#307 - Sessão dupla: Sabor da Vida (2015) e O Sabor da Vida (2023)
Essa semana trouxe dois filmes com título em português muito parecidos, mas que são de décadas e paises completamente diferentes:
- Sabor da Vida (Sweet Bean)- filme japonês de 2015 dirigido pela Naomi Kawase
- O sabor da Vida (La Passion de Dodin Bouffant) - filme francês de 2023 dirigido por Tran Anh Hung
Tudo sem spoilers
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- O Sabor da Vida· CulturaA Paixão de Dodin Bouffant·Gui Calvão·Juliette Binoche·Benoît Magimel·Culinária francesa·Carnes cruas
- Sabor da Vida· CulturaSweet Bean Paste·Naomi Kawase·Dorayaki·Doença tabu·Conexão humana
- Polêmica da Escolha para o Oscar· EntretenimentoAnatomia de uma Queda·Palma de Ouro·Comitê de seleção francês
Oi, gente. Tudo bom com vocês? Meu nome é Larissa, esse é o podcast Filme da Semana. E hoje eu trouxe dois filmes pra conversar com vocês. Dois filmes que eu já devo ter citado em episódios de Assistidos. Porque eu vi eles, não esse ano, mas acho que ano passado, ano anterior. Eu assisti em algum momento que eu já fazia os episódios mensais de Assistidos. Então devo ter comentado brevemente em algum momento. Mas são dois filmes que eles...
Tem algumas semelhanças. Eles são de países diferentes, são de décadas diferentes, em idiomas diferentes, com títulos originais diferentes. Mas aqui no Brasil eles receberam um título muito parecido. Um é O Sabor da Vida, o outro é apenas Sabor da Vida, sem o artigo definido. E eu assisti os dois meio perto, não foi exatamente meio perto, mas acho que foi no mesmo ano. E eu gostei dos dois. E a semelhança que eles têm, além do título, são filmes emocionantes, que provavelmente vão fazer você chorar.
Me fez chorar um pouco. Onde a comida é meio que um elemento principal. Não só narrativo, mas também estético. Existem muitas cenas muito bonitas de preparo de comida e de cuidado com a comida. E de cenas onde mostra o cuidado com a comida é o cuidado que você tem com a pessoa que você gosta, tem algum sentimento ali, não necessariamente romântico, mas que você se importa, né. Então tem essas coisas e tem cenas muito bonitas que envolvem comida.
Eu vou falar brevemente de cada um deles, sem spoilers, claro, não se preocupem. E eu tô fazendo esse episódio justamente pra ele ser mais curto, que eu tô gravando ele, editando ele na manhã do sábado. Quero que até meio-dia esse episódio esteja no ar. Mas vamos começar então em ordem cronológica, começando pelo Sabor da Vida, sem o artigo, que é um filme de 2015, japonês, dirigido pela Naomi Kawase, que é uma diretora de vários títulos.
Já vi, já comentei alguns filmes dela além desse. Foi um filme que ele abriu a Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes de 2015. Ele teve todo um circuito de festival até ir pros streamings. E quando ele estreou Kanekis, o nome dele em inglês era Sweet Bean Paste, que é o mesmo nome do livro que ele é baseado. E aí, com o tempo, no momento da distribuição, ele acabou virando apenas Sweet Bean, que é o título em inglês, mas não é o título original.
O título original é em japonês e eu não sei falar, mas acabou virando Sabor da Vida aqui no Brasil, que sei lá de onde que veio esse título, né? Porque Sweet Bean é a sobremesa lá, sobremesa, não sei se É considerado uma sobremesa, mas é o dorayaki. Que é tipo uma panquequinha que é recheada com uma pasta de feijão doce. Eu não sei se eu já comi desse jeito, mas eu lembro que eu já comi uma que parecia uma bolacha, né. Que tinha uma massinha um pouquinho mais seca, um pouquinho mais dura.
Que parecia uma bolachinha que tinha esse recheio de feijão doce. E assim, eu não gostei muito, porque eu não achei doce o suficiente. É um problema do meu paladar. E também que eu não gosto de feijão como um todo. Então esse é um probleminha meu. Mas enfim, o filme tem esse título porque boa parte da história dele vai se passar numa lojinha de dorayaki. Assim, num cantinho de Tóquio, que tem um dono, que é o Santaro. Ele é um homem de meia-idade, ele sempre teve aquela lojinha.
Ele faz os docinhos com todo cuidado, tem a receita lá dele. Ele é solitário, teve alguns problemas aí na vida, esconde um passado. Ele é muito quieto na dele, e ele tá ali tocando essa loja. Até que um dia ele bota um aviso que ele tá procurando um funcionário, uma pessoa pra ajudar ele na loja. E aparece uma senhora, a Tocu. Que assim, ela é bem idosinha, mas ela tem vontade de trabalhar. Ela fala que ela sempre quis trabalhar numa loja de doce.
E não sei o que tem. Só que assim, ele fica meio com medo de ser um trabalho muito pesado pra uma senhora tão frágil, né. Ela tem alguma coisa nas mãos dela Tá um pouquinho desfigurado também, então... O Santário fica meio assim de contratar ele. Ele não quer contratar ela, na verdade. Porque ele acha que não vai ser um match, assim. Acha que ela não vai dar conta do trabalho, talvez dê trabalho pra ele. Mas ela faz uma receita dessa pasta de feijão que é maravilhosa.
Ele fica conquistado. E tipo, a cena dela fazendo, tudo toma muito tempo. Tudo é muito delicado, tudo tem esse tempo de respirar. Tem essa vibe de filme Ghibli que você... Fica um tempo parado nas tarefas cotidianas pra você apreciar a beleza delas. E também pra você respirar aquele momento do filme, pensar na cena que acabou de acontecer. Então é um filme que tem vários respiros disso. Ele lembra muito essa vibe de Studio Ghibli.
Ele também me lembra bastante Dias Perfeitos. Talvez seja porque eu não vi tantos filmes japoneses assim pra ter outras referências. Mas ele tem essa vibe. Eventualmente, a senhora é contratada. Mas eventualmente, algumas outras coisas acontecem. E pra completar o trio de personagens que tem no pôster do filme, também tem uma estudante colegial que ela sempre tá lá. Porque tem vários estudantes que estão lá comendo sempre. Mas ela sempre tá meio sozinha.
E ela vai acabar se conectando com a história dessas duas outras pessoas solitárias. Porque esse é filme de pessoas solitárias. Conversando, querendo conversar e querendo se curar. E com várias coisas no passado que precisa ser resolvida de algum jeito. Então essa é a vibe do filme. Ele tem uma abordagem bem bonita de algumas coisas. Porque eventualmente vai ser jogada uma doença tabu. Não vou dar grandes detalhes, porque eu não sabia disso quando eu fui assistir.
Eu só fiquei, ai, filme de culinária, vamos lá. Filme bonitinho japonês, é cozy. E levei um susto quando começou a parte da doença, assim, que eu fiquei tipo, meu Deus. Mas é uma doença que historicamente é associada a alguns tabus. E aí o filme vai lidar com um pouco disso, sobre como boatos machucam, como boatos nem sempre são verdadeiros e fazem mais mal do que bem. E de que a gente tá falando de pessoas, enfim. E também sobre o efeito das pessoas na vida de outras pessoas, do contato humano, da necessidade de conexão.
E da importância da comida como uma ligação entre tudo isso. É um filme bem bonito, é um filme emocionante. Tem essa vibe sensorial bem gostosa, né, de fazer comida. Que é uma coisa que os dois filmes têm. E é um tipo de coisa que eu tenho buscado bastante em filmes. Eu quero fazer uma lista de filmes onde a comida é... Tão ou mais importante do que a história. E o filme foi baseado num livro do Dorian Sukegawa, que foi publicado aqui no Brasil há pouquíssimo tempo.
Lembro que eu já tinha visto o filme quando eu vi o anúncio da Morro Branco do lançamento. Aqui no Brasil ficou como Doce Tóquio. E a capa do livro é uma ilustração que lembra muito o pôster do filme, mas não é de fato um pôster assim na cara dura, é uma ilustração assim Meio chapada, com os 3 protagonistas e umas árvores de cerejeira. Eu fiquei com vontade de ler. Eu acho que talvez tenha uma vibe diferente. Até porque eu não vou ver a comida sendo feita.
Talvez tenha descrições da comida, mas é diferente o sensorial. Porém, eu acho que deve ser um livro interessante. Eu gosto bastante da curadoria que a Monroe Branco faz dos títulos dela. E se você quiser assistir... Sabor da Vida, infelizmente, não está em nenhum streaming no momento. Quando eu vi, ele tava no Sesc Digital, de graça. Eu já vi ele no catálogo da MUBI. Ele também é um filme que tem muito a cara da Filmica. E também da Reserva e Movision.
Ai, esses streamings cult, né. Filme cult. Mas você conhecendo o título, conhecendo o pôster, quando ele pingar em algum lugar, você tá mais esperto, né. Eu gosto muito disso, de... Ficar esperta com filmes, ter vários filmes na minha watchlist, ter ciência de que vários filmes existem, de conhecer título, conhecer pôster, talvez conhecer o diretor. Porque quando eles aparecem em algum lugar, não é mais uma imagem no meio de um mar de imagens, é uma imagem que eu já conheço.
Eu fico: opa, esse filme eu já vi em tal lugar, esse filme eu já vi um vídeo de alguém falando bem, esse filme eu lembro do pôster na seleção de Cannes. Então você já fica um pouquinho mais esperto. Eu não tô falando que você vai ver amanhã esse filme, mas quem sabe daqui alguns meses ele em algum lugar. Aí você vai lembrar, ah, é verdade, aquele filme que eu tava querendo ver, que eu tinha ouvido naquele podcast que era legal, vou ver agora.
Porque no momento só tem aluguel digital, e só tem aluguel digital dentro do catálogo da Apple TV. Então assim, tá um pouco difícil de ver, mas vamos ter esperança de que algum streaming resolva fazer uma coleção da diretora em breve, porque ela tem muito filme. E que tá tudo espalhado, cada um num canto também. O segundo filme, com nome parecido, é O Sabor da Vida, que em inglês ficou The Taste of Things, mas que na verdade é um filme francês, que o título em francês traduz pra A Paixão de Dodin Bouffant, que é o mesmo nome do livro que ele é baseado.
O Sabor da Vida é um filme francês de 2023. É um drama de época dirigido pelo Trang Hung, que é um diretor vietnamita. Ele nasceu no Vietnã, ele foi adolescente pra França e se estabeleceu lá. Ele fez vários filmes. E esse daqui tem a Juliette Binoche e o Benoît Magimel nos papéis centrais. Ele se passa no finalzinho do século 19. E, né, esses dois, nossos dois protagonistas são meio que um casal. Ela é uma cozinheira, ele é um Um gourmet.
O que é um gourmet? Eu talvez não tenha tanto contexto assim pra ajudar vocês. Mas pelo que eu entendi, é uma coisa que acabou evoluindo pra um chefe de cozinha, assim. É um homem da culinária, um chefe, uma pessoa que vive disso. E ele é contratado pra fazer almoços. E ele faz almoços pros amigos dele, ele organiza receitas. Mas ele tem uma fiel cozinheira pra ajudar no grosso do trabalho. E aí, quando começou, eu fiquei vendo essa dinâmica e pensei, nossa, né, talvez vá pra um lado que ela não se sinta feliz, que ela se sinta sobrecarregada, que ela não se sinta apreciada o suficiente por fazer o grosso do trabalho de cozinhar e ele tomar todo o crédito.
Mas não, não é essa dinâmica que eles têm. Porque ele sempre tá agradecendo muito ela, ele sempre tá muito feliz, elogiando ela. No final dos jantares, ele leva ela pro pessoal conhecer e faz um discurso sobre como ela é o braço direito dele e ele não seria nada sem ela. Então assim, você vê que tem esse reconhecimento, que tem admiração um do outro. E aí, eventualmente, você vai perceber que os dois são um casal. Eu achava que talvez fosse se desenvolver um romance aí nesses anos.
Porque eles trabalham junto há décadas. Os dois já estão ali nos seus 50+. E no primeiro momento, eu achei que fosse ser isso. Tipo, talvez uma paixão escondida de muitos anos e que ia finalmente se revelar. Mas não. São um casal, só que não oficialmente. Tipo, eles dormem em quartos separados, ele vive pedindo ela em casamento, ela fala não porque ela gosta do jeito que tá o relacionamento deles no momento. Eles são franceses, às vezes a gente acha que as coisas vão ser mais complicadas do que são, mas eles são franceses, as coisas parece que são mais descomplicadas por lá.
Até que eventualmente algumas coisas vão acontecer para o filme acontecer. Ele também é um filme onde muito tempo é dedicado para a parte do preparo da comida, então vão longas cenas de preparo de carnes e preparo de molhos e cortando coisas. E eles têm ajudantes também que vão picar os vegetais e limpar o peixe, fazer várias coisas, lavar louça, né? Não é nenhum dos dois que lava louça. Então a gente tem muito tempo dedicado a isso e também ao conflito central do filme, que acaba girando no relacionamento desses dois.
E eles compreendendo que eles não são mais jovens, que talvez o tempo deles pra algumas coisas esteja acabando. E conversando sobre isso. E tem uma outra história rolando, que é um banquete pro príncipe, que aí é meio que o que vai movendo a história do ponto de vista narrativo. Mas o que acontece de verdade, que é mais interessante de ver, são o relacionamento desses personagens. Até que eventualmente uma coisa acontece que eu não gosto muito.
E aí tem a meia hora final do filme resolvendo esse evento que eu não gosto muito. É um filme de 2 horas e meia que, pra mim, se não tivesse a meia hora final, seria mais eficiente. Porque eu gosto gosto muito dele até que acontece essa coisa. E aí eu fico, tá, ok, como vamos ver as consequências disso? E aí até que é bom, mas aí se estende demais. Eu acho que essa é a minha maior crítica do filme, que ele se estende demais no final dele pra uma resolução que eu gosto menos do que o resto do filme.
Mas vou deixar um aviso, se você é vegano, vegetariano, se você não gosta de ver carnes cruas, que eu sei que tem várias pessoas que ficam meio mal de ficar vendo carnes cruas ou de ficar vendo, sei lá, não sei se vocês já fizeram uma ave. Aí qualquer ave, frango, peru, quando você prepara a ave assada inteira, a ave passa por alguns preparos. E no filme eles mostram mexendo na carne, fazendo os preparos. É a carne crua, tá? Não tá o bicho morto sendo limpo, nada.
É a carne crua. Do jeito que você compra no açougue. Mas pra algumas pessoas pode ser que isso seja um problema. Então se você é vegano, eu acho que você não vai gostar desse filme. Então nem assiste. Já tô botando o aviso de gatilho: carnes, muitas carnes. Então se isso é um problema pra você, nem dá pra ir nesse filme. Porque, né, não vai ser legal. Eu não tenho muito problema com isso, porque eu cozinho bastante. Esse filme também é baseado num livro, mas parece que a adaptação é bem mais livre.
Em todo lugar que eu vejo falando, fala que ele é livremente baseado. Ou que ele é baseado no personagem do livro do Marcel Rouff, que chama A Vida e a Paixão de Dodinho Bufão Gourmet. Aqui no Brasil ele foi publicado em 2024, provavelmente na época que o filme chegou, tanto que a capa do livro é o pôster do filme e o título em português está A Vida e a Paixão de Dodinho Bufão Gourmet, entre parênteses Sabor da Vida, e aqui em cima da capa tem Uma citaçãozinha de que o livro que foi livremente adaptado e deu origem ao filme estrelado por Juliette Binoche e Benoît Magimel.
Saiu pela Nova Fronteira, eu não tinha ideia. Eu descobri isso fazendo pesquisa pra esse episódio. E tá, tipo, R$30 o livro físico na Amazon. Eu tô quase tentada a comprar, porque tá, tipo, muito barato. Hoje em dia é muito difícil ver livros físicos que custem menos de R$40. Mas eu não sei, eu não acho que eu vou ler. E eu não achei a capa bonita o suficiente pra deixar na minha estante. Eu não vou resistir a essa tentação. Mas tem o livro para quem se interessar, assistiu o filme e quiser saber mais coisas.
E esse filme também, ele tem uma certa polêmica. Essa polêmica não é necessariamente sobre a história do filme ou sobre as pessoas que fizeram o filme, mas muito mais sobre o contexto que o filme aconteceu. Ele teve a sua estreia no Festival de Cannes, ele competiu pela Palma de Ouro, mas ele acabou saindo de mãos vazias. Enfim, foi um ano bem forte assim na competição de Cannes. E esse filme, ele ficou um pouco eclipsado. Mas é que também a seleção de 2023 de Cannes foi uma seleção muito, muito boa.
Que tinha Folhas de Outono, do Kaarismaak. Tinha Quimera, da Alice Horwacher. Tinha Zonas de Interesse, tinha Dias Perfeitos. Tinha Monster, do Kore-eda. E teve o vencedor da Palma de Ouro aquele ano, que foi Anatomia de uma Anatomia de uma Queda, que também é um filme francês. Mas daí, quando o comitê foi escolher qual filme francês que ia mandar para o Oscar de filme internacional, ao invés deles escolherem Anatomia de uma Queda, que foi o filme que venceu Palma de Ouro, que é um filme que estava com distribuição dos Estados Unidos, que estava fazendo um ótimo circuito de festival, colecionando elogios e tal, eles acabaram escolhendo O Sabor da Vida.
Pra ser o representante da França no Oscar. Um filme que assim, é um filme bom, eu estou falando dele aqui. Mas Anatomia de uma Queda é um filme excepcional. E assim, a França, gente, chega a meia dúzia de filme aqui por ano. Mas eles fazem muito, muito, muito filmes por ano. Então escolher qual filme vai ser mandado pro Oscar de Filme Internacional não é uma tarefa tão fácil assim. Assim como aqui no Brasil tem vários filmes que são feitos.
E tem várias coisas que você meio que coloca numa balança, né. Você não vai colocar o melhor filme que você que você gosta mais, mas talvez o filme que talvez tenha mais chances de fazer um bom circuito, de fazer uma boa campanha, de gerar buzz pro filme e pro elenco e pra indústria de cinema local e tal. Precisa ser uma decisão estratégica. E Anatomia de uma Queda era um filme que estava sendo muito elogiado, era um filme que já tinha distribuição nos Estados Unidos, que fazia a campanha dele ser um pouco mais ágil, que tava sendo elogiado em vários lugares.
Mas eles escolheram O Sabor da Vida. Que era um filme um pouco menor, um pouco menos conhecido, que não tinha uma distribuição tão sólida na América do Norte. E aí, isso foi visto como uma decisão meio polêmica, assim. Mas eles deram uma justificativa, que Anatomia de uma Queda não era um filme francês o suficiente. Porque a protagonista era alemã, era uma atriz alemã. E tinha uma parte dos diálogos que era em inglês. Então, eles escolheram O Sabor da Vida, que era um filme bem mais francês.
E de fato, é um filme super francês. Que exalta a culinária francesa e tal. Mas isso pegou muito mal. Muito mal, porque parecia que era um desacordo com a diretora. Parece que o pessoal do comitê que escolheu o filme não gostava muito da diretora. E aí resolveu boicotar o filme dela. É uma coisa que já aconteceu aqui no Brasil no passado, gente. A Academia Brasileira de Cinema odeia o Kleber Mendonça Filho. E foi um milagre o Agente Secreto ter sido a escolha da Academia de Cinema para representar o Brasil no Oscar no ano passado.
Mas enfim, só abri um parênteses, joguei uma fofoca e saí correndo, né? E aí o Sabor da Vida acabou se enfiando nessa polêmica que nem é uma polêmica, foi só um grande, uma grande azia assim, um climão, uma torta de climão que aconteceu na França. E aí quem gostava muito de A Tanto Medo de Uma Queda, que torcia por uma campanha melhor do filme, acabou ficando um pouco decepcionado com isso. E às vezes as pessoas dão uma apontada, né, no elemento mais fraco, no filme que foi indicado no lugar, como se tivesse tido culpa disso, né.
Mas foi isso que aconteceu, gente. Não deixem essa história cegar a visão de vocês ou criar preconceitos com esse filme. É um filme muito bom. A Noturnidade de uma Queda é um filme melhor, mas isso aqui não é uma competição. São dois filmes diferentes com propostas completamente diferentes. Se você quiser assistir O Sabor da Vida, o filme francês, ele voltou recentemente para o catálogo do Prime Video. Ele fica entrando tá saindo, porque eu já assisti ele mais de um ano atrás.
Eu vi no Prime Video, e aí ele tinha saído de lá, que eu queria ter feito esse episódio fazia um tempo já. Só que aí os dois filmes estavam indisponíveis. Eu falei, cara, não posso fazer um episódio onde os dois filmes não estão em lugar nenhum. Pelo menos um deles tem que estar em algum streaming relativamente fácil de acessar. Então ele tá no Prime Video. Se você não assina Prime Video, ele também tá disponível para aluguel em algumas plataformas, ou né Cada um dá o jeito que quiser para achar esses filmes.
Esse foi o episódio de hoje. Espero que tenham gostado, espero que tenham sido dicas boas, aberto o apetite de vocês. E a gente se vê semana que vem. Me sigam nas redes, eu tô no Instagram, @filme.semana, que é onde eu sou mais ativa. Também tô no Blue Sky, @lalaliland, TikTok, Filme da Semana, tudo junto. Faz semanas que eu não abro aquele aplicativo. E eu também tenho um email para contato, que é o podcastfilmedasemana@gmail.com. @gmail.com.
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