Ataques e diplomacia em Ormuz - BP 1102
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Estados Unidos e Irã voltam a trocar tiros e bombardeios no entorno de Ormuz, mas ao mesmo tempo tentam reconstruir uma via diplomática em negociações previstas para Doha. No episódio analisamos essa combinação de escalada militar e busca por diálogo, além dos limites das conversas em meio a sanções, temas nucleares e disputas sobre o controle da passagem. Também discutimos a decisão da Suprema Corte dos EUA que impede Trump de demitir uma governadora do Federal Reserve, mas abre margem para afastamentos em outras agências independentes.
Falamos ainda sobre o acordo entre Estados Unidos, Israel e Líbano, que exclui o Hezbollah e pode ampliar tensões internas no país, e sobre a disputa entre governo e oposição na Venezuela em torno do resgate das vítimas do terremoto. No Japão, a aprovação do governo Takaichi sobe para 68%, reforçando sua posição política.
Na Geleia da Shakira, uma avaliação sobre a briga entre parlamentares na Geórgia
#Ormuz #Irã #EstadosUnidos #Venezuela #Geopolítica
- Relação entre ataque e negociações diplomáticasAtaque iraniano a cargueiro comercial · Ataques e contra-ataques EUA-Irã · Negociações em Doha · Estreito de Hormuz · Irã · Estados Unidos
- Decisões do Supremo sobre CPIsImpedimento de Trump demitir diretora do Fed · Permissão para Trump demitir comissária da FTC · Federal Reserve · Federal Trade Commission · Donald Trump · Lisa Cook · Rebecca Slaugher
- Crise Política na VenezuelaResgate de vítimas · Disputa entre governo e oposição · Ajuda internacional · Venezuela · Delcy Rodrigues · Maria Corina Machado · Nicolás Maduro
- Conflito Israel-LíbanoExclusão do Hezbollah · Desmobilização progressiva de Israel · Retorno de famílias libanesas · Hezbollah · Israel · Líbano · Estados Unidos
- Ataques ucranianos em território russoEscassez de combustível · Proibição de exportações de diesel · Garantia de combustível para agricultura · Ucrânia · Rússia · Vladimir Putin
- Aprovação de governosPolítica externa firme no Pacífico · Redução de imposto sobre consumo · Pagamentos em dinheiro para famílias · Japão · Takahashi · China
- Pancadaria no parlamento georgianoProtestos pró-Ocidente · Proximidade da Geórgia com a Rússia · Geórgia · Rússia
Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1102. Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 19 horas e 15 minutos da segunda-feira. 29 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e mais tarifas a caminho, a caminho, e muito preocupado, preocupado aí com o cenário internacional de muita turbulência, muita incerteza, embora nesse período de Copa do Mundo o professor Bagdadi muda um pouco o seu foco e passa a ter um foco futebolístico.
Um foco momentaneamente mais lúdico. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza, com S. Vamos lá para esse bate-papo 1102. Um prazer estar aqui com você, Daniel Souza. Um prazer estar aqui junto também com os nossos ouvintes. Sempre uma satisfação começar mais uma semana, né? A gente não teve episódio hoje de manhã, tinha Jogo do Brasil, né, Daniel? Atenção tava zero voltada para temas internacionais, o que não significa que não tenha acontecido muita coisa. Agora, com alívio do Brasil ter passado aí para as oitavas de final, ganhando de virada do Japão por 2 a 1, a gente tem condições de voltar a se debruçar principalmente no que vem acontecendo no Oriente Médio.
Daniel, de quinta-feira para cá Foi agitado, viu? O Oriente Médio passou por alguns movimentos bastante perigosos, mais uma vez, com a renovação, né, a retomada de ataques, né, entre Estados Unidos e Irã. E no fim, Daniel, no fim dessa minha primeira pauta, que eu quero falar sobre a tentativa de retomar as negociações, né? Amanhã vai ser um dia bastante importante para essa tentativa de manter algum nível de estabilidade, enfim, o cessafogo no Oriente Médio.
Na quinta-feira, Daniel, a gente teve um ataque iraniano com drones atingindo um cargueiro comercial que tentava realizar a travessia ali do Estreito de Hormuz. Não ficou muito claro o motivo do ataque, mas provavelmente, né, especulação mais forte é que provavelmente esse navio tentou passar por ali sem qualquer tipo de comunicação com o governo iraniano. Então a lógica é: tá aberto, beleza, o Estreito de Hormuz ele tá aberto, mas O Irã quer ser informado de qualquer navio que passe.
Esse não avisou, não sei se teve alguma, não dá para saber até agora se tem mais alguma tensão, mas o fato é que o Irã fez um ataque com drone contra esse navio. E a partir daí, Daniel, entre sábado e domingo a gente teve uma série de ataques e contra-ataques. Então os Estados Unidos conduziram ataques aéreos contra instalações iranianas, o Irã reagiu mais uma vez fazendo ataques contra, com drones, né, contra o Bahrein. E os Estados Unidos mais uma vez reagiram atingindo alvos iranianos.
O fato, Daniel, é que a gente teve uma nova onda de tensões, o que levou a muita preocupação por parte do Irã, por parte dos Estados Unidos e por parte de todo mundo que tá em volta. O petróleo subiu, você teve desespero ali no Kuwait, no Bahrein, de, pelo amor de Deus, gente, o acordo tava fechado, A gente precisa manter essas negociações. Com isso, as conversas técnicas que estavam acontecendo na Suíça, elas foram interrompidas.
O recado é o seguinte: não tem clima para a gente ficar falando sobre cronograma, para a gente ficar falando sobre cumprir o acordo que foi estabelecido, porque agora a gente precisa voltar a ter um cessafogo. Então as conversas técnicas na Suíça, elas foram interrompidas e foi agendado para amanhã, dia 30, terça-feira,. E claro, né, a gente não sabe quando é que as pessoas estão ouvindo a gente, né, mas é possível que no momento em que você esteja ouvindo a gente, essas conversas já estejam acontecendo.
Conversas em Doha, no Catar, não serão conversas técnicas, vão ser conversas de alto escalão. Então está falando aqui sobre enviados americanos que vão ser o Steve Wittkoff e o Jared Kushner. Wittkoff é o principal negociador do Trump e o Jared Kushner é o genro dele, né, um dos enviados que ele sempre manda quando a gente fala sobre Oriente Médio. E do lado iraniano, a gente também vai ter altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores.
Não vai ser nem o presidente nem o chanceler, mas a gente tá falando sobre negociações de alto nível para ver se a gente consegue voltar ao ponto do cessafogo anterior que a gente tinha. Então amanhã, da nossa terça-feira, vai ser um dia muito importante para a gente imaginar se esse período de 60 dias sobre o qual a gente já falou tantas vezes vai ser mantido, ou se de repente vai haver algum tipo de retrocesso e a gente volta até ataques aqui e acolá.
Mas o fato, Daniel, é que quinta, sexta, sábado e domingo foram dias de tensões intensas envolvendo Estados Unidos e Irã na região do Golfo Pérsico.
Daniel, tá aqui. No dia de hoje nós tivemos duas decisões importantíssimas na Suprema Corte dos Estados Unidos que tem tudo a ver com institucionalidade tem tudo a ver com regulação e com independência de agências governamentais nos Estados Unidos. A primeira decisão foi uma decisão apertada, por 5 a 4, 5 a 4, isso me surpreendeu. A Suprema Corte proibiu o presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, que é diretora do Federal Reserve, do Banco Central dos Estados Unidos.
Me surpreendeu, Tanguy, porque me parece absolutamente cristalino pela tradição dos Estados Unidos, que o presidente americano não tem esse poder, não tem esse direito. Os diretores do Fed têm mandatos de 14 anos e, consequentemente, devem cumprir esses mandatos integralmente. E o presidente dos Estados Unidos não tem poder para remover um diretor, uma diretora do Fed, e, consequentemente, tentar alterar a política monetária dos Estados Unidos, que idealmente deve ser uma política monetária de estado.
O 5 a 4 me surpreendeu porque 4 juízes da Suprema Corte acharam que sim, que o Donald Trump teria poder para demitir uma diretora do Federal Reserve, do Banco Central dos Estados Unidos. E no mesmo dia nós tivemos a corte decidindo por 6 a 3 que o presidente Donald Trump pode sim demitir Rebecca Slaugher, uma comissária da Federal Trade Commission. A Federal Trade Commission é uma agência independente, veja você, Tanguy, pela definição é uma agência independente do governo dos Estados Unidos cuja principal missão é a aplicação da lei antitrust e a promoção da proteção ao consumidor.
A Federal Trade Commission surgiu posteriormente, claro, mas na esteira daquele grande processo que aconteceu no início do século 20 nos Estados Unidos, onde a Standard Oil teve ali o seu monopólio, na prática, o seu monopólio que ela tinha formatado no mercado americano, quebrado. Depois disso, houve a necessidade de se criar uma agência governamental independente justamente para proteger a sociedade americana, proteger os consumidores americanos da formação de trusts e da monopolização de mercados pelas mais diferentes razões.
Nos últimos anos, a Federal Trade Commission tem tido embates que você não vai acreditar com as Big Techs, que são consideradas justamente empresas que no século 21, em algum grau, tem caminhado aí na direção de uma certa monopolização nos mercados em que atuam. Essa decisão da Suprema Corte reverte um precedente de 1935 que protegia dirigentes de agências regulatórias de demissões do Poder Executivo. O Donald Trump, ele comemorou nas redes sociais dizendo o seguinte, abre aspas: "Esta decisão era almejada pelos presidentes dos Estados Unidos desde a década de 1930." Na prática, a gente está falando de um presidente americano que está tentando de todas as formas alargar o seu poder, avançando sobre organismos governamentais que sempre tiveram autonomia ou que há muitas décadas tinham autonomia, e, consequentemente, tinham ali uma institucionalidade, um protocolo a ser seguido.
Os Estados Unidos, como democracia liberal que sempre foram, acreditavam que a melhor forma de organizar o poder é dividir o poder. Então, você não poderia ter, de forma alguma, um presidente americano superpoderoso. E, por isso, órgãos independentes foram sendo aqui e acolá sendo criados como forma de distribuição de poder. Mas Donald Trump tem lutado diuturnamente contra isso, tem tentado de todas as formas alargar o seu poder.
Às vezes ele fracassa, às vezes ele tem sucesso. Hoje, a Suprema Corte acabou dando ali uma no cravo e uma na ferradura, acabou no caso do Fed, numa decisão apertada, dizendo que não, no Fed você não pode mexer. "Mas na Federal Trade Commission você pode." O que é uma decisão equivocada, na minha avaliação. É um retrocesso importante em termos de institucionalidade nos Estados Unidos, porque na prática agora grandes conglomerados econômicos terão um incentivo a se aproximar do presidente da República como forma de tentar interferir na Federal Trade Commission e, consequentemente, preservar os seus interesses, mesmo que isso eventualmente significa ferir os interesses dos consumidores americanos.
Me chamou os olhos, me saltou aos olhos, chamou atenção a declaração de uma das juízas que foi contra essa decisão que você está fazendo menção, que é a Sonia Sotomayor. Ela é uma indicada do Obama de 2009 e ela disse, Daniel, hoje é dia 29 de junho, os Estados Unidos comemora os 250 anos da sua independência no sábado. Dia 4 é uma data que os Estados Unidos sempre celebraram, que é, olha, a gente se livrou do rei, a gente se livrou da Inglaterra.
E a declaração dela, ao discordar da decisão, foi que Donald Trump está ficando com mais poderes do que o rei da Inglaterra jamais teve. É uma cutucada importante do ponto de vista histórico, né, Daniel? Olha, vocês estão fazendo com o presidente dos Estados Unidos aquilo que era canônico, ou deveria ser canônico nos Estados Unidos, que era o presidente não pode concentrar tanto poder nas suas mãos Senão ele deixa de ser um presidente dos Estados Unidos, ele passa a ser um monarca para o país, ele passa a ter poderes praticamente absolutos.
E tudo isso impacta muito na economia, né, Daniel, porque mexe muito com a maneira pela qual a gente entende como é que as decisões são tomadas, né. Será que tem previsibilidade? Será que não tem? Dá para confiar a partir do momento que você tem um presidente que agora fracassou interferindo Fed? Mas será que ele vai desistir? Será que não? Será que essas agências agora vão ser controladas muito de perto pelo Trump? E tudo isso mexe muito com as expectativas econômicas futuras.
Isso torna ainda mais importante que você que está nos ouvindo faça um bom planejamento financeiro com quem entenda essas variáveis. É por isso que a gente indica a Rio Claro Investimentos. Saber se é a hora de diversificar, se não, se é hora de fazer mais investimentos no Brasil, se dá para confiar em determinados ativos americanos, por quanto tempo dá para fazer. Não sou eu, não é o Daniel que vai fazer esse tipo de recomendação.
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Daniel, eu quero voltar a falar de Oriente Médio, falar sobre uma outra área, né, uma outra região que tá ligada ao tema de Hormuz, né, que eu trouxe agora pouquinho. A gente teve na sexta-feira a assinatura de um acordo, um acordo quadro, né? Acordo quadro é aquele que estabelece diretrizes, né? Não é necessariamente um acordo que vai trazer os termos mais específicos, mas um acordo quadro trilateral, de novo assinado na capital dos Estados Unidos, envolvendo Estados Unidos, Israel e Líbano.
Basicamente o que esse acordo tá fazendo, Daniel, é acertar ali, né, os termos, principalmente entre Israel e Líbano, para que a gente comece a pensar numa certa normalização do campo de batalha. Então, o que tá sendo dito ali é que você vai ter por parte de Israel uma ideia de desmobilização progressiva. Pouco a pouco, os soldados israelenses vão deixar determinadas posições. Agora, tudo sendo feito muito lentamente. O acordo, ele deixa muito claro, é muito lentamente.
Israel vai deixar determinadas posições estratégicas que já não sejam mais tão importantes estrategicamente para Israel. Aquela área que Israel considera que já tá solucionado, que queria fazer, vai poder recuar. E famílias libanesas, portanto, vão poder voltar para as suas residências, né, vão poder começar— isso é a parte muito cruel da guerra, né— vão poder começar a reconstruir suas casas, né, casas que foram destruídas e tudo.
O que o acordo diz é que essas famílias vão poder voltar para reconstruir as suas casas e tentar retomar a sua vida. Faltou só uma coisa, Daniel, a gente lembrar, né, e a gente tem falado sobre isso constantemente, que a guerra não é exatamente uma guerra entre Israel e Líbano. O Líbano, aliás, faz questão de dizer isso constantemente. Olha, gente, a gente tá sendo atingido aqui por um fogo cruzado entre Israel e o Hezbollah, mas a guerra não é com o Líbano.
O Líbano é diretamente prejudicado, mas a guerra é contra o Hezbollah. E adivinha, Daniel, o Hezbollah Israel não foi envolvido. Qual foi a declaração do líder do Hezbollah, o Nayim Qassem? Não reconhecemos o pacto. E aí, um dos termos do acordo, Daniel, desse acordo assinado na última sexta-feira, é que Israel vai poder voltar a ocupar determinados territórios no Líbano, mesmo territórios que ele já tenha saído, se o Hezbollah continuar fazendo ataques.
O que o Hezbollah tá dizendo é: amigo, eu não tenho nada a ver com esse acordo. Se eu tiver que fazer ataque, eu vou fazer ataque. Ou seja, Daniel, é um acordo que não serve para muita coisa, porque afinal de contas uma das partes do conflito não tá envolvida. E aí, Daniel, não adianta nada. O argumento do Hezbollah é que qualquer coisa que envolva o Líbano tem que estar envolvida no acordo, que é aquele acordo que foi assinado entre Irã e Estados Unidos, que é o argumento iraniano também, que o Irã diz é o Líbano faz parte do mesmo contexto qualquer coisa que nos envolve aqui, Estados Unidos e Irã, tem que envolver o Líbano também.
E os Estados Unidos sempre negaram, Israel sempre negou. Os Estados Unidos acabaram aceitando, mas Israel nunca aceitou essa ideia. Portanto, esse acordo, Daniel, aquele acordo que eu nem coloquei como pauta principal do episódio hoje porque ele me parece muito transitório, ele é um acordo muito frágil, ele é um acordo que envolve partes que 'Não, tá enganado, é um acordo de vamos fazer a paz aqui, mas não éramos nós que estávamos exatamente trocando tiro.' Então muita desconfiança, né, com relação aos resultados práticos desse acordo entre Estados Unidos, Israel e Líbano.
Daniel, essa é sem dúvida uma ponta solta, né, Tanguy? Porque na prática você tem ali duas partes do acordo que não estão envolvidas nas negociações do acordo. Israel não vai recuar, não tem nenhum incentivo para isso. Hezbollah tampouco. E, consequentemente, você tem um elemento de fragilidade ali nessa trégua e na construção de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Avançando para a próxima pauta, Tanquei, eu quero registrar que a primeira-ministra do Japão, a Takayoshi, ela está com um recorde de aprovação.
A aprovação do gabinete dela está em 68%. É a primeira vez desde 2002 que um primeiro-ministro japonês, e agora uma primeira-ministra japonesa, consegue manter a aprovação acima de 60% depois de 9 meses de governo. A gente está falando de um governo que está sendo muito apoiado por conta da política externa, que tem sido vista com uma certa "outivez" por parte dos japoneses. A Takahashi, inclusive, passou a posicionar o Japão na região do Pacífico com mais firmeza em relação a questões sensíveis.
Ela também tem atuado na economia. Ela realizou uma redução do imposto sobre o consumo de alimentos de 8% para 1% por 2 anos, estabeleceu pagamentos em dinheiro para famílias de baixa e média renda, e ela é apoiada com muito entusiasmo Claro, pelos apoiadores do partido dela, mas também pelos jovens. Os jovens consideram que ela está fazendo efetivamente um bom governo. E é interessante porque a gente vive períodos turbulentos no cenário internacional e algumas lideranças femininas fortes têm se sobressaído.
É o caso dela e é o caso da Meloni. E as duas têm esse ponto em comum: Quer dizer, elas acabam sendo lideranças que impõem claramente um rumo, impõem claramente um norte. Você pode concordar, pode gostar, pode não gostar, pode discordar, não importa, mas elas acabam não demonstrando muita hesitação em relação a temas importantes. Ela bateu de frente com os chineses, Tange, há poucos meses. Isso acabou tendo uma repercussão positiva dentro do Japão, como quem diz: "Olha, gente, Claro, temos que tomar cuidado, etc., ninguém quer guerra, mas também não é bagunça.
A China não pode fazer o que quiser aqui na região e a gente simplesmente aceitar que vai ficar tudo por isso mesmo e que, consequentemente, ela é senhora de toda a região. O Japão tem que se impor, o Japão tem que se posicionar, e isso tem sido muito bem recebido pelo público japonês. Somado a isso, a questão econômica, que ela tem atuado também com muita firmeza, você acaba tendo uma liderança que é muito valorizada. Hoje, a gente carece muito de líderes no cenário internacional.
O cenário internacional está com pouquíssimas lideranças, lideranças que demonstrem o caminho, que digam com firmeza o que acreditam que precisa ser feito. E a primeira-ministra japonesa acaba se destacando nesse cenário. De novo, você pode concordar, discordar, não é isso que está em jogo aqui. É simplesmente que você tem uma liderança que diz: "Olha, vamos!" "Por aqui, vamos por aqui, é esse o caminho." E, consequentemente, me parece que, dentro do atual cenário internacional, esse é o segredo dos líderes que quiserem realmente ter uma popularidade um pouco maior.
Eles não podem ser líderes hesitantes. E eu acho que o contraste com o Stammer do Reino Unido é muito evidente. Ele passou a imagem de um líder hesitante. Mas, afinal, Stammer, qual é a sua posição? Você está para um lado, está para o outro? O que, qual o caminho que a gente vai seguir por aqui? Ele acabou demonstrando muita hesitação e consequentemente acabou tendo ali o seu gabinete derrubado por aquela queda de popularidade no prazo de tempo relativamente curto.
Daniel, falar em liderança feminina, eu queria falar sobre um país que tá sofrendo na verdade com a disputa entre duas mulheres, né, que a Venezuela, que tá enfim em meio a essa crise horrenda, né, envolvendo terremoto que aconteceu na semana passada A gente tá tendo uma disputa entre a atual presidente, a Delcy Rodrigues, e a principal opositora, a Maria Corina Machado. A gente teve, Daniel, só para contextualizar, no dia de hoje mais um tremor importante, né?
A gente tá falando sobre um tremor de 4,6 graus, né, na escala Richter. Então, claro que não é um tremor de 7,5 como foi da semana passada, mas em meio à tentativa de resgate das pessoas, né, aquelas horas críticas e tudo, Tudo teve que ser paralisado durante, hoje, durante algumas horas, né, até que você tivesse garantias, né, se tivesse uma segurança maior para as equipes. Então é de fato um cenário muito difícil. E a gente tem nesse momento é a confirmação de 1.450 mortos.
É horrível pensar que esse número certamente vai sumir. A gente tá falando na casa de 50 mil desaparecidos. E conforme os dias vão passando, a coisa vai se tornando mais difícil. E a coisa se torna ainda mais complicada, né, a partir do momento em que há uma disputa entre governo e oposição por conta do terremoto. Basicamente, Daniel, a gente tem a oposição tentando demonstrar proatividade, a oposição tentando passar à frente, né, tentando mostrar que, olha, ninguém confia no governo, esse governo é um governo corrupto, é o mesmo governo lá do Maduro, e a gente não pode confiar, tentando passar adiante, criando portanto determinadas brigadas de resgate, por exemplo.
O que tem chocado com a estratégia governamental, né, o governo tentando liderar os resgates, liderar a mobilização em torno inclusive das doações, ao passo que o governo, né, por sua vez também tenta escantear, tenta tirar qualquer possibilidade da Maria Corina Machado, né, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, né, enfim, como principal líder da oposição, se destacar exatamente em meio a essa comoção nacional envolvendo o terremoto.
Então, nesse sentido, Daniel, fica um tentando bloquear ações do outro, né? E naturalmente, Daniel, no momento como esse, o importante é que você tivesse algum nível de normalização da relação, mesmo que fosse durante um período curto de tempo. A gente tem, Daniel, inclusive a Maria Corina Machado tentando, que é a principal líder da oposição, aparentemente tentando fazer uma volta triunfal à Venezuela. Não se sabe exatamente onde é que ela tá, Não tá claro, né, um dia para onde que ela foi.
Mas em dezembro do ano passado, o que se ficou sabendo, né, lembrando que o Maduro foi capturado, né, enfim, foi sequestrado em janeiro desse ano agora, nos primeiros dias do ano. Em dezembro do ano passado, o que se sabe é que a Maria Corina Machado teria ido para Curaçao, para de Curaçao chegar à Noruega. Mas não se sabe se ela tá de fato na Noruega, mas o que vem sendo ventilado é que ela, nesse contexto agora do terremoto, estaria tentando voltar para Venezuela e tentar angariar força e mostrar que, olha, o governo da Delcy Rodríguez é impopular, ninguém gosta dela, a coisa não tem como funcionar.
Ao passo que o governo da Delcy Rodríguez está tentando mostrar eficiência internacional, ganhar popularidade exatamente com essa comoção, né, que acaba surgindo, dialogando inclusive com governos de direita, Daniel. Então é o Salvador, Argentina, né, do Milei, ofereceram ajuda e a Delcy Rodríguez aceitou. A gente teve inclusive um gesto por parte do governo dos Estados Unidos, né, o Trump liberou 300 milhões de dólares para a Venezuela para ajudar, enfim, nos resgate, em toda questão infraestrutural, logística, sem entregar esse dinheiro para o governo, né, entregando para agências associadas.
Eles têm uma lista de agências que receberam esse dinheiro. E a China também. Essa estratégia da Delcy Rodríguez: olha, eu tô recebendo dinheiro dos Estados Unidos, da China, é um novo governo, um novo momento. Mas o fato, Daniela, que essas disputas elas estão sendo muito mal vistas pelo público. Os venezuelanos, de uma forma geral, estão se mostrando meio enojados com essa disputa entre as duas, principalmente no momento tão duro da história venezuelana quanto esse terremoto que aconteceu na semana passada.
Daniel, e a Maria Corina Machado, tem que— ela tem problemas de base na Venezuela. Ela não tem uma base ali construída, consolidada, e isso acaba sendo um problemaço. Sou oportunista, claro. Você tá falando de um momento muito dramático da história venezuelana, quer dizer, é o mais grave tremor em mais de um século, sendo que há mais de um século, quando você teve um tremor equivalente, você não teve esse drama, porque você não tinha tantas construções que acabaram desmoronando, tanta gente morrendo, etc.
E acaba pegando muito mal, para dizer o mínimo, esse tipo de disputa política num momento como esse, ao invés de haver ali até uma junção de forças para o enfrentamento do desastre, para o socorro às vítimas. Afinal, você ainda tem equipes de emergência trabalhando para tentar socorrer pessoas que eventualmente podem estar vivas nos escombros e soterradas em função do tremor que aconteceu. A poucos dias. Avançando aqui para a próxima pauta, tem registro que Vladimir Putin reconheceu publicamente que os ataques ucranianos a refinarias têm causado escassez de combustível na Rússia.
Aliás, uma proibição total das exportações de diesel está sendo considerado, que seria algo muito impactante inclusive para países como o Brasil. Que costumam comprar bastante diesel russo. Você tem uma força-tarefa dedicada à busca do restabelecimento pleno do abastecimento que trabalha 24 horas por dia. E o governo russo estabeleceu como prioridade garantir combustível para o setor agrícola durante a colheita. É evidente que a Ucrânia intensificou ataques de médio e longo alcance contra alvos industriais na Rússia.
E, consequentemente, o setor de petróleo tem sido o mais impactado. O Putin, na TV estatal, disse o seguinte: "Diante da catastrófica escassez de pessoal, as forças armadas da Ucrânia aparentemente acreditam que isso pode ser uma salvação. Mas salvar o regime de Kiev não faz parte dos nossos planos." "O Putin o tempo todo se refere aos ataques ucranianos como ataques terroristas", ou seja, ele não admite publicamente que o que está acontecendo é uma guerra e que, consequentemente, os ucranianos estão retaliando à Rússia porque os russos invadiram seu território e estão tentando tomar um pedaço ainda maior do seu território.
Ele coloca ali como sendo algo terrorista, algo que os ucranianos fazem diante de uma situação de desespero por estarem em um ambiente de iminente derrota. Mas não é isso que a gente tem observado. A Ucrânia está realmente numa posição de força e isso tem levado inclusive a sofrimento dentro da Rússia. A economia russa não está em colapso, mas a economia russa está sendo impactada verdadeiramente por esses ataques ucranianos que têm tido um poder de fogo cada vez maior.
Agora, Tanguy, eu quero saber de você o seguinte: observei, digamos assim, uma pancadaria de qualidade, ou não, isso você vai me dizer, no parlamento georgiano nas últimas horas. Então, eu sei que você é um sommelier, você é um profundo apreciador desse tipo de arte, pancadarias em parlamentos. Por favor, conte-nos o que você achou dessa pancadaria no parlamento georgiano que aconteceu há poucas horas.
Eu sou um sobelheiro de formação, tá, Daniel? Eu estudei muito, né, me especializei, tenho várias especializações, especificamente em pancadaria em parlamentos ao redor do mundo. E depois de muita meditação, muita reflexão, eu estudei assim cada movimento que aconteceu. E eu queria trazer um pouquinho de contexto, Daniel. Você tinha um discurso que tava sendo feito por um parlamentar do governo, né, um governo, para um parlamentar da situação.
E um provocou, o outro provocou também e tal, e a pancadaria começou. E eu queria dar algumas notas, Daniel, porque eu sempre gosto de uma coisa bem objetiva, tá? Não é gostei, não gostei, eu gosto da objetividade. E eu queria dar, Daniel, uma nota, uma nota 10 para intensidade do embate, tá? Os parlamentares, eles estavam muito dedicados, né, dispostos a não levar nenhum golpe sem resposta. Então cada tapa, Daniel, era respondido de volta, era olho por olho, dente por dente.
Então nota 10 para intensidade. Agora nota 4 para contundência, tá, Daniel? Contundência foi o ponto baixo dessa pancadaria, nota apenas 4. Uma coisa que pode ter levado isso, tá, Daniel, é um, é o que a literatura traz, é que o espaço era muito reduzido. Sendo o espaço muito reduzido, não tinha espaço para o gatilho do soco. Então tudo era meio tapa, sabe? O negócio Bons tapas, tá? Mas era só tapa. E aí a contundência fica um pouco prejudicada.
Então nota 4 para contundência, mas nota 10 para inclusão, tá, Daniel? Tinha espaço para homem, para mulher, para velho, para velha, para gente sedentária, para gente nova, gente alta, gente gorda, gente baixa, gente bonita, feia. Teve espaço para todo mundo, tinha hora, Daniel, que era uma massa de gente tão compacta que você não sabia nem quem é que tava batendo em quem. Nota 10 para inclusão. Então, 10 pela intensidade, 4 para contundência, 10 para inclusão, fica 24 dividido por 3, média 8, tá?
Para pancadaria, já vi melhores. Agora, vale a pena assistir, tá, Daniel? Vale a pena você gastar o seu tempo para ver o que que foi produzido lá pelos parlamentares jordanianos.
Daniel, lembrando que a Geórgia tem passado por dias de turbulência justamente por conta de protestos e uma pressão popular para que o país avance em direção ao Ocidente, numa aproximação em relação à União Europeia. Mas a Geórgia, né, rapaz? A Geórgia tem ali uma proximidade com a Rússia e toda vez que a Geórgia se comporta mal, a Rússia aperta ali o torniquete, leva aquela cerca de arame farpado 100 metros para frente, acaba também trazendo implicações no que diz respeito à questão energética.
Então, é um país que vive ali uma situação muito complicada e isso ajuda a temperar E a explicar um pouco porque nós tivemos tanta violência no parlamento georgiano.
Dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria agradecer muito quem tá com a gente aqui, muito obrigado pela sua presença, muito obrigado pela sua companhia. A gente sabe que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, a gente tenta trazer aqui todos os dias, né, informação. Para você que tá chegando, que tá chegando novo aqui, seja muito bem-vindo.. E a gente deixa sempre a recomendação. Ah, mas eu tô em clima de Copa do Mundo.
Tem curso lá no Petcurso sobre esporte, sobre Copa do Mundo. A gente teve uma aula na última terça-feira, é que tá uma aula gratuita, tá lá no YouTube, PetJornal, sobre a FIFA, né, sobre os bastidores da FIFA, sobre as entranhas da FIFA. Daniel Souza conduziu essa aula, uma excelente aula que foi dada lá, enfim, de novo, gratuita para todo mundo que quiser. E a gente vai começar um curso na próxima terça-feira, né, amanhã exatamente, sobre futebol, esporte, geopolítica, economia, tudo envolvido só para você que é nosso aluno. Acessa lá ptcursos.com.br que eu tenho certeza que você não vai se arrepender.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet é uma mídia pequena, precisa da ajuda de seus apoiadores, porque não tem um conglomerado, não tem ali uma grande produtora, é um trabalho bastante artesanal, e, consequentemente, fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês.
E fica o convite também: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio, nós temos várias alternativas. Tem a chave PIX, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetJornal. Chave Pix no descritivo desse episódio. Tem um link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
Amanhã, Daniel Souza, nós estamos de volta. Um abraço, até a próxima. Valeu, tchau, tchau.
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