Episódios de Petit Journal

O acordo de paz EUA-Irã - BP 1094

16 de junho de 202632min
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Estados Unidos e Irã anunciam um acordo de paz que reduz significativamente as tensões no Golfo Pérsico, mas ainda deixa uma série de lacunas sobre implementação, garantias e fiscalização. No episódio analisamos os pontos centrais do entendimento, as dúvidas que permanecem e os impactos imediatos sobre os mercados. A perspectiva de reabertura plena do Estreito de Ormuz derruba os preços do petróleo e altera as expectativas para inflação, juros e crescimento econômico ao redor do mundo.
Também discutimos a decisão do governo americano de restringir o acesso de estrangeiros ao mais novo produto da Anthropic, levando a empresa a retirar a ferramenta do ar para todos os usuários, além do referendo em que os suíços rejeitaram a proposta de limitar a população do país a 10 milhões de habitantes. Falamos ainda sobre as expectativas para a reunião do G7 em Évian-les-Bains, na França.
Na Geleia da Shakira, Donald Trump surpreende ao defender a realização de um evento do UFC nos jardins da Casa Branca durante as comemorações de seu aniversário de 80 anos.
#Irã #EstadosUnidos #Petróleo #Geopolítica #G7
Participantes neste episódio2
D

Daniel Souza

HostEconomista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos5
  • Negociações de PazTensão no Golfo Pérsico · Implementação e fiscalização · Reabertura do Estreito de Ormuz · Impacto nos preços do petróleo · Impacto na inflação e juros · Liberação de ativos iranianos · Programa nuclear do Irã · Relação EUA-Israel
  • Aquisição da AnthropicClaude Fable 5 e Claude Mythos 5 · Restrição a estrangeiros · Vulnerabilidades de software · Aceleração de ataques cibernéticos · Relação com a Casa Branca · Planos de IPO da Anthropic
  • Referendo na Suíça sobre populaçãoProposta de limitar a 10 milhões · Preocupações com migração · Dilema do envelhecimento populacional
  • Reunião do G7 em Évian-les-BainsMoldada por Donald Trump · Ausência de declaração final · Participação de países convidados · Ucrânia buscando financiamento
  • Festa de 80 anos de Donald TrumpEvento de MMA na Casa Branca · Pagamento em criptoativos da família Trump
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Daniel Souza:Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1094. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 19 horas e 15 minutos da segunda-feira, 15 de junho. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, vírgula, Obagdadi. Animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, atombante, descansado, tarifado e mais tarifas a caminho. E muito preocupado, quer dizer, menos preocupado do que ontem, ou não? Saberemos no episódio de hoje, a depender das novidades que serão trazidas aqui para a nossa análise. Nesse episódio temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Pagdati? Tudo bem? Vamos a isso!

Tanguy Baghdadi:Tudo bem, Daniel Souza, com S. Vamos lá para esse bate-papo 1094, abrindo a semana, abrindo os trabalhos. Deixo aqui as boas-vindas a você que está acompanhando a gente Nesse momento de paz, né, Daniel Souza? Pô, a gente fala tanto de guerra aqui, né? Temos aí um acordo de paz. A gente vai falar bastante sobre esse acordo no dia de hoje. Queria deixar aqui um abraço, boas-vindas a você, colocou a gente na sua rotina. É um prazer estar aqui com vocês mais uma vez. Daniel Souza, a gente começa hoje com algo que você ficou sabendo antes no Petinho Jornal. Na sexta-feira a gente gravou um Petinho Invest e a gente antecipou que havia possibilidade de um memorando ser finalizado, seria na Suíça, né, acabou não sendo, mas que seria finalizado no domingo. E batata, foi exatamente o que a gente falou, o acordo não está concluído ainda. Então agora a gente já sabe que tem uma data, né, a conclusão do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar essa fase, essa guerra atual, né, começou no dia 28 de fevereiro, deve ser assinado na sexta-feira, agora sim, na Suíça. Mas o fato, Daniel, é que nós tivemos o anúncio no dia de ontem, né, no domingo 14 de junho, de uma trégua abrangente que visa encerrar essa guerra, né, de novo, que começou com os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã no dia 28 de fevereiro, que enfim matou inclusive o líder supremo do Irã. E foi um acordo mediado pelo primeiro-ministro do Paquistão, o Shehbaz Sharif. Esse cara tá negociando há bastante tempo, né, desde o início ele tá lá negociando para cá, negociando para lá. E prever, Daniel, a reabertura do Estreito de Hormuz e a suspensão do bloqueio naval norte-americano ao Irã. E aí isso traz uma série de repercussões, porque aparentemente não há lá um acordo muito bem assentado, né, Daniel? Tem uma série de coisas que a gente vai ter que ver aí.

Daniel Souza:Ô, Tanguy, era isso que eu queria esmiuçar aqui com você. Eu fiquei procurando detalhes do acordo, eu fiquei procurando quais são os compromissos que os dois lados assumiram, porque acordos são feitos de compromissos, Tanguy. Eu cedo um pouco, você cede um pouco, e a gente acaba chegando a meio termo. Mas a gente está falando aqui de um acordo meio secreto, porque ficamos sem saber quais são os compromissos verdadeiramente assumidos. Ou melhor, tem um lado que diz uma coisa, o outro lado diz outra coisa, e aí a gente fica meio perdido nesse tiroteio. Aliás, esse acordo que foi anunciado nas últimas horas é a cara do que nós vivenciamos nos últimos 3 meses com idas e vindas, muitas promessas, muitas possibilidades e pouca concretude no que diz respeito a algo efetivamente acordado entre os envolvidos.

Tanguy Baghdadi:Ô Daniel, eu diria que assim, é um acordo personalizado. Você faz do acordo, Daniel, o que for melhor para você. O meu acordo é esse, o acordo dele é aquele. E cada um, Daniel Souza, canta sua própria vitória sem necessidade dos dois acordos serem iguais, porque os dois acordos serem iguais fica muito difícil. Você concorda comigo, Danilo? É ver se fazer um acordo que os dois concordam com os mesmos termos é muito difícil.

Daniel Souza:Eu posso contar para o meu público o meu acordo e você pode contar para o seu público o seu acordo, é muito melhor. Todo mundo fica feliz, pô, todo mundo fica satisfeito. Agora o acordo tem que ser igual. Desde quando a coisa tem que ser igual para os dois lados?

Tanguy Baghdadi:Não existe nada disso. Os países são diferentes, tudo é diferente, o acordo tem que ser igual. Nesse ponto tem que ser agora. Então assim, por exemplo, Donald Trump garantiu, Daniel, que os navios já estão passando. O Trump, ele foi para a Truth e falou, abro aspas, não sou eu que estou falando, é Donald Trump: "Os navios estão começando a sair do Estreito de Hormuz, muitos deles carregados de petróleo." Não é bem assim, Tanguy.

Daniel Souza:As informações mais recentes sugerem que não estamos tendo essa avalanche de navios passando pelo estreito, mas enfim.

Tanguy Baghdadi:Ele inclusive chamou de rodovia. Eles estão seguindo pela Rodovia Sul, Rodovia Sul, que é totalmente segura e imaculada. Aí o Irã também não é respondendo, tá, é outra coisa. O Irã falou 30 dias, tá, gente, em 30 dias os navios vão começar a passar, vai estar de boa e tal. Aí os Estados Unidos falaram assim: o Estreito de Hormuz agora está livre e desimpedido, não haverá tarifas. Aí o Irã falou o seguinte: É verdade, não haverá tarifas, não haverá tarifas, não vai ter tarifa. O que vai ter vai ser taxas, serão taxas por serviços essenciais e ambientais.

Daniel Souza:Maldade sua, Tanguy, tarifa e taxa são coisas diferentes. Agora você vai dizer que é igual, que é a mesma coisa?

Tanguy Baghdadi:Não, não, não, não, eu concordo, são coisas diferentes. Então, ó, o Trump falou que não vai ter tarifa, não vai ter tarifa, é verdade, não vai ter tarifa. Serão taxas. A gente tem que ver aí quais são as taxas, porque tem coisa de manutenção, tem que ver, Daniel. Por exemplo, às vezes cai uma mina, tem que ter alguém para lá tirar. Você concorda comigo? O Irã tá dizendo que é uma taxa que é necessária para tirar uma mina que eventualmente ele mesmo possa ter deixado cair na água. Agora, o que eu achei mais maravilhoso, Daniel, é que o acordo que foi anunciado foi anunciado, pô, conseguimos encerrar a guerra, acabou. Beleza, a coisa agora vai andar de outra maneira. Mas na verdade apenas iniciou-se um período de 60 dias para você fechar um acordo definitivo. O que acontece se encerrar os 60 dias e não tiver um acordo definitivo? Ou seja, o que a gente teve agora foi basicamente uma etapa da negociação que estabelece que, ó, vamos reabrir aí, vamos reabrir, e depois a gente vai ter 60 dias para negociar. Tem uma série de coisas que foram anunciadas e que a gente não sabe exatamente como é que vão ser. Os Estados Unidos, por exemplo, disseram que vão liberar 25 bilhões de dólares congelados, né, de ativos iranianos no exterior que estão congelados, serão descongelados. Na prática, a gente tá dizendo com isso, Daniel, é que os Estados Unidos iniciaram a guerra para impedir que o Irã tivesse acesso ao estreito de Hormuz, para impedir que o acesso financiasse seus aliados, para garantir que você tentasse derrubar o regime. E no fim das contas, os Estados Unidos estão pagando quer dizer, estão desbloqueando ativos, coisas que os Estados Unidos sempre disseram que não fariam. 25 bilhões de dólares não é pouco dinheiro. E que haverá uma negociação acerca da reconstrução do Irã, e que é possível que os Estados Unidos, seus aliados, arquem com uma parte da reconstrução do Irã, e que isso está na mesa para ser negociado. A impressão que eu fiquei, Daniel, queria te ouvir sobre isso, é que os Estados Unidos precisavam desesperadamente acabar com a guerra. A popularidade de Donald Trump, ela baixou de 35%, e as eleições estão aí. O petróleo tá caro, há uma sensação de que o Trump não consegue ganhar guerra, que não consegue mesmo, que tá tudo muito difícil para ele, e ele precisa jogar isso para frente. Eu preciso, meu amigo, se for para resolver isso em dezembro, em dezembro eu resolvo. Agora não dá para lidar com isso. Então ele aceitou qualquer acordo para ele poder cantar a vitória dele. Mas com uma série de coisas que ainda vão ficar em aberto. Uma coisa que me pareceu muito sintomática disso que eu tô falando, Daniel, é que ele disse, por exemplo, que ao longo desses 60 dias que estão abertos agora, a gente precisa resolver o programa nuclear, como se o programa nuclear fosse uma coisa en passant. Daniel, a gente tá girando em círculos acerca do programa nuclear há mais de 20 anos, há mais de 20 anos. E o acordo que a gente tem agora é muito parecido com aquele que o Trump sempre criticou, que foi assinado pelo Obama. Que é, não, o Irã vai oferecer transparência, a gente vai poder visualizar aí onde é que o urânio do Irã vai estar. E o Trump disse no sábado que não há urgência para retirar o estoque de material nuclear do Irã e que os Estados Unidos vão retirar esse urânio de lá quando tudo estiver mais calmo. Falta combinar com o Irã, né? O Irã tá sabendo que vai tirar o urânio de lá quando tudo tiver mais calmo? Ou seja, é um negócio grande demais. Para de repente a gente falar assim: não, mas a gente vai ver, se a gente vai resolver. Ou seja, Daniel, eu tô falando isso tudo só para a gente deixar claro que esse é um acordo absolutamente preliminar. Era verdade, o anúncio de uma negociação que ainda vai se estender por muito tempo e que não tá descartada a volta de um conflito mais para frente. Daqui a pouquinho quero falar sobre Israel, mas eu queria te ouvir sobre o impacto disso na energia, né? O impacto já é imediato, o impacto já acontece imediatamente.

Daniel Souza:Na semana passada também nós dissemos aqui no Pet Jornal que o Donald Trump tava estava muito flexível no que diz respeito às possibilidades de acordo, porque ele queria resolver apenas um problema: o estreito de Ormuz. Não é um acaso que ele tenha repetido sistematicamente que o estreito está aberto, o estreito está aberto, os navios estão passando, é petróleo para todo lado. Ele quer justamente sugerir algum grau de normalidade para que o mercado internacional de petróleo se normalize e se restabeleça. E, no dia de hoje, nós tivemos um impacto muito forte no mercado de petróleo. O barril do tipo Brent caiu quase 5%, fechou ali na casa de $83 o barril, bem menos do que vinha sendo praticado há várias semanas. Consequentemente, a gente está falando de uma redução substantiva sobre um elemento, sobre uma variável econômica que vinha pressionando a inflação Impressionando a economia dos Estados Unidos e a própria popularidade do Donald Trump. Agora, é muito cedo para dizer que a coisa está resolvida e que houve uma normalização. Os dados preliminares coletados ao longo do dia de hoje sugerem uma passagem de navios muito tímida pelo Estreito de Hormuz, não muito diferente da que vinha acontecendo ao longo das últimas semanas. Me parece natural que haja ali uma certa hesitação em passar. Você não sabe exatamente se está seguro, você não sabe exatamente quais são as condições nas quais esse acordo vai prosperar, se é que ele vai prosperar. Fora isso, a gente está falando ali de um represamento de algo em torno de 500 embarcações, e não é tão simples assim. Você precisa ter ali um ordenamento para que essas embarcações passem. Eventualmente, nós teremos o Irã cobrando tarifas, taxas, seja lá o que for, efetivamente para autorizar a passagem dessas embarcações. De qualquer maneira, mesmo que o Estreito de Ormuz volte a funcionar de maneira bastante fluida, a gente está falando de semanas e semanas para que haja algum grau de normalização no que diz respeito ao fluxo. No que diz respeito à oferta de petróleo em si, pode ser que a coisa demore um pouco mais. O Golfo Pérsico deve demorar a se recuperar um pouco. Mas existe ali uma compensação que tem sido feita por outras regiões em outras partes do planeta. Vale acompanhar, mas o primeiro movimento foi realmente de uma queda muito forte do petróleo e me parece que essa era a expectativa do Trump, de alguma forma mexer com as expectativas, tornar essas expectativas mais otimistas em relação ao futuro e consequentemente trazer algum tipo de impacto e alívio positivo para a vida dos americanos. Na semana passada, quando foi questionado em relação à inflação, ele disse que ele adorava a inflação. É claro que a gente brincou aqui no PetJornal, mas tem uma malícia no que ele disse. A inflação alta, se ela for acompanhada por um desabamento da inflação, pode gerar ali um sentimento de que, olha, a coisa melhorou e tal, a coisa voltou a andar, os combustíveis estão caindo de preço, porque se o barril de petróleo cai, realmente você pode ter queda do preço dos combustíveis nos Estados Unidos. Consequentemente a popularidade do Trump pode experimentar algum tipo de recuperação.

Tanguy Baghdadi:Agora, no meio disso tudo, Daniel, tem um fator muito importante que é Israel. Israel fez questão de deixar claro hoje que não foi envolvido nas negociações. E o acordo que foi anunciado, né, o preliminarmente anunciado por Estados Unidos e Irã, lembrando, a gente ainda não tem os detalhes finais, a princípio isso vai ser divulgado ao longo dos próximos dias, mas se é que vai, mas enfim, foi prometido que nos próximos dias a gente vai ter, é um acordo que envolve Líbano. Então, olha, o Líbano tá envolvido, é para pacificar a região de uma forma geral. O Irã desde o início sempre disse que qualquer acordo, qualquer cessafogo tem que envolver o Líbano. Israel sempre discordou. Israel diz: olha, Irã é uma coisa, Líbano é outra, então pode ter cessafogo lá no Irã, no Líbano aqui eu vou continuar fazendo o que eu tenho que fazer contra o Hezbollah e tal. E no momento em que foi anunciado, algumas horas depois, Israel fez um ataque contra o Líbano, que enfureceu o Trump. Que o Trump disse: é, olha, esse acordo não deveria ter acontecido, esse ataque não deveria ter acontecido, é um momento sensível. Isso apenas reforça aquilo que a gente já trouxe em outros episódios aqui, que é a relação entre Trump e Netanyahu. Ela é uma relação a princípio boa, mas na prática ela sempre teve lá suas rusgas, pelo fato de que o Netanyahu ele gostaria de ter autonomia demais, uma autonomia que o Trump, que incomoda o Trump, né. O Trump, ele quer estar no controle da situação. E na prática, a gente vê que sempre Netanyahu dá um passo adiante, o Trump tem que correr atrás. A gente já viu isso acontecer diversas vezes. O ministro da Defesa de Israel, que é o Israel Katz, disse que militares israelenses permanecerão na zona de segurança que capturaram no Líbano, ou seja, toda aquela região sul do Líbano, né, o sul do rio Litânia vão continuar lá, e que se houver necessidade de novos ataques, isso vai acontecer. Eles vão fazer novos ataques contra o Hezbollah. Então esse é um outro elemento. Ou seja, o ponto que eu acho importante a gente passar para os nossos ouvintes aqui, Daniel, é como esse acordo ele é muito capenga. Ele na prática não é um acordo, ele é uma tentativa ali de dizer que há algum acordo, que há alguma coisa, mas tem tanta ponta solta que só daqui a um tempo para a gente saber o que que vai acontecer. A vantagem que se estabeleceu foi: a gente consegue pelo menos anunciar que o Estreito de Hormuz será reaberto. O Irã não estará mais bloqueado, o Irã não bloqueará mais o Estreito de Hormuz tampouco. E portanto, daqui a um tempo, a gente não sabe nem quando, o Estreito de Hormuz volta a ser utilizado. Em que condições, a gente não sabe. O Irã, aliás, isso foi outro ponto, né, o Irã disse que vai controlar o Estreito de Hormuz em coordenação com Omã. Eu tenho certeza que os Estados Unidos não concordaram com isso, não concordariam com isso. Mas tem muita coisa para acontecer para a gente poder dizer que há finalmente algum sistema que pacifique as relações entre Irã e Israel, entre Irã e Estados Unidos, perdão.

Daniel Souza:Uma coisa que está clara, Tanguy, que nós já apontamos na semana passada, é que tudo leva a crer que o Irã sai fortalecido dessa guerra, sai vitorioso, controlando o Hormuz, ou pelo menos projetando um controle sobre o Hormuz a hora que quiser. Taxando, tarifando passagens, mantendo ali o seu programa nuclear ativo, eventualmente concedendo algum tipo de transparência ou não, e acima de tudo, com o regime dos aiatolás de pé e realmente projetando ali uma imagem de que: "Não venham mais me incomodar, porque vocês já viram o que acontece quando alguém aparece aqui para tentar derrubar o regime iraniano".

Tanguy Baghdadi:No meio disso tudo, Daniel Souza, você tem guerra ali, Estados Unidos e Irã, Israel, você tem, né, todas as instabilidades mundo afora. Nós, indivíduos, somos o elo mais fraco nisso aí tudo. A gente tem que se proteger. E a maneira que você tem de se proteger na internet, que é um espaço no qual a gente tá o tempo todo, nossos dados estão lá, a gente tá muito exposto na internet, é evitar essa exposição. E por isso você precisa de uma boa VPN, e a gente tem a melhor de todas, que é a NordVPN. Tem um link na descrição aqui, Daniel, que eu acho que vale a pena entrar lá para dar uma olhada em tudo que a NordVPN te oferece. É um pacote completo, com a única assinatura você protege até 10 dispositivos diferentes. É computador, tablet, celular, você consegue proteger tudo que você— todos os aparelhos com os quais você acessa a internet. Consegue, aliás, acessar a internet por mais de 8 mil servidores ao redor do mundo todo, tudo quanto é lugar. Tem VPN para você garantir a sua privacidade, para você bloquear anúncios, para você bloquear uma série de interferências, né, que as big techs, por exemplo, podem ter na sua navegação. Além da possibilidade de conseguir vantagem na hora de reservar hotel, passagens aéreas, acessar streaming. Tudo isso com descontaço só para você que é ouvinte do PetJornal. Você ainda ganha um período adicional, né? Você assina, por exemplo, por 2 anos, você ganha 4 meses adicionais Além de 30 dias de arrependimento, NordVPN não dá para entrar na internet ou circular na internet de maneira absolutamente incauta. Eu tenho que ter uma proteção e a NordVPN é a melhor opção que você vai encontrar por aí.

Daniel Souza:Imperdível, gente. Condições especialíssimas para os amigos e amigas do Pet Jornal. Link no descritivo desse episódio. Clique, confira. E como o Tanguy disse, você precisa de um VPN de qualidade. E fica aqui a nossa recomendação dos amigos da NordVPN com condições especialíssimas. Para os amigos e amigas do Pet Jornal. Clique no link e confira. Teng Yi, a Anthropic, conhecida por ser dona da inteligência artificial Claude, anunciou na sexta-feira ter recebido uma diretriz do governo dos Estados Unidos para restringir o acesso a dois de seus modelos avançados de inteligência artificial. A ordem determinava o bloqueio dos modelos Claude Fable 5, lançado na terça-feira anterior, e Claude Mythos 5, para todos os cidadãos estrangeiros dentro ou fora dos Estados Unidos, incluindo funcionários estrangeiros da própria empresa, da própria Antropic. Diante dessa decisão do governo dos Estados Unidos, a Antropic decidiu bloquear temporariamente o acesso para todos os clientes, enquanto a empresa garante conformidade com a diretriz. O MITRE 5 é mantido fora do alcance público por possuir capacidades sem precedentes para identificar vulnerabilidades de software, inclusive falhas desconhecidas por décadas que hackers poderiam explorar. E o Fable 5 é uma versão restrita do MITRE 5, amplamente disponível ao público. Especialistas alertam que os modelos poderiam acelerar ataques cibernéticos sofisticados, especialmente contra setores como o bancário. Os próprios testes da Anthropic identificaram um pequeno número de falhas já conhecidas, já conhecidas, classificadas como vulnerabilidades menores. A Anthropic se recusou a permitir o uso de seus modelos para vigilância doméstica sistema de armas autônomas dos Estados Unidos, o que desgastou sua relação com a Casa Branca. O Pentágono havia incluído a Anthropic em uma lista de risco para cadeias de fornecimento, o que, claro, acaba tendo aí implicações no que diz respeito a contratos federais. Tem que ir a uma dúvida. A dúvida é a seguinte: existe realmente um elemento de segurança? Se existe um elemento de segurança, por que que não houve o bloqueio para todos os usuários? Nacionais. Houve o bloqueio apenas para não americanos, né, e incluindo aí no bloqueio canadenses, britânicos, australianos, nacionalidades com as quais os Estados Unidos comungam aí um alto grau de confiança. E existe também uma outra desconfiança, que é o fato do Donald Trump ser muito próximo ao Sam Altman, que é justamente o CEO da OpenAI, a empresa do chat GPT. Afinal, o bloqueio desses modelos da Anthropic ameaça os planos da empresa realizar um IPO, que seria possivelmente no segundo semestre de 2026, com avaliação próxima de 1 trilhão de dólares. A empresa havia apresentado confidencialmente seu pedido de abertura de capital antes da OpenAI, e nesse sentido ela poderia ser jogada para trás da OpenAI e, consequentemente, ter problemas aí no que diz respeito ao seu IPO, a sua abertura de capital. O CEO da Anthropic manifestou-se a favor do bloqueio de IA potencialmente perigosa, mas exige que isso ocorra com procedimentos transparentes, critérios claros e fatos técnicos, o que, segundo ele, não ocorre até o momento. Vamos seguir acompanhando, Tanguy, porque é uma disputa muito técnica que envolve aí um nível de sofisticação tecnológica que nós não alcançamos, mas existem aí algumas perguntas: há realmente problemas no que diz respeito à segurança? Realmente sistemas, principalmente bancários, ficariam vulneráveis a ataques de hackers? Ou existe ali uma tentativa por parte do governo dos Estados Unidos, que tem dado sinais irritação com a Anthropic porque ela não quis participar de algumas das suas empreitadas? Existe ali uma predileção à OpenAI e consequentemente estão tentando tumultuar? Ou tudo isso junto? Às vezes tudo isso pode ser verdadeiro e pode estar coadunando justamente para essa decisão do governo americano. Mas acho que vale a pena a gente seguir acompanhando porque é algo que chama demais a atenção, impacta o mundo tecnológico e a dinâmica industrial de maneira relevante. Tanguy, eu queria registrar rapidamente que nesse domingo 14, 14 de junho, os suíços rejeitaram por 55 a 45 a proposta de limitar a população do país a 10 milhões de pessoas. Os alertas sobre danos econômicos caso a medida fosse implementada superaram as preocupações com a migração entre os eleitores. Esse é um aspecto super interessante porque é o dilema da maior parte dos países que passam por um processo de envelhecimento acelerado. A Suíça tem pouco mais de 9 milhões de habitantes, quer dizer, 10 milhões ainda abriria espaço para algum crescimento, mas existe aí realmente esse elemento que chama a atenção, que é: bom, se a gente restringir a entrada de pessoas, a população envelhece, nós perdemos a capacidade de oxigenar nossa economia, e isso vai trazer consequências severas para a vida de todos nós. É o dilema da migração que tá posto na Europa, que tá posto no Japão, na China, nos Estados Unidos, e acredito que muito em breve no Brasil. Já se fala sobre isso, sobre a necessidade do Brasil atrair pessoas. Isso será cada vez mais necessário conforme a população brasileira vai envelhecendo.

Tanguy Baghdadi:Daniel, queria trazer um tema que certamente a gente vai ter que abordar nos próximos dias, mas começou hoje aqui em 42ª Cúpula do G7. Que está sendo sediada pela França, né? Está acontecendo em Evian-les-Bains, que fica ali nos Alpes franceses, ali perto da Suíça, né? Exatamente.

Daniel Souza:Coisa fina, Evian, entendi.

Tanguy Baghdadi:Coisa boa demais. Água aguinha fresca, né, Daniel Souza? Falo de Evian, eu lembro da água. E ali, exatamente na fronteira com a Suíça, né, Daniel? Você está falando sobre a Suíça aí agora. E é impressionante como é que esse evento, Daniel, ele está sendo moldado pelo Trump, né? Existe toda uma preocupação para o Trump não travar, não bloquear completamente as negociações. Então, uma das coisas que a França, né, anfitriã, fez foi determinar que não haverá uma declaração final da cúpula do G7. É muito comum que você tente fazer uma declaração final, às vezes consegue, às vezes não consegue, mas todo mundo já sabe que, como Trump vai participar, não vai ter como, não vai ter acordo final porque todo mundo discorda. Então, em vez de uma declaração final, serão 7 declarações separadas, uma para cada sessão de trabalho ao longo dos próximos 3 dias. Quer dizer, hoje é segunda, terça e quarta. Então hoje já tivemos a cúpula, amanhã e depois. Então vão ser 7 grandes temas que vão ser tratados. Teremos 7 declarações, é uma para cada um desses temas. Outra coisa que chamou atenção é que você teve que adiar o início da reunião porque o Trump, ele tava comemorando seus 80 anos, né? Aliás, com a festinha dele, fez uma festinha ali no jardim da Casa Branca. Eu gostaria de te ouvir sobre isso daqui a pouquinho. E a gente teve inclusive, então havia uma preocupação, né, porque o Trump podia não chegar. E também o Trump, né, por causa do Trump, levou a França a uma saia justa horrorosa, porque a princípio quem tinha sido convidado era a África do Sul. África do Sul era um dos convidados, né, assim como Brasil, né, Coreia do Sul, né. Enfim, foram países convidados para participarem dessa reunião. Só que a gente sabe que Donald Trump tem tido a África do Sul como um dos seus alvos preferenciais. Ele fala sobre genocídio dos brancos, é. Então a França deu um jeito de substituir a África do Sul pelo Quênia, é, exatamente para evitar que esse fosse o grande assunto da questão, né, do grande assunto da reunião. O Lula desembarcou hoje também, ele desembarcou na Suíça e de lá foi para Yvain-les-Bains, né, nos Alpes franceses. E ele é um dos convidados, né, o Brasil, um dos convidados junto com Índia Coreia do Sul, Quênia, Ucrânia. A Ucrânia tá passando chapéu lá, né? Tô precisando de dinheiro, preciso de dinheiro, preciso de dinheiro. Tá tentando conseguir mais financiamento ali para manter sua economia rodando e o esforço de guerra contra a Rússia. Além de países do Golfo, né? Então Emirados Árabes, Arábia Saudita, Catar, Egito foram convidados também. Ao longo dos próximos dias, naturalmente, a gente vai falar mais sobre o que que o G7 decidiu, ou se não decidiu nada. Mas eu queria, enfim, achei importante levantar essa bola. Agora, Daniel Souza, Donald Trump fez um bolinho. Ele fez 80 anos, resolveu chamar as pessoas e tal, e umas brincadeiras saudáveis perto da Casa Branca. Me conta, Daniel, o que aconteceu?

Daniel Souza:É exatamente isso, Tanguy. Na Geléia da Shakira de hoje, vamos repercutir a festa de 80 anos de Donald Trump que aconteceu ontem, 14 de junho de 2026. O presidente que tá completando 80 anos, como eu disse, Aproveitou também os 250 anos da independência dos Estados Unidos e comemorou seu aniversário com um evento de artes marciais mistas nos jardins da Casa Branca. 6 lutas de MMA foram realizadas em uma arena octogonal de quase 30 metros de altura, especialmente construída no gramado sul da residência presidencial. As lutas Principais começaram às 22 horas no horário de Brasília e tiveram transmissão ao vivo em sistema pay-per-view. O Donald Trump foi para a Truth Social e disse que a noite foi uma das mais emocionantes da história da Casa Branca. Thank you. Não foi emocionante como o fim da escravidão, não foi emocionante como a vitória na Segunda Guerra Mundial ou como o colapso do Bloco Soviético ou como a captura do Osama Bin Laden. Não, não, não.

Tanguy Baghdadi:Não, ou como o dia que a própria Casa Branca foi incendiada.

Daniel Souza:Não teve nada disso, nada disso. O que importa é o MMA que Donald Trump acabou fazendo no jardim sul da Casa Branca. Aparentemente foi tudo pancada pelo Dana White. O Dana White, que é parça do Donald Trump, ofereceu isso como mimo para o presidente dos Estados Unidos. Tem certeza que sem esperar nada em em troca, sem esperar absolutamente nada em troca. E teve mais, Tanguy, os lutadores eles acabaram sendo pagos em criptoativo da família do Donald Trump.

Tanguy Baghdadi:Essa parte, desculpa, eu me reservo direito de não acreditar. Eles foram pagos com criptomoeda da família do Trump?

Daniel Souza:Exatamente. Amanhã você vai vir aqui pedir desculpas porque você vai checar essa informação e você vai ver que ela é verdadeira. E que eles foram pagos ali com uma stablecoin ligada à família do Donald Trump. Thank you. Então, nada melhor do que celebrar o seu aniversário com uma festa bancada pelo Donald White, nos jardins da Casa Branca, num dia talvez o dia mais emocionante da história da White House. E você ter ali os lutadores sendo pagos numa stablecoin ligada à família Trump.

Tanguy Baghdadi:Daniel Souza, no meio dessa distopia que a gente está vivendo, Queria de novo agradecer todo mundo que continua se informando junto com a gente. É um prazer ter vocês aqui junto com a gente. Muito obrigado pela presença de vocês. E queria deixar o convite para o pessoal conhecer o nosso projeto, que é o Pitch Cursos, em que a gente oferece cursos toda semana, tem aula lá toda terça-feira. Aliás, amanhã tem aula mais uma vez sobre os mais diferentes assuntos. E aliás, a gente vai ter em breve uma aula gratuita, Daniel. Queria convidar o pessoal Exatamente, ela fala sobre a FIFA, né, falando aí sobre empresa privada. A gente vai ter uma aula gratuita sobre a FIFA em breve. São maneiras, Daniel, de você conhecer o que que a gente trabalha, a maneira como a gente trabalha lá no Petcurso. Se você acessar o link que tá na descrição desse episódio, ele que fala sobre Petcurso, você vai cair direto no catálogo, você vai ver todos os cursos que a gente já ofereceu. Eu tenho certeza que grande parte dos temas vão te interessar. Acessa lá, petcurso.com.br, ou o link tá na descrição desse episódio.

Daniel Souza:Daniel, fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Patreon. Vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé, fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet Show é pequena, tem, não tem o apoio de um conglomerado de mídia ou mesmo de uma grande produtora. Por isso, o auxílio de nossos apoiadores acaba sendo de fundamental importância. Fica aqui o nosso agradecimento a cada um deles. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz sentido na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Patreon. O link está no descritivo desse episódio. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

Tanguy Baghdadi:É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.

Daniel Souza:Valeu, tchau tchau! Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjournal.com.br.

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