Como o Canva usou Agostinho Carrara para lançar sua maior aposta em IA
Uma conversa que abre a cabeça de quem trabalha com ideias. Neste episódio especial, Rodrigo Terra recebe Bruno Sabino, do Canva, para falar o cruzamento entre criatividade, cultura nativa digital e estratégia de marca de um jeito direto, inteligente e divertido.
Eles falam sobre como uma campanha com Agostinho Carrara virou o movimento certo na hora certa e o que está por trás da decisão de usar o Canva IA 2.0 como protagonista dessa aposta. É papo para quem quer entender a lógica por trás do inesperado e como boas decisões de marca constroem trabalhos que ficam na cabeça de todo mundo.
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🎙️ Gravado no Estúdio Monking no Cubo Itaú, em São Paulo.
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- Campanha Vai, BrasaCanva IA 2.0 · Agostinho Carrara · Carrara Modas · Inteligência Artificial
- O Papel da Criatividade e o Medo no MercadoMedo de exposição e hate · Marcas como empresas de entretenimento · Estrutura tradicional de agências · Burger King · SPTrans
- Publicidade e criatividade comercialViralização · Cultura popular · Equipe de criação interna · Tendências de redes sociais
- Processo criativo e inspiraçãoAdaptação de roteiro · Direitos autorais de personagem · Pedro Cardoso · Globo · Grande Família
- Mídia e Distribuição de ConteúdoMídia orgânica · Mídia paga · YouTube · TikTok · Duolingo
- Personagem e Construção ArtísticaFigurino de Agostinho Carrara · Cal (figurinista) · Giovanna Moreto (figurinista) · Estilo brega
- O Futuro da Comunicação: Marcas como EntretenimentoEstrutura de empresas de entretenimento · TV Quase · Porta dos Fundos
Está todo mundo achando que o Agostinho Carrara sumiu, né? Bruno, tudo bem? Tudo joia? O Agostinho Carrara sumiu. Não só não sumiu, como está aqui na minha frente também, né? Estamos frente a frente. Agostinho Terra e Bruno Carrara. Exatamente.
Bom, pessoal, mais uma vez, uma gentileza gigante do Bruno, do Canva Brasil. A gente teve a oportunidade na campanha da Grace, devido à minha empolgação, provavelmente. A gente foi a primeira pessoa que entrevistou o Canva e o Bruno sobre a campanha. E aí, gentilmente, por isso que eu falei, o Bruno, quando pôde dizer que eles estavam terminando uma campanha, ele me ligou e falou, cara, vai rolar de novo, não posso te contar nada. E eu fiquei, puta merda.
Mas eu falei que ia ser boa. Mas eu não tinha dúvida, nem precisava. Porque as campanhas de vocês são sempre muito... Trazem uma oportunidade muito grande e são muito criativas e ousadas. Tira aqui pra enxergar. Claro.
Uma questão que quando eu sou agência, quando eu era agência, quando eu era cliente, todo mundo falava assim, você podia criar um viral para mim? Que é o sonho de toda pessoa e é impossível. O viral é alguma coisa que... A tendência para você ter um viral, minimamente com probabilidade de acontecer, é você ir à internet, ver o que tem disponível lá e que de fato pode...
ser acelerado por uma ideia criativa. Dali eu seguir. A Graça foi isso. A campanha do Agostinho Carrara também teve um começo com uma ideia no personagem. Me fala da concepção, porque eu acho que esse é o pulo do gato para fazer o resto tudo.
Beleza. Cara, isso de que você falou do viral é um desafio e uma dor que hoje em dia todo mundo de criação e de marketing, de social também sofre, né? O cliente chega pra você e fala assim, não, eu queria... você podia fazer um viral pra mim, fazendo um favor? Como se fosse algo muito simples, né?
Não existe uma fórmula, se houvesse uma fórmula eu não estaria no campo, eu estaria rico vendendo essa fórmula para todo mundo. Mas o que a gente tenta o nosso melhor, justamente com o que você falou, que a gente pega coisas que já existem na internet e potencializa elas.
Tem o nosso mérito criativo, mas não é como se a gente criasse tudo do zero. As nossas campanhas geram conversa porque elas partem de conversas que já estão acontecendo ou que já aconteceram, já estão na cultura popular de alguma forma. A gente identifica elas e potencializa elas.
E por que a gente consegue fazer isso de uma maneira que eu considero muito boa? Porque como a gente conversou da última vez, a nossa equipe de criação não é uma equipe de criação convencional da publicidade, super departamentalizada em que eu tenho diretores de arte, redatores que fazem só essas coisas. A nossa equipe de criação e os insights conceituais vem do social, vem da minha equipe de social.
Em que nós estamos criando campanhas, mas também estamos todos os dias criando posts nas redes sociais, atentos às redes sociais, para entender o que está acontecendo. Então, depois de dois anos que a gente passou surfando nas trends das redes sociais, a gente conseguiu entender a lógica para, entre aspas, criar as nossas trends também. Que nada mais é do que identificar esses momentos, esses...
pontos de tensão cultural e utilizar o Canva como um potencializador nesse momento. Então com o Jacquin, a gente não inventou que o Jacquin não consegue ser entendido sem as legendas. Isso é uma piada que já existe. No Masterchef tem o trecho clássico do Tem Pimentão.
E o cara, ele fala, você experimentou e o cara entende, tem pimentão? Isso gera uma piada, né? Sim. Tanto que o cara responde não e o Jacquin fica com uma cara brava com ele. Como assim, você não experimentou o seu prato? Mas não era isso, né? Não entendeu. Você experimentou? Não.
Você não entendeu minha pergunta, então? O que eu perguntei? Se tem pimentão. Não. Não foi. Se experimentou, cara. Foi isso que ele perguntou, Diego. É que a legenda só aparece em casa.
Isso foi algo que a gente pegou e potencializou. A Xuxa, do mesmo jeito, a gente pegou o insight de que está muito mais difícil ser adulto, que é uma coisa que a internet comenta sobre os boletos, você tem que pagar as obrigações. E a gente pegou essa figura que é o símbolo da infância de uma geração, que é a Xuxa, que tinha os seus produtos para os seus baixinhos, só que agora os baixinhos cresceram. Então a Xuxa tem que resolver os problemas dos adultos agora, com os papéis de divórcio da Xuxa, com a air fryer da Xuxa, com o botox.
da Xuxa. De novo, uma coisa que já existia. A campanha do Gracie Ovos, a mesma coisa. A gente não inventou que seria plausível a Graciane ter uma marca de ovos, já que ela come 40 ovos por dia. Não à toa, não inventamos isso, que depois da campanha agora existe uma marca de ovos da Graciane Barrosa. Apareceu pra mim outro dia. Fui comprar ovo, tinha a opção Gracie Ovos. Comprou? Não.
E agora com a Carrara Modas, a mesma coisa também. O Agostinho Carrara é um personagem que existe na cultura e no imaginário brasileiro. Quem nunca viu um amigo com uma roupa um pouco mais... Exótica. É, um pouco mais exótica e não chamou ele de Agostinho Carrara. Então já existia isso, a gente só pegou isso e falou assim, e se esse estilo fosse uma marca de roupas criada com a Iado Canva?
O nosso redator e meu dupla da vida criativa, o Felipe Sorani, quando a gente foi criar o manual da marca, ele trouxe um insight muito legal que resume isso, que é o porquê que a gente faz isso. Porquê que faz sentido para o Canva como marca fazer isso? Porque não necessariamente toda marca precisa fazer isso. E o que a gente faz não necessariamente faz sentido para todas as marcas. Mas o Canva, nós somos uma empresa que no fim do dia a gente vende criatividade.
Nós somos uma plataforma de criação. E aí, nós precisamos ser muito criativos como empresa e como marca na nossa comunicação para que você, como usuário, possa se sentir imbuído de criatividade também. Então, a metáfora que o Felipe... A analogia que o Felipe chegou, que é muito legal, que nós somos como se fosse a Fórmula 1.
Então as campanhas do Canva é como se fossem os carros da Fórmula 1, que é aquela tecnologia incrível que os engenheiros fazem para o carro andar a mais de 300 km por hora com aerodinâmica. É incrível para toda essa tecnologia depois ela ser mastigada e pulverizada para chegar nos carros normais. Mas tudo começa ali. Então a gente precisa ir a 400 km por hora para que os nossos usuários sintam que na nossa plataforma eles podem ir a 120.
se eles quiserem. É, e serem o potencial que eles querem ser, né? Exato. Darem acesso a por exemplo, lá eu consigo fazer o que eu sempre quis fazer e nunca consegui tecnicamente falando. Voltando um pouquinho à questão do viral que você estava falando, muitas vezes quando me pedindo esse tipo de coisa ou quando um chefe meu pediu pra gente esse tipo de coisa o pedido é super sincero, super honesto
mas vem seguido de, ó, você faz um viral para mim, mas não pode falar tal palavra, não pode não usar tal cor, não pode não sei o que. Automaticamente você inviabiliza qualquer tipo de criatividade. Isso me faz... Eu tenho conversado muito sobre o quanto...
corajosas são as marcas e o quanto corajosos são os profissionais de marketing. Vou falar a minha opinião, aí você segue da forma que você preferir. Eu acho que hoje existe um medo muito grande das marcas de se expor. Então se vai ter algum tipo de hate, se vai viralizar de uma forma errada, se a palavra pode ser usada por um cunho político, um cunho religioso, alguma coisa que desvia a atenção para um caminho ruim. E também tem um medo muito grande dos times de marketing de...
perdeu o emprego, sendo bem claro. E isso tolhe qualquer tipo de criatividade. Então eu acho que a publicidade hoje está cada vez mais dura e ainda está indo por esse caminho. Você tem os sopros de criatividade, o Canva é um desses casos, Burger King é um desses casos, o McDonald's começa a brincar um pouco com os erros e acertos deles, SP Trans, não sei se você já viu. Já, é muito legal. Maravilhoso, até o próprio GovBR tem uma pegada diferente.
Eu acho que tenho uma vontade de fazer isso acontecer, mas isso tudo demora por tudo que a gente fez até aqui. Você tem essa sensação de que é difícil fazer por medo? O que você vê? Eu sei que você não tem, mas... Cara, eu concordo com você com esse receio que existe no mercado de criar ideias mais ousadas que podem repercutir de uma outra maneira.
Óbvio que no Canva a gente tem uma ousadia um pouco maior, mas a gente também pondera essas coisas e a gente aposta nas ideias que se elas têm um certo grau, a escala que a gente chama de vai dar merda.
Se ela tem uma chance de vai dar merda, mas ela tem uma alta chance de sucesso também, a gente tenta equilibrar essa equação. Como é o caso de fazer uma campanha como o da Grace, que é uma campanha que a gente não divulga a nossa marca, ela é ousada porque justamente como é que você vai fazer gastar um dinheirão para uma campanha de uma marca que não é a sua, para depois falar que é a sua.
E aqui como é que você vai trazer um personagem icônico, mas controverso como Agostinho Carrara para falar da sua marca. Nesse processo a gente recebeu todo tipo de feedback como vocês não deviam fazer a campanha com Agostinho Carrara porque ele é um trambiqueiro.
Então isso não é legal pra marca associar. Só que o Agostinho não é um tramequeiro. Inclusive, a gente fez uma grande pesquisa assistindo Grande Família todas as temporadas. E você vê que o Agostinho, na verdade, ele é um cara honesto. Quando ele tem a chance de fazer desonestidades, algo contra a lei, algo errado, ele não faz. Só que ele é essa confusão mental e coloca os pés nas frentes da mão. Mas ele é um cara honesto. Mas a gente recebeu todo tipo de feedback nesse sentido de o porquê não fazer essa campanha.
Mas a gente entendia que o amor pelo personagem Agostinho Carrara era maior do que qualquer tipo de temor. Mas, para complementar essa sua percepção, que eu acho muito acertada, eu tenho uma percepção também que as marcas e as empresas, elas querem ir num sentido muito honesto. Muitas marcas já entenderam.
que o futuro da comunicação, ou um dos futuros da comunicação, é as marcas se tornarem empresas de entretenimento, que a comunicação entretenha, mas tanto as marcas quanto principalmente as agências ainda são estruturadas num modelo de criatividade empresarial.
E isso faz com que seja muito mais difícil chegar em resultados inéditos, porque essa estrutura é uma estrutura que foi criada há muito tempo atrás e que fazia sentido. A estrutura da dupla de criação, por exemplo.
Ela foi popularizada recentemente pelo Wyden e pelo Kennedy, mas que ela existe há muito tempo. E ela existe por um motivo que a publicidade inicialmente era muito textual. Então você tinha o profissional criativo da publicidade. Na verdade, ele era um profissional do texto.
E à medida que as técnicas de impressão permitiram que imagens e gravuras fossem adicionadas aos anúncios, criou-se um departamento de arte que era separado do departamento de criação. Então quem criavam eram os redatores. E era muito engraçado que a imagem ficava a cargo do departamento de arte. O cliente não aprovava o que seria a fonte, o que seria a imagem.
Não era considerado um trabalho tão criativo, era um trabalho mais execucional. Em determinado momento, um redator específico, que era mais enxerido, isso bem antes do Aiden, ele começou a dar pitacos no departamento de arte. E aí tinha um cara de arte lá que ficou mais próximo dele e eles se tornaram a primeira dupla de criação. Mas é uma estrutura que vem do jornal.
E é uma estrutura muito boa. Criar em dupla, em trio, em grupo, traz uma série de benefícios, mas talvez a departamentalização das especializações entre texto e imagem, talvez não faça tanto sentido assim. Então, por exemplo, no Canva, a gente não segue essa estrutura. E se você parar para pensar que se as marcas querem... No processo criativo, não na plataforma.
Isso, exato, no processo criativo. Se você parar para pensar, as marcas querem ser mídias de entretenimento, mas elas seguem essa estrutura clássica de comunicação. E se você pegar marcas de entretenimento, você vai ver que é uma estrutura muito diferente. Então, você pega o que foi o início do Porta dos Fundos.
O início da TV quase, o início do próprio Omelete como canal de infoterimento, né? Você vê que não existe essa departamentalização e essa separação entre quem cria e quem executa.
Então, acho que um acerto nosso no Canva também é que as mesmas pessoas, eu, o Daniel, o Bibito, o Gabriel Lima, a gente está ali nas redes sociais do Canva. Se você entrar no Instagram do Canva, você vai me ver ali fazendo as coisas das redes sociais e vai ver a minha equipe. A gente está entendendo a lógica execucional dessa mídia para conseguir criar melhor para essa mídia.
E hoje em dia, grande parte das agências ainda funciona numa estrutura que quem está pensando em conteúdo para a rede social é uma pessoa que nunca produziu um conteúdo para a rede social. Sim. Então, como é que você cria um viral, uma pessoa que realmente não está entendendo as propriedades criativas daquela matéria ali? Uma coisa é você assistir e consumir muitas coisas nas redes sociais e até estudar, mas quando você está ali produzindo, você tem insights que não dá para ter de outro jeito.
para poder exercer. Exatamente. Concordo. A última vez que a gente sentou para conversar durou três horas. Já vi que vai durar duas e meia, pelo menos. Essa história de marca virar canal de entretenimento, você tem dois vieses já nessa pegada que você falou do mercado muito tradicional. Primeiro é a marca ser uma distribuidora de conteúdo.
que eu vejo muito pouco... A Red Bull é um exemplo... É outro exemplo, né? Fora da caixa. Eu criei uma produtora em 2010 de conteúdo de branded content, inspirado na Red Bull Media House. Acho que só agora as pessoas estão entendendo o que tem que fazer, né? E aí eu descontinuei por causa disso, inclusive. Então...
Como eu faço para distribuir meu conteúdo para o meu público, que é um pouco o que você falou, eu faço campanha para muita gente, mas eu faço campanha para o meu público de fato. Então o Agostinho Carrara pode agradar 30%, 50%, 70% do público, mas se for o público que você quer falar, ótimo. E o segundo ponto é criar para distribuir no seu próprio canal. São coisas diferentes. Eu acho que o mundo de hoje...
até então, só cria para distribuir em outros canais. E aí quando você pensa em distribuir em outros canais, você se bloqueia nos formatos dos outros canais. A forma que você faz, você pensa no conteúdo, depois pensa na dor, depois pensa na solução que está disponível nas redes sociais para você encaixar. E eu vi que tem formatos...
diferentes, onde você aplica a criatividade de uma forma bem legal. Eu acho que esse caminho que você está seguindo é um caminho perfeito e quanto a tendência de distribuir conteúdo. Hoje você usa canais que já existem, certo? Você vê algum caminho? Faz sentido essa teoria que eu coloquei aqui pra você?
Então, todo canal que a gente tem hoje, por mais proprietário que ele possa ser da marca, ele ainda não é da marca. O Instagram do Canva ainda não é do Canva, é do Instagram, o TikTok, o YouTube. Então, essas redes, elas são mais proprietárias, mas elas têm as suas características também. E aí, com essa campanha do Agostinho...
Por exemplo, nas peças de redes sociais, a gente preza por essa lógica muito da história e do entretenimento e te entrega o produto ali no meio da narrativa. Mas para canais que são mais clássicos ou estruturados, como TV, etc., a gente também tem as nossas peças para isso, que são peças diferentes das redes sociais. Que são peças que vão muito mais direto ao ponto e ao Agostinho.
utilizando a IA do Canva pra criar uma coisa, uma coisa rápida no formato 15 ou 30 segundos então a gente pega o nosso conceito e aí nas redes sociais a gente tem mais liberdade em questão, por exemplo de duração, o nosso filme principal tem 4 minutos e 20 segundos e não é uma referência eu ia perguntar se teve uma pergunta porque tem muito easter egg por aí
Foi só uma coincidência. Mas, então a gente tem uma liberdade no tempo, mas a gente também tem restrições de formato, assim, sobre... E a gente foi estudar, inclusive, o formato, assim. Sobre o processo criativo, é engraçado, porque a gente chegou na conclusão que...
O que o Agostinho seria, hoje em dia, seria um influenciador. Ele tentaria ser um influenciador. Porque ele sempre se autodenominou um empresário autônomo, né? Que tentou, era taxista, mas tentou diversas coisas ali.
E aí hoje em dia, onde é que estão os... O parte do empresariado, né? O que eles estão fazendo? A gente tem essa cultura do empresário que também é influencer, né? Que divulga a sua vida, o seu estilo de vida e vende isso como parte de um asset da própria empresa. E o Agostinho tentaria fazer isso, né? Perfeito. E então a gente foi estudar como é que é essa lógica.
De que essas pessoas se comunicam. Então você vê o nosso filme, ele é um filme estranho, digamos assim. Porque a gente trabalhou com planos com pouco corte. A gente gravou com um celular. Essa campanha inteira foi gravada num iPhone. Porque a gente não queria emular. Foi um celular.
Um celular. Ah tá, não teve? Não, foi apenas um celular. Tem uns planos sequência também que eu vi? Sim, tudo com o celular. Isso, legal. Porque a gente não queria emular a estética de um influenciador com uma câmera de 4 milhões de reais. A gente queria a estética de um influenciador. E o influenciador grava essas coisas com o celular. Animal.
A gente estava conversando também antes, você me explicou que a ideia do Agostinho foi anterior às outras, mas o processo de viabilização foi mais complicado. Sim. Durou mais tempo. É, isso é algo que é uma peça de bastidor que a gente está falando aqui em primeira mão, porque a campanha de Xuxa e de Grace, Xuxa e Grace eram planos B e C, o plano A sempre foi o Agostinho.
Então, na nossa campanha do Faz Bonito, que teve duas fases, a Xuxa e a da Graça, a ideia inicial era com o Agostinho. Então, não era uma campanha de inteligência artificial, que se tornou a campanha do Agostinho, era uma ideia para falar sobre o Canva de uma maneira mais ampla, para falar dos templates e das possibilidades de templates que tinham. E o nome do Agostinho foi aquele nome que, no processo criativo, você fala e depois a gente pensa assim, não, depois a gente troca por um outro nome.
É só para um exemplo, assim, para ficar claro. Porque o... Geralmente esse é o que mata. Exatamente, esse é o mais forte, né? Mas a gente pensou, não, isso é impossível de a gente conseguir. E assim, não foi impossível, está aqui a campanha, mas foi próximo de impossível.
Então, foi um processo que demorou muito tempo de a gente conseguir a liberação dos direitos para poder fazer com o personagem. Então, a gente teve que optar por ir por Xuxa e Grassi, que foram dois acertos. Mas, inicialmente, era isso. Foi uma campanha que começou a ser pensada em agosto.
do ano passado. Depois que a gente pensou nela, ainda teve todo esse processo e aí a gente não ia mais fazer, só que depois a gente conseguiu esses direitos e aí a gente adaptou ela pra essa demanda da inteligência artificial e aí aquela coisa do processo criativo que as limitações e os imprevistos melhoram a ideia, que pessoalmente eu acho que fez muito mais sentido o Agostinho tá divulgando a IA do que divulgar os templates do campo. Ele é um excelente personagem pra fazer isso.
E é legal você não desistir da ideia, porque vocês tiveram a ideia, vocês tiveram o processo de aprovação, não congelaram, vocês foram fazendo outras campanhas tão brilhantes quanto ao longo do processo. Teve todo um processo de aprovação dos direitos com a Globo, com a família que também tem os direitos do...
Do conteúdo? Como é que foi esse bastidor também, que é legal conhecer? Então, isso foi muito legal porque foi um processo que foi intermediado, no final das contas, pelo próprio Pedro Cardoso. Ele foi uma grande ajuda da gente, porque a Globo tem os direitos da série Grande Família, o personagem é de direito compartilhado com a família que é herdeira do autor da Grande Família.
E aí, quando a gente chegou na Globo e apresentou essa ideia, eles foram super receptivos, eles adoraram a ideia, mas eles falaram que a família, em 30 anos, nunca havia negociado o direito do personagem para uma ação publicitária. Então que isso ia ser um desafio para a gente.
E aí quando a gente recebeu essa devolutiva, foi quando a gente preferiu não ir com o Agostinho e ir com as outras estratégias criativas que a gente tinha. Mas quando eu dei essa notícia para o Pedro, ele que já tinha visto os roteiros e tinha gostado muito dessa ideia do Agostinho voltar como influencer, ele se prontificou a ele conversar.
com a família, pra conseguir esses direitos. Sinceramente, eu não acreditei que ele iria conseguir. Então, eu falei, tá bom, consegue aí, na volta a gente compra e toquei o barco pra fazer as campanhas, porque a gente também não tinha tempo de esperar. E aí, uma semana depois que saiu a campanha da Xuxa, a gente do Pedro me liga e fala que o Pedro tinha conseguido os direitos. E aí, eu falei, tá bom, então agora, vamos fazer isso acontecer.
Bom, Bruno, voltando ainda para a questão do processo criativo, né? É, só para lembrar de novo quem não assistiu, o time de vocês é interno. Isso. Então vocês criam, desenvolvem, sentam com a produtora, montam o casting que foi necessário de profissionais. Você estava me contando dos primeiros roteiros e como você aprendeu a escrever que nem o Agostinho, o time, né? Sim. Como é que foi esse processo? Do primeiro até o que foi para o ar? Cara, é um processo muito trabalhoso, assim.
E muito diferente o primeiro roteiro do que foi realmente para o ar. Até porque, como eu falei, a campanha se iniciou com outro objetivo de comunicação e depois a gente chegou no objetivo de comunicação da IA do Canva e isso mexeu no roteiro também. Mas a gente começou, então, na verdade, com o Agostinho sendo um multi-empreendedor.
que ele ia utilizar os templates do Canva para criar diversas empresas. Então ia ter a Carrara Coin, que ia ser o Bitcoin do Agostinho. Ia ter a Carrara Pastéis, a parcelaria do Agostinho. Ia ter o copo Augustanley Carrara, que era um copo em formato de jarra de abacaxi. Muito bom.
E a Carrara Modas ia ser só mais um desses empreendimentos, porque o objetivo aqui era divulgar a diversidade de templates do Canva. Uma vez que mudou-se o objetivo da campanha para a IA do Canva, a gente também mudou essa estratégia, até porque as campanhas do Canva seguem uma lógica parecida de utilizar personagens fictícios ou reais da cultura brasileira para inserir o Canva no dia a dia das pessoas.
Mas dentro dessa lógica, a gente também tem um desafio interno de trazer variação para ela. Então, o Jacquin, a gente trouxe essa coisa, um documentário falso sobre a vida do Jacquin. Na Xuxa, a gente trouxe essa diversidade de produtos.
que a Xuxa estava criando com o Canva, na Graciana a gente trouxe uma marca fictícia que enganou o pessoal pela possibilidade dela ser plausível. Com o Agostinho, nesse primeiro roteiro, ele era um roteiro legal, mas ele era um roteiro que ele bebia da mesma lógica da Xuxa, por exemplo, que tinham vários produtos e aí quando a gente percebeu isso, inclusive quem percebeu isso, uma das pessoas que percebeu isso foi a Laísa, nossa diretora de arte, que viu o roteiro que a gente fez e falou assim, ah...
Será que não dá pra ser um pouquinho mais legal? E é legal ter esse insight de quem tá fora do processo de escrita também. Que consegue ver as coisas de maneira mais ampla. E aí, quando a gente percebeu isso, a gente voltou alguns passos atrás e foi buscar um conceito pra esse filme, então. E um conceito que só poderia ser trabalhado pela IA do Canva. Porque o Agostinho poderia, por exemplo, ter criado todos esses negócios com a IA do Canva.
Mas isso não traria o diferencial da IA do Canva, já que ele poderia ter utilizado os templates, por exemplo. A minha equipe, eu sou um bilhão de vezes grato pra eles, porque o jeito que a gente trabalha, o Dani, o Bibito e o Felipe, eles são os gladiadores das palavras ali. Então, no Brainstorm, a gente define caminhos possíveis pra serem explorados. Ah, e se a gente começasse o filme assim? E se o Agostinho fosse isso?
quais são as empresas que ele criaria. E aí a gente se separa e os meninos ficam responsáveis por desenvolver esses caminhos. Uma vez que esses caminhos estão, por exemplo, a gente separa três caminhos possíveis e aí cada um vai escrever um desses caminhos, um exemplo de roteiro. Depois eles voltam, a gente lê esses roteiros juntos e todo mundo dá feedback sobre o que poderia ser melhorado.
E aí, nesse momento, eu funciono quase como um editor, assim. E aí a gente entende o que foi feito e depois os roteiros, eles são trocados. A gente chama de ciranda de textos. Então, se eu escrevi o roteiro A e você escreveu o roteiro B, eu vou editar o roteiro B e você vai editar o roteiro A.
Essa é uma lógica que a gente criou que faz com que você não tenha muito apego. Porque às vezes você escreveu uma coisa e está apegado porque demorou duas horas para escrever aquela frase, mas aquela frase não está servindo o roteiro. E aí eu, que não escrevi essa frase, não gastei essas duas horas, não vou ter apego a essa frase e vou modificar para chegar num resultado ideal.
E aí o que vai acontecendo, como no caso aqui é uma publicidade que tem um objetivo específico, mas até o fazer criativo, as palavras e a linguagem como mídia, ela vai te orientando para onde você deve ir.
Então é por isso que eu acho muito importante, até como líder criativo, eu estar no processo de execução também, eu também escrever com os meninos, porque as palavras e o texto ele vai te indicando os caminhos e chega um momento dessa ciranda de textos que os textos eles começam a ficar parecidos, porque a gente vai tateando as palavras e encontrando a limitação narrativa.
E aí, cada um dos meninos escreveu pelo menos 10 versões de roteiro. Então, para chegar no roteiro principal, tiveram pelo menos 30 versões desse roteiro. Por quê? Um dos motivos, porque o Agostinho é um personagem que segue uma lógica muito contrária à do texto da propaganda. Sim. Porque o texto da propaganda, originalmente pensando num título, por exemplo, o título tem aquela sofisticação de você resumir...
a quantidade de palavras e que cada palavra, ela tenha muito significado, né? Mais como se fosse um poema japonês, assim. E o Agostinho é a lógica inversa da propaganda, porque o Agostinho é um cara super verborrágico.
E o texto do Agostinho tem a ver com repetir as palavras e se contradizer na repetição dessas palavras. É um belo desafio. Então, até a gente pegar esse tranco, foi esse desafio da gente entender que esse texto não poderia ser um texto publicitário. Porque toda vez que a gente publicitava ou resumia demais o texto para caber num tempo que a gente achava plausível, o texto deixava de ser um texto do Agostinho. Natural, né? É. O Pedro teve alguma influência?
teve super influência, cara. O Pedro, ele foi... Em que momento vocês chegaram, né? Porque você foi afunilando até mimetizar praticamente os 30 em 1, 2, 3, não importa. Que é um processo criativo muito legal que você vai, pelo que eu entendi, o processo é teu, mas que você vai fazendo esse gladiador, o gladiador das palavras, eu gostei do termo.
Até você chegar no suco, que é o que todo mundo acredita que é o certo. E aí vocês chegaram nesse momento e falaram, agora vamos mostrar para o Pedro, que não é o Agostinho. A gente confunde muitas vezes o personagem com o ator. O Pedro saberia escrever como o Agostinho perfeitamente. Talvez não.
esse foi o caso, ele saberia por ter atuado tanto tempo escrever ou ajudar vocês no roteiro como o Agostinho e como é que foi esse momento de apresentar para o Agostinho o que ele teria que falar então, foi super legal foi uma experiência que foi pessoalmente muito gratificante
Porque eu sou um grande fã da grande família. Eu sou fã do personagem do Agostinho, do trabalho do Pedro. E a gente, o Pedro foi super solícito. Antes da gente fechar o projeto, ele super se dispôs. Ele fez três reuniões com a gente. A gente passou a tarde revisando os roteiros com ele e ele dando insights. E a construção do Agostinho com o personagem...
Ela é muito do roteiro, mas ela é muito do Pedro também, o que ele trouxe para o personagem. E o Pedro, não só um excelente ator, ele é um excelente dramaturgo também. E ele entende a importância da dramaturgia, né? Apesar dele trazer muita coisa para o personagem, ele fala que a graça, ela está no texto.
Então, como é um personagem muito querido por ele, ele teve esse cuidado de ver se aquilo realmente estava condizente com a qualidade criativa que o Agostinho teve na série da Grande Família. E aí, a gente trouxe esse texto já muito lapidado para o Pedro, mas nessas três reuniões, ele deu um workshop de Agostinho para a gente. Ele ensinou a gente... Eu pagaria para estar nessa reunião.
Ele ensinou a gente como escrever e como pensar como Agostinho. O Pedro falou que ele não tem necessariamente uma facilidade de escrever como Agostinho, mas ao ler o roteiro, e ele lê em voz alta, ele já foi trazendo vários cacos, vários trejeitos do personagem que a gente foi rapidamente anotando, incorporando no roteiro.
E fez essa colaboração entre time criativo e ator para realmente chegar no Agostinho. E é muito engraçado, porque se a gente gastou quase sete pessoas para escrever um texto agostiniano, o Pedro Cardoso sentou na primeira reunião e ao ler o roteiro e adicionar as coisas dele, aquilo já se transformou e a gente viu a facilidade que ele tem de incorporar o personagem. O animal.
E imagino também que tenha sido um estudo gigantesco de figurino, design. Como é que foi essa trip? Porque você também não acha que você sabe se vestir ou montar uma loja do que seria a loja do Agostinho.
Cara, esse processo é muito legal. Esse processo, ele foi encabeçado por diversos profissionais da produção. E a gente realmente, tudo nessa propaganda, ela é uma propaganda que foi feita para parecer o mais orgânica e natural possível. Mas tudo foi extremamente pensado.
Então, por exemplo, do figurino, foi um trabalho conjunto muito legal entre o Cal, que é o figurinista original da grande família, foi o cara que criou o figurino do Agostinho, e foi muito legal conversar com o Cal, e o Cal explicar pra gente que não foi proposital aquele figurino do Agostinho. Aquilo foi uma tentativa que ele teve.
de exemplificar a confusão mental que existia dentro da cabeça do personagem com a vestimenta. Que o Agostinho, dentro da cabeça dele, é essa confusão de estampa, listrado, xadrez e florido. E ele queria trazer isso no figurino do personagem e deu super certo. Mas não era algo que foi originalmente pensado para o personagem.
Então, o Cal também, ele trouxe esse workshop do que é o estilo do Agostinho, como é que são os cortes das roupas e essa questão da confusão mental. E depois, a Giovanna Moreto, que é, cara, uma figurinista, um amor de pessoa, que ela pegou esse briefing e num tempo, cara, de uma semana...
Ela criou, fez um estudo gigantesco e criou todas as peças da Carrara Modas. E aí foi muito legal estudar o Agostinho, por exemplo. Porque o Agostinho é um cara que tem um estilo brega. Só que se você estudar, você percebe que não é brega, não é não pensado. Ele não coloca qualquer roupa. Existe uma lógica. Então, por exemplo, se você analisar os looks do Agostinho, você vê que eles seguem uma mesma matiz. Eles estão num mesmo... O Agostinho é um cara mais monocromático.
Então, apesar de misturar estampas muito diferentes, elas estão dentro de um mesmo padrão de cor. Então, isso foi a primeira coisa. Porque toda vez que nos estudos a gente trazia combinação de cores muito diferentes, isso não virava Agostinho. Então, a gente, para entender o que seria as roupas da Carrara Modas, na verdade, teve que entender o que não seria. Então, misturar cores diferentes saía de Agostinho. Se a gente misturasse... É...
coisas muito floridas ou animal print, a gente chegava no falcão. A gente saía do Agostinho. Entendi. E aí... Era o estereótipo do brega mesmo. Exato. Então a gente teve que entender o que era esse Agostinho. E mais, se o Agostinho como personagem, ele combinava estampas de peças diferentes...
Agora ele está criando a própria loja de moda. Então ele pode fazer as próprias roupas. Então se você notar, todas as roupas oficiais da Carrara Modas, elas misturam dois tipos diferentes de estampa na mesma peça. Porque se o Agostinho gosta de misturar estampas de peças, agora ele pode misturar as estampas em uma peça só. Na peça. Pô, então eu errei, né? Mas é um pouco difícil achar essas roupas. Vamos ficar.
Boa. Você trouxe um material aqui para mostrar para a gente, né? Cara, trouxe. Isso aqui é uma parte muito legal do processo, que eu faço questão de mostrar, porque é a mesma coisa que eu mostro para os meus alunos de publicidade na SPM, que é a parte feia do processo, que é muito importante. Porque quando a gente vai ter ideias, e aí é o que eu ensino na aula de processo criativo, a gente não pode ter medo das ideias feias, porque as ideias começam feias e começam ruins.
Então a gente está vendo os filmes do Agostinho agora e às vezes a gente não imagina o processo que levou. Então faço questão de mostrar aqui o primeiro roteiro, um dos primeiros roteiros que a gente escreveu, quando essa campanha ainda não era sobre A, para vocês entenderem de onde é que ela partiu e o que ela virou depois disso. Então aqui um dos primeiros roteiros. E até tem uma questão também que às vezes frustra, que era uma campanha sobre template.
E ao longo do processo, virou uma campanha de AI. Exato. E foi muito legal esse processo porque ele foi encabeçado por uma percepção muito assertiva do nosso diretor de marketing, o Felipe Godoy. Quando eu apresentei a ideia do Agostinho para ele, ele adorou a ideia, mas ele falou...
mas a gente estaria fazendo mais do mesmo, que a gente já tinha feito com Xuxa e Grasse. E aí a sugestão dele foi ser sobre inteligência artificial. Ele trouxe isso pra mim, eu falei, tá bom, deixa eu cozinhar isso. Porque a primeira vez que você recebe também, você fica, nossa, mas será mudar tanto? Não sei se cabe.
E aí eu fui maturando isso e comecei a perceber que cabia pra caramba. E aí, acho que dois meses depois, a gente recebeu a notícia que o Canva ia ter uma atualização da inteligência artificial. A Canva IA 2.0, que seria uma IA pra você criar designs com um diferencial que ela poderia ser editável, né? Diferente do chat GPT, por exemplo, que cria uma imagem fixa no Canva. Ela cria e depois você pode mexer nela inteira.
E aí foi a oportunidade perfeita para a gente inserir isso no roteiro. Mas começou como uma ideia sobre os templates do Canva. E aí, posso ler o roteiro aqui para vocês? Pode, por favor. Então começaria com um close na clássica jarra de abacaxi da grande família, servindo um suco nas mãos de alguém.
A câmera abre e vemos Agostinho Carrara falando escorado no capô de um táxi velho amarelo. É o jeito que começa, mas sem a jarra, né? Ele está com sua estética de roupas estampadas inconfundíveis e um óculos escuros na cara. Ah, Agostinho, você tá sumido? Tem anos que não te vejo. Sumido não, meu amigo. Eu tô é trabalhando porque eu não sou vagabundo. Eu sou um empreendedor muito ocupado, tá entendendo?
Ele tira o óculos. É que eu, como um cara arrojado, inteligente, não gosto de ficar divulgando o meu sucesso meteórico por aí, morô? Mas a verdade é que agora a corrida de táxi é só um dos multi-empreendimentos que eu gerencio como Global Head Senior CEO na Carrara Enterprises. Ou Enterprise Carrara, ainda não me decidi. Aqui a gente teria um corte.
E aí o Agostinho estaria em frente à porta de carona. Por exemplo, quem anda de táxi sente fome. E aí eu criei a Carrara Pastéis. E ele abriria a porta do carona e revela uma airfryer no banco do carro. Ela faz o apito de pronto e ele mostra os pastéis dentro da airfryer. Dá uma olhadinha no menu. E aí ele mostra um menu com um design todo feio da Carrara Pastéis. Pastelzinhos fritos na hora, durante a corrida e ainda ganha um refri.
Corta, vemos Agostinho de outro ângulo. Ah, mas Agostinho, isso não dá certo. Eu já pensei em tudo. Se o refri esquentar durante a corrida, ele abre o porta-luvas e retira um copo modelo Stanley, mas com sua cara estampada ou uma combinação esdrúxula de estampas. Copos Augustano e Carrara. Tem que ter visão.
Aí, com o mesmo passageiro, eu já faço duas vendas. Corte, agora ele tá no interior do carro. E se ele pedir troco do pastel, eu já apresento mais um empreendimento. A Carrara Invest. Ele deixa o dinheiro comigo e eu faço ele render. A gente corta, tá no porta-mala do carro, a gente vê vários produtos. Sem falar na Pet Shop Carrara Dog, a maquiagem Carrara Pink e a realização do meu maior sonho, a Carrara Modas. E ele dá uma voltinha mostrando o seu look.
Ou mostra o site da loja de roupa em um notebook. Agostinho, dentro do táxi, se prepara para dar a partida. Se foi isso que eu fiz nos últimos 11 anos, que nada. Isso tudo aqui foi uma inspiração divina que eu tive nesse final de semana depois que a Maria Isabel me mostrou esse tal de Canva. E Agostinho mostra o celular e vemos a UI no detalhe.
Dá pra eu criar o que eu quiser pra quantas marcas vierem na minha cabeça, mané. Tô te falando. Eu não sei por que esses manés não cobram, mas o aplicativo ainda é de graça. Agora me dá licença que eu preciso ir embora. Empreendedor de sucesso é assim. Não pode ficar parado. Boa. Muito bom.
Então você vê como é diferente, mas como tem muitas coisas que foram reaproveitadas aqui. Aqui a ideia é que ele teria vários empreendimentos e todos eles tivessem sido criados com Canva, mas como eu falei, estava uma coisa mais repetida da Xuxa. E quando a gente mudou para a lógica de IA, não fazia mais sentido porque não era um diferencial. E foi super legal, cara, porque a gente trabalhando no texto, eu e os meninos ali, penando.
A gente chegou num momento que foi um final de semana, numa sexta-feira, a gente teve a nossa última reunião, e eu fiquei mastigando isso na cabeça, iluminando, e aí foi um domingo à noite, eu sentei e falei assim, preciso resolver esse negócio. E aí eu comecei a fazer um brainstorm também, deixa eu ver se eu tenho ele aqui, do Kiki, aqui ó.
Agostinho e Carrara Modas. Porque eu tava sentindo que o nosso filme, e aí o filme passou por diversas variações, isso é legal de mostrar também, o jeito apocalíptico que a gente escreve. A gente escreve todo mundo nesse whiteboard do Canva, e a gente escreve o texto em blocos, então aqui, introdução, desenvolvimento, call to action, e a gente vai mudando esses blocos, e cada título aqui, ó, é uma versão que alguém escreveu.
E aí a gente vai mudando coisas a cada review criativo. Então tem a versão sequinha, a versão Frankenstein, a versão carraruda, a versão jornada, a versão cararamodas. Tem desenhos no meio do roteiro aqui, ó.
Então é um processo... Veja o que for aquilo. Aqui tá muito claro, cara. Aqui é o Agostinho com seu óculos escuro segurando enquanto ele tá apoiado no táxi. A plaquinha do táxi. O desenho do filme tá melhor. Se eu pedir pra Iado Canva, ela ajuda a gente. Com certeza. Mais aqui, ó.
Outro Frankenstein, a noiva do Frankenstein, a gente vai dando títulos. Mas isso tudo aqui, cada coluna dessa é um roteiro. Mas o que se seguiu disso é que depois de ter escrito esses 30 roteiros...
eu senti a necessidade de trazer um conceito. E aqui é o brainstorming. É a mesma coisa que eu faço no meu caderninho. Eu fiz aqui no whiteboard, que é Agostinho Carrara Modas e eu fui escrevendo coisas que têm a ver. Então, o contexto atual, características do Agostinho, momentos icônicos, Carrara Modas. Então, aqui, características do Agostinho. Ele é um charlatão sempre buscando coisas novas. Você vê que a gente não se preocupa com o português, né? De forma alguma.
Isso é o que menos importa nessa hora. É, a gente só coloca a ideia o mais rápido possível. Um momento icônico da grande família, que é o Tuco Canta Roberto Carlos no Pai Vence, que é o Agostinho dando uma aula de design pro Tuco. Não sei se você já viu esse trecho. O Agostinho faz um cartaz do Tuco Canta Roberto Carlos no Pai Vence, e tá escrito Tuco Canta numa fonte tipo 10, e Roberto Carlos numa fonte 70. 70, bom.
E aí, ou o Agostinho deitado no chão na rua, falando que quer morrer, o Agostinho chegando no pagode, dando uma sambadinha. Carrara Modas, aqui a gente trouxe coisas que poderiam ter da Carrara Modas, um bolso escondido pra quando o agiota vim te cobrar, roupas pra você que não tem estilo, poder fingir que tem, isso ficou no roteiro. Mas aí, o que...
O conceito, ele veio daqui e foi muito legal como as coisas, elas se interagem. E não foi por isso que eu cheguei nesse conceito, mas esse conceito estava mais fácil para mim, porque, como eu te falei, eu sou professor universitário. Para ser professor universitário, eu precisei fazer um mestrado. E o meu mestrado, ele foi sobre o processo criativo humano com inteligência artificial.
e como é o papel da técnica e da ideia nessa nova relação criativa. E aí, uma das conclusões do mestrado, das características desse processo criativo, é o fato da IA habilitar pessoas que não são tecnicamente instruídas a conseguir materializar suas ideias de alguma forma dentro dos padrões estéticos do que seria bem apresentável.
Então isso eu tenho no meu mestrado, eu precisei escrever 200 páginas pra chegar a uma das conclusões do mestrado. E aí isso tava no fundo da minha cabeça. E aí foi o ponto inicial pra esse texto ele ganhar esse conceito de que o Agostinho é um cara que tem muitas ideias, mas ele não sabe executar elas. Então o roteiro tinha que ser sobre isso. E aí a gente, quando a gente chegou nisso, tem aqui, vivendo...
Um momento histórico, uma... Aqui. E a Tá Na Moda finalmente surgiu algo capaz de acompanhar a genialidade artística do Agostinho Carrara. Sim. É uma pegada meio arte conceitual, assim, que o Agostinho tem a ideia, mas ele não sabe executar. E aí eu lembro que a gente chegou na frase que orientou a mudança do roteiro, que era o Agostinho falando que a minha cabeça não dá conta de entender a genialidade da minha própria cabeça.
Tá no filme também. É, que é algo super Agostinho de se falar. Sem dúvida. E aí foi essa frase que fez o roteiro mudar e chegar onde chegou. Bom, e sobre o resultado, Bruno? Já a campanha saiu tem dois dias. Sempre vou te agradecer por ter sido mais uma vez o primeiro a trocar ideia contigo. Obrigado. E como é que tá a expectativa e a realidade, né? Porque eu tô vendo números, pra mim, incríveis.
Cara, os números estão incríveis mesmo. Essa campanha, a gente teve uma estratégia também de... Como a gente está trazendo o personagem, um dos personagens mais amados do Brasil, a gente não podia trazer ele para fazer um videozinho. E aí, esse também é um dos motivos pelo nosso vídeo principal ter mais de 4 minutos. Porque não dava para a gente trazer um personagem tão icônico, que está tanto tempo longe da gente, e trazer ele para um vídeo de 30 segundos e nunca mais aparecer.
formato, né? Exato, a gente precisava fazer jus ao personagem. Então a gente fez vários vídeos, no próprio dia do lançamento a gente teve três vídeos e aí eu tenho os resultados das primeiras 24 horas. A campanha, ela já tá com mais de 12 milhões de visualizações, mais de um milhão de engajamentos e mais de 20 mil vídeos com filtro da IA do Canva foram gerados.
Que legal. E o jeito, a forma que vocês convidaram a entrar na plataforma e só subir uma foto, a minha preocupação era será que eu ia ter que montar? Mas nos templates todos ali, você sobe a foto, a mágica acontece e você já salva e coloca. Super fácil, né? É muito interativo e aquela sensação eu posso fazer. É tanta ideia na minha cabeça que eu nem dou conta das minhas ideias que você...
E foi super legal, esse é um diferencial que a gente está trazendo para essa campanha em relação às outras, porque o que a gente notou nas campanhas? Que a gente fez a Air Fryer da Xuxa e os ovos da Greciane, e todo mundo queria esses itens. As pessoas estavam loucas por esses itens, foram os itens que a gente enviou para os influenciadores.
Então a gente percebeu que existia um desejo por esses produtos fictícios que eles poderiam ser utilizados como forma da gente apresentar as funcionalidades do Canva que as pessoas não sabiam que existiam. Porque acredito que você e muitas outras pessoas não sabiam que o Canva tinha esse filtro de IA, por exemplo, que era tão fácil quanto subir uma foto sua e ele te traz um resultado super legal. Então a nossa ideia foi justamente, então vamos criar...
um filtro de ar do Agostinho para as pessoas se colocarem nas roupas do Agostinho, que faz super sentido. E aí é o Agostinho te convidando para ser um modelo da Carrara Modas. E se você fizer uma publi para o Agostinho, ele te manda uma roupa. Então é uma moeda de troca que a gente tem.
para gerar o interesse das pessoas para elas irem lá e realmente utilizar o nosso produto e utilizar um recurso do Canva que não é tão conhecido quanto outros recursos que já são mais populares, como apresentação ou post para as redes sociais, por exemplo.
Vocês vão mandar um mimo, então, para mil pessoas. Com certeza. Boa. Você, pelo visto, vai ser uma delas, né? Porque você fez o seu vídeo. Eu postei às 11h55, logo depois que saiu. Estou torcendo para ser um dos mil. E o processo de mídia? Por trás disso tudo tem um processo importante de mídia, de estar em mídia aberta, estar em... Eu não sei se vai ter out of home. Como é que é o planejamento de mídia para pensar num resultado orgânico?
A gente divide em duas partes a estrutura de mídia, a parte orgânica e a parte paga. A parte orgânica é uma estratégia interna nossa de justamente criar esses assets que geram conversa, que vão ser compartilháveis. Então é uma estratégia de mídia que ela conta com esses assets serem muito compartilhados entre as pessoas. O vídeo principal do Agostinho também.
já está com mais de centenas de milhões de compartilhamentos. E é um vídeo de 4 minutos e 20, né? Inclusive, fazendo um parênteses no que a gente falou, sobre ficar preso às lógicas das plataformas, como eu falei, toda plataforma tem a sua lógica.
E às vezes a gente se prende em lógicas que pertencem à plataforma, mas que não são regras cravadas em pedra. Então uma coisa que a gente ouviu também é que o vídeo está longo demais. Como assim vocês vão fazer um vídeo de mais de 4 minutos para a rede social? A rede social tem que ser rápida, tem que ser 5 segundos. E a gente está com um vídeo de mais de 4 minutos, que no segundo dia já está batendo mais de 2 milhões de visualizações. Mas sobre a estratégia de mídia, voltando...
Então tem a estratégia de mídia orgânica, que são esses posts colabs com a Globo. A gente fez sete filmes que vão ser lançados até quinta-feira. E a Globo está sendo uma super parceira, porque esses posts estão entrando nas redes sociais da Globo. E é super legal, porque também é uma atualização midiática da Globo. A grande família passava na TV e agora o Agostinho, como influenciador, está passando nos canais de mídia orgânico da Globo.
E aí temos a estratégia paga também, que os roteiros seguem outra lógica, são outros filmes, são filmes muito mais diretos, aí sim de 15, 30 segundos, seguindo o padrão da mídia. E são filmes em que é o Agostinho falando com a Iado Canva de um jeito engraçado.
Gente agostineando. Justamente. Então já começa no início, a gente pode colocar um trechinho também. Querida Iado Canva, por favor, dê uma forcinha aqui para esse trabalhador brasileiro e me faça um cartaz. Promoção da Carrara Modas. Pague 3 e leve 2.
E aí quem cuida dessa estratégia de mídia paga, a gente tem uma parte de performance marketing interna, que a Tati faz de maneira excelente, e a gente tem o nosso parceiro de mídia também, a OMD, que faz essa parte de otimização da verba que a gente tem para os veículos, mas a gente está postando bastante em YouTube, e a gente vai estar em TV também, TV aberta, TV fechada.
Na Graça teve Out of Home, não teve? Na Graça teve Out of Home. Nesse da Agostinho, como ele é um... Conceitualmente, ele é uma influência, a gente preferiu dobrar a aposta da estratégia de mídia nos veículos digitais. Boa. Retomando um pouco aquela questão de empresa de entretenimento. Se você chegar numa agência ou chegar numa marca qualquer agora e falar assim, agora somos uma empresa de entretenimento, acho que todo mundo desmaia.
Como é que você estruturou esse modelo lá? Cara, o modelo do Canva, o modelo da nossa criação, ele não segue uma estrutura padrão de uma agência de criação, em que é muito departamentalizada. Essa palavra é tão difícil de falar, que você conseguiu falar três vezes. Mas a gente não tem essa departamentalização.
E nossa equipe criativa que cuida da parte conceitual, nós somos em quatro, eu, Bibito, Dani e Felipe Sorani. E a gente faz de tudo. E a gente trabalha numa lógica, né? Se é para criar entretenimento, e se o entretenimento vai ser consumido na mídia digital...
a gente trabalha numa lógica das mídias digitais. Então, a inspiração da estrutura é, por exemplo, o que é a TV quase. A TV quase que é o que faz o choque de cultura, o falho de cobertura. E você percebe que aquilo foi revolucionário quando foi lançado, justamente também porque seguia uma lógica do produto que vem muito da lógica da estrutura, que não é uma lógica tradicional.
Então você tinha ali os roteiristas brilhantes, o Daniel Furlan, o Caíto, todo mundo ali, eles são os roteiristas, eles são os atores, e eles fazem um processo criativo com eles mesmos, e eles são o veículo de mídia também, que era uma coisa que muito provavelmente não seria atingido num modelo clássico em que você tem roteiristas que entregam textos para atores, que são aprovados por um departamento de criação ou de marketing.
Ou o próprio Porta dos Fundos no início, por exemplo, que o Fábio Porchat, o Gregório, o João, o Kibe, o Ian, todos eles estavam escrevendo, atuando, dirigindo, filmando e ter essa...
essa execução criativa como uma parte do processo criativo, não apenas de idealização, isso traz uma propriedade, uma capacidade de a gente chegar em lugares muito menos óbvios. Eu brinco que é o seguinte, as empresas e agências que querem chegar em resultados de entretenimento, mas que seguem uma lógica de uma publicidade muito mais empresarial, é como se você estivesse tentando fazer um bolo que você estivesse tentando fazer um bolo.
numa churrasqueira com facas. Se você for um cozinheiro muito habilidoso, você até pode conseguir, mas não é o cenário nem as ferramentas adequadas pra fazer isso. Se você quer ser uma empresa de entretenimento...
Você siga a estrutura que as empresas de entretenimento digitais que fizeram sucesso seguem também. Então, você pode conseguir fazer claras em neves batendo seus ovos com duas facas de churrasco. Mas, muito provavelmente, vai ser muito mais fácil se você tiver uma batedeira. Sim. Perfeito.
ainda em linha com essa questão do ser distribuidor e ser produtor de conteúdo. Você vê um caminho diferente para uma marca hoje, além do YouTube? Porque as marcas acabam fazendo os canais no YouTube porque é um lugar onde você pode expressar a criatividade em qualquer formato, qualquer tempo, qualquer profundidade. A única plataforma que eu vejo para você ser uma TV da marca.
Você pode ser uma TV no YouTube, mas você pode ser um veículo de vídeos curtos também, no Instagram, no TikTok, ou até no Twitter, com outro tipo de conteúdo. Eu acho que é mais sobre você entender a propriedade daquele canal e criar conteúdo proprietário dentro dele. O YouTube é uma excelente opção para vídeos que são conceitualmente mais longos, mas agora tem o YouTube Shorts também.
Mas nas próprias redes sociais a gente tem o exemplo de uma marca que cria entretenimento proprietário também, que é uma marca que todo mundo cita e todo mundo fala que quer ser, mas na verdade não quer ser, que é o Duolingo, por exemplo. Duolingo não tem uma estratégia tão forte no YouTube, mas nas redes sociais eles entenderam a lógica do conteúdo das redes sociais e se apropriaram isso e o canal do Duolingo no Instagram e no TikTok.
Ele está entregando conteúdo de entretenimento feito pela Corujinha Maluca do Duolingo. Sim. Bom, Bruno, muito obrigado. Obrigado você, cara. Um prazer. Um prazer vir caracterizado aqui. É sempre um papo muito bom estar contigo. Vamos fazer um encerramento, Agostinho, né? Que eu acho importante. Eu estou vendo aqui que o horário...
Bem cariocas. Estou vendo aqui que o horário já deu. Estamos terminando. Vou dar uma incorporada como eu fiz no começo. Então, o Agostinho Carrara não sumiu. Vejo qual que é meus óculos também. Canva, Bruno e... Trouxeram de volta. Obrigado, meu amigo. Ai, cara. Que perfeito. Que meme. Na hora do Agostinho.
É isso. Obrigado, meu amigo. Valeu. Bom, pessoal, mais um de galho em galho super especial, uma edição especial com a campanha do Canva. Agostinho Terra e Bruno Carrara, diretamente para vocês. Obrigado. Até a próxima.
Canva
Canva IA 2.0