Episódios de PodeGay

#77 - A COMUNIDADE GAY SE ODEIA?

11 de maio de 202643min
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A gente luta contra o preconceito lá fora, mas como lidamos com a exclusão dentro da nossa própria comunidade? 🏳️‍🌈🐍 No episódio de hoje vamos apontar o espelho para nós mesmos e falar sobre o problema que ninguém quer assumir: o preconceito estrutural dentro da própria comunidade gay.Não estamos aqui para fazer ataques pessoais, mas para realizar uma análise psicológica de como o ódio que sofremos do lado de fora se instala em nós e opera de dentro para fora. Vamos discutir como a LGBTfobia internalizada cria hierarquias cruéis baseadas em masculinidade, padrão de corpo, raça e renda, fazendo com que a nossa comunidade reproduza exatamente as mesmas opressões que tanto critica.

🎙️ PodeGay é um podcast feito por psicólogos, o Lucas De Vito (@_lucasdevito) e Jonnanh Nascimento (@meupsiegay) com conversas profundas, honestas e sem moralismo sobre relacionamentos, sexualidade e saúde emocional no mundo gay.

Participantes neste episódio3
D

Diona

HostPsicólogo
L

Lucas De Vito

HostPsicólogo
J

Jonnanh Nascimento

ConvidadoPsicólogo
Assuntos5
  • Relacionamentos e traições homossexuaisTeoria da identidade social em grupos marginalizados · Diferenciação do 'gay padrão' (musculoso, privilegiado) · Segregação de espaços e eventos exclusivos · Crítica à mulher hétero e a busca por validação masculina
  • Homofobia SenegalO espelho da homofobia internalizada · Reprodução de opressões externas internamente · Crítica ao corpo e aparência
  • Amizade e Dinâmica do GrupoAmizade como substituto da família para homens gays · Validação da identidade e apoio mútuo · Sobrevivência e saúde mental na comunidade LGBT · Superação da inveja e da comparação destrutiva
  • Inveja versus destruição na comunidade gayPsicologia da inveja e ciúmes · Comportamentos destrutivos e ataques online · O papel do espelho na projeção de inseguranças
  • Relacionamentos Interraciais e AfrocentrismoDesafios para homens gays negros e asiáticos · Racismo e homofobia como barreiras de inclusão · Exclusão baseada em corpo, dinheiro e raça
Transcrição116 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Você já deve ter escutado em algum lugar da internet a títica frase de que gays odeiam gays. Vamos falar sobre isso? Olá, eu sou o Lucas David, psicólogo gay. Olá, eu sou o Diona, psicólogo gay? Gay. Esse é o Pod Gay, estamos começando mais um episódio. E o tema de hoje é pra gente falar sobre essa coisa que tem viralizado assim e que eu tenho visto de influencers.

A galera da nossa comunidade falando por aí que é essa máxima de que gays odeiam gays. Pra ser sincero, basta sair na rua que talvez a gente vê um pouco dessa frase e quem sabe desse comportamento. E? Você acha que gays odeiam gays mesmo? Você acha que gays tendem a gostar menos de outros gays ou a rivalizar com outros gays? É, eu acho que sim, deixa aqui nos comentários, né, do Spotify, do YouTube. De onde você estiver acompanhando isso. Mas eu acho que... Você acha?

Pode falar já? Pode, claro. Mas no vídeo é pra falar sobre isso. Você quer criar um... Não, já vamos começar. Eu acho que gays odeiam gays. Você acha que odeiam gays? Com base no quê? Com base na vivência, com base no fúbio internalizado, com base... Exatamente. Então acontece.

Já não é o suficiente? Pode-se dizer que sim. É. Eu já... Cara, é muito difícil você... A gente criar conteúdos pra homens gays. Porque muitas vezes homens gays... Eles são muito agressivos com outros gays. Pelo menos eu sinto isso. Eu, Lucas, sinto isso. É. Então...

Sei lá, tipo, se tem uma mulher, ele vai tratar, tipo, muito melhor. Mas se tem um homem hétero, ele trata melhor do que a mulher também. A gente vê isso com diva pop. Mas, enfim, o tema que ia falar sobre gays, eu acho que quanto mais o cara, ele é mais próximo de um espectro de hétero, mais ele vai ser respeitado por outros gays. E quanto mais ele for pra um lado mais gay afeminado, menos ele vai ser respeitado por outros gays.

Esse é um ponto interessante. Uma outra coisa que eu noto também é que, assim, parece que quanto mais de visibilidade, mais destaque o homem gay recebe, mais ódio ele tem. Mais, assim, haters vão sendo acumulados. O que é uma coisa curiosa, porque a gente sabe que isso acontece com qualquer pessoa que recebe mais destaque. Mas nós viemos e somos de uma comunidade onde as pessoas já foram, assim, bastante...

Juteadas e judiadas na vida. E é curioso que mesmo entre a nossa comunidade, isso ainda fique tão forte. É, na verdade, você pensa assim, pô, essa galera que sofreu tanto, né, a gente sofreu tanto, você vai fazer a mesma coisa com o seu coleguinha gay? É.

Eu vejo isso até na produção de conteúdo que a gente faz nas redes, assim. Eu vejo aqui pelo meu perfil, vejo no teu, vejo em outros psicólogos gays, vejo até aqui nos nossos canais com podcast. Acho que às vezes quando a galera vai fazer uma crítica, eles não fazem uma crítica, um ataque, assim... Não é uma crítica concisa.

Não é tipo uma crítica ao comportamento. É um ataque moralista à pessoa, sabe? Não é do tipo assim, vocês falaram uma grande bobagem, que tá errado, que eu não concordo, eu acho que isso, isso, isso. É do tipo, nossa, que péssimos profissionais, que coisa bizira. É sempre um ataque direcionado a gente como pessoas, como se nós fôssemos um grande lixo por ter falado uma bobagem.

E às vezes nem foi uma bobagem. Às vezes foi só uma coisa que a pessoa não gostou e que bateu nela e que doeu, assim. É, e na verdade isso acontece com todo mundo, com todo gay. Tipo, se a gente abre o Twitter, você vai ver, tipo, gays humilhando gays, assim, tipo, fora do tom total. E aí ele começa a falar, tipo assim, nossa, mas é como se fosse uma coisa, assim, muito absurda, que sei lá, há cinco anos atrás, talvez...

na internet a gente falaria, nossa, a pessoa falou isso, que absurdo, vou processar. E hoje a gente normalizou, que é tipo, ah, essa pessoa, olha só, esse lixo de pessoa, sabe, é sempre um comentário assim, diretamente ofendendo outro gay, e aí as pessoas normalizaram isso, e é à toa, uma pessoa às vezes que não fez nada com ninguém, tipo, ela não, sabe, é só porque eu não gostei. Às vezes é só gratuito, né, é impressionante. Um outro clássico que eu vejo também é com gays, por exemplo, que...

Sei lá, que estão se sentindo confiantes com a própria aparência, porque vão pra academia, porque fazem isso, aquilo. Parece que eu não posso estar bem comigo mesmo. Porque se eu posto que eu tô bem comigo mesmo, por qualquer coisa que seja, eu tô usando o corpo aqui porque eu acho que é um tema bem próximo da gente, mas pode ser, sei lá, por trabalho, por relacionamento, por uma conquista pessoal.

Dá pra perceber, assim, que tem um ódio que vem, assim, gratuitamente direcionado. É. Ou com a intenção de, tipo, de te reduzir. Olha o live se achando. Ou porque, ah, não é isso tudo. Eu lembro que uma vez, eu postei... Há muito tempo atrás, eu postei uma foto sem camisa no Instagram.

E aí, tipo, veio um gay mandar um textão falando que eu tinha engatilhado ele, porque ele tá ali pra ele se sentir melhor, então ele não gosta de ver uma outra pessoa postando foto sem camisa. Eu fiquei, tipo assim, beleza, eu entendi seu gatilho, mas, tipo, eu não posso parar minha vida porque você tem gatilho, né, gata? Tipo, e eu acho que é um pouco disso. A pessoa ainda foi...

Não sei, não foi respeitosa não, tá? Porque é tipo aquela coisa do tipo, ai, eu não achei. Sabe aquela coisa, tipo assim, mas foi passivo-agressivo? Foi tão legal que você falou, mas... É, passivo-agressivo? Que é outra coisa que me dá raiva. Tem muito gay que usa passivo-agressividade, que não aprendeu a ser...

Isso é uma coisa que não aprendeu a falar diretamente por N questões, e aí utiliza da passiva agressividade pra falar que não gostou. Então, sabe o que eu percebo? É que você tá com raiva do seu chefe, aí você não fala pro seu chefe ou chama ele pra uma conversa. Você começa a atrasar prazo, você começa a olhar torto pro seu colega, você briga com seu namorado.

Você briga com seu namorado, você não fala, você faz tipo o tratamento de silêncio, né? Que é você ficar mais calado, tipo, ah não, tudo bem. Aí começa a ficar mais apático, sabe? E na verdade você tá com raiva. E aí eu percebo que gays utilizam muito da passiva agressividade também com outros gays, sabe? Agora, você tava falando de uma coisa, me fez pensar, será que gay odeia padrão? Porque padrão é vou correr entre aspas, tá? Bonito?

e os gays não têm um pouco de inveja? Você acha que gays têm inveja de outros gays padrões? Vamos guardar essa pergunta e vamos continuar o episódio, porque acho que tem várias coisas que a gente vai trazer aqui que vão fundamentar isso. A primeira delas é que eu acho que quando a gente pensa sobre essa frase, deis ou gay ou gays, odeiam gays, a primeira coisa que me vem é a homofobia internalizada.

É lembrar que nós carregamos internamente padrões e ideias distorcidas, negativas, sobre a nossa comunidade. Então, naturalmente, quando nós vemos um outro gay...

internamente, assim, vem junto a esse conjunto de... Esse legado, era essa palavra que eu queria, esse legado homofóbico, preconceituoso, que faz com que, instintivamente, eu já critique, assim. É muito comum da gente estar andando na outra rua e ver um outro gay e já pensar, ih, um gay.

Não é uma coisa aberta, né? Do tipo, ah, um gay. É sempre um... Sabe aquela coisa... Tem uma resistência. Aquela brincadeira, tipo, ah, eu odeio gay. Sabe que um monte de gay faz? Ah, eu odeio gay. A gente faz. Que é uma coisa, tipo, polar. Ah, onde tem gay, não tem paz, né? Onde tem gay. E... Isso é um pouco. Não é sobre...

Não é só brincadeira. Na maior parte do tempo não é só brincadeira. Não é só brincadeira. Eu acho que gay realmente não gosta de gay. Então, por exemplo, quando você vai num lugar e aí chega um outro, sei lá, você esteja esperando ali no médico pra ser chamado. Aí aparece outro gay, você fica tipo assim, hum... Você nunca fica tipo, ah, sabe, meio que apático, igual, sei lá, se chegasse pra mulher e chegasse um homem hétero. Você fica tipo, medindo.

Aí você não vai pelo tesão, vai pela comparação Aí você começa a criticar Aí você começa a analisar Nossa, aquilo vai gerando em você um espelho Parece que um gay sempre é um espelho Para o outro, né? Parece que quando a gente está numa balada Uma balada gay, parece que é um grande espelho Que a gente se vê de diversas formas Que a gente não gostaria de se ver, né? Então acho que uma fúbita internalizada Para quem não conhece o termo, é bem popular nos últimos anos

é quando você, diferente da homofobia externa que é direcionada a alguém, que ela é para uma pessoa, a homofobia internalizada é o ódio que você sente da sua própria sexualidade, é você se ver de maneira muito negativa e que ressoa muito nas outras pessoas, porque as outras pessoas são espelhos para os nossos sentimentos. Então, quando você está ali, por exemplo, vivendo uma vida normal e aí você se relaciona...

Porque o relacionamento faz a gente tirar um monte de coisa do tapete, que estava debaixo do tapete, você começa a sentir ansiedade e tal. Isso é o espelho, né? Ou seja, estar em contato com outra pessoa faz com que a gente enxergue coisas que estão dentro de nós há muito tempo. Homofobia internalizada é mais ou menos isso quando a gente vê outro gay. Então, por isso que balada é um ambiente, às vezes, que é tão difícil pôr dos homens gays, Instagram, aplicativos, porque existe meio que um ranço, você fica tipo, você vê um gay assim que faz... E aí

Principalmente um gay que é um pouco mais diferente do que a gente tá acostumado, tipo, desse padrãozinho de se vestir, de tal, tal, tal, de se portar. E aí você começa a ficar, tipo, com raiva, você começa a ficar com nojo. Aí você quer... Aí você tira um print, aí fica mostrando pro seu amigo, tipo, ai, olha, tá vendo? Ai, nossa, que estranho. Fica lindo dele, né? Então, tipo, a gente faz isso também, sabe? Eu não tô nem me tirando disso.

Porque é uma coisa tão internalizada mesmo na gente, que é difícil tirar totalmente. Só que isso não é que faz mal pra outra pessoa. Não é tipo assim, você olha pro meu vídeo que a gente tá fazendo aqui, você manda pro seu amigo, tipo, olha, ridículos eles. Tipo assim, não tá fazendo mal pra gente. Isso tá fazendo mal pra você, porque indiretamente você está atacando uma pessoa...

Só porque ela é gay. Talvez se fossem, tipo, dois héteros aqui falando sobre coisas heterosíces, você, tipo, teria falado, tipo, e teria seguido sua vida, não teria, tipo, sabe, tocado tanto em você. Então isso faz mal pra você no final do dia. É, o que não significa que eu tenho que gostar de tudo que é feito, mas eu acho que a maneira como a gente lida e trata, ela é importante, né, porque...

Muitas vezes a maneira como eu me direciono para outros homens gays fala sobre a maneira como eu olho para mim. Como você trata um outro homem gay normalmente é como você trata a si mesmo. Eu lembro de uma vez na faculdade, logo quando eu comecei a estudar sobre gênero e sexualidade, eu conversei com uma professora falando, ah, eu acho que...

É complicado o preconceito, assim, é muito mal. Mas acho que também, assim, tem muitos homens gays que se passam, né? E daí ela, curiosíssima, ela me fala mais. De onde? Eu falei, ai, nada a ver. Acho que tem gente que não precisa, tipo, sei lá, ficar se agarrando no meio da rua. E ela disse, mas é exatamente esse o problema. Sim, eu acho que a gente tem que lutar por uma sociedade onde todas as pessoas tenham a permissão e liberdade de estressar o afeto e a sexualidade delas. Por que? Qual é o problema de dois homens se beijarem na rua?

Aí me deu um choque, porque eu nunca tinha me questionado de como que eu reproduzia isso e, na verdade, falava sobre a minha vergonha. Porque eu tinha vergonha de vejar outros caras na rua, porque eu achava que as pessoas seriam preconceituosas comigo. De fato eram, muitas vezes foram, mas...

Eu não me atentei que eu reproduzia isso e que eu achava então que outros gays também não deveriam fazer. E na verdade é um movimento contrário. Acho que a gente tem que abrir espaço para que mais gays tenham liberdade e mais pessoas no geral. Então esse é um ponto. E daí pensando nisso, né Lucas, uma outra coisa que me vem é algo que dentro da psicologia a gente chama de teoria de identidade social. Que fala o quê? Que quando um grupo...

tem características tidas como vergonhosas, como erradas, como a comunidade gay muitas vezes socialmente tem, dentro dessa mesma comunidade, nós começamos a criar estratégias e comportamentos para nos diferenciarmos desse grupo.

Daí vem o que a gente conhece hoje como tal do gay padrão, né? Que é um cara que é musculoso, que é um cara que tem uma série de privilégios, né? De moedas de trocas sociais que o diferenciam de alguma forma de serem gays.

Ou seja, é um acesso VIP dentro de uma comunidade, é uma área VIP, do tipo assim, a gente tá nessa área, mas a gente tá separado. Mas eu sou como eles, não sou como eles, não sou como esses outros gays promíscuos que vão pra todo final de semana pra festa e pra balada, tá vendo isso?

Eu sou um cara que quer ter uma família, e o cara tá em relacionamento monogâmico. Os gays de hoje em dia nunca terem relacionamento, tá vendo? Eu sou diferente. Olha aqui meu corpo, eu sou diferente desse gay aqui, que tá pegando um ônibus ali, ó. Esse gay, tipo... Ah, tá vendo? Esse gay que nem tem músculo direito. Eu sou diferente dele. Esse gay que tá usando essa camiseta falsificada aqui da Nike, eu sou diferente dele, sabe? E no final das contas...

É o que a senhorita Bira fala, né? Tipo assim, enquanto o gay tá, sei lá, ela fala, enquanto o gay tá lutando contra a mulher pra ver quem sofre mais, os dois no final do dia sofrem preconceito. Tipo, o gay, enquanto os dois estão querendo se diferenciar um do outro, enquanto um tá julgando um ao outro, no final do dia você é visto...

Como um gay do mesmo jeito e você não vai ter acesso aos espaços da mesma maneira que o hétero tem. E o risco de você ser machucado é muito grande. E a gente tem que encarar essa realidade. Então, assim, se você é monogâmico, você não é monogâmico. O cara que é um alfabro na rua, tanto faz. Você pode ser a pessoa mais monogâmica conservadora do mundo. Você é igual ao gay que vai pra balada, fica em todo mundo, ou o gay que é de poliamor, ou o gay que vai pra igreja. Na verdade...

fica tudo no mesmo balai. Então, assim, você tá tentando se diferenciar, mas você, na verdade, nunca vai ser diferente no olhar do outro, sabe? Uma outra coisa que me faz pensar agora, da gente falando nisso, e daí um outro tema que apareceu também é o como dentro da psicologia evolutiva...

A gente percebe que em grupos onde existem vários elementos, vários indivíduos iguais, semelhantes, que compartilham as mesmas características, a competição por destaque fica mais forte. Então, se a gente olhar isso dentro da nossa comunidade, é diferente, porque entre pessoas heteroafetivas, entre homens héteros, por exemplo,

As relações são diferentes, porque o objeto de interesse, eu estou fazendo aspas aqui, está fora da comunidade. São mulheres, é um outro grupo.

Dentro da nossa comunidade, é tudo junto. Nós somos amigos, parceiros, amantes, haters. Todos fazem parte dentro do mesmo grupo. É tudo um kiki que é igual. E daí o que acontece? Quando a gente vai com amigos para uma festa, às vezes a gente está aqui conversando, interagindo, nós dois ficamos de olho no mesmo cara. E daí como é que a gente lida?

E, na verdade, é meio que uma comparação muito estranha, porque você acha a pessoa bonita, aí você se compara a pessoa, aí se a pessoa não dá bola pra você e você queria, aí você começa a falar mal dela, falar que ela não presta, você quer colocá-la naquele lugar, sabe?

Ah, não, mas ó, você é pior que eu, sabe? Então, é muito complicado. Eu acho que por isso que muitas vezes o homem gay, ele tem muito mais facilidade pra fazer amizade com um grupo de mulheres do que com homens gays. Por isso que muitos gays que tem uma movilidade internalizada muito grande, eles preferem sair com mulheres. Porque, de fato, é mais fácil. Em muitos sentidos é muito mais fácil você sair com mulheres. Porque você não tá se comparando. O cara que ela gosta, você, tipo, não é o mesmo.

Bom, depende, né? No mijo hétero ali, a gente falou que talvez possa ter uma intersecção. O Jonah mesmo pegou o... Pois é, eu já peguei o... O boy da amiga. O boy da amiga, então... Tem que ver. Mas geralmente você tem toda uma comparação entre homens gays que você não tem entre a mulher.

Por isso que é muito mais fácil, às vezes, o gay, inclusive, preferir estar com o homem hétero. Se o homem hétero abrir um pouquinho mais a mente, e se o homem hétero der um pouquinho mais de espaço para o homem gay, o homem gay vai estar com o hétero, sabe? Porque ali ele vai se sentir tanto desejado, tipo, caraca, eu estou com o homem hétero, que é o topo ali da cadeia social, quanto também ele vai se sentir muito mais seguro, porque são pessoas muito diferentes que vão estar...

de olho em outra pessoa que vão sustituir de uma maneira diferente da dele, vai ter um corpo diferente da dele, porque é uma comparação completamente diferente, então é muito mais fácil. Só que aí, enquanto você não lida com outros homens gays, enquanto você não faz amizade com outros homens gays, você nunca consegue lidar com você. E eu vou falar uma coisa que eu não sei se você concorda ou não, mas eu acho que homens gays...

que não tem amizade com outros homens gays, ele nunca vai conseguir ser muito bem resolvido, sabe? Porque eu acho que ele nunca vai conseguir entender sobre ele, ele nunca vai conseguir entender os limites, ele nunca vai entender essa comparação, ele nunca vai se sentir talvez tão compreendido porque tem uma pessoa que passou pelo mesmo.

Então, pra você ser um pouco mais livre, mais espontâneo, você tem que passar pela amizade com outros homens gays, porque não é que outros homens gays vão te fazer feliz e você só pode ficar com homens gays, mas isso vai te favorecer pra você entender, tipo, a sua vida. Porque se você quer um namorado, como é que você vai namorar uma pessoa se você não consegue nem ter uma amizade com outro homem gay? Como é que você quer namorar?

Sabe? Tipo, gente, namorar muito é difícil porque tem amizade, vamos ser sinceros. E por isso que muitos homens que namoram às vezes realmente formam um casal, mas não tem nenhuma pessoa LGBT, nenhum outro gay ali em volta são casais que eles sofrem muito. Tipo, eles se sentem desregulados, eles se sentem estranhos. Normalmente eles têm um sexo que é muito... ou não tem sexo, né? Ou é tipo tudo desbalanceado assim na vida deles, porque eles estão tentando se ajustar a um lugar...

E se sentindo estranhos, porque as amigas héteras não são dessa maneira, né? Então, é muito difícil você ser uma pessoa, um gay feliz, ou feliz assim, ter bem-estar, se você não tem outros gays por perto. É, uma coisa que eu, pensando agora no que você está falando, né, só sobre as amizades com homens héteros, é que eu acho que, assim, um homem hétero é inteligente. Se eu fosse um homem hétero, eu com certeza ia querer ter amigos gays.

Por quê? Porque tá sempre cheio de mulher. Parece óbvio. É simples. É. Se eu fosse amigo mesmo, se tivesse amigos gays, com certeza seria um lugar muito mais seguro e muito diferente. Mas aí eu vou te falar uma coisa. A mulher hétero, média, não todas, obviamente, tá? Não tô colocando todas, mas muitas...

Se ela vê um gay tendo amizade com um hétero, ela automaticamente vai achar que o hétero é mais gay, é menos homem, sabe? Eu já vi muita mulher que fala isso, sabe? Que, inclusive, tem aumentado muito esse movimento. O que mostra que a homofobia não é exclusiva de um homem e ser héteros, né? É. Não tem... Tem crescido muito, na verdade, nos últimos meses, nos últimos anos, essa coisa de mulher... O homem da safra boa.

Exato. Ai, nossa, coisa de fubanga. Coisa de gente mesquinha, cabeça pequena. Ai, eu peguei na safra boa. Não fuma, não sei o quê. É sempre um cara que não lava o cu, que não toma banho, que se veste da pior maneira possível, que não trata com carinho.

que não divide as responsabilidades, aí você tem que cuidar que nem uma criança, a pessoa não fala sobre sentimentos, aí normalmente é o cara que tá te traindo enquanto você tá fazendo seu bolinho lá, e acha que você expôs o troféu só porque você tá fazendo um bolo à tarde, e ele assalariado, sabe? E aí, você acha que esse é o modelo de homem que tem que existir, que é o homem que não escuta determinado tipo de música, o homem que ele não tem amigo gay. Nossa, é tipo assim, nossa, parece que é tanta coisa pra um homem ser.

E aí a gente começa a ver o porquê que, inclusive, homens gays têm cada vez mais uma exigência de parecer homem hétero. Porque, tipo assim, nem as mulheres, elas respeitam homens que se parecem, e eu vou colocando, tem muitas aspas aqui, femininos, né? Com energia feminina, igual a galera fala, né?

Então, pra gente ser respeitado não só com homem hétero, não só com outro gay, mas até com as mulheres, a gente precisa ser um pouco mais masculinizado, né? Então, tipo, a gente tem essa visão e essa cultura muito forte. E, gente, assim, sabe? Né? Sabe? Entendeu? Tá mais calmo agora? Não! Eu não estou mais calmo!

Eu sou calmo quando o gay parar de... Porque a gente tem que se unir, gente. Vamos se unir. Enquanto você tá ali criticando, tipo, o gay que tá fazendo o trabalho dele, e você poderia só deixar... Sabe? Não gosta? Deixa ali. Enquanto você poderia estar fazendo isso, poderia estar deixando, ou até apoiando um gay. Não, você vai, tipo assim, apoiar... Você prefere apoiar o cara hétero, prefere... Ah, o cara hétero, ele...

Nossa, o que eu já vi, menino? De gay que começa a comentar, nossa, mas esse cara é muito gostoso. Quem que é o cara? É o cara que acabou de cometer um crime contra outro gay, ou contra uma mulher, e ele tá aí, tipo assim, nossa, mas se for outro gay fazendo o trabalho dele, o que ele vai fazer? Ele vai lá criticar, vai fazer chacota, vai fazer passar vergonha. Isso é uma coisa que me pega bastante. Quem sabe a gente tenha que gravar um vídeo falando sobre isso, assim, porque...

Volte e meia, eu vejo uns comentários a respeito desse tipo na internet. Não só nesse cenário, mas em outros também, assim, que são incoerentes com o que está sendo compartilhado, sabe? Enfim, pauta para outro tema.

Outra coisa que me pega nessa história, pensando sobre gays odeiam gays, a gente fala muito de heteronormatividade, que é um conceito que nós já trazemos, já trouxemos aqui outras vezes, e que muitas vezes a gente vê na internet aparecendo, mas na época que eu estava na faculdade, muito recente, acho que foi em 2012 talvez,

Uma socióloga chamada Dugan lança um artigo muito interessante trazendo um novo conceito que ela chama de homonormatividade, que é a reprodução de determinados padrões heterossexuais, heteronormativos dentro da nossa comunidade gay.

E daí ela faz uma crítica muito legal nesse artigo, onde ela vai explicar que a questão passa por uma relação social e simbólica, e a gente vê isso com os gays, por exemplo, que parecem menos gays, que a gente acabou de falar agora, mas também por uma relação econômica e política de segregação de espaços. O que isso quer dizer? Existem eventos...

pega por exemplo o que a gente já falou aqui do... Ah, é a festa da Lily. Lily. Festa da Lily. É uma festa de música eletrônica, onde majoritariamente vão homens gays, e pra você ir nessa festa, parece que tem todo um checklist social que você precisa cumprir. Não é só comprar o ingresso. Não é só comprar o ingresso. É você ter que ter um corpo muito específico. É um corpo específico, você precisa ter uma situação econômica específica, porque não é um ingresso barato.

que você precisa se deslocar para Brasília. Não é qualquer pessoa que consegue ir para uma festa dessa, para pagar todas as minhas contas do mês e ter dinheiro sobrando para conseguir ir para Brasília, ficar alguns dias no final de semana numa festa super cara, exclusiva, com ingresso que é caro, com bebidas caras.

para participar desse evento, que é quase que uma cerimônia gay anual. Como o carnaval em Salvador, como virada do ano no Rio de Janeiro. Essas atividades que são códigos culturais da nossa comunidade dentro de um espectro normativo. Total. Porque assim...

E isso me fez pensar, a gente como homem gay tá cada vez mais querendo se diferenciar de outro homem gay. A gente tem tipo N sub-nichos e uma coisa que é muito clara em São Paulo. Então tipo assim, determinado bairro só mora esse tipo de pessoa. Esse determinado bairro só vai determinado tipo de gay.

Ou no Rio de Janeiro, eu fiquei assustadíssimo o quanto que... Você percebe, assim, é muito estranho. Não sei quem já foi no Rio de Janeiro na Zona Sul. Lá tem o Posto 9, né? Que é majoritariamente gay. Tinha até bandeira gay e tal. LGBT.

Mas a maioria é gay. E aí, quando você tá ali no Ipanema, que é um bairro muito caro, no posto 8, no posto 9, você vê, tipo, gays extremamente padrão. E, gente, assim, eu acho uma coisa que eu não vejo nem em São Paulo. É, tipo, padrão, padrão, padrão, muito padrão. É, no mundo inteiro, que vai lá, e aí eles estão, tipo, com uma sunguinha, todo mundo com uma sunga muito parecida, ficam em pé como se fosse uma festa. Beleza, é a galera VIP do VIP. VIP de la VIP.

Aí, quando você passa... Quanto mais você vai chegando em Copacabana, que também é um bairro caro, mais as pessoas, elas vão ficando menos com aquele shape. Aí elas vão mudando. Aí já são os gays aqui que não são tão padrão. Aí você vai andando um pouco mais, você vai achar, tipo, o gay que, tipo, é mais... Colocar muitas aspas, o normal, sabe? Porque não é tão padrão assim, né?

comum. É, e aí, isso é muito sabe, a gente, aí tem a barraca do urso, tem isso tem a barraca do urso, aí tem a barraca do não sei o que, tipo, parece que a gente quer se diferenciar um do outro o tempo inteiro e com o cabo de nível. Mas um dia que fica a barraca do urso é pra um amigo Acho que fica no leme, que é depois de Copacabana, pessoal quem tiver interesse. Ó, coordenadas com alguém que aparentemente conheceu todos os pontos turísticos gays do Rio de Janeiro, né. Nunca faço sobre essa ação.

Próximo tema.

Ah, e tem o arvoador também, os gays do arvoador, né? É, o arvoador, né? É só a voadora que rola lá, aparentemente. E isso, cara, é bizarro, porque a gente precisa mesmo, tipo assim, de ter tanto sub-nicho assim, sabe? A gente precisa, tipo, de ter um sub-nicho e um sub-nicho. Ao mesmo tempo que eu acho legal você, tipo, ter a sua galera, eu acho que isso tá se tornando uma coisa quase que doentia, porque vira identidade total das pessoas, sabe?

Então, assim, eu preciso ser diferente do gay que é feminino, eu preciso ser diferente do gay que é musculoso, eu preciso ser diferente... Tipo assim...

Dá muito trabalho. Dá muito trabalho. Eu só queria ser gueiro, né? É, tipo...

Tipo, ai, precisa, tem que. Essa é a história que me pega, assim, ó, do tem que, sabe? Volte e meia eu me vejo diante de situações, eu acho que você também deve passar por isso, de me pegar reproduzindo frases pra mim, dessas coisas de eu tenho que fazer, de eu tenho que ser X, tenho que ser Y. Quando eu olho bem de pertinho, eu fico, cara, nada a ver isso aí, sabe? Tipo...

Por quê? Pra quê? Qual que é o objetivo? O que que saiu ganhando? E quando eu olho de perto, assim, não é muita coisa, honestamente. É só dor de cabeça e confusão pra mim. Porque se a gente abre a possibilidade de explorar outras formas de se expressar e de se relacionar com as pessoas, nós vamos aos pouquinhos desenvolvendo uma...

Maior sensibilidade e empatia é para entender que no final do dia todos nós temos desafios e todos nós estamos aqui de alguma maneira tentando sobreviver diante desse mundo. E fazer parte de comunidades e ter relações onde a gente se sente pertencente, onde nós podemos nos conectar e sermos nós mesmos, faz parte da sobrevivência. Acho que às vezes a gente menospreza.

a importância que as relações sociais e que os vínculos humanos têm nas nossas vidas. Os gays cresceram, assim, muito sozinhos durante tanto tempo que parece que a gente fica meio cínico, sabe? Como se eu não precisasse. Não preciso de ninguém. Isso é uma boa palavra. Nós gays ficamos cínicos. A gente é cínico.

ai, eu me viro muito bem sozinho. Não vira não, sabe por quê? Porque uma hora você vai ficar doente. É, o que que é, tipo, fazer assim pros outros, tipo, ai, não preciso, ai, sabe, ai, não gosto, ai, a gente fica assim. Toca nesse balai também, tá? E isso, você tá falando disso, mas eu acho importante a gente só fazer um recorte, porque, tipo assim, a gente...

A gente, nós somos dois gays brancos, né? E eu fico imaginando que isso tudo é ainda uma questão muito maior pra quando você, tipo, é negro ou quando você é até mesmo asiático, né? Quando você, tipo, não é branco, porque toda a nossa cultura aqui no Brasil, no Ocidente, acho que ela é feita para e feita por homens brancos, né? E ainda os gays, tá? E ainda na comunidade gay.

E isso é muito difícil pra outros homens negros, porque aí tem a questão do corpo que a gente falou, tem a questão do dinheiro, mas tem a questão racial. Que eles, às vezes, só são incluídos pelo corpo. Às vezes, eles só são incluídos quando estão falando sobre uma sauna, sobre, tipo, como eles se vê na praia. Mas e o lado efetivo? Então, acho que pra essas pessoas ainda é muito mais difícil. Talvez ainda tenha até mais desprezo, que é disfarçado de outra coisa, mas que tem não só homofobia, mas um pouco de racismo. Um pouco não, racismo também, né? Então, da gente, tipo, ver que eu fiz pesada

E é sempre pro lado da vergonha, né? A gente tá falando aqui, isso me vem na mente. A gente sempre fala do outro gay, mas não é só, tipo, um ódio que a gente sente, né? A gente sempre tenta colocar ele na chacota, na vergonha. A gente sempre deixa espaço pra vergonha e pra chacota pro outro gay, sabe? Se a gente, às vezes, tá falando de...

uma, falando mal de uma, sei lá, tem uma menina do meu trabalho que eu não gosto. E aí a gente trabalha no mesmo lugar. A gente fala, ah, ela é chata, ah, nananã, nananã. A gente fala de uma maneira específica. Aí se for um homem gay, tipo, a gente fala, ah, você viu ele, ele fala isso, ele fala aquilo, e leva pra um sentido de vergonha, sabe? Do tipo, ai, que vergonha ele, sabe? Ai, que chacota, de fazer chacota, sabe?

Então, a gente está sempre com esse medo de passar vergonha e classificando todo mundo que a gente não gosta nesse lugar da vergonha e da chacota, sabe? O que também é uma... a gente percebe em rede social, tipo, o gay que é, sei lá, o negro que está fazendo uma dança, tipo, e aí ele vira chacota, enquanto o padrãozinho está tipo, ai, que legal, olha que bonito ele, sabe? Isso é uma questão, né?

Como a gente vê aqui, né? Esses dias mesmo a gente postou um vídeo, um aqui no YouTube, alguém fez um comentário super... Ai, nossa. Acho que... Nem lembro qual era o vídeo. Mas a gente postou algum vídeo de alguém falando assim, ai, nossa, que grande bobagem que eles falaram. Nossa, tem profissionais muito mais sérios abordando desse assunto, e daí vou lá e citou uma mulher.

Falo tudo bem. Com certeza tem vários outros profissionais trazendo olhares e discussões sobre o que a gente está abordando aqui de muitas outras formas. Agora...

Isso desqualifica tudo que a gente falou? É, tipo... Não, e assim... Significa, então, que porque uma outra pessoa falou de um lugar diferente, tudo que a gente disse não tem valor? E era uma mulher, uma psicanalista famosa, e que até fala sobre gays, tipo, um outro vídeo raro, mas assim, gente, ela não fala. Tá anos luz, assim, de...

entender e falar as especificidades que a gente fala aqui. E, tipo, às vezes tudo bem você não concordar, tipo, sabe, vai pra outro lugar, vai pra outro canto. Tem muito conteúdo por aí. Mas por que que você para, fala, hum, não gostei, você acha que o conteúdo tem que ser pra você, e além disso, aí você vê dois homens gays, aí você para e comenta, nossa, grande bobagem, prefiro uma, basicamente, prefiro uma mulher falando sobre isso, sabe? Tipo...

E daí isso me faz pensar, então, já que a gente já está aqui, depois de toda essa fundamentação que mostra desses elementos de como que a relação de gays vai se construindo dentro desse espectro social, me faz pensar que no final das contas a gente tem que reformular a frase eu não acho que gays odeiam gays. Gays odeiam a si mesmo.

Também não. Sim, porém não. O que me parece, no final dessa história toda, é que assim, nós ainda carecemos de referências, eu já falei isso aqui outras vezes, vivenciais. Não é uma referência visual de algo que eu vejo na TV, é algo que eu sinto dentro de mim, na minha vida.

Faltam referências vivenciais de termos uma relação afetiva e qualificadora com outros homens gays. Eu acho que o que acontece é que muitas vezes os gays não odeiam os gays, eu acho que os gays invejam outros gays.

Eu acho que nós ficamos às vezes frustrados quando vemos um gay malhado. Não porque eu acho que ele tem que ser menos malhado. É porque eu queria ser. Mas é porque eu queria ser assim e às vezes eu não consigo. E porque é um esforço mesmo, né? Quando eu vejo um cara que tem abdômen trincado, eu fico, pô, pra chegar nesse nível. Nossa, dá muito trabalho. Dá muito trabalho. E assim... É tão mais fácil.

mandar ele botar a camisa e, tipo, simplesmente não vê-lo. E comer porcaria e parar de ir à academia é mais fácil, né? Eu quero isso, porque aí eu posso viver minha vida normal e a outra pessoa não vai me ofuscar. Então, isso me faz também questionado, tipo, quer dizer, você responder a pergunta que eu fiz, né? Eu acho que gays não gostam de outros gays padrões, porque, sim, porque eles são mais malhados e mais reconhecidos. Mas eu também acho que, ao mesmo tempo, muitos gays padrões, eles só estão querendo que eu fiz pesada.

se colocar num lugar VIP da comunidade. E aí, acho que esses dois são problemáticos. Vai ter gente falando, ah, então não pode ir à academia? Sim, gente, eu falei exatamente isso. Não pode ir à academia e não pode ter corpo padrão. É isso que eu tô falando. Mas, não, é que, tipo, você pode, só que... Não, para que eu vou tirar, vamos recortar esse trecho, vamos falar, olha lá, ó. Ah, tô nem aí. Psicólogo. E esse é um ponto, tipo, acho que também uma coisa que vai te ajudar muito aí pro lugar de gays relacionar com outros gays, até ter amigos gays.

é você não levar para o coração, não levar para o pessoal, porque se a gente leva tudo isso para o coração, cara, você vai ter baixa autoestima, porque a outra pessoa tem baixa autoestima. E na verdade essa pessoa, ela se sente insegura, ela inveja, ela quer ter sua vida, ou quer ter o recorte da sua vida.

E assim, às vezes ela não gosta de você porque isso lembra alguma coisa dela que ela nem sabe. Então assim, não leva o coração, porque a maioria das pessoas não te conhecem. E se elas não te conhecem, elas não podem te odiar. Elas não podem fazer chacota de você, porque elas vão fazer chacota do que se elas não te conhecem?

Então, entenda que você é um espelho pra ela. Então, tipo, não leva pra você. Não leva pro seu coração. Fala isso pra você mesmo. É um exercício. Você tem que, no momento da emoção, falar Cara, isso não é sobre mim. Isso é sobre a pessoa. Ela tá se entregando e passando um cheque ali.

entendeu né pra lembrar, o que significa inveja eu tava lendo ontem um artigo que fala sobre a psicologia da inveja e curiosamente de todas as emoções a inveja é menos estudada na psicologia e nesse artigo ele fala que o que, qual que é a diferença dos ciúmes e da inveja

É que nos ciúmes, o objetivo é controlar o outro. Eu sinto que aquilo, que eu tenho algum poder e propriedade sobre aquilo. Então, eu quero controlar. Eu quero que aquilo seja de minha propriedade. Único e exclusiva.

Na inveja, eu tenho um sentimento de baixa autoestima muito grande, porque quando eu olho para o outro, eu me vejo incapaz de ter aquilo que o outro tem. Então, enquanto um ciúme tenta controlar, a inveja prefere destruir.

E eu acho que isso fica muito nítido quando a gente vê nos comportamentos, nos comentários da internet, para todo tipo de gay que aparece. Que fica muito evidente quando os comentários são com o objetivo de destruir o outro. Vocês são péssimos profissionais, nunca mais vou assistir vídeos de vocês.

Isso é um comentário que visa destruir. De serviço. Não é que de serviço pra comunidade. Nossa, denuncia uma foto de um cara malhado que postou uma foto de Jock Strap mostrando parte da Bum. Coisas assim, sabe, que claramente tem uma intenção de destruir, de fazer com que o outro deixe de ser aquilo que ele é. Eu desqualifico. Pra viver em paz.

Pra que eu possa viver em paz. Turns out, não tem... Pô, falo que eu falo muito inglês, realmente. Mas, no final das contas, tipo assim, você vai querer destruir outro gay aqui, em seguida vai ter outro. Porque, tipo, essa é a vida. E daí, o que eu acho, até pra fechar esse nosso vídeo, Lucas, uma coisa que apareceu e que eu achei muito legal é que nas pesquisas que eu fiz sobre esse tema...

apareceu um livro que eu vou até comprar e quero ler com mais calma e vou trazer para mais conteúdos aqui chamado de Gays Friendships Amizades Gays em Comunidades Invencíveis foi um livro escrito na década de 90 por um sociólogo onde ele fala que para homens gays para comunidade LGBT no geral mas de novo é um recorte de homens gays que ele traz nesse livro E aí

A amizade com outros gays supre o papel social que a família tem para o homem hétero.

E daí ele fala de como a amizade com outros homens gays é um lugar de validação da identidade, de reforço de quem se é, de apoio, de enfrentamento de diversidades. E ele faz até um paralelo bem interessante de como na década de 80, 90, com a epidemia de AIDS HIV, foram as amizades e as pequenas comunidades formadas entre amigos e as pequenas comunidades formadas entre amigos

das famílias que nós escolhemos, que garantiu a sobrevivência de homens gays. E daí, acho legal trazer isso, porque depois da gente falar todo esse vídeo sobre como nós temos uma relação conflituosa, às vezes de ódio, às vezes de inveja, de raiva direcionada a outros homens gays, entender que essas amizades, que a relação com esses homens gays...

Por mais que tragam todos esses gatilhos, como o Karol Aktimundo do Textão falou, também podem ser o principal recurso de manutenção da nossa saúde mental. Sim. Sabe? Porque eu aprendi todas as coisas que eu aprendi sobre ser gay, eu aprendi ou com a pornografia, eu aprendi com outros amigos. Sabe quantas vezes você que está nos assistindo...

e nos acompanhando provavelmente aprendeu coisas sobre a vida com outros homens gays, né? E assim, sobre relacionamento, sobre sexualidade, sobre o que eu vou fazer com a minha vida, sobre cuidado com a saúde, como que eu cuido de mim.

E como que eu cuido da minha vida, trabalho. Quantas vezes amigos nossos deram indicações de trabalho, deram sugestões, deram dicas. Nos ajudaram a crescer como pessoas. Sim. Então, é legal também a gente falar que a relação com outros homens gays não precisa ficar só nesse espectro negativo.

Embora tenham várias questões que a amizade com homens gays também trazem, porque gera competitividade, gera uma série de coisas que a gente falou aqui.

E também tem esse lugar importante de manutenção de saúde mental. Inclusive, vocês que estão acompanhando a gente, vocês também são esse elo pra gente. Pois é. A gente tá falando tanto isso, mas vocês estão dando suporte pra gente e a gente agradece muito a isso. E se você não tem homofobia internalizada, se você...

um gay que não inveja os outros, você vai se inscrever no nosso canal, você vai ativar o sininho e você vai comentar aqui. E você vai ter um apoio caso você queira apoiar na descrição.

E onde que as pessoas te encontram para elas não serem invejosas com você? E vou falar outra, posso, antes de chegar nisso. E se as pessoas não forem invejosas e não gostarem de uma coisa que a gente falou aqui, elas vão escrever de uma maneira carinhosa nos comentários. Porque carinhoso é diferente de ser bonzinho.

Pode criticar o que a gente falou, não tem problema nenhum, mas assim, de uma forma respeitosa, sabe? Dizer pra criança que ela não vai botar o dedo na tomada e proibir ela de botar o dedo na tomada, também é uma forma cuidadosa, mesmo que a criança chore depois. Então, assim, a gente tá aqui construindo essa comunidade e também construindo esse espaço de um lugar diferente. E você também faz parte disso. E se quiser acompanhar mais, pode me encontrar nas redes, no arroba meu pci e aí. Se você não me achar na rede, é porque eu nem tenho. Como que a galera te acha?

Underline Lucas De Vito e a clínica LGBT com local. Pra quem é LGBT e não tem local, agora vai ter local com psicólogas e psiquiatras. E underline podgay pra gente seguir nos Instagrams. Então é isso, pessoal. Estamos aqui toda quinta-feira às oito da noite e segunda nas plataformas de áudio. Exatamente. Compartilha com todo mundo, comenta, joga aqui nos comentários se fica show desse vídeo. Ó, só amores, tá? Acordou que está xinho pra eles dar tchau. Tchau!

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