#76 - GAYS MILLENIALS x GEN Z: O QUE MUDOU?
Crescer gay nos anos 2000 é completamente diferente de crescer gay hoje. Mas será que tudo realmente melhorou? 📼📱🏳️🌈Neste episódio do PodeGay, colocamos duas gerações lado a lado: os Millennials (que cresceram com a internet discada, Orkut e o trauma do armário) e a Geração Z (que já nasceu na era da hipervisibilidade, TikTok e Grindr).Vamos comparar como cada geração lida com identidade, comportamento, relacionamentos e saúde mental. É inegável que os millennials carregam cicatrizes profundas de uma época onde a homofobia era escancarada na TV e nas escolas. Por outro lado, a Geração Z enfrenta um nível de ansiedade, pressão estética e comparação digital que os mais velhos não conheceram.No final, fica a pergunta: qual geração teve mais liberdade de verdade? A liberdade de existir no silêncio ou a prisão de ter que performar a própria identidade o tempo todo?🎙️ PodeGay é um podcast feito por psicólogos, o Lucas De Vito (@_lucasdevito) e Jonnanh Nascimento (@meupsiegay) com conversas profundas, honestas e sem moralismo sobre relacionamentos, sexualidade e saúde emocional no mundo gay.
Diona
- Uso de Álcool e DrogasEpidemia de chemsex em gerações mais velhas · Banalização e normalização do uso de drogas · Susceptibilidade à dependência em homens gays · Consumo de álcool em espaços de socialização gay · Normalização da maconha vs. outras substâncias
- Sexo, Fetiche e IntimidadeGerações mais jovens transando menos · Conexão afetiva vs. sexual · Liberdade sexual e a epidemia da AIDS · Desensibilização e repulsa à sexualidade · Exploração de fetiches e criatividade
- Relação com o CorpoPopularização da academia e individualismo · Referenciais de corpo idealizado nas redes sociais · Corpo como performance e pertencimento · Sociedade agonística e competição · Busca por corpo perfeito e vigorexia
- Relacionamentos AmorososModelos heteronormativos e flexibilização · Influência da mídia e representatividade · Conservadorismo na Geração Z · Acesso à religião e sua influência
- Diferenças em DatesRedes sociais e ensaio para dates · Facilidade de sair de casa para Millennials · Socialização online vs. offline · Impacto da tecnologia na socialização
- Relação com a FamíliaQuestões problemáticas e distanciamento familiar · Dependência familiar e tolerância · Impacto da proximidade familiar na sexualidade · Independência financeira e autonomia
- Autoestima e ReferênciasAutoestima gay fortalecida na Geração Z · Referências negativas e comparação digital · Impacto do tempo online na saúde mental
- Uso de AplicativosNovidade dos aplicativos para Millennials · Geração Z e aplicativos de relacionamento · Abertura para novas referências de sexualidade · Romantização e ritos de passagem em namoro
Amigo, eu tenho 29, você tem 32, são três anos de diferença e parece que a gente cresceu em mundos completamente diferentes. É verdade. E no vídeo de hoje a gente vai descobrir qual geração tá mais perdida aqui. Spoiler, é a sua.
E assim começamos mais um vídeo. Eu sou o Diona, psicólogo. Eu sou o Lucas Evito, psicólogo. E esse é o Pod Gay. E a gente faz a introdução cada vez de uma maneira diferente. Mas se você gosta dos nossos conteúdos, a gente fala aqui sobre a geração Z versus geração millennial. A gente vai falar sobre a diferença entre as gerações. E o que é mais legal, a gente vai falar isso por tópicos.
Porque existem muitas dores e questões que são muito comuns, mas que também são muito diferentes de uma idade para a outra. Como eu falei, a gente tem idades que são muito próximas, mas eu sou o início da geração Z, talvez o final do milênio, e você já é milênio, né? Mas ao mesmo tempo não tão distante assim. Então acho que isso mudou muito a perspectiva de como foi viver o ser gay, né? Para cada um de nós.
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Existe uma diferença muito grande entre geração Z e milênio quando se trata sobre date. Eu acho que o date para geração Z, ele tem muito dessa perspectiva de ter todo um ensaio, de ter as redes sociais, de ficar ali, punha, sabe? Conversando e conversando e conversando. Você já descobre muito a vida da pessoa, enquanto eu sinto que...
Os millennials, eles são muito mais... Eles têm, obviamente, todas as redes sociais, mas também não é. Mas eles são mais de sair. Eu sinto que eles têm uma facilidade pra sair de casa mais do que geração Z, com gente diferente. Sim. E eu acho que, apesar de que é questionável essa história de que hoje em dia ninguém mais sai, né? Todo mundo fica se punhando na internet. É difícil de encontrar. Mas...
A geração millennial é uma geração que passou uma boa parte da juventude antes da popularização da internet, dos aplicativos, né? Então conhecer as pessoas era uma coisa muito mais comum na rua. Não tinha tanto acesso à rede social. Porque não tinha tanto acesso à rede social. E eu acho que esse é o ponto que fez a gente, com tão pouca idade, a gente ter tanta diferença, porque acho que a rede social... A tecnologia, ela cresceu muito rápido nesse meio tempo.
Então, tipo, mudou completamente a maneira como a gente cresceu. Porque, assim, você, por exemplo, acessava mais rede social e... Sei lá, você teve seu celular quantos anos?
Nas redes sociais eu comecei a acessar mais, assim, perto de uns 15, 16. Eu tava com 8, 9. Meu Deus. Então, tipo, você entende quanto que você fez parte de mim? Pera assim, como 8, 9, se a gente tem 3 anos de diferença? É que lá em casa meu pai era professor, então ele tinha um computador. Ah, tu diz de quando tu começou a ter acesso. É. Ah, tá. Entendi. Achei que tu tava dizendo que enquanto eu tinha 14, 15 anos, tu já tava com 8, 9 mexendo.
Na mesma época, eu buguei e falei Peraí, então tu tem 21 mesmo? Isso é mentiroso. Mas eu sinto que os millennials, eles têm mais essa facilidade e o Geração Z, ele tem mais dificuldade porque acho que também tem uma questão muito forte da criminalidade. Então, enquanto acho que...
Talvez até as gerações que hoje, as pessoas que têm 40 anos, elas tiveram muito mais liberdade na rua do que a gente até, né? Então, isso facilitou com que as pessoas saíssem mais de casa, fossem pra bares gays, fossem mais pra lugares, e o chat wall, o back-pap wall já tinha ali também, mas a galera era mais sair, enquanto acho que a gente não... Acho que já não teve tanta coisa pra sair assim, e a gente teve... Acho que, por exemplo, a gente teve acesso à rede social...
obviamente muito mais cedo que alguém de 40 anos mas eu tive ainda mais cedo que você e isso fez com que a maior parte da minha socialização ela acontecesse por rede social até mesmo entre colegas de escola a gente aprofundava a amizade não na escola no computador, nas redes sociais então eu acho que é muito difícil pra grande parte de nós sair de casa porque parece que tem uma resistência parece que é algo muito mais trabalhoso do que no geral pra vocês, sabe? você encorda ou discorda?
Você concorda ou discorda? É. Tô curioso pra saber qual que é o próximo tópico. Relacionamento amoroso. Iiiiih, e aí? Como que a galera millennial... Como você acha que os gays millennials, eles desenvolvem relacionamentos amorosos? Amorosos. Amorosos. Amorosos.
Olha, eu acho que ainda é muito pautado em modelos heteronormativos, por conta das referências que a gente teve, mas com uma predisposição grande a flexibilizar esses modelos. O que eu acho que, diferente da geração Z, acho que a geração Z é uma geração que tem...
já teve a geração milênio como referência. Então é muito mais comum a gente ver hoje a geração Z, caras que tiveram talvez um namoradinho na adolescência, tiveram amigos gays na adolescência.
tiveram uma família onde o debate de homossexualidade, de outras formas de expressão sexual... Existia. Já existia na grande mídia, na grande massa. Coisa que na minha geração não tinha, assim. Quando a gente falava de homens gays na televisão, era sempre como chacota.
O que é bem diferente da gente ver outras formas de representação. E isso mexe com os relacionamentos também. Agora vou te falar uma coisa. Eu acho que os gerações Z são muito mais conservadores nisso do que millennials. Aham. Você acha? Acho. Eu sinto que a gente tem muito mais possibilidade de ter relacionamento aberto, da gente ver outros modelos, da gente ter relações que, às vezes monogâmicas, mas que são uma...
dinâmica diferente, mas eu sinto que existe uma visão muito estrita, tipo, eu não quero ter isso que os millennials têm, tipo, essa bagunça, né? Eu quero, tipo, ser monogâmico, conservador ali, tudo certinho, porque, meu Deus, é como se rejeitasse a ideia, tipo, de qualquer coisa que fosse muito diferente de uma normatividade.
E eu não acho isso legal, porque não é que a monogamia ou o relacionamento, sabe, prontinho, ele seja o grande problema. Eu acho que o problema é quando você escolhe isso porque você tem nojo ou repulsa dos outros, sabe? E não porque você não se identifica. E eu acho que é aí que mora o problema. E eu sinto que gays, eles ficam muito presos em relacionamentos.
super fechados, e isso faz com que eles fiquem mais desanimados, que eles não consigam relacionamentos que façam sentido, que eu não consigo relacionamentos, né? Porque eles estão presos, eles não permitem se explorar. Então, eu sinto que tem uma... Há o conservador, e os gerações eu também acho que, aí é pela questão política do mundo e o que a gente está vivendo, tem muito mais acesso ou ligação com religião.
Então, eu acho que isso também molda a maneira como ele quer se relacionar. Porque, assim, tem muitas igrejas evangélicas que estão cooptando até mesmo gays pra si, né? Tipo assim, você vai pra mim aqui. E isso me faz pensar também até a relação com o sexo, né? Pesquisas indicam que essas gerações mais recentes estão transando menos. Eu acho que é um outro ponto pra gente considerar aí como diferença importante também. A gente vai chegar nele. Ah, tá.
Quer falar dele agora? Já vamos falar dele. É sexo, fetiche e intimidade. Sexo, fetiche e intimidade. As gerações mais jovens estão transando menos. Parece que o sexo tem sido colocado cada vez menos como um componente de interação social. E me parece que gerações, essas gerações mais jovens, e acho que às vezes incluem, tem uma relação muito mais próxima afetiva.
Sim, acho que eu, por exemplo, tenho muito mais abertura afetiva com as pessoas do que sexual, por incrível que pareça. Pra mim é muito mais fácil eu ter uma conexão emocional do que uma conexão sexual com as pessoas.
Por incrível que pareça, porque eu acho que eu sou super bem resolvido, não é que eu seja mal resolvido nisso, mas é que pra mim é mais fácil afetiva do que sexual, sabe? Tipo, eu consigo me abrir muito mais com a pessoa, então eu consigo falar sobre assuntos que talvez... Eu percebo assim, por exemplo, que o meu namorado, ele tem seus 42 anos, né? Então, tipo, é muito diferente várias coisas que a gente vivencia.
E eu percebo que ele, e tem outro amigo, por exemplo, que também tá nessa faixa, que eles são pessoas que não conseguem falar tanto sobre sentimentos. Então, tipo, um sentimento óbvio que ele tem ali, e que ele obviamente tá sentindo, tipo, não fala, guarda, né?
enquanto eu quero o tempo inteiro ficar falando acho que tem um pouco de característica a mim, ainda mais que sou psicólogo, mas eu vejo que eu tenho mais facilidade pra chegar e pra falar, pra perguntar e eu sinto que como a gente tem muito mais debate hoje sobre saúde mental sobre falar, sobre gatilhos e não sei o que é mais fácil, é mais comum pra gente conversar sobre isso e eu sinto que pra, por exemplo, meu namorado é uma coisa que aqui
Já é muito mais trabalhoso. Os amigos dele, por exemplo, eles pouco falam sobre isso, né? E eu percebo quando eu tô na minha roda de amigos, todo mundo fala sobre isso. Tipo, sobre tá tomando remédio, sobre terapia, sobre o que que sente, né? Agora, quando fala sobre sexo, é uma coisa que eu percebo que flui muito mais pra eles do que... Eles falam muito sobre sexo, enquanto a gente fala muito pouco, sabe? Tipo, quando eu tô com os meus amigos. Não é o que a gente fala, tá? Mas a gente fala bem menos.
É, e também eu acho que isso acontece porque a referência que você tem sobre relacionamentos, no geral, entre os homens gays, passa muito por essa questão do sexo mesmo. Digo em termos geracionais. Parece que existe a liberdade sexual para os homens gays da minha época, talvez...
tenha sido um dos grandes elementos. Uma conquista, né? Uma grande conquista. Talvez, para quem é mais novo, isso não é uma conquista. É algo que já está ali. Por quê? Porque a gente vê, por exemplo, que antes da minha geração, a geração que veio anterior, foi dizimada pela AIDS e HIV. E eu acho que, a partir disso, conseguir ter uma liberdade sexual, onde a gente pode transar, onde a gente pode explorar a sexualidade, sem um medo...
da morte como um fato iminente causado pelo ato sexual, pela prática, é um grande avanço e acho que é uma conquista. E parece que depois disso a gente vem para um outro estado que agora que a gente aprendeu, a gente está livre para transar.
Como que a gente ama. E é muito curioso porque eu vejo que gerações mais jovens, eu vejo casais hoje que tem uns 20 e poucos anos, é uma dinâmica muito diferente das conversas, de como eles são carinhosos, de como são parceiros uns com os outros, numa pegada mais afetiva que é menos comum.
entre casais mais velhos, assim, de 30 a mais. E não tô dizendo que não exista amor, não é nesse sentido, mas assim... É como isso funciona e é demonstrado. É. Eu vejo pacientes, por exemplo, na casa dos 40 anos, por exemplo, por exemplo, duas vezes, né, mas por exemplo... Por o quê? Exemplo. Parece que eles...
lidam com a expressão do afeto e do amor muito mais a partir de um referencial fantasioso, adolescente, apaixonado, do que, de fato, uma coisa afetiva que eles sentem de dentro. Não sei se faz sentido o que eu estou querendo explicar, não sei se você está conseguindo captar, mas eu vejo caras mais jovens sendo mais carinhosos naturalmente.
E menos performando o carinho, sabe? Demonstram mais também. Eu consigo ver, por exemplo, na rua, quem é mais novo... Parece que é mais solto, é mais automático, é mais livre. E eu consigo ver até a demonstração de afeto. E eu acho que isso é meio óbvio, porque hoje em dia é muito mais fácil em grandes capitais. Até acho que no geral é muito mais fácil que antigamente, mas quem tem 20 anos anda de mão dada.
abraça e aí quando você vê um casal mais velho, você fica tipo assim, será que eles são um casal? será que eles são um amigo? porque não parece e demora pra você entender porque eles não demonstram e a gente já tava falando mas pensando assim na minha parte clínica
Comparando o relacionamento aberto de pessoas de 40 anos com de 20 e pouco, você percebe que o relacionamento aberto das 40 e pouco são pessoas que estão sempre buscando um sexo isolado, sabe? Tipo, eles parecem que eles têm uma vida sexual completamente diferente uma da outra, né?
enquanto relacionamento aberto de vinte e poucos, eles comunicam muito o que eles estão vivenciando. Não é que... E eu não tô falando nem literalmente, tipo, ah, hoje eu vou transar, hoje eu vou fazer isso, sabe? Ou de fazer isso junto. Mas é que eles conversam muito mais sobre as regras, sobre o que eles estão sentindo sobre isso.
E eu percebo que existe um isolamento muito grande de quem é mais velho sobre o sexo aberto. Ou até mesmo o monogâmico, porque a monogamia, ela ainda assim exige conversas que talvez a galera de 40 parece que não tem. Eles fazem de tudo, eles pensam tudo, eles querem resolver tudo sozinhos.
Enquanto, tipo, você nunca chega pro professor e fala, olha, tô sentindo isso, isso, isso, isso, sabe? Parece que a conversa é a última coisa que acontece e é um dos maiores problemas. Por isso que eu acho que eu vejo muito mais alguém de vinte e poucos anos ter um relacionamento mais duradouro e eu tô falando agora da minha experiência de ver, tá? Do que alguém de quarenta e poucos, sabe? Porque parece que não tem tanto diálogo, assim, né? Quando chega num ponto de intimidade, parece que não flui tanto, né?
Faz todo sentido. E falando sobre fetiche, você acha que a galera de vinte e poucos, eles têm uma repulsa por fetiche? A geração Z? Não, mas eu acho que ainda nessa pegada que tu tá falando sobre conservadorismo e que as pessoas estão transando menos, isso vai limitando a nossa criatividade de explorar coisas, né? Porque, assim, fetiches envolvem uma certa criatividade, né? Você tem que estar aberto a sair de um lugar que é comum e não ter nojo.
Às vezes não é nem sobre nojo, mas acho que... Eu acho que é nojo da sexualidade. Você não pode ter nojo da sua sexualidade. Não, mas acho que... Eu entendo o que tu quer dizer e tem parte com isso. Mas uma... Uma predisposição mesmo, assim, de... De ser mais curioso pra explorar. Acho que às vezes... Me parece que pra pessoas mais jovens... Tem uma certa desensibilização em relação ao sexo, sabe? Como se o sexo não fosse tão importante, assim.
Tanto que estão transando menos. Agora, obviamente que isso vai impactar como a qualidade de sexo acontece, né? Porque se a gente já transa menos, toda vez que a gente transa, dificilmente a gente vai inovar e pensar em coisas diferentonas. Mas pra você, tipo, quando você tinha vinte e poucos, né? Lá... muito tempo atrás? Muito tempo atrás. É. Eu tinha bem menos abertura pra explorar fetiches do que eu tenho hoje.
É porque eu vejo a galera falando assim, em rede social, tipo, quando alguém posta, sei lá, tipo, uma foto que parece, sei lá, sem camisa com pelo. Aí, tipo, sempre vem uma pessoa mais nova e fala, ai, que nojo, não sei o que, sabe? E aí você percebe que isso varia, tipo assim, pra N, isso aqui foi só um exemplo, mas eu percebo que é como se eles tivessem um certo repulsa sobre qualquer coisa que saia ali do comunzinho, sabe? Do que é bonito, entre muitas atas, bonito. Do que é bonito, mas será que eles odeiam mesmo? Essa é a questão.
Ou será que eles estão querendo? É o que eu penso, talvez eles queiram, mas eles se travam muito nesse lugar Nossa, Deus me livre Mas quem me dera Eu acho que a gente voltou muito no tempo quando se fala sobre o sexo, né porque a gente evoluiu muito falar sobre sentimentos, sobre mas o sexo
A sexualidade, ela não talvez seja menos, pra parte da geração Z, seja menos problema do que o sexo em si, sabe? Eu acho que o sexo em si é diferente da sexualidade, entendeu? Então eles lidam bem com o fato de eles serem gays, mas não com o fato de terem que transar, de ter desejo, sabe? E aí isso vai fazendo com que eles sentam nojos, sabe?
É, também me faz pensar, assim, que significa que a geração Z tá transando menos, ou a minha geração transou muito. Tem que ver isso aí também. Porque eu acho que tem muitos grupos de millennials que eles, talvez, usaram do sexo como ferramenta emocional, como a gente tá falando. É, porque eu fico pensando agora, assim, lembrando dos pacientes que eu já atendi, pacientes na casa dos 20, dos 20 e tantos.
tinha uma vida sexual bem menos ativa do que os dos inta e enta, dos 30 e 40. Então, assim, que as dinâmicas são outras. Os meus pacientes dos 20, às vezes, ficavam, sei lá, meses, até mais de anos sem transar. Enquanto os dos 30, o tema é justamente compulsão sexual. É, acho que Milena transa muito, né?
É bom, mano. Mas até que ponto, né? Mas é bom, mano. Mas até que ponto, né? Mas é bom, mano. Mas é como diz a minha terapeuta, assim, existem outras coisas pra se fazer na vida do que trepar. Exatamente. Agora, relação com a família. Zinha aí uma coisa grande. Você acha que a sua geração, os gays da sua geração, quer dizer, a geração milênio, eles são mais afastados ou são mais juntos da família?
Eu acho que os gays da minha geração tiveram questões bem problemáticas com as famílias. E daí tem um ponto, que é, ou a gente se resolve com isso e cria uma relação de proximidade, ou o que muitas vezes acontece é que questões não são bem resolvidas e há um distanciamento grande.
Não é à toa que eu atendo tantos homens gays que moram ou em outro país, ou que moram em outra cidade, ou que têm uma relação de um distanciamento com a família. Não porque eles não gostam da família, mas porque eu acho que...
Foi uma vida inteira, assim, tentando ser aceita e sobreviver naquele espaço e não tendo o tipo de retorno que se esperava e precisava. E daí quando eu chego na vida adulta também, eu fico do tipo, agora se fodam vocês, agora eu já pago as minhas contas, invisto na minha aposentadoria, cumpri um apartamento, sabe? Tipo, tô me virando pra minha vida, não dependo da minha família, então...
Mas você acha que a relação... Se a gente pensar num geralzão, tá? Você acha que os millennials têm muito mais afastamento do que se a gente comparar com a geração Z, em relação à família? Você acha que os millennials são mais afastados?
Eu diria que de uma certa forma, sim. Eu diria que os Geração Z, eles têm os mesmos problemas com a família. Eu acho que ele tem muito mais abertura, obviamente, mas eu sinto que os Geração Z têm o mesmo problema com a família, só que ele tem muito menos gana de trabalhar em qualquer coisa e sair de casa, sabe? Sim, eu acho. E você vai ser muito criticado?
Eu acho que... Não acho isso uma coisa negativa, na verdade. Porque antigamente a gente submetia muito a trabalhos que talvez não façam sentido ou... Quer dizer, não fazem sentido assim, na lógica, né? Tipo, esse trabalho, sei lá, seis por um pra ganhar um salário mínimo, sabe? Então eu acho que é muito menos tolerado entre gerações, até porque tem esse debate sobre a saúde mental. Só que significa que as pessoas vão depender mais da família, né?
Concordas? Se elas vão pra qualquer trabalho, elas vão depender mais da família.
Só que isso vai fazer com que você fique dentro de casa. Então, quando você tá dentro de casa, você vai ter que tolerar mais a sua família, às vezes a mãe que é preconceituosa, sabe? E talvez pensando bem, isso mude a forma como você lida com a sexualidade, né? E com o desejo sexual. Porque você fica ali meio que tolhido com aquelas pessoas ali. Então, talvez um pouco do que as pessoas... Tirei do cu, galera. Mas, talvez a dificuldade das pessoas de terem mais...
liberdade com sexo da geração Z seja também porque elas estão mais próximas da família, sabe? Elas estão saindo mais tarde de casa.
Pode ser uma boa questão, nunca tinha pensado nisso. A gente tá saindo mais tarde de casa, né? Tá saindo, obrigado o capitalismo, né? O capitalismo, o neoliberalismo tá aí mostrando pra gente o do buquê, mas a gente realmente tá sendo mais difícil de ser independente e autônomo na própria vida. E com certeza é bem mais difícil trazer gente pra transar em casa se você mora com seus pais, né?
É um ponto. O próximo tópico é aplicativos. Qual que é a relação da sua geração millennial com aplicativos? Você acha que vocês usam bastante? Deixa eu chorar. Você acha, então? Acho. Mais do que a minha?
Bom, daí o Grindr vai poder ajudar a gente a responder a faixa etária do público que tá mais tempo online, né? Mas eu acho que sim. Sabe por quê? Porque pra minha geração ainda é uma novidade. Os aplicativos eles ainda aparecem como uma novidade. E pra uma geração que cresceu dentro de redes sociais parece que é uma coisa comum. A interação. Especialmente porque...
Quando a gente já, pra essa geração que cresceu dentro das redes sociais, já foi muito mais fácil criar conexões e vínculo com outros gays. Eu fui o primeiro gay da minha família. Eu tenho certeza que pra qualquer primo, parente meu hoje, que se assumir uma pessoa LGBT, a relação familiar vai ser muito diferente.
E qual que é o paralelo que eu faço com os aplicativos? Eu acho que se a gente vem de um histórico onde eu já tenho essa abertura em outros espaços, fica muito mais fácil de eu ter outros ambientes onde eu consigo me recursar, sabe? Faz sentido? Mas será que eu tô pensando, enquanto você tá falando? Não. Eu tava pensando o seguinte, no Grindr, você vê muita gente de 18, 20 anos?
Então, não. É o que eu tava pensando só agora. É pouco. Agora bota lá a faixa etária dos 30 a 35 pra tu ver o que que tu vai encontrar. Nem muda. Mas é uma coisa curiosa. É, eu acho que vou dar a minha opinião é que os gerações E usam menos aplicativos de sexo e mais aplicativos de relacionamento. De relacionamento entre aspas, né?
E também assim, ó, acho que a geração mais jovem hoje, que tá na casa dos 18, 20, já por ter outras referências, já... Gente, hoje em dia a gente vê os videozinhos aí no TikTok da vida, a galera que tá fazendo escola hoje no ensino médio, todo mundo é bi, todo mundo, sabe, se beija, tá com namorado. Pelo amor de Deus, gente, há 15 anos atrás, já é que eu nem sou tão velho assim.
Jamais seria uma questão de ter namorados na escola de um garoto se assumir bi, fica com o menino, fica com a menina. Gente, simplesmente não existia. E não é só em Grande Centro. É claro que vai depender muito da região do Brasil, mas não é só em Grande Centro. Não, mano. Até em Cidade Menor, até Uberaba, até em Cidade Menor ainda. Você vê muito vídeo viralizar na escola, que pede namoro. Pedido em namoro. Nossa, inclusive é uma coisa, né? Porque quem que pede o milênio em namoro?
Tipo, parece que não tem essa romantização do milênio. Tipo, parece que é uma coisa meio tipo, ah, namorar? É. Vamos. Não é? É verdade, acabei de... Não tem assim... Não tem um kikiki. Um kikiki, não tem um buquê de flores, não tem um carro de som alegórico saído do meu trabalho. Não, mas você realmente agradece. Pois é, mas agora eu não fiquei encucado com isso. Vai ser uma coisa assim... Banal, né?
Agora a gente já tá três meses saindo mesmo, você já tá aqui em casa. É uma coisa que é quase que racional demais. Não tem, tipo, aquele fator... Não tem um rito de passagem, não tem uns ritos. É, e quando se... Parece que tudo é muito... Sabe? Só... Só a gente tá... E a conexão, às vezes, é muito por sexo, né? Inicial, então parece que, tipo, vai...
Vai lá, vai lá, vai lá, fica... Aí quando vê, tipo, ah... Sabe? Eu vejo que essas gerações mais jovens parecem que têm uma autoestima mais fortalecida. Sabe? Ah, não sei. Eu acho que sim, por conta dessa experiência de ter outras referências. Eu acho que não. Eu acho que é uma geração muito...
Vou complementar, vou formular minha frase. Eu acho que essa geração mais jovem tem uma autoestima gay mais fortalecida.
Eu acho que a geração faz sentido de referência, mas eu acho que a geração Z ela tem mais dificuldade pra ter autoestima porque ele tem muito mais referências negativas também, né? Então você, porque assim, tem mais referência mas também tem referência negativa, tipo negativa no sentido de comparação, de estilo de vida eles estão muito mais online e online, muitas pesquisas falam que quanto mais tempo você passa online, mais você tem emoções e sentimentos negativos.
Mas peraí, tem coisa ruim na comunidade que as pessoas pegam de referência negativa?
Tem. Ai, que absurdo. Você acredita? Jura? Really? Really girl? Really girl. Meu Deus, que pa... Eu tô passada? Você tá passada? Eu tô passada. Inclusive, você sabe que agora me fez pensar em outra coisa? Ah. O... e o próximo tópico é, que não tava aqui, mas eu quero colocar, que é o uso de álcool e drogas. Ah, eu tava esperando pra chegar, porque eu ia falar disso também.
Porque... Também estão transando menos e estão usando menos drogas também. Enquanto a gente tem uma epidemia de chemsex em pessoas mais velhas. Tipo, de 30 e poucos, 40, o que eu recebo assim na clínica, o que eu ouço falar, é tipo quase que, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, é quase que uma coisa... É tido como uma epidemia mesmo. É muito fácil, tipo assim, se você abre o guarda, você sabe.
Você vê aqui em São Paulo, né? Tipo, meu, é um monte de gente vendendo, um monte de gente falando que faz só assim. E é uma normalização. Ai, Lucas, você tá sendo moralista? Não, gente. Obviamente, isso faz muito mal. Tipo, faz muito mal você... Eu lembro que quando eu usava o Grindr, era uma segunda-feira, tipo, 8 horas da manhã, a gente tava me chamando pra usar tina, sei lá, e transar. Fica, gente, segunda-feira, 8 horas da manhã. Nunca que isso vai ser uma coisa saudável e normal, sabe? Isso não é.
Porque você já passou do limite, né? A gente tem redes sociais de segunda-feira ser um dia de trabalho, até pra gente se organizar também. Então, eu sinto que existe uma dificuldade muito grande em lidar com a autoestima e, consequentemente, tem uma necessidade a mais de fazer o sexo.
E muitas vezes pelo quem sexo Porque a gente fala, ah, a milênio faz muito mais sexo Não sei o que, não sei o que, não sei o que Mas também assim, é que custo, né Em quais circunstâncias, né Que o milênio, ele vai lá e faz mais Porque também assim, se for pra quem sexo É melhor nem fazer
Pois é, né? A questão do consumo de drogas e substâncias é de fato um tema muito delicado. Primeiro que a gente tem visto nas pesquisas que o consumo não diferencia tanto da população em geral. Sim. Especialmente de homens. É legal da gente trazer isso, porque fica parecendo que só homem gay usa droga. Não é verdade. A gente sabe que todas as pessoas utilizam e que uma boa parte delas usam.
Mas o fato é que dentro da nossa comunidade tem algumas especificidades. Tipo, a história do chemisex, do uso de substâncias direcionadas, exclusivas para a prática do sexo. Festinhas para uso de substâncias, pequenas surubas onde todo mundo fica muito louco. E assim...
Até mesmo de uma banalização do uso das drogas. É, isso que eu falo. Né? De tipo de... Esses dias mesmo, esses tempos atrás, eu até te contei, eu saí com um cara, que eu viri e falei pra ele, tinha uma coisa estranha, assim, eu muito perguntei pra ele, você deu um teco antes da gente sair? Dei ele...
Ai, eu odeio. E eu acho tão bad fazer, porque a pessoa tá meio... Não, já aconteceu, já tinha feito, já tinha rolado, mas assim, eu fiquei do tipo... É, eu acho que o grande problema também é que homens gays, eles estão muito mais suscetíveis à dependência, mas não...
pelo uso em si, mas é pelas circunstâncias da vida dele. Porque ele tem muito menos rede de apoio, ele tem muito mais dificuldade pra lidar com as emoções. Envolta tudo que a gente tava falando até agora, de todas as coisas acumuladas.
Na hora de interagir com outro gay, na hora de se conectar com outra pessoa, vem todo esse turbilhão e aí eu preciso de amuletas, de subterfúgios que me ajudem a lidar com isso. Então, se eu tenho baixa autoestima, se eu fico com medo de ser rejeitado, se eu não tenho experiência suficiente de ser afetuoso com outro homem, se a minha moeda de troca de interagir, de ser aceito é a partir do sexo...
Pelo amor de Deus, né, gente? Daí eu fico precisando, obviamente, de alguma coisa que me ajude a lidar com tudo isso pra que eu tenha condições de ficar de pau dura e poder transar com essa pessoa. Isso se eu tenho intenção de, né? Porque às vezes nem isso. Às vezes, tipo, é outra dinâmica que rola ali.
Então, é delicado. E sobre o álcool em si? Porque também acho que é uma outra... É um outro paradigma, né? O álcool é uma droga ilícita, é uma substância que é legalizada, o que torna ela muito mais acessível.
Todos os espaços, festas, etc. estão aí presentes. E uma coisa agora que me ocorre é que o uso de substâncias, especialmente o álcool, são coisas muito banalizadas e coisas inclusive incentivadas nos espaços onde os homens gays...
procuram e buscam conhecer outros homens, que são os bares de cruising, as festas, as baladas, saunas, etc. Qualquer um desses lugares, assim, é muito facilmente vai ter um bar. É.
né? Vai ter alguém vendendo droga. Os primeiros lugares que a gente vai ou que a gente foi, quando a gente sai do armário, é justamente o que? Balada, bar, que é tipo álcool, álcool, álcool, né? Apesar de que eu tava vendo que tem algumas festas em São Paulo que eles estão colocando o preço da água mais caro porque a galera aqui não vai beber, né? Tá usando droga. Então, tipo, geralmente bebe mais água. O que vai contar total contra a redução de risco, né? Então, é... estranho, né? Que estuco. Peraí. Nossa.
Repete, deixa eu ver se entende. Às vezes uma água é tipo 10, 15 reais. Lugares, baladas que estão colocando água mais caro. Porque a galera não bebe para usar ilícitos. Sim. Doido, né? E aqui é muito comum. Mas também eu acho que a galera que... Existe um debate, mas eu nunca... Existe um debate, mas eu nunca vi uma pesquisa sobre isso. Que fala sobre a geração consumir menos álcool. Isso existe.
Mas será que eles estão consumindo menos álcool e pronto? Ou eles estão indo para ilícitos também? É uma boa questão, né? Porque a maconha em si, ela é mais normalizada, né? Em que sentido? Eu sinto que as pessoas, elas falam... Por exemplo, tem a moça que ajuda aqui em casa, né? Que ela limpa. Isso, a gente estava conversando sobre tal, tal, tal.
São polêmicos, né? E aí ela falou, tipo, ah, mas maconha tudo bem, né? O problema é, sei lá, tipo, ah, outras... Pó. Cocaína. Então, eu sinto que existe, principalmente pra geração mais nova, eles vêm com menos peso a... Não só a geração mais nova, tá? Acho que no geral a maconha. Óbvio. Recortes, né? Acho que são recortes também. Tipo, a Capulano de São Paulo e tal, tal, tal.
Mas eu sinto que talvez tenha menos, sabe, peso, tipo, porque, sei lá, minha mãe, por exemplo, não sabe o que é direito, o que é uma coisa. Ela acha que é a mesma coisa que cocaína, sabe? Mesmo peso, sabe? E, tipo, são coisas muito diferentes. São coisas muito diferentes. E, eu acho que, talvez, eu não sei, é uma coisa que eu queria muito saber, tipo, se a galera tá passando de um pra outro, sabe? Mais nova.
É, esse é um bom ponto. Eu acho que sim. Você acha que sim? Acho que sim. Acho que outras substâncias estão aparecendo. Porque eu não caio nessa de que, ah, a geração Z está cuidando mais do corpo e fazendo mais atividade física. É assim, estão cuidando mais do corpo de que forma, né? Com suplemento vitamínico, com bomba e...
Não são todos, mas assim, troca seis por meia dúzia, sabe? Do tipo, ah, estão cuidando mais do corpo, eles não bebem, não tomam bebida alcoólica, agora estão desenvolvendo vários transtornos alimentares. Vigorexia, inclusive, caso você não saiba, é um tipo de transtorno alimentar. Vigorexia é essa busca perfeita por um corpo saudável e constante o tempo todo, né? Assim, que eu preciso estar musculoso, preciso estar com os meus exames em dia.
E a gente vê isso na internet, né? Eu tenho tanto de testosterona, tanto de não sei o quê, pipipi.
Vira uma competição. Saúde vira uma competição pra saber quem vai chegar em primeiro. By the way, o próximo tópico é relação com o corpo. Você acha que a minha geração ou a sua geração Z, millennials, elas são mais... Tem diferença na relação com o corpo?
Sim. Primeiro que a geração Z é uma geração que já cresce com popularização da academia. É. É legal. Eu me lembro que quando eu era mais jovem, assim, criança, não era comum ver academias de bairro como a gente vê hoje, onde toda rua, toda esquina tem uma academia diferente. Não tinha redes, né, de academia. Não tinham redes de academia e a prática de atividade física das pessoas...
Olha que curioso, elas eram comunitárias, a pessoa ia jogar bola, ia brincar na rua, jogava futebol, era vôlei, era basquete, era brincar de pega-pega, eram jogos de esportes coletivos. Com a academia e com o avanço tecnológico, parece que cada vez mais nós fomos nos tornando individualistas.
Corrida, academia, esportes onde eu sou responsável e eu viro protagonista desse movimento que agora eu competo contra os outros nisso. E muitas vezes comigo mesmo.
E acho que, por exemplo, eu cresci muito mais com essa... Por exemplo, porque na escola já tinha muita gente que fazia academia, sabe? Então, acho que isso pegava, porque eu tinha a questão da sexualidade, eu tinha a questão do corpo, porque eu também não me sentia à vontade.
E aí eu sinto que a gente tem mais acesso a... Não, eu tive mais acesso à rede social bem mais cedo. Então a minha relação de como eu enxergo o meu corpo, ela nunca vai ser a mesma. Por mais que eu faça muita terapia, tipo, no momento que eu tava crescendo, eu tinha...
um referencial de corpo e aprendi a enxergar o meu corpo de uma maneira completamente diferente do que ele é. Então eu não consigo praticamente enxergar meu corpo, mais saudável que eu esteja, acho que de uma maneira bem realista, sabe? Eu vi tudo de maneira extremamente específica, então eram caras muito musculosos. E por mais que hoje a gente tenha ainda mais corpos musculosos nas redes sociais, no começo da internet eu acho que não existia nenhum contraponto.
Era só isso e pronto. Hoje ainda tem contraponto. Mas eu acho que isso pegava, me pegou muito, porque parece que só aquilo é bom, parece que só aquilo vai me deixar seguro, parece que... E eu acho que isso pesa. E sinto que millennials, eles são mais em busca do corpo da mesma maneira, eles tomam testo, eles querem tirar fotinho de sunga deles em Ipanema, sim, com Viagra, coisinha deles, né? E um quartinho de Viagra que tu me contou. Um bonitinho, né? Gente, gente.
Mas eu sinto que é Pra você, é quase que uma coisa de acasalamento Sabe? E eu sinto que pra Geração Z É uma performance E pra Geração Z é uma coisa meio que de pertencimento Não de acasalamento, sabe? É como se eu preciso do corpo não pra Sair com outras Pessoas, mas porque eu quero Ser bem visto, eu quero me sentir seguro, sabe? Eu quero me sentir pertencente igual as pessoas que eu vi Na rede social, então eu sinto que tem esse Kikiki, entendeu?
É um kikiki que às vezes me faz kkk. Kkkk ou tuputu. Ou kukuku, porque sinceramente, gente, essa história do Viagra na sunka...
Gente, quem que já usou Viagra na Sum? Comenta aqui, vê se... Eu quero saber, dá certo? Você fica o dia inteiro ali? Não, pra quem não faz a menor ideia do que a gente tá falando, parece que saiu nas redes aí a história de que tem gente, homens, né, que colocam um... Consomem um quartinho de Viagra pra ir pras praias com mais volume na Sumga. As coisinhas deles. Pra mim, isso assim, tipo, é uma coisa tão...
É uma absurda, gente. Eu fico... Honestamente, eu fico curioso, assim. Eu gostaria de conversar com um cara deles e aprender o que se passa na cabeça de uma pessoa dessa. Você não usaria, não? Não. Ah, é... Não queria contestar. É, porque assim, primeiro que não é todo mundo que precisa, né? Começa por aí. Não, mas é... Quanto mais... Gente, é muito doido. Quanto maior, melhor. Então nunca é o suficiente, parece. Pois é, mas...
O que mostra que a questão não está no tamanho, nunca esteve no tamanho. Nunca esteve no tamanho, é sobre competição. É quase que uma competição animalesca nesse sentido, né? Eu estava lendo esses dias, a gente vive numa sociedade chamada de sociedade agonística, onde parece que toda configuração social é pautada nessa competição.
que geram um certo estresse e ansiedades generalizadas, porque parece que nós estamos o tempo inteiro na espera e na expectativa do do macho alfa que vai aparecer, sabe?
Tem uma coisa assim, tem essa certa demanda, essa urgência. Não vivemos numa sociedade onde as relações são pautadas no prazer, no afeto, na cumplicidade. É na competição. E é uma coisa assim que a gente fala muito, e tem vários autores e várias influências que discutem aí sobre o capitalismo, sobre essa questão política social que influencia essa competição.
Mas acho que também tem um caráter bem biológico, animalesco mesmo. Porque se a gente olhar no reino animal, é o que acontece. Entre os mamíferos, existe sempre essa disputa de quem é o macho mais forte, que vai mandar na porra toda, vai reproduzir as fêmeas, é o rei da parada. E inclusive atacam machos mais jovens que tendem a disputar esse espaço.
E eu acho que é muito com o caixa, assim. Pega Rio de Janeiro aí em verão, posto 9. Gente, é pra ver quem vai ser o mais macho, é o rei da porra toda. E eu me sinto aquele macaquinho rejeitado no Japão, sabe? Pela família, é. Aí eu me sinto ele. Agora, sabe uma coisa que gerações e millennials todos que são legais fazem em comum? Eles se inscrevem no nosso canal e seguem a gente nas nossas redes sociais. Se você curtiu esse vídeo,
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