Tapete vermelho para Xi Jinping nos EUA - BP 1149
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Xi Jinping chega aos Estados Unidos e é recebido pessoalmente por Donald Trump na pista do aeroporto, dando início a uma visita cercada de expectativas sobre o futuro da relação entre as duas potências. Analisamos também o alerta sobre o elevado endividamento do Reino Unido, o movimento de países latino-americanos para classificar PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas seguindo a orientação americana e o projeto Praxis, que pretende construir no Uruguai uma “cidade utópica da IA”.
Falamos ainda sobre a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Catar às margens da Assembleia Geral da ONU, e a confusão dentro do governo Trump sobre uma possível proibição das exportações americanas de diesel.
Na Geleia da Shakira, Donald Trump decide que até a inteligência artificial precisa de rebranding: propõe um novo nome para a IA enquanto rejeita iniciativas de regulação global da tecnologia.
#China #EstadosUnidos #XiJinping #InteligênciaArtificial #Geopolítica
- Visita de Xi Jinping aos Estados Unidos e suas implicações geopolíticasprimeira visita de estado em uma década·recepção de Donald Trump no aeroporto·negociações sobre inteligência artificial·redução da venda de armamentos para Taiwan·questões comerciais e eleitorais
- Elevado endividamento do Reino Unido e desafios fiscaisdéficit de agosto das contas públicas·juros da dívida em agosto·dívida líquida em relação ao PIB·aumento do imposto sobre bancos·teto rigoroso de gastos
- Retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã mediadas pelo Catarprimeira negociação desde julho·negociação indireta em Nova York·impacto no preço do petróleo·eleições de meio de mandato nos EUA·discurso de Trump na Assembleia Geral
- Classificação de PCC e Comando Vermelho como grupos terroristasiniciativa Escudo das Américas·14 governos latino-americanos aderem·embasamento no Tratado do Rio de 1947·congelamento de ativos financeiros·pressão sobre o Brasil
- Projeto Praxis para construir uma 'cidade utópica da IA' no Uruguaiinvestimento de 1 bilhão de dólares·localização em Colônia do Sacramento·apoio do presidente uruguaio·estabilidade política e econômica do Uruguai·estética gótica e futurismo espacial
- Divergências no governo Trump sobre exportações de dieselpreço elevado do diesel nos EUA·Trump propõe parar exportações·secretário de Energia contra a proibição·secretário do Tesouro a favor da proposta·risco de retaliações e eleições de meio de mandato
- Donald Trump propõe novo nome para Inteligência ArtificialIA passará a se chamar superinteligência·artificial é negativo, super é positivo·rejeição a esquemas globalistas de controle·marketing político para popularizar a tecnologia
PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1149. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 21 horas e 23 minutos da quarta-feira, 23 de setembro de 2026. Sim, voltamos a estar no mesmo fuso horário, o professor Bagdadi e eu, infelizmente, né? Mas fica aqui o meu agradecimento aos amigos e amigas da Latitudes, afinal, tivemos essa jornada esplêndida pela Ásia Central ao longo dos últimos dias.
Mas, enfim, agora temos aqui professor Bagdadi no mesmo fuso, Ele que está animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, muito tarifado e viciado em brigadeiro de colher. Tanguinho, eu fui cobrado porque eu não estava mais trazendo a magnífica referência ao brigadeiro de colher e ao seu vício das madrugadas. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, Professor Bagdadi? Tudo bem? Vamos a isso.
Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para mais esse bate-papo, bate-papo 1149. Daniel Souza, meus parabéns, tá fazendo essa live aqui todo virado no fuso horário, todo estragado e tal, mas tá aqui presente marcando posição, fazendo essa live, gravando mais esse episódio. Deixa aqui as boas-vindas a todo mundo que tá junto com a gente. Muito obrigado pela sua presença, muito obrigado pela sua audiência. E Daniel Souza, eu quero começar o nosso episódio de hoje falando sobre a visita de Xi Jinping aos Estados Unidos.
Ele chegou nos Estados Unidos hoje, nessa quarta-feira, dia 23, e o dia de amanhã, a quinta-feira, vai ser um dia bastante importante nesse encontro entre os dois. Uma curiosidade aqui, Daniel, que o Xi Jinping foi para os Estados Unidos na semana da Assembleia Geral da ONU, mas ele não irá a Nova York. Então houve a possibilidade, de repente, ele ir para Nova York participar da Assembleia Geral, e ele acabou desistindo, não irá a Nova York, portanto.
Então ele vai somente para Washington mesmo, né? Chegou nessa quarta-feira com um detalhe importante, Daniel, que é, primeiro lugar, foi a primeira visita do Xi Jinping, primeira visita de Estado, né? Quando a gente fala de ir aos Estados Unidos, ele foi recentemente, Mas visita de Estado é a primeira visita do Xi Jinping em mais de uma década. Faz muito tempo que ele não faz uma visita de Estado aos Estados Unidos, e foi uma visita que envolveu uma longa negociação para saber como é que seria a recepção.
Ora, Daniel, da última vez que Donald Trump foi para a China, ele foi recebido no aeroporto pelo Xi Jinping. Então houve uma certa cobrança por parte da China, que, olha, tem que ser algo parecido. Eu não posso ir lá receber o Trump quando ele chega no aeroporto na China, na China, e agora eu vou para os Estados Unidos e o presidente Donald Trump não tá lá. Então rolou uma certa pressão e finalmente Donald Trump recebeu Xi Jinping na pista do aeroporto.
Não é algo comum, Daniel, é raríssimo isso acontecer, mas é o presidente da China, Daniel, não é um qualquer. Então Xi Jinping fez questão que fosse dessa maneira. E amanhã a gente vai ter, portanto, um jantar de Estado que vai envolver naturalmente os dois presidentes. E não apenas os dois estarão presentes também. Só para a gente ter uma noção, Daniel, Tim Cook da Apple, o Jensen Huang, que é um, ele é o CEO da NVIDIA. Aliás, ele é taiwanês, né, e ele é CEO da NVIDIA.
E o Sam Altman da OpenAI, né, que é a mantenedora ali do ChatGPT. Tem uma série de temas na pauta, Daniel. A gente vai trazer ao longo dos próximos dias o que que vai ser tratado, mas eles vão tratar obviamente sobre questões relacionadas à própria inteligência artificial. Existe uma ideia, Daniel, de tentar estabelecer um certo controle mútuo. Aliás, você falou sobre isso há pouco tempo aqui, que é o fato de que os Estados Unidos estão dando uma segurada no desenvolvimento da inteligência artificial.
Me parece que a questão da alavancagem nos Estados Unidos é muito importante, são empresas que estão muito alavancadas. Então estão precisando segurar um pouco mais a onda. Só que não adianta os Estados Unidos segurarem a onda no desenvolvimento da inteligência artificial se a China não faz o mesmo. A China vai engolir o mercado. Então me parece que isso faz parte da conversa, que é para ver se os Estados Unidos conseguem convencer a China a dar uma segurada, a ter uma certa coordenação.
Muito cá entre nós, não me parece que isso vai funcionar. Devem tratar também por pressão da China de uma redução da venda de armamentos americanos para Taiwan. Isso é algo que sempre incomodou muito a China. Então, para ver se os Estados Unidos diminuem um pouco essa venda de armamentos para Taiwan. E naturalmente a questão comercial, eles estão numa trégua, né, Daniel, uma trégua comercial já quase um ano. Mas sabe-se lá o que que pode vir pela frente.
Então existe uma certa expectativa também deles voltarem a dialogar acerca de questões comerciais. O Trump, ele continua falando, Daniel, já falou sobre isso várias vezes, que a China tenta interferir no processo eleitoral dos Estados Unidos. Então me parece que isso também talvez seja um tema que apareça nessa reunião. Agora, a gente tá falando sobre dois dos mandatários mais importantes do planeta Terra. Existe a expectativa de que talvez os dois se encontrem também na China com a presença de Vladimir Putin.
Então colocar os pingos nos is nessa conversa agora para antecipar o que pode acontecer na China, né, em novembro, vai ser importante para os dois também. E nos próximos episódios, naturalmente, a gente vai trazer um pouco mais sobre o que terá acontecido nessa relação entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington. Vamos acompanhar, Daniel Souza, mas certamente vai dar pano para manga, né? É aquele tipo de reunião que a gente não pode passar batido, Daniel.
O déficit de agosto das contas públicas britânicas foi de 18,3 bilhões de libras. Apenas no mês de agosto, 3,5% acima do previsto pelo Office for Budget Responsibility, órgão independente que fiscaliza as contas públicas britânicas. Os juros da dívida em agosto foram de 8,8 bilhões de libras, o maior valor nominal para o mês desde 1997, aliás, desde o início da série, que começa em 1997. O motivo é a inflação corrigindo os títulos da dívida pública britânica atrelados a índices de preços.
A dívida líquida está em 2,98 trilhões de pounds, ou o equivalente a 95,8% do PIB. O título de 10 anos do Reino Unido está pagando 5,25% ao ano de juros, que é o maior rendimento do G7, e os custos com juros devem chegar a 3,8% do PIB no biênio 2026/2027, contra 2,1% nos anos 2010. A grande questão é como o governo britânico vai recolocar as contas públicas em ordem. Nós temos, muito em breve, a divulgação do budget de outono.
E o orçamento de outono de 2026 será apresentado pelo chanceler do Tesouro, o John Healey, em 28 de outubro. E será o primeiro orçamento do governo liderado pelo Andy, pelo Andy Burnham. E esse orçamento traz aí enormes expectativas, e uma das possibilidades que está sendo levantada é o aumento do imposto sobre os bancos. E os bancos já estão reclamando no Reino Unido, dizendo que eles são pesadamente tributados, que a carga sobre os bancos é de 46,5% em Londres, contra 42% em Amsterdã e 29% em Dublin.
Consequentemente, se eles forem ainda mais tributados, eles perderiam ainda mais competitividade, no sistema financeiro internacional. Fora isso, o governo sinaliza um teto rigoroso de gastos, dizendo que os gastos precisam ficar estritamente dentro dos limites orçamentários. E existe a possibilidade também de mais impostos sobre ganhos de capital e mais impostos sobre grandes propriedades. Se tudo isso vai avançar ou não, ainda é cedo para dizer.
Mas o fato é que os britânicos têm um problema gravíssimo nas contas públicas, o endividamento está crescendo de forma acelerada, e ao crescer de forma acelerada vai tendo reflexos nos juros, claro. Para financiar o governo britânico, os investidores começam a cobrar cada vez mais caro, e isso traz reflexos para a economia como um todo. Com juros mais altos, os investimentos ficam menores, a economia britânica anda mais devagar, A geração de renda e riqueza fica mais lenta, e nós temos um nó aí que foi claramente estabelecido por conta de questões fiscais.
É muito interessante observar que há uma tendência global de aumento de endividamentos dos governos. É o governo americano, é o governo britânico, são governos da Europa, como é o caso da França, é o governo japonês, é o governo brasileiro. São muitos endividamentos aumentando ao mesmo tempo, e isso, Tanguy, lá na frente só termina de uma das duas maneiras: ou vira inflação, porque a monetização da dívida acaba sendo uma forma de resolver o problema, então você aumenta a quantidade de moeda em circulação, isso gera inflação, e ao gerar inflação você consegue abater essa dívida, ou então vira calote.
Me parece que o cenário mais provável é virar inflação. Então, a gente tende a ter uma inflação muito pressionada no mundo ao longo dos próximos anos, a não ser que você tenha ajustes fiscais um pouco mais duros em diferentes partes do mundo, o que até o presente momento não parece ser a realidade. O governo americano não tem sinalizado isso, o governo japonês, francês não têm sinalizado isso, e tampouco tem sinalizado o governo britânico.
Tanto que as soluções que estão sendo sugeridas são perfumaria perto da gravidade da situação de crescimento do endividamento do governo.
Daniel, só você sabe quem tá de volta?
Quem tá de volta?
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Pedro Souza, que os Estados Unidos declararam, né, consideraram que o PCC e o Comando Vermelho são entidades terroristas, a gente já sabe isso já tem um tempo. Agora, o que aconteceu no dia de hoje, Daniel, é que tá acontecendo lá em Nova York a Assembleia Geral das Nações Unidas. E Donald Trump, aliás, é muito comum, né, que como você tem muitos países estão ali reunidos, chefes de estado, chanceleres e tal, acontecem muitas reuniões à margem da Assembleia Geral.
E o Departamento de Estado dos Estados Unidos se reuniu com outros 14 governos da América Latina e do Caribe naquela iniciativa Escudo das Américas. Escudo das Américas, Daniel, é aquele grupo de países que tá ali, que é aliado dos Estados Unidos aqui na região e que tá, portanto, dedicado a impedir, a evitar que inimigos dos Estados Unidos ou potências regionais entrem aqui na região. E a questão da segurança é muito central para eles.
Pois bem, Daniel, nessa reunião os Estados Unidos conseguiram fazer com que esses 14 governos da América Latina e do Caribe também classificassem o PCC e o Comando Vermelho como entidades terroristas. Não apenas eles, são 24 grupos no total. Então, Cartel de Sinaloa no México também foi colocado como terrorista, a Aquele grupo transnacional, né, originário da Venezuela, que é o Tren de Aragua, também foi colocado como terrorista.
Organizações no Equador, no Peru, também foram colocados como terroristas. Mas o objetivo aqui, Daniel, era obviamente você gerar uma pressão maior sobre países nos quais estão essas organizações consideradas a partir de agora terroristas, porque abre uma série de possibilidades. Você pode congelar ativos financeiros, você pode estabelecer restrições e cancelamento de vistos migratórios. Você pode estabelecer uma responsabilização criminal de indivíduos e redes que prestem suporte material, econômico ou logístico a essas facções, e sempre com uma enorme possibilidade interpretativa.
Então, se você quer pressionar o Brasil, você pode dizer que, olha, uma determinada indústria não vai poder vender para os Estados Unidos e para esses outros 14 países porque lá fica O PCC, lá fica o Comando Vermelho. Então traz uma coisa meio movediça, né, Daniel? Como é que você vai, como é que isso pode ser interpretado? E o que eu achei mais exótico, Daniel, nessa decisão é que esses países todos utilizaram como embasamento o Tratado do Rio de 1947, que criou lá em 47 o chamado TIAR.
O TIAR é o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca. Esse é um tratado, Daniel, que não é nem exagerado dizer que serviu de modelo, de base para criação da OTAN depois, que é um sistema de segurança coletiva. Ou seja, que tá sendo dito, 1947, a gente tá naquele momento ali de formação da Guerra Fria, é que se qualquer país signatário do TIAR, ou seja, qualquer país aqui das Américas fosse atacado, leia-se por forças comunistas, pelos Estados Unidos, pela União Soviética, Isso seria uma ameaça a todos, seria um ataque a todos, e todos deveriam reagir.
Então a lógica é: se, por exemplo, o Brasil for atacado pela União Soviética, os Estados Unidos sairão em socorro do Brasil. Daniel, esse é um acordo de 1947 que nunca serviu para nada, nada, né? 11 de setembro, por exemplo, o Brasil chegou a sugerir que fosse invocado, ignorado, nunca serviu para nada. E agora os Estados Unidos e mais esses 14 países utilizam esse tratado para dizer que você tem 24 grupos criminosos que são considerados terroristas a partir de agora.
E essa declaração, portanto, foi assinada pelos Estados Unidos, claro que são aqui o país que sugeriu. Além deles, nós temos também Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, óbvio, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trindade e Tobago. O Brasil obviamente não gostou. Aliás, no próprio discurso do Lula à frente da Assembleia Geral, foi um discurso no qual ele trouxe ali os principais pontos da política externa.
A gente teve várias alfinetadas no Trump exatamente por esse tipo de postura. Então, Daniel, você aumenta muito a possibilidade do Brasil eventualmente ser prejudicado, não apenas pelos Estados Unidos, mas por outros países aqui da região também. Que naturalmente, Daniel, estão seguindo uma orientação dos Estados Unidos, uma pressão dos Estados Unidos.
Daniel, tem que ir avançando para a próxima pauta, que eu acho particularmente curiosa. A Praxis, sediada em Nova York, escolheu o Uruguai para sua cidade do futuro. Promete 1 bilhão de dólares em 3 anos e os primeiros moradores já chegariam em meados de 2027. A primeira fase fica dentro do Mais Colônia, empreendimento imobiliário ao lado da Colônia do Sacramento, às margens do Rio da Prata e a 1 hora de barco de Buenos Aires.
O dono do Mais Colônia é o argentino Eduardo Bastitta, assessor do presidente Javier Milei. O Mais Colônia já tem US$290 milhões comprometidos. Prédios em obra e centenas de apartamentos vendidos. O CEO da Praxis, o Dryden Brown, 30 anos, ex-surfista profissional, se muda para lá em breve. Na quinta-feira, ele se encontra em Nova York com o presidente uruguaio, o Yamandú Orsi. A justificativa para o empreendimento é que a indústria de inteligência artificial está construindo uma tecnologia que vai mudar fundamentalmente o papel do trabalho humano e que eles, através desse projeto, estão construindo um lugar para explorar o que vem depois.
Existe uma comparação, inclusive, histórica. Assim como a riqueza do comércio e dos bancos fez Florença o centro do Renascimento, a riqueza da inteligência artificial faria o mesmo no Uruguai, tá aqui. A estética da proposta é uma fusão de elementos góticos com futurismo da era espacial. Eu tô, eu tô realmente me perdendo um pouco nessa pauta porque ela é muito maravilhosa, mas calma, calma, calma.
Você falou Florença?
Pera aí, fez uma comparação com Florença. Os envolvidos no projeto estão falando que é uma nova Florença, tá?
Que vai ser uma coisa, é o novo Renascimento, tá?
Beleza, tá, é o novo, é o novo renascimento. Por que o Uruguai? A praxis cita a estabilidade política e econômica, instituições democráticas fortes. O Brown disse que tem uma vibração de Suíça na América do Sul, o Uruguai. Eles descartaram o Mediterrâneo porque é perto demais dos conflitos, descartaram também a Groenlândia por conta da reação muito negativa da população local. O presidente uruguaio disse à imprensa local que ele vai se reunir com o CEO e que eles estão trabalhando já há algum tempo justamente para turbinar esse processo, e que toda essa estratégia entra ali dentro de um projeto um pouco mais amplo para o desenvolvimento da área de Colônia de Sacramento, da Colônia de Sacramento.
O curioso, Tanguy, é que o Orsi é de centro-esquerda e o camarada lá da Praxis é um anarquista. E a gente está falando de um terreno que é de um assessor do Milei para construir uma nova Florença de inteligência artificial no Uruguai. E eu estou um pouco confuso com tudo isso que está sendo proposto, mas, aparentemente, O Brown é alguém que está muito empolgado com esse projeto e ele já disse em outras oportunidades o seguinte: definitivamente não sou um democrata.
E também não é um caro woke. Ele também diz que ele não é um caro woke. Enfim, está aqui. A gente tem um governo de centro-esquerda, a gente tem o Uruguai, a gente tem um assessor do Milei, a gente tem um camarada com perfil muito estranho nos Estados Unidos. Tudo isso para fazer uma nova Florença. Na Colônia do Sacramento, no Uruguai, e para desenvolver um ambiente de uma cidade de inteligência artificial. Não é jaré da Shakira, mas essa, esse melting pot que a gente tá vendo aqui é algo que me chama muita atenção.
Essa miscelânea, essa mixórdia que a gente tá tendo aqui no Uruguai é algo que me chama atenção.
Daniel Souza inaugurou a expressão melting pot nesse Petit Jornal, nesse podcast. Daniel Souza apaixonado pela língua portuguesa, que a língua portuguesa é maravilhosa. Daniel Souza lançou um melting pot, não é todos os dias. Daniel Souza, dessa maneira a gente vai para nossa próxima pauta. De novo tá rolando a Assembleia Geral lá em Nova York e tal, e foi uma oportunidade para que Estados Unidos e Irã voltassem a negociar pela primeira vez desde julho Só para a gente lembrar, Daniel, em junho, mês 6, a gente teve os Estados Unidos fazendo aquela série de concessões para o Irã.
Lembra que a gente fez um episódio aqui que a gente tava até meio impressionado, né, com a quantidade de concessões que os Estados Unidos estavam fazendo para o Irã? Parecia muito apressados para encerrar a guerra de qualquer maneira. Não deu certo. Em julho, as negociações, elas travaram completamente, né, na segunda parte ali daquele daquela, daquele entendimento. E a gente voltou a ter, portanto, trocas de agressões, sempre trocas de agressões, Daniel, no nível relativamente moderado.
Um ataca, o outro ataca, depois para. Uma tentativa ali dos dois, né, Estados Unidos e Irã, de não degringolar. Mas desde então, Daniel, desde julho, a gente não tem nenhuma negociação entre Estados Unidos e Irã. Aproveitando agora que representantes americanos obviamente estão lá em Nova York, né, enfim, é na casa dos Estados Unidos, e representantes iranianos também lá estão. A gente teve a retomada de uma negociação indireta mediada pelo Catar.
O Catar é que tava ali fazendo o garoto de recado, né? O leve atrás. O Irã fala uma coisa, fala com o Catar, o Catar vai lá, leva para os Estados Unidos, você traz de volta e tudo. Então quem tava à frente disso era o sheik, né, o Mohammed bin Al Thani, né? Então faz parte da família Al Thani, é o chanceler O primeiro-ministro do Catar, aliás, perdão, primeiro-ministro do Catar tava ali fazendo, né, uma lógica de negociação. E o próprio Trump falou no discurso dele à frente da Assembleia Geral, Daniel, que ele, eu tenho que me decidir, tem que me decidir, eu não decidi ainda se eu vou assinar um acordo com o Irã ou se eu vou aniquilar o Irã.
Ele adora a palavra aniquilar, né, Daniel? Mas o fato, Daniel, é que a gente voltou a ter negociações Tá longe de saber se essa negociação vai longe ou não. Agora, o mercado, Daniel, quer acreditar em alguma coisa. O mercado, ele só quer ter alguma coisa para se abraçar. A cotação do barril do petróleo, só com essa notícia que eu trouxe aqui, que teve uma negociação indireta, a gente não sabe nem se vai avançar ou não, a cotação do petróleo já baixou de $100, Daniel.
Então, nos últimos dias, teve os Houthis atacando a Arábia Saudita, Arábia Saudita dizendo que vai acabar com os Houthis. O Irã dizendo que é isso mesmo, que os Houthis vão continuar atacando, o barril do petróleo explodindo de preço. Só o fato de ter alguma troca de conversa, mandar um bilhetinho para o outro, a cotação do petróleo já baixou de $100. Naturalmente, os Estados Unidos estão querendo resolver isso, pelo menos apontando para alguma direção, porque temos eleições de meio de mandato, né, agora no dia 3 de novembro, tá chegando.
A popularidade do Trump, ela tá sofrendo também com essa falta de acordo. Mas o fato, Daniel, é que a gente já vai ter que esperar para saber se vai ter algum tipo de solução. Mas pelo menos algum nível de diálogo voltou a acontecer, mesmo que de forma indireta.
Daniel, tem que ir. Em menos de 48 horas nós já tivemos 4 opiniões diferentes por parte do governo dos Estados Unidos em relação à limitação ou não das exportações de diesel. A gente sabe que o diesel está muito caro nos Estados Unidos, reflexo direto da alta do preço do petróleo e da crise no Oriente Médio. E nós tivemos muitas informações divergentes em poucas horas. Nós tivemos, no dia de ontem, o presidente Donald Trump dizendo que eles não vão mandar diesel para fora, ou seja, que os Estados Unidos iriam parar de exportar diesel como forma de conter a alta do preço desse combustível no mercado interno dos Estados Unidos.
Ato contínuo, o Chris Wright, que é secretário de Energia, disse que proibir as exportações de diesel não funciona e que, consequentemente, os Estados Unidos não fariam isso. Ato contínuo, nós tivemos o Bassett, secretário de Tesouro, dizendo que o governo está encaminhando essa proposta E falta definir se vai ser uma proibição total ou parcial. Ato contínuo, nós temos o Doug Burgum, que é o secretário do Interior, que disse que os Estados Unidos não vão fazer isso porque você tem risco de retaliações atingindo estados que dependem de energia importada, como a Califórnia.
Ou seja, estamos falando de uma bateção de cabeça dentro dos Estados Unidos. Você tem cada um apontando para um lado, mas é sinal dos tempos os Estados Unidos da América discutindo se limitam ou não a exportação de diesel. Veja você uma intervenção dessa magnitude! Mas, claro, uma intervenção dessa magnitude porque nós estamos às vésperas das midterm elections, das eleições de meio mandato, E a alta do preço dos combustíveis é algo que tem minado a popularidade do Donald Trump.
Donald Trump está desesperado, já prometeu $5.000 para cada americano, está prometendo agora limitar as exportações de diesel. O Tengui, é um processo irreversível de latino-americanização dos Estados Unidos. Os Estados Unidos estão se latino-americanizando, parece até eleição no Brasil. Que o pessoal faz de tudo perto da eleição para ganhar popularidade. E agora o Trump namora e flerta com a ideia de restringir as exportações de diesel para tentar aumentar a oferta no mercado doméstico e consequentemente tentar baixar o preço do combustível.
Vero Souza, na Gelera Shakira de hoje eu queria que você me contasse o que que Donald Trump falou sobre inteligência artificial. Me conta.
Ô Tanguy, na terça-feira, na Assembleia Geral da ONU, O Trump anunciou, anunciou que a inteligência artificial mudará de nome e que agora passará a se chamar superinteligência, porque o artificial, segundo Trump, é negativo, e o artificial traz uma carga que não é importante, que não é boa, que não é adequada. Então superinteligência é algo que denota algo positivo, é algo que progride é algo que vai para frente, porque exatamente é isso, é uma superinteligência, é uma pauta de inclusão, né, Daniel?
Ela fica sendo, pô, estigmatizada. Não é para estigmatizar, tem que ter inclusão. Perfeito, o Donald Trump tá certíssimo nessa.
E ele registrou também que os Estados Unidos rejeitam totalmente qualquer tipo de esquema globalista para controlar a superinteligência, que agora usamos superinteligência, não mais inteligência artificial. Que inteligência artificial é negativa, é ruim, e a gente tem que falar superinteligência, porque aí tem uma pegada positiva. Trump é um marqueteiro de mão cheia, ele sabe exatamente o que precisa ser feito para que um conceito que está impopular— porque inteligência artificial está impopular nos Estados Unidos, você não vai acreditar nisso, mas ela está impopular nos Estados Unidos— ela agora vai se tornar popular, porque o pessoal vai entender que ela não é uma inteligência artificial, ela é uma superinteligência, e o que é super é bom.
O que é inteligência é bom, então a superinteligência é algo bom com bom, o que vai dar muito bom e consequentemente vai recuperar a popularidade dessa tecnologia nos Estados Unidos.
Então vai dar tudo certo agora. Agora eu acho que a coisa vai, hein, Daniel? Eu tô achando que agora tudo vai melhorar, hein, com esse novo nome aí. As pessoas agora vai ficar bom, agora, agora vai ficar, vai ficar legal. Dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Queria agradecer muitíssimo A presença de todos vocês, audiência, o carinho de vocês. E Daniel, se o pessoal quiser mais Petit Jornal, tem petitcursos.com.br.
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É isso, Daniel Souza. Amanhã estamos de volta. Um abraço, até a próxima.
Valeu, tchau tchau! Petit Jornal, inteligência e irreverência em doses diárias.
Alura
Mês da Programação