Episódios de Petit Journal

Novo tarifaço contra o Brasil - BP 1087

03 de junho de 202632min
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Os Estados Unidos anunciam novas tarifas contra produtos brasileiros, ampliando tensões comerciais entre Brasília e Washington. No episódio analisamos os setores potencialmente afetados, as razões políticas e econômicas por trás da medida e as possíveis respostas do governo brasileiro. Também discutimos as declarações de Marco Rubio, que afirma que o Brasil não pode ser considerado um país amigável aos interesses americanos, em mais um sinal de deterioração da relação bilateral.
Abordamos ainda o papel crescente dos drones na estratégia militar da Ucrânia contra a Rússia e a pressão exercida por Donald Trump sobre Israel para conter novos avanços militares no Líbano.
Na Geleia da Shakira, viraliza um vídeo produzido com inteligência artificial no qual o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade protagonizam uma disputa simbólica em meio à guerra de narrativas entre Irã e Estados Unidos.
#Brasil #EstadosUnidos #Tarifas #Geopolítica #Ucrânia
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos6
  • Tarifas Americanas BrasilNovas tarifas punitivas de 25% · Setores afetados: PIX, etanol, pirataria, desmatamento, anticorrupção · Razões políticas e econômicas · Possíveis respostas do governo brasileiro · Marco Rubio · Donald Trump · Governo Lula
  • Rodadas BrasileirãoDeclarações de Marco Rubio sobre o Brasil não ser um país amigável · Deterioração da relação bilateral · Marco Rubio · Donald Trump · Lula · Nicarágua · Cuba · Venezuela
  • Importância da Ucrânia em Guerra de DronesPapel crescente dos drones na estratégia militar · Drones baratos e seu poder de fogo · Ataques russos com drones e mísseis · Respostas da Ucrânia e aumento da produção de drones · Empresa FirePoint · Zelensky
  • Pressão dos EUA sobre Israel e LíbanoTrump pressiona Israel a conter avanços militares no Líbano · Trégua dentro de trégua · Irritação de Trump com governo israelense · Negociações com o Irã · Donald Trump · Netanyahu · Hezbollah
  • Fofocas sobre ShakiraVídeo viral com inteligência artificial · Cristo Redentor vs. Estátua da Liberdade · Guerra de narrativas Irã-EUA
  • China reconhece território brasileiro livre de febre aftosaReconhecimento do status sanitário do Brasil · Parceria comercial China-Brasil · Embaixada da China no Brasil
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?Voz A

Petit Journal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao Petit Journal. Esse é o bate-papo número 1087. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit, são exatamente 17 horas e 38 minutos da terça-feira, 2 de junho de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece Tanguy, vírgula, ou Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, atumbante, descansado e tarifado, muito mais tarifado do que ontem.

Vejam vocês, vejam senhores e senhoras como está tarifado o professor Bagdadi, muito preocupado com insônia em função das múltiplas preocupações que a dinâmica internacional tem trazido ao longo dos últimos tempos. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das Últimas Horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

?Voz B

Tudo bem, Daniel Souza, com esse, vamos lá para esse bate-papo 1087. Daniel Souza, eu achei que esse papo de tarifa tinha acabado. Tarifa para cá, tarifa para lá, já tá dando inflação, mas o homem voltou, colocou mais tarifa de novo sobre o Brasil. Queria dar as boas-vindas aqui a todo mundo que acompanha nosso trabalho. Muito obrigado pela presença de vocês. Fazer o PetJornal dá um trabalho danado, mas é muito prazeroso, principalmente porque a gente tem a companhia de vocês.

Daniel Souza, me conta o que que aconteceu, cara. Tarifa de novo, de novo sobre o Brasil. O que que só você viu, Daniel?

?Voz A

O governo dos Estados Unidos anunciou tarifas punitivas de 25% sobre parte das mercadorias importadas do Brasil. A medida, ela tá protegida pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após uma investigação que considerou as práticas brasileiras irracionais e que oneram ou restringem o comércio com os Estados Unidos. Aliás, o CRIA, que é justamente o representante comercial americano, classificou a medida como bastante equilibrada devido ao amplo conjunto de isenções que também acabaram sendo concedidas no momento em que as tarifas foram anunciadas.

Nós tivemos aí uma série de áreas investigadas justamente no guarda-chuva da Seção 301 e ficou muito claro o que incomoda os Estados Unidos e me parece que o governo Trump quer acima de tudo negociar e quer forçar uma negociação e quer ter ali algum tipo de vantagem nessa dinâmica de negociação. Áreas investigadas: PIX. Sim, o serviço de pagamentos brasileiro incomoda bastante os americanos, é considerado uma prática anticompetitiva, uma prática desleal, atrapalha ali o Google Pay, atrapalha o Apple Pay, também os cartões de crédito da Mastercard e da Visa, etc., e consequentemente alguma coisa precisa ser feita para evitar que os brasileiros continuem com essa prática desleal.

Também estamos falando de tarifas preferenciais adotadas pelo Brasil em acordos comerciais com o México e com a ndia, por exemplo. Daqui que eu saiba, acordos comerciais são celebrados mesmo e eventualmente você concede tarifas preferenciais para o parceiro comercial que você achar que deve. Mas enfim, os americanos estão reclamando disso. Temos também questões relacionadas à pirataria. O Brasil não protege ali a propriedade intelectual americana como deveria.

Tem os outros países aí que também não protegem, e eu tenho a impressão que tem uma galera ali na 5ª Avenida, em Manhattan mesmo, um lugar, enfim, que não vem ao caso citar, que também não protege muito, digamos assim, a propriedade intelectual dos Estados Unidos, mas não vem muito ao caso, vamos adiante. Acesso ao mercado de etanol. Os americanos reclamam já há vários anos que o Brasil bloqueia o acesso deles ao mercado de etanol.

Isso incomoda e já foi verbalizado pelos Estados Unidos múltiplas vezes. Desmatamento ilegal. Sim, o governo Trump está preocupado com desmatamento ilegal no Brasil.

?Voz B

Eles perdem o sono com isso, Daniel Souza. Eles ficam preocupadíssimos. Sim, a gente sabe disso.

?Voz A

E nos últimos tempos tivemos inclusive uma redução do desmatamento no Brasil. E falhas na aplicação de leis anticorrupção. E aí você tem a citação em relação ao cancelamento de decisões da Operação Lava Jato. No caso das isenções, nós tivemos uma lista imensa de produtos isentos. Nós temos produtos como, por exemplo, produtos alimentícios e agrícolas estão isentos. É o caso de carne bovina, frutos do mar, hortaliças, tubérculos, frutas, nozes, café, bebidas e estimulantes, cacau e derivados, especiarias, produtos processados.

Temos também recursos naturais, é o caso de minérios, minerais, energia e combustíveis. Produtos químicos também estão isentos, que é o caso de químicos industriais, fertilizantes, saúde e farmacêuticos. Produtos aeroespaciais também estão isentos, motores e peças, componentes de voo, equipamentos internos, materiais diversos. Também estão isentos madeira, papel, celulose, metais preciosos. Enfim, tem muito produto que está isento.

Me parece que dessa vez os americanos tomaram muito mais cuidado do que da vez anterior, percebendo justamente quais são os segmentos nos quais o Brasil é meio incontornável. E, consequentemente, não tarifar o Brasil para que não gere ali um impacto inflacionário relevante. E é importante destacar, uma vez mais, que me parece que há ali uma preocupação por parte dos Estados Unidos de tentar dobrar o Brasil. Olha, Brasil, você está me incomodando em muitas áreas.

Você está me incomodando na questão do PIX, você está me incomodando na questão do etanol, você está me incomodando em múltiplas áreas e, consequentemente, eu quero Uma negociação, eu quero ter vantagens. A argumentação dos americanos é que eles querem reduzir o gigantesco déficit comercial dos Estados Unidos. O grande problema é que o Brasil tem um histórico de déficit comercial com os americanos e, consequentemente, isso não deve ser um problema.

No caso do Pix, que claramente é um elemento central no incômodo, o Pix é uma ferramenta desenvolvida pelo Brasil e, caso ela se espalhe pelo mundo, isso é perigosíssimo realmente para métodos de pagamento americanos que na prática são mais caros, mais lentos, menos eficientes que o Pix. O Pix não é exatamente gratuito, quer dizer, ele é gratuito para quem usa, mas o Banco Central Brasileiro, ele tem um custo para manutenção do sistema e ele acaba realmente oferecendo, franqueando isso à sociedade brasileira.

E nos últimos tempos você tem tido até o Pix sendo utilizado em locais fora do Brasil, você tem gente na Argentina que viaja e paga em Pix, você já tem até notícias na Europa que tem gente que viaja e paga em Pix. Por conta realmente dessa facilidade. O Brasil tem um sistema bancário, um sistema financeiro que é muito eficiente e é muito competitivo, e isso tem trazido problemas ali para empresas americanas, particularmente nesse mercado gigantesco de sistemas de pagamento, no qual o Pix acabou tomando muito espaço.

Agora, é campanha, tem que estar todo mundo em campanha. O governo brasileiro está em campanha, a oposição no Brasil está em campanha. O Marco Rubio tá em campanha porque quer ser o substituto do Trump. O Trump tá em campanha porque tem ali realmente as midterm elections que acontecem nesse ano. E tá todo mundo querendo projetar uma determinada imagem nesse momento. E isso acaba obviamente trazendo repercussões importantes para o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos.

Lembrando sempre que o Brasil reduziu muito a sua dependência do mercado americano no que diz respeito às exportações. Exporta hoje pouco mais de 10%. De tudo que é exportado vai para os Estados Unidos. Agora, o impacto na economia brasileira coletivamente não tende a ser relevante, mas o impacto em alguns setores específicos que dependem muito do mercado americano tende a ser muito desastroso, o efeito. E isso é algo que muitas vezes precisa do nosso olhar e da nossa atenção.

?Voz B

Você tava falando sobre todo mundo em campanha, Daniel. Me parece que há de fato um direcionamento no governo americano para tentar colocar o atual governo brasileiro em maus lençóis. Né? E aí você tem toda uma articulação com Flávio Bolsonaro, né, que é o candidato da oposição, no sentido de tentar colocar ele, Flávio, como aquele que vai tentar ajudar o Brasil e tudo. Flávio inclusive apareceu aí dizendo que tinha falado, falei para o Trump para não colocar as tarifas e tudo.

Então, se por acaso as tarifas forem retiradas, o Flávio vai poder dizer que, olha aí, tá vendo, fui eu que intercedi tudo. Isso fica mais claro, Daniel, quando a gente vê a posição, por exemplo, do secretário de Estado americano, o Marco Rubio, que disse no dia de hoje— ele hoje, ele falou numa audiência no Senado, Daniel, foi a primeira vez, aliás, que ele falou no Senado desde o início da guerra lá no Irã, né? Então, desde o dia 28 de fevereiro, foi a primeira vez que ele falou.

E ele disse que o Brasil, né, em meio a essa audiência, sua política externa, ele disse que o Brasil não integra coalizão de nações consideradas amigáveis aos interesses dos Estados Unidos no hemisfério ocidental. E aí ele começou a citar, Daniel, países que não estão nessa lista. São países que, quando você diz que não é amigável, Daniel, aquele país que você desconfia, aquele país que você pode ter problemas. Então disse ele, ele falou que grande parte dos países aqui da região estão junto com os Estados Unidos depois de 20 anos de negligências que permitiram a expansão da influência chinesa na região.

E aí ele começou a falar os países que não estão, que são como se fossem exceções. Então ele disse o seguinte: com exceção da Nicarágua e Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio do ciclo eleitoral, em certa medida também do atual governo da Colômbia, ou pelo menos seu presidente, que tem sido problemático, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos.

Então O Brasil foi colocado numa lista, Daniel, junto com Nicarágua, Cuba, Venezuela e o atual governo da Colômbia. O recado aqui é: a Colômbia é nossa aliada, sempre foi, tudo. O atual presidente coloca problemas, mas tirando isso, os problemas são Nicarágua, Cuba, Venezuela e Brasil. Ou seja, você coloca o Brasil numa lista aí que normalmente o Brasil não tá. Normalmente o Brasil é um país que tem uma postura muito mais afável aos Estados Unidos.

Importante sempre notar que, mesmo sendo o presidente Lula, né, o presidente de esquerda e tudo, sempre manteve uma boa relação com os Estados Unidos, né. Teve lá suas críticas e tal, que é natural, me parece que tem que acontecer, mas não é exatamente um presidente, um governo hostil aos Estados Unidos. E aliás, o próprio Lula, Daniel, falou hoje, né, ele reagiu ao tarifaço e ele disse o seguinte: o Marco Rubio é anti-América Latina, é inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos.

Eu, quem tá falando aqui é o Lula, tá? Eu já disse ao Trump que ele, Marco Rubio, não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump. Então aqui o Lula, ele tenta dar uma amenizada na situação dizendo: olha, o problema não é entre o Brasil e Estados Unidos, entre o Lula e o Trump, problema é o Marco Rubio. Marco Rubio não gosta da América Latina, o Marco Rubio tem problemas com determinados países e tá tentando engolfar o Brasil nesse nível de problema.

Mais uma vez, a relação do Lula com Trump é uma relação boa. As notícias que a gente tem, as informações que a gente tem são de que esse diálogo entre Lula e Trump não vai arrefecer, não vai recuar. Mas de qualquer maneira, o recado que é dado aqui é: Brasil, se liga, porque a gente pode agir, a gente pode te colocar em maus lençóis. É melhor você cooperar com a gente, ou naturalmente levar em consideração, a gente tem que levar em consideração a questão eleitoral.

?Voz A

Daniel, é interessante porque me parece que é um cálculo por parte do Brasil, Tanguy, de não explodir pontes com o Donald Trump. Então, desde a semana passada, quando teve aquela questão do PCC, do Comando Vermelho, a crítica ela foi direcionada ao Marco Rubio o tempo todo. O Marco Rubio está em campanha para ser o sucessor do Trump, e agenda principal do Marco Rubio é extirpar a esquerda, o comunismo da América Latina. E por isso você teve aí uma citação muito clara de governos mais à esquerda, alguns inclusive ditaduras, como é o caso da Nicarágua, como é o caso de Cuba, etc.

Ele tem ali um projeto de trocar o regime em Cuba, tudo isso para projetar domesticamente uma imagem de alguém forte, de alguém que é capaz de tocar a política externa dos Estados Unidos e defender os interesses americanos. O bom da fala dele é que ele é extremamente claro em relação aos objetivos dos Estados Unidos. Não que ele não tivesse sido antes, mas existe ali uma claríssima preocupação por parte dos americanos de projetar uma imagem internacionalmente de força com base em uma região pacificada, ou seja, eu não tenho como ser forte internacionalmente se eu não venço dentro de casa, e dentro de casa é a América, é o continente americano, é a América Latina.

Eu preciso extirpar a influência chinesa da região, seja no Panamá, seja no Brasil, seja na Colômbia, não interessa, a China tem que sair daqui. "porque esse continente é o meu continente e eu quero ter aqui uma influência grande nesse hemisfério ocidental". E, nesse sentido, o Brasil fica ali numa situação bastante delicada, porque quer manter alternativas abertas, ao mesmo tempo que quer ter um bom relacionamento com os Estados Unidos, e esse tarifácio é mais um desafio agora.

Os americanos querendo ali, de alguma forma, uma negociação a mais com o Brasil, ganhar, em algumas questões dentro dessa lógica trumpista de negociação. Tudo isso temperado por um Marco Rubio que está correndo para ser o sucessor do Trump e tem na América Latina o lugar mais caro a ele no que diz respeito à sua política externa. Lembrando sempre que na conversa entre Lula e Trump, Rubio realmente não estava lá, ele estava na Itália conversando com o Papa por conta da confusão do Trump com o Papa.

?Voz B

E aí, isso tudo, Daniel, quando a gente pensa nessa pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, uma boa parte da pressão ela se dá também em nome das big techs, né? Você tem as big techs ali querendo ter uma atuação maior no Brasil e tudo. E as big techs, Daniel, elas têm como um dos seus fundamentos ter os seus dados. Você que tá me ouvindo, as big techs querem seus dados. Isso não é novidade nenhuma, né? As redes sociais querem seus dados, todo mundo quer seus dados.

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?Voz A

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?Voz B

Daniel, a próxima pauta que eu queria trazer é sobre a Ucrânia, né? Na verdade, essa guerra entre Rússia e Ucrânia. A gente já falou sobre aqui em outros momentos, Daniel, que essa guerra entre Rússia e Ucrânia, ela está mudando a maneira pela qual as guerras são lutadas. Os drones não são uma novidade. Aliás, os Estados Unidos, por exemplo, durante o governo do Obama, usavam muito drone e de maneira extremamente destrutiva. Muito civil morreu, inclusive.

Com os drones utilizados pelos Estados Unidos. Mas a novidade que a gente teve nessa guerra, ou que se popularizou nessa guerra na Ucrânia, são os drones baratos. São aqueles drones com custo muito, muito baixo de produção e que tem um poder de fogo muito grande. Então essa guerra na Rússia, né, da Rússia contra Ucrânia, começou com aquelas invasões com tanque, Daniel. Pareceu outro planeta, né? Aquelas invasões com tanque, com soldados na frente de batalha e tudo.

E uma guerra que nesse momento acontece de forma muito mais rápida, é com drones muito baratos, o que permite que você tem uma quantidade muito grande de drones para determinados ataques. E isso se torna, portanto, a cara dos ataques. A gente teve, Daniel, na segunda-feira, no dia de ontem, né, até a madrugada de hoje, né, madrugada de terça, ataques russos contra a Ucrânia que mataram pelo menos 22 pessoas e deixaram mais de 100 pessoas feridas.

E foram ataques que utilizaram drones principalmente. A Rússia disparou 656 drones, segundo a Ucrânia, e 73 mísseis balísticos. Claro que os mísseis não deixam de ser utilizados. Agora, a relação de um para outro é impressionante, né, Daniel? São 656 drones contra 73 mísseis, e que atingiram, portanto, diversas estruturas, inclusive estruturas civis. Segundo a Rússia, Os alvos eram estruturas de fornecimento de energia e o objetivo era ensinar uma lição para a Ucrânia.

Segundo a Rússia, os ataques sistemáticos são uma resposta ao bombardeio com drone— olha os drones de novo aí— ocorrido no mês passado, que a Ucrânia promoveu contra um dormitório em Luhansk. Luhansk, aquele território que é ucraniano, mas que a Rússia anunciou a sua anexação. Invadiu e anunciou anexação. Que então atualmente é uma região controlada pela Rússia. E esse ataque contra Luhansk resultou na morte de 21 pessoas. A Rússia anunciou que ia reagir e tá fazendo, portanto, ataques muito, muito pesados, que levou inclusive os Zelensky a aumentar a sua pressão por ajuda aos Estados Unidos.

Pelo amor de Deus, você tem que mandar para gente mísseis Patriot, tem que ajudar com a gente com mais radares, a gente precisa precisa de mais ajuda. A outra interpretação que foi feita pelo governo ucraniano é não apenas de que a gente precisa de ajuda, mas de que isso mostraria um certo desespero da Rússia. Para Rússia avançar tá muito difícil, né? A Rússia, ela conseguiu avanços importantes, então atualmente ela tem cerca de 20% do território ucraniano, mas não tem conseguido avançar mais.

Agora, Daniel, a guerra, uma vez que agora ela se dá por meio de drones, ela vai envolver também investimentos em drones, né? Os drones, eles se tornam, portanto, novo elemento crucial para as guerras, né? E a Ucrânia certamente está atenta a esse fato.

?Voz A

É verdade, Tanguy. Aliás, os drones têm levado justamente a um maior equilíbrio na guerra entre os dois países. O Zelensky inclusive disse recentemente que este mês trouxe mudanças na dinâmica a favor da Ucrânia. Estamos mantendo posições, mais posições e causando mais danos, né? O Zelensky acabou dizendo algo mais ou menos nessa Nessa linha, o chefe da missão ucraniana na OTAN destacou que eles agora, eles ucranianos, estão na posição mais forte desde o início da guerra.

Aliás, autoridades militares da OTAN e especialistas têm dito que isso é verdade, que a Ucrânia realmente tem estado muito mais forte e demonstrando uma capacidade de fogo que jamais demonstrou na guerra até agora. E isso pode ser verificado por essa dificuldade por parte da Rússia em continuar os seus avanços e também os danos que têm sido impostos à Rússia no que diz respeito ao seu refino de petróleo e até ataques à própria cidade de Moscou.

E a grande estrela realmente desse esforço ucraniano é uma empresa chamada FirePoint, que é uma empresa que foi fundada em 2022 e ela produz cerca de 300 drones FP-1 e FP-2 de médio e longo alcance por dia, ao custo de cerca de 50.000 euros cada. Esses drones têm sido realmente o grande destaque da Ucrânia no que diz respeito ao enfrentamento da Rússia. Aliás, considerando a produção de 2025 versus a produção de 2026, nos 4 primeiros meses os drones de reconhecimento aumentaram, aumentaram na Ucrânia a sua produção em 441%.

Drones de ataque intermediário, aumento de 312%. Sistemas de ataque profundo, aumento de 53%. Tudo isso financiado com grana europeia, fundamentalmente. Então, esse é o crescimento da produção ucraniana, comparando, né, os 4 primeiros meses de 2026 em perspectiva com os 4 primeiros meses de 2025. Aliás, os ucranianos têm dito, e aí é uma fonte ucraniana, a gente não tem certeza, que os russos há 5 meses perdem mais homens no campo de batalha do que repõem, que eles estão perdendo em média 35 mil soldados por mês e que só conseguem repor algo em torno de 29 mil.

Isso a gente está falando por mês. E que a Rússia já teria tido 1,2 milhão de soldados mortos ou feridos desde o início da guerra e que esse processo tem se intensificado ao longo dos últimos meses e que as baixas ucranianas seriam entre 500.000 e 600.000. Não temos dados oficiais, isso aqui são estimativas, estimativas ocidentais que podem estar viesadas, mas o que é fato é que a Ucrânia parou a Rússia e que ela tem imposto à Rússia danos que não tinha imposto até agora E existe nesse sentido uma expectativa do que acontecerá na guerra daqui para frente.

O fato é que a questão dos drones realmente mudou a história das guerras. Agora a gente está falando de uma dinâmica completamente diferente do que nós tínhamos até bem pouco tempo atrás.

?Voz B

Daniel, a próxima pauta eu quero voltar a falar sobre o Líbano. Só para lembrar, Daniel, a gente teve um cessafogo anunciado pelo Trump em meados de abril Era mais ou menos a mesma época ali que tava se anunciando também algum nível de cessafogo entre os Estados Unidos e Israel de um lado e o Irã do outro. O Irã sempre disse que é uma coisa só, é, o cessafogo tem que ser uma coisa só. Se atacar o Líbano, o cessafogo ele deixa de valer.

E a gente teve, a gente falou sobre isso no episódio, no outro episódio da semana, no episódio de ontem, que Israel continua avançando. A gente falou inclusive sobre a conquista lá do Castelo de Bofor, que fica ao norte do Rio Litânia, que seria o limite ali para presença de tropas israelenses. Pois bem, Daniel, no dia de hoje o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma trégua. É uma trégua dentro de outra trégua, porque teoricamente a trégua anterior ainda tá em vigor.

E isso demonstrou, Daniel, uma certa irritação. Os indícios todos que há é de que os Estados Unidos, né, o governo americano, Trump e tal, tá meio irritado com o governo israelense Porque é como se o governo americano tivesse ali tentando, remando para tentar um acordo com o Irã. Essa guerra tem que acabar logo, tá gerando inflação, tá corroendo a popularidade do Trump. É uma guerra que você não consegue terminar. O Trump, ele fica meio desmoralizado, né, porque ele sempre falou em acabar com as guerras sem fim.

E você tem uma guerra que você não vê muito como é que ela pode terminar. O Trump prometeu que ia acabar com o programa nuclear iraniano, não conseguiu terminar e tal. Então Há uma certa pressa de tentar negociar algum tipo de acordo com o Irã, que aí Israel vai lá e conquista o Castelo de Bofor. Você passa a ter um problema, que é como é que você mantém um cessafogo numa condição como essa? Então, é o que o Trump anuncia, que vai ter uma trégua dentro da trégua.

O que ele tá dizendo é: gente, eu vou controlar Israel, pode deixar que eu vou dar um jeito, Israel vai ficar comportado. E aí ele disse: olha, o Hezbollah concordou em não fazer novos ataques. Eu garanto, Hezbollah não vai fazer novos ataques. E aí o Trump disse, inclusive, né, abre aspas, ele colocou isso lá na rede social dele: não haverá tropas israelenses, naturalmente, indo a Beirute, e qualquer contingente a caminho já deu meia-volta.

O tom é mais ou menos esse, né, Daniel? Olha, gente, por favor, eu tô, eu tô tentando controlar o Trump, o Netanyahu, vai dar tudo certo. E aí, Daniel, Segundo o portal Axios, a gente fala sobre o Axios aqui de vez em quando porque é um portal que quase sempre que fala depois acaba se comprovando. Então, segundo o portal Axios, funcionários do governo americano disseram sob condição de anonimato que a seguinte fala foi dita por Donald Trump para Netanyahu, abro aspas, segundo Axios, tá: você é um completo maluco.

'Você estaria na prisão se não fosse por mim. Eu estou salvando a sua pele. Todo mundo te odeia agora. Todo mundo odeia Israel por causa disso. O que você está fazendo?' A gente não sabe exatamente que contexto que isso aqui aconteceu, mas aparentemente é por conta da insistência de Netanyahu em continuar atacando o Líbano em meio a esse tipo de negociação. As negociações estão acontecendo. E aliás, o Irã reagiu e disse o seguinte, ó: a partir do momento em que Israel continua atacando o Líbano, para gente as negociações acabaram porque o cessafogo foi violado.

E o Trump do outro lado disse o seguinte: não, as negociações estão avançando, não, a gente vai, o acordo mais hora menos hora acontece aí. Então, Daniel, isso aqui a gente já ressaltou várias vezes aqui no Pet Jornal, a relação entre Trump e Netanyahu ela é sim uma relação de aliança. Estados Unidos e Israel claramente são aliados, Mas isso aqui a gente falou aqui, Daniel, até antes do Trump assumir esse segundo mandato. O Trump tem um problema com Netanyahu porque ele tem a impressão, e ele tá certo nessa impressão, de que Netanyahu quer ter a iniciativa das ações.

E o Trump quer dizer o tempo todo: não, não, quem decide sou eu, não é Israel que decide, sou eu que decido. A realidade está mostrando que de fato Israel toma as decisões e os Estados Unidos acabam tendo que reagir às decisões que Israel Tomou. Esse agora, portanto, é mais um caso. O Trump tá negociando com o Irã, Israel vai lá e avança sobre o Líbano, o que coloca os Estados Unidos numa posição de dizer: gente, tá tudo bem, eu vou controlar esse meu aliado aqui.

Mas cenário difícil, viu, Daniel? A ponto de você ter uma trégua dentro da trégua, que mostra que a trégua não era tão sólida, tão consolidada quanto tava sendo vendida até esse momento.

?Voz A

Podemos avançar para geleia da Shakira de hoje?

?Voz B

Precisamos, Daniel. Traz a geleia de hoje.

?Voz A

Na geleia da Shakira de hoje vamos falar sobre um vídeo de de inteligência artificial produzido pelo governo do Irã e divulgado pela embaixada iraniana na Tunísia. Tanguy, esse vídeo se passa no Rio de Janeiro. Nós temos ali a Estátua da Liberdade avançando em direção ao Cristo Redentor. E aí o Cristo Redentor reage e acaba embolachando a Estátua da Liberdade ali em pleno Morro do Corcovado. Ô Tanguy, eu olhei para esse vídeo e pensei: "Pelo amor de Deus, Irã!" Não tenho nada a ver com isso.

Deixa a gente aqui, rapaz. Não tem nada a ver com isso, com a tua confusão aí, os teus B.O. aí com os Estados Unidos. Você resolva aí, vocês que, pô, se resolvam. A gente não tem nada a ver com isso, rapaz. Deixa o Cristo Redentor quietinho aqui, rapaz. Ai, meu Deus do céu, não me arrasta para essa confusão.

?Voz B

Não, e do jeito que o Trump é, é capaz do Trump acreditar, Daniel Souza. É capaz do Trump acreditar que isso aconteceu de verdade, se voltar contra o Brasil. A gente, aliás, estava na resenha aqui antes da gente começar o episódio Fazendo uma comparação que uma briga ali entre Cristo Redentor e Estado da Liberdade é pau a pau, tá? Você tira ali o pedestal da Estado da Liberdade, abaixa o braço dela, altura não é muito diferente. Mas o Trump é, é, não é verdade não, hein? A gente não tem nada a ver com isso.

?Voz A

É produzida pelos iranianos, hein, Trump? Não foi a gente não, hein? A gente aqui, a gente que tá aqui no Rio de Janeiro, tem nada a ver com isso, hein?, ó, adoramos vocês aí, americanos e iranianos aí, vocês que, pô, tão ótimos aí, uma relação gostosa entre vocês. Dialoguem, conversem bastante, enfim. E deixa a gente aqui, pelo amor de Deus, não tenho nada a ver com isso, tem nada a ver.

?Voz B

Dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Muito obrigado pela presença de vocês. Quero lembrar que nós temos, aliás, é hoje ainda, né, daqui a pouquinho temos aula lá no Pit Cursos. Hoje a gente vai ter uma aula sobre o Bahrein. A gente tá num curso agora no qual a gente fala sobre a ultramargem do Golfo. A gente tem falado muito, claro, sobre o Irã,, né, tudo que tá acontecendo por lá. A gente teve um curso anterior no qual a gente falou muito sobre o regime iraniano, as decisões iranianas, a estratégia de segurança do Irã.

E agora a gente vai falar sobre, estamos falando no atual curso sobre alguns outros países do Golfo: Catar, Omã, Bahrein, é alguns países ali que são Kuwait, né, são países que às vezes a gente sabe pouco, mas que estão diretamente envolvidos. Esses são apenas alguns dos cursos que a gente tem presente lá na plataforma. Você tornando-se aluno, você passa a ter acesso a todo o catálogo. Dá uma olhada lá, acessa lá, petcursos.com.br, para você ver o catálogo, tudo que você vai ter acesso se você se tornar aluno. petcursos.com.br.

?Voz A

Teng, antes de avançar para os agradecimentos, eu queria apenas trazer um breaking news que tem tudo a ver com o nosso episódio, que a Embaixada da China no Brasil publicou uma informação que o governo da China anunciou o reconhecimento do status sanitário de todo território brasileiro como livre de febre aftosa. Na prática, foi basicamente: Brasil, Estados Unidos está te tratando mal? Pô, vem comigo aqui, pô, tô aqui para te ajudar, tô vendo aí que você tá com uma dificuldade comercial aqui, a China podendo estabelecer uma parceria com vocês.

Enfim, é apenas para encerrar aqui o nosso episódio. Aliás, fica o nosso agradecimento a todos os apoiadores e apoiadoras do PetJornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet Jornal é uma mídia pequena, acaba dependendo bastante da ajuda de nossos apoiadores, a quem agradecemos enormemente. E fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave PIX, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Dá inclusive para ativar o PIX recorrente. Chave PIX no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia.se, o link do Patreon, que acaba sendo uma boa oportunidade para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

?Voz B

Pode fazer Pix então, Danilo?

?Voz A

Pode, pode. Chave Pix no descritivo desse episódio.

?Voz B

Não temo, pode fazer Pix à vontade, que Trump ainda não nos proibiu de fazer Pix. Danilo, eu sou dessa maneira. A gente encerra o nosso episódio. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.

?Voz A

Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Acesse www.petitjornal.com.br.

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