Episódios de Petit Journal

Europa em alerta - BP 1148

21 de setembro de 202626min
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As tensões entre Rússia e Europa aumentam e colocam o continente em alerta diante de uma nova etapa do confronto com Moscou. Analisamos também a decisão da Índia de resistir às pressões para reduzir suas compras de petróleo russo e a retirada da candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral das Nações Unidas.
Falamos ainda sobre a crescente projeção internacional da Guiana e sobre a forte queda dos embarques chineses de terras raras para os Estados Unidos às vésperas da visita de Xi Jinping, acrescentando mais um elemento às disputas comerciais e estratégicas entre as duas potências.
Na Geleia da Shakira, Mark Carney encontra uma oportunidade para zoar Donald Trump.
#Europa #Rússia #Índia #China #Geopolítica
Participantes neste episódio2
T

Tanguy Baghdadi

HostJornalista
D

Daniel Sousa

Co-hostJornalista
Assuntos5
  • Europa em alerta diante de nova etapa do confronto com Moscouclima esquisito na Europa·França se prepara para guerra híbrida·Putin planeja nova escalada na Ucrânia·preocupação com ataques nas fronteiras da OTAN
  • Índia resiste às pressões para reduzir compras de petróleo russoEUA impõem tarifas sobre produtos de países que compram petróleo russo·Índia importa mais de 90% do petróleo que consome·dependência russa da Índia cresceu após guerra no Irã·Índia não vai ceder às pressões americanas
  • Crescente projeção internacional da Guiana e queda de terras raras chinesasGuiana alcançará 1,7 milhão de barris por dia até 2030·Guiana se torna país mais dependente de petróleo do ocidente·queda no envio de terras raras da China para os EUA·China restringe exportação para empresas japonesas
  • Retirada da candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONUAntónio Guterres termina segundo mandato·Brasil apoiou Michelle Bachelet·falta de apoio do governo chileno·isolamento no Conselho de Segurança
  • Mark Carney debocha de Donald Trump em discurso no Canadápior momento na relação entre EUA e Canadá·Carney imita gestos de Trump·plateia reage com risadas·sinal dos tempos na política internacional
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
TBTanguy Baghdadi

PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

DSDaniel Sousa

Olá, gente, bem-vindos, bem-vindas ao PetiJornal. Esse é o bate-papo número 1148. Estamos gravando numa live no YouTube do PetiJornal. São exatamente 21 horas e 40 minutos em Tashkent, capital do Uzbequistão, onde está o professor Daniel Souza nesse momento, e 13 horas e 40 minutos no Rio de Janeiro, onde está o professor Tanguy Bagdadi nesse momento. Então, seguimos aqui numa distância sanitária, protocolar, segura para a produção desse conteúdo.

E ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas, E temos aqui, como eu disse há pouco, o professor Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado, muito tarifado, porque o professor Bagdadi segue se recusando a jogar golfe. Poderia jogar golfe, resolver o problema das tarifas, mas ele não quer comprar um jogo de tacos de golfe, de bolas de golfe.

Diz que os equipamentos são muito caros, mas de qualquer maneira é um campo que ele poderia explorar e ainda não o fez. E temos Daniel Souza, que é esse que vos fala, Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais, como eu disse há pouco, e começamos chamando aqui o nosso querido professor para que tá de— como vai? Tudo bem? Vamos a isso.

TBTanguy Baghdadi

Tudo bem, Daniel Souza com S? Vamos lá para esse bate-papo 1148. Eu falava aqui, Daniel, antes da gente começar a gravar, que o Petit Jornal é surpreendente. Eu falei aqui no último episódio que a gente ia voltar só na quarta-feira. O plano qual era, Daniel Souza? Voltar quarta-feira. Voltar quarta-feira. Mas, Daniel, tivemos aqui a oportunidade, a janela, os assuntos. Tem bastante assunto para tratar hoje. Voltamos antes. Então tá aqui na segunda-feira, 13:42 do Rio de Janeiro, no horário de Brasília. Estamos voltando a gravar, Daniel Souza.

DSDaniel Sousa

Tem que voltarmos antes para acalmar ou não os corações dos nossos amigos e amigas, porque afinal muita gente está preocupada. Estamos em meio a uma nova guerra mundial? Estamos às portas de uma nova guerra mundial, professor Magnetti? Conte para nós, pelo amor de Deus! É para estocar comida? É para estocar papel higiênico, alimentos, ou não? Podemos ficar tranquilos que ainda não é dessa vez?

TBTanguy Baghdadi

Daniel Souza, na última sexta-feira começou a rolar um clima meio esquisito. Eu não sei se você reparou isso, né, daí de onde você tá, mas o clima tava meio, tava um negócio meio estranho, né? Assim, eu acho que muita gente começou a ficar mais preocupada no momento em que o Macron né, veio a público falar que a França tava se preparando para combater aí uma guerra híbrida, que não sabia o que que podia acontecer, né. Tinha um clima meio estranho e alguns outros países começaram a se manifestar mais ou menos no mesmo sentido, Daniel, de uma preocupação muito grande com a Rússia, o que que poderia acontecer, qual seria o futuro da Europa.

Isso veio, Daniel, no momento em que fontes de inteligência ocidentais divulgaram, e saiu primeiro no The Telegraph, né, um jornalão britânico, que Vladimir Putin planejava uma nova escalada na guerra contra a Ucrânia logo depois das eleições. A gente falou sobre as eleições, né, as eleições parlamentares na Rússia, né, para fazer ali a Duma. Elas começaram na sexta, foi sexta, sábado e domingo. Então o que o Telegraph tava anunciando era que, olha, uma série de fontes de inteligência ocidentais começaram a dizer, tinham chegado à conclusão de que a ideia de Vladimir Putin é: assim que passasse essa eleição, ele faria uma nova ofensiva muito grande na guerra da Ucrânia.

E o raciocínio é: se a gente tiver que negociar agora, então, se a gente abrir uma negociação— e eu falei um tempo atrás aqui, Daniel, que tinha um certo clima de que a negociação ela podia acontecer e tal, mas que a Rússia não estaria numa posição tão vantajosa quanto ela gostaria. Ela gostaria de estar numa posição ainda melhor. Então, que haveria a possibilidade de uma mobilização de até 300 mil soldados um pouco depois da eleição.

Um pouco depois da eleição, Daniel, é por agora, é por aí nesses próximos dias agora. Isso já poderia acontecer. Isso levou a uma série de alertas por parte de países europeus. A França se manifestou, o Reino Unido se manifestou, a Alemanha se manifestou. E o Putin reagiu a isso tudo dizendo: olha, a Europa está, Europa Ocidental está claramente se preparando para nova guerra. Então aí, Daniel, a gente tem aquela clássica escalada de tensões, né?

Então a Europa diz que a Rússia vai fazer uma ofensiva. A gente não sabe se é verdade ou não, porque é claro que a Rússia não vai confirmar isso para gente. E o que a Rússia vai dizer é: olha, eu tô me mobilizando aqui não porque eu já faria, Eu tô me mobilizando porque a Europa tá se mobilizando, eu não posso deixar que a coisa aconteça de qualquer maneira. Mas é uma preocupação por parte da Europa, Daniel, com relação a dois elementos.

O primeiro deles é a chamada guerra híbrida. Esse foi o termo inclusive utilizado pelo Macron. O que que é a guerra híbrida? Guerra híbrida é aquela que não é exatamente um ataque militar, envolve eventualmente sabotagem, propaganda, envolve um cyberattack, né, um ataque cibernético. Envolve eventualmente algum tipo de ataque militar, mas, né, por meio de, por exemplo, de agência de inteligência, serviço secreto. Então essa é uma primeira preocupação.

O que o Macron disse é: a França está se preparando para uma guerra híbrida oriunda da Rússia. E a segunda preocupação é a possibilidade de que algum ataque aconteça nas fronteiras da OTAN. Isso vem ganhando força, Daniel, principalmente a partir do momento em que há uma ameaça por parte dos Estados Unidos, de Donald Trump. A gente já falou isso aqui inúmeras vezes. Aliás, o Trump fala sobre isso o tempo todo, que a possibilidade dos Estados Unidos reduzirem as forças que os Estados Unidos mantêm na Europa, haveria possibilidade dos Estados Unidos tirarem até um terço das forças que eles mantêm na Europa.

Ora, Daniel, se isso acontecer, há uma sinalização para a Rússia que é: se a Rússia fizer um ataque contra a Polônia, por exemplo, contra a Estônia, contra a Lituânia, contra quem quer que seja ali na fronteira, Será que a OTAN vem mesmo? A lógica da OTAN é: um ataque contra um membro da OTAN significa um ataque contra todo mundo. E esse todo mundo que mais interessa são os Estados Unidos. Se os Estados Unidos estão dizendo o seguinte: eu não posso confiar na Europa, na hora que eu fui para uma guerra lá no Oriente Médio, a Europa não me apoiou, logo eu também não tenho responsabilidade nenhuma com a Europa, vou começar a tirar minhas forças.

Se a Rússia agora, nesse clima, faz um ataque contra a Polônia ou faz um ataque contra Estônia, será que os Estados Unidos vêm? Será que a OTAN reage? Então o clima que a gente tem na Europa, Daniel, é mais ou menos esse. Pessoal que analisa a Rússia por dentro tá dizendo que se o Putin de fato mobilizar, fizer uma mobilização de 300 mil soldados hoje, não é a mesma coisa que aconteceu em 2022. Já um cansaço maior com a guerra.

Então teria sido por isso que ele teria esperado a eleição acabar para agora fazer esse movimento, dá tempo da insatisfação passar, conseguir uma vitória diplomática e militar na Ucrânia, né, uma negociação favorável, para na próxima eleição, quando ela acontecer, a situação já tá um pouco mais tranquila. Mas a gente tem de fato, ao longo dos últimos dias, um clima complicado, um clima difícil. Então só queria trazer isso aqui, Danilo, para explicar, porque muita gente começou a ficar desesperada.

Meu Deus, será que a gente tá às beiras de uma guerra agora? Será que isso pode acontecer? Nos próximos dias. Me parece improvável que você tenha um conflito militar nesse momento, mas há de fato um clima, Daniel, que até algum tempo atrás— tô falando inclusive período da guerra, tá, de 22 para cá— até algum tempo atrás não havia um clima de tamanha preocupação, mobilizado inclusive pelos próprios serviços de inteligência dos países da Europa Ocidental.

DSDaniel Sousa

Daniel, esse sentimento ele acaba sendo turbinado, Tanguy, pelos ataques, né, que a Ucrânia perpetrou contra a Rússia. Imagens ali impressionantes de fogo em refinarias. Tentando levar a guerra para o coração do inimigo, para o coração da Rússia. Fora o fato de que esse temor em relação à presença ou não de aliados, no caso de algum tipo de operação militar, de algum tipo de incursão militar em países vizinhos, tem precedente histórico.

Se a gente pensa, por exemplo, na Polônia, que foi invadida pelos nazistas e pelos soviéticos em 1939, havia ali um acordo que você teria que ter socorrido a Polônia naquele momento. Franceses e britânicos deveriam ter socorrido os poloneses naquele momento, o que não aconteceu. E caso a Rússia fizesse uma incursão como essa e não houvesse uma resposta unísona da OTAN, a OTAN acabou. Na prática, a OTAN acabou. Então, isso seria ali um movimento muito ousado por parte da Rússia, mas poderia ser um movimento com consequências muito severas.

Sobre o equilíbrio internacional e sobre a segurança internacional. E falando ainda sobre Rússia, Tanguy, o Trump assinou na última sexta-feira um projeto de sanções que lhe dá poder de impor tarifas de até 100% sobre produtos de países que continuem comprando petróleo russo. O objetivo do Congresso dos Estados Unidos, que acabou sendo apoiado pelo Trump, é cortar a receita que financia a guerra da Rússia na Ucrânia. Além dá a Trump ampla discricionariedade sobre quando e como aplicar essas tarifas.

A Índia, por exemplo, importa mais de 90% do petróleo que consome, importa muito petróleo, refina e eventualmente até reexporta. A dependência russa voltou a crescer porque a guerra no Irã atrapalhou o fornecimento do Oriente Médio. Então os indianos voltaram a comprar mais petróleo da Rússia. O petróleo russo respondeu por cerca de metade das importações indianas nesse verão do Hemisfério Norte. Em fevereiro, dias antes da guerra contra o Irã começar, Washington e Nova Delhi haviam fechado um acordo comercial: os Estados Unidos baixariam tarifas e a Índia reduziria a compra de petróleo russo.

Em seguida, as premissas desse acordo acabaram se desfazendo. Afinal, a guerra no Irã dificultou obter petróleo no Golfo Pérsico e o Tesouro americano, diante dessa mudança, permitiu que a Índia comprasse mais petróleo russo, continuasse comprando mais petróleo russo. Agora, Washington volta a ameaçar punir a Índia por comprar petróleo que que ficou mais difícil de substituir. O Ministério das Relações Exteriores da Índia destacou o seguinte: a Índia permanece firmemente comprometida em garantir a segurança energética para 1,4 bilhão de pessoas.

Em português, claro, a Índia disse: eu não vou ceder, eu não vou deixar o país sem energia porque os Estados Unidos querem agora mudar sua política em relação à Rússia, e tentar, de alguma maneira, dificultar o financiamento da máquina militar russa. A China compra mais petróleo russo do que a Índia e também está no alcance da nova lei. Autoridades chinesas também sugeriram ali muita preocupação em relação a essas possíveis sanções adicionais impostas pelos americanos.

Agora, tem que ficar cada vez mais claro que a capacidade dos Estados Unidos de pressionar os outros através de sanções, como tarifas mais altas, vai se tornando cada vez menor. A Índia não vai parar de comprar petróleo russo se ela não tiver alternativa. A China tampouco. Você pode colocar a tarifa que você quiser, que não vai surtir ali o efeito esperado. E as primeiras reações desses dois países sugerem isso. Dois países, inclusive, que tiveram recentemente reunidos no BRICS, O Brasil acabou não tendo ali a presença do presidente brasileiro, mas essa aproximação ela acaba sendo natural dentro dessa adversidade, desse momento de adversidade, independentemente das dificuldades de relacionamento entre China e Índia que existem também.

TBTanguy Baghdadi

Que a Índia tá dizendo então, Daniel, que ela arrumou um ótimo negócio, que é comprar petróleo da Rússia. Lembrando que a Rússia tá vendendo petróleo mais barato e ela vai até o final, né? Afinal de contas, inclusive, seu próprio crescimento econômico depende disso. E por falar em bom negócio, Daniel, a Insider Store tá a fim de competir aí também, viu, Daniel, com os melhores negócios da semana. A Insider Store, Daniel, tá no mês do cliente até o final desse mês agora, Daniel.

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DSDaniel Sousa

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TBTanguy Baghdadi

Interessoso. Eu quero falar na próxima pauta sobre a escolha do novo secretário-geral da ONU. O secretário-geral da ONU nesse momento é o português, né, o António Guterres. Ele tá terminando o seu segundo mandato, não pode portanto ser reeleito. Cada mandato tem 5 anos, né? Então ele tá chegando aí já no final do seu segundo mandato, né, quase 10 anos já à frente da Organização das Nações Unidas. E portanto, nesse finalzinho do ano agora, nós temos a escolha do novo secretário-geral, que vai iniciar portanto um mandato de 5 anos.

O Brasil, isso não é surpresa para ninguém, apoiou a ex-presidente chilena Michelle Bachelet. Bachelet, ela foi presidente do Chile duas vezes e agora tá tentando aí ser a próxima secretária-geral das Nações Unidas. Existe um clima na ONU, Daniel, de que o ideal agora seria a volta de um latino-americano. Faz muito tempo que não temos nenhum latino-americano à frente da, da, da, enfim, da Secretaria-Geral das Nações Unidas. E que seria bom ter uma mulher também.

Nunca houve uma mulher também à frente da ONU. Então a ideia de uma mulher latino-americana tem sido muito bem vista. Porém, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou no último sábado a retirada da sua candidatura. Isso aconteceu por alguns motivos. O primeiro deles, Daniel, é que por ela ser chilena, é importante para sua candidatura que ela tenha apoio do governo chileno. Olha, se o governo do Chile não apoia, Daniel, o clima que fica é: se o teu governo não te apoia, o que que eu vou te apoiar, né?

Então ela lançou sua candidatura no momento em que o presidente do Chile era o Gabriel Boric, de quem ela tinha uma certa proximidade ideológica. Só que desde que nós tivemos a ascensão do Kast, né, que é um cara muito à direita, né, enfim, ela sempre foi uma presidente de centro-esquerda, ele tirou o apoio a ela. E para piorar, você tem uma série de sondagens, Daniel, de antecipações de uma eventual votação para secretário-geral que acontece no Conselho de Segurança.

Lembrando que o órgão que escolhe, no fim das contas, o secretário-geral é a Assembleia Geral. Só que antes você precisa de uma recomendação do Conselho de Segurança. Então o Conselho de Segurança vota para saber quem vão ser os nomes indicados que podem ser votados, portanto, na Assembleia Geral. Se não tiver indicação, inclusive, do Conselho de Segurança, não pode ser votado na Assembleia Geral. E a Michelle Bachelet, Daniel, se mostrou muito isolada no Conselho de Segurança.

Os Estados Unidos claramente não querem que a Michelle Bachelet seja secretária-geral, e portanto ela começou a ver que no próprio Conselho de Segurança sua candidatura tava derretendo. E ela, portanto, retirou a sua candidatura. Continua na disputa, Daniel, a ex-chanceler da Guiana, a Caroline Rodrigues Birkett. Então ela é um nome forte, mais uma vez também a mulher da Guiana, então também latino-americana. Você tem o argentino que atualmente é diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o Rafael Grossi, é um nome possível também.

Existe a possibilidade da Rússia vetá-lo Por que que a Rússia o faria? Porque os Estados Unidos estão apoiando. Então, os Estados Unidos estão apoiando, de repente aqui eu contrabalanço, veto o nome dele. Você ainda tem o ex-presidente do Senegal, o Macky Sall. Aí, claro, é um homem que não é latino-americano, mas enfim, não é uma obrigação, né, ser latino-americano. E você ainda tem uma diplomata equatoriana chamada Maria Fernanda Espinoza.

A gente ainda tem que ver qual vai ser a posição do Brasil daqui para frente, mas o fato, Daniel, é que ela entendeu que a sua candidatura ela era inviável nesse momento. Ela recebeu muito pouco apoio no próprio Conselho de Segurança. Muitas vezes esses países que estão no Conselho de Segurança, eles geram também pressão na Assembleia Geral. Seus aliados também não vão votar em quem você não votaria. Então ela acabou tomando a decisão de retirar a sua candidatura.

A gente vai ter que ver, Daniel, portanto, nas próximas semanas como é que vai ser essa votação, como é que vai ser essa antecipação no Conselho de Segurança, e ver como é que a Assembleia Geral das Nações Unidas vai votar. Mas o fato é que a partir de janeiro do ano que vem teremos um novo secretário-geral na Organização das Nações Unidas, Daniel.

DSDaniel Sousa

Tanguy, você citou a Guiana há pouco e eu acho importante registrar que o nosso vizinho, porque a Guiana realmente acaba sendo vizinha do Brasil no norte da América do Sul, deve alcançar a produção de 1,7 milhão de barris por dia até o ano de 2030, no primeiro semestre de 2026. O crescimento da Guiana foi de inacreditáveis 33% em comparação ao mesmo período do ano anterior. É o ritmo de crescimento mais rápido do mundo, mais veloz do mundo.

A Guiana está se tornando o país mais dependente do petróleo do hemisfério ocidental. E Georgetown, que é a capital da Guiana, tem Ferraris circulando pelas ruas. Enquanto grande parte da população vive em condições precárias, com inflação alta, porque, afinal, tem muito dinheiro rolando, moradias caras e serviços públicos deficientes. Mas a própria Guiana começa a ter uma projeção internacional um pouco maior, até mesmo dentro das Nações Unidas.

E, Tanguy, fazendo aqui um pequeno esquenta, porque nessa semana teremos visita de Estado de Xi Jinping, a Washington. Teremos Xi Jinping e Donald Trump se encontrando, muitas questões em aberto que precisam ser discutidas entre os dois, mas eu achei muito interessante porque o ritmo de envio de terras raras e minerais críticos da China para os Estados Unidos desabou nas últimas semanas. Ah, meu Deus do céu! É, nós temos A maior queda desde a pandemia da COVID-19.

Para bom entendedor, pingo é letra. A China está mostrando para os Estados Unidos o seguinte: olha, queria estar lembrando a vocês, Estados Unidos, que eu posso estar reduzindo o envio desses insumos absolutamente importantes e estratégicos. E também queria lembrar que a capacidade de vocês de me apertar diante de uma negociação comercial que tende a ser bastante dura, é bastante limitada. Aliás, nesse ano de 2026, a China também restringiu a exportação para dezenas de empresas japonesas depois que a primeira-ministra do país colocou ali um hipotético papel japonês a respeito de um hipotético conflito envolvendo Taiwan.

Pequim não impôs o mesmo aperto à Europa, Mas, mesmo assim, europeus, americanos, japoneses, está todo mundo tentando construir alternativas a essa cadeia fornecida pela China de terras raras e minerais críticos. E o Brasil, claro, aparece como uma grande opção, uma grande alternativa nesse cenário internacional conflagrado. Definitivamente, não temos mais o que tínhamos no passado. Que era um ambiente onde os parceiros confiavam uns nos outros.

Agora ninguém mais confia em ninguém. Isso vai gerando uma fragmentação econômica que traz consequências para inflação, para crescimento econômico mundial. E isso é algo que salta aos olhos. E essa semana a gente tem mais um capítulo dessa história.

TBTanguy Baghdadi

Ô Daniel, nessa história toda de aliado que não confia mais aliado, eu confesso que até hoje o que mais me salta aos olhos é a deterioração da relação entre Canadá e Estados Unidos. Essa daí me parecia aquela que tava acima de qualquer suspeita, né, a grande relação. E agora, Daniel, a gente tem até uma geleia envolvendo os dois, né, envolvendo o Canadá e os Estados Unidos, com, né, uma zoação aí de um para o outro. Conta para a gente, Daniel, o que que tá rolando.

DSDaniel Sousa

Tem um momento tão ruim entre Estados Unidos e Canadá, e acho que não é nenhum exagero dizer que é o pior momento na história do relacionamento dos dois países, que o Mark Carney, que é o primeiro-ministro do Canadá, resolveu debochar em público do Donald Trump. O deboche aconteceu na última sexta-feira, 18 de setembro, em Ottawa, no Canadá. O gesto, que foi o gesto que ele fez imitando aquele acordeon que o Trump toca quando fala, aquelas mãos absolutamente inquietas, aconteceu durante um discurso de Carney para parlamentares e membros do partido liberal.

Enquanto falava sobre projetos de energia limpa e sobre as prioridades do governo, o Carney imitou um movimento de mãos estilo acordeão, que marca, que é a marca registrada de Trump. E a plateia veio abaixo, tá, com o Carney debochando do Donald Trump. Que momento, que momento! Quem tiver oportunidade, veja o vídeo, porque realmente é engraçado. Realmente é engraçado. E você já tem, inclusive, montagens com carne em cima e o Trump embaixo fazendo exatamente o mesmo movimento, por conta desse contexto no qual os dois países estão inseridos.

Quando nós imaginamos que teríamos o primeiro-ministro do Canadá debochando em público do presidente dos Estados Unidos? Realmente, sinal dos tempos. Canadá que em breve será parte da Europa, né? Canadá parece que está de malas prontas, vai para o continente europeu. Cansou da América, vai mudar para Europa.

TBTanguy Baghdadi

Mas raciocina comigo aqui, a Groenlândia é parte da Dinamarca, né? Pois é, a Groenlândia. Então assim, é meio Europa ali. O Canadá tá do lado da Groenlândia. Então assim, se por assim, por familiaridade, de repente o Canadá consegue até um passaporte europeu aí. Agora, é, o relacionamento tá nesse nível, Daniel, no momento em que Donald Trump tá querendo se aproximar da Coreia do Norte, né? Então os Estados Unidos se aproximam da Coreia do Norte, se afasta do Canadá.

Isso é o que você tem no ano de 2026. Aí você tenta entender isso, né, vai para análise e tal, ou continua ouvindo o Peti Jornal, que a gente vai acompanhar isso aqui tudo muito de perto. Agora é verdade, Daniel, agora na quarta-feira a gente volta. Daniel Souza tem um longo, longuíssimo voo de volta para o Brasil. Então na quarta-feira a gente vai ter o nosso próximo episódio. Um prazer estar aqui junto com vocês. Muito obrigado pela sua presença, muito obrigado pela sua companhia.

E Daniel Souza, nos próximos dias a gente vai ter, é, quer dizer, amanhã a gente não tem episódio, mas tem Petit Cursos, né? Acessa lá petitcursos.com.br para você assistir às aulas gravadas do Petit Cursos, aulas que estão sendo produzidas desde o ano de 2020. Aí você acessa lá a aula que você quiser, na hora que você quiser, sobre o tema que você quiser. Eu tenho certeza que você vai gostar de boa parte dos assuntos que a gente trata por lá. Só acessar lá, peticursos.com.br.

DSDaniel Sousa

Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Pet Jornal, vocês que ajudam a manter o nosso projeto de pé. Fica nosso carinho, nosso abraço, nosso muito obrigado a cada um de vocês. O Pet Jornal é uma mídia pequena, é um produto digital artesanal, e o auxílio, o apoio, o suporte de nossos apoiadores é de fundamental importância. Fica aqui o nosso agradecimento a cada um de vocês. Fica também o convite: se você gosta dos nossos projetos, faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

No descritivo desse episódio temos várias alternativas. Tem a chave Pix, que é uma forma prática e instantânea de apoiar o PetiJornal. Você pode inclusive ativar o Pix recorrente. Tem também o link do Apoia.se, o link do Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

TBTanguy Baghdadi

É isso, Daniel Souza. Quarta-feira estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu, tchau tchau! PetiJornal, inteligência e irreverência em doses diárias.

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