Episódios de Petit Journal

Premiê britânico renuncia - BP 1099

23 de junho de 202630min
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O primeiro-ministro britânico renuncia ao cargo, abrindo uma nova disputa pelo comando do governo e antecipando o debate sobre quem poderá liderar o Reino Unido nos próximos anos. No episódio analisamos os fatores que levaram à saída de Keir Starmer, os nomes que surgem como possíveis sucessores e os impactos da mudança para a política britânica e europeia. Também discutimos a decisão dos Estados Unidos de autorizar que o Irã volte a exportar petróleo sem sanções, como parte do processo de negociação entre Washington e Teerã, e os efeitos dessa medida sobre o mercado global de energia.
Falamos ainda sobre o atrito entre Ucrânia e Polônia após uma divisão militar ucraniana receber o nome de um grupo associado ao genocídio de poloneses durante a Segunda Guerra Mundial, além da ampliação das retaliações comerciais chinesas contra empresas americanas.
Na Geleia da Shakira, Merlin, o pato mascote da Copa do Mundo de 2026, visita a presidente do México e protagoniza uma das cenas mais curiosas do noticiário internacional.
#ReinoUnido #Irã #China #Ucrânia #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

Co-hostJornalista
Assuntos6
  • Keir Starmer· PoliticaKeir Starmer · Brexit · Andy Burnham · Peter Mandelson · Jeffrey Epstein · Nigel Farage · Reform UK
  • Produção e Influência Petrolífera IranianaIrã · Estados Unidos · Estreito de Hormuz · Donald Trump · China · Coreia do Norte · Cuba
  • Impactos do BrexitBrexit · David Cameron · Theresa May · Boris Johnson · Liz Truss · Rishi Sunak · Keir Starmer · Nigel Farage
  • Conflito Ucrânia-PolôniaUcrânia · Polônia · Volodymyr Zelensky · Exército Insurgente Ucraniano (UPA) · Segunda Guerra Mundial · Rússia
  • Preço de mercado e ChinaChina · Estados Unidos · Terras raras · Minerais críticos · Japão · Brasil
  • Geleia da Shakira: Merlin, o pato mascoteMerlin · Copa do Mundo de 2026 · Claudia Sheinbaum · México
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DSDaniel Sousa

Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1099. Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 19 horas e 17 minutos da segunda-feira, 22 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece como a Tanguy, vírgula, o Bagdadi e Daniel Souza, que é esse que vos fala. Hoje preciso ser mais sintético para registrar que amanhã, 23 de junho de 2026, o PetJornal completa 10 anos, exatos 10 anos.

Uma alegria alcançarmos essa data e fica aqui antecipadamente o nosso agradecimento a todo mundo que nos acompanha, nos prestigia, E divulga o Petit Jornal. E 10 anos depois, Tanguy, nessa Eterna Marmota, falamos sobre Reino Unido. Há 10 anos falávamos sobre o Brexit no nosso primeiro episódio e agora estamos falando de uma crise no Reino Unido que, num certo sentido, tem a ver com Brexit. Tudo bem? Vamos a isso?

DSDaniel Sousa

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1099. Daniel, queria te agradecer, antes de mais nada, Agradecer aos nossos ouvintes, agradecer todo mundo tá junto com a gente. Claro que a gente vai ter episódio amanhã, mas vai ser já mais para o fim do dia, né? Eu queria que já ficasse agradecimento para você também que tá ouvindo a gente ao longo do dia 23, né, de junho. A gente de fato começou o nosso episódio no dia em que foi votado Brexit, né?

Então a gente sabe que faz exatamente uma década e estamos aqui falando sobre o mesmo assunto, né? Mais uma vez falando sobre temas que estão há 10 anos aí, portanto trazendo consequência. Então, mais uma vez, aqui fica aqui de coração nosso agradecimento aos nossos ouvintes, aos nossos apoiadores, aos nossos parceiros, né, os nossos patrocinadores. Sem vocês, sem vocês todos, a gente não conseguiria fazer isso. A gente só tá aqui porque a gente sabe que faz a diferença para vocês, vocês fazem a diferença para a gente também.

Daniel Souza, a gente começa o nosso episódio de hoje falando sobre a renúncia de mais um primeiro-ministro britânico. Desde aquele fatídico 23 de junho de 2016 para cá, foram muitos primeiros-ministros que saíram. Não era muito a tendência do Reino Unido, a gente consegue lembrar de alguns primeiros-ministros que permaneceram muito tempo à frente do país, mas desde então a gente vem tendo mudanças constantes. Dessa vez, Kirsten Stormer, do Partido Trabalhista, anunciou oficialmente sua renúncia ao cargo.

E a ideia é que ele permaneça no cargo de forma interina apenas até o dia 1º de setembro. A data tem um motivo, né? 1º de setembro é quando acaba o recesso parlamentar de verão. Os parlamentares, portanto, voltam a trabalhar, e portanto a gente teria nessa data a aprovação do novo primeiro-ministro. Acho que vale a pena, Daniel, a gente pensar um pouquinho o que que leva, né, a queda do primeiro-ministro, a queda do Keir Starmer, e o que que vem pela frente, que que a gente pode esperar para o Reino Unido daqui para frente.

Eu falo, Daniel, que o Keir Starmer, ele nunca conseguiu ganhar o coração dos britânicos. Ele sempre foi um primeiro-ministro distante, um primeiro-ministro visto como frio, como muitas vezes alheio, né, o que acontecia no país. Recentemente, inclusive, a gente trouxe essa pauta aqui para o Pet Jornal. Ele prometeu inclusive se engajar mais, ele prometeu estar mais presente, ele prometeu estar mais perto das pessoas, né, ele prometeu demonstrar mais interesse, mais preocupação com as coisas que afligem os britânicos.

Agora, ele cometeu alguns erros muito sérios, Daniel. Por exemplo, é o escândalo envolvendo o Mandelson, né, o Peter Mandelson, que ele indicou como embaixador britânico nos Estados Unidos, e que é um cargo muito importante. Você ser embaixador britânico em Washington é um cargo da mais alta importância. E pouquíssimo tempo depois ficou claro que o Peter Mandelson era um cara que tinha ligações exatamente com Jeffrey Epstein. Claro, Daniel, que a gente pode falar, pô, mas ele de repente não sabia e tal.

Beleza, mas caiu na conta dele, né? O fato é que você ter um primeiro, um embaixador tão importante como esse envolvido com Jeffrey Epstein nos Estados Unidos, né, que é exatamente o país do Epstein, pegou muito mal, realmente muito mal. Ele foi visto ainda, Daniel, como um cara meio cabeça dura, né? Então ele diversas vezes, por exemplo, barrou a candidatura para se tornar deputado, enfim, parlamentar, do Andy Burnham, que era o prefeito de Manchester, né?

Então uma cidade importante e tal. E o Andy Burnham é um cara que se tornou crescentemente popular entre os trabalhistas. O Keir Starmer fez de tudo para que ele não tivesse um assento parlamentar, claro, porque poderia rivalizar com ele, poderia se tornar o próximo primeiro-ministro. Ora, Daniel, o resultado é esse: ele acaba renunciando, quem aparece como principal nome para substituí-lo é exatamente Andy Burnham. Ele conseguiu uma vaga como parlamentar 4 dias atrás.

Tava tudo pronto para o Keith Starmer renunciar. Esse cara já conseguiu uma vaga. E aí o Partido Trabalhista, de uma forma geral, se mobilizou para isso. Um parlamentar renunciou a sua cadeira, né, a sua, sua, seu assento. Foi disputado uma eleição fora do tempo, né. Isso é no Reino Unido, é assim. Se alguém renunciar, você convoca uma eleição somente para aquele distrito. O Andy Burnham se candidatou, ganhou, e tá aí como parlamentar e tem a possibilidade de assumir.

O governo dele foi, o governo do Kirstjen foi derretendo, vários secretários saíram. A gente falou sobre isso aqui, o Wes Ewing, por exemplo, que era secretário de Saúde. Você teve alguns outros primeiros, alguns outros secretários-chave do governo dele que foram saindo. O fato, Daniel, é que chega um determinado momento no qual o próprio Kirstjen olhou ao seu redor e falou: pô, não tem mais nada que eu possa fazer. E principalmente no momento, Daniel, o pior que poderia acontecer inclusive para carreira do Kirstjen Era se ele saísse numa eleição que desse o poder para o Reform UK.

Reform UK é o partido do Nigel Farage. Daniel Souza, Nigel Farage foi um dos nomes mais importantes do nosso primeiro episódio lá na época do Brexit. Foi o cara que mobilizou o Brexit e tem nesse momento recorde de intenção de votos. Ou seja, preocupação é se tiver uma próxima eleição e eventualmente o Nigel Farage se tornar o primeiro-ministro, a culpa vai ser do Chris Stoneman. Então ele acaba renunciando e a gente vai ter que ver o que vem pela frente para o Reino Unido.

DSDaniel Sousa

Daniel, agora é impressionante, Tanguy, quando a gente pega essa linha do tempo, como deu errado o Brexit, né? Lá atrás nós tivemos ali o Cameron, que era o primeiro-ministro do Reino Unido, que convocou essa votação tendo certeza que o Brexit não passaria, que o Brexit seria reprovado pela população britânica, o que não aconteceu. De lá para cá, o crescimento britânico foi menor do que teria sido sem o Brexit. As estimativas variam entre 4% e 6% do PIB, ou seja, o PIB britânico é 4% ou 6% menor do que seria se o Brexit não tivesse sido aprovado.

Além disso, tivemos pressão inflacionária. Afinal, o Reino Unido passou a ter mais dificuldade para comprar de tudo, particularmente alimentos. O Reino Unido é um país que importa comida há muito tempo. Aliás, quem gosta de Segunda Guerra Mundial sabe que uma das estratégias da Alemanha nazista era tentar matar os britânicos de fome através justamente do torpedeamento de navios mercantes que levavam comida para o Reino Unido. A questão da imigração continuou sendo um problema dentro do Reino Unido.

Aliás, a imigração acabou mudando bastante. Você tinha ali uma imigração que era principalmente de europeus, consequentemente havia muita gente qualificada e o Reino Unido passou a ter outro perfil de imigração e o desconforto em relação a essa temática continuou junto aos britânicos. Na prática, há um sentimento de que o Brexit foi um problema e, num certo sentido, nós temos até uma alimentação justamente do Partido Independentista porque, puxa, não deu certo porque A imigração continua chegando, esses caras são frouxos, esses caras que são establishment, esse Partido Conservador e esse Partido Trabalhista não conseguiram proteger os britânicos justamente de todos aqueles desafios que precisavam ser enfrentados durante esse período.

E de lá para cá foi uma sucessão de desencontros, né? Nós tivemos o Cameron que acabou renunciando no Brexit, aí ele foi sucedido pela Theresa May, que claramente era contra o Brexit. E aí ela vai ficar como primeira-ministra de 2016 até 2019. Ela não consegue levar o Brexit adiante, não consegue montar um plano, estabelecer ali realmente uma estratégia. Em meados de 2019, ela cai, ela é substituída pelo Boris Johnson. Esse sim era a favor do Brexit.

Ele conseguiu ali, num período relativamente curto de 6 meses, levar o Brexit adiante. Com todas as consequências econômicas que isso poderia trazer. O Boris Johnson vai ficar ali durante a pandemia, inclusive num primeiro momento ele tem ali uma postura meio negacionista, mas depois pega COVID, vai parar num hospital, acaba ficando internado no National Health System, é muito bem tratado, o que muda um pouco a perspectiva dele em relação à própria pandemia.

Ele é substituído pela Liz Truss ali em setembro de 2022, que foi aquela primeira-ministra caótica que tem como marco durante o seu mandato ser a primeira-ministra quando a Rainha Elizabeth II morreu. É a única coisa que se lembra da Liz Truss, além do fato dela ter tido um governo mais breve do que uma alface, que era uma coisa que se dizia na época, que ela perderia para uma alface, e acabou perdendo. A Liz Truss acabou sendo substituída pelo Rishi Sunak, que já começa a enfrentar problemas econômicos mais sérios, problemas relacionados à inflação pós-pandemia, desorganização das contas contas públicas, problemas em relação ao crescimento econômico.

Economia britânica vai dando sinais ali de que a coisa tá saindo do controle, até que o Rishi Sunak vai ser justamente substituído pelo Starmer. Ou seja, os trabalhistas voltam ao poder depois de muito tempo. Quer dizer, os trabalhistas tinham saído do poder em 2010 com Gordon Brown. Desde 2010, os conservadores estavam no poder no Reino Unido. E aí agora a gente tem uma situação que pode parecer um pouco paradoxal, mas não é paradoxal que muita gente no Reino Unido considera que o Brexit foi um erro.

Brexit não tem a popularidade que teve no passado, mas um dos grandes defensores do Brexit vem ganhando popularidade. Por quê? Porque ele quer enfrentar a questão da imigração. Quer dizer, se o Brexit não resolveu a questão da imigração, temos certeza que o Farage vai ali enfrentar esse problema e vai proteger os britânicos da imigração, que é um erro. A gente, todo mundo sabe aqui no PetJornal qual é a postura que nós temos editorialmente no nosso podcast em relação à imigração.

Mas de qualquer maneira, é um tema que tem mobilizado corações e mentes no Reino Unido, inclusive com múltiplos protestos. Isso tem levado aí um crescimento desse radicalismo no Reino Unido, que é o Partido Independentista, que foi responsável pelo Brexit, num certo sentido. Brexit que desorganiza de maneira muito profunda a economia britânica. Eu lembro de uma charge, que agora eu não me recordo exatamente quem foi o chargista, mas que foi publicada naquela semana quando o Brexit foi aprovado, que você tinha ali um britânico na porta de um avião querendo se jogar, e aí aparece alguém oferecendo para ele: "O senhor não quer um paraquedas antes de se jogar?" E a resposta dele era: "Não, a bandeira é suficiente." É um pouco o sentimento que permanece no Reino Unido: nós nos bastamos nós não precisamos da União Europeia, nós não precisamos de ninguém, o Reino Unido vai sobreviver e vai continuar forte se estiver mais isolado, que não é real.

Os dados apontam exatamente o contrário. O Reino Unido aprofundou e acelerou um processo de perda de relevância econômica com o Brexit, acabou tendo problemas de abastecimento, de inflação, de escassez de mão de obra, de crescimento. E mesmo assim o pessoal continua achando que o problema é imigração, quando não é.

DSDaniel Sousa

A gente vai ter que ver para onde que vai o Reino Unido agora, até porque aparentemente, Daniel, o Reino Unido ele vem passando por um processo de dificuldade de governabilidade, né? Se tornou um país crescentemente difícil de ser governado. Então naturalmente a gente vai acompanhar aqui no Pet Jornal. Agora, Daniel, ao longo desses 10 anos, né, já que o mote da nossa, do nosso episódio hoje é esse, a gente se acostumou a fazer análises que envolvem, né, em várias dimensões, né, questões políticas, geopolíticas, sociais, econômicas, religiosas, o que pode ser muito útil para os nossos ouvintes, tanto aqui no PetJornal quanto lá no PetCursos, quanto se você quiser levar o PetJornal para sua empresa.

Se você quiser uma palestra do PetJornal, a gente consegue fazer algo muito voltado para sua necessidade, para o seu mercado, para alguma dor que você tem naquele momento, algum problema que esteja sendo enfrentado, alguma questão relacionada ao mercado. Impactos que o mundo, e sempre vem, né, que o mundo traz para o seu negócio, para o seu mercado, para sua empresa, fala com a gente. Tem um e-mail que tá na descrição desse episódio, você pode conversar com a gente, a gente pode fazer algo muito legal na sua empresa.

Daniel Souza, como próximo assunto, queria tratar de um tema que esse também nos impacta diretamente, que é o que tá acontecendo no Oriente Médio. A gente trouxe no episódio de hoje de manhã que o Irã fechou mais uma vez o Estreito de Hormuz, dizendo que, olha, os Estados Unidos não estão cumprindo com a sua parte do acordo. O acordo era: só abro, só mantenho o Estreito de Hormuz aberto se houver o descongelamento, por exemplo, de ativos no exterior, e se houver a garantia de que eu, Irã, vou poder passar ali pelo Estreito de Hormuz e vou poder ter autorização para vender petróleo.

Eu não quero sanção para vender petróleo. O Trump falou cobras e lagartos, ameaçou, disse que o Irã podia desaparecer, podia sumir. Mas também no dia de hoje os Estados Unidos emitiram uma licença geral temporária que autoriza a retomada global das vendas de petróleo, derivados e produtos petroquímicos de origem iraniana. Daniel, queria te ouvir. A primeira vez desde 1979 que isso acontece. O que que você viu aí?

DSDaniel Sousa

Desde 1979, né, Tanguy? É inacreditável a vitória que o Irã conseguiu com essa decisão por parte dos Estados Unidos. O Departamento do Tesouro é que emitiu justamente esse documento no dia de hoje. E o que me chama atenção é que você tem um prazo de 60 dias de validade, e a partir de agora o Irã está autorizado a exportar petróleo. Veja você, pros Estados Unidos. Até os Estados Unidos podem comprar petróleo iraniano, derivados de petróleo do Irã, e consequentemente estabelecer ali relações econômicas entre os dois.

Então, a importação para os Estados Unidos de petróleo bruto, produtos petroquímicos e derivados está autorizada por 60 dias. A autorização não se aplica a transações envolvendo a Coreia do Norte ou Cuba, países que permanecem sob fortes sanções americanas. Mas, na prática, você abre espaço para que o planeta inteiro compre petróleo do Irã. Muita gente que hesitava comprar petróleo do Irã porque não queria de forma alguma entrar em rota de colisão com os Estados Unidos, a partir de agora, vai fazê-lo sem maiores temores.

Consequentemente, a tendência é que o petróleo iraniano comece a fluir de maneira muito relevante e os dólares, ou moeda forte em geral, moedas fortes em em geral comecem a fluir em direção à economia iraniana. Isso deve acelerar o crescimento do país, deve aumentar arrecadação de impostos e deve aumentar a capacidade dos iranianos de fortalecer os seus proxies pelo Oriente Médio.

DSDaniel Sousa

Só para a gente ter uma noção, Daniel, o tamanho da importância disso: os Estados Unidos, eles sancionam o Irã há muito tempo, realmente muito tempo, mas até 2018, governo Trump, né, então primeiro governo do Trump, a gente tinha a possibilidade de outros países comprarem petróleo. Então tá sancionado, mas tem uma série de possibilidades e tal. Os países que mais compraram petróleo iraniano especificamente em 2018 eram Índia, Coreia do Sul, Japão, Itália, Grécia, Taiwan e Turquia.

Esses eram os maiores compradores de petróleo iraniano. Com as sanções, esses países em grande medida diminuíram ou pararam de comprar petróleo iraniano. Um outro ainda compra e tal, busca ali uma brecha, uma forma e tal. Mas a maior parte desses países parou de comprar petróleo iraniano por conta dos riscos envolvidos. Quem apareceu como o grande comprador de petróleo iraniano de lá para cá foi a China. Na prática, a gente falou sobre isso inclusive numa aula lá do Petit Cursos.

Quando os Estados Unidos tentam isolar demais o Irã, eles estão usando uma lógica da década de 90, que era: se algum país fica isolado pelos Estados Unidos, já era, esse país ele vai ficar isolado. Era o caso do Iraque, do Saddam Hussein, por exemplo. O que os Estados Unidos perdem de vista é, a partir do momento em que a China se torna potência que é, e ela veio crescendo e veio se consolidando, se você isola demais o Irã, você joga o Irã para esfera de influência chinesa, que foi o que aconteceu economicamente, tá?

Não tô falando que politicamente nem ideologicamente, mas economicamente o que a China falou foi: meu amigo, manda petróleo para cá, eu vou te pagar um pouquinho mais barato do que o mercado. Afinal de contas, você não vai conseguir vender para grande parte do mundo aí.

DSDaniel Sousa

Que no caso do petróleo é de boa, né, que você tem uma margem tão grande que oferecer com um pouco de desconto não é nenhum problema significativo em termos de rentabilidade do negócio.

DSDaniel Sousa

Perfeito. E aí essa negociação que tá acontecendo agora, Daniel, em que os Estados Unidos liberam o Irã para vender petróleo sem grandes restrições, inclusive para os próprios Estados Unidos, né, o que não deixa de ser curioso, é parte dessa negociação que a gente vem falando aqui, é uma enorme vitória diplomática, política do Irã. Os Estados Unidos fizeram o que fizeram, atacaram e tal, tiveram que recuar, fizeram o ataque todo, mas tiveram que fazer um recuo.

Essa é uma vitória maiúscula do ponto de vista econômico, diplomático, por parte do Irã. Tem uma longa negociação pela frente, são 60 dias, a gente tá apenas no segundo dos 60 dias, tem muita coisa que pode dar errado. Tem Israel que tá doido para tirar qualquer tipo de negociação do eixo. A gente sabe disso, mas o fato é que o Irã consegue hoje uma enorme vitória e tem uma liberdade muito maior, portanto, para vender petróleo e portanto receber moeda estrangeira para sua economia. Daniela, tem que—

DSDaniel Sousa

a China anunciou a inclusão de 10 empresas dos Estados Unidos em lista de restrição de exportações de itens de uso dual, ou seja, bens e tecnologias com aplicação civil e militar. A restrição vale imediatamente e endurece regras que antes apenas exigiam licenças de exportação. O critério declarado: vínculo com as forças armadas dos Estados Unidos. Na prática, a gente está falando de restrições no que tange principalmente a terras raras e minerais críticos.

E o objetivo, obviamente, por parte de Pequim, é atrapalhar a produção de equipamentos militares por parte dos Estados Unidos. Você já tinha algumas empresas americanas nessa condição e agora tem mais 10 empresas nessa condição, o que é mais uma sinalização de que os chineses estão muito atentos ao poder geopolítico que o fornecimento de terras raras e minerais críticos proporciona. E eles têm feito inclusive isso com outros países, é o caso recentemente do Japão.

De qualquer maneira, não é um acaso que nós temos tido aí uma movimentação dos Estados Unidos, do próprio Japão, dos países do Quad, né, de uma forma geral, a Índia também, a Austrália, todo mundo, os europeus de maneira mais ampla, todo mundo tentando se movimentar para reduzir a dependência em relação ao fornecimento de terras raras, minerais críticos por parte dos chineses. E muita gente batendo aqui na porta do Brasil dizendo: "Oi, Brasil, como vai?

Tudo bem? Tudo bem? Soube aí que você tem terras raras." "Quem muito interessado tem ótimas propostas, ótimos planos, se você quiser se tornar um fornecedor importante para mim." A gente vai ter que seguir acompanhando, mas os chineses, de maneira muito lenta, de maneira muito gradual, vão impondo ali restrições, o que é mais um elemento de uma certa desconexão da economia americana em relação à economia chinesa. São duas economias ainda muito integradas, muito conectadas, Mas gradualmente elas vão se desconectando, vão se desintegrando, e a explicação para isso não é econômica, a explicação para isso é fundamentalmente geopolítica.

Você tem ali uma corrida tecnológica, uma corrida econômica, uma corrida militar, e consequentemente esses países começam a tentar atrapalhar um ao outro no que diz respeito a essa competição.

DSDaniel Sousa

Daniel Souza, queria falar sobre a Ucrânia. E da decisão do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de batizar uma unidade militar com um nome que gerou um problemaço junto a um super aliado seu. Volodymyr Zelensky deu o nome para uma divisão militar de Exército Insurgente Ucraniano, que recebe ali a sigla, né, em ucraniano, de UPA, Exército Insurgente Ucraniano. Isso gerou uma crise horrenda com a Polônia. O que a Polônia diz é que durante a Segunda Guerra Mundial, mais especificamente entre 1943 e 1944, a UPA promoveu o que Varsóvia considera, né, classifica juridicamente como limpeza étnica e genocídio de cerca de 100 mil poloneses nas regiões coloniais no leste da Ucrânia, principalmente na Volhynia e na Galícia.

A Ucrânia reconhece que houve de fato excessos, né, que a gente conhece, né, houve excessos, mas que não é exatamente um genocídio, foi apenas uma tragédia, uma tragédia aí, foi muito triste o que aconteceu e tal. Mas segundo a Ucrânia, esse grupo não seria um grupo nazista, afinal de contas ele seria contra tanto a Alemanha nazista quanto a União Soviética. O problema é que no momento se voltar contra a União Soviética Esse grupo fez de fato uma série de alianças, segundo a Ucrânia, alianças táticas com a Alemanha nazista de Hitler.

Esse grupo, ele, o nome, né, Exército Insurgente Ucraniano, é o nome que é muito conhecido na Ucrânia, não apenas por conta da sua história, mas porque diversos grupos ultranacionalistas de extrema direita, neofascistas ucranianos, usam esse nome, né, gostam desse nome, valorizam esse nome. Por tudo que foi feito. É claro, a Ucrânia, ela tem uma situação, Daniel, que é: durante a Segunda Guerra Mundial, ela era anti-soviética, né?

Então ela tava ali, a preocupação dela em grande medida era União Soviética. Para isso, em diversos momentos, ela adotou simbologia, táticas, termos e alianças com o Eixo, né? Então é um país que nesse sentido, ao valorizar toda sua herança anti-soviética, naturalmente essa herança anti-soviética ela tenta ser ressignificada para ser uma herança anti-Rússia no momento atual, ela valoriza determinados símbolos que incomodam profundamente a Polônia, Daniel, que foi muito atingida por tudo que toda essa onda ucraniana ao longo da Segunda Guerra Mundial, essa onda muitas vezes pro-eixo da Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial.

Com isso, Daniel, a Polônia— que, parênteses aqui, importante, tá— Polônia é a grande, a enorme aliada da Ucrânia na União Europeia. Tem outros que são aliados, que são importantes e tal, mas ninguém igual a Polônia. A Polônia é aquela que, meu amigo, para onde a Ucrânia for, eu tô junto, eu apoio. Agora, Daniel, o negócio foi tão sério que o presidente da Polônia— lembrando que o presidente não é o primeiro-ministro, né, primeiro-ministro é quem de fato governa o país e tal, o presidente ele tem um elemento mais simbólico— tirou uma condecoração que o Estado polonês tinha oferecido para Volodymyr Zelensky.

Olha, não dá, isso aqui não dá. Esse cara não pode continuar tendo uma condecoração a partir do momento em que ele dá um nome desse para uma divisão militar, o nome que é associado a um processo de genocídio dentro da Polônia. O Zelensky, Daniel, no primeiro momento disse que, olha, não foi minha intenção, é, isso aqui faz parte da história ucraniana, eu não quis ofender, quem me conhece sabe, aquela história toda. Mas logo depois também, Daniel, ponto vírgula, falou o seguinte: ó, Polônia, é o seguinte, se eu for derrotado pela Ucrânia, você perde qualquer barreira natural diante da Rússia.

É melhor você ficar pianinho. O recado é esse: é melhor você ficar pianinho aí, não reclama muito não, vou fazer o que eu tenho que fazer aqui, porque senão, se a Rússia tomar a Ucrânia toda, a próxima parada é a Polônia. E você tá vendo que os Estados Unidos não estão nem aí para você. É capaz inclusive do Trump sentar com Putin aí para fazer um banquete no dia que isso acontecer. Então fico pensando qual é a necessidade, né?

Assim, o Zelensky, ele dá um tiro no pé porque não há necessidade de fazer um movimento como esse. Mas naturalmente há questões domésticas internas, vai agradar determinados setores aí que são extremistas, né, de extrema direita, neofascistas e tal, que tem uma pegada anti-Rússia, né, e anti-soviética muito forte, e que acabam sendo muito valorizados dentro dessa estrutura militar ucraniana.

DSDaniel Sousa

Daniel, nessas brigas, né, Tanguy, normalmente todo mundo tem um pouco de razão, né, no que diz respeito aos argumentos Mas claro que a gente está observando que a Ucrânia cria ali uma vulnerabilidade que não precisava, ao mesmo tempo que tenta agradar grupos que considera que precisa dentro de um conflito tão severo contra a Rússia. Tanguy, podemos avançar para geleia da Shakira de hoje?

DSDaniel Sousa

Na geleia da Shakira de hoje não teremos Donald Trump, mas teremos um personagem muito mais interessante. Me conta, Daniel.

DSDaniel Sousa

Na geleia da Shakira de hoje teremos Merlin, o um pato de estimação vestido com uma mini camisa da seleção mexicana que se encontrou com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, nesta segunda-feira. O pato caminhou até o palco no início da tradicional entrevista matinal da Claudia Sheinbaum, sentou-se no lugar normalmente ocupado por ministros e autoridades. Porque o pato merece um lugar de destaque. A história de Merlin começou em 11 de junho, durante as comemorações de rua após a vitória do México sobre a África do Sul.

O pato fantasiado foi visto circulando entre a multidão nas principais ruas da capital mexicana e rapidamente tornou-se sensação viral e mascote não oficial do torneio. A Claudia Sheinbaum anunciou que a família de Merlin receberá assistência do governo, sem fornecer detalhes. E tem 2 anos que o Merlin chegou à família como presente de um cliente. Ele usa sapatos para proteger suas patinhas porque ele gosta muito de caminhar e ele tem uma dieta equilibrada, mas aprecia taco e carnitas aos domingos, como bom mexicano que ele é.

Então fica aqui o nosso abraço ao Merlin e sucesso na empreitada que é torcer para o México durante esse Mundial.

DSDaniel Sousa

É um pato que a gente pode dizer que é sortudo, né, Daniel? Porque normalmente quando o pato aparece numa mesa de jantar não é exatamente na posição de convidado, né? Então Fica aí a saúde para ele, né, e que dê tudo certo, inclusive para seleção mexicana. Daniel Souza, dessa maneira a gente chegou ao fim do nosso episódio. Muito, muito obrigado a você que tá junto com a gente nesse episódio e que esteve junto com a gente nos últimos 1099 bate-papos.

A gente tem muito mais episódio que isso, inclusive tá tudo lá no YouTube. Um prazer estar com vocês. Vou deixar aqui o convite: se você quiser assistir a aula gratuita, gratuitaça, completa, 100% gratuito, 200% gratuita, que a gente vai oferecer amanhã, na terça-feira, dia 23 de junho, sobre a Dona FIFA. Acesse, vai ter as instruções, vão estar na descrição desse episódio aqui para você acessar lá essa aula, ver como é que ela vai acontecer.

Ela vai acontecer no YouTube do Petit Jornal. Vai ser um prazer ter vocês lá para a gente falar como é que a FIFA se tornou essa superpotência, né, Daniel? Superpotência do esporte, claro, mas uma superpotência também do ponto de vista político, econômico, cultural. A gente não tem como diminuir o tamanho da importância da FIFA e a importância de entender como é que ela chegou nessa posição.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. PetJornal é uma mídia pequena, um produto artesanal, e o auxílio de nossos apoiadores acaba sendo fundamental para a manutenção do nosso projeto. Por isso registramos aqui sempre o nosso agradecimento. A vocês. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você tem a chave Pix no descritivo desse episódio, dá inclusive para ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

DSDaniel Sousa

É isso, Daniel Souza, amanhã estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu!

DSDaniel Sousa

Tchau, tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br.

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