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Fofocas da Assembleia Geral - BP 1150

24 de setembro de 202629min
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A Assembleia Geral da ONU rende encontros, desencontros e muita fofoca diplomática em Nova York. Delcy Rodríguez tira uma foto com Donald Trump na mesma cidade em que Nicolás Maduro está detido, enquanto Estados Unidos e China prorrogam a trégua comercial até janeiro. Analisamos também a decisão de Trump de impedir a entrada de jornalistas na Casa Branca, posteriormente derrubada pela Justiça, e o discurso de Javier Milei na ONU, no qual chamou a organização de “inútil” e voltou a colocar as Malvinas no centro da agenda argentina.
Falamos ainda sobre a passagem relâmpago de Benjamin Netanyahu por 
Nova York, sem reuniões com Trump ou integrantes de seu governo, e a conversa de Sanae Takaichi com o presidente americano sobre a China às vésperas da cúpula com Xi Jinping.
Na Geleia da Shakira, Emmanuel Macron troca o comboio oficial por uma caminhada pelas ruas de Nova York, saindo da ONU em direção à Trump Tower.
#ONU #EstadosUnidos #China #Argentina #Geopolítica
Participantes neste episódio2
D

Daniel Sousa

HostJornalista
T

Tanguy Baghdadi

Co-hostJornalista
Assuntos7
  • Encontro de Donald Trump e Delcy Rodríguez na Assembleia Geral da ONUacordo histórico entre EUA e Venezuela·Maduro detido em Nova York·Delcy Rodríguez contra EUA·marginalização de Maria Corina Machado
  • Extensão da trégua comercial entre Estados Unidos e Chinaacordo até janeiro·retaliação chinesa com terras raras·pauta extensa entre Trump e Xi Jinping·venda de armas para Taiwan
  • Javier Milei critica a ONU e a questão das MalvinasONU inútil por resoluções não cumpridas·Malvinas no centro da agenda argentina·disputa por petróleo nas ilhas·palco político para reeleição
  • Decisão judicial derruba proibição de jornalistas na Casa BrancaCNN, MSNBC e Politico banidos·segurança nacional como justificativa·Fox News se recusa a cobrir·decisão de juiz Timothy Kelly
  • Visita relâmpago de Benjamin Netanyahu a Nova Yorkrelação estremecida com Donald Trump·visita de 8 horas sem encontros·agenda exígua com poucos países·eleições israelenses em outubro
  • Primeira-ministra do Japão pede a Trump para não parar de vender armas a Taiwanconversa oportuna com Donald Trump·equilíbrio regional no Extremo Oriente·chineses oferecem vantagens econômicas·Trump focado em business
  • Emmanuel Macron caminha pelas ruas de Nova YorkMacron se considera popular·caminhada da ONU à Trump Tower·seguranças em loucura·insistência em aparecer
Transcrição25 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DSDaniel Sousa

PetiJornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1150. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal São exatamente 17:26 da quinta-feira, 24 de setembro de 2026. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor: Tanguy, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, muito tarifado, mas muito, muito, muito tarifado está o professor Bagdadi.

E segue tarifado porque ele segue se recusando a jogar golfe com o Donald Trump. Para baixar suas tarifas e segue viciado em brigadeiro de colher na madrugada, justamente como forma de buscar abrigo, como forma de buscar consolo dentro desse contexto internacional absolutamente adverso. Mas temos também o Petit Jornal nessa comunidade de amigos e amigas que podem nos ajudar a enfrentar essas loucuras do dia a dia do cenário internacional.

E temos também Daniel Souza, aquele que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, o Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S. Vamos lá para esse bate-papo 1150. Um prazer estar aqui mais uma vez, Daniel Souza, com você. E com os nossos amigos, saber que o pessoal tá acompanhando aqui as maluquices desse mundão de meu Deus junto com a gente. Daniel Souza, esse nosso episódio, a gente ficou na dúvida que título que a gente colocava, e ele acabou sendo batizado como Fofocas da Assembleia Geral. Assembleia Geral tá rolando lá em Nova York e a gente tem vários assuntos que estão acontecendo mais ou menos ao mesmo tempo.

E eu queria falar, Daniel, sobre o encontro que nós tivemos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, a Delcy Rodríguez. Aí, Daniel, o nome desse encontro é A Fila Andou, tá? A Fila Andou. Eles celebraram um acordo histórico, né, em Nova York, às margens ali da Assembleia Geral, numa relação, Daniel, ali quando você pensa onde que esse encontro aconteceu ali na ONU, tava a poucos quarteirões da Trump Tower, né?

Né, enfim, um símbolo ali de Donald Trump, né, do seu império imobiliário. E a cerca de 11 km de uma prisão no Brooklyn, onde tá um velho amigo de Delcy Rodrigues, Nicolás Maduro, tá encarcerado lá.

DSDaniel Sousa

Ela foi fazer uma visita, Tanguy? Ela, Daniel, temos registro. É, vou te falar qual foi a impressão que eu tive. Levou maçãs para ele?

TBTanguy Baghdadi

Vou te falar a impressão que eu tive, tá? Não deu tempo, muito corrido, muito corrido, não deu tempo. Acontece, acontece.

DSDaniel Sousa

Às vezes você tá fazendo a viagem viagem, tem que ser muitos compromissos e você quer visitar ali um velho amigo, mas a agenda não permite. Ainda mais se você tá fazendo a gestão de um país, né? Porque a gestão que ela tá fazendo, né, gestão de, é gestão de recurso.

TBTanguy Baghdadi

Mas é assim, para o Nicolás Maduro, se Nicolás Maduro tiver ouvindo a gente, aparentemente ela tentou muito, tá? Ela queria muito, ela queria muito, ela tá muito à disposição de ir até o Brooklyn para visitar Nicolás Maduro acabou não sendo possível e tal. Mas o fato é que, segundo ela, Daniel, você teve assinatura de um acordo histórico entre os dois países, você teve fortalecimento da relação bilateral em áreas como energia, mineração, segurança.

E acabou, Daniel, que ela não falou muito o nome do Maduro. Quando eu digo não falou muito, ela não falou nenhuma vez o nome do Maduro. Às vezes esquece também, né, Daniel? Às vezes tem muita coisa na cabeça, muita coisa para tratar e tudo. Então o nome de Nicolás Maduro não foi mencionado. Agora, a gente teve, Daniel, uma foto constrangedora, para dizer o mínimo, tá? Porque você tinha os dois, né? Então você tinha Donald Trump e a Delcy Rodríguez.

Delcy Rodríguez, que é um quadro histórico do chavismo, que passou a sua vida inteira pregando contra os Estados Unidos, falando sobre a interferência norte-americana, falando sobre como é que os Estados Unidos boicotavam a América Latina, como é que os Estados Unidos atrapalhavam a revolução, né, socialista na Venezuela. E portanto, os dois tiraram uma foto em que ela tentou de forma muito tímida fazer um punho cerrado. Então é ela também, Daniel, numa posição muito difícil, porque ela sabe que o pessoal que apoia ela na Venezuela não vê com bons olhos.

Então é uma situação meio meio constrangedora, meio complicada. Mas o fato, Daniel, é que você teve esse encontro, o nome de Nicolás Maduro não foi mencionado. A Delcy Rodrigues, inclusive, Daniel, ela antes de se encontrar com Donald Trump, ela esteve no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas e acompanhou inclusive o discurso de Donald Trump. No discurso de Donald Trump, ele afirma que houve uma operação militar em massa que capturou Nicolás Maduro Ele chamou Nicolás Maduro de ditador fora da lei e de um verdadeiro criminoso, e disse o seguinte, presta atenção, Daniel, ele falou isso, Donald Trump falou isso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na frente da atual presidente.

Ela disse o seguinte, ele disse o seguinte: foi uma guerra e ao vencedor pertencem os espólios. E ele tá falando, portanto, sobre as reservas de petróleo da Venezuela. Ele falou que o petróleo venezuelano é um espólio de guerra. E ela aparece junto com ele, sorridente, um sorriso meio amarelo, com o punho cerrado, meio que para dizer o seguinte: eu tô aqui, mas eu tô também resistindo. Eu tô aqui, mas a minha cabeça não tá aqui.

Eu fumei, mas não traguei, né? É uma coisa meio, meio estranha que você teve nessa relação. E uma outra dimensão que eu acho importante mencionar aqui também é que com esse encontro há uma marginalização da principal líder oposicionista da Venezuela, que é a Maria Corina Machado. Maria Corina Machado, ela é a grande líder da oposição, tenta buscar uma aproximação a Donald Trump. Donald Trump tá dando um gelo nela e tá se aproximando da Delcy Rodríguez.

Então, situação meio complicada da Delcy Rodríguez e da Maria Corina Machado também. Donald Trump, no entanto, sai felicíssimo desse encontro, no qual teoricamente ele colocou a Venezuela dentro do seu próprio bolso, Daniel.

DSDaniel Sousa

Ô Tanguy, mas a Maria Corina Machado não ofereceu ao Donald Trump, não regalou ao Donald Trump o seu Prêmio Nobel da Paz? Nem isso foi suficiente para amolecer o coraçãozinho de Donald Trump?

TBTanguy Baghdadi

Então, Daniel, eu acho que o Donald Trump ficou muito feliz, mas veio uma diretriz lá do Conselho do Prêmio Nobel da Paz dizendo que não é, é pessoal e intransferível.

DSDaniel Sousa

Ah, entendi.

TBTanguy Baghdadi

A burocracia atrapalha muito, né, Daniel? Porque podia. Ah, tô transferindo aqui para você, pronto, aqui você assina aqui, eu assino aqui, a gente paga o Duda lá no Detran e tá passado. Mas o pessoal lá não deixa, né, muito inflexível. Então aparentemente não podia transferir.

DSDaniel Sousa

Tá bom, avançando para a próxima pauta, Tanguy, registro que o secretário do Tesouro americano, o Bassett, afirmou que Estados Unidos e China concordaram em estender por 2 meses a trégua comercial que expiraria em 10 de novembro. Com isso, o acordo permanece em vigor até janeiro. Esse era um dos principais pontos da conversa entre Donald Trump e Xi Jinping. Havia um temor de que não houvesse acordo e, consequentemente, o tarifácio fosse retomado.

Mas a gente sabe que os Estados Unidos precisavam de um acordo, Afinal, a retaliação chinesa poderia vir através de terras raras e minerais críticos, o que traria consequências muito severas para a economia americana. Os americanos continuarão dependentes desse tipo de fornecimento por parte dos chineses, pelo menos até a próxima década. Isso tudo correr bem, se realmente alternativas forem construídas até lá. A pauta dos dois mandatários é extensa, é bastante pesada, Você tem aí conversas em relação à inteligência artificial para que haja uma desaceleração, para que haja uma coordenação entre os dois países.

Você também tem Irã na pauta. Os Estados Unidos têm a expectativa de que os chineses pressionem os iranianos a aceitar algum tipo de acordo minimamente adequado para os americanos, ou menos humilhante para os americanos. Tem Taiwan, existe ali uma pressão por parte dos chineses para que os Estados Unidos reduzam as vendas de armamentos para Taiwan. Inclusive, os chineses estão acenando com a possibilidade de comércio, de mais comércio, de vantagens comerciais para os Estados Unidos em troca dessa diminuição na venda de armamentos para Taiwan.

Existe ali a expectativa por parte do governo Trump de anunciar que os chineses vão comprar mais aeronaves da Boeing, que os chineses vão comprar mais produtos do agronegócio, mais soja dos Estados Unidos. Vamos ver se isso realmente se confirma. Enfim, a gente está falando de uma série de temas. Muitos desses temas já estavam presentes na última reunião entre Trump e Xi Jinping, que aconteceu na China, mas você tem ali todo um balé que está sendo feito.

Para que os interesses de cada um dos lados sejam alcançados. Vamos ver, a visita continua até amanhã, e vamos observar quais serão os resultados concretos, ou se nós não teremos resultados concretos mais relevantes, se serão apenas ali alguns protocolos de intenção e a disponibilidade de que as conversas continuem acontecendo. Lembrando sempre que China e Estados Unidos não são historicamente inimigos, Agora são adversários, claramente adversários, mas os Estados Unidos historicamente têm relações boas com a China e a China com os Estados Unidos, embora nesses últimos tempos existe ali uma rivalidade que está ganhando muita força por conta de disputas na área comercial, na área econômica de maneira mais ampliada, na área tecnológica, mas as conversas continuam acontecendo e existe ali uma preocupação entre os dois mandatários de estreitar laços e consequentemente criar uma agenda em comum.

TBTanguy Baghdadi

Aliás, nessas visitas, Daniel, uma preocupação sempre que os mandatários têm é com relação à sua privacidade, privacidade dos dados que são trocados ali, né? Então quando Xi Jinping vai para os Estados Unidos, há uma preocupação dos Estados Unidos e da China com relação a uma certa proteção dos dados, mensagens, né, informações que são trocadas, para que nada disso seja vazado. Se essa é uma preocupação de chefe de estado, você imagina a gente, né, que não tem esse aparato todo.

É por isso que é muito importante você ter uma boa VPN. Aqui, claro que quem vai querer roubar os seus dados não é uma agência de inteligência ou qualquer coisa assim, mas você tem as grandes, as grandes companhias, né, Daniel, as Big Techs. Você tem ali uma privacidade dos seus dados. Você pode ter inclusive governos que possam querer acessar os seus dados também. Você pode ter pessoas maliciosas querendo também os seus dados.

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DSDaniel Sousa

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TBTanguy Baghdadi

Daniel, na semana passada, o Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, baniu da cobertura da Casa Branca 3 veículos de imprensa: a CNN, né, um dos maiores veículos de imprensa dos Estados Unidos, além de 2 outros que são MSNBC e Politico. Politico também é um site muito conceituado quando você fala sobre a cobertura política dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, né, isso foi justificado depois da decisão de Donald Trump, essa seria uma decisão necessária por motivos de segurança nacional.

Como é que você justifica isso? Eu sei lá o que que você vai fazer. Mas em retaliação, 5 redes de televisão dos Estados Unidos anunciaram que suspenderiam a cobertura conjunta do governo. São 5 emissoras que têm um pool de cobertura do governo americano, né, naturalmente ali a partir da Casa Branca. E você tem entre esses veículos, Daniel, a ABC, CBS, CNN, né, a própria CNN, a NBC e a Fox News. A Fox News é a agência, é o veículo de imprensa mais alinhado ao governo de Donald Trump.

Mas essa medida, ela foi excessiva até para Fox News. Então a Fox News também definiu que não participaria de qualquer cobertura da Casa Branca enquanto a CNN, MS Now e Político fossem readmitidos na cobertura da Casa Branca. Isso foi importante, Daniel, porque quando a gente teve a chegada de Xi Jinping a Washington, né, então ele chegou ali no aeroporto, não tivemos cobertura ao vivo. A gente tá falando sobre uma das visitas mais importantes desse mandato do Trump.

Então Xi Jinping indo para Casa Branca, sendo recebido ali por Donald Trump no aeroporto com tapete vermelho, não é uma informação pequena. Não tivemos cobertura ao vivo desse evento, Daniel. E aí, no dia de hoje, a gente teve uma ordem judicial de emergência, né, que foi emitida pelo, pelo juiz Timothy Kelly, considerando que a proibição desses veículos de imprensa na cobertura presidencial é provavelmente inconstitucional, e portanto determinou que esses veículos de imprensa, eles precisam ser readmitidos na cobertura da Casa Branca.

É uma decisão que vale durante 2 semanas, ainda vai ter que ser julgado. E a chance de não ser acolhido, Daniel, é quase nenhuma, né? Qualquer juiz que pegar isso aqui vai acabar acolhendo. A CNN, MSNBC e Politico têm que ser readmitidos na cobertura da Casa Branca. Então você tem aí uma decisão que vem de um juiz. Esse mesmo juiz, aliás, já tinha tomado uma decisão parecida no primeiro governo de Donald Trump. Durante o primeiro governo, um jornalista específico da CNN chamado Jim Acosta também teve suas credenciais suspensas para entrar na Casa Branca.

Esse juiz também determinou que esse jornalista precisa ser autorizado a entrar. Já tivemos boicote também da Casa Branca com relação à Associated Press, né? A AP também já foi impedida de participar de viagens do presidente mundo afora. E essa batalha, né, de Donald Trump com relação à imprensa é algo antigo, né, Daniel? A gente já viu isso acontecer diversas vezes. E esse é, portanto, mais um capítulo. Falando ainda sobre essa fofoca da Assembleia Geral, Daniel, a gente tem mais uma fofoca envolvendo a Argentina, né, falando sobre as Malvinas. Você quer trazer para gente?

DSDaniel Sousa

Pois é, Tanguy. O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou a ONU nessa quarta-feira durante a Assembleia Geral. Afirmou que a organização se tornou inútil por não fazer cumprir as próprias resoluções sobretudo sobre as Ilhas Malvinas. Para ele, o caso evidencia a distância entre as decisões dos organismos internacionais e sua capacidade de fazê-las cumprir. No final do dia, Taqui, a gente está falando de um Javier Milei que está usando claramente as Nações Unidas com o objetivo de fazer um palanque político para a sua agenda de reeleição.

O Javier Milei, como muitos mandatários anteriores da Argentina, sempre que precisam de algum tipo de carta, de supertrunfo para aglutinar apoio interno, lembram da questão das Malvinas. E, nesse momento em particular, existe um componente adicional, existe uma camada extra, que é a disputa por petróleo. Afinal, encontrou-se petróleo nas Ilhas Malvinas e os argentinos acusam Londres de estar explorando recursos que são argentinos.

De qualquer maneira, o Javier Milei chamou a atenção pelo seu tom extremamente agressivo em relação às Nações Unidas. É interessante porque a ideia das Nações Unidas é um pouco essa: você também ter o direito de ir às Nações Unidas falar mal das Nações Unidas. Você tem ali um espaço seguro para o diálogo, espaço seguro para conversas. Pode não parecer, mas você ter ali a oportunidade de convencer, conviver com opiniões diferentes, com visões diferentes, é extremamente importante para diminuir tensões, extremamente importante para a construção de acordos.

Mesmo com toda a fragilidade que a ONU tem demonstrado em diferentes situações, é importante que você tenha um espaço para que esse tipo de convívio aconteça. Afinal, é muito mais fácil você ser truculento e agressivo com quem está distante. Se você se aproxima, se você dialoga e se você convive, naturalmente, acabam surgindo pontes, e acabam surgindo realmente possibilidades de aproximação entre todos aqueles que têm na convivência nas Nações Unidas uma oportunidade para o diálogo.

TBTanguy Baghdadi

Daniel, ainda falando sobre a Assembleia Geral, né, os arredores da Assembleia Geral, nós tivemos a viagem de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, a Nova York para participar da Assembleia Geral. Eu quero lembrar que no ano passado ele também esteve lá presencialmente na Assembleia Geral E ele fez uma viagem de cerca de uma semana pelos Estados Unidos, foi recebido por Donald Trump, se encontrou com autoridades americanas.

A gente teve ali naquele momento, no ano passado, 2025, né, setembro de 2025, uma visita em que ele foi recebido de forma muito calorosa nos Estados Unidos. Esse ano agora, Daniel, a gente tem um contraste muito grande que, a meu ver, Daniel, reflete uma relação já bastante estremecida entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Os Estados Unidos particularmente se incomodaram muito com as posturas que Israel tomou ao longo dos últimos tempos, que foi de tentar conduzir os Estados Unidos a fazer o que eles israelenses desejam.

E isso acabou se refletindo, Daniel, numa visita muito, mas muito mais curta de Benjamin Netanyahu a Washington. Se no ano passado ele passou uma semana, aliás, a Nova York, né? Se no ano passado ele passou uma semana nos Estados Unidos, para além da Assembleia Geral, teve uma série de encontros com peças-chave ali do governo americano, Dessa vez, a viagem dele a Nova York durou cerca de 8 horas. Entre chegar, discursar, fazer alguns encontros e ir embora, ele passou cerca de 8 horas em Nova York sem se encontrar com Donald Trump ou com qualquer outra autoridade dos Estados Unidos.

A agenda dele, inclusive, ela foi bastante exígua. Ele, lembrando, ele não tem uma boa relação com países europeus, né? A relação de Donald Trump com países europeus é uma relação muito, muito complicada, principalmente quando a gente fala sobre a Europa Ocidental. Então ele se encontrou com alguns países, entre eles lideranças da Argentina, Bolívia, Paraguai, Panamá e Colômbia, quando a gente fala sobre América Latina, além de Etiópia, Grécia, Eslovênia e Papua Nova Guiné.

Ele não conseguiu acesso a qualquer país da Europa Ocidental, não conseguiu acesso aos Estados Unidos. E isso acaba sendo considerado pela campanha dele em Israel um problema. Ele sempre levantou muito essa bandeira, Daniel, que, olha, vocês têm que votar em Benjamin Netanyahu porque sou eu que tenho acesso a Donald Trump, sou eu que vou garantir que os Estados Unidos estejam do nosso lado. E ele disputa, portanto, uma eleição que vai acontecer daqui a pouco mais de um mês.

As eleições israelenses acontecem no dia 27 de outubro. E a gente tem uma possibilidade real de uma derrota da coalizão de Benjamin Netanyahu. A gente acompanha política internacional bastante tempo, Daniel, para saber que não é muito saudável apostar contra Benjamin Netanyahu. Já falaram que ele tava derrotado politicamente uma boa dúzia de vezes aí. Normalmente ele consegue dar a volta por cima, mas ele tá no momento muito crítico.

É a primeira eleição a qual ele vai ser submetido desde o 7 de outubro de 2023. Em que muita gente em Israel o responsabiliza por não ter garantido a segurança, por não ter antecipado, por ter permitido que isso aconteceu. E você tem um recado que tá sendo dado também pelos Estados Unidos, que, olha, você tá preocupado com eleição lá em Israel, eu tô preocupado também com eleição aqui nos Estados Unidos. Vai acontecer uma semana depois, no dia 3 de novembro, já acontece as eleições nos Estados Unidos.

A relação, Daniel, não é das melhores nesse momento. É claro, tá, gente, eu não tô dizendo com isso que os Estados Unidos abandonaram Israel. Se os Estados Unidos tiverem que escolher entre Israel e qualquer outro país ali da região, os Estados Unidos vão escolher Israel. Mas a relação nesse momento, ela é de muito mais frieza do que ela já foi alguns meses atrás, Daniel.

DSDaniel Sousa

Até porque o Donald Trump caiu no papinho do Netanyahu e entrou pelo cano e conseguiu aí ter um ambiente muito adverso para o enfrentamento das midterm elections no final desse ano. Taqui, a primeira-ministra do Japão, afirmou nessa quarta-feira que teve uma conversa oportuna com o presidente Donald Trump. Isso aconteceu à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. Uma conversa oportuna não quer dizer absolutamente nada, mas, claramente, o que a primeira-ministra do Japão foi dizer ao Donald Trump foi mais ou menos o seguinte: pelo amor de Deus, Donald Trump, não para de vender armas para Taiwan!

Pelo amor de Deus, não faça isso, Donald Trump! Não faça isso! Não aceite! Os chineses vão oferecer um acordo comercial para você, os chineses vão oferecer vantagens econômicas para você, não aceite! Porque o equilíbrio regional, a segurança no Extremo Oriente depende dessa continuidade do apoio dos Estados Unidos a Taiwan. Eu imagino Donald Trump ouvindo isso e pensando: Extremo Oriente fica onde mesmo? É Japão, né, senhora? Que a senhora é Japão.

Eu estou aqui querendo fazer business, senhora, fazer business, ganhar dinheiro. Se os chineses quiserem me oferecer um trocado, oferecer vantagens, eu posso eventualmente estar vendendo Taiwan, o Japão, e quem mais passar na frente eu vendo também, se eu puder ter algum tipo de vantagem. Claro que aqui fica essa provocação, mas não houve qualquer tipo de notícia de que Donald Trump foi sensível às demandas da primeira-ministra japonesa.

TBTanguy Baghdadi

Pelo sozinho na geleira, Chaqueira de hoje, a gente vai ter que falar sobre um personagem recorrente desse quadro que tá soltinho, Daniel, tá mais solto que arroz de vó lá em Nova York. Conta para mim, Daniel.

DSDaniel Sousa

Ô, tem que— o Emmanuel Macron, ele tem a mania de achar que ele é pop, aquele é um cara legal, que ele é cool, que ele é popular, que ele é amado. Que todo mundo quer falar com ele. E o Macron, rapaz, ele fez de novo, resolveu sair andando pelas ruas de Manhattan em direção à Trump Tower, falando com populares, tirando fotos, para loucura de seus seguranças. Eu tenho a impressão de que o Macron não pode fazer isso na França, acho que talvez seria um pouco mais difícil, mas em Nova York parece que ainda dá.

Em Nova York, o pessoal ainda deixa ele passar e tal, não taca ovo nele, não tem ali qualquer tipo de hostilidade mais séria. Mas é sempre interessante observar como Emmanuel Macron se considera um de nós, se considera um homem do povo, se considera mais um para circular pelas ruas de Nova York. Não é a primeira vez que ele faz isso, mas ele insiste. Porque ele quer aparecer na geleia da Shakira do Pet Jornal. Ele já tava fora há algum tempo, mas ele retorna.

Emmanuel Macron, bem-vindo de volta, Macron! Eu sei que você não vai nos decepcionar e trará outras pautas para nós em um futuro próximo.

TBTanguy Baghdadi

Eu queria saber, Daniel, se na sua pesquisa sobre essa geleia da Shakira, se você conseguiu informação sobre se ele foi de fato a pé de assim o caminho inteiro, né, da ONU até a Trump Tower. Tô pesquisando aqui, Daniel, dá uma caminhada de uma meia hora. Ele andou meia hora mesmo para o mato, Daniel? Isso deve ter sido para tirar foto, hein? É isso aí, sei lá, hein?

DSDaniel Sousa

Eu acho que depois que ele passou o primeiro quarteirão, tinha um carro já aguardando ele, o carro blindado confortável. Ele entrou no carro e foi embora. Não consigo acreditar. Embora todas as notícias tenham dito que ele caminhou da ONU até a Trump Tower e tal, acho que houve ali um certo exagero ou uma excessiva boa vontade em relação ao presidente francês.

TBTanguy Baghdadi

Perfeito, Daniel. Só dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Esse é o último bate-papo dessa semana. Amanhã tem episódio, no entanto. Amanhã a gente tem o nosso tradicionalíssimo Petit Invest, que vai também para o seu feed, vai estar lá no YouTube, onde você quiser assistir a gente vai ser muito bem-vindo. E se você for ficar com saudade Se você quiser mais Petit Jornal, acessa lá petitcursos.com.br. A próxima aula, aliás, Daniel, que vai ser na próxima terça-feira às 19 horas, você que é aluno ou que se tornará aluno pode assistir essa aula ao vivo.

A gente vai falar sobre o Bourbon. Como é que o Bourbon, Daniel, nos Estados Unidos, ele fala muito sobre esse Estados Unidos profundo, né, os Estados Unidos lá do interior? Quais são as pressões que esses Estados Unidos do interior geram sobre o governo americano. O Daniel vai repetir várias vezes a palavra América. Daniel chama os Estados Unidos de América. Vai ser bonito, vai ser bonito de ver Daniel Souza, que tem essa coisa, né, Daniel, do anglicismo.

Hoje Daniel soltou, Daniel disse que o presidente do Estado da França é um presidente cool. Isso é Estados Unidos, Daniel Souza. Isso é aí os Estados Unidos profundos. Então, Daniel Souza, se você quiser assistir essa aula, acessa lá peticursos.com.br. E vem com a gente.

DSDaniel Sousa

Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal. Muito obrigado pelo apoio de vocês. O Pet Jornal é uma mídia pequena, é um produto digital artesanal, e o auxílio de nossos apoiadores é de fundamental importância. E fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês. Fica até meu convite: se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio Tem várias alternativas.

Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetiJornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Tem o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.

DSDaniel Sousa

Valeu, tchau, tchau! PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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