Rússia sem gasolina - BP 1104
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A Rússia passa a importar gasolina da Índia depois de novos ataques ucranianos contra refinarias, evidenciando a vulnerabilidade de sua infraestrutura energética e os custos crescentes da guerra. No episódio analisamos como essa inversão logística afeta Moscou, além do oferecimento de treinamento chinês a militares russos, movimento que aprofunda desconfianças europeias em relação a Pequim. Também discutimos a onda de xenofobia na África do Sul, com marchas, violência e fuga de imigrantes, e o avanço do arranjo entre Irã e Omã para estabelecer tarifas sobre navios que cruzam o Estreito de Ormuz.
Falamos ainda sobre as revelações de que Donald Trump recebeu ao menos US$ 2,2 bilhões em 2025, com forte presença de criptoativos, a decisão da Suprema Corte que declarou ilegal seu decreto para retirar cidadania de filhos de estrangeiros nascidos nos Estados Unidos e o voo inaugural no Air Force One presenteado pelo Catar.
Na Geleia da Shakira, o “guru” da Copa erra sua previsão sobre o Brasil e sobre a Holanda campeã.
#Rússia #Ucrânia #Ormuz #EstadosUnidos #Geopolítica
- Petróleo RussoAtaques ucranianos a refinarias · Importação de gasolina da Índia · Vladimir Putin · Belarus
- Trégua EUA-Irã e Estreito de OrmuzCobrança de tarifas para navios · Segurança marítima · Estados Unidos · Irã · Omã · Estreito de Malaca · Estreito de Singapura
- Alianca China-RussiaProteção radiológica, química e biológica · Guerra na Ucrânia · União Europeia · China · Rússia
- Xenofobia na África do SulViolência contra imigrantes · Repatriação de estrangeiros · Taxa de desemprego · África do Sul
- Cidadania AmericanaSuprema Corte dos Estados Unidos · 14ª Emenda da Constituição dos EUA · Jus soli · Donald Trump
- Regulação de criptomoedasReceita de criptomoedas · Criptomoedas da família · Donald Trump
- Voos da Emirates e Catar AirwaysBoeing 747 reformado · Catar · Donald Trump
- Copa do Mundo - ResultadosModelo estatístico de Joachim Clement · Holanda campeã · Brasil · Japão
Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1104. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 19 horas e 26 minutos. Do dia 1º de julho, quarta-feira de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy vírgula Obagdadia, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, atumbante, descansado, tarifado, com mais tarifas a caminho, preocupado, muito preocupado, com insônia em função desse mundo pantanoso, incerto e perigoso que nós estamos vivenciando nos últimos tempos.
As pessoas me perguntam, Tanguy, "Como é que eu coloco tantos adjetivos? Como encontrei tantos adjetivos para qualificá-lo?" E eu respondo: "Basta observar o professor Tanguy Bagdadi que você constatará a necessidade de cada um deles." Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor Bagdadi? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza com S, um prazer estar aqui com você mais uma vez. As pessoas também me param na rua, Daniel Souza, para me perguntar como é que eu falo com tanta naturalidade que o seu nome é com S. E a minha resposta, Daniel Souza, é que basta saber sua letra A. Inclusive porque o seu nome Souza tem dois S, um no início e um que é a penúltima letra. E as pessoas ficam sempre muito impressionadas com essa minha resposta.
Que é uma resposta de sabedoria que eu consigo passar para as pessoas todos os dias. Um prazer tá aqui com você, Daniel Souza, mais uma vez. Um prazer tá com todo mundo que nos ouve, pessoal que nos acompanha, as pessoas que estão acompanhando esse mundo insano que nos rodeia. E Daniel Souza, eu quero começar com a primeira notícia, que é: a Rússia tá sem gasolina. A Rússia, que é uma potência do setor energético, tá comprando gasolina. Me conta, Daniel, o que que tá acontecendo?
Pois é, Tanguy, que mundo é esse? A Rússia precisando comprar combustível, mais especificamente gasolina, da Índia. Ataques ucranianos, como nós temos acompanhado aqui no PetJornal, à infraestrutura energética na Rússia causaram escassez de combustível e preços em alta no país. O Putin reconheceu o problema em reunião com ministros no último domingo. Afirmando que a Rússia estava lidando com a situação, e pelo menos 60.000 toneladas métricas de gasolina já foram despachadas da Índia para a Rússia.
O que não deixa de ser curioso, porque a Índia é uma grande compradora de petróleo russo, então, ela compra o petróleo russo, refina o petróleo russo, transforma em gasolina e, eventualmente, acaba despachando de volta para a Rússia. A meta declarada é importar 400 mil toneladas de gasolina num futuro não muito distante, pelo menos no prazo de um mês. O parlamento russo aprovou subsídios para importação, calculados com base nos custos e preços de entrega da Índia.
Belarus quase triplicou também o volume de gasolina transportado por ferrovia para a Rússia, mais de 70 mil toneladas na primeira quinzena de junho, ante o mesmo período de maio. As importações indianas de petróleo bruto russo estão atingindo aí um nível recorde. E, na prática, a gente está falando de uma Rússia que, diante da guerra, diante desse bombardeamento, principalmente de refinarias, acaba sentindo a necessidade de importar combustível.
Para aumentar a oferta e reduzir justamente a pressão sobre os preços, além de oferecer um subsídio justamente para tentar reduzir o custo desse combustível para os consumidores finais. O Ministério da Energia russo e o Ministério do Petróleo da Índia não responderam a comentários sobre justamente esse negócio, E a refinaria indiana fornecedora da gasolina ainda não foi identificada. Mas, de qualquer maneira, nós temos aí a Rússia tentando lidar com esse problema grave de abastecimento energético em um contexto onde a capacidade de refino da Rússia tem sido bastante comprometida por ataques ucranianos, ataques cada vez mais longos e com poder de fogo cada vez maior.
Sinal dos tempos, Tanguy. A Rússia que exporta combustível, a Rússia que exporta petróleo, agora tá tendo que importar combustível para o seu próprio abastecimento doméstico.
E a estratégia da Ucrânia se mostra, portanto, acertada do ponto de vista ucraniano, claro, né? A Ucrânia, ela tem atingido basicamente estruturas de refino de petróleo. A Rússia, portanto, tem muito petróleo, mas não consegue refinar. A Índia consegue. Aliás, quem isso aconteceu durante muito tempo com o tal do Brasil, viu, Daniel? O Brasil também é um país que vende petróleo crú, né, bruto, para a Índia. A Índia refina e o Brasil também compra combustível.
Lembrando que a Índia é um país que não tem muito petróleo, só que ela se especializou exatamente no refino. Aí para ela fica fácil, ela compra combustível, ela compra petróleo barato, refina e vende petróleo com preço, com valor agregado, né.
O Brasil até hoje ainda é um grande exportador de petróleo e importador de petróleo. Aliás, se você pega lá a pauta de exportações do Brasil, o óleo cru, o petróleo bruto, acaba aparecendo em destaque. As refinarias brasileiras, muitas delas bastante antigas, principalmente ali do período do segundo PND, do segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, acabaram se especializando no refino de petróleo leve, oriundo principalmente de países como os países do Oriente Médio.
Consequentemente, o Brasil acaba sendo um grande exportador de petróleo e importador de petróleo. E a gente sabe que o aumento do preço da energia é algo que irrita profundamente a população de qualquer país. A Ucrânia sabe disso e está apostando num descontentamento popular. Baixas elevadas por conta da guerra que vai se tornando cada vez mais desgastante e também, claro, o aumento do preço dos combustíveis, escassez de energia, que acaba trazendo ali problemas do ponto de vista interno para o Vladimir Putin.
Por falar na Rússia, Daniel, queria trazer uma informação que tem circulado e que tá praticamente sendo confirmada por todo mundo, e que pode levar a um estremecimento. Tem a ver com a Rússia, mas pode levar um estremecimento da relação entre a União Europeia e a China. No dia de ontem, Daniel, no episódio de ontem, você trouxe aqui que a União Europeia e China estão dialogando por conta de questões comerciais o que que a gente pode fazer para diminuir um pouquinho o tamanho do déficit, né, que a Europa tem com a China e tudo.
E exatamente no dia de hoje a União Europeia está discutindo se precisa colocar novas sanções contra a China. O que tá ocasionando essa discussão toda, Daniel, é a informação que começou a circular no dia de hoje, primeira a partir da Reuters, e acabou sendo confirmada por diversas pessoas na Europa. Ou seja, me parece aquela notícia, Daniel, que alguém tinha soltou na Reuters para ver, para vazar e tal. E depois as pessoas vão confirmando que é que militares russos, alguns militares russos, não são poucos, foram para China para fazer um treinamento militar de 3 semanas.
E que esse treinamento, Daniel, ele teria como objetivo a proteção radiológica, química e biológica. E por que que está dando um auê danado, Daniel? Porque militares que passaram por esse treinamento na China voltaram para Rússia e foram para a guerra da Ucrânia. Dessa maneira, a lógica, né, que você acaba utilizando é: a China diz que não tem nada a ver com a guerra da Ucrânia, mas os militares russos vão para China, fazem o treinamento militar e depois vão para a Ucrânia.
Logo, a China tem uma participação indireta na guerra da Ucrânia. É, a gente, assim, a Reuters divulgou inclusive, Daniel, que há imagens e relatórios anexados, né, essa informação que vazou que mostram soldados russos assistindo a palestras ministradas por instrutores chineses, analisando uma maquete de um reator nuclear e recebendo instruções práticas sobre reconhecimento químico, reconhecimento de radiação e blindagem de sistemas de ventilação contra contaminações.
Tem inclusive daí um relatório dos russos, né, um relatório da Rússia elogiando o alto padrão dos equipamentos do Exército Chinês. E o uso avançado de simuladores e o profundo conhecimento teórico de instrutores chineses. Por outro lado, esse relatório interno da Rússia, claro, a gente não tem como garantir que ele é legítimo ou não, que ele é genuíno ou não, mas a informação que chegou para a gente é que esse relatório também aponta que a China carece de experiências práticas de combate.
Claro, faz muito tempo que a China não entra em guerra, enquanto a Rússia está envolvida numa guerra aí de mais de 4 anos na Ucrânia. Então isso aqui é um ponto que, né, a China ela bate no peito e diz: a China pode saber, a Rússia, né, bate no peito, diz: olha, a China pode saber muito aí, mas quem tá trocando tiro lá, quem tá vendo como é que é a dureza da guerra, somos nós, os russos. Tanto a Rússia quanto a China negam que esse treinamento tenha acontecido.
A questão, Daniel, que tá sendo confirmado por tantas fontes que tá difícil manter que isso de fato não aconteceu.. E há, portanto, uma autoridade em Bruxelas que já disse que a Europa precisa deixar de enxergar Pequim prioritariamente sob uma lente econômica e focar no fato de que a China nesse momento atua como um facilitador decisivo da guerra da Rússia. Como é que tá tudo envolvido, né, Daniel? E a gente tá vivendo um período no qual essas tensões que eram tão comuns alguns anos atrás E que depois de um tempo ali, a guerra da Ucrânia, ela meio que entrou na paisagem, né?
Todo mundo que se acostumou com ela. A China conseguiu se descolar. Olha, não tem nada a ver com isso, eu sou aliado da Rússia, mas eu não tenho nada a ver com a guerra. Nesse momento se torna um outro tema, né, um tema de clima pesado agora entre a União Europeia e a China. Vamos ver, Daniel, até onde que isso vai. Mas lembrando que, como você trouxe, China e União Europeia estão querendo dialogar para imaginar o que que vem pela frente.
E o fato é que isso aqui certamente vai ser um elemento de constrangimento nessa relação.
Agora, Tanguy, antes de avançar para a próxima pauta, vejo que há um email aqui no descritivo desse episódio. Afinal, para que serve esse email que está no descritivo do episódio de hoje?
Vamos imaginar, Daniel, que alguém esteja ouvindo a gente, esteja assistindo a gente, esteja aqui na nossa audiência e esteja pensando assim: caramba, temas internacionais mexem com o meu cotidiano, mexem com o cotidiano da minha empresa. Mexem com os negócios, né, nos quais eu tô envolvido. E você pode querer levar o Petit Journal para sua empresa, levar o Petit Journal para dar uma palestra toda voltada para as suas necessidades, para o seu mercado, né, para as necessidades da sua empresa.
Conversa com a gente, fala com a gente, quiser fechar uma parceria com Petit Journal, fala com a gente, porque a gente vai ter todo prazer em fazer algo que seja absolutamente direcionado para as suas necessidades.
Contato pelo e-mail, e-mail no descritivo desse episódio. Gente, manda uma mensagem para gente que nós conversamos. Avançando para a próxima pauta, agora sim eu quero falar um pouco sobre a crise de xenofobia e violência na África do Sul. Tengi, grupos anti-imigrantes haviam fixado 30 de junho como prazo para que estrangeiros sem documentos deixassem o país. Manifestantes envoltos em bandeiras sul-africanas e com armas de madeira marcharam em várias cidades Lojas fecharam, trabalhadores estrangeiros ficaram em casa, ônibus pararam e policiais foram às ruas para tentar conter esse escalar da violência.
Aliás, a campanha contra imigrantes na África do Sul, ela era mais discreta até 2025, mas agora explodiu em 2026. Nas últimas semanas, nós tivemos o assassinato de 2 moçambicanos um etíope e um malaiano. E isso na prática acabou acendendo todos os sinais de alerta para as autoridades. No norte de Joanesburgo, há registro de pedradas contra a polícia e contra postos migrantes. A polícia inclusive acabou sendo mobilizada. No Benoni, a polícia mobilizou veículos táticos e disparou após ser cercada por 500 manifestantes.
Em Soweto, manifestantes saquearam barracas de estrangeiros e nós tivemos ao longo das últimas semanas centenas de pessoas presas. Mais de 25 mil pessoas já foram repatriadas, segundo a Autoridade de Gestão de Fronteiras. Países que estão organizando repatriações: Quênia, Uganda, República Democrática do Congo, Nigéria, Malawi, Gana, Zimbábue e Moçambique. Milhares de pessoas seguem aguardando em acampamentos improvisados em Durban, Joanesburgo e na Cidade do Cabo.
Os imigrantes tanguis são cerca de 3 milhões na África do Sul e representam pouco, algo em torno de 4 a 5% da população, e esse percentual vêm caindo ano a ano. O grande problema é que a África do Sul tem uma taxa de desemprego elevada e, consequentemente, isso acaba trazendo uma tensão social de grandes proporções. Vamos ver como é que essa história vai terminar, Tanguy, mas é absolutamente lamentável você estar diante de uma crise desse tamanho, você ter essa postura de violência em relação a imigrantes É algo que não vai levar a África do Sul a um bom lugar.
É claro que a gente está falando de um país relativamente desenvolvido dentro do continente africano e que consequentemente acaba atraindo muita gente, mas de qualquer forma esse nível de violência é algo bastante preocupante no país.
Daniel, como próxima pauta eu queria trazer mais uma vez a situação em Ormuz e a gente teve uma reviravolta no mínimo curiosa. Não é de hoje, Daniel, que o Irã tá dizendo que, olha, trafegar pelo Estreito de Hormuz até hoje foi de graça, mas não vai ser mais de graça. Então os Estados Unidos dizem, olha, não pode cobrar tarifa. E aí o Irã fala, não, não, tá, pô, tarifa não, claro que não vai ser tarifa, vai ser uma taxa, uma taxa pela manutenção da segurança, uma taxa ambiental, tem uma taxa aí que tem que ser paga.
Que tem que ser paga. E aí os Estados Unidos estão falando assim: não, mas olha só, o Estreito de Hormuz não é seu. E de fato, o Estreito de Hormuz, ele é dividido. Você tem a parte norte que pertence ao Irã, né, as águas ali são águas territoriais do Irã, e a parte sul é de Omã. E Omã, Daniel, a gente já falou sobre isso aqui várias vezes, inclusive tem uma aula lá no PetiCurso sobre isso, é um país que é marcado pela sua postura de neutralidade e busca constante por mediação.
Então Omã, Daniel, aquele país que não quer atrito com os Estados Unidos, não quer atrito com Irã, não quer atrito com Arábia Saudita. E aparentemente o Irã falou assim: Oman, é isso, eu vou cobrar, é melhor você vir comigo, conversa lá com os Estados Unidos, resolve aí, não tem nada a ver com isso, você dá teu jeito lá, mas o fato é que eu vou cobrar. E no dia de hoje, Daniel, Irã e Oman soltaram um comunicado dizendo que avançaram, no plural, com os planos para introduzir a cobrança de valores financeiros sobre navios comerciais que realizam a travessia da via marítima estratégica, né, do Estreito de Hormuz, contrariando a forte oposição pública do governo dos Estados Unidos.
Ou seja, ficou numa situação que foi, cara, o seguinte: o Irã vai começar a cobrar, eu tenho que fazer parte. Aí o que tá acontecendo, Daniel, é que o Irã tá dizendo uma coisa e Oman tá dizendo outra. O que Oman está dizendo é Gente, a gente pode fazer de uma forma que não seja tão agressiva. Pô, não é caso para crise. A gente pode fazer uma cobrança voluntária. Ah, o navio quer passar. Ah, tô a fim de pagar, eu vou lá e pago, né?
O Oman tá dizendo: olha aí, todo mundo vai ficar feliz. As pessoas, né, vai ter empresa, vão ter organizações que vão querer pagar, e vai ser ótimo porque a gente vai poder mobilizar esse dinheiro. Aí o Irã responde dizendo o seguinte: Oman, é o seguinte, você tá amarelando, e eu não vou amarelar. Eu já enfrentei Estados Unidos, eu já fui bombardeado, já ataquei Israel, já fui atacado e tal. Então, seguinte, não é voluntário coisa nenhuma.
Essa cobrança vai ser obrigatória, essa cobrança será obrigatória. E aí a gente teve, Daniel, a gente tá nesse momento com esse impasse, que é Omã aparentemente já concordou que vai ter que ter alguma cobrança, Só que o Oman tá querendo, como sempre, Daniel, ficar ali meio em cima do muro, né, de uma forma que não desagrade todo mundo. Um dos negociadores iranianos disse o seguinte, abro aspas: seja chamando de pedágio, taxa de serviço para segurança ou passagem naval, não existe serviço gratuito em lugar nenhum do mundo.
Irã e Oman, Daniel, estão usando inclusive como argumento que esse sistema é utilizado lá no Estreito de Malaca e no Estreito de Singapura, que são duas vias muito importantes de trânsito de navios ali no Sudeste Asiático. Para passar nesses dois estreitos tem que pagar uma taxa. Então Irã e Oman estão dizendo: olha, gente, seguinte, a situação mudou e agora essa taxa vai ter que ser cobrada. Os Estados Unidos continuam batendo o pé dizendo que, olha, nada pode ser cobrado, tem que ser gratuito, tem que voltar a ser como antes.
E aí, Daniel, tem que avisar para os Estados Unidos que só fazendo uma máquina do tempo e não atacando o Irã lá no dia 28 de fevereiro. A partir do momento que aquele ataque aconteceu, você abre a caixa de Pandora. E o que Irã vai dizer é: tem mais nada a perder, agora eu vou cobrar, eu vou cobrar. Então os Estados Unidos nesse momento estão se vendo diante de uma situação que é o mais provável é que daqui para frente haja algum tipo de taxa sendo cobrado.
E no fim das contas, né, o que ocasionou isso foi o próprio ataque que os Estados Unidos fizeram contra o Irã no finalzinho de fevereiro.
Surpresa para zero pessoas, né, Tanguy? Nós já falávamos sobre isso aqui no PetJornal. O Irã ia cobrar taxa, tarifa. A gente até chegou a brincar com essa nomenclatura em função dessa expectativa. E ninguém vai impedir, ninguém pode impedir o Irã de cobrar. Afinal, o que essas pessoas vão fazer? Atacar o Irã? Bombardear o Irã? Voltar realmente a um conflito bélico contra os iranianos para que eles fechem o Estreito de Hormuz de vez?
E, consequentemente, desorganizem a economia mundial, o Irã tem uma janela de oportunidade ótima para criar um fato consumado, impor essa cobrança e gerar ali uma fonte de receita. Imagina se você cobrar 2 milhões de dólares por cada navio que passa por ali, é algo que pode trazer uma receita permanente e substantiva para o governo iraniano. Agora, Tanguy, eu queria registrar que Donald Trump realizou o voo inaugural com Boeing 747 reformado, presente do Catar, avaliado em 400 milhões de dólares.
O Trump disse inclusive o seguinte quando foi embarcar na aeronave: "Estamos muito orgulhosos disso. O país está muito orgulhoso. O avião recebido como presente custou muito pouco." "em relação ao que custaria se fizéssemos de outra forma". Dois registros: ninguém está feliz coisa nenhuma, ô Donald Trump, nem orgulhoso. Segundo: "Custou muito pouco? Mas eu achei que tinha sido presente." "Custou o quê, Donald Trump?" "Eu tô achando que você acabou se traindo nessa declaração." Aliás, falando em grana, falando em presentes, etc., em faturamentos diversos, O New York Times fez um levantamento e destacou que no ano de 2025, o Donald Trump faturou 1,4 bilhão de dólares por meio de negócios com criptomoedas da família, incluindo aquelas criptomoedas que ele inventou lá, que teve um monte de gente que comprou e a criptomoeda disparou e depois caiu.
Teve a criptomoeda do Trump, a criptomoeda da esposa do Trump. E a galera entrou, né, rapaz? E teve uma galera aí que ficou rica com essa brincadeira. Entre essas pessoas está o Donald Trump. Aparentemente, ele está faturando como presidente dos Estados Unidos. Acho surpreendente. Eu não imaginava que ele, de alguma forma, pudesse ganhar dinheiro com a presidência dos Estados Unidos. É algo novo. Estou aqui estupefato com esse tipo.
Estou muito surpreso. Com esse tipo de informação e de sinalização por parte dessa, desses periódicos internacionais que ficam trazendo essas notícias deletérias à imagem do mandatário dos Estados Unidos.
E aliás, por falar em Donald Trump, Daniel, a gente teve uma decisão da Suprema Corte que também me surpreendeu, tá? A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que é o decreto presidencial que tinha sido emitido pelo Trump dizendo que as pessoas que nascem nos Estados Unidos não necessariamente são americanas, não é válido, tá? Então anulou essa, esse decreto presidencial. Foi no iniciozinho do mandato dele, né, assim que ele assumiu, nas primeiras horas, ele já emitiu esse decreto dizendo que, olha, aquele, aquela cidadania automática por nascimento, que é o jus soli, é, nasceu nos Estados Unidos, é cidadão americano, não deveria mais ser válido, e portanto deveria ser adotar com o sistema que é o sistema europeu, né, que é o sistema no qual você só é cidadão do país se você for filho de um pai ou de uma mãe que seja nacional.
Então, maneira de você também desincentivar é pessoas que vão para os Estados Unidos ilegalmente, que tem filhos, e portanto seu filho acaba sendo nacional. Problema, Daniel, é que a 14ª emenda da Constituição dos Estados Unidos, tá lá na Constituição, diz o seguinte, abre aspas: todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos e sujeitos à sua jurisdição são cidadãos dos Estados Unidos. Eu não sei como é que pode haver algum tipo de interpretação aqui, tá, Daniel?
Não sei como é que dá para fazer. O fato é que isso foi para Suprema Corte e me surpreendeu que o placar foi de 6 a 3. Esses 3 que votaram a favor desse decreto, ele não entendo muito bem. E a equipe jurídica da Casa Branca, Daniel, só para a gente conseguir entender qual é exatamente o argumento do governo americano tenta sustentar que a 14ª Emenda foi ratificada originalmente com o propósito estrito de proteger pessoas escravizadas, libertas e seus descendentes no período pós-Guerra de Secessão.
Então seria uma maneira ali, Daniel, de garantir que todas essas pessoas sejam escravizadas, ex-escravizadas, libertas, filhos e tal, sejam considerados americanos. Não é isso que a 14ª Emenda tá dizendo, né? O que a 14ª Emenda tá dizendo é: se nasceu nos Estados Unidos, é americano. Lembrando que esse é um dos fundamentos dos Estados Unidos, que é, cara, larga a Europa e vem para cá, pode ir para cá que você vai ser um cidadão americano.
O fato é que me chamou, o que mais me chamou atenção foi o fato de que não foi unânime, né, que não foi um 9 a 0. Você teve 3 juízes da Suprema Corte que consideraram que esse argumento, contra o que tá escrito textualmente na Constituição dos Estados Unidos, poderia ser considerado válido. Mas de qualquer maneira, o decreto caiu, Daniel, 6 a 3. Contra o decreto de Donald Trump.
Ô Tanguy, na semana em que nós tivemos uma decisão apertada na Suprema Corte dizendo que o Trump não pode demitir uma diretora do Banco Central, e claramente ele não pode, na semana onde a Suprema Corte decidiu que o presidente americano pode demitir uma comissária da Federal Trade Commission, que é uma comissão independente, autônoma, Nada mais me surpreende. Nós temos aí uma Suprema Corte que vai oscilando, uma no cravo, uma na ferradura, às vezes assopra, às vezes morde, mas a Suprema Corte aparentemente está sentindo que os ventos estão mudando e está tomando decisões políticas, não exatamente decisões com base no que está escrito no texto constitucional.
O que você colocou há pouco me parece irretocável, afinal, não há interpretação possível para um texto constitucional que diz que pessoas que nascem nos Estados Unidos americanos são cidadãos dos Estados Unidos, são. E consequentemente, a Suprema Corte deveria ter decidido isso por 9 a 0, o que não aconteceu.
Daniel Souza, você se considera um cara que entende de futebol? Você entende de campo e bola, Daniel Souza? Como é que você se avalia? Entende? Você entende? Você acha, Daniel, que você poderia ser considerado aí um guru? A pessoa que diz, pô, quais são os resultados que vão acontecer e tal. Como é que você se colocaria? Eu queria te ouvir na galera Shakira de hoje.
"Você sabe, Tanguy, que eu sou guru, realmente. Eu poderia apostar e acertar todos os resultados. Bastaria apenas ter um pouco de esforço, estudo, que certamente um modelo poderia ser desenvolvido." Ao contrário do meu colega, o economista alemão Joachim Clement, que criou um modelo estatístico com 100% de acerto nas competições de 2014, 2018, 2022. Ele acertou os campeões nas 3 edições da Copa. E o pessoal estava muito esperançoso em relação à Copa de 2026.
O modelo considera fatores como população, riqueza, clima e ranking da FIFA. Mas o que acabou acontecendo aqui é que o amigo previu para 2026 a Holanda campeã, vencendo Portugal na final de 19 de julho, e parece que a Holanda foi eliminada. Também ele havia previsto vitória do Japão sobre o Brasil, né? Ele havia dito que Japão e Brasil iam se enfrentar nos 16 avos de final, mas que o Japão sairia vitorioso. Não aconteceu, e consequentemente o modelo dele aparentemente está furado.
O modelo dele não leva em consideração o imponderável, que é algo apaixonante no esporte bretão. Então fica aqui o registro. Estamos abertos a novos modelos para tentar prever de maneira mais precisa resultados futuros da Copa do Mundo.
Lembrando que o Paul Poul, Daniel, acertou um monte de resultado aí, se eu não me engano, na Copa de 2010, né? E não tinha modelo estatístico nenhum, tá? O Paul Poul ia para um lado, ia para o outro e tal, e costumava acertar. Assim como Mick Jagger, né, que numa Copa dessa também ele conseguia acertar todos aqueles que iam perder, né, tava sempre na torcida errada. Então eu acho que o povo polda, né, ele teve mais eficiência, viu?
Ele com menos necessidade, menos estudo, menos gasto e tal, não teve que cruzar a PIB, não tem que cruzar nada disso, acertou mais inclusive do que esse alemão aí. Ficou um abraço para o guru, né, que tá aí tentando acertar quem é que vai ganhar a Copa do Mundo. Daniel Sodda, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Se você quer saber mais sobre Copa do Mundo para além de campo e bola, que é especialidade do professor Daniel Souza, fica aqui a nossa recomendação do novo curso do PetCursos.
A gente tá falando lá, já tivemos a primeira aula no dia de ontem, né, na terça-feira, como ela é toda terça-feira, né, sempre terça-feira às 19 horas nós temos as aulas presenciais que ficam, as aulas ao vivo, né, que ficam gravadas. Presencial não, tá, gente, aula online, mas ela fica gravada. E a gente começou a falar sobre esportes, sobre Olimpíadas, sobre Copa do Mundo e todas as implicações simbólicas e práticas que o esporte traz para a política e para a economia.
Acessa lá: peticursos.com.br, que eu tenho certeza que você vai curtir o curso que a gente tem desenvolvido por lá, além de todos os outros cursos que estão lá na plataforma para quem é nosso aluno.
Daniel, fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Petio é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado ou de um grande grupo de mídia, é um produto artesanal, e por isso a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância, e fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles.
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É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.
Valeu, tchau tchau. PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petijornal.com.br.