Episódios de Filme Da Semana

#308 - Casa do dragão e o mundinho de gelo e fogo

29 de agosto de 202659min
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Esse episódio era pra ser uma review da terceira temporada de Casa do Dragão, mas eu precisava contar minha história com o mundo criado pelo George R. R. Martin e quando vi tinha 1h de conteudo diverso sobre várias coisas das séries, livros, e vida digital da década de 2010.

Tem de tudo um pouco nesse episódio, mas não tem spoiler nenhum porque fui extremamente controlada em relação a isso, ouçam sem medo.

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Participantes neste episódio1
L

Larissa Blanco

HostDesigner
Assuntos6
  • A história pessoal de Larissa Blanco com o universo de Game of ThronesGeorge R.R. Martin·Game of Thrones·As Crônicas de Gelo e Fogo·Leitura de livros·Blogs de internet
  • A premissa e o contexto histórico de Casa do DragãoCasa Targaryen·Dança dos Dragões·Extinção dos dragões·Sucessão real·Anarquia
  • A evolução e os desafios da adaptação de Game of Thrones para a TVFidelidade aos livros·Piratearia de séries·Qualidade das temporadas·Final da série
  • Análise da segunda e terceira temporadas de Casa do DragãoRedução de episódios·Construção da narrativa·Personagens complexos·Consequências das ações·Rhaenyra
  • A importância das regras internas do universo de Game of ThronesCasamentos e linhagem·Bastardos·Reconhecimento real·Críticas de fãs
  • Expectativas para a série Cavaleiro dos Sete Reinos e o futuro do universoCavaleiro dos Sete Reinos·Revoltas Blackfyre·Livros de George R.R. Martin·HBO Max
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LBLarissa Blanco

Oi gente, tudo bom com vocês? Meu nome é Larissa, esse é o podcast Filme da Semana e essa semana eu quero falar de Caso do Dragão. Na verdade assim, esse episódio vai ter minhas opiniões sobre a 3ª temporada de Caso do Dragão que terminou já faz quase um mês, mas enfim, eu tô bastante imersa nesse mundo. Mas antes de falar de Casa do Dragão, eu queria falar de Game of Thrones. Eu queria contar a minha história com essa saga de vários livros e várias séries e várias coisas, esse mundinho de gelo e fogo do George Martin.

Porque é uma história assim que já tá durando uns 16 anos, sem brincadeira. Se fosse uma pessoa geral, uma pessoa adolescente. Contexto rapidíssimo: quem que é George Martin, né? Na verdade é George Raymond Richard Martin. Martin, por isso que é George R.R. Martin, ou George R.R. Martin, se você prefere a pronúncia anglófona, que acaba sendo o que a gente mais ouve, né? Para fins de praticidade, eu vou chamar só de George Martin daqui para frente.

Ele é um autor norte-americano. Acho que muita gente pode achar que ele é europeu por causa da vibe da série, mas ele é norte-americano. Ele nasceu em 1948 em Nova Jersey, significa que ele tem 77 anos hoje. Eu tenho a impressão que ele sempre pareceu muito idoso durante esses 16 anos que eu acompanho, mas ele tem 77 anos hoje. Ele já é idoso. 10 anos atrás ele não era tão idoso assim. Ele nasceu de uma família que naquele momento estava pobre, mas que anos antes dele nascer tinha um negócio bem-sucedido, eles tinham uma grana, mas as coisas foram embora na Grande Depressão.

Então na época que ele nasceu eles já não estavam tão bem de vida assim, e ele cresceu num lugar assim muito pequeno Então ele da casa pra escola, escola pra casa, a vida dele era isso. E aqui eu consegui me relacionar um pouco com ele, né, que eu também vim de um lugar muito pequeno, né, de um escopo de mundo muito pequeno, mas sempre tive muita curiosidade, assim como ele. Ele sempre teve muita curiosidade de como era o mundo lá fora, como eram os outros lugares.

Isso fez ele ler muito. E também isso foi uma coisa que aconteceu comigo, né, eu tinha muita vontade de sair daquela cidadezinha e de conhecer o mundo. E eu fazia isso principalmente através dos livros quando eu era mais nova. Quando ele tava no colegial, ele começou a entrar no mundinho dos quadrinhos. Era uma época que a Marvel tava ali se formando, ele lia muito. Tanto que em entrevistas mais recentes ele coloca o Stan Lee assim no mesmo nível de inspiração e influência no trabalho dele quanto grandes mestres da literatura como o Shakespeare ou o Tolkien.

Tanto que nos anos 60 ele tava escrevendo fanfic de super-herói, ele até ganhou prêmios por causa disso. Desde muito novo ele tinha esse negócio de criar histórias, ele escrevia contos de terror pros amiguinhos dele em troca de centavos ali, umas moedinhas. Ele sempre tava escrevendo. Depois, nos anos 60, que ele era adolescente, ele tava escrevendo fanfic de herói. E depois ele foi fazer faculdade de jornalismo. Começo de carreira dele era basicamente contos de ficção científica numa época um pouco antes da ficção científica estourar de fato.

Porque o grande boom mainstream, por assim dizer, da ficção científica foi em 77, quando saiu Star Wars. Antes era uma coisa muito nichada. Assim como pode-se dizer que, sei lá, quadrinhos era uma coisa nichada até ter o boom da Marvel no cinema. Não sei, eu tô falando isso agora de cabeça, não vi nenhum estudo sobre. Mas são coisas que dá pra notar na cultura pop. Então ele vem da ficção científica, ele escrevia muitos contos de ficção científica.

Alguns ele conseguia que fossem publicados em revistas e aí conseguia uns trocadinhos com isso. Mas o primeiro trabalho assim dele que pagava as contas foi ser organizador de torneio de xadrez. E aí, ao longo da vida, ele teve vários empregos, tanto relacionados à escrita quanto não. Ele foi professor numa faculdade, ele trabalhou com roteiro pra TV, enfim, várias coisas. Até que no começo dos anos 90, ele teve essa ideia de uma fantasia que tivesse alguns elementos históricos, porque ele também sempre gostou muito de história e de períodos específicos da história, períodos caóticos, diga-se de passagem.

E aí ele teve uma ideia de criar um mundo fantástico pra contar essa historinha. E assim nasceu Game of Thrones, né? Que o primeiro livro chama Guerra dos Tronos. Foi publicado lá nos Estados Unidos em 1996. E foi um sucesso. Guerra dos Tronos foi influenciada por alguns romances históricos. E pelos eventos da Guerra das Rosas, que foi uma guerra na Inglaterra no século XV. Onde duas casas poderosas disputavam o trono da Inglaterra depois de um probleminha de sucessão que rolou ali.

Inicialmente era pra ser uma trilogia, depois foi redefinido que iam ser 6. E aí agora ele fala que vai ser 7, mas a gente só tem 5 livros publicados até o momento. A Guerra dos Tronos foi publicado em 96, depois teve Fúria dos Reis em 98, Tormenta de Espadas em 2000, Festim dos Corvos em 2005. E A Dança dos Dragões em 2011, na época que saiu a primeira temporada da série. E estamos desde 2011 sem novos livros da série, porém o Martin escreveu outras coisas do universo.

Tem vários contos que ele escreveu e que foram publicados aqui e ali, até que teve a coletânea do Cavaleiro dos Sete Reinos, que tem 3 novelas, né, que são histórias um pouco mais compridas que um conto, mas não longas o suficiente para serem um livro sozinho. Então é um livro de acho que 300, 350 páginas, que tem 3 novelas dentro, que vai contar as aventuras do Dunk e do Egg, que é um cavaleiro andante e o seu escudeiro ali. Essas histórias, elas foram adaptadas para série mais recente que teve no começo desse ano.

Aí teve o livro Fogo e Sangue em 2018, que é a história da Casa Targaryen, mas é o começo só da história da Casa Targaryen que eu tô lendo no momento, que é da onde saiu a história para Casa do Dragão. Mas cada um desses livros, eles têm uma narrativa diferente. Os livros da série da Guerra dos Tronos, eles têm capítulos de ponto de vista, é tudo em terceira pessoa, não tem nada em primeira pessoa, mas o narrador está dentro da cabeça do personagem.

Narrador sabe as coisas que o personagem sabe e tem a visão do mundo daquele personagem. Então é como se a gente tivesse na cabeça do personagem mas sem o infortúnio de estar em primeira pessoa, que eu não gosto muito de primeira pessoa pra fantasia. Então a gente alterna entre os personagens, e aí a gente tem a visão do mundo daquele personagem, que não necessariamente é a visão, entre aspas, correta. Os personagens cometem muitos erros e dão muitas informações enviesadas pra gente também.

Então tem isso que eu acho que é um dos motivos de ter feito o livro se tornar o sucesso que é, porque também tem muita trama política, tem muito essa coisa, né, do Jogo dos Tronos, de fato. Então a fantasia ela é muito secundária, ela está ali mais do que na série, mas ela é muito secundária. A coisa principal é essa dança das cadeiras, esse jogo de poder, essas várias famílias que estão lá pisando em ovos, vendo o que que dá para fazer com essas narrativas de ponto de vista.

Capítulos de ponto de vista são livros muito grandes, todos eles passam das 600 páginas fácil. E tem essa coisa meio densa de tramas políticas e de famílias e de associações e de consequências pras coisas e de linhagens de herdeiros e de várias coisas. O livro do Dunk e do Egg são historinhas curtas, o protagonista é o Dunk, a gente meio que tá na cabeça do Dunk, vendo os pensamentos dele. Que ele é um cavaleiro, ele era escudeiro de um cavaleiro andante, que ele não era de nenhuma casa, ele não tinha nenhuma lealdade.

Fixa. E um pouco antes de morrer, o mentor do Dunk fez ele cavaleiro. Então o Dunk segue o legado do mentor dele vivendo essa vida. Então é um ponto de vista desse mundo bem mais do povo assim, porque o Dunk não tem as origens nobres de todos os narradores de Guerra dos Tronos. Porque os livros do Guerra dos Tronos, por mais que tenha um ou outro personagem assim que talvez seja um emergente, talvez seja um bastardo que conseguiu alguns benefícios, são pessoas que navegam entre a nata da sociedade, porque essa disputa por poder, né, ela tem uma classe social definida.

Por mais que a gente tenha vislumbres do que o povo passa e do poder que o povo tem na decisão das coisas, é meio que um pedaço só. Enquanto no Dunk e do Egg isso é meio que o principal, porque o Dunk ele navega nas camadas mais baixas da sociedade, ele tem conhecidos em lugares mais importantes. Às vezes ele vai em salões de nobres e fica amigo de nobres, mas isso também é uma parcela muito pequena de tudo que acontece. E o Fogo e Sangue, que é o livro da história da Casa Targaryen, ele é contado como se fosse um relato dos septões e dos mestres, que são os equivalentes do clero e da academia, né, da universidade.

Então são intelectuais e líderes religiosos que mantêm relatos das coisas, principalmente os intelectuais, né, que eles têm os livros deles que eles preenchem com os eventos históricos, eles trocam cartas comentando das coisas que estão acontecendo em cada parte do país. E o livro é meio que um grande relato desses arquivos, é como se alguém tivesse na biblioteca da universidade pesquisando sobre a Casa Targaryen e meio que compilando todas as informações que ele encontra.

Existe um narrador, e esse narrador fala, ah, então, aconteceu tal coisa em tal ano. Isso existe nos registros do reino. Mas aí, como isso aconteceu? Tem aqui as cartas desse septão que trocou com o Vaticano aqui desse mundo, falando isso, isso e isso. Mas a gente tem os relatos de um outro nobre que mantinha diários falando isso, isso e isso. Então, assim, não é um livro que a gente não tá na cabeça de ninguém. É um narrador contando uma série de fatos pra gente.

Vários fatos têm algumas versões diferentes, que é o que acontece com história. Então, O Fogo e Sangue é um relato histórico. E aí tem outros livros companheiros, né? Tem O Mundo de Gelo e Fogo, tem outras novelas também que se passam no mundo em eventos muito pontuais, que estão publicadas aqui e ali. Mas esses são os livros que eu li. Eu li os livros do Game of Thrones, eu estou lendo Dunkirk, eu estou lendo Fogo e Sangue. Mas como que isso chegou na minha vida?

Como que eu descobri que isso existia? Tudo começou em 2010. Antigamente na internet, eu não sei muito bem a idade dos meus ouvintes, o quão jovem vocês são, se vocês têm uma idade próxima à minha, e principalmente se vocês estavam online nessa época, porque tem muita gente da minha idade que em 2010 tava, sei lá, fazendo qualquer outra coisa a menos estar online. Antigamente tinha um negócio na internet que chamava blogs. É mais ou menos que nem um Tumblr, pra quem ainda usa.

E lembra um pouco uma dinâmica de rede social. Era uma página onde você postava coisas. E essas coisas ficavam na sua página, da mais recente até a mais antiga. Geralmente esses posts eram principalmente texto. Mas existia lugar pra você colocar imagem, vídeo, depois que teve o YouTube e tal. E links pra outros lugares. A coisa do blog que facilita é que você podia customizar a aparência dele. Foi aí que muita gente aprendeu HTML e tal.

Mas a parte de você fazer o conteúdo e postar era meio que padrão pra todo mundo. Então ele tinha um estilo de navegação que você conhecendo um, você conseguia navegar em todos. Não era muito difícil. Mas ele é tipo um híbrido de você ter um site, site, site, e com a dinâmica de uma rede social. Ele era mais fácil do que fazer um site, você não precisava pagar nada. Se você não pagava, você ficava com o domínio nome do seu site .blog.com, .blogspot ou .blogspace, enfim.

Talvez que nem o Substack hoje em dia, seja mais parecido, eu não sei, eu não conheço tão bem, mas enfim. E antigamente existiam blogs dedicados a muitas coisas específicas. Seu dia a dia na internet não era entrar numa rede social e ficar naquela rede social, ou no máximo ver uma coisa interessante e sair para ver essa coisa interessante. Você entrava nos lugares que você costumava entrar. Então eu, em 2010, eu participava de um fórum de Harry Potter, que foi um dos meus primeiros contatos na internet, um primeiro lugar onde eu fiz amizade na internet, amizades que eu mantenho até hoje.

Diga-se de passagem. Então eu entrava no fórum e aí do fórum eu saía para outros lugares descobrir outras coisas. E tinha alguns sites que eu sempre entrava, você lia notícia e tinha os blogs de séries, de filmes, que tinham tanto informação daquela série quanto download. Numa época onde as coisas demoravam muito para chegar no Brasil, quando chegavam não tinha streaming, não tinha essas coisas. Série na TV aberta só chegava depois de anos que ela já tava passando na TV fechada.

Às vezes já tinha acabado e passava em horários bizonhos também. Então eu assistia muita série que eu entrava no blog da série, e aí no blog da série tinha informações, tinha ficha técnica dos episódios, tinha notícias e tinha os episódios. Toda semana saía um episódio, pessoal baixava, pessoal legendava, era feito a legenda por fãs. Então tinha um tempo até o episódio passar lá fora, o episódio ser legendado e ser colocado para download, tinha alguns dias ali de delay.

E aí você ia, você baixava, e também era devagar para baixar. Então às vezes eu deixava baixando, ia dormir e só via no outro dia. E aí beleza, tinha algumas coisas que eu acompanhava. E tinha uma série que eu acompanhava que ela era muito ruim, mas na época eu gostava porque eu sempre fui muito fã de fantasia, e por causa disso eu fui parar em lugares muito insalubres. Essa série chamava Legend of the Seeker, não sei se alguém já conheceu, já vou falar.

Ela é baseada numa série de livros de fantasia do Terry Goodkind. Que também na época não tinha aqui no Brasil, acho que hoje talvez tenha, que é A Primeira Regra do Mago, alguma coisa assim. Eu sei que eu fui atrás na época, que eu queria ler os livros, que eu tava muito fissurada. Ai, gente, eu tinha 18 anos. Vamos contextualizar, em 2010 eu tinha 18 anos. Eu tava, já tinha terminado o colegial, não tinha passado na faculdade de primeira.

E meus pais deixaram eu ficar um ano ali estudando, fazendo cursinho. Eu tava fazendo estágio também, porque eu tinha feito colégio técnico, então tinha que fazer o estágio. Resolvendo umas coisas, consegui ficar 2010 fazendo isso. E eu eventualmente surfava na internet, porque... um segredo aqui pra vocês, eu não gostava muito de estudar. Não é que eu... eu era estudiosa, mas eu não gostava de ficar revendo matéria pra decorar.

Eu detestava isso, tanto que eu tenho algumas críticas ao sistema nosso educacional de decorar ao invés de aprender. Eu gostava mais de aprender ao invés de ficar decorando, ficar lendo, lendo, lendo pra decorar. Então eu não gostava muito de estudar em casa por causa disso, porque eu ficava meio que revendo um negócio que eu já tinha visto e isso não fazia firmar mais na minha cabeça. Mas enfim, não é o ponto agora aqui. Aí eu assisti essa série, ela teve duas temporadas, foi cancelada.

Eu nem sei se ela era norte-americana, ela era em inglês, mas eu acho que— eu não lembro, eu não tenho muita vontade de pesquisar, que eu tenho medo de parar em lugares insalubres e de perceber coisas extremamente problemáticas que eu não tava vendo na época. Porque lembrando novamente, né, em 2010 o mundo era muito diferente de hoje em dia. Por mais que eu já tava começando a seguir as páginas do Quebrando Tabu e tal, a cabeça era muito diferente.

As coisas, as discussões, o que tava eram diferentes. E eu morava na Ensoz Paulista ainda também. Aí quando a série foi cancelada, o blog continuou meio que atualizando de notícias, né. Aquela era uma época que fãs se juntavam pra tentar salvar as coisas. Mas aquela série não tinha uma quantidade muito expressiva de fãs nem pra conseguir isso, né. Mas ficou ali dando algumas notícias do mundinho de fantasia até o momento. E eu entrava, não sei Não sei se todo dia, mas pelo menos uma vez por semana para ver se tinha alguma coisa nova, né?

Eu tinha uma frequência de acessar os blogs que eu sempre acessava, de acordo com como eu sabia que eles postavam, né? Cada blog meio que tinha uma frequência diferente. Eu tive vários blogs ao longo da minha vida, sempre começava, me dedicava muito, e aí de repente parava. Eu sou uma pessoa viciada em parar com coisas que eu começo. Não sei como esse podcast tá durando tanto tempo, é inacreditável. Mas tinha uma época que eu tinha um blog com o pessoal do colegial, chamava Lorota de Ônibus.

E era eu e mais 5, 6, era uma galera. E cada um meio que tinha uma especialidade, assim, um tópico de interesse. Então cada um se comprometia a fazer posts naquela linha de pensamento. Cada um tinha um dia na semana que fazia post. Então todo dia tinha alguma coisa diferente, porque era uma galera, né. Era bem legal, eu gostava dessa época. Um beijo se você era do blog. Estão ouvindo esse podcast depois desses anos todos. Então eu continuava abrindo o blog, né?

Eu lembro que um dia, eu acho que foi o último post, porque eu fiquei ainda um tempo entrando, só tinha esse post, até que eventualmente eu meio que parei de entrar. E eu lembro que a imagem do post era aquela primeira imagem promocional do Game of Thrones, que é o Ned Stark segurando a espada dele assim, que é uma das primeiras cenas assim do episódio, que ele tá em cima daquele morrinho com a espada assim, vento soprando no cabelo dele.

E aí era o post falando, gente, talvez vocês não conheçam, mas tem uma série de livros que chama As Crônicas de Gelo e Fogo, porque a série chama As Crônicas de Gelo e Fogo, né? Guerra dos Tronos é só o primeiro livro. Então tem essa série de livros que é muito famosa lá fora. Aqui no Brasil tá chegando agora, que de fato tava sendo publicada no Brasil naquele momento, e vai vir a série da HBO previsto para estrear no ano que vem.

E aí o post dava um contexto, gente. Não sei se vocês sabem o que que é HBO, mas é um canal assim que faz umas séries muito boas. Eles têm orçamento para as séries dele e tal. Então parece que vai ser um negócio bem legal, fiquem atentos. Enfim, esse foi o último post daquele blog, ou pelo menos o último que eu vi, né? Depois de um tempo eu parei de acompanhar e eu fiquei com isso na cabeça. Eu falei, nossa, que interessante, né?

E um dos pontos era, o protagonista é o Boromir do Senhor dos Anéis, que foi uma questão de marketing na época, porque eles estavam querendo chamar o pessoal da fantasia, porque querendo ou não é um livro de fantasia, era uma coisa meio nichada entre leitores de fantasia, e foi uns 10 anos depois do sucesso do Senhor dos Anéis. Sempre permaneceu relevante na conversa dos grupos que gostam de séries e animes. Então eles estavam tentando puxar essa galera falando, gente, olha o Boromir.

Funcionou para mim que algumas semanas depois eu fui na biblioteca lá de Lençóis. Nessa época eu era uma ávida frequentadora da biblioteca de Lençóis, que é o melhor lugar da cidade. É uma das poucas coisas boas daquela cidade, é a biblioteca. E já tinha uns livros lá. E aí eu peguei o Guerra dos Tronos e eu comecei a ler, e eu fiquei encantada. Novamente, eu tinha 18 anos, só que assim, eu fui uma pessoa que eu demorei um pouquinho para amadurecer, sabe?

Eu era meio bobinha. Mas esse não foi o primeiro livro adulto que eu li. Tinha sido alguns meses antes que eu tinha me deparado com a trilogia, na época era trilogia, hoje já tem mais livro, do Stieg Larsson, dos Homens Que Não Amavam as Mulheres, que é o que deu, tem os filmes lá da garota com a tatuagem do dragão e tal. Enfim, na época eram 3 livros, eu li os 3, eu gostei muito, mas eu fiquei um pouco chocada com a violência, porque é um livro que tem bastante violência.

Sexual, inclusive umas cenas, eu não sei se são bem gráficas, mas eu fiquei bastante impressionada. Tanto que eu não vi os filmes até hoje, né? Tem uns filmes norte-americanos, tem uns filmes suecos. Eu não vi porque eu fiquei muito impressionada com essas cenas no livro, e aí eu não quis, né, ver. Eu acho que até no livro, eu acho até que no filme deve ser mais tranquilo do que no livro. Mas enfim, foi uma coisa que me marcou bastante.

Eu já tinha 18 anos, gente, não era que tipo, ai nossa, eu tinha 12 anos e sem querer fui ler Lolita, não. Eu já tinha 18 anos, eu só que era meio bobinha. E aí eu leio O Guerra dos Tronos, que é um livro bem adulto, né, um livro bastante violento, é um livro que tem bastante teor sexual e tal, e que nem sempre trata suas personagens femininas com carinho, por assim dizer. Mas é um livro que não trata ninguém com carinho, né, é um mundo muito duro pra todo mundo, principalmente pras mulheres, mas muito duro pra todo mundo.

Eu fiquei muito conquistada com o livro, que eu nunca tinha lido nada daquele jeito. Eu já tinha lido muita fantasia, mas eram umas coisas principalmente infantojuvenis e tal. E imediatamente eu terminei um livro, fui pegar o outro. Eu li os 3 primeiros livros em questão de meses. Eu acho que o terceiro é o meu favorito. Os eventos do segundo e terceiro livro, eles são meio borrados assim na minha cabeça, mas eu lembro que o que eu gostei mais foi o terceiro livro.

Então quando saiu a série, eu já tava de olho assim, eu já tinha lido os 3 primeiros, já sabia o que ia acontecer. Eu já sabia o que acontecia com o Ned Stark no final da temporada, né, porque cada temporada meio que adaptava um livro nesse primeiro momento, né? A primeira temporada é o primeiro livro, a segunda temporada já não lembro muito bem se é o segundo ou se eles começaram a expandir. Por isso que também acho que eu não lembro muito do que acontece em cada livro, porque tem essa coisa que eu acho que eles começaram a tomar liberdades nas temporadas.

E também esses são livros que eu li 16 anos atrás, eu não reli nenhum deles. E o Festim dos Corvos eu li alguns anos depois. Dança dos Dragões eu acho que eu nunca li inteiro, eu comecei a ler algumas vezes e nunca terminei. E temos dois livros que estão planejados, né, o Ventos de Inverno e o Sonho de Primavera. E virou meme já que o Jorge Martin faz tudo menos terminar de escrever. Eu acho que acabou virando uma dinâmica meio tóxica assim dos fãs cobrando ele o tempo todo e ele se esquivando, começando a ficar meio, ah, tem umas respostas mais ríspidas, mas é porque também faz muito tempo e o pessoal perde muito noção.

Eu fazia muita piada com isso na década passada, mas hoje o tempo de trabalho já me fez tomar mais o lado dele. E talvez ele tenha criado um negócio muito grande que nem ele sabe como que vai terminar. E enfim, eu não fico mais em cima dele. Eu queria ler os próximos livros, né? Eu queria reler tudo, eu tenho vontade de reler tudo, mas eu só vou reler quando tiver alguma data assim, alguma coisa do próximo livro, que aí eu vou reler para Leio livro novo.

E mas sei lá se isso um dia vai acontecer, eu não vou ficar triste ou irritada se nunca acontecer também, né? A vida tem muitas coisas não finalizadas. Daí a primeira temporada de Game of Thrones estreou em 2011, eu acompanhava assim, né? Eu não tinha HBO naquela época. Quem tinha HBO era só bacana assim, porque não era apenas um canal a cabo, é um canal a cabo premium. Então não bastava você ter TV a cabo em casa, que também já é uma coisa um pouco fora da minha realidade.

Você tinha que pagar a mais pra ter o pacote de bio. Então eu baixava, o episódio ia ao ar sempre domingo à noite. Aí na segunda-feira de manhã já tinha o arquivo na internet. O pessoal legendava, eu acho que lá pra quarta-feira eu já conseguia assistir. Então eu sempre ficava meio esperta com o prazo do pessoal. Conforme Game of Thrones foi avançando e foi juntando mais fãs, Tinha gente que às vezes traduzia na madrugada de domingo e segunda-feira já tava pronto legendado.

Conforme a série foi avançando, foi ficando mais rápido assim o processo, porque tava todo mundo ansioso para saber o que ia acontecer. Eu lembro que quando eu comecei a ver Game of Thrones, eu conhecia muito poucas pessoas que estavam vendo. Mas no final, né, que não sei se vocês sabem o que acontece no final da primeira temporada de Game of Thrones, eu não vou dar spoiler caso você talvez agora esteja ficando com vontade. Você era muito criança na época, pulou, não viu.

Agora você tá pensando em ver. Acontece uma coisa muito bombástica no final da primeira temporada que eu lembro que quando eu tava lendo o livro eu fiquei, meu Deus do céu! Eu fiquei assim completamente em choque, embasbacada quando aquilo aconteceu. Não estava acreditando que aquilo estava acontecendo. E foi aí, eu acho que sim, eu tava gostando muito do livro até então, mas foi nesse momento que eu fiquei tipo, nossa, cara, isso aqui realmente é um negócio especial.

Eu acho que foi nesse momento que começou o boca a boca assim geral, tipo, gente, você precisa ver essa série, não sei o que tem, sei lá. E aí a cada nova temporada que tinha vinha mais público, né, a audiência aumentava e a audiência alternativa também, porque Game of Thrones foi uma das séries mais pirateadas, né, ao longo aí da década, porque novamente não só aqui no Brasil, nos Estados Unidos também, a HBO é um canal premium, então não era qualquer pessoa que tinha E não tinha streaming, não tinha HBO Max nessa época.

Então ou você tinha o canal caro, ou você ia na casa de alguém com o canal caro, ou você baixava da internet. E muita gente baixava da internet, que nem eu. A segunda temporada veio em 2012, a terceira em 2013, a quarta em 2014. Gente, isso é tão bonito! E isso não existe mais, assim, de ter uma temporada por ano, salvo raríssimas exceções. Mas uma série com o escopo de Game of Thrones nunca mais que é feita anual assim. Mas eu lembro que eu assisti essa série em lugares diferentes, que a primeira e segunda temporada eu assisti em casa sozinha.

A terceira temporada eu já assistia com amigos, a gente fazia alguma coisa no domingo à noite, e aí quando dava, sei lá, meia-noite já tinha um episódio com legenda já, então a gente baixava e assistia junto, ou fazia alguma coisa na segunda para assistir o episódio. Mas eu lembro da terceira temporada de assistir com um grupo de amigos da faculdade. A 4ª temporada eu lembro que eu quase abandonei porque ela começou a se distanciar um pouco dos livros.

Eu acho que até a 3ª temporada ela é bem fiel a eventos, a personagens nem tanto, que eu acho que vários personagens eles perderam um pouco de caracterização, um pouco de profundidade na hora de passar para série. Mas ok, até a 3ª temporada eu gosto muito. Aí na 4ª já começa a ter algumas coisas que eu já fico meio assim, mas mal sabia eu que daqui para frente ia ser ladeira abaixo. Eu lembro da 5ª, da 6ª A sexta temporada eu assisti com minhas amigas.

Que aí era uma amiga que ela tinha HBO na casa dela. Então a gente assistia na HBO. E era muito legal, porque todo mundo no dia seguinte tinha que trabalhar, tinha que estudar, tinha compromisso. Nessa época eu já trabalhava. Então a gente ia, a gente assistia 10 horas da noite, acabava às 11. A gente tinha, sei lá, meia hora pra conversar sobre o episódio. E cada uma pegava seu rumo, porque no dia seguinte todo mundo tinha que acordar cedo pra trabalhar.

Aí a sétima temporada eu não lembro muito bem como eu assisti. Porque eu tenho memórias. De estar baixando a série e assistindo no dia seguinte. Eu lembro muito daquele episódio que a Daenerys taca fogo numa galera e o Jaime Lannister sobrevive de um jeito inacreditável. Desse episódio, sabe, eu lembro de estar assistindo, sei lá, numa, num dia de manhã assim, antes de trabalhar. Acho que eu deixei à noite baixando e aí eu fui ver se o arquivo tava certo antes de trabalhar.

Então eu acho que eu tava baixando de novo. E a última temporada eu assisti com a minha irmã. A gente morou junto uma época e o namorado dela, que hoje é marido, mas na época namorado, tinha HBO Go. Vocês lembram do HBO Go? Nossa, tinha episódio assim que a gente demorava meia hora para dar play porque ele travava. Aí ele rodava 10 segundos e travava, então a gente deixava pausado para fazer o buffer. E o episódio de 1 hora a gente demorava 2 para assistir.

Ai, gente, Gente, cada coisa, né? Pra ti era mais fácil. Mas enfim, assistimos. E a última temporada foi a única que teve um espaço de 2 anos, né? Da primeira até a sétima foi uma por ano. E aí a oitava temporada foi em 2019. E aí a série acabou. E aí parecia que o impacto cultural de Game of Thrones tinha acabado no momento que a série acabou, porque a última temporada é tão ruim. E a cada nova semana eu lembro de ir pra live da Carol Moreira e da Mikannn.

E ver elas também, tipo, mano, não é possível não, com certeza eles estão preparando algo bom para o final. E aí a cada episódio era tipo um degrau mais para baixo. E aí a série acabou, né? E aí ninguém mais falou sobre a série. Ficou um tempo falando mal, eu acho que ninguém gostou daquele final, né? Porque eu fiquei tipo, ah, tá bacana, né? Nem foi tão ruim assim. Mas quanto mais eu mergulho na história, quanto mais eu lembro das coisas do livro.

Porque novamente, quando a série acabou, eu já tinha lido o livro, eu já tinha lido os livros fazia 8 anos. Então já tinha um tempo, e foi uma época que aconteceu muita coisa, foi uma década bem movimentada da minha vida. Cada ano eu tava literalmente fazendo uma coisa diferente, acabava assistindo em lugares diferentes, com pessoas diferentes, de acordo com o que tava acontecendo na minha vida. Eu fiz faculdade, eu fiz intercâmbio, Depois eu voltei, depois eu saí da casa dos meus pais e comecei a trabalhar.

E aí a minha irmã veio morar comigo. Muitas coisas aconteceram ao longo desses 9 anos. Foi a década mais agitada da minha vida, diga-se de passagem, que foi meus 20 anos, né? Em 2011 eu tinha 19 anos, em 2019 eu tinha 27. A minha opinião do Game of Thrones como um todo é: eu gosto bastante. Não gosto da série como um todo. Eu acho que sim, ela começou a perder bastante qualidade, não só na última temporada. Eu acho que na sexta já, na verdade na quinta, acontecem algumas coisas que eu não gosto, mas tem episódios bons.

A quinta e a sexta temporada tem episódios muito ruins, mas tem episódios bons. Aí a sétima, oitava, até que tem seus momentos, mas tem muito mais momentos ruins do que momentos bons. E enfim, e assim, eu acho que a partir da 4ª que começou a dar uma desviada dos livros, porque não tinha mais livro para adaptar. E por mais que os criadores eles tinham contato com George Martin, o George Martin meio que passou assim meio que um layout de como as coisas iam se resolver, ele passou só tipo ponto A, ponto B, ponto C, mas não o caminho até chegar a esses pontos.

E os criadores da série não souberam andar esses pontos, basicamente. Tanto que quando eu vejo que tem alguma coisa feita por um dos dois, eu já fico tipo, ai, será que isso vai ser bom? Eu acho que não. Mas enfim, né, cá estamos nós. E aí a franquia ficou meio enterrada assim por um bom tempo, por vários anos, até que depois da pandemia anunciaram Que ia ter uma nova série, a série da Casa do Dragão. Percebi que eu já tenho quase 40 minutos de material bruto e eu não dei uma sinopse do que que é, né?

Eu parti do princípio que todos vocês sabem o que é ou imaginam o que é. Mas Game of Thrones se passa num mundo, um outro mundo de fantasia, que o mapa parece muito com a Inglaterra. Mas é um mundo que ele foi dominado por uma dinastia, uma família meio mítica assim, que em algum momento existiam dragões. Até que eventualmente houve uma rebelião pra tirar essa casa e criar uma nova dinastia. E 15, 20 anos depois acontecem os eventos de Guerra dos Tronos, que é essa nova dinastia colapsando novamente e surgindo uma herdeira da Casa Targaryen do outro lado do mar que talvez tenha dragões.

E isso é meio que um negócio muito importante, o fato dela ter dragões, porque os dragões morreram há muitos anos. Inicialmente essa casa conquistou o lugar dela com os dragões, né, 300 anos. Antes dos eventos de Guerra dos Tronos. Teve a unificação dos Sete Reinos e a conquista por causa dessa casa que chegou com os dragões. Tem uma questão de profecia, mas nessa época a gente não sabia que tinha profecia. Então a profecia é bem recente assim no cânon da história.

Então Guerra dos Tronos acaba sendo essas coisas, várias coisas que acontecem numa dinastia nova que eliminou toda a família que reinava antes e que tá tendo seus conflitos internos. Para administrar esse reino, para lidar com ego de lorde, para jogar o joguinho do poder, né? Tem muitas coisas que acontecem. Eu acho que a série tem um trunfo muito bom, que é apresentar poucos personagens inicialmente e expandir aos poucos os núcleos, porque nos livros tem muitos núcleos.

Tanto que o 4º e o 5º livro, eles acontecem meio que ao mesmo tempo, mas deu uma dividida porque tem tanto núcleo acontecendo, o pessoal tá tão esparso assim no mapa, tem tanta coisa rolando, que acabou sendo 2 livros, um um livro tem um pedaço do mapa, outro livro tem outro pedaço do mapa. Mas no começo da série a gente acompanha só os Starks, os Lannisters, e aí vai abrindo o leque, vão aparecendo mais pessoas, a gente vai entendendo como esse mundo ele é mais rico.

Mas mesmo assim sempre é muito mais simplificado do que nos livros. Tem muita, muita gente. Então aí, né, nos anos, na década de 2020 apareceu Casa do Dragão, que teve a sua estreia em 2022 e tem temporadas a cada 2 anos. Então a primeira temporada foi 2022, a segunda em 2024, a terceira agora em 2026, e a quarta e supostamente última será em 2028. Ao contrário de Game of Thrones, que era uma história muito maior e que não está finalizada, A Casa do Dragão é baseada em eventos que estão descritos no livro Fogo e Sangue.

Lembra aquele que eu falei que é um registro dos acadêmicos, que é uma coletânea de coisas que aconteceram, não é tanto uma narrativa, é mais uma enciclopédia? Esse livro que fala sobre a dinastia Targaryen. Os eventos de Casa do Dragão acontecem durante um período muito curto de tempo que ficou conhecido como a Dança dos Dragões, que foi o evento que levou à extinção dos dragões. Desde o começo é apresentado assim, ela acontece 100 anos depois da conquista do Aegon e 200 anos antes dos eventos do Guerra dos Tronos.

Então tá bem distante, mas tem coisas que ecoam até lá, porque a história do George R.R. Martin é bem interessante, porque tem muitos muitos nomes que se repetem e tem muitos ecos de coisas. Então uma coisa que aconteceu 200 anos antes meio que se repete, e não é porque precisa se repetir porque tem uma profecia, mas é porque a história vive se repetindo, né? Enfim, então a história de Casa do Dragão é sobre conflitos internos.

Era uma época que os Targaryen eram os reis e eles eram muito numerosos, era uma família muito vasta, e eles tinham dragões. Era muito normal ver dragões no reino, principalmente na capital. E eles têm uma relação bem amigável com seus dragões, mas cada um tem um dragão. Só que acontece um probleminha na sucessão de um rei, que ele tem uma filha, ele só tem uma filha, que é a Rhaenyra. Quando ele não consegue mais ter um herdeiro e a esposa dele morre, ele resolve colocar a Rhaenyra como herdeira dele, porque se não fosse ela, seria o irmão mais novo dele, que é o Daemon, que naquela época era um cara completamente maluco das ideias.

E ninguém achava que ele ia ser um bom rei. E para proteger o reino disso, ele declarou a filha dele como herdeira. Só que isso é uma grande questão, porque até aquele momento, por mais que tinham mulheres de destaque na história, a linha de sucessão nunca vai para o lado feminino, nunca. Então se colocar isso, ficou, o pessoal ficou meio assim, mas beleza, julgado de lealdade lá e tal. Até que eventualmente ele se casou novamente e teve outros filhos homens.

Só que em nenhum momento ele falou tipo, ah, agora meu herdeiro é esse. Ele continua, não, minha filha é minha herdeira, a minha herdeira é Ranira, não sei o que tem, não sei o que lá. Só que ele nunca educou ela para ser rainha, ele meio que largou assim, largou mão, tá tudo ótimo, tá tudo certo. E aí ele tem 3 filhos homens com a segunda esposa e também não treinou ninguém para ser rei, para suceder ele. Cada um ficou tudo solto, criado solto, sem impulso nenhum.

Eventualmente ele morre. E aí o que acontece? Pessoal fica dividido. A Rhaenyra fica: não, eu sou herdeira do meu rei, eu vou ser rainha. Só que assim, fazia décadas que o pessoal tinha jurado lealdade para ela, então muita gente já tinha morrido, muita gente se fez desentendido. O normal naquele mundo é ir para o herdeiro masculino mais velho. Então como ele tinha 3 filhos, né, foram para o filho mais velho, que tem o nome do Conquistador, que, né, É um nome meio forte nessa história.

Tem 50 mil Aegons e todos eles foram relevantes de alguma forma, para o bem e para o mal foram relevantes. Então acaba rolando uma grande cesânea, uma grande divisão da própria família com esse negócio de quem vai ser rei. E aí tem a história da série, né, várias coisinhas acontecendo. Essa história ela é levemente inspirada num período da história inglesa que é conhecida como Anarquia. Foi século 12, século 13, alguma coisa assim, que teve essa coisa sucessória, né, que a filha do rei queria que o trono fosse para o filho dela, né, no caso não para ela, mas para o herdeiro masculino dela, mas indo pelo lado feminino da linha.

E o primo dela queria ser rei porque ele era meio que o próximo homem na linhagem. Foi um período de guerra civil. Se vocês leram, ouviram a minissérie dos Pilares da Terra, é meio que o pano de fundo para pra essa história, a anarquia. Na série é muito mais presente que no livro, mas tem aí. E é meio que a inspiração pra Casa do Dragão, é um conflito interno de uma família que acabou indo pra uma guerra civil, que tem as suas consequências de guerra.

Game of Thrones é uma obra muito anti-guerra. Por mais que a série traga as coisas de glória de batalha, cenas épicas e tal, as cenas do livro são muito cruéis, muito cruas. Muito nojentas, uma coisa que provavelmente foi inspirada pelo Cornwall, que tem essa coisa de romances históricos e com guerras muito sujas, muito— aquilo não é um lugar onde você queria estar. Não tem glória nenhuma nessa batalha que vai compensar o fato de você ter visto muitos homens mortos de maneira horrorosa.

Então tem isso, né? E essa guerra, além de ter morrido muita gente, ter mudado algumas alianças do reino, ter eliminado algumas casas completamente, ela também acabou com os dragões. Não com todos, mas com a maioria. E os dragões que não morreram nesse conflito morreram pouco tempo depois. Então foi o que fez os dragões serem extintos, foi uma briga de família que fez os dragões serem extintos. Essa é a premissa de Casa do Dragão.

E assim, né, como o livro tem esse teor de relatos, estudos, uma coletânea de informações que eu tenho aqui desse evento, não temos informações de coisas que aconteceram a portas fechadas. Então a série tem essa criatividade de preencher muitas lacunas, de usar a criatividade para escolher qual versão daquele evento que ela vai retratar como, aspas, verdadeira. Porque assim, o canon da série é influenciado pelos livros, mas não altera o que tá no livro.

Então assim, se a série traz uma coisa nova que nunca foi falada no livro, não significa que nos livros isso vai ser verdade. Talvez o George Martin lance alguma outra coisa que não vai falar que só é daquele jeito. Então a série é a série, o livro é o livro. A gente precisa separar as coisas, interpretar como mídias diferentes, porque são, mas como produtos diferentes também. Eu tô lendo agora o livro Fogo e Sangue porque tiveram várias diferenças nessa terceira temporada, várias coisas que a série se afastou um pouco do material base, que eu vi um pessoal comentando sobre, algumas pessoas reclamando, mas principalmente comentando sobre.

Aí eu fiquei curiosa, eu falei, quer saber, eu vou na fonte e vou ler esse livro. Tô gostando bastante, mas é esse negócio, é você tem que ser curioso sobre o assunto para ficar interessado em ler esses relatos. E eu sou curiosa sobre o assunto. No momento eu tô acho que em 20%, eu tô no começo do reinado do Joe Harris I. Então quem sabe, sabe. Quem não sabe, isso não é spoiler nenhum. Vamos continuar. A primeira temporada de Casa do Dragão é meio que uma loucura porque eles precisam dar contexto.

Basicamente, a primeira temporada é o contexto daquele mundo, daquele reino, daquelas pessoas e do que está rolando, porque o rei ele só vai morrer no final da primeira temporada. Então a gente tem esse tempo todo para passar ao longo de alguns anos. É o tempo que mais tem time skip, né, saltos temporais, para você ver que teve passagem de tempo, troca de elenco, essas coisas. Então ele começa no ano 100 E ele vai até o ano 127, alguma coisa assim.

Eu achei bem interessante a primeira temporada, eu gostei de voltar nesse mundo, eu gostei de ter dragões porque eu gosto muito de dragões. Então, né, é um tópico importante para mim. E eu tava muito desgostosa assim de Game of Thrones quando saiu essa série, tanto que eu nem acompanhei as notícias e os elencos, eu não tava assim nem um pouco a fim de ver. Mas aí estreou e eu vi um pessoal falando, eu falei, quer saber, eu vou E aí logo em seguida eu tava todo domingo assistindo novamente, como estava antes fazendo, porque eu gosto muito desse mundo e eu me vejo pesquisando muita coisa como se fossem coisas que aconteceu de verdade, sabe?

Então tava lá acompanhando, gostei bastante da primeira temporada. Eu não sei se eu gosto muito de todo o rolê da profecia do Aegon e de tudo convergir para Longa Noite, porque as consequências da Longa Noite na série acho meio paia. Então, lembrando como foi o final de Game of Thrones, eu acho que deixa essas coisas de profecia muito pior, sabe? Que você fica, nossa, tá tudo esse negócio de profecia para no final acontecer o que acontece no final de Game of Thrones, né?

Mas eu tenho esperança que saia mais conteúdo desse universo dos livros e que a resolução seja melhor trabalhada. Não digo nem diferente, porque eu acho que os resultados vão ser parecidos, mas o caminho até os resultados vão fazer mais sentido e vão fazer aquilo ser mais satisfatório, né? Vamos aguardar. A segunda temporada de Casa do Dragão sofreu com uma situação meio chata, que em 2024 tava meio que no auge assim dos streamings.

Eu nem sei apontuar quando que foi a era de ouro dos streamings, talvez durante a pandemia, talvez assim 2019 até 2022, 2023, porque teve uma época que começou a aparecer muito streaming E aí começaram a ter umas decisões de cima, assim, dos streamings meio questionáveis. Umas decisões de não entender muito o público, de ficar cortando dinheiro em coisa pequena, tirar conteúdo que é licenciado pelo próprio streaming ou pela própria dona do streaming, tirar da plataforma.

E isso não tá disponível em lugar nenhum. Várias discussões que surgiram com isso. Mas em 2024 começou, assim, um movimento de reduzir episódios de séries para streaming. Porque antigamente, quando tinha as séries para canal de TV aberto, era costumeiro ser entre 20 e 25 episódios, porque era mais ou menos a quantidade de semanas no ano que cabia no calendário de séries. Aí vieram as séries premium, né, as séries de canais de TV fechado, que tinham um foco muito mais em narrativa e menos em preencher espaço.

Então vem aí Mad Men, Breaking Bad, Soprano, anos, que eram séries que tinham temporadas mais enxutas, e mesmo assim era coisa de 10, 15 episódios dependendo da série. E aí esse formato foi inicialmente adotado por streaming, quando o streaming começou a fazer séries próprias. Aí conforme foi passando o tempo foi enxugando, e quando chegou 2024 meio que tinha assim um acordo que o número ideal de episódios para uma série de streaming era 8.

Só que todas as temporadas de Game of Thrones e a primeira temporada de Casa do Dragão tem uma estrutura de 10 episódios por temporada, e uma estrutura muito semelhante de construção de história, do jeito que a história avança ao longo de 10 episódios. Sempre o 9º episódio era o episódio que acontecia uma coisa bombástica, uma coisa inesperada, uma coisa que ia ter ecos por todo aquele universo. Aquilo não era uma coisa que era para ser esquecida.

E aí o 10º episódio era um episódio onde a gente mostrava as consequências diretas daquele evento, para você não ficar assim com um cliffhanger para a próxima temporada. Tipo, aconteceu uma coisa bombástica, e aí que vai acontecer depois, a gente só vai saber daqui 1 ano, 2 anos, 3 anos, e aí começa de um outro jeito. Não, você tinha um evento bombástico, na semana seguinte você tinha as consequências diretas daquilo, e as consequências diretas daquilo botavam os personagens em movimento, encerrava os arcos deles daquela temporada e colocavam eles em movimento para estar onde eles estarão no começo da próxima temporada.

Então uma estrutura muito semelhante. E aí quando chegou a segunda temporada de Casa do Dragão, parece que ela foi planejada como uma temporada de 10 episódios, mas conforme tava passando, tava tendo todo esse negócio. Nossa, gente, se vocês acompanham o que que tava rolando na diretoria da Warner nessa época, tava uma bagunça, porque a HBO pertence à Warner, né? Não sei se vocês sabem disso. Novidade aqui no meio, porque E aí veio uma ordem de cima de que a temporada devia ter 8 episódios.

Eu não sei quando essa ordem chegou, mas eu sei que isso influenciou a temporada sim, porque os 2 primeiros episódios da 3ª temporada parecem muito pertencer à 2ª temporada, parece muito ser o episódio 9 e 10 de temporada de Game of Thrones, pelas coisas que acontecem, pelo jeito que a história é contada. Pelo jeito que os arcos são fechados, ele ainda traz muitas ideias da temporada passada para finalizar. Então, com isso, a segunda temporada foi muito prejudicada porque ela foi uma grande construção que não teve catarse nenhuma.

Então foram várias coisas que estavam sendo lentamente construídas, porque também Game of Thrones nunca foi um universo das coisas acontecerem muito rápido, sempre teve uma calma para você construir, muitos diálogos para você estabelecer relações, estabelecer coisas. E no final você ficava esperando por uma coisa para vir aí, vim aí e nada veio aí. Foi bastante decepcionante para todo mundo a segunda temporada de Casa do Dragão, não conheço ninguém que gostou.

Daí veio a terceira temporada, eu sei que muita gente supostamente abandonou já na segunda, falou não vou voltar para ver esse negócio não, essa palhaçada, mas eu fui lá e voltei, né, porque não desisto, né. E assim, eu gostei mais da terceira temporada do que eu gostei da segunda. Porque parece que ela foi criada, foi planejada sabendo que você ia ter menos episódio, né? Então tinha esses 2 primeiros episódios que claramente era da temporada passada, e aí sobrava 6 episódios para correr com a história dessa temporada.

E sim, correu, só que eu achava que ia correr um pouco mais, porque eu sei do que acontece, né? Eu não li o livro inteiro, mas eu sou curiosa, eu li os artigos da Wikipedia sobre Eu sei que tem muita coisa ainda para acontecer e só tem mais uma temporada, supostamente. E aí ficou muita coisa para a próxima temporada. E assim, eu não acho que a administração de tempo para as histórias foi usada de uma maneira inteligente aqui nessa temporada.

Eu não acho que existe episódio filler. Teve um pessoal que chamou os episódios do meio da temporada de filler. Eu não acho que eles são fillers, mas Mas considerando as coisas que faltam, eu acho que eles ficaram muito tempo em coisa entre aspas pequena para depois talvez correr muito com umas coisas na próxima temporada. Não sei, próxima temporada não existe ainda, eu não posso julgá-la, não posso fazer nada além de suposições.

E eu não quero perder tempo nisso agora porque eu tô vendo que o bruto desse episódio está muito longo. Já passou um episódio de meia hora, eu já tô com uma hora de bruto. Enfim, Enfim, isso que dá não fazer roteiro e abrir o microfone e querer falar tudo, né? Mas essa terceira temporada eu gostei. Os dragões estão muito bonitos, eu gostei de ver novos dragões. Quer dizer, teve a Dreamfyre, teve mais algum novo? Ah, teve a Tessarion.

A Tessarion é tão bonita. Mas ao mesmo tempo eu achei que alguns personagens foram meio que jogados, né? O Daeron, criou-se uma grande antecipação para ele e ele não fez nada na temporada. Assim, ele fez uma coisa ou outra e tal, mas essencialmente ele não fez nada. Nada para o resultado final, para ter algum impacto no resultado final. E eu gostei muito do Ormund como personagem. Não quer dizer que eu gostei dele como pessoa, não quer dizer que eu vou convidar ele para minha casa, mas eu achei ele um personagem muito legal para dar uma chacoalhada nas coisas.

Assim, eu falei que A Dança dos Dragões é uma briga de família, tem dois lados muito claros: os lados que apoiam a Rhaenyra, o lado que apoia o Aegon. E desde o começo a série montava o lado que apoia a Rhaenyra como certos, belos, sensatos. Se alguém errou, foi tentando acertar. Se alguém causou uma coisa horrível, foi por causa de um mal-entendido. Enquanto que o pessoal do Aegon, eles eram incompetentes, horríveis, todos os defeitos do mundo estavam com aquelas pessoas.

E assim, eu acho isso meio paia, por mais que eu estou do lado da Rhaenyra. Todo o universo de Game of Thrones é feito de pessoas com mais defeitos do que virtudes, porque pessoas muito virtuosas não sobrevivem nesse mundo. Vídeo que acontece na primeira temporada de Game of Thrones, mas é um mundo que ele é muito hostil com todo mundo. Então você precisa criar uma casca para você sobreviver nesse mundo. Isso traz personagens muito complexos, traz personagens com atitudes questionáveis.

Alguns personagens têm atitudes questionáveis tentando se defender, tentando defender família, ou só tentando defender a si mesmo com os propósitos mais egoístas do mundo. Quem sou eu para julgar? Todo mundo ali jogado nesse mundo extremamente hostil. Isso que é muito interessante de ver. E na série tavam meio que deixando assim a Raniira como a fada sensata, ela não quer causar mal, ela não quer criar uma guerra, mas já tá criando uma guerra, ela perdeu muitas pessoas próximas, mas ainda tá querendo resolver as coisas na paz.

E tipo, isso dá uma cansada. No começo até acho que interessante, mas vão acontecendo coisas que precisam ter consequências E essas consequências não chegam, que é uma coisa que aconteceu nas temporadas finais de Game of Thrones, que são personagens ficando completamente fora da casinha e fazendo coisas muito doidas que não tem consequências nenhumas para eles. Tipo, todo o rolê da Cersei com o Septon no final da 6ª temporada foi muito legal de ver, adorei, porém que consequência que ela sofreu disso?

Nenhuma. Ela continuou sendo rainha. Ela continuou, a vida dela continuou normal. Ela perdeu algumas pessoas no processo, perdeu, mas tipo não houve consequências. E esse é um mundo que pune muito qualquer coisa, não só coisas ruins, mas qualquer atitude que você tem vai ter consequências. E aí a série começou a fazer muitas coisas sem consequência nenhuma, e aí perdeu um pouco o peso de tudo, né? Foi aí que a série se perdeu.

Esse é um dos motivos pela série ter se E é um pouco uma crítica minha também com Caso do Dragão, que tem personagens que vão fazendo coisas e vão se teletransportando e tem poucas consequências para esses atos. E aí quando você vai fazendo as coisas, não tem consequência, não tem peso, né? Enfim, tem uma crítica minha algumas coisas de Caso do Dragão. E o arco da Rhaenyra nessa terceira temporada também foi meio, ai, chato. Porque ela virou uma chavinha no episódio final, mas eu queria ter visto mais do processo.

Por mais que a gente viu uma coisa aqui e ali, sei lá, eu achei muito abrupto assim. Ela fala, então tá, querem que eu sou— querem que eu seja má, eu vou ser má. E aí ela entra no modo ditadora. Só que assim, também vi críticas em relação a isso, porque começou a usar uma linguagem visual para ela muito usada para regimes totalitários e ditaduras. Só que assim, eles já vivem numa monarquia, sabe? Eles não conhecem o conceito de totalitarismo porque a monarquia meio que é, na verdade, absolutismo, né?

Mas para você saber que uma coisa é totalitária, você tem que ter o oposto dela para você ter uma comparação. Se você não tem essa comparação, a coisa meio que não existe, né? Existem alguns conceitos que elas precisam existir junto com o oposto delas para fazer sentido, senão elas só são uma coisa. Coisa, só são o status quo. Enfim, entenda uma tangente que eu não quero entrar. Aí, minha opinião do caso do dragão da 3ª temporada é essa, tipo, eu achei legal.

Toda semana eu tava assistindo, toda semana tava me divertindo. E aí depois eu ia pesquisar sobre, aí eu ia ver a live de 4 horas da Mikannn. Toda segunda-feira eu tava lá, assistia a live inteira. Às vezes eu ia dormir porque a live entrava na madrugada e eu tenho horário para dormir, mas aí eu terminava de ver no dia seguinte. E tava com o pessoal, tava vendo o pessoal teorizando, o pessoal que leu o livro meio que imaginando como que algumas coisas iam acontecer.

Eu tava lá, tava lendo a Wikipedia do Gelo e Fogo lá para relembrar as coisas que eu não lembrava mais. E enfim, foi divertido. Uma coisa que eu acho engraçada é observar pessoas julgando coisas com a ótica da nossa sociedade do século 21, é julgar o mundo de fantasia supostamente medieval, mas essencialmente o mundo de fantasia usando o código do direito da família do Brasil de 2026. Porque assim, no universo de Game of Thrones, casamentos são importantes para você ter a sua linhagem, e se um filho nasce fora do casamento ele é um bastardo, ponto.

Ah, mas ele tem o sangue. Não importa. Se ele não tem nome, ele não importa. Ah não, porque não sei qual personagem pode herdar tal lugar, porque ele na verdade é filho de tal. Não, gente, não pode. A não ser que a pessoa tenha reconhecido o filho em vida e pedido um reconhecimento para o rei. É um processo, você precisa ir no cartório para fazer esse reconhecimento. Não é só você falar, ai, te reconheço. Precisa de um decreto real que reconheça aquela pessoa como da sua linhagem.

Aí vai dar o sobrenome, vai colocar na sua árvore genealógica, vai deixar essa pessoa poder dar alguma coisa que você tenha. Mas é um processo burocrático que precisa ser feito. Não basta tipo, ai não, a gente sabe, todo mundo sabe que aquele personagem é filho daquele personagem, então ele teria algum tipo de direito sobre aquela propriedade ou aquele título? Não, não tem, porque não é assim que esse mundo funciona. Não é que, ai não, mas aqui no Brasil, mas não é no Brasil, não é, sabe?

O mundo de fantasia tem regras e eles precisam funcionar nessas regras. Você pode criticar várias coisas na obra do George Martin, mas não que ele não faz sentido e não que as regras dele não sejam usadas no mundo. Que elas são. É o mundo que faz sentido e é o mundo que trabalha seguindo aquelas regras. E é isso, gente. Eu só queria abrir esse parênteses porque eu vi uns hot takes aí na internet que eu fiquei tipo, gente, não, não é assim que funciona, não é desse jeito que as coisas funcionam.

Mas enfim, falei demais, tenho que editar agora esse programa porque hoje já é sábado e em breve vocês estarem ouvindo. E só para fechar o assunto muito rapidamente sobre a série do Cavaleiro dos Sete Reinos, que a primeira temporada aconteceu esse ano, 2026, a segunda tá prevista para o ano que vem, a terceira para o ano depois. Então vamos ter série de Game of Thrones todo ano! Eu tô muito feliz porque eu gostei muito da série.

É uma vibe muito diferente, muito, muito, muito diferente, mas muito interessante, né? Que nem eu comentei na hora que eu tava falando dos livros, é um ponto de vista de uma pessoa que tá muito mais perto das classes mais baixas do que das classes mais altas. É uma pessoa que vai precisar se provar para conseguir crescer na vida, entre muitas aspas, né, para conseguir as coisas que ele consegue, para conquistar um espaço ali. E se passa uns 80 anos antes de Game of Thrones, então ele tá bem longe dos eventos de Casa do Dragão.

Ele tá uns 150 anos depois de Casa do Dragão. Aconteceu um outro grande evento entre Casa do Dragão e Cavaleiro dos Sete Reinos, que são as revoltas Blackfyre. Aliás, durante a época do Cavaleiro dos Sete Reinos ainda estão acontecendo algumas, porque foram 5 revoltas Blackfyre, se não me engano. E eu gostei muito da série. Eu tô lendo os livros, eu tô lendo o livro, né, que são contos. Eu já li os 2 primeiros, eu não li o último ainda, porque quando eu ler o último eu vou ter terminado de ler o livro e eu não vou ter mais novas histórias do Dunk e do Egg para ler.

Então ele tava em pausa. Pausa, né? Não é que, ah, eu tô lendo vários livros ao mesmo tempo, não. Eu li os dois primeiros contos, falta ler o terceiro e o último, e eu tô fazendo uma pausa para ler umas outras coisas nesse caminho. Então eu digo que estou lendo porque eu não terminei a leitura, mas ela está pausada. E eu gostei bastante da série. Todas as séries do Mundo de Gelo e Fogo, né, Guerra dos Tronos, Casa do Dragão, Cavaleiros dos Sete Reinos, estão disponíveis naí de Biomax.

Imagino que nos canais deve passar também, E os livros estão por aí, né, gente? Aqui no Brasil acho que é tudo publicado pela Suma. E enfim, leiam livros, assistam séries, vejam filmes, comentem nos meus posts lá no Instagram, @filme.da.semana. Ou se você é usuário do Blue Sky, eu também estou lá, @lalaliland. Ou fale comigo pelo email podcastfilme.semana@gmail.com. Esse email também é uma chave Pix, caso queira fazer alguma contribuição com meu trabalho, pagar um cafezinho, eu ficaria muito feliz.

Qualquer contribuição. E esse foi o episódio de hoje, gente. Semana que vem vai ter assistidos de agosto, então também vai ser episódio extenso, 2 episódios extensos um seguido do outro. O que que vocês acham disso? Vocês preferem episódios mais curtos, mais longos? Fala para mim nesses canais que eu acabei de falar. Mas por hoje é só, fiquem bem e até semana que vem. Tchau! Tchau, tchau!

#308 - Casa do dragão e o mundinho de gelo e fogo | Castnews Index — Castnews Index