Episódios de Petit Journal

Colômbia tem novo presidente - BP 1098

22 de junho de 202630min
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A Colômbia elege Abelardo de la Espriella como novo presidente, encerrando uma disputa eleitoral acompanhada de perto por toda a América Latina. No episódio analisamos o resultado, os desafios que aguardam o novo governo e os possíveis impactos para a política regional. Também discutimos as negociações entre Estados Unidos e Irã na Suíça, marcadas por avanços diplomáticos, mas também por novas tensões após o fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã em meio às conversas e às ameaças feitas por Donald Trump. Avaliamos ainda a tentativa iraniana de consolidar um novo regime de controle sobre a principal rota energética do planeta.
Falamos também sobre o pacote de reformas econômicas aprovado por Cuba e seus possíveis efeitos sobre a economia da ilha.
Na Geleia da Shakira, Donald Trump chama atenção ao afirmar que é o homem mais poderoso da história, declaração que rapidamente repercute nas redes sociais e na imprensa internacional.
#Colômbia #Irã #Ormuz #Geopolítica #AméricaLatina
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

Co-hostJornalista
Assuntos4
  • Tensão no Estreito de HormuzFechamento pelo Irã · Negociações EUA-Irã · Ameaças de Donald Trump · Israel e Hezbollah · Cobrança de taxas de passagem · Convenção da ONU sobre Direito do Mar
  • Eleicoes ColombiaVitória de Abelardo de la Espriella · Disputa eleitoral acirrada · Comparação com Bukele e Milei · Acusações de fraude · Paz e segurança na Colômbia
  • Cuba aprova reformasAbertura a investimento privado · Aumento de empregados em empresas privadas · Sinalização para os EUA · Defesa do socialismo
  • Donald Trump e poder históricoDeclaração de homem mais poderoso da história · Comparação com figuras históricas · Importância de ter avião · Visão sobre acordo com Irã · Papel na criação de Israel
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DSDaniel Sousa

Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1098. Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 9 horas e 18 minutos da segunda-feira, 22 de junho. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy, vírgula, Obagdadi, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, com mais tarifas a caminho e muito preocupado, noite, insônia, em função dessa dinâmica internacional pantanosa com múltiplas incertezas.

Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias. E começo com uma pergunta: Professor Bagdadi, o Estreito de Hormuz está aberto, está fechado, está aberto, fechado, está fechado, aberto? Como estamos em relação ao importantíssimo Estreito de Hormuz? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza, com S. Vamos lá para esse bate-papo 1098. Um prazer estar aqui mais uma vez iniciando mais uma semana. Sejam todos muito bem-vindos a mais esse episódio do Petit Jornal. Daniel Souza, Estreia de Hormônios, vai precisar daquela plaquinha, Daniel, de aberto e fechado, porque tem que ver hora a hora, Daniel. Nesse momento, nesse momento tá fechado, tá? O Irã fechou. E acho importante a gente ter um pouquinho do contexto, né?

A gente falou na semana passada sobre o acordo que foi alinhado ali entre Estados Unidos e Irã, né? Então os dois alinharam quais vão ser os termos do acordo e tudo. E uma das coisas que a gente trouxe aqui foi que abria-se naquele momento um período de 60 dias de negociações que estavam marcadas para começar. De fato, começaram no dia de ontem, no domingo, dia 21 de junho. Hoje, portanto, nós estamos no segundo dia das negociações, e as negociações estão acontecendo na Suíça, mais especificamente no resort de Buggenstock, né?

Então eles estão reunidos lá, os negociadores, a delegação americana, Sandro e Darada, inclusive pelo vice-presidente, né, o J.D. Vance. Agora, Daniel, aconteceu de tudo entre o domingo, né, o início das negociações do domingo e amanhã de hoje, né, amanhã dessa segunda-feira. De acordo com a Fox News, e a única fonte que a gente tem para isso é a Fox News, o Trump já teria dado um, teria feito um discurso nos bastidores extremamente ameaçador ao Irã.

Segundo a Fox News, o Donald Trump teria dito para os líderes iranianos que o Irã deixará de ser um país caso insista em fechar o estreito. Spoiler: o Irã foi lá e fechou o estreito, tá? Então, só para a gente ver como é que tá, como é que tá o clima dessa negociação. Mas os próprios Estados Unidos disseram, né, por meio de outros integrantes, que o Irã teria inclusive dificuldade de fechar o estreito porque agora já não teria mais condições e tudo.

Agora, a partir do momento em que o Trump fez essas ameaças, a Tasnim, que é a agência semioficial de notícias do Irã, então ela não é exatamente ligada ao governo iraniano de forma direta, mas ela normalmente reproduz aquilo que o Irã, aquilo que o governo iraniano fala, né, as manifestações do governo do Irã. Então, segundo essa agência de notícias, a delegação iraniana se recusou a retornar à mesa principal de negociações depois das ameaças do Trump.

Então o discurso é: a gente tá aqui para negociar, aí o cara vem e diz que a gente vai deixar de ser um país. A gente não vai embora da negociação, mas a gente só vai trocar memorandos via intermediários, via Catar e Paquistão. Os Estados Unidos negaram que isso tenha acontecido, eles negaram que o Irã tenha deixado a mesa de negociações e disseram que as negociações, Daniel, se estenderam até de madrugada falando sobre assuntos nucleares, Estreito de Hormuz, sobre o Líbano e outros assuntos pertinentes à negociação.

Agora, ao mesmo tempo, Daniel, o Irã tá pedindo que os Estados Unidos cumpram os termos definidos antes de avançar com a negociação mais importante, que é a questão nuclear. A gente falou sobre isso na semana passada. Os termos da negociação é: a gente pode falar sobre a questão nuclear, mas primeiro a gente vai ter o descongelamento de recursos iranianos no exterior, que estavam congelados há bastante tempo, e a isenção de sanções para exportação de petróleo, que são chamados waivers.

Segundo o Irã, olha, a gente só vai começar a negociar a questão nuclear no momento em que esse passo for dado. Antes disso, nada feito. Antes disso, a gente vai ficar esperando que esse passo seja dado. Em meio a esse cenário todo, no entanto, como a gente já falou aqui outras vezes, Israel tá desesperado com esse acordo. Israel não quer que esse acordo siga adiante E portanto Israel seguiu fazendo ataques contra o Hezbollah no Líbano e o Hezbollah respondendo contra Israel.

Dessa maneira, o que o Irã disse é: isso representa uma violação do cessafogo, uma violação do acordo que nós temos até agora, e portanto o Estreito de Hormuz está fechado. O Irã fechou o Estreito de Hormuz mais uma vez. O Trump voltou para rede social fazendo de novo, né, mensagens extremamente agressivas contra o Irã. Então disse ele, abro aspas: o Irã deve parar imediatamente os seus proxies. Proxies são seus aliados ali no Líbano, né, principalmente o Hezbollah, altamente pagos de causarem problemas.

Se não fizerem, atingiremos o Irã com muita força novamente, exatamente como fizemos na semana passada, só que mais forte. Ele quis comparar, né, mas ele queria dizer que era, que era porra mais ainda. Então o clima tá muito tenso, Daniel, como a gente já tinha imaginado. O acordo que foi alinhado, ele não é exatamente um acordo simples de ser cumprido, e tem que contar com a colaboração de países que não estavam na mesa de negociações, como Irã, como Israel.

Se Israel continuar atacando o Líbano, a tendência é que a gente tem um problema sério na manutenção de qualquer tipo de arranjo nesse sentido.

DSDaniel Sousa

Agora, é interessante, Tanguy, porque o jornal britânico Financial Times publicou que teve acesso a um documento da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, agência governamental iraniana criada em maio. Aliás, a gente já falou sobre ela aqui no PetJornal. Esse texto exige que todas as embarcações devem possuir uma pólice de seguro válida aprovada pela autoridade. O seguro é fornecido gratuitamente, por enquanto, mas a autoridade se reserva o direito de introduzir taxas de seguro no futuro.

Essa autoridade, na prática, então, Tanguy, ela concretiza uma ameaça que nós temos falado sobre ela aqui no PetJornal, de que o Irã pretende, em algum momento, cobrar taxas de passagem ali pelo Estreito de Hormuz. Aliás, o Irã já havia anunciado, nós falamos sobre isso aqui no Pet Jornal anteriormente, a intenção de cobrar 2 milhões de dólares por embarcação, por travessia, embora esse valor possa ser eventualmente negociado.

A autoridade estabeleceu uma rota obrigatória próxima à costa iraniana com coordenadas específicas e qualquer desvio ou utilização de rotas alternativas é estritamente proibido e será tratado como uma violação. Armadores hesitam em usar rotas alternativas por temor que o Irã tenha instalado minas no meio da hidrovia. E nessa última sexta-feira, o Irã disparou tiros de advertência contra embarcações no estreito, segundo pessoas familiarizadas com a situação.

É importante registrar, Tanguy, que a cobrança de taxas de passagem contraria a Convenção da ONU sobre Direito do Mar e Direito de Livre Passagem em Águas Internacionais, mas nem o Irã nem os Estados Unidos são signatários dessa convenção. Nós temos aí, tivemos uma corrida, né, de embarcações para tentar deixar o Golfo Pérsico na última quinta-feira. Na manhã de sexta-feira, o tráfego já estava bastante reduzido. Você tem aí relatos de marinheiros que estão retidos na região há mais de 100 dias e a questão do Estreito de Ormuz segue indefinida, que é o elemento mais importante para o governo dos Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos acredita que a reabertura do Estreito de Ormuz— lembrando sempre, É uma reabertura de algo que estava aberto antes do início desse conflito, mas é uma reabertura que terá sempre uma sombra sobre ela. Afinal, o Irã se reserva o direito de eventualmente cobrar taxas na passagem ou, eventualmente, pode voltar a fechar o estreito, como aconteceu justamente nas últimas horas. O Irã não precisa mais de uma bomba atômica, "tang", ele já tem uma bomba atômica.

Essa bomba atômica é justamente a capacidade de fechar, de acordo com os seus interesses, o Estreito de Hormuz, o que obviamente irrita profundamente o Donald Trump, porque afinal ele contava com essa reabertura para garantir a queda do preço dos combustíveis e consequentemente a queda da inflação nos Estados Unidos e alguma recuperação em termos de sua popularidade. E nos últimos dias ele destacou, né, que os 300 bilhões de dólares não serão pagos pelos Estados Unidos, sugerindo ali que vão ser pagos pelos aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

Aliados que devem estar felicíssimos com os Estados Unidos, afinal, eles são bombardeados pelo Irã por serem aliados dos Estados Unidos, os Estados Unidos não vêm em seu socorro e os Estados Unidos espetam uma conta neles de 300 bilhões de dólares para reconstruir o Irã que os bombardeou, sendo que eles não declararam guerra ao Irã e não estiveram. Em um conflito direto com os iranianos. Certamente.

TBTanguy Baghdadi

E é por isso que fecha o Estreito de Hormuz, que os prejudica diretamente. O Estreito de Hormuz que estava aberto antes, né?

DSDaniel Sousa

Você imagina. Que os prejudica diretamente, que leva ali a prejuízos enormes, inclusive com bombardeamento de infraestrutura da região e consequentemente o impacto mais alongado no tempo. É claro que a gente está falando de um contexto onde a presença dos Estados Unidos naquela região, ela está bastante fragilizada. É bem verdade que a grande aposta dos Estados Unidos é a seguinte: "Tanguia, o Kuwait vai me abandonar? Vai nada!

Kuwait vai me abandonar? Vai ficar agora? Quem vai defender você, Kuwait?" "Ah, eu não te defendo." "Eu não te defendo, mas eu tenho base ali e, bem ou mal, eu garanto a sua existência." "O Qatar vai me abandonar?" "Vai nada!" "Emirados Árabes Unidos agora vai virar anti-americano? Arábia Saudita vai virar anti-americana?" "Vai nada! Vai nada!" "Vocês vão pagar a conta, vão reclamar, vão pagar a conta, vai ficar tudo bem e eu, United States of America, continuarei tendo ali uma presença muito forte na região", até porque Rússia e China não apareceram.

Já agradeci, inclusive, aos homens, únicos homens que eu respeito nesse planeta, que são homens poderosos, o Xi Jinping e justamente o Vladimir Putin. De qualquer maneira, é muita indefinição e muita imprevisibilidade no acordo, que dá sinais aí de muita fragilidade.

TBTanguy Baghdadi

E Daniel, tem uma chance remota, é remota, é verdade, de termos um Irã e Estados Unidos em território americano na Copa do Mundo, viu? Confesso que eu tô torcendo por esse caos aí. Esse jogo vai ser interessantíssimo se acontecer, né? Mas tô achando bem difícil, né? Os dois têm que ficar cada um em segundo no seu próprio grupo. Aliás, quando a gente vê a Copa do Mundo, né, Daniel, não sei você, mas eu sempre fico com um sentimento de que caramba, tem tanto lugar que eu queria visitar, cara, que a gente vai tendo contato, né, com outros países, né, e tal.

E toda vez que eu penso em viajar, Daniel, eu penso que para fazer a mala a Insider Store é minha maior aliada, viu. A Insider Store, ela tem versatilidade para você fazer mala para qualquer clima. Você vai para um lugar frio, a Insider Store tá lá. Você vai para um lugar quente, a Insider Store tá lá. E você pode inclusive para algum lugar que de manhã tá frio, de tarde tá quente, de noite tá frio de novo, aquele friozinho e tal, A Insider Store te permite essa versatilidade para você levar uma viagem, menos peças, mas tendo mais opções.

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DSDaniel Sousa

Daniel, até amanhã, gente! Não percam, aproveitem essa oportunidade. Link no descritivo desse episódio, condições especialíssimas para os amigos e amigas do Petit Journal. Thank you. Avançando para a próxima pauta, registro que na última quinta-feira, Cuba aprovou um pacote bastante ambicioso de reformas econômicas. Esse pacote foi aprovado na Assembleia Nacional por unanimidade. Todos os deputados votaram a favor, levantando ali as mãos.

É uma proposta que foi formalmente apresentada pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero, E teve ali o apoio também da cúpula do Partido Comunista Cubano e do ex-presidente Raul Castro, que segue ali bastante influente aos 95 anos. Quando a gente pensa nas medidas, as principais delas são as seguintes: nós teremos em Cuba a abertura a investimento privado nacional e estrangeiro no setor bancário e cambial. O setor privado poderá receber aportes antes restritos no setor de agricultura e turismo.

Empresas estatais poderão ser transformadas em entidades comerciais, como sociedades autônomas, e consequentemente, potencialmente, teriam ali o seu capital aberto. Empresas privadas estão autorizadas a ter mais de 100 empregados, ou estarão autorizadas a ter mais de 100 empregados. O capital estrangeiro terá ampliado a sua permissão de participação do setor privado, pessoas físicas poderão abrir contas em moeda estrangeira dentro de Cuba, cubanos poderão ter mais de um negócio e negociar salários internamente.

Ou seja, a gente tem uma série de elementos que ampliam a abertura que a economia cubana tem experimentado ao longo dos últimos anos, ao longo das últimas décadas, a bem da verdade desde a época do Fidel Castro, você já tem tido ali movimentos de abertura da economia. Não há qualquer alteração no regime de partido único, que seguirá comandado pelo Partido Comunista Cubano. E o governo não divulgou prazo para a implementação de medidas, o que sugere que a gente está tendo uma sinalização do governo cubano para Donald Trump: "Olha, está aqui aprovado o pacote." "Para que eu implemente efetivamente o pacote, eu preciso de uma sinalização do seu lado de que vai tudo ficar bem entre nós, que você não vai tentar nada mais ousado contra mim." O presidente de Cuba, o Miguel Díaz-Canel, destacou o seguinte: "São transformações que visam corrigir o rumo, mas sempre em defesa do socialismo." Não é exatamente socialismo esse pacote de medidas, nem defesa do socialismo, mas, enfim, faz parte da retórica dele de destacar que o regime está defendendo aquilo que sempre lutou ao longo das últimas décadas.

Não me parece, Tanguy, que será suficiente para o Donald Trump e para o Marco Rubio. Afinal, eles querem um troféu, né? Eles querem botar ali no seu currículo que mudaram o regime cubano, mesmo que isso não signifique necessariamente mudar o regime, como aconteceu exatamente na Venezuela. Na Venezuela você capturou o Maduro, não mudou o regime, mas você pode dizer para o público interno que você mudou o regime sem ter mudado o regime.

Em Cuba me parece que algo semelhante precisa ser feito. Quer dizer, o Trump precisa de um troféu, o Marco Rubio precisa de um troféu. Essas reformas são importantes, são reformas que o regime está fazendo para tentar sobreviver, É disso que se trata diante dessa crescente pressão dos Estados Unidos, mas a tendência é que continue havendo ali algum tipo de pressão para que Marco Rubio tenha no seu currículo: "Olha, eu mudei o regime em Cuba", mesmo que isso não necessariamente signifique uma mudança do regime em Cuba.

Vale a pena acompanhar, mas tivemos aqui Cuba fazendo uma sinalização em direção aos Estados Unidos sem prazo ainda para implementação dessas reformas, mas o suficiente para dizer: olha, estou disposto a fazer reformas, abrir minha economia, deixar o investimento estrangeiro entrar em grande quantidade, a permitir realmente a participação de vocês americanos, mas eu preciso também aí de um gesto do lado de vocês de que vai ficar tudo bem por aqui.

TBTanguy Baghdadi

E já que você trouxe a conversa para América Latina, Daniel, tivemos uma eleição que para o Brasil também é bastante importante no dia de ontem, no domingo, dia 21 de junho. A eleição colombiana, segundo turno da eleição colombiana, e temos provável, muito provavelmente, um novo presidente à direita. Lembrando que o Gustavo Petro, que é o atual presidente, é o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. E já acabou, Daniel, já temos portanto a volta da direita, uma direita até bem mais à direita do que presidentes anteriores, com a vitória de Abelardo de Espriella, que se tornou portanto o novo presidente.

Por que que eu falei provavelmente? Porque a gente tem na Colômbia, e alguns outros países da América Latina fazem algo parecido, uma apuração rápida. Essa apuração rápida é cada sessão pega ali as atas, faz uma contagem rápida e emite: olha, aqui a diferença foi tanto a tanto, aqui o candidato tal ganhou com tantos votos de diferença, que foram tantos votos para um, tantos votos para outro. Agora, essa contagem ela é muito rápida, né, a contabilização ali das atas.

Só que depois você tem a contagem oficial. A contagem oficial é voto a voto. Essa naturalmente demora mais tempo. Ela normalmente confirma a contagem preliminar. Mas a gente tem um detalhe nessa eleição que aconteceu no dia de ontem, Daniel. O Abelardo de Spiehler, ele conseguiu 49,66% dos votos. Eu tô indo até segunda casa decimal de propósito. 49,66% dos votos, enquanto Ivan Cepeda, que é o candidato do governo, é o candidato do Gustavo Petro, conseguiu 48,7%.

Você deve ter reparado, né, você com cara bom de matemática, que a soma não dá 100%, porque na Colômbia eles consideram os votos brancos como votos válidos. Então não dá 100% mesmo, porque teve 1,6 e pouquinho ali de votos brancos. Então O Abelardo de Spriella, Daniel, ele ficou com 0,96, 0,96 ponto percentual à frente do seu oponente. É menos de 1%, Daniel. Isso dá 250 e poucos mil votos, menos de 300 mil votos de diferença. Então, claro que na contagem oficial qualquer diferença pode mudar o resultado, mas ainda assim, normalmente assim, historicamente, a diferença é tão pequena entre uma contagem e outra que dificilmente alguém tira essa vitória do Abelardo Despriella.

O Abelardo Despriella, Daniel, ele é um advogado que ficou conhecido inclusive porque ele defendia qualquer um. Ele defendeu narcotraficante, ele defendeu aliado do Maduro, defendeu como advogado, né, Tanguy? Como advogado, exatamente. É perfeito, né? Durante a carreira profissional dele como advogado, ele defendeu, ele foi advogado de pessoas bastante questionáveis. E o que ele sempre disse era: eu como sou milionário, eu sou um cara bem-sucedido profissionalmente, eu estou muito mais bem preparado para conduzir o país do que qualquer político de carreira.

É um discurso, Daniel, que não é muito diferente do discurso de El Salvador, né, o discurso do Bukele. A gente falou sobre isso aqui, como é que o Abelardo de Spriella, ele em grande medida, ele reproduz o discurso do Bukele. Em El Salvador, que não é muito diferente do que a gente tem com Milei na Argentina, do que a gente tem é com Daniel Noboa no Equador, e o que a gente tem no Chile, né? São discursos parecidos, é uma direita com uma cara mais ou menos parecida que tá ascendendo agora também na Colômbia.

Então, claro que agora a gente vai ter que esperar, Daniel, a contagem oficial, mas ele já cantou vitória, né? Enfim, para ele a coisa já tá resolvida. Só que a gente teve um discurso por parte do presidente Gustavo Petro dizendo que, olha, tivemos fraude. Surpreendeu ninguém, tá, Daniel? Quem perde vai dizer, ah, teve fraude, hein, teve fraude, temos que ver como é que vai ser essa contagem oficial. Mas muito provavelmente nós teremos a vitória de Abelardo de Espriella superando Ivan Cepeda.

O Ivan Cepeda de fato, Daniel, não é o cara mais popular da Colômbia, O Gustavo Petro, né, atual presidente, não tem uma popularidade muito elevada também. E a Colômbia, ela continua tendo uma discussão muito viva, muito importante. Essa muito tempo, o seu Petit Journal, aliás, Petit Journal vai completar 10 anos essa semana agora, tá?

DSDaniel Sousa

Amanhã, amanhã, 23 de junho.

TBTanguy Baghdadi

Na primeira semana de Petit Journal, essa foi uma discussão grande que a gente fez com relação àquele referendo sobre o acordo de paz. Então você tem a esquerda colombiana dizendo, gente, o que mais importa é a gente ter paz, acabar com essa acabar com essa guerra civil que já dura décadas. E a direita diz: olha, não é bem assim, a gente só pode acabar com essa guerra no momento em que houver uma punição de todos os responsáveis, pelos guerrilheiros, todos os terroristas e tal.

O Gustavo Petro, Daniel, ele fez campanha para o Cepeda, né, que deveria ser o sucessor, enfim, o seu candidato, dizendo que olha, com ele a gente vai ter uma paz total. O que o Abelardo de la Espriella diz é: não vai ter paz total coisa nenhuma. A gente tem que ir para briga com esses narcoterroristas, com esses narcotraficantes. A gente não pode deixar pedra sobre pedra com relação a esses caras. Então é um cenário muito tenso na Colômbia, né, do ponto de vista eleitoral.

Uma diferença muito pequena, mas ao que tudo indica, Abelardo de la Espriella é mais uma vez uma direita, essa nova direita latino-americana, sul-americana, ou latino-americana, já que a gente tá falando de El Salvador também. Chegando ao poder em mais um país, um país importante para o Brasil também, uma economia importante aqui na América do Sul, um país com quem o Brasil tem uma fronteira muito relevante no norte do país.

DSDaniel Sousa

Daniel, tangue registro que no episódio da noite de hoje do Pet Jornal falaremos sobre a queda do primeiro-ministro do Reino Unido, né, que acabou sinalizando a sua demissão. Agora, tangue, para encerrar o nosso episódio de hoje, podemos avançar para a geleia da Shakira?

TBTanguy Baghdadi

Por favor, Daniel, para a gente começar segunda-feira com a Um pouquinho mais de doce, Daniel, vamos lá.

DSDaniel Sousa

Tanguy, na Jaleia da Shakira de hoje eu quero repercutir o lançamento de um livro de dois jornalistas do New York Times que acontecerá nessa terça-feira, dia 23. O livro se chama Regime Change, então troca de regime, o que me parece bastante forte tratando-se da temática que será abordada. Então os dois jornalistas são Maggie Haberman e Jonathan Swan. Eles acabaram entrevistando o presidente Donald Trump e tivemos uma série de informações que foram antecipadas pelo site Axios.

E o que acaba sendo relatado pelo site é que Donald Trump, Tanguy, exibiu orgulho em se colocar como o homem mais poderoso da história. Você não ouviu errado, Donald Trump é o homem mais poderoso da história. Trump recitou quem seriam os homens mais poderosos da história, junto com ele, claro que nenhum deles tão poderosos quanto o próprio Trump. Ele citou Júlio César, Alexandre o Grande, Átila Ouno, Gengis Khan, Napoleão, Stalin, Mao, Hitler.

Agora, claro que todos estão aquém do poder do próprio Trump. E num determinado momento, Trump diz, abre aspas: ele não tinha aviões, certo? Não dava para viajar por aí. Fecha aspas. O Donald Trump, rapaz, o Donald Trump é uma criança, tá aqui. Porque, ah, porque eu sou mais poderoso, porque eu tenho avião. Ninguém deles tem avião. Então, consequentemente, realmente eu sou mais poderoso.

TBTanguy Baghdadi

Poder, Daniel, reside na sua capacidade de viajar.

DSDaniel Sousa

É na capacidade de viajar.

TBTanguy Baghdadi

Você não é poderoso.

DSDaniel Sousa

É lógico, imagina se Alexandre o Grande foi tão poderoso quanto eu, se Alexandre o Grande nunca entrou no avião. Mas enfim, o Donald Trump também destacou que não há limites para o seu poder como presidente desde que ele entrou em guerra com o Irã. Descreveu o acordo com o Irã como equivalente à rendição incondicional iraniana. E há uma mudança do regime. O regime iraniano está mudando através dessa coisa. Você não sabia? Ou, Tanguy, não sabia?

TBTanguy Baghdadi

Sim, sim, a revolução que está acontecendo lá.

DSDaniel Sousa

Também destacou que Israel não existiria se não fosse ele, Donald Trump. Afinal, Israel foi criado agora, né, Tanguy? Israel se defende apenas desde que Donald Trump se tornou presidente. Mas enfim, nós temos aí um presidente que interrompeu a guerra entre e com os iranianos Porque ele teve uma oportunidade de uma reedição incondicional dos seus inimigos diante daquele conflito. Mas fica aí o registro: você que acha que é poderoso não é.

Ninguém é mais poderoso do que Donald Trump. Nunca, jamais ninguém foi tão poderoso quanto Donald Trump, porque Donald Trump tem avião. E se você não tem avião, você não pode ser tão poderoso quanto ele.

TBTanguy Baghdadi

Não pode ser. Perfeito. Daniel Souza, obrigado. Agora, agora finalmente tudo fez sentido, Daniel. A própria essência do que é poder foi ressignificada. Agora sim eu entendi tudo. Muito obrigado por essa geleia, Daniel Souza. Dessa maneira a gente chegou ao fim do nosso episódio. Muito obrigado a vocês que estão aqui junto com a gente, a vocês que nos acompanham. Amanhã, aliás, Daniel lembrou que é exatamente amanhã, né, o aniversário de 10 anos do Petit Jornal.

Eu queria deixar um agradecimento antecipado a todos vocês e lembrar que no dia dos 10 anos a gente vai ter uma aula gratuita que vai acontecer no YouTube do PetJornal. Entre no site do PetJornal, petcursos.com.br. Você pode entrar no petcurso ou no petjornal.com.br e você vai ter as informações sobre essa aula gratuita. petcursos.com.br ou petjornal.com.br, vão ter lá as informações sobre como é que você faz para assistir. Eu tenho certeza que você vai curtir ainda mais que você tá em clima de Copa do Mundo.

A gente vai falar sobre Dona FIFA, Ô dona FIFA, vamos ter uma conversa séria amanhã, hein, FIFA? Tá muito poderosa, hein? Que que fez com que a FIFA ficasse poderosa assim, rica assim, influente assim? Tudo isso a gente vai falar na aula que vai acontecer amanhã às 19 horas no YouTube do Pet Jornal.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o meu agradecimento antecipado a todo mundo que prestigia o Pet Jornal. Pet Jornal que faz 10 anos amanhã, 23 de junho de 2026. Aliás, se você gosta do PetJornal, celebre com a gente, marque a gente nas redes sociais, divulgue o PetJornal, porque é um projeto do qual nós nos orgulhamos bastante e agradecemos demais a companhia de vocês ao longo de todo esse tempo. E nós só estamos aqui porque vocês estão aqui, e por isso fica o nosso muito obrigado.

E fica também o agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, que são fundamentais para a continuidade do nosso projeto. Pet é uma mídia pequena, Não tem aí o suporte de um conglomerado nem de uma grande produtora, é um produto artesanal e por isso a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância e por isso sempre registramos em todo o episódio um agradecimento especial a eles. Fica aqui também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas, tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Peito Jornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia.se, que acaba sendo também uma alternativa bacana. Tem o link do Patreon, que é uma forma interessante, principalmente para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

Dereck Souza, ainda hoje temos mais um episódio, vai ser gravado mais tarde para a gente poder falar sobre os assuntos dessa segunda-feira. Além da situação britânica, como você antecipou, Daqui a pouco a gente tá de volta. Um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!

DSDaniel Sousa

Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br.

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