Episódios de Petit Journal

Terremoto na Venezuela - BP 1101

26 de junho de 202633min
0:00 / 33:23
RIO CLARO
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Os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela mobilizam equipes de resgate e ajuda humanitária em meio a uma das maiores tragédias recentes do país. No episódio analisamos a dimensão dos danos, os esforços internacionais de assistência e os desafios para a reconstrução.
Também discutimos a ameaça do Iraque de deixar a OPEP caso não obtenha uma cota maior de produção e o diagnóstico do FMI de que, embora o acordo entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido os preços da energia, a normalização da economia global ainda deverá levar tempo.
Falamos ainda sobre a confirmação matemática da vitória de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais do Peru, resultado que continua sendo contestado por Roberto Sánchez, o acalorado confronto entre Donald Trump e um senador republicano sobre a condução da política americana em relação ao Irã e as denúncias da Ucrânia de que a Rússia pretende ampliar a guerra a partir de Belarus. 
Na Geleia da Shakira, a irreverente "remada viking" promovida pela torcida da Noruega durante a Copa do Mundo provoca irritação e constrangimento entre suecos e dinamarqueses.
#Venezuela #Peru #Irã #Geopolítica #OPEP
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

Co-hostJornalista
Assuntos7
  • Terremoto na VenezuelaDimensão dos danos e perdas · Esforços internacionais de assistência · Desafios para a reconstrução · Delcy Rodríguez · FMI · ONU · Estados Unidos · União Europeia
  • Invasão da Rússia por HitlerMobilização militar em Belarus · Uso do território de Belarus · Pressão sobre a Ucrânia · Rússia · Ucrânia · Belarus · Alexander Lukashenko · Chernobyl
  • Oposição interna ao Trump sobre guerra no IrãCotas de produção de petróleo · Crise financeira do Iraque · Perda de relevância da OPEP · Iraque · OPEP · Arábia Saudita · Emirados Árabes Unidos
  • Eleições Presidenciais no PeruContestação do resultado · Votos no exterior · Anulação de votos · Keiko Fujimori · Roberto Sánchez · Pedro Castillo
  • Economia GlobalAcordo EUA-Irã e preços de energia · Impacto da guerra em infraestrutura · Preço de fertilizantes · FMI · Estreito de Ormuz
  • Confronto Trump-Senador Republicano sobre IrãAcordo preliminar com o Irã · Incentivos financeiros a Teerã · Custos do conflito · Donald Trump · Bill Cassidy
  • Geleia da Shakira: Disputa pela herança vikingRemada viking na Copa do Mundo · Irritação entre suecos e dinamarqueses · Disputa pela herança viking · Noruega · Suécia · Dinamarca
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DSDaniel Sousa

Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo 1101. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit. São exatamente 17 horas e 24 minutos da quinta-feira. 25 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, vírgula, opa, que tá de animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e mais tarifas a caminho, e muito preocupado com o ambiente internacional de muitas incertezas, muita imprevisibilidade, trazendo muitas noites de insônia para nosso querido professor.

E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Agora, antes de começar, Tanguy, registro que, em celebração pelos 10 anos do Pet Jornal, publicamos no YouTube do Peti um vídeo especialíssimo com best-of das resenhas aqui do Pet Jornal, das nossas lives no Pet Jornal. Vai lá conferir, ficou muito bacana e temos certeza que você vai gostar. Dito isso, professor Bagdadi, Vamos a isso!

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para mais um bate-papo, bate-papo 1101. Um prazer tá aqui com vocês, um prazer tá aqui com você, Daniel Souza, para a gente trazer mais uma vez, né, todas as pautas das últimas horas, né, dos últimos acontecimentos, tanto da política quanto da economia. E Daniel Souza, perto ali do jogo do Brasil que aconteceu no dia de ontem, né, o Brasil-Escócia, Começou a pipocar as notícias sobre o terremoto, na verdade terremotos no plural, de dimensões colossais que aconteceram na Venezuela.

Tivemos, Daniel, pelo menos os dois terremotos principais que foram os maiores desde o ano de 1900, o que é um negócio gigantesco. A gente tá falando sobre um terremoto de 7.2 na escala Richter e outro ainda maior, 7.6. 5 que atingiram a costa norte do país na noite dessa quarta-feira. O trágico nisso tudo, Daniel, é que a gente não sabe nem ainda exatamente a dimensão dos estragos e das perdas, né, da quantidade de mortos. O último balanço do governo aponta— a gente tá gravando esse episódio aqui nesse momento que a gente tá falando, né, são 17:27, né, da quinta-feira.

Nesse momento, o último boletim que a gente tem fala em 164 mortos e 971 feridos. Daniel, infelizmente esses dados certamente vão aumentar muito. Os dados do governo falam em pelo menos 10 mil desaparecidos, e a gente tem uma plataforma que foi desenvolvida pela oposição venezuelana que tá tentando alimentar com pessoas que— as pessoas colocam ali os dados de pessoas que elas sabem que estão desaparecidas, que não sabe exatamente o paradeiro.

E o último número, Daniel, fala em 24 mil desaparecidos. A gente sabe, Daniel, que essas primeiras horas de busca são críticas. A gente sabe que é um país que não tem essa preparação toda para terremotos. É diferente de países que sofrem com terremotos de forma muito constante, né? O fato é o caso do Japão, é o caso do Chile. A Venezuela de fato sofreu muito, né? Está sofrendo muito com esse terremoto. E naturalmente há uma mobilização internacional para tentar ajudar o governo venezuelano.

A presidente, né, presidente interino, a gente pode colocar assim, a Delcy Rodríguez anunciou abertura imediata de um fundo de 200 milhões de dólares, é algo ali um pouco mais de 1 bilhão de reais, para ajudar na reconstrução, na ajuda às vítimas, enfim, com tudo que é, todas as necessidades que se encontram quando a gente fala sobre uma tragédia desse tamanho. E a verba vai ser custeada principalmente com recurso proveniente do FMI.

E há obviamente uma tentativa de angariar recursos para que esses fundos eles sejam ampliados. A ONU também se declarou completamente mobilizada e naturalmente incentivou que países contribuam com a Venezuela nesse momento de dificuldade, nesse momento de dor, né, nesse momento de fato uma catástrofe de nível nacional. Os Estados Unidos, né, por meio do seu secretário de Estado, Marco Rubio, se comprometeu a dar uma resposta grande, rápida e eficaz em suporte ao país.

Não citou cifras, né, mas enfim, prometeu ajuda. A União Europeia também se mobilizou e ofereceu integrantes da sua unidade militar de emergência, né, então tem uma forma de ajuda ali como defesa civil. A Espanha, né, que é a antiga metrópole venezuelana, acaba tendo uma certa ligação cultural com o país, também ofereceu ajuda. Assim como a Suíça, né, pensando em outro país europeu que também ofereceu ajuda de forma direta. Na América Latina, a gente teve Brasil, Argentina, Uruguai e Equador se colocando à disposição, e alguns outros países também mencionaram que pretendem se mobilizar, manter um, manter um canal de diálogo aberto com a Venezuela para entender quais são as necessidades.

Entre eles, a Itália, né, mais um país europeu, além de China e Irã. Eu achei curioso o Irã aqui. O Irã também tem laço importante com a Venezuela, ao longo dos últimos anos. A Venezuela durante muito tempo se colocou como um país que fazia parte desse grupo anti-Estados Unidos. Então esses laços foram criados, eles foram alimentados, eles foram mantidos. Então o Irã, mesmo estando, né, no meio de uma situação geopolítica complicada, tendo sido bombardeado recentemente por Estados Unidos e Irã, pelos Estados Unidos e Israel, o Irã também formalizou, né, um canal aberto para qualquer tipo de ajuda que possa ser oferecido.

Fica aqui os nossos sentimentos para população venezuelana, para pessoas que eventualmente nos ouçam que tenham conhecidos ou que estejam na Venezuela, sabe, sei lá, porque de fato a gente tem um cenário muito difícil, muito desafiador. Um país que já vive uma situação econômica difícil, complicada, né, os últimos anos não foram fáceis para Venezuela. Você ter dois terremotos, né, tão potentes, tão poderosos quanto esse, é algo que é difícil, é difícil para a realidade do país.

E a gente vai acompanhar por aqui o que vai ser feito do ponto de vista internacional para ajudar os venezuelanos.

DSDaniel Sousa

Daniel, as imagens são muito impressionantes, né, Tanguy? A destruição é tremenda, o impacto em vidas humanas. Aliás, você tem ali dezenas de milhares de desaparecidos e consequentemente existe a possibilidade do número de mortos aumentar exponencialmente ao longo das próximas horas. A Venezuela realmente não tem a capacidade de enfrentamento desse desastre, até por conta da sua condição econômica bastante fragilizada. É um país que precisa de ajuda nesse momento.

O presidente Trump chegou a sinalizar, né, que ajudaria a Venezuela, chegou a publicar isso numa rede social. Também seria importante Brasil endereçar uma ajuda relevante, afinal é um líder regional em contexto, um vizinho da Venezuela. Mas o país vizinho precisa de ajuda para enfrentar essa tragédia de grandes proporções. Avançando para a próxima pauta, Tanguy, eu quero registrar que o Iraque está ameaçando deixar a OPEP se você não tiver um aumento nas cotas de produção.

O plano do Iraque, pelo menos por enquanto, é permanecer na organização, mas exigindo que a cota de produção seja significativamente maior num futuro não muito distante. O Iraque é o segundo maior produtor da OPEP, atrás apenas da Arábia Saudita, e um dos 5 membros fundadores de uma organização que foi criada em 1960 em Bagdá. A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã bloqueou as exportações pelo Estreito de Hormuz, derrubando a produção iraquiana de algo em torno de 4,2 milhões de barris por dia em fevereiro para 1,48 milhão de barris em maio.

Diante disso, O país enfrenta uma gravíssima crise financeira, consequência direta dessa queda na produção e nas exportações. Atualmente, a cota iraquiana de produção para o mês de julho é 4,3 milhões de barris por dia, nível que atualmente o Iraque não consegue atingir, em função ali de problemas na sua capacidade produtiva. Entretanto, O porta-voz do governo iraquiano sinalizou que o Iraque pretende aumentar assim que puder a produção para 7 milhões de barris por dia.

TBTanguy Baghdadi

Ousado, hein, Daniel? Bem ousado.

DSDaniel Sousa

Muito ousado. Como forma justamente de recuperar financeiramente as finanças públicas e também recuperar a própria economia do Iraque. A saída do Iraque seria um duro golpe na OPEP, afinal, recentemente nós tivemos a saída dos Emirados Árabes Unidos. A organização está sendo vista cada vez mais como uma organização capturada pelos interesses exclusivamente da Arábia Saudita, e isso tem irritado profundamente os seus parceiros.

A gente teve uma aula recente no Petit Coursus sobre a OPEP, e uma das coisas que nós analisávamos por lá é justamente a perda de relevância dessa organização E uma das coisas que nós projetamos é que essa perda de relevância parecia irreversível, pelo menos até onde a vista alcança. Esse desejo dos iraquianos de abandonar a OPEP acaba sendo um reforço e, nesse primeiro momento, é apenas uma ameaça. "Olha, se vocês não permitirem que eu aumente a produção de petróleo por aqui, quando eu puder, quando eu tiver a minha estrutura recuperada, etc., eu vou sair da OPEP, eu vou produzir essa quantidade de petróleo "Vocês queiram ou vocês não queiram, porque eu preciso realmente recuperar a economia iraquiana rapidamente diante do enorme desgaste que a guerra gerou." E diante disso, você tem aí uma tensão estabelecida a ver como os sauditas vão reagir e como é que eles vão se posicionar em relação a essa demanda iraquiana, que também é uma demanda de outros parceiros da OPEP.

Aliás, essa pauta vai ao encontro justamente de uma declaração do Fundo Monetário Internacional no dia de hoje, que destacou que os preços do petróleo eles caíram, mas que a normalização do mercado de energia vai demorar algum tempo, justamente por conta de um aspecto que nós temos mencionado aqui no PetJornal, que é o impacto que a guerra trouxe em infraestrutura produtiva, infraestrutura portuária, contratos que deixaram de ser cumpridos.

Você tem uma série de elementos que precisam ser reconectados, reconstruídos, e isso não acontece de uma hora para outra. Ainda existe, inclusive, muita preocupação em relação ao preço dos fertilizantes e de outros segmentos que foram fortemente impactados pela crise recente no Oriente Médio. E tem mais, Tanguy, a situação em Ormuz a gente sabe que não está normalizada. Nós tivemos, nesta semana, o ápice de passagem pelo Estreito de Ormuz de embarcações.

Nós não tínhamos tantas embarcações passando pelo Estreito de Ormuz desde fevereiro, mas, mesmo assim, é uma fração do que nós tínhamos em fevereiro. E, consequentemente, essa normalização do mercado internacional de energia ainda não aconteceu. E muito provavelmente, segundo o FMI, e acho que é uma análise que faz muito sentido, ela vai demorar algum tempo até que ela ocorra de forma definitiva.

TBTanguy Baghdadi

E fica a dica, né? Essa aula é uma aula gratuita, né, que tá lá no YouTube do PetJornal. Acessa lá, né, para você assistir a aula sobre a OPEP. A gente faz uma análise sobre a criação da OPEP, a estrutura da OPEP e por que que os países estão cada vez mais desinteressados na organização. A gente ofereceu essa aula exatamente quando os Emirados Árabes Unidos estavam saindo E nessa aula a gente chegou exatamente a essa conclusão.

Olha, vai ter mais gente que vai olhar para essa situação, falando assim: pô, se tá começando a esvaziar, começa a fazer um pouco menos sentido fazer parte. E tá aí o Iraque, não nos deixa mentir, né? Então eu acho, analisar essa aula, né, assistir essa aula é interessante por causa disso. De novo, tá lá no YouTube do Petit Jornal. Daniel, queria deixar aqui um recado para os nossos ouvintes, que é o fato de que a economia global, como a gente tem analisado constantemente, está passando por mudanças muito rápidas, né?

O mercado energético tá mudando, a maneira pela qual diferentes países, investidores, estão entendendo a economia dos Estados Unidos está mudando, a relação de endividamento dos países, né, a maneira pela qual os Estados estão se endividando também tá passando por mudanças. Isso naturalmente mexe muito com as nossas finanças pessoais, com a maneira pela qual você investe, com a maneira pela qual você pensa no futuro. Eu tenho certeza que você que tá ouvindo a gente deve ter esse pensamento: se aposentar é cada vez mais desafiador.

Então ter um dinheiro guardado para você garantir uma velhice tranquila é muito importante. E é por isso que você precisa de alguém que saiba te ajudar, que possa te ajudar nessa gestão do seu dinheiro, uma boa gestão. A Rio Claro Investimentos, nossos parceiros aqui no Pet Jornal, é a melhor pedida para você. São profissionais extremamente gabaritados que trabalham para você sem conflito de interesse para garantir que você tenha uma boa gestão das suas finanças.

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DSDaniel Sousa

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TBTanguy Baghdadi

Daniel, como próxima pauta eu queria falar sobre uma novela que a gente tem trazido aqui de vez em quando, que é a apuração de votos no Peru. Essa eleição já aconteceu há algumas semanas e, dada a diferença muito pequena entre os dois candidatos que foram para o segundo turno, a diferença de votos entre a Keiko Fujimori e o Roberto Sánchez, a coisa começou a se tornar cada vez mais embolada. E a gente tá falando, Daniel, sobre uma diferença de votos que nesse momento está na casa de 44 mil votos.

Do ponto de vista eleitoral, isso não é nada, quase um empate. Agora, no dia de hoje, a gente teve um marco importante, que é a autoridade eleitoral no Peru anunciou que, dados os números que nós já temos, Keiko Fujimori não pode mais ser alcançada por Roberto Sánchez. A gente trouxe algumas semanas atrás que as atas já tinham sido 100% apuradas. Porém, a autoridade eleitoral, ela fez questão de recontar alguns votos. Ela considerou que havia dúvidas com relação a determinadas atas e tal, recontou.

E nesse momento, portanto, nós estamos do ponto de vista oficial com 99,87% dos votos. Significa que faltam 0,13% que tem que ser recontados. Mas com isso, 99,87%, que já estão sacramentados, Keiko Fujimori está com 50,2%. Impressionante a diferença, né, Daniel? 50,12% dos votos válidos, o que significa que não dá mais para reverter. Então isso aqui, Daniel, que eu tô dizendo, é do ponto de vista institucional da eleição em si.

A vitória de Keiko Fujimori está sacramentada. Isso significa que a campanha do Roberto Sánchez Jogou a toalha? Não. A campanha de Roberto Santos está pedindo, por exemplo, a anulação dos votos no exterior. Por quê? Porque no exterior a Keiko Fujimori teve tipo 2/3 dos votos. Se você tira os votos no exterior, volta para briga, você vai voltar a ter ali voto a voto. Talvez inclusive o Roberto Santos fique um pouquinho à frente.

Curioso, Daniel, porque virou moda, né? A gente teve, por exemplo, na última eleição que foi em 2021, a Keiko Fujimori, que agora quer que tudo se mantenha do jeito que tá, pedindo a anulação dos votos da região andina que favoreciam o seu oponente, que era o Pedro Castilho, que acabou ganhando a eleição, já foi impeachment, já tá preso, né? Mas naquele momento era Keiko Fujimori que pedia: olha, esses votos aí na região andina, tem que ver, tá, tem que ser anulado, tem irregularidade.

Agora a coisa muda de lado e portanto Roberto Sánchez, que aliado do Pedro Castilho, pede a anulação dos votos oferecidos no exterior. Roberto Sanches já falou, a gente já falou sobre isso aqui no episódio passado, que não aceitaria o resultado das eleições. Então nesse momento a gente já tem uma, assim, prognósticos de que o Roberto Sanches vai liderar, pretende liderar protestos, manifestações contra o resultado das eleições.

O objetivo é que o anúncio oficial dos resultados ocorra no dia 7 de julho. Então de hoje, 25 de junho, até 7 de julho, a ideia é você encerrar toda a recontagem de votos. Mais uma vez, o resultado não vai mudar, quer dizer, pode mudar um pouquinho percentual aqui e acolá, mas Roberto Santos matematicamente não tem mais como passar à frente. E que você tenha finalmente tudo preparado para posse no dia 28 de julho. Daniel, falta pouco mais de um mês para posse e tá todo mundo bem em dúvida sobre o que vai acontecer.

O ideal, gente, seria o seguinte: acabou a eleição, recontou. Hoje é dia 25 de junho, até dia 28 de julho não é para acontecer nenhuma surpresa, sabe? Sei lá, Daniel. Então o Peru, ele tá numa situação em que politicamente a instabilidade é tão grande que ninguém sabe o que que vai acontecer até lá. Mas o fato é que Roberto Santos continua fazendo contestações. Que que o Fujimori tá dizendo? Diferentemente do que fez lá em 2021: gente, circulando, nada para ver aqui, tá tudo certo, acabou, contou.

O resultado está sacramentado, mas a gente vai ter que acompanhar. De novo, gente, é um país que faz fronteira com o Brasil, é um país que é importante para a estabilidade regional. Vamos ver, Daniel, o que vai acontecer daqui para frente. Vamos ver se a posse vai ocorrer normalmente no dia 28 de julho.

DSDaniel Sousa

Daniel, thank you. O presidente americano Donald Trump protagonizou uma discussão aos gritos com o senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, em reunião fechada com o partido na quarta-feira. Cassidy exigiu mais explicações sobre o acordo preliminar com o Irã, que concede incentivos financeiros a Teerã, mas fica muito aquém dos objetivos declarados no início do conflito. Aos jornalistas, Cassidy disse o seguinte: "O povo americano precisa saber mais do que está sendo informado." "parece, embora eu não tenha certeza, que o rumo dos acontecimentos não está seguindo o que nos foi dito." Ora, depois, o Cassidy recebeu um briefing da Casa Branca e agradeceu publicamente pelo convite, justamente convite no qual essa discussão acabou acontecendo.

Na noite de quarta, a liderança republicana marcou votação para bloquear a resolução que pedia o fim das hostilidades contra o Irã. O resultado foi 50 a 47, em grande parte por linhas partidárias. E, nesse sentido, você tem um Donald Trump que está muito pressionado por conta do acordo que ele celebrou com o Irã. Gente, pelo amor de Deus! Nós falamos sobre esse acordo de maneira muito detalhada aqui no PetJornal. É um acordo de um derrotado.

Você foi derrotado na guerra para oferecer 300 bilhões de dólares para reconstrução, mesmo que você não pague diretamente, mesmo que você levante esses recursos com os seus aliados do Golfo, para descongelar os ativos iranianos, para retirar as sanções. Foi realmente um acordo muito constrangedor para os americanos, e me parece natural que alguns parlamentares republicanos pressionem o presidente para tentar entender que acordo é esse, que acordo que você assinou depois de se enfiar numa guerra durante alguns meses.

Aliás, o governo solicitou ao Congresso 70 bilhões de dólares para cobrir os custos do conflito, que se somam ao orçamento militar do governo americano, que é um orçamento ali quase de 1 trilhão $1.000. Apenas 1 em cada 4 americanos acredita que a guerra compensou seus custos, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos. É algo assustador porque gera um impacto ali realmente muito grande, e é uma deterioração da qualidade política nos Estados Unidos e da institucionalidade muito visível, né?

Um presidente americano batendo boca com senador republicano por conta ali de uma guerra que claramente saiu do controle e não atingiu nem de perto os objetivos iniciais. Muito pelo contrário, acabou atingindo os objetivos iranianos que não estavam necessariamente previstos no início desse ano.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, eu falei um tempo atrás aqui sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, algo que aparentemente tá ganhando cada vez mais corpo, cada vez mais força. A Ucrânia, ela já tá algumas semanas afirmando que a Rússia está cada vez mais próxima de mobilizar Belarus, que é um grande aliado da Rússia e que faz fronteira ali ao norte da Ucrânia, para um novo ataque. Então, que a Rússia estaria enviando dinheiro, uma mobilização militar, que estaria se preparando para usar o território de Belarus numa guerra contra a Ucrânia.

O Zelensky, ele já veio a público diversas vezes para dizer: olha, gente, é melhor vocês ficarem de olho aí, porque Belarus é capaz de entrar nessa guerra. Tem que ver, principalmente levando em consideração que há uma tentativa, principalmente por parte dos Estados Unidos, de tentar neutralizar Belarus. Você falou sobre isso aqui há pouco tempo, Daniel, que os Estados Unidos, por exemplo, retiraram uma série de sanções contra Belarus.

Não, deixa Belarus aí e tal. Vamos tentar trazer Belarus um pouco mais para o nosso lado. O Zelensky, o seu governo, tá dizendo: gente, tá estranho o que tá acontecendo em Belarus, acho melhor a gente botar as barbas de molho porque pode estar acontecendo alguma coisa. Saiu também uma reportagem, Daniel, no Wall Street Journal, né, um dos jornais mais importantes dos Estados Unidos, afirmando que a Rússia pretende usar o território de Belarus como plataforma para intensificar os ataques à Ucrânia sobre a ameaça de cortar o apoio financeiro ao governo de Belarus.

Então, que o Lukashenko estaria sendo pressionado, que é, meu amigo, ou você deixa eu agir, ou então eu corto a ajuda financeira. E a gente sabe que Belarus é muito dependente da ajuda financeira oriunda da Rússia. Uma coisa que faz sentido do ponto de vista estratégico, Daniel, a gente perceber que a Rússia vem tendo dificuldade de avançar em território ucraniano. Então, a Rússia, ela gostaria de ter avançado muito mais do que já conseguiu avançar, E que Belarus, né, se você pega o mapa, Belarus fica ao norte da Ucrânia, e da pontinha sul de Belarus até Kiev, a capital ucraniana, você tem uma distância que fica entre 140 e 160 km.

É muito perto, né? Então um eventual ataque a partir de Belarus até Kiev é muito, é muito fácil. Inclusive a gente teve uma tentativa de ataque como esse lá em 2022. A gente narrou, aliás, dia após dia, né, essa tentativa de ataque aqui. Não deu certo. A Rússia acabou se concentrando mais lá no leste, mas era exatamente a partir do território de Belarus que eles chegaram a tentar conquistar Kiev. Você, no meio ali, Daniel, tem Chernobyl?

Tem. Tem uma área de exclusão que teoricamente não pode passar? Tem. A Rússia já tomou Chernobyl como se nada tivesse acontecendo?

DSDaniel Sousa

Sim.

TBTanguy Baghdadi

Ah, mas tem radiação. Esse é coisa para frouxo, Daniel. E soldado russo não tem essa, vai passar por Chernóbil mesmo. Bota uma máscara, Daniel, bota, porra, lava a mão aí.

DSDaniel Sousa

Também é da vida, né? Bem a filosofia russa, né?

TBTanguy Baghdadi

É isso, passa álcool gel na mão que, porra, resolve tudo, entendeu? Não tem essa. Então, óbvio, Daniel, que isso aumenta muito a pressão sobre a Ucrânia. Você tem a possibilidade de chegar na capital, né? Você tem ali uma pressão maior. E hoje, portanto, o presidente de Belarus, né, o Alexander Lukashenko, veio a público para dizer que teve um encontro que aconteceu em Minsk, a capital de Belarus, com emissários do presidente ucraniano, Dmytro Zelensky, e que ele tranquilizou a Ucrânia dizendo que não há, não tem nada disso, nada disso vai acontecer.

Segundo ele, abro aspas: eu disse a eles abertamente, rapazes, digam ao seu presidente se ele acha que pode falar comigo desse jeito. E ainda por cima nos arrastar para uma guerra. Então ele precisa entender que a natureza da guerra mudaria instantaneamente. Então, para parar com esse negócio de dizer que a Ucrânia, que Belarus vai entrar na guerra, porque não tem nada disso. E se ficar insistindo, aí mesmo que a gente vai entrar.

Então essa preocupação, ela, ela, ela, ela, ela tem consumido a Ucrânia. A Ucrânia tem falado sobre isso constantemente. Tem um detalhe, no entanto, Daniel, que eu queria te ouvir também sobre isso, que é Você comentou aqui recentemente que a Rússia, ela tá com dificuldade para refinar petróleo por conta dos ataques ucranianos. A Ucrânia vem fazendo ataques especificamente contra refinarias russas e a capacidade de refino da Rússia, ela tá seriamente abalada.

Portanto, o que a Rússia tem feito é ela tem usado as refinarias de Belarus para refinar o seu petróleo para ela mesmo poder importar. Então, Belarus está numa posição de uma certa força, assim, a Rússia precisa de Belarus. Então, me parece, Daniel, que a gente tem Belarus numa posição um pouco mais central nesse momento, que é: Belarus vai fazer o jogo da Rússia? Belarus vai manter uma certa independência porque a Rússia precisa dela?

Vai tentar ficar com ajuda russa para fazer o jogo do Putin? Como é que vai ficar isso? Meu feeling, Daniel, minha percepção sobre isso é que o Lukashenko é muito vinculado ao Putin. Belarus é muito vinculado à Rússia, vai muito mais fazer o jogo russo do que ser seduzido por algum tipo de concessão que os Estados Unidos faz, tirar sanção que os europeus fazem.

DSDaniel Sousa

É muito perto, né, Tanguy? Os Estados Unidos é muito longe.

TBTanguy Baghdadi

Rússia não vai a lugar nenhum, né? A Rússia vai continuar lá. Enfim, então se os Estados Unidos dizem que vão me ajudar, mas a Rússia tá aqui do meu lado, é melhor eu ter uma boa relação com Putin do que exatamente com Trump. Até porque no Trump, sabe, sei lá, se dá para confiar. Então, algo para a gente ficar de olho ao longo dos próximos meses, Daniel, se a Rússia pode querer utilizar o território de Belarus de novo, como já fez no passado, para algum tipo de ação contra a Ucrânia.

DSDaniel Sousa

Daniel, podemos avançar aqui para geleia da Shakira de hoje para terminar com uma nota um pouco mais leve o nosso episódio?

TBTanguy Baghdadi

Podemos, Daniel Souza, traz para mim.

DSDaniel Sousa

A geleia da Shakira de hoje, eu quero falar sobre uma crise diplomática que está se formando, Tanguy. Na Copa do Mundo nós temos a seleção norueguesa, E a seleção norueguesa está ficando conhecida pelos remadores. Tem remadores em Times Square, remadores na escada rolante, remadores em todos os lugares. Isso tá viralizando.

TBTanguy Baghdadi

Os jogadores, né?

DSDaniel Sousa

É, pois é, os próprios jogadores acabam fazendo ali uma remada como elemento de destaque e como grito de guerra, como comemoração. Enfim, o fato é que isso tá irritando irritou profundamente os vizinhos da Noruega. Está irritando um pouco a Suécia, a Suécia está no Mundial e tal, aí está dizendo: "Ah, não estou gostando muito, mas também não vou acusar o golpe." Mas quem está realmente irritadíssima é a Dinamarca. É a Dinamarca que não está no Mundial e que considera um abuso, que considera realmente um assinte os noruegueses agora se dizerem "vinkes", "Os vikings sempre foram dinamarqueses, Tanguy, ou pelo menos tinham na Dinamarca sua base e acabaram se expandindo para Noruega, Suécia, outros lugares." Enfim, temos agora uma disputa sobre a herança viking.

Quem é dono da herança viking? São os dinamarqueses? São os suecos? Ou são os noruegueses? Então é isso, Tanguy, temos que acompanhar porque isso pode virar uma pancadaria, pode virar uma crise diplomática de grandes proporções. Para saber quem são os verdadeiros herdeiros dali da civilização viking.

TBTanguy Baghdadi

Ô Daniel Souza, a Noruega tem uma resposta muito fácil para isso, ou Dinamarca. 48 seleções e você não conseguiu classificar. Sinto muito, uma pena, paciência. Daqui a 4 anos, se você tiver na Copa, aí você diz que é viking, que você faz, que fez, que aconteceu e tal. Quem tá na Copa, meu amigo, É a Noruega, Danielson. A Suécia reclamar? Vá lá, a Suécia tá na Copa. Agora, pô, Dinamarca lá da casinha dela reclamando? Eu não sei, nessa daí, Daniel, eu entendo o argumento dinamarquês, mas essa aí eu fechei posição com a Noruega. Sei você, Danielson, você vai se posicionar nessa ou ficar em cima do muro?

DSDaniel Sousa

Ah, Tanguy, eu acho que quem fez primeiro levou. Eu sou a favor disso. Quem sentou primeiro no banquinho sentou, quem chegou atrasado perdeu o lugar, é o que eu tenho a dizer.

TBTanguy Baghdadi

Perfeito, Daniel Souza. Dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Muito obrigado pela presença de vocês, um prazer ter vocês aqui. E lembrando, Daniel, que em clima de Copa do Mundo a gente deu uma aula gratuita ontem lá no YouTube do PetJornal sobre a FIFA, uma das melhores aulas que eu já assisti por aí, conduzida pelo professor Daniel Souza. Um dos temas de hiperfoco, como ele mesmo falou no final da aula de ontem, sobre a FIFA, né, sobre as entranhas da FIFA.

E isso dá ensejo para a gente começar na próxima terça-feira um curso no qual a gente fala sobre futebol e política internacional, futebol e economia. A gente vai falar sobre a geopolítica da bola, né? São os temas que a gente vai tratar. O nome do curso é Como o Futebol Explica o Mundo, só para os nossos alunos. E a gente tá, Daniel, com uma campanha por tempo limitadíssimo com 39% de desconto para o plano anual. Utilizando o cupom ALÉMDOJOGO.

Então acessa lá, petcursos.com.br, coloca o cupom ALÉMDOJOGO que você ganha um desconto de 39% no plano anual. Quem acompanha a gente, Daniel, sabe que a gente não é de dar cupom o tempo todo, desconto o tempo todo, mas o momento de Copa, né, essa discussão acerca de futebol, né, impacto do futebol, ele é tão importante, é tão poderoso que a gente achou importante, né, dar essa facilitada 39% de desconto. Acessa lá, petcursos.com.br, e aproveita essa oportunidade.

DSDaniel Sousa

E fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PetJornal é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado, não tem um suporte realmente de uma grande produtora, e por isso ajuda de nossos apoiadores é tão importante, e fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit Jornal. Chave no descritivo desse episódio. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza. Amanhã de manhã temos o nosso tradicionalíssimo Pet Invest. Você pode assistir com a gente diretamente no YouTube, começa às 10 da manhã, ou então, claro, como sempre, no podcast. Daniel Souza, nos vemos. Um abraço, até a próxima.

DSDaniel Sousa

Valeu, tchau tchau! Pet Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petijornal.com.br.

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