A Copa e os agentes da migração - BP 1091
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A Copa do Mundo de 2026 já enfrenta dificuldades antes mesmo de começar, com relatos de problemas para atletas, árbitros e integrantes de delegações obterem autorização de entrada nos Estados Unidos. No episódio analisamos os impactos das políticas migratórias sobre a organização do torneio e a imagem internacional do país. Também discutimos o papel da China na estabilização dos preços do petróleo em meio à guerra envolvendo o Irã, o avanço das exportações chinesas e a tentativa de Pequim de utilizar o controle sobre terras raras como instrumento de pressão estratégica contra o Japão.
Falamos ainda sobre os protestos no Quênia contra a criação de um centro de quarentena para cidadãos americanos expostos ao Ebola, a queda de um helicóptero dos EUA no Estreito de Ormuz e o novo pacote de sanções que a União Europeia pretende impor à Rússia.
Na Geleia da Shakira, uma teoria curiosa ganha força nas redes: os Simpsons teriam previsto Portugal como campeão da Copa do Mundo de 2026.
#Copa2026 #Geopolítica #China #Ormuz #Rússia
- Copa do Mundo 2026Problemas de visto para atletas e árbitros · Omar Abdulkadir Artan · Delegação iraniana · Seleção iraquiana · Seleção do Senegal · Seleção do Quirguistão · Breel Embolo · Seleção Suíça
- Surto de Ebola na ÁfricaSurtos de Ebola na República Democrática do Congo · Centro de quarentena para cidadãos americanos · Protestos no Quênia · William Ruto
- Conflito Rússia-UcrâniaPacote de sanções contra bancos russos · Restrições a criptomoedas · Teto do preço do petróleo russo · Restrições ao GNL russo · Negociações de paz com a Ucrânia
- Conflito no Estreito de OrmuzQueda de helicóptero dos EUA · Estreito de Ormuz · Irã-Israel · Hezbollah · Donald Trump · Benjamin Netanyahu
- Comércio China-EUACrescimento das exportações chinesas · Superávit comercial China-EUA · Desintegração econômica China-EUA
- China e PetroleoRedução das importações chinesas de petróleo · Reservas estratégicas de petróleo da China · Preços do petróleo
- Terras RarasExportações chinesas de terras raras · Restrições chinesas a minerais críticos · Taiwan · Economia japonesa
- Preparação para a Copa do MundoOs Simpsons · Portugal campeão da Copa do Mundo 2026 · MetLife Stadium
Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1091. Estamos gravando uma live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 17 horas e 20 minutos da terça-feira. 9 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy vírgula o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado e tarifado. Ou melhor, com perspectivas de tarifas pesadas a caminho.
E muito preocupado com a dinâmica internacional de muita incerteza, muitas noites de insônia por conta desse ambiente absolutamente pantanoso. Que nós temos vivenciado no cenário internacional nos últimos tempos. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas, no ambiente internacional onde não há clima para mais nada, só há clima para a Copa do Mundo, aquele mundial que acontece de 4 em 4 anos e que dessa vez será um mundial infinito de 48 seleções.
Vai ter jogo para chuchu. Nesse campeonato. Mas tem gente que gosta, tem gente que gosta dessa quantidade de seleções, não é isso, professor Bagdati? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S, vamos lá para mais esse bate-papo, bate-papo 1091. Eu estou completamente copadamundizado, acabei de inventar isso. Adoro a ideia de 48 seleções, vai ter uns jogos absolutamente maravilhosos, parece a pelada da esquina aqui. Diversão a não poder mais. Deixa aqui as boas-vindas, sejam muito bem-vindos. Daniel Souza, que bom que você tá aqui comigo mais uma vez. Deixa boas-vindas também, pessoal que nos acompanha em mais esse episódio.
E Daniel, a FIFA adora dizer que o futebol deve ser despolitizado, ah, que a gente não se mete com política, que futebol é uma coisa, política é outra. E tá para nascer aí uma Copa do Mundo que esteja sendo mais politizada e mais impactada diretamente pela política do que essa Copa do Mundo que vai ser sediada em Estados Unidos, Canadá e México. Agora, a partir de depois de amanhã, né, a gente tá gravando esse episódio aqui no dia 9, né, na terça-feira, dia 9.
Na quinta-feira, dia 11, a gente tem a abertura da Copa do Mundo. A gente teve um caso, Daniel, que acabou se tornando muito emblemático, né, me parece que entra aí para a história das Copas, que é o caso do árbitro da Somália, que é um camarada chamado Omar Abdulkadir Artan. Ele é considerado um dos melhores árbitros do mundo, né, e certamente um dos melhores árbitros do continente africano. E ele simplesmente não conseguiu entrar nos Estados Unidos.
O país dele, a Somália, soube que ele tava com dificuldades para entrar nos Estados Unidos, para conseguir o visto dos Estados Unidos, e concedeu a ele um passaporte diplomático, né, com apoio de todo, todo aparato diplomático. E mesmo assim O passaporte diplomático dele não foi aceito e, portanto, ele teve que sair do quadro de árbitros da Copa do Mundo. Isso não foi um caso isolado, Daniel. A gente teve vários outros casos que seguiram mais ou menos no mesmo caminho.
A delegação iraniana, essa aqui nem chega a surpreender, né? A gente já imaginava que pudesse ter algum tipo de problema. Ela foi informada que ela não poderá pernoitar nos Estados Unidos. Só para a gente lembrar, a seleção iraniana, ela ficaria sediada é nos Estados Unidos, né? O centro de treinamento dela seria em Tucson, Arizona, e ela portanto jogaria nos Estados Unidos. As 3 partidas da primeira fase do Irã são nos Estados Unidos.
E os Estados Unidos determinaram que, olha, o Irã não vai poder ficar no nosso, no nosso país, nosso território, e vai ficar portanto no norte do México, bem perto ali exatamente das cidades onde os jogos vão acontecer. Os Estados Unidos determinaram que não apenas eles não podem treinar nos Estados Unidos Mas tampouco podem pernoitar. Acabou o jogo, se manda, volta para casa. E aliás, Daniel, não apenas isso, o presidente da Federação Iraniana de Futebol não foi autorizado a entrar nos Estados Unidos sob a acusação de que ele mantém laços com a Guarda Revolucionária do Irã.
E mais, a Federação de Futebol do Irã teve a sua cota de ingressos para Copa do Mundo retirada. Aqueles ingressos, Daniel, que você entrega para para convidados, para torcedores e tal, foi tudo cortado. Portanto, é muito provável que não tenhamos iranianos, nem aqueles que compraram passagem, foram para os Estados Unidos, não vão conseguir acompanhar os jogos. No Iraque, algo similar aconteceu. Um dos principais jogadores da seleção iraquiana, que aliás fez o gol da classificação, que é o atacante Aymen Hussein, foi submetido a um interrogatório de 7 horas.
Pelos agentes de fronteira antes de receber autorização para entrar nos Estados Unidos. Muitos jornalistas desse país têm recebido inclusive um visto de entrada única, ou seja, o camarada entra nos Estados Unidos, se eventualmente ele vai cobrir, por exemplo, um jogo que acontece no Canadá ou no México, teoricamente não pode voltar para os Estados Unidos. Esse cara fica impedido de fazer o trabalho dele a contento. E a gente teve alguns outros casos, Daniel.
O que mais chamou atenção foi o do Senegal. A seleção do Senegal foi submetida a uma revista extremamente rigorosa antes mesmo de chegar ao setor ali da migração. Eles chegaram pelo Texas, né, pelo aeroporto de Houston, e jogadores e membros da delegação foram revistados um a um com detectores de metal e inspeção de bagagem. Foi um, aliás, um expediente similar ao que utilizaram também com os bequistão, a delegação, né, a seleção dos bequistão foi recepcionado em Chicago com cães farejadores ao desembarcar para um amistoso contra a Holanda.
Isso aconteceu no dia de ontem, na segunda-feira, e esperaram durante horas sob o sol até receber a liberação.
Mas por alguma razão os jogadores holandeses não passaram pelo mesmo constrangimento.
Aliás, Daniel, uma coisa que chama atenção é um jogador suíço, mas de origem camaronesa, chamado Breel Embolo. Ele joga no Rennes da França, aliás, é um dos principais jogadores da seleção suíça. E a seleção suíça, Daniel, entrou nos Estados Unidos sem problema nenhum, problema nenhum, simplesmente entraram nos Estados Unidos. Por acaso, eu tenho certeza, uma grande coincidência, mas o Breel Embolo, ele demorou dias e mais dias para conseguir entrar nos Estados Unidos e se juntou, portanto, a delegação da Suíça com muito atraso, também por dificuldade para regularizar a documentação.
Jogadores do Haiti também tiveram dificuldade Ou seja, Daniel, aquilo que a gente imaginava, é tudo que a FIFA tentava evitar, tentou adular o Trump de tudo quanto foi maneira para evitar que isso acontecesse, não adiantou. E tá sendo marcado, portanto, uma Copa que já é marcada por uma utilização aí dos agentes de fronteira como um elemento de constrangimento contra determinadas seleções. Isso não acontece contra algumas seleções, mas contra outras acontece, e a gente não fica nem surpreso, né, Daniel?
E claro que não tem nenhum corte racial ou político, né, nas escolhas. E aqui contém bastante ironia essa imagem em particular dos jogadores do Senegal, é bastante constrangedora porque eles foram ali escrutinados na pista. Eles descem do avião e na pista você tem ali agentes americanos e um por um eles vão sendo inspecionados de maneira absolutamente minuciosa. E claro que quando você olha para as seleções que enfrentaram constrangimentos e para as que não enfrentaram, existe aí realmente algum tipo de padrão.
E no caso do juiz da Somália, Nós temos aí, sem dúvida, o aspecto mais dramático, porque ele não conseguiu entrar, apesar de ser um dos melhores juízes do mundo. E lembrando também que os Estados Unidos têm ali um passivo com a Somália que não é pequeno. Você teve uma operação feita em 1993 absolutamente desastrosa por parte dos americanos, e isso até até virou série por conta da humilhação que os americanos enfrentaram e acabaram contribuindo ali para desorganizar ainda mais a situação política na Somália.
Avançando para a próxima pauta, Tanguy, eu queria destacar o impacto que a redução das importações chinesas de petróleo tem causado no mercado internacional. A gente já falou sobre isso em outras oportunidades, mas agora a gente tem números e dá para tangibilizar um pouco melhor o que está acontecendo. Em maio, as importações chinesas estiveram no menor nível em 8 anos, importações de petróleo. Foi uma queda de 14% em relação às importações de petróleo em abril e uma queda de 29% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Isso ajuda a explicar por que o petróleo não está escalando tanto quanto poderia. As importações chinesas caíram de 11,7 milhões de barris por dia em fevereiro de 2026. Para menos de 9 milhões de barris por dia no final de maio. Isso equivale à demanda do Japão, para a gente ter uma ideia. É muita demanda que os chineses retiraram do mercado nesse período, e consequentemente isso ajuda a explicar por que que o mercado internacional de petróleo não explodiu como poderia, não atingiu patamares de preço como poderia.
A China se preparou para esse cenário durante vários anos, abasteceu as suas reservas estratégicas e, consequentemente, pode ter aí uma redução bastante substantiva das suas importações de petróleo dentro de um contexto de crise. É claro que quando houver algum grau de normalização, ela deve retomar as compras pesadas e, consequentemente, ela pode ali fortalecer de novo as suas reservas estratégicas. A bem da verdade, Nos anos anteriores estava acontecendo o contrário.
O preço do barril do petróleo poderia estar bem mais baixo, só que não estava, porque a China estava comprando muito petróleo para colocar nas suas reservas e, consequentemente, isso acabava mantendo ali os preços num patamar um pouco mais alto do que estariam se a China não estivesse comprando tanto. Aliás, tivemos a divulgação também dos resultados comerciais chineses. As exportações da China cresceram 19,4% em maio sobre o mesmo período do ano anterior.
O aumento em abril tinha sido de 14,1%. Houve aí uma superação inclusive das expectativas. As importações subiram 27,4%, o que é bastante, e a China teve um superávit comercial em maio de inacreditáveis 105,4 bilhões de dólares. Esse é o superávit comercial chinês apenas no mês de maio. Alguns analistas apontam que houve aí uma certa corrida para comprar produtos chineses nesse ambiente de incerteza internacional e, consequentemente, a demanda teve aquecida, muita gente querendo formar estoques e antecipando compras.
De qualquer maneira, você acaba tendo um resultado comercial que é absolutamente impressionante. O superávit comercial da China com os Estados Unidos Ele alcançou 26,02 bilhões em maio, ante 23,07 bilhões em abril, o que significa dizer que uma parte importante do superávit comercial chinês ainda é com os Estados Unidos, apesar de todos os pesares e apesar de todo esse ambiente de tensionamento entre os dois países. É claro que existe uma tendência de uma certa desconexão crescente do ponto de vista econômico e de uma desintegração econômica entre os dois, mas a integração ainda é muito forte, os dois ainda fazem muito comércio, os dois ainda dependem mutuamente um do outro de maneira muito significativa.
A China tem aí aproximadamente um quarto do seu superávit comercial apenas com os Estados Unidos.
Daniel Souza, eu tenho certeza que uma parte importante das pessoas que estão ouvindo a gente sabem que precisam estudar inglês. Não tô dizendo que a pessoa não saiba estudar inglês, mas estudar inglês nunca é demais. Você sempre precisa um pouco mais, pode ser decisivo quando você fala sobre oportunidade de trabalho, oportunidade de estudos, até para você poder se sentir bem, né, assim, de poder assistir uma série, ouvir uma música, entender o que tá sendo dito ali.
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É, na verdade, a língua franca, né? Você não precisa dele apenas para entrar em países que falam língua portuguesa, que falam inglês, perdão, mas em qualquer país do mundo o inglês é a língua franca de comunicação. Não perde essa oportunidade, o link está na descrição desse episódio.
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Daniel, a gente comentou aqui no outro episódio, não faz muito tempo, que a República Democrática do Congo tem sofrido com um novo surto de ebola. Não é uma novidade, a gente já teve outros surtos parecidos que também foram muito graves na República Democrática do Congo. E nesse momento a gente já tem mais de 500 casos suspeitos lá na República Democrática do Congo. E 100 óbitos confirmados, além de uma expansão para áreas urbanas, algumas áreas urbanas inclusive densamente povoadas, o que se torna uma enorme dor de cabeça com a possibilidade de um espalhamento dessa doença.
Os Estados Unidos, com essa, com essa questão, Daniel, começaram a determinar que cidadãos norte-americanos que tiveram contato com áreas nas quais há casos de ebola, em particular na República Democrática do Congo, não podem ir para os Estados Unidos direto. Eles precisam passar um tempo no centro de quarentena. E dessa maneira, os Estados Unidos estão financiando a criação de um centro de quarentena, né, na prática isso, um centro de quarentena para cidadãos americanos que tenham estado na República Democrática do Congo e que estejam assintomáticos.
A questão, Daniel, é que esse centro está sendo criado não na República Democrática do Congo, Mas no Quênia, importante lembrar que o Quênia é um país que tem uma ótima relação com os Estados Unidos, não tem fronteira com a República Democrática do Congo, e até o presente momento não teve nenhum caso de ebola. Isso tá gerando, Daniel, manifestações muito grandes no Quênia. O que os quenianos estão dizendo é: por que que essas pessoas estão vindo para cá?
Que papo é esse desses caras virem para cá? E aí você tem o presidente do Quênia, Daniel, dizendo que, né, William Ruto, ele tá dizendo que seria um ato de desumanidade você não aceitar essa ajuda vindo dos Estados Unidos. A gente sabe que não é exatamente o caso de desumanidade, humanidade, não é o caso de bondade por parte do Quênia, mas é a vontade do Quênia de ter uma boa relação com os Estados Unidos. E a coisa fica ainda mais clara quando você vê que os Estados Unidos prometeram repasse de 13 milhões e meio de dólares para o Quênia, se o Quênia aceitar receber esse centro de quarentena.
A questão é que os quenianos estão preocupados com a possibilidade de você trazer uma doença de fora que ainda não existe no Quênia, né, que até esse momento não teve nenhum caso. As manifestações, elas têm se tornado cada vez mais potentes, cada vez mais fortes, e a gente teve inclusive as forças de segurança utilizando armas letais contra os manifestantes. Há inclusive uma séria suspeita que ainda não foi confirmada de que uma pessoa teria morrido a partir de tiros que foram dados pelas forças de segurança do Quênia.
Mas eu tô falando isso aqui para a gente ficar muito atento, porque é verdade que Ebola nesse momento tá assim, tem uma força bastante grande na República Democrática do Congo, Uganda também você tem alguns casos, no Quênia não, mas a tendência, a gente viu há pouco tempo uma pandemia, né, Daniel, a gente sabe que essa doença ela pode acabar se tornando um problema regional. Quiçá, né, sabe-se lá, se pode tornar, pode inclusive sair para regiões fora dessa região, daquele miolo do continente africano.
Então é bom ficar atento, Daniel, porque é um caso que a gente sabe que pode desestabilizar politicamente, economicamente, óbvio, né, do ponto de vista sanitário e humano, vários países ali ao redor.
Daniel, a União Europeia propôs nessa terça-feira o 21º pacote de sanções mirando bancos, criptomoedas, drones e o comércio de petróleo russo. Ao todo, 170 indivíduos e entidades entrariam na lista, incluindo cerca de 90 bancos, o maior número de uma só vez. Isso elevaria o total a mais de 100 bancos sancionados, ou mais da metade das 213 instituições russas ligadas ao Sistema Financeiro Internacional. O pacote vai a embaixadores da União Europeia nesta quarta-feira e exige unanimidade para ser aprovado.
O pacote inclui restrições a bancos, a 4 bancos russos que atuam fora da Rússia, inclusive a 11 plataformas de criptomoedas. A Ursula von der Leyen anunciou possível proibição total para países terceiros de serviços relacionados a criptoativos que envolvam justamente algum tipo de contato com a Rússia. O Quê que Estão foi o primeiro país terceiro atingido por esse mecanismo anti-evasão. A comissão propõe também manter o teto do petróleo russo em $44,10 o barril por 6 meses, bem acima do patamar que está sendo praticado atualmente no mercado.
E a lista inclui uma refinaria em país terceiro e operadores do comércio de petróleo. Há ainda restrições ao GNL russo, mais 30 navios na frota fantasma e novos critérios para embarcações. Pela primeira vez, o pacote traz restrições a importações de pescado e ligas metálicas críticas para defesa e também para o segmento aeroespacial. E o grande objetivo desse novo pacote de sanções, segundo os europeus, é incentivar a Rússia a endereçar negociações de paz com a Ucrânia.
Na prática, os europeus consideram que esse é o momento oportuno para isso. Afinal, a Ucrânia está tendo aí uma capacidade de poder de fogo interessante, a Rússia está sob pressão, tanto do ponto de vista militar quanto do ponto de vista econômico, e um incentivo a mais através de um pacote de sanções pesado— esse pacote de sanções é bem pesado em comparação aos anteriores— poderia aí, de alguma maneira, estimular Vladimir Putin a endereçar conversações com o Zelensky.
Daniel, queria trazer como próxima pauta uma breve atualização sobre o que está acontecendo em Ormuz. A gente teve hoje um helicóptero, um helicóptero Apache, de modelo Apache, dos Estados Unidos, que foi derrubado, na verdade que caiu. Eu vou até mudar o verbo aqui, que caiu no estreito de Ormuz. Eu estou falando que caiu ou foi derrubado porque até agora não foi esclarecido o que aconteceu exatamente com esse helicóptero. Não se sabe se foi alguma falha aérea, uma falha mecânica, se teve algum outro problema, se foi uma questão meteorológica, se— ou se efetivamente foi abatido, né, foi derrubado, foi alvejado, seja por terra, seja por um drone, ou o que quer que tenha sido.
Mas o fato é que esse helicóptero caiu no Estreito de Hormuz. A gente sabe que o Estreito de Hormuz está sendo controlado nesse momento pelo Irã. Então você ter o sobrevoo de uma aeronave norte-americana ali nunca é algo fácil. E os dois tripulantes do helicóptero de ataque Apache foram localizados e retirados da água por um drone de superfície da Marinha dos Estados Unidos. O resgate durou ali cerca de 2 horas e o estado de saúde dos dois tripulantes é estável.
Até o momento, as autoridades militares não esclareceram o que aconteceu e o próprio presidente dos Estados Unidos disse: os pilotos estão bem, ninguém se feriu. E quando a gente fala sobre o cenário militar ali da região, Daniel, para além desse helicóptero que caiu, é, a gente narrou, né, a gente falou sobre isso nos últimos episódios. A gente veio tendo uma escalada de tensões entre Irã e Israel por conta dos ataques que Israel fez ao subúrbio sul de Beirute.
Israel recuou, né, anunciou que não faria novos ataques. O Irã também disse que não atacaria novamente Israel. E beleza. Agora, uma coisa que não houve recuo foram os ataques israelenses contra a cidade de Tiro. É uma cidade que fica na porção sul do Líbano. Então, segundo Israel, tá numa área ali que o Hezbollah atua, então que eles poderiam atuar, né, e sem que isso gerasse automaticamente uma retaliação por parte do Irã. E portanto, o Exército de Israel emitiu uma nova e severa ordem de evacuação para essa cidade libanesa de Tiro, uma cidade costeira importante, histórica, enfim, um porto importante inclusive.
Sinalizando a iminência de novos bombardeios, o que aconteceu de fato algumas horas depois, o que incluiu o bairro cristão da cidade. Até agora, o bairro cristão de Tiro tinha sido poupado de qualquer tipo de ataque, e o Irã emitiu uma nova alerta: se continuarem atacando o Líbano, o Hezbollah, ou quer que seja, novamente nós teremos algum tipo de confrontação. E nesse cenário todo, a gente teve mais uma fase, né, mais uma fala de Donald Trump.
Ele deu uma entrevista pro portal Axios. E segundo ele, ele teria dito para Netanyahu, abro aspas: 'Eu disse: Bibi, é melhor você ser cuidadoso ou você ficará por sua conta muito em breve.' Fecha aspas. Não dá para saber se ele falou isso mesmo. A gente sabe que para o presidente dos Estados Unidos é muito difícil largar Israel a pé, deixar Israel a sua própria sorte. Mas a gente tem um presidente dos Estados Unidos dizendo isso para o presidente, para o primeiro-ministro israelense.
Vamos ver até onde que isso vai dar, Daniel. Mas como a gente já vem falando aqui, há um cessafogo muito tenso, muito tênue, e não dá para saber se vai continuar. Já tivemos uma violação, inclusive violações, aliás, ao longo dos próximos dias, e não dá realmente para apostar que esse cessafogo ele vai ter vida muito longa, Daniel.
Tanguy, registro rapidamente que as exportações chinesas de terras raras para o Japão caíram mais de 80%. Eu disse 80%. Em março e abril ante o mesmo período do ano anterior. Em janeiro, a China decidiu endurecer as restrições a elementos, citando regras sobre itens da dupla utilização civil e militar. A medida foi retaliação às declarações da primeira-ministra do Japão, que em novembro falou sobre uma possível reação militar em caso de invasão chinesa à Taiwan.
A gente pode observar inclusive registros de que o Japão está tentando buscar alternativas de fornecimento nesses minerais críticos, nessas terras raras, mas é difícil porque a China acaba tendo uma participação absolutamente relevante no mercado internacional e consequentemente contorná-la, pelo menos no curto prazo, É bastante improvável. A economia japonesa vai acabar sofrendo. E o Japão, todas as conversas que tem tido com múltiplos parceiros, acaba falando invariavelmente sobre terras raras e minerais críticos.
Daniel, nosso episódio de hoje começou com Copa do Mundo e a geleia da Shakira fala sobre Copa do Mundo mais uma vez, agora com uma previsão do futuro. Qual é a previsão que você vai trazer para gente, Daniel Souza?
A previsão do futuro, Tanguy, é sobre os Simpsons. Você sabe, todos nós sabemos, que os Simpsons são capazes de prever o futuro. Os Simpsons previram, por exemplo, que Donald Trump se tornaria presidente. Ninguém falava sobre isso e os Simpsons já previram. E os Simpsons sabem quem vai ser o campeão dessa Copa. Afinal, no episódio de 1997, eles apontaram que haveria uma Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá. E o campeão dessa Copa seria a seleção portuguesa.
Então, Tanguy, prepare-se, porque eu ficarei absolutamente insuportável no final de julho, quando a profecia dos Simpsons se confirmar. Os Simpsons apontaram e eu tenho certeza que a profecia vai se confirmar. Teremos aí um episódio da 9ª temporada que trouxe essa profecia que vai ser realizada muito em breve. É isso, força Portugal e ganharemos a Copa!
Quem tiver ouvindo a gente aqui, coloca nos comentários quem você acha que leva a Copa do Mundo e se você acha que de fato Portugal leva essa Copa do Mundo. Bom time português, viu, Daniel Souza? Bom time. Temos aí o gajo, né, o Cristiano Ronaldo jogando sua última Copa e tal. Mas coloca nos comentários aqui quem você acha que leva essa Copa do Mundo e se os Simpsons vão acertar dessa vez.
Aliás, Tanguy, quem assistiu o episódio notou que o estádio da final dos Simpsons é muito parecido com o MetLife Stadium de Nova Jersey, palco marcado para a final de 2026. Quem viver verá.
Aguardem. Perfeito. Todos os sinais estão se fechando. Daniel Sodda, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio deixando um convite. Daqui a pouco, falta pouquíssimo, algumas 1 hora e 20, 1 hora e 10 minutos, A gente vai começar mais uma aula do Petit Cursos. A gente vai dar uma aula sobre Kuwait para falar um pouquinho sobre esse pequeno país, né, que tá ali no Golfo Pérsico, que faz parte daqueles países sobre os quais a gente sabe muito pouco.
É um curso dedicado aos países da outra margem do Golfo, né. A gente sabe muito sobre Irã, fala muito sobre Irã, estuda muito Irã. Aliás, a gente tem inclusive curso recente exatamente sobre Irã, mas aqueles países ali a gente sabe pouco, Daniel. Qatar, Omã, Kuwait, né, são países que precisam aí de uma, que a gente lance uma luz sobre eles. Bahrein, né, para a gente conseguir entender um pouco mais. E esse curso, ele se insere numa série de outros cursos sobre temas que eu tenho certeza que vão te interessar.
Se você já é nosso aluno, você pode assistir essas aulas ao vivo toda terça-feira às 19 horas. Se você não é nosso aluno ainda, dá tempo, inscreva-se, e aí você tem acesso também a todas as aulas gravadas. Acessa lá, o link está na descrição desse episódio para você dar uma olhada no catálogo de aulas e cursos. Acessa lá: ptcursos.com.br.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pit Journal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pit é uma mídia pequena, acaba sendo um produto de mídia artesanal, e a ajuda de nossos apoiadores é de fundamental importância. Fica também O convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.
No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo desse episódio. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.
Valeu!
Tchau, tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br.
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