Episódios de Petit Journal

Tarifas por trabalho forçado - BP 1088

04 de junho de 202630min
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Os Estados Unidos anunciam tarifas contra 60 países sob o argumento de falhas no combate ao trabalho forçado, ampliando tensões comerciais e levantando dúvidas sobre os critérios adotados por Washington. No episódio analisamos os impactos dessa medida e as declarações de Donald Trump, que afirma ter interesse em conhecer Mojtaba Khamenei, figura central da política iraniana. Também discutimos o agravamento da crise entre Estados Unidos, Irã e seus aliados, com ataques iranianos contra Kuwait e Bahrein e a resposta militar americana no sul do Irã.
Abordamos ainda a decisão de Cuba de suspender operações com Visa e Mastercard em meio ao endurecimento das sanções americanas, os ataques de drones ucranianos contra São Petersburgo às vésperas de um importante fórum econômico russo e a eleição de Portugal para uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da ONU.
Na Geleia da Shakira, Vladimir Putin chama atenção ao lançar um programa bilionário voltado ao combate ao envelhecimento e à promoção da longevidade.
#EstadosUnidos #Irã #Geopolítica #Portugal #ComércioInternacional
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos7
  • Tarifas dos EUA contra 60 paísesTrabalho forçado · Brasil · Donald Trump · Lei de Comércio de 1974 · Suprema Corte
  • Trump e o IrãMojtaba Khamenei · Acordo nuclear · Netanyahu
  • Crise entre EUA, Irã e aliadosKuwait · Bahrein · Irã · Estados Unidos
  • Cuba e sanções dos EUAVisa · Mastercard · Donald Trump · Marco Rubio
  • Ataques de drones ucranianos na RússiaSão Petersburgo · Fórum Econômico Russo · Vladimir Putin
  • Programa de longevidade de PutinCombate ao envelhecimento · Medicina regenerativa · Xi Jinping
  • Eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONUAlemanha · Áustria · Dinamarca · Grécia
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TBTanguy Baghdadi

Petit Journal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1088. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Journal. São exatamente 19 horas e 22 minutos da quarta-feira, 3 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, vírgula, ou Bagdadi. Animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, atubante, descansado e tarifado.

E mais tarifado do que no episódio anterior. Não param as tarifas contra o professor Bagdadi. Ele segue muito cansado por conta da insônia, né? Muitas preocupações nesse cenário internacional altamente pantanoso. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Pagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

DSDaniel Sousa

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1088. Prazer estar aqui mais uma vez nessa noite de quarta-feira. Deixa as boas-vindas a todo mundo que está acompanhando a gente aqui. Prazer estar aqui de novo, Daniel, para trazer, né, para falar sobre as loucuras que estão acontecendo mundo afora. A gente tem realmente muito assunto para tratar nesse episódio de hoje. Daniel, queria começar com, de novo, né, tarifas.

E agora a acusação aí de trabalhos forçados. A parte boa, Daniel Souza, que o Brasil não ficou sozinho, né? O Brasil tá cheio de companhia com gente sendo tarifada por trabalho forçado. Me conta aí.

TBTanguy Baghdadi

Pois é, Tanguy, o governo dos Estados Unidos concluiu investigação contra 60 países incluindo o Brasil, por falhas na proibição e fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. A decisão foi do Escritório de Comércio dos Estados Unidos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o mesmo dispositivo usado na investigação que propõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O governo americano propôs tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos de 60 países.

É importante registrar que, assim como as tarifas de 25%, elas não entram em vigor imediatamente. Existem aí alguns dias ainda a transcorrer, todo o trâmite burocrático, e você precisa de uma definição final do próprio presidente Donald Trump. Segundo o Itamaraty, essa tarifa será acumulativa à de 25% já proposta, levando a alíquota total para perto ali de 40%, e isso é algo bastante preocupante. O relatório concluiu que o Brasil, e aí falando particularmente do Brasil, "falhou em impor e fiscalizar a proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado".

Importação de bens por parte dos Estados Unidos, exportação por parte do Brasil. Embora o país assuma compromissos contra o trabalho escravo, em acordos de comércio carece de uma proibição legal efetiva que impeça na prática a entrada dessas mercadorias no mercado dos Estados Unidos. O relatório reconhece a existência da lista suja no Brasil, mas esclarece que o foco é a falha em barrar esse comércio com produtos que envolvem trabalho forçado.

Na quarta-feira, no dia de hoje, o chanceler Mauro Vieira e o representante americano Jameson Greer, tiveram um breve encontro nos corredores da reunião da OCDE, na França. O Greer se aproximou de Vieira e afirmou que os Estados Unidos seguem abertos a debater as questões comerciais em discussão entre os dois países. Segundo pessoas presentes, o representante americano destacou que há um contato fluido entre os dois governos e disse pretender manter as negociações em andamento.

Isso aqui reforça o que nós dissemos ontem aqui no PetJornal. Os americanos estão pressionando o Brasil. Isso aqui é uma tática de negociação. Essas tarifas ainda não estão em vigor, pode ser que elas não entrem em vigor, pode ser que elas entrem em vigor parcialmente, e os americanos seguem pressionando o Brasil para obter ali vantagens. A gente está falando de um país, o Brasil, que combate o trabalho análogo à escravidão, É claro que essa chaga ainda existe no Brasil, é inegável, mas nós temos esforços que têm sido enveredados pelo Brasil há bastante tempo para que isso seja extirpado.

E o que chama atenção é que a gente está falando de dezenas e dezenas de países, incluindo também países ricos. Países desenvolvidos foram incluídos nessa lista. Todos eles reclamaram enormemente. E, Tanguy, fica aquela impressão de uma coisa que nós já havíamos dito no Pet Jornal há alguns meses, que depois da queda das tarifas recíprocas que foi imposta pela Suprema Corte— a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas, aquelas que tinham sido impostas por aquela tabela meio ridícula do Trump em 2 de abril de 2025— o governo Trump ia dobrar a aposta, ia encontrar uma nova justificativa e ia impor novas tarifas.

E é exatamente isso que está acontecendo agora. Há uma justificativa, que é a Lei de 1974, Essa Lei de 1974, o espírito dela era outro, era proteger os Estados Unidos caso algum parceiro comercial estivesse adotando práticas desleais, mas é difícil imaginar que 60 países ao mesmo tempo estejam adotando práticas desleais contra os Estados Unidos. Não é razoável, não é verossímil acreditar que isso está acontecendo e que essa investigação concluiu isso depois de muito tempo.

Fica a impressão de que é apenas um pretexto para que você estabeleça tarifas e retome a dinâmica de negociação do Donald Trump. "Oh, coloquei tarifas, hein? Venham negociar comigo. O que vocês vão me oferecer em troca? Quais são as vantagens que vocês vão me oferecer?" É aquela lógica trumpista, você coloca o sarrafo lá em cima, de novo, é sempre a mesma coisa, a gente não é mais surpreendido. E, ao fazer isso, o Trump espera que ele consiga o melhor acordo comercial possível, um acordo comercial muito melhor do que teria sido conseguido caso o sarrafo não tivesse sido colocado lá em cima.

E, uma vez mais, ele está estimulando os países a buscarem mercados alternativos aos Estados Unidos e a reduzir a sua dependência em relação às exportações com direção aos Estados Unidos. O Brasil reduziu bastante a sua dependência ao longo dos últimos anos, está ali relativamente bem posicionado nessa seara, mas alguns setores aqui no Brasil dependem muito do mercado americano. E isso é preocupante justamente para esses setores.

Vamos ver como é que vai evoluir essa dinâmica, mas, até aqui, me parece que o governo Trump está em campanha, muito campanha, por causa das midterms. Aí você reforça aquele discurso: "Olha, estou colocando você em primeiro lugar, vou trazer emprego de volta para os Estados Unidos". Isso é muito forte para um segmento do eleitorado, reforça ali, aglutina. A base mais trumpista. Temos eleições de meio de mandato esse ano e é uma forma de tentar ali angariar apoio popular junto a essa base que acaba sendo sensível a esse tipo de argumentação.

O governo teve mais cuidado. No caso do Brasil, por exemplo, não colocou ali produtos que têm um potencial inflacionário maior porque poderia ser danoso à popularidade do próprio governo, mas fica a impressão de que é o governo Trump, sendo o governo Trump, e buscando ali uma nova alternativa depois da queda das tarifas que foi imposta pela Suprema Corte no início desse ano. Lembrando que a Suprema Corte derrubou as tarifas, as tarifas recíprocas.

Tarifas, por exemplo, como é o caso do aço, alumínio, etc., nunca foram derrubadas e estão relacionadas ali a setores mais específicos.

DSDaniel Sousa

E aí, Daniel, você falando sobre o governo Trump, sendo governo Trump, a gente teve o presidente dos Estados Unidos participando de um podcast, o PodForce One, né? Já é a segunda vez que ele participa desse podcast, deu uma entrevista relativamente longa, né, que saiu no dia de hoje. E uma coisa me saltou aos olhos, Daniel: ele é mais gentil durante o episódio com o Mostafa Khamenei, que é o líder supremo do Irã, do que com Netanyahu, né?

Então o cenário basicamente, Daniel, foi que ele foi perguntado sobre o Khamenei, né, se o Khamenei Ele tá participando das negociações e tal, e ele confirmou, né, o Trump confirmou, ele está envolvido absolutamente. Acho que eles têm muito respeito por ele. E disse que tem um monte de relato, né, Daniel, de que o líder supremo, né, Mostafa Khamenei, não estaria muito bem de saúde. Ele confirmou, é, não tá indo muito bem e tudo.

E aí a entrevistadora perguntou para ele se ele teria interesse em eventualmente conhecer o Mostafa Khamenei. Aí, Daniel, veio a resposta que me surpreendeu. Ele disse: eu gostaria de conhecê-lo, provavelmente nos reuniremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar. Daniel, isso aqui é um desapego, é um desapego assim: matei o pai dele, matei, matei uma parte importante da família dele, matei, mas são águas passadas, Daniel, são águas passadas.

TBTanguy Baghdadi

Não é pessoal, Tanguy, entenda isso, não é pessoal. Ele matou o líder supremo do Irã. Por um acaso é o pai do rapaz, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

DSDaniel Sousa

Se não tivesse matado, talvez ele nem chegaria no posto que ele tá.

TBTanguy Baghdadi

Exato.

DSDaniel Sousa

Tem até uma questão de gratidão aí, de repente, né?

TBTanguy Baghdadi

Talvez ele possa agradecer ao Trump essa promoção que ele teve no regime dos aiatolás. E também é importante lembrar, Tanguy, que o Trump é aquele cara que encontrou o Kim Jong-un, né? Então o Trump não é exatamente É, mas o Trump não é aquela pessoa, digamos assim, que vira o rosto com muita facilidade. Esse é o ponto, é, ele tá disposto ali a abraçar e ser sorridente com as lideranças mais improváveis.

DSDaniel Sousa

Esse é o ponto. E agora ele tem esse negócio, Daniel, que ele tá doido para fechar acordo, né? Assim, o tempo tá passando, a popularidade dele tá sendo corroída, a situação tá difícil para ele, mas ele deu uma, um certo, deu uma desdenhada, tá, Daniel? Perguntaram, perguntaram para ele também 'Vem cá, e essa guerra aí, como é que é?' Aí ele respondeu assim, Daniel, um negócio meio, meio, meio sem grande compromisso: 'Não, a gente vai ver o que acontece aí.

Estamos trabalhando em um acordo, e se acontecer vai ser ótimo, mas se não acontecer, tudo bem também, não tem problema, não tem problema.' E aí eu achei muito legal, Daniel, porque perguntaram para ele também, né, se a vantagem de você ter um podcast que o cara tem que responder na hora se ele de fato falou aquilo tudo que a gente trouxe aqui no episódio. A gente falou aqui que a Axios, né, que é um site que normalmente a gente comentou sobre isso ontem, né, a Axios normalmente ela pode não acertar 100%, mas quando ela traz alguma informação, normalmente alguma coisa tem.

Segundo a Axios, o Trump teria dito para Netanyahu, abre aspas: você é completamente maluco, você estaria na prisão se não fosse por mim, estou salvando a sua pele. E aí, Daniel, ah, o que, o que o Trump disse foi Falei mesmo, falei, falei, falei isso mesmo. E ele disse que foi além, Daniel, não falei só isso não. Eu disse também, abre acho de novo aqui, em um determinado momento eu disse: Bibi, nós temos que parar com isso, nós precisamos parar com isso.

Então, Daniel, é assim, segundo essa entrevista, o Trump ele foi mais duro com Netanyahu do que exatamente com o Mustafa Khamenei, com o Mustafa Khamenei E ele tem até uma certa, assim, demonstrou um certo respeito. Isso é uma coisa meio, não, ele é o líder lá, pô, estamos negociando aí, vamos nas negociações, gostaria de encontrá-lo mais para frente, tudo, vamos ver no que vai dar. Mas é sempre surpreendente, né, Daniel? Ainda mais quando a gente fala sobre um podcast assim no qual o cara é perguntado meio e tendo que responder de bate-pronto, né?

Ele não tem muito tempo para pensar ali naquele momento, ele precisa responder. Dando suas impressões, o que você acha da fala de Donald Trump? Como é que você enxerga isso aí?

TBTanguy Baghdadi

Me parece compreensível. Afinal, a gente está falando de um lado de um Netanyahu que está trazendo problemas para o Trump. Ele não para a guerra contra o Hezbollah, está sendo alguém que traz ali uma série de embaraços nessa negociação, que embora o Trump diga que se fechar, fechou, se não fechar, não fechou o acordo, a gente sabe que não é bem assim. Ele adoraria que o acordo fosse celebrado, E o Netanyahu é um problemazo pro Trump nesse momento.

E do outro lado, a gente tem o novo líder supremo, que é quem pode celebrar o acordo. Então ele de alguma maneira faz um aceno, como quem diz: e aí, gente, pô, até me encontraria com vocês, sem nenhum problema, vamos celebrar esse acordo, pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, vamos celebrar esse acordo. Eu acho que é um pouco isso que explica essa diferença de comportamento nesse momento.

DSDaniel Sousa

E tem uma questão que é muito curiosa do Trump, que ele está o tempo todo dizendo que o acordo está avançando, e o acordo está avançando. O Irã nega o tempo todo. Não tá avançando nada, as tratativas estão paradas e tal. Mas o Trump tá o tempo todo dizendo: não, pô, tá mais hora, menos hora, esse acordo sai, a gente vai conseguir fechar, é questão aí de tempo. Daniel, eu queria trazer só um lembrete para os nossos ouvintes aqui, que hoje é dia 3, né, a gente tá gravando esse episódio aqui no dia 3 de junho.

O Dia dos Namorados está chegando, falta menos de 10 dias para o Dia dos Namorados, né, para o dia 12. E tá na hora de você aproveitar, é só de hoje até o dia 7. Dependendo de onde você estiver, o presente chega a tempo. Acho que vale a pena dar uma olhada no prazo de entrega. A Insider é muito rápida para entregar, sempre muito impressionante. A gente tem de hoje até o dia 7 brindes cumulativos, ou seja, quanto mais você comprar, mais brinde você ganha.

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TBTanguy Baghdadi

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DSDaniel Sousa

Daniel, como próxima pauta, eu quero ainda linkar com a pauta anterior, no qual a gente tava falando aqui sobre o Oriente Médio, né, essas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Ao mesmo tempo em que o Trump ele fica o tempo todo dizendo que a guerra tá prestes a acabar, um acordo tá prestes a ser assinado, o cenário lá na região mostra que assim dificilmente a gente vai ter um acordo no curto prazo. Hoje, por exemplo, nós tivemos ataques iranianos que atingiram o Kuwait, é, que é um país aliado dos Estados Unidos ali na região, fica na margem norte do Estreito de Hormuz, ali perto do Iraque, e causou danos no seu aeroporto internacional e deixou dezenas de vítimas, né.

As informações que a gente tinha, até as últimas informações, deixou uma pessoa morta e feriu mais de 60 pessoas. Chegou a ver inclusive a suspensão dos voos, né. Então O aeroporto foi fechado durante algumas horas, acabou sendo reaberto algumas horas depois, e também instalações militares, né, no Kuwait também foram atingidas. A mídia iraniana reportou também que a Guarda Revolucionária atacou o quartel-general da 5ª Frota dos Estados Unidos no Bahrein, que é outro país, né, uma ilhazinha ali no Golfo Pérsico, que também é uma base de apoio para uma série de atividades norte-americanas na região.

O CENTCOM, né, que é o comando secreto, o comando central dos Estados Unidos, negou que as suas bases tenham sido atingidas. Isso, aliás, tem sido muito comum nessa guerra, né. O Irã diz que conseguiu atingir, os Estados Unidos negam. E esse comando central dos Estados Unidos também diz que os mísseis balísticos iranianos que tinham como destino o Bahrein falharam em atingir os seus alvos. Por sua vez, né, do outro lado, O CENTCOM, né, então esse Comando Central dos Estados Unidos, confirmou execução de uma nova rodada de ataques defensivos no sul do Irã e na Ilha de Qashm.

Que Ilha de Qashm é uma daquelas ilhotas que fica ali no Estreito de Hormuz, é uma área estratégica. E segundo os Estados Unidos, os navios que teriam sido atingidos naquela região, as estruturas que teriam sido atingidas, seriam para evitar que o Irã colocasse mais minas aquáticas, né, minas marítimas ali no Estreito de Hormuz. É uma prática que o Irã vem colocando para tentar controlar e manter o estreito fechado. O Irã diz o tempo todo, Daniel, que olha, essa nova escalada de tensões, né, de bombardeios e tal, não é culpa nossa.

A gente tem, ou pelo menos tinha, um cessafogo em vigor, mas cessafogo ele pega a região como um todo. Só que Israel voltou a atacar o Líbano. A gente falou sobre isso no último episódio. Israel vem avançando sobre o Líbano, que aliás tem gerado um atrito entre o Trump e o Netanyahu. Aliás, essa fala que eu trouxe agora pouquinho, né, do Trump com relação a Netanyahu, é por conta dos ataques lá no Líbano. E o que o Irã diz é: é um cessafogo só.

Se viola o cessafogo no Líbano, o cessafogo aqui no Estreito de Hormuz, ele tá violado também. Enquanto isso, Trump fica dizendo: não, a gente vai fechar acordo a qualquer momento, pô, tô doido para encontrar com o Ramenei. Mas aparentemente, Daniel, quem tá torcendo aí por um fim rápido para guerra provavelmente vai se frustrar. Obviamente isso pressionou o preço do petróleo para cima, teve mais uma alta, mas o cenário na região é muito difícil e a gente parece bastante distante de um acordo no curto prazo.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, tem que ir passando para a próxima pauta. Cuba suspenderá as transações com cartões Visa e Mastercard a partir de 6 de junho, informou o Banco Central do país nessa quarta-feira. Um parceiro estrangeiro que processava operações com cartões de crédito para Cuba decidiu restringir suas atividades após ordem executiva assinada pelos Estados Unidos em 1º de maio, que ampliou significativamente as sanções de comércio com a ilha.

O Banco Central de Cuba, em comunicado, disse o seguinte: "Como resultado dessa decisão, Cuba fica impossibilitada de receber receitas provenientes da venda de bens e serviços por meio de cartões de crédito reconhecidos internacionalmente como Visa e Mastercard. A decisão representa mais um golpe para a economia cubana e, em particular, para o setor de turismo, que é muito importante para a geração de dólares e, consequentemente, para tentar oxigenar ali um pouco a economia do país.

A ordem executiva de Donald Trump desencadeou uma saída de empresas de Cuba nas últimas semanas, incluindo redes hoteleiras estrangeiras, companhias aéreas e empresas globais de transporte marítimo. Nem a Visa nem a Mastercard se pronunciaram sobre a decisão do governo de Cuba. Historicamente, as transações com cartões eram processadas por um banco estrangeiro e pela Finsemex S.A., braço financeiro da Gaesa, conglomerado administrado pelos militares cubanos e alvo de sanções do governo Trump.

Vamos ver como é que a coisa evolui, mas é um passo a mais no projeto Marco Rubio. Acima de tudo, é um projeto Marco Rubio que quer trocar o regime, quer ter realmente no histórico dele como secretário de Estado essa troca de regime. E é interessante porque no dia de hoje o Trump destacou que Marco Rubio e JD Vance formariam uma ótima chapa para as eleições de 2028. Ele não disse quem seria o presidente, quem seria o vice, mas eu acho maravilhoso porque, quando você sugere dois nomes, você não sugere nenhum.

E, ao mesmo tempo, você coloca os dois para se estapearem, se embolacharem, que é a palavra agora da moda aqui no Petit Jornal, embolacharem, enquanto você acaba ali arbitrando, etc. E, se você, claro, nomeia um sucessor, isso imediatamente esvazia o seu poder, ainda mais com tanto tempo de mandato ainda pela frente. Mas o Marco Rubio tem feito de tudo justamente para se cacifar e se tornar ali o sucessor do Trump nas eleições de 2028.

E me parece que a questão de Cuba em particular e da América Latina em geral acaba fazendo parte também desse projeto de alguém que quer projetar internamente uma imagem de implacável, de senhor segurança, de que tá realmente lutando pelos interesses dos Estados Unidos.

DSDaniel Sousa

Eu sei, eu lembro uma notícia aqui e eu trouxe em sua homenagem. Eu queria, eu queria ver esse sorriso nos seus lábios, né, saber que você tá feliz com essa notícia. A Assembleia Geral das Nações Unidas elegeu nessa noite de quarta-feira, na noite passada, os 5 novos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Lembrando, Conselho de Segurança tem 15 integrantes São 5 permanentes e 10 rotativos. Cada rotativo passa 2 anos, a cada ano, portanto, você troca 5.

E a gente tem, portanto, abertura de 2 vagas para a Europa. E a Alemanha fez de tudo, de tudo, fez campanha, pediu voto, implorou, pediu, pediu de novo, pediu mais uma vez, e não conseguiu. A Alemanha ficou em terceiro lugar atrás de Áustria e Portugal. A Áustria conseguiu 131 votos e conseguiu, portanto, a sua cadeira lá. E Portugal recebeu ainda mais, 134 países votaram em Portugal, enquanto a Alemanha conseguiu meros 104 votos.

Isso significa que Portugal recebeu 30 votos a mais do que a Alemanha. E Portugal, portanto, a partir do início do ano que vem vai passar 2 anos no Conselho de Segurança, né? Então vai pegar ali os mandatos 2027 e 2028, enquanto a Alemanha vai ficar no banco de reservas, Daniel Souza, não irá para o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso reflete em grande medida, Daniel, um cenário no qual há uma resistência cada vez maior a essas potências maiores, países que estão sempre lá e tal.

Existe uma certa ideia de que você tem que colocar, é a vez dos países menores, Daniel Souza, é a vez.

TBTanguy Baghdadi

Nada disso, não, que é isso, não, nada disso. Agora, agora vai de tentar desmerecer. Não, não, não, estamos falando dessa potência. Por favor, chame Portugal a partir de agora de Senhor Segurança, por favor. A partir de agora, se refira a Portugal como Senhor Segurança, membro do Conselho de Segurança da ONU, mais votado do que a Áustria, mais votado do que a Alemanha, mostrando justamente essa capacidade de articulação, essa capacidade de conquistar corações e mentes dessa nação, dessa pequena nação na ponta da Europa, mas que consegue projetar uma imagem de amizade e de confiança.

Muito obrigado, Tanguy, por essa magnífica notícia. E a partir de agora, Portugal precisa ser chamado de senhor segurança nesse podcast, ou senhora segurança também pode ser.

DSDaniel Sousa

Portugal e Áustria, portanto, substituem Dinamarca e Grécia, né, que chegam portanto ao fim do seu mandato, e entraram também no Conselho de Segurança O Quirguistão, que vai assumir a vaga do Paquistão ali no bloco da Ásia-Pacífico. Trinidad e Tobago fica com a vaga que era do Panamá. E o Zimbábue substitui a Somália, Daniel. Então são esses os 5 países que passam a ter esse mandato de 2 anos no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membros rotativos, Daniel Souza.

TBTanguy Baghdadi

Tanguia, informo rapidamente que nós tivemos ataques de drones ucranianos a São Petersburgo. Nas vésperas do Fórum Econômico Russo, o fórum econômico do Putin. Nós tivemos o atingimento de um terminal de petróleo. Aliás, as imagens desse terminal de petróleo em chamas são muito impressionantes. E os ataques, como eu disse, ocorreram poucas horas antes do principal fórum econômico promovido por Vladimir Putin na cidade. Isso mostra uma vez mais essa capacidade que os ucranianos estão tendo de atacar a Rússia.

Nós chegamos a falar sobre isso em outros episódios aqui do Pet Jornal. Esse é o elemento novo, claro. Rússia atacando a Ucrânia é algo que a gente tem visto com regularidade nos últimos anos, mas a Ucrânia devolvendo e perpetrando ataques como esse acaba sendo o elemento novo. Ainda mais São Petersburgo, que é a cidade do Putin, e que acaba tendo ali uma carga simbólica que não é pequena.

DSDaniel Sousa

E na Gelera Shakira de hoje, Daniel, a gente também fala sobre a Rússia E você, Daniel, trouxe uma— você é um visionário— você trouxe uma pauta recentemente falando sobre a conversa de, se eu não me engano, era o Putin com Xi Jinping, né, que tava falando ali sobre, pô, viver até os 150 anos, como é que a gente faz e tal. E aí, Daniel, não é ficar só esperando, né, é fazer por onde. Me conta, Daniel.

TBTanguy Baghdadi

Exatamente isso, Tanguy. Em setembro do ano passado, Putin foi flagrado por um microfone aberto dizendo a Xi Jinping que os humanos poderiam alcançar a imortalidade substituindo seus órgãos. Os papos esquisitíssimos. Poderiam viver tranquilamente, na pior das hipóteses, por 150 anos e tal. E essa semana nós tivemos uma matéria do Wall Street Journal que acabou detalhando um pouco mais sobre o que é o plano do Putin contra o envelhecimento e pela longevidade.

O Kremlin investe 26 bilhões de dólares em pesquisas científicas, biotecnologia em medicina regenerativa. Esse plano foi apresentado em 2024 com o título "novas tecnologias de preservação da saúde". A promessa é salvar 175 mil vidas até o final da década. Tratamentos estudados ainda estão em fases experimentais e não possuem comprovação definitiva de eficácia em humanos. Nós temos estudos sobre genética e pesquisas celulares, desenvolvimento de medicamentos experimentais, tecnologias para retardar o envelhecimento humano, financiamento de laboratórios e centros científicos dedicados à medicina da longevidade.

Então, "pagtadi", Vladimir Putin viverá muito tempo ainda, para sua informação. Por isso que ele não está buscando um sucessor, por isso que ele não está falando sobre renovação na Rússia. E 2036, que é logo ali, ele vai precisar estender ainda mais o seu governo, porque ele vai viver muito além de 2036, sabemos disso. Ainda mais com todos esses esforços que têm sido implementados pela Rússia nesse sentido.

DSDaniel Sousa

Que negócio de mandato de 4 anos, né, Daniel? É de um antemundo antigo no qual as pessoas morreram muito cedo, né? Vivendo até os 150, realmente mandar de 4 anos não faz mais sentido, né? Por isso que o Putin tá pensando aí nesse ajuste e tal. E de repente, quando chegar, portanto, a 37 anos de poder, dá para estender um pouquinho mais, dá para ficar um pouquinho mais. Então tá aí as novidades, né, tecnológicas e científicas Da Rússia, Daniel Souza, deixa aqui o convite.

A gente falou hoje sobre Bahrein e falamos sobre Kuwait, né, dois países que estão sendo abordados no atual curso lá do Pit Cursos. A gente tem uma aula ontem sobre o Bahrein, a próxima aula é exatamente sobre Kuwait, ainda vamos ter uma aula sobre Omã, já tivemos aula sobre o Catar, exatamente sobre esse país do Golfo. E esse é apenas um dos cursos que você passa a acessar e você passa a poder assistir na hora que você quiser se você se tornar aluno do Petcurso.

Acessa lá petcurso.com.br e o meu desafio é: entra lá no site para dar uma olhada no catálogo. Eu tenho certeza que vários dos temas que estão lá abordados em aulas, em temas, em cursos vão te interessar. Acessa lá petcursos.com.br.

TBTanguy Baghdadi

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Patreon. Vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. Patreon é uma mídia pequena, precisa bastante da ajuda de nossos apoiadores, a quem agradecemos enormemente. Muito obrigado a cada um de vocês, vocês se sentam conosco aqui nessa bancada. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas, tem a chave PIX, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetJornal. Você pode, inclusive, ativar o PIX recorrente, chave PIX no descritivo desse episódio. Temos o link do Apoia.se, temos o link do Patreon, que acaba sendo uma boa alternativa para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

DSDaniel Sousa

É isso, Daniel Souza. Amanhã é feriado, a gente não tem episódio nessa quinta-feira. A gente volta na sexta-feira de manhã para o Petim Investe. Nos vemos, Daniel Souza. Um abraço, até a próxima.

TBTanguy Baghdadi

Valeu, tchau tchau! Peti Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petijornal.com.br.

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