Episódios de Petit Journal

Atentado em Mônaco - BP 1103

01 de julho de 202631min
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Um atentado em Mônaco contra um oligarca ucraniano sancionado por manter relações econômicas com a Crimeia reacende discussões sobre os desdobramentos internacionais da guerra entre Rússia e Ucrânia. No episódio analisamos as possíveis motivações do ataque e seus impactos diplomáticos, além do avanço das conversas entre União Europeia e China sobre comércio e das negociações entre Japão e Mercosul, que podem abrir novas oportunidades para as relações econômicas entre as partes. Também discutimos os novos bombardeios realizados pelo Paquistão contra um grupo armado em sua fronteira e os efeitos regionais dessa operação.
Falamos ainda sobre a sinalização dos Estados Unidos de que não pretendem renovar o USMCA, iniciando uma contagem regressiva para o futuro do principal acordo comercial da América do Norte e levantando dúvidas sobre as relações econômicas entre EUA, Canadá e México.
Na Geleia da Shakira, o pato Merlín, mascote não oficial da seleção mexicana, volta ao noticiário após ser barrado pela FIFA no Estádio Azteca.
#Mônaco #Geopolítica #China #Mercosul #USMCA
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

Co-hostJornalista
Assuntos7
  • Ataque na Diocese de Pemba· SegurancaVadim Ermolaev · Oligarca ucraniano · Sanções da Ucrânia · Relações econômicas com a Crimeia · Guerra Rússia-Ucrânia · Segurança em Mônaco
  • Futuro de Felipe LuizAcordo de livre comércio América do Norte · Donald Trump · NAFTA · Cláusula de caducidade · Conteúdo americano em veículos · Protecionismo americano
  • Comércio China-EUAMecanismo Bilateral de Consulta · Maros Sevcović · Wang Wentao · Déficit comercial da UE · Terras raras e minerais críticos · Reforma da OMC · Tarifa de 3 euros em compras online
  • Conflito Paquistao-AfeganistaoTalibã do Paquistão (TTP) · Talibã Afegão · Ataques aéreos paquistaneses · Civis afegãos mortos · Jamaat-ul-Ahrar
  • Copa do Mundo: México x África do SulPato Merlin · FIFA · Estádio Azteca · Santiago Peña · Feriado no Paraguai · Vitória do Paraguai contra Alemanha
  • Tarifas de ImportacaoAmido de ervilha canadense · Tarifa antidumping · Mark Carney · Disputa comercial China-Canadá · Excesso de oferta industrial chinesa
  • Terremoto na VenezuelaSinaloa · Magnitude 5.7 · Terremotos na Venezuela
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DSDaniel Sousa

Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo 1103. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 17 horas e 23 minutos da terça-feira. 30 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy vírgula o Bagdadi, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado e tarifado e com mais tarifas a caminho e preocupado, muito preocupado com esse cenário internacional absolutamente incerto e pantanoso, muita insônia na vida do professor Bagdadi diante dessas múltiplas preocupações.

E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza, com S. Vamos lá para esse bate-papo 1103. Um prazer estar aqui com você, Daniel Souza. Um prazer estar aqui também com todo mundo que nos ouve. Uma honra, né, a gente ter os nossos ouvintes, né, Daniel, nossa audiência, seja aqui no YouTube, seja pessoal que nos ouve pelo podcast acompanhando as loucuras e reviravoltas de todos os dias. E Daniel, quero começar com um fato inédito. Quer? Te apetece? Por favor.

Tivemos na noite de segunda-feira, né, na noite de ontem, um atentado inédito em Mônaco, né. O Principado de Mônaco foi balançado, foi abalado por um atentado à bomba, né, um pacote bomba em um edifício residencial, que feriu 3 pessoas: um casal, um casal ali na casa de 50 a 60 anos, e um adolescente de 13 anos. Foi, começou uma investigação para saber quem eram essas pessoas que tinham sido atingidas, qual teria sido a motivação.

E se descobriu, Daniel, que um homem desse casal, né, desse casal de 50 a 60 anos que foi atingido, respondia pelo nome de Vadim Ermolaev. Vadim Molaev é um ucraniano que estava na lista de sanções da própria Ucrânia. Ele tava sancionado pelo fato de que ele, enfim, mesmo com a anexação da Crimeia por parte da Rússia, ele continuou operando economicamente naquela região, principalmente no mercado de bebidas alcoólicas. A Ucrânia, ela sancionou, portanto, ucranianos que continuavam tendo laços comerciais econômicos com a Crimeia Afinal de contas, a Crimeia foi anexada pela Rússia, enfim, tá ocupada pela Rússia.

Ele manteve mesmo assim. E eu tenho certeza, foi uma grande coincidência, né, deve ter alguma outra explicação, mas o atentado, a bomba foi detonada ali na noite de lá de Mônaco, né, portanto era aqui no horário da tarde, e ele foi ferido. Isso mexeu muito, Daniel, com Mônaco de uma forma geral. Como eu disse, o governo do Principado veio a público de diversas formas diferentes para dizer que tinha sido pego muito de surpresa pelo fato de que foi, segundo consta, a primeira vez na história do Principado que houve algum atentado à bomba.

Agora existe toda uma movimentação para se tentar identificar o que que aconteceu, quem foi que deixou esse pacote lá. O que se sabe até agora, né, por câmeras, é que a pessoa que deixou o pacote teve lá por alguns poucos minutos e deixou o local um pouquinho antes da bomba explodir não foi, não foi identificado ainda, mas há naturalmente uma suspeita fortíssima de que tenha sido algo ligado ao próprio governo ucraniano. A Ucrânia tem feito isso, a gente tem visto isso acontecer em diversos momentos.

Aliás, faz pouco tempo, né, talvez na semana passada, um pouco mais de tempo, a gente falou sobre um atentado contra mais um militar de alta patente dentro da Rússia que foi atingido, né, um cara importante ali na estrutura logística da Rússia para a guerra na Ucrânia. E agora, portanto, um atentado que acontece em Mônaco. Isso aponta também para uma capacidade, se isso for confirmado naturalmente, né, Dara, que me parece que vai ser, uma capacidade de organização muito grande por parte da Ucrânia, né.

Você tá passando o recado que é: você não vai estar seguro em lugar nenhum. A partir do momento que o cara vai para Mônaco, ele tem essa sensação de segurança, né, que pô, Mônaco, cara, Mônaco nada vai acontecer. A proteção é francesa, você tem ali um status de um dos países mais seguros do mundo, né? O Mônaco se destaca em termos de segurança no cenário europeu, né? Enfim, os europeus de uma forma geral olham para Mônaco como uma região extremamente segura.

Se lá pode ter um atentado à bomba, o recado que tá sendo dado pela Ucrânia, pelo serviço secreto da Ucrânia, pelo exército ucraniano, sabe-se lá quem foi que fez esse atentado, é Fica ligado aí porque a gente pode te encontrar em qualquer lugar. Então tá aí, Daniel. Mônaco não pode mais dizer que nunca teve um atentado à bomba. Teve, e portanto feriu. Ninguém morreu, tá, Daniel, mas feriu o senhor Vadim Irmolayev, um oligarca ucraniano residente em Mônaco desde 2023, Daniel.

DSDaniel Sousa

E claro que a sociedade de Mônaco ficou absolutamente chocada, Tanguy, com esse, com essa violência. Algo que eles não estão acostumados e é sempre algo que o Principado tenta projetar para os seus visitantes e para os seus moradores como sendo um lugar completamente diferenciado e que foi abalado por esse ato que muito provavelmente tem motivações políticas. Avançando para a próxima pauta, Tanguy, eu registro que tivemos ontem a primeira reunião do Mecanismo Bilateral de Consulta da União Europeia e da China.

Afinal, China e União Europeia estão tentando diminuir as tensões comerciais que cresceram muito num passado recente. Nessa primeira reunião, que é a primeira reunião do Mecanismo de Consulta sobre Comércio e Investimento União Europeia-China, nós tivemos a copresidência do comissário europeu Maros Sevcović e também o ministro chinês Wang Wentao. Aconteceu em Bruxelas e eles assinaram uma declaração conjunta que foi a primeira desde 2019.

O que foi assinado nessa declaração conjunta? Nós teremos algumas áreas de trabalho prioritárias nos próximos meses, aliás até outubro. Uma primeira área é a busca de um equilíbrio de comércio e investimentos entre Europa Rússia e China. Uma segunda área: controles de exportação, terras raras e minerais críticos. Como é que vai funcionar ou não vai funcionar essa dinâmica de exportações desses insumos considerados absolutamente sensíveis para os europeus?

Direito de propriedade intelectual, que é algo que preocupa bastante os europeus. Reforma da OMC, algo que acabou sendo proposto inclusive pelos chineses. Chineses que têm muito interesse numa recuperação, no fortalecimento da Organização Mundial do Comércio. Tivemos também a criação de uma plataforma conjunta para monitorar fluxos comerciais, identificar aumentos repentinos de importações, troca de listas de problemas de acesso a mercados, compartilhamento de informações sobre licenciamento e regulação de exportações.

O pano de fundo é o déficit comercial. No ano passado, a União Europeia teve um déficit comercial de $410 bilhões com os chineses, afetando todos os Estados-membros da União Europeia, e consequentemente existe aí esse elemento de tensão que não é pequeno. Por outro lado, os europeus querem continuar tendo acesso aos suprimentos de terras raras e minerais críticos provenientes da China. Existe aí uma expectativa de soluções até o próximo mês de outubro, de avanços nesse diálogo até o próximo mês de outubro, para de alguma forma reduzir um pouco esse déficit comercial e aumentar o equilíbrio no fluxo entre a União Europeia e a China, entre a China e a União Europeia.

É algo que chama atenção porque é uma abordagem muito diferente da abordagem que nós temos visto em outros casos, onde você passa a ter simplesmente choques tarifários, barreiras tarifárias sendo colocadas como mecanismo de tensionamento da negociação. Aqui não. Aqui está havendo uma predileção, uma preferência pelo diálogo. A ver se nós teremos avanços relevantes até o próximo mês de outubro. Que foi a meta estipulada pelos dois lados.

TBTanguy Baghdadi

Isso foi anunciado, né, Daniel, esse mecanismo de diálogo junto com uma tarifa, né, a gente pode colocar assim, que a Europa, que a União Europeia, estabeleceu de 3 euros sobre compras que são feitas pela internet, né. E a gente sabe muito bem que na Europa, assim como no Brasil, essas compras são de sites chineses, né, aqueles sites muito baratos. Então colocaram, Daniel, na União Europeia também a taxa da brusinha. A taxa da brusinha tá valendo por lá também.

Então qualquer compra que você faça tem uma taxa de 3 euros. Eu sei que pode parecer pouco, né, 3 euros, só que às vezes você faz uma compra de 8 euros, 3 euros pesa, né. 3 euros acaba fazendo com que a pessoa ela pense se não vale a pena ir numa loja mais próxima, comprar de algum produtor, de alguma loja local. E a União Europeia ela fala isso textualmente, né. Isso é uma coisa interessante porque o Brasil é um país muito digitalizado e a compra digital no Brasil ela é considerada meio que, já é considerada meio que o padrão.

Todo mundo vai comprar pela internet mesmo. Os comissários europeus, eles falavam ontem, Daniel, sobre a necessidade de fazer com que as pessoas voltem a sair de casa para fazer compras. Então, a compra pela internet, a compra desses produtos muito baratos da China, não apenas está gerando um déficit gigantesco para os europeus, como também tá matando o comércio de rua na Europa, que acaba tendo uma série de consequências em termos de desemprego, né, em termos de coleta de imposto, né, de geração de impostos.

Então, são temas que obviamente devem ser discutidos nessa conversa. E aliás, na mesma toada, Daniel, a gente tá tendo nesse momento, na verdade foi encerrado hoje, uma cúpula do Mercosul que tá acontecendo em Assumpção, no Paraguai. Aliás, nota maravilhosa para todos os diplomatas, né, os delegados e tal que estavam lá ontem assistindo Paraguai e Alemanha, né, e comemorando que o Paraguai foi, se classificou, né, enfim, passou contra Alemanha, né.

A cena é incrível, né, de todo mundo ali comemorando junto. E um dos anúncios que foi feito foi exatamente a necessidade de se avançar, né? Foi um compromisso com avanço das negociações entre o Mercosul e o Japão. Ficou claro, Daniel, que o Mercosul é aquele bloco durante muito tempo não assinava acordo de livre comércio com ninguém, né? Então o Mercosul muito resistente inclusive a acordos de livre comércio. E Donald Trump fez o Mercosul mudar de ideia.

Donald Trump mostrou: você não quer livre comércio? Não. Então é o seguinte, vamos parar de fazer comércio com todo mundo, colocar tarifa e tudo, E o Mercosul, no espaço de tempo muito curto, fecha o acordo com a União Europeia, que entrou em vigor no dia 1º de maio, né, de forma provisória. Enfim, ela tem algumas coisas para avançar, mas já está em vigor. E agora a gente tem um anúncio, portanto, da necessidade, né, de se avançar com acordo de livre comércio com o Japão.

A gente tá falando, Daniel, sobre uma população total, né, se você fecha entre os 5 países do Mercosul, né, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, mais o Japão, a gente tá falando sobre uma população total de 400 milhões de pessoas e um PIB somado de 7 trilhões de dólares, né, para que esse produto circule. A gente tá falando sobre produtos agrícolas e não agrícolas. A ideia, portanto, é que você inclusive consiga estreitar cooperação e investimento mútuo por meio dessa integração de cadeias de valor.

E houve também, Daniel, uma sinalização de que outros acordos podem avançar em breve entre eles negociações com Canadá, que também já é uma promessa de algum tempo, né, avançar com negociações relacionadas ao Canadá, Mercosul-Canadá. E durante o discurso em Assunção, o Lula, que foi, aliás, o Millet não esteve presente, tá, mas o Lula esteve lá, ele afirmou que o Mercosul tem como meta de curto prazo lançar formalmente negociações comerciais também com a China.

Não se falou em livre comércio, E claro que você pode fazer um acordo comercial que não seja um acordo de livre comércio, um acordo que diminui determinadas tarifas, um acordo de preferências tarifárias e tudo, mas que o objetivo é que em breve você tenha também negociações com a China. A gente tá falando sobre uma economia muito competitiva. Assinar acordo com a China significa almejar coisas grandes, né, Daniel? A gente tá pensando aqui num acordo que pode ser muito relevante, muito perigoso também, né?

Né, então tem que ser feito com cuidado, mas o acordo que pode ser muito relevante para o Mercosul, se caso haja algum tipo de negociação desse tipo com Japão, com Canadá, com a China. Tem alguns outros países que estão no horizonte aí, Coreia do Sul e tudo, mas esses são os países que foram mencionados durante essa cúpula em Assunção, no Paraguai, que tá acontecendo, aconteceu de ontem para hoje.

DSDaniel Sousa

Impressionante os milagres operados por Donald Trump. A União Europeia, que tava com uma série de negociações comerciais travadas, celebrou um acordo com o Mercosul, com a Indonésia, Indonésia, com a Índia, com a Austrália. O Mercosul, que não conseguia celebrar acordo comercial relevante com ninguém, celebrou um acordo comercial com a União Europeia, tem aí diálogo com o Canadá, com o Japão, com a China. Uma série de situações, Tanguy, que me parecem ter sido claramente impulsionadas por Donald Trump.

A partir do momento em que você não pode contar com o mercado americano como contava no passado, O que acaba acontecendo é que você tem que buscar mercados alternativos. O Mercosul, por conta do Brasil, tem um mercado consumidor gigante e, consequentemente, se torna absolutamente atraente para a celebração de um acordo comercial. No caso do Japão, em particular, da China, do Canadá, são 3 ótimos exemplos de países que tinham nos Estados Unidos um destino superimportante das suas exportações, mas estão percebendo que não podem mais depender tanto dos Estados Unidos e consequentemente buscam uma diversificação.

E falando sobre Estados Unidos, Tanguy, há a expectativa de que no dia de hoje o governo Donald Trump declare formalmente que não pretende prorrogar o USMCA, que na prática é a nova encarnação do NAFTA, o acordo de livre comércio É da América do Norte, entre México, Estados Unidos e Canadá. É um acordo de livre comércio que já tem 32 anos. Tivemos ali uma renegociação no governo Trump, ele continua em vigor com termos um pouco modificados, e agora existe essa expectativa de que o governo americano sinalize que não pretende prorrogar.

Se isso se confirmar, nós teremos aí o acionamento da cláusula de caducidade. Que foi negociada no primeiro governo Trump, o que abre um processo de revisão obrigatória de 6 anos e abre também uma contagem regressiva de 10 anos para o acordo expirar de vez e consequentemente deixar de haver qualquer tipo de acordo de livre comércio entre os 3 países. É importante registrar, e nós já falamos sobre isso aqui no PetJornal numa oportunidade anterior, que o Canadá não tem participado das negociações, que isso tem sido feito à revelia do Canadá, o que consequentemente torna muito mais difícil qualquer tipo de negociação que faça sentido para manutenção desse acordo, que é um acordo bastante complexo.

Os americanos têm exigências muito elevadas. Por exemplo, eles querem 50% de conteúdo especificamente americano em todos os veículos produzidos na América do Norte. Eles querem que automóveis do México e do Canadá continuem sujeitos a alguma tarifa, mesmo caso essa exigência seja cumprida. Está em discussão uma tarifa global uniforme de 15% sobre automóveis, com alíquota menor para veículos do México e do Canadá, caso eles adotem essas regras de origem mais rigorosas.

Enfim, a gente está falando de algo, Tanguy, que se você falasse para o Daniel de 1994: "Olha, está vendo esse acordo de livre comércio que está entrando em vigor agora entre Estados Unidos, México e Canadá? Pois é, lá na frente, quem vai querer rasgar esse acordo é os Estados Unidos." Eu diria para você: "Você está doido! Imagina se os Estados Unidos vão querer rasgar esse acordo comercial!" Mas existe ali uma percepção por parte dos trumpistas que esse acordo comercial foi muito benéfico para o México, muito benéfico para o Canadá, países que acabaram aproveitando o mercado americano para se industrializar e para ter um aumento da sua produção industrial, e que os Estados Unidos acabaram sendo preteridos e perderam empregos, perderam desenvolvimento, empregos que precisam ser trazidos de volta para os Estados Unidos.

Uma lógica protecionista que me parece que muito provavelmente vai levar, em algum grau, há uma desintegração comercial e econômica entre esses três parceiros. Parceiros, inclusive, que vão se tornar mais independentes dos Estados Unidos. Tecnicamente, é uma escolha que você pode fazer, mas estrategicamente me parece um erro, porque o Canadá vai se aproximar de outros parceiros mundo afora, não vai ter mais aquela aliança tão umbilical com os Estados Unidos.

O México também vai buscar outras parcerias, vai tentar diminuir a sua dependência dos Estados Unidos. E nesse sentido, você que tinha ali dois aliados tão fortes, tão presentes, tão próximos, vai ver esses aliados se distanciando, o que estrategicamente me parece um equívoco. Simplesmente para você produzir um pouco mais de carros dentro dos Estados Unidos, um pouco mais de aço nos Estados Unidos, não é isso que vai fazer diferença para a economia americana, não é isso que vai fazer diferença para os empregos nos Estados Unidos.

Mas você vai ter ali algo que muito provavelmente vai trazer modificações estruturais relevantes na América do Norte e consequentemente no comércio mundial. Essa pauta está muito ligada à pauta que você trouxe há pouco em relação às conversas que o Mercosul está tendo com parceiros comerciais potenciais celebrantes de algum tipo de acordo em diferentes partes do mundo.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, eu quero mudar o rumo da nossa prosa aqui. Eu queria falar sobre um conflito que não é no Oriente Médio e tampouco é no Golfo Pérsico, né? Eu queria falar sobre um conflito que tem acontecido ao longo dos últimos meses entre Afeganistão e Paquistão. Entre janeiro e março, Daniel, só para a gente relembrar aqui, nós tivemos atritos, né? Tivemos conflitos que, segundo a ONU, levaram à morte de pelo menos 372 civis afegãos.

O que tá acontecendo basicamente É que o Paquistão afirma que o seu vizinho, o Afeganistão, está dando refúgio para grupos terroristas paquistaneses. Então, grupo é paquistanês, a gente tá falando aqui principalmente sobre o Tarek-i-Taliban, é o Talibã do Paquistão. Esse Talibã paquistanês, ele cruza a fronteira para o Afeganistão, e o Afeganistão, que é governado pelo Talibã afegão, dá proteção. Né, dá ali segurança para eles e tudo, o que impede portanto o Paquistão de prender esses caras que são considerados terroristas.

O que acontece portanto, né, o que vem acontecendo desde o início de janeiro agora de 2026, é que o Paquistão faz ataques contra o território afegão, segundo o Paquistão, com objetivo de caçar esses terroristas e de destruir a sua infraestrutura. O que o Afeganistão diz é: estão matando civis, a gente não tem nada com isso, a gente não tá dando proteção para absolutamente ninguém. E portanto, essa é uma tensão contínua entre Afeganistão e Paquistão e que explodiu em janeiro desse ano.

O fato, Daniel, é que de ontem para hoje nós tivemos mais uma rodada de ataques. E o Paquistão, portanto, fez novos bombardeios contra posições dentro do Afeganistão e que vitimaram 28 civis e deixaram 49 feridos. Segundo o Ministério de Informação do Paquistão, houve ataques aéreos. A Força Aérea Paquistanesa destruiu 3 alvos situados ali perto da fronteira com o objetivo de atingir o grupo Jamaat-ul-Ahrar, que é ligado mais uma vez ao Talibã paquistanês.

Operação foi deflagrada, Daniel, em resposta a um ataque que teria sido executado no último sábado contra um acampamento na fronteira. Então, acampamento paquistanês que foi atingido por um grupo, segundo o Paquistão, que é do Paquistão, mas que age a partir do Afeganistão. Então, é, o cara faz um ataque no Paquistão, foge para Afeganistão. O que o Paquistão tá dizendo é: eu não quero nem saber, eu preciso atacar esse grupo porque ele se torna uma ameaça à minha soberania, às minhas fronteiras.

Isso trouxe uma resposta por parte do Afeganistão, né, representante afegão, revelou que as forças paquistanesas inclusive fizeram um bombardeio, não, segundo bombardeio na mesma área que já tinha sido atacada antes. Ou seja, você tinha civis que estavam ali tentando resgatar os feridos e outro ataque foi feito naquele mesmo lugar. Não haveria terroristas ali, apenas civis. Então a gente tem, Daniel, algo que a gente já trouxe aqui em outros momentos, né, esse conflito entre Afeganistão e Paquistão.

Só que a gente tá falando sobre um conflito, Daniel, que já ultrapassou 400 civis mortos Claro que essa contagem é feita pelo governo afegão. Aí cabe a você acreditar ou não se esse número é real, se não é. É o Talibã, aquele velho Talibã afegão, que tá trazendo essas cifras, cerca de 400 mortos. Mas o fato é que é um elemento de muita instabilidade que a gente tem ali naquela região da Ásia.

DSDaniel Sousa

Daniel, thank you. Dando aqui um exemplo de uma abordagem diferente em relação à dinâmica comercial da que nós tratamos aqui entre China e União Europeia, A China anunciou tarifa preliminar antidumping de 73,5% sobre importações de amido de ervilha canadense. A investigação chinesa durou mais de 10 meses e foi iniciada em agosto de 2025, no mesmo dia em que Pequim aplicou tarifas sobre a canola canadense. O Ministério do Comércio Chinês Ele constatou dumping causando dano material à indústria doméstica.

A investigação foi lançada após o governo canadense taxar veículos elétricos importados da China, intensificando uma disputa comercial que já durava ali quase um ano. Em janeiro de 26, o premier canadense Mark Carney visitou Pequim, fechou um acordo para tentar reduzir tarifas sobre canola, e suspender taxas sobre outros produtos, produtos agrícolas. A nova tarifa indica que as tensões comerciais persistem, apesar da melhora diplomática que havia sido sinalizada pela visita do primeiro-ministro canadense em janeiro.

Temos aqui mais tensão comercial. Os produtos chineses realmente entram muito competitivos. A China tem um excesso de oferta industrial, é isso que se trata. E esse excesso de oferta industrial que não é abastecido pelo mercado interno tem que ser exportado, tem que ser desovado em mercados mundo afora. E isso vai gerando tensão com muita gente, é disso que se trata. A gente tem falado inclusive aqui no Pet Jornal como o crescimento chinês é dependente das exportações por conta de um mercado interno muito fraco.

E essas exportações, ao inundarem diferentes mercados europeus, canadenses, americanos, etc., vai gerando tensão com um monte de gente, vai levando a China a precisar negociar diferentes situações e diferentes abordagens para preservar suas exportações, o seu crescimento, ao mesmo tempo que tenta ali realmente buscar algum tipo de alternativa mais estruturante, mais sustentável, onde o crescimento chinês pudesse ser mais puxado pelo mercado interno e menos puxado pelas exportações.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, vou trazer uma informação incompleta porque acabou de acontecer. A gente não sabe ainda qual é a repercussão, o que vai acontecer, quais são exatamente os danos. Mas acabou de ser registrado, tem alguns poucos minutos, tem coisa de 40 minutos, um terremoto no México, na região de Sinaloa. Sinaloa fica na costa pacífica do México e que aparentemente é um tremor de magnitude 5.7. Então a gente naturalmente vai ficar de olho aqui para saber o que que aconteceu exatamente no México, quais foram os danos.

Enfim, é numa semana tão dura, né, Daniel, na qual a gente teve os terremotos É na Venezuela, então um tremor de magnitude considerável, né, Daniel? 5,7 não é pouquinho. Claro que não é 7,5 quando chegou na Venezuela, que é devastador, mas algo que chama atenção também quando a gente fala sobre o México. Daniel Souza, você tem mais pautas ou a gente vai abrir aquela geleiazinha para encerrar o nosso episódio?

DSDaniel Sousa

Ah, vamos abrir a geleia da Shakira para terminar o nosso episódio de forma um pouco mais leve, Tanguy. Na Geléia da Shakira de hoje, temos que falar sobre Copa do Mundo, é o assunto do momento. E eu estou acompanhando a saga do pato Merlin, que é justamente o mascote não oficial do México. E quero registrar o meu repúdio à FIFA, que não permitiu que o pato Merlin entrasse no estádio Azteca, justamente para assistir a seleção mexicana contra a Tcheca, que é o nome que eu sou contra, tem que encontrar República Tcheca, porque nós somos idosos e antigamente era República Tcheca, antes era até Tchecoslováquia, mas enfim, isso é uma outra história.

Mas a FIFA disse que animais não são permitidos, tem que, em jogos da Copa. Mas por que, gente, jogos oficiais deixa o pato entrar, gente? Pelo amor de Deus, o pato uniformizado, o pato que é o torcedor símbolo do México.

TBTanguy Baghdadi

E não é um pato qualquer, meu amigo, é o Merlin, não é um pato qualquer.

DSDaniel Sousa

Exato, meu Deus do céu, é uma sumidade. Teve lá em reunião com o ministro, esteve lá com a presidente do México, a Claudia Sheinbaum. Ele é realmente uma autoridade e deveria ter tido a sua entrada franqueada no Estádio Azteca. E uma segunda geleia, no dia de ontem tivemos Santiago Peña, né, presidente do Paraguai, completamente fora de controle no Twitter, escrevendo palavrões, publicando decretos dizendo assim: "Ó, amanhã é feriado, não quero saber." Acho que ele estava um pouco animado, muito provavelmente por conta do desempenho do Paraguai contra a seleção alemã.

O Paraguai eliminou a Alemanha. Acho que ele foi assinando o thing, deram lá, ele foi xingando todo mundo no Twitter, também assinou um decreto: "Gente, amanhã é feriado e é isso, porque eu não tenho condições de acordar amanhã puro depois dessa vitória paraguaia maiúscula contra a seleção alemã".

TBTanguy Baghdadi

Eu vi o primeiro tweet dele, né, sobre vai ter feriado amanhã, e eu achei que era uma daquelas bravatas, né, Daniel. De repente apareceu o decreto, né. Então alguém, Daniel, alguém da equipe dele falou assim: opa, ele falou que é feriado, redige esse negócio aí, gente, vai rápido, que aí não tem como voltar atrás. Botaram na mesa dele e falou assim: rapaz, eu falei, né.

DSDaniel Sousa

Então eu acho que não teve: e eu falei não. Falou: me dá aqui minha arma que eu vou assinar porque eu sou brabo, me dá aqui que eu vou assinar porque a gente venceu a Alemanha e merecemos um feriado amanhã.

TBTanguy Baghdadi

Perfeito. Dessa maneira, eu queria conduzir o pessoal para lembrar o pessoal que daqui a pouco, hoje é terça-feira, para você que tá ouvindo a gente, né, tá falando aqui nesse exato momento, são 17 horas e 52 minutos. A gente vai começar daqui alguns poucos minutos um curso sobre esporte e geopolítica e temas econômicos. Enfim, o nome do curso é Como o Futebol Explica o Mundo. E vai ser uma oportunidade para a gente falar tanto sobre questões geopolíticas, econômicas, questões relacionadas ao autoritarismo, toda a parte simbólica do esporte inclusive.

Então é uma oportunidade interessante, né, Daniel, agora que a gente tá tendo Copa do Mundo, para a gente ver essas coisas na frente da gente, né. Eu sempre, até hoje, eu acho muito curioso as pessoas que assistem um jogo de futebol envolvendo duas bandeiras que tem história, que tem, né, que tem toda uma série de repercussões, que tem hinos que falam sobre história que tem questões culturais envolvidas e fala assim, ah, isso aqui é só esporte.

Gente, não tem como você considerar isso. Então a gente vai ter um curso para explorar isso. Você que já é nosso aluno, seja muito bem-vindo. Você que não é nosso aluno ainda, acessa o link que tá na descrição desse episódio, torne-se nosso aluno. Esse curso naturalmente ele é dado ao vivo, mas ele fica gravado. Eu tenho certeza que vai ser um prazer que você esteja lá com a gente. Petcursos.com.br.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PetJornal é uma mídia pequena, não tem o suporte de um conglomerado, não tem o suporte de uma grande produtora, é um produto digital artesanal, e por isso o auxílio, o apoio de nossos apoiadores é de fundamental importância.

E fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pit Jornal. Chave Pix no descritivo desse episódio. Dá para ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo desse episódio. Temos também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima.

DSDaniel Sousa

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