Um importante avanço no projeto para bilionários data centers no RS
No episódio do podcast Nossa Economia dessa semana, Luciano Fialho, vice-presidente da Scala Data Center, atualiza como está o projeto da "cidade de data centers" da empresa em Eldorado do Sul.
Gianni Guerra
Luciano Fialho
- Data Centers e InfraestruturaGeração de empregos diretos e induzidos · Efeitos em cascata em diversos setores · Programas de bolsa de estudo e contratação · Preferência por mão de obra local na construção · Estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre efeitos socioeconômicos
- Dívida Pública BrasilCompetitividade e regime tributário (Redata) · Necessidade de política pública para atração de investimentos · Competitividade no preço de energia · Geopolítica global e provedores de infraestrutura digital · Soberania digital e processamento de dados
- Cronograma de implementaçãoLicença ambiental e início de obras · Demanda global por processamento de IA · Lead time para entrega de equipamentos · Construção de novas subestações e transformadores
O que move os negócios e os empregos do Rio Grande do Sul? O que ocorre na economia que impacta o seu bolso? Tudo isso e muito mais em entrevistas exclusivas todas as semanas aqui no podcast Nossa Economia. Comigo, Gianni Guerra.
Olá, estamos de volta com o podcast Nossa Economia de GZH, todas as semanas trazendo notícias que têm impacto na economia dos gaúchos, nos empregos, no bolso de quem vive no Rio Grande do Sul. E por isso, hoje nós vamos falar sobre um grande.
Um enorme investimento aqui para o Estado e que tem novidades. O podcast Nossa Economia de GZH tem o patrocínio de Sicred. Não é só uma safra, é ter com quem contar. Sindilojas, sindicato dos lojistas de Porto Alegre. Sejam associados Sindilojas Poa e tenha benefícios gratuitos para o seu negócio.
Nós vamos falar hoje sobre a cidade de data centers, um projeto que foi anunciado já há algum tempo para Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre. E é um projeto que, de largada, prevê um investimento de 3 bilhões de reais, mas que depois tem potencial para multiplicar este valor por 100. E tem um avanço importante.
no andamento, na tramitação deste empreendimento aqui no Estado. E é isso que nós vamos saber na entrevista que eu fiz com o vice-presidente da Scala Data Centers, Luciano Fialho. Vamos conferir. O programa Acerto de Contas aqui da Rádio Barruxa hoje fala com o vice-presidente da Scala Data Center, Luciano Fialho. Tudo bem, vice-presidente? Tudo bom, Chane.
Prazer aqui conversar com vocês. Ótima essa oportunidade de fazermos essa conversa, vice-presidente, porque o pessoal tem me perguntado muito em que pé está o projeto, que foi anunciado com bastante ênfase pelo governo do Estado, nós demos muitas notícias relacionadas ao projeto da escala. Há uma expectativa gigante não só da cidade de Eldorado do Sul, mas da região metropolitana e do Estado em relação a esse investimento.
Em que fase nós estamos? Da última vez que eu tive notícias, se aguardava a finalização do plano de negócios?
Isso, na verdade, a gente está cumprindo o nosso cronograma, nós estamos na fase que eu chamo hoje de licenciamento. Nós vamos protocolar na próxima semana todo o que a gente chama de master plan, é todo o projeto que envolve a cidade. O projeto urbanístico, o projeto dos prédios, a parte de iluminação, a parte de...
de fornecimento de água, é toda a urbanização da área, tá certo? Para poder fazer esse processo, a gente teve que fazer uma série de estudos, tá certo? Para cumprir todo o processo de licenciamento. O processo de licenciamento não começou ainda, tá?
Esse é um processo, é uma área muito grande, é um projeto robusto, então ele depende de uma série de estudos de impacto ambiental, de impacto viário, que precisam ser feitos previamente e serem protocolados juntamente com o Master Plan. Então nós estamos na fase do licenciamento.
E, bom, vocês até anunciaram depois da enchente, porque o terreno, inclusive, onde vocês vão construir não foi atingido pelas águas, pelo alagamento de Eldorado do Sul. Mas vocês já estavam avaliando este projeto antes. Foi necessário fazer alguma adaptação no projeto devido à enchente em Eldorado?
Não, não foi. Só para você ter uma ideia da linha do tempo, o projeto foi discutido e concebido a ideia de se fazer um campus de processamento de inteligência artificial em 2023.
no segundo semestre de 2023. A gente começou a olhar, fez uma pesquisa ampla no país todo para saber em que área, em que região do país havia uma disponibilidade de energia, uma grande disponibilidade de energia, a razão pela qual a substração...
Guaíba 3 foi escolhida, a gente fez uma pesquisa profunda e chegou à conclusão que a região de Guaíba 3, da subestação de Guaíba 3, havia uma grande disponibilidade de energia não utilizada. A energia passava por Guaíba 3 e subia para a região sudeste, então a gente fez a escolha.
aconteceu a enchente, nós acompanhamos a enchente, depois que a gente fez a escolha, a gente comprou os terrenos em volta da subestação de Guaíba 3, depois nós fizemos todos os processos necessários para tornar aquele zoneamento ali, não a gente, mas o município, como era uma área rural, passou a ser uma área urbana.
Ao longo de 24. Em 25 a gente trabalhou para obter a autorização do Ministério da Minas e Energia para explorar os 5 gigas de energia lá. Por isso que o projeto, cada ano tem uma etapa específica dele.
Como o tamanho é muito grande, os processos são todos demorados mesmo. Então, primeiro a gente comprou, depois que a gente comprou, a gente fez os estudos da parte de energia. Os estudos da parte de energia foram protocolados, foram estudados e foram concedidos em maio de 2025.
A partir desse momento, a gente passou a trabalhar em cima do projeto para poder conceber o projeto mesmo, o Master Plan, e agora a ideia era que a gente licenciasse em 2026, e é o que está acontecendo, o que vai acontecer a partir de agora. Bom, vice-presidente, acho que até da última vez que nós falamos foi numa dessas etapas com o Ministério de Minas e Energia. Já está tudo bem encaminhado para essa disponibilidade de energia que vocês vão precisar para o Data Center?
Esse é o processo, a gente faz, como é que ele funciona? A gente faz um estudo, apresenta o Ministério da Minas e Energia, o Ministério da Minas e Energia faz uma portaria que saiu em maio de 2025, onde ela diz, os estudos que vocês fizeram, o completo que vocês fizeram de consumo de energia nesta região de até 5 gigas, ela suporta...
condicionado a determinadas obras que precisam ser feitas de reforço no sistema. Mas o que o Ministério diz para a gente é que até 1.8 gigas estão prontos imediatamente, imediatamente sem necessidade de grandes reforços. Então o Ministério aportaria a segunda etapa para a ONS, que é o Operador Nacional do Sistema.
Obter dele um documento que se chama parecer de acesso, onde a gente dá a rampa de uso e os reforços que precisam ser feitos no sistema. A gente já obteve a portaria e já obteve o parecer de acesso da ONS. Vocês vão usar energia renovável? Vamos usar energia renovável. E vão ter que puxar tudo do sistema elétrico? Ou haveria uma possibilidade de geração próxima?
Não, nós vamos buscar o sistema elétrico, há a possibilidade de geração próxima, há a possibilidade de usar a geração do próprio Estado, mas o grid brasileiro, Jânio, ele é interconectado. Então você pode comprar energia renovável em qualquer parte do país, usar de qualquer parte do país, mas o grid entrega na porta da gente. Mas a energia vai ser toda renovável.
Sim, bom, e um ponto que se levanta muito e nós já abordamos sobre isso numa outra conversa, mas reforço aqui porque o questionamento é frequente, vice-presidente, é sobre a necessidade de uso de água para resfriamento do data center, que é um assunto que se levanta em relação ao data center em qualquer lugar do mundo.
Isso, é verdade, mas eu já te adianto que a gente tem uma métrica que se usa no setor de uso de água que chama WUE, que é o Water Usage Effectiveness, que diz a quantidade de percentual de água que se usa e o nosso é zero na escala. A gente usa água uma única vez.
em todos os nossos data centers, na escala toda da América Latina inteira. A gente usa água uma única vez, onde você coloca a água dentro do sistema, o sistema é fechado, então você não precisa repor a água ao longo do sistema, é de closet loop. Então esse é um problema, não vai ter uso hídrico na região, a não ser, obviamente, para o uso das pessoas do dia a dia lá. Sim.
Bom, vice-presidente, vamos recuperar, porque tem uma primeira fase deste projeto que pode se tornar uma cidade de data centers, mas por enquanto nós estamos tratando da primeira etapa, é isso?
Isso, na verdade o projeto que a gente está apresentando é o projeto da cidade toda, do campus inteiro. O que não significa que a gente vai construir ele todo de uma vez só. A gente vai construir ele em etapas, mas o projeto a gente vai fazer o licenciamento do projeto inteiro.
Ah, é? Não, então o que nós estamos falando agora já se refere ao projeto na sua totalidade. Isso, na sua prioridade, exatamente. É uma área muito grande e a gente, estrategicamente, a gente entendeu que era melhor que a gente fizesse todo o licenciamento.
Porque você envolve biomas, correntes de rios, áreas alagadas, que é global, isso não dá para a gente segregar, poderia fazer. Mas como eu vou fazer uma coisa global, eu já vou fazer o licenciamento inteiro.
Sim, sim. Como é que estão os investimentos previstos? Porque o anúncio de você já foi feito há algum tempo e às vezes essas cifras são atualizadas. Dessa primeira etapa a ser construída, qual é o investimento? E considerando todo o projeto, quanto seria o aporte financeiro?
Jani, olha, o nosso investimento inicial é de 3 bilhões de reais, tá certo? Para fazer a primeira etapa, que é uma etapa bem inicial, tá certo? Eu preciso urbanizar a área inteira, eu preciso criar as ruas, eu preciso... uma parte dessa área tem que ser doada obrigatoriamente para os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas, e uma parte tem que ser doada para o Estado. Então, eu tenho esse projeto todo, eu preciso urbanizá-lo, tá certo?
Mas só para você entender, se a gente usasse toda a área para processar a inteligência artificial, vou colocar o prazo aí, não sei te dizer, quanto tempo a gente ocuparia isso, porque depende de ter os clientes para ocupar. Mas vamos dizer que a gente ocupa no prazo de 10 anos e usasse a área em toda. Os investimentos podem chegar a 300 bilhões de dólares.
esse é o tamanho do investimento que a gente pode ter lá. E, obviamente, eu estou contando só o investimento naquele local. Para construir os prédios, por que é tão caro? Só para você entender, esse projeto que você está vendo aqui atrás de mim, ele é um projeto que também, um único prédio desse, custou para a gente 450 milhões de dólares. Por que é um projeto tão caro? Porque eu construo um prédio...
Esse prédio tem um sistema de refrigeração super sofisticado, com equipamentos de resfriamento super sofisticados, importados. Eu tenho um sistema de backup de energia, de geradores de backup, quer dizer...
Nossa atividade é de 24% e ela não pode parar em momento algum, então tem um sistema de energia sofisticado. Tem que fazer a conexão, tem que fazer a segurança disso. Então, isso tudo sem contar o que se é gasto para fazer o preenchimento desses prédios, que são com chips de processamento. Então a escala não faz o preenchimento do prédio com os chips de processamento.
Ela constrói e opera, mas terceiros que são os nossos clientes, que a gente chama de hyperscales, é que vão preencher. A somatória dos investimentos que nós fazemos, os nossos investimentos para fazer esse campus inteiro da escala, são na hora de 50 bilhões de dólares, se a gente fizer ele inteirinho ao longo do tempo.
das empresas que vão preencher com computadores, com servidores, é da hora de 250 bilhões de dólares para preencher todos esses prédios ao longo do tempo. Isso se toda a energia que a gente demandou for utilizada, for demandada. Pode ser que eu tenha pedido 5 gigas e no fim das contas eu consiga fazer um projeto.
Porque eu só vou ter demanda para 1 giga, 2 gigas, 3 gigas. Não importa. Qualquer tamanho que for feito dessa magnitude de gigas que nós estamos conversando, os resultados são sempre na casa de bilhão. Tá certo?
É, considerando até esses outros locais onde você já tem data center, essas operações grandes, né? Vocês até têm data center aqui em Porto Alegre, né? Mas não é uma operação grande, nem perto do que vocês pretendem construir em Eldorado do Sul. Mas esses locais onde vocês têm data center grande, o que muda no entorno? O que muda na vida das comunidades, né? Como é que é a geração de emprego? Como é que é o dia a dia, a movimentação?
Para que o pessoal que mora em Eldorado, no entorno, consiga visualizar isso, né?
O Jane, a gente vai soltar um estudo que a Fundação Getúlio Vargas fez agora nos próximos 30 dias, que vai dar um pouco a dimensão dos efeitos socioeconômicos.
de um data center, tá certo? E aí a gente vai poder ter esses números com uma qualidade muito melhor. Mas eu posso te adiantar aqui, para você ter uma ideia, cada emprego, cada investimento de um milhão de reais feito no setor de data center, eu gero empregos diretos, 7,5 empregos diretos e diretamente. E outros...
17 empregos induzidos, quer dizer, na cadeia inteira, tá certo? Então, se você pensar que para construir um data center, para operar um data center, eu preciso da indústria de eletrônica, da indústria elétrica, da indústria mecânica e hidráulica.
eu preciso de construtoras, espera-se que em algum momento no campus, no auge do campus, eu tenho 12, 14 mil pessoas trabalhando na construção. Depois eu preciso das pessoas para operar, eu preciso das pessoas para fazer a manutenção desses equipamentos.
Então, o que a gente espera é um efeito com um projeto desse tamanho, um efeito em cascata em diversos setores, em especial, por incrível que pareça, um setor de serviços. Se eu tiver que empregar durante a construção...
no auge, no pico da construção, de 12, 14 mil pessoas, imagina o que é eu ter a manutenção dessas pessoas durante esse período de obra. No auge eu vou ter diferentes momentos, eu vou ter aqui, por exemplo, nesse projeto que você está vendo aqui em São Paulo, em determinado momento nós tínhamos quase 4 mil pessoas. Isso muda o ecossistema todo da região, tá certo? A Scala tem um programa que por cada mega...
megawatt de processamento que nós fazemos, a gente dá uma bolsa de estudo numa faculdade de engenharia e depois emprega a pessoa na escala. Aqui nós temos hoje cerca de 300 pessoas empregadas que tiveram bolsa e que foram empregadas. Isso é um projeto só da escala, não estou dizendo fora os efeitos econômicos de você empregar. Por exemplo, todas as consultoras que nós usamos aqui em São Paulo é um projeto.
que você está vendo aqui, que tem uma comunidade atrás desse projeto aqui, todas as pessoas, as construtoras que nós usamos, nós demos preferência para as construtoras que usavam mão de obra local, para que a mão de obra local se integrasse dentro do projeto. Então a gente tem um time interno aqui na escala, que vai fazer um trabalho com a comunidade toda, seja para...
prover de mão de obra para fazer o treinamento necessário, seja para dar para a comunidade uma interação, uma integração com todo o processo, desde o processo de construção até o processo de operação. Então, a capacidade de mudar...
A capacidade de mudar o entorno, a região, e eu concordo com você até mesmo o estado, é muito grande. Seja na geração de emprego, seja na geração de renda, seja na geração de riqueza, renda, riqueza e produção. Porque, na verdade, você habilita. Número um.
que toda a cadeia de fornecimento se estalhe na região também, isso não é o processo da escala. Quer dizer, se a gente de fato começar a desenvolver o projeto e vender a utilização, o processamento para os grandes processadores de dados, provavelmente nós teremos a cadeia produtiva toda descendo para os entornos. Então aí eu tenho mais geração de emprego direto, eu tenho mais geração de emprego.
induzido. Mas com esse estudo, Jane, acho que a gente vai ter uma boa noção, ele não é especificamente para o projeto de Eldorado, ele é para todo o mercado de data center, mas como o projeto de Eldorado tem uma dimensão superlativa, a gente vai conseguir ter uma noção de quantos empregos podem ser gerados em Eldorado e Grande Porto Alegre.
Ah, ótimo. Bom, e antes de encerrar nossa entrevista, vice-presidente, queria ouvir um pouquinho sobre prazos, né? Claro, condicionando que os prazos sempre são dependentes, né? E vinculados a aprovações, enfim, coisas que vão acontecendo na conjuntura e tudo. Mas, assim, vocês trabalham hoje com que ideia de prazos? Vocês vão pedir agora a licença ambiental para a FEPAM, primeira licença, licença prévia, depois tem uma tramitação de licença de instalação, para então o início de obras.
Vocês esperam iniciar a obra quando desta primeira fase? Primeiro quarto de 2027. E finalizá-la para começar a operar? Uma primeira etapa no final de 2027 e início de 2028.
em algum momento em 28. Agora, Gênesis, só para você entender, se a nossa demanda, e não é nossa demanda que eu falo escala só não, a demanda de Brasil para o processamento explodir, que existe uma chance razoável, que existe um gargalo, especialmente em outros mercados, especialmente no mercado americano, de processamento para a inteligência artificial, se o Brasil virar uma opção,
para processamento, tudo que eu estou te dizendo, ele toma ultra velocidade, tá certo? Aí precisa para ontem. Aí precisa para ontem. E aí o gargalo não vai ser construir ou licenciar.
que é entre nós, nem energia. O gargalo vai ser lead time para a entrega de equipamentos. Está certo? A indústria toda... Eu preciso fazer, para você ter ideia, eu preciso fazer de 5 a 7 novas subestações dentro do meu campus para eu distribuir a energia e baixar a tensão. Todas essas subestações precisam ter equipamentos do setor de energia, precisam ter transformadores. Os equipamentos de resfriamento, eu também tenho um lead time, eu faço hoje.
e assumindo que essa demanda é uma demanda global, existem demandas do mundo inteiro para os mesmos fabricantes, eu tenho prazo para a entrega disso. Então, o nosso gargalo provavelmente não será a construção, o licenciamento, a construção. O gargalo que eu digo, em termos de timing, vai ser a entrega dos equipamentos necessários para poder fazer o processamento, para poder montar a infraestrutura toda.
E aí, por que eu estou dizendo que a gente vai operar em algum momento de 28? Porque eu construo, eu converso com os clientes, vamos assumir que os clientes vão demandar, aí eu preciso pedir, requisitar os equipamentos, os equipamentos têm um prazo de entrega para serem instalados. E vice-presidente, o que faria o Brasil se tornar esta opção?
três coisas basicamente. Número um, competitividade. O Brasil hoje tributa de uma forma acima da média global, os equipamentos de processamento, que é o Redata. Você deve ter ouvido a discussão do Redata, que é o regime especial.
para poder isentar de impostos os equipamentos que são importados para processamento de dados. Então esse é o número um, tornar o Brasil competitivo. Isso a gente acredita que vai acontecer em algum momento.
Número dois, o Brasil precisa estabelecer uma política pública para a atração desse tipo de investimento. Hoje ainda existe a política pública para o Brasil se tornar um hub de infraestrutura digital para o processamento de inteligência artificial. Hoje, as políticas do governo federal, ou dos diferentes governos, federal, estadual e municipal, elas são...
estão separadas, estão feitas por diferentes órgãos, estão diferentes com diferentes sinalizações, diferentes destinações, diferentes racionalidades. Eu preciso, em algum momento, criar uma política específica para o setor de infraestrutura digital. E o terceiro, especificamente no setor de energia, o Brasil precisa continuar.
continuar e ficar mais competitivo no que diz respeito ao preço de energia. O Brasil já é um player competitivo no que diz respeito à qualidade da energia, porque a energia renovável no Brasil é predominante, mas o preço da energia tem que continuar se mantendo, especialmente com a autotrodução, continuar se mantendo com um preço competitivo. Nós estamos numa briga, Gianni, num xadrez que é de geopolítica global.
Alguns lugares vão ser tomadores de serviços de infraestrutura e outros vão ser provedores. Lugares com grande quantidade de energia, com espaço e com boas políticas públicas serão provedores de energia e obviamente haverá uma dependência maior de quem tomar.
desculpa, provedores de infraestrutura digital, obviamente haverá uma dependência maior de quem tomar esses serviços de infraestrutura digital. Hoje o Brasil é tomador, ele não é prestador. Hoje estima-se que 550, 60% dos dados dos brasileiros é processado fora do Brasil.
O que a gente quer fazer é trazer esses dados para cá e processar dados de estrangeiros aqui, para que a gente passe a ser fornecedor e não tomador de infraestrutura. O que traz o discurso da soberania digital, torna o país soberano, no sentido de que ele processa os próprios dados, está sob a legislação dele, inclusive pode processar dados de terceiros. Está prestando serviço, eu estou vendendo.
serviço, eu não estou tomando serviço. É isso que precisa para o Brasil se tornar o hub de processamento. Se o Brasil se tornar o hub de processamento, o projeto de Eldorado Sul é o projeto no hemisfério sul, e aí estou pegando da Austrália, em todos os continentes até o Brasil, é o projeto mais bem preparado, mais bem estruturado para fornecer infraestrutura para processamento de inteligência artificial.
Certo. Bom, agradeço muito essa entrevista para que nós possamos atualizar esse projeto que é muito importante aqui para o Estado e olha, vice-presidente, é pergunta frequente aqui dos nossos ouvintes da Rádio Gaúcha, dos nossos leitores de Zero Hora também. Por favor, nos mantém informados, então. É um prazer, obrigado. Estou sempre disponível, tá? É um prazer informar sobre esse projeto. É o nosso projeto aqui principal da Escala, tá bom?
Certo. Obrigada, vice-presidente da Escala Data Center, Luciano Fiali. Obrigada pela entrevista, até uma próxima.
Até a próxima, obrigado.
Essa entrevista, então, com o vice-presidente da Scala Data Center, Luciano Fialho. Muito obrigada pela audiência de vocês. O podcast Nossa Economia desta semana fica por aqui. Na semana que vem teremos mais notícias de negócios, de finanças, daquilo que impacta a vida dos gaúchos. Sempre com o patrocínio de Sicredia, ter com quem contar, não é só uma safra. E Sindilojas, seja um associado Sindilojas Poa, sindicato dos lojistas de Porto Alegre, e tenha benefícios gratuitos para o seu negócio.
Muito obrigada pela audiência, pela confiança no jornalismo econômico da Rádio Gaúcha e de GZH. Até a semana que vem.
Scala Data Center
SIC
Sorte