Ormuz reaberto - BP 1097
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O Estreito de Ormuz volta a operar normalmente e o petróleo retoma seu fluxo após meses de incerteza, reduzindo tensões nos mercados internacionais e alterando as perspectivas para energia, inflação e crescimento econômico. No episódio analisamos os efeitos da reabertura da principal rota petrolífera do mundo e os desafios para a implementação do acordo construído entre Estados Unidos e Irã. Também discutimos a resistência de Israel ao entendimento, fator que mantém dúvidas sobre a estabilidade do arranjo diplomático e sobre a possibilidade de novos episódios de escalada militar na região.
Falamos ainda sobre a decisão do novo presidente do Federal Reserve de elevar os juros americanos, contrariando as expectativas e os desejos expressos por Donald Trump, além dos impactos econômicos dos ataques ucranianos contra refinarias russas, que passam a obrigar Moscou a ampliar importações de combustíveis. Encerramos com a visita de Trump a Emmanuel Macron em Versalhes.
Na Geleia da Shakira, o presidente americano demonstra encantamento com o luxo, a grandiosidade e a ostentação do antigo palácio dos reis franceses.
#Ormuz #Petróleo #EstadosUnidos #Irã #Geopolítica
- Estreito de OrmuzPassagem de superpetroleiros com transponder ligado · Queda no preço do petróleo · Acordo EUA-Irã · Israel · Irã · Estados Unidos · Donald Trump · Benjamin Netanyahu
- Relação Israel-EUABombardeios israelenses no Líbano · Cessar-fogo envolvendo o Líbano · Reação de Israel ao acordo · J.D. Vance · Benjamin Netanyahu · Donald Trump
- Visita de Trump a Macron em VersalhesCúpula do G7 · Celebração dos 250 anos da independência dos EUA · Papel da França na independência dos EUA · Palácio de Versalhes · Donald Trump · Emmanuel Macron · Brigitte Macron · Luís XVI
- Ataques ucranianos em território russoAtaques a refinarias russas · Desabastecimento de combustível na Rússia · Importação de petróleo refinado pela Rússia · Refinaria de Kapotnye · Moscou · Ucrânia · Rússia · Volodymyr Zelensky
- Decisão do FED sobre JurosManutenção da taxa de juros · Pressão inflacionária nos EUA · Meta de inflação do Fed · Kevin Walsh · Donald Trump
- Cobrança de taxas no Estreito de OrmuzAcordo de 60 dias sem tarifas · Administração futura do estreito pelo Irã e Omã · Preocupação com cobrança permanente · Modelo do Estreito de Malaca · Irã · Omã
Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1097. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 17 horas e 20 minutos da quinta-feira. 18 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, tangue vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, retumbante, retumbante, descansado, tarifado e mais tarifas a caminho e preocupado, preocupado com a dinâmica internacional pantanosa, muitas noites de insônia tentando encontrar soluções para esse mundo incerto e perigoso.
E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala ao longo dos próximos minutos, Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas e começamos falando sobre Ormuz, que está reaberto. Está reaberto. Normalidade impera em Ormuz ou não? Falaremos sobre isso no episódio de hoje. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1097. Um prazer estar aqui mais uma vez. Deixo as super boas-vindas. A todo mundo que tá acompanhando a gente, pessoal que tá se inteirando do que tá acontecendo mundo afora via Petit Jornal. E sim, Daniel Souza, o Estreito de Hormuz foi reaberto. Tivemos hoje um teste definitivo para saber se realmente tá tudo funcionando. 3 superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita passaram por ali.
Daniel, se o Irã não quisesse deixar alguém passar seria saudita. A bandeira saudita não vai passar. Se passou, Daniel, então são 3 superpetroleiros que somaram um volume de 6 milhões de barris de petróleo bruto, conseguiram passar por Hormuz, o que passou uma ideia de tranquilidade. Inclusive, Daniel, passaram com os transponder ligados, né? Então a gente tá falando sobre aquele equipamento que permite você localizar o navio.
Até agora, como a gente já trouxe aqui em outros episódios, Tinham navios passando por ali, mas sempre com a geolocalização desligada. Você vai ali de noite, né, com tudo apagado e tal, para tentar chegar do outro lado sem ser atacado. Então hoje esses navios cargueiros passaram, voltaram a transitar com transponder ligado. Isso trouxe uma tranquilidade muito grande para o mercado, né. Então as pessoas começaram a ficar um pouco mais tranquilas com relação ao futuro próximo.
Ainda, né, você tira o bode da sala, né, você tem um incômodo horroroso, de repente começa a passar superpetroleiro, o barril de petróleo foi parar em $78, né? Você passa a ter uma tranquilidade muito maior. Agora, tem uma outra coisa que tá deixando todo mundo muito preocupado, que é a crise que nós estamos tendo entre Estados Unidos e Israel. Porque, quer dizer, na verdade, não é exatamente a crise, mas o fato de que Israel até agora não comprou essa ideia de ter uma pacificação.
Israel, Daniel, promoveu hoje, nessa quinta-feira, novos bombardeios aéreos contra cidades libanesas, ali principalmente no sul do Líbano, e que deixaram inclusive 3 civis mortos. Drones israelenses continuaram sobrevoando a capital, Beirute, em baixa altitude, o que gera portanto um problemaço pelo fato de que o acordo que foi assinado, aliás, o acordo já tá em vigor, tá, Daniel. A ideia era que entrar, você viu, no domingo. Já no dia de hoje já tá tudo assinado e portanto já está vigorando.
Ele, esse acordo estabelece que o cessar-fogo, né, qualquer tipo de paz envolve o Líbano, que era uma exigência iraniana. Israel disse desde o início que, olha, não fui consultado, não quero saber, e continua fazendo ataques. A preocupação é a possibilidade de o Irã falar, olha, sinto muito, mas o acordo é nulo, ou qualquer coisa assim. E portanto, por causa de Israel, o acordo ia por água abaixo. A gente já teve algumas reações por parte dos Estados Unidos dizendo que, olha, o Israel não tem como, você não vai poder ficar fazendo ataques assim, porque senão você me coloca numa situação muito ruim.
A gente teve inclusive o vice-presidente dos Estados Unidos, o J.D. Vance, dizendo que a reação israelense ao acordo foi muito ruim. Basicamente, o que ele estava dizendo é, olha, Israel deu um xilique aí sabe, deu um ataque de pelanca, continua atacando. Isso é um problema, temos um problema nessa, nesse relacionamento. Então imagino que nas internas ali, Daniel, os Estados Unidos, Israel, pelo amor de Deus, eu preciso desse acordo, esse acordo tem que sair porque tá chegando eleição aí.
E para mim, se tiver, se essa guerra continuar, a eleição é catastrófica. Para o Netanyahu, o sentido é o contrário. Por Netanyahu, se a guerra acaba, é que é ruim para as eleições que estão vindo por aí também, vão ser no final de outubro. Aliás, curiosamente, Daniel, a distância temporal entre as eleições em Israel e nos Estados Unidos é pequena, né, menos de um mês ali. Você vai ter as duas eleições. O Trump precisa do fim da guerra, o Netanyahu ele precisa da continuidade da guerra, até porque se a guerra para, o pessoal pode lembrar que o Netanyahu eventualmente pode ser preso por corrupção.
Daniel, aliás, pode ser preso, pode ser escrutinado pelos atentados que aconteceram em 2023. Eventualmente você debate política israelense, consequentemente lideranças alternativas podem surgir. Muitos problemas para Netanyahu caso a guerra seja efetivamente interrompida. E do outro lado, nos Estados Unidos, o que está acontecendo é que o preço da gasolina ele caiu. O preço da gasolina chegou a $3,90 o galão nos Estados Unidos pela primeira vez desde o início de março.
É bem verdade que o preço da gasolina é muito diferente em diferentes estados americanos, até porque você acaba tendo realidades estaduais distintas. O galão é mais caro na Califórnia, onde ele custa $5,64 E na Carolina do Sul ele é o mais barato, por $3,58. Mas, na média, nós tivemos aí o galão de gasolina abaixo de $4 pela primeira vez, o que para os Estados Unidos é uma ótima notícia e para o Donald Trump também. A simples informação de que o Estreito de Hormuz está reaberto acabou sendo suficiente para esse recuo importante do preço dos combustíveis e, consequentemente, Isso tende a turbinar ali a popularidade do Donald Trump.
Me parece muito claro esse aspecto. Quer dizer, a gente está falando dois aliados que têm interesses absolutamente distintos nesse momento. Um quer a interrupção da guerra para que o preço dos combustíveis desça e consequentemente ele recupere popularidade antes das midterm elections que acontecem ainda esse ano. E o outro quer que a guerra continue para que não haja debate eleitoral em Israel. E, consequentemente, ele possa permanecer no cargo de primeiro-ministro.
E o que acaba acontecendo é que Israel é um fio desencapado nesse acordo, né? Mas, até o presente momento, os dois lados têm dado muitos sinais de que não querem abandonar o acordo. Para o Irã, está ótimo, vai receber uma grana, embora o Trump tenha dito que não vai pagar, mas ele assinou, enfim, temos de ver o que vai acontecer efetivamente. E, do outro lado, os Estados Unidos não querem retomar a guerra por conta da desorganização econômica que a guerra acaba proporcionando muitas emoções ao longo das próximas semanas.
Mas foi muito difícil chegar até esse acordo, um acordo que, como a gente analisou e destrinchou ontem aqui no Petit Jornal, é muito favorável aos iranianos e consequentemente eles tendem a querer mantê-lo. E do outro lado, os americanos, claro, querem preservar essa recuperação econômica que já começou a ser experimentada com a queda do preço dos combustíveis por lá.
Agora, não é só Israel, né, Daniel, do lado americano, né, vamos colocar assim, que tá criticando o acordo. Israel tá realmente muito insatisfeito com a assinatura desse acordo, mas nos Estados Unidos também você tem uma base parlamentar republicana que tá absolutamente revoltada com a assinatura desse acordo. Foi por causa disso que o Trump disse que não vai pagar os 300 bilhões. 300 bilhões estão no acordo. Qual é a malandragem do Trump?
De fato, não há a previsão no acordo de que sejam os Estados Unidos a entregar esses 300 bilhões para o Irã. A lógica, o que foi colocado no acordo, é que vai ser feita ali uma, uma, você vai recolher investimentos. Esse investimento podem ser de países, podem ser de empresas, mas os Estados Unidos de fato não vão colocar dinheiro. Então quando Trump diz, não, está lá no acordo, mas eu não vou pagar, o Trump não tá mentindo. Ele tá, é uma meia-verdade.
O que ele tá dizendo é, não sou eu que vou pagar, mas esse dinheiro existirá, esse dinheiro vai parar no Irã, porque o acordo prevê que empresas podem fazer esse investimento, né, na expectativa ali de o Irã voltando a crescer economicamente, essa grana seja restituída aos seus investidores.
Agora, para Israel acaba sendo também muito amedrontador esse cenário, porque eles lembram o que aconteceu quando nós tivemos o acordo de 2015. O acordo de 2015 acabou recuperando a economia iraniana. Ao recuperar a economia iraniana, os proxies voltaram a receber dinheiro e aumentaram o seu poder de fogo contra os inimigos do Irã na região, em especial contra Israel. Então, existe ali a percepção por parte dos israelenses que, olha, se a economia iraniana voltar a funcionar porque as sanções são removidas, porque ativos são descongelados e porque investimentos são injetados no Irã, meu amigo, o Irã é uma potência econômica.
Eles podem se recuperar muito rapidamente, podem voltar a ter uma arrecadação de impostos importante e podem voltar a investir pesadamente nos seus proxies. Afinal, Não há nenhuma referência a isso no acordo, Tanguy. Os iranianos podem voltar a colocar recursos nos seus aliados como forma justamente de romper o isolamento regional, o que para Israel é uma péssima notícia. E do ponto de vista americano, os republicanos ficarem irritados com o acordo me parece natural.
Nós falamos sobre esse acordo aqui ontem. Meu Deus do céu, 300 bilhões de dólares para o Irã. Você ter ali realmente descongelamento de ativos, descongelamento realmente das sanções, é muito avanço para os iranianos e é uma submissão, é uma rendição quase completa dos Estados Unidos. Embora eles não tenham sido derrotados do ponto de vista militar, do ponto de vista geopolítico eles foram.
Daniel, a gente falava agora pouquinho sobre os navios passando pelo Estreito de Ormuz com transponder ligado. Você que tá usando a internet também tá com transponder ligado, tá? E você não tá nem sabendo. Ou seja, todas as big techs, governos, todo mundo sabe o que que você tá fazendo, com quem que você tá falando, onde é que você tá, para onde que você vai, quais são suas preferências. Isso mexe muito com a sua privacidade, por isso que é muito importante você ter uma proteção para você poder navegar na internet com mais segurança.
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Mas o acordo fala ali de uma administração futura que vai ser feita pelos iranianos do estreito em cooperação justamente com o Omã. E o que a gente acaba observando na prática é que os executivos do setor marítimo estão preocupadíssimos com isso. Afinal, existe a possibilidade dos iranianos passarem a cobrar depois dos 60 dias. Você passaria a ter ali algum tipo de cobrança permanente. Existe ali realmente essa inquietação porque isso cria um elemento de incerteza, de imprevisibilidade e de custo.
Você tem, inclusive, alguns tentando propor algumas alternativas. Teve gente hoje falando sobre o modelo de Malacca, É o Estreito de Malaca ali entre a Malásia e a Indonésia. Nesse estreito, países contribuem voluntariamente para um fundo que financia auxílios à navegação e respostas a derramamentos de petróleo. O Japão, por exemplo, é um dos maiores contribuintes lá nesse fundo do Estreito de Malaca. Ou seja, vamos criar um fundo aqui, o Irã não precisa cobrar uma taxa, não precisa cobrar uma tarifa.
Quando players importantes começam a se movimentar e começam a pensar em alternativas, muito entre nós, é porque eles já estão esperando que a cobrança venha aí. E se o Irã daqui a 60 dias resolver cobrar, Tanguy, quem é que vai impedir? Qual é o incentivo que o Irã tem para não cobrar? Para não cobrar ali um direito de passagem pelo Estreito de Hormuz? Você está falando de um novo contexto onde o Irã se projetou geopoliticamente, de forma muito poderosa, e ele pode, ali, de alguma maneira, criar algum mecanismo arrecadatório, e, ao criar esse mecanismo, você passa a ter ali mais uma fonte de receita.
Cobrar ali uma fração do que cada um daqueles petroleiros carrega acaba sendo algo que não impacta tanto, mas, para o Irã, pode ser algo que vai fazer toda a diferença. Então esse é um elemento que vale a pena a gente continuar atento, porque lá na frente, quando esse acordo for definido de maneira permanente ou não, né, vai saber, esse aspecto pode reaparecer, porque o Irã não tá cobrando durante 60 dias, mas depois dos 60 dias pode ser que a cobrança apareça ou reapareça, até porque ele já cobrou de algumas embarcações que passaram no estreito ao longo dos últimos meses.
Daniel, no episódio que a gente gravou anteontem, né, no bate-papo 1095, Eu falei aqui sobre um ataque que a Ucrânia realizou contra uma das refinarias mais importantes da Rússia, exatamente a refinaria que abastece em grande medida Moscou, que é a refinaria de Kapotnye. Hoje, Daniel, 2 dias depois, nós tivemos mais um ataque contra a mesma refinaria. A gente tá falando, Daniel, sobre uma capacidade que a Ucrânia tem conseguido, né, tem desenvolvido para fazer ataques que geram impactos reais contra a Rússia, geram impactos severos contra inclusive a população civil.
Então a Rússia tá passando por um processo de desabastecimento importante. Esse ataque, Daniel, só para a gente ter uma noção, levou uma limitação do trânsito de veículos, levou fechamento do espaço aéreo da capital e levou fechamento inclusive dos 3 aeroportos que atendem Moscou.
Isso é muito grave, hein, Tanguy?
É muito, muito sério. Até agora a gente não via isso. Então esse foi inclusive o recado do Zelensky, que falou: é, se Kiev vai queimar, Moscou vai queimar também. Então de fato está conseguindo levar a guerra até os russos. Até esse momento, Daniel, a impressão que dava, né, até pouquíssimo tempo atrás, é que os russos estavam vivendo na mais absoluta normalidade. Então a guerra tá longe, né, a guerra tá lá na Ucrânia e tal. Tem gente que fica mexendo com isso, tem gente que diz: ah, é isso mesmo, é isso que tem que fazer.
Mas era sempre uma coisa muito distante, Daniel, era uma guerra televisionada, é uma guerra que você Fica sabendo porque tá acontecendo, beleza, tá, mas não tá mexendo diretamente com o seu dia a dia. No momento em que a capital da Rússia, né, no momento que Moscou tá sendo atacado, a gente vê que o impacto é bem maior. E mais uma vez, de novo, contra a mesma refinaria. Esse ser de novo, Daniel, passa uma certa ideia que é: eu já ataquei, vocês sabem que eu consigo atacar, e eu vou atacar de novo, e vocês de novo não vão conseguir se defender.
O impacto é tão grande, Daniel, que a Rússia ela tá tendo um problema sério com o refino do petróleo. Sempre importante lembrar, a Rússia é uma superpotência energética, a Rússia produz muito gás natural e muito petróleo. A Rússia ela tá sendo tão atacada nas suas refinarias que ela começou a importar petróleo refinado. Isso é impressionante, né? Então tá importando combustível porque está passando por um processo de desabastecimento, porque não consegue dar conta de refinar o petróleo que ela mesmo consome.
Quando a gente fala sobre essa refinaria, Daniel, de Krapotnye, né, que tá sendo atacada, ela responde por 40% da gasolina e 50% do diesel consumidos na capital Moscou. No momento do ataque, Vladimir Putin estava na cidade de Kazan, que fica a 700 km, cerca de 700 km a leste de Moscou, recebendo autoridades da ASEAN, aquela integração regional lá do Sudeste Asiático. Você imagina, Daniel, você é assim, todo mundo que tá na conferência ficar sabendo que teve um ataque, mais um grande, contra uma refinaria importante em Moscou.
Segundo a Ucrânia, esse ataque, esses ataques, né, que colocando plural, é uma reação a um ataque importante que foi feito pela Rússia contra um monastério, um monastério histórico, né, de 1000 anos, que fica em Kiev, que é o Monastério de Lavra de Kiev Pechersk. É que pegou fogo, né? Você vai ter um longo trabalho de reconstrução de um monastério histórico na cidade de Kiev. Então, uma forma de demonstrar, claro, é uma retaliação, mas também é uma capacidade de mostrar que, olha, eu consigo chegar aí, tá?
Dá para eu chegar. Isso tem incentivado inclusive outros países, como Reino Unido, a aumentarem a sua ajuda, né, sua ajuda militar para a Ucrânia, já que os resultados militares contra a Rússia estão sendo vistos.
Daniel, tivemos nessa semana a primeira reunião do Fed com o novo presidente o Kevin Walsh. E para surpresa de Donald Trump, ou não, nós tivemos o Fed decidindo pela manutenção da taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. É a quinta reunião consecutiva sem alteração nos juros. E digo mais, nós já temos aí a possibilidade do Fed voltar a aumentar a taxa de juros ainda esse ano. Parece que deu errado, muito errado, a estratégia do Donald Trump de trocar o presidente, acreditando que o novo presidente de alguma forma poderia reduzir a taxa de juros.
Aliás, nós tivemos um Pet Invest não tem muito tempo, quando ele foi nomeado presidente, destacando exatamente isso. Podia trocar o presidente que a política de juros do Fed não ia ser alterada, não foi alterada na primeira reunião, e tudo leva a crer que não será alterada nas próximas reuniões. E que diante de uma pressão inflacionária evidente, onde a inflação nos Estados Unidos está em 4,2% ao ano para uma meta de 2%, o Fed mantém a taxa de juros agora e, a depender do que aconteça nos próximos meses, pode voltar a aumentar a taxa de juros justamente como mecanismo de controle inflacionário.
O Trump não reclamou, Tanguy. Parece que o Trump andou muito ocupado nos últimos dias com outras questões, etc. Mas não se pronunciou sobre essa decisão do Federal Reserve, que manteve a taxa de juros. Mas certamente ele tava tratando de questões mais importantes, não é verdade?
Daniel Souza, o Trump ele voou para França. A gente sabe que o Trump não é um grande fã da França, né, meio hater da França e tal, mas ele engoliu o orgulho dele, foi lá para a cúpula do G7 que aconteceu entre segunda e ontem, né, então entre o dia 15 e 17, né, então foi de segunda a quarta-feira, que aconteceu um Yevian Leban. E como a gente comentou aqui, o Macron, ele tava preocupado de o Trump tentar esvaziar a cúpula, como ele fez na cúpula do G7 do ano passado, que aconteceu no Canadá.
No meio da cúpula, o Trump levantou e foi embora, pegou o aviãozinho dele e voltou para os Estados Unidos, o que esvazia, né, Daniel, é um país importantíssimo ali para o G7 e tal. Então, como forma de manter o interesse— olha o ponto ao qual chegamos, tá? Como forma de manter o interesse de Donald Trump na cúpula, a França anunciou que receberia Donald Trump em Versalhes, né, no Palácio de Versalhes. E o discurso do Trump era que isso era uma homenagem aos 250 anos da independência dos Estados Unidos, que vai ser comemorado daqui a alguns poucos dias, né, dia 4 de julho agora de 2026.
A gente vai ter a celebração dos 250 anos. Lembrando que o Palácio de Versalhes tem de fato um papel importante. Foi em Versalhes que o Rei Luís XVI decidiu apoiar militarmente os revolucionários americanos, né, que foram liderados pelo Benjamin Franklin, no ano de 1778. 5 anos depois, em 1783, foi lá também que você teve o reconhecimento formal da independência dos Estados Unidos. Então, o que o Macron disse, né, nesse discurso, é que abro aspas aqui, esse não é um jantar de gala nem nada do gênero, é um jantar para celebrar os 250 anos da independência dos Estados Unidos, porque a França desempenhou um papel nesse processo.
Não é a primeira vez que Emmanuel Macron usa a grandeza de Versalhes para impressionar outros líderes, né? Então ele recebeu já em Versalhes, por exemplo, o Vladimir Putin, ele já recebeu lá o próprio Rei Charles III, né, o rei britânico. Recebeu o então, na época, né, príncipe herdeiro do Japão, né, o Naruhito, em 2018. Então há uma certa ideia de demonstrar ali uma pompa, uma grandeza e tal. Então isso foi uma maneira também ali de tentar estabelecer uma ponte de diálogo com Donald Trump, que a gente sabe que gosta da— ele não gosta da fama, ele gosta da realeza.
Pega ele. E aqui, Daniel, nós temos uma ponte aérea direta para geleia da Shakira. Porque aparentemente rendeu, viu, Daniel? Essa visita de Donald Trump a Versalhes rendeu assunto. Conta para mim, Daniel.
Pois é, Tanguy, rendeu muito. E o que mais chamou atenção é como Donald Trump é previsível, né, rapaz? Meu Deus do céu, o Macron pensou: como é que eu faço para o Donald Trump não ir embora cedo? Já sei, vou oferecer um jantar no palácio. Aí eu tenho certeza que ele vai cancelar agenda, que ele vai ficar. Que ele vai esquecer do Fed, que ele vai esquecer de todas as preocupações que têm realmente cercado a presidência dos Estados Unidos nos últimos tempos.
E nós tivemos aqui várias tiradas fantásticas. Por exemplo, Donald Trump disse: "É a coisa de verdade". Trump ficou maravilhado, maravilhado! E é absolutamente irônico porque o Trump modelou o salão de Mar-a-Lago baseado em Versalhes. Só que ele olhou ali: "Nossa, isso aqui é de verdade! Meu Deus do céu, que coisa boa!" E o Trump elogiou a Brigitte Macron. Ele disse o seguinte: "Brigitte é uma mulher incrível". Meses antes, ele zombou do casamento dos Macrons.
Meu Deus do céu! Meu Deus do céu! E o Trump assinou o acordo com o Irã entre um prato e outro e disse: "Assinei em Versalhes". Aí ele se sentiu importante, rapaz, ele se sentiu um rei, ele se sentiu alguém absolutamente poderoso porque assinou um documento, um tratado de paz em Versalhes, como já tivemos outros ao longo da história. Mas fica aqui a dica: você quer encantar Donald Trump? Você quer aquecer o coração de Donald Trump?
Você precisa de um favor? Você quer que ele fique mais tempo? Ofereça um banquete. O rapaz não abre mão de um bom banquete. Se for um palácio, se for algo suntuoso, então é irrecusável para ele, porque o ego fica massageado. E você aí pode fazer os seus pedidos, pode pressioná-lo, pode demandar. E lembre-se sempre, Donald Trump tende a ter a opinião da última pessoa com a qual ele conversou. Então é importante também conversar com ele bem perto do momento da decisão.
Perfeito, tem uma coisa aí que Macron entendeu isso, né? Macron Pô, eu vou levar esse coroa aí lá para Versalhes. Irresistível, vai resistir, ele vai ficar feliz, ele vai ficar animado. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria fazer um convite a você que tá nos ouvindo, você que tá ouvindo o Petit Jornal enquanto assiste aos jogos da Copa. Nesse momento, Daniel, tá acontecendo um brilhante Suíça e Bósnia.
Suíça abriu o placar, tá, Daniel? Eu sei que você tava preocupado com esse jogo aí. Suíça abriu o placar, tá 1 a 0 para Suíça nesse momento que a gente tá gravando, 35 do segundo tempo. E você que tá em momento de Copa do Mundo, quer saber mais sobre as entranhas da Copa do Mundo? A gente vai oferecer uma aula gratuita na próxima terça-feira sobre a FIFA. Entra lá no nosso site peticursos.com.br para conhecer os detalhes, como é que vai ser, em que momento que vai ser.
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Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de Pétio é uma mídia pequena, não tem o suporte de um conglomerado ou de uma produtora, é um produto artesanal e por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante e fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.
No descritivo desse episódio tem várias alternativas, tem a chave PIX, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petional, Você pode inclusive colocar o Pix recorrente e isso acaba sendo uma forma muito bacana de apoiar o Pet Jornal. Chave no descritivo desse episódio. Tem também o link do Apoia.se, do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
É isso, Daniel Souza. Amanhã temos episódio que é o Pet Invest, como sempre na sexta-feira de manhã. A gente grava no YouTube, você é muito bem-vindo para curtir o episódio junto com a gente ao vivo no YouTube. Às 9 horas da manhã. E naturalmente vai para o podcast também, para você ouvir com seu conforto, na hora que você quiser, do jeito que você quiser. Amanhã nos vemos. Daniel Souza, um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!
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