Episódios de Filme Da Semana

#306 - Terceira atualização de leituras de 2026

15 de agosto de 202630min
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Ando lendo mais do que assistindo filmes, então essa semana vim comentar dos três livros que li nos últimos meses:

- Nada nasce ao luar, de Torborg Nedreaas


Paola Siviero


Participantes neste episódio1
L

Larissa Blanco

HostDesigner
Assuntos5
  • Atualização de Leituras 2026· EntretenimentoNada Nasce ao Luar·A Vegetariana·O Alto da Maga Josefa
  • A Vegetariana· CulturaHan Kang·Prêmio Nobel de Literatura·Coreia·Papéis de gênero·Autonomia feminina
  • Nada Nasce ao Luar· CulturaTove Borg Nedreass·Vivências femininas·Noruega anos 40·Interrupção de gravidez
  • O Alto da Maga Josefa· CulturaPaulo Guedes·Fantasia nacional·Nordeste brasileiro·Anos 60·Caçador de demônios·Folclore brasileiro
  • Livros para ler· CulturaO Senhor dos Anéis·Wicked·O Cavaleiro dos Sete Reinos·Fogo e Sangue·Estrela Sem Deus
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LBLarissa Blanco

Oi, gente, tudo bom com vocês? Meu nome é Larissa, esse é o podcast Filme da Semana. Só que essa semana eu não vou falar de filmes, eu vou falar de livros. Sim, de novo! Nos últimos dias eu ando mais lendo do que vendo filme. Nos últimos 10 dias eu terminei 2 livros e assisti 1 filme. Quer dizer, 2, né? Porque eu vi 1 ontem agora. Mas queria falar de livro, eu juntei 3 que eu acho que é um número bom pra fazer atualização de leitura, que eu consigo falar um pouco de cada sem deixar o episódio muito extenso.

Mas estamos aqui com a terceira atualização de leitura de 2026, aqui no meio de agosto. A última foi o episódio 299, que foi 2 meses atrás. No meio de junho. E a primeira do ano foi o episódio 286, em fevereiro, no finalzinho de fevereiro, onde eu falei de alguns filmes do ano anterior também e do começo do ano. E eu tenho a impressão que eu tô falando de livro muito recentemente porque teve o episódio da atualização dos 35 livros antes dos 35 anos, que foi um mês atrás mais ou menos, que foi perto do meu aniversário, no começo de julho.

Então tá tendo um episódio de livro por mês assim, tá um pouco acima da média. Mas enfim, lá vamos nós, né? Eu tenho 3 livros para falar com vocês. Eu sempre falo na ordem que eu li, então o mais antigo que eu li até o mais recente. Não é um ranking. E os 3 livros que eu tenho para falar hoje eu gostei bastante. Os 3 são escritos por mulheres de épocas diferentes, de lugares diferentes. Tem um de cada país, um de cada época, mas eles foram publicados aqui no Brasil meio que recentemente.

E eu também sempre gosto de ler um primeiro— primeira frase, primeiro parágrafo do livro pra passar a vibe. Só que como não são episódios dedicados aos livros, ou às obras, ou aos autores, a resenha que eu faço não é tão profunda. E eu também não entro no território de spoilers. Então, vamos começar. O primeiro livro de hoje é Nada Nasce ao Luar. É um livro da norueguesa Tove Borg Nedreass. É uma autora que aparentemente é muito grande lá na Noruega, mas que aqui no Brasil chegou recentemente.

Esse livro foi publicado aqui no Brasil em 2026, mas ele é da década de 40. E esse contexto da publicação deixa ele ainda mais especial, porque é um livro que vai discutir vivências femininas e as dores de ser mulher e como algumas coisas meio que acontecem em todo lugar. Algumas experiências talvez sejam universais. Eu vou ler o começo dele aqui, o primeiro parágrafo. É um pouco extenso, mas eu acho que passa uma vibe, assim.

Abre aspas: Ando à procura de uma pessoa. Há 13 dias procuro por ela. Já cruzei a cidade em todas as direções. Passei por todos os saguões de hotel e fiquei à espreita. Peguei o bonde sem destino, esperando como se fosse algo natural ver aquele mantô de lã se destacar dentre os outros passageiros. Onde quer que houvesse gente, andei escrutinando os rostos, caso aquele rosto cruzasse novamente o meu caminho. Mas nada. Talvez eu não queira mais nada além de rever aquelas feições por um instante e reconhecê-las.

Nem sabemos o nome um do outro. Só quero fitá-la por um momento, mergulhar naquela alma humana por um breve segundo e levá-la comigo. Olhar nas profundezas de um destino humano que me foi entregue uma noite por duas mãos trêmulas. Fecha aspas. Esse começo fez muito mais sentido depois que você já leu o livro. Eu lembro que eu achei o começo desse livro muito esquisito. Qual que é o contexto? A gente tem esse narrador, que é um homem.

E um dia ele tá na estação de trem e ele cruza olhares com uma mulher. E esse primeiro contato deles é muito esquisito. É muito esquisito mesmo. Eventualmente, ela vai pra casa dele. E aí você acha que as coisas vão pra um caminho, mas não exatamente. Ela senta assim na poltrona e tal. E meio que começa a contar a história da vida dela. E é uma história muito interessante. A estrutura desse livro é muito interessante. Porque a gente tem esse narrador contando pra gente.

Depois a gente tem esse narrador contando o que essa mulher contou pra gente. Mas ela fala de um jeito que é muito natural, a conversa. A escrita desse livro é muito gostosa. Porque realmente parece que tem alguém te contando uma coisa. Com aquelas linhas de pensamentos frágeis, que às vezes interrompe um assunto no outro. Não termina um pensamento e já começa outro. Tudo é muito fluido e realmente parece que você tá ouvindo alguém falar.

E essa conversa entre os dois, que na verdade é um monólogo dessa protagonista sem nome, acaba meio que impactando na vida desse narrador. Tanto que no primeiro parágrafo ele tá relembrando disso e quer procurar ela porque acontece uma coisa lá no final. Mas ao longo da história a gente vai ver os desenrolares dessa única noite e ela contando a história dela, que é uma história muito triste de uma mulher que veio de um lugar muito pobre, muito isolado, e que sempre quis mais da vida, mas nunca soube muito bem como conseguir mais.

O livro é dos anos 40, então ter esse contexto dá uma complexidade a mais. Não é um livro que foi publicado agora e que se passa, sei lá, em 2010. Não, era numa época muito diferente, num mundo muito diferente. Até mesmo a Noruega que a gente tem hoje, essa imagem desse país magnífico, incrível, perfeito, era diferente no passado. Então esse livro é muito, muito, muito interessante, que ele foi me conquistando. Que nem eu falei, o começo é esquisito, essa questão dos narradores no começo tem esse estranhamento, a relação entre eles é meio estranha, mas conforme a protagonista vai contando a história foi me conquistando.

E tem momentos assim de quebrar o coração, eu chorei nesse livro, eu fiquei na bad, tem umas coisas terríveis que acontece. E ai meu Deus, perto do final, quase no finalzinho do livro assim, acho que em 90%, tem uma cena muito, muito gráfica de uma interrupção de gravidez. Então, se isso é um problema para você, talvez esse seja um livro para evitar. Até então ele já tinha pintado algumas imagens um pouco gráficas de várias coisas, de vários tipos de violência, nunca gratuitas, mas já tinham acontecido algumas desventuras na vida da protagonista.

Mas aí chega o momento que ela precisa fazer isso, né? E ela era os anos 40, ela não foi numa clínica vez. Ela perguntou para as mulheres da família como que fazia, porque ela percebia que era uma coisa que sempre foi feita por debaixo dos panos. E as mulheres sempre sofreram, algumas morreram, mas continuaram. E continuava porque as famílias não tinham um número absurdo de crianças, né? Então acontecia, sabia-se que acontecia, que não era por causa de abstinência, né?

Então ela vai atrás e descobre como faz. Acho que nessa altura ela deve ter, sei lá, 20 anos. E é sempre uma grande tristeza para ela porque ela sempre quis ser mãe, mas ela nunca teve o entorno dela que ajudasse. Sempre quando ela engravidava, acontece algumas vezes ao longo da história, ela percebia que ela tava grávida no momento que ela tava quase virando alguma coisa. E aí isso meio que dava uma chacoalhada nela. Enfim, tem várias coisas nesse livro que são bem interessantes.

É um livro muito moderno, assim, em questão de como lida com esses tópicos que são sensíveis hoje, no ano do Senhor de 2026 aqui no Brasil. Então você imagina nos anos 40. Eu sei que é um país diferente, tem percepção diferente de alguns tópicos lá, não é um país religioso. Isso ajuda a superar alguns tabus, né? Mas é um livro que não é fácil de ler, mas ele foi mais fácil do que eu achava que seria. Mas é porque ele tem várias dessas passagens muito duras.

Muito violentas, mas é interessantíssimo. Eu gostei muito do jeito que o livro é escrito, nessa coisa de conversa, no jeito como a narradora às vezes tem um fluxo de consciência que ela se perde nele, e a gente se perde junto com ela. E trata desses temas, entre muitas aspas, polêmicos, né? Tanto que só conseguiu chegar no Brasil agora, né? Nada Nasce ao Luar é publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras. E não é um livro muito grande, não.

Ele tem 240 páginas. O outro livro que eu li, que eu acho que talvez seja o melhor dessa leva e talvez um dos melhores do ano, é A Vegetariana, da Han Kang. Esse é um livro sul-coreano que foi publicado aqui no Brasil há alguns anos. Eu lembro que durante a pandemia eu vi um estouro dele nas book redes. Que é muito engraçado, porque ele é um livro muito incomum. Assim, na estrutura dele, no tema dele, do jeito dele. Tanto que a Han Kang acabou ganhando o Nobel de Literatura em 2024.

Lembrando que autores ganham o Prêmio Nobel pelo conjunto da obra, não por obras específicas. Então ela tem outras coisas publicadas, outras coisas que foram ser publicadas depois que ela ganhou o Nobel. É meio que um movimento que acontece aqui no Brasil de autores que ou não tinham sido publicados aqui ainda, ou que tinham uma ou duas obras só ter mais coisa do catálogo deles sendo publicado depois que eles ganham um prêmio grande.

E não existe prêmio mais prestigiado que o Nobel de Literatura. Eu li muitos poucos vencedores do Nobel e alguns eu tive bastante dificuldade. Por exemplo, eu li o vencedor do ano passado antes dele vencer. Eu li o Satantango, Tango de Satã, do László— não sei falar o sobrenome dele, ele é húngaro. Então tem muitas consoantes aquele nome. Eu tentei ler o Tango de Satã e eu não consegui. O livro me derrotou assim. Eu tenho amigos que gostaram bastante, que eu li num contexto de clube de livro, né, mas para mim não deu.

Quem mais que eu li que ganhou Nobel? Ah, li Toni Morrison. Toni Morrison é da hora. E o Camus também. Camus li recentemente. Mas enfim, teve outros também que eu passei por e não consegui. Teve alguns livros que eu não finalizei, teve alguns livros que eu só pedaços. Enfim, falando da Vegetariana, eu acho que eu esperava uma coisa, ele me entregou uma coisa completamente diferente, e foi ótimo mesmo assim. Eu não sei por que eu achava que esse livro ele ia caminhar para os lados do terror.

E assim, ele tem passagens que são passagens de terror, mas eu imaginava que talvez fosse mais para o terror violento, para o terror de choque, para o terror do gore. Talvez pro body horror. E não é tanto pra esses caminhos que o livro se embrenha. Ele é mais uma análise de uma personagem. É muito engraçado porque a gente tem a nossa protagonista, só que ela não é nenhuma das narradoras. A gente tem 3 narradores nesse livro. Ele é dividido em 3 partes, cada pessoa narra uma parte.

A primeira parte é narrada pelo marido da protagonista, a segunda parte pelo cunhado e a terceira pela irmã. Que é casada com esse cunhado. E a sinopse da história é basicamente que uma mulher casada, de idade indefinida, porém relativamente jovem, um dia para de comer carne, resolve que não vai mais comer carne. Ela tem uns sonhos e joga fora tudo que é feito de carne da geladeira dela. O marido dela fica revoltado, a família resolve fazer uma interferência nela, mas ela tá lá decidida que não vai comer carne.

E isso meio que vira a vida de todo mundo de cabeça para baixo. Eu vou ler o começo aqui do livro, que é narrado pelo marido dela, para vocês sentirem a vibe. Abre aspas: nunca tinha me ocorrido que a minha esposa era uma pessoa especial até ela adotar o estilo de vida vegetariano. Fecha aspas. Essa é a primeira frase do livro, eu acho ela extremamente impactante. E segue-se assim, eu poderia ler o primeiro capítulo, que é basicamente ele falando que a mulher dele não tinha nada demais.

Para ser bem franco, não me senti atraído por ela na primeira vez que a vi. Estatura mediana, o cabelo não era nem comprido nem curto, tinha a pele levemente amarelada, as maçãs do rosto um pouco pronunciadas. Vestia-se de forma neutra, como se tivesse algum tipo de receio de se destacar. Calçando um par de sapatos pretos bastante sem graça, ela se aproximou da mesa em que eu esperava. Não andava nem rápido nem devagar, sem firmeza, mas também sem muita fragilidade.

Acabei me casando com ela porque ela não tinha nenhum charme especial e também por não ter notado defeitos muito gigantes. Uma personalidade dessa, sem frescor, brilhantismo ou refinamento, me deixava confortável. Não sentia necessidade de bancário inteligente para conquistá-la e não precisava correr tentando não chegar atrasado aos nossos encontros. E aí continua, ele vai falar mais sobre o corpo dele também, mas eu não vou entrar nesses detalhes aqui com vocês.

Basicamente ele odeia a esposa dele, né? É o que dá para a gente tirar desse começo desse livro, né? Ele casou porque era conveniente, porque era esperado dele que eventualmente se casasse. Ele encontrou essa mulher que não fede nem cheira e achou que seria ótimo, já que eu tenho que me casar com alguém, vou me casar com alguém que não fede nem cheira, que assim eu posso continuar vivendo minha vida, ela vai estar em casa cuidando da casa, né?

Basicamente isso que ele deixa entender. Até porque é um livro que se passa na Coreia do Sul, que é um lugar com questões de papéis de gênero muito mais fortes do que aqui, um machismo estrutural muito mais forte. Eu consumo bastante filmes da Coreia, mas eu não vejo tanto dorama, essas séries e tal. Mas quem vê confirma meio que isso assim, né, de ser um pouco mais conservador em vários costumes. E o livro é do começo dos anos 2000, ele é baseado num conto que a autora escreveu nos anos 90, mas o livro em si foi publicado acho que em 2007, chegou aqui no Brasil uns 10 anos depois, provavelmente.

E aí é muito curioso porque o ato da protagonista se tornar vegetariana é meio que a primeira grande decisão da vida dela, assim, que não é uma coisa esperada, planejada, que você toma uma atitude pra agradar os outros. É meio que a primeira atitude que ela toma pra ela enquanto pessoa. E todo mundo fica muito irritado, todo mundo fica muito preocupado com ela porque ela para de comer uma época. E ela também começa com umas viagens falando que ela quer virar uma árvore.

Mas é muito curioso que temos 3 narradores, nenhum dos narradores é ela. E isso é de propósito, porque ela não tem voz naquela sociedade, ela não tem voz naquela família, ela não tem voz naquele casamento. Então ela não vai ter voz nesse livro também. A gente não vai saber o que tá na cabeça dela, fora alguns vinhetes assim de sonhos dela que aparecem de um jeito quase surreal no meio da narrativa. A gente vê muito pouco da cabeça dela, a gente vê pouco dos personagens de fato conversando com ela e perguntando o que que ela quer, e muito mais dos personagens reclamando dela ou imaginando coisas sobre ela.

Então tem o primeiro capítulo que é do marido dela, basicamente falando mal dela, que ela era sem graça e sonsa. E de repente ela se tornou um inconveniente para ele. E não só um inconveniente porque ela não tá mais cozinhando carne, mas porque ela tá fazendo ele passar vergonha diante dos colegas de trabalho dele. Ele tem um emprego de colarinho branco no escritório. Ele também parece uma pessoa muito chata e sem graça. Ele tem um emprego de escritório, puxa saco do chefe, aparentemente se acha mais importante do que é, mas tem vários comentários assim com pessoas.

E aí quando ela se torna vegetariana, ela tem que ir junto porque é esperado que os caras levem suas esposas para ter essa socialização que faz parte dessa, dessa trama burocrática corporativa. Mas aí ela vai, ela não quer comer carne, e aí as pessoas falam dela, e aí consequentemente respinga na reputação dele, e ele não gosta disso. Então tem várias coisas, mas acho que são dos pontos maiores assim que ele sente vergonha dela.

Aí tem o capítulo do cunhado, que é ainda mais esquisito, porque assim, no começo você fica lendo do marido dela falando que não gosta dela, aí você fica, nossa, que escroto. E depois muda pro cunhado dela, que ele é maluco. E assim, é muito engraçado como os outros personagens, depois que muda o ponto de vista, todos eles veem o marido dela como um Zé, assim, como um Zé ninguém, como um cara chato que ninguém suporta. Enquanto que ele se acha o grande trabalhador, o grande profissional, o grande provedor, o grande bam bam bam.

Que tem sorte de ter tudo que tem, que conquistou tudo com as mãos dele. E o resto da família acha ele um loser. Mas o cunhado dela, ele é artista e ele tem uns fetiches muito esquisitos. E vai levar ela nesses fetiches esquisitos dele. É muito desconfortável de ler a parte dele. Foi a parte que eu mais demorei pra ler, porque é um livro curto. Mas eu vi ele falando, o jeito que ele falava dela, eu ficava, nossa, cara, que esquisito.

E aí, até onde ele vai é muito esquisito. Tem cenas muito esquisitas e intragáveis, assim, no meio. Que são bem desconfortáveis. E é feito pra ser assim mesmo. Porque também conversa meio que com a falta de autonomia dela. E com a vontade dela de ser vista. E várias coisas se confundem nesse meio aí. E aí a última parte narrada pela irmã dela é uma parte muito mais empática da história toda. Mas mesmo assim a gente consegue entender algumas coisas, pensar melhor sobre outras.

Todas as partes têm isso. E a história ela tem um desenvolvimento cronológico, né, do começo até o final dela se passam alguns anos e várias coisas vão acontecendo aí em consequência dessa decisão dela de parar de comer carne. É um livro que talvez muitas pessoas tenham começado a ler achando que ia ser não uma propaganda de veganismo, mas uma coisa do tipo— porque a sinopse ela dá a entender que assim, a personagem se torna vegana e as pessoas começam a ficar esquisitas com elas.

Então eu imagino que uma pessoa que seja vegana talvez leia essa sinopse e pense, ah, vai ser uma história parecida com a minha, que também parei de comer carne e minha família começou a me encher o saco. Então vou ler e talvez eu me veja na personagem principal. E não é o caso, porque enfim, não vou entrar em detalhes sobre o porquê ela se tornou vegetariana, mas pode ser meio enganoso ir por essa linha de pensamento que eu acabei de falar, o que não torna a leitura dela menos digna e menos interessante.

Acho que todo mundo devia ler o livro E se interessar. Mas ele fala muito mais sobre expectativas da mulher na sociedade e o quão você é punida por você desviar do que é esperado de você e você deixar de ser, entre muitas aspas, útil ao seu papel no lugar. E também sobre autonomia. O que é autonomia, o que é sanidade. Vai ter uma hora que vai começar a conversar nessa parte de, ah, ela tá sã, ela não tá, ela precisa ser internada, não precisa.

O que é estar são, o que é estar com a cabeça boa e o que é você ser útil dentro do seu papel na sociedade. Eu achei que conversou muito com A Metamorfose do Kafka, que eu li faz pouco tempo. Coisas sobre o quão querido você é baseado em o quão útil você é para aquela pessoa, esse tipo de linha de pensamento. Então dá para tirar várias reflexões legais, várias camadas. Não é um livro difícil de ler, que às vezes você pensa, ai, nossa, venceu o Prêmio Nobel, vai ser difícil de ler, ela vai brincar com palavras de um jeito esquisito que nem o cara do Tango de Satã.

Mas não é o caso aqui, é um livro bem fácil de ler. Mas que nem eu falei, ele tem essas passagens intragáveis que aí fica difícil de ler porque o conteúdo é intragável, não porque o texto é difícil de ler. Alerta de gatilho para algumas coisas, existe uma tentativa de terminar sua vida em um dado momento. Tem algumas partes que flertam com o horror de várias maneiras, mas elas são bem pontuais. Não acho que o livro possa ser categorizado como terror, mas ele tem elementos de terror, ele tem elementos de uma fantasia esquisita, mas assim, são apenas elementos.

E tem um alerta de gatilho pra abuso sexual também. Então fiquem aí de olho. Se essas coisas são coisas que incomodam vocês, talvez não seja dos melhores livros, mas eu gostei muito, muito, muito. A Vegetariana é publicado aqui no Brasil pela Todavia e tem 176 páginas. E para finalizar, o livro que eu terminei essa semana é O Alto da Maga Josefa, da Paola Sevieiro. É uma fantasia nacional que é muito interessante. É um livro que tava no meu radar já faz um tempo.

Eu já comprei esse e-book tem uns 3 anos. Eu tô vendo aqui no meu histórico da Amazon, faz 3 anos que eu tenho esse e-book. Eu sabia que eu tinha, mas eu não sabia que fazia 3 anos que eu tinha ele. Mas eu li recentemente porque teve um evento com a autora aqui em Bauru. E eu queria ter lido antes de ir para o evento. Mas aí eu comecei a ler e eu percebi que eram historinhas, tipo, sobre o que que é o livro, né. É uma fantasia que se passa no Nordeste, nos anos 60.

E a gente vai acompanhar o Toninho, ele é um caçador de demônios. Ele vem de uma família muito tradicional de caçador de demônios. Eles passam conhecimento de pai pra filho de como caçar todo tipo de assombração. E aí decide o que que vai fazer, né, se vai voltar se vai matar, se vai voltar eles para o inferno. Lembra bastante assim Sobrenatural nessa vibe de tipo, ai, vamos caçar essas assombrações, vamos mandar esses demônios de volta para o inferno, vamos resolver a vida aqui desse pessoal, desse povoado, e depois vamos embora para o próximo.

Eventualmente ele conhece a Maga Josefa e é exatamente isso que eles vão fazer. Eles vão viajando as cidades do Nordeste, em cada lugar que eles chegam eles eles resolvem alguma coisinha que está acontecendo. Eles vão conversando com as pessoas. Às vezes as pessoas já dizem, tem um lobisomem aqui matando geral. Às vezes não, às vezes eles falam, ah, então tem uma coisa esquisita acontecendo, tem um pessoal que aparece morto. E aí eles conversam entre si e acabam com conhecimentos deles, acabam vendo o que que acontece, né?

Tipo, ah não, isso com certeza é um dragão, isso com certeza é uma sereia. E aí eles vão atrás de tentar resolver a situação. Vou ler a primeira frase do livro, que é do prólogo aqui, que é: havia um fantasma no quarto de Toninho. Então já começa assim, né, começa com Toninho jovem tendo que lidar com isso. E aí o primeiro parágrafo vai falar sobre os poderes dele, a família dele, enfim. E é muito legal porque cada capítulo é uma aventura deles, né, então cada capítulo é uma história fechada, né, como se fosse um mini conto desse universo.

E quando eu percebi isso, eu percebi que eu não ia querer correr com a leitura do livro, porque tava tão gostosinho. E aí eu acabei indo no encontro, não tinha spoiler de nada. O encontro era uma mesa redonda discutindo sobre escrever fantasia no Brasil e como se desgarrar das amarras do eurocentrismo quando a gente fala de fantasia. Foi bem legal a conversa, tirei uma foto com ela. E agora eu terminei de ler o livro, que foi muito, muito legal.

É isso, é uma aventura, é uma escrita bem fácil de ler, sem grandes firulas. Cada capítulo começa com alguma citação de algum lugar, um pedaço de uma música, de um poema, de alguma coisa da cultura, que eu achei bem interessante porque conversa com o tema. A gente vai explorar algumas criaturas tanto do nosso folclore quanto algumas coisas com uma pegada mais de fora, mais entre muitas aspas clássicas. Eventualmente tem o capítulo do lobisomem, aí eles ficam conversando sobre os diferentes tipos de lobisomem, que acabam sendo os retratos de lobisomem em culturas diferentes e como eles são mais fáceis ou mais difíceis de serem capturados e tal.

E eu gostei bastante do livro, eu achei bem divertido, ele tem um quê de humor, ele parece que é escrito de uma forma bem cinemática, bem dinâmica, então eu conseguia ver as cenas acontecendo e eu consegui imaginar uma principalmente, adaptando essas historinhas. Achei bem divertido. A Paola, ela comentou tanto nessa mesa redonda quanto na abertura do livro, né, ela tem uma apresentação escrita por ela que ela vai falar, vai fazer um mea culpa, né, porque a história se passa no Nordeste, mas ela não é nordestina.

Então ela fez muita pesquisa, ela conversou com muita gente, o livro passou por leitura sensível. E assim, eu não tenho local de fala nenhum de falar, nossa, achei que ficou bom, porque eu também sou de São Paulo, né. Mas eu gostei bastante desse livro. Gostei muito das aventuras, gostei muito da Maga Josefa. Ai, eu quero— eu queria ver mais! Eu queria uma parte 2, eu queria uma continuação das aventuras. Porque o final, ele não que deixa aberto.

Eu não acho que ele deixa aberto de um jeito aproveitador, assim, do jeito caça-níquel. Do jeito que, olha, se você quiser uma continuação, eu faço, hein. Mas do jeito que ele termina, existe margem. Para ter uma continuação. A história acaba, o arco que começa nesse livro termina nele, mas existe espaço para novas aventuras acontecerem. E aí seria legal se acontecesse. O Alto da Maga Josefa é publicado pela Editora Gutenberg e tem 224 páginas.

Bom, gente, esses foram os livros que eu li aí nos últimos meses. Dos últimos 2 meses. 3 livros em 2 meses, eu acho que tá ótimo para o que eu tenho cumprido ao longo desse ano. Eu tava numa, eu tava num fluxo de 1 livro por mês, o que era um pouco abaixo do que eu queria, mas melhor do que 0 livros por mês, né. Eu tô com alguns livros começados que eu não sei quando eu vou terminar, porque nenhum deles eu tenho um prazo, né. Eu tô lendo Senhor dos Anéis Faz 3 anos já.

Eu comecei achando que ia durar 6 meses e eu acho que eu tô indo pro terceiro ano. E esse ano eu não peguei nesses livros em nenhum momento. Então assim, eu tô quase acabando As Duas Torres, eu só preciso pegar e ler, mas eu não fiz isso esse ano ainda. Então está em andamento. Está em andamento também Wicked. Vocês lembram desse livro? Pois é, ele fica indo e voltando pela casa. Toda vez que eu termino um livro eu vou lá e tento ler pelo menos um capítulo de Wicked.

E assim, não tá tão ruim quanto tava no começo, mas não quer dizer que tá bom também. Eu tô achando muito chato e é um livro muito grande, mas vamos que vamos que uma hora eu termino. Também tô lendo desde o começo do ano O Cavaleiro dos Sete Reinos, que é as aventuras do Dunk e do Egg. Quando teve a série eu gostei muito, aí eu peguei o livro para ler. E o livro tem 3 contos, eu li os 2 primeiros. O primeiro conto que é baseado na primeira temporada e o segundo conto que vai ser baseado na segunda temporada.

E aí eu não quis terminar porque se eu lesse o terceiro conto eu ia terminar o livro e se eu terminasse o livro não ia ter mais novas histórias do Dunk e do Egg pra eu ler. E eu tô gostando muito, muito, muito. Então tá meio pausado, mas uma hora eu termino, né? Cada conto tem acho que 3 ou 4 horas. Para você ler. Então eles não são curtos, mas também não são, não é um livro, né, é bem mais curto que um livro. E eu comecei a ler recentemente Fogo e Sangue, também do George R.R.

Martin, também do mundo do Game of Thrones. Acabou o Caso do Dragão e eu tava comparando algumas coisas, eu tô vendo muito vídeo de YouTube de resumo de história da família, e aí me deu saudade de ler coisa do Martin. Só que eu só vou reler os livros do Game of Thrones quando tiver alguma notícia que vai sair o próximo, né. E aí eu peguei então o Fogo e Sangue, que é esses relatos da Casa Targaryen, pra ler. E aí eu percebi que ele é só a parte 1, cara, uma coisa que eu não tinha percebido ainda.

Que ele vai até uns 20 anos, nem isso, acho. Acho que até uns 10 anos depois do fim da Dança dos Dragões. Então daí até chegar em Game of Thrones aconteceria, seria relatado no segundo livro, no Fogo e Sangue Parte 2, que não existe ainda, né? Então vamos esperar, né? E é isso que eu tenho em andamento. Também tem o livro do clube do livro das minhas amigas desse mês que eu não comecei a ler ainda, que é o Estrela Sem Deus do Jefferson Tenório.

Provavelmente vai ser o próximo livro que eu vou terminar. Mas eu nem comecei a ler ainda, então eu não sei como que vai ser. E é isso, gente. Esses foram os livros. A gente tá agora em agosto. Eu imagino que vamos ter uma próxima atualização lá pra outubro, novembro. Vamos ver se eu consigo fazer antes, se eu leio mais e acabo conseguindo fazer essa atualização antes. Ou se vamos continuar falando de livros só no final do ano mesmo. Mas enfim, por hoje é só. Fiquem bem. E até semana que vem. Tchau, tchau!

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