Novo tarifaço contra o Brasil - BP 1111
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Os Estados Unidos anunciam uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho, elevando a tensão nas relações entre Brasília e Washington. No episódio analisamos os setores mais afetados pela medida, seus impactos para a economia brasileira e os objetivos políticos e econômicos da decisão americana. Também discutimos a troca de declarações entre Marco Rubio e o governo brasileiro, após uma postagem agressiva do secretário de Estado contra o presidente Lula e a resposta do chanceler Mauro Vieira.
Falamos ainda sobre a decisão de Volodymyr Zelensky de substituir o ministro da Defesa da Ucrânia, medida que provoca protestos internos em meio à guerra, e sobre a escalada no Mar Negro, onde os combates entre Rússia e Ucrânia voltam a ameaçar as exportações de grãos e impulsionam os preços internacionais do trigo. Abordamos também a ameaça do Irã de fechar o Mar Vermelho caso sua infraestrutura elétrica seja atacada e a aprovação, pelo Senado chileno, da reforma econômica e tributária proposta pelo governo Kast.
Na Geleia da Shakira, a China proíbe aplicativos de "namorados virtuais" baseados em inteligência artificial como forma de combater a dependência emocional dos usuários.
#Brasil #EstadosUnidos #Tarifas #Ucrânia #Geopolítica
- Tarifas EUA contra BrasilTarifa adicional de 25% · Setores afetados · Marco Rubio · Mauro Vieira · Relações Brasil-EUA
- Guerra Rússia-Ucrânia e volatilidade de preçosDemissão do Ministro da Defesa · Mikhailo Fedorov · General Oleksandr Syrskyi · Estratégia de drones · Protestos na Ucrânia
- Crise no Irã e Estreito de OrmuzFechamento do Estreito de Bab-el-Mandeb · Ataques a infraestrutura elétrica iraniana · Houthis · Exportação de petróleo · Estreito de Ormuz
- Escalada no Mar NegroAtaques a embarcações · Exportações de grãos · Preço do trigo · Rússia · Ucrânia
- Cultura e Censura na ChinaRegulamentação de IA · Dependência emocional · Declínio populacional na China · ByteDance · Alibaba · Tencent
- Novo governo do Chile - José Antonio KastAprovação no Senado · Redução de imposto sobre grandes empresas · Estímulo a investimentos · Governo Kast · PIB do Chile
PetiJornal.
Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1111. Estamos gravando uma live no YouTube do Peti. São exatamente 17 horas e 31 minutos da quinta-feira, 16 de julho. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece e coa: Tanguy, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, e sim, a partir de semana que vem, ainda mais tarifado.
Temos o anúncio de novas tarifas contra o professor Tanguy Bagdadi, e falaremos sobre isso ao longo do encontro de hoje. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. E registro que no dia de hoje, na manhã de hoje, gravamos um episódio especial com o nosso amigo Ariel Palacios. Está disponível no feed do podcast, está também no YouTube do Pet Jornal.
E nós falamos sobre Copa do Mundo, falamos sobre essa relação entre futebol e política, falamos sobre Argentina, falamos sobre o novo livro do Ariel Palacios. Então fica aqui a recomendação para esse papo que foi muito, muito bacana. Dito isso, Tanguy Bagdadi, vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para esse bate-papo 1111. Um prazer estar aqui mais uma vez com os nossos ouvintes para mais um, mais um episódio, né, Daniel, para falar sobre tudo que tá acontecendo por aí. Deixa as boas-vindas a todo mundo. E Daniel, não tem como a gente começar esse episódio de uma outra forma De novo, mais uma vez, já perdi a conta de quantas vezes foram, os Estados Unidos anunciaram mais uma rodada de tarifas contra o Brasil. Me conta, Daniel Souza, o que que aconteceu?
Tivemos finalmente o anúncio, que não chegou a ser exatamente uma surpresa, de novas tarifas, tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da legislação comercial americana após investigação do USTR. A medida entra em vigor na semana que vem, no dia 22 de julho. É importante registrar que, no ano passado, em 2025, o Brasil vendeu para os Estados Unidos US$37,7 bilhões, um pouco menos do que no ano anterior.
No ano anterior, nós tínhamos uma exportação um pouco maior. Em 2025, a queda foi de exatos 6,6%. Segundo estimativas divulgadas aqui no Brasil por diferentes centros de pesquisa, a gente está falando de algo em torno de 10 bilhões de dólares em exportações brasileiras que serão impactadas por essas novas tarifas. Uma série de produtos ficaram de fora. Como, por exemplo, petróleo bruto, café em grãos, aeronaves, carne bovina, celulose, suco de laranja, ferro gusa, ferro-nióbio, enfim, a maioria dos produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, produtos, inclusive, que o Brasil não tem ali muito como ser substituído como fornecedor importante para os americanos.
Tivemos também produtos como aço e alumínio, que não acumulam a nova tarifa porque já estão sujeitos à Seção 232, essa que nunca foi derrubada pela Suprema Corte, com alíquota de 50%. Nós temos aí uma série de produtos que acabam sendo tarifados, é o caso, por exemplo, de máquinas e equipamentos, é o caso também de madeira para construção. É o caso de calçados, que são produtos que têm ali nos Estados Unidos um destino super importante.
É sempre importante registrar também que o Brasil é um país relativamente fechado, é um país que exporta pouco e importa pouco em proporção do PIB. É diferente de outras economias muito mais abertas, como economias asiáticas ou mesmo algumas economias europeias. Consequentemente, o impacto sobre o PIB brasileiro tende a ser pequeno. A gente está falando de um Brasil que exporta, em proporção do PIB, pouco. E, ao exportar, em proporção do PIB, pouco, um pequeno pedaço, algo em torno de 10% das exportações brasileiras, acabam indo em direção aos Estados Unidos.
E, dentro dessas exportações brasileiras, que representam apenas 10%, ou melhor, dentro dessas exportações para os Estados Unidos, que representam apenas 10% das exportações brasileiras, as novas tarifas acabam impactando apenas uma fração. Mas, para esses setores que acabam sendo impactados, é um desastre. Afinal, alguns setores têm no mercado americano o grande destino da sua produção e, consequentemente, isso pode trazer danos muito significativos para alguns segmentos, algumas sociedades, alguns produtos, aqui no Brasil, e algumas cidades também que acabam dependendo muito da comercialização desses produtos e das exportações para os Estados Unidos.
Agora, o que chamou muito a atenção, Tanguy, e aí eu acho que vale a pena te ouvir em relação a isso, é o tweet completamente violento do Marco Rubio em relação a autoridades brasileiras, com respostas por aqui. Enfim, há uma percepção ali de que a decisão não foi exatamente técnica apenas, pelo menos teve muita ideologia, teve muita política envolvida em todo esse rolo que nós temos entre Brasil e Estados Unidos no presente momento.
Teve, Daniel. A gente acabou tendo meio que um bate-boca virtual, né, entre o Marco Rubio e o Mauro Vieira, que é o ministro das Relações Exteriores do Brasil, né, o chanceler brasileiro. O Marco Rubio, Daniel, como você adiantou, ele foi de fato para as redes sociais e justificou as novas tarifas como algo relacionado à má-fé do governo brasileiro durante as negociações. Aliás, não apenas o governo brasileiro, ele falou especificamente no presidente Lula.
Disse ele, abro aspas, para que não haja confusão sobre o motivo, motivo das tarifas, o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos em boa-fé, fecho aspas. E ele acrescentou que o governo brasileiro colocou o próprio ego, aliás, que o presidente brasileiro colocou o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e que as decisões do presidente Lula são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros.
Ou seja, segundo ele, as decisões do Lula fazem todo mundo perder. Ora, Daniel, é um tweet que não combina com a justificativa dos Estados Unidos de que é uma decisão técnica. A cessão 301, né, a qual você fez referência, é, coloca uma questão técnica. É uma investigação que você faz, você tem parâmetros a serem seguidos, e portanto você coloca essa, essas tarifas, né, enfim, da maneira como eles quiserem determinar lá. É um país soberano, pode colocar tarifas, pode, mas dizem que é algo técnico.
E aí é por isso que veio a resposta do Mauro Vieira. Mauro Vieira disse, olha, as versões do Marco Rubio são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro. E disse que a maneira pela qual Marco Rubio atacou o presidente brasileiro foi grosseira e arrogante, né, e que o presidente Lula é um chefe de Estado de um país considerado parceiro histórico dos Estados Unidos. E ele acrescentou exatamente um ponto que você acabou de mencionar, Daniel, que essas tarifas não são técnicas, elas não foram impostas de maneira técnica.
Elas foram impostas de maneira política. E segundo, segundo Mauro Vieira, né, o Brasil está sendo tarifado, será tarifado por não ter se curvado às pretensões desmedidas e exigências irrazoáveis feitas pelos negociadores da Casa Branca. Então, uma tentativa de, segundo o Mauro Vieira, de interferir no governo brasileiro, principalmente no Poder Judiciário do país, né. A gente sabe que esse é um tema que há bastante tempo, né, Daniel, desde março do ano passado, que foi quando essa questão das tarifas começou a ganhar corpo, né.
O Trump, ele tomou posse em janeiro do ano passado, em março essa questão ela foi um grande tema. A gente sabe que a questão do Judiciário brasileiro era um ponto importante. Inclusive, o chanceler brasileiro listou as mais de 30 reuniões bilaterais que aconteceram de forma presencial, virtual e telefônica que aconteceram desde então. Então, nesse um ano e pouco, né, quase um ano e meio, já aconteceram 30 reuniões bilaterais para tentar resolver a questão, tentando dessa maneira justificar que não é uma questão de má-fé, de má vontade, nada disso.
O governo brasileiro quis negociar, mas as negociações não avançaram, e portanto que essa tarifação ela seria política. E de fato, né, Daniel, a manifestação do Marco Rubio ela tá completamente fora do tom do que se imagina para dois países que são pelo menos tecnicamente aliados.
Os Estados Unidos, né, Tanqui, passaram a ter na América Latina uma prioridade em relação à sua política externa que não tinham há muito tempo. E isso tem tudo a ver com o fato do Marco Rubio ter uma ascendência latino-americana, ser ali de família cubana. Há uma animação muito grande por parte do governo americano com o crescimento no número de governos aliados ao trumpismo na região. E, num certo sentido, o Brasil é um incômodo, porque o Brasil tem ali uma política externa autônoma, etc., tem um bom relacionamento com a China, e isso acaba entrando um pouco em choque com essa visão que o governo americano tem de que a região, uma visão que é Monroe, a visão da Doutrina Monroe na versão Donald Trump, de que os estados da região deveriam estar alinhados à política externa dos Estados Unidos.
E é importante também lembrar que o USTR conduz uma segunda investigação sobre produtos brasileiros fabricados com possível trabalho forçado. A conclusão preliminar dessa investigação sugere tarifa adicional de 12,5%. É uma decisão ainda pendente. Mas, de qualquer forma, nós estamos falando de um tensionamento do ponto de vista comercial que ainda não acabou. Além de ser importante também lembrar sempre que, a bem da verdade, o governo Trump acredita nas tarifas como estratégia de desenvolvimento para os Estados Unidos.
Não é apenas contra o Brasil que a gente tem tido aumento de tarifas, até países mais próximos, aliados próximos dos Estados Unidos, têm sofrido com uma certa hostilidade tarifária. Basta lembrar do Canadá, dos europeus, do Reino Unido, do Japão, que sofreram aí com aumentos de tarifas no passado recente.
E Daniel, um dos elementos de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil é a questão das Big Techs, né? Eles querem que as Big Techs tenham um acesso cada vez maior, tenham liberdade cada vez maior. Então esse há bastante tempo é um tema de pressão. E aí isso impacta, claro, do ponto de vista econômico o Brasil, mas nos impacta também, né? Nós como cidadãos usuários da internet. Somos impactados. Quanto mais liberdade os Big Techs têm, mais dados são capturados, né?
Mas a gente tem a nossa vida monitorada, né, por Big Techs. A gente não quer nem que governos monitorem nossa vida, tampouco Big Techs. E aí é importantíssimo que você tenha uma boa VPN, exatamente para poder proteger seus dados, né? A proteção de dados é algo importante. E a gente tem a melhor das indicações, que é a NordVPN. São os nossos parceiros aqui no Petit Jornal. A NordVPN tem um sistema que protege até 10 dispositivos por assinatura com preço extremamente assim, vale a pena demais, né?
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Daniel, como próxima pauta eu queria falar sobre a Ucrânia. A gente vem falando aqui algumas boas semanas, talvez alguns meses, que a Ucrânia ela conseguiu uma sobrevida na guerra, né? Ela conseguiu um fôlego na guerra. A partir do momento em que, ao invés de ser somente atacada, ela começou a gerar danos à Rússia também, e vem gerando danos pesados à Rússia, principalmente ao atingir refinarias russas. E a Rússia nesse momento, a gente trouxe aqui recentemente, ela tá passando por dificuldade de abastecimento de gasolina, por exemplo.
Um país que é um enorme, um gigantesco produtor de petróleo não está conseguindo abastecer o país de uma forma geral. As pessoas estão tendo dificuldade de comprar combustível. Isso tudo se deve ao ministro da Defesa que se tornou muito popular no país, que é um cara chamado Mikhailo Fedorov. Ele tem 35 anos, é considerado um cara muito trabalhador e que conseguiu mudar a estratégia ucraniana na guerra. A gente não vai ficar tomando sufoco, a gente vai atacar a Rússia também, e dessa maneira vai colocar a Rússia numa situação mais, a mais complicada que ela já teve desde o início da guerra.
Em fevereiro de 2022. Pois bem, Daniel, esse camarada que fez toda uma reestruturação, colocou os drones no centro da estratégia ucraniana de defesa, foi demitido no dia de hoje do cargo, né, do posto de ministro da Defesa. Ao que tudo indica, ele tinha uma rivalidade com o principal comandante militar da Ucrânia, que era o general Oleksandr Syrskyi, A gente já falou sobre ele aqui algumas vezes também. O Aleksandr Syrskyi, ele tem 60 anos, ele é de uma velha guarda e ele tem uma visão um pouco mais tradicional da guerra, uma visão de que você tem que ter soldados, você tem que ter soldados ali em campo de batalha fazendo uma linha de defesa, uma linha que garanta, portanto, que os soldados russos não consigam avançar, que é claro que é importante, mas começou a se tornar de fato um cabo de guerra, né?
Né, o Syrskyi, de novo, comandante, principal comandante militar da Ucrânia, puxando a estratégia para um lado, o Fedorov puxando para o outro, tentando fazer uma modernização, pegar recursos que são escassos, claro, e levar para uma lógica de modernização tecnológica e todo um ajuste ali com relação à utilização dos drones. O Zelensky teve que arbitrar. Olha, os dois não estão conseguindo se entender, o ministro da Defesa e o principal comandante.
E acabou sombrando, portanto, para Mykhailo Fedorov. Ele foi demitido no dia de hoje, o que levou— isso é muito pouco comum, né, na Ucrânia ao longo dessa guerra— a manifestações consideráveis na frente do Palácio de Governo. É, mais de 1000 manifestantes se reuniram à frente do Palácio do Executivo, né, o Palácio do Zelensky, né, o Palácio de Governo, para exigir a recondução imediata de Fedorov ao cargo. Isso vem, Daniel, no momento no qual o próprio governo ucraniano tá passando por uma ampla reformulação.
A gente teve, por exemplo, a demissão— na verdade, ela se demitiu, mas a impressão que dá é que o Zelensky demandou que ela se demitisse— que a Yulia Syrvidenko, né, que era primeira-ministra, e ela já foi, portanto, substituída. Então já temos um novo primeiro-ministro, que é o Sergui Kuretsky. Mas é o momento no qual o Zelensky, ele tá mexendo as peças de dentro do país E ninguém ligou para substituição da primeira-ministra, tá?
Isso não foi um grande assunto. Agora, a demissão do Fedorov pegou muito mal. Muita gente reclamando que, olha, talvez fosse a peça mais importante, conseguiu dar uma cara nova para a Ucrânia nessa guerra, e foi demitido por conta de uma briga, né, de um cabo de guerra, né, uma disputa de força com o Syrskyi, o principal comandante militar da Ucrânia.
Daniel, aliás, Tanguy, ainda falando sobre a intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia, Os dois países trocaram ataques com mísseis e drones contra embarcações no Mar Negro e no Mar de Azov, intensificando aí as hostilidades em uma rota vital para exportações de grãos. Só ontem, Tanguy, nós tivemos um aumento em 7% do preço do trigo no mercado europeu. Lembrando que Rússia e Ucrânia são grandes produtores de grãos, em particular, grandes produtores de trigo.
E o que a gente vem observando é que a capacidade exportadora desses dois países tem sido comprometida por ataques mútuos. É sempre importante a gente não perder de vista que Rússia e Ucrânia são as duas maiores nações territorialmente do continente europeu. A gente está falando de dois países que acabam sendo estrategicamente super importantes para o planeta. E as crescentes hostilidades acabam tendo impacto sobre o mercado de energia, mas também acabam tendo impacto sobre o mercado de alimentos.
Nós observamos que já tem havido, inclusive, uma restrição na navegação na região por conta de temores associados a esses ataques que têm se intensificado. A gente tem que acompanhar com muita atenção porque isso não é pouca coisa. A Ucrânia não está recuando, pelo contrário, ela está ampliando a sua capacidade de fogo e está tendo, aí, realmente uma reviravolta, uma recuperação no seu desempenho militar, enquanto a Rússia também não tem nenhum sinal de que vai recuar.
Esse é um elemento super preocupante que se soma a outras preocupações no Oriente Médio, por exemplo, e outros elementos geopolíticos de incerteza que a gente tem vivenciado. Mas não bastasse a guerra em si, que acaba tendo impacto sobre vidas humanas, não bastasse o perigo de acertar ali instalações nucleares que estão presentes nos dois países, não bastasse em si o impacto sobre o mercado internacional de energia com a Rússia restringindo a exportação de diesel, agora também temos impactos sobre o mercado de grãos em geral e o mercado de trigo em particular, por conta desse aquecimento do conflito entre Rússia e Ucrânia.
Daniel, eu quero levar nossa conversa para o Oriente Médio, porque a gente chegou a falar sobre isso ontem, você falou sobre isso ontem, aliás, na importância ali do Estreito de Bab-el-Mandeb, aquela entrada ali do Mar Vermelho que se tornou mais uma vez estratégica, né, no momento no qual o Estreito de Ormuz foi fechado mais uma vez. E no dia de hoje nós tivemos a informação de que o governo do Irã solicitou formalmente aos Houthis, que são aliados do Irã ali no Iêmen, que se preparem para fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb, portanto fechar o Mar Vermelho para qualquer exportação de petróleo no mar ali pela região, né, pelo Mar Vermelho, Estreito de Bab-el-Mandeb e Mar Vermelho, caso as Forças Armadas dos Estados Unidos ataquem infraestrutura elétrica iraniana.
Então, Daniel, existe já nesse momento uma mobilização do Irã para colocar isso em prática, né, para estabelecer esse bloqueio na prática. Uma coisa que é sempre importante lembrar é que quando a gente fala sobre um bloqueio desse, pode dar a impressão de que você precisa de armamentos pesados, você tem que estar muito bem preparado e tal, e não é, tá? Você, para ter um bloqueio como esse, você não precisa de equipamento de ponta, você precisa ter uma capacidade ali de atingir navios que passem pela região as cargas que passam por ali são tão caras que você já não quer arriscar.
Então, de repente, você já começa a fazer a conta se não é melhor dar a volta na África para evitar aquela rota. Então é algo que já vem gerando, portanto, uma preocupação muito grande para o mercado energético. Mais uma vez, só para a gente ter uma ideia, é desde que o Estreito de Ormuz foi fechado pela primeira vez, a gente tá falando sobre fevereiro desse ano agora, março desse ano agora, Arábia Saudita, que é um gigantesco produtor de energia, desviou 70% das suas exportações de petróleo bruto para o Mar Vermelho.
Então tem um oleoduto, né, que leva, portanto, ali da costa do Golfo Pérsico, é por terra, né, diretamente para o Mar Vermelho. E portanto, se o Mar Vermelho for fechado, você trava tudo de novo, né. Então o Irã, ele tem de fato uma ameaça importante sendo colocada contra os Estados Unidos, contra aliados dos Estados Unidos na região. E na prática, Daniel, uma ameaça grande contra a própria economia internacional. Então a gente vai ter que esperar, Daniel, para ver até onde que isso vai, quais vão ser exatamente os desdobramentos disso.
Mas o fato é que essa ameaça ela tá cada vez mais próxima de se concretizar se os Estados Unidos avançarem um pouquinho mais em ataques, que é uma ameaça que os Estados Unidos vem fazendo de forma recorrente, né, ataques contra instalações elétricas do Irã. É possível que a gente tenha não um, mas dois dos estreitos mais importantes do mundo em termos energéticos sendo fechados ao mesmo tempo o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab-el-Mandeb.
Nossa, isso é gravíssimo, né? A gente tem um impacto realmente sobre o mercado internacional de energia sem precedentes, caso isso se confirme. E a Arábia Saudita em particular é um país que vai ser muito impactado porque acabou construído toda uma alternativa de contorno ao Estreito de Ormuz, justamente a partir do Mar Vermelho. E se nós temos ali um fechamento desse outro estreito, os sauditas passam a experimentar ali uma situação bastante complicada.
Tanguy, nessa próxima pauta eu trago uma atualização. Muitos episódios atrás eu havia dito aqui no PetiJornal que a Câmara dos Deputados do Chile tinha aprovado a reforma econômica e tributária do CAST. E agora chegou a vez do Senado. O Senado chileno aprovou nessa quinta-feira a reforma econômica e tributária do CAST. Em debate de 12 horas que entrou pela madrugada. A aprovação foi por margem estreita, em função de enormes divergências entre o governo e a oposição.
O texto agora retorna à Câmara dos Deputados, que já havia aprovado a proposta em maio, para análise das emendas. E se houver rejeição de alterações, uma comissão mista pode estender a tramitação por vários meses. A gente está falando de um contexto econômico onde o PIB do Chile cresceu apenas, ou melhor, ele encolheu 0,5% no primeiro trimestre de 2026, o desemprego está em 9,4%, o que é relativamente alto, e o Kast assumiu um país com enormes desafios econômicos, prometendo recuperar a economia em uma guinada à direita.
Quando a gente pensa aqui no que foi aprovado, isso me parece importante, nós temos a redução gradual do imposto sobre grandes empresas, de 27% para 23% até 2029, com o objetivo de estimular investimentos. Temos, aliás, um novo regime tributário para novos investimentos. Temos a isenção de contribuição para idosos proprietários de seu primeiro imóvel. Temos subsídios ao emprego direcionados a setores de serviços e exportação. Temos garantias de manutenção de alíquotas tributárias para grandes investimentos como parte, ali, justamente, dos projetos.
Enfim, é toda uma estratégia para desonerar investimentos, para tentar estimular exportações. Para tentar estimular o setor de serviços e retomar o crescimento econômico que não tem acontecido na economia chilena.
Daniel Souza, a gente vai ter uma final no domingo que é Argentina e Espanha. A gente tá precisando de um pouquinho de doce na nossa vida. O que que você traz na geleia da Shakira de hoje para ver se a gente dá uma desanuviada, Daniel?
Ah, tá aqui, vamos para geleia da Shakira de hoje para esquecer essa, essa Copa do Mundo que não é um torneio importante, não é relevante, então não vamos mais falar sobre isso. A China tem que— você não vai acreditar— passou a aplicar nessa quarta-feira regulamentação que proíbe ferramentas de IA que simulem vínculos românticos ou familiares, tornando-se a primeira grande economia a adotar regras específicas para esse tipo de inteligência artificial.
As normas foram publicadas por 5 órgãos governamentais, incluindo a Administração de ciberespaço da China, e as principais empresas do setor, a ByteDance, Alibaba, Tencent, suspenderam as funções de companhia virtual antes do prazo. Tá aqui, os chineses, parece, estavam se enamorando, se apaixonando de ferramentas de inteligência artificial. Você sabe que a China tem um desafio enorme, que é que as pessoas casem, tenham filhos para tentar reverter o declínio populacional, que a China tem experimentando, é, tem experimentado ao longo dos últimos anos.
Então, Tanguy, não para de namorar, para de namorar uma IA, vai namorar a pessoa de verdade para quem sabe, né, povoar o país. É isso que o governo da China tá passando como mensagem nesse momento. E que momento, hein, Tanguy? Ah, meu Deus do céu, a humanidade! A gente achava que a humanidade estaria enfrentando desafios um pouco diferentes nesse momento do que Ela está presa e apaixonada por ferramentas de IA. Ai, cara, eu lembro do Exterminador do Futuro na década de 90, a gente com medo da IA que ia destruir o mundo.
Sei lá, pode ser que aconteça ainda, vai saber. Mas até agora o que a IA nos ofereceu foi paixão para enamorados ali que estão um pouco carentes de um contato mais humano ou que consideram a IA mais segura para esse tipo de relacionamento.
E não é o primeiro país, né, Daniel? O Japão tem uma preocupação com isso também, né? Gente, pelo amor de Deus, arruma um namorado aí, uma namorada, tem que fazer filho, gente. Se não fizerem filho, a gente tá ferrado. E humano com o IA, eu acho que não faz filho, viu, Daniel? Eu acho que a recomendação fica aí por esse motivo. Daniel, só dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Se você quer saber mais sobre o impacto da tecnologia sobre a economia e sobre a política, Petit Cursos.
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Ah, não quero, quero saber sobre, é Copa do Mundo, Daniel? Acho que é, né, aquele torneio que tá acontecendo aí.
É um torneio de futebol, mas é um torneio sem importância.
Eu acho que era Copa do Mundo, eu acho que o nome era esse. Se quiser saber sobre esse negócio, Copa do Mundo, mas quer saber da parte política, que essa de fato importa, acessa lá, tem também. E sobre países aí, Daniel, o curso sobre país, a gente tem vários aulas sobre país e tal. Eu tenho certeza que vai te interessar. Acessa lá, peticursos.com.br.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetiJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado. A cada um de vocês. O Pet Journal é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado ou de uma grande produtora, é um produto digital artesanal, e por isso a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância, e fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles.
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É isso, Daniel Souza. Amanhã a gente tem o nosso tradicionalíssimo Pet Invest, o episódio de toda sexta-feira. Segunda-feira a gente volta com mais um bate-papo. Daniel Souza, um abraço, até a próxima.
Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.
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