Episódios de Rádio Cordel UFPE: Na Frequência do Agreste

Do Futebol à Guerra - FUTEBOL, DITADURA E RESISTÊNCIA (Episódio 1)

05 de maio de 202631min
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O primeiro episódio de Futebol, ditadura e resistência, apresenta o resultado de uma pesquisa que investiga as relações entre o franquismo e o futebol espanhol, mostrando como o esporte foi utilizado como instrumento de propaganda durante a ditadura de Francisco Franco. O podcast narrativo imersivo de dois episódios, produzido por Helder Henfil no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Comunicação Social.

Participantes neste episódio5
H

Helder Henfil

HostProdutor
J

Júlia Evelyn

Host
B

Billy Barnes

ConvidadoTreinador
P

Paulo Calçade

ConvidadoJornalista
P

Paulo Vinícius Coelho

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Futebol e Ditadura na EspanhaGeneral Videla e a Copa de 1978 na Argentina · Futebol sem aversão a ditadores · Copa do Mundo em países com violação de direitos humanos · Copa do Mundo na Rússia e Catar · Influência estatal no futebol
  • Origens do futebolChegada do futebol através dos portos · Primeira partida em Minas de Rio Tinto · Fundação do Athletic Club Bilbao · Fundação do Futebol Clube Barcelona · Fundação do Real Madrid · Criação da Copa do Rei · Construção do estádio San Mamés
  • O papel do Real Madrid e Barcelona no FranquismoAscensão do clube durante a ditadura · Rivalidade com o Barcelona · Apoio ou aceitação do regime
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Sabe como o futebol chegou na Espanha? Ou qual a relação da Guerra Civil Espanhola e do regime do ditador Francisco Franco com os maiores clubes do país? Acompanhe a nova parceria da Rádio Cordel, o FPE. O podcast de futebol...

Ditadura e Resistência. Este projeto parceiro foi o trabalho de conclusão do curso de comunicação social de Alder Enfio. O curso de comunicação social faz parte do Centro Acadêmico do Agreste, o campus da Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru. Eu sou Júlia Evelyn e estou aqui para apresentar Futebol, Ditadura e Resistência. Um podcast narrativo imersivo sobre as relações entre a ditadura de Francisco Franco e o futebol espanhol.

Neste primeiro episódio da Guerra ao Futebol, você vai conhecer a Guerra Civil Espanhola e as principais interferências da ditadura de Franco no futebol. Coloque o fone de ouvido e volte comigo e com o Adorentville para o final do século XIX e início do século XX para entender onde tudo começou.

Conheci o Real Madrid em 2009, quando Cristiano Ronaldo foi jogar no clube espanhol. De lá pra cá, me apaixonei pelo clube e pelo futebol jogado no país ibérico. Neste programa, vou contar para vocês, diretamente do Agreste de Pernambuco, como o futebol chegou na Espanha e também vou explicar como a Guerra Civil Espanhola e o regime do ditador Francisco Franco influenciaram nos clubes do país.

Este podcast faz parte do trabalho de conclusão de curso TCC de Comunicação Social vinculado ao núcleo de Design e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru. Ele tem a orientação da professora Sheila Borges.

Eu sou Hélder Enfio e vou levar você para uma viagem até o final do século XIX e início do século XX. Coloque o fone de ouvido e venha escutar o podcast Futebol, Ditadura e Resistência.

Do futebol à guerra é o nome deste primeiro episódio. O futebol foi se espalhando pela Europa através dos portos. Os ingleses levavam esta prática esportiva, inventada por eles, para os lugares onde iam trabalhar. Na Espanha...

não foi diferente. De acordo com o livro A Pirâmide Invertida, a primeira partida de futebol disputada na Espanha ocorreu em 1887. A partida foi disputada em um assentamento de mineradores no município conhecido como Minas de Rio Tinto, na província de Cuelva, ao sudoeste da Espanha. E aos poucos, o futebol foi crescendo naquele país.

Ainda sob a influência dos ingleses, os clubes Athletic Club Bilbao e Futebol Clube Barcelona foram fundados, por exemplo, com os nomes em inglês. O clube catalão foi fundado pelo suíço Hans Gamper em 1899, já o Bilbao em 1898 com a junção de dois clubes da cidade e um deles formado por ingleses que trabalhavam lá.

futebol vinha crescendo na Espanha, com times em cidades como Rijón, Tarragona, Madrid e Huelva, cidade próxima ao assentamento de mineradores que ocorreu o primeiro jogo oficial no país.

Em 1902, o Real Madrid é fundado e com a popularização do esporte, o rei Alfonso XIII criou a Copa do Rei da Espanha, competição que é disputada até os dias atuais. O futebol estava em fase de consolidação na Espanha.

E em 1913 foi construído o San Mames, primeiro estágio espanhol e que hoje é a casa do Athletic Club de Bilbao. O clube foi a primeira potência do esporte espanhol. O sucesso do time foi baseado na sua personalidade e forma de jogar parecida com os ingleses, quando o vigor físico era a principal característica.

O treinador inglês Billy Barnes foi responsável por implementar essa metodologia no clube. Barnes foi treinador do Bilbao entre 1914 e 1916, mas precisou voltar para a Inglaterra para servir na Primeira Guerra Mundial. Ele retornou ao clube em 1920.

Menos de um mês da volta de Barnes, a seleção espanhola foi para Antuérpia, na Bélgica, para disputar as Olimpíadas de 1920. Nesse retorno ao Bilbao, Barnes comentou, abre aspas, O futebol básico progrediu muito desde que estive aqui pela última vez. Antes era um jogo paciente, lento, de passes curtos, elegante para ser visto, mas nada prático, ao estilo escoces.

Eu introduzi um jogo rápido e de passes longos no Athletic, em que a bola ia de um lado para o outro com jogadores rápidos no meio, capazes de marcar gols. Hoje a maioria dos clubes tendem a jogar dessa forma, mas o Athletic parece ter perdido o jeito. Fecha aspas. Declarou o treinador na sua volta. Nesse jogo, também nasceu o mito da fúria espanhola.

Com jogo brusco e enérgico, alguns jornais belgas e holandeses utilizaram o termo fúria de forma pejorativa para relembrar as identidades nacionais do país. Era uma clara lembrança da invasão espanhola na Antuérpia em 1576.

O jornalista espanhol Manolo de Castro, que usava o pseudônimo de handicap, se referiu ao gol de Belalc como um gol heroico, devido a ferocidade e força que os espanhóis utilizaram para marcar aquele gol. A força, virilidade e paixão foram termos usados por Manolo de Castro para definir o estilo espanhol.

O público, satisfeito com a medalha de prata, aceitou o termo, mas ele só seria consolidado em 1924. Na Espanha, também existia críticas ao mito da fúria espanhola, pois se acreditava que a força excessiva não era o estilo ideal de jogar futebol. Nos anos de consolidação do mito, o país era governado pelo ditador.

Primo de Rivera. Ele assumiu a Espanha em 1923 após um golpe de estado e governou até 1930. Nos seus anos de governo, o futebol, a tourada e as romarias se tornaram expressões nacionais.

Em 1929, a Espanha venceu a Inglaterra por 4 a 3 no estádio metropolitano de Madrid e muitos jornais atribuíram a vitória, a valentia e coragem dos jogadores. Naquele mesmo ano, a Federação Espanhola criou o Campeonato Espanhol, hoje conhecido como La Liga.

O futebol foi se consolidando na Espanha durante os anos de 1930. O mito da fúria espanhola também foi usado na Segunda República, governo este que antecedeu a Guerra Civil. Em 1934, a seleção espanhola participou da segunda edição da Copa do Mundo na Itália.

A participação do time espanhol terminou nas quartas de finais, quando perdeu para a Itália por 1x0 em um jogo marcado por um gol mal anulado dos espanhóis.

O fracasso espanhol não impediu o discurso de heroísmo relacionado à fúria. A derrota do país foi vinculada aos erros de arbitragem e a uma influência de Mussolini, ditador italiano no começo dos anos de 1930. Dois anos depois da Copa do Mundo, o futebol foi paralisado no país.

Em julho de 1936, os militares liderados por Francisco Franco declaram guerra civil. Os rebeldes não tiveram apoio unânime e assim se iniciou os confrontos no país. As tropas rebeldes vieram descendo do Marrocos para conquistar a Espanha. Vale lembrar que o país africano pertenceu à Espanha até 1956.

Os militares foram tomando partes do território espanhol, mas fracassaram na tentativa de conquistar Madrid. Houve três tentativas de tomada da capital espanhola entre o fim de 1936 e o início de 1937.

Com essas pequenas derrotas contra os republicanos, os rebeldes tiveram que alterar a metodologia de ataque. Em 1937, os rebeldes passaram a ter apoio dos italianos e dos alemães. Dessa vez...

O foco era atacar as regiões do País Basco e das Astúrias. Entre esses ataques, houve o bombardeio à cidade de Guernica, cidade basca. O bombardeio ficou famoso pelo quadro do pintor Pablo Picasso.

Aos poucos, os rebeldes iam tomando as regiões mais importantes da Espanha. Os republicanos resistiram graças ao apoio dos soviéticos. Mas a força militar de Franco prevalecia.

Franco e seus aliados ganhavam a cada dia mais territórios, mas ainda faltava a região da Catalunha. Os catalães resistiram até 28 de janeiro de 1939. Em 28 de março do mesmo ano, Francisco Franco declarava o fim da guerra e começo do seu regime.

o funcionamento de todas as capacidades e energias do país, em que dentro da unidade nacional, o trabalho, estimado como o mais ineludible dos deveres, será o único exponente da vontade popular. E, mercez a ele, poderá manifestar o sentimento do povo espanhol.

através de aqueles órgãos naturais que, como a família, o município, a associação e a corporação, farão cristalizar em realidade nosso ideal supremo. O futebol espanhol ficou paralisado durante o conflito, mas as identidades regionais relacionadas ao futebol já eram fortes. Os torcedores se conectavam com as seleções regionais e com a seleção nacional.

Perto do fim da Guerra Civil, o general José Moscardó foi nomeado chefe da Delegación Nacional de Deportes, a DND, o órgão responsável pelo futebol espanhol durante o franquismo. Conversei com o jornalista Paulo Calçade sobre a interferência do franquismo no futebol espanhol, mas antes de entender toda essa história, conheça mais sobre Paulo Calçade.

Eu comecei na ESPN em 1994, quando começou, na verdade, TVA Esportes. E a ESPN, a partir de junho, 17 de junho de 1995, ESPN mesmo, foi quando eu comecei a comentar futebol, eu não comentava futebol. Eu fui como repórter inicialmente, e aí em 1995...

surgiu a oportunidade da gente, na ESPN, passar um VT de um jogo do Campeonato Espanhol às quintas-feiras. Então, o que acontecia? Chegava ali, a gente sonorizava, geralmente na quinta-feira, mais cedo, um jogo que tinha acontecido no final de semana. Aí eu comprava, eu assinava a revista Dom Balom, porque estamos falando de outros tempos, né?

E a Dom Balon conseguia chegar em casa na quarta-feira. Bom, então na quarta-feira eu tinha informações daquele jogo que eu ia fazer.

na quinta e ajudava profundamente. Foi ali que eu me aproximei bastante do futebol espanhol, do dia a dia do futebol espanhol. Então, desde então, sim, a gente tem uma proximidade um pouco maior com as equipes da Espanha e a Liga Espanhola. Antes de falarmos sobre a interferência direta do Estado franquista no futebol, peraí que vou tomar uma água.

Paulo, como foram as interferências do franquismo no futebol espanhol? Então essa federalização da Espanha é sempre muito difícil. E aí sim está na raiz do franquismo. A ideia do franquismo... O futebol espanhol se desenvolveu sem o Estado. Com as instituições. Quando vem o franquismo...

depois, lá em 1939, o que eles fizeram? O seguinte, gente, o Estado vai dominar o esporte espanhol. Então, aquilo que crescia naturalmente pelas instituições, passou a ser administrado pelo Estado. Inclusive, com a intermediação, para falar uma palavra bem suave, da falange, que era o partido.

de sustentação do Franco. Então, era como se aquele partido fosse o intermediário dessas ações. Era um negócio maluco. Mas não para os dias de hoje, a gente também encontra vários exemplos espalhados pelo mundo do Estado querendo se apoderar.

do jogo, do futebol. E no caso da Espanha, havia esse interesse. Espera aí, isso aqui está solto? Não. Agora o Estado vai controlar. E quando o Estado controla, o Estado também está de olho nas questões políticas, que é, ao controlar o Barcelona, eu controlo a voz separatista da Cataluña. Porque o Barcelona Clube era uma voz.

Era uma forma de expressão no campo. Carl Sade ainda me conta sobre uma história de como começaram a chamar os árbitros espanhóis pelo sobrenome. Tanto tem um caso bem legal, uma coisa que você pode até buscar. Saiu, acho que não é o país, um tempo atrás. Os árbitros na Espanha, se eu olho os árbitros, eles têm os dois sobrenomes só.

Quando você olha o nome, não aparece o nome todo. Só aparece o sobrenome do artigo. De Burgos Bengocheia. E cadê o nome dele? Porque na época do Franco, tinha um Franco e os caras ficavam indo pro estádio xingar o Franco.

árbitro, mas obviamente era uma sacanagem. Franco, cabrão, ele manda Franco para aquele lugar. Aí eles mudaram a forma de se colocar na mídia o nome dos árbitros para tentar atenuar essa questão do povo xingar o Franco. Aí era Franco alguma coisa, e tiraram o primeiro número. Coisa assim que você fala, não acredito que isso mais aconteceu. Então,

É muito interessante. E aí, essa ditadura espanhola tenta calar o Barcelona. Então, eles tentam mudar e conseguem mudar o escudo, mudar o nome, mudar os símbolos do clube e símbolos que são identificados com a cultura catalã. Ao interferir nisso, você interfere em uma série de coisas. Se proibir falar catalão...

Você vai lá e tira identidades de um povo. A Espanha é muito menor que o Brasil, mas muito menor, e ela é, cara...

muito regionalizado. A gente acabou de ouvir a entrevista que fiz com o jornalista Paulo Calçade. Conversei também com Paulo Vinícius Coelho, ou PVC, sobre as interferências diretas do franquismo no futebol espanhol. Para quem não conhece, PVC é um dos maiores jornalistas esportivos do Brasil e muito famoso por ser um historiador do futebol. Ele traz um trecho do livro La Roja.

Esse livro aqui, eu até peguei agora porque a gente ia falar sobre isso, tá? Esse livro chama La Roja. É um livro em inglês. Eu não sei onde eu comprei ele. Acho que foi em Londres. How Soccer Conquered Espanha and How Spani Soccer Conquered Hoje. Como o futebol conquistou a Espanha e o futebol espanhol conquistou o mundo. Aqui, quando chega na Guerra Civil,

Capítulo 14, página 119, tem um capítulo que chama Franco Rules, as regras de Franco. E aí ele começa a contar algumas coisas sobre, por exemplo... Cadê meu óculos? Estou ficando velho. Não, mas isso aí é um problema geral. Eu estou quase... Estou nesse leque assim, sem conseguir ler também. Ele fala que Franco criou um super ministério do esporte. Cadê a ND?

ligado à Federação Espanhola com José Moscardó, um dos oficiais mais reais da França. E que isso, na sequência, Moscardó fez voltar alguns valores e cantos importantes, como Arriba Espanha e Viva Franco.

E devolveu o mito da fúria espanhola. Fez questão de revitalizar o mito da fúria espanhola. Porque era um movimento nacionalista. O que os grandes ditadores, os grandes movimentos nacionalistas de direita e mesmo de esquerda fazem? Eles capturam símbolos nacionais. Qual é o nome do partido? A história que aconteceu no Brasil com a camisa amarela? Você não podia usar a camisa amarela sem ser confundido com o bolsonarista?

O PVC trouxe esse paralelo entre o sequestro da camisa amarela da seleção brasileira e a utilização da primeira frase do hino da Itália por um partido para fazer paralelos com a Espanha. Vamos seguir ouvindo o PVC falar sobre essa comparação.

Mas a camisa amarela é um símbolo do Brasil. Sim. Ele não é um símbolo da direita. Exatamente, mas... A camisa amarela, o amarelo, foi símbolo do movimento da direita já. Sim. Como assim eu não posso usar amarelo? Eu sou brasileiro, pô. E você pega o caso da Meloni hoje. Qual é o nome do partido da Meloni na Itália?

É Fratelli de Itália. Fratelli de Itália é a primeira frase do hino da Itália. Fratelli de Itália. Você não pode cantar o hino da Itália porque você vai ser confundido com o partido da Meloni? E o que o Franco fez foi a mesma coisa, ele capturou o futebol. Logo depois de nos explicar como as ditaduras usam os símbolos nacionais, PVC nos conta sobre o ressurgimento do mito da fúria espanhola.

Só que da Espanha tinha algumas questões mais relevantes. Ele traz de volta o mito da fúria espanhola. Beláustegui. Eu esqueci o nome do cara que fez o Google, do Sueste, meu Deus. Eita, acho que é Beláustegui. É Beláustegui. É, acho que é Beláustegui. Espanha versus... Beláustegui, é isso aí. Diego Buenys Beláustegui.

e ele captura isso de volta. Só que ali havia outras questões, né? Como, por exemplo, os movimentos da Catalunya, do País Basco, que tinham o Atlético Bilbao, veja, o Atlético Bilbao não era Atlético Bilbao como voltou a ser, por causa do idioma basco.

Ele era vivo e falava por inglês. Sim. Mas aí o cara vai lá e fala assim, não, não. Somos nacionalistas. Vai ser... Vai ser atlético.

O BBC comenta sobre as mudanças que os clubes tiveram que realizar em seus nomes e relata o caso do Espanhol que só fez alteração após 20 anos do fim do regime. Tem uma coisa que acontece muito tempo depois, que é só em 1995, quando o Espanhol muda a grafia do seu nome para Espanhol. Só em 1995 aconteceu isso. O Espanhol poderia ter sido o Real Clube Deportivo Espanhol a vida inteira.

E um dia resolveu virar, escreveu o nome em Vasco. O Barcelona tinha muito mais essa identidade com o movimento de oposição e com o movimento catalão.

Depois que volta, né? Essa é o Futebol Clube Barcelona. Exatamente. E aí você tem a questão das grafias dos clubes, da inibição do idioma básico e catalão. Tudo isso era movimento nacionalista. Era um movimento de nacional fascismo. Era isso que amudecia.

E uma das coisas que ficaram, porque por exemplo, a partir de 1939 até 1947, Moscardó fez prevalecer a camisa azul da seleção da Espanha. E incrivelmente, claro que a bandeira da Espanha continua sendo vermelha e amarela, mas tinha o símbolo do franquismo. Mas tinha o símbolo do franquismo. E tinha a letra do hino, que depois desaparece.

Mas assim, a primeira continua sendo vermelha e amarela, então em 1947 o próprio Márcio Pescaro captula e faz a Espanha voltar a jogar de camisa vermelha, mas o azul fica com uma segunda cor.

Ele destaca como o general Moscardó voltou atrás de algumas decisões, mas nos explica como a camisa azul, que era a principal no começo do regime, se tornou histórica após conquistas espanholas depois desses anos.

Desculpa. Que é também a ideia de fugir dos movimentos nazistas, do fascismo na Itália. Então quis dar essa repaginada porque as outras acabaram, mas é na Espanha não. É, mas assim, tem coisas que você acaba...

Você passa geração para geração. Então, o cara que viu a camisa... O cara que tinha 10 anos, em 1941, e viu a Espanha jogando de azul, cria uma relação com a camisa azul, que não é com o franquismo, que é com a camisa azul. E aí você vai ter, anos depois, em 64, ainda doendo de franquismo, a Espanha campeã da Europa, jogando contra a União Soviética, e joga de azul, a camisa azul acaba se incorporando.

E tanto que em 2010, quando a Espanha veste azul como o uniforme número 2, nos anos 80 a Espanha teve o uniforme azul como o uniforme número 2, mas teve a camisa branca como o uniforme número 2, e o branco também não é, a camisa 2 da Espanha podia ser amarela, podia ser dourada, mas teve a camisa branca como o uniforme número 2,

mas voltou com o uniforme azul da Lecox Sportif nos anos 80, e depois teve o uniforme azul voltando nos anos 2009 e 2010, e acabou coincidindo de jogar a final da Copa do Mundo, que venceu contra a Holanda, e por isso teve que mudar de uniforme, o uniforme em dois anos era o branco, era o azul, e foi campeão da cor do Franco.

Sem ninguém notar. Não é que ninguém tenha notado, mas ninguém notou, porque o azul não era mais franquismo. Até porque o governo nacionalista não tinha o azul como sua cor. Tinha a falange espanhola que usava o azul como sua cor. Depois de conversar com o PVC sobre as interferências do franquismo no futebol espanhol, volto a dialogar com Calçade sobre como o futebol nunca se posicionou contra as ditaduras.

Argentina e Peru em 78, o general Videla foi para o vestiário do Peru desejar boa sorte.

Sim, é. Em plena ditadura argentina, matando gente na escola dela armada, lá da marinha e tal, e mandando ver. Então você tinha aqui a estrutura do gente, que o general, dentro do vestiário do adversário, que precisava levar uma goleada, o general foi lá só pra desejar boa sorte. É, fui lá.

E o futebol, cara O futebol não tem aversão A ditadores Nunca teve Se o futebol tivesse aversão A desrespeito De direitos humanos Talvez não

Seguinte, só vai ter Copa do Mundo Em países que respeitam os direitos humanos Bom, aí ia ser difícil ter Copa do Mundo Em alguns lugares No Brasil talvez a Copa não tivesse existido aqui Não tivesse ido pra Rússia Pô, imagina a Rússia Ou não tinha atacado opositores Sumindo com eles No Catar A Arábia Saudita agora em 34 E eu não estou dizendo no Catar porque proibiu bebida Mas a relação com A nossa visão ocidental Que não...

E tá tudo bem, cara, né? O que que faz a Pifa? Você pagou a conta? Pagou. Você recebe a Copa? Não tô nem aí. Isso é em 2025. Imaginem em 1978, 1950, né? 1978, na Copa da Argentina, né? Argentina em plena ditadura, ganhou uma Copa. 34 na Itália, né? Lavada na imagem e fazer o que fez, né? A Argentina.

O Estado argentino entrou com as botas dentro de campo. Pode jogar a Copa, Ju.

Isso não há a menor dúvida disso. É, então, eu acho, eu fiquei com muito dessa... A história do futebol dialoga com diversas ditaduras ao longo do tempo, como explica Calçado. Ele finaliza essa parte da entrevista nos contando como o franquismo mudou para sempre a história do futebol espanhol e quis acabar com o regionalismo no país. A ideia da ditadura em si...

ditadura, e no caso específico do franquilo, acabar com as identidades regionais, locais. E aí, como qualquer ditadura, eles vão lá e enfiam as quatro empatas. Mudar nome de clube, não pode falar catalão, ou queriam mudar até a camisa, como eu te falei. Queriam mudar a camisa no Barcelona, que o Barcelona chamasse Espanha.

Então, você pega e você faz aquilo que está pronto. Isso aqui eu tenho dificuldade. Eu não vou mostrar isso. Eu vou mostrar aquilo que me interessa. E nesse caso, dá para dizer que o Real Madrid não foi beneficiado. Não, sim. Eu estou dizendo assim que ele não tem, se ele apoiou ou não, uma outra coisa. Ele foi o escolhido. Ele aceitou ali. No momento que o Stéfano chega que é a mudança do clube.

Ele aceita. Ah, tá tudo certo. Tá bom, vai. Você fez o zumbi. É muito as identidades locais. Calçade finalizou comentando sobre a relação do Real Madrid com o regime de Franco. A ditadura do general durou 36 anos e nesse período o clube da capital se tornou o maior do país.

No próximo episódio, iremos entrar detalhadamente na história do clube durante os anos do franquismo e a rivalidade com o Barcelona. Neste episódio, contamos com a participação dos jornalistas Paulo Calçade e Paulo Vinícius Coelho, o PVC. Também contei com a colaboração de Alisson Félix para fazer a voz do treinador Billy Barnes.

O roteiro foi feito por mim, Hélder Enfio, Everton Antônio ficou encarregado da edição do episódio e Renan Oliveira foi responsável pelas artes. Os livros Futebol e Franquismo, A Pirâmide Invertida e Goles e Bandeiras, Futebol e Identidades Nacionais em Espanha foram utilizados como fonte de pesquisa para este podcast.

Este foi o Do Futebol à Guerra, o primeiro episódio do podcast Futebol, Ditadura e Resistência. Obrigado por nos escutar e até o próximo episódio. Você acabou de escutar o episódio da Guerra ao Futebol. Nele, viajamos no tempo para entender como o regime de Franco e a Guerra Civil Espanhola interferiram no futebol.

Esta é a Rádio Cordel UFPE na frequência do Agreste. Na produção e atualização do site, Julia Evelyn e Inésio de Carvalho. Na edição, Jefferson Gonçalves e Daiane Nobre. Nas redes sociais e no design, Laura Rocha. A Cordel está nos principais agregadores de podcast. Também estamos no Instagram. Segue a gente lá, arroba a Rádio Cordel, tudo junto. A trilha sonora é de Gael Villanova.

A Cordel tem a coordenação dos professores Sheila Borges, Diego Gouveia e Ricardo Saboia. Eu sou Julia Evelyn e fique ligado na nossa programação. Até a próxima, tchau, tchau!