPT 50 falta só um pouquinho só um pouco
Eu estou dizendo que isso é o que paga a conta. Então, o que paga a conta é isso. São os modelos finais que, no final das contas, pagam a conta desse negócio todo. Você usando, você no grupo Primo, usando suas APIs e eu usando na Quineia. Aliás, a gente já tem na Quineia uma pessoa responsável por manter o custo.
desses tokens sob controle. A gente está instituindo aqui mapeamento de token para redistribuir token entre as áreas. É, porque sai de controle rapidamente. Rapidamente. Porque contratar um estagiário, você tem que achar a pessoa, passar pelo RH, gastar token, você gasta token, a torta é direito. E a gente teve que centralizar isso tudo. Temos uma pessoa responsável por tudo isso hoje na Quineia, porque...
custa muito dinheiro. Mas tem caminhos que você olha e diz assim, dá para chegar lá. E eu vou dizer rapidamente como dá para chegar lá. Se você começar a acelerar o PIB global 1% ao ano por inteligência artificial, eu falei 110 bilhões, é 1,1 bilhão de valor criado ao ano. E a ganho de produtividade. E a ganho de produtividade. Aí se você começa a pensar nesses números, de quanto você pode acelerar o PIB global e ganhar produtividade, os números são trilhões.
E aí você discute o seguinte, quanto fica com a empresa do modelo, quanto fica com a pessoa final. Porque você no grupo primo não quer transferir 100% do valor para o Google. Você quer reter a maioria e pagar o devido ao Google. Mas os números começam a ficar muito grandes. Você começa a dizer o seguinte, muita gente vai falhar no meio do caminho.
nem tudo aquilo vai ser remunerado. Então, você agora ser capaz de determinar, o que não quer dizer que a legislação oficial não seja um sucesso estrondoso, é uma coisa absolutamente fantástica, completamente exponencial.
E eu gravei um vídeo sobre o que é inteligência, que eu falo muito disso. Porque a inteligência artificial, o problema dela é que ela faz algumas coisas muito bem feitas e outras ela ainda é abaixo de um ser humano. Quer dizer, a capacidade dela não cresce assim em relação ao possível. Ela cresce em algumas áreas muito rápido e outras ela fica muito atrás de um ser humano.
Então, você não percebe a exponencialização porque as coisas que ela já faz melhor que você, ela faz tão melhor que você nem consegue perceber que ela já está fazendo dez vezes melhor que você algumas coisas. Mas as coisas que ela falha, você percebe muito rapidamente. O problema é que essa exponencial vai abrindo e crescendo. Como exponencial, ela vai crescendo em velocidade.
geométrica. A coisa principal da inteligência artificial, o número principal que eu sempre falo é o seguinte, quanto tempo o modelo de inteligência artificial consegue focar na mesma tarefa sem perder foco e realizar essa tarefa? Há dois anos atrás, isso era questão de segundos. Ela só conseguia ir com muito pouca informação, conseguia muito poucos tokens. Porque o problema da inteligência artificial, uma vez que ele...
desataxa da tarefa, ele perde aquilo tudo. Ele perde o ambiente que ele criou, ele esqueceu aquilo de uma maneira ou de outra. Você tem que transferir para memórias permanentes. Mas o que é o modelo de inteligência artificial hoje? Ele consegue ter uma janela de contexto, essa coisa principal, a janela de contexto dele, em que ele vai trabalhar com o número de tokens naquela janela de contexto para te dar a resposta. E qual o tamanho dessa janela de contexto?
E quanto tempo ele consegue ficar estável naquela janela de contexto, sem perder esse foco, é o que determina a complexidade da tarefa que ele consegue fazer. Hoje, um modelo como o Cloud, você consegue ter dois mil... Eu não vou ter o número certo aqui na cabeça. Eu não sei se é dois, quatro milhões de tokens, mas é equivalente a uns dez livros. Ele consegue manter, dez, vinte livros, ele consegue manter com memória funcional dele e você consegue ficar na tarefa horas. Horas.
É que ele te avisa, olha, acabou aqui, abre um novo chat. Exatamente, é. Ele consegue ficar horas. Se você tiver o dinheiro para pagar o token, ele fica horas naquela tarefa. Sim. Mas daqui a pouco ele está ficando semanas. Daqui a pouco ele está ficando um mês na tarefa. E porque esse é exponencial, né? E aí você vai, ele vai fazer coisas que um ser humano nunca pensaria fazer.
porque se hoje trabalhando alguns minutos, algumas horas, ele faz aquilo que ele faz, que você não seria capaz de fazer nem de perto naquele tempo, isso vai ser um exponencial, e o problema desse exponencial, eu vou dizer a coisa que está mais na minha cabeça, é novo o que eu tenho pensado em inteligência artificial, eu gosto muito de ler todos os comentários, todos os vídeos, eu leio todos os comentários, todos os vídeos.
Por que eu faço isso? Primeiro para dar risada das pessoas mais desaforadas, né? Sempre tem. E dar aquela pancada, mas eu dou uma risada dessa. Tem uns que eu nem posso mencionar aqui, mas é engraçado. Não republicano. É o que o pessoal coloca. Mas tem gente que genuinamente entra ali para...
questionar de uma maneira super construtiva. Teve um cara que botou um comentário para mim uma vez, que botou super construtivo, e disse assim, Rui, será que a gente não está tentando o LLM o tempo todo? Esses modelos estão ficando super inteligentes. Mas a resposta não pode ser o LLM, simplesmente porque o LLM é os modelos para a inteligência especial.
Porque a quantidade de energia, a quantidade de... Você pensa, hoje o Cláudio, 20 minutos, acabou para você. 20 minutos, encerrou os tomos do dia. Seca rápido. Seca rápido. Porque senão você vai consumir o planeta de energia e semicondutores e você não vai chegar onde você quer chegar. Talvez, às vezes eu penso sobre isso. Às vezes eu penso que...
A gente está muito no começo disso. E você vai ter que ter várias rodadas. Que você vai trazer novas tecnologias para a célula LM. Como o DeepSeek fez. Não liga o modelo inteiro. Liga a parte separada. Tem uma nova tecnologia também chinesa agora. Em que você... Quando o modelo... Começou com a China, né? Quando você pergunta para o modelo. Ele não liga o modelo automaticamente. Vai primeiro para a memória permanente dele. Se você perguntar para o modelo. Quem é o André Agassi? Ele vai te responder.
Mas isso não é uma coisa que precisa de um modelo probabilístico. Isso é uma informação. Já está na memória, é só pesquisar. É isso, é uma pesquisa de Google.
Então o modelo não liga inteiro, ele vai e diz assim, não, isso é uma informação que simplesmente precisa ser acessado, o dado dessa informação, e gasta muito menos energia para fazer isso. Então a gente vai ter que trabalhar muito nessa questão do modelo. A gente vai pensar, lembra, o Deep Seek Moment, o momento Deep Seek, foi quando o pessoal disse assim, você pode fazer um modelo muito mais eficiente do que os modelos atuais. E aí todo mundo ficou com medo. E agora a gente chegou...
um ano e meio depois, um ano e meio depois, e está faltando sempre condutor, está faltando memória, está faltando tudo. A gente, na verdade, precisa de 20 momentos de psique. A gente precisa que de psique seja uma constante da nossa vida, de modelos que trabalhem cada vez melhor, porque a gente está com déficit de memória física, memória DRAM, memórias do meu celular.
Um dos melhores investimentos que eu fiz foi ter trocado de computador, que valorizou. Porque o que acontece, como está faltando memória dramaticamente no momento, a gente precisa de vários momentos de inventividade, de criatividade extrema, para que a gente consiga colocar o mundo físico dentro das necessidades da sociedade e inteligência artificial do momento.
E as coisas mudam rápido, né? Estava até falando com o Ricardo, antes era... surgiu o GPT, se você não usar a chat GPT, você era até mal visto ali, cara, você tá pra trás, e agora parece que usar o GPT, não, agora é o cloud, você tem que ir pra próxima, e você vai trocando ali a diar. Você acha que vai ser uma tendência pro futuro, assim, você vai ter que sempre estar escolhendo a empresa melhor posicionada no momento, ou todas eventualmente seriam capazes de...
de resolver problemas da sociedade. O problema hoje que a gente tem, cara, é que a gente vive uma coisa chamada lei de escala. A gente não sabe bem como funciona. É a verdade seguinte, quando você ouve os especialistas da área falando, a gente não sabe muito bem como é que esses modelos funcionam.
A gente coloca o modelo para funcionar, mas a gente tem dificuldade com o nível de complexidade que ele já tem hoje, como é que eles chegam nas conclusões que eles chegam, da maneira que eles chegam. A verdade é o seguinte, ninguém esperava. Tem um cara chamado Ian Lecã, que foi o cara que começou, foi um dos pioneiros desse processo.
E ele dizia o seguinte, você nunca vai chegar na inteligência artificial geral a partir do momento de LLM, de um modelo de LLM, um modelo de Large Language Models, que é o modelo que a gente tem hoje, de MNAS, de GPT, porque...
Tudo que esse modelo faz é tentar prever o próximo token, é tentar prever o próximo pedaço de informação. É assim que esse modelo funciona. Quando começou o chat de IPT, o pessoal brincava que era um autocomplete sofisticado. Começou a ditar no Google, ele completa. Ele completa, né? Que era um autocomplete sofisticado e que aquilo não ia levar a nada que realmente valesse a pena do ponto de vista econômico. Teve muito esse questionamento no começo do chat de IPT. Era uma curiosidade interessante, mas é um autocomplete. É o que é.
E todo mundo dizia o seguinte, mas ela não fala com o mundo físico, ela não é capaz de planejar, ela não é capaz de tomar decisão, ela não é capaz de criar estratégias. E a gente dizia várias coisas que ela não era capaz de fazer. E o ELECAN seguia muito essa linha. Até saiu da meta, que ele estava trabalhando na meta, saiu para montar um venture dele nessa direção. O problema é que a gente não esperava que conforme você fosse botando mais e mais máquina,
mais e mais GPU no processo, mais memória, em que a inteligência simplesmente aparecesse. Foi isso que aconteceu. A inteligência apareceu. Você foi botando GPU, saiu das A100, foi para H100, foi ali para Blackwell, que são os chips mais sofisticados da NVIDIA, vai agora para o Vera Rubin.
E quanto mais capacidade você botava, é como se crescesse um cérebro. E sem você saber como é que aquele cérebro, ele simplesmente cria inteligência. O Dario Amodei falou uma frase maravilhosa. Ele dizia assim, cara, inteligência, a gente acabou descobrindo que era igual fogo. A gente não sabia. Mas se você botar oxigênio, madeira, alguma coisa e temperatura,
O fogo aparece. Ele aparece. Ele é uma característica emergente do sistema. O que me fez questionar, eu tive vários questionamentos. O Terence Tal, conhece o Terence Tal, que é um matemático famoso? Não, não conheço. Ele tem muito conteúdo bom na internet. É um cara muito sério, um matemático de primeira linha. Eu dei uma entrevista no Lex Friedman, é um cara sensacional. E o Terence Tal falou uma coisa para mim, num programa, que eu fiquei parado assim, pensando, ele disse assim, será que tudo que a gente não faz,
na nossa cabeça é prever o próximo token, que é o que a gente está fazendo. Quer dizer que, na verdade, a nossa inteligência não é simplesmente um modelo probabilístico em que eu aplico probabilidades em relação ao mundo, o mundo me dá feedback. Eu digo assim, tentei passar a mão pela mesa e não passa. E pela probabilidade, porque eu já tentei isso muitas vezes na minha vida, nunca passou, então nunca vai passar. Não tenta isso de novo. Eu tenho a inteligência agora de saber que minha mão não passa por mesas.
E eu vou tentando, testando o mundo ao meu redor, probabilisticamente, e vou percebendo que algumas probabilidades são maiores que as outras. E a inteligência, na verdade, é a capacidade que eu tenho de me relacionar com o mundo, sabendo as probabilidades de que, se eu atravessar com o sinal verde, eu tenho a possibilidade de ser atropelado, eu não vou fazer mais isso. E até investimento, o que é investimento? Que não seja isso.
Você testa várias coisas na vida, você diz, não, esse tipo de investimento. Quando começa a subir 10% ao dia, todo dia,
Ou todo mundo era burro antes e ficou inteligente da noite para o dia, ou tem alguém que talvez esteja ganancioso demais aqui nessa cadeia de investimentos. Isso é aprendido. Isso é um stoke. É como se o mundo me desse... Eu desse inputs para o mundo e o mundo me respondesse. Isso vale, isso não vale.
É o que a gente faz com a inteligência artificial. Você dá um prompt, ela testa e começa a aprender. Isso vale, isso não vale. Tanto é que ela tem o training e depois ela tem o post-training, em que você vai dizendo para ela, não, isso está bom, isso está ruim, isso aqui funciona. E ela vai aprendendo, ah, tá, isso aqui é bom, isso aqui é ruim. Não, estou entendendo. Já sei lidar, começa a saber lidar com o mundo. Quando você tenta fazer com que a inteligência artificial lide com o mundo físico, é a mesma coisa. Tanto é que carro autônomo está avançando agora mais rápido.
Porque você dá o LiDAR, você dá as câmeras, e ela começa a aprender. Isso aqui é bom, isso aqui é ruim. E você vai guiando ela. Você viu aquele exemplo de que você pega uma foto daquele The Rock, daquele artista, e você manda mudar 100 vezes a foto, desculpa, manter estável a foto 100 vezes, e que o chat GPT, depois de 100 vezes, muda a foto completamente, mesmo você pedindo para manter estável.
Por que isso acontece? Porque o chat IPT não tem feedback do mundo para dizer que ele mudou.
E para ele não mudou, porque ele não tem feedback. Então a inteligência nada mais é do que você tentar interagir com o mundo e o mundo te responder de volta. E como é que você lida socialmente? Você lida com pessoas desde que você nasceu? Você aprendeu o que é aceitável para pessoas? Ou não? Talvez você seja um autocomplito gigante. E talvez essa é a razão de porquê. O Dario Amodei fala isso, que se você olha o Cloud, que é o modelo mais sofisticado,
ele mostra sinais de estresse, ele sabe quando você está testando ele, entendeu? E talvez a inteligência seja isso, uma capacidade emergente. Da mesma maneira que quando você tem complexidade física suficiente, você cria química, você cria moléculas, né? Água não é oxigênio, hidrogênio, é água e ao mesmo tempo...
uma célula não é essas moléculas combinadas, é algo muito maior que isso quando você bota GPU suficiente, memória suficiente e dá toda a internet para esse cara estudar esse cara simplesmente se torna inteligente e é uma capacidade emergente do sistema
Tive aquela declaração que você provavelmente deve ter visto do Sam Altman falando em algum evento do mercado que não gera receita, que não deveria gerar muito lucro. Ele falou até de uma certa forma irônico para o público que estava questionando isso, falando sobre investir nessa...
e a absoluta nessa inteligência absoluta e perguntar ao modelo como gerar lucro, como que fazer o business ser rentável. Ele falou isso, repercutiu bastante, mas como que a gente, no meio do caminho para desenvolver essa super inteligência que vai exigir essa capacidade computacional, GPU, como que a gente continua convencendo investidores, financiadores a pagar nessa certa, vamos colocar entre aspas, aposta de que lá na frente essa inteligência é tão absoluta que eu pergunto para ela como que eu gero receita no meu business.
No final das contas, é uma corrida ao ouro tão grande. É a corrida ao ouro da nossa geração. É a grande serra pelada da nossa geração. É a grande Califórnia da nossa geração. E isso é tão grande. Uma das entrevistas do Niall Ferguson, eu adoro o Niall.
e que ele fala muito da comparação realmente com as ferrovias do Reino Unido, principalmente com aquele processo que chegou a 5%, 6% do PIB em investimento do Reino Unido em ferrovias. A gente está num processo desse tipo. A gente sabe que o investimento é produtivo. A gente só não sabe onde vai ter sobreinvestimento, porque vai ter sobreinvestimento. Não tenho dúvida nenhuma que vai ter sobreinvestimento. Vai ter muita coisa que vai dar errado nisso.
mas a gente não sabe onde vai ter sobre investimento mas a gente está numa bolha se a gente está numa bolha, a gente está numa bolha maravilhosa eu me lembro, cara, eu vi o Martins Cobari dar uma entrevista num podcast que eu adoro Investing the Best eu não lembro o nome do podcast, é um podcast que eu tenho seguido e que tem sido um podcast maravilhoso eu vi o Paulo Tudor Jones dar uma entrevista ali maravilhosa em que o Martins Cobari fala da bolha de 2000
e que ele fala que o amigo dele estava na bolha, ele pergunta assim, mas como é que está dentro de uma bolha? É ótimo. Melhor do que estar fora dela. Ele estava fazendo um... Aquela história da pirâmide no começo é uma delícia. Olha, um dot com ali da vida. Mas a gente está numa... Eu vou aumentar que a gente está num... Eu vou dizer bolha não, porque o mercado está acima da sua valuation. Estou dizendo que é o seguinte, dentro disso tudo, você vai ter que saber selecionar vencedores e perdedores.
E dentro desse contexto, é muito tentador você buscar o vencedor. Porque uma vez que você busca o vencedor, esse vencedor multiplica por 30, 50 ou 100. Porque o que é a sociedade americana no momento? É importante você pensar isso. Da mesma maneira que a sociedade brasileira se viciou em dívida, dívida que eu digo, papel do governo, CDI, a sociedade brasileira é viciada em CDI. A renda fixa é um vício da sociedade brasileira de investimento.
O americano é viciado em renda variável.
Ele viu gradualmente a sua capacidade de crescimento de renda erodir ao longo do tempo, mas a sua capacidade de ganho de capital subiu enormemente. E logicamente é difícil você fazer um 401k, um fundo de aposentadoria, se você não investir em renda variável nos Estados Unidos. Você está pressionado por receita, seus custos estão altos, está difícil ganhar dinheiro, ser motorista de Uber nos Estados Unidos não está fácil. Você tem que tentar alavancar isso via...
Renda variável, que tem sido um caso estrondoso, as pessoas estão cada vez mais viciadas em renda variável nos Estados Unidos. Então, tentar buscar o vencedor desse processo é tentador, vai ser tentador. As pessoas vão financiar.
é o mundo vai virar um grande vici né um grande vento capital Angel Capital né tem sido desse processo você achou 100 trilhões né achou você o Google te convenceu sabe aquele dividendo aquele buyback eu te pagava não cara nada mais disso tá é tá tudo sendo gasto aqui eu vou te gerar o Roik disso e tem um banco aí para me dar um pouco mais dinheiro que eu também tô precisando vamos assim mas eu acho tipo assim a coisa que eu acho interessante eu falo isso
Talvez com a calma de quem já passou por esse tipo de processo várias vezes na vida. Mas a coisa que eu vejo mais triste nesse processo é a pessoa ser uma Cassandra ou ser uma Poliana. Passando é aquela figura que sempre achava que as coisas iam dar errado e Poliana é a figura que sempre achava que as coisas iam dar certo.
Porque a gente está num movimento de altíssimo investimento em que muita coisa vai sair maravilhosa desse movimento. Vai ser muita coisa, vai gerar muito valor desse movimento, vai transformar a sociedade nesse movimento. Mesmo a bolha da internet, que foi uma bolha que eu acho muito menos produtiva do que o que está acontecendo no momento, ela gerou coisas para a gente que mudaram completamente a sociedade dez anos depois.
Tudo bem, se você comprasse ali a Pet.com, que é aquelas coisas que nasceram ali na boleta da internet no ano 2000, você teria se dado muito mal. Mas foi ela que nos deu a Amazon, foi ela que nos deu a Oracle, a Microsoft, posteriormente a Google, tudo que a gente vive hoje nasceu dali. Então tem muita coisa boa e produtiva acontecendo nesse processo. Só que agora você vai ter que selecionar, até agora estava mais fácil. Mas agora você vai ter que sentar e fazer um pouco de seleção em cima disso, mas...
vai ser tentador, né? Você virou uma febre. Você sabe que no Vale do Silício agora, mudaram até as horárias das festas pra casar com problema de Tolkien, né? Porque as pessoas estão viciadas. Horário de pico de Tolkien. As pessoas estão viciadas em Tolkien, estão viciadas em inteligência artificial. Porque virou uma corrida ao ouro. Você diz assim, cara, eu posso fazer tanta coisa inteligente. Você viu que teve aquele primeiro cara que fez sozinho o business que vale um bilhão, né? O primeiro umicórnio que foi feito só pra uma pessoa só.
e fez um business que vale um bilhão. O Sant'Alteman sempre falava que alguém ia fazer aquilo em algum momento. Então a corrida do ouro é tão grande, não só por parte das empresas de tecnologia, mas as pessoas que vão usar essa tecnologia, você vê o Bezos, está querendo levantar dinheiro bilionário, trilionário, para poder mudar o mundo.
mudar modelos de negócio com inteligência artificial cara, isso é uma loucura eu falo pro meu filho, vai pra lá e tenta se enfiar em algum lugar pra você crescer pra você se transformar pra você ver esse mundo toma esse risco
Porque o que vai nascer nos próximos anos vai nascer dali, vai nascer naquela área do Vale do Silício, vai nascer principalmente nos Estados Unidos, no setor de tecnologia, e vai migrar para cá em algum momento. Mas a chance grande é que nasça ali. Que legal, Rick. Estou que nem esse papo. Se botar uma cervejinha aqui, acho que a gente vai a tarde inteira. Está pro lar, o tempo voou.
A gente já tá caminhando pra algo próximo. Coisa boa, coisa boa que o convidado tá agarela, né? Hora de episódio espetacular. Espetacular. Aula como sempre, Rui. Quero agradecer. Lógico, nosso convidado. É lógico. Nosso papel hoje de host foi devidamente respeitar. Nosso papel de host é ficar quietinho, ouvindo a aula. Sabe que o pessoal critica a gente, Rui, que se a gente fala demais, deixa o convidado falar. Eu sou apresentador também, eu sei disso.
Então a gente ouve bastante. A apresentadora eu sei disso. E quando o conteúdo é rico como o de hoje, fica mais fácil ainda ficar quietinho só ouvindo. Foi espetacular. Rui, mais uma vez. Obrigado pela apresentação. Obrigado pela aula. Por favor, deixe aí.
de uma maneira super clara para essa turma poder seguir e acompanhar e beber mais da fonte de conhecimento que vocês lá na Quineia tanto produz. Faz um favor para a gente, se você gosta do conteúdo, assina o canal Quineia Investimentos do YouTube, tem o Instagram também, tem todos os outros. Porque Quineia foi uma palavra que a gente inventou. Então, se você botar Quineia, é só a gente, não tem outra Quineia. Então, segue a gente no YouTube, no canal do YouTube Quineia Investimentos.
A gente está querendo chegar a 100 mil. Eu quero aquela plaquinha. Cadê a plaquinha?
Eu quero aquela plaquinha dos 100 mil, né? E como recompensa pelo trabalho, né? Acho que é uma satisfação pelo trabalho que a gente tem feito. O nosso canal é só conhecimento, a gente tenta passar conhecimento. A coisa que eu mais detesto é ficar fazendo jabá de produto, essas coisas. Eu acho que se a gente vem aqui, eu sou igual o Fitzgerald, né? Eu venho aqui porque tem alguma coisa a dizer, não para dizer alguma coisa.
É tentar passar conhecimento. Nossa comunidade do Instagram, tem muita coisa legal ali. Nosso blog da Kinec tem as cartas e tem o Kinec Insights. Mas principalmente assisto o Kinec Investimentos. Eu queria chegar a 100 mil.
A gente chancela essa recomendação, como a gente comentou aqui, nós consumimos esse conteúdo sendo profissionais do mercado, mas não é um conteúdo só para quem trabalha no mercado, é simples, de uma maneira muito palatável, fácil de compreender, com exemplos, analogias, então chancelo aqui a recomendação.
Isso aí é dizer que o Rui vem, então, numa próxima vez que você tenha uma tese a contribuir, queremos trazer você novamente. Então, já deixa aqui encomendado um convite futuro pra você estar conosco também. Tá bom, queridos. Muitíssimo obrigado a vocês. Foi sempre um prazer estar aqui. Eu adoro esse grupo. Acho o vibe aqui muito legal.
Maravilha. Arraiz, se a turma quiser te encontrar... Arraiz.finclass no Instagram e no YouTube da Finclass, que eu produzo o vídeo semanalmente, junto com o Ricardo e com os outros analistas da Finclass aqui. Se inscreve lá, que também estamos crescendo bastante nosso canal no YouTube. Eu estou no Instagram, ricardo.fiz. Você que está acompanhando o Spotify...
Por favor, né? Eu sei, tá dirigindo ou tá na academia, não vai dar pra clicar no se inscrever agora, não tem problema, mas não se esqueça de se inscrever no nosso canal, porque ajuda pra caramba o nosso trabalho. Então já aproveita, se inscreve tanto lá na Quineia, quanto aqui nos Economistas Podcast. Certo? No próximo episódio estaremos aqui, contamos com a sua audiência. Forte abraço. Tchau, tchau.
Kinea Investimentos