Rivais Até a Morte - FUTEBOL, DITADURA E RESISTÊNCIA (Episódio 2)
No segundo e último episódio de Futebol, ditadura e resistência, o podcast narrativo imersivo, produzido por Helder Henfil no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Comunicação Social, apresenta o resultado de uma pesquisa que investiga as relações entre o franquismo e o futebol espanhol.
Eldar Enfio
Júlia Evelyn
Juan Pablo Sorin
Paulo Andrade
Paulo Calçade
Paulo Vinícius Coelho
- Futebol e Ditadura na EspanhaOrigens do futebol na Espanha · Relação entre o franquismo e o futebol espanhol · Rivalidade Real Madrid e Barcelona · Impacto político da rivalidade · Contratação de Alfredo Di Stéfano
- História da rivalidade Real Madrid x BarcelonaPrimeiros confrontos (1902-1929) · Guerra Civil Espanhola e pausa nos jogos · Semifinal da Copa do Generalismo (1943) · Disputa pela contratação de Di Stéfano · Anos dourados do Real Madrid e declínio da rivalidade · Revigoração da rivalidade nos anos 60 e 70 · Rivalidade nos anos 90 (Romário e Raúl)
- O papel do Real Madrid e Barcelona no FranquismoReal Madrid como símbolo do regime · Barcelona como representante da identidade catalã · Internacionalização das marcas dos clubes
- A influência política na rivalidadeFranquismo e a rivalidade Madrid-Barcelona · Questão da independência da Catalunha · Percepção da rivalidade por torcedores fora da Espanha
- O futebol argentino na ColômbiaGreve de 1948 no futebol argentino · Movimento social na Colômbia e financiamento da liga · Migração de jogadores argentinos para a Colômbia · Intervenção da FIFA para regularizar a situação
Sabe como o futebol chegou na Espanha? Ou qual a relação da Guerra Civil Espanhola e do regime do ditador Francisco Franco com os maiores clubes do país? Acompanhe a nova parceria da Rádio Cordel, o FPE. O podcast de futebol, ditadura e resistência. Este projeto parceiro foi o trabalho de conclusão do curso de comunicação social de Alder Enfio. O curso de comunicação social faz parte do Centro Acadêmico do Agreste, o campus da Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru.
Eu sou Júlia Evelyn e estou aqui para apresentar para vocês Futebol, Ditadura e Resistência. Um podcast narrativo imersivo sobre as relações entre a ditadura de Francisco Franco e o futebol espanhol. Este é o segundo e último episódio, Rivals até a Morte. Nele, você vai conhecer a história da rivalidade entre Real Madrid e Barcelona na ditadura. Coloque o fone de ouvido e venha escutar essa produção.
Transmissão para mais de 100 países. Mais de 400 milhões de habitantes do planeta devem acompanhar o jogo pela TV. Jogo que é mais. É muito mais do que um simples jogo. É muito mais do que um simples clássico. Comentarista dos canais ESPN, Juan Pablo Sorin. Seja bem-vindo.
Olá, Paulo Andrade. Olá, Brasil. Impressionante o clima, impressionante o ambiente. Pode modificar a tua vida, pode modificar a tua carreira como jogador de futebol, um clássico como esse. Alô, pessoal. Eu sou o Eldar Enfio e começo este episódio com a abertura de Eu Clássico em 2014. No episódio de hoje, vou contar uma parte da história dessa rivalidade que é histórica.
O primeiro jogo disputado entre Real Madrid e Barcelona ocorreu em 1902, com vitória do Clube Catalão. De lá pra cá, a rivalidade entre os dois só cresceu. Para iniciar este episódio chamado Rivais até a Morte, quero lembrar que este podcast é resultado do meu trabalho de conclusão de curso, TCC,
do curso de comunicação social da Universidade Federal de Pernambuco, no campus Caruaru, e conta com a orientação da professora Sheila Borges, do núcleo de design e comunicação. Irei contar para vocês como a rivalidade entre Real Madrid e Barcelona possui um lado político que, muitas vezes, atravessa as quatro linhas.
Hoje, quando se fala desse jogo, muitas pessoas pensam em Messi e Cristiano Ronaldo. O levantamento para a área! Gol! Tene, tene, tene, tene! Cristiano Ronaldo para o Real Madrid! Gol!
É do Barcelona! 500! 500 gols para este monstro do futebol mundial que cala o Bernabeu! Festa da minoria! Jogadores do Real Madrid vão a nocaute! A torcida vai embora e não acredita no que vê! Lionel Messi 500 vezes! Bola para o fundo do gol!
Até pela distância do tempo, as pessoas não sabem o peso político da rivalidade entre Real Madrid e Barcelona. A atualidade desse tema foi assunto entre eu e o jornalista dos canais ESPN, Paulo Calçade.
Quanto mais distantes as pessoas estão, menos envolvimento elas vão ter nas questões políticas. Se você pegar a torcida do Raul Matri fora da Espanha, não há um trabalho sobre isso. Mas quantos realmente estão interessados nessa questão política da Cataluña independente ou não, ou do franquismo? Não é ninguém. Eles estão torcendo... Imagina o seguinte, imagina quem tem...
30 anos hoje, quem tem 30 anos hoje, não pegou, não tenho a menor noção dessa história, quem tem 30 anos hoje, tem na mente Messi versus Cristiano Ronaldo. Ronaldinho Gaúcho, talvez, mas é Messi e Cristiano, que é um volume
enorme gente focada exclusivamente numa rivalidade no campo. Ah, aquele que está mais preocupado, intelectualizado, vai pesquisar e vai ver que essa rivalidade transcende o terreiro de outro. Ah, mas isso deve ser isso aqui. Essa questão política para a maioria, principalmente quem está fora da escola.
Coloca o fone de ouvido e vem conhecer a história de Eu Clássico, a maior rivalidade futebolística do mundo.
Como já mencionado na introdução deste episódio, o primeiro jogo entre os clubes foi disputado em 1902, em um torneio comemorativo da coroação do então rei da Espanha, Alfonso XIII. Torneio disputado entre Real Madrid, Barcelona, Vizcaia, Espanhol e New Football Club. Os futuros rivais, na ocasião, o Barcelona venceu o Madrid por 3 a 1.
Entre amistosos e jogos oficiais, o Barcelona prevalecia. Teve sete vitórias e dois empates contra o clube da capital nos primeiros jogos. A primeira vitória do Real Madrid aconteceu apenas em 1916, quando os clubes disputaram o primeiro mata-mata entre eles.
Entre amistosos e confrontos pela Copa do Rei, o Barcelona ia esmagando o Real Madrid nos confrontos. Em 1921, o Clube da Catalunya possuía 12 triunfos em 18 jogos, mas as coisas iam começar a mudar a partir de 1929.
Nesse ano, foi fundado o Campeonato Espanhol. Até então, o Real Madrid tinha vencido os catalães apenas duas vezes. Mas para a surpresa de muita gente, o time da capital venceu no primeiro duelo pelo torneio, que hoje conhecemos como La Liga.
Nos anos de 1930, o Real Madrid conseguiu equilibrar o confronto e até aplicou algumas goleadas, cenário improvável no começo do confronto.
Em 1936, os clubes disputaram a primeira final entre eles. A decisão valia o título da Copa da República, atual Copa do Rei. Contamos no episódio anterior que a competição foi mudando de nomenclatura de acordo com o governo que prevalecia na Espanha.
Voltando para o confronto, o Real Madrid venceu por 2x1. O jogo foi marcado pela despedida de um dos grandes goleiros espanhóis, Ricardo Zamora, que naquele dia garantiu o título do Real Madrid. Dias depois, a Espanha entrava em guerra civil.
Os dois clubes, que anos depois se tornariam grandes rivais, muito por conta de eventos ligados ao franquismo, passaram três anos e meio sem se encontrarem. Já em 1943, Barcelona e Real Madrid se enfrentaram pela semifinal da Copa do Generalismo, em partidas de ida e volta.
A ida do confronto seria em Barcelona e a volta em Madrid. Os torcedores do clube catalão receberam os madridistas com um clima hostil. A cada toque na bola, os jogadores visitantes eram vaiados. Vale lembrar que as vaias eram tidas como um gesto inaceitável na época. A partida terminou 3 a 0 para o Barcelona, porém teve consequências.
O presidente do Barcelona na época, Henrique Pinheiro, tentou acalmar os ânimos e declarou que queria manter um clima de amizade com o Real Madrid. No jogo da volta em Madrid, o clima não favorecia em nada o Barcelona. Os torcedores do Real Madrid receberam apitos de metal para infernizar a vida dos jogadores rivais. Além disso, gritos de porcos separatistas eram ouvidos nas arquibancadas.
Com a vantagem, o clube catalão foi ao antigo estádio de Jean Martin para se defender e segurar o resultado. Mas, ao final do primeiro tempo, o Real Madrid vencia por 8 a 0. O Barcelona pensou em não voltar ao campo.
Algumas versões contam que os jogadores foram ameaçados por um coronel para retornarem ao jogo ou o próprio árbitro da partida foi convencer o clube a retornar.
O Barcelona retornou ao campo e a partida terminou 11 a 1 para o Real Madrid. Até hoje, essa é a maior goleada da história de Euclássico. E aquele 13 de junho de 1943 mudou a história do confronto. Real Madrid e Barcelona seriam eternos inimigos.
Os anos 40 e 50 são anos decisivos para a rivalidade e perguntei ao Paulo Calçade se ele enxergava esse peso histórico nos clássicos de hoje em dia.
de um clássico? Não. Mas é possível olhar para um clássico e não entender que tudo isso está dentro de campo? Também não é possível. É claro que aquele caldo formado pela história, ele está presente. Ele só não está massacrando. Ele só não tem o peso que existia ali nos anos 1940. Mas não é possível.
Ele faz parte da história e a história não se apaga. Não tem como. Eu acredito. Os anos 40 é um período de mais equilíbrio entre os rivais. A coisa voltaria a esquentar no começo dos anos 50, quando os dois times disputaram a contratação do jogador argentino Alfredo de Stefano. Essa história é polêmica até os dias de hoje.
Conversei com o jornalista e historiador Paulo Vinícius Coelho, o PVC, sobre a disputa envolvendo os dois clubes pela contratação do jogador argentino. Durante muito, muito, muito tempo se disse que o Franco interveio e que por isso o Real Madrid acabou ganhando a calça. Porque você sabe... Deixa eu voltar para... Tem um livro chamado Nascidos para Encordiar-se.
Antes de contar como começou essa briga, PVC explica o peso dos clubes diante das instituições. Esse livro, Nascidos para Encordear-se, conta a história do clássico Real Madrid-Barcelona. E aí no clássico ele chega ao problema do Eldorado colombiano e da maneira como o Stéfano chegou ao Real Madrid.
E aí o autor do livro, que é Alfredo Relanho, que foi diretor de redação do Diário ASS por muito tempo,
ele é um pouco suspeito porque ele é de Madrid, mas ele escreve tim-tim por tim-tim dizendo que não, o franquismo não interveio nessa questão e que o Real Madrid ganhou a disputa, tinha uma disputa política que passava pela federação, tem fontes que dizem que o Real Madrid acabou dando o dinheiro para o Barcelona para comprar a parte do Barcelona,
E outras partes que eu acredito mais que, na verdade, foi uma disputa política que o Real Madrid ganhou. E à medida que ele ganhou uma disputa política mesmo na federação, o Real Madrid era, naquele período de 1953, um clube já mais pesado do que o Barcelona por toda a relação que a Cataluña tinha com o movimento republicano na época da Guerra Civil.
Para explicar a contratação de Di Stefano, teremos que viajar até a Argentina em 1948. Conversei com o PVC sobre o tema e ele nos contou toda a história envolvendo o craque argentino. Olha só, a história começa na grande greve de 1948 do futebol argentino. Sim. E a Colômbia tinha um movimento social que o governo colombiano queria abafar.
Tem um livro chamado Colômbia vs. Colômbia, que eu comprei porque numa dessas viagens pela América do Sul eu consegui comprar. E ele conta a história de que tinha um movimento social e o presidente da Liga colombiana, que não era afiliado à FIFA, era um cara chamado Alfonso Sênior, que era ligado ao governo. Então o governo ajudou a financiá-lo e ele foi, ele aproveitou a guerra, a greve de 48 lá na Argentina,
E viajou para Buenos Aires, sentou com o Nestor Rossi, que era um dos líderes do movimento. O movimento da Argentina era porque os jogadores entendiam que os clubes mais pobres...
faziam contratos riquíssimos com jogadores importantes e quando ficavam no meio da tabela para baixo, paravam de pagar, simplesmente paravam de pagar. Então os jogadores mais bem remunerados do River Plate, do Independiente, do Boca Juniors, fizeram movimento pelos jogadores mais pobres. Ou seja, os chubis não têm o direito de assinar um contrato e depois não cumprir. E entraram em greve.
O River Plate era líder do campeonato quando a greve começou, independente e foi campeão jogando com o time juvenil, porque o campeonato continuou com o time juvenis. Nisso, o Alfonso Sênior saiu de Bogotá, desceu em Buenos Aires, sentou com o Nestor Rossi, com o Pederneira, e falou, é o seguinte, o dinheiro que eu daria para o River para contratar vocês, eu dou para vocês. Aí o cara falou, nossa, sim? E nisso foi uma região de argentinos para a Colômbia.
O PVC também nos conta que essa invasão de argentinos e de outros jogadores na Colômbia tem consequências até hoje. A Colômbia joga com tofe de bola até hoje porque foi muito colonizado o futebol colombiano pelos argentinos. Mas teve brasileiro, Marinho Rodrigues, pai do Paulo César Caju, jogou lá, Heleno de Freitas jogou lá, teve uruguaio, teve húngaro, mas teve Néstor Rossi, Pederneira, Di Stéfano que foram para lá.
Isso foi em 1948 e durou até 1952. A FIFA precisou intervir para regularizar a situação, explica o jornalista. Nessa ida dos jogadores para a Colômbia, o Real Madrid fez amistosos o país e se encantou com o Alfredo de Stéfano. 2 em 51 no Congresso de Lima, a FIFA determinou a regulação disso, deu dois anos de prazo para acabar.
Em 1953 tinha que acabar a Liga Colombiana, pirata, chamada Liga Pirata da Colômbia, e os jogadores voltariam a pertencer aos seus clubes de origem. Nisso o Real Madrid foi fazer em 1953 o amistoso em Bogotá. E se encantou pelo Di Stéfano. E foi lá e comprou o Di Stéfano do Milionários. E o Barcelona entendia que o processo estava resolvido e foi no River Plate e comprou o Di Stéfano do River Plate. E aí ficou pendenga porque os dois compraram.
E aí, nessa pendenga, se decidiu que o Di Stéfano ia jogar quatro temporadas de contrato na Espanha, sendo a primeira no Barcelona, a segunda no Real Madrid, a terceira no Barcelona e a quarta no Real Madrid.
Era bizarro. E nessa questão política, com interferência de Franco ou sem interferência de Franco, eu diria que não com interferência direta de Francisco Franco, mas com interferência de uma gestão política que já era franquista, já fazia 14 anos.
Então você tinha as estruturas de poder ligadas ao franquismo. E as estruturas de poder do franquismo estavam mais ligadas ao Real Madrid do que ao Barcelona, até por uma questão geográfica. O Real Madrid ganhou a batalha e o Di Stéfano foi jogar no Real Madrid. Esse é um dos episódios mais fortes do período do franquismo ligados ao futebol.
A disputa pelo jogador argentino criou uma rivalidade muito grande entre os dois times, mas o crescimento do Real Madrid foi diminuindo a tensão por parte do clube da capital. Alfredo de Stefano é até hoje o maior jogador da história do Real Madrid.
Os anos 50 são os anos dourados do Real Madrid. O clube conquistou diversas ligas e copas dos campeões da Europa. E a rivalidade com o Barcelona foi afracando nesses anos. Porém, ela volta em 1960.
Naquela temporada, os dois clubes duelaram por uma vaga na final da Copa dos Campeões. O Real era o atual tetracampeão e buscava ir para a sua quinta final consecutiva. Já o Barcelona queria encerrar o monopólio do Real Madrid. O Madrid se classificou e ganhou o quinta campeonato europeu.
Na temporada seguinte, o Barcelona se vinga e a rivalidade revigora novamente. PVC faz até um paralelo com o clássico do futebol brasileiro. Ele relembra os títulos espanhóis do Barcelona e o famoso gol do brasileiro Evaristo de Macedo, que eliminou o Real Madrid da Copa dos Campeões em 1961. Aí você revigora... Ahahahah!
a rivalidade Real Madrid e Barcelona por causa dos títulos, porque o Barcelona é campeão 48-49, 52-53, aí ele é campeão em 59 e 60 e tira o Real Madrid da Champions em 61 na semifinal, nas quartas de final, nas quartas de final, que é o gol do Evaristo. É isso aí. Aí o Barcelona só vai voltar a ser campeão em 74 para o Cruyff.
É isso aí. O Barcelona, o Real Madrid é 61, 62, 63, 64, 65, 66, Atlético de Madrid. 67, 68, 69, Real Madrid. 70, Atlético de Madrid e 71, Valencia. Aí é 72, Real Madrid. 73, Atlético de Madrid. Então quem rivalizava com o Real Madrid era o Atlético, não era o Barcelona. Mas você teve uma revigoração da rivalidade esportiva. 59, 60, 61, que é o time de Cubale e Avaristo. Sim.
Mas a rivalidade era muito por causa da questão do Barcelona para o Real Madrid. Era como, mais ou menos assim, do ponto de vista esportivo, era meio Flamengo e Botafogo.
Os anos de 1960 são hegemônicos para o Real Madrid e o clube virou um símbolo para o franquismo. O ministro secretário do regime, José Solis, chegou a declarar que o clube ajudou a melhorar a imagem da Espanha perante o mundo. Perguntei a Calçade se ele acredita que o Real Madrid defendia o regime ou se apenas aceitou ser uma bandeira.
Gente, o Real Madrid, eu acho que o Real Madrid nunca defendeu, e eu não estou dizendo que é o certo e que é o errado, que é certo defender a fragmentação da Espanha, eu não vou entrar nessa questão, assim, um pouco distante.
politicamente no meu dia a dia e dizer se a Cataluña deve ser independente. Quem tem que dizer o povo que vive na Cataluña, né? Calçade fala que o time aceitou o status de clube do regime, também com uma intenção de internacionalizar a sua marca.
Só que o Madrid, na hora que ele viu como internacionalização de uma marca, foi o seguinte, Real Madrid, Barcelona, as grandes equipes europeias, como para sobrevivência e para poder crescer, eles transcenderam as suas fronteiras.
Então, hoje o Barcelona vai buscar torcedores na Europa, na América do Sul, como faz o Real Madrid, o Chelsea e na Ásia, porque você tem bilhões de habitantes. Então, é o seguinte, você quer transformar em consumidores.
Porque, sim, eles estão longe, eles compram camisa, como que eles vão se aproximar dos clubes espanhóis? Pô, eu vou comprar uma camisa, vou comprar uma bandeira, vou comprar um short, vou comprar um chinelo, um casaco, um chaveirinho, uma caneta. Bom, é gastando. E com isso eles geram recursos para o clube. Então, eu acho que era natural para o Real Madrid dizer, olha, eu sou o todo.
Sim. Eu sou toda espanha.
Paulo Calçade também compara a diferença que o Barcelona teve em relação ao Real Madrid durante o franquismo e como o clube se tornou maior com essa representatividade catalã. E para o Barcelona, se o Barcelona assumiu, olha, eu sou parte, não sou o todo, represento este outro bloco aqui, minha identidade. Então tá bom, não vejo o Real Madrid. Até porque é o seguinte, se você tem...
Em Madrid, predominantemente, uma população que não é a favor da independência da Cataluña, e na Cataluña a maioria sim, não há porquê o Real Madrid defender ou a torcida, ou essas pessoas, ou os espanhóis defenderem essa fragmentação do país, se a visão deles é outra.
Então isso está no clube O clube falou, peraí, eu sou o representante da Espanha E é o maior time de futebol do mundo É o maior clube do mundo As pessoas gostam, eu não Não existe nada mais poderoso hoje Sem amanhã Hoje, que o Real Madrid Não tem nenhuma seleção maior que o Real Madrid E nenhum clube Isso não quer dizer que para ele ser o maior ele precisa ganhar todo dia
Não dá para ganhar nada. Mas é uma equipe que está sempre, nesses últimos anos, ela sempre está disputando para ganhar. E quando isso não acontece, tem ali uma crise, e aí a galera faz cortes e troca. Mas o Real Madrid, nessa trajetória dos últimos anos, de uma forma bem inteligente, eu diria, vai buscar aquilo que lhe interessa.
que é a sua representante maior da Espanha. Ele não está errado em tentar fazer isso. Aí é uma questão comercial, que a questão política interna deu de bandeja para ele.
Voltamos a falar com o PVC e perguntei se existiria uma rivalidade entre Real Madrid e Barcelona sem a presença do franquismo. Ele explica como a cidade de Barcelona cresceu depois dos anos 80. Eu acho que tem uma relação que é, as duas cidades mais importantes da Espanha são Madrid e Barcelona.
Então, como o Rio e São Paulo criam-se rivalidades, você provavelmente criaria uma rivalidade com o Barcelona e o Madrid. Mas o Barcelona é uma cidade que cresceu muito dos anos 80 para cá. Também. O Barcelona, se eu pegar a quantidade de títulos do Barcelona dos anos 40 para cá, 48, 49, 42, 43, 49, 60, 74, 85. E depois vem de Cruyff para cá.
Você não tem mais títulos do que tinha antes. É, eu tenho os quatro seguidos no final dos anos 80 pelo começo dos anos 90, né? É, ninguém tem um 92, 93 e 94, o Croix. Que é... Bem aqui uma resposta aos cinco seguidos da quinta da El Guido. É.
E aí o Real Madrid quebra com... É o famoso 5x0, né? É, tem dois 5x0, né? Já 8 de janeiro de 94, Barcelona 5, Real Madrid 0, que era a campanha do Tetra do Barcelona do Cruyff com o Romário. O Romário faz três gols. E 7 de janeiro de 95, exatamente um ano depois, quer dizer, 364 dias depois,
Real Madrid 5 para o segundo, que é o Real Madrid do Valdano, com Raul em campo, que o Zamorano faz três gols. Exatamente.
Vamos voltar a ouvir Paulo Calçade. Encerrei minha conversa com ele perguntando se evitam tocar nesse assunto em semanas de clássicos para não inflamar a rivalidade. É, e eu acho assim que os espanhóis, eles tomam até um bom cuidado, cara, que se você não tomar cuidado, você leva a pólvora para o clássico. E...
pode ser bem ruim. Tanto que, como eu citei, teve classe guardiado, com medo do que poderia acontecer na rua. Sim, né? Então, é preciso tomar cuidado para não jogar gasolina nesse fogo. Essa chama está sempre acesa. Essa chama nunca vai apagar. Porém...
Se você vai jogar gasolina nela ou não, aí é preciso tomar cuidado. El Madrid e Barcelona duelam há 123 anos. E poderíamos conversar sobre esse clássico por horas e horas. Mas vou encerrar por aqui o episódio Rivais Até a Morte e o podcast Futebol, Ditadura e Resistência.
Os clubes serão rivais por séculos e séculos e provavelmente voltaremos a falar das relações entre os dois com o franquismo. E este podcast estará aqui para esclarecer muitos fatos.
Por fim, quero lembrar a vocês que este podcast faz parte do meu TCC e conta com a orientação da professora Sheila Borges. O roteiro e o script foram feitos por mim, Hélder Enfio, a edição é de Everton Antônio e Renan Oliveira ficou responsável pelas artes.
Neste episódio, utilizei trechos de narrações da ESPN Brasil, Fox Sports e Esporte Interativo, hoje a TNT Sports. Como fonte de pesquisa do clássico, utilizamos o livro Almanac do Eu Clássico do autor Cláudio Dioria, que apresentou registros de todos os clássicos na história.
Antes de me despedir de vocês, queria agradecer a minha orientadora Sheila Borges por todo o apoio e suporte e aos jornalistas e ídolos Paulo Calçado e Paulo Vinícius Coelho, o PVC, por terem aceitado bater um papo sobre o futebol espanhol.
O podcast está disponível em todas as plataformas de áudio e nas redes sociais. Obrigado por terem escutado e foi um prazer. Tchau, tchau! Você acabou de escutar o segundo episódio do podcast. Futebol, ditadura e resistência.
Nele, foi apresentada a história da rivalidade entre Real Madrid e Barcelona durante a ditadura. Esta é a Rádio Cordel UFPE na Frequência da Grécia. Na produção e na atualização do site, Júlia Evelyn e Inácio de Carvalho.
Na edição, Jefferson Gonçalves e Daiane Nobre. Nas redes sociais e no design, Laura Rocha. A Cordel está nos principais agregadores de podcast. Também estamos no Instagram. Segue a gente lá. Arroba Rádio Cordel. Tudo junto. A trilha sonora é de Gael Villanova. A Cordel tem a coordenação dos professores Sheila Borges, Diego Gouveia e Ricardo Zaboya. Eu sou Julia Evelyn e fique ligado na nossa programação. Até a próxima. Tchau, tchau.