Episódios de Filme Da Semana

#301 - 35 livros antes dos 35 anos - atualização de 2026

04 de julho de 202628min
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Mais um ano se passa e o desafio continua firme e forte!

4 anos atrás, em 2022, eu criei uma lista de 35 livros que esperava conseguir ler em 5 anos. De lá pra cá muita coisa mudou, criei regras novas (kk) mas o desafio continua e está cada ano mais próximo do seu final.

Nesse episódio falei de 4 livros que li no ultimo ano e dei um panorama geral dessa empreitada.

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Bluesky @lalariland

Email para contato e pix: podcastfilmedasemana@gmail.com

Participantes neste episódio1
L

Larissa Blanco

HostDesigner
Assuntos6
  • Recomendação de LivrosAtualização anual do desafio · Livros lidos no último ano · Mudanças na lista original · Livros de Brandon Sanderson · Crônica da Casa Assassinada · Memórias Póstumas de Brás Cubas · A Metamorfose de Kafka
  • Brás Cubas· CulturaNarrador não confiável · Capítulos curtos · Crítica social · Humor machadiano
  • Crônica da Casa Assassinada de Lúcio CardosoFamília em decadência · Ambiguidade de época · Múltiplos pontos de vista · Elemento queer · Plot twist final
  • Obra de KafkaTransformação em inseto · Produtividade e valor · Reflexões sobre a vida · Clássico literário
  • Brandon Sanderson· CulturaFantasia de volume único · Construção de mundo · Cidade de Elantris · Maldição de Elantris · Príncipe de cidade vizinha
  • Aniversário do podcastDesafio de leitura · Atualizações anuais · Identidade do podcast · Registro pessoal
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LBLarissa Blanco

Oi, gente, tudo bom com vocês? Meu nome é Larissa, esse é o podcast Fim da Semana. Essa semana eu tô com um pouco mais de voz, acho que dá para vocês perceberem isso. Estou melhor do meu resfriado e chegou o momento do ano de eu fazer uma atualização de um desafio que eu venho fazendo aí há 4 anos, que é o desafio dos 35 livros antes dos 35 anos. Esse foi um desafio que eu me propus 4 anos atrás, na época que eu fiz 30 anos. O podcast já tava no seu segundo ano.

E eu fiz um episódio pra apresentar o desafio, pra falar dos livros que eu escolhi. É o episódio 116, que eu publiquei no dia do meu aniversário, dia 2 de julho de 2022. E aí, todo ano, na semana do meu aniversário, eu trago uma atualização desse desafio, os livros que eu li no último ano. Às vezes eu faço algumas mudanças e dou um panorama geral de como tá o desafio. Assim, desde o começo eu sabia que ia ser bem difícil de cumprir.

Ali, mas eu não imaginava que eu estaria com podcast todos esses anos e que seria uma parte da identidade dele também, né, esses episódios recorrentes. Eu acho isso bem interessante para até ter um registro meu dessa caminhada. Ainda falta um ano e faltam muitos livros. Eu não vou cumprir esse desafio, eu já sei disso, mas quanto mais livros eu ler, mais feliz eu fico. E eu também já estou pensando nos 40, antes dos 40, porque assim, eu gosto muito de ter uma lista praticar as coisas que eu já li, que já assisti, que já fiz.

Não faço isso tanto com filme, mas com livro eu faço um pouquinho mais. Para quem quiser ouvir os outros programas dessa série, é o 116, é o primeiro. Aí tem um 165, 213 e 257. E sim, só para reforçar, meu aniversário foi essa semana, dia 2 de julho, que é exatamente o meio do ano. Agora sim a gente pode falar: chegamos ao meio do ano! Porque de fato chegamos ao meio do ano, é o dia 2 de julho. E se você falar, nossa, eu gosto tanto de ouvir a voz da Larissa toda semana, quiser me dar um mimo, um agrado, o meu Pix é o email desse programa, que é o podcastfilmadasemana@gmail.com.

Ficarei muito feliz com qualquer agrado. Mas seguindo aqui, entre o ano passado e esse ano, eu li 4 livros dessa seleção. Totalizando 17 livros lidos de 35. Assim, a lista se expandiu um pouco. A lista aqui que eu tenho, tem 39 livros, porque nos 2 últimos anos eu meio que troquei, entre muitas aspas. Eu trouxe livros novos porque quando eu fiz pela primeira vez essa lista tinha alguns livros que eu queria ler, principalmente porque estavam pegando poeira aqui em casa ou no meu Kindle.

E conforme passaram os anos, eu olhava para esses livros, eu não tinha vontade nenhuma de ler. E aí tinham outros que surgiram então chamando minha atenção, então eu adicionei novos, né. Desses 4 que eu li no último ano, 2 são adições mais recentes à lista, mais 2 estavam na lista desde o começo. Então desses 35 livros que eu estou propondo a ler nesses anos, chegamos à marca de 17 livros lidos. Mas vou falar rapidamente dos 4 que eu li nesse último ano, depois eu dou uma passadinha na lista no geral.

Quem me acompanha aqui no podcast já ouviu falar com mais detalhes, eu comentei deles nas últimas atualizações de leituras, na que teve algumas semanas atrás e na que teve no comecinho do ano. Mas na ordem que eu li, eu li Elantris do Brandon Sanderson, é uma fantasia de volume único, é um livro que entrou depois na lista porque inicialmente eu tinha colocado Skyward do autor, porque é o único livro físico que eu tenho. Quer dizer, agora não mais, eu tenho outros.

Mas na época era o único que eu tinha. E quando eu fiz essa lista, eu não tinha me tocado que esse livro era o primeiro de uma série. O que também não é um empecilho, porque nessa lista tem alguns livros iniciais de séries. Mas quando eu comprei esse livro, eu não tinha noção que ele era o primeiro de uma série. E aí eu botei na lista pra me forçar, né, pra dar um incentivo pra mim ler. E aí, conforme os anos passaram, eu perdi um pouco de vontade quando eu descobri que era uma série.

Eu perdi um pouco de vontade de ler ele. Eu ainda tenho esse livro aqui, eu não me desfiz dele. Mas aí eu coloquei um outro livro do Brandon Sanderson na lista, que é Elantris, porque eu queria começar a ler o autor. E várias pessoas dizem que Elantris é o melhor lugar para começar e tal. E aí de fato eu comecei no final do ano passado, eu li, demorei um pouco para ler porque é um livro muito grosso e também porque eu tava gostando, então eu não queria acelerar demais, eu queria curtir aquele mundo, ficar ali com aquele pessoal.

Eu gostei bastante, ele é um livro de fantasia de volume único, que significa que a história começa aí, termina ali naquelas 600 páginas. A construção de um mundo é bem interessante. No começo dá aquele susto, né, porque tipo, não conheço esse lugar, eu não conheço essas pessoas, tem esse monte de nome esquisito e esses mapas, e agora o que que eu faço? Então no começo é meio esquisito mesmo. Acho que toda fantasia tem um pouco disso.

Eu desacostumei muito a ler fantasia, tenho lido uma ou duas por ano, e começar novas séries é bem difícil para mim. Mas eu gosto muito de fantasia, então assim, eu sei que vai ser um começo meio complicado, mas a partir do momento que eu passo dessa fase, aí fica mais legal, mais confortável. E de fato foi o que aconteceu. No começo tava meio assim, e aí passou assim os 10% iniciais, aí começou a desenrolar mais para mim, e aí eu fui gostando.

A sinopse muito resumida do livro é que a gente tem uma cidade que chama Elantris, que é uma cidade que um dia já foi muito grande, já foi muito próspera. As pessoas que moravam nessa cidade, elas eram seres de luz assim, Eles eram uma coisa mais que humana. E tinha um negócio que pessoas eventualmente acordavam com essa bênção dessa cidade que tinha poder e mudava a aparência da pessoa. E aí a pessoa ia para Elantris porque, né, isso significava que você tinha sido aceito nessa grande sociedade.

Mas era uma coisa meio aleatória, sem padrões. E enfim, isso aconteceu. Mas o livro começa com essa cidade já destruída. Aconteceu alguma coisa que a cidade foi meio que destruída do dia para noite. E esse negócio da pessoa acordar com a bênção de Elantris continuou acontecendo, só que ao invés de ser uma bênção se tornou uma maldição. A pessoa acordava com essa transformação, só que ao invés dela ser um ser iluminado de luz, belo e inteligente, ela se transformava meio que num zumbi.

E aí o pessoal das cidades ali mandavam essas pessoas para as ruínas de Elantris, porque virava meio que uma zona de contingência dessa galera que o pessoal não sabia muito bem o que que tá acontecendo. Para todos os efeitos estava morto, tava sem pulso, sem batimento cardíaco, sem nenhuma das necessidades humanas, mas a consciência ainda existia ali. Enfim, o pessoal não sabia lidar muito com isso, aí acontecia isso. E aí a história começa com um príncipe de uma dessas cidades vizinhas, a maior que tem, porque tem algumas cidades ali em volta que eram meio que cidades satélites de Elantris.

E quando Elantris caiu, essas cidades elas ficaram mais importantes, porque, né, a maior caiu, alguma nova suprema tem que aparecer. Então é o príncipe dessa principal cidade, ele acorda e ele tá com essa maldição. E aí ele é jogado na cidade. E aí isso causa um desequilíbrio político na cidade, que aí tem um outro ponto de vista da noiva dele, que a gente vê esse desequilíbrio político na cidade com a morte, entre muitas aspas, do herdeiro.

E tem a jornada do príncipe em Elantris pra descobrir o que tá acontecendo com essa galera, o que é realmente essa maldição. É bem legal, tem essa coisa de descobrir um mistério e de investigar coisas e fazer alianças pra sobreviver. Também tem a coisa de intriguinha palaciana, de fazer aliança e ser traído. E de lutar por um mundo melhor, mas ao mesmo tempo descobrir que as coisas são mais complicadas que isso. Eu achei bem legal.

Não é a melhor fantasia que eu li. Mas dessa seleção foi uma boa leitura. Eu acho que não teve nenhuma leitura ruim, assim, desses que eu escolhi. Teve alguns mais esquecíveis que outros. Mas no geral, eu acho que eu fiz uma lista boa. Eu dei 4 estrelas para Elantris. Eu acho que é um bom livro, eu acho que é um bom começo para quem quer ler Brandon Sanderson. Eu ainda não li mais nada dele. Eu tô com os livros do Mistborn aqui, que eu falei que minha coleção aumentou.

Eu tô com um box do Mistborn aqui em casa que eu quero começar a ler esse ano ainda, mas esse livro não tá na lista nem nada, então não é a pauta de hoje. Daí depois, o outro livro que eu li é A Crônica da Casa Assassinada, do Lúcio Cardoso. É um livro nacional, meu livro dos anos 50. Ele um clássico esquecido. Também esquecido porque ele ficou um tempão sem tiragem. Acho que ano passado, alguns anos atrás, esse livro fez 60 anos e aí ganhou uma edição especial da Companhia das Letras.

E foi nessa época que eu fiquei sabendo da existência dele. Eu vi acho que alguma newsletter, alguém falando tipo, olha, gente, esse livro voltou a ser impresso e tal, ele é muito bom. E aí fiquei com ele na cabeça. E aí eventualmente surgiu como possibilidade no clube de livro que eu tenho com minhas amigas, e aí a gente leu. Durante as festas de fim de ano. A gente sempre lê um livro mais grosso durante o fim do ano e foi esse.

E assim, é uma leitura bem difícil. Não difícil de ler, nem difícil de ser muito pesada, mas sim, ele é um pouco mais difícil de ler do que os outros livros que eu vou falar aqui hoje. E também ele é bem pesado perto de outros, perto de Elantris principalmente, que é um livro muito fácil de ler e é um livro que não é tão pesado. Quase nada pesado. É bem um espectro oposto. Aqui a gente tem uma crônica, basicamente, de uma família que um dia já foi muito rica.

Não fica muito claro quando que essa história se passa. O livro foi publicado nos anos 50. Eu imagino que ele deve se passar algumas décadas antes, talvez nos anos 20 ou 30. Mas é sobre uma família que ficou parada no tempo, e esse livro meio que ficou parado no tempo também. Eu acho que faz parte do conceito. Essa ambiguidade de época. Aqui a gente tem uma família do interior de Minas que já teve muito dinheiro, já teve muita prosperidade, não em gerações passadas, nessa geração mesmo conheceu a vida boa, mas que hoje, na época do livro, vive em decadência.

Eles vivem num grande sítio que parece que em algum dia, principalmente na época das grandes plantações e dos escravos, foi um lugar muito rico, muito próspero, e que eventualmente as coisas entrar em decadência. Não fica muito claro por quê. Eu imagino que o fim da mão de obra gratuita, entre muitas aspas, ajudou um pouco. Mas também fica meio claro que depois que a matriarca da família faleceu, as coisas desandaram muito. Isso não parece ter sido há muito tempo atrás, porque os protagonistas são adultos, mas eles não são tão velhos assim, né?

São 3 irmãos que moram nessa casa, e essa casa tá em decadência. Tem alguns funcionários que parece que são escravos que acabaram ficando por ali. E continuam trabalhando na casa, mas são muito poucos. A própria fazenda não parece que produz mais nada. E aí tem pessoas que orbitam em volta dessa família, né? Cada irmão, dois dos irmãos são casados. Uma é uma moça que não tem boca para nada, coitada. Coitada não, que essa daí aprontou também.

E tem uma outra moça que vem da capital, conhece um dos irmãos e se apaixona, ou talvez viu na possibilidade de uma ascensão social se casando com um herdeiro do agro, e chegou no sítio, não era nada do que ela imaginava, e foi miserável até o resto da vida. É uma crônica desses anos, dessa família, das coisas que acontecem, principalmente com a protagonista. A gente esqueceu o nome de todo mundo, todo mundo tem nome muito moderno, mas esqueci o nome dos personagens.

Eu nem li faz tanto tempo assim, mas eu lembro, eu lembro muito das coisas que acontecem, mas eu esqueci completamente do nome dos personagens. Mas a gente tem essa mulher que meio que começa com ela e meio que termina com ela. Na verdade, começa com ela morrendo, e aí o livro volta para o dia que ela chegou na fazenda. E aí a gente tem muitos pontos de vista. A gente tem ponto de vista dessa mulher, a gente tem ponto de vista da esposa do outro irmão, tem ponto de vista do outro irmão que vive em reclusão porque ele, ao que tudo indica, é gay e talvez se vista de mulher.

E aí dá para ter várias leituras do que é, né, de qual seria a identidade dele. Mas existe esse elemento queer no livro. O Lúcio Cardoso é um dos primeiros autores abertamente homossexuais aqui no Brasil. Então tem isso também, uma complexidade a mais para obra. E também tem ponto de vista do filho da protagonista, tem um ponto de vista do farmacêutico, do médico, do cara da venda. Tem 3 pontos de vista externos. Ah, o padre. É o cara da farmácia, o médico e o padre.

E aí tem ponto de vista de alguma das pessoas dentro do sítio, que ainda governando, da protagonista, da cunhada dela e do outro irmão um que vive isolado. Se não me engano, são esses os pontos de vista. E meio que tá cada um começando a história num ponto. E aí isso é bem confuso, porque os capítulos vão se alternando e parece que o tempo vai indo e voltando, porque você vê uma coisa acontecendo num ponto de vista e aí passa um tempo, você vê aquela coisa acontecendo em outro ponto de vista, mas tá distante na hora que você tá lendo o livro.

Então demora um pouco para você entender. Qual que é a estrutura dali do tempo. Você acha que fica indo e voltando, mas não. Cada personagem tem uma ordem cronológica, só que cada um começou a contar a história de um lugar diferente. Então tem essa coisa de estranhamento do começo, de você meio que montando as pistas para chegar no momento da morte, entender como que aconteceu aquela morte. Se bem que pelo meio do caminho isso vira meio que coisa secundária, porque vai acontecendo tanta coisa assim E é curioso de ver como essa chácara, esse sítio deles, é meio que um buraco negro que as pessoas tentam fugir, mas elas são sugadas de volta, e isso vai acabar com a vida de todas elas.

Interessantíssimo, eu gostei muito de ler, mas não é um livro fácil. Tem algumas horas que é bem intragável em questão de conteúdo mesmo, tem vários alertas de gatilho. Se vocês são um pouco mais sensíveis para alguns tópicos. Tem umas partes que são bem pesadas mesmo. Ele tem uma virada no final que me pegou assim. Eu não tinha ideia que esse livro teria plot twist, porque era um dramão de família com as coisas ali, né, algumas coisas feitas para chocar e tal.

Mas ele tem um plot twist no final que muda o livro inteiro. Dá até vontade de começar a reler ele para acatar as coisinhas que tinham ali que era meio esquisitas, que depois fazem sentido no final. E me deixou pensando muito, porque o jeito que isso muda a história muda a consequência de tudo, mas não muda, mas enfim. Gostei muito do final desse livro. Mas a leitura dele é uma leitura complicada, porque é um livro também muito grosso, é um livro de 500 páginas, é um livro antigo, né, então você vai ler no português da época.

Não é difícil de ler, mas ele é denso. Os parágrafos são grandes e a escrita é densa, e como são diários e confissões e cartas, tem muitos meandros muitas vezes muitos personagens eles entram em tangentes assim, não conclui o pensamento. Mas um livro muito bom também, acho que dei 4 estrelas. Também demorei bastante para ler, acho que foi, esse foi o livro que eu mais demorei para ler assim dessa seleção, mas valeu a pena, fiquei feliz quando eu concluí ele.

Daí eu li Memórias Póstumas de Brás Cubas. Esse eu comentei no episódio mais recente de leituras porque eu terminei ele mais recentemente. Essa foi uma adição posterior à lista que eu tinha colocado inicialmente do e depois eu adicionei Brilhas Cubas e eu li os dois. Na verdade, eu acho que eu tirei, tirei entre muitas aspas, outro clássico. Acho que foi o Meu Pé de Laranja-Lima que eu troquei, que na época eu não tava muito a fim de ler.

Hoje eu tô de novo, eu voltei a ficar a fim de ler. É engraçado como as coisas vão e voltam, né? Quando eu fiz essa lista 4 anos atrás, eu queria ler. Aí em algum momento eu falei, putz, não tô muito a fim de ler esse livro. Aí eu troquei, aí eu coloquei Memórias Póstumas como uma alternativa de um clássico brasileiro. Aí agora, né, 4 anos depois, eu penso em ler Minha Pé de Laranja-Lima. Eu acho que eu tenho um e-book dele, adquiri esse e-book ao longo desses anos, e eu leria sim.

Não é um descarte da lista, nada nessa lista é descarte. Mas li Memórias Póstumas, que é o segundo Machado dessa lista, também tinha Dom Casmurro, que eu já li uns 2 anos atrás, se não me engano. E Memórias Póstumas é uma delícia, é o meu livro favorito dessa seleção, é um dos meus livros favoritos dessa seleção toda. É incrível, engraçado, dinâmico. Os capítulos são muito pequenininhos, parece suspense contemporâneo que tem aqueles capítulos curtos que terminam em cliffhanger.

É meio que isso, tem vários capítulos que terminam assim com gancho para você querer ler o próximo. Ou os que são tão curtinhos que você fala, ah, vou ler mais um capítulo, tá tão curto, vou ler mais um, vou ler mais um. E aí quando você vê, você andou super com a história. E cada capítulo meio que tem uma personalidade também. Eu gosto dessa coisa do narrador querer conversar com o leitor e não ser nem um pouco confiável, né?

De todas as pessoas na literatura, a menos confiável de todas é Brás Cubas. E também não tem ninguém que deu tão errado— não que deu errado, mas quase deu certo, mas não necessariamente chegou ao ponto de que tanto as suas ambições quanto a— quanto ele poderia chegar, dado o seu lugar na sociedade, dadas as conexões que ele tem, o dinheiro que ele tem. Ele poderia ter feito muito mais do que ele fez. Ele é um grande quase. Ele quase foi deputado, ele quase casou com a mulher que ele queria, ele quase fez várias coisas.

E no final morreu sozinho. Dá coisa pra gente pensar, dá coisa pra gente pensar se a gente concorda muito com ele, que foi uma coisa que aconteceu. Eu me vi concordando muito com ele e isso me fez ter um pouco de autocrítica. E é um livro engraçado, ele é muito divertido, eu dei risada vários momentos. Gostei muito, muito, muito. Machado de Assis tem se tornado um dos meus autores favoritos. Queria saber o que que a Larissa de 16, 17 anos falaria ouvindo essas palavras saindo da minha boca quase duas décadas depois.

E o último que eu li mais recente é A Metamorfose do Franz Kafka. É um livro muito curto, eu acho que ele sequer pode ser chamado de romance, eu acho que ele se configura como uma novela. É bem curtinho, eu li em coisa de 3 dias porque ele tem 3 partes, então eu li uma parte em cada dia, mas dá para ler num dia só. É que ele meio, não vou falar que ele é denso, mas ele é um pouco pesado. Ele também não é pesado, mas ele traz reflexões que vão te deixar muito pensando refletiva assim, né.

A história é sobre um jovem, jovem adulto, o Gregor Samsa, que um belo dia acorda e se vê transformado num inseto asqueroso. O livro não define qual inseto, ele dá uma descrição que algumas pessoas afirmam que o mais certo é pensar que é um bizorrão grande, enorme. E isso causa todo tipo de transtorno para ele, porque ele é um funcionário exemplar, ele tem um cargo muito bom, sozinho ele consegue dar uma vida boa para família inteira, né, que os seus pais idosos e a sua irmã adolescente, que tem um apartamento grande, tem empregados, tudo isso com salário de uma pessoa.

Que sonho, né? E aí quando ele acorda, as primeiras coisas que passam pela cabeça dele é: como que eu vou trabalhar? Meu chefe vai ficar bravo comigo e ele vai mandar embora. E aí eu não vou conseguir prover para minha família, e aí a gente vai ter que morar na rua, e aí eles vão me detestar. O que é completamente normal e nunca passou pela minha cabeça, né? Mas enfim, já começou por aí. Eu já fiquei, putz, é, realmente, toda vez que eu tenho uma pequena inconveniência ou que eu acordo me sentindo meio mal, a primeira coisa que eu penso é como que eu vou trabalhar desse jeito.

Não deveria ser esse tipo de pensamento, né? Mas enfim, cá estamos nós. E eu também penso que se eu perder meu emprego eu vou ter que morar na rua. Mas enfim, também não acho que chega nesse ponto, mas sempre é um medo, né? E tem várias outras discussões também no livro que conversam com papos bem atuais, tipo da produtividade, sobre tudo ser sobre produtividade, o que a gente é além do nosso trabalho, o que a gente faz além de estar trabalhando, a gente precisa estar sendo produtivo o tempo todo, também o nosso valor para os outros, a gente só tem valor enquanto a gente tá sendo útil, a a gente só tem valor enquanto a gente tá sendo produtivo, e todo tipo de discussão.

Afinal, é intenso e dá muito pano pra manga pra pensar e pra discutir. E eu acho incrível que um livrinho de 90 páginas tenha esse poder todo. Também me fez ter curiosidade de ir mais atrás das coisas do Kafka. E é sempre muito doido quando você pega um clássico pra ler, um livro muito antigo E você parar para pensar que uma pessoa do outro lado do mundo, 100 anos atrás, pensou em várias coisas que passam pela sua cabeça hoje, uma garota vivendo no século 21.

Isso é muito louco e é uma das minhas coisas favoritas assim da literatura, realmente pegar um livro escrito há anos e anos e anos atrás e ter os mesmos pensamentos malucos que a gente tem aqui hoje na hora do banho. Enfim, gostei bastante de ter lido. Era um livro que eu tava querendo ler fazia muito tempo, faltava um empurrãozinho. E essa lista meio que foi um empurrãozinho que eu precisava, porque se não fosse ela, eu não sei se eu ia ter pego ele agora nesse momento.

Esses foram os 4 livros que eu li no último ano desse desafio. Eu li outros livros ao longo do ano, sempre estou documentando eles nos diários de leitura que eu faço aqui no podcast, são os episódios que se chamam atualizações de leitura ou variações desse título, que aí eu falo de outros livros mais. Mas chegamos agora no penúltimo ano desse desafio com 17 livros lidos. São eles: Frankenstein da Mary Shelley, Stardust do Neil Gaiman, A Metamorfose do Kafka, O Iluminado do Stephen King, do Morro do Machado de Assis, Memórias de uma Geisha do Arthur Golden, A Hora da Estrela da Clarice Lispector, O Morro dos Ventos Viventes da Emily Brontë, Crônica da Casa Assassinada do Lúcio Cardoso, Os Noivos do Inverno da Cristal e Dabos, Os Imortalistas da Chloe Benjamin, A Mão Esquerda da Escuridão da Ursula Le Guin, O Silêncio da Casa Fria da Laura Purcell, Marina do Zafón, Pequenos Deuses do Tara Pratchett, Memórias Póstumas Cubas, do Machado de Assis, e Elantris, do Brandon Sanderson.

Faltam 18 para eu terminar a lista. E assim, se em 4 anos eu não cheguei nem à metade, não vai ser no último ano que eu vou fazer esse milagre. Quem vocês acham que eu sou, a Bélgica no jogo contra Senegal? Eu não quero nem lembrar desse jogo. Mas dos livros que estão na minha lista para eu ler, né, que faltam, estão A Volta do Parafuso, do Henry James, Anna de Green Gables, da L.M. Montgomery, Enraizados, da Naomi Novik, Jane Eyre, da Charlotte Brontë, O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde, O Jardim Secreto, da Frances Hodgson Burnett, As Surpreendentes Aventuras do Barão de Münchhausen, Rudolf Heinrich Raspe, A Quinta Estação, da N.K.

Jemisin, Fantastes, do George MacDonald, Ana Karenina, do Tolstói, Cem Anos de Solidão do Gabriel García Márquez, Holocausto Brasileiro da Daniela Arbex. Nossa, eu não sei se algum dia eu vou ter estômago para ler esse livro, mas a Larissa de 4 anos atrás achava que sim. Pachinko da Min Jin Lee, A Noiva Fantasma da Yang Sichó, Não Verás Paz Nenhum do Inácio de Loyola Brandão, Terra Americana da Jananie Cummings, Peter Pan do J.M.

Skyward do Brandon Sanderson, Ecos da Pam Munoz Ryan, Meu Pé de Laranja-Lima do José Mauro de Vasconcelos, Tudo é Rio da Carla Madeira e A Filha Perdida da Helena Ferrante. Se vocês contarem, vai dar mais de 35, vai dar acho que 39 ao todo, porque teve algumas edições posteriores. Mas, né, melhor sobrar do que faltar. E vamos ver se ano que vem como que vai ser, quantos que eu vou ter Eu imagino que talvez sejam uns 4, sendo otimista 6, não mais que isso.

Mas de todo modo, eu acho que tá sendo um resultado ótimo, porque só de eu não ter desistido desse desafio já é uma vitória. Porque eu podia muito bem ter chegado no primeiro ano, ter lido pouco. Na verdade, no primeiro ano foi o que eu mais li, eu li 8 na primeira atualização, porque eu tava fresca, eram livros que eu já queria ler, eram livros que estavam meio tinha decidido que eu ia ler eventualmente naquele ano. Então foi fácil de fazer, eu tava no embalo.

Mas no segundo ano eu li só 2 livros. Então eu podia muito bem ter chegado em 2024 e desistido do desafio. E talvez eu tivesse feito isso se eu não tivesse registrando aqui no podcast. Então cá estou eu. Eu comecei a fazer vídeos para as redes sociais falando dos livros e desse projeto. Eu meio que desisti porque eu não gosto de fazer vídeo para rede social, eu não gosto de abrir câmera falar que eu detesto editar vídeo. Quer dizer, se você é um potencial, se você quer contratar meus serviços para editar vídeos, aí é um outro rolê, é uma outra conversa.

Se estiverem me pagando, eu gosto bastante. Mas eu fazer para mim, e aí eu tenho que ficar olhando para minha cara o tempo todo. E aí subir qualquer coisa no Instagram hoje em dia é uma dor de cabeça, e aí perde qualidade. E aí você vai e fala, não, beleza, Não vou falar que vai irritar, mas vai ser distribuído e não é, é um fracasso. Aí 10 pessoas veem, 5 dão likes, e aí é o trabalho que você ficou um dia inteiro fazendo, acontece isso.

Então eu fiquei um pouco frustrada com conteúdo para rede social no geral, mas principalmente com vídeo, porque eu acho muito desgastante. Eu não gosto, eu não gosto de me gravar porque envolve muitos fatores. É justamente por por isso que o podcast é só áudio, porque se fosse vídeo eu teria que preparar um cenário que eu não tenho, eu gravo num quarto improvisado, eu teria que me arrumar, gravar num dia que eu estou me sentindo inspirada e tô me sentindo minimamente bonita, que não é o caso de hoje também.

Trabalhei o dia inteiro, comi umas coisas gordurosas, tá quente, minha rosácea tá meio atacada, e aí depois eu ia ter que ficar olhando para minha cara e editar. Eu já me acostumei com a minha voz, não ligo de ouvir minha voz, mas ficar olhando para minha cara e editando o vídeo comigo, eu acho desgastante. Mas enfim, falei demais, vou encerrar o episódio por aqui. Essa foi a atualização de 2026, nos vemos em 2027, que vai ser o ano que eu vou fazer 35 anos, né?

E vamos dar esse desafio como encerrado, e provavelmente eu vou começar um novo. Mas, né, novamente um lembrete para todos, o importante talvez não seja concluir, mas sim não desistir. E é com essa mensagem que eu encerro o episódio de hoje. Me sigam nas redes, Instagram é @filme.da.semana, TikTok @filme.semana.tudojunto. Eu também tô no Bluesky falando da vida, no @lalarieland. Se quiser falar comigo por email ou se quiser fazer um Pix com uma contribuição pro podcast, pra mim, feliz aniversário que seja, é podcastfilmedasemana@gmail.com.

E nos vemos semana que vem com o Assistidos de Julho. E quais são eles? Vocês vão descobrir na semana que vem. Então fiquem bem e até mais. Tchau, tchau!

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