Episódios de Petit Journal

Revelado o acordo de paz - BP 1096

18 de junho de 202632min
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Os detalhes do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã finalmente vêm a público, permitindo uma análise mais precisa sobre concessões, garantias e mecanismos de implementação. No episódio discutimos os principais pontos do entendimento, os interesses de cada lado e as dúvidas que permanecem sobre sua viabilidade no longo prazo. Também analisamos a declaração final do G7, os temas prioritários abordados pelos líderes das principais economias industrializadas e os sinais emitidos sobre comércio, energia, segurança internacional e crescimento econômico.
Falamos ainda sobre a participação brasileira como país convidado e as razões que levaram o Brasil a não aderir a algumas das declarações emitidas durante o encontro. Avaliamos os impactos diplomáticos dessa postura e o que ela revela sobre a política externa brasileira em um cenário internacional cada vez mais fragmentado.
Na Geleia da Shakira, Donald Trump chama atenção ao afirmar “I'm the boss” durante uma reunião do G7, gerando reações entre líderes e diplomatas presentes.
#EstadosUnidos #Irã #G7 #Brasil #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Souza

HostEconomista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos4
  • Negociações de PazCessar-fogo amplo incluindo Líbano · Respeito mútuo à soberania · Prazo de 60 dias para acordo final · Remoção do bloqueio naval americano · Estreito de Hormuz: livre passagem comercial · Plano de reconstrução do Irã ($300 bilhões) · Encerramento das sanções contra o Irã · Programa nuclear iraniano
  • G7· InternacionalApoio à Ucrânia · Celebração do acordo EUA-Irã · Oposição a alterações no status quo no Pacífico · Preocupação com dependência de terras raras e minerais críticos · Participação brasileira e críticas à declaração
  • Geopolítica: Suíça, Venezuela, Irã e G7Crítica ao excesso de cuidado para não desagradar Trump · Não menção a mudanças climáticas · Rejeição da declaração sobre Ebola sem menção à OMS · Rejeição da declaração sobre desenvolvimento focada em investidores · Rejeição da declaração sobre desequilíbrios macroeconômicos focada na China · Distanciamento político brasileiro
  • Geleia da Shakira: Papa e Melania TrumpDeclaração 'I'm the boss' · Donald Trump · Emmanuel Macron
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Tanguy Baghdadi:Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1096. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 19 horas e 29 minutos da quarta-feira 17 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy, vírgula, ou Bagdadi, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e mais tarifas a caminho, preocupado, com insônia, sem dormir, por conta dessa dinâmica internacional extremamente preocupante que temos vivenciado nos últimos tempos. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas e começamos, Professor Bagdadi, com um documento que vale ouro, vale ouro aqui para o nosso podcast. Temos o acordo, "Habemos acordo" entre Estados Unidos e Irã e temos o detalhamento das condições do acordo. Tanguy Bagdadi, que acordo é esse, rapaz? Tivemos uma rendição do United States of America. Isso, tudo bem? Vamos a isso.

Daniel Souza:Tudo bem, Daniel Souza, com esse, vamos lá para mais esse episódio, bate-papo 1096. Um prazer tá aqui de novo, né, Daniel Souza, para falar das maluquices que acontece o tempo todo, todos os dias, toda hora. E finalmente, Daniel, depois de muita promessa, vai sair, não vai sair, vai sair, não vai sair, Os Estados Unidos divulgaram o texto, né, pelo menos os principais pontos do acordo que foi assinado com o Irã. Na verdade, a gente tá falando que foi assinado, é, a previsão é que ele seja de fato assinado na sexta-feira. A gente tá gravando esse episódio aqui na noite de quarta, né, então depois de amanhã a gente deve ter assinatura, provavelmente em Genebra, na Suíça. Mas ao que tudo indica, já tá tudo alinhado, Daniel, tá tudo acertado. Para na sexta-feira finalmente a gente ter a aprovação. Eu fiquei na dúvida, Daniel, se esse acordo ele não foi redigido em Teerã, porque eu não conseguiria imaginar que os Estados Unidos fizessem tantas concessões para o Irã. E me parece que tem uma pressa que é justificada aí só pela eleição nos Estados Unidos, né? Popularidade do Trump, ela tava tendo recorde mínimo. A gente tá falando de uma aprovação de 35% do governo americano. Numa eleição que vai acontecer, para uma eleição que vai acontecer em novembro, e que pode tornar o governo de Donald Trump um pato manco, né? Passar 2 anos aí sem base parlamentar e tendo que dar um jeito de governar. Sabe-se lá como é que ele vai fazer se isso de fato acontecer. Mas o fato é que nós tivemos hoje a apresentação, né, divulgação dos 14 pontos do acordo que foi alinhado entre Estados Unidos e Irã. E vários deles aqui merecem um olhar, né, Daniel? Um olhar um pouco mais pormenorizado. Então vamos começar por alguns pontos aqui, Daniel. A gente vai trocando aqui, mas eu acho que tem várias coisas que eu também queria ouvir a sua opinião, né? O que que você acha disso? Primeiro ponto, Daniel, já fala sobre o cessar-fogo amplo que inclui o Líbano. E aqui, Daniel, já nesse primeiro ponto a gente tem a materialização de um problema que os Estados Unidos estão tendo com Israel. Israel não concordou com nada que envolvesse o Líbano. E o que a gente tem a certeza, portanto, nesse acordo é que Israel de fato não foi incluído nas negociações. Israel já tinha dito que não tinha sido incluído. Isso aqui é a prova cabal de que não foi incluído, porque Israel sempre se negou a considerar a possibilidade de não fazer mais ataques contra, que na verdade em território libanês, contra o Hezbollah. O primeiro ponto do acordo já fala no cessafogo amplo e que inclui o Líbano Esse é um argumento que desde o início era defendido pelo Irã. O Irã que sempre diz: gente, o Líbano faz parte dessa parada aqui, não dá para considerar isso como algo separado. Como ponto 2, Daniel, aí já que a gente falou sobre um cessar-fogo que envolve também o Irã, claro, né, o Irã tá ali no centro da questão, é o ponto 2, fala sobre o respeito mútuo à soberania. Isso aqui também é um ponto muito sensível, tá, Daniel, porque desde 1979 As acusações que Irã e Estados Unidos fazem de parte a parte são de violações à soberania um do outro. O próprio Trump, por exemplo, já incentivou publicamente manifestações para derrubar o regime iraniano. Isso é uma violação de soberania, tá metendo no assunto que é do outro país. E os Estados Unidos já acusaram agentes iranianos de planejar o assassinato do próprio Trump. Então, o que a gente tá dizendo a partir de agora é, gente, com esse acordo Isso não vai mais acontecer. E a gente mantém a ideia dos 60 dias. A gente já falou sobre isso, né? Olha, 60 dias, o Trump parece, ele correu para dizer que, olha, 60 dias não é nem um prazo apertado, dá para fazer. Então, só relembrando, a gente tem, vai ter assinatura do acordo amanhã, depois de amanhã, na sexta-feira. E são 60 dias até você fechar o acordo definitivo, o acordo final. Esse é o acordo que vai valer. E tudo isso aqui, portanto, passa a vigorar de maneira irrevogável a partir desses 60 dias, quando esses 60 dias finalmente forem concluídos.

Tanguy Baghdadi:É interessante, Tanguy, porque esses 3 primeiros pontos são vitórias inequívocas do Irã. Afinal, o fim imediato das operações militares, incluindo o Líbano, é o que o Irã queria. A não interferência mútua é o que o Irã queria. Afinal, o Irã não interfere em questões internas dos Estados Unidos. Essa questão do prazo do acordo final em até 60 dias é algo que também é favorável ao Irã, porque ganha tempo sem ter ali uma pressão militar mais forte, mais contundente na dinâmica da negociação. E tem mais, o ponto 4, ele estabelece a remoção do bloqueio naval americano. O tráfego de embarcações iranianas será reestabelecido, as forças americanas serão retiradas das proximidades do Irã em até 30 dias após o acordo final. Vitória do Irã de novo. Ponto 5: Estreito de Hormuz, livre passagem comercial. O Irã garantirá a passagem segura e gratuita de embarcações comerciais pelo Estreito de Hormuz por 60 dias em pleno restabelecimento. Em até 30 dias, o Irã dialogará com o Sultanato de Omã sobre a administração futura do estreito. Aqui tem uma pegadinha, hein? Aqui tem a pegadinha: em conformidade com o direito internacional, o que é algo um pouco vago, porque a gente sabe que questões relacionadas ao direito internacional do mar nem sempre são absolutamente preto no branco.

Daniel Souza:Você falou sobre a abertura do Estreito de Hormuz, só um ponto que é importante aqui é: para o Estreito de Hormuz ser reaberto, o que você precisa é a remoção das minas que foram colocadas pelo Irã. Quem vai fazer essa remoção segundo o acordo é o Irã, ou seja, quem vai determinar o ritmo no qual isso aqui vai acontecer são os iranianos. Então o Irã disse que a operação para remoção das minas navais e obstáculos técnicos devem ser concluídas em 30 dias e que isso vai ser feito ali em coordenação com o Irã, com o Omã, perdão, como você falou, Daniel. Mas eu acho que um ponto aqui é, tá na mão do Irã, é o Irã que vai determinar o ritmo. Pode ser antes, pode ser depois, mas é o Irã que vai estabelecer como é que isso vai ser definido, qual vai ser o ritmo. E outra coisa, o Irã também garante que não haverá taxas. Eu acho que o fato disso aqui ser falado o tempo todo tá dando inclusive força para o fato de que o Irã tá dizendo, olha, não vai ter taxa agora, né, mas depois a gente pode ver no acordo final. Isso inclusive provavelmente o Irã vai colocar como elemento importante, né, querer controlar. Aí a gente falou sobre isso há pouco tempo, não vai ter tarifa, mas pode ter taxa, né, pode ter algum tipo de cobrança. Os Estados Unidos bateu o pé que não pode ter, mas o Irã colocou isso na cabeça que deveria ter. É um tema que está sendo considerado também.

Tanguy Baghdadi:E agora eu ratifico a ideia da administração futura do estreito. Que administração futura do estreito é essa? Quer dizer, por que que tem que ter administração futura do estreito incluindo ali justamente o Sultanato de Omã, que tá do outro lado do estreito de Hormuz? E aí vem os dois pontos que, na minha avaliação, pelo menos do ponto de vista econômico, São absolutamente inacreditáveis. O ponto número 6 é o plano de reconstrução do Irã, onde os Estados Unidos, com parceiros regionais, ou seja, vai sobrar para a galera do Golfo Pérsico, eles acabam assumindo o compromisso de injetar pelo menos $300 bilhões. Isso é quase o PIB iraniano, é muita coisa. E isso aqui acaba sendo, na prática, uma indenização de quem é derrotado numa guerra. E um outro ponto: o encerramento das sanções que os Estados Unidos impuseram. Quer dizer, os Estados Unidos comprometem-se a encerrar todas, todas as sanções contra o Irã, incluindo resoluções da ONU, da Agência Internacional de Energia Atômica, sanções unilaterais primárias e secundárias. Quer dizer, o Irã, depois de muitos e muitos anos, se esse acordo for cumprido, não estará mais sancionado. O Irã tem uma vitória maiúscula nessa guerra. Ele vai ser reconstruído, pelo menos 300 bilhões de dólares vão ser injetados na economia do país para reconstrução, e nós temos ali esse compromisso de remover todas as sanções. Não vai demorar muito tempo para que a economia iraniana volte a ganhar força, volte a crescer. E isso certamente vai ter repercussões no equilíbrio regional muito importante, como aconteceu no passado, no acordo de 2015, onde você teve sanções sendo removidas, a economia iraniana voltou a crescer de maneira muito veloz, muito rapidamente. Isso aqui é algo que me chama demais a atenção.

Daniel Souza:Daniel, e tem um pano de fundo importante sobre essa questão dos 300 bilhões. Esses 300 bilhões, os Estados Unidos estão fazendo de tudo para dizer que não é dinheiro dos Estados Unidos, mas são fundos privados, tá tentando colocar ali os países do Golfo e tal. Agora, 300 bilhões é muito dinheiro. O pano de fundo que eu queria trazer aqui, Daniel, é que esse é um tema que vai ser particularmente espinhoso para o governo Trump pelo fato de que quando aquele acordo foi assinado lá em 2015, o governo de Barack Obama, que a gente sabe que o Trump ele quer fazer tudo melhor do que o Obama, Ele quer sempre superar o Obama, ele quer fazer coisas mais espetaculares do que Obama. O governo Obama garantiu a liberação de 1,7 bilhão de dólares em dinheiro vivo para o Irã. Isso é parte de uma grana que tava congelada e tal, fez parte do acordo. Então os Estados Unidos transferiram em dinheiro vivo 1,7 bilhão para o Irã. O Trump sempre criticou isso demais. 1,73, 1,7 bilhão. O governo de Donald Trump tá liberando, né, tá, enfim, garantindo para o Irã 200 vezes isso. Ele tá garantindo para o Irã 300 bilhões de dólares, né, quase, quase 200 vezes isso. Então esse é um ponto que mostra uma pressa do governo Trump. O que o Trump tá dizendo é: meu amigo, quanto é que eu tenho que pagar para a gente encerrar esse negócio? E aí a jogada do Irã foi: cara, eu preciso sobreviver durante algum tempo, eu preciso manter a guerra acontecendo vão tentar recuar, eu vou manter a guerra, vai continuar acontecendo. Matou o líder supremo, a coisa vai continuar. E tá aí, esse é um outro ponto, outra camada de uma vitória maiúscula do Irã na mesa de negociações.

Tanguy Baghdadi:O ponto 8: o programa nuclear iraniano não adquirirá nem desenvolverá armas nucleares. O Irã nunca havia dito que faria diferente. Também nada impede que o Irã no futuro mude de opinião e eventualmente avance no seu programa nuclear.

Daniel Souza:Sobre esse ponto 8 aí, Daniel, o Irã ele já garantiu que não teria bombas nucleares quando assinou o TNP em 1970, né? Então não é exatamente uma novidade. E o ponto é, esse é o ponto que vai ter que ser visto, é que se estabeleceu o chamado downblending. O que que é downblending? O Irã ele tem urânio enriquecido a 60%. 60% é considerado algo perigoso porque se você chegar 90%, Você tem urânio para fazer uma bomba nuclear. Downblending é você misturar esse urânio que tá enriquecido a 60% com urânio que tá enriquecido a taxas mais baixas. Então, na média, esse urânio ele fica diluído. É o urânio enriquecido a taxa mais alta, ele vai ser diluído. Tem um detalhe importante aqui. Lá no acordo de 2015, que foi tão criticado pelos Estados Unidos, né, na verdade pelo Trump, que foi o acordo do Obama, esse urânio ele seria enviado para fora do Irã, ele seria mandado para Rússia. Nesse acordo aqui, da maneira como tá, esse urânio não sai do Irã. O urânio continua lá e vai ser fiscalizado pela IAEA e tal, o que também é um sinal de que o Irã ganhou. O Irã consegue nesse ponto aqui um acordo melhor com Trump, para ele, né, mais confortável para o Irã do que o Obama tinha conseguido lá em 2015.

Tanguy Baghdadi:E do ponto de vista do petróleo, quer dizer, a exportação de petróleo iraniano, ela retornará? Aliás, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitirá autorização para exportação de petróleo bruto iraniano, produtos petrolíferos e serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros de transporte. Na prática, a gente tá falando de um país que volta a ter normalidade no mercado internacional de petróleo, algo que não tinha antes. O Irã consegue com isso exportar para quem ele quiser, receber pagamentos de quem ele quiser e ter ali os respectivos seguros para que o seu operacional funcione. O ponto 11, que também é inacreditável: liberação de ativos congelados. Ativos congelados há décadas, inclusive. Os Estados Unidos disponibilizarão integralmente os fundos e ativos iranianos congelados ou restritos. Os recursos deverão estar disponíveis para pagamento a qualquer beneficiário designado pelo Banco Central da República Islâmica do Irã. Olha, se esse acordo realmente ele for implementado, o Irã está na melhor situação do ponto de vista econômico desde 1979. A gente está falando de um país que vai ser 100% normalizado no que diz respeito às suas relações junto à comunidade internacional. Se alguém me disser que o Donald Trump é um espião iraniano, eu tendo a acreditar, porque realmente ninguém fez tanto pela República Islâmica do Irã quanto o Donald Trump diante dessa, desse acordo absolutamente indecente. A gente está falando de um acordo que do ponto de vista americano realmente é uma rendição. Os iranianos agora têm os seus ativos descongelados, não tem mais sanções, podem exportar para quem quiserem, tem ali 300 bilhões de dólares para reconstrução. Tudo isso em troca de quê? De não ter um programa nuclear que eles não iam ter, ou pelo menos não concretizaram ou não concretizariam uma arma atômica, tudo isso para ter em troca abertura do Canal de Hormuz, que já estava aberto antes da guerra? É muito inacreditável quando a gente olha para todos esses termos que acabaram sendo estabelecidos. Isso mostra um desespero de um presidente que percebe o desgaste, o derretimento de sua popularidade em função do processo inflacionário que os Estados Unidos estavam vivenciando e topou qualquer coisa, qualquer coisa, para que o Irã reabrisse o Estreito de Hormuz. A gente havia destacado aqui no PetJornal que o Estreito de Hormuz não tinha como ser aberto na força, que não ia funcionar, não tinha como fazer. Ah, porque eu vou invadir o Irã? Não vai. Ah, porque eu vou terraplanar o Irã? Não vai. Todas aquelas ameaças que o Trump acabou fazendo se mostraram ameaças absolutamente vazias. E é algo muito impressionante esse acordo. É claro que a gente já sabia que era um acordo favorável ao Irã, mas eu confesso que não imaginei que fosse tão favorável. Os Estados Unidos cederam em tudo, absolutamente tudo que o Irã queria ele conseguiu nesse acordo.

Daniel Souza:E aí, Daniel, tem uns pontos 12, 13 que são mais ali o que que vai ser feito para frente e tal, mas o ponto 14 também pegou de surpresa, Daniel. Ponto 14 Eu, se tivesse que botar dinheiro, eu não botaria dinheiro. Falei, isso aqui é impossível aparecer. O ponto 14 diz que o acordo será ratificado por uma resolução vinculante, rufem os tambores, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. A ONU aparentemente tem um papel. Os Estados Unidos, Daniel, particularmente o governo de Donald Trump, sempre foi extremamente resistente à ideia da ONU ter algum papel importante. Vamos lembrar, Daniel, que o Donald O Trump, a gente acompanhou isso aqui muito de perto aqui no PetJornal, ele criou aquele Conselho da Paz, que era a princípio para lidar com Gaza, mas depois a gente viu que não era nem só para lidar com Gaza, era um mecanismo paralelo, uma alternativa ao Conselho de Segurança. Foi por isso que o Brasil não entrou, foi por isso que os europeus não entraram, praticamente todos e tal, porque claramente era uma forma de esvaziar a Organização das Nações Unidas e principalmente o seu Conselho de Segurança. Nesse acordo, como forma de fazer o monitoramento, a fiscalização e tal, o acordo entra em vigor a partir do momento em que o Conselho de Segurança aprovar uma resolução vinculante. É uma coisa que me parece que é uma sinalização para isso, é que a gente teve hoje um encerramento da cúpula do G7, né, que aconteceu na França, lá nos Alpes franceses, e o Trump ele fez um agradecimento a Vladimir Putin e a Xi Jinping pela manutenção da neutralidade, né, durante o conflito. Então, olha, a guerra aconteceu durante 3 meses aí, obrigado por vocês não terem se metido. Então talvez tenha sido uma sinalização de beleza, vocês não se meteram, agora também eu vou levar isso lá para o Conselho de Segurança, lá a gente discute. No Conselho de Segurança tem os Estados Unidos com 2 aliados, pelo menos nominalmente, né, França e Reino Unido, sabe-se lá, mas são 2 países que devem aceitar esse acordo, que querem que o acordo aconteça. E mais China e Rússia, que poderiam trazer algum tipo de dificuldade, que teoricamente estariam sendo contemplados por esse acordo. A gente descobre que o Donald Trump valoriza, pelo menos em algum nível, a participação e a importância do Conselho de Segurança das Nações Unidas, né, Daniel?

Tanguy Baghdadi:É, Tanguy, essa parte realmente surpreendeu demais, porque qual a necessidade para os Estados Unidos de uma resolução do Conselho de Segurança? Me parece que é mais uma vitória do Irã. Quer dizer, você passa a ter uma chancela internacional do acordo com uma resolução vinculante aprovada pelo Conselho de Segurança. Foi uma exigência do Trump. O Trump não pediu isso. Ah, nossa, precisamos ter a chancela da ONU para esse acordo que nós estamos celebrando agora. É muito impressionante. Realmente eu fiquei muito impactado pelos termos do acordo, uma vez que a gente está falando de um acordo que é totalmente favorável ao Irã. A observação que você fez no início me parece bastante feliz. Parece um acordo escrito inteira.

Daniel Souza:Daniel, muita coisa pode ter surpreendido aqui. Tem uma coisa que não surpreende, na verdade, que é a Insider Store, né? Se ela surpreende, ela surpreende do ponto de vista positivo. Agora, comprou produto da Insider, você já sabe que vai levar tecnologia, qualidade, design, você vai levar durabilidade. A gente tá falando sobre uma empresa absolutamente consolidada, uma marca absolutamente consolidada, e que tem tudo que você precisa para equipar o seu guarda-roupa para dia de calor, para dia de frio, para as férias, para momento de trabalho, para ir para academia, para o happy hour, para tudo que você precisa, para o trabalho, para o fim de semana. Tudo isso com desconto que é oferecido com o link do Petit Jornal. Tem um link que tá na descrição desse episódio que te oferece desconto Dá uma olhada lá, entra lá, você vai ver primeiro desconto que você consegue. Esse desconto se soma inclusive aos descontos do próprio site, uma série de vantagens por lá para todas as roupas que você precisa ao longo da sua rotina. São roupas tecnológicas que garantem, por exemplo, que você não precise passar. São roupas leves, são roupas versáteis, né, que você consegue utilizar em diversos cenários, diversos contextos diferentes. Insider Store, aproveita porque o link tá com desconto muito interessante. Dá uma olhada lá e você ainda ajuda o PetJornal utilizando o nosso link.

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Daniel Souza:Daniel, super breaking news, acabou de sair, tem alguns poucos minutos, né, já tava gravando aqui, sai informação de que o presidente do Irã, é o Pesechian, ele assinou digitalmente o acordo que foi, que a gente acabou de destrinchar. Entrou lá no DocuSign, Daniel, quer começar? Ele botou quero, rascunhou ali, Daniel, aquela assinatura meio esquisita que aparece no computador e assinou. E portanto, no domingo em Genebra a gente deve ter a cerimônia, tá? Mas o acordo, aparentemente as assinaturas já começaram. Você tá falando sobre o G7, Daniel? Só queria fazer um comentário rápido sobre o Brasil, né? O Brasil, ele foi convidado a participar do G7. Só que o Brasil aparentemente estava meio deslocado, viu, Daniel? A crítica brasileira faz todo sentido, é a crítica de que os acordos do G7, na verdade as declarações, né, do G7, foram 5 declarações assinadas, elas tiveram cuidado excessivo para não desagradar Donald Trump. Então tá muito claro que o acordo, toda a linguagem do acordo era todo muito voltado para não melindrar o presidente dos Estados Unidos e não impedir, portanto, que uma declaração fosse finalizado. Por exemplo, a crítica brasileira é que não houve nenhuma menção a mudanças climáticas. Claro, da nossa pega, as últimas resoluções todas do G7, todas elas falam sobre mudanças climáticas. De repente não tem. Ora, o motivo, segundo o Brasil, é muito claro, né? O motivo é que você não quer que o Donald Trump se enfureça, diga que não vai assinar, não traga o acordo e tal. Então o Brasil, ele em alguns momentos da reunião, ele ficou meio deslocado no sentido de, olha, isso aqui eu não vou assinar. Esse aqui tem uma linguagem que não me agrada e tal. Um outro acordo, não, outra declaração que o Brasil, aliás, uma das declarações que o Brasil não assinou foi a declaração que fala, por exemplo, sobre ebola. A gente sabe que tá tendo um surto de ebola, a gente já falou sobre isso aqui outras vezes, na República Democrática do Congo, que aliás empatou com Portugal hoje, né, breve lembrete aqui, e Uganda, né, também outro país que tá tendo surto de ebola. Você tem uma declaração que fala sobre isso e que não menciona a OMS. O que o Brasil diz é: não vou assinar. Bom, tem que ter OMS, é claro que tem que ter. Só que se tiver OMS, provavelmente Donald Trump não vai aceitar fazer parte. O Brasil também rejeitou uma declaração que fala sobre desenvolvimento. Essa declaração sobre desenvolvimento, ela diz que a maneira de promoção do desenvolvimento é por meio da construção de boas— construção de bom ambiente, perdão, para os investidores. Então, o que a gente tem que fazer para promover o desenvolvimento é permitir que os investidores tenham liberdade, tenham segurança e tal. Que o Brasil tá dizendo é: isso é insuficiente, isso é despolitizado, não é só assim que você cria desenvolvimento. Então, o Brasil também não aceitou fazer parte. E o Brasil também, em determinados momentos, Daniel, não assinou a declaração, por exemplo, que fala sobre desequilíbrios macroeconômicos, porque a declaração dá a entender que o problema é só China. Os equilíbrios macroeconômicos é por causa da China, China, China, China, China. E o que o Brasil tá dizendo é: tem um elemento aí que é, são impactos de um comércio unilateral que tá colocando tarifa. Isso não é a China, são os Estados Unidos, e você não coloca isso na declaração. Então o Brasil, em determinados momentos, Daniel, foi meio reticente com relação a essa, esse conjunto de declarações, o que mostrou um certo distanciamento político brasileiro, ainda mais no momento no qual Donald Trump acabou de recolocar tarifas com relação ao Brasil, né? Enfim, o Trump fez uma série de declarações sobre os Bolsonaro, se confundiu todo, disse que o filho do Bolsonaro foi preso porque tava à frente das pesquisas. Então o clima do Brasil com os Estados Unidos e com alguns outros países do G7 não era dos melhores, Daniel.

Tanguy Baghdadi:Thank you. Avançamos para geleia da Shakira de hoje.

Daniel Souza:A geleia do Shakira continua falando sobre G7, né? Continua sendo o Trump no G7. Me conta aí, Daniel.

Tanguy Baghdadi:Thank you. O Trump chegou com cerca de 1 hora de atraso à sessão matinal do G7 de hoje. O secretário do Tesouro, Bessant, ocupava a cadeira do presidente americano quando Emmanuel Macron iniciou a sessão. Ao entrar, Trump parou na ponta da mesa e disse: "Eu sou o chefe. I'm the boss." Fala recebida com risos e, em seguida, ele se sentou ao lado de Macron. Ô Tanguy, essa fala só tem graça porque é o Donald Trump. Não teria graça se fosse o Macron dizendo, se fosse o chanceler da Alemanha, se fosse a primeira-ministra do Japão. Mas o Trump tem graça, porque o Trump gosta de vestir esse personagem. E a gente observou hoje que Donald Trump é chefe, sei lá, vai saber, né? Sei lá, fiquei muito mal impressionado com "the art of the deal". A capacidade de negociação de Donald Trump parece estar enferrujada. E ele precisa reafirmar que ele é boss, porque senão as pessoas podem esquecer que ele é boss, podem esquecer que ele é presidente dos Estados Unidos da América, o que mostra uma certa insegurança também. Você precisa ficar o tempo todo dizendo que você é bom, que você é maravilhoso, que você é fantástico, é porque talvez você, bem lá no seu íntimo, não se sinta tão maravilhoso, tão bom e tão fantástico como você tenta projetar.

Daniel Souza:Mas duas semaninhas de negociação, o Irã garantiu um lugar, inclusive no G7, viu, Daniel? Ia virar G8. Não, o Irã foi admitido aqui, importante e tal. Então tem isso também, né, Daniel? Ele é o boss ali, mas se insistisse um pouquinho mais, até o Irã conseguir um lugar nesse clubezinho dos países mais ricos aí, né? Pelo menos as fortunas mais antigas. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio, deixando um convite para todos os nossos ouvintes. A gente vai dar uma aula gratuita para falar sobre Dona FIFA. Como é que Dona FIFA se tornou importante desse jeito, poderosa desse jeito? Dá uma olhada nas nossas redes sociais, tem maneira de participar dessa aula gratuita que a gente vai oferecer na próxima terça-feira às 19 horas. É uma maneira inclusive de você entender como é que funciona exatamente o nosso projeto de cursos, o Petit Cursos. Você pode acessar lá petitcursos.com.br. Ou acessar o link que tá na descrição desse episódio, você já vai direto para o catálogo para você ver todos os cursos que tem lá. Você não precisa escolher um ou outro não, tá? Ai, não sei que curso que eu faço e tal. Você pode fazer todos, o sistema é de streaming. Tornando-se aluno, você tem acesso ilimitado, liberado a todos os cursos que estão lá. Aliás, tem curso sobre política internacional, curso de economia, curso que falam sobre elementos religiosos, regionais e tal. Tem curso de comunicação completo lá também. Acessa lá, petcursos.com.br.

Tanguy Baghdadi:Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PetJornal é uma mídia pequena, não tem aí o suporte de um conglomerado nem de uma grande produtora, é um trabalho bastante artesanal e por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante e por isso fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. E fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit Jornal. A chave Pix, inclusive, permite a você ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo. Tem o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

Daniel Souza:É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.

Tanguy Baghdadi:Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br.

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