Entre a diplomacia e as bombas - BP 1046
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Donald Trump envia sinais contraditórios sobre o rumo da guerra, alternando entre acenos à negociação e indicações de possível ampliação do conflito com o Irã, enquanto Teerã nega avanços diplomáticos. No terreno, os Estados Unidos elevam o nível de prontidão ao enviar paraquedistas e fuzileiros navais para o Golfo, ao mesmo tempo em que pressionam países árabes a contribuir com os custos da guerra. O episódio também analisa o impacto dessas incertezas sobre o mercado global de petróleo, que segue altamente sensível às oscilações do conflito.
Discutimos ainda a atuação de outros atores, como o apoio estratégico da Rússia a Cuba por meio do envio de petróleo, a pressão do Egito por um cessar-fogo e o uso de criptomoedas por Rússia e Irã para contornar sanções internacionais. Também abordamos a decisão de Israel de aprovar pena de morte para palestinos envolvidos em ataques contra israelenses.
Na Geleia da Shakira, surge a proposta de mudança nas notas de dólar, que passariam a contar, de forma inédita, com a assinatura do presidente dos Estados Unidos.
#OrienteMédio #Irã #Petróleo #Geopolítica #EstadosUnidos
- Alta do petróleo e impacto nos mercados agrícolasAlta do preço do petróleo · Consequências econômicas globais
- Aprovação de lei de pena de morte para palestinos em IsraelLegislação sobre palestinos
- Uso de criptoativos por Rússia e Irã para contornar sançõesComercialização de armamentos · Contornar sanções
- Incerteza e contradições do governo TrumpNegociações com o Irã · Ameaças de ataque
- Solidariedade internacional com CubaEnvio de petróleo para Cuba
- Assinatura do presidente em notas de dólarMudança na política monetária
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.
Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o bate-papo número 1046. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 19 horas e 15 minutos da segunda-feira, 30 de março de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado em 15%.
E também muito preocupado, muito preocupado com o cenário internacional, que, aliás, vem trazendo camadas e mais camadas de incerteza dentro desse ambiente extremamente pantanoso. Professor Bagdadi, diga-me, como vamos? Vamos a isso?
Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para esse bate-papo 1046, um prazer estar com você aqui para iniciar mais uma semana, né? O pessoal cobrou a gente, fomos cobrados, Daniel, não tivemos episódio. Na segunda-feira de manhã, cá estamos nós, segunda-feira à noite, estamos aqui gravando mais um episódio, Daniel, para falar sobre esse mundo, né, maluco que nos cerca, né, tudo o que vem acontecendo, aliás...
Não está faltando assunto, viu, Daniel? E eu deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente. Você que acompanha a gente pelo YouTube. Aliás, confere aí se você já se inscreveu no canal do Petit Jornal no YouTube. Você que acompanha a gente pelo podcast, sejam todos muito bem-vindos. Daniel, eu quero começar o nosso episódio com, de novo, Donald Trump emitindo sinais absolutamente contraditórios. E a gente fica na dúvida se é estratégia, se ele está perdido.
Eu fico mais com a impressão de que ele está perdido do que a estratégia, mas sabe, sei lá. Mas o fato, Daniel, é que nos últimos dias ele apareceu, veio a público, dizendo que as negociações com o Irã estão acontecendo e que ele está esperançoso em uma solução negociada. A solução está vindo, Daniel, é uma questão de tempo e que...
as coisas estão andando e que o Irã já teria feito várias concessões, várias coisas que estão sendo negociadas e tudo, e que o Irã, então, portanto, as negociações estariam acontecendo, estariam avançando. Só que, ao mesmo tempo, Daniel, vem o Irã a público e diz que não tem nada disso.
tem nada disso. Então, segundo os Estados Unidos, o Irã teria aceitado, em caráter privado, vários dos pontos demandados pelos Estados Unidos e o Irã veio a público para dizer que recebeu sim propostas de paz, ou seja, aquilo que a gente falava na semana passada, Daniel, de que os Estados Unidos teriam enviado propostas via Paquistão e que Turquia e Egito também estariam participando de negociações a princípio.
Isso está correto, de fato isso deve estar acontecendo, mas o Irã disse que recebeu as propostas de paz, mas foram tidas como irrealistas e insuficientes. Foi suficiente para Donald Trump mudar o tom. E aí ele prometeu...
que se o Irã, ao longo dos próximos dias, não mudar o seu comportamento e aceitar um acordo de paz, e aí o prazo, Daniel, ele tinha dado aquele prazo de cinco dias, esse prazo virou de dez dias, olha, as negociações estão acontecendo e tal, vamos dar dez dias, portanto, esse prazo acaba no dia 6 de abril.
Então, daqui a alguns poucos dias, Trump prometeu destruir todas as plantas de geração de eletricidade do Irã, vai atacar poços de petróleo e vai atacar a ilha de Karg. A gente já falou sobre essa ilha de Karg várias vezes, é por ali que passa uma enorme parcela.
das exportações iranianas de petróleo, o principal terminal de exportação do Irã, aliás, disparado. Então, segundo Donald Trump, se não houver a conclusão dessas negociações até o dia 6, um ataque bem mais poderoso por parte dos Estados Unidos poderá acontecer.
E aí ele vai além, Daniel, e são aquelas movimentações que não são exatamente faladas. A gente teve o envio de fuzileiros navais para o Irã, ali para a região, na verdade, na semana passada, então para bases americanas na região na semana passada, o que já deu o indício de que o fuzileiro naval é para missões anfíbias, sei lá, está querendo tomar a ira de carga, está querendo fazer alguma invasão.
E ao longo dos últimos dias nós tivemos também o anúncio de que milhares de paraquedistas começam a chegar na região. E aí a gente passa a ter uma sensação de que os Estados Unidos ao mesmo tempo estão negociando, mas também começam a deixar aberta a possibilidade de uma eventual invasão por terra. Daniel, eu me sinto até estranho falando.
O que eu estou dizendo aqui? Que os Estados Unidos estão planejando, cogitando, imaginando a possibilidade de uma invasão por terra. Daniel, isso é um cenário meio catastrófico. A gente está falando sobre uma guerra potencialmente terrestre, me custa crer, tá? Mas potencialmente terrestre contra um país poderoso como o Irã. É um país que tem capacidade de se defender e sabe, sei lá, quais são as consequências que podem vir junto com uma decisão como essa, Daniel.
Aliás, Tanguy, esse cenário levantado por você de uma operação terrestre dos Estados Unidos no Irã, haveria inclusive a possibilidade de tentar tomar a ilha de Karg ou de capturar o urânio iraniano, levou a uma alta forte do preço do petróleo no dia de hoje. Nós tivemos aí o petróleo se aproximando de 115 dólares o barril. É algo...
mais forte em um único mês, desde 1990, nesse mês de março de 2026, nós tivemos uma alta de quase 60% no preço do petróleo, e consequentemente o que nós observamos é que o efeito sobre a economia mundial já está sendo observado, o querosene de aviação disparou, você já está tendo alta no preço das passagens aéreas, você já está tendo...
alta no preço dos alimentos em função do diesel, que está mais caro, para distribuir esses alimentos nos mais diferentes postos de venda. Mas o mercado ficou muito nervoso com essa possibilidade, Tanguy. Porque ninguém consegue olhar para isso e achar, nossa, que ótima ideia, vai dar super certo, né? O Donald Trump está querendo atacar o Irã por terra, teremos uma guerra rápida diante desse ataque.
É claro que quando os números são apresentados, não me parecem números de uma operação em larga escala. Por mais que sejam números maiúsculos, quando se trata das Forças Armadas dos Estados Unidos, os números tendem a ser maiúsculos mesmo. Na prática, a gente está falando de algo que não parece que... Poxa, vamos tomar o Irã, vamos derrubar o regime dos ayatollahs.
Imagina, Tanguy, se você faz ali uma operação militar para tomar a ilha de carga.
Meu Deus do céu, para quanto vai o preço do petróleo em função justamente de uma situação de confronto no coração ali do Estreito de Hormuz ou no coração do Golfo Pérsico? É algo que chama demais a atenção e vai gerando aí, claro, essa escalada do preço do petróleo no mercado internacional. Daniel, só um recado, cara. Eu quero continuar falando ainda sobre a região, sobre o Golfo Pérsico, mas eu quero dar um aviso para o pessoal que está ouvindo a gente.
Porque hoje a gente está gravando esse episódio aqui no dia 30 de março. O mês acaba, portanto, amanhã. Amanhã é dia 31. É o último dia para você aproveitar o melhor momento para você fazer compras, no momento próximo agora, na Inside Store. A gente está falando sobre o mês do consumidor. Existe, Daniel, a semana do consumidor. A Inside Store resolveu presentear os nossos ouvintes aqui com o mês do consumidor. E é um período ao longo do qual você pode conseguir desconto de até 50%. A Inside Store
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Ô Daniel, eu queria que você me ajudasse a imaginar a seguinte situação, tá? Vamos dizer que você tem um vizinho nesse belíssimo prédio no qual você reside que você não gosta muito. E você reclama dele, mas você reclama, Daniel, de forma absolutamente casual. Mas eu decido, Daniel, que eu vou te ajudar. Eu pego uma arma, vou pra porta desse seu vizinho e começo a dar tiro lá. Esse cara, pô, vai atirar de volta, sei lá, o que ele vai fazer, vai reagir.
E na hora que o bicho começa a pegar, Daniel, eu viro pra você e falo, Daniel...
você tem que me ajudar, cara. Pega a arma aí também, e você tem, inclusive, que me pagar, porque eu tentei resolver um problema seu. Isso é mais ou menos o que os Estados Unidos estão fazendo com os países do Golfo, os países árabes do Golfo, nesse exato momento. Os Estados Unidos começaram, junto com Israel, uma guerra contra o Irã.
Não que os países árabes amassem o Irã de paixão, muito pelo contrário, né? Ninguém está chorando porque o Irã eventualmente está em guerra, está sendo atacado, qualquer coisa assim. Mas hoje nós tivemos uma declaração da porta-voz da Casa Branca, a Carolyn Leavitt, dizendo que Trump tem a ideia e o interesse de convocar os países árabes para arcarem com os custos militares do conflito. Ô Arábia Saudita, que tal você me pagar, hein? Estou fazendo uma guerra aqui. Ô Catar!
fazendo uma guerra aqui, você me paga. E aí eu continuo essa guerra contra o Irã, porque você sabe como é que é, né? É caro e tal. E aí você tem, obviamente, esse país falando assim, peraí, Estados Unidos, peraí, peraí, peraí. Foi você que decidiu, meu camarada. Foi você que foi lá, foi você que começou essa bagunça toda. Mas o fato, Daniel, é que essa não é exatamente uma ideia nova para Donald Trump, né? O Trump várias vezes já quis cobrar da Alemanha, da Coreia do Sul, do Japão, de países da OTAN, de uma forma geral, para além da Alemanha, isso, né?
é que pagassem pela segurança dos Estados Unidos. Estou mantendo soldados aí, você tem que me pagar. Mas não num contexto de guerra, Daniel. Aliás, ele já propôs isso. Aliás, eu estou sendo injusto com o Trump. Estou sendo injusto, Daniel. Ele já fez isso com a Ucrânia. Com a Ucrânia, já num cenário de guerra, ele falou, Ucrânia, é o seguinte, você me paga aí, eu fico com uma parte das suas reservas de minerais e tal, e eu te defendo. É mais ou menos a mesma coisa que ele está fazendo agora.
com os países do Golfo. E isso, Daniel, tem causado desconforto, que é óbvio, nos países árabes do Golfo, pelo fato de que são países que já estão sofrendo por conta da guerra, pela dificuldade de escolher o petróleo. Ah, mas o petróleo está muito mais caro. Não adianta nada. O petróleo pode estar mil dólares o barril. Eu não consigo exportar. Então, naturalmente, são países que vêm sofrendo com ataques.
vem sofrendo com dificuldade de escoar a produção e você ainda tem os Estados Unidos dizendo que, olha, é melhor você me ajudar a pagar aqui os custos da guerra. Então, algo que soou mal, Daniel, para os países ali da região. Vamos ver como é que eles vão reagir. Eles também não estão muito em condição de fazer malcriação com os Estados Unidos, porque se os Estados Unidos abandonarem, eles ficam sozinhos com o Irã. E aquela velha ameaça, né, Daniel? O Irã não vai a lugar nenhum.
Os Estados Unidos podem eventualmente voltar para casa, o Irã continua ali, mas é um elemento de tensão dos Estados Unidos junto aos seus vizinhos, Daniel. E é interessante, pegando esse gancho, no dia de hoje, o presidente do Egito, que não é um país do Golfo Pérsico, mas é um país médio-oriental, o presidente Abdel Fattah al-Sisi pediu diretamente ao Donald Trump que interrompa a guerra contra o Irã. Lembrando que o Egito tem ali uma posição...
de uma certa proximidade em relação aos Estados Unidos. Tem ali uma aliança na área militar, recebe ali uma mesada, inclusive dos Estados Unidos, desde o final da década de 70, quando teve ali o acordo de paz entre Egito e Israel. E o Alcice, ele argumenta que só os Estados Unidos conseguem conter a escalada.
Ele reconhece a centralidade dos Estados Unidos na segurança do Golfo, mas teme pelo colapso econômico regional. Colapso econômico regional com consequências, inclusive, globais. O próprio Alcice alerta que o preço do petróleo pode ultrapassar 200 dólares o barril.
e que esse é um cenário plausível e que não é exagerado. Se nós continuarmos nessa mesma toada, segundo ele, a coisa vai ter que encolar, a coisa vai sair do controle, você tende a ter um colapso econômico na região e tende a ter consequências econômicas bastante severas.
Até o presente momento, Tanguy, me parece que o mundo todo está apostando que, em algum momento, Donald Trump vai olhar para isso e vai dizer, gente, tá bom, cansei do brinquedo, vou voltar para casa, vou buscar outra coisa para fazer, vou me dedicar a Cuba, vou me dedicar a algum outro entretenimento que eu acabei abandonando nas últimas semanas.
Mas, de qualquer maneira, a gente está falando de um ambiente extremamente preocupante. É claro que 200 dólares o barril ainda parece bastante distante, na atual realidade de 115, mas sabe se lá, tem que ver se a coisa continuar, se a coisa piorar.
E se a gente tiver realmente um ambiente onde você tem um conflito dentro do Golfo Pérsico de maneira mais aguda, isso traria consequências para a região desastrosas e consequências bastante graves para o cenário internacional. Aliás, falando, eu dizia há pouco, sobre uma das preocupações do Donald Trump, eu trouxe aqui no Petit Journal, Tanguy, não tem muito tempo, aquele navio petroleiro russo.
E eu questionei. E aí, Donald Trump? Vai fazer alguma coisa? A Rússia mandou um petroleiro para Cuba. Diz que vai ajudar Cuba. Eis que o petroleiro...
Atracou a Cuba. Sem nenhum problema. Absolutamente nenhum problema. Esse petroleiro russo com aproximadamente 730 mil barris chegou ao porto de Matanzas, em Cuba, e está entregando ali o seu petróleo bruto, petróleo bruto que vai ser refinado. É o primeiro carregamento.
relevante que Cuba recebe nesses últimos três meses. É bem verdade que o petróleo ainda vai ser refinado em Cuba, mas o navio Tanguy saiu lá de Primovorsky, ou Primorsky, melhor dizendo, na Rússia, no Mar Báltico.
E chegou em Cuba. Todo mundo sabia, o Petit Jornal avisou o Donald Trump. Avisou o Donald Trump. Está indo um petroleiro em direção a Cuba. O que você vai fazer diante disso? Nada. Não fez nada. Aliás, a Rússia mandou avisar que vai continuar mandando petroleiro para Cuba e vai continuar socorrendo Cuba dentro desse contexto.
onde a ilha caribenha vem enfrentando dificuldades energéticas bastante agudas. De qualquer maneira, o Donald Trump não me parece, no atual momento, em condições de arrumar uma segunda confusão. Você já tem uma confusão no Oriente Médio, vai arrumar uma confusão com a Rússia por conta de Cuba? Não nesse momento.
E é exatamente a aposta dos russos que o Donald Trump não ia fazer nada, que ele ia recuar. Eis que ele recuou, eis que o petroleiro russo, que acabou sendo ali um grande teste, chegou a Cuba sem maiores dificuldades.
Aliás, o Trump dava toda a pinta, né, Daniel, de que queria fazer algo rápido no Irã para logo depois resolver Cuba. Me parece, a gente chegou a falar sobre isso aqui, né, que o Trump queria resolver três das grandes questões da política externa americana. Venezuela resolveu rapidamente, ficou tão animado, Daniel, que quis resolver o Irã rapidamente, matar lá o líder supremo, imaginava, né, que de repente o...
o regime fosse desmoronar com uma certa rapidez e depois se voltar para Cuba. Ele chegou a dar alguns indícios, né, Daniel? Eu teria muita honra em tomar Cuba e tal. E no momento em que a Rússia manda um petroleiro, o sinal que a Rússia está dando também é aos Estados Unidos. O seguinte, a situação no Irã não está fácil. Em Cuba também não vai ser fácil, não. Em Cuba, a Rússia está disposta a fazer determinados movimentos para ajudar esse país. Daniel, eu queria falar um pouquinho sobre uma situação que...
tem gerado preocupação principalmente em pessoas ligadas aos direitos humanos, e na verdade qualquer pessoa que tenha preocupações relacionadas aos direitos humanos, que é a lei que foi aprovada em Israel. Só para a gente contextualizar, Daniel, a pena de morte em Israel foi abolida no ano de 1954.
Israel abriu uma exceção no ano de 1962 para executar Adolf Eichmann, que foi um dos idealizadores do Holocausto, foi um dos caras que fez o Holocausto na prática acontecer. Ele foi capturado por Israel em 1962, foi executado por Israel no ano de 1962, mas agora Daniel acabou de passar pelo Knesset, pelo parlamento israelense.
uma lei que foi idealizada pelo ministro da Segurança Nacional, o Itamar Ben-Gvir, é um cara sobre o qual a gente fala bastante aqui, Daniel, um cara da ultradireita israelense, um cara que puxa o Netanyahu o tempo todo ainda mais para a direita e que aprova a possibilidade de pena de morte para palestinos que tenham atentado contra a vida.
de israelenses. E aí você coloca um termo ali que é sempre muito complicado, que é o termo do terrorismo. Se implicar em atos terroristas pode levar a uma pena de morte. Terrorismo, Daniel, é claro que todo mundo sabe o que é o terrorismo, mas ele tem uma enorme zona cinzenta, que é terrorismo. Ele pode ser interpretado de várias maneiras. Várias coisas podem ser consideradas terroristas e essa lei prevê, inclusive, que a execução ocorra em até 90 dias após a sentença.
foi sentenciado, então algum palestino atentou contra a vida de algum israelense, foi considerado terrorista, pode ser dada a sentença em 90 dias, depois dessa sentença, em até 90 dias, a execução pode acontecer. Reitero, em Israel, a pena de morte já não existe mais desde a década de 1950.
Isso levou, Daniel, naturalmente a muita pressão dentro de Israel e pela comunidade internacional. Então, vários países se manifestaram severamente contra. Dá a impressão o tempo todo, Daniel, de que o Itamar Ben-Gvir acelerou esse processo porque o mundo está olhando para o Irã, você tem outras preocupações e tal, então seria um bom momento para aprovar essa possibilidade. E aí, essa lei foi ligeiramente modificada e determinou, portanto, que essa pena de morte pode ser eventualmente comutada.
por uma pena de prisão perpétua. É uma possibilidade. Agora, mesmo dentro de Israel, há muita pressão pelo fato de que disse, e o argumento é muito pertinente, muito correto, que a pena de morte não contribui para uma diminuição de eventuais ações violentas que possam ser feitas e tudo, muito mais do que, por exemplo, a pena...
de prisão perpétua. Mas é algo que é importante pelo fato de que muitos países ocidentais, inclusive, têm Israel como aliado e tudo, e uma lei como essa vai exatamente na contramão do que se espera quando se fala sobre uma preservação dos direitos humanos, Daniel, basicamente o restabelecimento da pena de morte.
para palestinos, o que tende a ser muito utilizado principalmente para palestinos da Cisjordânia. Claro que de Gaza também, mas a grande preocupação é que isso possa acontecer contra assentamentos e contra palestinos que eventualmente ajam contra assentamentos israelenses na Cisjordânia e naturalmente quem vai julgar se houve uma tentativa, o que foi feito, vão ser cortes israelenses, que naturalmente não são isentas. O ponto é esse, não são cortes isentas.
Tanguy, essa próxima pauta eu tenho certeza que vai te surpreender. Um relatório divulgado pela Chainalysis aponta o maior uso de criptoativos por parte do Irã e da Rússia para comercialização de armamentos. É isso mesmo.
a comercialização de armamento está utilizando criptoativos. Veja você, você inclusive tem aí a percepção de que têm sido utilizados para comprar drones, para comprar equipamentos relacionados a drones, para comprar os mais diferentes tipos de equipamentos dentro desse contexto, onde tanto a Rússia quanto o Irã estão envolvidos em um conflito militar.
ao mesmo tempo em que os dois países são pesadamente sancionados. E os criptoativos são muito utilizados para contornar sanções. É conhecido, inclusive, o uso desse tipo de expediente por países como a Coreia do Norte também. Quer dizer, você consegue, através dos criptoativos...
pagar ou receber através realmente de mecanismos que não são tão suscetíveis ou que não são tão alcançados por sanções econômicas bastante pesadas, impostas principalmente pelos Estados Unidos.
Você tem, inclusive, através do relatório, a citação explícita de uma carteira ligada ao corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Ou seja, a Guarda Revolucionária Islâmica utilizando criptoativos para fazer comercialização de armamentos e, dessa forma, contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos. Sempre que eu vejo uma temática como essa, eu acho, no mínimo, curioso. E por que?
A ideia original dos criptoativos era justamente fugir dos governos, da tributação dos governos, dos controles governamentais. Não está sujeito ao poder de emissão desses governos, que eventualmente podem levar à fragilização das moedas. Mas quem mais aproveita, muitas vezes, os criptoativos são justamente inimigos.
principalmente dos Estados Unidos, porque através desses mecanismos você contorna muitas vezes sanções que foram impostas, consegue fazer a comercialização de alguns armamentos que não seriam feitos, ou não seriam feitos pelo menos nesse volume, sem esse tipo de mecanismo.
E, aliás, Daniel, é sempre importante lembrar que vários países começaram a criar criptoativos próprios exatamente para isso, né? A gente até parou de falar sobre, mas no último tempo a gente falou sobre o Petro, o venezuelano, né? Então, tá lá, é um criptoativo venezuelano, a Coreia do Norte também. Enfim, então são maneiras que você queria de contornar o próprio dólar. E aí é engraçado quando a gente vê que os Estados Unidos, o governo do Trump, ele gosta muito de falar sobre o dólar.
como é que o dólar é importante e tal, mas, ao mesmo tempo, ele também fala muito sobre os criptoativos. É contraditório, porque os criptoativos, eles tendem, de uma certa maneira, claro que é muito marginal, a contornar o próprio dólar, a enfraquecer o próprio dólar no limite, inclusive enfraquecendo o poder das sanções, que é, historicamente, principalmente da década de 90 para cá, um enorme instrumento de política externa dos Estados Unidos. Você consegue pressionar muitos países quando você coloca a sanção.
Claro, se tem criptoativos, os Estados Unidos estão, inclusive, incentivando criptoativos, naturalmente as próprias sanções acabam perdendo muito do seu efeito. E é impressionante porque não para de pé, Tanguy, um ambiente onde os Estados Unidos querem combater o enfraquecimento do dólar ao mesmo tempo em que você oferece novos criptoativos, como é o caso do Donald Trump.
A única racionalidade possível é a seguinte. O Trump está preocupado em ganhar dinheiro. Está preocupado em fazer os negócios dele. Se isso tiver algum tipo de repercussão sobre a hegemonia do dólar, azar do dólar. É claro que ele gostaria de preservar a hegemonia do dólar, porque isso aumenta o próprio poder dos Estados Unidos e por tabela dele próprio. Mas se houver ali algum tipo de oportunidade individual onde ele possa enriquecer rapidamente... A que custo, né, Daniel?
É, assim. Ai, mas preservar o poder dos Estados Unidos pro futuro. Mas, pô, e o meu caraminguai, né, Daniel Soares? Exatamente. Ele, às vezes, pode passar dificuldades financeiras, né, Daniel? Ele tá pensando aí também numa, né, garantir que a família dele possa se alimentar cotidianamente. Às vezes ele pode estar com dificuldades, né, você não sabe.
É verdade, ele pode estar com dificuldade. Aliás, isso não é só no caso dos criptoativos. Sempre me chama a atenção como o Donald Trump monetiza tudo. É claro que ele sempre foi alguém muito habilitado e sempre teve essa tradição de mercantilizar, de tornar merchandise, quase tudo que ele toca. Mas quando você é presidente dos Estados Unidos, eu acho que deveria ser um pouco diferente.
do que o Donald Trump faz, mas ele não tem nenhum tipo de constrangimento, isso também sempre me chama a atenção, e não há ninguém nos Estados Unidos com força, com relevância, para dizer, não faça isso, você não pode fazer isso, não pode fazer isso. Se é o presidente dos Estados Unidos, você não pode ficar ganhando dinheiro vendendo boné, camiseta, criptoativo, tudo o que você faz para, de alguma maneira, sair beneficiado individualmente.
É por conta de um cargo que você está temporariamente ocupando e deveria estar preocupado com o bem-estar coletivo nos Estados Unidos. E geleia, Daniel? Será que ele vende? Será que ele tem uma geleiazinha do Trump ou só a Shakira que tem? Ah, tem que ter uma geleia do Trump hoje.
Você sabe que essa gelé tem tudo a ver com a pauta anterior, porque o Donald Trump resolveu que ele vai assinar as notas de dólar. Aliás, se você pegar uma nota de dólar, você vai perceber que não existe assinatura do presidente. Você costuma ter duas assinaturas. A do secretário do Tesouro, que seria o equivalente no Brasil ao ministro da Fazenda, e do tesoureiro dos Estados Unidos. Nunca!
As notas de dólar tiveram a assinatura do presidente, para não politizar o dólar, que é uma moeda que perpassa os diferentes governos, os diferentes partidos e os diferentes momentos históricos. Pois bem, o Donald Trump decidiu que acabou isso. Ele vai assinar o dólar e você vai ter já a primeira fornada de dólares assinados pelo Donald Trump em junho de 2026.
E a data não é um acaso, é para que esses dólares estejam em circulação no dia 4 de julho de 2026, data em que os Estados Unidos vão celebrar 250 anos de sua independência.
inacreditável, Tanguy, você ah, eu vou assinar, eu quero o meu autógrafo no dólar, ah, mas isso não é usual isso fere justamente essa autonomia esse distanciamento que o presidente dos Estados Unidos deveria ter em relação a determinadas questões
Azar! Vou assinar, vai ter a minha assinatura, e é isso. E agora vocês começaram a ver notas de dólares assinadas pelo Donald Trump. E, claro, vai começar com as notas de 100 dólares, porque ele é um homem valioso, ele é um homem de garbo e elegância. Ele não vai começar assinando nota de 1 dólar, não faz sentido isso. Então, notas de 100 dólares assinadas pelo Trump a partir de junho desse ano.
Daqui a pouco é capaz dele querer passar uma lei dizendo que ele tem que receber uma parte desse dólar que ele assinou. É assinatura dele. Por que ele não vai receber, de repente, um percentual do dinheiro que circunou nos Estados Unidos? Não dá para duvidar de nada. Daniel, dessa maneira, a gente encerra o nosso episódio. Queria fazer um convite. Aliás, um convite não. Um super convite.
Amanhã, terça-feira, dia 31 de março, a gente vai ter mais uma aula gratuita do Petit Jornal lá no YouTube do Petit Jornal. E aí o tema, Daniel, está explodindo de importante. A gente vai falar sobre o estreito de Hormuz.
Que diabos é o Estreio de Hormuz? Por que o Estreio de Hormuz é tão importante? Para além dessa questão que você já conhece, tá? Ah, 20% do petróleo passa por ali, ah, o Irã, ah, os países do Golfo e tal. Mas indo um pouco além, olhando para a história, olhando para as implicações que o fechamento do Estreio de Hormuz traz, o que significa o fechamento do Estreio de Hormuz? Tudo isso, nessa terça-feira, às 19 horas, gratuito.
O que você tem que fazer com essa informação, Daniel? E espalhar para todo mundo com quem você tenha contato daqui até amanhã, de hoje até amanhã, do momento que você está ouvindo, até a hora da aula, porque as pessoas precisam saber o que é o Estrela de Hormuz, porque isso mexe com a nossa vida. Você vai abastecer o carro, você já sabe que o Estrela de Hormuz está mexendo com a sua vida. Nada melhor do que você saber o que é o Estrela de Hormuz. Tudo isso...
lá no YouTube PetJornal. Ativa lá o sininho para já ser avisado, para já saber, porque amanhã tem essa aula valiosa para entender o mundo atual, Daniel. Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. PetJornal é uma mídia pequena, não tem o suporte de um conglomerado, não tem o apoio de um grande estúdio.
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