AS LIÇÕES DE 25 ANOS NA BOLSA PRA VOCÊ GANHAR DINHEIRO | Guepardo Investimentos | Os Economistas 219
ACESSO VITALÍCIO À FINCLASS COM 50% DE DESCONTO, MAIS DE 80 CURSOS E RECOMENDAÇÕES DE INVESTIMENTOS, ALÉM DE VÁRIOS BÔNUS! https://finc.ly/408c57681fOtávio Magalhães é fundador e diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, gestora independente de ações brasileiras com quase 25 anos de história.Em uma janela de 25 anos, a Guepardo multiplicou o patrimônio dos cotistas em 118 vezes, com retorno médio de 21% ao ano líquido de taxas. Pra ter ideia da façanha: nenhuma ação do Ibovespa, tirando WEG, entregou esse retorno no período. E a Guepardo nunca teve WEG.Como isso é possível? Otávio explica nesse episódio o método que ele construiu ao longo de duas décadas e meia: como avaliar uma empresa de verdade, por que margem de segurança é o único controle de risco que importa, por que renda fixa é "do preguiçoso" e onde estão as melhores oportunidades hoje na bolsa brasileira.Ele abre as teses da casa: Vulcabras (o melhor investimento da história da gestora, onde o preço médio menos dividendos já ficou negativo), Grupo Mateus, Klabin, Alos e a parceria com a Kinea. Detona Petrobras e estatais. E ainda dá uma aula sobre por que diversificação é, na maioria das vezes, sinal de que a empresa vai te queimar dinheiro.Aperta o play. Esse aqui é pra ouvir mais de uma vez.Finclass | 5 anos formando investidores no Brasil. No aniversário, o vitalício saiu por 50% de desconto: 12x de R$ 250 (de R$ 6.000 por R$ 3.000). São mais de 80 cursos com Gustavo Cerbasi, Howard Marks, Thiago Nigro, Bruno Perini, duas carteiras recomendadas, lives diárias com analistas e a maior comunidade de investidores do Brasil! https://finc.ly/408c57681fSIGA O PESSOAL: Ricardo Figueiredo: @ricardo.fiisEvandro Medeiros: @oevandromedeirosOtávio Magalhães / Guepardo: @guepardoinvestimentos
- Lições de 25 anos na BolsaDisciplina e consistência no mercado financeiro · Análise bottom-up vs. top-down · Importância da margem de segurança · Diferença entre renda fixa e variável · Estratégia de investimento de longo prazo · Diferimento de impostos em fundos de investimento
- Análise de empresas e setoresVantagem competitiva da Vulcabras · Estratégia de investimento no Grupo Mateus · Tese de investimento na Klabin · Análise de shoppings centers pela Alos · O setor de varejo alimentar no Brasil · O setor de celulose e papel · O setor de shoppings centers · O setor de petróleo e estatais
- Estratégia de PortfólioA importância de conhecer os controladores · Evitar diversificação excessiva · Ameaças de novas tecnologias e competição · Barreiras de entrada em negócios · A filosofia de investimento da Guepardo
- Medidas econômicas do governoInterferência do governo em estatais · Impacto das políticas governamentais nos preços de combustíveis · Privatização de empresas estatais · O impacto das apostas esportivas na economia
- Pesquisa QualitativaAvaliação de gestão e estratégia de empresas · Análise de setores e suas barreiras de entrada · A importância de conhecer o negócio em profundidade
- Oportunidades em ativos descontadosInvestimento em empresas com baixo preço de mercado · Aproveitar momentos de crise para investir
- Fundos ImobiliáriosParceria entre Alos e Kinea · Diferenças entre investimento em equity e fundos imobiliários · Ativos troféu em shoppings centers
- O processo de investimento da GuepardoSeleção de empresas para investimento · Análise de risco e retorno · A importância de aprender com os erros
- A dinâmica do mercado de açõesLiquidez e tamanho das empresas · O papel dos investidores estrangeiros no mercado brasileiro · A volatilidade das small caps
Se você ainda usa toner pra imprimir, tá na hora de você saber que o principal componente é o plástico. Um ano de impressão com toner em todo o mundo equivale a 20 bilhões de sacolas plásticas. É muito plástico, não é? Chegou a hora de reduzir o plástico nas suas impressões e ainda diminuir também o consumo de energia. Mude para uma impressão toner free, escolhendo as impressoras empresariais de jato de tinta Epson Workforce, com a tecnologia Precision Core. Você não vai querer continuar usando impressoras com toner, vai?
Saiba mais em epson.com.br barra toner free. As estimativas da Epson são baseadas em dados internos e de terceiros. Muito boa tarde, senhoras e senhores. Todos bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio do Economistas Podcast. Pela primeira vez nos acompanhando. Muito prazer, eu sou o Ricardo Figueiredo, sócio no grupo, especialista em fundos imobiliários e divido bancada com o meu amigo Evandro. Tudo certinho, Evandro? Tudo certo. Prazer estar aqui.
O Evandro é nosso analista de Equities e veio reforçar essa bancada porque hoje nós temos um convidado para desbravar conosco o mundo de ações para vocês. Antes disso, recadinho importante, no aniversário Finclass o Vitalício ainda está ativo, tá certo? Finclass completou cinco anos, não são cinco meses, não são cinco semanas, são cinco anos formando investidores no Brasil.
E para celebrar, a gente abriu uma condição super especial para o nosso plano vitalício. Só aparece em datas como esta, datas tão especiais. 50% de desconto, você paga uma vez e se junta a Finclass. Enquanto a Finclass existir, nós queremos que exista por muitos e muitos e muitos anos.
o que você vai ter na Finclass, lembrando, você vai ter aulas, são mais de 80 cursos com grandes especialistas do mercado, Gustavo Cerbasi, Howard Marks, tem aula com o Thiago Negro, com o Bruno Perini, enfim, tem as nossas carteiras recomendadas, uma para a construção de patrimônio, outra para a construção de renda passiva, você tem acesso às duas carteiras completinhas, live, todo dia com analista para esclarecer dúvida.
A nossa comunidade, onde mais de 130 mil investidores têm acesso, colocam lá as dúvidas, a gente tenta esclarecer também, nossos moderadores estão sempre atuando lá. Então, você aprende a investir também, observando as dores do crescimento de outros investidores.
E nessa condição super especial do nosso aniversário, quem entra no aniversário ainda ganha três meses do Duo Gourmet, que é aquele aplicativo que concentra aí os principais restaurantes do Brasil, onde você tem 50% de desconto no prato. Que maravilha. Maravilha. Leva dois, paga somente um.
Baita oportunidade, então. Somente nesta semaninha de aniversário da Finclass, 12 parcelinhas de 250. É isso mesmo, de 6 mil por 3 mil reais, 50% de desconto. Você pode ainda dividir em 12 parcelinhas, que é a code na tela, link na descrição. Não vacila, garanta sua vaga vitalícia, o Finclass.
E vamos para o nosso conteúdo de hoje. Ivan Andrão vai nadar de braçada, está se divertindo já por antecipação aqui. O papo de bastidores já estava super animado. Estamos mais uma vez aqui com Otávio Magalhães. Otávio, prazer te receber mais uma vez aqui. Sempre que você vem é aula, então eu fico muito contente de receber novamente.
Prazer é meu, é um prazer estar aqui. Obrigado pelo convite. Vamos lá, o Otávio é fundador e diretor de investimentos da Gepardo Investimentos, que é uma gestora independente especializada em ações brasileiras. Foi fundada em 2004, mas a história começou lá em 2001 com o Clube de Investimentos Gepardo, que inclusive deu nome à gestora.
Então, são quase 25 anos de cota em que houve multiplicação de capital de 118 vezes. Exatamente isso. Multiplicou o patrimônio dos cotistas em 118 vezes. Entregou aí 21% ao ano.
E a gente está falando de 21% ao ano? Uma janela de quase 25 anos, senhor Evandro. É muita coisa. Não são 25 semanas, não são 25 meses. Isso pós-taxas, né? São 25 anos. Porque se você reconsidera as taxas 2,20, nossa, impressionante. E 21% você dobra o capital em 3, 4 anos. É um baita retorno, é um baita retorno. E é por isso que a gente mais uma vez traz o Evandro aqui para você poder beber dessa fonte de conhecimento. Vamos começar o nosso bate-bola aqui com...
com o Evandro, e aí eu já quero me ater, Evandro, a esse número que realmente me impactou quando eu vi que é essa multiplicação de 118 vezes o patrimônio em 25 anos, 21% ao ano. Nesta janela, é uma senhora janela, o que foi mais difícil? Você construir um processo ou a disciplina para manter ali, como diria um...
um ex-diretor que eu tive ao longo da minha carreira, segurar o touro pelo chifre nos momentos horrorosos de mercado. Eu acho que não é uma coisa difícil. É uma coisa que você precisa de muita disciplina. É como o cara que quer, sei lá, emagrecer ou o outro que quer correr uma maratona, precisa treinar, precisa de disciplina, precisa não falhar, não errar tem dia que você está com preguiça, que você não quer e você vai lá e tem que treinar sempre.
No mercado não é diferente. Você não pode cair no diz que diz, você não pode entrar no boato, você não pode entrar no jogo, comprar uma coisa porque eu acho que você tem que estudar, tem que ter profundidade, tem que gerar conforto, criar uma convicção numa tese, construir a tese, ter profundidade na análise e com muita disciplina.
sem ouvir os outros, sem ouvir os ruídos, sem ouvir a rua, o mercado, você consegue, com essa disciplina, no longo prazo, ter uma performance boa. No curto prazo, às vezes você vai sofrer, às vezes você está enxergando algo que o mercado não está enxergando, às vezes você apanha, você fica lá seis meses apanhando, um ano apanhando, mas não tem problema, porque no longo prazo, se você estudou, se você tem convicção, está com profundidade, está certo na tua análise,
o seu dia chega, você vai colher os frutos daquilo que você plantou. Então é você plantar com muita disciplina, não ouvir, tentar se fechar, tentar não ouvir o mercado e tentar seguir em frente a sua tese, a sua visão e o seu estudo, cada vez mais profundo, com mais técnica, com um time bom e continuar. Acho que esse é o segredo dos 25 anos.
É não escutar a mercado e não ficar tentando acertar as coisas na aposta, no jogo. Senão você acaba saindo do investimento e indo para o jogo. Você acaba transformando a bolsa num cassino, que é o que a gente não quer fazer. A gente quer realmente investir em boas empresas e baratas ao mesmo tempo, descontadas do valor justo. É isso que a gente faz. Eu brinco que as empresas que a gente gosta de comprar são simples de entender e difíceis de imitar.
Na gueparda é a mesma coisa. É simples de entender o que a gente faz e difícil de imitar. Por que difícil de imitar? Porque os caras não têm essa disciplina, essa profundidade. É chato fazer o que a gente faz.
É que nem correr maratona. Pouca gente corre maratona. Por quê? Porque é chato correr maratona. Tem que ter muita disciplina, tem que se dedicar muito. Agora, é fácil entender? É fácil. Vai lá, pega o tênis, põe, calção, vai lá e corre. São 42 quilômetros, tá fácil.
Vai lá e resolve. Agora, e a disciplina para você chegar lá? Para você atingir o que você quer? Na bolsa é a mesma coisa. Para você investir no longo prazo com sucesso, é a mesma coisa. É fácil, mas é difícil fazer. O cara não vai ter disciplina, ele vai cair no modismo. É tech, é ramp, é não sei o quê, growth. Aí agora mudou e não é mais growth, é sei lá o quê. Teve internet lá nos anos 2000, 2001, quando eu comecei. Aí é crise, é pandemia.
É todo mundo fechando, é commodity, é ciclo bom de commodity, é ruim, é câmbio para cima, é câmbio para baixo. Cada hora tem um discurso novo. É os Estados Unidos que agora estão bem, agora o Brasil está ruim, é eleição, tem gente operando eleição. A gente não opera nada disso. A gente compra empresas baratas e boas.
E tanto faz eleição, tanto faz quem vai ser eleito, tanto faz o câmbio, tanto faz o PIB, tanto faz tudo que está acontecendo, o commodity, preço de commodities, vai subir, vai cair, tanto faz. A gente não olha para isso. O macro não influencia em nada a nossa análise. É um olhar bem mais micro ali, com o fundamento da empresa, procurando o que está barato, que aí você tem margem do desaforo.
É que são duas maneiras de olhar. A gente fala no mercado financeiro, bottom-up e top-down. Top-down é quando você vai de cima para... Por exemplo, eu acho que o petróleo vai explodir. Então, vamos comprar Petrobras ou Prio ou não sei o quê. Então, aí você vai top-down. A gente não faz isso. O nosso é bottom-up. Eu vou lá numa empresa que eu falo, nossa, essa empresa é muito boa, é líder de mercado, está num setor muito bom.
Tem um time bom, pessoas boas, sabe alocar capital. Tem a gestão boa, estratégia boa, cultura boa. Os caras sabem dar meta, desdobrar meta, alinhamento, governança impecável. Quer dizer, tudo funciona, o cara é líder, não sei o quê. Pô, gostaria de ser sócio dessa empresa, é uma joinha. Aí a gente vai fazer o fluxo de caixa descontado, a nossa análise quantitativa, olhar os números da empresa, projetar.
quanto ela vai gerar de fluxo para mim nos próximos anos. Aí eu faço uma projeção, aí que entra o chute barra experiência de você saber projetar corretamente para saber quanto que vale aquele fluxo de caixa. Ah, aquela empresa vale 10 bi. Aí eu consigo comprar ela por 5 bi? Então eu estou comprando pela metade do que eu acho que vale. Então eu vou conseguir dobrar o meu capital.
Ah, mas eu errei na projeção, então não era 10 bi, ela vale 9,800 ou 9,5 ou 11. Eu fui muito pessimista e vale mais. Tanto faz, eu estou pagando 5. Então, tanto faz. É difícil eu comprar um negócio que eu errei pela metade o fluxo de caixa. Quer dizer, eu pagar numa empresa que eu acho que vale 10 bi, pagar 5, e o 10 bi, na realidade, ser 5.
Quer dizer, eu estar comprando ela pelo preço justo é muito difícil. Porque pensa, metade de tudo que eu projetei precisa desaparecer. Então precisa ser uma coisa assim. A empresa é boa, está num setor bom.
ter um time bom, pessoas boas, estratégia boa, gestão boa, como é que vai desaparecer metade da renda dela, do fluxo de caixa dela? Eu brinco porque muita gente não sabe o que é renda fixa ou o que é renda variável. A renda fixa é porque aquela renda é fixa, ela é pré-determinada, você sabe exatamente qual é a renda que aquele ativo vai te dar. A renda variável é porque a gente não sabe, ela varia, a gente não tem a menor ideia de qual será a renda.
Por isso que é variável, aquele fluxo de caixa, o que a empresa vai te entregar ao longo dos anos, varia muito. Então, um shopping center varia pouco, uma empresa de saneamento, uma empresa elétrica, por exemplo, varia pouco. Agora, tem empresas que variam muito, commodities, minério de ferro, petróleo.
varia muito o preço da commodity. Então, você tem muita dificuldade de saber volume, preço, etc., projetar receita, EBITDA, lucro. Então, aí é uma renda muito variável. Existe renda pouco variável e muito variável. Então, eu brinco, quando eu acho um shopping center, por exemplo, me dando uma renda muito alta, eu falo assim, pô, isso é uma oportunidade única, porque ele é muito mais próximo de uma renda fixa do que próximo de uma empresa de commodity.
Hoje, eu comparo muito mais, quando eu vou investir num shopping, a gente tem posição na Alos. Eu comparo muito mais a Alos com uma renda fixa do que com uma empresa de commodities. Ela é muito mais parecida com uma NTNB. A diferença é que é um fluxo perpétuo. A diferença é que os ativos são seus, não é o governo. Você não está correndo risco o governo não te pagar. Você é dono do imóvel. Você é dono do shopping center, do real estate, é teu. Você é dono do imóvel, você deveria aceitar ganhar menos do que a NTNB.
Você devia falar, como eu estou correndo menos risco do que botando dinheiro na NTNB, eu ser dono de um shopping center, eu aceito ganhar menos. O NTNB hoje está te dando IPCA mais 7. Num shopping center, eu deveria aceitar IPCA mais 6 ou IPCA mais 5 num shopping. E a gente, às vezes, acha um shopping dando IPCA mais 14, IPCA mais 15. A gente chegou a comprar shopping há um ano atrás dando o dobro da NTNB.
Então a gente falava, isso é uma coisa absurda o que está acontecendo. Compramos e agora vem achatando. Quer dizer, o preço da ação vem subindo muito e o yield, que era IPCA mais 14, 15, vem vindo para o IPCA mais 7. Hoje já está no 9, sei lá, IPCA mais 9, 9,5. Mas ele vem achatando. Então vai diminuindo esse yield porque a ação está subindo muito.
E a gente estava certo no movimento. Mas mesmo assim, para a gente continua sendo um absurdo um shopping center ter um yield, um retorno, uma renda maior do que a renda da renda fixa da NTNB. Então é isso que a diferença é que as pessoas não conseguem entender. Eu brinco que renda fixa é do preguiçoso, renda variável é do não preguiçoso.
Quer dizer, a pessoa que vai atrás, projeta, tem trabalho, abre o Excel, visita a empresa, conversa com as pessoas, com os diretores, gerente, visita. Imagina, Alos, tem infinitos, dezenas de shopping pelo Brasil inteiro. Você tem que ir lá para Manaus, tem que ir para Belém, aí você volta para São Paulo, aí vai no Rio de Janeiro, aí não sei o que, é shopping em todo canto, Belo Horizonte.
Os caras têm shopping no Brasil inteiro. Imagina você visitar dezenas de shopping, conhecer todos, saber, conversar com o gerente de todos os shoppings, supervisor, a diretoria da companhia, entender cada shopping, como funciona, projetar shopping a shopping.
o aluguel de cada shopping, que shopping que tem capacidade de repassar a inflação, qual que não tem capacidade, qual shopping é bom, qual shopping é ruim, tudo isso, os impostos, as alíquotas de cada shopping, tudo isso dá muito trabalho. Então, assim, você tem que fazer um trabalho para saber e conseguir ter uma convicção muito forte e uma profundidade na tua análise muito forte para saber que aquele fluxo de caixa futuro vai acontecer.
Na NTNB é ridículo, a gente sentado aqui na mesa, não precisa visitar lugar nenhum, é dado qual é a renda, você sabe a renda, pelo PU você sabe qual é o yield. Você fala, vou ganhar IPCA mais 7,1, 7,03, 6,99. Na ação eu não tenho essa, vamos dizer, essa precisão de falar que é 7,03. Quando eu compro um shopping, eu falo, vou ganhar IPCA mais 14, ou 14,1, ou 13,9, eu não sei quanto é.
Vai depender se eu estou certo ou errado nas minhas projeções e aquele valor varia. Mas é muito difícil eu comprar um shopping me dando IPCA mais 14 e no final eu receber IPCA mais 7. Quer dizer, precisa sumir metade dos aluguéis de todos os shoppings que eu projetei. Quer dizer, como é que eu vou cometer um erro desse tamanho? Eu não vou.
Agora, numa empresa de commodity, às vezes você está projetando o preço da commodity X, esse preço despenca muito abaixo do valor que você projetou e aí desaparece metade do fluxo de caixa. Então pode acontecer de você comprar uma empresa de commodity imaginando ganhar a inflação mais 14 e você errou completamente o preço da commodity e aquilo ali virou a inflação mais 7. No shopping não acontece isso.
Então, quando você acha um shopping com uma renda muito alta, quer dizer, com um fluxo de caixa muito robusto, é muito difícil a gente estar errado naquela projeção. Então, é muito fácil a gente montar uma posição muito grande e colher os frutos daquilo que foi o que está acontecendo na Alus e em outros ativos que a gente investe. Então, aí, cada ativo é uma história. Tem ativo que é muito volátil, tem ativo pouco volátil.
Tem ativo que a gente tem mais convicção, menos convicção. E assim vai. Cada empresa, a empresa é melhor, pior, a estratégia é melhor, pior, a gestão, as pessoas, a alocação de capital da empresa, a governança.
A empresa é top, ou gente seríssima, ou a outra já é mais esculhambada, tem ruído. Aí vai de setor a setor, empresa a empresa, pessoas a pessoas, controladores a controladores. Então imagina a diligência que você precisa fazer para conseguir em cada empresa saber exatamente, quer dizer, tentar saber, você nunca vai saber exatamente qual vai ser a renda.
aquela renda variável, você torná-la o menos variável possível. Você reduzir a variabilidade, a volatilidade daquela renda para você acertar a sua projeção e saber exatamente quanto vale aquele ativo e por quanto você está pagando e saber qual é a diferença, esse gap entre o valor justo e o que você está pagando para você ganhar, colher aqueles frutos. E invertendo a lógica...
a gente chama de margem de segurança isso. Quando a gente compra um ativo de 10 bi pagando 5 bi, qual é essa diferença? É a margem de segurança. Quer dizer, se eu tiver errado, por que a gente fala no mercado financeiro margem de segurança? Se eu tiver completamente errado nas minhas projeções e aquele 10 bi não valer 10 bi, valer 7 ou 8,
Eu tenho essa margem toda de segurança entre o valor que eu estou pagando e o valor que eu acho que vale. Então, eu posso errar muito as minhas projeções, que mesmo assim eu vou ter essa segurança de que eu não vou errar e não vou perder dinheiro mesmo errando as minhas projeções. Então, é muito importante a margem de segurança. Por isso que a gente lá na Guepardo não compra só empresas boas.
A gente não vai só atrás das melhores empresas. A gente exige a margem de segurança. Porque se não tiver margem de segurança, a gente não entra. Por melhor que seja a empresa. Porque a gente fala, pô, e se eu tiver errado, como é que eu vou me proteger? Então, o maior controle de risco de um fundo não é stop loss, não é diversificar a posição, não é nada disso. É a margem de segurança.
Esse é o maior controle de risco. Muita gente fala, como é que é ter o risco? Você não pode passar 20% ou 25% em um ativo, você não pode concentrar no setor, você não pode não sei o quê. Cada fundo faz um controle. O nosso é na margem de segurança. E quanto maior é aquela margem de segurança, mais eu estou controlando o meu risco. Se eu compro uma coisa muito perto do valor justo, eu estou tomando muito risco. Porque se eu errar a minha projeção, ferrou.
Agora, se eu comprar muito longe, eu estou tomando muito pouco risco. Porque daí é um risco que você aceita. Você aceita tomar aquele risco, você fala, eu posso ter errado, que mesmo assim eu vou ganhar muito dinheiro. Então, aí é mais gostoso, você dorme mais feliz. Por isso que eu brinco, quando os ativos estão muito baratos, tem crise, está tudo muito descontado na Bolsa, a gente gosta de comprar, de investir nesse tipo de empresa.
Porque a gente dorme feliz. Porque você fala, eu tenho tanta segurança que eu estou certo, tenho tanta margem para estar errado nas minhas projeções, que eu vou ganhar de qualquer jeito. Eu vou ganhar nesse ativo, estando certo, estando errado, com o PIB caindo, com o câmbio errado, com a commodity errada, mesmo assim eu vou ganhar dinheiro. De tamanho que é a tua margem de segurança, tamanho que é o desconto entre o valor que você está pagando e o valor justo que você projeta.
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Otávio, você falou que as empresas que vocês investem são simples de entender e difíceis de replicar. E você tem, por exemplo, uma posição em Vulcabras, que é um setor de varejo de moda. E isso, assim, você avaliar a vantagem competitiva de Massabesp, por exemplo, é diferente de avaliar uma empresa que vende tênis, roupas e afins.
Então, como que você identifica a vantagem competitiva numa empresa dessa característica para ter tanta segurança de que o modelo não é replicável, por exemplo. Eu não consigo fazer... A Nike vai fazer um corre ou alguma coisa similar assim e essa empresa está bem defendida dentro da sua carteira. É uma ótima pergunta, porque, por exemplo, a Vulcabras. Ela tem a produção dela no Brasil, Ceará e Bahia. Fábricas no Ceará e na Bahia.
O lead time dela é muito curto. Entre ela produzir o tênis, quer dizer, ela dá a ordem e fala assim, ó, preciso fazer o tênis modelo tal, cor tal, tamanho tal. E esse tênis chegar na loja para ser vendido, o período é muito curto. Enquanto os importados demoram muito para isso acontecer.
Então, um concorrente importado, qualquer que seja da Olímpicos, Under Armour e Mizuno, que são as três marcas Vucabras, qualquer outro concorrente, o cara hoje tem que importar. Aí vem lá do sudeste asiático, de algum país de lá, vem o tênis para o Brasil.
Esse tênis vai chegar aqui com uma grade enorme de cores, produtos, tipos, modelos, numeração. Então o cara tem que comprar a grade inteira, do 34 ao 45, de todos os tênis, de todos os modelos, não sei o quê. O que acontece?
Isso demora muito para chegar no Brasil, leva muitos meses para chegar, e no final o cara não sabe se aquilo vai ser vendido ou não, acaba com o estoque e acaba tendo que liquidar. Então para o lojista é ruim essas marcas, porque ele fala, no final eu vou micar com vários tênis e vou ter que liquidar esse tênis e vai me causar um prejuízo, vou micar com o estoque, etc. No caso da Vucabras, onde é a vantagem competitiva dela?
ela faz sob encomenda. O cara fala, não, eu só quero tênis 37, cor cinza, do modelo tal, não sei o quê. O cara tá bom.
Manda fazer, produz lá infinito, entrega na loja do cara, o cara vende e não sobra estoque. Isso é uma mão na roda para o lojista. Por isso que a Vucabras hoje é a maior do Brasil disparado, tem 20 mil pontos de venda no Brasil. E assim, mais que o dobro da Nike, que é a segunda. Você olha o share dela...
Fora a tecnologia, outras coisas que a Vuca Brás conseguiu no tênis olímpicos, no corre que você falou e outros tênis, que ela conseguiu adquirir. A Vuca Brás, se olhar 4, 5 anos atrás, o market share dela em maratona era abaixo de 1%. Maratona, quem corre, você vai com tênis com tecnologia. Você não quer correr com qualquer tênis, uma maratona.
E a partir do momento que o Mavuca Brás consegue montar um tênis Olímpicos, marca nacional, produzido localmente, que consegue ter um market share na maratona, hoje o maior do Brasil, disparado, assim, mais do que... Acho que, se eu não me engano, já está em...
39%, acho que é um número assim, já que está o market share dela em maratona. Do Olímpicos, muito maior do que as marcas internacionais. Você fala, isso é incrível, porque quer dizer que o corredor entendeu que aquele tênis é bom e barato. Quer dizer, tem uma tecnologia muito boa e num preço muito acessível para a pessoa. Então, todo esse público que passou a correr e que não para de crescer no Brasil ano a ano, cresce assim, de uma maneira exponencial o número de pessoas praticando esporte.
Então, você está num setor que cresce, que as pessoas estão cada vez usando mais tênis, não só para trabalhar, que as pessoas estão parando de trabalhar de sapato, trabalhando mais de tênis, ou parando de usar o chinelo, as pessoas do interior ou mais humildes usando mais tênis. Então, quer dizer, o tênis está sendo substituto tanto do chinelo como do sapato.
E além disso, ele está sendo mais usado porque o desgaste dele é muito grande com o esporte. Tem que trocar mais vezes o tênis. Então, você está num setor promissor, ele é o substituto. Ele veio para jantar o sapato. Se eu tivesse investido em sapato, eu estaria ferrado, porque está caindo as vendas, o volume do sapato vai caindo. O tênis não, ele só vai ganhando o marketing. Então, eu estou num setor muito bom.
promissor, que cresce muito mais do que o PIB, e além disso, eu estou numa empresa que cresce mais do que o setor, ela ganha market share, ela está tomando o mercado das marcas internacionais, porque o lojista prefere comprar dela, além do consumidor final, está preferindo ela pelo custo-benefício, pelo fato de ela ter uma tecnologia muito boa.
nível internacional, com um preço muito mais baixo. Então, quer dizer, o consumidor está preferindo ela e, ao mesmo tempo, ela está crescendo o volume, o setor cresce o volume e ela cresce market share. Então, é o crescimento do crescimento. E aí que acontece o que aconteceu na Vucabras. Ela vem batendo recorde, atrás de recorde, todo trimestre nos resultados. E, assim, infinitos trimestres consecutivos, batendo recorde.
Para você ter uma ideia, desde que a gente entrou na Vucabras, ela entregou 92% a mais do que eu projetei de fluxo de caixa para ela. Se eu pegar minhas projeções lá atrás, tudo que eu projetava para a Vucabras, quando eu comprei e achava que estava muito barato a Vucabras, comprei, virou a nossa maior posição. A gente falou, isso aqui é muito barato, vamos investir. E ela entregou quase o dobro, 92% a mais do que a gente projetava. Se eu comprei naquela época...
falando eu vou ganhar a inflação mais 14, no final virou a inflação mais 25, 26 o negócio. Virou uma coisa assim monstruosa. Porque ela entregou, eu não imaginava que ia aparecer um corre lá. Eu não imaginava que eles iam comprar Mizuno pelo preço que eles compraram.
Eles compraram a Mizuno por 25 milhões de reais. Pagaram o preço de estoque na Mizuno e montaram um monstro de marca da Mizuno que deve hoje fazer por volta de 200, 200 e poucos milhões de reais de lucro líquido. Só a Mizuno. Eles pagaram 25 milhões na Mizuno inteira. Quanto você pagou na empresa no início?
Se você pegar o nosso preço médio, menos dividendo que a gente recebeu no período, já ficou negativo o nosso preço. A gente recebeu mais dividendo do que a gente pagou na Vucabras. Fantástico. Então, assim, melhor investimento da história da Guepardo.
junto com o Grupo Ultra. São os dois melhores. Mais ou menos empatado, depende do dia, do humor do mercado, mas são os dois melhores investimentos da nossa história. E tanto em volume de dinheiro, como em tir, como em susto, que não deram susto. São duas empresas fenomenais. Empresas super bacanas, resilientes, pouco alavancadas, sem dívida. Não é que você tirou um coelho da cartola, estava estressada, turn around, não sei o quê. Não, uma empresa aqui.
Sempre deu lucro líquido, tirando no trimestre da pandemia, quando fechou a fábrica, a fábrica ficou 72 dias fechada. Então você pagava o salário dos funcionários e não produzia o tênis e não vendia tênis. Então imagina a confusão. Só nesse tri que deu prejuízo a empresa. E aí foi a grande oportunidade para a gente comprar. A única certeza que a gente tinha é que o pessoal ia voltar a comprar tênis, ia voltar a vender tênis, ia voltar a fazer esporte e que não ia ficar assim para sempre.
que uma hora ia reabrir a fábrica, não ia poder o Brasil ficar sem tênis, o mundo ficar sem tênis. Até porque se ficasse para sempre, o teu último problema na vida ia ser a posição em Vucabras. Exatamente. E aí esse foi um dos motivos que a gente acelerou demais a compra de Vucabras. E depois, quando a gente viu eles comprarem a Mizuno, e o mercado bateu na Vucabras falando, se nem o Pargatas ganhar dinheiro com a Mizuno, como é que a Vucabras vai ganhar?
E a gente falou, pô, a Vucabras vai ganhar, porque a Vucabras se entende de tênis esportivo, tem as melhores fábricas, as melhores máquinas, a melhor tecnologia. Então eles vão, e a Mizuno é uma marca fantástica, que só está maltratada. Quando a Mizuno foi para a Vucabras, a Vucabras reposicionou a Mizuno, que eles tinham baixado a qualidade e o preço da Mizuno. Ela voltou a botar uma qualidade top e subiu o preço da Mizuno. Então parou a guerra da Mizuno, que estava guerreando com o Olímpicos,
Eles reposicionaram a Mizuno lá para cima com muita tecnologia e muita qualidade. A Mizuno dobrou o volume dela, sem campanha de marketing, nada só, melhorando a qualidade, mesmo subindo o preço, dobrou o volume de pares vendidos da Mizuno já no primeiro ano. Os caras conseguiram fazer uma coisa fantástica. Porque você vê que na cabeça do consumidor a Mizuno era uma marca muito boa, muito forte. Ela só estava judiada.
Só fazer um carinho nela que deu certo. E quem diria que eles iam montar o Corre, né? A família Corre foi uma coisa fantástica que eles criaram dentro da Vucabras. O time interno deles criou essa tecnologia, criou esse modelo, esse tênis. E tomou, virou... Imagina um tênis que não existia no cenário de corrida, de maratona, virar o líder de mercado. Você, em quatro anos, sair do zero...
para o número um do Brasil em corrida, em market share. Imagina você criar isso. Hoje, só a família corre deve vender mais unidades de tênis do que uma ASICS ou New Balance inteira. Só a família corre da Olímpicos. Não estou falando todos os Olímpicos. Estou falando só o corre com a tecnologia.
Quer dizer, são milhões de pares vendidos por ano de corre. Então, como é que você monta um negócio desse dentro do Olímpicos do zero? Então, isso foi fantástico. Tiraram um coelho da cartola. E quando você está investido numa empresa boa e acontece isso no meio, o que você tem é que ficar atualizando o seu fluxo de caixa. Então, aquilo que eu projetava para a Vuca Brás... Muita gente pergunta, mas por que você não vendeu a sua posição inteira depois que a ação subiu?
Porque foram acontecendo coisas que foram aumentando o fluxo de caixa, então foi aumentando o valor justo da empresa. Quando eu comprei a empresa lá atrás, eu falava, essa empresa vale, eu comprei por X, vale 2X. Aí, de repente, o 2X virou 3X, 4X, 5X, 6X, 7X, 8X e foi indo.
E cada vez vale mais, porque a Mizuno entregou muito mais do que eu esperava. A Under Armour foi uma boa aquisição no meio do caminho também, comprou depois. A saída da Zaleia foi muito bem feita. Aí a Família Corre foi muito bem feita. E tudo isso agregou demais valor para a empresa. Aumentou demais o fluxo de caixa, a renda da empresa, que eu gosto de falar. Então, essa renda variável variou muito para cima.
Então ela veio muito mais do que eu esperava. E aí, com essa renda muito maior, o valor justo da empresa é muito maior do que eu imaginava há 5, 6 anos atrás. Então hoje o valor justo é gigantesco dela. Então quando ela sobe muita ação, às vezes a gente dá uma reduzida para comprar outra coisa, aí cai e a gente compra de volta. Porque a empresa é fantástica, é fenomenal. Então quando a empresa é boa, eu brinco assim, a gente tem 70 empresas que a gente olha na Guepardo, das 500 da Bolsa.
A gente tem filtros qualitativos que a gente vai eliminando. Antes de eu olhar se está barato ou está caro, antes de eu projetar o fluxo de caixa das empresas, eu fico olhando o que é bom e o que é ruim. Quer dizer, que empresa tem gente boa, cultura, estratégia, gestão, está num setor bom, e quais empresas são ruins.
Então eu vou apartando. Então eu vou selecionando para você não cair na armadilha de falar, nossa, essa empresa é barata, vou comprar ela porque ela está barata. Depois você vai ver o que a empresa faz. Primeiro você vê que é barato, depois você compra. E aí a hora que você vê, foi uma armadilha, o velho trap que a gente fala. Armadilha de valor. Quer dizer, eu comprei o negócio simplesmente porque está barato.
Mas aquele barato ficou barato pro resto da vida. Por exemplo, você vai comprar um terreno. Você fala, esse terreno vale um milhão de reais. Ah, tô comprando por 500 mil. Ele não dá renda nenhuma pra você. Você comprou ele por 500 mil, ele vale um milhão. Você levou 30 anos pra vender esse terreno, você se ferrou.
Você está com o teu dinheiro lá parado, 30 anos, pagando IPTU, segurança, carpindo o terreno para não crescer árvore, não sei o quê, com despesa. O teu dinheiro poderia estar sendo usado para outra coisa e você se ferrou. Então, não adianta você comprar algo e cair numa armadilha. Então, quando a empresa é ruim, você pode acabar caindo numa armadilha, porque o cara vai fazer uma besteira no meio do caminho, vai alocar mal o capital.
vai fazer uma aquisição errada, não vai distribuir valor, vai impulsar a caixa e pagar 34 de imposto no caixa que está impulsado no CDI. Então, o cara vai fazer alguma besteira com o teu dinheiro no meio do caminho e o teu dinheiro vai desvalorizar. Então, aquilo que você projetou que a empresa avalia, que era o valor justo, vai ser bem menor do que você projetou.
Então, se a empresa é ruim, está num setor ruim, não adianta estar barato. Não compre, porque é uma armadilha. Você vai... É o canto da sereia, né? Você vai porque está barato, a hora que você vê, você caiu numa armadilha. Então, por isso que a gente primeiro olha o qualitativo, escolhe as 70 empresas que a gente quer ter, e aí depois faz a valuation, faz o fluxo de caixa descontada, a avaliação de cada uma, para ver o que está barato ou não, para comprar só aquilo que está barato com a margem de segurança.
Tem uma curiosidade que a respeito das suas falas, a maneira como você enxerga o mercado acionário, você fala muito em margem de segurança, que é um conceito de Benjamin Graham que remete muito ao velho investing. Mas, por outro lado, eu me lembro de uma palestra sua em 2024 que você falava assim, cara, eu quero que a empresa vá o mais rápido possível para o seu valor justo, para eu vender e tchau. E para a próxima.
E isso já não é exatamente uma mentalidade tão de velho investor. É claro que na estrutura de fundo, você não tem problema em zerar uma posição, porque você paga o imposto quando você está saindo do fundo. Então, eu queria entender qual que é exatamente como você definia a sua filosofia, se foi algo próprio assim, e quais foram as suas referências, além do Luiz Alves, naturalmente, talvez lá de fora, não sei, um Pabrai, um Munger, quem são as suas referências e como você definiria a sua filosofia?
É o seguinte, as pessoas que investem na pessoa física, ou através de uma PJ, uma empresa, ou através de uma Berkshire, como é o Warren Buffett, eles têm o problema de quando eles vendem uma posição, eles têm que pagar imposto. O fundo tem uma coisa que é fenomenal, que ele vende uma posição, então eu compro a empresa por 1 bi, vendo ela por 2 bi, eu teria que, desse 1 bi que eu ganhei, eu teria que pagar 15%, 150 milhões de imposto. Esses 15%, o meu cliente não paga, ele só paga quando ele sair do fundo.
Então eu entro numa empresa, saio, entro em outra, saio, entro em outra, saio, durante 10, 20, 25 anos. Se o cara não sacar do fundo durante 20, 25 anos, ele não paga IR. Ele só vai pagar no dia que ele sacar do fundo. Então a gente consegue pegar toda a grana que a gente apurou na venda daquela empresa e comprar em outra empresa, fazer um novo investimento, apurar, comprar outra, apurar. Esse é o grande segredo. Você diferiu o imposto, é a coisa mais maravilhosa do fundo de ação que existe.
Então, você poder fazer isso já é um ganho enorme. Então, você ter um fundo de ação que roda 21% ao ano e ter um fundo com come-cotas que roda 21% ao ano é completamente diferente o teu retorno. Depois de X anos, você vai ver a diferença, a magnitude, o tanto de dinheiro que desapareceu teu. Porque daquele outro fundo que dá 21% ao ano e tem come-cotas, daqueles 21%, 3% é comido no imposto.
Então você perde 3, aí reinveste só os 18, aí perde 3, reinveste os 18. Então no final é uma diferença brutal o que faz o come cotas versus diferir o imposto. Então só aí já muda muito. E o que você falou que eu gosto de sair rápido da minha posição é o seguinte, eu sempre compro uma posição preparada para ficar 20 anos na empresa.
Eu quero entrar naquela empresa barata, boa, que cresce, que aloca bem o capital, que tem estratégia boa para ficar 20 anos. Eu estou preparado para ficar 20. Na Vulcabras eu já estou há quase 9 anos lá. 8 anos e meio. Ainda que tenha reduzido, aumentado a posição. Reduz, aumenta, etc. Mas já estou há 8 anos e meio na Vulcabras.
Então, assim, não tem problema eu ficar muito tempo na posição, naquela empresa investida. Não tenho data para entrar, data para sair. Agora, se eu compro uma empresa que vale 10 bi, pagando 5 bi, e ela vai em seis meses de 5 para 10, eu ganhei 100% em seis meses.
É a coisa mais fenomenal do mundo. Então, se ela vai para o meu target, quer dizer, se ela vai para o preço-alvo, para o valor justo que eu acho que é o valor justo daquela empresa, em seis meses, e eu ganhar, capturar esse 100% em seis meses, eu já posso vender aquela posição e achar outra ideia, outro investimento, outra tese.
para comprar e ganhar de novo em outra tese. Então eu consigo girar o fundo mais vezes e ganhar mais vezes. Então é o inverso do que as pessoas entendem do velho inverso. Se você falar, vou ficar 20 anos com uma ação, qual vai ser a sua rentabilidade? Vai ser a sua rentabilidade daquela ação em 20 anos, você tira a taxa de administração, performance, etc. Que empresa na Bolsa, tirando a WEG de todas que tiveram no índice da Bolsa, em 25 anos deram 21% ao ano? Nenhuma.
nenhuma, zero, só a WEG que bateu a Guepardo e eu nunca tive WEG no fundo então você fala, como é que a Guepardo bateu todas as empresas, a gente bateu o Itaú bateu a Petrobras, bateu a Vale o Bradesco, todas que existiam no índice, a gente bateu todas, aí você fala, como é que você bateu todas as empresas menos a WEG e você nunca teve WEG pra bater o resto
Você fala, porque a gente entra e sai na hora certa. Então, está barato, você entra. Está caro, você sai. Está barato, você entra. Enquanto mais vezes você fizer isso, melhor vai ser o seu retorno. Então, o período de maturação média da guepardo, há uns anos atrás, a gente fez um cálculo lá.
depois de 10 anos de guepardo, era de 3 anos. A gente falou, pô, leva 3 anos para montar uma posição e sair dela e desinvestir na média. Tinha posição que levava 6, 1 ano, 2 anos, etc. E a gente conseguiu ir reduzindo esse período médio, porque qual que é a grande sacada? Se você investe só em small cap, por exemplo, você vai ter mais dificuldade de maturar o teu investimento.
Porque até o mercado entender que aquilo está barato, precificar, botar no preço justo, você vender, sair e apurar esse teu retorno, levam anos. Se você está numa empresa muito líquida, grande, bem coberta, que todo mundo olha, o gringo olha, provavelmente muito mais rápido o mercado vai enxergar que aquela empresa está barata.
E o mercado enxergando que aquela empresa está barata, ele vai botar no preço justo. E você, além de ter a liquidez para desinvestir, você tem o período de maturação do teu investimento muito menor, muito mais curto. Então, você vai aumentar muito a rentabilidade do teu fundo fazendo isso. Então, se eu comprar, por exemplo, hoje eu encontro uma small cap.
1 bi e eu acho que ela vale 2. Encontro uma empresa gigante por 20 bi, mas eu acho que vale 40. Eu prefiro muito mais comprar de 20 bi, que eu acho que vale 40, do que a de 1, que eu acho que vale 2. Porque a de 1 para 2, provavelmente é uma empresa ilíquida.
É uma small cap que ninguém cobre, ninguém olha. Vai demorar muito para aquele 1 virar 2. A de 20 virar 40, provavelmente é uma empresa líquida, super coberta, que todo mundo olha, todo mundo entende, o gringo acompanha, etc. Então, ela tem muito mais probabilidade, muito mais chance do 20 virar 40 mais rápido. Você desinvestir e já ir para a próxima.
Então, quanto mais vezes eu fizer isso, melhor é o retorno do fundo. Que nem você falou, pô, eu dei 21% ao ano para o cotista líquido de taxa de administração e performance. Só a administração é 2% ao ano. Então, o 21 já viraria mais de 23. Aí você fala, e a performance? Então, quer dizer, pensa quanto a gente não ganhou no fundo. Deu mais de 25, 26% ao ano bruto o fundo.
Você fala, mas quando você compra uma empresa, você acha empresa que vai te dar isso de retorno? Eu não acho. Não tem nenhuma empresa hoje na Bolsa das minhas 70 que eu vou ganhar 25% ao ano. Não existe essa empresa. As melhores hoje que eu estou achando é 20, 19 nominal. Que é inflação mais 14, inflação mais 15. É o melhor que eu encontro hoje nas minhas 70 empresas que eu gosto.
Aí você fala, então como é que você consegue essa rentabilidade? Justamente porque você consegue entrar em algo te dando inflação mais 14, sair te dando inflação mais 7, ganhar esse 100%. Na hora que a inflação mais 14 sobe 100%, o retorno vira inflação mais 7, você sai fora e vai para a próxima. Então você sai, vai para a próxima, sai, vai para a próxima. Então esse giro da carteira, enquanto mais rápido, melhor.
Então, você reduzir o período de maturação do teu investimento, você vai melhorar muito a rentabilidade do teu fundo. E muita gente pergunta para mim, o fundo ficou grande, como é que vocês fazem para hoje conseguir gerar o mesmo alfa contra a Bovespa, ou mais alfa do que a média histórica da Guepardo, quando o fundo ainda era menor no começo da Guepardo?
Por causa dessas ideias, essas melhorias que a gente foi aprendendo ao longo dos 25 anos, melhorar o nosso processo de investimento, cair nas armadilhas, cair cada vez menos em armadilhas, investir em empresas cada vez maiores e mais líquidas.
Então, quer dizer, todas essas melhorias que a gente fez dentro do fundo, esses aprendizados com os erros, tomando porrada e melhorando o nosso processo para analisar a cultura de empresa, estratégia, gestão, alocação de capital, tudo isso veio em favor do fundo. Então, apesar de ser mais difícil você ganhar com 6 bi do que era ganhar quando o fundo tinha 1 bi ou 500 milhões, é muito mais difícil gerir, alocar e desalocar, mas hoje, com mais experiência, a gente está conseguindo manter um alfa.
contra a Bovespa, quer dizer, o nosso retorno acima do Bovespa, o que a gente consegue render a mais, tem aumentado e não diminuído. A gente está cada vez gerando mais alfa para o nosso cotista do que a nossa média histórica e do que o começo do fundo, que já era muito bom.
Então, mesmo com o fundo maior, a gente conseguiu se tornar mais eficiente ainda. Quer dizer, o pênalti do fundo ser maior não gerou para o cotista um pênalti na geração de alfa e na rentabilidade, porque a gente foi modernizando e fazendo melhorias na nossa estratégia, na nossa filosofia, no nosso processo de investimentos, que conseguiu essas melhorias, conseguiu ajustar e ajudar o fundo a cada vez ir melhor.
Eu adoro os papos com o Otávio, porque cada resposta dele ele vai deixando os easter eggs que eu espero que a audiência esteja capturando. Essa questão da profundidade do book, da liquidez do investimento, ela é um aprendizado gigantesco que eu espero que a turma esteja capturando, porque não é que o gringo não sabe que a small cap está barata. Às vezes ele não tem nem mandato.
muitos deles sequer têm mandato para operar aquilo ali. Então ele está olhando, está barato, mas ele fala, eu não posso. O meu mandato está aqui, eu só posso investir em... Aí, nós que temos liquidez para ele. Então ele sabe que está barato, mas ele não tem mandato. Não tem ADR. Eu morei no tempo nos Estados Unidos, eu tenho um amigo que é investidor também, ele gosta de teses exóticas que nem eu. E a gente se compartilha, né? Consegui convencê-lo a investir no Brasil.
E tem várias empresas aqui que eu cubro, que eu quero que ele compre. Ele não tem acesso porque não tem ADR também. Então, tem esse problema. Tem cheque mínimo também. Às vezes, a gente na nossa comunidade vê umas perguntas de assinantes, principalmente a turma que está chegando agora. Ah, aí vem aquele microcap. O que vocês acham desse papel? A gente olha e fala.
Nem cobre. Não dá para perder tempo com isso aí. Não tem liquidez, não tem... Não dá para perder tempo com isso. A própria Guepardo não consegue olhar a empresa muito pequena. Imagina o gringo. Tem gringo gigantesco. Os caras investem cheque mínimo de 200 milhões, 300 milhões por empresa. O cara fala, às vezes a empresa inteira vale 300 milhões. O cara fala, eu não posso ter mais do que 5% da empresa e tenho que investir 200, 300 milhões na empresa. Então ele só pode comprar 10 bi de empresa.
Ou 12 bi, menor que isso, ele já não pode. A frase do Kelet, naquela carta da Alfaquim, vai faltar papel. Às vezes por isso, né? Porque a turma tem mandato para cheque gigantesco e a gente não tem empresa aqui para atender todo mundo. Aquela correria de gringo que deu de 21 de janeiro a...
até começar a guerra, até o final de fevereiro, aquela correria que a Bolsa bombou e não sei o quê. Pode reparar, era só large cap, líquidas, empresas grandes subindo. Porque o gringo vem para cá, ele quer alocar. Ele não vai atrás das small caps. Então as small caps não subiam, as ilíquidas não andavam. Todo mundo, mas só anda o papel dos outros. O meu não anda, todo mundo reclamando. E Itaú bombando, Petro, Sabesp. Os papéis líquidos voando. O Brasil foi 28.
o papel líquido que o cara conseguia comprar alocar, estavam voando todos porque o gringo precisava comprar era muito dinheiro vindo pro Brasil o cara precisa alocar e ele vai pros líquidos e aí que você consegue que o líquido precifique corretamente ele vai pro target, você consegue sair e achar outra oportunidade pra comprar
A razão entre o Small e o Ibov está na mínima dos últimos 5 anos. Se você pega 20, também está próximo das mínimas. E, Otávio, eu queria falar de uma tese que você tem, que é bastante controversa, dá para dizer, que nós também recomendamos. A maior parte do mercado torce o nariz.
que é o Grupo Mateus. Você investiu no Grupo Mateus depois daquele problema com o estoque, foi mais de um bi. Depois teve também a multa de CMS, acho que foi um bi. Por que você investe nessa empresa que é varejo alimentar no norte e nordeste do Brasil? Tem subsídios relevantes de Sudene e afins. Por que você escolheu essa empresa?
multa não teve ainda espero não ter a multa lá é um bi, vai ser bastante coisa não é o assunto dela lá do pis e cofins nas bebidas e nos outros produtos não é tão grande assim é um número bem menor que isso e também que ela não fazia pis e cofins em tudo no varejo e no atacado
Mas aí você dá a notícia mais recente, né? Tem o ICMS do Maranhão. Ah, tá. Do Maranhão você está falando. Eu estava falando do PIS e do COFIS, que foi agora, das bebidas. Esse daí não foi nem autuado. Parece que a empresa não aconteceu nada. A empresa está bem. A gente gosta da empresa. É o meio copo cheio e meio vazio. Por que a gente investiu lá? A empresa tinha um controle muito fraco, como o mercado acha. Realmente, o mercado tem toda a razão. O controle era fraco.
auditoria provavelmente muito fraca e a gestão da empresa fraca.
Então, a gente acompanhava aquela empresa, olhava um business diferente, bacana, líder de mercado no Nordeste, pouca competição no Nordeste, market share muito grande, Piauí, Maranhão e Pará, que são os três estados que ela tem posição gigantesca e onde é o volumão dela, o ganho, margem líquida maior do setor. Então, a gente falava, é uma empresa interessante de se olhar. Então, a gente começou a acompanhar.
E sempre com aquele pé atrás do sistema. Então vamos ter uma posição pequenininha, vamos acompanhar, vamos ver como é. Quando veio o problema do estoque, a gente entendeu, pelo menos assim, na visão da guepardo, podemos estar errados. A gente também erra, só para o mercado saber que a gente comete erros. Mas eu acredito estar certo.
Qual é a nossa visão? Que eles resolveram o problema. Que eles eram uma empresa ruim, com a gestão atrapalhada, bagunçada, e eles conseguiram melhorar o sistema, fizeram o Kardex, recontaram o estoque de todas as lojas, CDs, etc.
E hoje os números batem, hoje os números estão corretos, estão certos, estão funcionando, está tudo certo com a empresa. Então, o meio copo cheio, o meio vazio, você pode falar assim, essa empresa é uma bagunça, não vou ter ação dessa empresa, que é o que está todo mundo fazendo. E olhar o meio copo cheio é falar, essa empresa era uma bagunça, resolveu o problema, jogou toda...
No ventilador. Então, quer dizer, o cara pegou e falou assim, ó, tá aqui, não botou sujeiro embaixo do tapete, botou o bode na sala em cima da mesa. Falou, ó, esse é o problema, tem um furo aqui, o estoque não bate, agora bateu, recontamos, arrumamos o sistema, tá funcionando, a nova empresa é isso.
E aí o mercado assustou, quem era acionista panicou, porque o cara falou, pô, desapareceu 1 bilhão e 100, saiu estopando a ação. E a gente aproveitou e falou, pô, olhando no meio o copo chefe, agora a empresa resolveu, agora a empresa tem controle. Então, quer dizer, a empresa inverteu o jogo.
O que eu não gostava da empresa e eu tinha medo da empresa, eu passei a ter uma confiança na empresa. Só o futuro vai me dizer se eu estou certo ou não. Mas para mim foi meio copo cheio. E a empresa está passando um momento, o setor inteiro, muito ruim de venda.
Então a venda está muito ruim. Então você vê que lá no quarto tri a venda foi muito ruim, que a receita para supermercado, para o varejo, é muito ruim. Você tem alavancagem operacional. Quando cai a tua receita, te prejudica muito, porque tem custos que você vai ter com a receita maior ou menor, o aluguel, o ar-condicionado, o segurança, a limpeza da loja, o caixa, o gerente, todo mundo está lá sendo pago. Se está vendendo mais ou menos, o cara está pago.
A tua alavancagem operacional é muito grande em função da receita. E a receita veio muito fraca no quarto tri. No primeiro tri deve continuar igual. A gente projeta que deve continuar uma receita fraca. Então, assim, é um momento péssimo. Porque além dela ter esse ruído do estoque, do problema do estoque, ela tem o problema da receita, da venda.
E essa venda está fraca. A gente tem alguns diagnósticos que prejudicaram um pouco ela versus os concorrentes. Por que ela sofreu um pouquinho mais do que os concorrentes na nossa visão? Primeiro porque ela tinha um balcão dentro da empresa que vendia para terceiros.
Então o terceiro chegava na loja, o balcão tinha a meta, tinha que vender aquele negócio de qualquer jeito, com desconto, barato. E o cara saía vendendo aquilo, o cara que comprava o produto dela fazia concorrência para ela mesma, vendendo aquele produto barato e atrapalhava a venda dela do conta-gotas, do varejão, do dia-a-dia. Então acabou isso prejudicando muito. Quando ela resolveu cortar essa meta que para a gente estava errada, do balcão sair atrapalhando a empresa inteira,
A gente acredita que a margem bruta deve melhorar. A empresa tem tomado providências que a gente acha que isso vai melhorar a margem bruta.
Esse é um assunto. Outro assunto, a empresa cresceu muito, que nem você estava falando, abriu 300 lojas e nunca olhou para custo, para despesa. A empresa vem dando guidance, vem falando com o mercado que está cortando despesa. Então, ela demitiu muita gente, ela criou processos de benchmark de loja, então ela pegou lojas modelo e falou, essa loja é a melhor nesse quesito, essa loja é a melhor naquele, então essa loja economiza, por exemplo, o ar-condicionado, porque o cara vem.
desliga o ar-condicionado na hora tal, até a hora tal. Liga na hora tal, na temperatura tal, e vai até a hora tal. A outra loja não. Bota no mínimo, liga e fica o dia inteiro ligado. A conta de luz dá uma coisa muito absurda, a diferença de loja a loja. Isso é um assunto.
E aí o cara padroniza, fala assim, agora todas as lojas têm que usar a temperatura tal, ligar o ar-condicionado no tal horário e desligar no tal horário. A limpeza da loja, o número de funcionários por loja, o número de caixa, o número de checkout por loja. E assim vai segurança, e vai item, produto, reposição de estoque, estoque por loja. E assim você vai, pá, pá, pá, pá, você vai criando benchmarks.
de loja e vai replicando nas outras lojas. Fala, então assim, eu tenho 300 lojas, completamente diferente uma da outra. Vamos replicar as melhores práticas em todas as lojas. A hora que você cria isso dentro do negócio, é uma explosão de ganho, de despesa cortada. Você vai cortar muita despesa. E eles estão falando que pode chegar a 1% do faturamento. Fatura 45 bi é quase 450 milhões, 400, não sei que número vai ser. Porcento do faturamento bruto.
Exato, mas o cara pode chegar a 400, 400 e poucos milhões de reais que dá 100 milhões por tri de corte de despesa. Isso é um assunto. A mesma empresa do jeitinho que está. 400 milhões é muito dinheiro que pode aparecer. Eles começaram as demissões no quarto tri, um pouquinho de demissão já apareceu no balanço do quarto tri.
Falaram que no primeiro tri tem mais demissões, vai aparecer mais despesa de demissão. E a partir do segundo tri, terceiro tri, deve estar mais limpa a empresa, mais enxuta. Então, os processos de benchmark de loja idem, mesma coisa, devem ir melhorando ao longo dos tris. Então, a gente lá na Guepardo, mesmo com a venda fraca...
que veio no quarto tri e deve vir no primeiro tri, a gente tem um ramp-up de ganho, de crescimento de EBITDA e lucro líquido para o segundo tri, terceiro e quarto. Então, a gente acha que ao longo desse ano, o resultado da companhia vai crescer. Então, a gente entende por que a companhia valia 20 bi e virou 10 bi. A gente entende a marcação do estoque errado, o lucro da empresa despencou, o EBITDA despencou, a receita foi fraca. A gente entende o que está acontecendo.
Não é que é um absurdo o que estão fazendo com a ação. Tem o porquê de fazerem isso com a ação. Tem porquê. A empresa chegou a lucrar quase 350, 370 milhões num tri. Veio pro quarto tri, primeiro tri, por volta de 250, o patamar novo. 250 milhões por tri é um bi por ano. Vale 10 bi, 10 vezes o lucro. Tá? Ok.
Antigamente era 350, 370, que dava 1,5 bi, 1,4 bi, 1,5 bi por ano. Então o resultado da empresa caiu de um patamar de 1,5 bi, vai anualizando um tri, para 1 bi, anualizando o tri. Então sumiu um terço do resultado da empresa, desapareceu. Então eu entendo a queda da ação, um pouco mais exagerada, um pouco mais forte, stop, estoque, tem outros problemas, ninguém sabe quando volta a venda. Agora, eu nem estou contando com a venda voltar.
imagina se a venda melhora. A venda ninguém sabe, isso é bola de cristal. Então o que está na mão da empresa? Melhorar a margem bruta e melhorar a despesa, cortar a despesa. Isso a empresa pode fazer. E parar de abrir, fazer capex, abrir um monte de loja com juros a 15.
Juro a 14,75. Você não precisa ficar com aquela velocidade, aquela fome de abrir loja. Se o juro tivesse 5 ou 8, beleza, vamos abrir loja que a gente vai ganhar muito dinheiro. Agora, eles estão escolhendo ponto a ponto, dedo a dedo, loja a loja. Só vamos abrir loja muito rentável.
Então eles estão melhorando a alocação de capital, devem gerar muito caixa esse ano e desalavancar muito a empresa. Então a empresa já é uma empresa com muito pouca dívida, esse ano deve terminar o ano bem baixa a dívida, deve desalavancar demais, sair do patamar de 1 bi para 200, 300 milhões, não sei com quanto ela vai terminar o ano, mas deve desalavancar. Então isso tudo que eu projeto, nenhum guidance. A empresa deve cair o endividamento ao longo do ano, deve crescer o EBITDA e o lucro líquido ao longo do ano e o lucro líquido ao longo do ano.
E ainda pode acontecer da venda melhorar. Se a venda melhorar, porque as bets estão tirando muito dinheiro desse consumidor, é absurdo o que está acontecendo. Para mim, a coisa mais absurda do Brasil é essas bets liberadas, adoidado, tirando dinheiro da população. A gente tem estudo lá que é quase 60 bilhões que desaparecem.
do povão mesmo. É muito dinheiro que o cara está jogando na bet e esse dinheiro falta para comprar alimento, falta não sei o quê. Então, isso prejudica a venda do Mateus, dos supermercados, etc. Isso endivida as famílias, isso vira um vício, vira uma droga para as famílias mais humildes. Então, é um problema grande esse assunto de bet. Então, esse assunto que vem acontecendo...
A gente acha que tudo isso deve fazer o Matheus voltar para um patamar de resultado maior do que ele estava pré-crise. Então, eu acho que ele vai entregar mais EBITDA e mais lucro líquido do que ele estava entregando até antes de acontecer a queda das vendas, antes de acontecer o problema do estoque, etc. Porque ele está melhorando a companhia, então a companhia deve melhorar bastante ao longo desse ano, trimestre e pós-trimestre.
Fora que acho que metade das lojas, aproximadamente, foram abertas nos últimos 4 ou 5 anos. Então tem uma maturação dessas lojas que não saem vendendo o seu potencial máximo no D0. E você também tem a integração com o novo atacarejo, que reduziu a margem bruta do negócio. Como você vê essa integração? Porque existe um desafio de culturas quando você compra uma nova empresa.
Talvez seja menos difícil do que numa Asas da Vida, de você combinar uma Ering com uma Arezzo, enfim. O Atacarejo é um modelo mais simples que você consegue replicar. Mas como você vê essa integração desse M&A? São dois assuntos. O primeiro assunto que você faz... Vou começar pelo segundo assunto. O Novo é uma JV que montaram, o Novo que manda. Então, os gestores do Novo que tocam a operação. Então, o Matheus, nesses estados que o Novo está, se juntou ao Novo.
E o novo que lidera. Então, eles vão fazer a estratégia, eles fazem a alocação de capital, eles fazem a abertura de loja, crescimento, capital de giro, gestão de estoque, compra, venda, tudo eles. Matheus não se mete, dá palpite, mas o novo que faz a gestão.
Então isso deve melhorar. A margem está muito fraca, muito pior do que o Matheus. A operação do Novo é uma operação bem pior do que a operação do Matheus, por ser muito nova. É uma operação muito recente, muito nova, que precisa maturar. São lojas que foram abertas muito recentemente. Eles estão em estados que tinham mais competição, principalmente entre eles também. Então é mais difícil. Não é como o Matheus, que está lá no Pará, Maranhão e Piauí, há muitos anos, líder de mercado e etc. É coisa diferente.
Já o Matheus, o que você falou de abertura de loja e maturação, é o inverso do que a gente imagina. Porque é o seguinte, a raia, a drogazio, etc., ele abre a loja, vai maturando e vai crescendo a venda daquela loja. Qualquer loja de shopping center, de roupa, moda, aresa, é assim. O Matheus é diferente. Por quê? Ele entra, quando ele abre a loja, ele já faz uma promoção, mete a margem a zero, faz um regaço.
Acabou de ser a inauguração lá em Belém do Pará essa semana. Os nossos analistas foram para lá assistir a inauguração. Preços zero, aquela muvuca, aquele mundaréu de gente pegando tudo, comprando. Então, a venda explode. A receita é enorme e a margem é baixíssima, quase zero. Então, ele vende produto para não ter ganho na loja, só para atrair cliente.
Explode o volume de cliente na loja e o volume de venda e a receita da loja. Quando ele para, depois que a loja se torna conhecida, depois de um tempo...
ele para e começa a ter margem normal, como todas as lojas. Então, a margem dele depois melhora e a receita cai. Então, como ele parou de crescer por causa do juro alto, etc., o que tem que acontecer? Um pedaço desse same store sale que a gente está vendo fraco é porque as lojas tinham uma venda alta, porque estavam sendo inauguradas, e a maturação é invertida. A venda cai um pouco e a margem bruta aumenta.
Então ele melhora a margem bruta da loja, mas cai o faturamento da loja.
Então, a gente falsamente tem uma impressão seguinte, nossa, a venda dele está horrorosa. Mas não, é porque ele faz uma promoção tão arregaçadora, monstruosa, agressiva no início da loja, que depois essa venda cai. E isso também prejudica um pouquinho o que o mercado vê de same store, o mercado fala, nossa, é uma crise monumental, venda despencando, não sei o quê. Mas não, é que ele entra para arrepiar no começo, ele entra para chacoalhar, é um terremoto na cidade que ele entra.
depois acomoda e ele vai botando mais. É a dica de margem, precisa de mais capital de giro. Exato. Então ele rebenta no começo da loja. Então isso tudo prejudica. Quando você enxerga os números da empresa, prejudica o analista. Porque todo analista tem o viés que você acabou de falar, de falar, pô...
A loja vai ser maturada, então vai aumentar o faturamento da loja nos anos seguintes. E não, e cai o faturamento da loja. Então, intuitivamente, é o contrário do que as pessoas pensam. Ninguém entende que a lógica é invertida no Matheus. Existem vários varejos dentro do varejo. O varejo de alimentos tem essa característica. Não, mas os outros não fazem isso. Você precisa...
fixar o ponto na cabeça daquele cliente que é um cliente recorrente de verdade. A pessoa vai no supermercado, passa todo dia. Mas não é todo mundo que pensa. Tem muito supermercado que ele abre, já com a margem certa, e espera ir maturando devagarzinho. O novo é mais assim. Vai maturando, vai vindo o cliente, o cliente vai conhecendo a loja, vai entrando e vai crescendo a venda. Esse é o normal.
Mas no Matheus, não. Ele arrepia, põe a cidade inteira dentro da loja. É pancadaria. Você não sabe a muvuca que foi a inauguração. O empurra, empurra. A gente saindo, trombando, e caindo, pisoteando. É uma coisa absurda o que ele faz. É chocante o que enche a loja. Você não consegue andar. Parece carnaval. A loja nos primeiros dias, primeiras semanas, meses da loja.
Então, assim, é uma coisa diferente o que esse cara está criando. E, além disso, ele está criando, paralelamente ao Matheus, uma marca mais chique com margem bruta maior, para ser um empório, uma coisa de classe mais alta, etc., que vai ter uma margem bruta maior do que o Matheus. Isso é um modelo de loja legal que ele está testando, tem dado certo, tem vendido bem, com mais serviço.
margem melhor, para um consumidor, um público mais classe alta, e está indo super bem também. Então ele tem uma oportunidade lá dentro que acho que ninguém, ele não divulga muito, acho que o mercado não entende tão bem, que é crescer essa loja também, mas triple A aí com serviço para o mercado, e dá para abrir muita, cabe muita loja dessas aí nas capitais, por Nordeste e afora, dá para ter bastante dessa loja.
O legal é que ele vai adensando também, fazendo centros de distribuição entre as lojas. E você entrar no Maranhão, que ele tem mais de 80% de market share, é muito difícil. Então, é uma empresa que está bem defendida. Mas assim, por que Matheus e não um Açaí? Por exemplo, eles valem mais ou menos a mesma coisa. Estão aí 10, 11 bi. O Açaí divulgou o resultado, acho que foi segunda-feira. Também o Semi Store Sales fraco. Por que não um Açaí?
O açaí tem mais competição, a gente já não gosta. O setor é ruim, a gente não gosta desse setor. É um setor de margem muito baixa, com muita competição. Então, para a gente, ao contrário, o setor é horroroso. O Matheus, em específico, foi pinçado do setor porque ele está em alguma cidade sozinho, com baixa competição.
Então, quando você vai fazer análise setorial, pensa nas forças de Porter, pensa na competição dentro do setor. Aqui no Sudeste é ferrenha. Vai em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, quebra-quebra de supermercado. Agora, vai lá para o Maranhão, Pará, Piauí, no interior, em cidades que tem uma única loja, que é a loja do Matheus. A competição é muito baixa. Então, ele é único. Ele montou um modelo de negócio completamente diferente.
Então eu até brinco com o Matheus toda vez. Eu falo, não venha abrir loja no Sudeste que eu vou vender minha posição. Eu não quero ser teu sócio. Eu quero ser teu sócio desse Matheus aí que eu tô vendo, que eu conheço e eu sei que dá certo. Então ele é o que tem a maior margem do setor, justamente porque ele consegue fazer uma coisa única, diferente. Ele come pelas beiradas. Então ele é o cara que é diferente do resto. Então hoje ele é o...
Acho que ele é o segundo maior do Brasil em lucro líquido, só perde do Carrefour. E faturamento é o terceiro, perde do Carrefour e do Açaí. Então, assim, ele é o segundo em lucro, terceiro. E o Açaí, além de tudo, ele ainda é muito alavancado, ele tem uma dívida muito alta. Ele, toda vez que vai passar o TRI, ele desconta recebível, dá uma reduzidinha na dívida para ficar com a dívida líquida e a EBITDA controlada. Mas ele abre o caixa médio do período do TRI.
E a despesa financeira, você consegue ver quanto ele pagou de juros. Então, você consegue entender que a dívida dele é muito maior, a dívida média dele no período, não é de fechamento de tri, é muito maior do que você vê. Então, mesmo ele tendo uma receita maior e um EBITDA maior do que o Matheus, você vai ver que, no final, o lucro líquido dele sempre fica para trás. Então, no caso do açaí, ele precisava de um componente de queda de juros muito forte no Brasil.
para poder realmente expandir o resultado dele. Então, se o juro vier de 15 para 10, 9, realmente, no açaí você ganha nessa alavancagem financeira. A despesa financeira dele cai e aí o resultado aumenta dele. A geração de caixa renda, que eu brinquei lá no começo, aumenta do açaí. Mais do que do Matheus, que não tem dívida, vai terminar o ano quase zerado de dívida.
Então, para quem aposta numa queda forte de juros, talvez o açaí é um bom player. Mas como eu não estou atrás de macro, de queda de juros, não estou atrás desse tipo de coisa, eu estou atrás do que é barato em qualquer cenário. Qualquer presidente pode ir à eleição, qualquer cenário pode vir, que eu acho que o Matheus é barato em qualquer cenário. Eu não preciso dar queda dos juros para o Matheus dar certo e subir. Eu não estou apostando nisso.
Então, é esse tipo de coisa que eu falo. A gente tem que estar blindado a qualquer cenário. A gente tem que fazer a análise bottom-up, falar se o presidente for A ou B. O A, o juro vai cair para 10, 9. O B vai ficar 15 ou talvez vá para 20.
Aí você fala, pô, então, num cenário o açaí vira pó, no outro açaí vale infinito. Foguete. Aí vira jogo. Aí você começa a entrar no jogo. E a gente não gosta de jogo. A gente gosta de entrar em coisas mais certeiras. A renda variável já é variável, já é difícil. Você já tem que projetar, você já erra, já toma pancada no meio do caminho. Se você ainda for tentar adivinhar eleição, dólar, PIB, câmbio, taxa de juros...
aí que ferrou tua vida. Então, você tem que ir pra um lugar que você não tem que adivinhar muita coisa, que tá meio dada. Quando as premissas estão todas meio dadas, você consegue, entendeu? O cara economizar conta de luz, o ar-condicionado, é dado. É só ir lá, desligar o ar-condicionado às seis da tarde, ligar de manhã, botar a temperatura que era 16 graus no 23, sei lá que temperatura que ele põe, o número de funcionários por loja mudar de tanto pra tanto, treinar o gerente.
Coisa que está na mão dele, não depende do presidente da república e de nada para fazer isso. A própria empresa faz isso. Então a gente gosta muito quando tem esse tipo de coisa, que a empresa melhora por si só. O processo dentro da empresa. Tipo, a empresa estava com a estratégia errada do balcão competindo com a própria loja. Eles arrumaram internamente o problema que eles criaram para eles mesmos.
Uma loja estava gastando muito dinheiro com o seu lado, outra pouco. Uma loja está com muito gerente e vendedor, outra pouco. Uma loja, a produtividade do caixa é uma, na outra é outra. E segurança, e assim por diante. Então você consegue melhorar a reposição de estoque, o capital de giro, tudo por si só, independente de quem é o presidente da República. Agora, se a venda vier e bombar e o juro cair, não sei o quê, eu vou ganhar.
Ah, mas o cara do açaí pode ser que ganhe mais que você se o juro cair para 9, 8.
Deus que ajude, tomara que ele ganhe muito dinheiro. Mas eu também vou ganhar. Eu te garanto que eu vou ganhar muito. Então, assim, se bombar a venda, vai bombar a venda para todo mundo. Então, eu não preciso estar num lugar que eu não sei, que nem muita gente me pergunta da Petrobras. Eu falo, a Petrobras sempre foi uma empresa muito barata.
Mas você precisa ter a convicção que você vai ganhar dinheiro nela. Então você precisa falar assim, o presidente da república vai ser o fulano de tal, vai manter a paridade internacional. Imagina agora, você está lá na Petrobras, o petróleo explodiu, hoje está 117 dólares o barril do petróleo. Você fala, a gasolina e o diesel vão explodir, a Petrobras vai arrebentar, diga dinheiro. O cara, não, não, não vai subir preço.
Quer dizer, você tem dois terços da Petrobras, é do mercado. Um terço é do governo. Aí o governo não sobe o preço, o que ele está fazendo? Ferrando os acionistas da Petrobras. Se eu fosse acionista da Petrobras, eu ia estar dando pulo na cadeira de ódio, de raiva do governo.
Então eu não sou, não tenho esse problema. Eu não quero dormir mal. Eu não quero ganhar e não levar. Se a celulose subir, eu vou ganhar e vou levar. A Clabin vai porrar. Se você estiver na Suzana, a Suzana vai porrar. Você vai ganhar. Eu estou na Gerdau. Se amanhã o aço subir, eu vou ganhar dinheiro. Você está na Vale. O minério subiu, você vai ganhar dinheiro. Agora você está na Petrobras. O petróleo subiu, você não ganhou.
Quer dizer, é uma sacanagem. Não é capaz de você perder, porque você vai arrumar problema de endividamento. É, não, mas eles pelo menos botaram aquela lei que a Petrobras não pode importar e vender com prejuízo. Então pelo menos isso já ajudou. A Petrobras pelo menos não está importando combustível e vendendo aqui.
abaixo do preço que ela está comprando lá fora. Então, isso tem uma lei. Os caras vão presos se fizer isso. Então, isso aí ninguém faz mais. Mas, assim, é o tipo de coisa que você fala, pô, por que não? Ah, porque é ano de eleição, se subir vai dar inflação e vai ser ruim, ele não vai ser reeleito, não sei o quê, então ele vai segurar o preço do combustível. Tudo bem, é uma sacanagem. Coitado dos acionistas da Petrobras que estão pagando a conta. Quer dizer, os acionistas da Petrobras estão deixando bilhões na mesa.
porque não pode subir o preço, porque é ano de eleição, porque o governo não deixa, etc. É um absurdo. Por isso que o Petrobras não pode ser do governo. Tem que privatizar, tem que seguir o preço internacional. E todas as empresas, e o Banco do Brasil, e Caixa Econômica, tudo tem que ser privatizado. Não existe o governo fazer ingerência.
Imagina se as nossas empresas todas de aço, de celulose e tudo, viesse o governo e falasse assim, agora você vai abaixar o preço que esse ano é eleição, eu não quero que suba... Ah, mas o preço da celulose explodir? Ah, não, mas você vai vender barato o papelão, a caixa, o papel higiênico, tudo barato porque tem eleição. Se o governo fizesse isso, acabava com a tua vida.
Deixa o livre mercado, deixa o pau comer, deixa as pessoas competirem. Por isso que eu falo, é uma coisa absurda o que é feito. E a gente vê esse tipo de coisa, ninguém se revolta, ninguém fala nada, todo mundo acha normal, o povo não entende o que está acontecendo. Então fica o dito pelo não dito.
E a Petrobras não é do governo, é um terço do governo. O governo que pega o lucro dele, vai explodir o lucro da Petrobras. Subiu o preço do diesel e gasolina. Explodiu o preço, o lucro da Petrobras vai empurrar. Vai gerar muito caixa, vai pagar muito dividendo. Um terço desse isso vem para o governo. O governo que pega o terço dele e faça programas sociais. E doi bolsa diesel, bolsa gasolina, vale gás, vale não sei o quê. O governo que invente o que fazer.
Mas o que o acionista da Petrobras tem que pagar isso? Quem tem que pagar isso é um terço do governo. O governo paga, o problema é dele, o governo que ele criou. E não o acionista da Petrobras, que não tem nada a ver com isso. Ele não tem que fazer financiamento de combustível, vender combustível barato para o povo e perder dinheiro.
Então, tem os fundos de pensão que tem a ação da Petrobras, os fundos gringos, etc. Está todo mundo, pessoas físicas, todo mundo subsidiando o combustível para nós todos usarmos gasolina e diesel mais barato do que no mundo, porque não pode subir o preço porque é ano de eleição. Então, é absurdo isso que acontece.
e tem que falar porque eu não tenho Petrobras mas esse tipo de coisa que eu falo para vocês que acontece e quando você vê um governo tipo Michel Temer que teve que tinha livre mercado depois veio o bolsonaro livre mercado
paridade internacional, os dois botaram o combustível com a paridade internacional, isso é muito bom, porque a Petrobras passou a ter valor, passaram a enxergar um valor muito grande na Petrobras nessa época. E aí, quando a gente viu que tinha a chance do Bolsonaro perder a eleição, lá em 2022, em abril de 2022, a gente vendeu. Até vendemos mal, deixamos muito dinheiro na mesa. Ganhamos muito dinheiro na Petrobras, mas deixamos dinheiro na mesa. Mas falamos, não vamos correr esse risco.
É um risco que eu não quero correr, eu não quero ficar sem dormir, eu não quero subir na mesa e dar pulo de raiva. Então, cai fora, bloqueamos. Enquanto tiver esse governo, a gente não investe em Petrobras, a gente é proibido de investir em Petrobras.
Se vier um novo governo, tiver paridade internacional, tiver barato, preço bom, atrativo, a gente pode voltar, se não, fora da Petrobras. Apesar de ser uma excelente empresa. A gente ama a Petrobras. A gente acha a empresa fenomenal. Uma das melhores empresas do Brasil. Talvez a melhor do Brasil. Mas o governo estraga tudo que é bom lá. Não é que você considera o macro neutro.
Mas, na verdade, o macro nas tuas alocações, ele pode melhorar um pouco aquilo que você estava esperando, piorar um pouquinho aquilo que você estava esperando, mas como a tua margem de segurança é tão grande, ainda que ele piore um pouquinho, tranquilo, segue o jogo e vamos embora.
Pensa o seguinte, você projeta lá, você pega a Petrobras, você fala assim, eu vou fazer uma projeção de fluxo de caixa dela, vou botar o petróleo a 65 dólares o barril por 10 anos, até a perpetuidade e vou perpetuar. Vou supor, não é o número que eu uso, mas eu estou inventando um número hipotético. 65 dólares o barril. O barril vai para 117. O que acontece com a Petrobras? Está arrebentando de ganhar dinheiro. Deveria estar. Vai ter uma hora que o barril vai vir a 40.
Quando ele vir a 40, os caras vão baixar o preço da gasolina e do diesel até lá embaixo e vão ferrar a Petrobras.
Então, quando o barril tiver 40, a Petrobras vai se ferrar. E quando o Brasil está 117, que ela deveria ganhar dinheiro, ela não ganha. Então, você tem um ativo, você vai fazer a tua projeção, e na hora de você ganhar dinheiro, você não vai ganhar. E na hora de perder, você vai perder. Na celulose, a celulose está lá, 600 dólares a tonelada. Se ela cair para 300, eu vou me ferrar. Se ela for para mil, eu vou ganhar muito dinheiro.
Mas eu quero ganhar e perder. Eu estou lá para isso. Preço do aço também. Subiu minério de ferro. Subiu, caiu, eu vou ganhar, vou perder. Agora, no caso da Petrobras, não. Se cair, você perde. Se subir, você não ganha. Ou ganha muito pouco. Ele capa o teu ganho. Ele tem um cap ali, tem um corte no teu ganho. Tem um teto de ganho para você. É esse que é o absurdo. Por isso que eu falo, tem que ser livre. Eu tenho que ganhar o que for para ganhar.
O petróleo é meu, eu produzo o petróleo. Você compra uma empresa que produz o petróleo. O barril é teu, o poço é teu. Você tira aquele barril. Você quer vender pelo preço justo, pelo preço que está no mundo. Está a 117 dólares? Eu quero vender a 117 dólares. Não quero vender a 70, 80, porque é ano de eleição.
É isso. O cara é obrigado a vender mais barato porque não pode vender mais caro a gasolina e o diesel no Brasil, porque é ano de eleição. Então, esse tipo de absurdo acontece. E aí o governo fica dando desconto de imposto, que pode dar, isso eu sou a favor. Zero imposto. O governo está ganhando tanto dinheiro com o Royalty e com o lucro da Petrobras. Zero o PIS e COFIN, zero ICMS. Negocia com os estados para tirar ICMS. Vamos zerar onde der para melhorar a competitividade e baixar o preço. Ok.
Mas o resto tem que deixar passar o preço. Não pode zerar, zerar, zerar e o resto. Ainda tem uma defasagem lá de 30%, 40%, 50%. É absurdo, né? Então, esse tipo de coisa acontece. Você pode fazer tudo o que tiver na caneta do governo. Eu não sou contra o governo fazer essas políticas anticíclicas. Mas ele que faz com o dinheiro dele, não com o dinheiro do acionista. Só isso que eu discuto e sou contra.
Perfeito. Não mande. Ah, eu tenho mais, vamos lá. A respeito de celulose, você está falando em Klabin. Essa posição não está rendendo muito, está apanhando faz uns bons meses, mais de ano. É uma empresa alavancada, que não é exatamente, por exemplo, o Grupo Matheus, você falou, tem uma alavancagem pequena, muito menos que uma vez ebítida. A Klabin já mais de três vezes. O que você enxerga na empresa? Por que Klabin nesses tempos de celulose estão baixos?
Clabia é uma excelente empresa. Um terço dela é celulose, dois terços é papel, papelão, embalagem, etc. A celulose está num preço muito ruim, está amassada, deprimida. E o câmbio também, você pega a média pós-pandemia do câmbio, é 5,30, 5,30 é alguma coisa, e hoje o câmbio está 5.
Então, ela perdeu no câmbio. O câmbio alto é bom para a Klabin, porque os preços ficam melhores, o custo dela é em real, e a receita dela é praticamente dolarizada. Então, ela tem uma dívida grande em dólar, que ajuda, porque o dólar cai. Ela serve como um hedge, um amortecedor. O dólar cai. Ela consegue encolher a dívida dela. Piora o EBITDA, piora a receita, mas diminui a dívida.
Então isso é bom para ela. E há uma empresa que fez muito capex nos últimos anos de novos projetos de compra de terra, de novas fábricas. E esses projetos começaram a entrar em operação recentemente. Então no Rampap, todos esses projetos. Então o que vai acontecer na Klabin?
O capex dela, vai cair o capex, é o dinheiro que ela investe. Tem o capex de manutenção, que ela investe só para rodar, para manter o que já existe. E tem o capex de expansão para novos negócios, para comprar uma nova terra, plantar árvores novas, em lugares novos, fazer fábrica nova. Esse capex de expansão...
está praticamente acabando. E só vai existir o de manutenção. Então, uma empresa que investia bilhões de reais, vai cair esse investimento dela para 2,5 bi, esse ano ainda deve ser uns 3 bi, ano que vem cai para 2,5 bi, depois para perto de 2, 2,100.
Cai muito. 2,2,5 você acha que é um capex de manutenção para ela. Exato. Então se esse investimento cair muito dela, ela vai começar a ter uma geração de caixa muito robusta, muito grande, que vai pagar o dividendo, que ela paga lá um bi e meio todo ano de dividendo e ainda vai sobrar para reduzir dívida e desalavancar a companhia.
Então, hoje ela distribui quase toda a geração de caixa dela, praticamente ela está distribuindo. Ela vai começar cada vez, um bi e meio que ela distribui de dividendos, praticamente isso daí vai ficar um valor pequeno perto da geração de caixa dela. E o resto da geração de caixa vai servir para ir desalavancando a companhia. E aí desalavancando, o mercado vai começar a ver que a empresa finalmente está gerando muito caixa.
Não só esse 1,5 bi, um pouquinho mais do dividendo, que está sendo pago em dividendo. A dívida não cai porque está indo para o acionista. Podia pagar a dívida, eles preferem mandar para o acionista e manter a dívida. A dívida dela é barata, é longa, tudo. Não tem problema. E eles têm convicção, confiança que o EBITDA cresce. Então, eles estão tranquilos com esse tamanho de alavancagem. Mas vendo o CAPEX cair, eles veem que para frente eles conseguem desalavancar muito rápido esse...
esse assunto. Se eles cortarem o dividendo, desalavanca muito rápido. Eles não devem cortar, porque a família gosta de receber esse dividendo anual, trimestral, eles distribuem todo o tri. Então, provavelmente, eles vão só ter a desalavancagem via crescimento de EBITDA e queda de CAPEX. Então, a gente vai ver nos próximos anos a empresa desalavancando e aí sim, eu acho que a ação vai começar a responder. Estou esperando isso.
Não acontece, ano passado o dólar caiu, esse ano, então afetou um pouco a EBITDA da empresa, a commodity também está baixa, num preço amassado baixo, que também afeta. Para você ter uma ideia, o ano passado, a Klabin entregou 10% a menos do que eu projetava. Que nem eu falei que a Vulcabras, nos últimos anos, entregou quase o dobro do que eu projetava, 92% a mais, a Klabin entregou 10% a menos do que eu projetava ano passado.
Então, mesmo assim, é muito barato. Eu comprei ela com muita margem de segurança, mas por tudo que aconteceu ano passado, entregou 10 cento a menos. Esse ano deve dar uma melhoradinha. Nesse número aí, deve ser mais próximo do que o projeto. Mas a gente foi surpreendido negativamente. Então, eu entendo o momento ruim da Klabin. Do mesmo jeito que eu tenho ultra na carteira e está num momento fenomenal de bom. A Alos está muito bem. Então, tem alguns ativos na nossa carteira.
que estão em momentos fenomenais, tio Itaú e a Sabesp, que estão em momentos muito bons, que a gente saiu, acabou saindo da posição inteira. Então, assim, quando o ativo está muito bem, entregando o resultado, mais do que as pessoas projetam e tudo bem, é muito provável que essa ação vá para o target. Às vezes até extrapola, passa o nosso target, o preço-alvo, o preço justo. E a gente acaba vendendo essas posições.
Do mesmo jeito que quando a empresa fica tá mal, venda ruim, entregando menos e decepcionando o mercado, normalmente extrapola pra baixo, amassa muito e cria-se uma oportunidade de você comprar. Se a empresa realmente é boa e tá só num momento ruim, às vezes é essa contramão que é a hora boa de você entrar. Que pra gente é o caso do Matheus, é o caso da Klabin. São empresas que estão apanhando muito a rumo, ferrovia que a gente tem também.
São empresas que estão num momento péssimolalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalala
Quer dizer, a Rumo, o momento já melhorou, só a ação que ainda não melhorou, mas o momento da Rumo, via guerra, aumento de preço de combustível, diesel, petróleo, eles estão aumentando o volume, estão vendendo mais, estão fechando mais contrato, vão ter mais carga para carregar com preço bom para o ano inteiro. Então, a gente vê muito bom isso, a gente vê com bons olhos isso para a Rumo para frente.
Mas daí tem os problemas da controladora, que estava alavancada, aí tinha os boatos que eles iam vender. Tudo que isso tudo afetou a cotação. Ficou amassando o preço do papel na bolsa. Então a gente acha que a Rumo ficou bem amassada por conta disso. Mas o que mudou do dia 1º de março para cá, o mercado para a Rumo mudou completamente. A Rumo estava num momento ruim, melhorou, mas a ação não melhorou.
A perspectiva melhorou muito. Igual a outra também, que está na melhor possível, perspectiva histórica dela, que é a nossa maior investimento. Eu quero abordar uma tese que você citou, que vocês têm posição, que é a ALUS. Em um movimento específico recente que ela fez, que é o desinvestimento em alguns ativos que vão ser aquele fundo imobiliário em parceria com a Quineia. Eu queria a tua visão. Como é que você vê esse movimento especificamente?
É muito bom, porque é o seguinte, o cliente do fundo imobiliário, ele é um cliente que quer estar direto no shopping, ele quer receber aquele aluguel via dividendo, isento, de uma maneira mais tranquila, vamos dizer. Ele quer estar lá embaixo para pingar. Então, ele é dono do shopping, tem o dividendo, ele aceita ganhar.
um pouco menos do que quem investe em equity, para não correr riscos, para não estar na holding, não ter que pagar salário de presidente, conselheiro, e governança, e dívida, e alavancagem, e não sei o quê, e Hello, que é a empresa de mídia da Alos. Ele não quer... A carga, quer carregamento de elétrico. Ele não quer estar na bagunça. Ele quer estar lá embaixo, no shopping, mamando aluguelzinho, pingando na conta dele aluguel.
Então, você vai num shopping gigantesco desse e fala assim, meu, o shopping tem lá 80%, 90% de margem, 20 funcionários, faz cento e tantos milhões de aluguel, isso aqui é um fenômeno. O cara quer comprar aquilo, aquele ativo e pingar o aluguel Z. É que nem ter um imóvel, um apartamento alugado e pingar o aluguel na conta. Então, o cara aceita ter um yield menor, ganhar um pouquinho menos do que eu quero ganhar na Alos. Então, para a gente é bom, porque a gente vai ter um outro bolso, um outro investidor.
que aceita um retorno um pouco menor para ter os shoppings, o real estate dele, ele ser proprietário, ele ter a garantia muito melhor do que ter uma NTNB, por exemplo, e o cara às vezes, no mesmo yield da NTNB, o cara fala, pô, eu prefiro ter um shopping do que ter NTNB. E para a gente, ok, pode pegar esse shopping, porque eu com esse dinheiro consigo comprar outras coisas, investir em outros lugares, que eu vou ter um retorno acima da NTNB.
Então, a gente faz essa movimentação, essa troca. Isso é alocação de capital. A gente está alocando capital de acordo com o que tem investidores. Então, tem investidor bom para isso, tem investidor que quer aquilo. Você tem que ler o mercado, os investidores, quem quer o quê e oferecer para os investidores o que cada um quer.
Se o cara aceita pagar um prêmio para estar no fundo imobiliário, que não tem imposto, não tem tributação, tem um ganho fiscal também muito bom no fundo imobiliário. Então ele aceita aquilo? Ótimo, vamos dar aquilo para aqueles. Podem ver o tanto de fundo imobiliário que existe, o tanto de shopping. E às vezes a gente pega esse dinheiro e recompra a nossa própria ação, que a gente vai ter um yield ainda maior do que o yield do fundo imobiliário.
Então, assim, aí você fala, por que você não compra fundo imobiliário? Porque eu prefiro comprar ação e ganhar um pouquinho a mais. Eu prefiro estar na bagunça e ganhar, ter oscilação e bolsa e não ter garantia de dividendo nenhuma, não sei o quê. Mas eu vou ganhar mais. Se eu fosse ganhar menos, eu estaria no fundo imobiliário, eu estaria no CDI ou na renda fixa ou em outra ação. Eu caio fora. Se eu estou na Alus e não estou no fundo imobiliário ou no CDI, significa que a Alus ainda está me dando mais do que o CDI e do que o fundo imobiliário.
Por isso que eu tô na ala. Eu sempre comparo tudo com tudo. Eu vou estar sempre onde o yield for maior. Então se o yield é maior hoje na Alos, eu tô na Alos. Como fundo imobiliário é a minha área de cobertura, né? Quando veio a notícia, eu falei, pô...
Eis uma parceria que eu fiquei animado. Estou esperando bastante esse fundo chegar ao mercado, porque a Kineia carrega uma placa que dispensa apresentações, especialmente dentro do mundo do fundo imobiliário. O portfólio da Alos, a turma pegou e falou, mas faltou o Truffi Asset, faltou aquele ativo troféu no portfólio. Eu falei, não, mas tem a gestão troféu.
porque Kineia é Kineia. Tem ativo também, tem dois shoppings muito bons que foram colocados. É porque a turma acha que o Trophy Asset é aquele shopping bacanão, entendeu? E não é isso, né? É a rentabilidade do ativo. O Trophy Asset é a rentabilidade. Vou te citar um exemplo. A gente foi em Belém agora essa semana, teve inauguração da loja do Matheus em Belém.
Aproveitamos a viagem e fomos no shopping da Alos. A Alos tem dois shoppings em Belém. O Boulevard, que é num bairro mais nobre, e um outro shopping mais afastado, num bairro menos nobre. Os dois shoppings foram construídos na mesma época. Tem a área muito parecida. Se eu não me engano, um tem, sei lá, 30 mil metros quadrados, o outro 33. Parecida a área. 10 cento a mais um do outro. O Boulevard tem, acho que, 10 cento a mais. Você vai olhar...
O aluguel de cada um desses, o aluguel do boulevard, se eu não me engano, é mais do que o dobro.
do aluguel do outro shopping. Mais do que o do, custaram a mesma coisa pra fazer, foram construídos na mesma época, gastou-se o mesmo dinheiro e o um tem o yield e o dobro do outro. O Boulevard hoje, se eu não me engano, ele é o terceiro ou quarto melhor shopping da Alos por metro quadrado, por venda total, não sei o que. Apanha, por metro quadrado ele apanha do Leblon, venda total, acho que ele bate o Leblon, porque o Leblon é menor.
Eu não sei. Tem o Dom Pedro, que é muito grande. Então, um volume de venda do Dom Pedro é muito bom, lá em Campinas. Mas, assim, é um shopping em Belém, o Boulevard, que ninguém conhece. Está naquela avenida mais chique e principal de Belém, que é a mesma avenida que o Matheus inaugurou a loja chique dele. Essa loja dele que é...
que é o Hiper Matheus, que é um supermercado com mais serviço do que o Matheus comum que a gente conhece, que é a avenida principal lá de Belém, mais top de Belém. E o nosso shopping, na mesma cidade, você consegue ter um dos melhores shopping centers da Alos construídos na mesma data, com o mesmo capex, tudo igual.
Tem um dos melhores e um dos piores da Alos. Um está entre os 10 piores, 5, 8 piores, o outro está entre os 5 melhores, 4 melhores. Então, assim, você vê que essas coisas... E ninguém tem noção. Não tem troféu. Esse é um troféu. Alguém sabe que é um troféu? O Boulevard, o Manauara de Manaus. É um troféu. Um dos melhores shopping centers da Alos.
A Alus tem o Manauara que briga com esse Boulevard. Às vezes um ganha. Eles são os melhores shoppings da região norte inteira. Norte e Nordeste. São os shoppings mais tops que existem lá. Às vezes é o Boulevard, às vezes é o Manauara. Ele inverte. Às vezes eu acho que agora o Manauara está melhor que o Boulevard. O Boulevard antes estava melhor. E assim vai.
Mas para você ver que são ativos troféus que ninguém sabe que existe, não visitou, é longe, não conhece. Então o pessoal do fundo imobiliário, às vezes está muito aqui em São Paulo ou no Rio, não conhece esses ativos. Fala, pô, mas tem ativo bom ou não tem? E tem coisa boa, só tem coisa boa. Tem muito shopping bom lá dentro. A gente gosta. E esse fundo do Quineia tem duas participações em dois shoppings premium, bem top da Alos.
E como é essa experiência de gastar sola de sapato, mandar analista para o Maranhão para o Pará, para ver a abertura de loja? Como é que você faz o treinamento de um analista que chegou na Guepardo e você quer ir na escadinha e subir e talvez um dia se tornar um gestor como você? São anos. Os caras que estavam, dois caras, dois sócios da Guepardo foram lá para Belém. Um está na Guepardo há 14 anos.
E o outro está na Guepardo há uns oito. Um há 14 e um há oito anos. Os dois são sócios, os dois são sêniores, os dois conhecem muito. Um é o responsável por Mateus e Alos dentro da Guepardo.
é o sócio que toca esses dois investimentos, e o outro é o nosso analista mais antigo, que foi junto com ele, porque a gente gosta de ter mais opiniões. Então, a gente não manda um analista, né? Às vezes vou eu, às vezes vai outro analista. A gente gosta de mais gente checar e ver, e ter opinião e falar. Porque lá na Guepardo, no final, todo mundo tem que conhecer tudo. Então, você vê, eles foram para lá, mas eu vi todos os vídeos, a inauguração, o discurso.
Estava tudo sendo filmado por eles, para mim, sendo passado. Então, não só para mim, para todo o time de investimentos. Porque, no final, todo mundo lá precisa conhecer tudo sobre a Alos, sobre Matheus. Mesmo não estando lá, eu preciso saber tudo o que acontece.
Então, como foi o discurso do Matheus na inauguração? Como foi não sei o quê? Como é a loja? Quantos metros? Aqui, ali. E o shopping, como é que estava? E no outro? Foi num, foi no outro? Comparou? E as lojas, como é que são? Que lojas tem em cada shopping? Quanto pagar de aluguel? Foi no shopping concorrente? Foi no supermercado concorrente do Matheus, lá em Belém, para a gente conhecer? Fui, olha as fotos, filmei, tirei foto, o supermercado é assim, assado.
Então os caras mapeiam tudo, mandam para todo o nosso time de investimentos ter o mesmo conhecimento. Porque no final, quando a gente vai votar lá para investir ou desinvestir ou comprar uma ação, todo mundo tem que saber. Não pode ser um analista que vai lá, manda, o cara pode estar errado, pode estar certo, vai ganhar ou perder, e a responsabilidade é de um cara sozinho.
É uma sacanagem para a gente botar toda essa responsabilidade na mão de uma pessoa. Como a gente é um fundo concentrado, a gente tem no máximo 14 empresas dentro do fundo, a gente investe muito dinheiro. A gente vai investir em uma empresa, é um bilhão, é 800 milhões de reais. São volumes grandes de dinheiro que a gente põe dentro de uma empresa. Então, quando a gente põe o nosso cheque, é grande. A gente estava falando do gringo com cheque grande, a guepardo é até maior do que o cheque do gringo.
quando a gente vai entrar numa empresa, porque a gente é mais concentrado que o gringo. Então, a gente precisa conhecer muito a empresa. Todo time tem que conhecer. Imagina se o analista amanhã resolve sair. Ou acontece alguma coisa com ele. Todo mundo tem que saber o que o cara sabe. Conhecimento não pode ser do cara. Tem que ser do time inteiro. Então, o time inteiro conhece o seu Matheus.
O time inteiro conhece o CFO, o Túlio, o Sandro, o diretor, o Jesuíno, o CEO. Todo mundo conhece, todo mundo lá. Eles vão para a gueparda inteira para receber, para estar na sala de reunião, para bater papo com eles, para saber o que eles estão pensando, para discutir estratégia, gestão e saber o que eles acham da empresa, do futuro, alocação de capital, conhecer a cabeça deles.
Olha a projeção, o modelo. O analista só é o responsável. A gente tem um cara que é o responsável pelo Matheus. Então, ele que atualiza a planilha, ele que traz as notícias, ele que conversa com o IPs, ele que agenda, visita lá, aqui, na inauguração de loja. Mas daí, quem quiser, vai junto. Se eu quisesse ir junto, eu poderia. O outro, todo mundo é convidado para ir junto. Como essa era em Belém, não atraiu muita gente. Mas se fosse em São Paulo uma inauguração, com certeza ia estar todo mundo do escritório.
Agora, em Belém já é mais difícil. E todo mundo, porque às vezes um não pode, um tem uma agenda, um não tinha um compromisso, eles avisaram muito em cima da hora. Aí só foram dois, mas dá pra ir mais gente. Então, assim, e a gente já aproveita a viagem. Você vê que já que vai pra Belém, na inauguração do Matheus, já vai na Alus também. Então, assim, tudo tem que ter uma sinergia. Eu queria te agradecer, tá? Porque há uns tempos atrás eu falei na sala de análise que eu queria ir pro Maranhão pra conhecer uma loja do Matheus.
E o pessoal riu da minha cara. Ó, tá vendo a guipardo fazer a mesma coisa. Tá vendo? Não, mas isso é a visão... Tem um quê também de a visão de quem... Vivencia o negócio. Por exemplo, quando eu tive a frente de gestão imobiliária... Pô. Eu fui ver a inauguração do Estação, lá em Cuiabá. Shopping da...
Eu não tinha exposição em ativo em Cuiabá, mas eu fui lá conhecer o shopping, para entender, porque era um ativo novo que a Alos estava lançando. Era o primeiro shopping que a Alos estava lançando, aquele modelo que ela criou do Test Lab, que ela pegava a turma local, mais voltada para a gastronomia, e testava primeiro nesse espaço ali, onde cada um tinha uma operação pequenininha para saber se não vai funcionar legal. E depois vamos procurar um lugar no mall para vocês.
Então, isso daí também tem o quê de vivência? Tem a turma que é mais planilheira, a Bloomberg, nada contra, entendeu? Mas tem uma parte de investimento que você exige só... Tem que combinar os dois. O próprio Otávio fala que ele tem os filtros qualitativos. Você tem uma base mais... Tem que ter, lógico. Isso é óbvio. Tem que ter. Mas você tem os seus filtros que definem as 70 empresas investíveis. Pode compartilhar um pouquinho quais são esses filtros qualitativos?
São vários, né? Setor, eu falei, a gente baseia muito em Michael Porter, nas forças de Porter.
Análise do setor. E aí a gente já barra setores. Antes de ir para as empresas, já barra o setor. Aviação. O setor inteiro é barrado. Então não precisa nem discutir empresa a empresa. Não tem como ter um preço que você entrar em aviação. Não. A gente nem olha nenhuma empresa de aviação. Então barra o setor. E aí tem setores que são barrados inteiros. Tem setor que a gente, às vezes, salva alguma coisa. Como supermercado, a gente salvou o Matheus.
Então, você tira alguma empresa pinçada daquele setor. Banco, a gente salva os bancos grandes. Banco pequeno, a gente não investe. Então, assim, algumas coisas você acaba pinçando e falando, isso aqui dá pra passar, isso aqui não dá, é ruim do setor. Não vai dar certo. E aí, das 70 empresas que você aprovou, aí a gente olha gestão, estratégia, mas daí já é quando tem a empresa. Daí, assim, eu aprovi uma empresa X, está num setor bom, tudo. Aí eu vou na empresa.
ver se o cara tem uma gestão boa, se o cara tem uma estratégia boa, se tem governança, tudo. Aí você já começa a ter trabalho físico, de visita, entrevista, falar com esse funcionário, concorrente, tudo. E aí você vai bloqueando. Fala, pô, gestão desse cara é um lixo, esquece, não existe. Essa aqui, governança, não dá. Cancelado, parte relacionada, etc. E aí você vai ticando e vai cancelando.
E aí você vai passando esses filtros. Na hora que você chega lá embaixo, aí você vai, risco, os riscos, né? Econômico, financeiro, alavancagem da companhia, etc. O cara está mega alavancado, deve seis vezes EBITDA, pode quebrar, pô, tchau. Não quero investir. E aí vai passando. No final, quando passa em tudo...
Você fala, beleza, eu quero a WEG. Passou em tudo. Puta empresa, a melhor empresa do Brasil, estratégia espetacular, margem, setor, tudo. O cara é líder de mercado, tecnologia, tudo funciona na WEG. Passou em tudo. Aí, valuation. Aí que eu vou projetar. Aí eu projeto e falo, mas a WEG, para mim, deveria valer menos do que está na bolsa. O meu target é abaixo do valor de bolsa. Quer dizer, o cara precisa entregar mais do que eu projeto para valer aquilo que está na bolsa.
Então, não quero comprar WEG, não quero correr esse risco. Ele sempre entregou, em 25 anos que eu acompanho, até mais, antes do fundo e do clube eu já acompanhava a WEG, ele entregou mais do que eu projetava, sempre.
Então, assim, eu sempre fui pessimista na WEG. Pessimista não, conservador não. Na WEG em todos os papéis, eu tento ser conservador para ser surpreendido sempre positivamente. E na WEG, eu sempre projetei, sempre o cara entregou mais. Então, eu nunca consegui comprar. A ação sempre subiu muito, sempre foi muito cara. E eu sempre errei a projeção. Mas eu não tenho esse problema de falar assim, pô, é um erro nunca ter tido WEG. Não, eu não quero ter WEG. Eu não vou me sentir bem.
Esse é o meu perfil, são os meus valores que eu não negocio, é a minha disciplina. Eu falo, eu não vou dormir bem. Se eu comprar a WEG amanhã, a WEG cai 30%, eu falo, pô, mas agora está no preço justo para mim. Aí eu falo assim, pô, eu já comprei, já me ferrei, agora está no preço justo, onde eu vou ganhar dinheiro nisso?
Então, assim, eu não vou me sentir bem. Eu vou dormir mal. Eu gosto de comprar coisa que está amassada, bem barata, que eu tenho convicção que tudo vai... Tipo o Klabin. Ah, entregou 10, você está menos do que eu projetava no passado. Mesmo assim, está de graça, continuo comprado, achando ótimo. É isso que eu gosto. Eu gosto de coisa amassada, descontada, com margem de segurança. A WEG nunca teve margem de segurança para mim. Então, eu nunca comprei porque eu nunca me senti bem. Eu não ia dormir feliz e bem tendo WEG no portfólio. Entendeu?
Por isso que eu nunca tive. E mesmo não tendo, mesmo errando e ela entregando mais do que você projetava, você fez 21% ao ano em quase 25 anos. Mais uma vez, sempre lembrar isso. Não é fotografiazinha de 12, 24, 36. Muito bom, muito bom. Ponta adicional?
Ah, acho que... Papo bom, hein? Papo muito bom. O Otávio sempre traz pontos. Assim, eu gosto bastante de leitura. Eu acho que enriquece muito. Então, leio todos os livros mais nerdolas possíveis de finanças. Você teria alguma recomendação mais exótica? O que você está lendo de interessante? O que você recomenda para alguém que trabalha com investimentos?
Tem várias coisas, né? Mas, assim, leitura... Em primeiro lugar, o podcast como esse. Pra mim, vale muito mais do que muitas leituras. Você vai aprender muito mais escutando um podcast como esse do que outros que vocês fazem e que tem nos outros canais, não só aqui. Você aprende muito mais. Então, você tem muito conteúdo bom.
com qualidade, que você vai aprender. Vídeos do Warren Buffett, aulas do Warren Buffett, livros sobre o Warren Buffett, livros sobre Michael Porter, livros, por exemplo, de gestão, Good to Great, Great by Choice. Tem vários livros para você aperfeiçoar a estratégia de companhia. Acho que é Smart by Choice, tem esse nome. Então, são livros que você...
vai entrar muito em gestão, em estratégia. Eu não sei quão técnico a pessoa é também. Porque você fala assim, às vezes a pessoa vai ler o livro e não vai entender nada do que está escrito no livro, entendeu? Então, por exemplo, o Michael Porter é um livro muito chato e técnico. Aí tem a... Eu já falei em outro podcast, não lembro se foi aqui. Eu falei, tem um livro que chama Entendendo o Michael Porter, que é da aluna do Michael Porter, que escreveu para entender ele.
Então ela explica o Michael Porter melhor do que o livro do Michael Porter. Então esse livro é legal, porque é mais fácil de você entender. Eu prefiro ele do que o Michael Porter. Então assim, tem vários livros que você vai lendo e vai pegando ideias. Eu grifo muito o livro para pegar ideias, para melhorar os meus questionários. Então às vezes eu falo assim, porra, tem uma pergunta nesse livro sobre estratégia ou sobre gestão que a gente não faz no questionário. Vamos inserir essa pergunta aqui no questionário.
nas empresas, e aí vai melhorando. Então, pense em 25 anos, o que não evoluiu.
Como a gente vê nas empresas, a empresa que tem um processo definido, desenhado por escrito, ela consegue melhorar aquele processo. Então você faz um melhoramento contínuo do processo. Se você não tem o processo, é tudo empírico, é difícil melhorar. O que você não mede, como é que você vai melhorar uma coisa que você não mede? Então, como a gente tem o processo da guepardo bem definido, a gente consegue melhorar ele, evoluir. Então, pô, erramos uma empresa, erramos um investimento. Para onde a gente errou?
O setor era ruim, mas por quê? Que pergunta que não tinha aqui, que a gente comeu bola e aprovou, passou, e como é que a gente blinda disso? Ah, põe uma pergunta assim, que se a resposta for assim, a gente não pegaria essa empresa. Então insere essa pergunta. E assim você vai melhorando. Você tendo questionário físico, papel, perguntas e respostas, você consegue melhorar. Se é empírico, o conhecimento está na tua cabeça. Depois de um ano, dois, três, você esqueceu. Tipo Airlines, a gente brincou aqui. Todo mundo aqui não gosta de Airlines.
você, na tua época, você era pequeno, você viu a Varigui quebrar, Transbrasil, a VASP, a TAM, a Gol, a Azul, todo mundo, RJ, e sai, entra, e no mundo inteiro, não é só no Brasil, é Alitalia, é American Airlines, não sei quem, todo mundo explode em tudo que é canto do mundo. Então você sabe, esse business é ruim, porque é empírico, está na tua cabeça, já está em você. Qualquer ser humano, mesmo que não trabalhe no mercado financeiro, sabe que airlines é uma coisa ruim, companhia aérea não presta.
Agora, como é que você, trabalhando no mercado de cerveja, vai pensar? Pô, banco pequeno é ruim, banco grande é bom. Não sei o que é ruim, não sei o que é frigorífico, é ruim ou é bom? E farmácia, é ruim ou é bom? Pô, mas a raia é boa, mas a outra é ruim. Supermercado, por que o Matheus é bom e o pão de açúcar é ruim? E assim vai, entendeu? Então, aí você precisa entrar no detalhe para saber por que isso é bom, isso aqui é ruim, estudando, criando questionário.
respondendo, tentando entender a diferença. Por que esse cara é bom e esse cara é ruim? Ah, é só porque ele está no Maranhão e no interior e sem competição. O outro está em São Paulo se matando com o Carrefour, o Walmart, pôr de açúcar, açaí e atacar. É todo mundo se matando aqui em São Paulo? Entendeu? É a competição, o assunto desse aqui? Ah, é o produto substituído. Pô, eu tenho marca de sapatos. O tênis está tomando o mercado de sapato.
Ninguém mais trabalha de sapato. Hoje em dia, só de tênis. Pô, há 20 anos atrás, todo mundo usava sapato.
Imagina, eu de camiseta, era inimaginável uma pessoa de camiseta no mercado financeiro há 20 anos atrás. Eu trabalhava de camisa social com monograma. Então, assim, isso acabou, mudou. Então, assim, o cara aqui, o alfaiate que vendia camisa social com monograma, o volume de venda do cara despingolou.
E o cara do sapato despingolou. E quem tomou esse mercado? Ah, é o cara do tênis, é o sapatênis, etc. Então você precisa estar sempre atento. Empresas são seres vivos. Você precisa estar sempre atento. Quem é o ganhador, quem é o perdedor? Quem é o substituto de quem? Quem vai tomar o mercado de quem? Entendeu? Por exemplo, você fala em inteligência artificial. Ah, o iPhone, o puta celular, Apple Store, não sei o quê. A Apple dominou.
Pô, vai vir agora a Open AI, vai lançar um celular, que não sei se vai ser celular ou se vai ser no ouvido.
que você vai ligar para a pessoa, vai falar, eu quero comprar o cheeseburger numa lanchonete, por favor. O teu fone vai entrar num aplicativo, que você não sabe qual é, vai comprar e vai entregar na tua casa, vai passar teu cartão de crédito, tudo inteligência artificial. A inteligência artificial vai fazer tudo para você, você não vai mais ter celular com aplicativo. Então a Apple Store, que hoje come 30% do ganho dos aplicativos,
Vai parar de comer. Então, assim, aí você fala, pô, Apple, puta, business top, resiliente, não sei o quê. Está ameaçado. Daqui a dois anos, três anos, se lançam, se uma dessas inteligências artificiais lança um produto desse, que não tem mais app para você clicar, e acabou o celular, e acabou o coisinho, a inteligência artificial dominou. Eu não sei se vai ser um óculos, se vai ser um fone no ouvido, se é um novo celular, eu não sei o que é. Mas a inteligência artificial pode moer um negócio desse.
O SAP, a TOTUS, são empresas fantásticas, fenomenais, que a gente nunca imaginou que poderiam ser ameaçadas. Hoje em dia, na inteligência artificial, você cria um software.
Então, o que vai acontecer? Vai baratear muito o preço de software, porque o cara consegue fazer em casa, criou uma competição que não existia. Quem que era o concorrente da TOTS? Entendeu? Ah, SAP, TOTS, CQ, Oracle. E quem que era os concorrentes? Agora não. Todo mundo é concorrente. Eu sou concorrente, você, você. Qualquer um de nós, o padeiro está em casa, entra na internet, monta o software dele. Que ele quer do jeito que ele gosta, customiza do jeito dele.
Então, quer dizer, aí o cara fala, se custar 100 reais o software para eu comprar, eu não vou perder meu tempo, eu fico em casa coisando. Mas se custar 5 mil por mês, eu vou fazer sozinho o meu, vou aprender e vou me dedicar e perder a madrugada lá digitando. Então, assim, o cara começa a querer fazer, a querer não sei o quê, então vira uma ameaça. Então, uma empresa que era sólida, top, não sei o quê, de repente, pá, do dia para a noite, apareceu uma ameaça, apareceu uma competição.
As maquininhas, lembra? De cartão de crédito. Meio de pagamento. Rede Carcielo, coisa mais fenomenal. Abrir o capital margem infinita, a ROIC infinita, não sei o quê. A gente foi fazer nossa análise qualitativa. Lá atrás, isso décadas atrás. A gente pode comprar ou não pode? Não, não. O setor horroroso, não tem barreira de entrada nenhuma. Qualquer um consegue fazer uma maquininha.
um retorno altíssimo, são os melhores ROICs, melhores empresas da Bolsa, mais geradora de caixa, avaliou infinito a valuation. Não pode mexer com isso. Qualquer um pode montar isso e destruir esse negócio. O que aconteceu depois de anos? Veio GetNet, SafraPay, não sei o quê, Bema, não sei o quê. Todo mundo montou maquininha. Aí depois ainda veio os celulares. Aí acabou, aí moeu tudo. A UOL fez, Mercado Livre fez. Todo mundo fez maquininha.
Então, acabou, demoliu o resultado das maquininhas. E assim vai, então você precisa entender qual é a barreira de entrada, qual que é a ameaça para esse setor. Pensa em Espaço Laser, fez a IPO na Bolsa. Os caras, nossa, olha o ROIC, olha a rentabilidade. O maior erro estratégico que eu vi foi os caras mostraram para o mercado que existia um negócio tão bom, com tanto retorno, que era o Espaço Laser.
Você vai lá, compra uma máquina de laser, monta uma salinha na Faria Lima, um espaço, faz o seu laser e fala, pronto, agora eu tenho o meu, vou lá fazer as pessoas por metade do preço, ainda vou ganhar muito dinheiro fazendo isso pela metade do preço. Aí começou, você criou a própria competição, você mostrou para o inimigo o quão bom é o teu negócio e não tem barreira. Qualquer um pode comprar a máquina de laser e fazer depilação e começar a vender em qualquer casinha da Faria Lima.
Então, quando você tem um negócio muito bom que não tem barreira, fica quieto em casa na moita e não conta pra ninguém. Se você contar, abrir a capital, fazer IPO, todo mundo vai descobrir e vai te jantar. Agora, se tem uma mina de minério de ferro, não tem outro lugar pro cara explorar minério de ferro, beleza, você tem um ativo único. Aí, tem uma barreira de entrada. Onde você vai arrumar outra Carajás e Guadavale?
A Vale está bem posicionada. Um poço de petróleo lá, que a Petrobras tem, ou que a Aprio tem, está bem posicionado. Então você precisa ter ativos únicos. O Matheus, como é que você vai entrar nas cidadezinhas do Matheus e montar outro supermercado do lado?
Ninguém vai montar. Além de custar muito caro, você tem que... Uma loja do Matheus entre capital de giro, estrutura, não sei o quê. Você gasta 50, 60 milhões de reais uma loja. Entendeu? O cara precisa ter muita grana pra fazer e ainda vai brigar com o Matheus numa cidadezinha micro que só cabe um. Vão ter dois. Os dois vão morrer e se matar. Então, não tem insano com 60 milhões de reais pra montar e se moer. Aí você fala, pô, então o Matheus tem uma barreira de entrada.
Ele tem escala, ele tem o CD, ele tem time, ele sabe fazer diferente. Então, é difícil você brigar. O cara precisa ter uma vantagem competitiva. Então, isso tudo você precisa aprender com experiência, com o tempo, com a análise, olhando business a business, empresa a empresa, setor a setor. É difícil isso, mas você precisa ir ganhando experiência ao longo do tempo para saber que ativos são únicos e que ativos são replicáveis. O que eu falo é fácil de entender e difícil de imitar.
É muito fácil entender o que o Matheus faz. Qualquer um de nós entende e conhece um mercadinho, conhece uma padaria, sabe o que mudou numa padaria, como ele ganhou dinheiro, etc. Agora, vai replicar, vai imitar o que o Matheus fez.
impossível, entendeu? Então, é isso que a gente gosta. Como é que se repõe o shopping? Iguatemi é muito fácil entender. Qualquer um pode ir lá, comprar um terreno, construir, custar caro, alugar, botar loja. Agora, acha um terreno daquele tamanho, na Faria Lima, naquele local, convence todas as marcas gringas mundiais de luxo maiores e os consumidores, poder maior aquisitivo do Brasil, a ir lá, ao mesmo tempo, comprarem dessas lojas, dessas marcas, no seu shopping.
Então, é uma coisa única. O Iguatemi é único. O Leblon lá no Rio é único. Nem tem espaço para fazer outro Leblon. Então, o Shopping Leblon, o Shopping Iguatemi, a mina de minério de ferro de Carajás. Tem ativos únicos. A Suzano, a Clabim, as florestas da Clabim. Onde você vai comprar aquelas fazendas e plantar aquela quantidade de pinos e não sei o quê e montar aquelas fábricas daquele tamanho da Clabim?
Com uma produtividade imensa. Maior que a média brasileira. E com aquelas terras, com aquele solo, com aquela tecnologia, com aquela genética que desenvolveram durante anos. Usando a mesma coisa. São ativos únicos, mundiais. Então, quando você vê essas coisas únicas, aí basta estar barato.
Eu não tenho dúvida que a Clabia é boa, que a Associação é boa. A questão é preço. A que preço ela é boa e a que preço tem que sair e vender. Então, Itaú, ninguém tem dúvida que Itaú é bom. BTG é bom. Agora, que preço que é para comprar BTG e que preço que é para vender? Que preço que é para comprar Itaú, que preço que é para vender, entendeu? Então, é esse tipo de coisa que você precisa manobrar e entrar na hora certa, sair na hora certa e ter disciplina para fazer esse tipo de coisa.
Para saber comprar, saber vender. E saber quando mudou. Porque a TOTOS, por exemplo, era uma empresa que você falava assim, ó, que fenomenal, que coisa incrível que a TOTOS. E agora? É ou não é? Entendeu? Então você precisa também acordar, porque empresa é ser vivo. Você fala, pô, o setor mudou, a competição mudou, a concorrência mudou, a tecnologia mudou. Ferrou, cai fora. Entendeu? Você tinha uma loja de sapato há 30 anos atrás, estava tranquilo, vou ganhar dinheiro, piriri, porra, porra.
Mudou, todo mundo usa tênis do dia pra noite e ninguém mais usa sapato. E aí? Você precisa acordar, precisa estar esperto, cair fora rápido quando a tendência muda. Então é ser vivo isso. Você precisa estar esperto com esses assuntos pra não morrer na praia. Encontrar essas empresas com esses ativos irreplicáveis. Cara, a Klabin tem acho que 911 mil hectares. Eu fiz a conta pra ter uma ideia do que seria em campos de futebol padrão FIFA.
São aproximadamente 1,3 milhão de campos de futebol padrão FIFA que ela tem em hectares. Claro que nem tudo isso é produtivo. E o fluxo de caixa é o que importa, mas hoje ela negocia abaixo nas minhas contas do custo de reposição. Para você replicar uma clubinha do zero, vai custar mais do que comprar ela toda feita em bolsa já gerando caixa. Esse tipo de conta eu não gosto e nunca faço, só para saber, porque aí é o velho trap.
Quando você fala assim, nossa, esse negócio vale 100 milhões, está por 50, vou comprar.
Aí que você vai morrer. Aí é sempre olhando o fluxo de caixa. O fluxo de caixa importa, sem dúvida. Só. Porque se você olhar quanto vale o ativo, o cara não vai vender a fazenda, não vai vender a terra, não vai vender a floresta. Então, se o ativo está sendo mal utilizado, se não está gerando caixa, está gerando despesa, o cara não corta a despesa, é zebra, cara. Não entra porque não vai dar dinheiro. Ah, mas não vale.
cai fora, o cara tem um terreno o cara tem um terreno que vale 100 milhões está por 50, mas o cara não vai vender o terreno, você vai ser minoritário do cara o cara não quer vender, ele quer guardar 50 anos o terreno, vai pagar IPTU 50 anos não vai vender, você quer saber o dinheiro empacado lá, não vai fazer nada e o que adianta?
Cai fora. No Brasil, onde o carrego machuca. Isso, te mata. Então, você não tem que carregar terreno porque está pela metade, ou não sei o quê porque está pela metade. Não carregue nada. Olhe o fluxo de caixa, conheça os controladores, possa saber a cabeça deles. Tem uma frase do Luiz Alves que eu adoro, que é a empresa foi feita para tirar dinheiro, não para pôr.
Então, empresa, você tem que tirar dinheiro dela. Tem que dar dividendo, tem que distribuir. A não ser que a empresa vá muito bem. Consiga reinvestir numa taxa muito alta, aquele dinheiro. Mas assim, não é para você ficar fazendo subscrição na empresa, botando mais dinheiro na empresa. Você tem que ver aquilo, saber como você vai tirar dinheiro daquilo.
A empresa vai só se alavancar, se endividar, nunca vai distribuir dividendos, nunca vai dar dinheiro, nunca vai vender os ativos, nunca vai remunerar, não vai gerar caixa. Então, tchau. Nunca era essa empresa. Você tem que entender que aquela empresa tem que tirar dinheiro. Como eu vou tirar dinheiro dessa empresa? Tem empresa que gerava muito caixa. O cara empossava renda fixa, CDB, CDB, CDB, e não sei o quê. O cara chegou e mora e tinha 2, 3 bilhões de reais aplicado de caixa líquido, aplicado, pagando imposto, mega mal feita a operação.
Aí você fala assim, pô, estou dando meu dinheiro para o cara, e a hora que é para eu ganhar dinheiro, para eu ter o retorno, para eu pegar meu dinheiro de volta, o cara pega, aplica tudo no CDI, pagando um imposto exorbitante, absurdo, e aí começa a me destruir valor. Então, começa a valer menos a empresa. Você fala, enquanto mais gera a caixa, menos vale a empresa, porque ela vai destruindo o valor, destruindo, destruindo, e o dinheiro nunca vem para o meu bolso.
Eu quero investir meu dinheiro, eu sei o que fazer. Eu quero ganhar 20% ao ano, 25%. Eu não quero deixar meu dinheiro com o cara pra ele botar no CDI a 15, recebendo 10 líquido de imposto. Pra ganhar 10% ao ano, eu preciso do cara. Me dá o dinheiro que eu quero eu investir.
Então esse tipo de coisa que você precisa entender se a empresa vai fazer, não vai, se o dinheiro vai voltar pro teu bolso, não vai de que forma vai voltar, se o cara é inteligente, sabe alocar capital, se não tiver onde alocar, se ele vai te devolver o dinheiro ou não, ou vai ficar fazendo besteira com o teu dinheiro, comprando empresas caras e fazendo aquisição absurda. Então você precisa entender essa lógica.
É difícil isso, você entender como funciona a cabeça do ser humano. O ser humano é complicado. Então você precisa ter proximidade, precisa conhecer. Do mesmo jeito que eu brinco com meus investidores, vocês precisam me conhecer, saber como eu penso, etc. Para confiar e colocar o dinheiro, porque no final o cara está me dando um cheque branco. Compre o que você quiser aí para mim.
Eu vou escolher se eu vou comprar Matheus, Alos, se eu vou vender. No final, eu tenho um cheque em branco do meu investidor. Na empresa é a mesma coisa. Quando eu compro a ação de uma empresa, eu estou dando um cheque em branco para aquele time que está lá. Para o CEO, para o Chairman, para os conselheiros, para os diretores. Eles vão decidir se vão dar dividendo, se vão fazer aquisição, se não vão, se vai abrir uma loja, se não vai abrir loja.
Se vai melhorar, se vai demitir alguém, não vai. No final, o cara está com o meu dinheiro, com o cheque em branco, fazendo o que ele quer com o meu dinheiro.
Pensa a confiança que eu tenho que ter no cara. Então, do mesmo jeito que o meu investidor precisa confiar em mim, precisa entender minha cabeça, eu tenho que confiar no CEO, no chairman, e entender a cabeça dos caras, como o cara pensa. Para saber se o cara vai alocar corretamente o meu capital, ou vai ser uma bagunça lá que o cara vai destruir valor. Então, é difícil isso. É uma coisa... Precisa ser muito profundo. Precisa conhecer muito as pessoas. Porque a chance de ter besteira é enorme, sempre.
na maioria das empresas, os caras se lambuzam.
O cara às vezes não tem mais pão de crescer, começa a diversificar e fazer besteira, compra a empresa fora do país, concorrente, faz outra coisa. 80% das diversificações dão errado. Começou a diversificar, é batata que vai dar a zebra, que o negócio vai se dar mal. É raríssimo. De cada cinco diversificações, quatro dão erradas. É forte o número. Então, a empresa começou a diversificar, acabou. Dá o dinheiro para a gente.
A gente não gosta. E deu já bloqueia. Mais uma aula, mais um show de Otávio aqui pra gente, Otávio. O tempo voou.
Quero agradecer demais a sua participação. Tenho certeza que a turma adorou, porque sempre que você traz, você, com uma linguagem muito simples, inclusive, consegue passar valores que são importantes para qualquer investidor. Do pequenininho ao gigante, os valores são incríveis. Fica um convite sempre para retorno, porque quando você vem à aula, eu sei que a turma adora.
Por favor, deixa aí redes sociais, como é que a turma te encontra, como é que a turma conhece mais sobre o trabalho da Guepardo, enfim. A Guepardo tem um Instagram, Guepardo Investimentos, Guepardo Underline Investimentos, alguma coisa assim. É fácil, é o único Instagram lá da Guepardo. E é só entrar lá, é só seguir a Guepardo lá, que tem frases que a gente acredita, tem umas coisas interessantes lá que a gente posta de vez em quando para ajudar a educar o investidor, ajudar a melhorar o conhecimento do investidor.
Maravilha. E, Evandro, se a turma quiser te encontrar nas redes... Me encontrem no Instagram, arroba oevandromedeiros. Estou lá. Posso também com pouca frequência, mas eu posso. Se quiser me encontrar, ricardo.fiz no Instagram. E, semanalmente, temos vídeos no canal da Fim Class no YouTube. Vídeo do Evandro, vídeo meu, vídeo de todos os analistas para te ajudar a investir melhor. Mais uma vez, super obrigado, Otávio. Te espero no próximo episódio. Forte abraço. Tchau, tchau.
Banco Genial Investimentos
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