Episódios de Petit Journal

EUA vão sair da OTAN? - BP 1048

02 de abril de 202629min
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RIO CLARO
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Donald Trump eleva a pressão sobre aliados ao afirmar que os Estados Unidos podem deixar a OTAN caso não haja mobilização para reabrir o Estreito de Ormuz, aprofundando a crise transatlântica em meio à guerra. O episódio analisa esse movimento e suas implicações, enquanto o Irã impõe novas regras para a passagem pelo estreito e desafia diretamente o poder naval americano. Discutimos também o impacto prolongado da guerra sobre os preços de energia na Europa, além das tensões envolvendo países como a Bulgária, que busca se afastar do conflito, e o reposicionamento dos EUA no tabuleiro energético, inclusive com aproximação à Venezuela.
Também abordamos os desdobramentos políticos e institucionais nos Estados Unidos, com Trump comparecendo à Suprema Corte em meio a disputas sensíveis, além das tensões internas envolvendo obras e segurança nacional.
Na Geleia da Shakira, um encontro entre Emmanuel Macron e Sanae Takaichi viraliza ao misturar referências de cultura pop japonesa com discussões geopolíticas, mostrando como símbolos culturais entram no debate internacional.
#OTAN #EstadosUnidos #OrienteMédio #Geopolítica #Energia
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos4
  • Possível saída dos EUA da OTANDonald Trump e a NASA · OTAN · Estreito de Hormuz
  • Guerra no Oriente Médiopreços de energia · Irã · Bulgária
  • Crise Política na VenezuelaDelcy Rodrigues · Maduro
  • Geopolítica de Trump, Xi e PutinEmmanuel Macron · Sanae Takaichi
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1049. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 24 minutos da quarta-feira, 1º de abril de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

Tanguy, Obaghdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15% e muito preocupado noites de insônia em função desses múltiplos acontecimentos preocupantes.

que tem acontecido no cenário internacional ao longo dos últimos tempos, nesse planeta bastante incerto e pantanoso que nós temos que analisar aqui no Petit Jornal. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdad? Tudo bem? Vamos a isso!

Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para mais um episódio, vamos lá para esse bate-papo 1049. Um prazer estar aqui mais uma vez para a gente tentar analisar de novo essa loucura, insanidade que está acontecendo, particularmente quando a gente fala sobre essa guerra no Oriente Médio que traz repercussões para todo mundo. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente, pessoal do YouTube, pessoal que acompanha a gente pelo podcast.

Muito obrigado pela presença de vocês. A gente só consegue chegar aqui, Daniel, quase 1.050 episódios só de bate-papo exatamente por conta da presença de todos vocês. Daniel Souza, a gente teve no dia de ontem, a gente falou aqui sobre algumas declarações do Trump dizendo que pode acabar com a guerra, de repente essa guerra aí acaba, a gente já está quase ganhando. E ele falou, portanto, numa guerra que poderia durar mais duas ou três semanas. E aí como é de hábito, Daniel, no momento em que ele fala isso,

o governo dos Estados Unidos começa a abraçar essa tese, a abraçar essa teoria. E hoje a gente teve o secretário de Estado, Marco Rubio, falando numa entrevista que os Estados Unidos já conseguem ver a linha de chegada. Estamos quase vencendo a guerra. Daqui a pouco a gente vai embora. Daqui a pouco a gente sai dessa guerra. E aí o Trump, Daniel, inclusive ele foi além. E hoje ele falou o seguinte.

Os Estados Unidos podem até sair da guerra. A gente pode sair da guerra, a gente pode acabar esse negócio, ganhamos, vencemos e tal, vou cantar vitória. Segundo ele, os objetivos fundamentais dos Estados Unidos já foram cumpridos. Ah, o Estreio de Hormuz está fechado. Mas ninguém se importa, Daniel. Isso aí não faz efeito nenhum, não tem problema. O Estreio de Hormuz está fechado. Os nossos objetivos já estão quase cumpridos. Quero evitar que o Irã tivesse uma bomba nuclear.

era acabar com o sistema de produção de mísseis balísticos iranianos e tal. Ele não apresentou qualquer comprovação de que objetivos seriam esses. Mas, segundo ele, Daniel, os Estados Unidos podem ir embora, mas reservam-se ao direito de voltar para ataques pontuais. Então, ele está criando aqui uma nova tese, Daniel, que é a gente vai embora, mas não é embora de forma definitiva. A gente pode voltar a qualquer momento.

Mas além disso, Daniel, teve mais uma virada nessa retórica do Trump, que é uma retórica complicada, Daniel, porque ele vai acrescentando fatos e novas ideias e novas falas que a gente nunca sabe se são muito bem planejadas, se ele pensou antes de falar aquilo. Quer dizer, a gente sabe que muitas delas ele não refletiu, ele se pente, soltou.

E hoje ele disse, Daniel, que uma vez que os aliados europeus dos Estados Unidos não estão dispostos a agirem para abrir o Estreio de Hormuz, a gente falou isso na live de ontem, a França disse que não tem nada a ver com isso, a OTAN serve basicamente para a segurança no Atlântico Norte.

Hormuz não fica no Atlântico Norte, a gente não tem que se meter nisso. O Trump criticou duramente o Reino Unido, a Espanha, enfim, por serem países. A Itália, que também disse que não pretende se envolver. E ele disse hoje, Donald Trump disse hoje, que a OTAN é um tigre de papel.

E que, portanto, a saída dos Estados Unidos da aliança está além de qualquer reconsideração se os Estados Unidos não agirem. O que ele está dizendo, Daniel, e mais uma vez, não dá para a gente saber se ele está falando de uma pensada ou se foi mais uma frase que ele simplesmente soltou, é

Se os europeus insistirem em não ajudar os Estados Unidos a reabrir o Estreio de Ormuz, os Estados Unidos sementivam embora da região, vão voltar se for necessário e vão deixar a OTAN. Isso está longe de ser uma novidade na retórica do Trump, ele já falou sobre isso outras vezes. A gente já teve, inclusive, uma informação que foi soltada pelo John Bolton, que era o secretário, o conselheiro de segurança nacional dele no seu primeiro mandato.

que garantiu que se Donald Trump tivesse sido reeleito, ele já teria saído da OTAN no início do segundo mandato. Ele acabou sendo derrotado pelo Biden e agora volta à OTAN. Mas o que mais me impressiona, Daniel, é que nesse momento, quando ele solta isso, não tem ninguém muito impressionado.

Então, até pouco tempo atrás, uma ação americana no Oriente Médio contaria com um monte de países da OTAN, estariam juntos, estariam apoiando, estariam dando apoio logístico e tal. E nesse momento o clima é tão diferente que os Estados Unidos falam isso e não gera nem muito impacto, Daniel. Então, Donald Trump afirma, mais uma vez, que se os Estados Unidos não receberem ajuda e não receberão, os países europeus estão muito firmes nisso.

os Estados Unidos poderão sair da OTAN e não estão nem dispostos a reconsiderarem, algo, Daniel, que a gente vai ter que ver o que vai acontecer, mas me parece um momento histórico, uma mudança que muda a estratégia de segurança dos Estados Unidos que vem desde o início da Guerra Fria, Daniel.

Não é impossível, Tanguy, que o Donald Trump também recue, não leve adiante e, de alguma forma, tente reconstruir laços com a OTAN ou com seus aliados, porque me parece que implodir a OTAN é tudo o que a Rússia gostaria que acontecesse, tudo o que a China gostaria que acontecesse. Aliás, a capa da revista Economist, The Economist, dessa semana, inclusive, traz ali justamente a imagem do Xi Jinping.

e do Trump com a frase nunca interrompa o seu adversário, o seu inimigo, quando ele está errando, fazendo referência justamente a esses movimentos erráticos do Donald Trump, que muitas vezes parecem que são absolutamente alinhados aos interesses dos adversários dos Estados Unidos e não alinhados aos interesses dos Estados Unidos.

Agora, Tanguy, para a surpresa de zero pessoas que acompanham o Petit Jornal, nós tivemos hoje o Ebrahim Azizi, que vem a ser o presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, destacando...

que o estreito de Hormuz nunca será mais como antes. Aliás, era o esperado, a gente tem falado sobre isso aqui no Petit Jornal, explorou bastante isso, inclusive na aula gratuita de ontem, que está disponível no YouTube do Petit Jornal. Ele falou com muita clareza o seguinte, olha, o Irã passará a cobrar pedágio permanentemente dos navios que querem passar pelo estreito de Hormuz.

Na prática, da mesma maneira que o Panamá cobra pedágio, o Egito cobra pedágio por conta de um direito de passagem, se você está passando pelo mar territorial iraniano, meu amigo, você vai pagar pedágio também. E isso vai se tornar uma fonte permanente de receita para o governo iraniano. E tem mais. Só passa quem o Irã deixar.

nós não teremos mais, nas palavras justamente do Ebrahim Azizi, abre aspas, os 47 anos de hospitalidade acabaram. Fecha aspas. Claro, 47 faz referência à Revolução Iraniana.

A ideia aqui é transformar o controle do Estreito de Hormuz como um elemento de poder geopolítico permanente. É bem verdade, Tanguy, que muito provavelmente nós teremos países do Golfo Pérsico tentando contornar o Estreito de Hormuz.

investindo em novos gasodutos, novos oleodutos, etc. Muita gente também vai olhar para outros fornecedores de energia fora do Golfo Pérsico. É possível que o Golfo Pérsico perca um pouco de importância em termos internacionais ao longo dos próximos anos. De qualquer maneira...

é muito difícil suplantar ou tornar o Golfo Pérsico irrelevante. Afinal, a gente está falando de metade das reservas mundiais de petróleo conhecidas, um petróleo de alta qualidade, de custo de extração bastante reduzido. E o cálculo de Irã acaba sendo mais ou menos o seguinte. Amigo, você pagar aqui um pedagiozinho não custa nada. Um petroleiro desse, grandão, cheio de combustível, altamente rentável, vou cobrar direito de passagem e só vai passar...

Quem eu disser que pode? Esse me parece que é um gigantesco legado que já pode ser antecipado da guerra no Oriente Médio. Parabéns a Donald Trump, que agora criou uma fonte de receita permanente para o Estado iraniano depois dessa atabalhoada operação militar, dessa guerra.

que continua acontecendo no Oriente Médio. E só para pegar esse gancho, Daniel, a gente teve hoje um alerta do chefe da Agência Internacional de Energia, o Fatir Birol. Ele alertou, Daniel, que se o cenário continuar da maneira como está, e o Trump está falando que vai sair em duas ou três semanas e tal, ou seja, abril também vai para o saco, e é capaz dele querer ir embora e o Irã falar, olha, meu amigo, você me atacou aqui.

Minhas ações aqui continuam, o Estreio de Hormuz continuou fechado, da maneira como eu determinar, só vai passar quem eu quiser. E o alerta do Fatibirol, Daniel, é que se as coisas continuarem como estão, a gente vai ter uma perda de suprimento global em abril, que vai ser o dobro da perda de março. Claro, Daniel, os recursos vão escasseando cada vez mais. Você vai começar a sentir ainda mais falta de petróleo. Então, se você tem 20% de petróleo, e aí e aí

que é comercializado do ponto de vista marítimo internacional, que está represado ali, os países vão começar a usar reservas de emergência, vão dar um jeito e tal. Em abril, portanto, a tendência é que você tenha uma dificuldade ainda maior e aí as consequências econômicas são grandes. Até pouco tempo havia uma certa expectativa de que, de repente, as consequências econômicas poderiam ser de curto prazo. A gente já começa a ter um alongamento das consequências econômicas.

E isso mexe, Daniel, com o seu bolso, com o meu bolso, com o bolso de todo mundo.

Ah, mas eu não como petróleo. Não come, mas aquilo que você come chega no mercado usando petróleo. Isso mexe com tudo, mexe com a economia toda. E é por isso, Daniel, que é tão importante você ter alguém do seu lado que seja capaz de te auxiliar, de te assessorar.

uma gestora maiúscula para lidar exatamente com isso. É por isso que a gente indica os nossos parceiros da Rio Claro Investimentos. Então, de olho nisso tudo, Daniel, tudo o que está acontecendo, todo o movimento, isso pode trazer uma série de consequências em juros, em inflação, uma série de variáveis que podem mexer com a sua capacidade e ter uma boa aposentadoria lá para frente. E a Rio Claro está muito atenta para conseguir te oferecer tudo o que você precisa para ter uma aposentadoria tranquila. Fala com eles, o link está na descrição desse episódio.

Aliás, Tanguy, é muito legal porque a Rio Claro Investimentos não tem qualquer tipo de conflito de interesse no seu trabalho. Ela não é remunerada para empurrar produtos financeiros para você, produtos que muitas vezes não têm a ver com o seu perfil. Muito pelo contrário, a Rio Claro Investimentos trabalha exclusivamente com foco no interesse do cliente e apenas o interesse do cliente.

Portanto, dentro de um período tão tumultuado do cenário internacional, com um ambiente econômico tão imprevisível, é fundamental que você tenha uma gestora de patrimônio ao seu lado. E nós recomendamos aqui no Petit Jornal os nossos amigos da Rio Claro Investimentos. Link no descritivo desse episódio. Clique, conheça o trabalho da Rio Claro Investimentos, que eu tenho certeza que você vai gostar demais.

Aliás, Tanguy, falando ainda sobre a questão energética que você mencionava há pouco, me chamou a atenção que o comissário de energia da União Europeia, o Dan Jorgensen, afirmou que mesmo com a paz imediata, o que a gente não tem como garantir,

os preços do petróleo não voltarão ao normal tão cedo. Aliás, a gente já falou sobre isso aqui no Pet Journal, porque, na prática, uma parte da estrutura produtiva foi danificada. Você teve ataques em infraestrutura de países do Golfo Pérsico, portanto, investimentos precisam ser refeitos, isso demanda tempo, você tem que organizar fatores de produção, tem que fazer um projeto, tem que levar os materiais, para aí sim a produção poderá.

que a produção voltará a ser normalizada. Consequentemente, não há perspectiva do preço da energia voltar para o patamar que estava em fevereiro. Não há nenhuma perspectiva de que isso aconteça nem no curto, nem no médio prazo. Aliás, a União Europeia está se mexendo.

Você tem ali uma série de propostas de associar preços de gás e eletricidade, reduzir o impacto da volatilidade energética, cortar impostos sobre energia, apoio direto a famílias e empresas. Ao mesmo tempo, a União Europeia considera um imposto sobre lucros extraordinários.

E é interessante que boa parte dessas medidas, na prática, são uma reciclagem dos pacotes de 2022, onde você teve ali uma crise também de energia importante, uma escalada do preço do petróleo por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia.

No próprio Brasil, a gente também tem tido, claro que agora é um pouquinho diferente, mas tem tido também uma tentativa de cortar impostos para que o preço dos combustíveis não diminua tanto, ou melhor, não suba tanto como tem subido.

E no dia de hoje, inclusive, a Petrobras anunciou aqui no Brasil que reajustou o querosene de aviação em mais de 50% por conta justamente da crise no Golfo Pérsico e dos desdobramentos no preço do petróleo. É, Tang, mesmo que a guerra termine hoje, mesmo que o Donald Trump anuncie na televisão, lá no seu pronunciamento, acabou a guerra, estou voltando para casa, venci a guerra.

mesmo assim, a energia não volta para o patamar anterior, ou pelo menos não volta imediatamente, vai demorar um pouco mais de tempo. Aliás, esse é um bom ponto, Daniel. A gente está gravando esse episódio, são exatamente agora, 19 horas e 39 minutos do horário de Brasília.

Está marcado para hoje, às 22 horas, horário de Brasília, um pronunciamento do Trump, que a gente não sabe o que ele vai falar ainda. Conhecendo o Trump, ele pode falar sobre qualquer coisa. Ele pode falar sobre, sei lá, a rotina de refeições dele. Ele pode falar sobre Irã. Ele pode falar sobre marcianos. Ou então ele pode cantar vitórias sobre qualquer coisa. Ele pode falar sobre esporte. A gente realmente não tem a menor ideia do que ele vai falar.

Mas, naturalmente, isso vai acabar sendo repercutido mais para frente. Eu só queria dar mais uma nuance aqui, Daniel, de como é que... Obrigado.

Esse cenário todo muda a percepção de confiança que os países têm sobre a OTAN. A gente teve hoje, Daniel, a revelação por parte de um deputado búlgaro acerca de algo que aconteceu no dia 18 de março. Então tem algo que aconteceu cerca de duas semanas atrás, que foi o Irã enviou para a Bulgária, para o governo búlgaro, uma nota dizendo o seguinte. Estamos sabendo que os Estados Unidos estão utilizando o aeroporto civil de Sófia, que é a capital da Bulgária, que é a capital da Bulgária.

para ações militares que acabam prejudicando o Irã. Os Estados Unidos têm uma base militar na Bulgária. Se os Estados Unidos usam essa base, ok, é legítimo. É uma base militar, a gente já sabe que é e tudo. Mas a partir do momento em que a Bulgária permite que as Forças Armadas Norte-Americanas utilizem o aeroporto civil de Sófia, o Irã avisa,

Esse aeroporto, na verdade, a Bulgária, ela se torna parte da guerra. Então fica ligado aí, porque a gente pode querer reagir, vai ser algo legítimo. E aí a Bulgária, Daniel, que em outros momentos, imagina, meu amigo, os Estados Unidos estão protegendo a gente, pode vir, pode cair para dentro, porque a gente tem a OTAN aqui para defender a gente. A postura Bulgária foi uma postura...

muito diferente daquela que se imaginava. A Bulgária disse, não, não é bem assim, a gente não tem nada a ver com isso, essa guerra não é nossa e tal. Então isso denota um pouco a mudança de percepção que os membros da OTAN têm. A Bulgária é parte da OTAN desde o ano de 2004 com relação a essa possibilidade de eventualmente ser defendida pela Aliança Atlântica. Eu queria trazer um outro elemento ainda com relação ao Trump, Daniel.

Eu lembro que na primeira semana de governo dele, desse segundo governo dele, que se iniciou no ano passado, um dos anúncios do Trump foi que ele ia acabar com o negócio de quem nasce nos Estados Unidos se torna automaticamente cidadão dos Estados Unidos.

A lógica dele era de que se você é um estrangeiro que está de forma irregular nos Estados Unidos, é um indocumentado, o seu filho não pode ser um cidadão dos Estados Unidos. Então, se você não é, o seu filho também não será.

Essa questão, Daniel, ela vai começar, na verdade, ela começou a ser discutida hoje na Suprema Corte. E pela primeira vez na história, vou repetir, pela primeira vez na história, um presidente dos Estados Unidos está presente na Suprema Corte para ouvir a sustentação oral.

lá no mais importante órgão judiciário do país. Naturalmente, Daniel, aqui é uma tentativa de pressionar a Suprema Corte. Lembrando que, há algum tempo atrás, a gente repercutiu isso aqui muito no Petit Jornal, a Suprema Corte deu um parecer contrário ao Trump, dizendo que ele não podia utilizar a lei de emergência nacional para colocar tarifas. O Trump ficou furioso com aquilo, acabou encontrando outras soluções para colocar tarifas da mesma maneira, mas agora você tem o presidente dos Estados Unidos presente na Suprema Corte.

Das duas, uma, Daniel, ou ele pressiona a Suprema Corte e consegue uma mudança que é muito importante para a própria história dos Estados Unidos. Aliás, Daniel, essa regra, essa lei, ela está presente na Constituição dos Estados Unidos. A Constituição dos Estados Unidos, que é extremamente sumária, está lá na 14ª e mena da Constituição. Abre aspas, todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos e sugeres à sua jurisdição são cidadãs.

ponto final. É difícil entender qual é a dúvida, né, Tanguy? Qual é a dúvida que pode haver de forma tão cristalina no texto constitucional dos Estados Unidos? Pois é, então, das duas uma, Daniel, ou ele vai ser, vai sair vencedor e aí você rasga a Constituição, ou então ele pode ter um problemaço, que é, ele vai estar lá presente e a Suprema Corte pode fazer o óbvio, né, que é, meu amigo, a Constituição, a Constituição dos Estados Unidos é pouquíssima coisa.

Essa é uma das poucas coisas que está lá. Nasceu nos Estados Unidos. Não interessa, não interessa. Pode ter vindo do... Pô, os seus pais podem ser de Vênus. Se você nasce nos Estados Unidos, você é cidadão americano. Vamos ver o que vai acontecer, Daniel. Mas ele está lá, ele presente. Talvez isso, inclusive, esteja no pronunciamento que ele vai fazer hoje às 22 horas. A gente não sabe exatamente qual o conteúdo do pronunciamento dele.

Aliás, Tanguy, falando ainda sobre Donald Trump, ele tem um outro embate com o judiciário, porque houve a suspensão daquela reforma do salão de baile da Casa Branca. Um juiz federal, o Richard J. Leon, ele ordenou a paralisação imediata.

Ele destacou que a decisão exige aprovação do Congresso para continuar a decisão de realizar essa reforma na Casa Branca. O governo dos Estados Unidos intenciona recorrer rapidamente da decisão. E é interessante porque o juiz deixou ali uma brecha destacando que se houvesse ali a necessidade ou se a reforma fosse motivada por razões de segurança, então isso seria aceitável, etc. Teria ali um espaço para conversa.

Eis que Donald Trump apareceu com uma nova justificativa para a reforma. A justificativa para a reforma é de segurança. Afinal, está sendo construído um teto à prova de drones. Teto à prova de drones é bom, hein? Vidro à prova de balas. Sistema de biodefesa e tratamento de ar. Telecomunicações seguras. Abrigos antibomba. Hospital e instalações médicas.

um bunker subterrâneo massivo sob o salão. Então, você tem aí uma exceção para obras estritamente de segurança. E eu acho interessante porque ele já derrubou ali, né, aquela ala da Casa Branca. Nós vimos, inclusive, imagens da escavadeira derrubando tudo. Foi um negócio meio chocante. Inclusive, a gente falou sobre isso aqui no PetJornal.

A organização National Trust for Historic Preservation está processando o governo dos Estados Unidos, alegando que o projeto está sendo conduzido sem debate público ou supervisão adequada e está acusando Donald Trump de aparelhamento e também de, de alguma forma, atropelar o patrimônio histórico.

dos Estados Unidos. É claro que o Trump sempre diz que o dinheiro é privado, que são doadores privados, que estão financiando a obra, etc. Mas, de qualquer maneira, rapaz, é impressionante como o arcabouço institucional dos Estados Unidos não estava preparado para Donald Trump e para o seu ímpeto, digamos assim, de avançar sobre regras que muitas vezes não estão claramente definidas ou escritas, mas que eram seguidas ali pelos mandatários.

americanos. Pedro Sousa, como próxima pauta, eu queria que você falasse para a gente um pouquinho mais sobre a relação entre Estados Unidos e Venezuela. Os dois países reataram relações agora no início de março e tal, mas agora, aparentemente, você tem mais um sinal de aproximação entre os dois países. Conta para a gente. É verdade, Tanguy. O governo de Donald Trump retirou as sanções que estavam em vigor contra a Delcy Rodrigues, que é justamente e sem fins e sem fins e sem fins e sem fins e sem fins e sem fins

A nova presidente da Venezuela era vice do Maduro e o substituiu depois que ele foi levado para os Estados Unidos. O nome dela foi removido da lista de sanções que impunha bloqueio de bens e proibição de transações com os Estados Unidos.

A medida ocorreu sem uma justificativa oficial detalhada, mas me parece meio claro, que, olha, você nos ajudou, agora nós vamos te ajudar. Existe ali um gesto de aproximação do governo Trump com a Delce Rodrigues.

E é um gesto também de uma aproximação que continua avançando. Há a informação, inclusive, Tanguy, que as negociações da Delce Rodrigues com os americanos são anteriores à prisão do Maduro. Bem anteriores à prisão do Maduro. O Maduro meio que tinha terceirizado questões exteriores, de relações exteriores para a Delce Rodrigues, inclusive viagens ao exterior, e que ela teria aproveitado essa oportunidade para construir conexões com os americanos, que teriam sido fundamentais e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e

para a construção justamente desse cenário pós-Maduro. E agora ela acaba colhendo mais um avanço desse diálogo com a remoção do seu nome da lista de sanções impostas pelos Estados Unidos. E ela foi preparando terreno também, né, Daniel? Ela afastou, por exemplo, o Vladimir Padrino, que já era ministro da defesa da Venezuela há mais de 10 anos.

Ela foi tirando alguns nomes muito próximos ao Maduro. Ela tem se mostrado habilidosa nesse sentido. Então esse descongelamento acaba sendo uma sinalização para ela. No dia 5 de março agora, como eu mencionei, a gente teve a retomada de relações diplomáticas que estavam rompidas desde 2019. Fazia tempo já que estava rompido. Então a lógica é que ela não vai exatamente brigar.

E foi interessante porque você teve uma declaração do Trump, Daniel, dizendo que ela está fazendo um trabalho fantástico, mas só digo isso porque ela está colaborando com os Estados Unidos. E há uma retórica do Trump também de dizer que o regime caiu por completo. O regime de Maduro foi completamente substituído.

Quando, na verdade, isso é uma meia-verdade. Na verdade, você tirou o Maduro, a estrutura se manteve e a Delcinha Rodrigues está fazendo ajustes dentro dessa estrutura. Agora, no momento no qual você tem uma pressão sobre o valor do petróleo, a Venezuela tem uma quantidade insana de petróleo.

É um petróleo que é mais caro de ser produzido, é verdade, mas ainda assim, a partir do momento que são empresas americanas que estão produzindo, estão administrando o petróleo venezuelano, você acaba tendo uma facilidade maior, que é você vai colocar mais petróleo em circulação. Isso ajuda, portanto, também os objetivos dos Estados Unidos. Me parece que a lógica dele é...

Eu consigo brigar com várias pessoas, mas com a Adelcey Rodrigues eu não preciso brigar. Se ela está disposta a fazer concessões para mim, ótimo. A Adelcey Rodrigues vai acabar sendo aliada dos Estados Unidos. Daniel Souza, eu queria uma geleia da Shakira. E eu sei que a de hoje é especial porque envolve dois países e que tiveram uma interação curiosa. E conta para a gente, Daniel. A geleia da Shakira de hoje, Tanguê, ela é fantástica.

Emmanuel Macron, sempre ele, resolveu visitar a primeira-ministra do Japão. E aí os dois têm ali um encontro muito harmônico, trocam afagos, etc. Estão ali no púlpito falando para os jornalistas. Eis que, de repente, não mais que de repente, a primeira-ministra do Japão faz um golpe do Dragon Ball. Meu Deus do céu, ela diz Kamehameha.

para o Macron, acaba fazendo, inclusive, o gesto com as mãos do golpe e o Macron retribui. Rapaz, que loucura, que momento da política internacional das relações exteriores dos dois países, Japão e França. A reunião, aparentemente, foi muito produtiva mesmo. Eles tiveram assinatura de declaração conjunta com foco em defesa, tecnologia, coordenação em crises internacionais, exercícios militares conjuntos, etc. Também envolveu ali terras raras e minerais críticos.

Mas foi curioso, Tanguy. A primeira ministra do Japão, toda séria, etc., Doneida, Doneida, dá lá um golpe de Dragon Ball e o Macron acaba retribuindo o que só mostra a importância do soft power como uma arma nas relações exteriores. O Japão, inclusive, tem uma tradição de soft power há bastante tempo. A cultura japonesa é super conhecida. Os animes japoneses são super conhecidos mundo afora.

E, consequentemente, isso merece e pode ser usado em situações como essa. Eu sempre lembro das Olimpíadas, né, Daniel? Quando você teve o encerramento das Olimpíadas aqui no Rio de Janeiro, em 2016, e você teve uma referência ao Mário, né? Porque a Olimpíada seguinte, que seria em 2020, acabou sendo em 2021, seria em Tóquio, né? Então você tem, de fato, uma série de referências aí que o Japão utiliza muito bem. Aliás...

Tem um curso todo sobre o Japão e que a gente fala muito, mas muito mesmo sobre cultura japonesa lá no PetCursos, sobre softball japonês e tal. A gente tem um outro que fala muito sobre cultura sul-coreana. Então você que está me ouvindo, que curte K-pop, você que gosta da cultura coreana, acessa lá, petcursos.com.br. Esse vai vários, com dezenas de outros cursos que certamente vão te interessar, que te ajudam a entender.

O mundo aí vai de acordo com o seu interesse, né? Tem tanto curso lá que certamente tem uma série de cursos que vão te interessar. Acesse lá para dar uma olhada no catálogo peticursos.com.br. Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Peti Jornal. Vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Peti, o trabalho artesanal e a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância. E por isso sempre registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

Fica também o convite. Se você gosta do projeto do Petiornal, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que está no descritivo desse episódio. É uma forma prática, instantânea de apoiar o Petiornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia-se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

E fica aqui, uma vez mais, o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal. É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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