Estepe + Agata
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Causos do Vale são histórias inusitadas baseadas em fatos reais com temáticas do universo LGBTQIA+. Se é fic ou não, quem é que sabe? Envie o seu causo para causosdovale@gmail.com
- Relacionamentos e NamoroFormação do grupo de amigas lésbicas · Marina e Yasmin: o casal perfeito · O término e a reação do grupo · Agatha e Yasmin: um novo amor · Conflito e excomunhão de Agatha
- Roubo de roda e crise de pânicoLéo e a busca por liberdade sexual · O roubo da roda do carro · Crise de pânico e ansiedade · Ajuda inesperada de um estranho · O mistério do estepe roubado
- Desafios nas amizadesDificuldade em construir amizades sólidas · Manutenção de amizades à distância · A busca por conexões significativas
Causas do Vale. Se é fique ou não, quem é que sabe?
Oi gente, eu do passado aqui. Sabe quando no meio do episódio eu falo, oi gente, eu do futuro aqui? Pois é, esse sou eu do passado. Eu estou gravando esse episódio antes do show ter acontecido, pra que quando eu voltar de viagem eu tenha tempo pra me organizar, pra colocar as coisas de volta no lugar aqui na minha vida. Eu espero muito que o show tenha sido incrível. Muito provavelmente eu devo ter postado algumas coisas já nas redes sociais e tal.
então podem ficar tranquilos que a gente vai ter um episódio extra pra falar só sobre o show da Shakira. Eu só não sei se esse episódio vai sair já na quarta-feira, porque eu literalmente vou ter acabado de voltar de viagem.
Mas eu quero postar o quanto antes pra não perder o time. Mas calma, gente. Fica que vai ter mimos, tá bom? O episódio que você vai ouvir hoje é um episódio em dose dupla. Sim, vamos ter dois episódios aqui. Então, acabando o primeiro caos, continuem ouvindo porque vai ter outro nesse mesmo áudio, tá bom?
Então é isso. E aí, recado para os meus apoiadores. Esse episódio a mais, eu tirei dos apoiadores para dar de presente aqui para todo mundo, mas o episódio sem filtro 18+, está disponível para vocês, tá bom? Tanto na Aurela, quanto na Patreon, quanto no Spotify, tá bom? Então, apoiadores, corre lá que tem conteúdo exclusivo para vocês também, tá bom?
Mas, sem delongas, o caos de hoje que me contou foi o Léo. O Léo, gente, é de uma cidade lá do interior, de algum estado aí que ele pediu pra deixar baixo. E é bem naquelas cidades que você... Se você espirra na praça, quem tá na padaria do outro lado da rua é de saúde, sabe? Então vocês...
Já imaginam, Léo, gay, mas vive trancadíssimo no armário a sete chaves, família super conservadora, não só a família como a cidade de maneira geral, e o terror da vida dele é virar fofoca do café da manhã dos vizinhos. Ele disse, Jhonor, só pra você ter uma noção, na minha cidade tem apenas dois estilos musicais, gospel e sertanejo. E aí vocês tiram a sinuca que Léo se encontra, né? Poxa vida.
Mas é isso, gente, seguindo a cidade dele é modo hard mesmo, tanto que o aplicativo de pegação é só enfeite, porque se você abre a pessoa mais próxima está a uns 30 quilômetros de distância. Porém, numa das cidades vizinhas, vizinha não, cidades primas distantes, porque era um rolê até lá.
Nessa cidade tinha um ponte de pegação e tal, famoso entre a galera que curte esse rolê. Sabe aqueles lugares que todo mundo sabe que acontece, que é meio afastado, matagal, estrada de terra, e que a magia só começa a acontecer depois que escurece?
Pois é, que bem. E Léo, que tinha tido poucas oportunidades na vida de exercer a sua sexualidade, o grande sonho dele era tirar a carteira de motorista só pra poder começar a bater ponto nesse lugar. E eu sei que talvez a galera mais conservadora vai pensar, misericórdia, né? O sonho do menino era tirar a carteira de motorista pra ir em lugar de pegação. Mas, gente, eu vou defender o Léo aqui, tá? Porque se coloca no lugar dele por cinco segundos.
como diz a bebida, aquelas. Mas imagina você não poder viver a sua sexualidade, não apenas por conta da sua família, mas porque na sua cidade nem que não tinham outras pessoas LGBTs. Eu tenho certeza que devem ter outras pessoas LGBTs lá.
Mas está tão todo mundo no mesmo barco que a ânsia que existe entre as pessoas LGBT muito provavelmente é de sair dali da cidade para viver outras coisas. E sexo, amor, afeto, tesão, tudo isso são coisas que podem contribuir para essa experiência maluca que é a vida. Então eu diria que tudo isso é qualidade de vida, você poder ser você nas suas camadas, você poder, enfim, amar, beijar na boca, transar, enfim, eita como milita, né?
mas é isso, eu tô defendendo aqui o Léo enfim, mas por que ele queria tanto a tal carteira de motorista? porque ir pra esse lugar a pé era impossível era longe pra caramba, não tinha iluminação nenhuma em vários pontos super perigoso e o fluxo da safadeza, como eu falei só começava ali depois do cair da noite
E aí foi isso, o menino Léo focou, passou na autoescola, pegou a bendita carteira, e a sorte é que a família dele tinha dois carros, tinha um carro de passeio, bonitão, que os pais usavam pra viajar, e tinha aquele carro mais antigo do pai, aquele carro de bater, sabe, que serve pra ir no mercado, carregar uns vasos de planta, essas coisas.
Agora o Léo só precisava de uma janela de oportunidade ali, porque por mais que ele tivesse autonomia pra usar o carro dos pais, ele não tinha contexto pra desaparecer por horas e à noite ainda por cima, porque é isso, gente. Ele é meio um menino de apartamento, mas não de apartamento, sabe esse contexto? É que ele não mora no apartamento, né? Ele mora...
Não diria numa fazenda, mas é num ambiente um pouquinho mais rural, assim. Só que, dizer ele que o universo sorriu pra ele. Sorriu pra ele e mandou um outro pro caixão, porque a oportunidade veio. Os pais de Léo iam passar uns dias fora, na casa de uns parentes, iam tristado, porque um tio da mãe dele morreu. Olha só que sorte, hein, Léo? Aquelas. E eles iam com o carro de passeio, né? O carro velho ia ficar ali na garagem.
E Léo disse que quando viu o portão fechando, com os pais ele indo embora, ele disse que ele tava se tremendo em casa, esperando dar o tempo deles estarem longe, pra ele ir correndo ali fazer a higiene dele, colocar a cueca mais bonita que ele tinha pra, ó, queimar o chão. E aí, beleza, deu a hora, Léo pegou a chave do carro e tal, foi desbravando a rodovia até o lugar de pegação.
Gente, pense numa pessoa que deu o nome, tá? Deu o nome em outras coisas também. Usando as palavras dele, Jonah, eu tirei tanto atraso que eu tava saindo de lá com crédito por uns três meses. Misericórdia. Aí ele botou aqui, ó, eu beijei, eu peguei, eu fui em todos os cantos daquele matagal. Eu amo, gente. É a nossa mogli, Menino Lobo.
E aí tá, depois de ser bem servido e alimentado, o Léo ali já com as pernas bambas de tanta atividade física noturna, voltou pra onde ele tinha estacionado o carro. Só que quando ele foi abrir a porta, ele sentiu que o carro tava meio torto assim. Sabe quando o carro tá meio rebaixado só pra um lado? E aí, gente, quando ele iluminou com a lanterna ali do celular...
simplesmente tinham roubado uma das rodas do carro.
Vocês acreditam? E não foi a calota não, gente. Roubaram tudo, roubaram a roda inteira com pneu e tal. E não fizeram nem a gentileza de apoiar o carro no tijolo, né? Porque, enfim, o negócio tava trouxo. Aí imagina se ele tivesse dado a partida e tentado sair, né? Aí vocês pensam, quase meia-noite, meia do nada, lugar de pegação, com o carro do pai, que nem sabia que ele tinha saído de casa, o carro sem uma das rodas.
o Léo falou que o desespero bateu de uma forma tão grande que ele começou a ter uma crise de pânico ele falou, John, foi nesse dia que eu descobri que eu tenho ansiedade porque ele encostou no capu do carro, gente e deu teto preto, começou a chorar e foi um choro de solução ele falou que tava chorando alto, assim e ele falou, ó, eu tava tão desesperado que aquele choro era de quem sabia que a vida acabou ali ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó
E aí, meio ao mar ali de pensamentos horríveis e lágrimas, do nada, do absoluto nada surgiu as sombras ali. Um senhor, sim, gente, ele chamou meio de tiozinho, inclusive. Tiozinho esse que muito provavelmente estava lá, né, resolvendo os negócios dele, tal qual o Léo.
E muito provavelmente vendo o desespero do Léo, ele chegou ali perto pra entender o que tava rolando. E aí, gente, em resumo, o próprio senhorzinho arregaçou as mangas, pegou o macaco no porta-malas, pegou o step e ajudou o Léo a trocar roda. Eu amo, gente. Tá vendo a solidariedade? Existe fraternidade no cruising, gente. Existem gays que trocam rodas de carro.
E ele falou, Jonah, não acreditava em anjo da guarda, mas esse senhorzinho salvou minha vida. E aí foi isso, pneu trocado, pelo estepe, né? O Léo entrou no carro com a cara inchada de tanto chorar, coitado, tremendo dos pés e da cabeça.
E foi dirigindo de volta pra casa voando, gente. Voando. Ele colocou assim no e-mail. Jonah, eu não cabotei o carro porque Deus não quis. Porque naquele trajeto de volta eu tava tão transtornado. Mas tão transtornado que eu tava quase querendo desistir de ser gay. Ai, tadinho, gente. Eu amo que tem um ouvinte. Eu não lembro se eu já contei um caos dele. Mas eu lembro que ele colocou no e-mail mais ou menos assim. Ai, Jonah, toda vez que eu me meto em alguma roubada por conta de putaria, eu penso. Não, chega.
Ser gay não é pra mim, não quero mais, né? Isso aí é castigo mesmo. Ai, ai, que besteira. Aí, beleza. Aí, Léo chegou em casa, guardou o carro na garagem e percebeu o tamanho do buraco que ele tinha se enfiado. Porque analisem comigo, gente. Ele, um jovem do interior, não trabalhava ainda. Dependia dos pais. Não tinha um tostão furado pra comprar uma roda nova. E o pneu que foi roubado era original do carro. Ou seja, milhões, né?
Na real, não sei se é milhões não, tá? Não sei quanto custa um pneu. Um pneu não, uma roda. Enfim, o conjunto todo. E aí quando os pais voltaram de viagem, o Léo já foi logo se fazendo de sonso, né? A mãe perguntou, e aí coração? Saiu muito com o carro? E ele, não, que nada. Fiquei trancado em casa. Mal vi a luz do sol. Uhum, sei.
E a partir daí começou aquele terror psicológico na vida do Léo. Toda vez que o pai pegava aquele carro pra ir na padaria, o Léo começava a suar frio. Toda vez que o pai ia lavar o carro e chegava perto do porta-malas, o Léo tinha tacardia. Ele passou até a evitar dirigir o carro pra não ter perigo do pneu furar. Porque se furasse, não tinha step, gente. Aí ele viveu meses no estado de alerta, assim, até que muito tempo depois... ...eis...
Pra você ver o nível de carinho que eles tinham com esse carro. O pai do Léo foi num borracheiro pra dar uma calibrada nos pneus e resolveu conferir o estepe, né?
E aí abriu o porta-mala e vazio, né, gente? E aí ele chegou em casa completamente confuso, coçando a cabeça e falando, rapaz, você acredita que roubaram o nosso estepe? Ou será que eu usei algum dia, sei lá, não sei, deixei no borracheiro, não tô lembrado? E aí o Léo, com a cara mais lavada que lençol de hotel, quem ouviu o episódio 18+, vai catar do que eu tô falando.
olhou pro pai e falou nossa pai, que absurdo mas o senhor é meio esquecido mesmo vai ver, trocou, ficou por lá mesmo, gente, o Gaslight coitado do pai dele aliás, coitado nada, que é homofóbico
Coitado dele Que mora com o pai ainda, enfim E aí até hoje Anos depois o pai dele tem essa dúvida Ele comenta nos almoços de domingo Até hoje eu não entendo O mistério daquele step Eu acho que ele sabe, gente Pra ele ficar puxando essa sardinha, enfim Mas é isso, de acordo com o Léo Ninguém na família faz a menor ideia do paradeiro real Daquela roda Só ele e o tiozinho mecânico da madrugada Anjo da guarda E aí
E agora a gente aqui do Carlos do Vale. Então, Léo, tomei todos os cuidados aqui que você pediu para não te expor. E por quê? Porque hoje em dia, Léo continua morando nessa mesma cidade. Ele segue, infelizmente, firme e forte no armário. Ele diz que agora, se for para transar, ele chama um táxi. E o carro da família ali, né? Deixa para lá. Ele deixa para usar só para ir no mercado.
E eu amo que ele comentou do táxi, só que aí eu perguntei, mas tem muito taxista nessa cidade? Ele falou que não, o que ele faz é geralmente pegar um táxi até um determinado ponto, até uma cidade vizinha, porque os taxistas conhecem todo mundo da cidade, e lá nessa outra cidade já é uma cidade que dá pra ele pegar um carro de aplicativo e tal. E caraca, gente, que burocracia.
Ai, enfim, mas que doideira, gente, imagina, né? Ele indo lá realizar o sonho pornô dele e no final das contas roubar a roda do carro. É mole? Caraca. Mas é isso, Léo, eu sigo na torcida aqui pra que gozar seja menos burocrático pra você. Tá bom, meu querido?
Mas e vocês, gente? Já fizeram alguma loucura aí a troco de tesão que causou algum prejuízo na vida de vocês? Enfim, corre lá no nosso post do Instagram e me conta tudo. E comenta nesse aqui também. Certeza que o Léo vai ficar muito feliz de ver os comentários de vocês, tá bem? Mas calma, gente. Continuem aí, que como eu comentei no começo do episódio, vamos ter mais um caos. Então, bora lá. Bom episódio pra vocês.
Oi, avaiadores. Como é que vocês estão? Ai, gente. Olha, eu estou gravando isso antes do show da Shakira. Mas só de imaginar eu já estou... Ah, meu Deus, meu Deus. Enfim, é isso. Estou um pouquinho entusiasmado, né, gente?
Ai, mas bora lá, o caos de hoje que me contou foi a Agatha, e gente, ela disse que nesse caos a gente vai entrar num território que ao mesmo tempo paraíso e um grande campo minado da comunidade LGBT. Dois pontos. Os grupos de amigas lésbicas, eita glória. Quem tem sabe. Cadê minhas ouvintes lésbicas pra me confirmar se isso é verdade mesmo?
A Agatha disse aqui no e-mail. Grupão de lésbica é uma rede de apoio maravilhosa, mas quando dá B.O., misericórdia, parece o colapso do Império Romano. Olha ela me imitando, gente, falando misericórdia. Agora lá. A Agatha comentou que ela pertence a um bonde de amigas sapatões há muitos anos. E a gênese desse grupo, ou seja, o momento em que as almas se conectaram, foi nada mais nada menos do que na fila de um show da Maria Gadu.
Ai, gente, eu amo, né? Tem coisa mais canônica do que fazer amizade na fila do show de Maria Gadu debaixo de garoa, dividindo latão de cerveja? Não tem. Tem fã de Maria Gadu aí, gente? Pois muito que bem, a partir daquele dia, elas criaram um grupo no WhatsApp e nunca mais se soltaram. Elas eram em outras amigas, irmãs, mulheres. E com o passar do tempo, a amizade subiu para...
degraus, assim, porque enquanto no começo elas se encontravam apenas em contexto de show e tal, chegou um momento que elas não dependiam mais só desse contexto pra se encontrar, virou aquele grupo que se via toda semana, que fazia churrasco de domingo, que ia pra barzinho, que viajava junto.
Era a família que a gente escolhe, sabe? E aí, gente, quando eu escuto essas coisas, me dá uma invejinha, uma invejinha boa, tá? Porque eu não lembro a última vez que eu tive um grupão, assim, de amigos. A vida adulta coloca tantos poréns nas nossas relações que... Eu, por exemplo, eu tenho umas amigas, muito amigas, assim, de anos.
Só que hoje em dia tá cada um em uma ponta do país, assim. E aí pra gente se encontrar, tem todo um rolê logístico e financeiro que às vezes a gente acaba se encontrando, sei lá, uma vez por ano, sabe? E são pessoas que me conhecem muito bem e que eu desabafo, que eu conto da minha vida. Mas às vezes eu sinto falta de ter aquele grupão de amigos que do nada, numa sexta-feira, a gente decide ir pra um rolê de última hora e o rolê vai ser incrível e a gente vai...
enfim, beber, ser muito feliz, enfim, virou sessão de terapia de novo, né gente, eu preciso parar de fazer isso dos apoiadores, eu me sinto à vontade demais aqui e aí eu começo a me expor, enfim, retomando aqui.
E aí desde o começo dessa amizade, uma das meninas, né, que se chama Marina, ela namorava. Só que a Agatha e o resto do grupo só foram conhecer essa namorada de fato quando a amizade já estava mais consolidada e os rolês viraram frequentes porque namorada de Marina não era fã de Cadu, gente? Ora, ora, vamos pegar a carteirinha de lésbica dela de volta. Yasmin, o nome da namorada, tá?
E aí a Agatha fez questão de parar o e-mail pra descrever Yasmin. Eu vou até ler na íntegra pra vocês sentirem o impacto da coisa. Ela falou, Jonah, ela facilmente é uma das mulheres mais lindas que eu já tinha visto na vida. Pra mim, a receita ali foi duas colheres de Isa e uma pitada de Beyoncé.
Eu amei, ou seja, a mulher devia parar o trânsito, tá? E era um consenso absoluto no grupo. Todo mundo achava Yasmin, de fato, muito bonita. E Marina e Yasmin, de fato, formavam um casalzão que todo mundo olhava e pensava, meu Deus, que lindas. Tanto que em várias ocasiões, quando elas eram as últimas a chegar no barzinho, na balada, a roda inteira parava e rolava uns comentários sobre o excesso de compatibilidade estética das duas.
E era isso, apesar da Yasmin, namorada de Marina, estar sempre presente nos encontros do grupo, a Agatha notou que a dinâmica com ela era um pouco distante, assim. Parecia muito que a Yasmin só se sentia no direito de ir até um determinado ponto ali na amizade. Em que sentido? Sabe quando a pessoa é super simpática, educada, sorri, bebe com você, mas levanta um murinho invisível?
Tipo isso, a Agatha disse que ninguém se sentia íntima de verdade da Yasmin, ela era uma entidade à parte, tanto que nas conversas ela nunca era só a Yasmin, era sempre referida como Yasmin namorada de Marina, ou seja, o pacote tinha fechado, né, Cris e Greg.
E a vida seguiu, assim, por uns bons anos, até que, em algum momento, a Yasmin começou a faltar nos rolês. Dava uma desculpa aqui, um cano ali, e a Marina começou a aparecer, além de sozinha, sempre com uma postura meio xoxa e tal, meio triste, meio chateada. E a galera já tava meio que sentindo o cheiro de término, assim. E do nada, sem contexto nenhum, no meio de uma conversa aleatória, a Marina soltou que, de fato, tava solteira.
E aí a roda inteira ficou em choque. E antes que alguém pudesse perguntar o que aconteceu, a Marina já cortou o assunto e falou, gente, eu não quero me aprofundar nos detalhes porque ninguém aqui tem diploma de psicologia, tá? Mas basta vocês saberem que não estava fazendo mais sentido e terminamos. Sim, gente. Marina trancou a porta, engoliu a chave e proibiu a fofoca. Ai, ai, vocês acreditam?
E aí a Agatha, gente, a Agatha ficou completamente indignada, em completo estado de negação. Ela disse que ela ficava olhando pra cara da Marina no bar e ficava balançando a cabeça, fazendo que não, assim, inconformada com o fim daquele casalzão. E no começo o pessoal do grupo até achou engraçado o luto da Agatha pela relação alheia.
mas o tempo foi passando e a Agatha continuou ali batendo nessa tecla, até que o pessoal perdeu a paciência e começou a rolar uns cortes, do tipo, tá bom, Agatha, você já falou isso, caraca, vira o disco, a menina não quer falar sobre isso. Só que, gente, a Agatha se pegou pensando muito naquilo, o tempo todo.
parar de tocar no assunto, viu, hein, Agatha? Eu, hein, que postura é essa? Só que, meses depois, a língua coçou, o cérebro desligou e o assunto escapuliu da boca de Agatha mais uma vez. E aí, dessa vez, a Marina, que já tava por aqui com a situação, virou pra Agatha muito brava e falou, amiga, já que você gosta tanto dela, vai lá, fica com ela. Você não para de falar sobre isso.
E foi isso, né, gente? A Agatha, boca de sacola, ficou super ofendida com a hostilidade da Marina, achou um absurdo. Mas é isso, gente. Esse comentário muito provavelmente plantou uma sementinha ali no coração de Agatha. Porque num movimento que ela jurou de pé junto aqui no e-mail, que foi super natural...
Ela começou a interagir com os stories de Yasmin, Yasmin ex de Marina, reagiu uma foto ali, né, puxava um assunto sobre um livro aqui, dava um biscoitinho disfarçado de simpatia a colar, até que elas meio que do nada...
Não tem? Marcaram de se encontrar pra tomar um café e conversar. E a Agatha queria saber como a Yasmin tava, porque afinal não tinham sido dias de relacionamento, né? Tinham sido anos. E aí a Yasmin contou a versão dela do término. A Agatha frisou aqui que foi de uma maneira extremamente respeitosa, sem falar mal de Marina, sabe? Super madura.
E depois desse primeiro encontro elas passaram a se ver com alguma frequência. Até Yasmin e Gimarina num belo dia chegar na Agatha e falar. Olha, eu não sei bem o que fazer com isso que eu tô sentindo por você. Então eu tô aqui te contando que estou sentindo algo. Pra ver se você tá disposta a descobrir isso comigo. Vocês acreditam, gente?
Aí a Agatha, que já babava na beleza dela de Isa e Beyoncé batida no liquidificador, obviamente topou descobrir o que era esse tal sentimento que tava rolando. E não demorou, né, gente? As duas começaram a ficar. E aí eu perguntei pra Agatha. Tá, mas antes dela vir com esse papo, você não sacou que ela tava ficando afim de você?
Ela falou, ai, eu achei que ela tava se sentindo só mais à vontade comigo, tava mais aberta e tal. Só que, vocês imaginam, né, gente? A gata tava apavorada, morrendo de medo da reação de Marina, porque, né, eis de Marina, e do grupo também.
Porque todas seguiam ali, firmes e fortes, fechadas na amizade. Então ela queria manter a coisa no sigilo por um tempo, empurrar ali com a barriga até onde desse. Só que Yasmin bateu o pé e falou, eu não vou me esconder de ninguém. A gente não está fazendo nada de errado. Nós somos duas mulheres adultas e solteiras.
Ai, ai, gente. Vai dar certo isso aí? O que vocês acham? Eu sei que a Agatha foi empurrando as oportunidades de conversar com a Marina com a barriga. Faltou coragem, faltou tempo, enfim, ela disse que a lista de desculpas dela era enorme, assim. Até que teve esse dia que a Agatha e a Yasmin, lindas, maravilhosas, de mãos dadas na fila da pipoca do cinema, shopping lotado, quem passa na frente dela, gente?
Sim, Marina. E a Agatha diz que o coração dela disparou, porque Marina viu as duas de mãos dadas e, puf, o semblante dela caiu na hora. Desabou. Marina ficou claramente e profundamente decepcionada, mas, pelo visto, respirou fundo, contou até três, porque ainda cumprimentou as duas com toda a boa educação do mundo antes de sair andando, parecendo que queria rachar o piso do shopping.
E pra Agatha o clima de enterro se instaurou, assim. Mesmo com a Yasmin seguindo plena, como se nada tivesse acontecido, porque a postura de Yasmin era essa. Sou solteira, livre e desimpedida, cada um com seus B.O.s, né? E aí, beleza, a Agatha ficou constrangida de mandar mensagem pra Marina depois disso, mas a própria Marina...
Chamou ela por mensagem. Querendo combinar de tomar um café. Para elas conversarem. Sobre o que ela viu. E aí uns dias depois. Elas se encontraram. E quando ela chegou. A Agatha estava sendo frio. Tensa que nem corda de violão. Que besteira. Essa é a minha tentativa. De fazer uma referência a Maria Gadu. Que foi citada no começo do episódio.
E aí elas sentaram e tal, e a Marina foi bem direta, ela perguntou o que que tá rolando entre você e a Yasmin. E aí a Agatha abriu o jogo, gente, explicou tudo, deu os contextos e tudo mais. E a Marina, gente, de maneira bem compreensiva, começou a se exaltar, a chorar. E a demonstrar a dor de ver uma das amigas com o ex dela até então escondido.
E a Agatha tentou dizer que não foi escondido, que ela só não tinha encontrado o melhor momento para contar. Só que Marina ali, né? Frá, frá, frá, falando um monte. E a Agatha cometeu o maior erro da vida dela. Ela diz que ela se arrepende amargamente, mas na hora do nervosismo e tentando se defender, ela soltou a seguinte frase. Mas Marina, aquele dia no bar você mesma falou que podia ficar com ela.
E aí pronto, gente, essa fala foi o fósforo aceso que faltava naquele monte de dinamite, e Marina obviamente explodiu, falou um monte pra Agatha, largou ela falando sozinha e não parou por aí, gente. O grupo inteiro tomou as dores, foi um puta efeito dominó, todas as meninas pararam de falar com a Agatha, ela foi sumariamente excomungada e taxada com letra escarlate de Agatha Larica. Vocês acreditam?
E, gente, já se passaram anos desde esse barraco e nada mudou entre ela e as meninas. A Agatha e a Yasmin, elas estão juntas até hoje, inclusive morando juntas. Ela falou, Jonah, não era fogo de palha, a gente construiu uma vida.
Só que o preço disso foi alto, até hoje, se elas se cruzam por aí, é de lê-la, ouvi. Olha lá, a Agatha Larica ali, e aí fica aquele climão, delas se olharem feio, virarem a cara, e não tem acordo. A Agatha tentou pedir desculpas diversas vezes, tentou pontos, cogitou, até abrir mão da Yasmin, só que não deu, gente, não deu. E até hoje, ela sente muito, muito mesmo de que, do nada, ela perdeu todas as amigas de uma vez só.
não foi tão do nada, né, Agatha? Mas, né, ela acha que já passou da hora de todo mundo deixar essa água passar por debaixo dessa ponte, superar e resolver como pessoas adultas, assim. E aí ela encerrou o e-mail com desabafo, que inclusive tem tudo a ver com algo que eu falei no começo do episódio. Olha a Agatha pegando na ferida de todo mundo que já passou dos 25 anos. Gente, vamos lá.
Joana, cada ano que passa, a vida adulta me mostra o quão difícil é construir amizades sólidas. Tudo demanda demais da gente. O trabalho, as contas, o relacionamento. Então a minha maior dificuldade atual tem sido construir novas amizades.
Ah, é isso, gente. É isso. Mas, ó, eu também acredito no sólido dentro do possível, sabe? Eu tenho amizades super sólidas de baixa manutenção. E é isso, gente. Infelizmente, se a gente não tem as pessoas disponíveis, a gente tem que ou ser autossuficiente ou...
abrir esse leque, né? É meio que isso. Mas e aí? De qual lado que vocês estão dessa história, gente? Vocês são o Team Marina ou o Team Ágata? Ó, eu super entendo a dor da Marina e o grupo ter comprado a dor dela. Eu acho que é uma situação que dá sim pra ter uma leitura de quebra de confiança pesadíssima.
Mas também entendo que a Agatha encontrou o amor da vida dela. E só pra deixar claro que eu dizer que eu entendo não quer dizer que eu concorde. Quer dizer que eu consigo enxergar os dois lados da moeda, assim. Mas é isso, gente. A vida tem essas zonas cinzentas. E, Agatha, ó, vou até fazer um jabá aqui pra você, tá? Quem estiver precisando de uma amiga lesca de suporte, comenta lá no nosso post no Instagram pra Agatha.
e stalke a vocês, vai que, né? Além de causas, nós viramos amigos de Agatha, né? Enfim. Mas é isso, gente. Quem quiser opinar a respeito dessa história, quem quiser assumir algum lado aqui dessa narrativa, corre lá no nosso post do Instagram e eu vejo vocês na semana que vem, tá bom? Aliás...
Essa semana tem Caos 18+, né, gente? Ô, meu Deus, eu descobri que preciso escrever mais um roteiro aqui. Ai, ai, partiu dar uma vasculhada aqui no e-mail do Caos do Vale pra ver o que eu encontro, gente. Beijo, até já! Quer mandar o seu Caos pra gente? Envie um e-mail para causosdovale.com
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