Episódios de Petit Journal

Atentado contra avião - BP 1153

30 de setembro de 202629min
0:00 / 29:08
RIO CLARO
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Um atentado contra um avião de uma companhia aérea saudita, com mais de 170 israelenses a bordo, leva a um pouso de emergência na Arábia Saudita. Analisamos também a retomada do debate sobre o retorno do Reino Unido à União Europeia, impulsionada por Andy Burnham, enquanto Sánchez e Macron acenam a Londres e adotam uma postura mais dura em relação à China.
Falamos ainda sobre a ameaça russa de recorrer a armas nucleares diante de ações da OTAN contra Kaliningrado, a promessa chinesa de retaliar eventuais restrições europeias às suas exportações e os problemas de energia que limitam a expansão da produção de petróleo venezuelana.
Na Geleia da Shakira, Bola Tinubu retorna à Nigéria após quatro semanas na Europa e dá munição à oposição, que acusa o país de ter ficado no “piloto automático”.
#ArábiaSaudita #Rússia #UniãoEuropeia #China #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
Assuntos6
  • Atentado em voo da FlyDubai com israelenses a bordo na Arábia Sauditacopiloto esfaqueia comandante·tentativa de derrubar aeronave·queda vertiginosa de 14 mil pés·passageiros e tripulantes contêm agressor·pouso de emergência na Arábia Saudita·Israel pede autorização para resgate
  • Retomada do debate sobre o retorno do Reino Unido à União EuropeiaAndy Burnham impulsiona discussão·Brexit fez mais mal do que bem·opções de retorno ao bloco·apoio de 55% dos britânicos·Macron e Sánchez acenam a Londres·críticas de Nigel Farage
  • Ameaça russa de usar armas nucleares contra ações da OTAN em Kaliningradoproposta polonesa de manobras militares·Kaliningrado como exclave russo·Rússia lembra posse de bomba nuclear·OTAN responde com função defensiva
  • Tensões comerciais entre China e União Europeia sobre restriçõesnecessidade de reforço das defesas comerciais·exigência de transferência tecnológica·déficit comercial europeu·China promete resposta resoluta·excesso de produção industrial chinesa
  • Problemas de energia limitam expansão da produção de petróleo venezuelanafalta de eletricidade como obstáculo·projetos para usar gás na geração·desorganização da economia venezuelana·sanções internacionais dificultam retomada
  • Críticas à longa estadia do presidente nigeriano Bola Tinubu na Europaoposição critica ausência prolongada·presidente governando no piloto automático·férias de trabalho em Londres e Paris·não participou da Assembleia Geral da ONU
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TBTanguy Baghdadi

PetiJornal.

DSDaniel Sousa

Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1153. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 19 horas e 23 minutos da quarta-feira, 30 de setembro. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy vírgula o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, tarifado, muito tarifado, tarifas máximas para o professor Bagdadi porque segue se recusando a jogar golfe com o Donald Trump.

Diante disso, diante dessas dificuldades que esse mundo pantanoso e incerto apresenta, O professor Bagdadi segue viciado em brigadeiro de colher na madrugada. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. E, Tanguy, começamos com uma história pesadíssima, né, de uma briga entre piloto e copiloto em uma aeronave, uma aeronave que tinha como destino Israel, passando ali pelo espaço aéreo da Arábia Saudita. Conte-me tudo, não me esconda nada. Tudo bem, Professor Bagdadi? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1153. Um prazer tá aqui com você, Daniel Souza. Prazer tá aqui com todo mundo que nos acompanha para mais esse episódio, para mais esse bate-papo. E Daniel Souza, a gente começa realmente com uma história que chamou muito a atenção no dia de hoje pelo fato de que nós tivemos um voo, o voo FZ 1073 da companhia low cost FlyDubai, que decolou de Dubai em direção a Tel Aviv.

Uma coisa que é importante a gente lembrar é que nós tivemos recentemente relações retomadas entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, o que permite, portanto, que uma companhia aérea emirate, né, dos Emirados Árabes Unidos, faça voos para Tel Aviv. E, portanto, esse voo partiu com uma quantidade bastante grande de israelenses saindo de Dubai em direção a Tel Aviv e passou naturalmente pelo espaço aéreo saudita. Lembrando que uma companhia aérea israelense não poderia passar pelo espaço aéreo da Arábia Saudita, mas essa companhia aérea é a dos Emirados Árabes Unidos, pode passar a despeito de o voo estar cheio de cidadãos israelenses.

Durante o voo, no entanto, enquanto sobrevoava o espaço aéreo saudita, o copiloto da aeronave esfaqueou o comandante, esfaqueou o comandante. Então já tinha algo planejado, esfaqueou o comandante, mexeu nos comandos e tentou derrubar a aeronave que contava com mais de 170 cidadãos israelenses a bordo. Isso levou, Daniel, a uma queda vertiginosa de quase 14 mil pés. Quando a gente fala 14 mil pés, a gente tá falando de mais de 4 mil metros de altura de queda.

Eu não tô falando que estava a essa altura do solo. Isso foi somente a queda, 14 mil pés, que equivalem portanto a mais de 4 mil metros, até que finalmente ele foi contido por passageiros e tripulantes. O comandante que tava esfaqueado conseguiu acionar um comando para abrir a cabine, que é lacrada. Passageiros e tripulantes conseguiram entrar na cabine, imobilizaram o copiloto que tentou promover o atentado. A gente pode chamar isso de um atentado.

E finalmente os pilotos reserva conseguiram colocar o avião em solo na Arábia Saudita. Isso naturalmente, Daniel, mexeu muito com a política da região. Israel inclusive pediu autorização para Arábia Saudita para enviar uma aeronave militar para levar os cidadãos israelenses de volta para Israel, o que não foi autorizado. Mais uma vez, é importante lembrar que a Arábia Saudita não tem relações com Israel. Dialoga aqui e acolá, mas não há relações diplomáticas oficiais entre eles.

Portanto, não houve autorização. Passou-se um tempo, portanto, na Arábia Saudita, né, foi onde eles conseguiram finalmente pousar, até que uma outra aeronave da própria FlyDubai, a companhia que foi sequestrada, né, mas sofreu atentado naquele momento, finalmente levou as pessoas de volta para Tel Aviv. Uma coisa que me parece importante ressaltar, Daniel, a gente falou sobre isso no episódio de ontem, é que as eleições em Israel estão chegando.

As eleições acontecem no dia 27 de outubro. Quando você tem um fato como esse, Daniel, existe toda uma especulação para imaginar se isso fortalece o Benjamin Netanyahu, o atual primeiro-ministro, porque ele vai poder dizer: tá vendo aí, estamos sob ataque o tempo todo, em todos os lugares e tal, vota em mim porque eu vou garantir a segurança de vocês. Ou se pelo contrário, né, se passa uma sensação de que, olha, Netanyahu ele não tá conseguindo dar conta, cidadãos israelenses estão sendo ameaçados num voo como esse e não tem como manter o Netanyahu porque ele não conseguiu fazer nada para conter uma ameaça como essa.

Era uma ameaça difícil conter. As informações que a gente tem, que foram na verdade passadas pelo próprio Netanyahu, isso ainda carece de confirmação, é de que o agressor é um cidadão de Omã, aí que já tinha planejado isso. Não dá para saber se ele fez isso com mais pessoas, se foi, enfim, um lobo solitário que tentou fazer algo nesse sentido. Mas ao longo das últimas horas a gente teve discursos muito fortes em Israel visando exatamente as eleições.

Então o Itamar Ben-Gvir, por exemplo, que é um dos ministros do Netanyahu, o cara mais à direita aliás em toda essa história recente de Israel, disse que tem que haver, vai haver, né, se depender dele, todo monitoramento de qualquer piloto ou copiloto que esteja numa aeronave que voe para ou de Israel, né? Então tem que haver todo monitoramento e tudo. Mas o fato, Daniel, é que a gente tem um cenário de muita, muita tensão na região.

E o incidente ocorreu apenas um dia depois do Netanyahu se reunir com o Mohammed bin Zayed. Aliás, perdão, foi no domingo. Eles se reuniram no domingo. Isso foi no dia de hoje, na quarta-feira, portanto. Eles se reuniram, são exatamente dois países que estão envolvidos, né, direto ou indiretamente nesse incidente, já que a companhia aérea low cost era, é, né, dos Emirados Árabes Unidos e voava em direção a Tel Aviv. A gente vai ter que esperar, Daniel, para ver quais vão ser as repercussões, mas é algo da mais alta importância, né, quando a gente fala sobre a estabilidade da região.

DSDaniel Sousa

Daniel, o Petit Jornal começou no dia 23 de junho de 2016 falando sobre o Brexit. E, de lá para cá, esse tema se tornou uma permanente constância, um permanente dia da marmota na política britânica. Hoje, tivemos mais um exemplo disso. O primeiro-ministro, Andy Burnham, nesta quarta-feira, destacou que o Reino Unido deveria considerar opções para sua futura relação com a União Europeia, incluindo o retorno ao bloco. Ele disse que o Brexit fez mais mal do que bem ao Reino Unido, que aliás é verdade.

É só constatar o que aconteceu com a economia britânica ao longo desses 10 anos, como a vida dos britânicos se tornou muito mais difícil. Existem algumas opções, quer dizer, os britânicos eles poderiam aderir plenamente de volta à União Europeia, Eles poderiam aderir ao mercado único ou aderir a uma união aduaneira. É importante destacar que nós tivemos um compromisso do Purnell que não haveria um retorno à União Europeia e que ele manteria ali um compromisso que havia sido assumido pelos trabalhistas anteriormente.

Mas agora ele está mudando de opinião, ou pelo menos está querendo mudar a pauta do país. E está trazendo essa discussão de volta. Seria uma notícia muito boa o retorno do Reino Unido, destacou o Emmanuel Macron. Entretanto, o Macron disse que esse retorno não poderia funcionar à la carte, ou seja, com os britânicos escolhendo o que aceitam e o que não aceitam. O YouGov, em pesquisa recente em junho de 2026, destacou que 55% dos britânicos apoiam ou apoiariam o retorno à União Europeia, enquanto 34% são contrários.

TBTanguy Baghdadi

A gente vai ter inclusive, Daniel, em breve uma cúpula bilateral do Reino Unido com a União Europeia, tá marcada para novembro. Essa cúpula já deveria inclusive ter acontecido algum tempo atrás, né, mas aí você teve a renúncia do Keir Starmer, acabou adiando um pouquinho, mas deve acontecer em breve. O Burnham, ele já confirmou a sua presença. Então esse tema, né, esse assunto me parece que é um assunto muito preliminar ainda, né, Daniel?

Foi uma coisa meio aventada, não é uma coisa que já deva acontecer por agora. Você ainda não tem um movimento para haver algum tipo de plebiscito, né, de consulta popular e tudo. Mas de qualquer maneira, o fato disso ser levantado também é uma maneira de você testar o público. Você falou aí sobre os 55% dos britânicos que apoiam o retorno à União Europeia. Essa mesma pesquisa, ela aponta, no entanto, Daniel, que quando você fala sobre o Reino Unido voltar a contribuir para a União Europeia, esse apoio diminui.

Quando você fala sobre a adoção do euro, por exemplo, você aceitaria, o apoio diminui bastante. Então é uma discussão que ainda carece de um amadurecimento muito grande. Agora, muito rapidamente, tanto Macron, presidente da França, quanto Pedro Sánchez, né, que é o presidente do governo espanhol, ou o primeiro-ministro espanhol, como queiram, Mas já deixaram muito claro que, olha, para a gente seria ótimo, a gente pode conversar, vamos ver o que que vem pela frente.

Mas o fato, Daniel, é que foi a primeira vez em muito tempo que um primeiro-ministro menciona o assunto, né? Quem sabe, né, talvez ali testando o clima, Daniel, testando a temperatura de uma discussão acerca dessa volta, possível volta dos britânicos à União Europeia.

DSDaniel Sousa

E ele verbaliza com muita clareza que foi um erro, né, do ponto de vista britânico, essa saída da União Europeia. Agora, é importante destacar que esse apoio de 55% costuma cair quando entra em pauta questões relacionadas a contribuições ao orçamento da União Europeia e à própria adoção ao euro. É por isso que o Macron fez referência a essa entrada à la carte, porque em diferentes momentos os britânicos sinalizam que gostariam de entrar, mas sem entrar.

Um pé dentro e um pé fora, o que, aliás, é uma tradição britânica no que diz respeito ao seu relacionamento com o continente, como muitas vezes eles se referenciam. E o Nigel Farage criticou o primeiro-ministro dizendo que ele mal chegou no cargo e já está tentando nos levar sorrateiramente de volta a Bruxelas pela porta dos fundos. O Farage não quer a volta. Afinal, ele inclusive se capitalizou, ele ganhou projeção dentro do Reino Unido nos anos 2010, justamente defendendo essa pauta, defendendo que o Reino Unido saísse da União Europeia.

Mas acho que é seguro para nós afirmarmos que foi um desastre, deu errado, o Reino Unido passou a ter problemas de mão de obra, passou a ter problemas de inflação, passou a ter problemas de dinâmica de investimentos. De também de fornecimento de diferentes mercadorias. O Reino Unido, que é um país que importa comida há muito tempo, depende realmente desse fluxo de entrada de produtos. Tudo isso junto e somado tem levado à criação de um caldo de cultura no país contrário ao Brexit e tentando de alguma forma criar espaço para algum grau de retorno e de aprofundamento do seu relacionamento com o continente europeu e com a União Europeia.

Afinal, Tadinho, a União Europeia não vai embora, o continente europeu não vai embora, eles vão continuar por aí. E o Reino Unido parece que construir alternativas com Estados Unidos, com Austrália, com Canadá, com países da Commonwealth, não se mostrou suficiente como num determinado momento se pensou.

TBTanguy Baghdadi

O Brexit foi votado em 2016, como você lembrou. Foi o mesmo ano, aliás, da ascensão do Trump à presidência dos Estados Unidos, né? Ele venceu as eleições de 2016 e assumiu a presidência nos Estados Unidos em 2017. E são talvez dois dos grandes exemplos desse fenômeno da desglobalização, né, o momento no qual aqueles fluxos livres todos, né, que enfim geraram muita, muita bonança em muitos países, foram contidos, né. A gente passou a ter, portanto, um questionamento a essa globalização, ao multilateralismo e tudo.

Isso afeta muito também, Daniel, as finanças, né. A gente vê o mundo de lá para cá mais caro, menos eficiente, né? Você tem desafios econômicos maiores. E aí, Daniel, quando você fala em desafios econômicos maiores, isso também exige das pessoas que elas tenham um direcionamento mais bem feito, mais profissional na hora de fazer uma gestão do seu dinheiro. A Rio Claro Investimentos, Daniel, é tudo que você precisa para fazer uma boa gestão da sua carteira.

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DSDaniel Sousa

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TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, houve um período nesse podcast aqui em que a gente tinha uma pauta quase fixa, quase todo dia aparecia que era a Polônia sem freio. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a Polônia entrou em parafuso. E a Polônia dava ideias das mais mirabolantes, das mais agressivas. A gente teve uma pauta que até hoje, Daniel, eu lembro com muito carinho, que foi o dia que guardas de fronteira poloneses foram para fronteira para usar estilingue contra os soldados de fronteira de Belarus.

Estilingue, arma não, porque arma pode matar o cara, mas estilingue dá, porque incomoda, né, atrapalha. Isso era Polônia ali em 2022, 2023, mas de lá para cá, Daniel, a Polônia ela passou por um momento no qual ela tá centrada, né? A gente não ouve mais falar tanto sobre a Polônia e tudo, mas o chanceler da Polônia resolveu recuperar o meme da Polônia sem freio. Radosław Sikorski, Daniel, recentemente propôs que a OTAN realizasse manobras militares nas proximidades de Kaliningrado.

Só para te lembrar, gente, Kaliningrado é um exclave russo, portanto é um território russo que não está unido ao restante do território russo, que fica ali entre a Polônia e a Lituânia. A brilhante ideia do chanceler da Polônia é: a gente vai fazer um exercício militar ali e a gente vai distrair a Rússia. A Rússia vai ter que voltar as atenções para Kaliningrado. E se voltar as atenções para Kaliningrado, gente, vai ter que largar a Ucrânia, a gente vai ganhar essa guerra.

Essa foi a brilhante ideia do chanceler da Polônia. A Rússia, Daniel, muito calmamente lembrou que, ô Polônia, só para te lembrar, eu tenho negócio aqui chamado bomba nuclear. E aí a declaração, Daniel, ela veio pela embaixada russa em Londres e disse o seguinte, a nota diz o seguinte, abro aspas: aqueles que defendem planos para bloquear ou lançar ataques contra Kaliningrado não devem ter ilusões sobre as consequências. Qualquer ação militar pelo Reino Unido ou a OTAN contra território russo encontrará uma resposta com todos os meios disponíveis à Rússia.

E aí, Daniel, quem escreveu essa nota pensou assim: será que tá claro? E aí meteu uma vírgula e falou: incluindo armas nucleares. Fecha aspas. Só para deixar claro o que que eu tô falando, eu estou falando sobre a possibilidade de utilização de armas nucleares. Então mandou inclusive uma nota, essa nota para OTAN, E a OTAN, Daniel, achei muito civilizado isso. A OTAN respondeu: ah, pô, obrigado pelo aviso e tal, é bom saber e tudo.

E deixando claro que a OTAN tem uma função exclusivamente defensiva, não queremos agredir ninguém aqui, apenas defensivo. Por favor, pode guardar a sua arma nuclear no seu bolso, muito obrigado, agradeço muito aí e tal. Mas eu queria que você desse um conselho, Daniel, para o chanceler da Polônia sobre essas ideias, Daniel, que de repente fazer alguma coisa ali no entorno de Kaliningrado contra uma Rússia que já está em guerra, doida para arrumar mais alguma confusão ali contra a OTAN, para fazer alguns testes, né, do que que dá para fazer, o que que não dá, colocando inclusive as armas nucleares sobre a mesa.

DSDaniel Sousa

Daniel, o polonês tá maluco! Não é possível, tá aqui nessa altura do campeonato, o rapaz vai arrumar sarna para se coçar? Pelo amor de Deus, Polônia, se acalme! Eu sei que você tá investindo muito em defesa, mais de 4% do PIB em defesa. Mas calma, Polônia, calma, porque você não tem armas nucleares. Calma, porque a Rússia também está fora da casinha e, consequentemente, pode ser que ela faça uma loucura dependendo da sua movimentação.

E eu não estou disposto a ver o mundo acabar por conta de você, Polônia. Então, fique calma, respire, né? Vai dar um passeio, abra a janela. Tenta, né, buscar ali ares um pouco mais frescos.

TBTanguy Baghdadi

Abrir a janela do lado da Rússia eu não recomendo não, tá, Daniel? Mas tirando isso, sim.

DSDaniel Sousa

Até porque pessoas voam pela janela, né? Enfim, vai saber. Mas vamos mudar de assunto, vamos avançar e falar um pouco agora da relação entre China e Europa. Há pouco você destacou, né, Tanguy, que o Sánchez e o Macron se encontraram e eles falaram bastante sobre China. E destacaram a necessidade de reforço das defesas comerciais europeias contra produtos chineses. Destacaram também a necessidade de exigir dos investidores chineses compromissos de transferência tecnológica em setores estratégicos, como é o caso do setor automobilístico.

China e União Europeia estão em conversas, a gente chegou a falar sobre isso há alguns meses aqui no Petit Jornal, essas conversas estão chegando ao fim do prazo, Existe um déficit comercial muito grande dos europeus em relação à China, isso gera desconforto, e até o presente momento não foram encontradas formas, mecanismos de equilibrar um pouco essa dinâmica comercial entre a China e a União Europeia. E é interessante destacar que a China reagiu, a China prometeu resposta resoluta para salvaguardar suas indústrias caso a União Europeia adote restrições contra empresas ou produtos do país.

E isso acaba sendo, inclusive, um crescimento da tensão entre os dois lados, dentro de um contexto onde você não consegue encontrar ali uma alternativa que melhore um pouco os termos comerciais entre União Europeia e China. Num determinado momento, os europeus chegaram a falar sobre restrições voluntárias às exportações chinesas, quer dizer, que os chineses impusessem restrições voluntárias às suas exportações de uma série de produtos, entre eles automóveis.

A China não curtiu muito a ideia, não levou muito isso adiante, mas me parece que essa novela vai se estender, até porque nós temos uma Europa que está enfrentando problemas econômicos internos, está precisando proteger a sua indústria e considera que os produtos chineses entram ali excessivamente baratos, muitas vezes com práticas anticompetitivas e desleais, que não estão sendo devidamente compensadas por mecanismos de proteção europeus.

Vale a pena acompanhar porque são duas partes importantes da economia mundial e o relacionamento comercial entre os dois está muito mal parado e está criando tensões crescentes. É interessante observar que a China tem um excesso de produção industrial, que acaba desovando em diferentes mercados ao redor do mundo e isso vai gerando tensões. E a China sabe que isso é um problema porque ela continua muito dependente das exportações para manter o seu crescimento econômico e ela sabe que existe uma tendência crescente de restrições às exportações chinesas em diferentes mercados ao redor do mundo, como é o caso da Europa.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, eu queria levantar a bola de novo para você. Eu queria saber sobre a Venezuela, né? Venezuela está na expectativa de ampliação da sua produção de petróleo, mas aparentemente o que tá dificultando isso é exatamente a falta da própria energia, né? Me conta o que que tá acontecendo na Venezuela.

DSDaniel Sousa

Exatamente isso, tem que a falta de energia elétrica tornou-se o principal obstáculo à expansão do setor de petróleo venezuelano. Inclusive empresas estrangeiras, empresas internacionais apresentaram ao governo venezuelano projetos para captar grandes volumes de gás hoje queimados queimados na produção de petróleo, acho que todo mundo já deve ter visto esse tipo de dinâmica, e usá-los na geração de eletricidade. Mas nenhum desses projetos começou a ser implementado.

Mas é, no mínimo, curioso. Para aumentar a produção de petróleo, para aumentar a extração de petróleo na Venezuela, você precisa de eletricidade. E essa eletricidade não é suficientemente gerada no país e, consequentemente, alternativas precisam ser construídas. Esse é o nível de desorganização que a economia venezuelana experimenta depois de muitos anos ali com uma indústria petrolífera muito aparelhada, né, com apaniguados do regime chavista e depois do regime madurista e, ao mesmo tempo, as pesadas sanções internacionais.

Há muita dificuldade para retomar a produção de petróleo na Venezuela, há muita dificuldade para que você tenha ali a realização de investimentos vultosos que podem fazer com que a Venezuela volte a produzir mais de 3 milhões de barris, como ela chegou a produzir num determinado momento, 3 milhões de barris por dia. Mas nós temos agora mais um gargalo, que é justamente a questão da eletricidade.

TBTanguy Baghdadi

Dessa maneira, a gente passa para a geleia da Shakira desse nosso episódio de hoje. E quem vem para o centro das atenções é a Nigéria, Daniel. Tem aí aniversário de independência. Que que você conta sobre a Nigéria hoje?

DSDaniel Sousa

Tivemos um pequeno barraco hoje na Nigéria. O dirigente do Congresso Democrático Africano e ex-diretor-geral da Federação Radio Corporation of Nigeria criticou a longa estadia do presidente Tinubu na Europa. Né, eles acabou, ele acabou trazendo essas declarações nessa quarta-feira no programa The Morning Brief da Channels Television. Para o Salih Hu, que é justamente esse crítico, a ausência entre 30 de agosto e 29 de setembro do presidente do país, vou te contar também, Daniel Souza, também fiquei um pouco assustado também, ô amigo, pô, também, né, não abusa, né.

Demonstrou desprezo da liderança pelos liderados. Ele destacou o seguinte: o presidente Bola Tinubu mostrou claramente aos nigerianos que prefere governar a Nigéria no piloto automático, ou deixar a Nigéria no piloto automático, e ficar mais tempo no exterior para conversar com presidentes e estar em Londres no que ele chamou de férias de trabalho, Fecha aspas. O presidente argumentou exatamente isso: eu estava de férias, me deixa de férias, eu tenho direito a ter férias.

Mas está dando muita confusão porque ele saiu da capital do país em 30 de agosto para o que seriam férias anuais de 3 semanas, mas acabou estendendo, foi para Londres, foi para Paris, não participou da Assembleia Geral das Nações Unidas, E acabou pegando mal. Os nigerianos e a oposição em particular tá dizendo que esse presidente é um presidente, né, nômade, é um nômade digital, esse presidente que não quer voltar para Nigéria e consequentemente não está governando o país com atenção que o país merece.

Então, barraco na Nigéria por conta aí das férias que seriam excessivamente prolongadas. Agora tem que pôr mais de 30 dias, hein? É difícil também de explicar, né, porque que o camarada ficou tanto tempo fora da Nigéria. É algo que traz aí um embaraço para o presidente nigeriano.

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza foi para Ásia Central, continua gravando episódio. Ô, ô, ô, Tinubu, vamos gravar aí, vamos gravar, vamos presidir aí, né, meu amigo? Não é assim também não. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria deixar aqui um super abraço, um agradecimento a todo mundo que nos acompanha. Muito obrigado pela sua presença, muito obrigado pela sua companhia. A gente mantém, Daniel, a nossa presença para quem quiser, 24 horas por dia, lá no PetiCursos, peticursos.com.br.

Tornando-se aluno, você tem acesso irrestrito, ilimitado a todos os cursos já oferecidos lá no PetiCursos. Tem curso sobre os mais diversos temas. A gente tá oferecendo um curso agora, a próxima aula, por exemplo, a gente vai falar sobre o interiorzão da Rússia. Tivemos uma aula sobre interiorização dos Estados Unidos. A gente vai falar ainda sobre interiorização do Brasil e o impacto econômico internacional que esses interiorzões têm.

A gente tem curso sobre os mais diversos países, sobre os mais diversos temas. Não perde essa oportunidade, acessa lá peticursos.com.br.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. Pet é uma mídia pequena, É um produto digital artesanal e o auxílio de nossos apoiadores é de fundamental importância, e por isso deixamos sempre aqui registrado o nosso agradecimento a cada um de vocês. Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Tem também a chave Pix no descritivo, como eu disse há pouco, e você pode realmente utilizar esse mecanismo que acaba sendo bem prático. Tem também o link do Apoia.se, que acaba sendo muito bom para quem prefere usar o cartão de crédito. Tem o link do Patreon, que é muito bom para quem vive no exterior. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza. Nessa quinta-feira não teremos episódio. Eu e Daniel Souza vamos estar num evento na cidade de São Paulo capital. Mas na sexta-feira a gente tá de volta com o nosso tradicionalíssimo Pet Invest. Daniel Souza, um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!

DSDaniel Sousa

Pet Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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