Argentina se rearma - BP 1151
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A Argentina inicia um programa de rearmamento em parceria com o governo Trump, enquanto Estados Unidos e China cortam tarifas sobre US$ 60 bilhões em comércio e prorrogam sua trégua comercial. Analisamos também as informações de que Trump teria oferecido armamentos à China ao mesmo tempo em que bloqueia ajuda a Taiwan.
Falamos ainda sobre o caso de Maricarmen, despejada aos 87 anos em meio à crise da moradia na Espanha, a crise diplomática entre Ucrânia e Coreia do Sul e a pressão europeia para que a China aceite cotas de importação.
Na Geleia da Shakira, a Suécia recomenda que a população seja “mal-educada” ao telefone como estratégia para escapar de golpes.
#Argentina #China #EstadosUnidos #UniãoEuropeia #Geopolítica
- Argentina inicia programa de rearmamento em parceria com os Estados Unidosproximidade com Estados Unidos·desaprovação do governo Milei·Trump e as Malvinas·compra de caças F-16·pacote de armamentos americanos
- Donald Trump oferece armamentos à China e bloqueia ajuda a TaiwanTrump pergunta a Xi Jinping sobre compra de armas·China como rival estratégica·compromisso de fornecer armas a Taiwan·bloqueio da venda de armamentos·garantias dos EUA a Taiwan
- Estados Unidos e China reduzem tarifas e prorrogam trégua comercialredução de tarifas em US$ 60 bilhões·produtos agrícolas americanos·eletrodomésticos chineses·criação de grupo de trabalho·importação de carvão americano
- Crise da moradia na Espanha leva a despejo de idosa e protestosMari Carmen Abascal despejada·aluguel congelado por 70 anos·empresa compra imóvel·aumento dos aluguéis em Madrid·protestos contra custo da habitação
- Crise diplomática entre Ucrânia e Coreia do Sul por revelação de ZelenskyZelensky revela transferência de prisioneiros·soldados norte-coreanos capturados·acordo sigiloso entre Ucrânia e Coreia do Sul·consequências para famílias dos soldados·exigência de explicação e desculpas
- Suécia recomenda má educação para evitar golpes contra idososcampanha sueca pela má educação·desligar telefone na cara de estranhos·fechar porta na cara de suspeitos·prejuízo com fraudes no país·autoproteção contra golpes
PetiJornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1151. Estamos gravando esse episódio numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 19 horas e 13 minutos. E cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tá aqui, vírgula, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, tarifado, tarifado, sério que muito tarifado, Professor Bagdadi, porque segue se recusando a jogar golfe com Donald Trump.
Eles poderiam estar abrindo canais de diálogo através do esporte, mas o Professor Bagdadi não quer comprar um jogo de tacos de golfe para poder ser parte desse esporte tão, tão caloroso, tão agradável, que Donald Trump curte bastante. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Magnetite? Tudo bem? Vamos a isso!
Tudo bem, Daniel Souza, com S. Vamos lá para esse bate-papo 1151 nessa segunda-feira à noite. Iniciando a semana, né, aqui no Petit Jornal. Um prazer estar com você, um prazer estar com todos os nossos ouvintes. Daniel Souza, eu quero começar o nosso episódio de hoje para a gente dar início à pauta desse nosso episódio falando sobre a Argentina, que está passando por um processo de rearmamento. Alô, Brasil! Abre o olho, Brasil! Argentina está se rearmando. Daniel, a partir de uma—
peraí, peraí, peraí, peraí, vai, defina rearmamento. Quando se trata de Argentina. Por favor, você é muito elástico com essa coisa de rearmamento. Pode ser muita, podem ser muitas coisas.
Sim, no caso da Argentina, se você comprar um estilingue, já pode ser considerado que está se rearmando. Eu entendi seu ponto. Mas a Argentina, Daniel, ela tá no momento de muita proximidade com os Estados Unidos, não é novidade para ninguém. A Argentina faz parte, por exemplo, dos Curvas Américas. Aliás, a gente falou bastante sobre os Curvas Américas ultimamente, né, inclusive. Porque os países do Escudo das Américas reconheceram o PCC e Comando Vermelho, por exemplo, como grupos terroristas.
É aquela coalizão anticartéis das Américas, foi criada em março desse ano agora e tem por objetivo se juntar aos Estados Unidos, países da América Latina se juntando com os Estados Unidos para promover uma frente unida contra grupos armados, grupos de cartéis de drogas, enfim, que eles consideram que são terroristas. Então a gente já tem um alinhamento grande no momento, Daniel, em que a desaprovação do governo Milei ela bateu 58%, a desaprovação muito grande.
E falta pouco mais de um ano para as eleições na Argentina. As eleições estão marcadas para o dia 24 de outubro de 2027. Por conta disso, Daniel Milei, ele vem tentando demonstrar uma grande proximidade aos Estados Unidos, uma intimidade com Donald Trump. E o Trump também tem lá os seus objetivos. O Trump, ele vem falando bastante sobre a questão das Malvinas, o que vem sendo muito especulado É que ele quer forçar o Reino Unido a aumentar os seus gastos militares.
Ora, Daniel, se a Argentina começa a falar sobre as Malvinas e começa a se armar, o Reino Unido vai ter que responder. Essa é a lógica, vai ter que responder fazendo aumento do gasto militar para sustentar aquela segurança.
Vai mesmo? O Reino Unido vai sair investindo loucamente em forças armadas porque a Argentina resolveu investir? É bem por aí mesmo?
Eu tava olhando os dados e assim com todo gasto militar que a Argentina tá a fim de fazer, fica ainda uns 9, 12, 15, 20, ou uns 43 degraus militares abaixo do Reino Unido. Então isso não vai acontecer. Mas ainda assim me chamou atenção porque a lista de gastos militares que a Argentina tá fazendo, avalizado pelos Estados Unidos, comparado ao que a Argentina tem hoje, é realmente bastante grande. Os Estados Unidos, por exemplo, Daniel, avalizaram a compra de 24 caças F-16 da Dinamarca por 300 milhões de dólares em 5 anos.
Então, só para a gente lembrar, os F-16 são fabricados pelos Estados Unidos, a Dinamarca comprou alguns anos atrás. Para Dinamarca poder vender, tem que ter autorização dos Estados Unidos em contrato, e isso aconteceu. Então, a Argentina comprou 24 caças F-16 fabricados pelos Estados Unidos, oriundos, né, vindos da Dinamarca. Você também teve, Daniel, um pacote de 940 milhões de dólares em armamentos e sistemas de apoio comprado diretamente dos Estados Unidos.
Aí na Argentina, Danilo, tá aquela, mas como é que a Argentina vai pagar? Meu Deus do céu, a gente não tem dinheiro, a situação fiscal. Mas, Daniel, o empréstimo feito pelos Estados Unidos para comprar produtos americanos, você vai ter aquela facilidade, né, Daniel? Você vai facilitar aí. Você falou, aliás, mais cedo nesse ano, Daniel, algum tempo atrás, aliás, foi do ano passado para esse ano, que os Estados Unidos, por exemplo, lançaram um pacote emergencial de 20 bilhões de dólares para Argentina.
Você imagina se não vai botar mais 940 milhões aí para armamentos? O Exército Argentino também adquiriu 8 blindados sobre rodas do tipo Stryker no ano passado e assinou em agosto desse ano agora um acordo para fornecimento de mais 235 blindados. A gente não sabe o valor, o valor não foi divulgado. Você tem aí mais tanques, helicópteros Black Hawk também, Daniel. Nesse mês agora, mês agora de setembro de 2026, o governo Milei comprou, formalizou a compra de 4 helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos pelo valor de 140 milhões de dólares.
E a Argentina, ela tem uma situação do ponto de vista naval que é muito precária. A Argentina tem apenas 3 fragatas mas incluiu no orçamento de 2027 autorização para adquirir duas novas fragatas e três submarinos. Provavelmente submarinos vão ser comprados da França. Aí, você vai olhar para os britânicos, eles têm forças muito, mas muito maiores do que isso, e não me parece que isso vai pressionar os britânicos a fazerem investimentos militares maiores.
Agora, do ponto de vista regional, você tem um Milei que tenta demonstrar com isso uma certa intimidade com Trump. Eu chamo o Trump de meu brother, o Trump tá financiando aqui, tô gastando e tal. E aí foi perguntado, Daniel, para alta cúpula militar brasileira, e a cúpula militar brasileira falou assim: não, isso aí tá tranquilo, a defasagem é tão grande que tá de boa. Então a Argentina, Daniel, mesmo fazendo esses gastos todos, ela não coloca medo no Brasil, que também já não é uma grande potência militar.
Que dirá nos britânicos? Agora, claramente Donald Trump tá tentando mostrar que tem condições de trazer uma influência para a região e tá fazendo com que um aliado seu, né, presidido pelo Milei, faça gastos militares maiores. É apenas um começo, você não tem nada que coloque muito medo nos demais países da região, mas de qualquer maneira é uma Argentina que nessa situação fiscal em que se encontra, dificílima, desaprovação em alta, está fazendo gastos militares muito maiores do que vinha fazendo ao longo das últimas décadas, né? Não é apenas os últimos anos, ao longo das últimas décadas.
Tanguy, avançando para a próxima pauta, China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre 60 bilhões de dólares em produtos importados um do outro no âmbito do Conselho do Comércio Estados Unidos e China. Cada país recomendou 30 bilhões em comércio de produtos não sensíveis para tratamento tarifário mais favorável. O anúncio foi feito no domingo, ontem, pelo representante comercial americano, o Greer. Para os Estados Unidos, a medida significa ampliar o acesso ao mercado para cerca de 30% das exportações americanas destinadas à China.
A redução recíproca e a prorrogação da trégua estiveram entre os principais resultados da cúpula do Xi Jinping com o Donald Trump. Aliás, essa trégua nós chegamos a mencionar aqui no PetJornal, é aquela trégua para evitar o tarifaço. Afinal, a trégua agora vai até janeiro do ano que vem e, consequentemente, o Donald Trump mantém ali um gatilho apontado contra os chineses, mas os chineses também mantêm um gatilho apontado contra os americanos, particularmente no que diz respeito a terras raras e minerais críticos.
O que a China vai reduzir? A China vai reduzir tarifas sobre produtos agrícolas americanos: milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais. A soja não foi incluída dessa vez. Também serão reduzidas as tarifas para peixes, frutos do mar e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos É impressionante como os Estados Unidos se tornaram, em grande medida, exportadores de produtos primários para muitos países, entre eles, a própria China.
O que os Estados Unidos vão reduzir? Vão reduzir tarifas sobre pequenos eletrodomésticos chineses, como cafeteiras e torradeiras, utensílios de mesa, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para drones de Natal e outras decorações festivas. Na prática, então, a gente tem cada lado escolhendo ali produtos para reduzir as tarifas de importação até alcançar 30 bilhões de dólares. 30 com 30, 60 no total.
Vai ser criado também um grupo de trabalho sobre agricultura no Conselho Comercial e a primeira reunião ocorrerá antes do final do ano. A China também importará 10 milhões de toneladas anuais de carvão americano. Carvão! Estados Unidos exportando carvão! Meu Deus do céu! O volume equivale a cerca de 2% das importações anuais de carvão da China. GNL e petróleo ficaram de fora. Era algo que os americanos queriam bastante, particularmente o Donald Trump.
Em relação à inteligência artificial, foi criado um canal de comunicação para evitar incidentes e para dialogar sobre incidentes envolvendo inteligência artificial, com uma nova rodada de diálogo, inclusive, prevista até o final de novembro. É pouco, mas é alguma coisa que avançou. E, claro, tivemos pandas, né, Tanguy? Os pandas voltaram para Atlanta. Meu Deus do céu! Agora está tudo bem, agora está tudo ótimo. Afinal, se os chineses mandaram pandas para os Estados Unidos, Isso significa que agora vai, que o relacionamento entre os dois países está em um momento melhor.
E aparentemente está num momento melhor mesmo, embora a gente não tenha tido aí avanços tão significativos, avanços tão substantivos no que diz respeito ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.
Eu quero falar mais sobre isso, Daniel, sobre esse encontro aí, porque teve uma coisa que eu achei muito inusitada, né, que começou a ser mencionada. Mas antes disso, Eu queria trazer, Daniel, para os nossos ouvintes uma oportunidade 100% online, gratuita, sem nenhum pré-requisito, da Alura, a maior escola de tecnologia de toda a América Latina. É a imersão em engenharia de dados com inteligência artificial. Daniel, inteligência artificial pode ser usado de muitas maneiras.
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Daniel Souza, quero voltar no assunto que você estava falando agora pouquinho, que foi o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Os dois se encontraram, conversaram, falaram sobre todos esses assuntos que você trouxe, mas aconteceu uma indiscrição E o embaixador dos Estados Unidos na China, o David Perdue, ele revelou que Donald Trump perguntou a Xi Jinping— rufem os tambores, tá— se Pequim teria interesse em comprar armamentos norte-americanos. Aí, Daniel, parei de entender tudo.
Mas que tipo de armamento? F-35?
Sei lá que tipo de armamento que é, mas o fato, Daniel, que quando você vai, por exemplo, para o Congresso Tanto deputados, né, parlamentares republicanos quanto democratas consideram que a China é uma inimiga dos Estados Unidos, é uma rival estratégica. Ser rival estratégica, a China não pode ter acesso, na visão dos Estados Unidos, absolutamente nada que diga a respeito da tecnologia americana, aos armamentos americanos, a segredos industriais.
Você não vai fortalecer um inimigo dos Estados Unidos. Não ficou claro qual foi a resposta do Xi Jinping, né? Deve ter dado uma risadinha. Os próprios Estados Unidos, né, Casa Branca, Departamento de Estado, negaram que isso tenha acontecido. Mas eu não vejo motivos para o embaixador dos Estados Unidos em Pequim mentir sobre isso, tá? Ele falou isso numa entrevista, né? Ou então esse embaixador falou sobre isso numa entrevista, e ele disse o seguinte, abro aspas: o presidente Donald Trump continua dizendo, olha, Vendendo, vendemos armas para outras pessoas do mundo todo.
Em determinado momento, ele chegou a perguntar ao presidente Xi se gostaria de comprar algumas. A grande questão nos Estados Unidos, Daniel, para além de uma questão muito óbvia, que é, como eu disse, o fato da China ser considerada pelos Estados Unidos uma inimiga, uma rival estratégica, então vender armas para eles é algo completamente disparatado, é o fato de que os Estados Unidos têm um compromisso desde 1979 de fornecer armamentos para Taiwan.
Ora, Daniel, você fornece armamentos para Taiwan, você tá indo contra a China. Isso é claro como a luz do dia, você não tem uma dúvida com relação a isso. Mas desde maio do ano passado, Donald Trump está bloqueando a venda de mais armamentos. Então esses armamentos já estão— na verdade, a grana, né, para você comprar armamentos americanos para Taiwan, comprar armamentos americanos, já tá aprovada, mas precisa, para isso ser concretizado, de uma canetada do presidente.
E já tem algum tempo que Donald Trump está segurando. Donald Trump já admitiu que está fazendo isso porque considera que a venda de armamentos americanos para Taiwan é uma excelente forma de manter uma pressão sobre a China. E aí, Daniel, a coisa vai piorando, né? Então eu não tô vendendo armas para Taiwan porque eu acho que dessa maneira eu posso pressionar os chineses. E aí já ficou claro, Daniel, as atas das reuniões entre Trump e Xi Jinping mostram isso, que em todos os encontros que eles tiveram, eles falaram sobre a venda de armamentos americanos para Taiwan.
Mas desde 1982, os Estados Unidos oferecem 6 garantias para Taiwan. Uma dessas garantias é: os Estados Unidos não consultarão em hipótese alguma a República Popular da China sobre a venda de armamentos para Taiwan. Ora, Daniel, é uma garantia. Eu não posso— eu tô, eu sou Estados Unidos, tô vendendo armamentos para Taiwan, eu tô perguntando para China se eu posso? Então os Estados Unidos oferece desde 82 uma garantia que é: eu não vou perguntar para China.
Daniel, em todas as reuniões que Donald Trump teve com Xi Jinping, ele falou sobre o assunto. E aí ele foi perguntado pela imprensa e perguntaram: vem cá, ô Trump, segundo o acordo que você tem com Taiwan, você não poderia perguntar como é que é. E é o que Donald Trump disse, foi ser a cara do Trump. Ele disse o seguinte: bem, acho que os anos 1980 está muito longe, é uma distância enorme. Ou seja, Daniel, como esse compromisso foi feito em 1982, não precisa exatamente cumprir.
Mas agora ele vai além e não apenas não manda as armas para Taiwan, como agora se oferece para eventualmente vender armas para a China. De novo, isso foi negado. Isso foi negado pelo Departamento de Estado, isso foi negado pelo, pelo Departamento de Defesa, né? Todo mundo negou. Mas me chamou atenção, Daniel, o fato de você ter o embaixador dos Estados Unidos em Pequim, que não teria motivos para mentir sobre isso, dizendo que essa oferta aconteceu, ainda que a gente não saiba qual foi a resposta de Xi Jinping.
Daniel, que confusão, hein? Realmente os parâmetros, eles estão fora da ordem, com fora do lugar, e o que era previsível no ano passado ou num passado recente deixou de ser. Tá aqui, avançando para a próxima pauta, eu quero falar sobre um barril de pólvora que explodiu na Espanha e que envolve basicamente o mercado imobiliário e o custo da habitação. Mari Carmen Abascal, uma senhora de 87 anos, ela foi retirada em cadeira de rodas na quarta-feira, 23 de setembro, do apartamento onde viveu por 70 anos, no bairro do Retiro, em Madrid.
O contrato foi assinado pelo pai dela em 1956, passou pela mãe e depois para ela. E o aluguel ficou congelado em cerca de 500 euros por mês. Em 2018, uma empresa chamada Urban Gestión, uma empresa espanhola pequena, comprou o imóvel por cerca de 247 mil euros, valor baixo, para o bairro, justamente porque havia uma inquilina antiga vivendo lá. Segundo o sindicato dos inquilinos, a empresa pediu 2.650 euros por mês e depois baixou para 1.650, mas a aposentadoria da senhora é de 1.300 euros por mês e, consequentemente, ela não tem condições de pagar esse valor.
Depois de uma batalha judicial, ela acabou sendo retirada à força em sua cadeira de rodas, com uma imagem que viralizou, chamou a atenção da sociedade espanhola e levou, no último sábado, no último final de semana, dezenas de milhares a marcharem por Madrid, justamente em protesto contra o custo da adaptação. Isso não é um problema novo, não é um problema exclusivo da Espanha, mas é algo que transbordou, e transbordou de vez. Os aluguéis em Madrid subiram em média 61% nos últimos 5 anos.
E nos últimos 5 anos, a Espanha construiu 750 mil moradias a menos do que a população precisava. Diante dessa crise, o Pedro Sánchez, né, presidente do governo espanhol, disse estar trabalhando contra o relógio para apresentar uma nova lei. Ô, Sánchez, agora você vai apresentar uma nova lei? Agora que o em torno, agora que a situação realmente está bastante complicada. E o pacote, ele incluiria proibição de compras especulativas por fundos, proteção contra despejos, congelamento de reajustes abusivos na renovação, regras para aluguéis por temporadas e também questões relacionadas à própria tributação.
A oposição ao Pedro Sánchez, destaca que a culpa é da imigração de portas abertas e da burocracia da construção. De qualquer forma, a gente está falando de algo muito sério e que não acontece apenas na Espanha. Realmente, o custo da habitação subiu demais e esse custo da habitação fez com que pessoas comuns não tivessem mais condições de pagar o aluguel no local onde viviam já há muitas décadas. E esse caso da senhora espanhola, da senhora madrilenha, acabou sendo absolutamente ilustrativo de como a coisa está grave, como a situação está fora de controle.
Algo semelhante acontece em Lisboa, acontece em Paris, acontece em Berlim. Você tem várias capitais europeias enfrentando situações semelhantes por conta, realmente, do aumento do preço dos imóveis, e também por conta do aumento do preço dos aluguéis. Isso é reflexo de uma conjunção de fatores. Você tem ali realmente investimento estrangeiro, tem pessoas que compram imóveis para aluguéis por temporada, o crédito na Europa também ficou muito barato durante muitos anos, então muita gente acabou pegando muito dinheiro emprestado para comprar imóveis, a demanda por imóveis acabou crescendo muito rapidamente, muito mais rapidamente do que a oferta, em um ambiente de juros muito baixos.
Enfim, são múltiplos fatores que acabaram levando a essa crise, que é uma crise séria e que impacta a vida das pessoas em função da incapacidade que elas acabam tendo agora de pagar pelo aluguel ou de pagar pela habitação.
Daniel Souza, como próxima pauta, eu queria falar sobre aquela pessoa que você não pode confiar. Você conta um segredo, você faz um acordo, não é para falar para ninguém, E a pessoa vai para tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas e conta aquele segredo. Daniel Souza, eu tô falando sobre uma crise que eclodiu entre a Coreia do Norte e a Ucrânia pelo fato de que o Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, foi para a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas e falou sobre a transferência de dois prisioneiros de guerra norte-coreanos para Seul.
Então a gente sabe, Daniel, a gente já falou sobre isso aqui várias vezes, né, que A Rússia tem um acordo com a Coreia do Norte. Soldados norte-coreanos estão sendo levados para lutar a guerra na Ucrânia, e até agora apenas dois deles foram capturados com vida. Exatamente esses dois. Esses dois, quando foram capturados, Daniel, eles foram capturados na Ucrânia, eles foram entrevistados por repórteres sul-coreanos. Claro, Daniel, Coreia do Sul tem todo interesse nessa história.
Então repórteres sul-coreanos foram para a Ucrânia e os entrevistaram. E o que esses dois falaram para os repórteres sul-coreanos é: nós gostaríamos de ir para a Coreia do Sul, a gente não quer voltar para Coreia do Norte. Você teve um acordo entre Ucrânia e Coreia do Sul, e segundo a Coreia do Sul, esse acordo deveria ser sigiloso, ninguém deveria saber sobre isso. Mas esses dois soldados foram enviados para a Coreia do Sul. O motivo da Coreia do Sul querer sigilo é o fato de que isso poderia trazer consequências graves para a família dos soldados.
Eles seriam vistos como desertores. Como desertores, eles podiam, as suas famílias poderiam ser duramente punidas pelo governo norte-coreano. E portanto, essas pessoas deveriam ir para a Coreia do Sul, mas serem dadas como mortas pela Coreia do Norte. Não é para ninguém saber quem são. O Zelensky, boca de sacola, foi lá para Assembleia Geral e falou assim, ó, mandei esses dois soldados para lá, hein, mandei. E tá vendo aí como é que a Coreia do Norte tá ajudando a Rússia e tal.
E aí isso levou a uma crise diplomática pelo fato de que o secretário presidencial sênior da Coreia do Sul expressou profundo pesar pela revelação unilateral e repentina, sustentando que o sigilo havia sido solicitado originalmente pela própria Ucrânia e que a Coreia do Sul teria aceitado, teria concordado inclusive. E o Zelensky vai lá para Assembleia Geral das Nações Unidas e revela que essas pessoas foram mandadas. Então a Coreia do Sul disse, né, esse secretário presidencial, abro aspas, exigimos uma explicação oficial e um pedido de desculpas.
E parece, Daniel, que houve uma conversa sobre sigilo. A Coreia do Sul considerou que tava garantido que ia ter sigilo. A Ucrânia considerou que era apenas uma sugestão. Ah, pô, de repente a gente não fala sobre esse assunto, a gente não tematiza. Mas o Zelensky quis usar isso politicamente quis falar sobre isso na Assembleia Geral, quis expor inclusive a Coreia do Norte, é como se fosse uma prova de que a Coreia do Norte está sim mandando soldados para matar ucranianos e tal.
E falou sobre isso sem levar em consideração, ou talvez sem se importar muito, que isso pudesse levar a consequências gravíssimas para esses dois soldados e para suas famílias na Coreia do Norte. Crise, climão entre os dois, particularmente dois países, Daniel, que teriam muito a cooperar. A Ucrânia lidando com a Rússia, que é aliada da Coreia do Norte, que é um país que tem lá seus problemas com a Coreia do Sul. Vamos ver até onde que isso vai, Daniel, mas é uma crise que deixa o clima muito chato entre dois países que poderiam cooperar bastante.
Daniel, podemos avançar para a geleia da Shakira de hoje?
Podemos, Daniel. Me conta o que que você traz hoje.
Na geleia da Shakira de hoje eu quero falar sobre uma campanha sueca pela má educação. Sim, os suecos estão incentivando os próprios suecos a serem mal educados. Seja mal educado! Essa é a campanha que a Suécia colocou na praça. É uma campanha em parceria com a polícia sueca que orienta a população a desligar o telefone na cara de estranhos e fechar a porta na cara de suspeitos sem constrangimento, de forma realmente grosseira e estúpida.
O foco é evitar golpes contra idosos. Segundo a polícia sueca, o prejuízo com fraudes no país chega a 5,7 bilhões de coroas, mais de 2 bilhões de reais, e algo precisa ser feito. Então, eles estão agora instruindo principalmente os idosos suecos a serem mal educados. Sejam mal educados! 4 personalidades suecas foram escaladas para conscientizar o público, Entre elas, a atriz Susanne Reuter, de 74 anos, que diz o seguinte na propaganda: Muitas pessoas da minha geração foram criadas para serem sempre educadas e prestativas, mas, a partir de agora, nós temos que mudar.
Isso não é falta de educação, mas sim autoproteção. É isso, Tanguy! Temos que estimular a falta de educação, Rapaz, é bom viver na Suécia, hein? Ô rapaz, que coisa maravilhosa! Você não tá estimulando? Esse é o problema do país: estimular a falta de educação para que as pessoas não sejam prestativas e consequentemente não tomem golpes. Porque os golpes chegaram até na Suécia, veja você.
Imagina a reunião que decidiu essa campanha, Daniel. Ah, precisamos fazer alguma coisa, a gente tá tendo muitos golpes. Como é que a gente vai fazer? As pessoas são muito educadas, muito educadas. Vamos parar de ser educado. Então tá aí, a solução é fecha a porta na cara de quem te incomoda, desliga o telefone na cara, libera esse ogro que existe dentro de você, porque a Suécia precisa disso. Então agora, Daniel, quando falarem temos que implementar um sistema de educação sueco, não, não, não, não, não, a Suécia tem que aprender com a gente.
Vocês se liga aí, Suécia, a gente tem muito a ensinar vocês. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria deixar aqui um super agradecimento a todo mundo que tá junto com a gente. Todo mundo que nos acompanha, todo mundo que coloca a gente na sua rotina. E lembrar que nós temos um outro projeto que é o Petit Cursos. A gente tá falando agora, Daniel, sobre países que a gente costuma pensar aí como a política oficial, falando sobre a capital.
A gente fala sobre a França, a gente fala sobre Paris, né? A gente fala sobre o governo francês em Paris. A gente fala sobre o Brasil, a gente fala sobre Brasília. A gente fala sobre a Rússia, a gente pensa no Putin lá em Moscou. Mas e o interiorzão? E qual o impacto que esse interiorzão tem sobre as políticas nacionais é muito, mas muito grande. Esse se soma a outros cursos que estão disponíveis para você, que acessa lá o peticursos.com.br. Não perde essa oportunidade, o link tá na descrição desse episódio.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês, especialmente a pequena não tem o suporte de um conglomerado ou de uma grande produtora, e, por isso, o auxílio de nossos apoiadores é de fundamental importância. E fica aqui o nosso agradecimento especial a cada um de vocês.
Fica também o convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o Pet Jornal. Você pode, inclusive, ativar o Pix recorrente. Chave Pix no descritivo desse episódio. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!
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