A carta de Zelensky a Putin - BP 1089
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Volodymyr Zelensky envia uma carta aberta a Vladimir Putin propondo um encontro direto entre os dois líderes, em uma tentativa de destravar o impasse diplomático da guerra. No episódio analisamos o significado político da iniciativa, o momento delicado da economia russa após anos de conflito e as perspectivas para as negociações.
Também discutimos a fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio, com novos ataques israelenses a Beirute, a retaliação iraniana contra Israel e a decisão de Donald Trump de manter congelados os ativos iranianos.
Falamos ainda sobre a Convenção da IATA realizada no Rio de Janeiro, que chamou atenção para desafios crescentes da aviação global, como a escassez de aeronaves e de combustível.
Na Geleia da Shakira, Donald Trump surpreende ao dedicar parte de sua atenção à reforma do espelho d’água de Washington enquanto enfrenta múltiplas crises internacionais e domésticas.
#Ucrânia #Rússia #OrienteMédio #Geopolítica #AviaçãoGlobal
- Conflito no Oriente MédioAtaques israelenses a Beirute · Retaliação iraniana contra Israel · Hezbollah · Irã · Israel · Beirute · Base aérea de Hamat David
- Volodymyr Zelensky· PoliticaProposta de encontro direto · Volodymyr Zelensky · Vladimir Putin · Ucrânia · Rússia · Donetsk · Luhansk · Kherson
- Aviação CivilConvenção da IATA no Rio de Janeiro · Escassez de aeronaves · Escassez de combustível · International Air Transport Association (IATA) · Rio de Janeiro
- Todo Mundo no Rio e ShakiraDonald Trump · Reforma do espelho d'água de Washington · Lincoln Memorial Reflecting Pool · Martin Luther King · Forrest Gump
Petit Journal.
Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1089. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 9 horas e 19 minutos da segunda-feira, 8 de junho. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece com a Tanguy, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, atubante, descansado, tarifado, muito mais tarifado, com a perspectiva de tarifas enormes sendo praticadas contra os seus produtos, e muito preocupado, com insônia.
Esse ambiente pantanoso internacional deixa o professor Bagdadi sem dormir. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias e começamos com uma bela carta. Cartas realmente são gestos de carinho, são gestos de amizade, de proximidade e, quem sabe, de paz. Como vai, professor Paquita Dias? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza, como é que você está? Vamos lá para mais um bate-papo, bate-papo 1089, para abrir mais uma semana de trabalho, de loucura, de insanidade. Nesse mundão de meu Deus, um prazer tá aqui mais uma vez iniciando mais uma semana. Deixa aqui as boas-vindas a você, Daniel Souza. Muita honra, né, tá aqui com você mais uma vez. E deixar aqui um abraço a todo mundo que nos acompanha também. Boas-vindas a quem nos acompanha pelo podcast, pelo YouTube, por onde quer que seja.
Daniel Souza, achei bonita a carta, viu? O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cansou, cansou. Ele já pediu ajuda, Ajuda parou de vir, esqueceram da Ucrânia. Ele já tentou atacar Rússia, também não tá conseguindo muito resultado. Aí ele consegue assustar Rússia, ah, dá problema e tal, mas daí ganhar a guerra também tá complicado. A Rússia também não tá conseguindo resolver esse negócio. Então, presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou uma carta aberta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, propondo uma reunião presencial e direta entre os dois líderes para tentar encerrar a guerra.
Essa carta, Daniel, foi uma das coisas mais passivo-agressivas que eu já vi na minha vida, porque ele morde e assopra, Daniel Souza. Então tem um determinado momento que ele fala: você tá velho, o tempo à frente da Rússia está cobrando o seu tempo, você já não tá no melhor juízo aí. Aí logo depois ele diz: precisamos nos encontrar, se encontrar uma solução para essa guerra, né? E tem um determinado momento, Daniel, nessa carta, que aliás o Kremlin já inclusive confirmou que recebeu, que está nas mãos do Putin, da sua equipe.
Não foi respondida ainda. Mas de qualquer maneira, é, o Zelensky, ele começa dizendo que, olha, o Putin, você era um cara que quando assumiu o governo da Rússia, né, quase 27 anos atrás, você é um cara muito querido pelos ucranianos. Ele começa assim, você é um cara muito querido pelos ucranianos, ucranianos gostavam de você, mas hoje a gente vê que naturalmente a coisa mudou. E que hoje o que é mais popular entre os ucranianos são os drones, que permitem que a gente chegue a mais de 1000 km da fronteira para dentro da Rússia.
E você sabe, Putin, que esse não é o nosso limite, ou seja, a gente poderia ir muito além. E ele tem um acesso de lucidez, né, de clarividência, Daniel, quando ele diz que ele sabe que a guerra entre Rússia e Ucrânia nesse momento não está no centro das atenções, né. Então ele diz que Seria um erro da Ucrânia simplesmente esperar até que a guerra na Europa volte ao centro das atenções. Ou seja, agora quem tá chamando atenção na prática é o Oriente Médio.
Os Estados Unidos estão voltados para Oriente Médio, o mundo tá olhando para o que tá acontecendo no Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico, no Irã, no Líbano, em Israel. É lá que as coisas estão acontecendo. E portanto, ele propõe que haja uma conversa, e que ele sabe que essa conversa não vai acontecer nem em Kiev e nem Moscou. Não dá para isso acontecer, mas eles sugerem um território neutro. Então ele chegou a mencionar de forma clara na carta a Suíça ou a Turquia, né?
De repente dá para a gente se encontrar aí na Suíça ou na Turquia, se eventualmente isso pudesse acontecer. O Putin, Daniel, ele não respondeu diretamente a carta dos Zelensky, ele não escreveu nada de volta, ele não é nada disso, mas ele fez uma coletiva, né? Ele deu uma entrevista coletiva ali no encerramento daquele fórum econômico de São Petersburgo, que você mencionou, aliás, na semana passada. E ele chegou a dizer, Daniel, que não vai ter cessafogo durante o período de negociação.
Isso foi uma proposta do Zelensky, né? O Zelensky chegou a dizer: a gente precisa se encontrar enquanto tiver negociando, cessafogo completo. O Putin disse: não vai ter cessafogo completo nenhum enquanto as nossas exigências não forem atendidas. Nada vai parar. A guerra, ela continua do jeito que tava. Quer dizer, nunca menciona guerra, né? Ele sempre fala de operação militar, ele sempre fala de uma operação, de ações militares e tal.
Mas ele continua dizendo que a coisa só vai avançar no momento em que a Ucrânia abrir mão de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, que são as áreas que a Rússia invadiu. Ela, a Rússia, detém um território maior em alguns do que em outros, né, desse território. Mas A Rússia quer uma oficialização de que isso vai acontecer, né, de que você não vai ter mais pleitos ucranianos sobre essas áreas. E aproveitando que o Trump agora tá envolvido com o Irã, o Putin chegou a sugerir inclusive que a Europa deveria convencer os Zelensky a ceder os territórios.
Europa, fala com o rapaz aqui, explica para ele, explica para os Zelensky que eu não vou a lugar nenhum, porque isso aqui é espaço, é um território russo. E mais uma vez ele questionou a legitimidade do Zelensky como representante legal da Ucrânia. Coisa que é importante lembrar é que o mandato do Zelensky, ele iria só até maio de 2024, e mais de 24 deveria ter, portanto, uma nova eleição com eventualmente um novo presidente ou a reeleição de Zelensky.
Como Putin é um amante da democracia, Daniel, a gente sabe disso, Putin é um cara que—
e da alternância de poder, ele também acha importante acabou seu mandato, agora tem que entrar outro, não é? Ou ai, ai, ai, hein?
É, não é esse negócio. Ou então você muda a Constituição, aí você muda a Constituição, aí ok, né? Mas como isso não aconteceu, ele inclusive várias vezes já falou que o Zelensky nem é exatamente o presidente da Ucrânia para estar falando comigo. E aí, Daniel, surpreendendo absolutamente ninguém, quem apoiou, né, a ideia de um encontro foi o Trump. O Trump tá doido para acabar essa guerra, né, meu? Pelo amor de Deus, vocês se entendam aí.
"De um jeito eu vou dizer que fui eu e tal." Mas ele disse, né, o Trump disse: "Seria ótimo se eles se encontrassem, eles deveriam, façam acontecer." E disse: "Quero que cada um faça certos compromissos e acho que eles o farão." Daniel Souza, spoiler: não vão, não vão. Apesar da situação russa nesse momento, né, inclusive do ponto de vista econômico, tá muito complicada, né? Que que você me conta aí?
Pois é, Tanguy, quando a gente olha para a questão econômica A Rússia aparentemente está chegando num certo limite. Ela não recebe as ajudas vultuosas que a Ucrânia tem recebido, particularmente dos europeus. Segundo uma matéria da Bloomberg, altos funcionários do Ministério das Finanças e do Banco Central alertaram Vladimir Putin de que os gastos com a guerra seguem uma trajetória insustentável, ou seja, você teria ali o risco de um certo colapso.
Das finanças públicas russas se você continuar com esse volume de despesas que tem acontecido ao longo dos últimos tempos. Os funcionários inclusive propuseram cortes nos gastos militares e afirmaram que será difícil restaurar a saúde das finanças públicas sem aumentar a eficiência dos gastos. O Ministério da Defesa e integrantes do Kremlin obviamente resistem a cortes. Argumentando que reduzi-los causaria sérios danos à própria economia russa, já que muitas empresas dependem de contratos ligados ao setor de defesa.
Que é aquele argumento: "Oh, oh, não, imagina, vai colocar em recessão, a crise virá se nós cortarmos esses gastos que o Ministério das Finanças está reclamando." Segundo duas fontes próximas ao governo, o Ministério da Defesa não apenas resiste aos cortes como também exige recursos adicionais. Dizendo que está com recursos insuficientes para o enfrentamento dos desafios da guerra. Vladimir Putin arbitrou e disse que o Ministério das Finanças encontre reduções e cortes em outros ministérios, mas não no Ministério da Defesa, não na questão da guerra.
A Rússia encerrou 2025 com rombo de 5,6 trilhões de rublos e registra déficit em cada um dos últimos 4 anos. Onde nós tivemos guerra acontecendo contra a Ucrânia. As reservas do Fundo Nacional de Bem-Estar estão cerca de 60% abaixo dos níveis anteriores à invasão da Ucrânia. Essas reservas acabam sendo uma reserva de emergência e, claramente, o governo russo está fazendo uso dela como forma justamente de tentar manter ali a oxigenação e o esforço de guerra contra os ucranianos.
Daniel Souza, e a gente teve, né, ao longo das últimas 24 horas, algumas ações que mostram que a Rússia não vai recuar nesses gastos militares. Uma coisa que chamou muita atenção é que, pela primeira vez, pela primeira vez desde o início da guerra, começou em fevereiro de 2022, então tem 4 anos e blá, quase 4 anos e meio de guerra, pela primeira vez uma parte da população russa foi orientada aí para abrigos, né. Então a Rússia olha para isso, Putin olha para isso, fala assim: meu amigo, não vou cortar mais de jeito nenhum.
Então você teve um ataque com drones ucranianos contra São Petersburgo e a população da cidade, que é uma cidade importantíssima para a Rússia, simbólica para a Rússia, foi orientada a ir para abrigo. Imagina se o Putin numa situação dessa vai recuar de qualquer gasto militar.
Imagina, por conta do equilíbrio das contas públicas, né? Quando você tem algo em causa dessa gravidade. Aliás, a Rússia está à beira de uma recessão. O Ministério projeta um crescimento de apenas 0,4% do PIB em 2026. Ante a estimativa anterior de 1,3%. Dados oficiais mostram que a economia encolheu no primeiro trimestre pela primeira vez em 3 anos. A valorização do rublo, que aliás ela acompanhou a valorização de muitas moedas de países emergentes, agravou os problemas fiscais ao reduzir as receitas de exportação, porque você passa a receber menos rublos por cada dólar proveniente da exportação.
E em abril, Putin ordenou publicamente que integrantes do governo explicassem por que a economia estava apresentando desempenho abaixo do esperado. Vocês me expliquem por que o desempenho não está tão bom quanto eu achei que estaria. Quando o orçamento de 2026 foi elaborado, havia esperanças de que a guerra terminasse após a cúpula realizada no Alasca. Só que isso não aconteceu. A alta dos preços do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã Não resolveu o problema.
Na prática, a Rússia precisaria de um petróleo consistentemente acima de $100 o barril por um período alongado para que você tivesse uma receita suficiente para resolver esse problema fiscal grave. E o que eu achei bastante interessante é que o governo russo avalia a criação de um imposto extraordinário sobre produtores de commodities e bancos também, tributar bancos e petróleo. Na prática, isso, né, exportadores de commodities significa tributar justamente a produção de energia, no caso da Rússia, tributar produtores de commodities e tributar também os bancos.
A cidade de Moscou já anunciou cortes em investimentos após uma arrecadação que ficou bem abaixo do esperado. E em 27 de maio, o ministro das Finanças defendeu certa contenção nos gastos porque, segundo ele, as reservas não são infinitas. Enfim, Tanguy, a Rússia não está exatamente no seu melhor momento, porque, do ponto de vista militar, a Ucrânia tem conseguido demonstrar uma certa força e um certo poder de fogo, ao mesmo tempo em que, domesticamente, a economia não vai tão bem.
Você tem aí uma atividade econômica fraca, você tem aí um orçamento completamente estourado e dificuldade para manter a máquina de guerra avançando. A Rússia não é conhecida por ser exatamente o país mais eficiente do mundo do ponto de vista do gasto público e do ponto de vista da organização de recursos. Mas, de qualquer forma, está chegando numa situação preocupante. Vamos ver o que acontece. Mas eu acho que tudo isso é que tem levado o Zelensky a se sentir um pouco mais altivo e mandar essa cartinha para o Putin.
É porque ele está se sentindo forte, ele está se sentindo numa posição de força que ele não sentia há bastante tempo. Aliás, talvez ele nunca tenha se sentido numa posição de tanta força durante todo esse conflito.
E uma situação de força meio dramática também, né? Você tá numa situação de força com 20% do seu território ocupado. Enfim, uma situação na qual os dois de fato eles estão numa situação muito ruim, né? E o Zelensky, ele tá relativamente melhor agora. Então é quase como se ele tivesse sugerindo empate. Ô Putin, vamos empatar, vamos se encontrar, a gente dá um jeito aqui, nem eu nem você, a gente dá um jeito aqui, a gente resolve tudo.
E a coisa, né, ela tem escalado, né? Porque de fato a Ucrânia tem tentado demonstrar cada vez mais força Só para ter uma ideia, Daniel, só uma última informação aqui do ponto de vista militar. Um drone russo atingiu na madrugada de sábado para domingo a instalação centralizada de armazenamento de combustível irradiado na zona de exclusão nuclear de Chernóbil. Daniel, um dos maiores acidentes nucleares da história aconteceu em Chernóbil.
Você teve um ataque com drone exatamente numa instalação que tem material irradiado, que tem material contaminado. Então a situação de fato, ela, ela, os dois, né, tenta mostrar, tanto o Putin quanto Zelensky, que olha, eu posso tornar a coisa muito mais difícil, né? O que o Zelensky tá dizendo é: os meus drones estão chegando cada vez mais longe. E o que o Putin tá dizendo é: mas eu continuo tendo mais força, eu continuo podendo te causar danos cada vez maiores.
Daniel Souza, no meio disso tudo, falou de Rússia, falou de Ucrânia, a gente lembra de frio. E frio atualmente é sinônimo do Brasil, né? Eu não sei onde é que as pessoas estão nos ouvindo, estão nesse momento, mas se no Rio de Janeiro, Daniel Souza, se no Rio de Janeiro tá frio, é porque eu imagino que no resto do Brasil esteja ainda mais complicado, né? Boa parte do Brasil é mais frio do que o Rio de Janeiro. E para enfrentar o frio que vem por aí, a Insider Store tem todas as opções que você precisa.
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Daniel Souza, tivemos uma escalada muito importante de tensões, uma escalada militar no Oriente Médio mais uma vez. E dessa vez, Daniel, envolveu até mesmo um ataque que já não acontecia há quase 2 meses do Irã diretamente ao território de Israel. A coisa toda começou, Daniel, quando o exército israelense realizou novos bombardeios contra infraestrutura do Hezbollah no subúrbio de Dariyeh, que fica na periferia sul de Beirute.
Isso aconteceu no dia de ontem, no domingo. A gente falou sobre isso aqui na semana passada, que Israel tinha o plano de não apenas fazer ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano, mas especificamente no subúrbio sul da capital, da capital Beirute, e que isso tava gerando preocupação, inclusive o Irã dizendo, olha, se atacar a gente vai retaliar, e os Estados Unidos tentando fazer um meio de campo ali, tentando fazer com que Israel não passasse determinadas linhas que impedissem a negociação de avançar.
Segundo o governo israelense, esses ataques aconteceram porque o Hezbollah vem fazendo ataques contra o norte de Israel. Israel, portanto, teria retaliado esses ataques do Hezbollah. Daniel Souza, o Irã já tinha avisado, o Irã já tinha falado: olha, se atacar Beirute, se a gente sentir que o cessafogo não está sendo seguido, a gente vai atacar de volta. E foi o que de fato aconteceu no dia de ontem. Algumas horas depois do ataque israelense contra a periferia, né, contra o subúrbio sul de Beirute, a Guarda Revolucionária do Irã informou que fez um ataque contra a base aérea de Hamat David, que fica próxima a Nazaré.
O governo israelense, o exército israelense, aliás, confirmou o ataque, disse que conseguiu neutralizar. Então os ataques, eles foram debelados, né, enfim, eles foram interceptados, os mísseis foram interceptados. Mas a gente tem uma situação, Daniel, na qual há um cessafogo no Líbano, há um cessafogo no Irã, e os dois, na verdade, o cessafogo de uma forma geral, ele tá caindo de maduro, Daniel, ele tá caindo aos pedaços. Lembrando que o que o Irã diz, o argumento iraniano desde o início, é de que o cessafogo é uma coisa só.
Não tem um cessafogo para o Golfo Pérsico, né, para o Irã. E outro cessafogo para o Líbano. Se o cessafogo no Líbano for violado, essa é uma violação do cessafogo de uma forma geral. O Oriente Médio, de uma forma geral, deixa de ter cessafogo. Tanto é que, reitero, é a primeira vez em 2 meses que o Irã faz um ataque direto ao território israelense. Não trouxe maiores danos, mas é um aviso que o Irã tá dando: Israel, Israel, eu tô te avisando, se você continuar atacando aí o sul do sul enfim, o sul de Beirute, a gente vai ter que avançar.
Quem saiu tentando colocar panos quentes foi mais uma vez Donald Trump. Ah, então Donald Trump disse o seguinte, abre aspas: Israel teve o seu ataque e o Irã teve o seu ataque, não precisamos de outro. Estamos muito perto de um acordo final com o Irã, vai ser um bom acordo. Não quero que exploda por causa de tudo que está acontecendo agora. E ele disse, Daniel, que vai fazer de tudo para que o Netanyahu segure o ímpeto israelense de fazer ataques contra o Líbano e que possam trazer dificuldade nas negociações com o Irã.
Mais uma vez, o Trump, ele tá irritado com Netanyahu, principalmente porque ele sente que Netanyahu tá sempre tomando a iniciativa. É o Netanyahu que decide quando é que vai atacar, é o Netanyahu que decide quando é que vai falar alguma coisa. E o Trump, ele tá sempre tendo que correr atrás. O Trump, ele tá sempre meio de carona do Netanyahu. Ao mesmo tempo, ele não pode abandonar o Netanyahu, é um aliado estratégico dos Estados Unidos na região.
Mas o que a promessa que o Trump tem feito ao longo dos últimos dias é: gente, eu vou controlar Netanyahu. No momento que o Netanyahu ordena novos ataques contra o sul de Beirute, a posição do Trump é de uma desmoralização. Pô, você tá dizendo que vai controlar o cara e o cara continua fazendo o que bem entende. Aliás, fontes ouvidas pela Reuters, oriundas do governo israelense— de novo, quando são fontes anônimas, a gente não tem como cravar que é verdade, mas normalmente elas se confirmam— disseram que Israel vai retaliar o Irã.
Então, Israel atacou o Hezbollah, o Irã ataca Israel, e portanto agora Israel retaliaria o Irã também. É tudo que o Trump não quer. O Trump, ele tá doido para que tenha alguma negociação, algum acordo de paz Principalmente levando em consideração a inflação nos Estados Unidos, a manutenção do Estreito de Hormuz ainda fechado e, principalmente, a corrosão da popularidade de Donald Trump e, portanto, do Partido Republicano, às vésperas das eleições de meio de mandato.
Daniel. Tanguy, em entrevista ao programa Meet the Press da NBC News, o Trump afirmou que não descongelará quaisquer ativos iranianos nem vai suspender sanções antes que o acordo de paz seja alcançado. O presidente sinalizou que essas medidas poderiam ser consideradas após o fechamento de um acordo. Eu fiquei aqui pensando, Tanguy, se o Trump realmente celebrar um acordo e vier a descongelar ativos iranianos e a levantar sanções, a depender da intensidade dessa movimentação, talvez o Irã fique melhor do que estava antes da guerra, Quer dizer, você passa a ter ali claramente configurada uma situação de vitória dos iranianos.
Quer dizer, se o Trump não tivesse feito nada, se não tivesse entrado em guerra nenhuma, o Irã continuaria com as mesmas sanções, continuaria com o mesmo congelamento de ativos, não fecharia o Estreito de Hormuz, não desorganizaria a economia mundial. E, consequentemente, esse me parece um gesto de uma certa fragilidade e não de uma certa força. Da posição americana nesse momento. E uma outra pauta que eu queria registrar aqui, Tanguy, nós estamos tendo no Rio de Janeiro a reunião anual da International Air Transport Association, a famosa IATA.
E o que me chamou a atenção é que você tem aqui, claro, 370 companhias aéreas que correspondem a cerca de 85% do tráfego aéreo global. E os executivos das companhias aéreas disseram que o setor aéreo só tem dois problemas: escassez de avião e escassez de combustível. Fora isso, parece que tá tudo ótimo.
Caramba, tô aliviado!
Ufa! É, tá tudo ótimo.
Só combustível e aeronave?
Só esse, é porque realmente você não tá tendo ali um aumento da oferta na velocidade necessária de aeronaves. Consequentemente, aeronaves estão sendo mantidas em funcionamento por um prazo mais longo. O que impacta em custos de manutenção e traz ali, realmente, protocolos adicionais de segurança. E tem a questão dos combustíveis, que a gente sabe que, com a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, você passou a ter ali restrições importantes na oferta de querosene de aviação.
Diante disso, as empresas aéreas sinalizam que, muito provavelmente, pressões de alta de preços devem continuar nos próximos tempos. Afinal, Você não consegue aumentar a oferta de voos porque não tem aeronave e você não consegue aumentar a oferta de voos porque não tem combustível. Se a oferta não cresce na mesma velocidade que a demanda, os preços acabam realmente tendo uma tendência de alta para que haja um ajuste entre oferta e demanda, o que traz aí, claro, consequências para a economia mundial.
Buenas noches! Eu só queria antecipar que no episódio de hoje à noite a gente vai falar sobre as eleições no Peru. Até agora a gente tem um resultado que ainda é inconclusivo. Keiko Fujimori está à frente, né, do seu adversário. Mas é importante lembrar que tá à frente por muito pouquinho, Daniel. Tá nesse momento, né, a gente tem cerca de 90% dos votos apurados. Ela tem uma vantagem de cerca de 200 mil votos, que é muito pouquinho, né, à frente do Roberto Sánchez, né, que é o seu opositor.
A Keiko Fujimori, ela perdeu a última eleição para o Pedro Castillo, que aliás é aliado do Roberto Sánchez, por 45 mil votos. Então, mais uma vez, vai ser uma eleição muito apertada. Como nesse momento a gente tem 91% dos votos apurados, eu vou esperar para falar sobre essa pauta com pouco mais de informações no episódio de hoje à noite. Então não perca, se você quiser saber o que que vai se desenrolar na eleição peruana, assista o episódio que a gente vai gravar hoje mais tarde. Daniel Souza, vamos para a geleia da Shakira de hoje?
Ah, vamos, tá aqui, vamos para a geleia da Shakira de hoje, onde eu quero falar sobre Donald Trump, Donald Trump na semana passada, que estava ali no Salão Oval da Casa Branca, aí ele saca ali, Tanguy, um quadro explicativo para mostrar que o espelho d'água de Washington é muito maior do que o Empire State Building, é muito maior do que o World Trade Center, e consequentemente ele, Donald Trump, estava sendo responsável pela reforma do espelho d'água de Washington, que viesse uma piscina, e ele está colocando muita energia na reforma desse espelho d'água, que é aquele espelho d'água que todo mundo conhece, todo mundo já viu aquela cena do Forrest Gump, que ele entra pelo espelho d'água.
Para encontrar a Jenny no meio justamente daquele montão de água em Washington. Mas o Trump, ele mostrou toda a energia que ele tem gasto com a reforma de uma piscina, que é coisa de síndico, né? Mas o Trump acha que ele precisa, o presidente dos Estados Unidos tem que reformar a piscina, mas tudo bem. E essa piscina que ele inclusive, que tem um nome muito pomposo, né, que é o Lincoln Memorial Reflecting Pool, adoro esse nome, muito bom.
Trump disse que ia custar 2 milhões de dólares essa reforma, já custou 10. Aparentemente está tudo mais ou menos pronto, mas a inauguração formal vai ser no dia 4 de julho, em função dos 250 anos de celebração da independência dos Estados Unidos. Trump diz que a piscina tem 2.030 pés, que é o equivalente a 618 metros. Poxa! E o Trump mencionou o famoso discurso "I have a dream". Proferido pelo Martin Luther King justamente naquela região.
O Trump disse, entre outras coisas, que o material que foi utilizado na reforma é muito especial, que ele, junto com a sua equipe, acabou escolhendo a cor que é o American Flag Blue. E deu para ver, Tanguy, que ele gastou muita energia com essa reforma da piscina, e também falando ali longamente para os jornalistas, com imagens inclusive, para ilustrar como ele é alguém focado em questões absolutamente essenciais, o presidente dos Estados Unidos sabe tratar com prioridade.
O que que é prioridade nesse momento? Guerra do Irã? Cuba? É inflação nos Estados Unidos? Crescimento econômico? Não. É questões institucionais?
Não, não, não, não, não, não.
A piscina, a piscina do Lincoln.
Salão de baile, você não tá lembrando? Salão de baile. Os Estados Unidos vai terminar o mandato dele tendo reformado o espelho d'água e o salão de baile. E você fica criticando ele. Ah, que tem inflação. Ah, que ele vai disputar uma eleição, tá com a popularidade baixa. Daniel Souza, você tem que saber onde é que você coloca suas energias, as suas apostas. Ele tá fazendo as escolhas certas, eu tenho certeza. Você quer, você quer muito crítico do presidente Donald Trump, Daniel Souza? Dessa maneira, diga, diga, diga.
Deixa só registrar que ele, em um determinado momento, disse: our pool is bigger. Than skyscrapers. É isso, está vendo? Olha a importância disso e vocês do Petit Jornal desmerecendo. "Ah, porque é piscina. Ah, porque o presidente dos Estados Unidos não podia estar perdendo tempo reformando a piscina." É um símbolo. É um símbolo de tudo que os Estados Unidos já viveram. Forrest Gump fez um discurso ali. Martin Luther King fez um discurso ali.
Muita gente importante fez um discurso ali. Então, é um símbolo absolutamente incontornável da República dos Estados Unidos, a qual o presidente americano dedica uma especial atenção.
Perfeito, Daniel Souza. Dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Muito obrigado pela presença de vocês, pelo carinho, né, por colocar a gente na sua rotina. É uma honra estar com vocês aqui mais uma vez. Queria deixar também o convite, né, se você quer ainda mais da nossa companhia, você pode acessar lá ptcursos.com.br. Para você dar uma olhada nos cursos que a gente tem lá prontos para você, para você acessar lá e entrar na hora que quiser, assistir na hora que quiser o curso que você bem entender.
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É isso, Daniel Souza. Mais tarde estamos de volta. Um abraço e até a próxima.
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