Episódios de LBC-Cast

Temp. 04 | Ep 3: Compliance e sua aplicação no contexto corporativo

24 de abril de 202657min
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Matheus Cunha, Sócio e Diretor Acadêmico na LEC e Raphael Perillo, Sócio da LBCA, se reúnem para debater a evolução do compliance, seus impactos nas empresas e o papel estratégico dos profissionais na construção de uma cultura de integridade.

Participantes neste episódio2
R

Raphael Perillo

Co-hostSócio da LBCA
M

Matheus Cunha

ConvidadoSócio e Diretor Acadêmico na LEC
Assuntos4
  • Desafios do ComplianceImpactos do compliance nas empresas · Cultura de integridade
  • Experiência no complianceTrajetória de Matheus Cunha · Formação de Compliance Officer
  • Compliance e tecnologiaInteligência artificial no compliance · Riscos da IA
  • Futuro do complianceOportunidades e riscos · Educação contínua
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Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo ao LBCCast, o podcast da LBCA. Eu sou Rafael Perillo, sócio da LBCA, e hoje estou aqui representando e substituindo o nosso host, Ricardo Freitas, com o meu amigo e convidado, Matheus Cunha.

sócio-diretor da LEC, para a gente bater um papo sobre um tema que está muito em alta, que é a compliance. Sempre esteve, mas hoje, principalmente com o que a gente tem visto aí no nosso dia a dia, tem sido um tema muito bem falado, um tema que tem gerado muita preocupação por parte das empresas. E eu passo a palavra para ele, Matheus. Bem-vindo ao LBC Cash, é uma honra e um prazer ter você aqui, meu amigo, e também uma referência na área do compliance para todos nós.

Que isso, Rafa. Ainda bem que você já declarou o conflito, né? Já falou que nós somos amigos. Então, quando ele fala que eu sou referência, vocês já podem tirar aí 70% dessa avaliação, porque isso está sendo feito com base na amizade. Mas eu estou muito feliz de estar aqui. É um escritório que eu admiro bastante. Fiquei muito feliz quando você foi convidado para integrar a banca, ser sócio desse escritório.

É, inclusive, o escritório da LEC, em partes tributárias. Então, a gente tem muita confiança no trabalho de vocês. E parabéns também por essa iniciativa. Eu acho que, pensando no futuro da advocacia e do quão é importante a gente inserir a advocacia no contexto social, iniciativas como essa são fundamentais para a gente ultrapassar a barreira física do escritório e levar temas de referência e assuntos tão importantes para além do universo jurídico, além dos advogados e advogadas,

mas também para a sociedade em geral. Estou muito feliz de estar por aqui hoje. Nós que ficamos muito contentes, Matheus, e eu lembro com muito carinho quando eu fiz essa... Eu assumi, quando eu registrei para o mercado, o meu retorno na LBSA, você foi, me mandou uma mensagem, comentou ali no post que eu fiz. Então, eu lembro com muito carinho também essa parabenização e é uma honra ter você aqui.

Matheus, para a gente começar aqui o nosso bate-papo, eu queria que você contasse um pouquinho da sua experiência, um pouquinho de como você começou no Compliance, para falar para os nossos telespectadores como é esse mundo, o que te trouxe para o mundo do Compliance, apesar de eu já ter sido seu aluno também, já saber um pouco dessa história, eu acho que é uma história que vai motivar e vai inspirar outras pessoas a seguirem esse caminho tão brilhante que é o do Compliance.

Bom, Rafa, eu sou advogado de formação, eu acho que trazendo até um pouco dos números da LEC, mais ou menos hoje 50% dos nossos alunos, de forma geral, estudos que a gente faz ao início de cada turma, são advogados de formação. Esse número já foi muito maior.

Já foi um mercado absolutamente predominante de advogados. Mas eu era sócio de um escritório de advocacia, advogava para empresas multinacionais e eu era responsável pela área do contencioso estratégico para a região central do Brasil. Então, eu era responsável por prazos, audiências e gestão da carteira de forma geral.

E eu já havia demonstrado para os meus sócios a minha insatisfação, de ser o responsável por essa área, pela demanda repetitiva. Eu sou um cara mais criativo, um cara que gosta de trabalhar mais com projetos específicos. E fazer esse trabalho repetido me trazia muita frustração.

Essa atuação em processos estratégicos, e quem está na advocacia sabe que a gente estuda, se deita sobre o processo para poder buscar ali o melhor argumento de defesa, o mais atual. E vinha a decisão judicial, não falava nada com nada, a gente apresentava o recurso, o tribunal a mesma coisa. Então isso me trazia uma frustração muito grande.

E eu, depois de muito tempo, eu identifiquei que, na verdade, eu não tinha um senso de propósito. Eu não conseguia conciliar o meu propósito pessoal com o meu propósito profissional. Mas naquela época, eu ainda não tinha essa leitura de mundo.

E isso era materializado por uma frustração muito grande. E eu falei, cara, quero mudar de área, não quero mais tocar essa responsabilidade. E aí, batendo um papo muito franco com um sócio sênior do escritório, tinha sido advogado do Walmart, diretor jurídico do Walmart, uma pessoa com uma vivência internacional, uma bagagem muito grande.

ele falou, Matheus, você tem um perfil para poder trabalhar com compliance. Aí eu falei, sério? Ele, sério. Aí eu falei, o que é compliance? Não faço ideia. Isso era mais ou menos 2012, sabe? E no começo. E ele falou, cara, lembra aquele questionário que a gente responde dos nossos clientes perguntando se algum sócio do escritório...

que já respondeu o processo por corrupção, que fala que a gente tem que assinar o código de conduta do cliente. Eu lembrava, a gente atendia ali algumas multinacionais, e eu falei, então, isso é um pedacinho do programa de compliance do nosso cliente, que chega até nós, como prestadores de serviço, porque nós representamos um risco para eles, e eles precisam, então, se garantir em relação a algumas responsabilidades. Eu acho que você deveria estudar mais sobre o assunto.

E aquilo abriu minha cabeça. Eu falei, cara, existe um mundo dentro desse universo que vai além do tributário, trabalhista, ambiental, o direito tradicional, clássico. Eu falei, cara, vou estudar esse negócio. E aí eu fiz alguns cursos. Eu brinco que passei por alguns estelionatos educacionais, porque muito pouco tinha sobre o tema no Brasil. Então, muitas pessoas se aventuravam ali em tentar ser pioneiros no assunto.

E foi nesse momento que eu conheci a LEC. Eu fiz um curso de formação de Compliance Officer na LEC. E foi um curso que, de fato, mudou a minha vida.

Porque, primeiro, eu tive contato com profissionais que já trabalhavam com compliance. E eram muito poucos. Então, basicamente, a LEC conseguiu reunir, num curso, os principais players, os principais profissionais que trabalhavam ou em grandes consultorias, como o Big Four, ou em housing, principalmente para empresas multinacionais, que já tinham seus programas de compliance implementados.

e trouxeram essas pessoas para dentro de sala de aula para ensinar para a gente o que era compliance e como fazer. Então, foi um curso muito bacana do ponto de vista de conteúdo, muito prático, de trazer essa vivência, e ali eu já saía cheio de ideias, a cada aula eu já saía cheio de ideias de como trazer isso para o portfólio do escritório. Mas eu acho que o que mudou mesmo a minha vida foi esse acesso a essas pessoas.

essa oportunidade de ter ali um relacionamento muito próximo com essas pessoas. Porque o propósito da LEC sempre foi baseado num senso de comunidade. Ali era uma comunidade ainda muito pequena, mas sempre todo mundo muito aberto e acessível para a gente poder discutir e trocar ideias. Eu lembro que em determinado momento eu falei, cara, eu quero ir embora do Brasil, eu quero trabalhar com isso.

E estava disposto mesmo a sair do escritório, botar a mochila nas costas e ir para onde for, fora do Brasil, porque aqui ainda era tudo muito incipiente, para trabalhar com compliance. E aí esses professores me seguraram e falaram assim, cara, calma.

A hora que vai chegar, calma, e está quase. Porque ali era 24, então saiu a lei de corrupção, logo na sequência, operação Lava Jato, regulamentação da lei de corrupção, os primeiros acordos de leniência, grandes empresas envolvidas, e essa pressão política, econômica e social muito grande ao redor do tema de compliance, que eu julgo que foi a grande mola propulsora do tema, do assunto no Brasil.

Ao ponto de hoje, tendo uma experiência multinacional, já lecionei, por exemplo, em universidades fora do Brasil, e muitas delas fazendo essa parte de análise comparada, de sentar ao lado de players internacionais que a gente tem como referência e de expor a nossa maturidade hoje no Brasil, as pessoas olharem e falarem assim, nossa, o Brasil está muito à nossa frente.

E eu não estou falando de, com todo respeito, Paraguai, Bolívia. Estou falando de Alemanha, França, da própria Inglaterra. Então, é muito bacana a gente ver hoje que compliance se tornou uma realidade nas empresas, também no setor público. E que eu tive a oportunidade de, de alguma maneira, estar ali no começo. E começar a minha carreira junto com essa grande mudança.

Você é referência, Matheus, e um ponto que você traz sobre a questão do programa, da existência desse programa de compliance. Mas ainda há pessoas, há gestores, há diretores que entendem que o compliance é fachada, que o compliance é aquele gasto.

O que você diz para essas pessoas? E, principal, o que você diz para os profissionais de compliance? Como a gente deve se portar, reagir, para essas pessoas que trazem e veem um compliance, ainda como algo não estratégico, como um gasto que precisa ter para mostrar para um conselho, para mostrar para o mercado? O que você diria para essas pessoas?

Primeiro, eu vou trazer alguns dados aqui, Rafa, para mostrar que a gente ainda tem um caminho longo pela frente. Legal. Segundo dados do Data Sebrae, que é uma base de dados do Sebrae voltada para MPS, micro e pequenas empresas, 99% dos CNPJs de natureza empresária devidamente constituídos no Brasil são considerados como pequenos negócios. Ou seja, nós estamos falando de empresa ou unipessoal,

ou microempresa, ou IPP, empresa de pequeno porte, que fatura até 4,8 milhões a cada 12 meses. 99%. Se nós temos uma base de 5 milhões, nós somos quase 5 milhões de pequenos negócios. Se eu for chutar um número...

O Sebrae tem esse número mais atualizado que eu, mas eu diria que 90% não tem um programa de compliance implementado. Desses 10% que tem, eles têm uma parte. Um código de conduta, um canal de denúncia, um treinamento.

Então, chegar na base da economia, porque o pequeno negócio representa quase 30% do PIB no Brasil, ainda é uma missão muito grande. Geograficamente, ainda a gente tem barreiras que são importantes. Eu tive uma experiência muito grande. As pessoas acham que eu sou matogrossense. Eu não sou. Eu sou mineiro, sou de BH. É verdade. Mas morei bastante tempo no Mato Grosso.

E tomando a realidade ali da região, as maiores empresas da região são empresas do agro. Você pega ali duas ou três que são referências, porque são multinacionais, já segmentaram, por exemplo, para mercados regulados, como instituições financeiras e meios de pagamento, essas têm os seus programas de compliance. Agora, tem muita empresa grande, que é negócio consolidado, que não tem um programa de compliance.

Então, a gente ainda tem um trabalho muito grande de romper essa barreira do conhecimento desses empresários, de pequeno, médio, mas também de grande porte, entenderem o que é um programa de compliance, o quanto isso é importante e como isso impacta positivamente a governança da organização e os rumos estratégicos que ela vai tomar. Agora, daquelas empresas que já têm, eu dividiria que hoje são dois caminhos.

Aquelas empresas que fizeram um trabalho espontâneo, porque a alta administração, os sócios da companhia, os acionistas, enfim, o conselho, enxergaram.

que ter um programa de compliance, trabalhar uma questão de integridade corporativa é uma pauta prioritária. Ou seja, isso é um valor para a minha organização e eu não abro mão. Então, integridade é uma conduta esperada pelos meus colaboradores, pelos meus terceiros e muitas empresas até pelos meus clientes, porque se não for um cliente que comunga dos meus valores, eu prefiro não me relacionar.

E eu acho que essa é uma agenda que é inegociável para esse tipo de empresa. Agora, a gente tem um outro grupo de empresas que foram tomadas pelo medo. Numa época em que você tinha Sérgio Moro, o japonês da Federal e o Cavaleiro do Apocalipse, implementar um programa de compliance era uma questão de sobrevivência. Então, isso é culpa de muitos próprios profissionais de compliance, de tentar convencer pelo medo.

de que, se você não fizer, o japonês da Federal pode vir aqui amanhã e te prender, faz com que, num cenário de hoje, em que a agenda de integridade, a agenda política econômica brasileira, e até global, se a gente olhar os riscos geopolíticos atuais, não é uma prioridade, isso faz com que esse discurso se desconstrua.

Porque foi pautado no medo. Enquanto o medo está próximo, você é ativo. E quando o medo se afasta...

você entende que aquilo não é desnecessário. Então, para quem faz hoje como princípio, até nos momentos de dificuldade, é resiliência e plasticidade para passar por qualquer adversidade que venha, porque o seu negócio é um negócio sustentável de longo prazo e que momentos de difícil valorização dessa pauta...

vão passar. E que eu acredito que a vida é feita de ciclos e que, em determinado momento, a agenda de integridade das pautas ISD voltem a ser economicamente uma prioridade. Agora, para quem já fez e está desconstruindo o trabalho, é falar de tomar cuidado.

porque a lei está vigente. Não é porque a gente tem uma repressão intensa, não temos uma repressão intensa, um enforcement hoje ativo, que a lei foi revogada. E, geralmente, essas prescrições são muito longas.

então, cuidado com o que está acontecendo agora, porque você desconstrói a agenda e a mensagem que você passa para a organização é que isso não é mais relevante e aí as pessoas vão se envolver em condutas que não são aquelas esperadas pela organização por entender que isso é um desmanche e que essas condutas podem te colocar em risco num futuro não muito distante

E o que o profissional de compliance faz para tentar manter essa chama acesa? Porque você trouxe essa questão do afastamento, essa questão do, olha, não posso deixar cair em esquecimento, não posso agir com medo, eu preciso trazer isso como uma cultura.

Qual o papel do profissional de compliance para que essa questão do medo não esteja sempre à tona? Que essa questão da cultura seja renovada e os diretores, os donos, enfim, eles tenham essa ciência, essa consciência de que eu preciso tratar isso como eu trato, por exemplo, o jurídico.

Eu vou dividir essa resposta em três pautas. A primeira delas, momentos do programa de compliance. São dois. Eu tenho o momento de implementação do programa, não tenho nada e eu vou construí-lo. E depois eu tenho o gerenciamento, que é botar tudo isso em prática, em funcionamento, e sempre preocupado com evolução e melhoria contínua. Na implementação, muitos profissionais pecam pela tentativa do convencimento.

E a imagem do profissional de compliance fica muito mais próxima de uma imagem de auditoria do que de algo que, de fato, precisa ser inserido no negócio. Então, é aquele profissional de compliance que, para ganhar autoridade, usa o autoritarismo, por exemplo. Que é obrigar as pessoas, que é demonstrar poder por meio de rispidez, de imposição de poder.

E hoje, como você bem disse, um programa de compliance, para que ele funcione, ele tem que ser pautado em estrutura de requisitos formais. Isso na implementação é muito importante. Mas com foco na formação de cultura. E ninguém forma cultura pelo medo. Os nossos amigos juristas que leram Foucault na faculdade, Vigiar e Punir.

Vão lembrar que a educação pelo medo não traz resultado. Por isso que o sistema prisional, por exemplo, é tão questionado hoje. Porque ele não reeduca, ele não reinsere as pessoas na sociedade. E se a gente traz isso logo na implantação do programa...

as pessoas vão ter medo, as pessoas vão fazer porque, olha, eu estou te vigiando, se você pisar numa casca de banana, você está ferrado. E aí, compliance vira cara de inspetor, de delegado de polícia, causa medo, as pessoas não vão se abrir, não vão querer falar. Se você chamar uma pessoa para conversar, ela não quer saber se você vai avaliar risco, se é uma investigação, ela tem medo de ser demitida, então ela não vai se abrir. Então, eu acho que tem um, um.

uma responsabilidade muito grande na implementação. Depois, no gerenciamento, é uma questão de se inserir dentro do negócio. Porque você não forma cultura...

de dentro do seu escritório, na matriz, usando terno e gravata no ar-condicionado. Exatamente. Eu falei das empresas do agro, por exemplo. Cara, se você não for em todas as unidades, se as pessoas não tiverem uma visão muito clara da importância do programa de compliance, de qual é o seu papel, e principalmente qual é o papel delas em relação ao programa de compliance, cara, isso vai ficar muito distante da realidade.

Ah, o que é compliance? É aquele negócio que eu fiz um treinamento uma vez ao ano e a pessoa não consegue nem explicar. Como é que você forma a cultura de integridade, sendo que o brasileiro é inserido num ambiente social que te empurra num caminho diametramente oposto? Com certeza. Como é que você ensina para aquela pessoa que ela tem que ser íntegra aqui dentro do ambiente corporativo quando, a todo momento, ela é forçada a fazer algo diferente em sociedade?

Então, essa questão de trabalhar a cultura é um trabalho muito minucioso, é um trabalho de longo prazo e muito responsável por parte do profissional de compliance, que não vai conseguir fazer tudo sozinho, mas vai ter que se aliar com boas áreas e boas estratégias, boas metodologias para conseguir, de fato, construir uma cultura organizacional.

E tem um outro elemento hoje, que é muito importante, que há muito tempo a gente discute, mas que hoje ele ganha mais força, principalmente nesse momento em que a agenda de compliance sofre alguns ataques e até alguns achates, que é gerar valor ao negócio. Ah, Matheus, mas espera aí, como é que compliance gera valor para uma organização?

aí é onde o profissional de compliance vai ter que ser estratégico. Ele vai ter que demonstrar que, de fato, ele entende do negócio onde ele está inserido e quais são as brechas para que ele deixe de ser um simples centro de custo na organização para algo que agrega no resultado da empresa.

Ah, Matheus, mas a área de compliance não vende. Realmente, não vende o produto, não vende o serviço da companhia. Mas pode reduzir custo. O saving é muito importante hoje. Pode possibilitar novos negócios? Sim. Existem hoje processos rigorosos de seleção de fornecedores.

que selecionam os fornecedores dentro da cadeia de fornecimento preocupados com determinadas agendas. Não é só o melhor preço que leva. Vou te dar um exemplo. Nós estamos num cenário hoje de acordo econômico Mercosul-União Europeia, onde as barreiras tarifárias dos estados, dos países, elas vão se reduzir. Deixa um abraço aqui para o Paulo Pimentel, nosso amigo tributarista. Deixar oportunidade para ele.

falar do assunto, que ele é que é especialista. Mas como é que os mercados, principalmente o mercado europeu, hoje vai se proteger em relação ao mercado brasileiro, que é o mercado concorrente? Com barreiras não tarifárias. Então, hoje eu tenho uma diretiva na União Europeia que fala da responsabilidade das empresas nas suas cadeias de fornecimento. Que elas têm um ônus de diligência e de responsabilidade, principalmente em relação à condição de trabalho-emprego e meio ambiente. São dois problemas muito críticos no Brasil.

Então, se uma empresa brasileira não demonstrar para o seu cliente europeu que ela tem esse nível de responsabilidade, ela pode ter o melhor preço, mas ela não vai vender porque ela representa uma insegurança para o seu cliente na Europa. Então, se o profissional de compliance não enxerga essas oportunidades e não escala isso estrategicamente dentro da organização, uma forma de explorar,

as suas iniciativas como diferencial competitivo lá na ponta, você está perdendo uma oportunidade de demonstrar que a área de compliance, o programa de compliance gera valor para a organização. E é estratégico e é muito interessante porque há 3, 4 anos eu aprendi isso com você. E um dos pontos que eu sempre trago, seja agora como sócio da área de compliance, seja na minha experiência enquanto in-house,

era que eu não podia ficar sentado em São Paulo, no meu escritório, na minha sede, e deixar de visitar as outras unidades, deixar de bater na porta e treinar. Mas, Rafa, a gente não pode fazer treinamento virtual? Pode, pode. Mas qual é o impacto dentro de uma implantação ou dentro de uma...

não é uma reestruturação, mas dentro dessa tentativa de fazer a cultura, de transformar a cultura, qual é o impacto que eu gero passando um treinamento, por exemplo, virtual, sem ir na planta, sem atingir e conversar com as pessoas. Tanto é que a experiência nos diz, nesses tipos de situação, que quando você vai até o local em que os colaboradores estão, eles se sentem confortáveis e confiantes em passar situações que eles veem e não querem reportar. Mas quando você fala, oi, eu sou o Rafael, oi, eu sou o Matheus,

confia em mim para você reportar algo, para você trazer algo, eles confiam e eles trazem. E aí tem um outro ponto que eu achei muito interessante quando você traz, Matheus, do papel, a responsabilidade desses grandes players na ativação dessa cultura dentro dessa cadeia.

E aí eu vou ser um pouco mais incisivo nessa pergunta. Qual você acha que é a responsabilidade desses grandes players em exigir essa cadeia culturalmente adequada aos seus princípios, às suas diretrizes, enquanto uma empresa que atinge?

todo o globo atinge todas as pessoas ali dentro dessa cadeia? E qual é o papel também da administração pública dentro desse cenário, dentro da importância de ter players que seguem uma cartilha, não só uma cartilha, mas seguem uma cultura de compliance? Por quê? A gente sabe que hoje tem legislação que exige que para você contrate com a administração pública, você tem que ter um programa.

devidamente estruturado. Só que são poucos são poucos órgãos da administração pública que exigem realmente, fiscalizam realmente. Então as pessoas vão, participam de uma licitação, ganham essa licitação, ninguém exige, ninguém te cobra, ninguém pede essa prestação de contas. Até porque às vezes a gente sente que nem eles estão preparados para entender o que é um programa de compliance estruturado. Então eu queria que você abordasse esses dois pontos dentro dessa nossa conversa.

Vou começar pela parte do Estado, porque quem me conhece sabe que eu sou muito cético e pragmático em relação a algumas coisas, da mesma forma como eu sou transparente. Então, essa é uma agenda que eu respeito muito, acho que ela tem o seu papel. Quando você hoje fala que numa contratação de grande vulto no município...

ela precisa ser amparada hoje com a implementação de um programa de compliance no fornecedor daquele contrato. É legal, eu acho bacana a iniciativa por uma questão de conscientização, porque aquela empresa que talvez nunca passaria pelo radar dela que a agenda de compliance seria uma prioridade, ali ela está sendo forçada a se pensar no assunto.

Mas eu acho que essa questão das pessoas entenderem o que é compliance, de certa forma, já é um assunto que está se tornando ultrapassado. Vou te dar um exemplo. Eu ando muito de táxi, de Uber, enfim. Aqui em São Paulo, táxi é fundamental para você pegar corredor. Então, eu converso muito, gosto muito de conversar. Quando eu não estou fazendo reunião, eu gosto muito de conversar com os taxistas. E eles sempre perguntam se eu trabalho com o quê. Eu falo que eu trabalho com compliance.

Ah, sei lá, 10 anos atrás. Cara, a cara que as pessoas faziam era tipo assim, não vou nem prolongar a conversa, porque eu não entendi nada do que o cara tá falando.

Hoje, as pessoas puxam o assunto. Porque, pô, errado ou certo, a Polícia Federal fez um favor em botar o nome da operação lá em compliance zero do Banco Master. Porque as pessoas estão falando sobre o assunto, entendeu? O que é esse compliance zero que está no nome da operação da Polícia Federal? Polícia Federal, acho que vocês erraram no nome da operação. Porque o risco ali não é de compliance, é de subscrição do crédito, mas depois a gente conversa. Mas, enfim.

Então, essa questão de conscientização, de nível de consciência, de aprendizado sobre o tema, ela é bacana, eu acho que é importante. O nome tem que estar difundido socialmente. Agora, em termos de eficácia, cara, eu acho que não vai ser eficaz. Por experiência própria, sabe? Você vê o profissional, o empresário, que faz a coisa por obrigação...

Ele não entendeu que isso é importante. Ele vai fazer porque ele tem que cumprir um requisito legal. Então, assim, ele vai fazer o mínimo que ele tiver que fazer para poder demonstrar.

Isso se alguém perguntar para ele o que ele tem. Porque se mandarem um questionário de autodeclaração, ele vai botar ali qualquer coisa, ele não está nem aí. Sem qualquer evidência, sem nada? Exatamente. Então, assim, eu sou muito cético em relação a essa agenda. Uma preocupação que eu acho importante é, sim, os órgãos da administração pública também se mobilizarem. Porque corrupção, que é um dos riscos de compliance, corrupção pública, é um caminho de mão dupla. Não adianta eu ter...

as empresas todas preocupadas em ter os seus programas de compliance, elas se relacionam com o poder público a todo momento, e o agente público é aquele que cria dificuldade para poder vender facilidade.

Eu acho que se a gente quer, de fato, prosperar nessa agenda de integridade no Brasil, principalmente no enfrentamento à corrupção, tem que ser setor público, setor privado e terceiro setor de mão dada, todo mundo fazendo o seu dever de casa. Então, na parte do Estado, eu ainda sou pessimista de que algum resultado vai vir dessa iniciativa, se não essa questão de conscientização.

Mas na cadeia de fornecimento a coisa muda de figura, porque aí nós estamos falando de responsabilidade. A grande empresa hoje tem dezenas de normas jurídicas que lhe impõem o ônus de obrigação em relação aos seus terceiros sobre risco de responsabilização. Isso não é de hoje.

Questões trabalhistas, seja por responsabilidade subsidiária ou solidária. Tributária. Tributária, ambiental. E a agenda anticorrupção, a lei anticorrupção, também trouxe essa responsabilidade. Com a cereja do bolo, diferente do tributário e do ambiental, que é responsabilidade subjetiva.

Na lei de corrupção, é objetiva. Então, assim, você responde pelo ato do terceiro, independentemente de dólar ou culpa. Então, eu acredito que as empresas hoje, os grandes players, eles se preocupam com essa questão da responsabilização, de que forma que o terceiro com que eu me relaciono, ele pode trazer o risco para dentro de casa, porque a empresa pode ter o melhor programa de compliance do mundo.

O colaborador com a consciência ética mais linda do mundo. Mas se ela contratar um terceiro que pisou na bola, ela vai ser punida e responsabilizada. Então, as empresas, sim, se preocupam com o ato de terceiro do ponto de vista de responsabilização. Mas tem um outro ponto que eu acho que hoje é ainda mais relevante.

No mestrado eu estudei o Ritbeck, Sociedade do Risco. Segundo a teoria de Beck, vivíamos numa sociedade do risco. Ainda vivemos.

Ele já usava a expressão poliriscos. Então, as empresas, por exemplo, não vão olhar o risco só econômico. Vai dar lucro ou não vai. Ela tem que olhar o seu risco estratégico. O meu negócio vai morrer ou não vai morrer. Kodak e Blockbuster podem ser bons exemplos. Ela precisa olhar os seus riscos cibernéticos. De que forma eu estou usando o IA hoje. Isso pode acabar com o meu negócio. Pode alavancar o meu negócio.

E ela precisa também olhar os seus riscos de compliance. Só que uma coisa que o Ritbeck não previu, e que dá para trabalhar hoje em uma boa tese de doutorado, é que o risco mal gerido vira crise.

Então, se vivemos, ou ainda vivemos, numa sociedade do risco, como diz Beck, no risco mal gerido, nós temos crises. E se, para Beck, vivemos num cenário de polirrisco, esse polirrisco mal gerido vira um cenário de policrise. E é onde as empresas estão batendo cabeça a todo momento. Porque elas se abraçam nos seus terceiros, e, independente de responsabilização legal ou não,

solidária ou subsidiária, a depender da reputação do seu parceiro, do seu cliente, você vai para a vala junto. Isso a gente vive em N exemplos. Eu poderia passar talvez aqui a tarde inteira com você citando uma série de exemplos. Mas vamos pegar um caso muito simples. Eu trago, por exemplo, um influenciador para divulgar a minha marca. E aí a minha marca, de uma forma ou outra, fica atrelada à imagem daquela pessoa.

E aquela pessoa se envolve num grande escândalo. É a sua marca que está indo para o brejo junto com a reputação daquele influenciador. A gente tem até isso, inclusive, na carreira pública agora. Determinado político utilizou determinado serviço. Quando foi feito um cruzamento para entender de quem era aquele avião, você vê que era de uma pessoa que estava envolvida em um escândalo.

E a pessoa tem que virar público para se justificar, para se explicar. Só que até aí você já tem um dano à sua imagem, você já tem um dano reputacional, que ele precisa ser controlado, ele precisa ser bem gerenciado para que você não tenha que se expor a essa situação. Exatamente. Acho que é um pouco disso, né? Vou dar um outro exemplo muito fácil. Você é da advocacia, eu sou da advocacia. Durante todo o meu tempo de advocacia...

O processo subiu para tribunal superior, nós, escritórios aqui do Eixo, a gente não pega mais no processo. Sempre tem o escritório de Brasília especializado nos tribunais superiores. Muitos sérios. Muitos outros relacionados a ministros.

E agora, com o Banco Master e tudo que veio à tona, eu acho que tem muita empresa pensando duas vezes antes de contratar o escritório do filho e da esposa do ministro para poder representá-lo nos tribunais superiores. Porque olha a exposição que isso gera. É um risco. Você, empresário, quer ter a sua empresa na mídia por uma situação como essa?

Não estou trazendo aqui nenhum achaque, nenhum ataque a parente de ministro. Pelo contrário, conheço pessoas do meu núcleo de amizade que tem parentesco com magistrados e são profissionais excelentes. Sim. Só que o que eu estou dizendo hoje é que...

Ter um prestador de serviço tão próximo ao ministro de uma corte superior é um risco que tem que ser avaliado. Que antes, talvez, ele nem era visto como um risco. Não, era uma vantagem. Era uma vantagem. Era oportunidade, é o lado bom do risco. É o lado bom do risco, exatamente. E, Matheus, caminhando aqui para...

Acho que a gente está numa toada muito boa dessa conversa. E aí eu queria trazer, porque o LBC é um escritório que tem uma frente muito forte na parte de tecnologia, na parte de utilização de inteligência artificial para trazer eficiência operacional e estratégica para os clientes. A gente tem avançado, crescido bastante com a atuação...

em compliance, atendendo grandes clientes dentro de toda essa estruturação do programa, e não só a estruturação, mas ações dentro de cada um desses pilares do programa. E o que tem gerado o maior questionamento para nós é qual é o papel do compliance na atuação com a governança de IA.

Como o compliance tem que se posicionar quando a empresa decide pela utilização da inteligência artificial e não há um caminho mais que se volta? Hoje a IA faz parte do nosso presente, do nosso dia a dia, e eu não posso mais falar, não, não use. Eu preciso gerenciar, eu preciso entender como funciona para não expor a minha empresa a risco. Qual o papel do compliance dentro dessa...

Primeiro, a gente ainda não sabe o que é a era da IA. A gente está vivendo um cenário ainda muito básico, incipiente, em relação à utilização da inteligência artificial. Eu costumo comparar que aquela pessoa hoje que tem resistência à utilização da IA...

É a mesma pessoa que no começo tinha resistência para usar a internet e o smartphone. Em algum momento ela cedeu. Porque não tem como... Uma pessoa fala para mim hoje que não usa smartphone... Na minha cabeça eu lembro do náufrago. Uma pessoa na ilha... Conversando com a bola. Exatamente. Ela está ali sozinha, distante da realidade do planeta. Então, hoje, a gente começa a ver a IA como um mecanismo importante de tecnologia.

Mas daqui a pouco ela vai ser uma ferramenta indispensável para qualquer pessoa, seja pessoalmente, seja profissionalmente. Segundo ponto, se a gente olha a evolução do smartphone, por exemplo, eu costumo brincar que a gente está na era do smartphone, na era da cobrinha. Você deve ter tido o smartphone que tinha o joguinho da cobrinha. A gente usava o telefone para ligar, mandar SMS e jogar o jogo da cobrinha. A gente mal imaginava que...

Hoje praticamente é um membro do nosso corpo. Você faz tudo dentro de um smartphone. Então eu acredito que a gente vai chegar nessa época da inteligência artificial, que a gente não vai conseguir viver mais sem utilizar a inteligência artificial. Hoje a inteligência artificial...

ela é uma oportunidade para muita gente. Então, você vê negócios que se transformam muito rapidamente, que escalam muito rapidamente, porque embarcaram a inteligência artificial, ou nasceram, são originários da inteligência artificial, ou trouxeram muito rapidamente a inteligência artificial. Está aí a Antropic hoje, por exemplo, a desenvolvedora do Cloud, que é a principal concorrente do chat GPT.

Que é, cara, para mim é uma empresa que está crescendo muito mais estruturada do que foi a OpenAI, quando ela conseguiu se estruturar ali com o chat GPT. E eu acho que, da mesma forma que o GPT está ficando para trás, o Cloude está ganhando mais destaque em 26, vai chegar outra que vai ter mais destaque. São exemplos de negócios que se escalam e oscilam muito rapidamente. Então, as empresas têm que estar antenadas a isso. O outro ponto da oportunidade que pode ser o risco,

O quanto o seu negócio vai se tornar obsoleto em razão da inteligência artificial. E aí o exemplo que eu gosto sempre de citar é o do caso da Kodak, que ele é amplamente estudado. A Kodak foi a empresa que desenvolveu a câmera digital primeiro dentro do mercado da fotografia.

Só que ela achou que aquilo ia ser uma brincadeira. Quase que um side business aqui. Enfim, não é uma preocupação nossa. Vamos continuar investindo em maquinário de impressão de foto, em desenvolvimento de filme e câmeras analógicas. A empresa não existe mais. Então, você vê todos os seus concorrentes hoje... Pegar a Fuji, né?

que era a principal concorrente da Kodak, os caras estão voando com a parte de tecnologia médica. É uma empresa que conseguiu se consolidar no ramo, ainda da imagem, mas de uma outra maneira, que se recolocaram no mercado e subsistiram. Então, se as empresas hoje...

não se atentarem para o risco dessa obsolência do seu negócio antes do advento, dessa consolidação da inteligência artificial, muito negócio vai morrer, cara. E aí, economicamente falando, é cruel. Você vê pessoas que vão perder o seu negócio. É a sua fonte de subsistência. Então tem esse viés do risco versus oportunidade da inteligência artificial.

Superado esse assunto, o uso da inteligência artificial por si, ele é um risco para o negócio. Sim, com certeza. Eu aprovei um vídeo, vai para o ar na semana que vem na rede social da LEC, eu fazendo um react, comentando uma notícia de um diretor...

de cibersegurança do governo norte-americano que inseriu dados confidenciais do governo norte-americano no chat de EPT. Cara, assim, com todo o perdão, não sou eu colocando o meu e-mail pessoal, dado meu pessoal no chat de EPT. É uma autoridade. É uma autoridade dos principais órgãos, de uma das principais potências econômicas mundial. Que, cara, não sei o que o cara fez, um lapso de...

de emoção ali. Acho que apaixonou pelo GPT. Falou, vou jogar tudo aqui para ver se ele resolve o meu problema. Mas, cara, graças a Deus, esse cara tem que ajoelhar e pôr a mão para o céu. Existiam mecanismos de controle muito densos ali que barraram a operação. E falaram, cara, você não pode fazer isso. Mas o caso, obviamente, vai a público porque o cara perdeu a função. Então, assim, hoje, se o chefe de cibersegurança não vai dar à 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통 통

de um órgão de segurança, do governo norte-americano, pode fazer uma lambança com o chat EPT e companhia limitada? O que o seu colaborador não pode fazer? Tem medo de me ajudar. Então, assim, a utilização desenfreada de soluções de inteligência artificial traz um risco. Se não for uma coisa bem pensada, mapeada,

É até difícil a gente mapear o risco, porque a gente não sabe de onde vem o problema. Então, quando você olha hoje o programa de compliance, o próprio programa de privacidade e proteção de dados, que são mecanismos de controle, de gerenciamento de risco, que foram inseridos dentro do ambiente corporativo de uma forma estruturada e consolidada, e que dá certo. A gente tem milhões de exemplos que poderíamos citar.

Essa mesma estrutura, hoje, tem que ser conectada ao risco, o uso da inteligência artificial. É por isso que muitas empresas hoje estão trazendo a responsabilidade para a área de compliance, para o programa de compliance, para o programa de privacidade, para o DPO, essa necessidade de trazer um olhar mais crítico sobre o uso desenfreado da inteligência artificial dentro dos negócios.

E também trazendo isso como viés de oportunidade. De que forma que a gente pode utilizar melhor a inteligência artificial de uma forma mais organizada para que o risco seja mitigado, mas também a gente não proíba. Proibir o colaborador de usar chat GPT é a mesma coisa de proibir de usar o WhatsApp. Ele vai usar e você pode escrever o que você quiser. Ele vai continuar. A diferença é se ele vai fazer com o seu conhecimento ou sem o seu conhecimento.

Se for com o seu conhecimento, muito provavelmente vai ser muito mais orientado, educado, com menos risco. Se for sem o seu conhecimento, vai de qualquer jeito. Então é isso, avaliar risco, implementar controles adequados, mas principalmente formar uma cultura ao redor daquele assunto, que isso seja assunto discutido. E tem que ser diariamente discutido. Se a cada dia você tem uma solução com um IA embarcado no mercado,

É uma oportunidade de você trazer a pessoa para a mesa e falar assim, como você está usando, por que você está usando. E aí, talvez, até fazer uma análise um pouco mais técnica. Onde está esse servidor? Quem é o dono desse servidor? De que forma que essa solução trata dado? Ela é gratuita ou não? Porque, às vezes, você tem uma solução gratuita. Se você for ler termo de uso de solução gratuita, você para de usar. Instagram, WhatsApp, Companhia Limitada.

Ele praticamente compra a sua alma. Você dá. Na hora que você dá o check ali, você dá a sua alma para ele. Então, assim, as empresas têm que começar a trabalhar. Porque, da mesma forma que o risco de obsolência está na mesa e o negócio pode acabar, ele também pode acabar por uma crise, entendeu? Reputacional. E essa crise pode vir pela utilização indevida ou inadequada da inteligência artificial.

Matheus, então quer dizer que há cinco anos talvez a gente não tinha, mas hoje, quando a gente vai fazer aquele trabalho, um bonito trabalho de matriz, mapear todos os riscos dentro de uma organização, quase 100% de certeza que o risco da utilização da inteligência artificial ele vai constar, ele vai apontar dentro da nossa matriz, que é algo inimaginável há cinco anos. Cara, quando eu comecei a avaliar risco...

Também lá naquela época, as primeiras vezes que eu fiz avaliação de risco, 13, 14, eu olhava o relatório de risco de grande companhia e estava lá assim, risco, pandemia. Pandemia? Isso é verdade. E as cláusulas de contratos? Foi a última vez que teve pandemia, foi uma gris espanhola, cara. Os caras estão mapeando o risco de pandemia. Só que quem não teve um plano de continuidade do negócio, da pandemia, não avaliou o risco, pensou?

Ou quebrou, sofreu muito. Ou quebrou, sofreu muito. Pelo menos medo passou. Alegre passou medo. Acabou, o aluno não vem mais da escola. O que eu faço? Como eu faço? Como eu trabalho? E tanto é que motivou a gente, numa mudança de um dia para o outro, a estar em casa, time de segurança trabalhando, TI trabalhando. Legal, Matheus. E para caminhar aqui para o nosso final, acho que...

A gente atingiu aqui o nosso tempo, um bate-papo muito rico, sempre uma aula, sempre um prazer. É um prazer para a LBCA ter você aqui, ter a Lec aqui conosco. Eu acho que o pessoal não vai ter paciência de escutar o episódio. Eu acho que eles vão. Eu estou aqui falando, não quero parar, mas tem um outro, e a gente vai fazer um outro, porque eu quero depois discutir com você, mas para um segundo episódio.

Como as pessoas só veem o compliance, ainda existem muitas pessoas que veem o compliance só como investigação, como canal de denúncia. E isso é um tema que eu quero abordar com você num segundo episódio, num segundo momento, pra gente conversar. Mas caminhando pro final...

Eu queria que você passasse primeiro um recado para o profissional de compliance, para o estudante de compliance, o que você espera? O que você espera? O que, na verdade, eles podem esperar do compliance para os próximos anos? E isso na função, com a utilização da tecnologia, inteligência artificial.

E eu queria que depois você fizesse um convite, porque a gente vai ter o maior evento da América Latina sobre compliance. Eu queria deixar aberto aqui a porta para você convidar, fazer um convite para o nosso público para comparecer. Cara, eu trouxe aqui...

Vou pegar aqui. Presentear o escritório. Muito obrigado. Nós temos lá na LEC um grupo de executivos de compliance, chamado Compliance Mastermind. Desde 2018, a gente reúne, já foram 20, 30, hoje são 60 profissionais que estão todos em posição de liderança. Então, ou são executivos e executivas de grandes companhias, ou sócios de escritório de advocacia, ou de grandes consultorias.

Em que a gente se debruça para relacionamento, conhecimento e exposição. E dentro desse braço de conhecimento, uma das nossas iniciativas é todos os anos escrever um volume da coleção Compliance Mastermind. Que legal. Nós vamos hoje, acho que para a sétima, oitava edição. Eu não trouxe aqui a mais recente, porque ela é fácil de achar. Eu trouxe aqui uma que é difícil, que é o volume 2. Ele foi publicado em 2021.

E ele chama Compliance Além do Manual. O primeiro capítulo que foi escrito aqui é Inteligência Artificial, o papel da função do profissional de compliance no tempo. Maravilhoso. Escrito pelo Alexandre Serpa. Capítulo 2, a inteligência artificial e conduta ética. Um programa de compliance pode ser impactado pelo avanço do machine learning?

Então, assim, além de presentear, e eu acho que é importante difundir o conhecimento por meio da leitura, é para mostrar para o profissional de compliance que o conhecimento e a ferramenta do que ele vai trabalhar amanhã talvez esteja muito mais perto do que ele imagina.

Tem muita gente hoje ainda presa no programa de compliance com foco na lei de corrupção e na lei de licitação. Sendo que a gente já falou aqui de inteligência artificial, a gente poderia falar também dos riscos psicossociais com o advento da nova redação da NR01, né? É maio.

está batendo a porta das empresas. Então, tem muita coisa boa que pode ser trabalhada, que é risco que pode ser trabalhado dentro do programa de compliance. Conflito de interesse, a gente citou os tribunais superiores. Fraude, a gente poderia citar das mais diversas. Então, a busca incessante pelo conhecimento é fundamental.

Aquele Matheus que estudou na LEC em 2013, 14...

Se ele tivesse parado ali, talvez ele tinha profissionalmente morrido com o fim da Operação Lava Jato. Com certeza. Mas eu, cara, eu fui estudar, depois de compliance anticorrupção, risco, depois de risco, proteção de dados, depois de proteção de dados, fui estudar compliance financeiro, depois de setor financeiro, tudo se aplica ao compliance, né? Depois disso, hoje eu estou estudando liderança, comunicação, inovação, inteligência artificial. Tchau.

Então, o recado que eu sempre dou, e não é só para o profissional de compliance, é para o profissional do direito também, é que não existe mais profissional formado. Da mesma forma como em algum momento no passado a graduação já foi luxo,

Hoje, após a graduação, principalmente a Lato Senso, ela começa a deixar de ser tão luxo assim. Ela já é um padrão. Se você não sai da faculdade e não se especializa, você vira um generalista, o mercado te coloca à margem. Só que tem uma onda...

vindo aí, que muito pouco se fala, que é da obsolência dessas habilidades tradicionais, principalmente com o advento da tecnologia, da inteligência artificial. E cada vez mais, na minha opinião, porque o mercado de educação hoje é o meu mercado,

o diploma vai se tornar irrelevante. Seja o diploma da graduação, seja do diploma da pós-graduação. Porque a tendência é as coisas mudarem tão rápido que a hora que a instituição lança um curso de 360 horas completo sobre o tema, o tema já ficou desatualizado. A gente vive isso. Eu gravei uma aula de A no ano passado, eu já jogo afora, tem que fazer outra. O Solano e o Ricardo falam que a gente fala sobre A agora.

Daqui a dois minutos, o que a gente falou já morreu. E aí, eu vou lançar uma pós-graduação de IAR hoje. Impossível manter isso atualizado. Então, talvez a grande habilidade do profissional do futuro é essa capacidade...

de aprender coisas novas mais rapidamente e se reinventar mais, se adaptar à realidade mais rapidamente. Se você olhar para a minha carreira, e eu tenho 40 anos, eu quero trabalhar para mais 40. Cara, em cinco anos, minha vida mudou muito. Sim. Profissionalmente falando, eu não trabalho com a mesma coisa há cinco anos. Eu também.

Já mudei três vezes, inclusive. Então, assim, da mesma forma como a nossa vida muda muito rápido, a nossa profissão muda muito rápido, o mercado muda muito rápido. E existe uma chave para isso que é fundamental, que é a curiosidade. A pessoa tem que ser curiosa para ela se abrir a novos conhecimentos. E a ferramenta...

para suprir esse avanço incessante das ciências, é o lifelong learning. É o não parar de estudar. Porque parar de estudar é igual parar de malhar. Você malha lá 12 meses, vai... Ficou bonitão. Ficou bonitão, vai para a praia, sem camisa, arrasou. Fica um mês sem. Fica um mês sem malhar, a barriga já começa a aparecer.

Aí volta pra academia pra você ver o tanto que dói. Você acordar cedo, puxar a ferra, vai ter que baixar. Alguém gosta de correr, vai parar de voltar a andar. Então, assim, parar de estudar pra voltar dói, cara.

Você vê, hoje eu trabalho no mínimo 12 horas por dia. Eu tenho uma filha de 4 anos de idade. Sou casado, tenho minha esposa. Gosto de fazer atividade física. E você fala, cara, que hora que eu vou estudar? Então, assim, eu estudo no carro, pegando trânsito louco. Eu assinei Audible, né? Que agora, ao invés de ler o livro, você escuta o livro.

Então, eu não falo estudar faculdade, eu falo buscar o conhecimento. É a leitura, é o aprofundamento nos temas que você acha que são aqueles que serão a chave para essa adaptação. E aí, num momento tão intenso de tecnologia...

na minha opinião, nunca se falou tanto do lado humano das coisas. Porque uma coisa para mim é fato. Pelo menos, enquanto eu estiver vivo, a IA e a tecnologia não vão acabar com a humanidade. O ser humano vai continuar aí. Mas a verdade é que o ser humano está ficando menos sociável.

O ser humano, depois da pandemia, a gente já é um bicho diferente. A gente não sai da toca com a mesma facilidade. A gente fica em casa. Pô, todo mundo quer fazer home office cinco vezes por semana. Sim. E o tanto que é importante você estar no escritório, você poder cuidar com as pessoas, sair para almoçar, se relacionar. Então, talvez a gente tenha que aproveitar.

as grandes oportunidades que a vida nos dá para a gente fazer imersão de conhecimento, absorver muito conteúdo, muito conhecimento rapidamente. Eu tenho participado muito de imersões. E essas grandes oportunidades de conexão. Cara, para estar aqui hoje...

Foi um puta trampo. Para você também. A gente estava conversando sobre isso, né? Cara, eu saio daqui muito feliz da gente se reencontrar, da gente se conectar, de estar falando com a sua audiência que daqui um dia alguém vai me encontrar no shopping e falar, cara, vi seu podcast lá na LBCA. Então, assim, isso são oportunidades que a vida nos dá. E aí o convite que eu queria deixar aqui, no dia 5, 6 e 7 de maio, nós teremos o 13º Congresso Internacional de Compliance.

O Congresso de Compliance da ALEC começou em 2013 para 30, 40 pessoas. Eu tenho a foto lá. É engraçado, cara. O mundo de Compliance era muito pequeno. E para esse ano, a gente espera 2.500 pessoas. É gente demais. Serão mais de 170 palestras. São 24 horas de conteúdo dividido em três dias de evento. Nós temos profissionais de diversos países que vêm falar sobre o tema.

é uma oportunidade incrível de conhecer pessoas eu lembro que a nossa proximidade começou num congresso, a gente já se conhecia já tinha se falado, mas no happy hour ali no final do congresso, a gente se aproximou começou a bater papo então, nessa parte de relacionamento e networking, é muito bacana

Mas a LEC quer propiciar para as pessoas uma experiência. Então, a gente vai trazer Clóvis de Barros, Leandro Karnal, Fátima Bernardes como grandes speakers. Ainda tem muita surpresa para vir, porque a gente vai aos poucos divulgar a programação. Mas é, de fato, uma grande oportunidade, cara, da gente absorver conhecimento intensamente. É impressionante o tanto que eu aprendo nesses três dias.

É claro que não vai ser um conhecimento que vai acabar ali. Na verdade, são as chaves daquilo que você vai querer aprofundar. De relacionamento, se conectar com muitas pessoas, de se aproximar com muitas pessoas. E essa experiência gostosa de três dias de imersão ali, conexão. Então, se você eventualmente é afeito ao tema de compliance, a gente chama o Congresso Internacional de Compliance, mas assim...

É só para não mudar o brand, ter começado do zero. Mas a gente vai falar de governança de ar, tecnologia, liderança, inovação, ESG, governança, risco. Enfim, visita o nosso site lá, congressodecompliance.com.br que você vai ver um pouco dos temas que a gente quer trazer, dos assuntos. Mas dessa experiência que eu tenho certeza que quem estiver lá não vai se arrepender. Eu estive nos últimos quatro, cinco anos, se eu não me engano.

Foram momentos incríveis, aprendi muito e quero estar esse ano também, estarei esse ano. Então, reforço o convite aqui também para que o nosso público possa ir. E gostaria de agradecer, Matheus, a sua participação aqui conosco. Foi um prazer tê-lo conosco aqui no LBCCast. Espero que você possa voltar para a gente fazer esse episódio número 2 com uma pauta um pouquinho mais específica com um dos pilares de compliance. Então, seja muito bem-vindo. É uma honra tê-lo aqui conosco.

Que isso, Rafa. Eu que agradeço a oportunidade, agradecer ao escritório também, mais uma vez parabenizar pela iniciativa. E quem tiver curiosidade e quiser nos acompanhar, a LEC produz muito conteúdo gratuito. A gente tem convicção de que não é à toa que a gente se tornou a maior escola de compliance na América Latina e eu tenho dúvidas se não do mundo. São mais de 30 mil certificados emitidos nesses 13 anos.

Então, você que quer dar o primeiro passo, visita o nosso site, lec.com.br, lsc.com.br. Lá tem e-book, tem blog, pelo menos 3, 4 artigos por dia. A gente tem o nosso Leccast, né? Eu sou podcaster também, então...

A gente tem lá, vamos chegar a 200 episódios. Legal. Então, assim, é muito conteúdo gratuito para quem quer fazer esses primeiros aprofundamentos, dar essas atualizadas aí de temas que, às vezes, já ficaram no passado. E é isso, cara. Deixar a porta aberta também para quem quiser se conectar comigo.

E já o convite está aceito. Vamos fazer aí o próximo episódio desse nosso bate-papo aqui. Combinado. Pessoal, esse foi o LBCCast. Muito obrigado por estarem conosco até agora nesse episódio, que durou aproximadamente uma hora. Foi um prazer tê-los aqui. Até o próximo LBCCast. Um abraço.

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