Irã e EUA não se entendem - BP 1100
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As negociações entre Estados Unidos e Irã seguem marcadas por impasses e desconfianças mútuas. No episódio analisamos os principais pontos de atrito entre Washington e Teerã, incluindo o futuro do Estreito de Ormuz, as exigências relacionadas ao programa nuclear iraniano e o debate sobre o alívio ou a retomada de sanções econômicas. Apesar dos avanços registrados nas últimas semanas, as divergências permanecem profundas e colocam em dúvida a consolidação de um acordo duradouro entre os dois países.
Também discutimos a crise política no Peru, onde Roberto Sánchez afirma que não reconhecerá o resultado da eleição caso Keiko Fujimori seja declarada vencedora, aumentando a tensão em um processo eleitoral já extremamente disputado. Abordamos ainda a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que abre caminho para uma indenização bilionária da ExxonMobil contra Cuba, com potenciais repercussões para as relações entre Havana e Washington.
Na Geleia da Shakira, a reforma do espelho d’água do Lincoln Memorial termina cercada de críticas, atrasos e resultados frustrantes, transformando-se em mais uma dor de cabeça para a administração Trump.
#Irã #EstadosUnidos #Peru #Cuba #Geopolítica
- Negociações Irã-EUAPrograma nuclear iraniano · Estreito de Ormuz · Sanções econômicas · Donald Trump · Agência Internacional de Energia Atômica
- Eleições PeruRoberto Sánchez · Keiko Fujimori · Fraude eleitoral · Congresso peruano
- Influência de Donald TrumpGuerra no Irã · Custo de vida · Eleições de meio de mandato · Acordo com o Irã
- Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre CubaSuprema Corte dos Estados Unidos · Lei Helms-Burton · Propriedades confiscadas · Cuba
- Reforma do Lincoln MemorialDonald Trump · Vandalismo · Custo da obra
Petit Journal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1100. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 17 horas e 40 minutos da terça-feira, 23 de junho de 2023. Há exatos 10 anos nós tínhamos o primeiro episódio do Pet Jornal. O Pet Jornal completa exatamente 10 anos hoje. Fica aqui antecipadamente meu agradecimento ao professor Tanguy Bagdadjieh e a todos que nos prestigiaram durante toda essa jornada e ainda nos prestigiam.
Muito obrigado! É uma alegria estar aqui celebrando 10 anos do projeto do podcast do Petit Jornal. E sim, temos aqui um bate-papo para cumprir. Tanguy, vírgula, o Bagdadi está aqui preparado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado. Está tarifado, professor Bagdadi, mais tarifas a caminho. Muito cansado, muito preocupado com insônia em função das incertezas internacionais. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala.
Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas Nesse mundo pantanoso, imprevisível, incerto, ainda bem que temos a sua companhia ao nosso lado, a quem agradecemos enormemente. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1100. Quis o destino, Daniel Souza, que o episódio que marca precisamente os 10 anos do PetJornal tenha 1 e tenha 0, tenha 2 1s e tenha 2 zeros. Sei lá o que que isso quer dizer, mas eu fiquei feliz mesmo assim. Deixa aqui um abraço a todo mundo que nos acompanhou ao longo desse período. Muito obrigado pela presença de vocês. E Daniel, a gente continua falando sobre Hormuz, sobre Oriente Médio.
A gente tá tendo uma negociação, Daniel, muito truncada entre Estados Unidos e Irã. Basicamente, Daniel, eles não falam a mesma língua. Quer dizer, não fala mesmo, né? Um fala farsi, outro fala inglês. Mas durante as negociações Eles tampouco estão falando a mesma língua. A impressão, Daniel, é que aquele documento que a gente apresentou recentemente, naquele documento com 14 pontos que estabelece ali um início de paz e tal, que foi apresentado na semana passada, era apenas um guia, viu, Daniel?
Não tinha nada de mais substantivo ali. Estados Unidos e Irã estão discordando o tempo todo. Eu queria trazer alguns pontos de discordância aqui, Daniel. O primeiro deles é que o governo americano disse, aliás, por meio do presidente Donald Trump, que o Irã tinha aceitado que os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica entrassem no país para monitorar tudo que o Irã tá fazendo lá com relação à questão nuclear. O Irã aceitou, estamos felizes.
E aí o Trump disse que os inspetores vão ter acesso a, abro aspas, por um longo período no futuro. Aí ele achou que não tava claro o suficiente, ele abriu parênteses e colocou para sempre, forever, para sempre. Vai para sempre agora, vai poder acessar. Aí o Irã, Daniel, levantou a mãozinha e falou: senhor, senhor, tudo bem, não tá não, a gente não acertou nada disso não, a gente tem uma longa negociação pela frente, não tem nada disso.
Então, seu primeiro ponto, Daniel, que os Estados Unidos fazem um anúncio, logo depois o Irã diz que Não é bem assim. Outro ponto que também levou a divergência, levou a discordância, continua sendo a questão das taxas ou tarifas para cruzar o Estreito de Ormuz. A gente teve o Irã afirmando mais uma vez que estabelecerá um regime de controle de Ormuz. Você falou sobre isso no dia de ontem. Hoje, mais uma vez, isso apareceu na mesa.
E o Marco Rubio, o secretário de Estado dos Estados Unidos, reforçou nesse dia de hoje, né, nessa terça-feira, que o Irã não poderá cobrar pedágio. Aí o Irã diz: beleza, não vou cobrar pedágio, mas pode haver tarifas de serviços marítimos. E aí, Daniel, Omã fica numa situação muito difícil, porque Omã é o país que tá do outro lado do Estreito de Hormuz, né. Então quando a gente fala sobre o Estreito de Hormuz, não tem exatamente águas internacionais, é dividido ali.
A parte norte é do Irã, a parte sul é de Omã. Omã é um aliado dos Estados Unidos, mas Omã sabe que é melhor não ficar se indispondo com o Irã, um país muito mais poderoso. Então os governos de Irã e Omã emitiram hoje uma declaração conjunta reafirmando seus direitos soberanos sobre suas águas territoriais. Ó, passar por aqui a gente que define, hein.
Omã, thank you, recebeu o documento do Irã e falou: onde é que eu assino? Irã, não vou ficar entrando em disputa com você, querido. O que que você quer que eu assine, eu assino e tá tudo bem.
Perguntou assim, é, mas tem que ler? O Irã falou, não, não precisa ler não, é só assina, só assina, tá tudo certo, eu mandei conferir aqui, tá tudo certinho. E a outra questão, Daniel, queria te ouvir sobre isso, é a liberação do tal dos 12 bilhões de dólares em recursos que estavam congelados. Parece que também apareceram umas letrinhas miúdas aí, igual quando você contrata pacote de internet, Daniel, só tem uma série de coisas que o Irã falou assim, ué, Não era assim que eu tinha entendido. Conta para mim, Daniel.
Pois é, Tanguy, nas letrinhas miúdas, aparentemente o Donald Trump leu algo que os iranianos não leram e que eles precisam utilizar esse dinheiro descongelado para comprar produtos americanos. Produtos americanos que eventualmente os iranianos não querem, mas não vem ao caso. Eles têm que utilizar esse dinheiro, um dinheiro que é deles e que está congelado, para comprar produtos americanos dos mais diversos segmentos. Mas fundamentalmente produtos agrícolas.
Veja você, né? Os Estados Unidos se tornaram grandes exportadores de comida e de alimentos para diferentes países e estão querendo empurrar ali para os iranianos mais alguns desses produtos do agronegócio americano. E é importante também registrar que nós trouxemos ontem aqui no PetJornal que o Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença geral temporária até 21 de agosto permitindo produção, entrega e venda de petróleo bruto, petroquímicos e derivados iranianos.
E você tem também uma licença que abrange atividades bancárias, seguros, transportes, tudo ligado ao comércio de petróleo. É uma isenção que nesses 60 dias pode gerar ao Irã algo em torno de 3 bilhões de dólares. Só que tem um problema, Tanguy. O problema é que a gente está falando de um Irã que está sancionado pelos Estados Unidos há quase 50 anos e, consequentemente, Consequentemente, você tem um emaranhado de leis que impõem essas sanções.
Algumas dessas leis foram aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos e, para serem revogadas, precisam ser revogadas pelo Congresso dos Estados Unidos. O presidente Trump tem poder apenas para revogar os decretos presidenciais, mas não as sanções que foram impostas pelo Congresso. Consequentemente, você pode levar muito mais tempo para cumprir essa promessa que foi estabelecida no acordo entre Estados Unidos e Irã. E tem mais, a gente está falando de milhares de pessoas que estão sancionadas pelos Estados Unidos, sejam instituições, empresas, pessoas físicas iranianas, etc.
E segundo alguns levantamentos preliminares, você talvez leve um ano para remover todas essas sanções de todas essas pessoas, para cumprir o que foi estabelecido naquele documento assinado pelo Donald Trump lá no Palácio de Versalhes. Consequentemente, não é tão simples assim. E pior, nós continuamos tendo sobre o Irã sanções impostas pelo Reino Unido, pela ONU, pela União Europeia, e consequentemente a vida do Irã não é totalmente resolvida apenas com a remoção dos Estados Unidos, das sanções americanas, embora isso faça bastante diferença.
Não há nenhuma sinalização por parte do Reino Unido e por parte da União Europeia de que eles vão remover sanções aos dos iranianos ou que vão descongelar ativos iranianos. Consequentemente, nós temos aí mais um elemento que pode levar a um certo azedume na relação entre os dois países. Afinal, o Trump estão começando a dizer que ativos descongelados têm que ser utilizados para comprar produtos americanos. Você tem um monte de sanções que ele, Donald Trump, não tem poder para tirar sozinho.
E você tem um monte de sanções que continuam sendo impostas por outrora aliados dos Estados Unidos, ou mesmo pela Organização das Nações Unidas, com uma chancela internacional mais ampla. Tanguy, a chance de isso azedar, a chance da coisa desandar, não é pequena. Em função dessa múltipla complexidade. Fica a impressão de que os negociadores americanos e mesmo o presidente Donald Trump não tinham noção da repercussão e da complexidade do que estavam prometendo aos iranianos.
E fica também a impressão de que o Donald Trump está querendo mudar o que foi acordado com a bola rolando, dizendo: "Não, não foi isso que eu acordei, eu acordei que vocês comprariam." produtos americanos com esse dinheiro. Mas como assim, gente? Isso não está escrito em lugar nenhum no documento que foi divulgado. O documento, aliás, é bastante claro. E nesse sentido, você vai tendo ali uma série de complicadores e continua a treta em relação aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica.
Os Estados Unidos dizem que o Irã aceitou receber os agentes, o Irã diz que não aceitou. Parece, Tanguy, que o Trump precisa de alguma vitória. Qual é a vitória que o Trump tem para mostrar para o público interno? "Eu vou desmontar o programa nuclear iraniano, ou pelo menos eu vou ter ali os agentes da Agência Internacional de Energia Atômica fiscalizando o programa nuclear iraniano e garantindo que ele é para fins pacíficos." O que, num certo sentido, torna esse plano muito parecido com aquele plano do Obama de 2015, com a diferença de que o Obama não havia prometido 300 bilhões de dólares para reconstruir o Irã, Nem havia prometido tirar todas as sanções e tirar ali o congelamento de todos os ativos iranianos.
Daniel Souza, essas negociações todas aí que você tá falando, Estados Unidos e Irã e tal, isso acontece tudo em inglês, né? Como aliás é muito comum que a gente ouça falar no inglês como globalês. Na prática é isso, né? O inglês ele é necessário para tudo. Acho que a gente já conseguiu descolar muito tempo que o inglês é apenas a língua oriunda da Inglaterra. Ou aquela que é falada em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e outros.
A gente tá falando sobre uma língua que é a língua global. E eu tenho certeza que muita gente que tá ouvindo a gente nesse momento aqui, Daniel, nesse episódio, já tentou de tudo para aprender inglês, né? Já tentou aplicativo, já tentou vídeo, ferramenta gratuita, já tentou usar inteligência artificial, mas nada substitui o professor. O Cambly, Daniel, é a plataforma que traz professores, todos eles nativos, e que conseguem te dar feedback em tempo real, olhando quais são os problemas que você tem, quais são as necessidades que você tem, quais são os caminhos que você precisa seguir para aprender o inglês.
O fato é que inglês você tem que começar a estudar o quanto antes. Daqui a um ano, como é que vai estar o seu inglês? Daqui a um ano, se você começar a estudar inglês hoje, você vai ficar feliz por daqui a um ano já ter começado. É, você conseguiu olhar para trás e falar assim, caramba, meu inglês ele tá melhor, ele melhorou ao longo desse um ano. E a gente tá falando, Daniel, não apenas sobre aniversário de 10 anos do Petit Journal, mas também sobre aniversário do Cambly.
É o melhor momento para começar e o maior desconto do ano, até 60% de desconto e mais 3 semanas extras de prática de inglês somente com o código que tá na descrição desse episódio. O código é ANIVERSÁRIOPETIT, tudo junto, ANIVERSÁRIOPETIT. Mas você não precisa nem se preocupar em digitar isso, você pode ir na descrição desse episódio, clicar no link do Cambly, é o primeiro link que aparece lá em cima, e você já vai ter acesso.
Agora, Daniel, um detalhe importante: é somente até sexta-feira, tá? Só até sexta-feira, não perde essa oportunidade. De novo, o seu eu de daqui a um ano vai agradecer pelo fato de você clicar nesse link. No dia de hoje, Daniel?
Imperdível, gente. Puxa, condições super especiais, condições realmente especialíssimas para os amigos e amigas do PetJornal. Link no descritivo desse episódio. Estudar inglês é incontornável. Vale a pena aproveitar essa condição do Cambly justamente para melhorar os seus conhecimentos na língua inglesa.
Daniel Souza, como próxima pauta, eu queria falar de novo sobre as eleições no Peru. A gente tem uma situação curiosa, né, para dizer o mínimo, pelo fato de que os votos estão praticamente todos contados. A gente já falou aqui que chegamos a 100%, só que tem uma série de votos que estão sendo recontados. Então o cômputo nesse momento, Daniel, é de 99,72% dos votos apurados. Falta muito pouquinho. Em praticamente qualquer disputa eleitoral do mundo, Daniel, isso, essa eleição, ela estaria definida. 99,72% é praticamente a integralidade dos votos.
O problema, Daniel, é que quando a gente vai ver a diferença entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, foram os dois candidatos que chegaram no segundo turno, a diferença é de 0,22 ponto percentual. 0,22 é uma diferença muito, muito pequena. E como a gente já tinha antecipado aqui, Daniel, a chance disso aqui dá problema É muito grande. E hoje nós tivemos uma entrevista coletiva dada pelo candidato da esquerda, Roberto Sánchez, que contestou formalmente a lisura do processo e a contagem dos votos.
Uma coisa que é importante lembrar é que o Roberto Sánchez, ele é aliado do Pedro Castillo, que tá preso por tentativa de golpe, né? Tentou dar um golpe ali no momento em que ele ia ser impeachmado. Então Roberto Sánchez da NEO afirmou que Há uma fraude em andamento e há uma manipulação de votos. E ele falou com todas as letras: não reconheceremos o governo de Fujimori. Ele já tá antecipando aqui, Daniel, que não vai reconhecer o resultado das eleições.
Então isso aqui é muito sério, Daniel, porque o Peru era aquele país que é aquele país que a gente fala aqui o tempo todo sobre instabilidade política, né? A quantidade de impeachment, quantidade de presidente preso, a quantidade de presidente que foge do país para não ser preso, a quantidade de presidente que é indiciado e tá esperando porque pode ser preso, o negócio é inacreditável. A própria presidente Dina Bolluarte, por exemplo, né, recentemente foi afastada.
Você tem o interino, você tem o interino do interino. Então a situação peruana, Daniel, é uma situação muito difícil do ponto de vista institucional. A gente sempre fala aqui que economicamente é um país que acaba passando quase que em brancas nuvens, né, coisa Ela continua funcionando economicamente, mas o fato de você ter uma eleição e ter uma contestação nesse nível é algo muito sério para um país tão importante da América do Sul.
Já te passo a palavra, Daniel. Só queria falar aqui um pouquinho sobre a eleição parlamentar, e eu queria te ouvir sobre essa questão do presidente. Mas na eleição parlamentar, essa eleição ela tá sacramentada, e o partido da Keiko Fujimori terá o maior bloco no Congresso peruano. A legenda dela conquistou 22 das 60 cadeiras do Senado, enquanto o partido do Roberto Santos conseguiu 14, né? Então, 22 para o partido da Keiko Fujimori, 14 para o Roberto Santos.
E na Câmara Baixa, né, que seria a Câmara dos Deputados, a bancada da Keiko Fujimori é de 41, de 130, né? 130 é o total. Ela conseguiu 41 contra 32 do Roberto Santos. Então, independente do resultado, A Keiko Fujimori, que aparentemente está mais perto de levar essa eleição do que o Roberto Sánchez, também vai ter a maior bancada, apesar de estar longe de ter uma bancada capaz de aprovar qualquer coisa sozinha. Ela não tem maioria sozinha, Daniel.
Aliás, Tanguy, virou moda aqui no continente sul-americano derrotados não reconhecendo a derrota. Nós tivemos no próprio Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro não reconheceu a derrota. Nós temos agora o caso do Peru, existe a possibilidade de termos algo semelhante na Colômbia nos próximos dias. Temos ali o Evo Morales, que trabalha diuturnamente para inviabilizar um governo que foi democraticamente eleito. E é sempre importante a gente não perder isso de horizonte.
Eleições acontecem, você tem um vencedor, você tem um derrotado, segue a vida, etc. Claro que eventualmente você pode buscar mecanismos legais para algum tipo de recontagem ou para algum tipo de mecanismo constitucional, mas me parece que o que a gente está vendo aqui na América do Sul é um estressamento dos regimes democráticos e cada vez mais uma situação onde derrotados não reconhecem a sua derrota e tentam de alguma maneira inviabilizar o governo de seus opositores.
Agora, Tanguy, avançando para a próxima pauta, eu quero registrar que a ExxonMobil acusa a estatal cubana de utilizar ilegalmente uma refinaria e postos de combustível que pertenciam à Standard Oil e foram confiscados pelo Fidel Castro. A ação é baseada na Lei Helms-Burton de 1996. Por 6 votos a 3, a Suprema Corte decidiu a favor da ExxonMobil. O tribunal afirmou que a imunidade soberana estrangeira, princípio que geralmente impede ações judiciais nos Estados Unidos contra governos estrangeiros, não pode ser invocada em casos como esse.
A decisão abre caminho não apenas para a Exxon, mas para outras empresas americanas buscarem indenização de Cuba por propriedades confiscadas há décadas. O caso pode resultar em uma indenização bilionária contra o governo cubano. Tanguy, é no mínimo exótico você considerar que a Suprema Corte dos Estados Unidos pode ter jurisdição sobre uma decisão de algo que aconteceu em Cuba. Se aquela decisão foi correta ou não foi correta é uma outra discussão.
Mas o fato é que a Suprema Corte dos Estados Unidos não tem esse poder, ou não deveria ter esse poder. Mas é claro que é sinal dos tempos. A gente está falando de um governo cubano que está encurralado em função ali de um emparedamento que o governo Trump tem implementado, um governo cubano que está dando sinais de fraqueza, inclusive na semana passada apresentou uma agenda de reformas bastante ousada, bastante abrangente, inclusive repercutimos aqui no PetJornal.
E diante desse clima, a Suprema Corte dos Estados Unidos se sentiu confiante o suficiente para avançar e para dizer: olha, sim, a ExxonMobil, ela pode ter o direito de ser ressarcida e indenizada por conta de refinarias e postos que foram expropriados em Cuba. Me parece que é mais uma sinalização daquilo que nós havíamos destacado aqui no petional anteriormente, o governo Trump não vai parar, o Marco Rubio não vai parar, mesmo com a agenda de reformas que foi proposta, porque o Rubio em particular quer ter no seu currículo a informação, a vitória de ter trocado o regime cubano, ou pelo menos ter algum tipo de troféu para projetar que trocou o regime cubano, mesmo que não tenha eventualmente trocado, mais ou menos como aconteceu na Venezuela.
Então essa situação vai longe, não me parece que esteja resolvida, mas o foco americano em direção a Cuba é realmente visível nesse momento.
Agora, Donald Trump tem que colocar as barbas de molho, viu, Daniel? Porque saiu hoje mais uma pesquisa nacional da Reuters/Ipsos que mede a popularidade do governo de Donald Trump, e dá para ver como essa guerra no Irã foi deletéria Foi prejudicial à sua popularidade. Segunda, claro que essa pesquisa aqui, Daniel, ela tem que ser comparada com ela mesma, né, então com edições anteriores da mesma pesquisa. Mas é, o Donald Trump teve nessa pesquisa agora o menor índice de aprovação nesse segundo mandato, chegou a 34%.
Só para lembrar, Donald Trump começou o seu mandato com 47% de avaliação, é uma avaliação padrão ali para presidente que estão iniciando o seu mandato. Mas nesse momento já chegou a 34%. Agora, quando a gente esmiúça um pouquinho, Daniel, a gente vê o que exatamente que levou essa queda da aprovação. Apenas 22% dos americanos aprovam a gestão de Donald Trump no controle do custo de vida. Esse é um ponto que para os americanos tem sido muito sério.
Quando a gente fala sobre a inflação americana, ela parece uma brincadeira para América Latina, né? Inflação americana, ela ela é mais baixa do que a gente costuma ver na América Latina, mas comparado com o padrão americano tem sido muito mais elevado. Você tem a taxa, Daniel? Quanto é que tem sido mais ou menos a inflação dos Estados Unidos?
A gente está falando de 4,2% nos últimos 12 meses. Esse é o dado mais recente, pegando ali o final do mês de maio. Lembrando que a meta de inflação nos Estados Unidos é de 2% ao ano.
Pois é. E aí isso acaba sendo replicado em algumas outras avaliações. Por exemplo, apenas 24% dos entrevistados considera que a guerra no Irã valeu a pena. 24%, Daniel! Você tá fazendo uma guerra que em muitos cenários nos Estados Unidos aumentaria a popularidade do presidente. Afinal de contas, às vezes a gente viu isso, né? O presidente vai para guerra para aumentar a sua popularidade. Então significa que 76% dos americanos não consideram que a guerra Valeu a pena.
Essa é uma das grandes bandeiras, é talvez a grande bandeira da política externa de Trump nesse ano agora de 2026, o ano das eleições de meio de mandato, né, das midterms. Apenas 23% dos americanos avaliam que os Estados Unidos encontram uma posição estratégica mais forte em relação ao Irã do que antes do início da guerra. 23%, Daniel. 35% dos americanos consideram que não é nem apenas que não melhorou, mas que o país saiu enfraquecido no processo.
Então, avaliação que os americanos têm, Daniel, é muito crítica com relação a essa guerra, porque a gente já falou sobre isso aqui, é o que naturalmente vai ser muito criticado pelos democratas, que são oposição, mas também por muitos republicanos que votaram no Trump porque ele prometia acabar com essas guerras aí, essas guerras que esse establishment, né, esses políticos tradicionais estão fazendo no meu governo não vai ter desse povo se explodir para lá.
A gente não tem nada a ver com isso. Ele entra numa guerra que desagrada a todo mundo. 63% dos cidadãos americanos considera improvável que esse acordo com o Irã siga adiante. Daniel, as pessoas não estão acreditando nesse acordo, como aliás a gente aqui no Petition Now tem falado. Gente, esse acordo aí tem tudo para dar errado, tem tudo para dar errado. E isso tem se refletido também na expectativa de voto dos independentes. Ora, Daniel, a gente sabe que os republicanos vão votar nos republicanos, Os democratas vão votar nos democratas, não são eles que definem eleição, mas os independentes, né, o cara que não se diz nem republicano nem democrata, ele pode votar para um ou para outro.
O fato, Daniel, é que apenas 17% dos entrevistados que se dizem independentes votariam no candidato republicano no seu distrito. Então, lembrando, a eleição nos Estados Unidos ela é distrital, então o mapa dos Estados Unidos é todo dividido em distritos. Você normalmente tem um candidato republicano e um democrata. Pode haver exceções, pode haver outros cenários, tudo, mas normalmente você tem um republicano e um democrata. Os independentes estão dizendo que não votariam no candidato republicano.
Apenas 17% votariam no candidato republicano no seu distrito. O dobro disso, 34%, dizem que votariam no candidato democrata. Tem uma galera aí que não se definiu ainda, claro, ainda falta algum tempo, cara. Tem que ver, pô, se eu sou independente Eu quero saber exatamente quem é o republicano, quem é o democrata, mas o fato é que o cenário para essa eleição, Daniel, que vai acontecer esse ano para o governo dos Estados Unidos, é um cenário muito difícil, com a popularidade em queda, difícil recuperar até lá.
Isso talvez explique, Daniel, porque a pressa do governo Trump de assinar algum acordo. Meu amigo, assina qualquer acordo aí, precisa encerrar essa guerra, porque eu já entendi que essa guerra está corroendo a minha popularidade.
Tanguy, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje para encerrar o nosso episódio com uma nota um pouco mais leve? Precisamos, Daniel, traz! Tanguy, trago atualizações do síndico de Washington, quer dizer, Donald Trump, que está cuidando, ou estava cuidando, com muito esmero da reforma da piscina ali do Lincoln Memorial, a piscina histórica que foi esvaziada e reformada para as celebrações de 250 anos da independência dos Estados Unidos.
A obra teve um contrato de 14,7 milhões de dólares. Uma obra relativamente simples, Tanguy. Esvazia a piscina, pinta de azul escuro, enche a piscina de novo. 14,7 milhões de dólares, acho que está bem pá. Pois bem, na última quinta-feira, menos de 2 semanas após Trump anunciar a conclusão da obra, os visitantes começaram a constatar que a tinta da piscina estava se soltando e se misturando com a água, que ainda apresentava uma tonalidade esverdeada por algas, que o Trump disse que ia resolver.
Ele disse que ia resolver, quando essa reforma foi anunciada. Pois bem, o presidente Donald Trump, nesta segunda-feira, afirmou que o Espelho d'Água foi vandalizado e disse que produtos químicos foram colocados ilegalmente na água. A tinta do Espelho d'Água, cartão postal da capital dos Estados Unidos, está sendo vandalizada. Tem que só não ver quem não quer. O Trump disse inclusive o seguinte: "Foi feito um corte de cerca de 90 metros de comprimento.
Produtos químicos foram ilegalmente colocados na água." O presidente ainda ameaçou os responsáveis com a prisão, dizendo que 10 anos de cana para quem destrói ou tenta destruir um patrimônio como esse. E ele disse que será integralmente aplicada essa pena contra esses vândalos. Que estão destruindo a piscina que o Trump com tanto esmero reformou, e com esse gordo contrato também de 14,7 milhões. Fiquei apenas com pena do tanque.
O Pete Donald poderia ter sido contratado para fazer essa reforma aí. 14,7 milhões de dólares para reformar uma piscina, meu Deus do céu!
Porque aparentemente, Daniel, assim, os entendidos estão dizendo que fizeram tudo errado, né? Pintaram o fundo, aí a água esquentou, aí deu alga, aí botaram um produto para tirar alga, e aí descascou o fundo. E agora ele tá botando a culpa em alguém que passou lá, Daniel. Com produto para boicotar o seu governo. O objetivo é derrubar Donald Trump, mas ele não permitirá. O Daniel Souza, tá pensando aqui que na lista de prioridades, assim, eu entendo que a piscina seja prioridade número 1, aí logo depois vem inflação, guerra no Oriente Médio, abastecimento energético, Cuba, fronteira Cuba. Mas isso tudo é depois da piscina, né? Primeiro a piscina, né?
A piscina em primeiro lugar é a preocupação número 1 do síndico de Washington, conhecido como Donald Trump.
Perfeito, perfeito. Não, eu acho importante saber, né, a questão de transparência. A água não tá transparente, a gente sabe disso, né, que a água tá parecendo imunda. Mas a transparência do governo, eu tô entendendo que temos, sabemos pelo menos que a piscina tá em primeiro lugar. Daniel Souza, queria deixar aqui o nosso agradecimento, agradecimento especial para você que tá junto com a gente mais uma vez nesse episódio que toca o nosso coração, 10 anos de Pet Jornal.
E daqui a pouco, Daniel Souza, a gente vai dar uma aula gratuita sobre FIFA. A gente tá absolutamente no clima de Copa do Mundo. Então lá no YouTube, Petit Journal, às 19 horas a gente começa a aula. Se você tiver assistindo esse episódio aqui depois, tá gravado lá, vai lá, assiste a nossa aula sobre FIFA. Por que que a FIFA se tornou tão importante? Como é que a FIFA se tornou tão poderosa? Como é que ela acumulou tanto poder?
Ela só treme na base quando é Donald Trump, né, Daniel? Porque a FIFA tem medo do Trump. Fazer besteira, sabe? Sei lá o que que o Trump pode fazer. Tudo isso a gente vai comentar na nossa aula de hoje sobre Dona FIFA, às 19 horas, lá no YouTube do PetJornal.
Aliás, Tanguy, o presidente da FIFA já anunciou que Donald Trump vai entregar a taça para o campeão.
Claro, se é que ele vai querer entregar, né?
Esse é o ponto. Eu fiquei um pouco na dúvida. Eu me perguntei exatamente a mesma coisa. Será que na hora ele pode não querer entregar a taça? Ele quer, ele pode querer levantar a taça junto com a equipe Campeã, vai saber! Enfim, fica aqui o nosso agradecimento também aos apoiadores e apoiadoras do Patreon, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês.
Patreon é uma mídia pequena, um produto artesanal que está completando 10 anos, e sem dúvida chegamos aos 10 anos por conta dos nossos apoiadores. Fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. A sua ajuda É de fundamental importância para a continuidade do nosso projeto. Fica também o convite: se você gosta do Petit Jornal, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas.
Tem a chave PIX, que é uma forma prática, instantânea de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o PIX recorrente. Chave PIX no descritivo desse episódio. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável. Para você.
Daniel Souza, no dia de amanhã, o Scratch Canarinho entra em campo na Copa do Mundo. No horário que a gente já gravar, não tem nenhuma condição da gente competir com aqueles 11 camaradas. Então amanhã não teremos episódio. A gente volta na quinta-feira, como sempre. Daniel Souza, um abraço, até a próxima.
Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petijornal.com.br.
Cambly
Prática de inglês