Episódios de Filme Da Semana

#304 - Top 3 cinebiografias musicais

01 de agosto de 202626min
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De tempos em tempos chega aos cinemas um filme sobre um músico amado, repleta de canções de seu acervo, que divide público e crítica e reacende uma porção de discussões bestas.

Particularmente, esse não é meu momento favorito de estar online. Mas isso não significa que eu odeio todos esses filmes! No episódio de hoje trago meu top 3 de cinebiografias musicais, com 3 filmes que são aclamadas por crítica e público, ainda que não sejam sucessos arrasa quarteirões. Mas principalmente: são sucesso aqui em casa, então isso é o que mais importa pra mim :)

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Participantes neste episódio1
L

Larissa Blanco

HostDesigner
Assuntos4
  • Rocketseat· TecnologiaJohn Ternus · Bernie Taupin · Músicas não diegéticas · Estado mental do personagem
  • Revolução e mensagem na músicaKneecap · Rap em irlandês · Identidade nacional irlandesa · Uso de drogas na narrativa
  • Aspectos musicais do filmeFórmula de cinebiografias · Aspectos musicais do filme · Música diegética
  • Better Man: A História de Robin WilliamsRobbie Williams · Take That · Efeitos especiais de macaco · Jukebox musical
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LBLarissa Blanco

Oi, gente. Tudo bom com vocês? Meu nome é Larissa. Esse é o podcast Firme da Semana. Estamos aqui de volta, depois de uma semana onde acabou não dando pra fazer episódio. Eu comentei no episódio anterior que eu estava com o começo de um resfriado. E de fato, a minha voz tava indo e voltando. Hoje eu estou muito melhor. Esse foi um dos motivos que eu acabei não fazendo episódio na semana passada. Mas agora voltei! Eu tava com uma ideia pro episódio de hoje.

Mas assim, eu não tava amando essa ideia. Eu não tive tempo de pesquisar o suficiente. E aí, eu tava tomando banho. Me veio uma ideia muito boa. Aí eu falei, quer saber, vou fazer isso. Tanto que eu saí, me troquei e vim aqui gravar para vocês com a ideia super fresca na cabeça. Eu espero que quando eu tiver editando isso amanhã cedo, que, né, que vai ser o dia que esse episódio vai ao ar, ele esteja entendível, que ele faça sentido, ou que eu faça ele fazer sentido.

Porque às vezes é isso que acontece quando eu vou editar alguma coisa, né. Tema de hoje é cinebiografias musicais. É um tema que vira e mexe fica em alta, porque vira e mexe lança algum filme arrasa quarteirões sobre uma grande personalidade da música, e o filme que quer contar a história dessa pessoa. E aí acaba dividindo o mundo de público e crítica. Os fãs amam, a crítica odeia. Porque as cinebiografias, elas costumam ter uma fórmula bem quadrada que eu particularmente detesto.

Eu odeio cinebiografia, porque a maioria dos filmes eles querem abraçar o mundo, querem contar a vida inteira da pessoa. E também existe, existe uma coisa que ou quem tá fazendo o filme tem assim uma adoração por essa pessoa que tá retratando, então trata essa pessoa como algo intocável, perfeito, maravilhoso, que nunca cometeu um erro na vida. Ou esse filme tá sendo bancado pelo espólio dessa pessoa que às vezes já faleceu. Então tem os herdeiros, tem pessoas interessadas em manter o legado dessa pessoa viva.

Então existe um interesse de pintar essa pessoa como uma pessoa muito legal, muito gente boa. Lembram que esse artista existe? Pois é, vão lá ouvir no Spotify pra, né, voltar a fazer buzz. Faz tempo que não tem um buzz em volta dessa pessoa, né? Precisa aumentar os plays das músicas pra continuar vindo dinheiro pro espólio, né? Então tem esses cenários que acontecem. E tem um outro cenário que eu não vou falar que ela é recente.

Tem um expoente recente bem forte que eu vou falar com mais detalhes mais pra frente. Mas eu não acho que foi ele que começou isso de ser biografias de pessoas em vida, pessoas que estão vivas e querem meio que fazer um mea culpa com o filme, querem meio que falar tipo, ah, então, né, gente, fui um babaca, desculpa, tava doidão de droga. Peço perdão aí a quem eu fui meio idiota. Existem filmes que tratam seus protagonistas como pessoas humanas passíveis de erros e cheias de defeitos.

É raro, mas acontece. E aí, quando o filme se permite ter essa nuance, eu acho mais interessante. Porque, né, nós todos somos humanos. Todos nós fazemos coisas terríveis e coisas repreensíveis e coisas que talvez pra nós foi só mais uma quarta-feira, mas que causou uma impressão negativa afetiva fortíssima numa outra pessoa. Acontece, né? Enfim, toda essa introdução para falar o quê? Eu vim trazer o meu top 3. Biografias musicais são filmes que vão falar sobre pessoas da música, que vão usar as músicas do acervo dessa pessoa no filme.

Então o filme, ele meio que se considera um musical porque tem bastante música, mas a maioria dessas músicas acabam sendo meio diegéticas, né? Rapidamente, o que que é uma coisa diegética? É uma coisa que acontece no do filme. Então se a gente tá ouvindo uma trilha sonora que tá servindo para dar aquela cena um tom de suspense, mas tipo é uma coisa que os personagens não estão ouvindo, só a gente, é uma música não diegética porque ela não existe no mundo do filme.

Agora se a gente tá ouvindo uma música porque o personagem ligou o rádio, tá tocando essa música, é uma música diegética porque ela tá lá dentro do filme, os personagens também estão ouvindo. Existem músicas que às vezes não parecem ser diegéticas e se tornam diegéticas quando tá tendo uma montagem, você tá ouvindo uma música e depois corta uma cena que tem o personagem ouvindo música. Isso acontece. O oposto também acontece, da pessoa ligar o rádio e depois cortar para uma outra cena que os personagens não estão ouvindo música.

Por que isso importa? Para muitas coisas, assim, para como que a gente vai sentir essa cena, para qual vai ser o impacto da música. E eu tenho uma teoria de que pessoas que não gostam de musicais porque acham absurdo, eu não sei o que tem, não sei o que lá, enche o saco esse monte de música, toleram filmes musicais quando as músicas são diegéticas, que no caso são geralmente filmes de música, que as músicas estão no contexto de apresentação, no contexto de tô aqui no estúdio gravando, tô compondo, ah, vou contar por que que eu tive essa ideia, né?

O filme vai acompanhar uma criação de alguma música, então tem vários pedaços cantando a música. Então quando tá nesse sentido, eu sinto que as pessoas são mais tolerantes com o filme musical. E eu acho que é por isso que cinebiografias musicais fazem muito sucesso, porque as músicas estão nesse contexto que as pessoas toleram num filme e são músicas conhecidas, principalmente. Principalmente, né, quando é uma cinebiografia de uma pessoa muito conhecida, de uma pessoa muito querida, como por exemplo aquele filme do Queen lá, o Bohemian Rhapsody.

Você pode não ser um grande fã do rock, você pode não saber direito quem que era o Freddie Mercury, mas você conhece aquelas músicas, não importa sua idade, você já ouviu em algum lugar pelo menos umas 3 delas. Então isso causa um sentimento bom, um sentimento de nostalgia, de que é bom ver coisas conhecidas, é bom ouvir coisas conhecidas. Então a gente acaba ficando propenso a gostar mais de uma coisa quando tem esse sentimento atrelado.

Dada toda essa introdução, esse não é o episódio onde eu vou falar mal de Bohemian Rhapsody, porque eu detesto esse filme. Na verdade, assim, eu acho que ele é um filme ok, ele é competente no que ele se propõe, mas ele não é um bom filme. Eu acho ele um filme assim mediano para ruim. E considerando o sucesso que ele fez e adoração que ele tem, faz eu gostar menos ainda. Que é uma coisa que acontece, às vezes Eu vejo um filme que eu acho ele ok.

Ou ele, assim, médio, médio. Só que aí tem tanta gente gostando e falando como se fosse a quinta maravilha do mundo que eu vou ficando com raiva do filme. Eu vou gostando menos do filme. Porque as pessoas ficam falando tanto e eu fico: Gente, assistam mais filmes. E o episódio de hoje é isso, assistam mais filmes. Que eu vou dar 3 dicas muito boas de filmes que são cinebiografias, são sobre pessoas reais, são sobre pessoas da música, são filmes cheios de músicas do repertório, né, dessa pessoa.

E que são filmes muito bons, mesmo dentro de algumas coisas formulaicas desse gênero de cinebiografia. Em terceiro lugar, Better Man: A História de Robin Williams. Não traduziram o título, botaram um subtítulo e é isso. Eu confesso que eu não lembrava o nome desse filme, eu precisei pesquisar no Google Robin Williams filme do macaco, porque é o filme que o Robin Williams é o macaco. Esse filme tem muitas semelhanças com o número 1 da lista, que se você tá ouvindo e se você me acompanha de alguma maneira, você já deve estar sabendo qual filme que é.

Mas é a história de uma pessoa que está viva, que está trabalhando. Apesar da gente não ouvir falar muito do Robbie Williams, ele é embaixador da FIFA. Então todo evento da Copa do Mundo ele tá lá. Ele tava, sei lá, na— eu não vi muito as últimas coisas da Copa, eu fiquei meio cansada da Copa na reta final, então eu não vi muita coisa. Mas eu sei que ele tava lá, ele tava cantando na abertura da Copa de 2018 na Rússia. Aí eu fiquei, gente, quem da onde?

Porque ele não é russo, ele não tá em alta, por que que ele tá fazendo aqui? Aí depois eu descobri que ele é meio que embaixador da FIFA, então ele sempre tá nesses rolês aí. Mas para quem não conhece, o Robbie Williams, ele é um cantor britânico, ele veio de uma família de classe média baixa no interior do interior da Inglaterra, e ele sempre teve essa coisa de querer cantar. O pai dele tinha uma coisa assim de querer ser cantor, tanto que eventualmente o pai dele abandona a família para ir para Londres para seguir o sonho dele.

E o Robbie Williams sempre foi meio bonito, meio carismático. E aí ele conseguia meio que fazer algumas portas abrirem para ele, pelo menos é isso que o filme dá a entender. E ele acaba passando num teste para fazer parte de uma boy band que chamava Take That, uma boy band britânica dos anos 2000. Com o tempo ele foi fazer carreira solo, ele estourou muito no começo dos anos 2000, tinha muita música dele nas novelas da Globo dessa época.

Se você for pegar o CD do Mulheres Apaixonadas, desses daí, vai ter umas músicas dele. E eventualmente ele meio que saiu um pouco dos holofotes, às vezes volta, enfim. E aí esse filme é um grande mea culpa da carreira dele, também explicar que ele deu uma sumida. Mas fala desse negócio que ele ficou muito famoso muito jovem, muito descabeçado, muita droga, muita coisa. E no filme não tem nenhum ator interpretando ele, ele é um macaco de efeitos especiais.

O que é uma coisa que no começo eu fiquei, gente, o que tá acontecendo? E no filme inicialmente você tem um estranhamento. Porque desde o começo, desde que ele era jovenzinho, ele era macaco. Conforme o filme avança, o estranhamento para, você começa a acreditar que aquele macaco de fato está inserido naquele contexto e faz sentido estar lá. Os efeitos especiais são bem bons e existe meio que uma justificativa na narrativa do macaco e tal.

Então vou deixar isso para vocês descobrirem quando vocês assistirem. E no geral é um filme bem bem bom assim, bem legal de ver. As músicas, elas estão lá para contar a história, não para fazer parte da história. Então elas não estão na ordem que elas foram lançadas, elas estão lá para servir a trama. Então no momento que pede uma música mais agitada para mostrar o sucesso, pega uma música agitada dele sobre sucesso. Numa hora mais introspectiva, mais romântica, pega uma balada romântica dele.

Não quer dizer que foi nesse momento que ele teve a ideia para fazer a música, não. A música está lá para servir a trama, para ser um jukebox musical. Calha que são músicas dele, mas o filme mostra a história dele enquanto pessoa, não necessariamente enquanto músico. Então não tem muita coisa de bastidor, de fazer a música, de escrever. Até porque ele é meio que uma pessoa da indústria, assim, ele era um rostinho bonito, né? Não era ele muito que escrevia, que fazia as músicas mesmo.

Ele veio de uma boy band, gente, né? Então o filme é mais focado nessa parte da fama, dos excessos, de todas as coisas que ele aprontou aí nessa jornada. E também tem bastante daddy issues, né? Porque depois ele vai reencontrar o pai dele, que aparece quando ele tá famoso e tal, enfim, né? Toda aquela coisa que a gente já viu várias vezes, que se repete ad infinitum na história da humanidade, né? É um filme bem legal, recomendo, né?

Estou fazendo um top 3, é claro que eu vou recomendar todos os filmes que eu estou falando aqui hoje, mas quem quiser assistir Better tá disponível no Prime Video. Em segundo lugar nessa lista, um filme que eu assisti agorinha, tem umas duas semanas, tanto que eu nem falei dele por aqui ainda. Ele vai estar na lista da semana que vem porque é quando vai sair o episódio de assistidos de julho. Mas vou falar aqui de Kneecap: Música e Liberdade.

Kneecap é o nome original do filme e da banda que está representando. É rótulo em inglês, sabe, o ossinho do joelho? É Hipercap, K-N-E-E-C-A-P. Aqui no Brasil ganhou o subtítulo Música e Liberdade porque, né, não traduziram, não tinha como traduzir, porque é o nome da banda. Esse daqui eu não conhecia os músicos. É um filme irlandês de 2024 que conta a história desse trio, que são dois rappers e um DJ irlandeses, e eles são interpretados pelos próprios músicos.

Eu achei isso bem interessante porque é uma escolha e os três arrasaram, assim, foram super bem no que eles tinham que fazer. O filme dramatiza, né, o começo da banda. São três caras assim que vêm de classes baixas do subúrbio de Belfast, então pessoal da classe trabalhadora, os moleque assim meio sem perspectiva de vida trabalhando nos empregos de salário mínimo, sem meio que saber o que vai fazer da vida, metido com droga. E aí, um deles começa a escrever uns poemas assim, em irlandês, né, em gaélico.

Ao mesmo tempo que tava tendo uma discussão na Irlanda do Norte de colocar o irlandês como língua oficial. Que é uma coisa que aconteceu na República da Irlanda, né. Que são dois países, né. A República da Irlanda, que é independente. A Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido. E eu sei um pouquinho da história da Irlanda, que... O irlandês é a língua nativa deles, é a língua indígena deles praticamente. Eles falavam essa língua antes dos ingleses chegarem e colonizarem a Irlanda, mais de 1000 anos atrás.

E é uma língua que ela tá meio que lentamente morrendo, porque vai diminuindo a quantidade de nativos que falam. E por muito tempo foi meio que proibido de falar. Então tem uma coisa de resistência ligada a essa língua também, uma coisa de identidade nacional, que foi resgatado há muito pouco tempo. Eu acho que no começo dos anos 2000, na República da Irlanda, que começou a ser a língua oficial do país, que começou a ter coisas escritas em irlandês.

Porque hoje, se você viajar para Irlanda, você vai ter as placas tanto em inglês quanto em irlandês em praticamente todo lugar. Existem regiões que falam o idioma assim como se fosse a língua nativa deles, como se fosse a única língua falada. Não é em todo o país, são regiões muito específicas, mas existe isso. Existe essa questão da língua na Irlanda, que por mais que a gente olhe para Irlanda e veja a Europa, eles têm várias questões, principalmente por causa do domínio inglês, que meio que oprimiu muita coisa da cultura deles e da noção deles enquanto nação.

Então a língua tá muito ligada a isso. Esse filme fala um pouco sobre isso, que aí são esses moleques aí escrevendo rap em irlandês, querendo cantar no momento que tava se discutindo se falava língua ou não. E tipo, os raps que eles escreviam eram sobre coisas que eles estavam vivendo. Então é claro que ia ter muito sexo e drogas, porque eles eram jovens. Eles são jovens ainda, né. Hoje eles têm idade próxima à minha. No filme começa com eles mais novos, né.

Uns 10, 12 anos atrás, que foi quando eles começaram. Mas é bem interessante observar isso, né. Tem esse choque, assim, com o pessoal conservador. Que é uma coisa que sempre acontece com a cultura hip-hop, né. É estranho ver homens brancos fazendo rap, é, mas existe esse contexto, né, que é interessante. Então o filme vai contar a história desse trio, como eles se conheceram, alguns problemas aí tanto com a lei quanto com grupos que cuidam de forma extraoficial de certas regiões.

É um filme que tem um consumo de drogas altíssimo e um filme onde em nenhum momento esse uso de drogas é punido ou é mal visto. É mal visto uma hora ou outra, assim, Tem um outro personagem que dá uma chamada de atenção, mas não existe uma punição enquanto narrativa para o uso das drogas. Os outros dois filmes dessa lista, né, tanto o Better Man quanto o próximo, também tem um consumo muito alto de drogas, mas eles não são moralistas para falar tipo, ai, drogas são ruins.

Eles mostram o efeito disso, eles vão te mostrar tipo, olha, tá vendo todas essas coisas? Se ele não tivesse consumido 3 kg de cocaína, talvez eu não tivesse sido esse escroto. Talvez. Então ele te mostra ao invés de querer te dar lição de moral. Eu acho isso muito mais interessante. Aqui não chega ao ponto de ter alguma punição. Eles têm algumas coisas que eles fazem sob efeito de entorpecentes que eles se arrependem, né? Mas aí acho que a lição que fica é conhecer seus limites, né?

Mas dito isso, eu sou uma pessoa que não apoio o uso de entorpecentes, não sou usuária de jeito nenhum. Eu tenho a vida mais sem graça, entre muitas aspas, do mundo. Nem beber direito eu bebo, porém, né, cada um é cada um. E eu achei esse filme muito jovem, muito jovial, senti um frescor nele que fazia muito tempo que eu não via. No jeito que ele é filmado, nos ângulos que ele escolhe, no jeito que ele é editado, com os inscritos, porque tem umas horas, tem umas intervenções assim de inscritos em volta da cena, até a que eles estão compondo, que é bem legal.

Então esse filme foi uma grande surpresa para mim, uma grande surpresa do meu mês. Eu gostei bastante, gostei das músicas. Assim, eu não sou muito a pessoa que fica ouvindo rap, então não vou falar que eu fiquei escutando as músicas depois que o filme acabou, mas eu fiquei bem curiosa assim de conhecer mais deles, tanto que eu fui atrás de mais coisas da banda, fui ver, né, o que que tinha acontecido de verdade, que que era mais uma dramatização e tal.

E eu descobri que eles vão vir para o Brasil, acho que agora no segundo semestre, em São Paulo. Parece que eles vão fazer show, fiquei sabendo. Então fica a dica aí, recomendo o filme. Esse aviso, né, dos 3 filmes de hoje é o que tem mais assim consumo de entorpecentes e linguagem madura e cenas de sexo e uma breve nudez, talvez. Tem algumas bundas que aparecem, mas é meio que isso. É um ótimo filme que ele vai falar sobre muitas coisas, não só sobre a história da banda, mas essa coisa de identidade nacional, da busca da identidade nacional, como é importante você sentir que você pertence para algum lugar, sobre ter perspectiva na vida, como o jeito que você vive muda quando você tem alguma perspectiva de fazer alguma coisa, de se sentir bem fazendo alguma coisa, sobre como às vezes o que a gente precisa de uma oportunidade e várias coisas.

É um filme muito, muito legal. Hipercap: Música e Liberdade tá disponível no Prime Video. E para fechar o top 3, em primeiríssimo lugar, Rocketman. A cinematografia do Elton John, ao contrário dos dois últimos filmes, não ganhou subtítulo. Apenas Rocketman ficou por aqui. E eu acho que dá para pegar. A música é bem famosa, né? Eu acho que todo que todo mundo, se não conhece por nome, quando começar a ouvir já fala, já ouvi e tal.

Eu gosto muito do Elton John, então tem isso também. E assim, eu não acho que esse filme foi quem estreou nessa categoria de fazer biografias com mea culpa, pedindo desculpa pelo vacilo. Mas eu acho que hoje qualquer filme que venha depois de Rocketman, como o Better vai ser influenciado por esse filme de uma maneira ou outra. Talvez seja o filme que tá mais fresco no imaginário da galera para comparar. E também é um filme que ele não fez o sucesso financeiro que deveria, ele não foi indicado para premiações como deveria, mas ele tem um lugar muito especial guardado não só no meu coração, mas no de muita gente.

Ele foi um grande sucesso de crítica. E eu acho que todo mundo que assistiu gostou também. É que ele não foi assistido por tanta gente assim, mas é um excelente filme. O Elton John é um músico britânico, ele já tem 79 anos, então já viveu uma longa vida, já viveu muita coisa. E ele também vem de uma infância difícil, numa família de classe média, de classe trabalhadora. Ele é um homem gay desde criança, ele já tinha já uns trejeitinhos ali.

E desde criança ele sempre teve meio que uma paixão por música. Então tem essa coisa de que ele teve uma oportunidade de começar a aprender piano, e aí a família não tinha muito condição de ficar bancando esse sonho. Então ele foi lá e lutou para conseguir umas coisas que ele teve. Então tem isso, né? Ele meio que veio do nada e foi, foi fazendo sua carreira. Ficou muito tempo tocando em outras bandas e sendo músico de estúdio, até que uma série de coincidências fez ele conhecer o Bernie Taupin, que é o letrista dele.

Eles têm uma parceria de décadas. Não são todas as músicas do Elton John que foram escritas pelo Bernie, mas muitas foram. E aí eles começaram a fazer música, né, fazer a música deles. O Bernie escrevia e o Elton componha e tocava e tal. Enfim, o filme vai contar desde a infância dele e vai parar num ponto específico do tempo. É bem curioso assim onde o filme escolhe parar. Assim como Barry Allen no filme não vai até o presente, ele escolhe um momento para acabar a história e acaba.

Não tem tipo, ai, Elton John retornará no Vingadores: Fim do Mundo. Não, acabou o filme, acabou a história. Acabou. E acaba ótimo, acaba super bem. Ele faz uma coisa que Borimia Rapazotti faz que parece gratuito, mas que no filme tem propósito. Eu prometi que eu não ia ficar falando de Borimia Rapazotti por aqui. Enfim, os filmes estrearam muito perto um do outro e tiveram atenção muito diferente. Isso me irrita muito. Então eu tento evitar ficar comparando os dois filmes porque são completamente diferentes.

Rocketman é muito melhor. Mas enfim, assim como Batterman, o filme ele vai usar as músicas do Elton John para contar a história. Então não necessariamente vai estar lá ele, ai, eu vou escrever aqui no piano, começa a tocar no piano e de repente começa a escrever o ritmo de uma música. Não, as músicas estão ordenadas para contar a história dele. Então vai ter uma música que ele escreveu, sei lá, com 30 anos, que vai ser a transição dele adolescente para ele adulto, porque é o que faz sentido naquela cena.

E tem várias músicas que elas estão lá dentro da cabeça do personagem, elas não estão acontecendo no filme, elas não são diegéticas, elas são grandes sequências super espalhafatosas, mas que elas estão lá para representar o estado do personagem. Então aquelas músicas não estão acontecendo no filme, mas estão acontecendo na cabeça do personagem. E é por isso que eu detesto quem fica falando que musical não faz sentido, que ninguém começa cantando nada, porque às vezes tudo tá acontecendo dentro da cabeça do personagem.

É por isso que a gente tá vendo aquela explosão de cores e maravilhas musicais. Mas enfim, Rocketman é um dos meus filmes favoritos da vida, não só enquanto musical, não só enquanto biografia. Eu acho que é a minha biografia favorita porque eu não gosto muito de biografias no geral. Tem esse peso que o Elton John quer tirar do peso, de mostrar que sim, ele teve atitudes questionáveis porque ele tava louco de droga, mas ele tá sóbrio faz muito tempo e agora ele é bacana.

Então, que nem eu falei, ele não é tão moralista sobre o uso de drogas, mas ele mostra isso, tipo, olha, gente, é, as drogas fazem coisas ruins e agora eu tô melhor sem elas. Olha que bacana isso, né? Nunca é tarde para você perceber que você pode mudar sua vida. Não fica panfletando isso, mas através do filme a gente pega essa mensagem sem precisar ser super didático e sem precisar ficar martelando, né? Que é o melhor jeito de uma mensagem ser passada, né?

E as cenas musicais são muito legais. Tem as mais calmas, tem as mais espalhafatosas, e termina numa cena musical que é muito legal. E vários do filme são muito legais, o elenco é bem bom. Maravilhoso, gente, assistam Rocketman. É uma pena que não tá em nenhum streaming no momento, tem só para alugar o digital. Se for no YouTube, na loja do Prime Video ou na loja do Google Play, vai estar por lá. Mas sempre pinga em algum lugar, no Prime Video, Netflix, Netshoes.

Nossa, já vi em todos os lugares esse filme. Se tiverem a oportunidade, assistam. Bom, gente, esse foi o episódio dessa semana. Espero que tenham gostado, espero que não deixem de me seguir porque estão descobrindo agora que eu detesto Bohemian Rhapsody. Mas enfim, né, uma hora ou outra a verdade ia vir à tona, eu não ia conseguir ficar muito tempo sem falar mal desse filme. Mas olha, dei lista de outros filmes muito melhores para vocês assistirem, que vai ter música e que vai deixar você entretido enquanto você assiste, curioso para buscar mais daquela pessoa, para ver se foi aquilo daquele jeito mesmo, dar uma exagerada, ouvir as músicas.

E isso sempre é legal, ter essa curiosidade de ir buscar coisas além do filme e pensar coisas além do filme. Acho que a melhor parte do cinema é isso. Me sigam nas redes, eu tô no Instagram @filme.da.semana, no Bluesky @lalarieland, e o email para contato é podcastfilmedasemana@gmail.com. Esse email também é uma chave Pix, caso queira fazer alguma contribuição com o meu trabalho, ficaria feliz. E semana que vem estamos de volta, semana que vem vai ter episódio de assistidos do mês de julho.

Julho vai ser o episódio mais longo, não mega longo, não é como se eu tivesse visto muito filme nesse mês, mas vai ser maior do que junho, isso eu garanto para vocês. E teve muito filme bom também, então fiquem ligados que vai ser legal. Por enquanto é só, fiquem bem e até semana que vem. Tchau, tchau!