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Trump sinaliza que pode encerrar a guerra - BP 1047

01 de abril de 202628min
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A guerra no Golfo entra em uma nova fase de incerteza após Donald Trump sinalizar que pode abandonar o conflito, ao mesmo tempo em que pressiona aliados a assumirem maior protagonismo na abertura do Estreito de Ormuz. O episódio analisa esse movimento e seus impactos estratégicos, em um contexto marcado por escalada de riscos, incluindo o ataque iraniano a um petroleiro kuwaitiano no porto de Dubai e a maior alta mensal do petróleo da história, com avanço de cerca de 60% em março.
Também discutimos a ampliação das ameaças iranianas, que passam a incluir empresas de tecnologia americanas na região como alvos potenciais, além do endurecimento interno do regime, que intensifica a repressão diante da deterioração econômica no pós-guerra.
Na Geleia da Shakira, ganha destaque o projeto bilionário da biblioteca presidencial de Donald Trump, planejada para Miami.
#OrienteMédio #Irã #Petróleo #Geopolítica #EstadosUnidos
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos3
  • Terceira Guerra do GolfoAtaque iraniano a petroleiro · Impacto no preço do petróleo · Reação de Donald Trump · Fechamento do Estreito de Hormuz · Consequências para a economia mundial
  • Retaliação iraniana e danos às operações americanasAtaques a big techs · Retaliação ao Ocidente
  • Biblioteca Presidencial TrumpProjeto bilionário · Estátua de Donald Trump · Eric Trump como presidente da fundação
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Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 1047. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit. São exatamente 17 horas e 25 minutos da terça-feira, 31 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15% e muito preocupado com muitas noites de insônia, em função das múltiplas preocupações e incertezas que esse mundo extremamente pantanoso está nos proporcionando nesse início de 2026. Mas obrigado a você que nos prestigia, que nos ouve, porque realmente a sua companhia torna tudo um pouco mais fácil.

diante dessa complexidade internacional que temos vivenciado. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso!

Tudo bem, Daniel Souza? Com esse vamos lá para mais um episódio, vamos lá para esse bate-papo 1047. Deixa aqui também, faço as minhas as palavras do Daniel, sejam todos muito bem-vindos, muito obrigado pela sua presença aqui junto com a gente. E Daniel, a gente segue falando sobre a grande crise internacional do momento.

a guerra que acontece no Golfo Pérsico, o ataque iniciado por Estados Unidos e Israel contra o Irã e todas as suas repercussões. Hoje, aliás, Daniel, a gente teve mais um capítulo, na verdade foi de ontem para hoje, a gente teve mais um capítulo muito importante nesse cenário, quando um drone iraniano atingiu um petroleiro, um petroleiro chamado de Al-Salmi, que é de propriedade da estatal do Kuwait, de petróleo. Então a gente está falando sobre uma...

Um alvo muito importante, enquanto ele estava ancorado no pôr de Dubai. Aí, Daniel, você mistura tudo, né? É um ataque iraniano contra um navio de propriedade do Kuwait que está ancorado em Dubai.

e que, aparentemente, Daniel, esse navio estava carregado com 2 milhões de barris de petróleo. Então, a gente está falando de uma carga estimada na casa de 200 milhões de dólares. Pegou fogo, ardeu, queimou por cerca de 3 horas e era petróleo, Daniel, que aparentemente estava destinado à China. E aí, naturalmente, não é interesse nenhum.

do Iranda, de atacar uma carga que iria para a China, mas no cenário no qual a China está preocupada, o petróleo não está fluindo, o petróleo que normalmente iria para esse país, mas a informação que se teve foi que o objetivo desse ataque era provavelmente atingir um navio de containers de uma empresa que tem ligações com Israel, que era o Haifong Express.

e que aí não dá para saber, Daniel, se errou, se foi um ataque indiscriminado ali em Dubai e tudo, mas o fato é que isso gerou muita preocupação e você tem ali, Daniel, ancorado em Dubai ou nas proximidades dezenas de outros petroleiros que não podem passar pelos três de Hormuz, não tem como passar por ali, então eles estão ancorados por ali. No momento que tem um ataque como esse, Daniel,

o desespero toma conta, o desespero se espalhou, portanto, e vários navios, portanto, levantaram âncora e saíram dali com aquela ideia de que, olha, não tem como ficar aqui, aqui não é seguro, a gente precisa sair. Vai para onde? Sei lá para onde que eu vou. Isso trouxe um impacto quase imediato no preço do petróleo. De novo, né, Daniel? A gente sabe que a gente vem falando sobre isso aqui nos últimos dias, na hora que o petróleo...

ele acaba sendo muito pressionado. O Trump dá uma declaração, não, mas a qualquer momento pode acabar e tal. Mas o fato é que, com o passar do tempo, o petróleo está, de fato, atingindo máximas históricas, né, Daniel? O que tem impactos grandes sobre a economia mundial e, em particular, também dos Estados Unidos. É verdade, Tanguy. Aliás, nós tivemos o preço médio da gasolina nos Estados Unidos atingindo 4 dólares e 2 centavos por galão.

É o maior nível, é o maior preço da gasolina desde 2022, quando nós tínhamos ali o primeiro ano da guerra entre Rússia e Ucrânia. Esse dado é da American Automobile Association. É um aumento de mais de um dólar desde o início da guerra. Claro que a alta não é só para os Estados Unidos e não é só para a gasolina. No caso do diesel, nos Estados Unidos...

Nós tivemos aí 5.45 dólares o galão. E isso acaba sendo um elemento que pressiona demais o presidente Donald Trump. O presidente Donald Trump vai ter que fazer uma escolha, inclusive, né, Tanguy? Vira as costas e se manda.

do Oriente Médio, diante justamente dessa deterioração que está havendo no fronte doméstico com o aumento do preço de energia, o americano médio fica irritadíssimo com esse aumento do preço dos combustíveis, isso sem falar em todo o impacto inflacionário em cadeia que o aumento do preço de energia acaba causando.

A outra alternativa do Donald Trump é dobrar a aposta e passar ali para uma incursão terrestre. Afinal, temos aí tropas americanas indo em direção ao Oriente Médio. Fica sempre a dúvida se o Donald Trump está plefando e está tentando pressionar o Irã a obter ali algum tipo de acordo, a gerar algum tipo de acordo para que ele possa ter uma vitória a ser proclamada.

ou se ele está realmente pensando em enviar tropas para o território iraniano, o que poderia trazer consequências econômicas gravíssimas e também com um prazo muito mais alongado. E Daniel, o Trump, na verdade, nesse cenário, você falou que talvez ele possa dobrar a aposta?

O tom dele hoje foi um tom, mais uma vez, muito agressivo e num determinado momento, inclusive, ele falou que podia abandonar a guerra. De repente, ó, essa guerra também eu posso deixar essa guerra pra lá sem abrir o estreito de hormus. Esse é um ponto muito importante, porque o discurso que ele tinha desde o início, Daniel, era que, ó, a gente...

precisa abrir o Estreio de Hormuz, vai ser necessário, a gente pode escoltar navios para passarem por ali. Ele já entendeu que isso não vai funcionar. Afinal de contas, como a gente já falou aqui outras vezes, né, Daniel? O Estreio de Hormuz está fechado não é um fechamento físico. É uma ameaça que o Irã coloca. Então você tentar escoltar navios por ali não vai convencer ninguém a de fato querer passar.

O risco continua lá e o Trump, portanto, ele deu a entender que poderia, inclusive, largar o estreito de Hormuz fechado e abandonar a guerra. E aí ele soltou alguns tweets meio irados, Daniel, por exemplo, com países que não foram para a guerra junto com os Estados Unidos e chamou todo mundo de covarde. Então ele teve uma reação, por exemplo, muito dura com relação à França.

A França disse, segundo ele, na Truth Social, a rede social dele, ele disse que a França foi muito pouco cooperativa e lembrou que o açougueiro do Irã, fazendo referência ao Ali Khamenei, foi eliminado sem a ajuda da França. Os Estados Unidos vão se lembrar. Isso coincidiu também, Daniel, com uma proibição que o governo francês emitiu para que aviões carregados com suprimentos militares americanos que vão para Israel possam sobrevoar o espaço aéreo francês.

Não pode. Então, os suprimentos americanos que vão em direção a Israel não podem passar pelo espaço aéreo francês, o que é uma medida que os Estados Unidos interpretaram como muito hostil. Enfim, é um aliado, teoricamente, da OTAN, mas o nível de hostilidade que a gente tem ali já é bastante grande. A Espanha também foi além e proibiu, na verdade, estabeleceu o fechamento do seu espaço aéreo para qualquer voo ligado aos ataques ao Irã.

E o Trump também reagiu muito duramente contra o Reino Unido. Ele disse que falta coragem. O Reino Unido não está tendo coragem de ir lá e abrir o Estreio de Hormuz. E aí ele disse, Daniel, número um, comprem dos Estados Unidos. Nós temos petróleo de sobra.

Número dois, desenvolvam uma coragem tardia, vão até o estreito e tomem-no. Então, basicamente, o que ele está dizendo é, de repente, eu desço esse estreito de hormuz fechado aí, os árvores não querem me ajudar a pagar, meus alheados da OTAN não querem ajudar, eu desço esse negócio fechado e eu tenho petróleo. Se vocês não têm, azar o de vocês.

Assim fica fácil, né, Tanguy? Quer dizer, você arruma uma confusão no Oriente Médio, joga a conta para os aliados, depois de ter pressionado esses mesmos aliados a te socorrer, a te ajudar em um momento difícil. E é verdade que os Estados Unidos têm petróleo. Aliás, quando a gente projeta efeitos de longo prazo dessa guerra ali no Golfo Pérsico...

Me parece que os países do Golfo Pérsico vão investir pesadamente em rotas alternativas de distribuição de energia que não passe pelo estreito de Hormuz, que não passem por ali. Você vai ter oleodutos, você vai ter gasodutos, você vai ter mecanismos que contornem o estreito.

Também me parece que uma das consequências é que fornecedores fora do Oriente Médio ganhem força, ganhem espaço, ganhem presença no mercado internacional, o que inclui os Estados Unidos. Quer dizer, os Estados Unidos podem ser beneficiados por esse lado. Claro que tem o efeito inflacionário, claro que tem realmente impactos sobre a economia doméstica, mas também tem aí um fortalecimento da posição americana como fornecedor de energia e o próprio Trump deixa transparecer isso.

E uma outra consequência de longo prazo é um estímulo à busca de combustíveis alternativos ao petróleo. Você tem ali um incentivo à eletrificação, você tem um incentivo à busca de energias renováveis, de tal maneira a diminuir a sua dependência do petróleo importado, que é caminho, inclusive, que a China tem adotado já há vários anos.

Portanto, Tanguy, são declarações que às vezes parecem soltas, mas tem um fundo de verdade. Quer dizer, é o Donald Trump tentando criar já um discurso para dizer que saímos beneficiados, vamos ganhar força, vamos ganhar espaço. Nesse cenário internacional, os Estados Unidos podem se tornar grandes fornecedores de energia daqui para frente.

mas, no curto prazo, o impacto sobre a popularidade dele sobre a economia dos Estados Unidos me parece incontornavelmente deletério, aliás, não só para a economia dos Estados Unidos, como para a economia mundial como um todo. Falar em economia mundial, Daniel, a gente está falando sobre uma economia que deve ter problemas para crescer por conta dessa questão energética.

Isso é uma coisa que a gente já falou aqui várias vezes. Aliás, lá no Petitcurso, a gente tem um curso só sobre energia lá, a gente chega a uma conclusão que é muito interessante, que é não há período de crescimento econômico continuado com energia cara. Não tem jeito, porque você precisa de muita energia para poder crescer, se a energia está cara, isso come qualquer possibilidade que você tenha.

de crescer de maneira mais continuada. Uma saída que existe, no entanto, que também demanda muita energia, naturalmente, é a tecnologia. Então fica aqui a dica, né? Você que está ouvindo a gente, você que está acompanhando tudo o que está acontecendo, conhecer de tecnologia é fundamental. E a gente tem como nosso parceiro aqui no Petit Jornal a Alura.

a maior escola de tecnologia do Brasil. É legal, Daniel, porque quando você entra lá na Alura, quando você se torna aluno, você entra num ambiente interno lá da Alura que tem vários cursos sobre tudo o que você precisa saber sobre tecnologia, sobre programação, inteligência artificial, várias ferramentas diferentes, desde pessoas absolutamente iniciantes, como é o meu caso, o Daniel.

até pessoas que são avançadas, pessoas que trabalham com isso, pessoas que querem trabalhar com isso. Então, a Alura é para todo mundo. É para você que é iniciado em tecnologia. Para você que não é, desconto de até 35% com o link que está na descrição desse episódio. Não perde, não. O link está na descrição, Daniel. Imperdível, gente. Link no descritivo desse episódio. Condições especialíssimas para os amigos e amigas.

do Peti Jornal. Vai lá, clica e conheça o trabalho da Loura. Esse letramento tecnológico é super importante para qualquer profissional. Link no descritivo desse episódio. Daniel, eu queria olhar um pouquinho para dentro do Irã. Naturalmente, é um país que está em guerra, Daniel. Então, as próprias informações acerca do Irã, uma guerra que está acontecendo no Irã, com bombardeios e tudo. Então, esse acesso a informações muitas vezes é complicado, mas as informações que a gente recebe...

é que há uma preocupação dentro do Irã, principalmente no regime, no governo iraniano, com relação ao pós-guerra. O que pode acontecer depois que a guerra terminar, ainda que seja uma projeção para daqui a um tempo, não dá para saber quando exatamente isso vai acontecer.

O fato, Daniel, é que com a morte do Ali Khamenei, você tem um momento que há um substituto, que é o filho do Ali Khamenei, que é o Mostaba Khamenei, mas que até agora não apareceu. Então a gente teve declarações que foram lidas, mas ele em si não tem se feito presente. Há rumores de que ele estaria machucado, de que ele estaria eventualmente desfigurado. Tem gente que diz que ele morreu. Tem gente que diz que ele está apenas se preservando, porque se ele aparecer, ele pode morrer, ele pode acabar sendo alvo.

Mas o fato é de que, nesse cenário, a guarda revolucionária do Irã assumiu o controle absoluto do país, completo. Já era uma força muito poderosa dentro do Irã, e que, nesse momento, é de fato quem está governando a cúpula da guarda revolucionária. Tem me chamado a atenção, Daniel, que, num cenário de guerra como esse,

O próprio presidente, o Massoud Pesesquian, tem aparecido pouquíssimo. A gente não tem ouvido falar sobre ele. E a Guarda Revolucionária tem tentado fazer de tudo para evitar manifestações contra o governo que possam soar derrotistas ou que possam incentivar uma parcela maior da população a, de repente, tentar fazer algum tipo de movimento por dentro. Então a gente teve, Daniel, ao longo dos últimos dias, uma movimentação, por exemplo, das milícias Bacis.

As milícias de Bassija são um grupo armado dentro do Irã, ligado à Guarda Revolucionária, e que normalmente atua em momentos de repressão. Então, se tem manifestações, a milícia de Bassija está lá pronta para evitar aquela repressão, às vezes agindo, inclusive, de forma bastante violenta, e num sinal exatamente dessa...

tentativa de impedir qualquer tipo de manifestação, essa milícia reduziu a idade mínima para voluntários em postos de controle. Agora, Daniel, a idade mínima é de 12 anos. Aí tem imagens de crianças armadas, crianças de 12, 13 anos, armadas que agora vigiando as entradas das principais cidades do país.

E você tem toda uma gestão, Daniel, para impedir que você tenha manifestações, notícias contrárias, até mesmo iranianos fora do Irã que se comuniquem com iranianos que vivem no próprio Irã, têm sido alertados a tomar cuidado com o que falam, como é que é falado, o impacto que isso pode ter, exatamente pela preocupação de que...

Quando a guerra terminar, Daniel, o país obviamente vai estar afundado numa crise econômica severa. A gente está falando sobre um país que já vinha numa situação econômica bastante deteriorada. O PIB per capita, por exemplo, do Irã é metade do brasileiro, Daniel. Então, um país que produz petróleo da maneira como produz. Então, já não era uma situação econômica confortável por conta de toda a história recente do Irã. Depois que essa guerra terminar, a tendência que você tenha...

um problema ainda maior. Você já tem um cenário de desemprego em massa em Teirã por conta de medo, ninguém investe, lojas fechadas e tudo. Então, existe uma preocupação dentro do Irã com o que pode acontecer daqui para frente e a tendência é, com a Guarda Revolucionária à frente, que você tenha o aumento da repressão dentro do país, Daniel. Tanguy, uma notícia que chamou muito a atenção foi a declaração da Guarda Revolucionária do Irã e a tendência é, com a Guarda Revolucionária.

que haverá ataques contra empresas dos Estados Unidos na região do Golfo. O início previsto é 1º de abril, às 20h, horário de Teherã, e a justificativa é justamente retaliar a ataques que aconteceram dentro do próprio Irã.

Big techs americanas como Microsoft, Google, Apple, Intel, Tesla, etc., podem ser alvos de ataque dos iranianos. E não deixa de ser curioso, porque a gente está falando de empresas que se tornaram muito próximas à administração de Donald Trump, e, num certo sentido, também são vistas como financiadoras do governo Trump e, por tabela, de ataques.

aos iranianos. Vamos ver se efetivamente os iranianos mantêm essa ameaça e se partem realmente para cima de empresas americanas que atuam na região, mas o fato é que os iranianos consideram que têm tido ali a sua infraestrutura econômica atacada e não apenas a infraestrutura militar e, consequentemente,

vão atingir também a infraestrutura econômica. E, claro, empresas americanas são vistas como uma extensão da infraestrutura americana e, consequentemente, é onde o braço iraniano alcança. E essa retaliação pode ser feita. Agora, a gente não pode esquecer que essas empresas americanas estão presentes em países do Golfo e não nos Estados Unidos. Ou seja, você está atacando ali empresas americanas, mas empresas americanas em países do Golfo.

com impacto sobre a infraestrutura local e sobre a economia local. Aliás, Tanguy, isso é algo que a gente pode discutir em algum momento de maneira mais aprofundada aqui no Petit Jornal. Como será o relacionamento do Irã com os países do Golfo depois dessa guerra? Porque me parece que sequelas ficarão.

É claro que você pode dizer que está atacando, focando bases militares dos Estados Unidos, você pode estar focando em empresas americanas, mas você está atacando vizinhos seus. Esses vizinhos não vão se mudar, os vizinhos não vão sair dali, o Irã também não vai sair dali.

como é que vai ficar o relacionamento do Irã com esses países do Golfo. Isso pode ter consequências em uma ampliação do isolamento iraniano. Irã, que já é um país relativamente isolado na região, pode se tornar ainda mais isolado em função justamente desses ataques. É interessante observar que esses países hesitam em retaliar o Irã. A Arábia Saudita, por exemplo, teria capacidade de retaliar o Irã, não o faz. Em primeiro lugar, porque poderia ficar...

Ao lado de Israel, numa guerra, o que para os sauditas é bastante embaraçoso, imagina. Tem uma guerra em Irã contra Estados Unidos e Israel. Aí está a Arábia Saudita do lado de Israel nessa guerra. Para os sauditas, seria muito embaraçoso, além do fato de ser arrastado para dentro da guerra. Quer dizer, você retalia e o Irã pode retaliar ainda mais. E você pode se tornar parte de uma guerra.

que você, Arábia Saudita, por exemplo, considera que não é sua. Pois é, e é um relacionamento que já era muito ruim, né, Daniel? Então, houve tentativas de melhorar. Eu lembro aquele momento em que, em 2024, a China chegou a fazer uma intermediação ali entre Arábia Saudita e Irã, voltaram a dialogar. Havia um relacionamento entre Irã e Catar, por exemplo, que já levou, inclusive, a embaraço para o próprio Catar, junto a outros países da região, que não gostavam muito desse diálogo.

Mas o fato é que agora não é somente que o Irã está atacando instalações americanas, está atacando a infraestrutura desse país. Chegou a atacar, por exemplo, a infraestrutura de produção de energia, de gás natural lá no Catar. Você imagina o impacto disso, eu concordo com você, é um impacto de longo prazo. É um impacto que enquanto esse modelo, essa forma de governo do Irã perdurar, me parece que não tem volta de forma tão rápida assim. A tendência é que...

os efeitos de fato sejam bastante duradouros. Aliás, Daniel, a gente fala sobre o Trump dizendo que de repente pode acabar com a guerra, que de repente pode ir embora, pode deixar o Estreio de Hormuz fechado e vocês se virem, eu vendo petróleo por alguém de vocês. O Trump também, Daniel, ele está dizendo o seguinte, até parece que a culpa é minha, que o Estreio de Hormuz está fechado, sabe? Vocês ficam falando também, professor Daniel, fica provocando, ah, que o Trump é responsável, até parece que a culpa é dele.

Ele fez alguma coisa para os treinos de almoço e fez. Ele não fez, Daniel Sousa. Não fez. É a culpa dos outros. E, aliás, foi uma surpresa. O Irã, de forma surpreendente, jamais falou sobre isso. Nunca ameaçou. Ninguém sabia. Ninguém tinha como saber isso. O Petit Jornal, por exemplo, quando falou sobre isso no ano passado, estava chutando de forma absolutamente leviana. E o presidente Trump não tinha como adivinhar.

que os iranianos, diante de uma ameaça existencial, um ataque pesado de Israel e dos Estados Unidos, poderiam responder, fechando os treitos de Hormuz, algo que eles sempre prometeram fazer. Pois é, ele não tinha bola de cristal, não tinha como adivinhar, Daniel. E a gente teve hoje também uma declaração do primeiro-ministro israelense.

Dizendo que já alcançou mais da metade dos objetivos israelenses na guerra. Evitou dar prazos, mas disse que a guerra, isso foi dito pelo porta-voz de Israel, a guerra pode continuar por mais algumas semanas.

E falou não meses, isso foi reiterado, não meses, mas semanas. Eu acho interessante, Daniel, porque você tem tantos Estados Unidos quanto Israel dizendo, olha, o nosso objetivo não é uma guerra de longo prazo. Não é uma guerra que vai perdurar. A gente não quer uma guerra de longo prazo. Então você tem, por exemplo, o Trump colocando prazo. Aliás, você que está ouvindo a gente, coloca na agenda aí. O Trump disse que o Irã tem até o dia 6 de abril.

Para resolver a situação, para aceitar o cessar-fogo, o Irã já disse que, olha, as propostas não são boas, não sei se a guerra vai acabar até lá e não estou disposto a abrir os trade-off-muz. Mas você tem tanto os Estados Unidos quanto Israel dando indicações de que gostariam de acabar com essa guerra logo para ver se o mundo volta ao que era antes.

está faltando combinar com o Irã. Então, você tem aí uma indicação por parte do governo israelense que, olha, a gente já está quase satisfeito, daqui a pouco a gente chega num ponto aí no qual a gente resolve aquilo que a gente queria. O ideal seria ter derrubado o regime, talvez não seja o caso, talvez a gente não chegue lá, mas a gente vai conseguir enfraquecer bastante o Irã e depois disso acabou. E a gente também teve uma declaração, Daniel, mais ou menos no mesmo tom, do Marco Rubio.

que é o secretário de Estado dos Estados Unidos, o equivalente ao ministro das Relações Anteriores, que disse também que a guerra deve durar mais algumas semanas e que o objetivo não é chegar a alguns meses. Eu quero voltar na sua fala, Daniel, que é na hora que começa a ver que o petróleo bateu 118 dólares o barril, no momento em que você tem um petróleo que atinge máximas históricas, quando a gente fala de máximas históricas, a gente teve ao longo do mês de março uma valorização de 60% no barril de petróleo.

é o maior aumento mensal da história. Nunca em um mês o petróleo subiu tanto na história. Isso é muito significativo, ainda mais no ano de eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Aí começa tanto os Estados Unidos quanto Israel. Não, veja bem, a gente vai permanecer mais algum tempo, depois a gente acaba. Está faltando combinar com o Irã, Daniel. Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje? Precisamos, Daniel. Me conta.

Na gelé da Shakira de hoje, Tanguy, eu quero falar sobre o anúncio de hoje do Donald, sempre ele, Trump. Donald Trump anunciou a construção de sua biblioteca presidencial.

será a Fundação Biblioteca Presidencial Donald J. Trump. E ficará em Miami. Tem um prazo de construção de 4 a 5 anos. E prevê arrecadar, entre doações e também fruto de algumas ações judiciais do Donald Trump, quase 1 bilhão de dólares. E tome nota, Tanguy, porque o projeto é audacioso. Nós teremos uma estátua dourada de Donald Trump com o punho erguido,

Teremos uma torre de vidro com um Air Force One desativado. Teremos uma réplica do Salão Oval. E teremos também uma versão do Salão de Baile da Casa Branca, do novo Salão de Baile da Casa Branca. Além de exposição de aeronaves militares. Eu senti falta da parte dos livros, realmente, para falar um pouco mais da biblioteca.

Mas só para a gente ter uma ideia, Tanguy, o Joe Biden arrecadou ali algo em torno de 4 milhões de dólares para a sua biblioteca presidencial, o Obama 20 milhões e tal. Quer dizer, o Trump quando fala em 1 bilhão de dólares é uma escala completamente diferenciada. E essa fundação será presidida por Eric Trump, filho do Donald Trump de 42 anos.

O Otangui, acima de tudo, a crise é estética. Você quer fazer uma biblioteca presidencial? Tudo bem. Mas peraí, o que é isso, gente? Estátua dourada? Air Force One? Uma torre de vidro? Salão oval? Ô, gente, calma, calma. Narcisismo tem limite, pelo amor de Deus. Eu acho que não sei não, Daniel. Você vai me desculpar, te discordar de você. Não é possível.

aparentemente, narcisismo nesse momento da história dos Estados Unidos não tem limites. Eu vi algumas projeções, Daniel. Eu fiquei na dúvida se... Não é possível. Porque é aquele negócio que você formula, Daniel. Você não precisa mostrar. Mas eles quiseram mostrar.

Eles quiseram dizer como é que vai ser. Então tá aí, Daniel. E você cobrando livros, o negócio de um bilhão de dólares, você querer livros, sabe? Uma coisa menor. Ele tá pensando em coisas maiores, tá pensando aí no seu legado, no seu legado pro futuro. E o pessoal vai ficar pensando como é que entrou nessa Disney que ele tá criando, chamando de biblioteca. Daniel Souza, eu vou fazer aquele convite.

É importante porque daqui a pouco a gente está gravando esse episódio, nesse momento que eu falo aqui, é terça-feira, 31 de março, são 17 horas e 51 minutos, horário de Brasília. Às 19 horas, a gente vai ter uma aula gratuita no YouTube do Petit Jornal sobre o Estreito de Hormuz. Então, se você está ouvindo a gente a tempo, vem com a gente.

Se você está ouvindo a gente depois, assiste lá. Vai estar lá aberto para você, disponível. Confere lá se você está inscrito no canal do Petit Jornal no YouTube, porque isso ajuda demais a saber o que a gente está produzindo por lá, a saber quando é que saem, por exemplo, episódios aqui do Petit Jornal também, além de ajudar muito o nosso projeto. Mas a gente vai ter uma aula que vai falar sobre a economia dos Três de Hormuz, a história dos Três de Hormuz. Eu não vi a aula ainda.

Eu tenho certeza que Daniel Sousa vai falar sobre a presença portuguesa no Estreio de Hormuz. Eu não tenho dúvidas de que isso vai acontecer. É uma certeza matemática, assim como o futuro. Enfim, com o fechamento, ainda que temporário, a gente não sabe ainda, do Estreio de Hormuz, o que pode acontecer daqui para frente. Não perde, não. Acesse lá o YouTube do Petit Jornal. Tenho certeza que você vai curtir essa aula que a gente vai oferecer daqui a pouco.

Tem aqui a presença portuguesa em Hormuz incontornável. Aliás, eu vou falar sobre o forte de Nossa Senhora da Conceição de Hormuz, que tem uma história super relevante na região, além de muitas outras questões. Então, fica aqui reforçado o convite para você assistir a aula gratuita do Peti Jornal no YouTube do Peti.

E também fica o nosso agradecimento a todos os apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet é uma mídia pequena, não tem ali o suporte de um grande conglomerado, não tem ali um grande estúdio. É um trabalho bastante artesanal e por isso a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância e por isso fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite.

Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática, instantânea, de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia-se, tem o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Aliás, daqui a pouco a gente está de volta na aula. Amanhã tem bate-papo mais uma vez. Nos vemos. Um abraço. Até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

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