Episódios de Pouco Pixel

#170: Jogar, verbo intransitivo

27 de setembro de 20261h14min
0:00 / 1:14:22

A história dos video games é feita por game designers, por tecnologias, por jogos… e por nós, jogadores. ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Adriano Brandão⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ Danilo Silvestre⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ entraram em uma onda nostálgico-filosófica para debater os diferentes “jogares” que emergiram de 50 anos de história dos video games: o jogar da criança, o jogar do micreiro, o jogar do fã, o jogar casual… tudo é diferente e tudo é, ao mesmo tempo, extremamente video game.

00:04:03 – Tema
00:59:55 – Joguinho de Papelzinho

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Participantes neste episódio2
A

Adriano Brandão

Host
D

Danilo Silvestre

HostApresentador
Assuntos6
  • A evolução do ato de jogar videogame ao longo da históriajogar como brincar·jogar como estar junto·jogar como pertencer a uma cultura
  • A cultura do videogame e a participação sem necessariamente jogarrevistas de videogame·assistir outras pessoas jogarem·o Poco Pixel como parte da cultura
  • O videogame como brinquedo e sua comercialização inicialbrincar versus jogar·jogos abertos e amorfos·venda em lojas de brinquedo
  • A socialização através dos videogames em diferentes ambientesfliperamas como espaços sociais·consoles domésticos com múltiplos controles·locadoras como centros comunitários
  • A mudança geográfica do videogame e seus impactos nos jogosdo Atari na sala ao PC no quarto·jogos para monitor versus televisão·portáteis e o jogar em público
  • A necessidade de lidar com a tecnologia para jogar em computadores antigosfitas cassete e MSX·pirataria e complexidade·tornar-se especialista em hardware
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ABAdriano Brandão

A DDD Studio.

DSDanilo Silvestre

Ao vivo, Poco Pix, o número 170. Eu sou o Adriano Brandão, do meu lado tá o Danilo Silvestre. Tudo bom? Tudo bom, beleza, maravilha. Qual é o tema de hoje, Danilo?

ABAdriano Brandão

Tema de hoje é jogar, verbo intransitivo.

DSDanilo Silvestre

Que bonito, que poético! Sobre o que que a gente vai falar?

ABAdriano Brandão

A gente vai falar sobre o ato de jogar.

DSDanilo Silvestre

O ato de jogar, o ato de jogar não é sempre a mesma coisa, né? A gente meio que conforme o tempo vai passando, conforme a geografia, conforme a situação, conforme a contingência toda, jogar significa coisas diferentes.

ABAdriano Brandão

Exato, né? Muda o lugar, muda a companhia, muda o contexto.

DSDanilo Silvestre

Jogar muda. E jogar videogame, que é o que a gente tá falando aqui no Pouco Pix, também muda. A gente vai falar sobre os diversos jeitos de jogar. Parece meio bobo, mas eu acho que quando a gente chegar no tema vocês vão entender melhor do que significa.

ABAdriano Brandão

Boa! Acho que todo mundo já percebeu, né, que o lugar em que a gente jogava videogame foi mudando ao longo dos tempos, né?

DSDanilo Silvestre

O jeito como a gente joga, com quem a gente joga, em quais circunstâncias a gente joga videogame, tudo isso mudou e muda constantemente. Nunca é sempre a mesma coisa. É disso que a gente vai falar. Mas antes a gente tem que falar de outra coisa.

ABAdriano Brandão

De outra coisa?

DSDanilo Silvestre

Outra coisa que é o Mecenato Esclarecido do Poco Pixel.

ABAdriano Brandão

Ah, bom, foi um abono em que eu não sugeri nada diferente anteriormente.

DSDanilo Silvestre

Quebrou um pouco o rito, mas tá tudo bem.

ABAdriano Brandão

Eu quis manter uma parte do protocolo.

DSDanilo Silvestre

Uma parte do rito aconteceu, o abono. Não, o Mocinato Esclarecido do Poco Pixel é o jeito que a gente criou para você que tá escutando a gente ajudar a gente que tá fazendo, falando aqui para você Certo? Continuar produzindo podcast todo mês, quiçá toda quinzena, quiçá toda semana.

ABAdriano Brandão

É isso aí, para o Pouco Pixel existir, a gente depende da ajuda de vocês, queridos assinantes, queridos mecenas esclarecidos.

DSDanilo Silvestre

Exatamente. Para você apoiar o nosso projeto e receber em troca acesso antecipado aos episódios, às vezes bastante antecipado, esse aqui vai ser razoavelmente antecipado, e acesso principalmente ao grupo mais esclarecido da internet no WhatsApp, o que é engraçado. Você tem que entrar em pocopixel.com/mecenato. Lá tem todas as instruções, é bem fácil e é bem barato também, menos do que um suco de shopping. Desde 2016 é mais barato do que um suco de shopping, continua sendo, né?

Nasceu mais barato que um suco e vai continuar sendo mais barato que um suco, asterisco, de shopping. Não qualquer suco, não o suco que você faz na sua casa.

ABAdriano Brandão

Aí depende um pouco da estação do ano, do país em que você se encontra.

DSDanilo Silvestre

Fazer um suco no inverno do Canadá é complicado, um pouco mais caro. Exato, muito bom. Mecenato Esclarecido do Poco Pixel é a chance que você tem de ficar mais juntinho da gente, juntinho também dos outros ouvintes. É o melhor grupo do WhatsApp, eu acho.

ABAdriano Brandão

Sem dúvida, é o mais esclarecido.

DSDanilo Silvestre

Isso é no mínimo mais esclarecido, não tem nem disputa. É isso, vamos para o tema.

ABAdriano Brandão

Bora!

DSDanilo Silvestre

Esse tema, jogar, que significa o jogar, ou usando aquele palavreado meio, meio tilelê, meio academia, que é os jogares, né?

ABAdriano Brandão

Os diferentes jogares, os múltiplos jogares.

DSDanilo Silvestre

Será que é o nome do programa? Tinha que ser o Múltiplos Jogares.

ABAdriano Brandão

Bonito, hein?

DSDanilo Silvestre

Bonito, né? Mas o nosso também é bastante bonito assim, o título de verdade do episódio. Mas enfim, a ideia de falar sobre os diferentes jogares veio a partir da sensação de que a gente já falou bastante da história dos videogames, da história dos consoles, da história dos jogos, da história dos fabricantes. A gente só não falou muito da história da gente, da história dos jogadores, de quem joga o videogame. Voltar o nosso olhar para nós mesmos enquanto consumidores dessa mídia, porque tem um monte de jeitos de consumir essa mídia, e esses jeitos também não são estanques, não são estáticos, eles também mudam com o tempo, com as épocas, com a nossa época de vida e também com a época do mundo, com a época que a gente vive.

ABAdriano Brandão

E o que eu acho mais legal é que a diferença de quem é que está jogando, né, de como está jogando, altera os jogos, né? Os jogos têm que responder a isso. Então a história do jogador também influencia a história dos jogos, isso também é uma história dos videogames, claro.

DSDanilo Silvestre

Sim. É muito interessante. E vamos começar do começo. Eu acho que a gente pode fazer— a gente não vai conseguir fazer uma linha cronológica dos jogares, os diversos jogares, etc., mas a gente vai começar por um ponto cronológico, que é quando o videogame surge. E aí o que a gente roteirizou foi: ele surge como uma brincadeira. O jogar videogame, quando ele surge, é igual a brincar. Jogar igual brincar.

ABAdriano Brandão

É que é curioso que seja brincar por parte de meia dúzia de cientistas acadêmicos de universidades, né?

DSDanilo Silvestre

Isso, perfeito. É um brincar muito restrito, mas é um brincar. Vamos, acho que a gente tem que dar um passo atrás, e você quem é a melhor pessoa para isso. Qual a diferença entre jogar e brincar?

ABAdriano Brandão

Essa é uma diferença muito difícil, a gente já falou dela algumas vezes, porque é uma diferença que Não é comum na maior parte dos idiomas que falam sobre jogo. Exato, é português que faz essa diferenciação, e essa diferenciação vai depender de quem é o teórico falando a respeito. Mas eu gosto de diferenciar o jogar e o brincar de uma estrutura. O brincar é menos estruturado, o brincar tende a ser mais livre, estrutura mais solta.

Exato, os jogadores mudam de lugar, mudam de papel, mudam de função, os objetos recebem novas funções. Ao longo da brincadeira, enquanto jogar tá muito mais amparado por regras, por uma estrutura de regras.

DSDanilo Silvestre

Perfeito. E eu acho que isso é muito presente nos primeiros videogames, hein? Não precisa ser o jogo da velha feito com lâmpadas neon numa feira no Canadá, não precisa voltar tanto assim. A gente pode voltar para as primeiras experiências de videogame comercial doméstico vendidas nos anos 70 nos Estados Unidos. Os Pongs. E o Pong, ele é nítido nele que é uma estrutura de brinquedo, porque ele não tem uma estrutura de jogo muito consciente, ele não tem tantas regras, ele não te estipula em todas as versões dele, por exemplo, placares.

Várias versões de Pong não tinham placares, você que tinha que anotar no papel se você quisesse um placar.

ABAdriano Brandão

Claro, e da mesma época tinham aqueles jogos em que tudo que você consegue fazer com videogame é controlar um ponto brilhante na tela.

DSDanilo Silvestre

Que aí você coloca um celofane colado na tua TV de tubo e aí faz um cenário, ele faz um labirinto, ele faz um campo de futebol. E se você obedece o labirinto, é problema seu.

ABAdriano Brandão

Exato, né? O jogador é responsável por criar o contexto, as regras, até o terreno, né?

DSDanilo Silvestre

Tudo é feito pelo jogador. E isso é total brinquedo, né? Você tem um treco que faz duas coisas, sei lá, mostra uma coisa na tela. Aí você, quando você mexe um controle, aquilo na tela se mexe, ponto. Aí a partir daí, ó, é com você, se vira.

ABAdriano Brandão

E aí você brinca com aquilo, basicamente uma parte brincadeira até na parte do desenvolvimento. A pessoa que tá criando esses jogos, ele tá simplesmente vendo o que dá para fazer com a tecnologia, vendo como é que você pode interagir com esse monitor, como é que você pode fazer com que uma coisa se mexa nesse monitor. Como é que um botão pode causar uma resposta no monitor? Tem algo de lúdico em criar esses jogos, porque esses jogos não têm intenção.

Sim, esses jogos não têm uma proposta pré-determinada, eles não tentando se adequar a um nicho de mercado.

DSDanilo Silvestre

É um jogo que ele é um jogo aberto, e significa que ele se amolda ao jogador e não o contrário. Não é o jogador que entra dentro do jogo e entende as regras e se amolda ao jogo. Não, não. Esse é um jogo que ele tá ali meio amorfo e o jogador é que dá forma pro jogo.

ABAdriano Brandão

É, o desenvolvedor tá experimentando com a tecnologia e quando ele consegue descobrir que dá pra fazer alguma coisa, né, com essa tecnologia, ele oferece pro jogador fazer o que quiser com ela, né?

DSDanilo Silvestre

Sim.

ABAdriano Brandão

É quase como se fosse um objeto mesmo, é um objeto lúdico, também conhecido como brinquedo.

DSDanilo Silvestre

Brinquedo! É isso, o videogame era um brinquedo e Isso é tão marcante que ele foi vendido em lojas de brinquedo por décadas, né? Ele já tinha se emancipado do brincar, já tinha virado um jogo com toda a potencialidade dele realizada, mas continuava sendo vendido em lojas de brinquedo.

ABAdriano Brandão

E sabe o que é engraçado?

DSDanilo Silvestre

A Nintendo, quando lança o Nintendo Entertainment System, o NES, o Nintendinho, nos Estados Unidos, ela quer vender em lojas de brinquedo, ela não quer vender em outras lojas, ela quer vender como brinquedo.

ABAdriano Brandão

E eu acho engraçado que a tecnologia ela pode ser considerada brinquedo ou tecnologia dependendo da função dela. Então se eu aperto um botão e liga uma luz e essa luz tem como função iluminar meu ambiente, é uma lâmpada, é uma lâmpada, e vai estar na área de tecnologia da loja. E aí o adulto vai comprar. Se você aperta um botão e liga uma luz colorida que não tem absolutamente nenhuma função ou serventia, Você vende para uma criança, porque a criança vai gostar de apertar aquele botão só para ver a luz ligando ou desligando.

Exato, tem a ver com a serventia. Quando você faz uma conquista tecnológica que ela não serve em absoluto para nenhum propósito prático, você tá criando um brinquedo. É, por mais tecnológico que seja esse brinquedo, se divorciou aquela tecnologia da utilidade.

DSDanilo Silvestre

Exato. Então aquele sistema osciloscópio que media as oscilações da linha de energia elétrica do Nordeste dos Estados Unidos, que o cara adaptou para virar um jogo de tênis, ele perdeu completamente a utilidade dele de medir a linha elétrica, né?

ABAdriano Brandão

Então, tipo, ele sai da parte de tecnologia do supermercado e vai parar na parte de brinquedos.

DSDanilo Silvestre

Então o jogador de videogame, ele nasce como uma criança que brinca, né? É uma ideia que existe até hoje, porque o fato de diante de ter o videogame como um eletrodoméstico, como um eletrônico super sofisticado, caro, etc., não divorcia que tem um público que brinca com ele, que quer pegar no videogame e fazer coisas muito simples, principalmente crianças mesmo. Tem muitas crianças pequenas que têm o primeiro contato com videogame, elas não entendem o mundo das regras do jogo, elas querem a sensação, elas querem o sensorial de ver aquelas coisas se mexendo, de apertar o botão e ter uma reação.

ABAdriano Brandão

Isso é só isso, É apertar um botão e ver o que que ele causa.

DSDanilo Silvestre

Eu sempre lembro do vídeo que a gente fez no YouTube jogando o jogo do esconde-esconde do Barney, o dinossauro roxo. Era um jogo feito para crianças, então ele não tinha nenhum aspecto de jogo. Ele não tinha desafio nenhum, tudo era possível. Você tinha que encontrar os amigos na floresta lá, mas eles estavam ali na tua cara. Você só passava ali, ele aparecia.

ABAdriano Brandão

Você anda, olha para ele, ele fala, ah, você me encontrou. É só isso.

DSDanilo Silvestre

Aí você dá beijinhos nas coisas do cenário. É muito fofo o jogo.

ABAdriano Brandão

E tipo, é só isso, é interação, não é desafio. É porque a gente, né, isso é assunto para outros Poco Pixels, mas a gente aprendeu a confundir interação e desafio na história dos videogames. Mas um não é necessariamente ligado ao outro, e os videogames certamente não surgem assim.

DSDanilo Silvestre

Sim. E aí eu acho que o do brincar sem escala, ele já encaixa num outro tipo de verbo que a gente pode encaixar aí jogar, que é a coisa comunal, a coisa de se estar junto. Os adultos usam muito o verbo brincar para se referir às crianças e pedir para as crianças ficarem juntas. É muito comum, do tipo: ah, vai brincar lá com seu amiguinho, vai brincar lá com seu irmão.

ABAdriano Brandão

Brincar é brincar junto, né?

DSDanilo Silvestre

Brincar significa estar junto. Às vezes a criança não faz nada efetivamente quando tá, encontra o amiguinho, quando encontra o priminho, sei lá, Ele simplesmente está junto ali, ele tá lá, eles se conversam, um corre atrás do outro, sei lá, pronto. Pro adulto, aquilo é brincar. Estar junto com o outro é brincar. Vai brincar com seus amiguinhos.

ABAdriano Brandão

E a gente fica surpreso, né, de quando duas crianças acabam de se conhecer e aí em segundos elas já estão, entre aspas, brincando juntas.

DSDanilo Silvestre

Isso.

ABAdriano Brandão

Sei lá o que elas estão fazendo, às vezes elas só estão correndo, né.

DSDanilo Silvestre

E aí o videogame é um elemento muito forte de socialização. Pode ser as crianças brincando, porque existia, né, a pessoa tinha um Pong e aí a criança brincava e chamava outras crianças para brincarem juntas, tudo bem. Mas tem um ambiente público que isso acontece que é muito interessante, que é o fliperama. E a origem do fliperama é eminentemente tecnológica e econômica. É muito caro fazer um equipamento eletrônico de jogos e você não pode colocar na tua casa esse equipamento, é caro demais.

ABAdriano Brandão

Você põe num lugar que seja público, né?

DSDanilo Silvestre

E aí você põe no lugar que seja público para fazer aquele efeito do você compartilhar o tempo com as pessoas, é tempo de jogo você tá compartilhando, você divide o tempo de jogo com as pessoas. O fliperama é isso. E aí acontece uma socialização por conta da economia do jogo. O jogo está lá, ele não é pensado para ser social, ele é só pensado para você e a máquina. Mas como ele tá no lugar público, as pessoas vão se reunir em volta dele, as pessoas que gostam do jogo vão voltar a frequentar os mesmos lugares porque elas querem jogar aquele jogo.

Os fabricantes percebem isso e já começam a fazer jogos que são jogáveis um com o outro, né? Você tá todo mundo no lugar lá, o arcade, você cria mais um, bota mais uma manopla ali e faz o jogo ser um contra o outro, né? Os primeiros jogos eram jogos de fazer a bolinha bater na parede, não precisa de um segundo jogador, né?

ABAdriano Brandão

Eu acho que esse que é o paradoxo interessante, porque a gente falou aqui, né, o brincar é muito coletivo, o brincar é muito social. Mas a partir do momento em que os videogames conseguem ficar mais estruturados, eles substituem, né? Eles substituem justamente o outro jogador. A gente já falou aqui em vários momentos de história dos videogames em que os videogames começam a reproduzir jogos que já existem, e o componente tecnológico é simplesmente colocar um computador para fazer às vezes de um adversário.

Então ele começa a virar um jogo que deveria ser solitário, ele deveria ser monojogador. O que não acontece, e não acontece nos fliperamas pelos motivos que você deu, né? A gente tem que usar o mesmo objeto, né? O mesmo arquétipo, compartilhar com muitas pessoas. Mas não acontece nem naquelas universidades em que eu falei que as pessoas estavam criando os computadores dela que serviam para trocar informação, mensagens.

DSDanilo Silvestre

Exato, começaram a jogar, né?

ABAdriano Brandão

Os computadores, eles eram bons de trocar essas coisas. Era a graça desses computadores universitários no começo, é que eles mandavam informações de um para o outro. E aí, mesmo quando os jogos eram para um único jogador, eles se trocavam fases, eles se trocavam mods. Os primeiros jogos que são feitos nessas universidades eram alterados por outros jogadores o tempo inteiro e depois compartilhados. Então ele é social mesmo quando os jogos são para um jogador só.

E no arcade isso fica muito evidente. Pac-Man não é um jogo multijogador, só tem um Pac-Man na tela, né? Flipperamas, arcades, são lugares em que muitas pessoas jogam juntas o Pac-Man, mesmo que um de cada vez.

DSDanilo Silvestre

Elas ficam vendo, existe um voyeurismo de videogame, surge instantaneamente, né?

ABAdriano Brandão

E grupos de amigos iam juntos, você ia com seus amigos. Onde a gente vai hoje? Vamos jogar futebol? Vamos jogar flipperama? Vou jogar flipperama.

DSDanilo Silvestre

Sim, é isso, é uma atividade comunitária pública, mas também tem uma atividade comunitária doméstica. São pessoas que você chama para jogarem videogame com você na sua casa.

ABAdriano Brandão

Exato. E aí, até porque no fliperama, sabendo que as pessoas estão indo juntas, os jogos começam a ficar multijogador.

DSDanilo Silvestre

É isso.

ABAdriano Brandão

E aí é claro que isso é carregado quando os consoles vão para as casas.

DSDanilo Silvestre

Isso para mim era muito marcante, porque eu sou filho único e nunca tive muitas pessoas ao meu redor. Os videogames que eu ganhava, comprava, sempre vinham com 2 controles, né? Isso é uma coisa que mudou com o tempo, né? Os controles sofisticaram e agora você compra, daqui a pouco vai vender sem controle nenhum, né? Mas faça o seu próprio controle, sei lá, controle com gesto, com pensamento. E se você quiser algum joystick, você vai ter que pagar.

Mas quando você comprava um Atari 2600 nos anos 80, um Dactar, vinha 2 controles.

ABAdriano Brandão

Perfeito.

DSDanilo Silvestre

Porque era imaginado, era uma pressuposição que um aparelho que fosse, que tivesse o preço que o Atari tinha, que monopolizava a TV da sala, tinha que ser usado por mais pessoas.

ABAdriano Brandão

É porque a televisão é uma experiência muito coletiva, né? A família senta para assistir televisão.

DSDanilo Silvestre

Você vai usar a TV só para você? Eu vou, eu botei o meu aparelho aqui, vou ficar monopolizando, ninguém mais brinca? Não. Por padrão, o fabricante já coloca um segundo controle para uma pessoa brincar junto também.

ABAdriano Brandão

E eu lembrei aqui a mesma lógica do arcade, né? Minha mãe contando de quando surgiu a televisão. Minha mãe nasceu em 54, quando as televisões começaram a chegar nos lares brasileiros, de que tinha uma televisão na rua.

DSDanilo Silvestre

Sim.

ABAdriano Brandão

E aí todo mundo na rua ia para aquela casa para todo mundo assistir televisão juntos.

DSDanilo Silvestre

Eram os televisinhos, né?

ABAdriano Brandão

Isso, os televisinhos são aí precursores da ideia de que o arcade é muita gente compartilhando o mesmo, o mesmo console.

DSDanilo Silvestre

E aí no console caseiro também tinha isso. Isso, por isso que vem com dois controles, vem com dois controles para você jogar com as pessoas da tua casa, mas isso se extrapola muito rapidamente para rua, para os seus colegas da escola. Crianças são notoriamente sociais, gregárias, elas têm sempre, tem muitas pessoas ao redor delas. Então a visão que eu já fiz aqui, já enunciei isso no Pico Pix várias vezes, a visão do quarto dos moleques de 10 anos, 10, 11 anos, cheio, 5, 6 pessoas no quarto pequenininho, em volta de um Master System jogando California Games é o clássico assim da socialização, do ato de brincar no sentido do adulto que fala, vai brincar com os amiguinhos, do ato social de se estar junto.

Essas pessoas estão jogando videogames, mas na hora do California Games só tem uma pessoa jogando por vez, tem uma pessoa jogando, 5 pessoas socializando. Né, tão curtindo aquele momento.

ABAdriano Brandão

É uma experiência coletiva isso.

DSDanilo Silvestre

E a gente fala que elas estão fazendo o quê? Elas estão jogando videogame, né? Mas elas não estão, elas estão fazendo outras coisas, mas elas estão jogando videogame para todos os princípios. Então jogar também é o ato de estar em comunhão com as outras pessoas, né?

ABAdriano Brandão

E é muito divertido porque parece na contramão daquilo que os joguinhos faziam de melhor, que era substituir o jogador humano. Sim, trocar o jogador humano por um computador, mas a gente quer pessoas, a gente quer que seja uma experiência social, né?

DSDanilo Silvestre

Pessoas gostam de pessoas, né? Tem uma outra experiência social que a gente lembrou aqui, que não é o arcade e também não é a casa, a sala das pessoas, que é a locadora, o ambiente público. Que aí ele tem duas facetas. Ele tem a faceta de ser um ambiente público que é meta, que as pessoas se encontram para alugarem jogos. E aí elas conversam, elas conversam sobre os jogos que elas vão alugar, elas perguntam: esse jogo é legal, não é legal?

A comunidade ao redor da locadora vira uma coisa viva, que sabe quando chegou um jogo novo na locadora, pede os jogos que querem jogar para o dono da locadora, para a pessoa que atende ali. Cria-se uma comunidade metajogo, não é? Elas não estão jogando, mas elas estão falando sobre o jogo em comunidade na locadora. Mas com o tempo também virou lugar de jogar, em que as pessoas alugam o tempo de consoles que deveriam estar em casa.

ABAdriano Brandão

Eu não sei se essa experiência é muito universal, mas pelo menos no sul global, digamos assim, me parece que é bastante universal. Na minha infância era muito comum locadora que alugava os consoles, né, não para você levar para casa, você alugava o tempo ali, você ficava lá e jogava, e Eu passei muito tempo numa locadora perto de casa que tinha um hall muito grande na entrada com sofás e cadeiras, mas as pessoas ficarem lá, as crianças e adolescentes passavam o dia inteiro ali, elas ocupavam aquele espaço.

Era um espaço que uma criança podia sair de casa e ficar, e aí ficava vendo quais jogos eram alugados, quais jogos chegavam.

DSDanilo Silvestre

Aí às vezes pagava uma horinha de um console, jogava um pouco, depois voltava para o sofá, as locadoras de vídeo também faziam isso de uma certa medida para filmes, né? Eu me lembro muito, muito bem da socialização da locadora de filmes, de ter— ela não vendia só aluguel de filmes, ela também vendia pipoca de micro-ondas e balinhas, toda uma economia do filme, né? E as pessoas encontravam, perguntavam: o filme chegou? Não chegou? Que filme que chegou? Você fazia amizade com cada locadora.

ABAdriano Brandão

Sabe que eu trabalhei numa locadora por um tempo?

DSDanilo Silvestre

Mas uma época diferente, uma época diferente.

ABAdriano Brandão

Mas assim, eu trabalhei numa das últimas locadoras de VHS, de filmes de arte em VHS. Então tinha muita gente que ainda ia lá pegar, e as pessoas conversam com os atendentes, elas querem conversar, elas querem conversar, elas botam em papo, elas perguntam o que chegou, o que recomenda, se conhece algum filme de certo estilo. Tem ali uma tentativa de criação de vínculo indo na locadora.

DSDanilo Silvestre

Sim, é muito legal. E aí eu acho que eu vou pular o nosso roteiro por uma coisa que eu acho que é muito colada nessa história da locadora, que é o meta. Que é, o jogo ele não é só jogar, o jogo é uma cultura que se cria em torno do jogo. Porque a locadora é um pouco isso, é um pouco um santuário da cultura de videogame, certo? A criança ficava o dia inteiro lá, ela jogava, quando ela tinha dinheiro ela jogava uma horinha lá de Neo Geo, mas quando ela não tinha ela só ficava ali em volta.

Ela tava recebendo os fluidos assim do videogame ali, sabe? Não é? E aí, o que que tem na locadora geralmente? Cartaz de jogo, tem as próprias caixas dos jogos que ficam ali. Nem sempre eles estão disponíveis, mas as caixas ficam sempre disponíveis para você olhar na locadora.

ABAdriano Brandão

E muita comida de criança. Tem comida de criança, balinhas, docinho, chocolatinho, é mil coisinhas assim.

DSDanilo Silvestre

E revistas de videogame. Aí as pessoas sentam e conversam sobre os jogos. Você tá vivendo uma cultura compartilhada quando você vai na locadora. E essa cultura compartilhada não existe, obviamente, só na locadora. Ela também, ela pode ser intermediada, e você virtualiza ela e leva para casa, em revistas, em programas de televisão, no caderno específico num jornal. Então jogar também é pertencer a uma cultura ampla que não necessariamente é gregária.

Não preciso estar junto com outras pessoas, mas só o fato de ter revistas já faz você participar de uma cultura. E você uma vez, no Poco Pix, falou que por um certo momento você não tinha nenhum videogame, mas você lia as revistas, você sabia o que tava sendo lançado, qual que era o papo que acontecia em torno dos videogames por causa das revistas.

ABAdriano Brandão

Eu passei muitos anos sem um console, sem jogar videogame em absoluto, mas eu tava inteirado porque eu continuava comprando as principais revistas.

DSDanilo Silvestre

Você comprava as revistas, né? Isso significa participar da cena, mesmo que você não jogue efetivamente. A cena tá lá e você participa dela. O Poco Pix é isso.

ABAdriano Brandão

O jogar, verbo intransitivo, mostra que jogar às vezes não envolve nem jogar. É Exato, você tá jogando mesmo que você não toque num controle, né?

DSDanilo Silvestre

Eu fiz muito isso que você fez de comprar as revistas. Eu me lembro que eu tinha uma cena que grudou na minha cabeça, não sei por quê, daquelas coisas que a gente pode levar para o analista assim, porque são pequenas memórias que surgem assim, eu não sei muito bem por quê. Eu morava em Curitiba nessa época, acho que foi meu primeiro ano de Curitiba, e eu não tinha—

ABAdriano Brandão

você foi com quantos anos?

DSDanilo Silvestre

Eu fui em 91, então eu tinha 13, tava na 7ª série, né? Eu fui pra Curitiba em 91 e não tinha um computador, eu não tinha um PC, eu tinha um MSX. Então eu comecei a procurar lugares pra comprar os jogos de MSX. E esses lugares funcionam também como uma socialização diferente da locadora, só que você não aluga os jogos, você compra a pirataria dos jogos, né? Então eu ia lá e comprava o disquete que o cara copiava pra mim os jogos que eu pedia.

E aí eu perguntava, que jogo que é bom, que jogo que não é bom. Beleza, esse é uma coisa. Então eu exercia uma certa cidadania do MSX indo nessas lojinhas. Eu me lembro de várias em Curitiba. Mas eu também comprava as revistas. E eu me lembro muito bem de um dia que eu fui comprar um pão na padaria. Era uma padaria que tinha, era meio que na frente de casa assim. Tipo, eu morava num prédio que você conhece. Eu morava nesse prédio e meio que atravessando a rua, um pouco mais para esquerda, tinha uma padaria.

E eu ia nessa padaria e essa tinha, às vezes nessa padaria tinha uma prateleira de revistas. Eu lembro. E aí um dia eu fui nessa padaria, encontrei, tinha uma revista chamada Ação Games PC Games, e a capa era sobre o Indiana Jones e a Última Cruzada. E eu comprei. Eu não tinha um PC, eu não tinha videogames, eu tinha um MSX. Mas eu comprei, eu comprei pão em uma revista de videogame que eu fruí por dias, semanas. Eu ficava vendo lá o cara falando do jogo do Indiana Jones e a Última Cruzada.

Eu só fui conseguir jogar esse jogo, tipo, sei lá, 2, 3 anos depois, quando eu consegui finalmente um PC 386. E quando, sei lá como, eu consegui o jogo pirateado, porque não era tão fácil assim, não era ir na loja comprar, claro. Até tinha na loja, a Brássoft trazia os jogos, mas não era o que acontecia na prática. Alguém me passou uns disquetes que tinha um monte de coisa, e uma dessas coisas era o Indiana Jones.

ABAdriano Brandão

Muitos anos depois.

DSDanilo Silvestre

Eu joguei depois, inclusive, que o Fate of Atlantis, porque a pirataria é mais fácil das coisas mais atuais, mais recentes.

ABAdriano Brandão

As coisas velhas são difíceis de achar.

DSDanilo Silvestre

Isso. E aí um dia caiu esse jogo mais velho. Mas eu lembro muito, eu queria participar da cena de PC gaming sem um PC. E a revista que me fazia participar da cena. É uma historinha aí que eu não sei por que eu me lembro, até do clima que tava no ar assim. É engraçado, a memória tem dessas coisas assim.

ABAdriano Brandão

É que assim, são momentos de encantamento. Eu acho que a gente lembra porque é encantador você se deparar com jogos novos e tecnologia nova e coisas que são assim sedutoras. E talvez até mais sedutoras porque a gente não tinha acesso, porque a gente não podia jogar. Eu lembro muito bem de resenhas de jogos de Neo Geo, de revistas da Super Game Power, que resenhava assim com detalhes.

DSDanilo Silvestre

King of Fighters, não sei o quê.

ABAdriano Brandão

Eu nem gosto desses jogos, mas assim, eu não podia jogar e eu ficava vendo aqueles prints horrorosos e a qualidade da imagem parecia fantástica porque era um Neo Geo. O meu Geo era assim, tecnologicamente era muito superior ao resto. Mas eu lembro com muita vivacidade, era uma espécie de fascínio de estar descobrindo um animal novo na natureza, sabe?

DSDanilo Silvestre

É muito legal, é pertencer à cena, é jogar, é jogar sem jogar mesmo, né? E tem, e eu acho que muito do que é esse podcast que você tá escutando agora, o Poco Pixel é sobre isso, é sobre pertencer a uma cultura. Então, no fundo, a gente, a gente quer falar sobre a história dos videogames, a gente quer pensar jogabilidade e tal, mas no fundo o que tem no undercurrent da história do Poco Pixel é a gente quer acima de tudo participar da cultura de videogame.

Sim, não jogo muito videogame e tô aqui fazendo podcast todo mês participando da cena sem jogar.

ABAdriano Brandão

E dela participar lendo, ouvindo, e dela participar falando, né? A gente gosta de pensar essa cultura, né? A gente gosta de pensar o jogar, no fundo.

DSDanilo Silvestre

Exato.

ABAdriano Brandão

Então, que é o nosso jeito de jogar junto, né?

DSDanilo Silvestre

O caso de você ser especialista num jogo que você nunca jogou é real, porque você pode ter visto muito vídeo, você pode ter lido muito sobre. Eu me lembro que quando a gente começou o Poco Pixel teve vários estímulos, e todos esses Todos é muito. A maior parte dos estímulos para a gente criar o Poco Pixel não foram jogos em si, foram coisas sobre jogos.

ABAdriano Brandão

Foi o Angry Video Game Nerd, foi o 99 Vidas, o podcast, foi o fato que eu tava escrevendo resenhas de jogos no Playfire, que era uma comunidade tipo um Facebook para jogadores.

DSDanilo Silvestre

Exato. E somando-se a isso, o advento do Raspberry Pi, que foi o um jeito que de repente a gente podia jogar emuladores não no computador mais, mas na televisão com um controle do Xbox. Então esse foi um estímulo de videogame mesmo. Todos os outros são coisas sobre a Meta, e a gente se sentiu estimulado o suficiente para fazer o Poco Pix, primeiro o blog e depois o podcast. Quer dizer, é participar da cultura, é muito atraente, né?

ABAdriano Brandão

E eu acho que quando a gente começou, a gente teve algumas conversas sobre streamers e gente que assiste streaming. E eu acho que eu tinha muito mais preconceito do que eu tenho hoje. Eu achava, eu tava muito ligado numa visão teórica de que jogo é sobre agência, e de que se você não tá interagindo e você não tá tomando decisões, você não tem agência mínima com o jogo, você não está jogando. E aquilo é pior, não é que você não tá jogando, é que não faz sentido.

Vai assistir um filme. A minha lógica era: por que você tá assistindo alguém jogar jogo de videogame? Vai assistir um filme.

DSDanilo Silvestre

Esse episódio chama Meu Tesão é Assistir, e a gente precisa de refazer.

ABAdriano Brandão

Eu acho que mudou muito, mudou muito. A cultura streamer mudou muito, mas eu acho que a nossa opinião sobre isso também, porque assistir alguém jogar não é ter agência, mas é participar da cultura do jogo.

DSDanilo Silvestre

Exato.

ABAdriano Brandão

Ver alguém tomar uma decisão é ainda assim saber que existe uma decisão. Sim, é ainda entender que existe agência, mesmo que seja de outra pessoa.

DSDanilo Silvestre

Exatamente.

ABAdriano Brandão

Não é a mesma coisa que assistir um filme, obviamente, né?

DSDanilo Silvestre

Você tá vendo alguém decidir ali em tempo real, mas é fascinante do mesmo jeito.

ABAdriano Brandão

Exato, tem seu fascínio. É outro jeito em que o jogar acontece, assistindo outras pessoas jogarem.

DSDanilo Silvestre

Exato, é totalmente, né?

ABAdriano Brandão

E que a gente já fazia, já acontecia lá naquelas locadoras que alugavam consoles por hora, que era muito comum de videogame. Você fica lá por perto e você vai assistindo as pessoas jogarem.

DSDanilo Silvestre

O fliperama era um ambiente lotado por 200 tipos de pessoas diferentes, mas a maior parte dessas pessoas tava lá para só para ver, porque é caro, você não consegue jogar tanto no fliperama, você fica comprando ficha, é meio inacessível. Então você fica ali, você fica escutando a musiquinha dos jogos e fica só olhando de canto todo mundo jogando. E às vezes você descola até ajudar alguém e joga um pouquinho, mas sempre tem essa Essa chepa do fliperama é real, assim, é muito, muito forte.

As pessoas querem participar sem jogar, é totalmente jogar. Não jogar é jogar também.

ABAdriano Brandão

Perfeito.

DSDanilo Silvestre

A gente tava falando de uma coisa um pouquinho mais cronológica, de jogar como brincar e jogar como tá junto e na locadora e fora da locadora. E aí tem uma questão cronológica muito legal que é muitos dos primeiros videogames não eram videogames, eles eram computadores. Tanto lá os computadores de 8 bits do MSX, o Commodore 64, ZX Spectrum, como depois os PCs mesmo, né, a partir do comecinho dos anos 80. E jogar inevitavelmente significava lidar com aquele trubisco de plástico e silício que você tinha, que tava na tua mão.

ABAdriano Brandão

Você tem que saber usar a máquina, saber usar a maldita máquina.

DSDanilo Silvestre

O quanto de tempo que a gente gastou com coisas que não eram exatamente jogar, mas que estavam envolvidas no videogame?

ABAdriano Brandão

Fazer funcionar, simplesmente isso.

DSDanilo Silvestre

Porque é, né, é um constrinte impossível de pular, a barreira física do próprio, da própria tecnologia.

ABAdriano Brandão

Eu te amaldiçoo todos os dias por me colocar numa situação em que eu tinha que pegar fitas cassete de MSX botar naquela porcaria daquele leitor de fita cassete, e aí botar para rodar e fazer nada, esperar 10 minutos e o jogo não carregar, e tentar entender por que que não está carregando. Fazer funcionar o jogo, aparecer, já era um inferno.

DSDanilo Silvestre

Porque o lance é o seguinte: uma vez já que funcionou, eu já vi funcionar, já vi funcionar, aí não funciona, aí funciona de novo. O que tá acontecendo? É aleatório?

ABAdriano Brandão

Eu sabia alguns jogos apareciam, outros jogos não apareciam.

DSDanilo Silvestre

É que a fita magnética é um lance. Vamos conversar sobre a ontologia da fita magnética. A fita magnética é uma contradição em si, assim, porque ela é um meio analógico que você tá usando para guardar dados, sinais digitais. Eles não são digitais no jeito como ele é comportado numa fita, porque a fita é analógica. O que ela tem é só ondas. E a palavra analógico significa literalmente é parecido, não é igual, é por analogia, é próximo.

Só que você tá gravando ali coisas que não são próximas, são exatas, que são sinais 0 e 1 do código binário dos programas. Então você tá fazendo uma conversão de coisas que são aproximadas com coisas que são discretas, precisas, singulares, zeros e uns.

ABAdriano Brandão

Você tem que fazer uma marca na fita que ele entenda como um som, e esse som tem que ser entendido como um 0 e 1.

DSDanilo Silvestre

São muitas camadas, muitas camadas. Então o cara, ele, o software lá e o hardware do computador transforma os zeros e uns em sons. Esses sons estão imprecisos e gravados numa fita cassete. Aí eles são lidos imprecisamente também como som pela, pelo leitor, que vai converter, que o computador vai ter que converter isso para sinais assim, a fita cassete, ela é uma, é um treco de plástico com material magnético em cima. Aquilo no calor aumenta um pouquinho, diminui um pouquinho.

Ele com a oscilação da linha elétrica faz girar um pouquinho mais devagar, um pouquinho mais rápido.

ABAdriano Brandão

E fora que assim, ele é um material muito maleável, muito, e que tem que ser emaranhado e desemaranhado com frequência, assim, muitas vezes, toda vez que você usa, né? Então vai, vai Tem vários casos.

DSDanilo Silvestre

Quando você escuta música, a música é analógica por definição. Você tá escutando ondas sonoras, não são digitais, são analógicas. Tanto que o CD ou Spotify tem que fazer o processo contrário, né? Ele transforma bits em sons, né? Ele faz o contrário, né? E aí a gente não percebe que distorce um pouquinho, que mexeu um pouquinho. Só que o computador é mais sensível, ele sabe, não tá certo. Daí caga o teu jogo, entendeu?

ABAdriano Brandão

É, às vezes uma coisa, né, um som que ele entendeu errado, já era o jogo.

DSDanilo Silvestre

Pronto, já errou o jogo.

ABAdriano Brandão

Mas assim, a gente ficava tentando entender como funcionava, e isso envolvia saber escrever códigos no terminal, saber ver se uma placa de vídeo tava funcionando, né, e depois nos PCs, né, instalar atualizações, tentar instalar às vezes manualmente um hardware, né.

DSDanilo Silvestre

Quantas vezes a gente não teve que trocar o computador?

ABAdriano Brandão

Trocar. Eu lembro de você desesperado lá quando uma vez queimou um processador, tipo teve que ir lá passar pasta térmica. Sim, a gente dava um jeito. Por quê? Por que que me deixavam? Eu só tinha 6 anos. Mas aqui na prática, assim, não é um meme, eu só tinha 6 anos. Como é que eu vim parar aqui? Eu só tenho 6 anos. Eu tinha 6 anos. Quem me deixava abrir um computador e ficar mexendo nos componentes? Mas assim, deixavam porque os adultos não faziam ideia do que tava acontecendo.

E eu era o único interessado, era eu que queria fazer aquilo funcionar. Se não funcionasse, não jogava.

DSDanilo Silvestre

Ninguém ia fazer por você, né? A gente aprendia a fazer isso.

ABAdriano Brandão

Eu vi recentemente um vídeo de um pai com um filho, acho que de 12 anos, e o pai tá fazendo pergunta sobre como é que o filho usa o celular. Então ele quer saber do tipo, como é que você, qual atalho você usa, onde é que você clica, como é que você mexe no seu fundo de tela, você mexeu essas configurações, você mexeu aqui na sua tela inicial, o que que você escolheu? É muito legal descobrir como é que é o uso de um adolescente, muito interessante.

E acho que a coisa mais importante é: eles não sabem como funciona, eles não sabem configurar nada. Ele sim, ele tem lá uma, um widget com ações da bolsa que fica aparecendo para ele. Ele tem 12 anos, ele não tem bolsa, ele tá lascando com a bolsa, mas assim, tá lá e ele nunca soube como tirar da frente.

DSDanilo Silvestre

Ficou, só ficou.

ABAdriano Brandão

A nossa questão era mais drástica, porque se você não tirasse o negócio da bolsa, se você não consegue conseguir se mexer em alguma coisa específica, o jogo não rodava. Então a gente tinha que aprender a mexer como necessidade para jogar.

DSDanilo Silvestre

Isso, tudo era muito, exato, e era tudo muito mais complicado pelo fato de que a gente não tinha acesso aos jogos originais de computador, era uma pirataria que isso adiciona camadas de complexidade. Tem que, você tem que aprender compactar e descompactar os arquivos do RAR, do ARJ, sei lá do quê, do ZIP. Você tem que saber fazer o crack, hack, tirar a proteção de cópia do jogo.

ABAdriano Brandão

Computador funciona de um jeito em um e de outro jeito em outro.

DSDanilo Silvestre

E aí, quando você compra o jogo na loja, na caixinha, na big box, vem lá o manual que fala o computador tem que ter isso, que a placa sound blaster, não sei o quê. Quando é pirata é qualquer coisa, você não sabe. Então tipo, você vira o monstrinho do computador por causa do videogame.

ABAdriano Brandão

Exato, você começa a consertar computador pra família. Mas por quê? Porque eu queria jogar.

DSDanilo Silvestre

Eu aprendi pra jogar e aí agora faço tudo com isso.

ABAdriano Brandão

E é curioso, tipo, é jogar também, né? É o pré-jogo, ele é jogo.

DSDanilo Silvestre

Eu preciso dizer que por muito tempo na minha vida isso era mais legal pra mim do que o jogo. Saber fazer o FIFA funcionar, o do ano. O FIFA do ano é um mistério. Você tem um computador que já tem uns 3 anos, aí você compra o FIFA do ano. Compra assim do tipo, pede para o amigo copiar o CD lá. Aí chega, eu fico, você vai jogar ou não? Vai rodar? Aquilo vai rodar? Não sei. Aí sabe Deus, né, se eu tenho que comprar mais memória, eu tenho que comprar uma outra placa de vídeo.

Enfim, todo mundo era especialista em placa de vídeo, né? Sabia as marcas, as Matroska e as não sei o quê.

ABAdriano Brandão

Era necessidade. Mas assim, isso não quer dizer que não seja, que não possa ser divertido. Eu acho que para mim era mais sofrimento do que diversão.

DSDanilo Silvestre

Eu me divertia muito.

ABAdriano Brandão

Então tem gente que gosta de aprender regras de jogo de tabuleiro, não joga o jogo de tabuleiro. Tem gente que gosta de ficar estudando livro de RPG, é verdade. Tem muita gente que estuda mitologia de uma série e não tem nunca interesse em assistir essa série, né? Então acontece, faz parte, né? Tá no universo expandido, né, do jogo. Sim.

DSDanilo Silvestre

Quantas pessoas não começaram na informática Esse termo antigo que ninguém usa mais. É verdade, né?

ABAdriano Brandão

Esse termo já era, né?

DSDanilo Silvestre

Esse termo já era por causa de videogame, por causa de principalmente de jogos nos computadores, muito, né? E o computador era visto como uma entrada meio natural para os jogos por dois motivos. O primeiro é que os pais é que comprava esses equipamentos e eles tinham as necessidades deles. Ah, eu preciso de trabalhar, eu vou botar o Word, sei lá, alguma coisa assim. Então o computador meio que ele tinha essa desculpa: eu não vou, não vai ser só para o meu filho jogar, ele também serve para eu fazer as minhas coisas do escritório.

Não era de verdade, mas a desculpa era bem boa assim. E a segunda é que os jogos você pirateia muito fácil. Então tem um estímulo econômico de você ter um computador em vez de um console. Eu vou comprar um monte de copiar jogo dos meus amigos, é a festa da pirataria. Então vale a pena, não é? Você paga mais aí no computador, mas vale a pena depois. Né? Então muita gente entrou nisso por conta de computadores. Tem que saber usar.

Eu vejo um monte de canais de YouTube que até hoje ficam montando e desmontando computadores dos anos 90, especificamente dos anos 90, esses Compaqs, não sei o quê, dos anos 90, porque é divertido, porque tem esse jogo, tem a nostalgia, claro, mas também tem esse jogo de fazer esses componentes muito díspares funcionarem, sabe? Hoje em dia é muito mais fácil, né, para organizar, né. Os computadores são caixas pretas, né. E aí o computador acho que introduz a gente numa outra questão sobre jogar.

Jogar é habitar, porque conforme o equipamento que você tem, você vai mudando de lugar na casa. Então o videogame, o Atari, onde que ele fica? Na TV. E onde fica a TV?

ABAdriano Brandão

Na sala.

DSDanilo Silvestre

Aí quando compra um computador Para onde vai esse computador? Lembra da mesinha de computador?

ABAdriano Brandão

Tinha gente na Casas Bahia, sei lá, que tinha uma mesa, uma bandeja retrátil para você colocar o teclado, né?

DSDanilo Silvestre

E o monitor ficava meio alto assim, num lugar mais alto. Tinha até alguns que tinham espaço para você colocar impressora. E assim, existia as caixinhas multimídia, tinha que ter um suporte para elas.

ABAdriano Brandão

Existiam famílias, colocava essa mesa do computador na sala, num cantinho assim, geralmente era num cantinho.

DSDanilo Silvestre

Né? Não era perto da TV, era num lugar longe, por favor, longe.

ABAdriano Brandão

Mas idealmente as pessoas queriam colocar no escritório, no escritório, mas o famoso escritório.

DSDanilo Silvestre

Mas o conceito da casa como escritório não é muito comum. Como muito famoso na época da pandemia, as pessoas que não tinham escritório em casa e que foram obrigadas a trabalhar em casa, elas começavam a trabalhar na cozinha, porque a cozinha tem uma mesa, né? É o único lugar que tem uma mesa. Então as pessoas usavam a cozinha e aí se esforçavam para converter um dos cômodos em escritório. Eu cansei de visitar apartamento para alugar, coisa assim, que tinha um quarto de empregada, a gente chamava assim, hoje não sei como que chama, mas é uma dispensa, é um lugar que fica na área de serviço do apartamento que o cara converte no escritório.

ABAdriano Brandão

É assim, uma mesa, uma cadeira e uma prateleira.

DSDanilo Silvestre

O cara compra uma mesa, uma prateleira, embute Botia acho que é um verbo defectivo, mas enfim, ele coloca ali no quarto e vira um escritório. É um escritório sem janela, tudo ferrado, porque ele era feito para ser uma dispensa, mas ele é um escritório improvisado. As pessoas não tinham isso nos anos 90, nos computadores. O que era mais comum era essa mesa de computador, esse rack de computador, ir para o quarto de alguém. E aí o jogo mudou, mudava de geografia.

Ele deixava de ser um jogo público na sala, que é um lugar público, é um lugar onde as pessoas circulam. A sala é um campo de circulação na casa. E ia para um lugar privado, o quarto, que geralmente a arquitetura coloca os quartos nos cantos, nos lugares em que não há circulação, nos lugares mais íntimos, os lugares íntimos. E o jogo começa a invadir o lugar íntimo, que é o quarto, o quarto dos adolescentes.

ABAdriano Brandão

E é claro que isso muda o jogo, né?

DSDanilo Silvestre

Isso muda o jogo. É o simples fato, jogando um jogo estilo Doom com vísceras e sangue espirrando para todo lado na sala, então não rola.

ABAdriano Brandão

E a gente até falou disso outras vezes, mas a chegada dos jogos na televisão em contrapartida com o monitor muda que tipo de jogo você consegue fazer.

DSDanilo Silvestre

É verdade, né? O monitor, ele tem um, ele é muito disruptivo para os de videogames, porque o monitor e o mouse, né, o monitor fica a poucos centímetros do teu olho, né, a televisão fica a metros do seu olho quando você joga no console.

ABAdriano Brandão

Dá para ter jogos com muito mais texto, precisão, caixinhas, né, muitas escolhas.

DSDanilo Silvestre

E o mouse como um elemento também de precisão, de você clicar para construir uma cidade, mas também para movimentar a mira da arma e coisas desse tipo.

ABAdriano Brandão

Exato. E na televisão é claro que você não vai ter isso. Os jogos vão ter que ser diferentes.

DSDanilo Silvestre

Eles têm que aceitar imprecisão.

ABAdriano Brandão

Exato.

DSDanilo Silvestre

Os jogos têm que ser pensados para serem imprecisos.

ABAdriano Brandão

É, pelo menos nesse tipo de jogabilidade, que eles podem ser muito precisos em qualquer coisa que dependa de tempo de reação com o botão, né?

DSDanilo Silvestre

Sim. Mas para mira, por exemplo, os jogos têm que ser meio magnéticos assim, os de console da época.

ABAdriano Brandão

Demorou muito para a gente pensar numa solução para isso, mas é, acho que principalmente os jogos de caixa, texto, escolha, os jogos formato Deus, né, eles são pensados para monitores. Você mudar o local da casa inviabiliza alguns jogos.

DSDanilo Silvestre

Exato. E aí você joga no quarto, é um jogo escondido, é um jogo, jogo que não acontece na frente das pessoas. Você pode jogar GTA, por exemplo, no quarto. Não sei se as relações são assim tão fáceis de você, de a gente montar, mas é interessante de pensar o quanto que essas mudanças geográficas do hábito de consumo do jogo afeta o próprio jogo que é lançado. Sim, sim, o GTA nunca seria lançado para um console que joga assim na televisão nos anos 90, no começo dos anos 2000.

Ele tinha que estar no computador, que era a princípio, como ele a princípio e cada vez mais visto como um treco individual.

ABAdriano Brandão

Isso é individual, não social, para um público mais adulto, no ambiente mais afastado da casa, que fica recluso, né?

DSDanilo Silvestre

Então jogar também é habitar, você ocupa um lugar enquanto você joga, e aí a sala muda, o quarto muda, são coisas diferentes, é bem legal. E um dia chega o jogo que não habita lugar nenhum, ele habita o teu bolso, que é o portátil.

ABAdriano Brandão

Isso muda também, é porque assim, por mais que um portátil possa ser jogado no ambiente bem privado né, bem recluso, inclusive na privada. Isso, ele também precisa ser jogável no metrô, no ônibus, na fila do banco, na frente de muitas outras pessoas. É, mesmo que a tela não é a coisa mais visível do mundo, você mesmo não consegue, depende do ângulo, né? Mas enfim, ele tem que ser maleável para todos esses lugares. Eu acho que o portátil sempre teve uma crise de identidade justamente por causa da geografia envolvida.

Sim, quais são os jogos que são de portátil? Porque essa é uma coisa curiosa, muito se fala sobre isso, né? Sobre esse jogo tem nesse portátil, mas não é jogo de portátil. Sim, como se existisse um perfil jogo de portátil.

DSDanilo Silvestre

Mas isso, isso é tão— parece que isso é meio instintivo. Por exemplo, o Henk Rogers lá, o executivo da Nintendo, que teve o instinto de perceber que o melhor jogo para lançar o Game Boy era Não Mario, mas Tetris.

ABAdriano Brandão

O Tetris, por quê? Porque jogo de portátil. Mas o que isso quer dizer?

DSDanilo Silvestre

Nem existia categoria e ele percebeu, ele intuiu isso.

ABAdriano Brandão

A gente consegue conceituar, mas assim, dá algum trabalho porque é uma coisa meio instintiva mesmo. Mas acho que envolve sessões curtas, poder parar e voltar sem nenhuma dificuldade, principalmente a falta da—

DSDanilo Silvestre

de novo a gente volta para a questão da tela, né?

ABAdriano Brandão

Tem ter que ser uma coisa que funcione com poucos pixels, assim, com quadrados grandes e tal, que não precisa de muita precisão de visão mesmo, né, de delimitação de objeto. E também precisam ter temas, né, que sejam adequados para todos os ambientes, para consumo público, né, exatamente, para você poder circular por aí jogando.

DSDanilo Silvestre

O Tetris é perfeito, né, e eu sei que são quadrados.

ABAdriano Brandão

Tem gente pensando assim, gente, Que jogo que você não pode jogar em público, né? Não vai jogar pornozão no Game Boy.

DSDanilo Silvestre

Mas não é isso.

ABAdriano Brandão

Nos anos 80 e 90, uma coisa como um jogo de tiro em primeira pessoa não rolaria, era considerado extremamente antiético, era uma coisa vista como demoníaca.

DSDanilo Silvestre

O GTA original, que é sobre carrinhos, jogo de carrinho, já não daria, já era considerado, meu Deus, que coisa mais, sei lá, violenta.

ABAdriano Brandão

É que eu acho que uma senhorinha no banco vendo você jogar o primeiro GTA no portátil, não ia entender nada. Mas assim, ver se o Wolfenstein já ia entender que tem uma coisa muito errada.

DSDanilo Silvestre

É, o Mortal Kombat. Isso, né? Naturalmente, com os computadores vai surgir um outro tipo de sociabilidade que também é igual jogar, que é conversar com as pessoas não na sua casa, nem na LAN, nem no fliperama, nem na locadora. Quer jogar? E conversar pela internet. O jogar online é um outro tipo de jogar também. Estar online é uma espécie de jogo.

ABAdriano Brandão

É, exato. E até viralizou nos últimos anos histórias muito interessantes sobre grupos de amigos que se encontram principalmente no Fortnite, sim, mas também no Roblox, Minecraft, etc., que se encontram não para jogar exatamente. É claro que eles estão jogando, mas assim O objetivo é que eles estejam lá, eles estejam juntos, eles querem estar juntos habitando o mesmo espaço.

DSDanilo Silvestre

Isso acontece dentro de um jogo, isso, mas não necessariamente há uma regra, uma coisa lúdica assim.

ABAdriano Brandão

Não necessariamente eles querem cumprir um desafio, vencer um jogo, eles querem só tá lá interagindo e conversando, dando risada e conhecendo outras pessoas até, né?

DSDanilo Silvestre

Eu fico pensando o que que surge primeiro. Por exemplo, eu sinto que muitas das características de como a gente faz interações online são devidas a jogos, a ideia do jogo online, a ideia de você ter um nickname, que você não tem o seu nome, você não pode usar o seu nome no Doom. Ninguém entra lá no Doom e escreve Adriano Brandão, não. Vai ser um nome tipo, sei lá, Destroyer 2428, sabe? Umas coisas assim. Você tem que ter um nick.

Eu me lembro que quando eu fui trabalhar no Provedor de Acesso, no fabuloso Provedor de Acesso Netpar, até os meus chefes, os donos da Netpar, da Provedor de Acesso, jogavam Quake, porque uma das coisas que motivou o surgimento do provedor era jogar em Quake, né? Eles tinham nomes estrambólicos assim.

ABAdriano Brandão

Claro, tem que ter.

DSDanilo Silvestre

Isso se transferiu também para internet não jogável? Sei lá, quando você entrava no ICQ, as pessoas tinham nomes muito engraçados.

ABAdriano Brandão

Botar o seu nome de verdade no email ou no ICQ, você tinha que botar o nome de não sei o quê.

DSDanilo Silvestre

Eu me lembro que o nosso primo Bernardo, que a gente cita sempre no Poco Pixel, ele, o email dele era olocomeu@ não sei o quê, tipo UOL, não sei o que tinha na época. Oloco meu. As pessoas não queriam ser elas mesmas na internet. Sabe aquele cartum famoso do que na internet ninguém sabe que você é um cachorro? E tem um cachorro usando a internet. É muito bom, é muito famoso isso, tipo revista New Yorker, sei lá. O cachorro tá usando o computador e aí alguém fala: fica tranquilo, porque na internet ninguém sabe que você é um cachorro.

Perfeito. Então as pessoas não queriam ser elas mesmas na internet, elas tinham que se despedir de si próprias e serem outras coisas. E eu acho que o jogo ensina isso. É a experiência de jogar o Ultima, sei lá, sabe? Alguma coisa assim no Commodore 64. E quem pergunta qual que é o teu nome, o próprio criador do Ultima não usa o nome dele. O Richard Garriott chama Lord British nos créditos do jogo.

ABAdriano Brandão

Jogar é também interpretar papéis, se fingir outra pessoa, vestir fantasia, ter apelido.

DSDanilo Silvestre

E aí a pessoa na internet, ela não quer ser ela mesma, já que é um ambiente que meio que o jogo molda ela. Quando ela entra no email e aí ela manda currículo para conseguir emprego, o email que tá escrito no currículo é olocomeu.

ABAdriano Brandão

Pois é, o que mais tem agora é gente que agora tem 40 anos de idade, mas o email é lindinha123.

DSDanilo Silvestre

Exatamente, tipo, ficou, né? A pessoa não consegue se libertar. O ICQ tinha números em vez de nick, mas mesmo assim as pessoas se identificavam com o nick.

ABAdriano Brandão

O meu era 92147713.

DSDanilo Silvestre

Jesus do céu, você se lembra do seu ICQ? O meu era 2337, eu acho, uma coisa Começou muito antes. Comecei antes. E mas eu me lembro que as pessoas colocavam nicks em vez de nomes. E no MSN eu acho que não tinha número, era o nick mesmo, né?

ABAdriano Brandão

Era um, não era seu email do Hotmail?

DSDanilo Silvestre

Era email do Hotmail, provavelmente. É verdade, acho que era email.

ABAdriano Brandão

Talvez você pudesse pôr um nick em cima que o pessoal usava coisas até que se mexiam. Isso, as pessoas davam uma testada no teclado, tinha muita sujeira.

DSDanilo Silvestre

Mas isso é jogar.

ABAdriano Brandão

Isso sim, eu acho curioso a gente chegar nesse ponto de que a internet tem muito da experiência lúdica do videogame, do jogo, né? Sim, que é uma espécie de faz de conta também, que jogar também significa vestir uma fantasia e ter um codinome.

DSDanilo Silvestre

É isso, faz parte do jogo, né, da brincadeira, né, dessa mistura de jogo com brincadeira. Ter um nickname na internet tem muito a ver com estar jogando, né? Pra gente terminar, a gente tem que falar daquele jogador que não é visto como jogador, o temível jogador casual. O jogador casual que é temível porque jogar também pode ser, significa não ser nada disso que a gente falou até agora, é porque ele não tá na cultura.

ABAdriano Brandão

Acho que esse é o grande ponto. E eu acho que o gamer que tá na cultura, ele se ressente de quem joga mas não participa. Da comunidade. Sim, mas sim, eles são jogadores e jogam com alguma frequência. A minha coleção de idosos jogando jogos no celular no metrô, você tira foto? Eu tiro foto, eu tenho agora quase 100 fotos já.

DSDanilo Silvestre

E sim, é muito legal. Recentemente eu comecei uma leva de mahjong por algum motivo, porque as crianças, as crianças é ótimo. As velhinhas estão jogando mahjong.

ABAdriano Brandão

Gente, não me prenda porque eu fotografo estranhos no metrô, ok?

DSDanilo Silvestre

Não publica.

ABAdriano Brandão

Exato, entendam que eu faço isso por uma proposta de pesquisa. Eu acho legal ter e vou descobrindo o que que eles estão jogando pelas fotos. E assim, sei lá, os últimos 10 ou 15 idosos que eu fotografei jogando no metrô estavam jogando tudo mahjong.

DSDanilo Silvestre

Olha só, por algum motivo, pegou mais do que, sei lá, Candy Crush.

ABAdriano Brandão

Isso, Candy Crush é muito comum. Eu tenho muitas fotos de idosos jogando Candy Crush, é muito comum.

DSDanilo Silvestre

Mas assim, é que às vezes não dá para saber se é Candy Crush ou se é algum desses milhões de outros jogos. Qualquer coisa que pareça Candy Crush pode ser desses jogos que parecem que são alguma outra coisa e são Candy Crush.

ABAdriano Brandão

Eu chamo de Candy Crush e deixa em paz.

DSDanilo Silvestre

Mas isso é porque você não é um gamer de verdade.

ABAdriano Brandão

Mas assim, Mahjong tá na moda e eles são todos jogadores. Isso também é jogar. Jogar paciência, que eu vejo bastante também, idoso jogando paciência no celular.

DSDanilo Silvestre

Isso já conhecia. Eu sempre lembro de uma história de que uma conhecida que era estagiária de um juiz de primeira instância em Curitiba, e o trabalho dela era: antes do cara chegar, ele tinha que ter o café quentinho na mesa e o Paciência Insider já aberto no computador, porque não conseguia abrir sozinho. Não sei se ele não conseguia abrir sozinho, mas ele precisava de ter o Paciência aberto. E já mostra que a pessoa não se dá o trabalho nem de abrir o Paciência, mas ela quer jogar.

E Isso é jogar, faz parte. Ela quer jogar, o computador tá lá para ela fazer petição, não sei o quê, e jogar Paciência Spider. E tinha que ser a Paciência Spider, não é qualquer paciência. Essas pessoas também são jogadoras, é que elas não são reconhecidas socialmente como jogadoras.

ABAdriano Brandão

É verdade. E ela preferiu Paciência Spider do que o Paciência normal, já me conta até que tipo de jogador ele é. Sim, porque o Paciência Spider dá tempo para vencer, né? O Paciência normal não, às vezes tem, tem aleatórios de como as cartas saem que não permitem vitória.

DSDanilo Silvestre

E ele quer ganhar, ele quer ganhar, ele quer um puzzle mesmo, né?

ABAdriano Brandão

Ele quer um puzzle que ele tem a vitória garantida se ele fizer direito.

DSDanilo Silvestre

E aí a gente, eu falei que a gente ia terminar, mas acho que tem mais um ponto que a gente deveria pegar, puxando do juiz velhinho que queria jogar, mas não tinha, não queria, que ele não sabia abrir a paciência, tinha que ter uma pessoa para abrir. Como que é a relação do videogame com a que a gente tem, qual é a nossa idade. A gente vai envelhecendo e a gente vai carregando videogame com a gente. A gente nasceu videogamístico, a gente nasceu numa época que já existia videogame, que era brincadeira de criança muito estabelecida, mainstream, para na nossa época de infância.

A gente vai envelhecendo e carregando videogame. Como é que, como é que é isso? Ou isso é papo para outro Poco Pixel?

ABAdriano Brandão

É, eu acho que tem muitas camadas em relação a isso, né? Porque assim, existe, talvez fosse o nosso último ato de jogar aqui, que é o jogar mais velho, o jogar adulto, o jogar da terceira idade, sim, e da maturidade, da terceira idade, né? Exato. E acho que é um jogar diferente, mas o que me interessa é que é um jogar normalizado, é o fato de que é comum, de que as pessoas carregam videogame com elas durante toda a vida. Mas eu acho que tem características específicas.

DSDanilo Silvestre

Vamos fazer um programa sobre isso, pode guardar para outro episódio. Fica aí arquivado um programa para a gente fazer sobre como que é a relação da gente com videogame no tempo, como que a gente envelhece não na cidade, mas envelhece no videogame.

ABAdriano Brandão

Perfeito.

DSDanilo Silvestre

Agora a gente vai fazer uma coisa que é mente jogar, brincar e falar no podcast.

ABAdriano Brandão

Já sei o que é.

DSDanilo Silvestre

É joguinho de papelzinho, joguinho de papelzinho, joguinho de papelzinho.

ABAdriano Brandão

Joguinho de papelzinho, joguinho de papelzinho, que eu ouvi dizer assim, dizem as más línguas, que não envolve papelzinho.

DSDanilo Silvestre

Não tem papelzinho de novo porque é uma continuação do jogo que a gente fez no mês passado. A gente jogou no mês passado o 3 Vidas, que era aquele que a gente tinha que adivinhar o jogo de acordo com uma imagem de capa que a IA tirava os textos e tal, e a gente tinha que adivinhar.

ABAdriano Brandão

A gente via a imagem bruta, às vezes um pouco alterada pela IA, e tentava adivinhar que jogo era. E rolou, sim, rolou, claro.

DSDanilo Silvestre

As regras continuam as mesmas, mas o que a gente vai jogar hoje é o 3 Vidas Musical.

ABAdriano Brandão

Que parece muito mais adequado para um ponto de podcast. Como que a gente não teve essa ideia antes, né?

DSDanilo Silvestre

Será, né, que a gente não pensou nisso antes?

ABAdriano Brandão

Ficou aqui descrevendo para vocês imagens.

DSDanilo Silvestre

Foi muito engraçado, foi divertido, foi muito engraçado a gente falando: não, é um morcego, o que que é isso? E aí tinha feito qualquer coisa com aquele negócio e não era um morcego, era sei lá o quê. Mas enfim, agora a gente vai escutar música sem a IA. Não tem IA, é só música. Não tem ar nenhum, é a própria música do jogo. Jogos que são ao mesmo tempo da lista dos mais vendidos, então não tem nenhum jogo bizarro, obscuro.

ABAdriano Brandão

Perfeito.

DSDanilo Silvestre

E que são de consoles específicos: Atari 2600. E aí lá vem pedrada, né, que raio de música que tem no Atari 2600?

ABAdriano Brandão

Tem a música do Ele é um Bom Companheiro do meu amado jogo de esconde-esconde.

DSDanilo Silvestre

Tem a música do Spider-Man que eu canto até hoje.

ABAdriano Brandão

É verdade.

DSDanilo Silvestre

O Atari 2600, o Nintendinho, o Super Nintendo, o Mega Drive, o Nintendo 64 e o Dreamcast.

ABAdriano Brandão

Fantástico! São muitos consoles.

DSDanilo Silvestre

Vários consoles. Ele vai pegar só os jogos mais vendidos de cada console e vai escolher aleatoriamente uma faixa desse jogo e vai tocar pra gente.

ABAdriano Brandão

Você sabe, né?

DSDanilo Silvestre

O quê?

ABAdriano Brandão

Que a gente não tem a menor chance.

DSDanilo Silvestre

A gente não tem a menor chance. Como é que funciona o jogo?

ABAdriano Brandão

Vai tocar umas músicas.

DSDanilo Silvestre

A gente não vai saber nada. Vai ser ridículo, a gente vai passar vergonha aqui. Mas vai ser legal e... São, por que chama 3 Vidas? Porque a gente tem 3 erros possíveis no jogo. Então quem errar 3 vezes primeiro perde. É isso, simples assim.

ABAdriano Brandão

E você programou ele para sortear uma música qualquer aí?

DSDanilo Silvestre

Ele é, a base de código é a mesma do 3 Vidas de imagem, só pedi para ele procurar as músicas em vez de imagens.

ABAdriano Brandão

Fantástico.

DSDanilo Silvestre

E é isso, vamos ver se funciona para na nossa jogabilidade aqui. Vai dar um pouquinho mais de trabalho de edição, mas o outro também eu tinha que caçar as imagens, as imagens. Então, tipo, acho que vai dar tudo certo. Vamos lá, segura na minha mão que vai dar tudo certo.

ABAdriano Brandão

Quem começa?

DSDanilo Silvestre

É, você começa.

ABAdriano Brandão

Eu vou começar com essa vergonha. Vamos lá passar essa vergonha no débito.

DSDanilo Silvestre

Vamos passar essa vergonha no débito. Primeira música, vamos lá ver se você reconhece. Ah, ele tem um limite, tá? Ele só toca alguns segundos. Então aqui ele escolheu 5 segundos.

ABAdriano Brandão

5 segundos?

DSDanilo Silvestre

5 segundos. Deve ser uma música curta, né? Por isso que ele pegou só 5 segundos. Entendi, vamos lá.

ABAdriano Brandão

Eita!

DSDanilo Silvestre

E aí, que jogo que é esse?

ABAdriano Brandão

Parecia assim uma levadinha meio swingada.

DSDanilo Silvestre

Isso, acho que o que eu não quero dar dica, mas é muito mais fácil começar a jogar esse jogo pelo console. Quer escutar de novo, por favor?

ABAdriano Brandão

Eu chutaria que é um Nintendinho.

DSDanilo Silvestre

É o Nintendinho?

ABAdriano Brandão

O que que você tá chutando?

DSDanilo Silvestre

Não sei, não parece Nintendinho para mim. Eu não vou falar o que que eu acho porque você que tá jogando.

ABAdriano Brandão

Sim, tem cara de trilha sonora de jogo de plataforma.

DSDanilo Silvestre

É total, né?

ABAdriano Brandão

Total, né?

DSDanilo Silvestre

Tem essa estrutura, tem jeitinho.

ABAdriano Brandão

Mas vamos lá, como eu não reconheço a música, eu vou chutar um jogo que eu conheço pouco. Então deve ser Donkey Kong Country do Super Nintendo. Isso, Super Nintendo.

DSDanilo Silvestre

Eu acho que o console, você acertou bem. Você acha que eu acho que tem que caber? Eu acho que soa mais com Mega Drive do que como Super Nintendo, mas vamos ver. Pilotwings 64 do Nintendo 64.

ABAdriano Brandão

Nossa, bom, mas assim, temos, temos que ser justos de que não é o ponto forte do 64.

DSDanilo Silvestre

É verdade, musiquinha não é legal. Lembra do Super Nintendo, na real, né? Não tem muita diferença entre a música do Nintendo 64 e do Super Nintendo.

ABAdriano Brandão

Exato.

DSDanilo Silvestre

Os cartuchos não tem memória para colocar música gravada, então é música MIDI mesmo. Muito bom. Uma vida perdida.

ABAdriano Brandão

Bom, a gente vai tentar 3 vezes, eu vou perder 3 vidas. Tô achando que vai ser assim.

DSDanilo Silvestre

Vamos ver, agora sou eu. 11 segundos para mim. O Maestro Zezinho foi mais bondoso comigo. Vamos lá. Tá, vamos lá.

ABAdriano Brandão

Claramente um jogo de terror, correto? Não tem como não ser.

DSDanilo Silvestre

E eu acho que pelo jeito do som parece um jogo de Nintendo 64 também. Eu tenho essa sensação.

ABAdriano Brandão

Você acha que não pode ser um jogo de PlayStation?

DSDanilo Silvestre

Não tem PlayStation aqui na lista, mas podia ser muito um jogo de PlayStation. Parece muito um jogo de PlayStation, né? Mas não, é um jogo de Nintendo 64. 64, eu acho, tá? Vou chutar Castlevania 64. Boa! E assim, vou chutar também, tá? Chuta, não vale nada, mas chuta.

ABAdriano Brandão

Tem um Q aí de Resident Evil?

DSDanilo Silvestre

Tem.

ABAdriano Brandão

E aí teria que ser o Resident Evil 2, eu acho.

DSDanilo Silvestre

2 tem no 64. Tá, vamos ver quem que acertou. GoldenEye 007!

ABAdriano Brandão

Faz muito sentido.

DSDanilo Silvestre

Nossa, passou pela minha cabeça, mas eu fui meio enviesado por você que falou de terror. Mas eu acertei o console.

ABAdriano Brandão

Era uma cena de suspense só.

DSDanilo Silvestre

É, exato. Tem muitas no jogo, né?

ABAdriano Brandão

Você cravou que tinha um console.

DSDanilo Silvestre

Eu cravei o 64 e acertei.

ABAdriano Brandão

Tinha cara de 64.

DSDanilo Silvestre

Uma vida perdida. Segunda rodada do Danilo. 12 segundos pra você, Danilo.

ABAdriano Brandão

Boa.

DSDanilo Silvestre

E aí, acho que a coisa mais Nintendinho que eu já ouvi na minha vida, né?

ABAdriano Brandão

Profundamente Nintendinho.

DSDanilo Silvestre

A dica do Nintendinho é muito evidente, até porque não tem o Master System na lista, né?

ABAdriano Brandão

Não dá para confundir, não dá para confundir, embora sejam jeitinhos diferentes.

DSDanilo Silvestre

E a placa de som do Master System é um pouco diferente da do Nintendinho, mas é jogo de Nintendinho. Que jogo? Tem que ser um jogo bem vendido.

ABAdriano Brandão

Então essa dificuldade também tem cara de música de jogo de plataforma, né?

DSDanilo Silvestre

Total.

ABAdriano Brandão

Mas assim, não vai ser um Mega Man, porque eu tô assumindo que a gente reconheceria as músicas dos 6 Mega Mans.

DSDanilo Silvestre

Eu acho que sim. Que jogo que é esse?

ABAdriano Brandão

Um outro jogo de plataforma. Nossa, não é nem Ninja Gaiden, não é nenhum Mega Man. Mas assim, que vendeu muito. Quais são os outros plataformas que venderam Nintendinho?

DSDanilo Silvestre

Monte, vendeu bastante.

ABAdriano Brandão

Não é nenhum Super Mario, né? Acho que não parece Super Mario em absoluto.

DSDanilo Silvestre

Imagina, será que é Kirby?

ABAdriano Brandão

Não saberia dizer, nunca joguei. Não sei nem se vendeu o suficiente.

DSDanilo Silvestre

É porque foi bem lançado, bem no final.

ABAdriano Brandão

Eu não faço ideia do que chutar.

DSDanilo Silvestre

Eu vou chutar um jogo, não vale para mim, só tô chutando. Micro Machines do Nintendinho. Olha só, muito específico, bastante específico.

ABAdriano Brandão

Eu vou Vou assumir que minha memória deve ser uma porcaria e é uma música do Mega Man que eu não reconheci.

DSDanilo Silvestre

Mega Man, algum Mega Man, vamos ver.

ABAdriano Brandão

E aí você tem a caridade comigo.

DSDanilo Silvestre

Sim, Pro Wrestling do Nintendinho. Olha só, é difícil de acertar. É daqueles jogos da série Sports, da capa padronizada, né? Sabe aqueles que tem capa preta tal? E aí tem vários que são jogos de futebol, tênis.

ABAdriano Brandão

A capa do tênis é bem famosa.

DSDanilo Silvestre

Esse é o Pro Maravilhoso! Duas vidas perdidas, Danilo. Pois é, próximo jogo sou eu. Vamos ver, será que alguém vai acertar alguma coisa? É muito difícil, é muito difícil, mesmo com jogos famosos. Ganhei 12 segundos.

ABAdriano Brandão

Vamos lá.

DSDanilo Silvestre

Bom, é Dreamcast, é um jogo japonês, é um jogo japonês Dreamcast que não foi dublado e que isso, essa fala entrou na música, na trilha do CD da música, sei lá, que tiraram e colocaram na internet.

ABAdriano Brandão

Então assim, você tem que pensar quais são os jogos bem vendidos do Dreamcast.

DSDanilo Silvestre

É, então eu só penso no Jet Set Radio, no Space Channel 5 e no Shenmue. Todos eles são jogos muito japoneses.

ABAdriano Brandão

Puts, é assim, eu não entendi o japonês que ela falou. Não é, não é impossível ser Space Channel 5, pode ser uma cena do Space Channel 5.

DSDanilo Silvestre

Então vou chutar o Space Channel 5.

ABAdriano Brandão

Mas assim, dos jogos mais, dos jogos mais vendidos, o Dreamcast tem uma série de jogos que mistura robô gigante e relacionamento, que eu não lembro o nome, o nome me foge agora.

DSDanilo Silvestre

Se for, a gente vai descobrir.

ABAdriano Brandão

Mas é, pode ser, porque assim, são os únicos jogos que venderam bem no Dreamcast, entendeu? Então talvez seja.

DSDanilo Silvestre

Vamos ver. É o Seaman. Mas é que a gente viu o Seaman em inglês na dublagem do Leonardo Nimoy.

ABAdriano Brandão

Isso, do Spock. Não, eu nunca tinha visto em japonês.

DSDanilo Silvestre

É a primeira vez. Muito engraçado.

ABAdriano Brandão

A gente não tinha nenhuma chance.

DSDanilo Silvestre

A gente não tinha nenhuma chance. Duas vidas perdidas. Agora é você, sua última vida, Danilo.

ABAdriano Brandão

Perfeito. Mas Mas porém, todavia, contudo, se eu perder essa última vida, eu tenho que perder também. Você tem que perder também, porque senão aí quem começa tem desvantagem.

DSDanilo Silvestre

A gente empata na derrota. Isso é a Dilma.

ABAdriano Brandão

Vai todo mundo perder.

DSDanilo Silvestre

Isso. Vamos lá, você tem 4 segundos. Vamos lá, a sua última vida com 4 segundos.

ABAdriano Brandão

Nossa, que justo!

DSDanilo Silvestre

Muito justo. Vamos lá. Tá, é a música de morte, ou de morte ou de algum high score, sei lá, alguma coisa assim.

ABAdriano Brandão

É música de fim de fase ou de morte de algum personagem.

DSDanilo Silvestre

É claramente Nintendinho, isso sem dúvida. Vamos de novo.

ABAdriano Brandão

Não, não tem cara de morte mesmo, não, não tem mais cara de fim de fase.

DSDanilo Silvestre

Tá subindo, não tá descendo. Acho que é fim de fase, mission accomplished, sabe? Isso.

ABAdriano Brandão

E aí, não é Mega Man, não é Mario, não é Ninja Gaiden.

DSDanilo Silvestre

É, tem que ser um jogo que quando termina faz assim barulho, hein? Esse musiquinha, que jogo seria isso?

ABAdriano Brandão

Não faço a menor ideia. Adventure Island.

DSDanilo Silvestre

Adventure Island, vamos ver. Tecmo Bowl é o jogo de futebol americano da Tecmo. É um dos jogos mais vendidos de todos os tempos mesmo, é impressionante.

ABAdriano Brandão

Deve ser o barulho de ganhar o jogo, fazer um touchdown, alguma coisa assim.

DSDanilo Silvestre

Que incrível! 3 vidas perdidas, Danilo, porque não me surpreende? Agora sou eu. Vamos ver, vai que eu acerto essa última, né? Senão a gente vai empatar na derrota. Eu tenho 6 segundos, eu tenho um pouco mais de tempo que você.

ABAdriano Brandão

Bom, mas deve ser também uma dessas músicas.

DSDanilo Silvestre

Isso, vamos lá. É, é uma música de vencer fases do Nintendinho. Eu acho que é Track and Field da Konami.

ABAdriano Brandão

É mesmo?

DSDanilo Silvestre

É. Vamos ver.

ABAdriano Brandão

Nossa, pareceu muito certo disso.

DSDanilo Silvestre

Eu não acho que eu conheça as músicas do Track Field, principalmente do Track Field 2, mas eu não— lembra muito, parece, e tem um jeito da Konami, tem um jeito Konami. É, será?

ABAdriano Brandão

Vamos fazer assim, talvez você erre e aí perdemos todos. Se for um jogo da Konami, eu te dou a vitória honorária.

DSDanilo Silvestre

Se for um jogo da Konami, vamos lá. É, esse jogo é NES Open Tournament Golf, não é um jogo da Konami, é um jogo da Nintendo mesmo. Mas é um jogo de esporte?

ABAdriano Brandão

Não, eu já fui generoso com a Konami. Sério, tudo que eu quero, tudo que eu quero nesse momento é saber se algum dos nossos ouvintes, vocês escutaram isso. Algum desses vocês faziam ideia?

DSDanilo Silvestre

Não tem link do post porque é som. Vocês escutaram junto com a gente.

ABAdriano Brandão

Algum de vocês acertou qualquer uma dessas músicas?

DSDanilo Silvestre

Sério, NES Open Tournament Golf. É claro que é um jogo mais vendido, mas assim, do tipo, eram 3 jogos Nintendinho, né? Veio bastante jogo de Nintendinho.

ABAdriano Brandão

Veio um de golfe, um de futebol americano, e veio o Pro Wrestling, e um de luta livre. 3 jogos de esporte do Nintendinho.

DSDanilo Silvestre

Exato, porque vende para caramba jogo de esporte nos Estados Unidos, vende muito, muito bom. Jogamos 3 Vidas Musical. Talvez o 3 Vidas Musical tiver tem que ser, sei lá, 9 vidas ou 20 vidas, porque é muito difícil.

ABAdriano Brandão

Até o acerto, e a gente faz um podcast de 2 horas até acertar.

DSDanilo Silvestre

A gente termina só quando acertar.

ABAdriano Brandão

Não, por favor, contem pra gente se algum de vocês aí acertou uma dessas músicas.

DSDanilo Silvestre

É muito bom. Se vocês quiserem ter uma palhinha desse gostinho de jogar tentando acertar música de videogame, vão no Musical. É verdade, o musical.app, musical.app. Tem lá um monte de categorias de música para você adivinhar. Uma delas é música de videogame. Tem duas categorias, tem videogames novos e videogames antigos. Você pode escolher lá, é divertido para caramba. Mas os jogos não são esses jogos aí, os mais vendidos, não.

ABAdriano Brandão

Qualquer coisa.

DSDanilo Silvestre

Só que aí você tem opções, você tem 4 alternativas para você escolher e você escuta mais do que 6 segundos.

ABAdriano Brandão

É que assim, essa musiquinha de fim, de começo, só tem 6 segundos mesmo. Achei legal, achei legal. A gente tem a música inteira, é isso, mas Se divertiu muito, foi muito legal, foi muito legal, gostei de perder, foi rápido, mas legal.

DSDanilo Silvestre

É isso, esse foi o episódio de setembro. Muito obrigado, Danilo, muito obrigado a todos que escutaram a gente. No mês que vem a gente volta com mais papo novo sobre videogame velho. Valeu, tchau!