Episódios de MoneyPlay Podcast

A Pressa Para Se Aposentar Pode Atrasar Sua Aposentadoria

06 de maio de 202616min
0:00 / 16:59

No episódio, discutimos por que tentar antecipar a aposentadoria pode transformar volatilidade em ameaça existencial, por que dividendos não são salário, por que patrimônio intermediário pode comprar mais ansiedade do que liberdade e por que a construção patrimonial precisa vir antes do usufruto. Esses pontos aparecem no roteiro do EP quando ele diferencia retirada sustentável de consumo de patrimônio, mostrando que retirar acima do retorno real significa desmontar a máquina, não viver de renda.

A liberdade financeira não começa quando você decide parar de trabalhar.

Ela começa quando seu patrimônio aguenta essa decisão.

Ouça o episódio completo do MoneyPlay e entenda por que a pressa de se aposentar pode ser justamente o que impede você de construir uma aposentadoria de verdade.

Participantes neste episódio1
F

Fabrício Duarte

HostApresentador
Assuntos8
  • Performance de Ativos BrasileirosVolatilidade do mercado brasileiro · Impacto de anos ruins no início da aposentadoria · Diferença entre retorno médio e retorno real
  • Aposentadoria compulsóriaCálculo de patrimônio necessário no Brasil · Taxa de retirada de 4% (Trinity Study) · Diferenças entre EUA e Brasil para aposentadoria · Retorno real vs. retirada
  • Equilíbrio Trabalho-VidaMotivações emocionais vs. estruturais · Patrimônio responde à matemática, não à emoção · Construção de máquina vs. usufruto
  • Distribuicao de DividendosOscilação histórica dos dividendos · Dependência de lucro e ciclo econômico · Dividendos como consequência, não contrato
  • Impacto da expectativa de vida na aposentadoriaLongevidade e necessidade de planejamento a longo prazo · Erro de cálculo em projeções de retirada · Danos de retirar cedo demais
  • Liberdade Financeira e OportunidadesDiferença entre aposta e planejamento · Estratégia de transição entre acumulação e usufruto · Modelagem prática por faixa de renda
  • Money Play e a construção da máquina financeiraConstrução da máquina antes do usufruto · Simulações reais e engenharia estatística · Comunidade Money Play
  • Patrimônio intermediário vs. patrimônio grandeAnsiedade comprada por patrimônio intermediário · Liberdade comprada por patrimônio grande · Risco de retirar cedo demais
Transcrição46 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

É uma pergunta que quase ninguém faz antes de falar em viver de renda. E que é muito disseminado esse conceito, pelo menos na internet, nos últimos tempos. Você com certeza já ouviu alguém falar sobre isso. O viver de renda, viver de renda. Agora, a pergunta que eu estou me referindo aqui é bem desconfortável. Que é a seguinte. Quanto patrimônio...

é realmente necessário para sustentar a sua vida no Brasil por 30 ou 40 anos, sem destruir a sua base. Já parou para fazer essa pergunta para você mesmo? Você sabe de cor? Tem aí marcado, tem aí anotado na porta da sua geladeira? Qual o valor?

Pois é, por que ninguém faz ou poucos fazem essa pergunta? Porque falar em renda passiva é fácil. Fazer a conta aí já é outra história. Apesar de você ver vários cálculos por aí, muita gente falando sobre o número X, o número básico, mas que é só uma base que não é sólida. Já te adianto, pelo menos na maioria dos lugares. Hoje eu vou fazer a conta contigo sem romantização, sem promessa e sem print de dividendo. Então muita atenção.

Se você quiser saber mais, quiser saber essa conta, para poder fazer a sua também, fica comigo até o final desse episódio.

A conta que ninguém quer fazer. Vamos lá, vamos começar simples. Você quer viver com 15 mil reais por mês. Você pode achar isso pouco, pode achar muito, pode achar isso ideal. É o exemplo que eu vou citar aqui de começo. Isso dá 180 mil reais no ano. Agora a pergunta estrutural. Qual patrimônio sustenta 180 mil reais por ano de forma estatisticamente sustentável?

Vamos usar como referência a taxa clássica de retirada de 4% ao ano, popularizada pelo Trinity Study de 1998, que analisou carteiras diversificadas lá nos Estados Unidos por períodos de 30 anos. 180 mil, se a gente for pegar a razão pelos 4%, a gente vai chegar a 4 milhões e meio de patrimônio investido, 4 milhões e meio de reais.

E isso é só o ponto de partida do que eu vou passar hoje. Sem considerar aqui impostos, mudança tributária futura, volatilidade brasileira, risco de sequência negativa, padrão de vida crescente e algumas outras coisas que eu não listei, mas que entrariam aqui facilmente. Agora vem a parte desconfortável. O Trinity Study foi feito nos Estados Unidos. E lá você conta com o quê?

Inflação historicamente estável, mercado bem profundo, moeda reserva global e ambiente institucional, que é mais previsível, muito mais do que aqui no Brasil. E você está, muito provavelmente, me assistindo agora.

no Brasil. E muito provavelmente, para a maioria das pessoas que estão acompanhando aqui pelo menos, você vai continuar morando no Brasil pelos próximos anos. Não é verdade? É. E aqui eu não estou falando que você tem que ir para lá, porque os Estados Unidos são melhores que o Brasil. Tá? Não venha confundir ou colocar palavras na minha boca. É só fato.

Analisando historicamente, você conta com isso lá nos Estados Unidos, na terra do tio Sam. Entre 1996 e 2023, o IPCA médio anual ficou próximo de 6% ao ano aqui no Brasil. Mas isso é média. A gente teve anos com inflação de dois dígitos, a gente teve recessões profundas, choques fiscais, mudanças abruptas de política econômica. Agora vamos ajustar essa conta aqui. Se eu...

pensar, por exemplo, que o seu patrimônio rende 10% nominal no ano, que é algo razoável, como média histórica, combinando bolsa e renda fixa. E a inflação média é 6% ao ano, o seu retorno real é de aproximadamente 4% ao ano. Aproximadamente, vai fazer a conta aqui, real, mas vamos tirar uma base que vai ser muito próxima disso, 4% ao ano.

Se você tira 6% ao ano, você está tirando acima do retorno real. Concorda comigo? Porque o retorno real é 4%, você está tirando 6%, você está tirando acima. Você não está vivendo de renda, você está consumindo patrimônio.

E isso passa despercebido nos primeiros anos. Mas juros compostos são implacáveis. A conta chega. Vamos fazer uma simulação simples também agora. Patrimônio inicial, 3 milhões de reais. Retorno nominal médio, 10% ao ano. Inflação média, 6%. Retorno real, aproximado, 4%.

No cenário A, uma retirada de 4% ao ano, ou seja, R$ 120 mil por ano. No cenário B, uma retirada de 6%, R$ 180 mil no ano, exemplo que eu citei lá atrás, R$ 15 mil por mês. No primeiro cenário, o cenário A, o patrimônio tende a preservar o poder de compra no longo prazo. Então, você mantém o principal, a gente pode dizer. No cenário B, ele entra em zona de risco estrutural. E como que isso acontece?

Vamos adicionar dois anos ruins logo no início. No primeiro ano, menos 15%. No segundo ano, menos 10%. Com retirada constante de 6%, o dado mostra aqui que o dano se torna profundo. Isso é o chamado sequence of returns risk, ou risco de sequência negativa. Não importa só o retorno médio, importa quando ele acontece.

E o Brasil é especialista em ciclos abruptos, a gente sabe disso. Ou seja pancada para cima ou pancada para baixo. Tabu bear market. Aqui a gente sofre dos dois lados com quedas ou altas abruptas, de repente. E quando a gente olha para os dividendos, que para muita gente são salários, o dividendo não é salário, o dividendo de médio histórico do Bovespa, ele oscila entre 3% e 6% ao ano.

não é alto.

isso dependendo do ciclo que a gente está. Os dividendos vão variar, eles são cortados ao longo do tempo, isso pode acontecer, eles dependem do lucro, dependem da política da empresa e vão depender também do setor. Se a sua vida depende de 6% fixos ao ano em relação ao seu patrimônio, você está assumindo estabilidade que o mercado não te entrega, ele não promete entregar. Pode ter uma grande mudança econômica aqui e isso acontecer nos próximos anos,

Pode, mas vamos analisar o passado para tentar entender um pouco mais o futuro. A gente olha para o passado, vê a história, como ela aconteceu, e a gente percebe que, pelo menos em um curto prazo, ela não deve alterar. Daqui a talvez 50 anos, 100 anos, aí possa ter um impacto bem diferente do que eu estou falando aqui. Mas no curto prazo e provavelmente para a sua aposentadoria, para o seu longo prazo, isso não deve mudar. Dividendos não são contrato.

são consequência de lucro e lucro é cíclico. Você, investidor, já deveria saber disso. Se não sabe, está sabendo agora. Agora, vamos falar a verdade que quase ninguém fala. Muita gente não quer viver de renda, quer parar de trabalhar ou parar de depender do trabalho para gerar renda. Ter essa necessidade de, putz, tem que bater cartão.

Responder para chefe chato, tenho que responder e-mail, participar de reunião que eu não quero. Uma série de responsabilidades que você tem que entregar para poder receber o seu salário e pagar o seu padrão de vida. Você só quer cortar essa parte de ter que assumir essas responsabilidades para poder pagar suas contas.

muita gente quer isso. São coisas diferentes, viver de renda e parar de trabalhar. A motivação muitas vezes não é estrutural, ela é emocional. É cansaço, é desgaste, é desejo de status. Às vezes pressão social, o meio onde você vive, as pessoas que estão ao seu redor, elas têm uma realidade diferente, você se coloca uma pressão de participar dessa realidade, que é superior à sua, talvez.

mas patrimônio não responde à emoção, ele responde à matemática. Só que vida financeira não é só matemática, eu falo isso bastante para o pessoal que eu acompanho. Se fosse, era muito mais fácil, eu garanto a você, mas está longe disso. Apesar de serem só números e dados...

Não é nada parecido ou não é nada limitado a isso. Se você começa a retirar cedo demais, você desacelera a exponencialidade do seu patrimônio. Exponencialidade é o que cria liberdade real. Existe uma linha invisível que é traçada entre patrimônio intermediário e patrimônio grande. Patrimônio intermediário compra ansiedade. Patrimônio grande compra liberdade.

Se você tem um milhão e meio de reais e tenta viver de 8% ao ano, você não está livre. Mas não mesmo. Você está dependente de que o mercado coopere todo santo ano e o mercado não coopera todo santo ano. Agora, se você tem 8 milhões e você retira 2% ou 3% para você viver, as quedas deixam de ameaçar a sua base. Essa é a diferença estrutural.

Pô, Fabrício, mas eu tenho lá meus 8 milhões, eu não posso viver com uns 40 mil por mês? Não dá para viver com uns 40 mil por mês? Eu tenho que viver com uns 20, talvez 32?

O 16, o 32, que seja, o 24, o 32, é com isso que eu tenho que viver? Porra, não dá? Viver com uns quarentinha? Não, tá? Porque você começa a colocar a sua base em risco. Você até pode, né? Você fala, putz, vou tirar aqui os 4%, vou dar os meus 32 aqui, beleza, fico bem. Meu 0,4% ao mês, né? Vou tirar meus 32 e eu fico bem. Mas você se tirar muito mais do que isso, você pode colocar a sua base em risco.

e essa é a diferença estrutural. O IBGE mostra a expectativa de vida acima de 75 anos atualmente e a expectativa de vida muda tudo sobre o que eu estou falando aqui para você. Como a expectativa de vida está acima de 75 anos, se alguém para aos 45 anos de acumular, de aportar, de fazer o patrimônio crescer, pode ter 35 ou 40 anos ainda pela frente.

Ou seja, você tem praticamente o dobro de vida pela frente. E o patrimônio que você acumula até ali tem que dar conta de te manter. 40 anos de retirada, 40 anos de inflação, 40 anos de ciclos políticos. Você está preparado para sustentar esses 40 anos?

Ou você está fazendo conta de 10. Parando aos 45, fez a conta de 10 anos. E aí talvez você tenha um erro de cálculo aí de 30 anos que você não tem mais como recuperar. Ou 20 anos que seja. Você parou aos 45, vai viver até os 75. Você consumiu seu patrimônio em 10. Você tem 55 até os 75 para viver, mas você já não tem patrimônio. E já não tem a energia para construir de novo.

E aí, como é que está o seu cálculo? O que você está considerando de fato? Retirar cedo demais gera três danos. Dá muita atenção a eles. Primeiro, reduz aporte no momento em que juros compostos são mais poderosos. E onde o juro composto é mais poderoso? É quando você está com 10 mil lá no começo ou é quando você já está com 1 milhão e meio, 2 milhão lá no final? É nessa parte.

E o seu 1% aqui vale muito mais do que lá no começo. Vale muito mais do que os 2% no começo, inclusive, se você tiver um resultado desse. Lá no final vale muito mais. Segundo, aumenta sua sensibilidade emocional ao mercado.

E terceiro, transforma a volatilidade em ameaça existencial. Volatilidade bateu, a gente teve, não faz muito tempo, uma queda de 40% no maior índice de ações da Bolsa Brasileira, se isso acontece com o seu patrimônio.

você vai ficar meio ansioso, vai ficar meio preocupado e provavelmente vai tomar uma decisão errada se você já estiver nessa fase de usufruir do seu patrimônio. Por quê? Vai transformar a volatilidade em ameaça existencial. Essa volatilidade vai transformar o seu padrão de vida.

Talvez inexistente. Pelo menos na sua cabeça emocionalmente falando, isso vai acontecer. Então esse é um grande dano que retirar cedo demais pode e vai gerar para você. Você deixa de ser investidor estrutural e vira gestor defensivo do próprio medo.

E o que o Money Play defende no meio disso tudo? A gente aqui é muito declarado, em todos os nossos episódios eu falo, eu já trago conteúdo aqui há quase 5 anos, quem segue a gente há mais tempo sabe, quem está na nossa comunidade também já percebeu e já está colhendo os frutos disso, mas o Money Play não é contra viver de renda.

Nunca fui, nunca serei. Eu acho que é super válido, você tem que construir um patrimônio que te possibilite isso. A gente é contra viver de renda antes da máquina estar grande o suficiente para te pagar aquilo que você merece pelo tempo que você vai precisar. Essa é a questão aqui. Primeiro você constrói a máquina, depois você usufrui.

constrói a máquina, deixa ela rodando bonitinha, deixa ela do tamanho que vai ser suficiente para poder te sustentar e aí depois você usufrui. Se a retirada compromete a base, você não terminou de construir a máquina. Você já quer começar a usufruir, você está se colocando em risco. Você não está vivendo de renda, você está desmontando a máquina. Você está vendendo as peças para poder bancar o seu padrão.

E a pergunta que fica, que vai mudar a sua trajetória, e eu quero que você guarde isso e faça-se essas perguntas que eu vou fazer também, é qual é o seu número real? Não um número confortável, tá? Conforto é diferente de realidade, conforto é diferente de necessidade. Qual é o seu número real?

O número estatisticamente robusto para o Brasil, o cenário que a gente vive aqui, com margem de segurança, com inflação variável, com sequência negativa, com risco político. E se você nunca simulou isso com seriedade, você não está planejando a liberdade. Você está só apostando.

ponto. Quer planejar com seriedade? Na comunidade Money Play a gente vende aquilo que realmente você vai poder utilizar ao invés do sonho que muita gente fala e vende por aí da liberdade financeira, da renda passiva lá a gente estrutura contigo simulações reais com IPCA histórico brasileiro, cenários de sequência negativa, nossa renda variável em especial, taxas de retirada ajustadas por fase patrimonial não, não, não, não

E também é importante você levar o seu patrimônio já constituído em consideração. Estratégia de transição entre acumulação e usufruto. Se você não tiver uma bem desenhada, você pode sim, sim, bananá. E chegar ali, nadar, nadar, nadar e acabar morrendo na praia, infelizmente.

E uma modelagem prática por faixa de renda também, porque a liberdade financeira não é o slogan, é engenharia estatística aplicada ao seu contexto. Se você quer sair da fantasia, do mundo mágico, tentaram te vender, te passar por aí, e construir liberdade real, acessa lá, mandemplaypodcast.com e entra para a nossa comunidade.

Lá você vai aprender a construir a máquina grande o suficiente para que a retirada seja consequência e não um risco. E vai ser tão natural que você, quando chegar, você não vai precisar nem se preocupar e nem pensar o que você precisa fazer. Vai estar no automático, a máquina vai andar sozinha. O mercado pode financiar o seu padrão de vida.

Pode mesmo. Existem pessoas que hoje vivem disso. Existem pessoas que estão construindo caminho para isso, em especial aquelas que fazem parte da nossa comunidade. Não preciso nem falar. Mas só acontece quando o seu patrimônio é tão grande que a retirada deixa de ameaçar sua base. Querer viver de renda cedo demais não acelera a liberdade. Atrasar a acumulação é a forma mais eficiente para postergar a sua independência. E isso não é opinião.

é matemática. Espero que esse episódio tenha trazido conteúdo para você, que você tenha acordado, ligado alguns pontos que você ainda não tinha ligado. E, claro, estou te esperando lá na nossa comunidade, maneiplaypodcast.com. Além de seguir a gente nas redes sociais, aí você também pode. Arroba o Fabrício Duarte no Instagram, arroba maneiplayunderlinepodcast. E me encontra aqui no nosso próximo episódio. Estou te esperando aqui e lá na nossa comunidade. Até já. Tchau.

Anunciantes1

Money Play

Comunidade Money Play
external