Os EUA vão quebrar? - Invest 130
Aproveite os descontos da Insider Store!
https://creators.insiderstore.com.br/PETIT
Para patrocínios, palestras e parcerias: contato@petitjournal.com.br
Quer conhecer nossos cursos e aulas gratuitas? Acesse https://petitjournal.cademi.com.br/area/vitrine/home
Chave PIX: petitjournal.pj@gmail.com
Inscreva-se na Petit News, a newsletter gratuita do Petit Journal: https://petitcursos.com.br/#newsletter
Apoie o Petit Journal: https://www.apoia.se/petit
Se você vive no exterior: https://www.patreon.com/petitjournal
Quer apoiar pelo YouTube? Clique em “Valeu” e deixe seu apoio ou vire membro do Canal do Petit Journal no Youtube.
Inscreva-se no canal de cortes do Petit Journal:
https://youtube.com/@petitjournalcortesoficial?si=HnJloDVeGCrrSelB
Acompanhe nossas redes sociais:
https://www.instagram.com/tbaghdadi/
https://www.instagram.com/danielsousaeconomista/
https://www.instagram.com/petit_journal_/
Os juros cobrados do governo dos Estados Unidos estão em alta, pressionados pelo petróleo caro e pela crise no Oriente Médio. Com uma dívida pública cada vez maior e custos crescentes para financiá-la, discutimos até onde pode ir a deterioração das contas americanas e o que significa, na prática, perguntar se os EUA podem “quebrar”.
Analisamos também uma questão mais profunda: a possível erosão da imagem dos Estados Unidos como principal padrão de segurança e confiabilidade da economia internacional. O que acontece se investidores começarem a exigir um prêmio maior para financiar Washington? E quais seriam as consequências para o dólar, os títulos do Tesouro e o restante da economia mundial?
#EstadosUnidos #DívidaPública #Juros #Dólar #Economia
- A deterioração da confiança nos Estados Unidos como padrão econômico internacionaljuros cobrados do governo dos EUA em alta·dívida pública americana crescente·custos crescentes para financiar a dívida
- A fragilização da liderança dos Estados Unidos e a desdolarizaçãoperda de relevância dos papéis ancorados nos EUA·países defendendo a desdolarização·falta de alternativas imediatas ao dólar
- O aumento do rendimento dos títulos do Tesouro americano e suas implicaçõesrendimento dos títulos se aproxima de 5,5%·mercado cobrando mais caro para emprestar·efeitos no sistema financeiro internacional
- A influência do preço do petróleo e a situação no Oriente Médio na economia americanabarril de petróleo ultrapassando 100 dólares·pressão inflacionária nos Estados Unidos·instabilidade no Oriente Médio
- A ausência de um movimento forte do governo Trump para recuperar a liderança dos EUATrump focado no curto prazo·degradação da liderança americana em curso·fragilização do referencial da economia americana
PetiJornal.
Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o Peti Invest número 130. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 9 horas e 27 minutos da sexta-feira, 25 de setembro. De 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, muito tarifado, muito, muito, muito tarifado.
Segue o Professor Bagdadi porque se recusa a jogar golfe, prefere afogar as mágoas no seu vício de brigadeiro de colher na madrugada. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir o ambiente de negócios internacional, a dinâmica de investimentos. Esse é o Pet Invest, espaço da sexta-feira do Pet Jornal. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse Pet Invest 130. Prazer tá aqui mais uma sexta-feira. Antes fazia algum tempinho, né, que a gente não tinha o Pet Invest. A gente teve algumas semanas um pouco irregulares aí com relação aos episódios. Então sexta-feira passada a gente acabou fazendo mais um bate-papo, só que a gente volta com o nosso compromisso de toda sexta-feira de fazer esse Pet Invest. E Daniel, falando em Pet Invest, está falando sobre o bom uso do seu dinheiro, né?
E a Insider Store tá aqui para te ajudar nessa possibilidade de tomar ótimas decisões. A Insider Store, Daniel, ela tá com 40% de desconto em vários itens, inclusive alguns dos itens dos mais vendidos, né, dos best-sellers da Insider Store, até o fim desse mês, só usando o cupom do Pet Jornal. Então, se você quiser conhecer a linha da Insider Store, dá uma olhada lá. São 37 itens com até 40% de desconto no site. Tenho certeza que você vai gostar.
Tem uma variedade cada vez maior de produtos por lá, de cores, de tamanhos. Não perde essa oportunidade. Daniel, como tema do episódio de hoje, eu acho que a gente precisa discutir o novo momento dos Estados Unidos. Os Estados Unidos sempre foram considerados o padrão ouro da confiança econômica internacional. É aquele país que você pode confiar de olhos fechados, mas aparentemente a gente tá num processo lento, gradual e constante de erosão. Como é que você vê isso, Daniel?
Pois é, Tanguy, nessa semana nós tivemos um exemplo muito ilustrativo desse processo que você acabou de descrever. O rendimento dos títulos do Tesouro americano subiu bastante e se aproximou de 5,5%. O maior nível desde 2004. Na prática, isso acontece porque o mercado está cobrando mais caro para emprestar recursos ao Tesouro dos Estados Unidos. É sempre importante lembrar que os juros praticados nos títulos da dívida em diferentes países são precificados, são estabelecidos a mercado.
Os governos aparecem com títulos para vender, é a melhor maneira para que esses governos se financiem da forma mais barata possível, mas, eventualmente, a disposição do outro lado do balcão não é das melhores e, consequentemente, o mercado acaba cobrando juros mais altos para financiar diferentes governos ao redor do mundo. Quem não está muito acostumado com esse tipo de movimento, pelo menos nessa intensidade, é o governo dos Estados Unidos.
Existe aí um mau humor por parte dos agentes econômicos internacionais. Nós estamos falando de um ambiente de alta do preço do petróleo, e eu acho importante você nos atualizar, Tanguy, na sequência um pouco sobre a situação no Oriente Médio. Nós temos mais inflação nos Estados Unidos, nós temos uma maior aposta de que o Fed vai voltar a aumentar taxas de juros, nós temos um governo americano que tá tendo um crescimento muito veloz do seu endividamento sem qualquer tipo de enfrentamento a esse problema.
E o que acaba acontecendo é que, se o governo americano paga juros mais altos, isso impõe às empresas americanas juros também mais altos, isso acaba tendo efeitos no sistema financeiro internacional, você acaba tendo ali um menor diferencial de juros em países emergentes, como é o caso do Brasil. Quer dizer, o Brasil acaba tendo também juros por aqui pressionados, com menos espaço para queda, na medida em que o juro nos Estados Unidos está um pouco mais alto.
E a gente está vivendo um novo momento, como você muito bem descreveu. Tem muita gente olhando para os Estados Unidos e pensando: Puxa, será que os Estados Unidos são tão confiáveis assim como eu pensava? Será que essa trajetória de endividamento do governo americano vai virar, lá na frente, uma monetização da dívida? Ou seja, será que os americanos vão resolver isso com inflação, aumentando a quantidade de dólares em circulação e desvalorizando o próprio dólar?
Eu preciso proteger o meu dinheiro cobrando juros mais altos do governo americano dentro de um ambiente como esse. É um ambiente que nós não imaginávamos que aconteceria, ou pelo menos não imaginávamos até bem pouco tempo atrás, mas existe uma percepção de que o governo Trump não está genuinamente comprometido no enfrentamento, no endereçamento desse problema, e consequentemente isso vai desorganizando a economia mundial, e vai mudando os parâmetros pelos quais o mercado é estabelecido, os referenciais de mercado são estabelecidos.
Agora, Taqui, isso tem relação direta com a questão do Oriente Médio, tem relação direta com o aumento do preço da energia que tá gerando uma pressão inflacionária relevante nos Estados Unidos, né?
Pois é, Daniel, a gente tá falando sobre uma transformação que a gente tem de fevereiro para cá e que ela, ela me parece que ela, ela soava cíclica no início, ela soava como momentânea, para ser mais exato, no início. E agora ela já me parece algo um pouco mais consolidado. O cenário que a gente tinha até fevereiro, Daniel, era de um barril de petróleo, né, como referência, na casa de $70 a $80, tá mais ou menos por ali. Podia subir um pouquinho, baixar um pouquinho, às vezes chegava $70 e poucos, às vezes $80 e muito, mas ficava nessa casa, Daniel.
Era uma certa previsibilidade Esse valor já foi muito mais alto e tudo, então era considerado um valor relativamente confortável para o barril de petróleo. Desde que os Estados Unidos invadiram, atacaram na verdade o Irã junto com Israel, o barril do petróleo passou a ultrapassar com uma certa frequência a casa dos $100. E a gente vê que os Estados Unidos, determinados momentos, eles tentam passar uma certa noção de esperança.
Não, estamos negociando. Aí o barril do petróleo baixa de 100, chega ali a 90 e poucos, às vezes 80 e muitos. Pouco depois, Daniel, todo mundo começa a perceber que não é sustentável, porque tá muito longe um acordo, e você volta a ultrapassar os 100. Qual o efeito disso? Tá todo mundo já mais ou menos precificando que o preço normal do barril do petróleo é 90 e tantos, ultrapassando 100 com uma certa frequência. Então essa semana agora, por exemplo, a gente teve uma sinalização lá no entorno da Assembleia Geral da ONU de que Estados Unidos e Irã voltaram a trocar mensagens intermediadas pelo Catar.
Daniel, a tendência é que não tem acordo nenhum, vão negociar uma negociação super indireta, não tem muito rumo e tudo. Aí quando diz que tá negociando, o barril do petróleo baixa dos 100. Daqui a pouco vão chegar à conclusão de que não vai ter acordo, vai ter um novo ataque. Os Houthis vão atacar alguém lá no Mar Vermelho, o Irã vai dar uma declaração, os Estados Unidos vão fazer ameaça, vai passar dos 100 de novo. E a gente já viu isso aqui várias vezes, né?
Inclusive lá no PetiCursos a gente tem um curso só sobre energia, a gente fala bastante sobre isso. Não há período de crescimento sustentado da economia com energia cara. Daniel, se não tem período sustentado de crescimento, a tendência é que os juros aumentem mesmo, a tendência é que os Estados Unidos deixem de ser visto como aquele país que você pode confiar, que vão fazer escolhas razoáveis, mesmo que entre em guerra, mas são escolhas razoáveis, são escolhas consideradas ali que vão ajudar a ter uma certa estabilidade do ponto de vista econômico.
Tudo isso, Daniel, mexe muito com a confiança que todo mundo tem nos Estados Unidos. Estados Unidos já não são mais aquele país que são queridinho, chuchuzinho da economia mundial, porque a gente tá vendo como é que são decisões consideradas meio erráticas, né? São decisões que não mantém uma certa estabilidade, e o Oriente Médio deixa isso bastante claro.
E é interessante, tá, porque essa é uma discussão que a gente já trouxe em outras oportunidades, que nós temos uma sensação de que o mercado de capital está louco para que os Estados Unidos restabeleçam algum grau de normalidade, consequentemente os recursos voltem a circular com uma certa lógica ou com uma certa previsibilidade. O grande problema é que conforme o tempo vai passando Novas alternativas vão sendo criadas, novos padrões vão sendo estabelecidos e, consequentemente, pode ser que em algum momento no futuro nós atinjamos um ponto de não retorno, onde os Estados Unidos não têm mais aquela centralidade para a economia mundial que tiveram no passado.
Afinal, eu lembro, na época da faculdade de economia, todos os professores diziam: ah, não, para você calcular a rentabilidade de um papel, você começa dizendo qual é o juro dos Estados Unidos, E aí depois você continua a acrescentar risco, etc. Então, o juro dos Estados Unidos era a baliza para qualquer tipo de cálculo que você fizesse em qualquer tipo de investimento em qualquer lugar do mundo. Só que conforme os Estados Unidos vão tendo ali um processo de degradação na sua liderança, os Estados Unidos vão tendo ali problemas no que diz respeito à credibilidade do próprio dólar.
Claro que o dólar continua hegemônico e deve continuar hegemônico por bastante tempo, mas ele não é mais tão hegemônico como já foi no passado. Então, há um processo de degradação em curso, a tal ponto que você tem países defendendo abertamente, em praça pública, movimentos de desdolarização. Tudo isso é algo que fragiliza a postura americana. É interessante porque não é a primeira vez que isso acontece. Se a gente pegar um outro exemplo histórico, nos anos 70, o dólar passou por um processo de fragilização depois do fim de Bretton Woods, depois da Guerra do Vietnã, etc., e os americanos naquela altura fizeram um freio de arrumação através de um aperto monetário entre 79 e 82.
Ou seja, eles fizeram um freio de arrumação à custa de alguns anos muito difíceis, mas para tentar restabelecer ali a liderança dos Estados Unidos, o que deu certo, o que realmente deu certo. Não existe nenhuma sinalização nesse momento que o governo Trump tenha qualquer resquício de intenção de fazer um movimento forte, um movimento contundente para recuperar a liderança dos Estados Unidos, até porque ele está muito mais preocupado com um horizonte de curtíssimo prazo do que um horizonte de longo prazo que preservasse ali uma certa liderança dos Estados Unidos no cenário internacional.
E quando a gente fala sobre essa possível, né, e aparentemente já está acontecendo decadência do dólar, claro que o dólar pode se recuperar, são os Estados Unidos, continuam sendo, tendo um lastro muito forte, uma economia muito grande, tudo pode se recuperar. Mas uma coisa que me chama atenção, Daniel, é que não há uma alternativa imediata, né? Você não tem um outro país que tá ascendendo para assumir essa posição. E aí tem muita gente que tá ouvindo a gente, vai falar assim, ué, mas tem, tem a China, gente.
A China não quer essa posição. A China tá muito confortável, ela se sente muito confortável tendo dólar. Deixa os Estados Unidos à frente aí, eu vou usar o dólar americano para poder fazer as minhas transações. Inclusive porque se você tem o dólar e você mantém uma moeda chinesa desvalorizada, a China leva vantagem. A China vai conseguir superávites comerciais maiores Só para dar um exemplo, né, ela consegue manter custos mais baixos de produção exatamente em comparação ao dólar.
E aí, Daniel, eu queria jogar essa pergunta para você, que é: onde é que você vê os Estados Unidos chegando? Os Estados Unidos podem chegar no ponto de um certo colapso dessa liderança? Os Estados Unidos vão quebrar?
Tem que— nesse momento me parece que não, não há nenhum horizonte dos Estados Unidos quebrando nesse momento, mas há um horizonte de claríssima degradação da liderança dos Estados Unidos no sistema financeiro internacional e da perda de relevância de papéis que estejam ancorados no governo dos Estados Unidos. Me parece que ainda é muito prematuro para dizer que o governo americano vai quebrar, me parece que ainda é muito prematuro para fazer uma afirmativa nesse sentido, mas o desgaste é um desgaste longo, gradual e contínuo.
Os americanos podem reverter isso, podem interromper esse processo, mas a economia mundial está um pouco sem referenciais na medida em que os Estados Unidos passam por um processo de fragilização. A gente está falando de uma economia americana que tem dado sinais um pouco controversos. É claro que quando a gente pensa em outras economias do mundo, você também não tem tantas alternativas capazes de substituir os Estados Unidos.
Mesmo a China, tem ali alguns problemas internos que levam a uma certa limitação, pelo menos nesse momento, de substituição da liderança dos Estados Unidos. O que a gente tem observado é um certo espalhamento do dinheiro no mundo para diversificar risco, para diminuir risco. E esse é um ambiente que vai tornando o mundo ali menos previsível, vai tornando o mundo um pouco mais incerto. Não me parece que esteja no horizonte uma quebra, um calote do governo dos Estados Unidos, nada nesse sentido.
Mas tá no horizonte e está em curso um processo de fragilização do referencial que a economia americana e que os títulos do governo americano sempre foram para o sistema financeiro internacional.
Isso é algo que todo mundo tá vendo, né, Daniel? As pessoas falam sobre isso e tudo isso se reflete também numa certa desconfiança com relação ao governo de Donald Trump. Existe uma percepção muito clara de que, olha, beleza, né, governos anteriores já não conseguiram, já não tinham mais condições estruturais inclusive de manter os Estados Unidos numa posição de centralidade tão grande quanto aquela que tiveram no passado. Mas o governo Donald Trump, ele acelerou muito esse processo, muito.
Isso me parece bastante nítido. E a popularidade dele tá sendo abalada com isso, né? A gente tem uma eleição de meio de mandato, a gente tem falado sobre isso constantemente, né? No início de novembro, falta portanto um mês e pouco, né, menos de um mês e meio para essa eleição. E a gente tem naturalmente um problema para popularidade de Donald Trump. A gente vai acompanhar tudo isso aqui ao longo dos próximos episódios. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio.
Queria desejar aqui um bom fim de semana a todo mundo que esteve junto com a gente, todo mundo que ouviu esse episódio. A gente volta para o nosso próximo episódio, bate-papo, na segunda-feira à noite, segunda-feira fim da tarde, né? A gente vai estar aqui de novo para mais um episódio. Daniel Souza, nos vemos, um abraço, até a próxima, valeu, tchau tchau!
Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.
Insider
Descontos em vários itens