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Inflação explode na Europa - Invest 131

02 de outubro de 202617min
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A inflação dispara na Europa e os juros sobem, mas o euro reage de maneira aparentemente contraditória: em vez de se valorizar, a moeda europeia perde força. Neste episódio, explicamos por que juros mais altos nem sempre significam uma moeda mais forte e quais fatores estão pesando sobre o euro.
Analisamos o impacto das expectativas sobre inflação, crescimento e política monetária, além do cenário de incerteza política que aumenta a percepção de risco sobre a Europa. O comportamento do euro ajuda a mostrar como os mercados estão interpretando um momento particularmente delicado para a economia europeia.
#Europa #Inflação #Euro #Juros #Economia
Participantes neste episódio2
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
D

Daniel Sousa

Co-hostJornalista
Assuntos5
  • A inflação na Europa e a reação contraditória do euroinflação anual acima da meta·juros mais altos não valorizam moeda·desvalorização do euro em relação ao dólar
  • A fragilidade política e econômica da União Europeiacrise do projeto europeu·ascensão da extrema-direita·questionamento dos pilares França e Alemanha
  • A incerteza global e o impacto nos fluxos de capitaiselementos geopolíticos pressionando a economia·erosão democrática e desmoronamento de organismos multilaterais·Estados Unidos como opção mais segura que a Europa
  • A expansão fiscal e o endividamento crescente na Europaaumento dos gastos públicos·crescimento do endividamento em relação ao PIB·tensão entre países do norte e sul da Europa
  • A mudança de postura da Alemanha em relação à austeridade fiscalAlemanha defendia equilíbrio das contas·mudança para expansão fiscal·pressão da extrema-direita
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
TBTanguy Baghdadi

PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

DSDaniel Sousa

Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o PetInvest número 131. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal, são exatamente 9 horas e 26 minutos da manhã de sexta-feira. 2 de outubro de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece e co. Tanguy, o bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, muito tarifado, e se recusando a jogar golfe com Donald Trump.

Ele chegou a enviar uma mensagem destacando que ele aceitaria jogar biriba, mas golfe não. Golfe não é o caso, pelo menos por enquanto. E por isso ele segue viciado em brigadeiro de colher na madrugada. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias na área econômica, na área dos investimentos. Esse é o Pet Invest, espaço de toda sexta-feira aqui do Pet Jornal para trazer esse tipo de reflexão. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse Petit Investe 131 para dar, para finalizar a nossa, a nossa semana aqui no Petit Jornal. Mais um episódio para a gente falar sobre temas econômicos, sobre investimentos, né, esse espaço tradicionalíssimo. E Daniel Souza, a gente fala aqui sobre fazer boas escolhas econômicas, né, como é que a gente chega a boas escolhas econômicas de países, governos, empresas. E você que tá nos ouvindo pode fazer uma excelente escolha econômica dando uma olhada no link da Insider Store que tá na descrição desse episódio.

Daniel, o cupom do Petit Jornal oferece para todos os nossos ouvintes um mega desconto, tá? É o desconto que te permite inclusive conhecer ainda melhor os produtos da Insider. A Insider tem uma linha super completa que você consegue utilizar em todos os momentos da sua rotina. Você vai trabalhar, a Insider tá lá. Você quer ir para academia, vai sair no final de semana, você quer uma coisa mais casual, mais formal, Tudo tem lá na Insider Store com produtos de qualidade, tecidos tecnológicos, durabilidade.

Você tem certeza que não vai se arrepender utilizando o cupom que tá na descrição desse episódio. Daniel Souza, para o nosso episódio de hoje a gente precisa falar um pouquinho sobre a Europa. A gente está tendo na Europa um cenário pouco usual, que é de uma inflação que parece meio fora de controle quando a gente olha para o padrão europeu, né, para tradição de inflação europeia. A coisa tá um pouco fora do lugar e com movimento do euro que não é exatamente aquele que a gente também tá acostumado, estaria acostumado para um cenário como esse. Me explica, Daniel, o que que tá acontecendo?

DSDaniel Sousa

Pois é, tá aqui a inflação na zona do euro, ela subiu para 3,8% em setembro, prévia da Eurostat, e a gente tá falando de uma inflação anual bem superior à meta que é de 2%. Aliás, uma inflação que tá quase o dobro da meta, não é uma diferença pequena. Em agosto, era 3,2% a inflação na Europa considerando os 12 meses anteriores. Alemanha, França, Itália, Espanha vieram acima do previsto, ou seja, nós estamos falando de um ambiente onde as principais economias da Europa estão apresentando um processo de aceleração inflacionária importante, inclusive superando expectativas que já eram de alta da inflação.

No caso da Espanha, a inflação atingiu inacreditáveis 5% nos últimos 12 meses. Isso tem a ver, claro, com o choque de energia ligado à guerra entre Estados Unidos e Irã. Mais um: a Europa importa energia, dependente da importação de energia. Os Estados Unidos exportam. O petróleo, o petróleo caro acaba piorando os termos de troca da Europa e melhora os termos de troca dos Estados Unidos. Diante disso, O Banco Central Europeu aumentou juros em setembro, segunda alta desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã na primeira parte desse ano.

Tem uma próxima decisão do Banco Central Europeu em 29 de outubro. A expectativa é de que o Banco Central Europeu aumente o juro de novo. Em tese, juros mais altos na Europa deveriam levar a um processo de valorização da moeda europeia. Afinal, historicamente, é o que a gente observa, aliás, é o que os manuais de economia trazem: países que praticam juros maiores acabam atraindo capitais e, consequentemente, valorizando as suas respectivas moedas.

Só que não é isso que está acontecendo. O que está acontecendo no caso europeu é que nós temos tido, nos últimos dias, um processo intenso de desvalorização para os padrões europeus da moeda europeia em relação ao dólar dos Estados Unidos. E, em particular, isso acontece porque, diante desse cenário muito incerto e muito perigoso, as pessoas pensam: bom, o juro na Europa está subindo, mas nos Estados Unidos também. O que é mais seguro nesse momento, a Europa ou os Estados Unidos?

A resposta da maior parte das pessoas do mercado continua sendo Estados Unidos. Então, a Europa dá sinais de muita fragilidade, uma fragilidade interna que tem relação com questões eleitorais, tem relação com questões políticas e da própria institucionalidade na União Europeia. Não é isso, Tanguy?

TBTanguy Baghdadi

Pois é, Daniel. Quando a gente olha para a Europa atual, a gente vê uma Europa muito diferente daquela que a gente se acostumou a ver alguns anos atrás. Até, sei lá, Daniel, 10 anos atrás, 12 anos atrás, o projeto europeu, o projeto da União Europeia, ele soava um projeto meio eterno, né? Um projeto que era, era o estado da arte, era um projeto que serviria para Europa ao longo dos próximos, das próximas décadas, talvez, talvez mais, Daniel.

A gente não via muito um horizonte no qual essa Europa tivesse em crise. A quantidade de crise se acumulou de lá para cá, no entanto, ela chama atenção. A gente teve o Brexit, né? O Brexit talvez seja a face mais clara, mais nítida dessa crise, né, com a saída de um país Mas ainda assim, Daniel, durante algum tempo houve a possibilidade de você falar assim: olha, foi um país apenas, um país que decidiu sair, né? O Reino Unido nunca foi exatamente um país absolutamente entusiasmado com a ideia de uma Europa, não foi um país que entrou na integração europeia desde o início, né?

Entrou só na década de 1970. Mas de lá para cá a gente tem um acúmulo de possibilidades de novas saídas. A gente tem a ascensão de uma extrema-direita na Alemanha, a ascensão de uma extrema-direita na França, que não chegaram no poder ainda. E esse ainda é a preocupação. O que muita gente começa a colocar na balança é: será que daqui a 5 anos você hoje consegue apostar que a União Europeia vai estar do mesmo jeito? Será que uma AFD ascendendo na Alemanha da maneira como tá ascendendo, já fez um governo estadual, já tem uma perspectiva de votação nacional maior, você garante que a AFD não vai ter chegado no poder e não vai ter começado a diminuir a presença alemã na União Europeia?

Será que a França, com a ascensão de uma extrema-direita também, uma extrema-direita meio cética com relação à União Europeia, será que essa União Europeia— quando você fala sobre esses dois países, a gente tá falando sobre dois pilares da União Europeia, né, a França e Alemanha, com dificuldades econômicas, com endividamento em alta, com extrema-direita ganhando popularidade. O ponto, Daniel, é que durante muito tempo a gente não imaginava que algum tipo de instabilidade pudesse derrubar, pudesse tirar as 4 maiores economias da União Europeia.

A gente tá falando sobre Alemanha, França, Inglaterra, né, Reino Unido, Itália. Todos esses países, Daniel, o Reino Unido já saiu, França, Alemanha e Itália se questionam, balançam, será, será. Essa quantidade de será me parece que joga uma sombra para o que virá pela frente. E aí isso naturalmente afeta o grande símbolo econômico que é a moeda comum, né, Daniel, que é o euro.

DSDaniel Sousa

E um dos elementos que também tem pressionado a inflação na Europa é a expansão fiscal. A gente está falando de países que têm ampliado seus gastos e têm ampliado o seu endividamento. Há um crescimento relevante do endividamento em proporção do PIB em vários países europeus. E esse é um outro elemento de tensão super importante, Tanguy, porque os países mais ao norte da Europa acabam sendo defensores de mais austeridade, acabam sendo defensores de mais controle das contas públicas, de um certo rigor nas contas públicas.

Então, estou falando de países como a Suécia, estou falando de países como a Finlândia, estou falando de países como os Países Baixos, como a Holanda. Entretanto, Espanha, França, Itália e, mais recentemente, até a própria Alemanha estão começando a dizer: não, veja bem, o momento é difícil, a gente tem que investir em defesa. A gente precisa de pacotes de expansão fiscal para estimular a economia, pacotes de expansão fiscal que há muita incerteza se eles realmente são capazes de resultar numa retomada do crescimento econômico.

Isso tem trazido ali muita tensão também dentro da União Europeia. E há uma percepção crescente de que países como a França, que estão tendo um crescimento do endividamento de forma muito relevante, Não vão fazer ajuste fiscal coisa nenhuma, o endividamento francês vai continuar aumentando. Ainda mais quando você tem candidatos que despontam na França com promessas de não fazer qualquer tipo de ajuste fiscal. Olha, não vou fazer ajuste nenhum, fica tranquilo aí.

E em um cenário como esse, quando você não faz ajuste fiscal, a expectativa é de mais inflação, quer dizer, um processo de monetização da dívida. E diante disso, é natural que os juros subam, até como reflexo de uma expectativa de uma inflação continuamente maior no continente europeu ao longo dos próximos anos, em um cenário de expansão fiscal relevante que esses países têm apresentado. Agora, esse tensionamento dentro da União Europeia não é novo, mas ele tem se tornado crescente.

E o que nós observamos de fato novo nesse tensionamento é que aparentemente a Alemanha mudou de lado. A Alemanha, que sempre foi a fiel da balança, que ficava do lado dos que defendiam o equilíbrio das contas públicas e ajuste fiscal, está mudando de lado e está indo para o lado daqueles que defendem mais expansão fiscal, até por questões domésticas alemães. É a ideia de que, olha, se eu fizer um ajuste fiscal agora, se eu tentar colocar as contas públicas na Alemanha agora, a extrema-direita vai me engolir.

A extrema-direita vai me engolir porque isso vai ser muito impopular e vai ser muito difícil explicar para as pessoas Ah, não, é importante fazer um sacrifício agora para que lá na frente as coisas se recuperem e se reequilibrem de maneira mais eficiente. E esse conjunto de elementos me parece que torna justamente a Europa mais incerta nesse momento. Eu acho que esse ponto que você colocou é fundamental. Haverá euro em 5 anos?

Como é que eu vou colocar meu dinheiro em euro? Melhor colocar em dólar. Com todos os problemas, eu sei que o dólar continuará existindo daqui a 5 anos.

TBTanguy Baghdadi

A gente tava falando sobre as 4 maiores economias, né, Daniel, da União Europeia até pouco tempo. Reino Unido saiu. O endividamento francês em 2025 foi de 5,1% do PIB. Lembrando que o teto para o endividamento é de 3%, a França está em 5,1%, e em 2024 tinha sido 5,8%. Ou seja, tá consistentemente acima da meta. Na Itália, 3,4% no ano passado. E na Alemanha, Daniel, 2,7%, ou seja, a Alemanha ainda tá dentro do limite, mas existe a perspectiva alemã de aumento, tá tendo, vai ter que aumentar gasto militar, vai ter uma série de gastos, como você falou, que tendem a pressionar.

Então é como se a Alemanha ela já tivesse meio se antecipando, né? Olha, gente, eu não podia passar dos 3%, mas se passar não tem problema, hein? Se passar, veja bem, o momento é diferente. Quero lembrar que em 2010 A Grécia quase foi expulsa da zona do euro por um cenário mais ou menos parecido. A Grécia tinha um endividamento que era superior àquilo que era considerado razoável, aquilo que era as regras da União Europeia. E a Alemanha, junto com a França, junto com o Banco Central Europeu, quase ejetaram a Grécia da zona do euro.

Então o cenário realmente é muito diferente, óbvio, né? O mercado olha para isso e fala assim: não, esse cenário aqui eu não sei se Não sei se eu tô confiante. Não é uma Europa que cresce economicamente, é uma Europa que tá ali na berlinda entre Estados Unidos pressionando a Rússia, fazendo guerra na Ucrânia. As perspectivas não são boas, um continente envelhecido, e naturalmente isso se reflete muito na valorização que as pessoas têm, né, no apreço que as pessoas têm pelo futuro da moeda comum.

DSDaniel Sousa

Daniel, é interessante porque a gente tá num mundo novo, né, Tanguy, onde elementos que estavam fora do radar ou que eram impensáveis até bem pouco tempo atrás tem se tornado cada vez mais normais. Então a gente pensa num elemento geopolítico pressionando a Europa, a gente pensa no elemento geopolítico norteando decisões econômicas dos Estados Unidos, o elemento geopolítico relacionado a uma ascensão chinesa do ponto de vista econômico, um país que vai ganhando protagonismo e cada vez mais relevância na economia mundial junto com outros emergentes, como é o caso da Índia.

É um cenário completamente diferente que mexe justamente nessa dinâmica de investimentos e de fluxo de capitais. Mas ainda há muita hesitação em tirar recursos do Ocidente. É claro que o Ocidente já não é mais tão seguro e previsível como era no passado. Europeus e americanos têm sancionado pessoas, têm atuado realmente de forma mais política na economia. Mas quando você olha realmente para alternativas, essas alternativas até são exploradas, mas até o presente momento elas são exploradas muito pontualmente.

Então você coloca um pouquinho de dinheiro em mercados emergentes, você vai tateando ali de forma gradual e buscando sempre segurança. Isso é reflexo de um mundo onde os parâmetros tradicionais de segurança, os portos seguros, estão esfarelando, mas você não teve a construção de alternativas, pelo menos até o presente momento. Quer dizer, eu tiro meu dinheiro dos Estados Unidos, eu tiro meu dinheiro da Europa, eu boto onde? Eu vou para onde, né?

É claro que você pode espalhar um pouco para diversificar risco, etc., mas também esse processo de erosão democrática que muitos países têm experimentado, esse processo de desmoronamento dos organismos multilaterais torna tudo mais imprevisível e pior para economia. Esse é um cenário muito ruim para economia, porque você começa a dizer: eu não tenho mais segurança, porque os governos podem fazer o que eles quiserem. E se os governos podem fazer o que eles quiserem, eu tenho um elemento de risco que não existia antes.

Não existe mais uma institucionalidade nos Estados Unidos que me protege como protegia. A União Europeia, eu não sei até onde ela vai. Os organismos multilaterais que bem ou mal davam ali um sistema de freios desmoronaram, ninguém mais respeita eles. É um ambiente, do ponto de vista econômico, onde o risco é muito maior, a incerteza é muito maior, e consequentemente essas movimentações de capitais se tornam mais delicadas e cuidadosas.

Agora, me parece que entre Estados Unidos e Europa, no presente momento, e os números têm sugerido isso, o mercado considera: bom, acho que os Estados Unidos nesse momento, com todos os seus problemas, me parece uma opção melhor do que a Europa em um cenário onde os dois estão aumentando as taxas de juros.

TBTanguy Baghdadi

Vamos continuar acompanhando, Daniel, porque isso traz consequências de longo prazo, né? Essa na verdade é uma avaliação que a gente faz que não é apenas olhando para a última semana, para os últimos dias. É uma avaliação que ela tem que ser feita no longo prazo. Não é apenas uma oscilação agora, é uma oscilação que é o resultado de uma série de coisas que já aconteceu e que vai impactar naquilo que vem pela frente. Então a gente vai continuar acompanhando.

Esse quadro, né, o Pet Invest, é exatamente para isso, para esse tipo de análise um pouco mais macro do ponto de vista econômico. Então deixa aqui o agradecimento, né, a todo mundo que tava junto, que esteve junto com a gente ao longo desse episódio. Lembrando, tem um link que tá na descrição desse episódio para você comprar produtos da Insider com um super desconto. Você ajuda o Petit Jornal, se veste bem, passa a ter uma flexibilidade enorme com as suas roupas, né?

Você tem peças trunfo ali na Insider Store. Que valem demais a pena você conhecer. Daniel, segunda-feira a gente volta com mais um episódio, tem bate-papo na segunda-feira de manhã. Um abraço e até a próxima.

DSDaniel Sousa

Valeu, tchau tchau!

TBTanguy Baghdadi

Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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